A Nova Era

A MÍSTICA CRISTÃ E A MÍSTICA DA NOVA ERA

Caro leitor! Antes de mais, precisamos clarear alguns conceitos, que na linguagem comum, são considerados sinônimos. Vejamos: Vida religiosa, espiritual, interior e vida cristã. A pessoa pode ter religiosidade, cultivar uma vida interior, mas não significa ser cristã. Por quê? Ser cristão significa optar pela Pessoa e a Palavra de Jesus Cristo que é Deus e que um dia se “humanou” na natureza humana. Esse é o Mistério da Encarnação de Deus na história. Deus quis dar-se a conhecer ao homem. Portanto, nós não caminhamos no caos do cosmo sem rumo. O Conselho Pontifício da Cultura e para o Diálogo Inter-religioso publicou um documento de extrema importância sobre os riscos e perigos dos princípios da Nova Era que, embora essa, seja uma reação à cultura contemporânea, mesmo assim, podemos afirmar que a mesma é uma legítima filha. O Documento diz: “A Nova Era é uma das numerosas explicações do significado deste movimento histórico que bombardeiam a cultura contemporânea (em particular a ocidental) e é difícil identificar claramente se, e em que medida, é ou não coerente com a mensagem cristã” (cf. Documento Vaticano. Cléofas. 20075. p.12). Caro leitor! É preciso discernimento, pois a direção em que esse pensamento rumou preocupa pela confusão.

O CONTEXTO CULTURAL E HISTÓRICO DA NOVA ERA.

Caro leitor! O documento chama a atenção que “nem tudo o que aparece etiquetado de ‘cristão’ ou de ‘católico’ reflete fielmente os ensinamentos da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, há uma notável difusão das fontes da Nova Era que vão do sério ao caricato ou burlesco. As pessoas precisam – e com razão – de informações confiáveis sobre as diferenças entre Cristianismo e Nova Era” (cf.ibidem p.14). Quanto à historicidade desse movimento não há quase nada de novo, pois, o mesmo tem suas raízes “(…) na Rosa-Cruz e da Maçonaria no tempo da Revolução Francesa e da Americana, mas a variante a que se refere é uma variante contemporânea do esoterismo ocidental. Esse se inspira nos grupos gnósticos que surgiram nos primeiros tempos do cristianismo e ganhou importância na Europa no tempo da Reforma” (cf.ibidem. Doc. p.14). A base está nas visões científicas dos séculos XVIII e XIX.  Essa fase se caracterizou pela rejeição de um Deus pessoal e por se concentrar noutras entidades. A teoria de Darwin sobre a evolução teve também influência, aliás, essa “ao lado da atenção dada aos poderes espirituais ocultos ou a forças da natureza, tem constituído a espinha dorsal de muitos aspectos daquilo que atualmente, se conhece com o nome de Nova Era” (cf.ibidem). O Documento faz menção de que esse fervor do pensamento e da prática da Nova Era testemunham as aspirações do espírito humano pela transcendência e pelo sentido religioso.

FÉ CRISTÃ E NOVA ERA.

Caro leitor! Já tenho dito em artigos publicados que “Fé Cristã” e “Nova Era” são inconciliáveis, até pelo rumo que tomou no seu desenvolvimento. Vejamos: “Mesmo admitindo que a religiosidade Nova Eracorresponde, de algum modo, às legítimas aspirações da natureza humana, deve-se reconhecer que ela tenta fazê-lo opondo-se constantemente à Revelação Cristã. Em particular, na cultura ocidental, o fascínio exercido pelas aproximações ‘alternativas’ a espiritualidade é muito forte” (cf.ibidem. Doc. p.15). O Papa João Paulo II já alertava para o renascimento das antigas idéias gnósticas na forma da chamadaNova Era. Vejamos: “(…) não nos devemos deixar iludir pensando que ela traga uma renovação da religião. É apenas um novo modo de praticar a gnose, isto é, aquela atitude do espírito que, em nome de um profundo conhecimento de Deus, acaba por subverter a sua Palavra, substituindo-a por palavras apenas humanas” (cf.ibidem). Portanto, a matriz essencial do pensamento da Nova Era deve ser procurada na tradição esotérico-teosófica dos séculos XVIII e XIX, que esteve presente no espiritismo, no ocultismo e na teosofia.

A MÍSTICA CRISTÃ E A MÍSTICA DA NOVA ERA.

