Diretrizes Gerais para o reto desempenho do Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística

Diretrizes Gerais para o reto desempenho do Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística

ARQUIDIOCESE DE BRASÍLIA – DF

Introdução

O Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística (MESCE) nasceu na Igreja e para a Igreja. Este fato tem repercussões concretas na vida eclesial.

Em primeiro lugar significa que a Eucaristia, o grande dom concedido à Igreja, deve ser guardada com dignidade e distribuída com zelo; e tudo o que se refere à sua conservação ou à ação de ministrar este dom, deve ser orientado por aqueles que na Igreja têm o múnus de pastor.

Em segundo lugar, indica que não é concebível no exercício deste ministério uma visão fechada e sectária, usando a Eucaristia para alimentar vaidades pessoais ou de grupos particulares. A Eucaristia foi dada à Igreja para promover a vida eclesial e torná-la “santa, sem mancha, sem ruga, nem defeito algum” (Ef 5, 27). Tudo isso acontece quando se sabe conservar dignamente e distribuir zelosamente o precioso Corpo e Sangue do Senhor.

As orientações que colocamos em vossas mãos surgiram neste espírito, e com este espírito devem ser observadas, para que o Mistério Eucarístico realize em nossa vida pessoal e comunitária aquilo que foi o desejo do Senhor ao deixar-nos seu Corpo e Sangue como alimento espiritual.

 

Quanto à escolha dos ministros

A instrução “Fidei Custos” do Papa Paulo VI, aos 30 de abril de 1969 “constituiu ministros extraordinários, para administrar a Sagrada Comunhão conforme o rito latino” (FC § 5) e estabeleceu as primeiras normas. Mais tarde, em 1973, com o documento “Immensae Caritatis” esta constituição de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística é confirmada com as seguintes palavras: “O Sumo Pontífice achou oportuno instituir ministros extraordinários, que possam comungar por si mesmo e distribuir a outros fiéis a Sagrada Comunhão” (IC). Em seguida determina as normas para que tal ministério seja exercido dentro da Igreja, passando a responsabilidade aos bispos diocesanos, para que seja exercido com dignidade e respeito.

Em nossa Arquidiocese, compete ao Senhor Cardeal-Arcebispo instituir tais ministros, realizando isto pessoalmente, ou através de seus auxiliares. A indicação do candidato pode ser feita pela comunidade. Depois de aprovado pelo pároco, este o apresentará ao Bispo, solicitando o seu credenciamento por escrito conforme formulário próprio. Os seguintes critérios devem ser observados, como pedem os documentos da Igreja:

1. Pessoas idôneas e especialmente escolhidas para tal ministério; recomenda-se a escolha de pessoas de idade madura (FC 1 e 5; IC 1, I; CDC cân. 228);

2. O candidato deve ter participação ativa na comunidade e ser bem aceito na mesma;

3. Que tenha condições e queira preparar-se para tal ministério (CDC cân. 231 § 1). Que tenha ainda  grau de cultura suficiente para se comunicar e exercer bem a sua missão;

4. Deve distinguir-se pela sua boa reputação, seu modo cristão de viver e sua fé;

5. É importante que contem com o apoio e consentimento de sua família, seu cônjuge.

Os candidatos apresentados devem freqüentar a preparação exigida pela Arquidiocese, sem a qual não poderão exercer a função de MESCE.

 

Formação inicial e permanente dos MESCE

O serviço da distribuição da comunhão não requer uma preparação qualificada como se dá aos ministérios ordenados; todavia, aos MESCE também é exigida uma séria formação bíblica, teológica, litúrgica e pastoral. Esta formação consta de dois momentos distintos e necessários:

1. O curso fundamental (formação inicial: é ministrado antes de conferir o ministério aos candidatos e deverá oferecer aos mesmos condições, para que exerçam com dignidade e eficiência o serviço que irão assumir. A equipe responsável por esta preparação é a Coordenação Arquidiocesana dos MESCE. Esta preparação é condição essencial para que o candidato seja admitido no Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística.

2. A Formação permanente: anualmente vem sendo ministrado a chamada “reciclagem para os MESCE”. O assunto e tempo da mesma, são estabelecidos pela Coordenação Arquidiocesana dos MESCE sempre de acordo com o bispo e os sacerdotes responsáveis pelos MESCE.

3. Faz parte também da formação permanente as reuniões mensais realizadas nas paróquias. Elas são conduzidas pelos representantes paroquiais dos MESCE sempre de acordo com o pároco. O objetivo destas reuniões é o de avaliar o exercício do ministério e aprofundar em algum tema.

 

Duração do mandato e área de atuação

O Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística é um ministério, como o nome indica, extraordinário; isto significa que está sujeito a certas circunstâncias e exigências, por isso:

1. É um ministério temporário e, na Arquidiocese de Brasília é conferido por um ano, podendo ser renovado o mandato desde que o MESCE atenda as exigências da Arquidiocese.

2. Compete ao pároco, ou ao Cardeal-Arquidiocesano (pessoalmente ou por outros) junto com o pároco, determinar a viabilidade de renovar ou não o mandato do ministro.

