ARS Celebrandi

SALVE MARIA IMACULADA!

Rezemos pela Obediência Litúrgica, especialmente por aqueles sacerdotes de alma distraída. Rezemos pelo Rito Romano Ordinário e Extraordinário, pelo Santo Padre o Papa Bento XVI que guia a Igreja de Cristo soberanamente.

“… estou convencido isto é-nos ensinado pela fé que sem a força da oração, sem a união íntima com o Senhor, as nossas iniciativas humanas serviriam muito pouco”. (Bento XVI)

Que a Liturgia seja honrada em todos os lugares da Terra, para a Glória de Cristo e santificação dos homens. Que os filhos da Igreja que são obedientes e se mantêm firmes, possam, pelo labor exemplar, guiar as almas mais tíbias rumo ao verdadeiro sentido do culto cristão.

“Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» (20) -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (21). Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles» (Mt. 18,20).

VIRGEM SANTÍSSIMA, MARIA AUXILIADORA DOS CRISTÃOS: Rogai por nós.

SALMO (Sl 70)

— Eu procuro meu refúgio em Vós, Senhor: que eu não seja envergonhado para sempre! Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me! R:— Minha boca anunciará Vossa justiça.

Oração do Anjo de Portugal

Predecessor das Aparições de Nossa Senhora de Fátima

“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação pelos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E, pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração, e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores. Amém”.

Celebração da Missa no Rito Novo

(Rito Segundo o Concílio Vaticano II) Versus Deum em Detroit – EUA

Memorare (Lembrai-vos)

Súplica à Maria Santíssima pedindo derramamento das virtudes em benefício dos sacerdotes menos zelozos

Latim
Memorare, o piisima Virgo Maria, non esse auditum a saeculo, quemquam ad tua currentem praesidia, tua implorantem auxilia, tua petentem suffragia esse derelicta. Nos tali animati confidentia ad te, Virgo Virginum, Mater, currimus; ad te venimus; coram te gementes peccatores assistimus. Noli, Mater Verbi, verba nostra despicere, sed audi propitia et exaudi. Amen.

Português
Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer, que algum daqueles que tenha recorrido à vossa clemência, implorado a vossa assistência, reclamado o vosso socorro, fosse por vós abandonado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem das Virgens, como Mãe recorro, de vós me valho e gemendo sob o peso de meus pecados, me prostro a vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó mãe do Verbo de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

Oração Reparadora ao Santíssimo Sacramento

Pelos Pecados e Sacrilégios cometidos contra Nosso Senhor Jesus Cristo

Divino Salvador Jesus, dignai-Vos baixar um olhar de misericórdia sobre Vossos filhos que, reunidos em um mesmo pensamento de fé, reparação e amor, vêm chorar a Vossos pés suas infidelidades e a de seus irmãos, os pobres pecadores. Possamos nós, pelas promessas unânimes e solenes que vamos fazer, tocar o Vosso divino coração e Dele alcançar misericórdia para o mundo infeliz e criminoso e para todos aqueles que não têm a felicidade de Vos amar!

Daqui por diante, sim, todos nós Vô-Lo prometemos:

Do esquecimento e da ingratidão dos homens, Nós Vos consolaremos Senhor! (Repetir após cada verso).
Do abandono em que sois deixado no santo tabernáculo, …

