A Juventude e o Sagrado Coração de Jesus

A JUVENTUDE E O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Jesus te ama, Jesus te ama, meu irmão.

Jesus te ama, te ama, te ama de todo Coração.

Dias atrás, achava-me num consultório médico. Um rapaz dos seus 18 anos achegou-se nervoso, agitado:

– Doutor, desculpe eu entrar assim intempestivamente. Ando mal de vida. Por favor, preciso de um calmante forte, com urgência. Agora mesmo.

Calmo, sereno e compreensivo, fixando aquele jovem bem no fundo dos olhos, o médico falou:

– Meu filho, o melhor calmante do mundo é Jesus Cristo. A espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus tem a idade da Igreja, nasceu aos pés da cruz, quando o soldado romano atravessou o lado aberto de Cristo, o redentor. E daquele Coração rasgado brotou sangue e água, símbolos eloqüentes dos Sacramentos, da graça divina em nosso existir peregrino.

Em sua mensagem aos povos da América Latina, nossos bispos declararam com lucidez, em Puebla, no México: “Somos pastores da Igreja Católica e Apostólica que nasceu do Coração de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo”. João Paulo II, quando em vida, repetia assiduamente: “É do Sagrado Coração de Jesus que brota toda a vida da Igreja”. E Pio XI classificou o culto ao Coração de Jesus como “a síntese de toda a religião cristã”. Imensa e memorável é também a frase – elogio do bispo francês dom Bougaud: “A devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi a maior explosão de luz que o mundo viu e conheceu, após o Pentecostes”.

 

Cristo por dentro

O culto ao Coração de Jesus, tão antigo e tão atual, nada mais é do que um jeito de viver o Evangelho centrado na bondade, na ternura e no perdão misericordioso de Jesus Cristo. Sempre que me perguntam qual é o cerne da espiritualidade do Sagrado Coração, respondo convictamente, feliz e agradecido: “o Coração de Jesus é Cristo por dentro”.  Coração que vibra, sente, nos envolve e fala, desejoso de irradiar suas chamas de amor pelo mundo, aquecendo almas, conferindo sentido às nossas vidas.

Cidadãos hodiernos que navegam águas superficiais encontram visíveis dificuldades para entender as riquezas do Coração de Jesus, oceano de misericórdia e plenitude. O mundo profano, materialista e semi-ateu anda em busca desesperada de um sonho, de algum ideal gratificante, após tanto desencanto, tédio e frustração, com sabor de cinzas.

 

Um jeito de ser Igreja

Vale a pena resgatar a mensagem imortal do saudoso Papa João Paulo II: “A nova evangelização, à luz do Sagrado Coração de Jesus, deve conscientizar o mundo de que o cristianismo é a religião da misericórdia, da esperança, do amor”. Esta civilização, acenada por João Paulo II, longe de ser apenas um sonho, uma utopia, já é feliz realidade, na vida de milhões de pessoas, comprometidas com o Evangelho, com seus irmãos de caminhada. Ser devoto do Coração de Jesus é um jeito de ser Igreja, é rota segura e abençoada de felicidade, de paz e realização. Quem encontrou Cristo em profundidade, fez a grande descoberta de sua vida. E canta alegria, louvor e ação de graças ao longo dos seus caminhos de cada dia.

 

Um desafio

Vivemos hoje em meio a uma pluralidade de religiões. O fato de não existir uma única direção a seguir exige uma reflexão mais apurada na hora de tomar uma decisão. No passado a religião católica era predominante. O que facilitava muito na hora de introduzir os filhos nas coisas da fé. A maioria das pessoas era católica. As famílias respiravam a fé católica. Hoje isso é bem diferente. Mesmo nas escolas católicas existem crianças e jovens de outras igrejas e religiões. São os valores humanos que prevalecem como fundamento. Sabemos que as religiões devem ser respeitadas por direito. Não se trata de discutir qual é a religião certa ou errada. A pergunta deve ser feita de uma nova forma. Qual é o caminho religioso que pode levar a pessoa humana (criança, jovem, adulto e idoso) a doar-se inteiramente ao outro?