Para os cristãos, a vida espiritual é uma relação com Deus, através da sua graça. Para a Nova Era éexperimentar estados de consciência dominados por um sentido de harmonia e de fusão no Todo.Ora, essa mística não se refere ao encontro com um Deus transcendente na plenitude do amor, mas à experiência desencadeada pelo voltar-se a si mesmo, por um sentido exaltante de ser um com o universo, de deixar afundar a sua individualidade no grande oceano do Ser. Para tanto, usam de técnicas e métodos para chegar a uma aristocracia espiritual privilegiada. Pior: nem todos têm acesso a estas técnicas. O modo cristão de se aproximar de Deus não se funde em nenhuma técnica no sentido restrito da palavra. Isso é contra o Evangelho de Jesus. Mística cristã autêntica não tem nada a ver com a técnica: é sempre um Dom de Deus, de que a pessoa que dele beneficia se sente indigna. Para os cristãos, converter-se significa voltar-se para o Pai, através do Filho e com a docilidade ao poder do Espírito Santo. Todas as técnicas devem ser depuradas da vaidade e da presunção. A oração cristã não é um exercício de autocontemplação, de estaticidade e esvaziamento, mas um diálogo de amor, que implica uma atitude de conversão, um êxodo do eu para o Tu de Deus. Não podemos admitir o intimismo individualista próprio da Nova Era. Lamentavelmente, temos centros de espiritualidade cristãos católicos envolvidos na difusão da religiosidade da Nova Era. Com certeza, a Igreja precisa corrigir tais tendências para travar confusões em nosso povo.

Pe. Ari Antônio da Silva


QUE PERIGO A NOVA ERA REPRESENTA PARA O CRISTIANISMO?

Por Carlos Martins Nabeto

Fonte: Agnus Dei

Surgirão falsos profetas e não serão poucos os que serão arrastados para o erro. Surgirão falsos messias e falsos profetas que farão grandes prodígios e maravilhas capazes de enganar até mesmo os eleitos. Vede que já estou a vos prevenir! (Mt 24, 11.24-25)

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Nos últimos anos, estamos sendo bombardeados com uma série de idéias que, apesar de nos parecerem novas, são, na verdade, antigas (algumas muito antigas mesmo!). Essas idéias falam sobre gnomos, duendes, cristais, meditações, técnicas de relaxamento, “ciências” cósmica, música e medicina alternativa, entre outros. Seus seguidores e defensores as intitulam de Nova Era. Mas, o que a princípio parece ser um movimento pela paz e união dos povos, com teorias e princípios inofensivos ao homem, que visam sua paz interior, é, na verdade, um verdadeiro perigo e escândalo para nós, cristãos.
Por trás da pele de cordeiro do movimento de Nova Era se esconde um lobo devorador, pronto para atacar os incautos. Até mesmo alguns cristãos acham que a Nova Era em nada prejudica sua fé, mas isso ocorre porque não conseguem enxergar o que acontece – principalmente com a parte espiritual – quando decidem praticar algumas de suas teorias.

A Nova Era engloba diversos princípios, alguns até contraditórios, mas é graças a esse “dom” de mesclar os mais variados conceitos que surge seu princípio fundamental: a diversidade gera a unidade. Para eles tudo é bom; o homem deve perseguir a felicidade sem se importar com os meios usados. Obviamente para eles, nós, cristãos (pelo menos aqueles que realmente conhecem a Palavra de Deus), somos pessoas que dificultam seu avanço, isto é, somos pessoas retrógradas porque não aceitamos seu movimento e muito menos suas idéias. Ocorre que cada idéia da Nova Era possui pelo menos uma contradição bíblica, em geral não muito conhecida ou clara para alguns cristãos. É o caso dos conhecidos gnomos: apesar de “engraçadinhos e bonitinhos”, sem nenhum mal aparente, induz à superstição e, por conseguinte, à idolatria pois a pessoa começa a achar que o gnomo é o responsável por sua felicidade e, aos poucos, começa a substituir Deus pelo gnomo, minando a sua verdadeira fé. Isto é apenas um dos exemplos mais simples…

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Houveram falsos profetas no povo de Israel e entre vocês também aparecerão falsos mestres que trarão heresias perniciosas: negarão o Senhor que os resgatou e atrairão sobre si repentina destruição. Muitos seguirão suas doutrinas dissolutas e, por causa deles, o caminho da Verdade cairá em descrédito. Mas o julgamento contra eles já começou há muito tempo e a sua destruição não tardará (2Pd 2, 1-2.3b).