Dos crimes dos pecadores, …

Do ódio dos ímpios,…

Das blasfêmias que se proferem contra Vós, …

Das injúrias feitas à Vossa divindade, …

Dos sacrilégios com que se profana o Vosso Sacramento do amor, …

Das imodéstias e irreverências cometidas em Vossa presença adorável, …

Da tibieza do maior número dos Vossos filhos, …

Do desprezo que se faz a Vossos convites cheios de amor, …

Das infidelidades daqueles que se dizem Vossos amigos, …

Do abuso das Vossas graças, …

Das nossas próprias infidelidades, …

Da incompreensível dureza do nosso coração, …

Da nossa longa demora em Vos amar, …

Da nossa frouxidão em Vosso santo serviço, …

Da amarga tristeza em que sois abismado pela perda das almas, …

De o Vosso longo bater às portas do nosso coração, …

Das amargas repulsas de que sois saciado, …

Dos Vossos suspiros de amor, …

Das Vossas lágrimas de amor, …

Do Vosso cativeiro de amor, …

Do Vosso martírio de amor, …

A LITURGIA – SEU CONCEITO E SUA APLICAÇÃO

Verbete: Liturgia

1. Nome e conceito. (Do gr. = serviço do povo). No antigo uso profano designava qualquer serviço em favor do povo. No séc. II a.C. (nomeadamente na tradução dos Setenta) aparece também como serviço do culto. Mais tarde, nas Igrejas Orientais passou a designar a Missa. Na Igreja latina, só aparece no séc. XVI. O seu sentido foi-se precisando com o “Movimento Litúrgico”. Depois de Pio XII (Enc. Mediator Dei, 1947), o Conc. Vat. II (Sacrosanctum Concilium 7), para a definir, evoca três notas essenciais: é o exercício do sacerdócio de Cristo; nela, sinais sensíveis significam e, a seu modo, realizam a santificação do homem; e assim o Corpo Místico de Cristo (a Cabeça e os membros) exerce o culto público integral. O sacerdócio de Cristo exerce-se nos dois sentidos: no de culto perfeito a Deus (sentido ascendente) e no de santificação dos homens (sentido descendente). Neste exercício, a presença e atuação de Jesus Cristo são eficazmente asseguradas por sinais sacramentais. A própria Igreja é sacramento de Cristo, pois é através dela que, hoje, Jesus fala aos fiéis, lhes perdoa os pecados e os santifica, associando-os intimamente à sua oração e ao seu sacrifício de valor infinito (mistério pascal). Com razão se diz que a liturgia é «o cume para que tende toda a atividade da Igreja e simultaneamente a fonte de onde dimana toda a sua força» ( Sacrosanctum Concilium 10).

2. A liturgia ao longo da história. No NT, há referências a ações litúrgicas (1Cor 11,1-33; At I2,42-47…). Nas Apologias de S. Justino (séc. II), na Tradição Apostólica de Hipólito (séc. III) e noutros escritos dos primeiros séculos já se descrevem as várias celebrações (missa, sacramentos…). Com a paz de Constantino (séc. IV), a Igreja organiza-se e o culto litúrgico estabiliza-se, adquirindo grande esplendor. Para isso contribuíram grandes papas e bispos (Gregório Magno, Ambrósio, Cirilo…). São deste tempo os “sacramentários”, que fixam os textos litúrgicos. É um tempo criador, durante o qual se desenvolvem, a par, as liturgias orientais e as latinas (romana, ambrosiana…). Segue-se um período, até ao séc. XII, de certa confusão pela influência das Igrejas germânicas, francas e célticas. O povo tende a afastar-se da liturgia para se dar às devoções. No séc. XIII, os monges de Cluny e as Ordens Mendicantes, na sua ação missionária, contribuem para impor a todo o Ocidente a liturgia romana. São desta época o pontifical, o missal, o breviário e o ritual. Os dois últimos séculos, anteriores ao Conc. de Trento (séc. XVI), pouco significaram para a liturgia. Este Conc. e os Papas que o executaram puseram cobro aos abusos, estabeleceram os fundamentos teológicos das ações litúrgicas e, no clima da Contra-Reforma perante o Protestantismo, uniformizaram rigidamente a liturgia, centralizando toda a legislação na Cúria Romana. Pio V publicou o Breviário (1568) e o Missal (1570), e, outros Papas, os restantes livros litúrgicos, que estiveram em uso praticamente até ao Conc. Vat. II. Salvas a ortodoxia e a disciplina, perdeu-se o influxo vital da liturgia. O Movimento Litúrgico reagiu e preparou a reforma da liturgia, a qual, depois das intervenções de S. Pio X e de Pio XII, foi assumida pelo Conc. Vat. II, orientada pela Const. Sacrosanctum Concilium. Paulo VI, o grande executor do Concílio, empenhou-se a fundo nesta reforma, que hoje está praticamente concluída, embora nem sempre aplicada. Teve em vista principalmente a «participação consciente, ativa e frutuosa» nas ações litúrgicas (Sacrosanctum Concilium 11). Para isso, se clarificaram os ritos, se generalizou o uso das línguas vernáculas e se admitiu uma certa margem de adaptação nas formas de celebrar.

