Quem são os anciãos – Apocalipse de São João

Quem são os anciãos, seres vivos, etc, no Apocalipse?

A Bíblia de Jerusalém traz a seguinte explicação:

Esses Anciãos exercem um papel sacerdotal e real; louvam e adoram a Deus (4, 10; 5, 9; 11, 16-17; 19, 4), oferecem-lhe as orações dos fiéis (5, 8), assistem-no no governo do mundo (tronos) e participam do seu poder real (coroas).

Seu número corresponde talvez aos das 24 ordens sacerdotais de 1Cron 24, 1-19. Certamente são os Anjos que participam da liturgia celeste.

Os quatro Seres vivos são os quatro anjos que presidem ao governo do mundo físico (1, 20); quatro é um número cósmico (os pontos cardeais, os ventos, cf. 7, 1).

Seus numerosos olhos simbolizam a ciência universal e a providência de Deus. Eles adoram a Deus e lhe tributam glória por sua obra criadora.

Suas formas (leão, novilho, homem, águia) representam o que há de mais nobre, de mais forte, de mais sábio, de mais ágil na criação.

Desde santo Irineu († 200) a tradição da Igreja viu neles o símbolo dos quatro evangelistas.

Os Anciãos dão glória a Deus pelo poder que Ele lhes concedeu, coisa que os reis da terra recusarão fazer (17, 2).

Os sete Espíritos são sete Anjos.

Como entender o livro do Apocalipse?

O Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo São João, já no final de sua vida, por volta do ano 100, sob a forma de uma carta escrita às Igrejas da Ásia menor, que viviam tempos difíceis de perseguição romana.

É um livro bastante enigmático e difícil de ser entendido, e que pode gerar muitos erros de interpretação, como já ocorreu muitas vezes na história da Igreja, se não observarmos com cuidado como a Igreja o interpreta. O imperador romano Domiciano (81-96) moveu forte perseguição aos cristãos, tendo deportado São João, que era o bispo de Éfeso, para a ilha de Patmos.

Ao mesmo tempo os cristãos eram hostilizados pelo judeus e aguardavam a volta de Cristo, que não acontecia, para livrá-los de todos os males. Foi neste contexto que o Apóstolo escreveu o Apocalipse para confortar e animar os cristãos das já inúmeras comunidades da Ásia Menor. Apocalipse, em grego “apokálypsis”(= revelação), era um gênero literário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia (587-535 a.C.), e descreve os fins dos tempos onde Deus vai julgar os homens.

Essa intervenção de Deus abala a natureza (fenômenos cósmicos), com muita simbologia e números.

O Apocalipse não pretende dar uma descrição antecipada dos acontecimentos do futuro, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes; e tudo é feito com uma linguagem intencionalmente figurada para despertar a atenção do leitor, que estava acostumado ao gênero apocalíptico usado pelos judeus. Alguns símbolos tem significado preciso: o Cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja ou a Virgem Maria; o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras (cap. 13), o império romano e o culto imperial; a fera (cap. 17), simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número três e meio, coisa nefasta ou caduca. Mas esses símbolos não são exclusivos; o Cristo é, às vezes representado como “filho do homem” ou cavaleiro.

O Apocalipse é uma revelação sobrenatural, velada, sob símbolos, representando tanto o passado, quanto o presente da Igreja, e também o futuro. Se refere a um período indefinido que separa a Ascensão de Cristo de sua volta gloriosa. Deixa claro da impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, e à vitória final, que é obra de Cristo ressuscitado que venceu o pecado e a morte.

A mensagem principal do livro é que Deus é o Senhor da História dos homens, e no final haverá a vitória dos justos, em que pese o sofrimento e a morte. Mostra a vida da Igreja na terra como uma contínua luta entre Cristo e Satanás, mas que no final haverá o triunfo definitivo do Reino de Cristo, triunfo que implica na ressurreição dos mortos e renovação da natureza material.

As calamidades que são apresentadas não devem ser interpretadas ao pé da letra. Deus sabe e saberá tirar de todos os sofrimentos da humanidade a vitória final do Bem sobre o Mal.

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