Pensamentos Seletos

História de uma Alma

PRÓLOGO (págs. 13-20)
“Nada é tão cheio de mistérios como as silenciosas preparações que esperam o homem desde o limiar de cada vida…”.
Ela é exatamente o misterioso fruto daquelas preparações silenciosas. Tivessem seus pais seguido cada qual o pendor (vocação) de seu coração, “a maior Santa dos tempos modernos” não teria chegado a luz da existência.
Família Martin: O que a personalidade do pai poderia ter de austero e rígido, é contrabalançado por uma indulgente bondade para como o ruidoso, gineceu, que lhe transtorna o gosto pelo silêncio e tranqüilidade. Por outro lado, não desdenha animar os serões (saraus) da família, recitando autores em voga – românticos – cantando com boa voz cantigas de antanho (de antigamente), fabricando minúsculos brinquedos para o encanto das filhas.
Preocupado, por vezes, com o futuro (sentindo a diminuição de forças), a mãe governava a casa com uma “coragem verdadeiramente incrível e prodigiosa. Que mulher forte! A adversidade não a dobra, nem a prosperidade a torna arrogante”, escreve a irmã (25-10-1868). Seu realismo, a vivacidade de sua franqueza, a delicadeza de sua afeição, fazem dela a alma da casa.
Na família Martin dominava uma fé sólida, que vê Deus em todos os acontecimentos, e que lhe rende culto incessante: oração em família, missas matinais, comunhões freqüentes – raridades numa época em que o jansenismo continuava com suas devastações – vésperas dominicais, retiros espirituais. Toda a vida segue o ritmo do ciclo litúrgico, das peregrinações, do escrupuloso acatamento aos jejuns e abstinências…
Não há, entretanto, nenhuma exaltação ou demasia fanática nessa família, que desconhece o formalismo. Sabe pôr mãos à obra, pois recolhe e alimenta crianças abandonadas, pessoas desabrigadas, pessoas na estrema velhice. De suas curtas noites tomava Zélia Martin o tempo necessário para ser enfermeira de uma empregada da casa, O Sr. Martin expõe-se a situações arriscadas, quando se trata de alguma diligência a favor de desafortunados, de uma ajuda a algum epilético ou moribundo. As crianças aprendem a acatar dignidade do pobre.
“Em toda a minha vida aprouve o Bom Deus cercar-me de amor; minhas primeiras reminiscências recendem (transmitem) de sorrisos e das mais doces caricias!…”

