DISTRIBUIR COMUNHÃO – AÇÃO RELACIONAL HUMANA/DIVINA

DISTRIBUIR COMUNHÃO – AÇÃO RELACIONAL HUMANA/DIVINA

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

Certa ocasião (era um final de domingo), uma irmã minha, participante ativa de sua comunidade de fé e com boa sensibilidade litúrgica, dirigiu-se a mim com estas palavras, bem numa linguagem de quem conhece a vida da roça: “Frei, hoje eu voltei da igreja muito chateada, indignada com o padre que veio celebrar a missa conosco”. “Como assim, mana? O que aconteceu?”, perguntei. E ela: “Pois na hora de distribuir a comunhão, ele parecia com alguém que estava dando milho para as galinhas”.

Entendi o que ela estava querendo dizer. O padre distribuía a comunhão como quem simplesmente ‘atirava’ a comida nas mãos (ou na boca) dos fiéis, de um jeito tão apressado e meramente funcional que dava a impressão de as pessoas serem tratadas mais ou menos como um bando de galinhas.
“Isso ainda acontece, também em outros lugares”, respondi à minha irmãzinha. E completei: “Acontece inclusive com ministros e ministras da comunhão eucarística! Mas não é sempre, nem em todo lugar. Também não vamos generalizar”.

Foi bom eu ter ouvido esse desabafo da minha irmã. Pois acordei para uma reflexão sobre o sentido da ação litúrgica de distribuir a comunhão. Reflexão esta que partilho aqui com você(s).

De saída, lembro-me da Eucaristia como um imenso e maravilhoso presente que Deus dá para nós. Então me vêem as seguintes perguntas: O que significa, por exemplo, a ação dar um presente a alguém? E como é que a gente costuma entregar um presente a alguém? Fazemos com que atitude? E como será que Jesus faria ao nos entregar e distribuir o seu próprio corpo, ao nos ‘presentear’ seu próprio corpo? Com que postura humana e espiritual o faria? E como é que, então, hoje em nossas comunidades vamos entregar (distribuir) para as pessoas o maior presente da história da humanidade, o corpo do Senhor?

Dar pessoalmente um presente para alguém… Trata-se de um ato relacional profundamente humano. Pois nele a pessoa que dá o presente entrega-se a si mesma, seu amor, sua amizade, seu carinho, sua admiração, seu reconhecimento, à pessoa presenteada. Olha nos olhos dela, esboçando-lhe um espontâneo sorriso, com a satisfação de quem de fato a ama e a admira. E esta (a pessoa que recebe), por sua vez, acolhe o dom com a gratidão e a alegria de quem se sentiu profundamente amada e acolhida.

Distribuir a comunhão, igualmente, é um ato relacional humano. Divinamente humano, pois nele o(a) ministro(a) do Senhor entrega às pessoas o presente maior, o corpo de Cristo. E nele (no ato de entregar este dom), o(a) ministro(a), precisamente por ser ministro(a) do Senhor, e consciente desta missão, faz as vezes do Senhor, ou seja, entrega-se também a si mesmo(a), seu amor, sua amizade, seu carinho, sua admiração, seu reconhecimento, à pessoa agraciada. Olha nos olhos dela com os olhos amorosos do Senhor e “mostra-lhe a hóstia um pouco elevada, dizendo: O Corpo de Cristo” (Instrução Geral sobre o Missal Romano, n. 161). Entrega-lhe o pão da vida vivenciando a própria atitude de Cristo, ou seja, como quem igualmente se põe numa entrega. E a pessoa que recebe, por sua vez, acolhe o dom com a gratidão e a alegria de quem se sentiu profundamente amada e acolhida, dizendo: “Amem”.

Por isso podemos dizer que o ato de distribuir a comunhão, ou melhor, de entregar o corpo de Cristo e recebê-lo, é uma ação litúrgica, uma ação eminentemente celebrativa, uma forma de celebrar… Celebrar o quê? A presença de um mistério. De que mistério? Do mistério de uma relação humana e divina (e vice-versa), expressa no gesto dar e receber, no qual experimentamos Cristo se entregando gratuitamente como alimento e, ao mesmo tempo, no ato de acolhê-lo, vivenciamos nossa entrega a ele para viver o seu amor.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1. Como (com que atitude) em sua comunidade o padre, o diácono, ou outro ministro, distribuem a comunhão para as pessoas?

2. O que você experimenta na hora em que o padre, o diácono, ou outro ministro, lhe entregam a sagrada comunhão? Por quê?

3. O que experimentamos quando damos ou recebemos um presente? Por quê?

4. Como deve ser a postura humana e espiritual do ministro e da ministra no momento de distribuir a comunhão às pessoas? Por quê?

5. Dá para experimentar no rosto, no olhar e na atitude do ministro que dá a comunhão o rosto, olhar e a atitude do próprio Cristo? Por que?

6. Por que distribuir a comunhão é uma ação litúrgica?

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