 

Uma nova juventude

A espiritualidade cristã, manifestada em diversas modalidades, nasce da experiência de fé. Essa experiência possui dois braços fundamentais. Um braço coletivo e outro pessoal. O braço coletivo se expressa pela experiência de fé da Igreja. O modelo mais comum é a vivência dos Sacramentos e da solidariedade. Nesse modelo as pessoas são introduzidas nas coisas da fé e respondem a exigências próprias: batizar, confessar, comungar etc. O modelo pessoal pode ser compreendido através da experiência de fé nascida do encontro pessoal com Deus. Nesse modelo a pessoa é orientada para seguir Jesus Cristo. Ele é o modelo humano de entrega total aos outros: homens e mulheres, crianças e adultos pobres, judeus e gregos. Jesus Cristo, radicalmente na cruz, se oferece, doa a sua vida para o bem de todos.

A espiritualidade ao Sagrado Coração de Jesus, seja no caminho trilhado pelo Apostolado da Oração, voltado para as pessoas adultas, seja no caminho trilhado pelo Curso de Liderança Juvenil – CLJ, voltado para as crianças, adolescentes e jovens, tem por finalidade conduzir as pessoas para um seguimento de Jesus Cristo na Igreja. Esses movimentos sabem que a Igreja é o berço da fé e do encontro pessoal com Jesus Cristo.  Dessa experiência nasce uma nova juventude. Jovens mais comprometidos com a Igreja e com os outros. A Palavra de Deus ouvida na Igreja abre as portas para o encontro pessoal com Cristo. O jovem atento ao Evangelho vê o Coração de Jesus inflamado da bondade de Deus para com os seus filhos. Por isso, o jovem de hoje expressa a sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus fazendo o bem para o seu próximo.

Valores cristãos

Há muitos grupos do CLJ comprometidos com os valores cristãos. Eles realizam gestos pequenos e grandes de solidariedade com as pessoas mais carentes de nossas cidades. Participam da Eucaristia, e levam alegria, esperança, afeto, carinho, roupas, agasalhos, comida para os que não podem possuir por seu próprio esforço. Nesse sentido, os jovens que participam do CLJ vão fazendo a sua própria experiência e compreensão de que o cristianismo nada mais é do que seguir Jesus Cristo como modelo de vida. O jovem que freqüenta os grupos do CLJ responde às exigências da sua família e da sua Igreja, mas procura ser solidário com a pessoa que passa frio, fome, sede etc. Ele tem os seus braços abertos para abraçar Jesus Cristo crucificado. Assim, experimenta e compreende que a fé cristã é um profundo compromisso de comunhão com a Igreja e com os filhos de Deus, independentes se são jovens, brasileiros, gaúchos, descendentes de outras nações ou raças.

A imagem do Sagrado Coração de Jesus ajuda a todos para esse comprometimento fervoroso com a fé e o próximo. Ela nos mostra o amor grandioso de Jesus pela humanidade independente de religião, raça, movimento religioso. O Coração de Jesus une a todos no amor de Deus.

 

A ╬ W    CORAÇÃO DE JESUS, TUDO POR VÓS

CORAÇÃO DIVINO DE JESUS, PROVIDENCIAI

CORAÇÃO SACRATÍSSIMO DE JESUS, TENDE PIEDADE DE NÓS

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, EU CONFIO E ESPERO EM VÓS

JESUS, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI O NOSSO CORAÇÃO SEMELHANTE AO VOSSO

CORAÇÃO DE JESUS QUE TANTO ME AMAIS, FAZEI QUE EU VOS AME CADA VEZ MAIS

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E A EUCARISTIA

Neste mês de junho, tradicionalmente dedicado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus, somos chamados a meditar o evangelho dos discípulos de Emaús e a refletir sobre a presença do Cristo Eucarístico em nossas almas e em nossos corações. Assim como Cléofas e seu companheiro, devemos reconhecer o Cristo ao partir do pão e, diante do altar, em profunda ação de graças, exclamar: “Não ardia o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).