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O movimento de Nova Era começou na Califórnia (EUA) nos anos 60, através da difusão de filosofias orientais, em especial o Budismo, mas com raízes também na teosofia, ocultismo, astrologia, quiromancia e outras crenças sincretistas. A filosofia básica da Nova Era é: Podemos ser o que quisermos pois todos nós somos deuses. Começa daí a total incompatibilidade com o Cristianismo. Além disso, eles omitem a existência de um Deus pessoal que nos ama, omitem que Deus se revelou unicamente por Jesus Cristo e também omitem o Espírito Santo, a Igreja estabelecida por Jesus, o único julgamento após a morte e a existência do Céu e do Inferno. Ao invés, todo o tipo de magia e adivinhações, expressamente condenadas na Bíblia por Deus, é incentivado aos adeptos da Nova Era. Há uma forte insistência na doutrina da reencarnação – que desmente o ato salvífico de Cristo a nosso favor – e na comunicação com os “mortos”. Seus seguidores se disfarçam em anjos de luz para minar o Cristianismo, misturando doutrinas estranhas e apresentando novas interpretações para as Sagradas Escrituras, sendo a maioria dessas interpretações revelada por “entidades superiores”.

Para conseguirem a colaboração dos cristãos, sem que estes percebam suas reais intenções, apresentam-se como mestres de novas técnicas que garantem o sucesso e a felicidade interior. Essas técnicas são, em uma análise superficial, princípios filosóficos disfarçados que, a princípio, não contradizem os ensinamentos de Jesus e da sua Igreja; contudo, conforme os incautos vão se “desenvolvendo” nessas técnicas, perdem aos poucos o autêntico espírito cristão, permitindo então a interferência demoníaca…

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Ficai atentos para que ninguém vos arme uma cilada com a filosofia, esse erro que segue a tradição dos homens e os elementos do mundo, mas não segue a Cristo ( Col 2, 8 )

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O movimento de Nova Era se caracteriza justamente por não aparentar ser o que realmente é; somente os mais atentos ou informados é que o percebem.

A Nova Era se encontra nos mais diversos lugares, divulgando suas teses e doutrinas, desviando a atenção dos homens de boa vontade para o caminho do erro. Isso sem que os envolvidos percebam no início. Vejamos onde podemos encontrar a Nova Era:

  • Temas que não aparentam nenhuma correlação, mesclados de mistérios, teorias e comprovações nebulas, que embutem questionamentos que contradizem a fé cristã: astrologia, tarot, búzios, runas, i-ching, alquimia, biorritmo, chakras, atlântida, ufologia, quiromancia e rabdomancia.
  • Movimentos religiosos que confrontam abertamente as bases da fé cristã: espiritismo, rosa cruz, racionalismo cristão, cultos afro-brasileiros, santo daime, arte mahikari, seicho-no-iê, hare krshina, igreja messiânica, clarividência, canalização, mediunidade, premonição, etc.
  • Temas variados que, manifestados em certas circunstâncias, mostram-se com uma roupagem tão inocente que custamos a crer que trazem alguma contradição com a fé cristã: cristais, gnomos, duendes, fadas, gnose, esoterismo, she e he, era de aquário, pirâmides, vegetarianismo, fé baha’i, grafologia, radiestesia, yoga, método Silva, cromoterapia, musicoterapia, neurolinguística, etc.

É evidente que alguns destes temas podem possuir pontos positivos que trazem benefícios comunitários ou pessoais. No entanto, devemos estar muito atentos para termos certeza do que realmente são, onde verdadeiramente estamos nos envolvendo e qual a real filosofia existente por detrás dessas coisas aparentemente tão simples e inocentes. Por isso, leia, estude, informe-se e, acima de tudo, peça ao Espírito Santo que o ilumine para que você não perca o verdadeiro caminho que leva ao Pai: Jesus.


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Para citar este artigo:

NABETO, Carlos Martins. Apostolado Veritatis Splendor: QUE PERIGO A NOVA ERA REPRESENTA PARA O CRISTIANISMO?. Disponível emhttp://www.veritatis.com.br/article/4460. Desde 02/08/1999.

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