3. O ministério é conferido para a paróquia, por isso, o MESCE poderá exercer seu ministério somente na área de sua paróquia. Possuir o mandato numa paróquia não significa ter o mandato para todas as paróquias da Arquidiocese e menos ainda em outras dioceses.

4. Fora da área paroquial, o MESCE poderá exercer seu ministério somente nos eventos arquidiocesanos, sendo que aqueles que possuem o mandato conferido por outra Diocese devem se apresentar ao pároco e aguardar que este o integre nesta Diocese, cumprindo as mesmas exigências aqui determinadas.

 

A atuação do MESCE na ação litúrgica

A ação do MESCE, como o nome indica, é única e exclusivamente a de distribuir a Sagrada Comunhão, dentro da Celebração Eucarística e para os doentes. Podem ainda exercer as funções citadas no cân. 230 § 3, desde que faltem realmente os ministros citados em tal cânone e com a devida licença do pároco e determinações da Arquidiocese. Por isso:

1. Salvo a disposição do § 3º, o MESCE deve evitar exercer o ministério de leitor, comentarista, cantos, coroinha ou outro ministério litúrgico na mesma celebração em que irá atuar como MESCE: “Nas celebrações litúrgicas, cada qual, ministro ou fiel, ao desempenhar a sua função, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (SC 28).

2. O MESCE deve ocupar, durante a Celebração Eucarística, o primeiro banco e colocar sua veste somente no momento da comunhão, ou quando vai buscar o Ssmo. Sacramento no tabernáculo.

3. Caso falte coroinhas, o MESCE poderá substituí-lo. Participa da procissão de entrada juntamente com o presidente da ação litúrgica usando a veste desde o início da celebração.

4. A purificação das mãos não deve ser feita no ofertório, no momento do lavabo. Este gesto litúrgico compete ao que preside a ação litúrgica (numa concelebração, nem mesmo os sacerdotes que concelebram e diáconos que auxiliam na celebração purificam suas mãos). A purificação das mãos seja feita antes da Celebração da Eucaristia, na Sacristia.

5. A purificação dos vasos sagrados, depois da comunhão, é função do diácono, acólito instituído ou na falta deles do próprio sacerdote que preside a ação litúrgica e nunca do MESCE (cf. IGMR 137 e 148).

6. No exercício de seu ministério, o MESCE, deve usar a veste litúrgica prevista para tal função como pedem as normas da Igreja (cf. ES 20). A Arquidiocese determinou a veste branca com o emblema da Eucaristia como veste litúrgica para os MESCE, e ainda, que as mulheres não se apresentem para o exercício do ministério com roupas inconvenientes.

O MESCE deverá fazer parte da Equipe de Liturgia. Estar atento às necessidades do Pároco e da comunidade, promovendo a união de todos.

 

A atuação do MESCE fora da ação litúrgica

O MESCE está autorizado a distribuir a Sagrada Comunhão fora da missa somente aos doentes e quando preside a Celebração dominical na ausência de Presbíteros.

1. No atendimento aos doentes, o MESCE deve seguir o rito prescrito na Instrução Eucharisticum Mysterium (A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa).

2. Na Celebração Dominical, na ausência de Presbíteros, o MESCE deve usar o ritual aprovado pela Arquidiocese.

3. O MESCE deve evitar distribuir a Sagrada Comunhão em reuniões de movimentos ou grupos, mesmo que seja grupo de oração. No livro litúrgico, A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, são dadas orientações e normas precisas sobre a adoração ao Santíssimo Sacramento. O MESCE deve conhecê-las. Estas normas foram retomadas pelo Código de Direito Canônico (Cân. 943)

4. O ministro da exposição do Santíssimo Sacramento e da bênção Eucarística é o sacerdote ou o diácono.

5. Apenas em ocasiões especiais e com a devida permissão do Ordinário e consentimento do pároco o MESCE pode expor e repor o Santíssimo Sacramento; mas não pode, em hipótese alguma, dar a benção do Ssmo.

6. É expressamente proibido a exposição do Ssmo. Sacramento fora da Igreja; para levar o Ssmo. às capelas deve-se ter a expressa licença do Ordinário.

7. Ao MESCE não é permitido conduzir processionalmente o Ssmo. Sacramento.

 

Conclusão

Ao elaborar estas diretrizes, tivemos em vista dois pontos essenciais: em primeiro lugar o fato de que o MESCE deve adquirir um claro e preciso conhecimento sobre os aspectos essenciais do Mistério Eucarístico que está em estreita relação com o ministério ao qual é chamado a exercer; e, em segundo lugar que conheça as normas que regulam as celebrações litúrgicas. Sem esta clareza de idéia, fundamentada na fé da Igreja, O MESCE corre o risco de cair facilmente num devocionismo e também numa ação pastoral e litúrgica pouco iluminada. Esperamos que com tais normas, todos nós, tanto pastores como ovelhas, possamos crescer “no conhecimento e na graça” no que se refere ao Mistério Eucarístico, grande dom confiado à Igreja.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda