Como conhecer a Deus – Bento XVI

COMO CONHECER A DEUS? BENTO XVI RESPONDE

Leonardo Meira / Da Redação / Sexta-feira, 25 de novembro de 2011

”A questão sobre Deus é despertada pelo encontro com quem tem o dom da fé”, afirma o Papa

O Papa Bento XVI recebeu os participantes da XXV Assembléia Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos na manhã desta sexta-feira, 25. A audiência aconteceu na Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano.
Como despertar a questão sobre Deus, para que seja a questão fundamental?“, questionou o Pontífice. Após recordar a primeira encíclica de seu Pontificado – “o início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa” (Deus caritas est, 1) -, respondeu:

“A questão sobre Deus é despertada pelo encontro com quem tem o dom da fé, com quem tem uma relação vital com o Senhor. Deus é conhecido através dos homens e mulheres que o conhecem: a estrada rumo a Ele passa, de modo concreto, através de quem a encontrou. Aqui o vosso papel de fiéis leigos é particularmente importante”.

O Bispo de Roma ressaltou que a específica vocação do leigo na missão da Igreja é “oferecer um testemunho transparente da relevância da questão de Deus em cada campo do pensar e do agir”.

No entanto, o desafio apresentado por uma mentalidade fechada ao transcendente obriga os cristãos a tornar de modo mais decidido a centralidade de Deus. “Os cristãos não habitam um planeta distante, imune às ‘doenças’ do mundo, mas partilham das turbulências, desorientação e dificuldades do seu tempo. […] Quantas vezes, não obstante o se definir cristãos, Deus, de fato, não é o ponto de referência central no modo de pensar e de agir nas escolhas fundamentais da vida”.

Assim, a primeira resposta a esse grande desafio é a profunda conversão do coração, para que o Batismo possa verdadeiramente transformar os cristãos. “A missão da Igreja tem necessidade da contribuição de todos os seus membros e de cada um, especialmente dos fiéis leigos”, acrescentou.

Bento XVI também salientou que o homem que busca existir somente a partir do calculável e do mensurável fica sufocado. “Nesse quadro, a questão de Deus é, em um certo sentido, ‘a questão das questões’. Essa reporta-nos às questões de fundo do homem, às aspirações de verdade, de felicidade e de liberdade inerentes ao seu coração, que buscam uma realização. O homem que desperta em si a questão de Deus abre-se à esperança, a uma esperança confiável, pela qual vale a pena enfrentar o cansaço do caminho no presente”.

JMJ e Congressos

O Santo Padre lembrou também do Congresso para os Fiéis Leigos da Ásia e da Jornada Mundial da Juventude de Madri, apontando também os grandes eventos eclesiais do próximo ano: a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização e a abertura do Ano da Fé.

“O vastíssimo continente asiático hospeda povos, culturas e religiões diversas, de antiga origem, mas o anúncio cristão chegou até agora somente a uma pequena minoria, que não raramente vive a fé em um contexto difícil, às vezes também de verdadeira perseguição. O Congresso ofereceu a ocasião aos fiéis leigos, às associações, aos movimentos e às novas comunidades que trabalham na Ásia, reforçar o compromisso e a coragem para a missão. […] Aprecio que o Pontifício Conselho para os Leigos esteja organizando um análogo Congresso para os Leigos da África, previsto para o Camarões no próximo ano. Tais encontros continentais são preciosos para dar impulso à obra de evangelização, para reforçar a unidade e tornar sempre mais saudáveis os laços entre Igrejas particulares e a Igreja universal”, disse.

Sobre a JMJ, disse: “Uma extraordinária cascata de luz, de alegria e de esperança iluminou Madri, mas também a velha Europa e o mundo inteiro, repropondo de modo claro modo claro a atualidade da busca de Deus. Ninguém pôde permanecer indiferente, ninguém pôde pensar que a questão de Deus seja irrelevante para o homem de hoje. Os jovens do mundo inteiro esperam com anseio poder celebrar as Jornadas Mundiais a eles dedicadas, e sei que já começou o trabalho para o evento no Rio de Janeiro, em 2013”.

A Assembleia Plenária do Pontifício Conselho acontece em Roma, entre os dias 24 e 26 de novembro, com o tema A questão de Deus hoje. Não devemos talvez novamente recomeçar de Deus?

DISCURSO DO PAPA AO PONTIFÍCIO CONSELHO PARA OS LEIGOS – 2011

Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé (tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias)

Discurso
Aos participantes da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para os Leigos

Sala Clementina

Sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Senhores Cardeais,

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,

Queridos irmãos e irmãs!

Estou feliz por encontrar a todos vós, membros e consultores do Pontifício Conselho para os Leigos, reunidos para a XXV Assembleia Plenária. Saúdo de modo particular o Cardeal Stanisław Ryłko e agradeço-o pelas cordiais palavras que me dirigiu, bem como a Dom Josef Clemens, secretário. Uma cordial boas-vindas a todos, de modo especial aos fiéis leigos, mulheres e homens, que compõem o Dicastério. O período transcorrido desde a última Assembleia Plenária empenhou-vos em várias iniciativas, entre as quais gostaria de recordar o Congresso para os Fiéis Leigos da Ásia e a Jornada Mundial da Juventude de Madri. Foram momentos muitos intensos de fé e de vida eclesial, importantes também na perspectiva dos grandes eventos eclesiais que celebraremos no próximo ano: a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização e a abertura do Ano da Fé.
O Congresso para os Leigos da Ásia foi organizado no ano passado em Seul, com o auxílio da Igreja na Coreia, com o tema “Proclaiming Jesus Christ in Asia Today” (Proclamando Jesus Cristo na Ásia Hoje). O vastíssimo continente asiático hospeda povos, culturas e religiões diversas, de antiga origem, mas o anúncio cristão chegou até agora somente a uma pequena minoria, que não raramente vive a fé em um contexto difícil, às vezes também de verdadeira perseguição. O Congresso ofereceu a ocasião aos fiéis leigos, às associações, aos movimentos e às novas comunidades que trabalham na Ásia, reforçar o compromisso e a coragem para a missão. Esses nossos irmãos testemunham de modo admirável a sua adesão a Cristo, deixando entrever como, na Ásia, graças à sua fé, se estão abrindo para a Igreja do terceiro milênio vastos cenários de evangelização. Aprecio que o Pontifício Conselho para os Leigos esteja organizando um análogo Congresso para os Leigos da África, previsto para o Camarões no próximo ano. Tais encontros continentais são preciosos para dar impulso à obra de evangelização, para reforçar a unidade e tornar sempre mais saudáveis os laçoes entre Igrejas particulares e a Igreja universal.
Gostaria, além disso, de atrair a atenção à última Jornada Mundial da Juventude em Madri. O tema era a fé: “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (cf. Col 2,7). E, verdadeiramente, pude contemplar uma multidão imensa de jovens, reunidos entusiasmados de todo o mundo para encontrar o Senhor e viver a fraternidade universal. Uma extraordinária cascata de luz, de alegria e de esperança iluminou Madri, mas também a velha Europa e o mundo inteiro, repropondo de modo claro modo claro a atualidade da busca de Deus. Ninguém pôde permanecer indiferente, ninguém pôde pensar que a questão de Deus seja irrelevante para o homem de hoje. Os jovens do mundo inteiro esperam com anseio poder celebrar as Jornadas Mundiais a eles dedicadas, e sei que já começou o trabalho para o evento no Rio de Janeiro, em 2013.

A esse propósito, parece-me particularmente importante terdes desejado afrontar este ano, na Assembleia Plenária, o tema de Deus: “A questão de Deus hoje”. Não deveremos nunca nos cansar de repropor tal pergunta, de “recomeçar de Deus”, para dar novamente ao homem a totalidade das suas dimensões, a sua plena dignidade. De fato, uma mentalidade que andou difundindo-se no nosso tempo, renunciando a toda a referência ao transcendente, demonstrou-se incapaz de compreender e preservar o humano. A difusão desta mentalidade gerou a crise que vivemos hoje, que é crise de significado e de valores, antes que crise econômica e social. O homem que busca existir somente positivisticamente, no calculável e mensurável, no fim, fica sufocado. Nesse quadro, a questão de Deus é, em um certo sentido, “a questão das questões”. Essa reporta-nos às questões de fundo do homem, às aspirações de verdade, de felicidade e de liberdade inerentes ao seu coração, que buscam uma realização. O homem que desperta em si a questão de Deus abre-se à esperança, a uma esperança confiável, pela qual vale a pena enfrentar o cansaço do caminho no presente (cf. Spe salvi, 1).

Mas como despertar a questão sobre Deus, para que seja a questão fundamental? Queridos amigos, se é verdade que “o início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa” (Deus caritas est, 1), a questão sobre Deus é despertada pelo encontro com quem tem o dom da fé, com quem tem uma relação vital com o Senhor. Deus é conhecido através dos homens e mulheres que o conhecem: a estrada rumo a Ele passa, de modo concreto, através de quem a encontrou. Aqui o vosso papel de fiéis leigos é particularmente importante. Como observa a Christifideles laici, é essa a vossa específica vocação: na missão da Igreja “… lugar de relevo, em razão da sua ‘índole secular’, que os empenha, com modalidades próprias e insubstituíveis, na animação cristã da ordem temporal” (n. 36). Sois chamados a oferecer um testemunho transparente da relevância da questão de Deus em cada campo do pensar e do agir. Na família, no trabalho, bem como na política e na economia, o homem contemporâneo tem necessidade de ver com os próprios olhos e de tocar com as mãos como, com Deus ou sem Deus, tudo muda.

Mas o desafio de uma mentalidade fechada ao transcendente obriga também os mesmos cristãos a tornar de modo mais decidido a centralidade de Deus. Às vezes, preocupa-nos que a presença dos cristãos no social, na política ou na economia resulte mais incisiva, e talvez não tenhamos nos preocupado com a solidez de sua fé, como se fosse um dado adquirido de uma vez por todas. Na realidade, os cristãos não habitam um planeta distante, imune às “doenças” do mundo, mas partilham das turbulências, desorientação e dificuldades do seu tempo. Por isso, não é menos urgente repropor a questão de Deus também no mesmo tecido eclesial. Quantas vezes, não obstante o se definir cristãos, Deus, de fato, não é o ponto de referência central no modo de pensar e de agir nas escolhas fundamentais da vida. A primeira resposta ao grande desafio do nosso tempo está, portanto, na profunda conversão do nosso coração, para que o Batismo que nos tornou luz do mundo e sal da terra possa verdadeiramente transformar-nos.

Queridos amigos, a missão da Igreja tem necessidade da contribuição de todos os seus membros e de cada um, especialmente dos fiéis leigos. Nos ambientes de vida em que o Senhor vos chamou, sede testemunhas corajosas do Deus de Jesus Cristo, vivendo o vosso Batismo. Por isso, confio-vos à intercessão da Beata Virgem Maria, Mãe de todos os povos, e de coração concedo a vós e aos vossos queridos a Bênção Apostólica.

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