Capítulo I
ALENÇON
(1873-1877)
Janeiro de 1895
HISTÓRIA PRIMAVERIL DE UMA FLORINHA BRANCA
ESCRITA POR ELA MESMA, E DEDICADA À REVERENDA MADRE INÊS DE JESUS (págs. 25-45)
1. “as misericórdias do Senhor!”… Sl 88, 2.
2. “Deus tem compaixão de quem lhe apraz, e faz misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia. Isto, portanto, não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece” Rm 9, 15-16.
3. Outro tanto acontece no mundo das almas, que é o jardim de Deus. Quis Ele criar os grandes Santos que podem comparar-se aos lírios, e às rosas; mas criou-os também mais pequenos, e estes devem contentar-se em serem bonitas ou violetas, cujo destino é deleitar os olhos do Bom Deus, quando as humilha debaixo de seus pés. Consiste a perfeição em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos…
4. Entendi ainda que o amor de Nosso Senhor se revela tão bem na mais simples das almas que em nada resiste à sua graça, como as mais sublime das almas. (…) Ele, porém, criou a criancinha que nada sabe e só sabe soltar débeis vagidos (fracos choros de recém nascidos); criou o pobre selvagem que não dispõe, para sua orientação, senão a lei natural; aos seus corações é que se digna baixar, onde se encontram suas flores campestres, cuja simplicidade arrebata (…) Assim como o sol clareia ao mesmo tempo os cedros e cada pequena flor, como se ocupa em particular de cada alma, como se não houvesse outra semelhante;
5. Não é, pois, minha vida propriamente dita que vou escrever, são meus pensamentos acerca das graças que o Bom Deus se dignou conceder-me.
6. Um coração de mãe sempre entende sua filha, muito embora está só saiba balbuciar, tenho pois a certeza de ser compreendida e adivinhada por vós que me formastes o coração e o ofertastes a Jesus!…
7. Oh! digne-se Jesus não deixar muito tempo em região estranha as flores que continuam exiladas. Tomara que a vergôntea (ramo de certo porte) de Lírios esteja em breve inteirada (totalmente) no Céu!
8. Oh! Dignem-se abençoar a mínima de suas filhas e ajudá-la a cantar as misericórdias divinas!
9. Aprouve ao Bom Deus cercar-me de amor toda a minha vida.
10. “Teresinha perguntou outro dia se iria para o Céu. Disse-lhe que sim, se fosse bem comportada. Respondeu-me: “De acordo, mas se não for boazinha, iria para o inferno”… No entanto, bem sei o que faria. Fugiria, a voar contigo que estarias no Céu…” (Carta de Sra. Martim à Paulina, 29 de outubro de 1876).
11. Fostes vós, minha Mãe querida, a quem Jesus escolheu para me fazer esposa Dele. Não estáveis então junto a mim, mas já se haviam formado um elo entre nossas almas… Vós éreis o meu ideal, queria assemelhar-me a vós, e foi vosso exemplo que desde a idade de dois anos me atraiu ao esposo das virgens… Oh! que doces reflexões não vos queria confirmar!
12. “Escolho tudo!”
13. Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se de si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. (…) “Meu Deus, escolho tudo”. Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única coisa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois “escolho tudo” o que vós quiserdes!…”
14. – Sem dúvida, este sonho nada tem de extraordinário, acredito, no entanto, que o Bom Deus permitiu que guarde sua lembrança, a fim de me provar que uma alma em estado de graça nada deve temer dos demônios, que são uns medrosos, capazes de fugir diante do olhar de uma criança…
15. “Criancinha de cabeça loura, onde imaginas que está o Bom Deus?” Quando ela chega às palavras: – “Ele está lá no alto do Céu azul”, volve o olhar para cima com uma expressão angélica. Tão belo é que a gente não se cansa de fazê-la recitar. Há em seu olhar algo de tão celestial que nos deixa encantados!…” (Carta da Sra. Martin à Paulina, 4 de março de 1877).
16. – Ah! como se foram rapidamente os ensolarados dias de minha meninice, mas que doce impressão que deixaram na alma! Com prazer recordo os dias em que Papai nos levava consigo ao Pavilhão (O Pavilhão, pequena propriedade adquirida pelo Sr. Martin antes de casar, situava-se na Rua dos Lavoirs – atualmente Rua do Pavilhão Santa Teresa). (…) Tinha adquirido o bom hábito de nunca se queixar, mesmo quando lhe tiravam o que era seu, ou então quando era acusada injustamente. Preferiu calar e não escutar-se. Não era mérito seu, mas virtude natural… Que pena que esta boa disposição se tenha desvanecido!
17. Oh! Realmente, tudo me sorria na terra. Deparava com flores a cada passo que desse, e minha boa índole contribuía também para me tornar a vida agradável. Ia, porém, começar um novo período para minha alma. Devia passar pelo caminho da provação e sofrer desde a minha infância, a fim de que pudesse ser oferecida mais cedo a Jesus. Assim como as flores da primavera começam a germinar debaixo da neve e desabrocham aos primeiros raios do Sol, assim também a florinha, cujas reminiscências (lembranças) estou a escrever, teve que passar pelo inverno da provação.