Devemos descobrir de modo pessoal que a Eucaristia é, sem dúvida, um dom do Sagrado Coração de Jesus, pois nesse admirável sacramento, “o nosso Deus manifestou a forma extrema do amor” (Mane Nobiscum Domine, 28). É comungando com as devidas disposições que sentimos que o nosso coração também se transforma em uma “fornalha ardente de caridade”. Somente participando do Cristo Eucarístico, concretizamos nossos projetos de caridade, ou seja, realizamos gestos concretos, visando o bem do outro, principalmente, o bem espiritual do nosso próximo.

A proximidade com o Sagrado Coração de Jesus nos faz desejar estar cada vez mais perto Dele e a permanecer firmes na correspondência à graça. Lugar especialíssimo para adorar ao Senhor é o sacrário. Nesse sentido, o sacrário se transforma em um lugar aprazível, onde o Cristo nos espera transbordando de amor. “A presença de Jesus no sacrário deve constituir um pólo de atração para um número cada vez maior de almas enamoradas d’Ele, capazes de permanecerem longamente a escutar a Sua voz e, de certo modo, a sentir o palpitar do Seu coração” (Mane Nobiscum Domine, 18). Com os joelhos dobrados em profunda oração, devemos reconhecer que o Cristo Eucarístico é “digníssimo de todo louvor”. Com respeito e dignidade, deixemos extravasar o palpitar de nosso coração, para que saibamos discernir a voz de Cristo que nos diz docemente: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29).

A Eucaristia é “fonte de vida e de santidade”. Se almejamos uma vida santa, pura, justa e íntegra, é fundamental que saibamos recorrer ao sacramento da Eucaristia, pois “cada esforço de santidade, cada iniciativa para realizar a missão da Igreja, cada aplicação dos planos pastorais deve extrair a força de que necessita do mistério eucarístico e orientar-se para ele como o seu ponto culminante” (Ecclesia de Eucharistia, 60). Na Eucaristia, Cristo nos convida a viver à alegria da santidade. Nesse processo de concretização de uma vida santa, o nosso coração é um precioso colaborador. É com o coração que sentimos que o Cristo Eucarístico quer tomar posse de todo o nosso ser. É com o coração que evidenciamos que a Eucaristia é um “receptáculo de justiça e de amor”. É, sobretudo, com o coração que distinguimos que “a Eucaristia, para a fé, é um mistério de intimidade” (Homilia do Papa Bento XVI no Corpus Christi em maio de 2005).

Contemplando o Sagrado Coração de Jesus, devemos notar o amor pessoal e profundo que Cristo nutre por cada um de nós. Meditando a história da salvação, notamos que “ninguém pode conhecer profundamente Jesus Cristo, sem conhecer o seu coração, isto é, o íntimo da sua Pessoa divino-humana” (Haurietis Aquas, 48). Em profunda oração, que saibamos refletir: Qual é o espaço que Cristo ocupa em meu coração? Sei demorar profundamente em oração diante do Santíssimo?

O Sagrado Coração de Jesus se faz presente na Eucaristia, “de cuja plenitude todos nós participamos”. A freqüência em participar da Eucaristia é um referencial de como anda o nosso amor pelo nosso Redentor. Se o amamos, com assiduidade comungamos Seu Corpo e Seu Sangue, pois na Eucaristia, “Jesus é fonte; Nele tem início a vida divina no homem. É preciso apenas aproximar-se Dele, permanecer Nele, para se ter esta vida. E o que é esta vida a não ser o início da santidade do homem? Da santidade que está em Deus e que o homem pode alcançar com a ajuda da graça? Todos desejamos beber do Cálice divino, que é fonte de vida e de santidade. (…) Façamos atos reparadores ao Divino Coração pelos pecados cometidos por nós e pelo nosso próximo. Façamos reparações pela recusa da bondade e do amor de Deus” (Homilia de João Paulo II no Encontro de oração para o ato de devoção ao Sagrado Coração de Jesus em junho de 1999). Através de contínuos atos de desagravo, professamos que “nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor; e quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus nele” (1Jo 4, 16). Essa permanência de Deus conosco é única e se manifesta de modo singular na participação eucarística.

