Oração do dia

Oração do dia

Dom Manoel João Francisco / Bispo de Chapecó

Encerram-se os Ritos Iniciais da missa com a “Oração do Dia”, também chamada “Coleta” (IGMR 54). A expressão “coleta”, nasceu na liturgia galicana. Mais tarde, passou a ser usada pela liturgia romana. Vem do tempo em que os cristãos iniciavam a celebração da Eucaristia numa igreja e a continuavam em outra. A primeira chamava-se “igreja da reunião”, em latim, “ecclesia collecta”. Antes de sair em procissão para a segunda igreja, o que presidia
a celebração fazia “a coleta” ou seja, oração da “comunidade reunida”.

Hoje, prefere-se a expressão “Oração do Dia”, pois, conforme a orientação do Missal, esta oração “exprime a índole da celebração” daquele dia (IGMR 54).

Esta, portanto, não é a hora de colocar as intenções pessoais. Não é coleta de intenções, mas momento de os fiéis, a convite (oremos) do que preside, se “conectarem”, se “reunirem” ao redor do que está sendo celebrado na festa do dia. Para que tal aconteça solicita-se um breve silêncio depois do convite: oremos. Tomemos como exemplo a bela oração da Noite de Natal: Oremos. (silêncio). “Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu sua plenitude. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”. Amém.

Como se pode ver, a oração se compõe de quatro elementos. O terceiro elemento, por sua vez, compõe-se de outros três.

1) O convite à oração: é uma herança do judaísmo. Os grandes momentos de oração comum da assembléia litúrgica eram precedidos de um convite. Este convite é mais que um sinal. É um apelo que contém em si o que vai acontecer. Realiza o que diz, ou seja, coloca em oração.

2) O silêncio: Não é um detalhe facultativo. Está prescrito na IGMR 54. Tem duas funções. Permite aos fiéis tomarem consciência de que estão na presença de Deus e dá tempo para que cada um exprima para si mesmo o sentido da festa que se está celebrando.

3) O corpo da oração: Divide-se em três elementos.

a) A invocação, – Ó Deus – quase sempre acompanhada de um considerando (que fizestes resplandecer…, que reacendeis em nós…). Na liturgia romana a oração é sempre dirigida ao Pai. Também nas festas dos santos. Esta prescrição feita pelo Concílio de Hipona (393) se manteve em vigor até o século X, quando a liturgia galicana se impôs em Roma. A partir desta época, começam a ser encontradas orações dirigidas a Cristo

b) O pedido, motivo fundamental da súplica. Flui do conteúdo da festa, ou do tempo litúrgico.

c) A conclusão mostra que a oração é feita por Cristo no Espírito Santo.

4) O Amém: Com o amém, o povo se associa à súplica e se apropria da oração (IGMR 54). É como se dissesse ao que preside: o que acabas de dizer a Deus, como nosso intercessor e representante, é também nossa prece.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1) Qual o sentido da oração do dia?

2) De quantos elementos se compõe a oração dia?

3) Como participar da oração do dia?

Fonte: CNBB

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