3. Movimento Litúrgico. Assim se ficou a chamar o conjunto dos esforços tendentes a tornar a liturgia mais vivida pelo povo de Deus. Preparado pelo estudo das fontes litúrgicas por especialistas dos sécs. XVII-XVIII, foi seu grande impulsionador D. Guéranger (+1875) com os seus monges beneditinos do Mosteiro de Solesmes. Na primeira fase, o M. L. germinou nos grandes mosteiros (Maredsous, Mont-César, Maria-Lach…). Depois, com D. Lambert Beaudouin (+1960), passou às paróquias e irradiou nomeadamente através de congressos e de revistas de pastoral litúrgica (Questions Liturgiques et Paroissiales, Maison Dieu). S. Pio X oficializou o M. L. e promoveu o canto gregoriano, a participação dos fiéis na Missa e a comunhão freqüente, mesmo das crianças. Pio XII foi outro grande paladino deste movimento, dele ficando célebre a sua Enc. Mediator Dei (1947).

4. Em Portugal, o M. L. deu os primeiros sinais nos Congressos Litúrgicos de Vila Real (1926), Braga (1928), Lisboa (1932) e Porto/Santo Tirso (1932). Entre os seus mentores e promotores, é de justiça referir D. António Coelho e Mons. Pereira dos Reis, respectivamente, nos dois principais centros de irradiação, o Mosteiro de Singeverga e o Seminário dos Olivais, com as revistas Opus Dei, Mensageiro de S. Bento, Ora et Labora e Novellae Olivarum. Mons. Freitas Barros promoveu, desde 1927, edições diversas da tradução portuguesa do Missal. Durante o Conc. foi constituída a Comissão Episcopal da Liturgia que, assessorada pelo respectivo Secretariado Nacional, assegurou as traduções e edições dos novos livros litúrgicos e a formação litúrgica do clero e dos fiéis, nomeadamente pela realização todos os anos, em Fátima, de Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica. 5. Elementos estruturais da liturgia. A liturgia concretiza-se nas celebrações litúrgicas (missa e sacramentos, Ofício Divino, bênçãos e outros sacramentais). A estrutura de cada uma das celebrações foi-se definindo desde os primórdios da Igreja. Esquematicamente, nas celebrações, enquadradas pelos ritos de abertura e de conclusão, desenrolam-se os vários ritos, em geral em torno do essencial. Os ritos são ilustrados pela Palavra de Deus, que é proclamada, rezada, cantada e inspira os diversos textos litúrgicos não bíblicos. Em geral, as celebrações contêm uma primeira parte de liturgia da palavra, que a reforma litúrgica pôs em evidência (Sacrosanctum Concilium 35). Os textos devem ser proferidos de acordo com a sua natureza, pois uma coisa é aclamar, outra suplicar ou meditar, ler ao povo ou cantar em conjunto (CB 116; EDREL 2653). As celebrações litúrgicas são de toda a Igreja, representada em cada uma pela assembléia celebrante, mesmo quando, nos sacramentos e sacramentais, são especialmente beneficiados com a graça de Deus determinados fiéis. A assembléia é um corpo orgânico, como o é a Igreja. Na maioria das celebrações, há um presidente que, pela ordenação sacerdotal, faz as vezes de Jesus Cabeça do Corpo Místico e atua em seu nome. Para determinadas outras funções, podem ser requeridos outros ministros (diácono, leitores e acólitos instituídos, leigos). E há celebrações que podem ser presididas por simples leigos. Os livros litúrgicos contêm não só os textos que pertencem aos diversos agentes litúrgicos, mas ainda as regras (rubricas) que os ritos devem respeitar. Tais ritos, que, segundo a reforma litúrgica, devem ser simples e claros (SC 34), recorrem a elementos naturais, (água, vinho, óleo, fogo, incenso…); a gestos (andar, comer, beber, lavar…); a posições corporais (de pé, sentados, de joelhos); e ainda a uma série de objetos, as alfaias litúrgicas (cálice, patena, lâmpadas, toalhas, paramentos…) e adequado local (igreja ou outro lugar de culto, como altar, ambão, crucifixo, imagens, bancos…). A celebração da liturgia decorre, no tempo, de acordo com o calendário do ano litúrgico. Nele se definem, ritmadas pela celebração da Páscoa semanal, as diversas solenidades, festas e memórias, em hora do Senhor, de Maria e dos Santos (D Manoel Franco Falcão).