Nestes dias do mês de junho, saibamos dar novos passos na vivência deste Ano Eucarístico. Que esses passos sejam firmes e constantes e nos levem a redescobrir que a Eucaristia “é o tesouro da Igreja, o coração do mundo, o penhor da meta pela qual, mesmo inconscientemente, suspira todo o homem” (Ecclesia de Eucharistia, 59). Nosso coração é pequeno e limitado, mas é o Tabernáculo que Deus escolheu para fazer a Sua morada. Este nosso coração, apesar de suas limitações, é chamado a ser uma digna morada do Altíssimo.

Para concluir, meditemos na amplitude do coração de Maria, a Mulher Eucarística. Aprendamos com ela a aderir generosamente aos pedidos do Sagrado Coração de Jesus. “Pedimos-te, nossa santa Mãe, que nos ajudes a abrir cada vez mais todo o nosso ser à presença de Cristo para que nos ajude a segui-Lo fielmente, dia após dia, pelos caminhos de nossa vida. Amém!” (Homilia de Bento XVI no Corpus Christi de 2005).

O CAVALEIRO DO AMOR

Um dia, numa praça, um jovem exibia seu coração, o mais bonito daquela cidade.

Uma grande multidão se aproximou e admirou aquele coração, pois era perfeito.

Não havia nele um único sinal que lhe prejudicasse a beleza.

Todos reconheceram que realmente era o coração mais bonito que já haviam visto.

O jovem estava vaidoso e o ostentava com crescente orgulho.

De repente um velho homem, montado num cavalo, surgiu do meio da multidão, desceu ao chão e bradou:

“Seu coração nem de longe é tão bonito quanto o meu!”

O jovem e a multidão olharam para o coração do velho homem.

Batia fortemente, mas era cheio de cicatrizes.

Havia lugares onde faltavam pedaços e também partes com enxertos que não se encaixavam bem, que tinham as laterais ressaltadas.

A multidão se espantou:

“Como pode ele dizer que seu coração é mais bonito?”

O jovem olhou para o coração do velho homem e disse, rindo:

“O senhor deve estar brincando! Compare seu coração com o meu e veja.”

O meu é perfeito e o seu é uma confusão de cicatrizes e emendas!

“Sim”, disse o velho homem.

“O seu tem aparência perfeita, mas eu nunca trocaria o meu por ele.

As marcas representam pessoas a quem dei o meu amor.

Eu arranquei pedaços do meu coração e dei a elas e, muitas vezes, elas me deram pedaços de seus corações para colocar nos espaços deixados; como esses pedaços não eram de tamanho exato, hoje parecem enxertos feios e grosseiros, mas eu os conservo como lembranças de amor que dividimos.

Algumas vezes eu dei pedaços do meu coração e as pessoas que os receberam não me deram em retorno pedaços de seus corações:

Esses são os buracos que você vê.

Dar amor é arriscar.

Embora esses buracos doam, eles permanecem abertos lembrando-me do amor que tenho por aquelas pessoas, e eu tenho esperança de que um dia elas me dêem retorno e preencham os espaços que ficaram vazios.

Agora você consegue ver o que é beleza de verdade?”

O jovem ficou em silêncio, com lágrimas rolando por suas faces.

Caminhou em direção do velho homem, olhou para o próprio coração e arrancou um pedaço, oferecendo-o com as mãos trêmulas.

O homem pegou aquele pedaço, colocou no coração e tirando um outro pedaço do seu, colocou-o no espaço deixado no coração do jovem.

Coube, mas não perfeitamente, já que havia irregulares beiradas.

O jovem olhou para o seu antes tão perfeito coração.

Já não tão perfeito depois disso, mas muito mais bonito do que sempre fora, já que o amor do velho homem entrara nele.

Diante da multidão que os observava em respeitoso silêncio, eles se abraçaram e saíram andando lado a lado, seguidos pelo cavalo, cujas patas batendo no solo emitiam o som de corações pulsando…

E o seu coração, como é???

Autor desconhecido

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