Comungar sob duas espécies

COMUNGAR SOB DUAS ESPÉCIES

Instrução Redemptionis Sacramentum, Capítulo IV – A Sagrada Comunhão

100. Afim de manifestar mais perfeitamente aos fiéis a plenitude do sinal no banquete eucarístico, os fiéis leigos são também admitidos à Comunhão sob as duas espécies, nos casos expostos nos livros litúrgicos, desde que com o prévio e incessante acompanhamento da devida catequese acerca dos princípios dogmáticos fixados nesta matéria pelo Concílio Ecumênico de Trento.

101. Para administrar a Sagrada Comunhão aos fiéis leigos sob as duas espécies, dever-se-ão ter na devida conta as circunstâncias, sobre as quais compete avaliar em primeiro lugar aos Bispos diocesanos. Exclua-se de modo absoluto esta possibilidade quando houver risco, por pequeno que seja, de profanação das sagradas espécies. Para uma coordenação mais alargada, é conveniente que as Conferências Episcopais publiquem, com o reconhecimento da Sé Apostólica mediante a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, normas relativas, sobretudo «ao modo de distribuir a sagrada Comunhão sob as duas espécies aos fiéis e ao alargamento da autorização».

102. Não se administre aos fiéis leigos o cálice quando esteja presente um número tal de comungantes que se torne difícil calcular a quantidade de vinho necessário para a Eucaristia e haja o risco de que «reste uma quantidade de Sangue de Cristo para consumir no fim da celebração superior ao que é razoável»; nem tão-pouco onde o acesso ao cálice só possa ser regulado com dificuldade; ou se requeira uma quantidade tal de vinho, que só dificilmente se possa ter a garantia da sua proveniência e qualidade; ou, então, onde não esteja disponível um número proporcional de ministros sagrados ou de ministros extraordinários da Sagrada Comunhão providos de preparação adequada; ou onde uma parte notável do povo persista, por várias razões, em não querer aproximar-se do cálice, diminuindo-se assim, de algum modo, o sinal da unidade.

103. As normas do Missal Romano admitem o princípio de que, nos casos em que a Comunhão é distribuída sob as duas espécies, «o Sangue do Senhor pode comungar-se bebendo diretamente do cálice, ou por intinção, ou por meio de uma cânula, ou por meio de uma colherinha». Quanto à administração da Comunhão aos fiéis leigos, os Bispos podem excluir a modalidade da Comunhão com a cânula ou com a colherinha, onde não for uso local, continuando sempre vigente a possibilidade de administrar a Comunhão por intinção. Todavia, se se usar esta modalidade, utilizem-se hóstias que não sejam nem demasiado finas nem demasiado pequenas, e que o comungante receba do Sacerdote o Sacramento apenas na boca.

104. Não se permita que o comungante meta por si a hóstia no cálice nem que receba na mão a hóstia intinta. Que a hóstia a intingir seja feita de matéria válida e consagrada, estando absolutamente proibido o uso de pão não consagrado ou de outra matéria.

105. Se não bastar um só cálice para distribuir a Comunhão sob as duas espécies aos Sacerdotes concelebrantes ou aos fiéis, nada obsta a que o Sacerdote celebrante use vários cálices. Convém, de fato, ter presente que todos os Sacerdotes que celebram a Santa Missa estão obrigados à Comunhão sob as duas espécies. Em razão do sinal, é louvável que se utilize um cálice principal maior juntamente com outros cálices de dimensões menores.

106. Deve, contudo evitar-se em absoluto vazar o Sangue de Cristo após a consagração, de um cálice para outro, para que nada aconteça que possa ser menos respeitoso de tão grande mistério. Para receber o Sangue de Cristo nunca se utilizem canecas, copos ou outros recipientes que não correspondam integralmente às normas estabelecidas.

107. Segundo a normativa estabelecida pelos cânones, «quem deitar fora as espécies consagradas ou as subtrair ou retiver para fim sacrílego, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica; o clérigo pode ainda ser punido com outra pena, sem excluir a demissão do estado clerical». Neste caso deve considerar-se incluída qualquer ação voluntária e grave de desprezo às sagradas espécies. Portanto, se alguém agir contra as referidas normas, despejando, por exemplo, as sagradas espécies no sumidouro da sacristia ou noutro lugar indigno ou no chão, incorre nas penas estabelecidas [195]. Além disso, tenham todos presente que no termo da distribuição da Sagrada Comunhão durante a celebração da Missa se devem observar as prescrições do Missal romano e, sobretudo, que deve ser imediatamente consumido no altar pelo Sacerdote ou, segundo as normas, por outro ministro, tudo o que eventualmente restar do Sangue de Cristo; quanto às hóstias consagradas que sobrarem, devem ser imediatamente consumidas no altar pelo Sacerdote ou levadas para o lugar destinado a guardar a Eucaristia.

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