…..
A palavra liturgia provém do grego clássico “leitourghia” e deriva da composição de laós (povo) e de ergon (obra). Quer dizer a união de um povo, expressão de comunidade, que se reúne para viver de forma profunda e solene uma obra de adoração completa ao seu Deus publicamente e expressivamente. É na sagrada liturgia e através dela que vivenciamos da maneira mais elevada a nossa fé a Deus, verticalmente, e o nosso amor e comunhão com o irmão que também vem para louvar e agradecer ao mesmo Deus, horizontalmente. A Liturgia Católica é dessa forma a oração mais sagrada da Igreja porque resulta da união de uma comunidade que unida busca contemplar e encontrar o insondável mistério do amor de Deus pela humanidade, com sinais, símbolos e gestos. Como diz Frei Patrício Sciadini, a liturgia é o momento aonde “sentimento, fé e arte se mesclam com a sabedoria da mente e do coração, formando o mundo espiritual dos gestos e do sagrado”.

Para apreciarmos uma obra de arte precisamos ter alguns conhecimentos básicos para não “coçarmos a cabeça” diante dela. Conhecer o mínimo sobre aquela escola artística, sobre o autor e sobre as suas intenções é pré-requisito para compreender a mensagem contida em cada peça artística, isso porque o ser humano só consegue apreciar e contemplar aquilo que conhece e entende. Infelizmente muitos de nós católicos passamos anos e anos participando da missa dominical sem entender o sentido da liturgia e acabamos nos limitando a imitar o que o outro faz, esvaziando assim toda a profundidade e toda a vida da sagrada missa. Não é a toa que muitos fiéis também “coçam a cabeça” diante dos símbolos, dos gestos e sinais presentes na liturgia justamente porque não conhecem o que tudo aquilo diz. Essas mesmas pessoas acabam a ler por ler, a se portar de forma maquinal e a celebrar para cumprir a obrigação. Mas aqueles que buscam compreender plenamente o sentido da liturgia recebem os frutos do Espírito Santo, inspirador da liturgia, e conseguem dia após dia através da participação viva da missa uma espiritualidade cada vez mais elevada e um fortalecimento de todas as virtudes cristãs.

Não é a toa que o Concílio Vaticano II chama a sagrada liturgia de o “cume para qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda a sua força”. Mediante esses sinais sensíveis presentes na sagrada liturgia chegamos a contemplar com toda a riqueza e plenitude os mistérios do amor de Deus pela nossa humanidade. Vamos então procurar compreender tudo o que essa mesma liturgia nos oferece para chegarmos com maior rapidez e eficácia espiritual a esse cume, a essas alturas sagradas para onde nosso coração e nossa alma buscam sem cessar: a própria essência de Deus.

“Fica sabendo, oh cristão, que mais merece ouvir devotamente uma só missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda terra”. (S. Bernardo).

