O Ano Sabático

O «ANO SABÁTICO» 

            Mons. Inácio José Schuster

            Vigário Judicial

 

O ano sabático visa uma “libertação” de condicionamentos constringentes: escravidão, apropriação e acúmulo de terras, consumismo, mas em perspectiva messiânica, escatológica. Os cristãos sabem que todo ano, todo dia, chama à santidade. Se existem dias ou anos “santos” é para serem fermentos de todos os dias, de todos os anos, para que aprendamos a nos libertar, a nos desprender das coisas para tender ao reino, segundo o “ano de graça” proclamado por Cristo (Lc 4, 18; Is 61, 1ss).

O «ano sabático» é um tempo determinado (aproximadamente um ano), em que cada sacerdote, livre de compromissos apostólicos e comunitários, pode elaborar um plano pessoal, oportunamente aceito pelo Ordinário ou Superior, que responda às suas necessidades de descanso, renovação espiritual, qualificação missionária e contato com novas realidades de evangelização. 

Ofereça-se, sobretudo aos que não tiveram outras oportunidades de renovação, a possibilidade do ano sabático. Nesse sentido, tenham-se em consideração as situações pessoais, dentro de um plano pastoral que preveja a coordenação necessária e o adequado financiamento. 

“O objetivo que se quer atingir é o de proporcionar aos presbíteros um tempo significativo de reflexão, oração, partilha de experiências, vida comunitária, descanso, etc… que lhes dê oportunidade de poderem ressituar-se diante da vida e buscar novas motivações para a continuidade do ministério presbiteral. No Brasil não se oferece, a presbíteros diocesanos, oportunidade mais prolongada de uma parada de avaliação, descanso, estudos, oração, vida comunitária. As opções são muito individualizadas. Há mais tempo existe uma solicitação de muitas partes, pedindo que a CNBB ofereça esta chance. O “ano sabático” visa um encontro consigo mesmo, com os colegas, em vida comunitária, e a busca de uma espiritualidade mais condizente com o todo da vida do presbítero (Ano sabático para presbíteros diocesanos [No PD 1.20] in 12o Plano de Pastoral dos Organismos Sociais 1993-1994 CNBB)”.

A Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores dabo vobis propõe três objetivos à formação permanente… para consegui-los nos resulta muito oportuna a oferta institucional de um alto no caminho, um “tempo sabático” de balanço vital importante para a configuração ministerial. É um tempo de sossego, de calma para a atualização teológico-pastoral e o cultivo espiritual. Mas também para reconciliar-se com o próprio passado, assumir o presente e enfrentar o futuro. É o tempo para a comunicação em profundidade com Deus e com outros irmãos sacerdotes… Nesta etapa de maturidade, todos os sacerdotes deveriam ter, ao menos, um ano sabático para crescer na fidelidade e no entusiasmo para a missão (I- 5, 2).

CONGREGAÇÃO PARA O CLERO – ESPIRITUALIDADE SACERDOTAL

 

83. Tempos “sabáticos”

Existem alguns fatores, que podem insinuar o desânimo em quem exerce uma atividade pastoral: o perigo da rotina; o cansaço físico devido ao grande trabalho ao que, hoje especialmente, estão submetidos os presbíteros por causa do empenho pastoral; o mesmo cansaço psicológico causado, muitas vezes, pela luta contínua contra a incompreensão, os mal entendidos, os prejuízos, o ir contra forças organizadas e poderosas, que tendem a dar a impressão que hoje o sacerdote pertence a uma minoria culturalmente obsoleta.

Não obstante as urgências pastorais, e mais, justamente para fazer frente a estas de modo adequado, é conveniente que se concedam aos presbíteros tempos mais ou menos amplos – de acordo com as reais possibilidades – para poder estar por um tempo mais longo e mais intenso com o Senhor Jesus, recobrando força e ânimo para continuar o caminho de santificação.

Para responder a esta particular exigência, em muitas dioceses já foram experimentadas, muitas vezes com resultados prometedores, diversas iniciativas.

Estas experiências são válidas e podem ser tomadas em consideração, não obstante as dificuldades, que se encontram em algumas zonas onde na maioria das vezes se sofre a carência numérica de presbíteros.

Para este fim, poderiam ter uma função notável os mosteiros, os santuários ou outros lugares de espiritualidade, a ser possível fora dos grandes centros, deixando ao presbítero livre de responsabilidades pastorais diretas.

Em alguns casos poderá ser útil que estes períodos tenham uma finalidade de estudo ou de atualização nas ciências sagradas, sem esquecer, ao mesmo tempo, o fim de fortalecimento espiritual e apostólico.

Em todo caso, seja cuidadosamente evitado o perigo de considerar o período sabático como um tempo de férias ou de reivindicá-lo como um direito.

Fonte

http://www.clerus.org/bibliaclerusonline/es/bhy.htm

 

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda