Questões práticas relativas à Eucaristia

QUESTÕES PRÁTICAS RELATIVAS AO SACRAMENTO DA EUCARISTIA E À PARTICIPAÇÃO NA SANTA MISSA

Mons. Inácio José Schuster / Vigário Judicial da Diocese de Novo Hamburgo

 

1. QUAIS SÃO AS DISPOSIÇÕES NECESSÁRIAS PARA RECEBER A SAGRADA COMUNHÃO, TANTO PARA OS COMUNGANTES COMO PARA AS PESSOAS QUE OS ACOMPANHAM?

*PARA OS QUE SÃO CATÓLICOS

Os católicos participam plenamente na celebração da Eucaristia quando recebem a Sagrada Comunhão, para cumprir o mandamento de Cristo de comer Seu Corpo e beber seu Sangue. Com o fim de estar adequadamente dispostos a receber a Comunhão, os comungantes devem não estar conscientes de pecado grave, ter jejuado por uma hora e buscar viver em caridade e amor com seus vizinhos.

As pessoas conscientes de pecado grave primeiro devem reconciliar-se com Deus e a Igreja por meio do sacramento da Penitência. Recomenda-se receber freqüentemente o sacramento da Penitência.

*PARA OUTROS CRISTÃOS DE IGREJAS EVANGÉLICAS (IELB, IECLB, EPISCOPAL ANGLICANA, ORTODOXA…)

Deve ser dito: “Damos as boas-vindas a esta celebração da Eucaristia aos cristãos que não estão totalmente unidos a nós. É uma conseqüência de divisões tristes na cristandade que nós não podemos estender-lhes um convite geral para receber a Comunhão”.

“Nós católicos cremos que a Eucaristia é uma ação da comunidade celebrante que significa a unidade na fé, na vida e na fidelidade da comunidade. A recepção da Eucaristia pelos cristãos que não estão plenamente unidos conosco significaria uma unidade que ainda não existe e pela qual, todos devemos rezar”.

*PARA OS QUE NÃO VÃO RECEBER A COMUNHÃO

Aos que não recebem a Comunhão sacramental, se lhes recomenda que expressem em seus corações um desejo fervente pela unidade com o Senhor Jesus e de uns com outros.

*PARA OS NÃO CRISTÃOS

Deve ser dito: “Também damos as boas-vindas a esta celebração aos que não compartilham nossa fé em Jesus. Ainda que não podemos estender-lhes um convite para receber a Comunhão, os convidamos a que se unam a nós na oração”.

Conferência Nacional de Bispos Católicos (E.U.A.) 8-11-1986 / Washington, D.C.

*Disposições exteriores para a Comunhão

-O jejum eucarístico, de antiqüíssima tradição, exige hoje «abster-se de tomar qualquer alimento e bebida ao menos desde uma hora antes da sagrada Comunhão, a exceção só da água e dos remédios» (cânon 919 § 1).

-A Igreja permite comungar duas vezes o mesmo dia, sempre que se participe em ambas missas (ib. 917).

-«A Comunhão tem uma expressão mais plena, por razão do signo, quando se faz baixo as duas espécies» (OGMR 240). A Igreja no Ocidente, só por razões práticas, reduz este uso a ocasiões assinaladas (Eucharisticum mysterium, 32), enquanto que no Oriente é a forma habitual.

-Quando se comunga dentro da Missa, e ademais com hóstias consagradas na mesma Missa, se expressa com maior claridade que a Comunhão faz participar no sacrifício mesmo de Jesus Cristo (Catecismo 1388).

-Mesmo assim, quando os fiéis pedem a Comunhão «com justa causa, se lhes deve administrar a Comunhão fora da Missa» (cânon 918).

*Disposições interiores para a Comunhão freqüente

São Paulo fala claramente sobre a possibilidade de comunhões indignas: «Quem come o pão e bebe o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo e então coma do pão e beba do cálice; pois o que sem discernir come e bebe o corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Por isto há entre vós muitos fracos e débeis, e muitos mortos» (1Cor 11, 27-29). Atribui o Apóstolo os piores males da comunidade cristã de Corinto a um uso abusivo da Comunhão Eucarística… Isto nos leva a considerar o tema da freqüência e disposição espiritual que são convenientes para a Comunhão.

Na antigüidade cristã, sobretudo nos séculos III e IV, há numerosas marcas documentais que fazem pensar na normalidade da comunhão diária. Os fiéis cristãos mais piedosos, respondendo simplesmente a vontade expressada por Cristo, «tomai e comei, tomai e bebei», viam na comunhão sacramental o modo normal de consumar sua participação no sacrifício Eucarístico. Só os catecúmenos ou os pecadores sujeitos a disciplina penitencial se viam privados dela. Logo, mesmo assim, inclusive no monacato nascente, este critério tradicional se debilita na prática ou se põe em dúvida por diversas causas. A doutrina de Santo Agostinho e de Santo Tomás poderão mostrar-nos autorizadamente o novo critério.

Santo Tomás (+1274), tão respeitoso sempre com a tradição patrística e conciliar, examina a licitude da comunhão diária, advertindo que, por parte do sacramento, é claro que «é conveniente recebê-lo todos os dias, para receber a diário seu fruto». Pelo contrário, por parte de quem comunga, «não é conveniente a todos se acercar diariamente al sacramento, senão só as vezes que se encontrem preparados para isso.

Conforme a isto se lê [em Genadio de Marsella, +500]: “Nem louvo nem critico o receber todos os dias a comunhão eucarística”» (STh III,80,10). Nesse mesmo texto Santo Tomás precisa melhor seu pensamento quando diz: «O amor acende em nós o desejo de recebê-lo, e do temor nasce a humildade de reverenciá-lo. As duas coisas, tomá-lo a diário e abster-se alguma vez, são indícios de reverência para a Eucaristia.

Por isso diz Santo Agostinho [+430]: “Cada um obre nisto segundo lhe dite sua fé piedosamente; pois não altercaram Zaqueu e o Centurião por receber um, gozoso, ao Senhor, e por dizer o outro: Não sou digno de que entres baixo meu teto. Os dois glorificaram ao Salvador, ainda que não da mesma maneira” [ML 33,201].

Contudo, o amor e a esperança, aos que sempre nos convida a Escritura, são preferíveis ao temor. Por isso, ao dizer Pedro “afasta-te de mim, Senhor, que sou homem pecador”, responde Jesus: “Não temas”» (ib. ad 3m).

Durante muitos séculos prevaleceu na Igreja, inclusive nos ambientes mais fervorosos, a comunhão pouco freqüente, só em algumas festas assinaladas do Ano litúrgico, ou a comunhão mensal ou semanal, com a permissão do confessor. E esta tendência se acentuou ainda mais, até o erro, com o Jansenismo. Por isso, sem dúvida, um dos atos mais importantes do Magistério pontifício na história da espiritualidade é o decreto de 20 de dezembro de 1905. Nele São Pio X recomenda, baixo determinadas condições, a Comunhão freqüente e diária, saindo em contra da posição jansenista.