A ARTE LITÚRGICA

Por Monsenhor Nicola Bux – teólogo consultor da Congregação para a Doutrina da Fé

Tradução: Leonardo José Silvestre

© Copyright sobre a tradução: Sociedade Católica

Para celebrar o serviço litúrgico com arte, o sacerdote não deve recorrer a artifícios mundanos, mas centrar-se na verdade da Eucaristia. A Instrução Geral do Missal Romano assinala: “Também o presbítero… quando celebra a Eucaristia, deve servir a Deus e ao povo com dignidade e humildade e, no modo de comportar-se e de proclamar as palavras divinas, dar a conhecer aos fiéis a presença viva de Cristo”. O sacerdote não inventa nada, mas, com seu serviço, deve fazer chegar, tanto quanto seja possível, aos olhos e aos ouvidos, mas também ao tato, paladar e olfato dos fiéis, o Sacrifício e a Ação de Graças de Cristo e da Igreja, a cujo mistério tremendo podem aproximar-se aqueles que foram purificados dos pecados. Como podemos aproximar-nos dEle se não temos os sentimentos de João, o Precursor: “É preciso que Ele cresça e que eu diminua”? (Jo 3,30). Se quisermos que o Senhor caminhe conosco, temos que recuperar essa consciência. Do contrário, privamos o nosso ato de devoção de sua eficácia: o efeito depende de nossa fé e de nosso amor.

O Sacerdote não é o dono dos Mistérios

O Sacerdote é ministro, não dono, é administrador dos mistérios: os serve e não os usa para projetar suas próprias idéias teológicas ou políticas e sua própria imagem, a tal ponto que os fiéis estejam focados nele no lugar de olhar para Cristo, que está representado no Altar, e presente sobre o Altar, e elevado na Cruz.

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Como o Santo Padre advertiu recentemente, a cultura da imagem no sentido do mundo marca e condiciona também aos fiéis e aos pastores. A televisão italiana, como comentário a esse discurso, mostrou uma concelebração na qual alguns sacerdotes falavam nos telefones celulares.

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Do modo de celebrar a Missa podem ser deduzidas muitas coisas: a cadeira do celebrante, em muitos lugares, tirou do centro a cruz e o tabernáculo, ocupando o centro da igreja, às vezes superando em importância o altar, terminando por parecer-se uma cátedra episcopal que, nas igrejas orientais, está fora do iconostáse, claramente visível por um lado. Isso era assim também para nós, antes da reforma litúrgica.

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A ars celebrandi consiste em servir ao Senhor com amor e temor: isso é o que se expressa com os beijos no altar e nos livros litúrgicos, inclinações e genuflexões, sinais da Cruz e incensações das pessoas e dos objetos, gestos de oferenda e de súplica, e a exposição do Evangeliário e da Santa Eucaristia.

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Agora, tal serviço e estilo do sacerdote celebrante, ou como gostam de dizer, do presidente da assembléia – termo que leva a mal entender a liturgia como um ato democrático – pode se ver em sua preparação na sacristia, no silêncio e no recolhimento para a grande ação que está por realizar, no seu caminho até o altar, que deve ser humilde, não ostentoso, sem olhar à direita e à esquerda, quase buscando o aplauso. De fato, o primeiro ato é a inclinação ou genuflexão diante da cruz ou do tabernáculo, em síntese, diante da Presença divina, seguido do beijo reverente ao altar e, eventualmente, a incensação. O segundo ato é o sinal da cruz e a saudação sóbria aos fiéis. O terceiro é o ato penitencial, que deve realizar-se profundamente e com os olhos baixos, enquanto os fiéis poderiam ajoelhar-se como no rito antigo – por que não? – imitando o publicano que agradou ao Senhor. As leituras serão proclamadas como Palavra que não é nossa e, portanto, com tom claro e humilde. Assim como o sacerdote, inclinado, pede que sejam purificados seus lábios e seu coração, para anunciar dignamente o Evangelho, por que não poderiam fazê-lo os leitores, se não visivelmente, como no rito ambrosiano, ao menos no seu coração? Não se levantará a voz como em uma praça e se manterá um tom claro para a homilia, mas submisso e suplicante para as orações, solene se cantam. O sacerdote se preparará inclinado para celebrar a anáfora com “espírito humilde e coração contrito”.

