Casamento Civil – Confissão, comunhão

1) Por que as pessoas que vivem juntas, casadas só no civil, não podem confessar-se nem receber a Sagrada Comunhão? Fico triste por não poder fazer a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados porque sou casada só no civil. Como também sinto muita pena quando vou à Missa aos domingos e vejo as outras pessoas se dirigirem ao altar para comungar, enquanto sou obrigada a permanecer em meu lugar. A Igreja não poderia ser mais tolerante com esses casais católicos, devotos de Nossa Senhora, que rezam o terço todos os dias, mas que infelizmente são forçados a uma vida em comum sem o casamento religioso?

 

2) Na cidade onde moro é muito difícil confessar-me com o padre, no confessionário, pois são poucos padres para muitos fiéis e a eles sobra pouco tempo para atender confissões individuais. Por isso, uma vez por mês eles organizam uma confissão comunitária, ou seja, uma absolvição comum para muitas pessoas que tenham confessado seus pecados diretamente a Deus e estejam internamente arrependidas deles. A este propósito, pergunto se é válida para o perdão dos pecados a confissão feita diretamente a Deus, com ou sem absolvição comunitária, e se esta é válida para perdoar os pecados não declarados pessoalmente ao sacerdote.

Resposta:

Mons. Inácio José Schuster

Antes de responder às perguntas, permitam-me lembrar alguns pontos da doutrina da Igreja sobre o casamento. Como sacerdote católico, sinto-me na obrigação de expor tais pontos a fim de que possam compreender bem a atitude da Igreja em relação às pessoas que vivem em concubinato e a proibição que lhes impõe de receberem a Sagrada Hóstia.

Pela moral católica, a vida conjugal só é lícita dentro do casamento religioso, o sacramento do matrimônio, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para santificar tal união. Esse casamento religioso é monogâmico e indissolúvel, isto é, casamento de um só homem com uma só mulher e que deve durar a vida toda, só se dissolvendo pela morte de um deles.

Quem casa no religioso não pode separar-se para depois casar com outra pessoa, como também não pode ter relações sexuais fora do casamento, pois deve fidelidade ao outro cônjuge. A vida em comum e as relações sexuais fora do casamento constituem pecados graves contra o 6º e o 9º Mandamentos da Lei de Deus. São pecados mortais que podem levar ao inferno quem morre após tê-los praticados sem se arrepender de tê-los cometido e sem se confessar. A vida em comum sem o casamento religioso constitui mesmo um estado de pecado, ou seja, um pecado permanente contra Deus e que põe em grave risco a salvação da alma de quem vive assim.

Quem é solteiro(a), viúvo(a) ou separado(a) deve observar a continência sexual, pois, como foi dito, as relações sexuais só são lícitas no matrimônio.

Quando o marido trai e abandona a mulher, ou quando esta faz o mesmo em relação ao marido, ou ainda quando o convívio entre os dois se torna de tal maneira insuportável que impeça o prosseguimento da vida em comum, a Igreja permite a separação física pelo desquite. Porém, nem o desquite nem o divórcio pela lei civil rompem o vínculo matrimonial. Aos olhos de Deus e da Igreja eles continuam casados, embora vivendo separados.

O casamento meramente civil entre batizados não tem qualquer valor para a Igreja, que continua a considerá-los solteiros e vivendo em pecado por se terem unido sem o casamento religioso. Por isso a Igreja tolera, mas não recomenda, que alguém casado só no civil e separado, depois case no religioso com outra pessoa.

A vida em comum fora do casamento religioso constitui um estado permanente de pecado mortal, uma gravíssima ofensa feita a Deus Nosso Senhor.

 

Pecado mortal, Confissão e Comunhão

Por outro lado, visto que comungar é receber Nosso Senhor Jesus Cristoem Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, a Igreja exige dos fiéis que o façam dignamente, com a alma limpa, pelo menos dos pecados mortais. Pois quem O recebe indignamente, tendo pecados mortais na alma, comete um pecado maior ainda: o pecado de sacrilégio, que transforma um meio de salvação em meio de condenação, como já advertia São Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios:

“Todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor” (1Cor 11, 27-29).

Por isso a Igreja obriga os fiéis a se confessarem de seus pecados mortais antes de comungar. Mas, para que a confissão seja válida, é preciso que o penitente mostre um sincero e profundo arrependimento de seus pecados e um firme propósito de não mais cometê-los. Só assim poderá receber a absolvição dos mesmos, recuperar o estado de graça e comungar.