«O desejo de Jesus Cristo e da Igreja de que todos os fiéis se acerquem diariamente ao sagrado convite se cifra principalmente em que os fiéis, unidos com Deus por meio do sacramento, tomem daí força para reprimir a concupiscência, para borrar as culpas leves que diariamente ocorrem, e para precaver os pecados graves a que a fragilidade humana está exposta; mas não principalmente para olhar pela honra e reverência do Senhor, nem para que isso seja paga ou prêmio das virtudes de quem comunga. Daí que o santo Concílio de Trento chama a Eucaristia «antídoto com que nos livramos das culpas cotidianas e nos preservamos dos pecados mortais».

Segundo isto:

«1. A Comunhão freqüente e cotidiana… esteja permitida a todos os fiéis de Cristo de qualquer ordem e condição, de sorte que a ninguém se lhe pode impedir, com tal que esteja em estado de graça e se acerque a sagrada mesa com reta e piedosa intenção.

«2. A reta intenção consiste em que quem se acerca a sagrada mesa não o faça por rotina, por vaidade ou por respeitos humanos, senão para cumprir a vontade de Deus, unir-se mais estreitamente com Ele pela caridade, e remediar as próprias fraquezas e defeitos com essa divina medicina.

«3. Ainda quando convém sobremaneira que quem recebe freqüente e até diariamente a Comunhão esteja livre de pecados veniais, pelo menos dos plenamente deliberados, e do apego a eles, basta assim que não tenham culpas mortais, com propósito de não pecar mais em adiante…

«4. Deve procurar-se que à Sagrada Comunhão preceda uma diligente preparação e lhe siga a conveniente ação de graças, segundo as forças, condição e deveres de cada um.

«5. Deve pedir-se conselho ao confessor. Procurem, mesmo assim, os confessores não apartar a ninguém da Comunhão freqüente ou cotidiana, com tal que se ache em estado de graça e se acerque com retidão de intenção» (Denz 1981/3375 – 1990/3383).

Parece claro que na grave questão da Comunhão freqüente, a maior tentação de erro é hoje a atitude laxista, e não o rigorismo jansenista, sendo um e outro, graves erros. Entre ambos extremos de erro, a doutrina da Igreja católica, expressava no decreto de São Pio X, permanece vigente. Hoje «a Igreja recomenda vivamente aos fiéis receber a Santa Eucaristia nos domingos e nos dias de festa, ou com mais freqüência ainda, inclusive todos os dias» (Catecismo 1389).

 

            2. O SILÊNCIO É OBRIGATÓRIO NA MISSA NO MOMENTO DA ORAÇÃO EUCARÍSTICA E DA CONSAGRAÇÃO?

Sim, pois o no.55 item h, da Instrução Geral do Missal Romano afirma textualmente: “Exige a Oração Eucarística que todos a escutem com reverência e em silêncio, dela participando pelas aclamações previstas no próprio rito”.

            Trata-se de um silêncio de assimilação, pois leva a escuta e interiorização durante as grandes orações presidenciais, em união espiritual com o sacerdote que profere as partes que lhe competem (Musicam sacram, 17).

            O exemplo mais comum desse “silêncio sagrado” nós o temos como vimos na oração eucarística: “Tal oração é pronunciada pelo sacerdote ministerial; ele interpreta tanto a voz de Deus, que se dirige ao povo, quanto a voz do povo, que eleva os espíritos a Deus. Por isso, somente ela deve ecoar enquanto a assembléia reunida para a celebração da sagrada liturgia observa religioso silêncio” (Eucharistiae participationem, 8).

            O encontramos ainda durante a oração consacratória das ordenações (OBPD 31; 118; 186), na missa do Crisma (BO 20; 21; 22), na profissão religiosa (RPR 76) e na consagração das virgens (CV 38; 87).

            Particularmente significativo é o gesto silencioso da “imposição das mãos”, acompanhado da oração dos presentes, na unção dos enfermos (SUPCE 76) e sobretudo nas ordenações (OBPD 29; 117; 185).

            A propósito desse gesto consacratório, que na ordenação episcopal e sacerdotal deve ser prolongado e repetido respectivamente pelos bispos concelebrantes e pelos sacerdotes presentes, já observava Hipólito de Roma: “Todos se calarão e rezarão em seus corações para pedir que desça o Espírito Santo”.

 

3. É NECESSÁRIO PEDIR LICENÇA PARA REZAR MISSA EM LATIM OU RECEBER A COMUNHÃO NA LÍNGUA?

            Não. O rito litúrgico ao qual pertencemos e celebramos se chama rito latino, pelo qual a forma habitual e normal seria a versão em língua latina. O que de fato é uma concessão é rezar a missa em vernáculo, isto é, no idioma pátrio.

            Certamente que as exigências de uma legítima inculturação, bem como de uma pastoral litúrgica contextualizada, recomendam o uso da língua falada pelo povo, isto é, o vernáculo.

            No entanto, hoje que se apregoa tanto uma cultura global e universal, não devemos esquecer que uma língua que responde exatamente a isso, respeitando as tradições multisseculares da Igreja é o latim. Numa missa rezada em latim, no formulário atualizado pelo Vaticano II, estamos certos de interceder e rezar por todos os católicos existentes no mundo inteiro.

            Claro está que, rezar uma missa em latim, não deve ser rezada por pedantismo, arqueologismo litúrgico ou simples devoção, mas constituir um espaço de resgate e de valorização da liturgia latina em profunda comunhão com toda a Igreja Católica.

            No tocante a comunhão na língua, é importante esclarecer que, também esta prática litúrgica é a certa, normal e habitual, sendo a comunhão na mão, apenas uma concessão válida. Nunca pode proibir-se a uma pessoa na fila da comunhão, de receber a comunhão na língua, se assim o desejar.

            Muitas vezes porém, a comunhão na língua é determinada por razões de segurança, isto é, para evitar o perigo de escândalo ou de profanação de hóstias consagradas.

            O fundamental sempre, será facilitar e defender a liberdade do cristão. Não há uma prática que seja preferencial ou que leve objetivamente a uma maior santidade. Tudo depende da fé, da reta intenção e da interioridade da pessoa que vai receber este sacramento.

            4. QUE PENSAR DE CERTOS EVENTOS, QUE ANUNCIAM A “PASSAGEM” DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, OU DE COLOCAR ORAÇÕES DENTRO DO SACRÁRIO?

            O Culto Eucarístico fora da Missa está claramente regulamentado pelas Instruções Eucharisticum Mysterium e A Sagrada Comunhão e o Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, que dá as normas relativas tanto para as exposições como para as procissões.

            A prática da “passagem” do Santíssimo não encontra autorização nesta normativa, uma vez que parece centrar-se numa devoção emocional e desviante, acentuando o aspecto de curas por proximidade ou certo cafarnaumismo, isto é, de ver no Santíssimo Sacramento o Jesus terrestre, e não a sua forma sacramental.