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O Assombro Eucarístico

Tocará os santos dons com assombro – o assombro Eucarístico do qual falou muitas vezes João Paulo II – e com adoração, e purificará os vasos sagrados com calma e atenção, segundo o pedido de tantos padres e santos. Se inclinará sobre o pão e sobre o cálice ao dizer as palavras de Cristo na consagração e ao invocar o Espírito Santo para a súplica ou epíclese. Os elevará separadamente fixando o olhar neles em adoração, abaixando-os, em seguida, em meditação. Seajoelhará duas vezes em adoração solene. Continuará a anáfora com acolhimento e tom orante até a doxologia, elevando os santos dons em oferenda ao Pai. Recitará o Pai Nosso com as mãos levantadas, e sem tomar a mão dos outros, por que isso é próprio do rito da paz; o sacerdote não deixará o Sacramento no altar para dar a paz fora do presbitério. Fracionará a Hóstia de um modo solene e visível, se ajoelhará ante a Eucaristia e orará em silêncio, pedindo ser livre de toda indignidade para não comer e beber a própria condenação, e pedindo também para ser custodiado para a vida eterna pelo santíssimo Corpo e o preciosíssimo Sangue de Cristo. Na continuação, apresentará a Hóstia aos fiéis para a Comunhão, suplicando Domine, non sum dignus e, inclinado, será o primeiro a comungar. Assim dará exemplo aos fiéis.

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Depois da Comunhão, fará a ação de graças em silêncio, a qual, melhor que sentados, pode fazer-se de pé em sinal de respeito ou de joelhos, se é possível, como João Paulo II fez até o final, com a cabeça inclinada e as mãos juntas; isso com finalidade de pedir que o dom recebido seja remédio para a vida eterna, como se diz enquanto se purificam os vasos sagrados. Muitos fiéis o fazem e são um exemplo para nós. O sacerdote, depois da saudação e da bênção final, dirige-se ao altar para beijá-lo e eleva os olhos à cruz, ou se inclina ou se ajoelha em frente ao tabernáculo. Logo volta à sacristia, recolhido, sem dissipar com olhares ou palavras a graça do mistério celebrado. Desse modo, os fiéis serão ajudados a compreender os santos sinais da liturgia, que é um assunto sério, e no qual tudo tem um sentido para o encontro com o mistério presente.

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Paulo VI, na instrução Eucharisticum mysterium chama atenção sobre uma verdade central exposta por São Tomás: “Esse sacrifício, como a própria paixão de Cristo, mesmo sendo oferecido por todos, sem dúvida, «não produz seu efeito senão naqueles que se unem à paixão de Cristo pela fé e pela caridade… e é aproveitado em grau diverso, segundo sua devoção»”. A fé é uma condição para a participação no sacrifício de Cristo com todo meu ser. Em que consiste a ação dos fiéis, diferentemente do sacerdote que consagra? Eles recordam, dão graças, oferecem e, dispostos de modo conveniente, comungam sacramentalmente. A expressão mais intensa está na resposta ao convite do sacerdote, pouco antes da anáfora: “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para a glória do Seu Nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja”.

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Sem a fé e a devoção do sacerdote, não há ars celebrandi e não é favorecida a participação do fiel, sobre tudo a percepção do mistério. Por que o Senhor “conhece nossa fé e entrega” (cf. Canon Romano), que se expressa nos gestos sagrados, nas inclinações, nas genuflexões, nas mãos juntas, no estar de joelhos. A falta de devoção na liturgia impulsiona muitos fiéis a abandonarem-na e a dedicarem-se a formas de piedade secundárias, ampliando a brecha entre estas e aquela.

