A Sagrada Eucaristia: Um direito ou uma graça?

“A SAGRADA EUCARISTIA: UM DIREITO OU UMA GRAÇA?”

Arcebispo Raymond Burke, Prefeito da Assinatura Apostólica

Uma alta percentagem de católicos não acreditam que as espécies eucarísticas sejam o Corpo e o Sangue de Cristo.

Um alarmante percentual de católicos não participa da Missa Dominical.

Perda do senso de conexão entre o Sacramento da Sagrada Eucaristia e o Sacramento da Penitência.

No passado, talvez tenha havido uma ênfase exagerada a ponto de as pessoas pensarem que,  cada vez que fossem receber a Santa Comunhão, tinham que confessar-se primeiro, ainda que não tivessem cometido nenhum pecado mortal depois da última Confissão.

Agora as pessoas comungam regularmente e talvez nunca, ou muito raramente se confessam. Perderam o senso de que não são dignos de se aproximar do Sacramento e de que precisam confessar seus pecados e arrepender-se para receber dignamente a Sagrada Comunhão.

Ligado a isto há um sentimento oriundo da esfera civil, segundo o qual receber a Sagrada Comunhão é um direito; que como católico, tenho o direito de receber a Sagrada Comunhão. É verdade que, sendo batizados e tendo atingido a idade da razão, deveríamos estar preparados para a Sagrada Comunhão, e tantas vezes quanto estivermos bem preparados deveríamos receber a Sagrada Comunhão. Por outro lado, NUNCA temos um direito à Sagrada Comunhão.

Quem poderia afirmar que tem o direito de receber o Corpo de Cristo?

Esse é inteiramente um ato do incomensurável amor de Deus. Nosso Senhor faz-Se disponível a nós em seu Corpo e Sangue para uma comunhão santa. Mas JAMAIS PODEMOS DIZER QUE TEMOS O DIREITO A ELE, que podemos exigir receber Nosso Senhor na Sagrada Comunhão. Cada vez que dela nos aproximamos deveríamos fazê-lo com um senso profundo de nossa própria indignidade.

Estes seriam apenas alguns dos elementos que, se introduziram e explicam a atitude relaxada com relação à Santa Eucaristia. Vemos isto até mesmo na maneira pela qual as pessoas se vestem para participar da Missa; durante a Missa, pessoas indo receber a Santa Comunhão sem ficarem de mãos postas e, às vezes, até mesmo conversando com outras pessoas no caminho.

Algumas não demonstram a reverência adequada nem mesmo no momento em que estão recebendo a Santa Comunhão. Todas essas coisas indicam a necessidade de uma nova evangelização relativa à fé e à prática eucarísticas.

Há leis eclesiásticas para controlar ações não adequadas por parte dos fiéis, para o bem da comunidade.

Com relação à Sagrada Eucaristia há dois cânones que dizem respeito particularmente à recepção digna do sacramento: os cânones 915 e 916. Eles objetivam dois bens. Um deles é o bem da própria pessoa. Receber indignamente o Corpo e o Sangue de Cristo é um sacrilégio. Deliberadamente receber indignamente a Sagrada Comunhão, quando a pessoa está em estado de pecado mortal, é um sacrilégio. Pelo bem da própria pessoa, a Igreja tem que nos instruir para que, cada vez que formos receber a Santa Comunhão, examinemos primeiro a nossa consciência. Se tivermos um pecado mortal em nossa consciência, devemos primeiro confessar esse pecado e receber a absolvição e, só depois, nos aproximar para receber o Sacramento.

Muitas vezes os nossos pecados graves estão ocultos, sendo conhecidos apenas por nós mesmos ou, talvez, por uma ou outra pessoa. Nestes casos, devemos ser nós mesmos a monitorar a situação, e nos disciplinar para não nos aproximarmos para receber a Santa Comunhão. Mas há outros casos em que pessoas estão cometendo pecados graves consciente e publicamente.

Exemplo disto é um servidor público que consciente e voluntariamente dá apoio a ações que são contrárias à lei moral divina e eterna; apoiando publicamente o aborto voluntário, que é tirar uma vida inocente e indefesa. Uma pessoa que esteja pecando publicamente desta maneira deve ser admoestada a não receber a Santa Comunhão até que tenha reformado a sua vida. Se uma pessoa que tenha sido admoestada ainda assim persiste publicamente em pecado grave ou mortal e vai receber a Sagrada Comunhão, então o ministrador da Sagrada Comunhão tem a obrigação de recusá-la a essa pessoa.