            Por outra parte, não se entende por que Jesus Sacramentado tenha que passar perto das pessoas para atender os seus pedidos.

            O mesmo pode dizer-se da prática incorreta de introduzir orações ou cartas no Sacrário, como se Jesus Sacramentado só assim pudesse tomar conhecimento dos dramas de seus irmãos, e não bastasse a oração confiante.

            O Culto Eucarístico, não pode separar a presença real em si mesma, esquecendo a finalidade de ser sacrifício redentor e ceia eucarística.

            As práticas mencionadas nesta questão adolescem de falta de teologia e de buscarem consolações miraculosas, esquecendo que o grande milagre já é o próprio Senhor presente nos dons eucarísticos.

            Caberia aos fiéis envolvidos de boa fé e com grande amor a Jesus, aprofundarem a correta devoção eucarística, oferecida nos documentos da Liturgia Renovada.

            5. PORQUE OS NOSSOS TEMPLOS ESTÃO FICANDO CADA VEZ MAIS BARULHENTOS E DISPERSIVOS?

            Não deveria ser assim, uma vez que o templo tem que ser Casa de Deus, lugar de oração e recolhimento. O silêncio nos templos não só tem um caráter sacral e religioso, mas terapêutico, uma vez que harmoniza e unifica todo o nosso ser ansioso e neurotizado pela fragmentação e o corre-corre da nossa vida hodierna.

            O templo deveria constituir e oferecer um verdadeiro oásis espiritual, para o homem cansado e dividido pela faina diária, um espaço privilegiado para recompor em paz o nosso relacionamento com o Deus Consolador. Seria importante aproveitar projetos bem sucedidos, como o uso da música sacra, canto gregoriano no templo, para criar uma atmosfera celestial, que toque profundamente o coração inquieto do homem, como aconteceu com Claudel, numa igreja da França.

            Pierre Babin, um especialista em comunicação, afirma que nossas liturgias são muito verbalizadas. A seu ver, a liturgia teria que ser mais “modulada”, isto é, permitir mais a escuta e a meditação, aprendendo mais a desenvolver um olhar contemplativo.

            Existe um grave engano de pensar que a participação externa, superficial, de fazer coisas, pode substituir a participação interna, que busca como Maria de Betânia, repousar aos pés do Mestre, ou como São João na Última Ceia, reclinar a cabeça no peito de Jesus.

            Está faltando mais mistério e transcendência, na nossa linguagem e cerimonial litúrgico, muito embora nossas igrejas têm tudo para oferecer, só basta haurir da riquíssima tradição orante, para reencantar o homem de hoje, sequioso de um ambiente sereno, onde encontre paz interior, e diálogo profundo com Deus.

            6. EM RELAÇÃO AOS FERIADÕES E TAMBÉM AOS FINAIS DE SEMANA NA PRAIA OU NA SERRA, É PECADO FALTAR A MISSA?

            O Papa João Paulo II na Encíclica Dies Domini, tem alertado sobre o perigoso costume de reduzir o domingo, a um fim de semana, esvaziando o sentido original do Dia do Senhor, perdendo-se assim, o horizonte religioso e esquecendo do céu e do Senhor da vida.

            Certamente que esta quebra da cultura cristã, e descumprimento do preceito dominical, atenta em primeiro lugar contra o próprio homem, que como criatura deixa de ligar-se com a fonte da graça, perdendo a alegria e a liberdade de viver como filho de Deus.

            Além do mais, é prejudicada a comunidade eclesial, debilitado o vínculo da caridade fraterna e a própria família como pequena Igreja, vai esvaziando sua identidade e natureza, tornando-se apenas um lugar de convívio e residência.

            Todos estes efeitos são danosos para a sociedade como um todo, que perde o sentido do tempo e da história, voltado à concepção pagã do eterno retorno da natureza, sem referência ao Deus revelado.

            Por estas razões, o Catecismo da Igreja Católica ensina no no.2180, que o mandamento da Igreja determina e especifica a lei positiva do Senhor, expressa no decálogo: “Aos domingos e nos outros dias de festa de preceito, os fiéis tem a obrigação de participar da missa”.

            “Satisfaz ao preceito de participar da missa, quem assiste à missa celebrada segundo o rito católico, no próprio dia da festa ou à tarde do dia anterior”. A Eucaristia do domingo fundamenta e sanciona toda a prática cristã.

            Por isto, aqueles que deliberadamente faltam a esta obrigação, cometem pecado grave. A participação na celebração comunitária da Eucaristia dominical é um testemunho de pertença e fidelidade a Cristo e à sua Igreja.

            7. PORQUE E QUANDO DEVEMOS AJOELHAR-NOS NA SANTA MISSA?

            Diante de uma onda secularista, que quer banir dos templos bancos com genuflexórios, para impedir o ato devoto de ajoelhar-se na igreja para rezar e adorar a Majestade divina, torna-se necessário fazer alguns esclarecimentos.

            Depois da última reforma litúrgica, a Institutio Generalis do Missal Romano contempla o ato de ajoelhar-se durante a comunhão e depois dela (no.21); e assim, diante do altar, onde se conserva o Santíssimo, sacerdote e ministros devem fazer a genuflexão (no.84).

            Antes de distribuir a comunhão aos fiéis, o sacerdote faz genuflexão (no.115). Resumindo, “durante a missa fazem-se três genuflexões: depois da elevação da hóstia, depois da elevação do cálice e antes da comunhão. Mas, se no presbitério houvesse o tabernáculo com o Santíssimo Sacramento, faz-se genuflexão também antes e depois da missa, e todas as vezes que se passa diante do Santíssimo” (no.233).

            Ainda é bom recordar que em todos os documentos do Magistério que dizem respeito ao culto eucarístico, a palavra adorar se refere principalmente ao gesto da genuflexão.

            “A Eucaristia – disse João Paulo II em Dublin aos 29 de setembro de 1979 -, na Missa e fora da Missa, é o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e merece portanto, a adoração que se tributa ao Deus vivo e somente a Ele. Assim, cada ato de reverência, cada genuflexão que fazeis diante do Santíssimo Sacramento é importante, porque é um ato de fé em Cristo, um ato de amor a Cristo”.

            8. QUE SIGNIFICA APLICAR A MISSA POR ALGUÉM?

            O cânon 901 afirma que o sacerdote pode aplicar a Missa pelos vivos e pelos defuntos. Embora a eficácia do sacrifício seja infinita, porque nele é Jesus Cristo, ministro e vítima, seus efeitos enquanto aplicados aos homens são limitados (em função de sua intenção, preparação e estado de graça).

            Os efeitos se aplicam em geral, sempre a toda a Igreja, a qual pertence e foi confiado o sacrifício eucarístico. Mas, na medida que um fiel participa mais ou menos da celebração, também pode entender-se que se apropria desses maravilhosos efeitos, e dispõe de sua influência poderosa.

