Homossexualidade e matrimônio: A Igreja discrimina injustamente?

HOMOSSEXUALIDADE E MATRIMÔNIO: A IGREJA DISCRIMINA INJUSTAMENTE?

Escrito por Pedro María Reyes Vizcaíno /  /  / Martes, 18 de Maio de 2010

Está na moda falar de discriminação quando se tratam certos temas sensíveis para a doutrina da Igreja Católica, como o aborto ou a homossexualidade.

Como conseqüência disso se assinala à Igreja como uma fonte importante de discriminação -se não é a mais importante- para os coletivos e grupos que apóiam a difusão -ou como dizem eles a “normalização”- da homossexualidade. São grupos muito ativos que, entre outras estratégias, pedem que a Igreja revise sua postura sobre esta questão.

É paradoxal, contudo, que enquanto nos foros internacionais se proclama a liberdade religiosa, por sua vez se intenta calar a doutrina da Igreja Católica sobre a homossexualidade.

O ensino da Igreja sobre a homossexualidade também é religioso

A doutrina da Igreja sobre a homossexualidade é uma doutrina religiosa, e como tal tem direito a ser difundida livremente. De outra maneira os ativistas homossexuais estariam pretendendo ditar às confissões religiosas quais são suas crenças, o que é uma intolerável intromissão.

Certamente não é só uma doutrina religiosa. Os autores católicos, junto com outros muitos autores, elaboraram argumentações baseadas na força da razão coincidentes com a doutrina da Igreja sobre a homossexualidade. Estes autores defendem que a Igreja não impõe a doutrina católica à sociedade, e podem dizê-lo porque oferecem argumentos sólidos baseados na natureza humana sem necessidade de recorrer à Bíblia ou ao Magistério da Igreja. A doutrina que prega a Igreja Católica sobre a homossexualidade, pois, se pode defender pela força da razão, mas não se pode esquecer que a condenação dos atos homossexuais também forma parte da doutrina da Igreja Católica, e portanto, é uma doutrina religiosa.

Ninguém está obrigado a crer que a Bíblia é um livro revelado, mas não se pode obrigar à Igreja a alterar a redação deste livro em versículos como este:

Pelo qual Deus os entregou a afetos vergonhosos; pois ainda suas mulheres mudaram o natural uso no uso que é contra natureza; do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural das mulheres, se acenderam em suas concupiscências uns com os outros, cometendo coisas nefandas homens com homens, e recebendo em si mesmos a recompensa que proveio de seu erro (Rom 1, 26-27).

Tampouco ninguém está obrigado a crer que João Paulo II estava assistido pelo Espírito Santo quando aprovou o Catecismo da Igreja Católica, mas se deve respeitar que a Igreja considere que forme parte de sua doutrina o seguinte:

Apoiando-se na Sagrada Escritura que os apresenta como depravações graves (cf. Gn 19, 1-29; Rm 1, 24-27; 1Cor 6, 10; 1Tm 1, 10), a Tradição declarou sempre que ‘os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados’ (CDF, decl. “Persona humana” 8). São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de una verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não podem receber aprovação em nenhum caso (Catecismo da Igreja Católica, n. 2357).

Mas esta doutrina não é uma discriminação para as pessoas que sentem tendências homossexuais?

A Igreja rechaça o pecado, não o pecador. A doutrina da Igreja é a de acolher e compreender ao pecador, porque todos somos pecadores e estamos chamados a lutar para superar nossos pecados. Ninguém é responsável de suas tendências. Todos estamos chamados à maior amizade com Deus, apesar de que todos temos tendência a pecar de um modo ou outro. A Igreja acolhe às pessoas com tendências homossexuais igual que aos demais. Unicamente lhes pede -a eles e a todos- que lutem por superar as tendências que lhes levam a cometer pecados.

Ninguém está obrigado a aderir-se à doutrina que indica que os atos homossexuais são pecaminosos, mas a liberdade religiosa exige que se respeite que alguns os considerem assim. Isso sim, qualquer autor católico pedirá às pessoas com tendência homossexual que se não querem crer na capacidade da Igreja para julgar da moralidade dos atos homossexuais, ao menos atendam os argumentos de razão que se deram neste sentido. Não poucos rechaçam os argumentos de razão que dão os autores católicos tachando-os de imposição de doutrinas religiosas à sociedade, o qual esconde uma discriminação para com esses autores, pois rechaçam seus argumentos sem analisá-los pelo mero fato de que quem os enuncia professam uma determinada confissão religiosa.

Definitivamente, a Igreja não condena a tendência à homossexualidade, o que condena são os atos homossexuais. E isso com a limitação de que ninguém, salvo Deus, é capaz de julgar a consciência de outra pessoa. Por isso a Igreja condena o fato objetivo imoral (neste caso o ato homossexual) deixando fora de seu juízo a responsabilidade moral de quem cometeu esse fato.

A negativa a admitir o matrimônio entre homossexuais, não é uma discriminação?

A questão do matrimônio entre homossexuais necessita esclarecer uma questão prévia: ninguém nega aos homossexuais seu direito a contrair matrimônio: os homossexuais podem casar-se igual que qualquer outra pessoa. Por matrimônio entendemos aqui o consórcio de toda a vida entre homem e mulher, ordenado por sua mesma índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole. Certamente em nenhum momento histórico se negou aos homossexuais seu direito a contrair matrimônio tal como se define esta instituição.

O que atualmente pretendem os coletivos homossexuais não é o reconhecimento do direito ao matrimônio para os homossexuais, mas a mudança da definição de matrimônio para que inclua às uniões entre dois homens ou entre duas mulheres. Não é possível deter-nos neste artigo neste ponto, mas se pode apontar que o matrimônio entre homem e mulher não é uma instituição arbitrária, mas que tende a proteger a união entre duas pessoas de cujo amor vem filhos ao mundo, o qual somente é possível se essa união se realiza entre homem e mulher. O leitor interessado poderá aprofundar neste argumento no artigo O contrato matrimonial e as uniões homossexuais.

Em qualquer caso, interessa assinalar que -além dos argumentos de razão que se podem dar- os católicos consideram que a doutrina do matrimônio forma parte da Revelação divina. Não se pode negar à Igreja o direito a organizar o matrimônio como estime conveniente. Ninguém está obrigado a aderir-se à doutrina da Igreja sobre o matrimônio, mas todos estão obrigados a respeitar as crenças dos católicos sobre este ponto. Resulta inadmissível que os grupos de pressão homossexuais tentem dizer-lhe à Igreja o que devem crer e o que não devem crer.

Por isso, a acusação de que a Igreja Católica discrimina aos homossexuais, esconde um ataque solapado ao direito à liberdade religiosa, pois o que certos grupos de pressão homossexuais tentam é que a Igreja se adira a seus postulados, sem respeitar a liberdade dos católicos de crer o que queiram.

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