Por quê? Em primeiro lugar, pela salvação da própria pessoa, para que ela não cometa um sacrilégio. Mas em segundo lugar, por atenção à Igreja inteira, para que não ocorra um duplo escândalo. Primeiro, o escândalo sobre qual deve ser a nossa disposição para receber a Santa Comunhão. As pessoas seriam levadas a pensar que é correto estar em pecado mortal e receber a Nosso Senhor na Sagrada Comunhão. Ou poderia ocorrer um escândalo de uma segunda forma: as pessoas pensarem que o ato público que está sendo cometido por essa pessoa, o qual todos consideram que é um pecado grave, não deve ser assim tão grave, porque a Igreja permite que essa pessoa receba a Sagrada Comunhão.

Se existe uma personalidade pública que esteja aberta e deliberadamente apoiando o direito ao aborto e essa mesma pessoa vai e recebe a Sagrada Comunhão, o que irão pensar as pessoas? Elas poderiam ser levadas a imaginar que, de alguma forma, é aceitável apoiar publicamente o tirar do útero a vida inocente e indefesa.

A Igreja tem essas regras e elas são muito antigas. Têm origem na época de São Paulo. Ao longo da história, a Igreja sempre teve de disciplinar o recebimento da Sagrada Comunhão, que é o tesouro mais sagrado que temos. É a doação do Corpo e do Sangue de Cristo.

A Igreja sempre precisou disciplinar o recebimento da Sagrada Comunhão, para, em primeiro lugar, as pessoas não se aproximarem para recebê-la indignamente, para o seu próprio e sério dano moral; e, em segundo lugar, para que a fé na Eucaristia seja sempre respeitada e os membros da Igreja não sejam levados à confusão, ou mesmo ao erro, no que diz respeito à sacralidade do sacramento, ou à lei moral.

Algumas pessoas dizem que receber a Sagrada Comunhão é um direito e que nenhuma pessoa tem o direito de dizer à outra para não receber o Sacramento. Nem mesmo um bispo, um padre ou um ministro.

A primeira coisa que precisa ser dita é que o Corpo e o Sangue de Cristo são uma dádiva do amor de Deus feita a nós. É a maior das dádivas, uma dádiva que ultrapassa a nossa capacidade de descrever. NINGUÉM, PORTANTO, TEM DIREITO À DÁDIVA. Da mesma forma como nós não temos direito a qualquer presente que nos é dado. Uma dádiva é dada livremente por amor e isto é o que Deus está fazendo por nós cada vez que podemos participar na Missa e nos aproximar para receber a Sagrada Comunhão. Assim, não é correto dizer que tenho um direito de receber a Sagrada Comunhão.

Se com isto a pessoa quer dizer que, se ela estiver bem preparada e a Missa estiver sendo rezada, ela tem direito de receber a Sagrada Comunhão, no sentido de que tem um direito de receber, sim, isto é verdade. Agora, com relação ao recebimento da Sagrada Comunhão, é o próprio Nosso Senhor que está envolvido. De um lado, há a pessoa que está recebendo a Sagrada Comunhão. Mas, de outro lado, há o ministro do sacramento, aquele que tem a responsabilidade de certificar-se de que o sacramento é distribuído apenas àqueles que estão adequadamente preparados. Certamente a Igreja tem o direito de dizer a alguém que persiste em pecado mortal público que ele não pode receber a Sagrada Comunhão, porque ele não está bem preparado. Esse direito do ministro de recusar-se a dar a Santa Comunhão a alguém que persista em pecado mortal e público está no cânon 915.

De outra forma o ministro da Comunhão seria posto na situação de violar a sua consciência em relação a uma matéria seriíssima, ao ver um pecador notório aproximar-se para receber a Sagrada Comunhão para escândalo de todos, sendo-lhe de alguma forma dito que ele não tem o direito de recusar a Sagrada Comunhão numa tal situação. Isso seria simplesmente errado.

A imposição de obediência à lei da Igreja feita por um bispo, um padre, ou mesmo por um órgão do Vaticano, muitas vezes é vista por algumas pessoas como um ato ignóbil ou mesmo um abuso em relação aos fiéis. Muitas pessoas parecem esquecer-se de que a Igreja considera que, quando alguém não está em condição digna para receber a Sagrada Eucaristia, isto em geral ocorre porque tais pessoas estão em estado de pecado mortal, o que é muito sério e diretamente ligado à salvação eterna delas.

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