            Neste sentido, a doutrina destacou sempre os destinatários especiais destes mesmos efeitos. Em primeiro lugar, o próprio celebrante  e/ou quantos diretamente tomarem parte na celebração. Em segundo lugar, a pessoa pela que o celebrante aplica particularmente a Missa.

            Para ter uma idéia da ordem em que os fiéis aproveitam-se dos frutos da Missa, ajuda a lembrar que a doutrina fala de aproveitamento geral (toda a Igreja), especial (ao fiel e/ou fiéis pelos quais se aplica a Missa) e especialíssimo (o próprio sacerdote e participantes).

            Desta arte, podemos afirmar tranqüilamente, que o sacerdote pode aplicar a Missa por todos os vivos e defuntos, menos pelos santos e beatos que foram excetuados por pertencerem a Igreja Celestial. A aplicação concreta da Missa por determinado fiel ou fiéis, não precisa ser pública, nem conhecida pela Assembléia.

9. EM QUÊ CASOS, PODE-SE NEGAR A EUCARISTIA DE FORMA PÚBLICA?

            Certamente não, por atos de foro interno (da consciência), ou situações que mesmo pecaminosas, sejam desconhecidas pela comunidade e exponham a pessoa a quem se negou a Eucaristia a difamação.

            Sim, nos casos de ebriedade, sob efeitos da droga ou demência visível, de falta de decoro ou vestimenta escandalosa (nesta situação há igrejas que colocam uma mantilha sobre a/o comungante), de pessoa identificada com guias e roupa de religião espírita ou de terreiros de umbanda e quimbanda. Ainda nos casos de excomunhão infringida por decreto (ferendae sententiae) e das crianças com pouca idade que não fizeram a primeira Eucaristia.

            É importante que o ministro da Comunhão não discuta na frente da procissão, e com discrição explique a razão do procedimento, oferecendo-se para ter uma conversa após a Missa, para ulteriores esclarecimentos. Também deve ser registrada a prudência de exigir que quem comunga na mão, leve a hóstia consagrada à boca, na presença do ministro, para evitar subtração e roubo destinado a profanação.

            Será valioso e oportuno para a pastoral deste sacramento, instruir o povo no conhecimento das condições necessárias para poder comungar, e sobre o que significa o estado de graça. São prudentes e sábios os avisos ou monições, que antes da procissão da Comunhão, interpelem aos fiéis, no sentido de um exame pessoal, e sobre a preparação e devoção para poder receber a Cristo Sacramentado.

            O sacerdote (e não o comentarista) deve recordar ainda, a exigência do jejum eucarístico, de uma hora antes da comunhão (não tomar chá, café, chimarrão e mesmo mascar chicletes). Tudo isto faz parte da piedade eucarística que devemos tributar ao Santíssimo Sacramento.

            10. PODEM-SE TOCAR OUTROS INSTRUMENTOS MUSICAIS, ALÉM DO ÓRGÃO NA LITURGIA?

            Sim, pois como veremos, o uso dos instrumentos reflete fundamentalmente uma questão de cultura e sua adaptação conveniente e frutuosa ao rito litúrgico, uma vez que a finalidade da música instrumental é funcional.

            O ambiente sócio-cultural dos primeiros séculos do cristianismo, ao qual os instrumentos estavam relacionados, não permitiam o seu uso no culto cristão. Estavam relacionados especialmente com os cultos pagãos e aos costumes corrompidos: se a lira ainda parecia nobre, a flauta e o oboé eram eróticos, a trombeta belicosa, o órgão istriônico (Gelineau).

            Em outro contexto sócio-cultural, mais tarde, estes argumentos, em parte perdem o seu valor. No século VII ou IX o órgão é refeito em sua “virgindade” e é o primeiro instrumento cultual cristão. Depois do século VIII, a Igreja latina mitigou a severidade e permitiu outros instrumentos de culto.

            Quais serão estes instrumentos? Depende da época, do lugar e da cultura. Os etíopes usam com muito êxito instrumentos de percussão; aliás o tambor é o instrumento cultual mais universal nas religiões não cristãs. Outros ritos orientais preferem sistros, címbalos, campainhas, etc.

            Pio XII que era violinista, depois de louvar o órgão, admite outros instrumentos que possam auxiliá-lo nesta tarefa, especialmente o violino e a sua família.

            A Constituição litúrgica “Sacrosanctum Concilium” no no.120, afirma que é possível a admissão de outros instrumentos além do órgão, pois a Igreja não quer uma rígida igualdade na expressão do culto, contanto que sejam adequados ou ainda possam tornar-se tais, condigam com a dignidade do templo e favoreçam realmente a edificação dos fiéis.

            A Instrução “Musicam Sacram” acentua a necessidade dos instrumentos levarem em conta a cultura, o gênio e a tradição de cada povo, evitando uma rígida igualdade e uniformidade de um tempo.

            Para finalizar, importaria citar o salmo 150, que defende o uso de uma orquestra variada e diversa, para louvar o Senhor.

            11. PODE-SE APLICAR UMA INDULGÊNCIA A UMA ALMA CONDENADA NO INFERNO?

            Não, uma vez que as penas do inferno são eternas, e não podem remover aos reprovados de seu estado de ódio contra Deus. Alguns teólogos concederam como opinião provável que pudessem ser mitigadas, estas penas ou ao menos aliviadas.

            Santo Agostinho (Enchir. III) afirma que “a desdita será mais suportável a uns condenados do que a outros”. Porém foi declarada como herética a doutrina da Apocatástasis de Orígenes, que afirmava a possibilidade de um perdão divino para os reprovados, questionando a eternidade do inferno.

            No entanto, são muito benéficas as indulgências para as almas do purgatório, que como já não estão mais em estado de mérito, isto é, não podem mais praticar atos virtuosos que lhes sejam imputados, dependem por inteiro das nossas orações e sufrágios.

Por isso, a Santa Igreja determinou que no dia de Finados pudessem se aplicar indulgências somente pelas almas dos falecidos. Recordando que as indulgências plenárias podem remir todas as penas temporais que ainda restam por purificar, libertando a bendita alma para o céu, e as parciais, como seu nome indica, possibilitam atenuar o tempo de expiação no purgatório.

Para lucrar uma indulgência plenária, é necessário, cumprir a obra que a Igreja premiou com uma indulgência, confessar e comungar, rezar um Pai-Nosso nas intenções do Santo Padre, e estar plenamente em estado de graça no momento de recebê-la, tendo para terminar a intenção, ou de ganhá-la para si, ou de aplicá-la para outrem, como é o caso do dia 02 de novembro, comemoração anual de fiéis defuntos.

            12. É CORRETO FALAR DE MISSA DE: LOUVOR, LIBERTAÇÃO E CURA?

            Certamente que quando queremos qualificar a Missa com um adjetivo ou genitivo de isto ou daquilo outro, estamos a empobrecer e a reduzir a riqueza da Missa. Porque toda Missa é de louvor, uma vez que a finalidade latrêutica é a principal (glorificar a Deus), como toda Missa liberta, ao ser o sacrifício da Redenção, e toda Missa cura, uma vez que reconcilia e perdoa aos pecadores que somos nós.

            Não existe Missa mais libertadora ou louvadora que outra; o que pode ser enfatizado é a dimensão ou o destaque a uma das finalidades, o que deve ser feito sem nunca esquecer as outras dimensões e aspectos.

            Como tampouco devemos esquecer que a Missa não pertence ou é do padre tal ou qual, já que estaríamos omitindo que o ministro principal de toda ação litúrgica é o próprio Jesus Cristo.

            Existe sim, uma maneira ou uma participação litúrgica que pode variar de Missa para Missa. De fato, uma Missa pode envolver mais a assembléia reunida, que tem mais possibilidades de expressar-se e gestualizar. Embora seja importante esclarecer que a participação mais intensa e profunda é a união interna com o Senhor, e que se faltar essa atitude de deixar-se transformar pela graça divina, estaria faltando tudo.

            O Cardeal Ratzinger afirmava no famoso Relatório sobre a Fé, que a Missa não é um show ou espetáculo, e que a Igreja vive de solenes reatualizações do mesmo sacrifício de Jesus na cruz.

            É necessário inculturar a Missa, com cantos e gestos, adaptá-la aos diferentes contextos celebrativos, porém seja mais oportuno amá-la e conhecê-la melhor, como a obra prima do Espírito Santo, o que exige de nós uma atitude mais contemplativa e orante.

            Toda Missa é a ação de um Deus que se doa, sinergia sagrada que santifica, liberta e cura a seu povo.

            13. A MISSA DO GALO QUE É A PRINCIPAL DO NATAL, NÃO SE DEVERIA REZAR SEMPRE À MEIA-NOITE?

            A Missa do Galo, não foi a mais antiga e mais brilhante, mas sim a do dia, que a tradição litúrgica considerou a Maior, já que aprofunda o mistério natalino na sua repercussão para todo o Universo.

            A primeira e única Missa do Natal que o Papa celebrava neste dia, no século IV em São Pedro, era a Missa do dia, na hora de costume, ou seja às 9h. Foi recém no século IX que se juntou a Missa da meia-noite celebrada na Basílica de Santa Maria Maior.

            Pouco tempo depois, construiu-se uma capela subterrânea, a imitação da gruta da Natividade em Belém. Essa era a capela que o Papa começou a celebrar a Missa da meia-noite, depois do ofício noturno, logo após participar ainda do ofício de Laudes, ele se retirava a descansar.

            É provável que esta celebração noturna da Missa tenha sido sugerida e favorecida por um costume dos cristãos de Jerusalém. Tinham aí por hábito, celebrar uma Missa na noite anterior à Epifania, na igreja mandada construir por Constantino, por cima da gruta da Natividade de Belém, e em seguida, voltavam processionalmente a Jerusalém, onde celebravam uma outra Missa às primeiras horas do dia.

            É verdade que o povo consagrou na sua piedade e sentimento religioso no decorrer das épocas, a Missa do Galo oficiada segundo costume e tradição sempre à meia-noite. Porém é necessário destacar que a própria liturgia do Natal é um dos casos mais bem sucedidos de inculturação, e que hoje manter um horário só por motivos de tradição, seria carecer do bom senso pastoral, que sempre animou aos Papas em matéria de liturgia, uma vez que a celebração deve ter em conta os ritmos da civilização e a vida do povo.

            Não há nada contrário à fé e a disciplina litúrgica de adiantar a Missa do Galo para um horário mais consensual e que possibilite, por isso mesmo, uma participação maior e mais fervorosa do povo.

            14. PODE-SE REZAR MISSAS EM POSTOS DE GASOLINA?

            A norma geral prescreve que a Missa seja celebrada em lugar sagrado, a não ser que num determinado caso particular a necessidade exija outra coisa (cânon 932). Podemos inferir que ad casum, isto é, contemplando casos individuais, é possível rezar Missas em locais não sagrados, contanto que o lugar seja digno (não sórdido).

            No caso em tela, para admitir a celebração em postos de gasolina, deveria ser verificado o conforto e acomodação em termos de espaço, visibilidade e audição para os fiéis, tendo em conta a previsão do número.

            Será importante considerar as condições de segurança, evitando-se o cheiro forte de gasolina pela sua toxicidade. Ainda é prudente pesquisar a fama e imagem da empresa, no sentido de respeitar os padrões éticos do comércio e da legislação trabalhista.

            Também é de suma conveniência oferecer a outros postos de gasolina esta possibilidade, para não discriminar ou favorecer determinada empresa. Exige-se para o respeito do culto eucarístico, uma mesa apropriada e toalha e corporal, conforme o cânon 932 § 2.

            Considere-se todavia o sensus fidei, isto é, como a comunidade de fiéis vai acolher esta iniciativa, tratando de evitar a estranheza e o escândalo. Não devemos esquecer, que Jesus para instituir a Santíssima Eucaristia, tomou cuidados e a cercou de uma preparação muito piedosa, também no que diz respeito ao lugar onde foi celebrada.

            A glória de Deus e a adoração devida a este Sacramento, não podem correr o risco de serem banalizadas ou prejudicadas por um afã populista.

            15. PARA CELEBRAR UM ATO OU CULTO ECUMÊNICO, E RECEBER UM MINISTRO ACATÓLICO QUE VEM PREGAR NA IGREJA, PODE-SE RETIRAR O SANTÍSSIMO SACRAMENTO?

            O Santíssimo Sacramento só poderia ser retirado por razões graves, que a teor do cânon 938, indicariam o risco de profanação, insegurança ou por reformas no templo. Seria um ato de irenismo ou falso ecumenismo retirar o Santíssimo Sacramento do templo católico, uma vez que despojaria a comunidade católica de sua identidade mais profunda, que afirma a fé na Santíssima Eucaristia.

            O diálogo ecumênico não se faz negando as tradições ou princípios, que não são metais que se fundem, mas partilhando o patrimônio espiritual e dogmático que cada Igreja possui.

            Por outra parte, este ato de capitulação e oportunismo, como seria retirar o Santíssimo Sacramento pela visita de um ministro acatólico, provocaria um verdadeiro escândalo e descrédito na comunidade fiel, que seria gravemente lesada.

            Percebe-se detrás destas sugestões a insegurança doutrinal, a falta de convicções firmes e sólidas, e o que é pior, o relativismo e a indiferença que impossibilitam o verdadeiro ecumenismo.

16. PORQUE TENHO QUE PARTICIPAR DA MISSA CADA DOMINGO?

Participar da Missa cada domingo é um mandamento da Igreja; mas se realmente vais a participar porque te sentes obrigado, não tens nem a menor idéia do que é a Eucaristia. Escrevi estas linhas que seguem, para que conhecendo melhor, possas responder melhor ao infinito amor que Deus deixou para ti na Eucaristia.

16.1 QUE É A EUCARISTIA?

A Eucaristia é o memorial da última ceia e do sacrifício de Jesus na Cruz, através do qual Jesus quis ficar real e verdadeiramente entre nós. É o maior gesto de amor que Deus pode deixar-nos; e também é a maneira mais perfeita que nós os cristãos temos para dar-lhe graças pelo imenso amor que nos tem.

16.2 UM MEMORIAL

Quando nós celebramos a Missa estamos recordando o que Jesus fez com seus discípulos na última cena (Mt 26, 20-35; Mc 14, 17-25; Lc 22, 14-38), mas não só é uma recordação de algo que sucedeu faz muitíssimos anos, também fazemos presente “a graça” que Jesus lhes deu aos seus discípulos naquele então. Por isso lhe chamamos “memorial” e não simplesmente recordação; porque um memorial, faz presente hoje os efeitos das ações do passado.

Ao ler sua palavra nas leituras, não só recordamos o que Ele disse, senão que Deus diz a nós hoje; além do mais, quando o sacerdote menciona as palavras de Jesus na última ceia com seus discípulos, não só recorda a ceia e sua crucifixão, senão que faz presente a Cristo mesmo que se entregou por nós; por isso cremos que a hóstia e o vinho, são verdadeira e realmente o Corpo e o Sangue de Cristo, pois não é o sacerdote o que as converte senão Cristo que na pessoa do sacerdote se faz presente uma vez mais para estar conosco. Que oportunidade para estar perto de Jesus!

E por último, quando nós nos aproximamos a comungar, não só recordamos que Cristo quis vir a estar entre nós, senão que entramos em uma verdadeira e real comunhão com Ele. Comungar é portanto a maneira mais real e verdadeira de unir-nos com Deus, é o cume de nossa busca de Deus. Nesse momento nos encontramos com ele, não só em nosso pensamento, nem tampouco só em nossa imaginação, Deus está verdadeira e realmente conosco, em nosso interior para purificar-nos e levar-nos a plenitude que todos buscamos.

16.3 O MAIOR SÍMBOLO DO AMOR DE DEUS

Quando Deus nos criou não se desentendeu de nós, senão que durante toda nossa história, preocupou-se por guiar-nos para nossa felicidade. Esta presença de Deus que nos acompanha, teve sua expressão maior na Encarnação de seu Filho. Em Jesus nós podemos ter a certeza de que Deus está conosco; toda sua pessoa é como um grande grito que nos diz: “Aqui estou, não estão sozinhos!”. Pois esta presença não só é espiritual, senão que através da Eucaristia se faz real e verdadeira entre nós. Sim, o amor de Deus pelos homens foi tão grande que decidiu ficar entre nós através deste sacramento. Nele, nós podemos experimentar sua presença e sua companhia. Assim é que Deus não só nos amou tanto como para encarnar-se, morrer e ressuscitar por nós, senão que ademais ficou entre nós através da Eucaristia.

Depois de vê-lo assim, valerá a pergunta: cada quando o tenho que ir a ver? A pouco tenho que ir cada domingo?

16.4 UMA AÇÃO DE GRAÇAS DO HOMEM

Se cremos que Jesus é perfeito homem e perfeito Deus, então na Eucaristia todos nós estamos representados ante Deus por meio de Jesus Cristo; portanto não poderá existir oferenda mais agradável a Deus Pai que seu mesmo Filho. Assim, a Eucaristia é a ação de graças maior do homem a Deus, é a oferenda perfeita. Claro que se nós não nos unimos a vida de Cristo, pois então nossa participação nessa ação de graças não será plena. Por este motivo, é importante que a Eucaristia dos domingos seja o momento no que nós lhe entregamos a Deus tudo o que fizemos essa semana, todos nossos esforços e também nossas debilidades, pois Cristo a toma e as eleva a seu Pai através do memorial da ceia pascal.

Diz o Catecismo sobre este tema: “A Eucaristia é um sacrifício de ação de graças ao Pai, uma bênção pela qual a Igreja expressa seu reconhecimento a Deus por todos seus benefícios, por tudo o que realizou mediante a criação, a redenção e a santificação. “Eucaristia” significa, antes de tudo, ação de graças” n.1360.

Por todas estas razões os bispos não duvidaram em dizer que “A Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã” (LG 11), pois nela encontramos todas nossas forças para crer em Jesus Cristo e segui-lo fielmente, ademais que vemos realizados todos nossos anelos de viver em comunhão com Ele.

 

17. PORQUE A MISSA TEM TANTOS NOMES?

A riqueza inesgotável deste sacramento se expressa mediante os distintos nomes que se lhe dá. Cada um destes nomes evoca algum de seus aspectos.

Eucaristia porque é ação de graças a Deus. Esta palavra recorda as bênçãos judias que proclamam uma ação de graças a Deus -sobretudo durante a comida- pelas obras que realizou: a criação, a redenção e a santificação.

Banquete do Senhor (cf. 1Cor 11,20) porque se trata da Ceia que o Senhor celebrou com seus discípulos a véspera de sua paixão.

Fração do pão porque este rito de partir o pão, próprio do banquete judeu, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão (cf. Mt 14, 19; 15, 36; Mc 8, 6.19), sobretudo na última Ceia (cf. Mt 26, 26; 1Cor 11, 24). Neste gesto os discípulos o reconhecerão depois de sua ressurreição (Lc 24, 13-35), e com esta expressão os primeiros cristãos designaram suas assembléias eucarísticas (cf. At 2, 42.46; 20, 7.11).

Memorial da paixão e da ressurreição do Senhor. Porque as palavras que Jesus disse na última ceia foram respaldadas pela entrega que ele realizou por nós na cruz e por sua ressurreição, de tal maneira que quando termina o sacerdote as palavras de consagração, todos dizem: “anunciamos tua morte, proclamamos tua ressurreição, vem Senhor Jesus”.

Comunhão, porque por este sacramento nos unimos a Cristo que nos faz partícipes de seu Corpo e de seu Sangue para formar um só corpo (cf. 1Cor 10, 16-17).

Missa. Esta palavra vem do substantivo missio, que significa envio, portanto, faz referência a que a Eucaristia não só é a comunhão com Deus, também é um compromisso a viver essa comunhão fora da Igreja.

18. PORQUE AS MISSAS SÃO TÃO LONGAS?

Há dois motivos pelos que as Missas se nos podem fazer longas, o primeiro é porque não sabemos ao que vamos. Se nós estamos parados aí porque queremos ou temos que cumprir um mandamento, definitivamente que se te vai a fazer longa a Missa. Se a isto lhe agregamos que não conhecemos o sentido de todos os signos da Missa e ademais não sabemos que partes têm a Missa e porque as tem, pois claro que se nos fará longa. Imagina-te que vais a ver uma obra de teatro em um idioma que não conheces, por mais curta que seja se te fará longa, e pior ainda, não a viverás nem a desfrutarás.