Porém, aqueles que vivem em estado de pecado mortal – ou seja, que não têm apenas um ou outro pecado mortal na alma, mas cuja condição de vida já constitui por si mesma um pecado grave – só mostram verdadeiro arrependimento e firme propósito se a situação pecaminosa for desfeita previamente à confissão. Pois, se ela permanecer, é sinal de que não houve nem arrependimento nem propósito, o que torna a confissão inválida.

Por isso as pessoas que vivem em estado de pecado mortal, como é o caso dos que vivem em concubinato, não podem confessar-se nem comungar enquanto a situação pecaminosa não for desfeita.

Assim, em condições habituais, a confissão para ser válida deve ser feita a um sacerdote católico, no confessionário, onde o penitente deve declarar todos os pecados mortais cometidos desde a última confissão, movido por um profundo arrependimento de tê-los cometido e por um firme propósito de não voltar a pecar. Só assim poderá receber a absolvição e a penitência imposta pelo confessor, recuperando o estado de graça e a paz de Deus.

 

Confissões comunitárias = absolvições comunitárias

As chamadas confissões comunitárias na realidade não passam de absolvições comunitárias, pois nelas geralmente os fiéis não declaram seus pecados em voz alta, para todos ouvirem, mas se arrependem deles internamente, quando muito, e recebem uma absolvição coletiva.

Esta prática de absolver pecados mortais sem uma prévia declaração dos mesmos ao confessor, só é permitida em condições excepcionais, como o perigo iminente de morte e possibilidade de os fiéis se virem forçados a permanecer por longo tempo sem receber os sacramentos. Mesmo assim devem proceder à confissão individual de seus pecados graves logo que possível (Cfr. Cânones960 a964 do Código de Direito Canônico vigente).

Portanto, confessar-se diretamente a Deus, como os protestantes dizem fazer, não é um meio normal de obter o perdão dos pecados, segundo a doutrina católica. Pois Nosso Senhor Jesus Cristo concedeu à Sua Igreja o poder de perdoar os pecados e só por meio Dela – ou seja, de seus ministros – são eles habitualmente perdoados. Com efeito, disse Ele, dirigindo-se a São Pedro:

“Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus” (Mt 16, 19).

E mais adiante diz o mesmo aos discípulos: “Tudo o que ligares sobre a terra será ligado também no céu; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também no céu” (Mt 18,18)

E depois da Ressurreição confirma esse poder de perdoar os pecados, concedido aos Apóstolos e discípulos: “Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 23).

Os protestantes negam à Igreja esse poder de mediação, a Ela conferido por Seu Fundador.

 

Conveniência das confissões e comunhões freqüentes

Embora a Igreja imponha aos fiéis a obrigação de se confessarem somente uma vez ao ano, é muito recomendável a prática da confissão freqüente, mesmo de pecados veniais. Pois a confissão, sendo um sacramento, é um veículo da graça de Deus, indispensável para se viver sempre de acordo com os Seus Mandamentos. E também é uma ocasião propícia para se renovar o arrependimento dos pecados e das faltas mais freqüentes, bem como o firme propósito de corrigir-se delas.

Do mesmo modo, a Igreja obriga a comungar apenas uma vez ao ano, pela Páscoa da Ressurreição. Mas também é muito recomendável a comunhão freqüente, e até diária, pois nela se recebe não apenas a graça santificante, mas o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, fonte de toda a graça.

O fiel não precisa confessar-se todas as vezes que for comungar, se houver cometido apenas pecados veniais. Pois a própria comunhão os apaga. A confissão antes de se comungar só é exigida para os pecados mortais, perdoados unicamente pela confissão sacramental, como vimos.

Assim, recomendamos a prática salutar da confissão e da comunhão freqüentes, desde que recebidas com as disposições necessárias. Especialmente a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, pedida por Nossa Senhora em Fátima, em desagravo ao Seu Imaculado Coração. E também a comunhão reparadora das nove primeiras sextas-feiras, em desagravo às ofensas recebidas pelo Sagrado Coração de Jesus.

São duas práticas muito salutares que certamente contribuirão para um maior fervor crescente na vida espiritual, maior resistência às tentações e maior facilidade para trilhar sempre o caminho da virtude e do bem.

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