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Dado que a sagrada liturgia é um ato de Cristo e da Igreja, e não o resultado de nossa habilidade, não fornece um êxito ao qual aplaudir. A liturgia não é nossa, mas Tua.

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A Tradição da Igreja

A Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, na instrução Redemptionis Sacramentum, recorda ao sacerdote a promessa da ordenação, renovada a cada ano na Missa crismal, de celebrar “devotamente e com fé e devoção os mistérios de Cristo para glória de Deus e santificação do povo cristão, segundo a tradição da Igreja” (cf. 31). Ele está chamado a atuar na Pessoa de Cristo e, por tanto, deve imitá-lo no ato supremo de oração e de oferecimento, não deve deformar a liturgia em uma representação de suas idéias, nem mudar ou agregar algo arbitrariamente: “O Mistério da Eucaristia é demasiado grande para que alguém possa permitir-se tratá-lo ao seu arbítrio pessoal, que não respeitaria nem seu caráter sagrado nem sua dimensão universal” (ibid. 11). A Missa não é propriedade do sacerdote ou da comunidade. A instrução expõe detalhadamente como deve ser celebrada corretamente a Missa, disso se trata a ars celebrandi: os seminaristas devem ser os primeiros a aprendê-lo cuidadosamente, a fim de poder por em prática como sacerdotes.

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Bento XVI, na Sacramentum Caritatis (38-42), trata o tema da ars celebrandi, entendido como a arte de celebrar retamente, e a apresenta como condição para a participação ativa dos fiéis: “A ars celebrandi provém da obediência fiel às normas litúrgicas em sua plenitude, pois é precisamente este modo de celebrar que assegura, desde há dois mil anos, a vida de fé de todos os crentes” (38). Na nota 116, a Propositio 25 especifica que “uma autêntica ação litúrgica exprime a sacralidade do Mistério eucarístico. Esta deveria transparecer nas palavras e ações do sacerdote celebrante, quando intercede junto de Deus Pai, quer com os fiéis, quer pelos fiéis”. Logo, a exortação recorda que “a ars celebrandi deve favorecer o sentido do sagrado e a utilização das formas exteriores que educam para tal sentido, como, por exemplo, a harmonia do rito, das vestes litúrgicas, da decoração e do lugar sagrado” (40). Tratando da arte do sagrado, chama à unidade entre altar, crucifixo, tabernáculo, ambão e cadeira (41): com atenção à seqüência que revela a ordem de importância. Junto com as imagens, também o canto deve servir para orientar a compreensão e o encontro com o mistério. O bispo e o presbítero estão chamados a expressar tudo isso na liturgia, que é sagrada e divina, de maneira que se manifeste verdadeiramente o Credo da Igreja.

(©L’Osservatore Romano – 4/5 Agosto 2008)

Traduzido de: http://la-buhardilla-de-jeronimo.blogspot.com/2008/08/el-arte-de-celebrar-el-servicio.html

Para citar: BUX, Monsenhor Nicola Bux – Tradução: Leonardo José Silvestre. Apostolado Sociedade Católica: A Arte de Celebrar o Serviço Litúrgico – Uma Reflexão à Luz do Magistério Eclesiástico. Disponível em

http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=380. Desde 23/09/08

DOM, MISTÉRIO E MAIS…

Por Monsenhor Nicola Bux

Tradução: Leonardo José Silvestre

© Copyright sobre a tradução: Sociedade Católica

Oferecemos a tradução de uma entrevista a Monsenhor Nicola Bux, teólogo consultor da Congregação para a doutrina da fé e autor do interessante artigo “A arte de celebrar o serviço litúrgico” que publicamos há alguns dias [N. do T.: esse artigo será publicado em breve no Sociedade Católica]. A reportagem foi realizada por Bruno Volpe para Pontifex.