O segundo motivo de que nos pareçam longas as Missas é que muitos sacerdotes não têm compreendido ainda todo o sentido da Missa e isso provoca que não saibamos transmitir a experiência de cada momento da Missa; se a isto lhe agregamos um sermão longo, um som que não se entende e um calor que não se agüenta, pois claro que se nos fará longa a Missa!

Mesmo assim, se recordamos que a Eucaristia é esse encontro que Deus quer ter conosco, talvez nos poderíamos esforçar por compreender melhor o que sucede nela para que este encontro se faça realmente realidade. Em seguida comento brevemente as partes da Missa para que as compreendas melhor e as possas viver de uma maneira plena (Explicarei as partes mais transcendentais somente).

I. Ato de contrição (Tempo para DISPOR-NOS interiormente)

Todos nós viemos à Missa distraídos, pensando no que vínhamos fazendo ou discutindo, ou o que faremos depois, trazemos nossas preocupações ou nossas ilusões. Por isso, ao início da Missa há um momento em silêncio, para que nós nos disponhamos interiormente a escutar a Palavra de Deus e a receber o Corpo de Jesus Cristo. Assim, este é o momento de pensar em tudo o que fizeste na semana, bom e/ou mau, de colocar-te humildemente frente a Deus e pedir-lhe perdão pelas vezes nas que não soubeste responder a seu amor.

Este momento se termina com o canto do Senhor tende piedade, como signo público de nosso arrependimento. Se tu te arrependeste de teus pecados veniais ou faltas menores, neste momento ficam perdoados todos esses pecados, para que fiques disposto (a) para receber a Nosso Senhor.

O canto do Glória que entoamos é nossa maneira de dar graças e glória a Deus pelo perdão recebido.

II. Escuta da Palavra de Deus (Tempo para ESCUTAR)

Este é um dos dois momentos mais intensos da Missa. Neste momento Deus se faz presente, verdadeiramente presente para falar-nos e guiar-nos pelo caminho que Ele nos quer levar. Neste momento se lêem duas leituras, um salmo e o Evangelho. Em cada um deles Deus tem algo que dizer-nos. Não é o momento de distrair-nos senão de colocar muita atenção e tratar de pensar que me está dizendo Deus a mim nestas leituras.

Se eu não sei escutar, tampouco poderei viver o que Deus me está pedindo. Por isso é muito importante que cada semana nos levemos uma mensagem para vivê-lo.

III. Ofertório e Consagração (Tempo de RECORDAR)

O ofertório é quando todos se sentam, passam a esmola e o padre prepara as oferendas no altar. Geralmente aproveitamos este momento para distrair-nos, fazer algum comentário e esperar a que o padre termine. Mesmo assim, este é o momento perfeito para pensar que lhe vais a oferecer a Deus esta semana. Que fizeste esta semana que possas oferecer-lhe hoje a Deus? É o momento de “voltar a ver nossas mãos” e dar-nos conta que é o que trazemos como oferenda para Deus.

O catecismo nos diz ao respeito: “A Eucaristia é igualmente o sacrifício da Igreja. A Igreja, que é o Corpo de Cristo, participa na oferenda de sua Cabeça. Com ele, ela se oferece totalmente. Une-se a sua intercessão ante o Pai por todos os homens. Na Eucaristia, el sacrificio de Cristo es también el sacrificio de los miembros de su Corpo. A vida dos fiéis, seu louvor, seu sofrimento, sua oração e seu trabalho se unem aos de Cristo e a sua total oferenda, e adquirem assim um valor novo. O sacrifício de Cristo, presente sobre o altar, dá a todas as gerações de cristãos a possibilidade de unir-se a sua oferenda” (n.1368).

A consagração, é o segundo momento mais intenso na Missa. Estamos experimentando a presença mesma de Deus entre nós. Essas palavras que o sacerdote diz com tanta delicadeza são as mesmas palavras que disse Jesus a seus discípulos e por elas Jesus se está compartindo uma vez mais em seu corpo e seu sangue. Isto não significa que voltamos a crucificar a Jesus, senão que as graças que por sua morte e ressurreição nos foram dadas se voltam a fazer presente para os que estamos aí na celebração.

IV. A Comunhão (Tempo de CONVIVER com Nosso Senhor)

Todo o sentido da Missa chega a seu cume neste momento. Se vamos a Missa é porque queremos estar em comunhão com Deus, porque queremos viver com Ele e fazer sua vontade. Bom, pois a comunhão é o signo mais claro e real desta comunhão que nós anelamos. De muito nos perdemos se participamos da Missa e não comungamos; é como se preparasses uma ceia para conviver com teus amigos, mas já que chegam lhes deixas tudo preparado e tu te vais.

Comungar é o centro da Missa. Não podemos permanecer indiferentes quando passam semanas e semanas indo a Missa sem comungar. Nós estamos perdendo da melhor parte. Cristo quer estar conosco, Ele quer caminhar conosco dia a dia, mesmo assim, ao não comungar tu lhe estás dizendo que a ti não te importa que não esteja contigo.

“A comunhão acrescenta nossa união com Cristo. Receber a Eucaristia na comunhão dá como fruto principal a união íntima com Cristo Jesus. Com efeito, o Senhor disse: “Quem come minha Carne e bebe meu Sangue habita em mim e eu nele” (Jo 6, 56). A vida em Cristo encontra seu fundamento no banquete eucarístico: “O mesmo que me enviou o Pai, que vive, e eu vivo pelo Pai, também o que me coma viverá por mim” (Jo 6, 57)” (1391).

 

19. QUANDO POSSO OU DEVO COMUNGAR?

Podes comungar sempre que não estejas em pecado mortal. Quer dizer, sempre que estejas seguro que viveste tua semana tratando de agradar a Deus com tuas obras e de que não fizeste nada de maneira consciente e livre que fora contrário aos mandamentos de Deus e da Igreja.

Cometemos um pecado mortal quando de maneira livre e consciente fazemos algo que sabemos nos separará do amor de Deus, e ainda assim o fazemos. Sempre e quando não tenhas cometido algum pecado destes podes comungar todas as vezes que queiras.

20. CRISTO ESTÁ VERDADEIRAMENTE PRESENTE OU A HÓSTIA É SÓ UM SINAL DE SUA PRESENÇA?

Vou citar as palavras do Catecismo da Igreja católica ao respeito deste tema, pois é muito importante que a todos nos fique claro a presença real e verdadeira de Cristo na Eucaristia.

“Cristo Jesus que morreu, ressuscitou, que está à direita de Deus e intercede por nós” (Rm 8,34), está presente de múltiplas maneiras em sua Igreja (cf. LG 48): em sua Palavra, na oração de sua Igreja, “ali onde dois ou três estejam reunidos em meu nome” (Mt 18,20), nos pobres, nos enfermos, nos presos (Mt 25, 31-46), nos sacramentos dos que Ele é autor, no sacrifício da Missa e na pessoa do ministro. Mas, “sobretudo, (está presente) baixo as espécies eucarísticas” (SC 7).

