Verdade para quê?

VERDADE, PARA QUÊ?

E assim disse Jesus: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 31-33). Será que a verdade ainda existe em nosso mundo, nas nossas relações?

Olhando nos meus manuais de Moral, encontro uma bela definição de veracidade: “é a virtude que leva o homem a manifestar com palavras e outras as suas convicções. Supõe o amor à verdade; é próxima das virtudes de sinceridade, franqueza e candura de ânimo. Opõe-se à mentira e à falsidade”.

Falando sério, será que conhecemos a mentira ou ela já faz parte da nossa prática, das nossas palavras e da nossa vida? É importante, eu ainda diria, é muito importante falar sobre esse tema: Qual o significado da verdade?

Buscando luzes na Sagrada Escritura, encontramos: “Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20, 16). Essa palavra de Deus exclui categoricamente a mentira. E no Novo Testamento temos São Paulo exortando com veemência: “Renunciando à mentira, dizei a verdade cada um ao seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25). E Jesus abre a boca e anuncia o dono da mentira – o Demônio: “Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade; quando ele mente, fala do catálogo dos pecados graves” (1Tm 1, 10).

Rotineiramente, ouvimos na confissão: “padre foi apenas uma mentira social; o senhor entende não? Foi para evitar uma confusão maior”. Santo Agostinho, falando sobre a verdade e a possibilidade de alguma mentira ser aceitável, ele é enfático quando diz: “para haver mentira, não é necessário que alguém tenha a intenção de enganar seu próximo; basta que diga conscientemente uma palavra destoante daquilo que pensa”. A posição de Santo Agostinho foi decisiva para a tradição católica, que a adotou com raríssimas exceções.

Por fim, trazemos o pensar dos nossos teólogos que explicitam nos seguintes termos os deveres dos cristãos para com a verdade:

1 – Todo homem deve procurar conhecer ao menos as verdades religiosas, que dizem respeito à sua salvação eterna;

2 – Todo cristão deve respeitar a investigação sincera da verdade tanto no campo religioso como no profano;

3 – Todo cristão deve procurar viver conforme a verdade, sendo fiel aos princípios religiosos e morais que a verdade lhe apresenta; fugirá, pois, das meias-atitudes covardes e acomodadas;

4 – O cristão deve empenhar-se pela difusão da verdade no mundo, especialmente da verdade religiosa; instruir os ignorantes é obra de misericórdia espiritual;

5 – A prudência, o amor ao próximo e a cortesia devem indicar a cada cristão o momento, o lugar e a medida convenientes para manifestar suas convicções. Saber calar-se quando necessário (particularmente quando se trata de segredos), é uma virtude;

6 – A pesquisa da verdade científica deve manter contato permanente com as leis da moral. Ciência sem consciência pode ser fator destrutivo da dignidade humana;

7 – Os repórteres e jornalistas deve ser, por excelência, testemunhas da verdade por causa da sua influência na formação de opinião pública na sociedade civil e na Igreja. Mantenham-se alheios a interesses espúrios, como são a procura de sensação vazia, a exploração mórbida de escândalos, a cobiça do lucro desonesto.

Por que a verdade? Para quê a verdade? O que na verdade me motivou falar sobre esse assunto foram as inúmeras manchetes que quase todos os dias encontro nos jornais, na TV, etc. Por que precisamos de tantas CPIs? Meu Deus, por que tanta mentira? Ministros, grampos, policiais, PAC, empreiteiras, prefeitos (até de São Paulo), governadores, juízes, etc.

Mas eu prefiro acreditar na verdade das palavras de Jesus: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8, 31-33).

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