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CIDADE DO VATICANO – Nos palácios sagrados é considerado um dos conselheiros mais estimados e escutados pelo Papa Bento XVI, que aprecia sua cultura, preparação e rigor doutrinal. Falamos de Monsenhor Nicola Bux, de Bari, consultor na Congregação para a Doutrina da Fé e especialistaem liturgia. Há alguns dias, o prestigioso sacerdote escreveu para L’Osservatore Romano um importante artigo sobre liturgia que desencadeou reações positivas nos leitores de blogs, em particular de Sacri Palazzi, de Andrea Tornielli. Pontifex intercambiou algumas reflexões com Monsenhor Bux.

Monsenhor Bux, qual é sua idéia de Liturgia?

Confesso que a pergunta não me convence. A Liturgia não deve ser de meu gosto, ou de Fulano, ou de Cicrano… A Liturgia é um Ofício Divino que responde às leis da Igreja e da qual ninguém pode apoderar-se.

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O que representa a Santa Missa?

Seria fácil dizer “dom e mistério”. Mas não basta. A Missa também é busca de um diálogo íntimo com Deus. Com finalidade de glorificar-Lo. Por isso, o celebrante deve acercar-se da Eucaristia com humildade, devidamente preparado e com o espírito adequado. O ministro deve evitar as invenções, as extravagâncias, as mudanças não autorizadas nas orações … Enfim, não deve inventar nada, tudo está escrito.

*
Muitas vezes se escuta: “vou à Missa das dez da manhã por que o sacerdote fala bem”…

Compreendo que cada um possa ter suas simpatias. É natural. Mas o centro da ação litúrgica é o Sacrifício de Cristo. Por isso, o papel do ministro é secundário. Em resumo, o celebrante serve como um instrumento de mediação, é mediador entre os fiéis e Deus. Por isso, não deve buscar uma atuação como protagonista com atitudes teatrais. Se assim o faz, desvaloriza a sobriedade da Missa…

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Existem abusos litúrgicos?

Certamente. Por exemplo, aplausos durante a Missa, certas canções melosas e assim sucessivamente… Mas o que importa principalmente é entender por que se sucedem os abusos….

As causas…

Exatamente. Fazendo meu um dito não precisamente curial, diria que todos querem ser generais, mas não temos simples soldados … Na prática, depois do Vaticano II, mas não por culpa do Concílio senão de maus intérpretes, se pensou que tudo era lícito e permitido. Que a bela e sã liturgia católica havia sido abolida. E não era assim. O Vaticano II, também na chave litúrgica e não só teológica, deve ser lido em continuidade com o Magistério da Igreja.

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O senhor gosta do Rito Tridentino?

Eu não o defino assim, mas Romano Antigo. Em todo caso, seria mais correto, se quisermos, chamar de São Gregório. São Pio V, cujos méritos não devem ser ignorados, na realidade, não inventou nada, mas organizou o existente, criando um belo Missal.

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O senhor prefere o Rito antigo ou o novo?

Ambos, sempre e quando celebrados dignamente. Também o Missal de Paulo VI é belo, rico, agradável. São os disparates que o distorcem… Repito: o que importa é o espírito do celebrante e a necessidade de recuperar rapidamente o decoro da ars celebrandi.

Amanhã se celebra a Assunção de Maria: o que significa, teologicamente?

Que Maria não conheceu pecado: honremo-la com devoção e seriedade. Jesus ressuscitou depois de sua morte; Maria foi assunta ao céu diretamente, em corpo e alma, sem conhecer a corrupção do sepulcro.

Tradução: Leonardo Jose Silvestre

Traduzido de: http://la-buhardilla-de-jeronimo.blogspot.com/2008/08/don-misterio-y-ms.html

Os destaques são do tradutor.

Para citar: BUX, Monsenhor Nicola Bux – Tradução: Leonardo José Silvestre Apostolado Sociedade Católica: Dom, Mistério e mais…. Disponível em

http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=376. Desde 22/09/08

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