O modo de presença de Cristo baixo as espécies eucarísticas é singular. Eleva a Eucaristia por cima de todos os sacramentos e faz dela como a perfeição da vida espiritual e o fim ao que tendem todos os sacramentos. No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeira, real e substancialmente” o Corpo e o Sangue junto com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, e, por conseguinte, Cristo inteiro. “Esta presença se denomina ‘real’, não a título exclusivo, como se as outras presenças não fossem ‘reais’, senão por excelência, porque é substancial, e por ela Cristo, Deus e homem, se faz totalmente presente” (MF 39) [Catecismo n. 1373 e 1374].

 

21. CRISTO É SACRIFICADO REALMENTE EM CADA MISSA?

A doutrina da Igreja nos diz que há identidade e diferença entre o sacrifício de Cristo na cruz e cada Eucaristia. Identidade, porque é a mesma pessoa de Cristo a que se oferece e porque é o mesmo Cristo, na pessoa do sacerdote, o que se oferece ao Pai. Mas existe uma real diferença, porque o sacrifício de Cristo na cruz foi um só, e se realizou historicamente faz quase dois mil anos, mesmo assim o sacrifício que se realiza na Missa é sacramental, quer dizer, que atualiza as graças recebidas pelo sacrifício de Cristo mais não por isso volta a crucificar fisicamente a Cristo.

No Catecismo lemos isto: “A Eucaristia é, pois, um sacrifício porque representa (= faz presente) o sacrifício da cruz, porque é seu memorial e aplica seu fruto: ‘(Cristo), nosso Deus e Senhor, se ofereceu a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, a fim de realizar para eles (os homens) uma redenção eterna. Mesmo assim, como sua morte não devia colocar fim a seu sacerdócio (Hb 7, 24.27), na última Ceia, “a noite em que foi entregue” (1Cor 11, 23), quis deixar a Igreja, sua esposa amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza humana), onde seria representado o sacrifício sangrento que ia a realizar-se uma única vez na cruz cuja memória se perpetuaria até o fim dos séculos (1Cor 11, 23) e cuja virtude salutar se aplicaria a redenção dos pecados que cometemos cada dia” (Cc. de Trento: DS 1740) [Catecismo n. 1366].

 

22. PORQUE DÃO A COMUNHÃO ÚNICAMEMTE COM O CORPO DE CRISTO?

O catecismo nos diz a respeito: “Graças a presença sacramental de Cristo baixo cada uma das espécies, a comunhão baixo a só espécie de pão já faz que se receba todo o fruto de graça próprio da Eucaristia. Por razões pastorais, esta maneira de comungar se estabeleceu legitimamente como a mais habitual no rito latino. “A comunhão tem uma expressão mais plena por razão do signo quando se faz baixo as duas espécies. Já que nessa forma é onde mais perfeitamente se manifesta o signo do banquete eucarístico” (IGMR 240). É a forma habitual de comungar nos ritos orientais” (n. 1390).

23. QUAIS SÃO OS FRUTOS QUE RECEBO AO COMUNGAR?

Muitos são os benefícios de comungar, é óbvio que estes se incrementam ao comungar freqüentemente. Em seguida assinalo alguns deles:

  • Acrescenta-se nossa união com Cristo.
  • Nos purifica de nossos pecados veniais e nos fortalece para mantermo-nos longe destas ofensas (Catecismo 1394).
  • Nos fortalece na caridade, pois unidos a fonte do amor, nos movemos mais fácil com seus critérios.
  • Nos une como Igreja que somos, pois se tu e eu comungamos ao mesmo Cristo, então nos estamos unindo como Igreja.
  • Nos compromete a ser sensíveis aos mais necessitados, pois esse foi o caminho que Cristo seguiu.
  • Nos ajuda a viver com mais gozo e paz, pois estando com Cristo, ainda os momentos difíceis se tornam suaves.

24. COMO PODEMOS NOS PREPARAR PARA A MISSA?

A maioria das vezes nos dispomos a escutar a Missa depois de que chegamos ao templo, mesmo assim, tomando em conta que a Missa é um encontro intenso e íntimo com nosso Senhor, é muito conveniente que comecemos a dispor para a Missa desde tempo antes.

Trata de fazer teu exame de consciência desde antes, começar a pedir perdão, meditar que vais buscando a Missa. É por esta preparação da que falo que a Igreja nos pede o jejum uma hora antes de Missa.

O sentido deste jejum não é não revolver a hóstia com a comida, isso pareceria um pouco absurdo, mais bem busca o jejum dispor-nos interiormente, fazer-nos conscientes que não estamos indo “ao cinema” ou a “uma reunião informal”, vamos ao encontro do Senhor e por isso devemos de dispor-nos física e espiritualmente para tirar o máximo proveito deste encontro com Deus.

A respeito o catecismo nos diz: “Para preparar-se convenientemente a receber este sacramento, os fiéis devem observar o jejum prescrito pela Igreja. Pela atitude corporal (gestos, vestido) se manifesta o respeito, a solenidade, o gozo desse momento em que Cristo se faz nosso hóspede” (n.1387).

25. É VERDADE QUE O TEMPO MÁXIMO DE PREPARAÇÃO PARA A PRIMEIRA EUCARISTIA É UM ANO?

Pode ser determinado, não um prazo, mas um critério fundamental, que é o envolvimento das famílias. Seguindo as normas do documento da CNBB, que organiza a pastoral dos sacramentos de iniciação cristã, a catequese não se transforme em preparação para uma solenidade mas, uma verdadeira iniciação na comunidade e no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Onde isso não for possível (a preparação feita a grupos de famílias):

a) organize-se catequese especial para a iniciação eucarística, com duração mínima de um ano letivo, com dois encontros catequéticos semanais;

b) programem-se encontros com os pais das crianças, visando formá-los para a participação na comunidade;

c) façam-se, na medida do possível, visitas às famílias.

Deve-se ter em conta o princípio de amadurecimento, tanto nas crianças como nos pais. A duração da catequese de Primeira eucaristia não está separada de outros princípios norteadores da catequese renovada como ser: a primazia da caminhada ou processo sobre o resultado, a unidade profunda de Palavra-acontecimento, ação-reflexão, a própria pedagogia divina que respeita o ritmo e a capacidade humana de dar resposta, a comunidade catequizadora como a principal agente e facilitadora da educação da fé, e o acompanhamento e testemunho dos pais.

É necessário ter cuidado para não escolarizar a catequese, apressando um processo para agradar aos pais que matriculam uma criança que, em geral, são pessoas afastadas da prática da fé, nem perder de vista o objetivo final da mesma que é a iniciação à comunidade, o seguimento de Jesus como discípulo.

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