Capítulo II
NOS BUISSONNETS (págs. 45-65).
(1877-1881)
18. (Minha Mãe referindo-se a sua irmã Celina), vós e Maria não éreis para mim as mais carinhosas e mais abnegadas das mães?… Ah! Se o Bom Deus não tivesse prodigalizado à sua florzinha seus raios benfazejos, ela nunca teria podido aclimatar-se na terra. Era ainda débil (delicada) demais para suportar chuvas e tempestades. Precisava de calor, de um orvalho suave, de um bafejo primaveril. Nunca careceu de todos estes benefícios. Jesus lhos fez encontrar até debaixo da neve da provação!
19. Há coisas que o coração sente, mas que a palavra e a própria idéia não conseguem formular.
20. Então a terra se me apresentava mais tristonha ainda, e compenetrava-me de que só no Céu haverá alegria sem nuvens.
21. Tinha muito amor ao Bom Deus, e amiúde lhe oferecia meu coração.
22. Ó minha Mãe querida! Com que solicitude (esmero) me preparastes, que me explicastes que não era a um homem, mas ao Bom Deus que iria contar meus Pecados. Disto estava tão convicta, que fiz minha Confissão com grande Espírito de Fé, e cheguei a perguntar-vos, se não seria mister (necessário) referir ao Padre Ducellier que o amava de todo o meu coração, pois que em sua pessoa era o Bom Deus que ia falar.
23. Fiz minha Confissão, como se fosse uma menina grande, e recebi sua Bênção com grande devoção, porque me havíeis explicado que, nesse momento, as lágrimas do Menino Jesus purificariam minha alma.
24. Os ditos santos!…Ah! Quantas recordações não desperta esta palavra!… Os dias santos, como os amava!… Para mim eram verdadeiramente dias do Céu.
25. Os dias santos! Ah! Se os grandes raros, cada semana trazia um novo um muito chegado ao meu coração: “o Domingo!” Que grande, o Domingo!… Era o dia santo do Bom Deus, o dia do santo repouso. (…) Ouvia muito atenta os sermões, dos quais, aliás, não compreendia grande coisa. O primeiro que entendi, e que me comoveu profundamente foi um sermão sobra a Paixão, pregado pelo Padre Ducellier. Dali por diante entendi tos os outros sermões. Quando o pregador falava de Santa Teresa, papai curvava-se para me dizer baixinho: “Escuta bem, minha rainhazinha, ele fala de tua Santa Padroeira”. Realmente, estava escutando bem, mas olhava mais vezes para o papai do que para o pregador. Seu belo semblante dizia-me tantas coisas!… Por vezes, seus olhos marejavam-se de lágrimas. Em vão procurava retê-las. Parecia estar já desligado da terra, tanto sua alma gostava de imergir nas verdades eternas… Sua carreira, porém, estava longe do termo final. Longos anos deviam passar, antes que o belo Céu se abrisse a seus olhos embevecidos, e o Senhor enxugasse as lágrimas do seu bom e fiel servidor!…
26. Suspirava pelo eterno repouso do Céu, pelo Domingo sem ocaso da Pátria!…
27. Era Paulina quem acolhia todas as minhas íntimas confidências, que esclarecia todas as minhas dúvidas… Minha querida Mãe fez-me então compreender que no Céu o Bom Deus dará aos seus eleitos tanta glória, quanta cada um poderá receber, de sorte que o último nada terá de invejar ao primeiro. Assim, pondo ao alcance da minha compreensão os mais sublimes segredos, sabíeis, minha Mãe, dar à minha alma a nutrição que lhe era necessária…
28. Um dia, porém, o Bom Deus mostrou-me, em visão realmente extraordinária, uma imagem viva da provação, para a qual teve a bondade de preparar-me antecipadamente. (A visão – sobrevinha em pleno dia, e não em sonhos – ocorreu no estio de 1878 ou 1880. O Sr. Martin encontrava-se em Alençon, em viagem de negócios).
29. Como a Face Adorável de Jesus esteve durante a Paixão, assim também a face de seu fiel servidor devia ficar velada nos dias de suas dores, a fim de que pudesse refulgir na Pátria Celeste junto a seu Senhor, o Verbo Eterno!… Do meio dessa glória inefável, quando já reinava no Céu, nosso querido Pai obteve-nos a graça de compreendermos a visão que sua rainhazinha tivera, numa idade em que não se teme a ilusão.
30. Como o Bom Deus é bom!… Envia as provações na medida de nossas forças.
31. Tomei a resolução de nunca distanciar minha alma do olhar de Jesus, a fim de que navegue tranqüila em direção a Pátria do Céu!…

Capítulo III
ANOS DOLOROSOS (págs. 66-83)
(1881-1883)
32. Sempre me lembrarei minha querida Mãe, com que ternura me consolastes… Depois, explicastes-me a vida do Carmelo, a qual se me afigurou muito bonita! Ao repassar pelo espírito tudo quanto me falastes, senti dentro de mim ser o Carmelo o deserto onde o Bom Deus queria que fosse também esconder-me. Senti-o com tanta veemência que não tive a mínima dúvida no coração. Não era um devaneio de criança que se deixa levar, mas a certeza de um chamado divino. Queria eu ir par o Carmelo, não por causa de Paulina, mas por Jesus tão somente… Pensei muitas coisas que se não podem exprimir por palavras, mas que me deixaram grande paz na alma…
33. Não parava de repetir ao Bom Deus que era única e exclusivamente por Ele que queria ser carmelita.
34. Creio que o demônio recebera um poder exterior sobre min, mas não podia acercar-se de minha alma nem de meu espírito, senão para me inspirar enormes receios de certas coisas. (…) Sentia medo de tudo, absolutamente. Minha cama parecia-me cercada de medonhos precipícios. Alguns pregos, fixados nas paredes do quarto, assumiam aos meus olhos a feição assustadora de grandes dedos pretos, carbonizados, e faziam-me soltar gritos de pavor. Um dia, estando papai a olhar silencioso para mim, o chapéu que segurava entre as mãos transformou-se de repente em não sei qual forma de fantasma e dei mostras de tão grande pavor, que o pobre do meu pai saiu dali a soluçar. No entanto, se o Bom Deus permitia ao demônio achegar-se a mim, também me enviava anjos visíveis… Maria ficava sempre junto à minha cama, cuidava de mim e consolava-me com a afeição de mãe.
35. Ninguém, mais do que eu, vos causou tanto sofrimento, e mingúem recebeu tanto amor, quanto vós prodigalizastes… Por sorte, terei o Céu para me vingar. Muito rico é meu Esposo, e de seus tesouros de amor tirarei par vos retribuir, ao cêntuplo, tudo quanto sofrestes por minha causa…
36. Por não encontrar nenhuma ajuda na terra, a coitada da Terezinha também se voltara para a sua Mãe do Céu, suplicando-lhe de todo o coração, tivesse enfim piedade dela… De repente, a Santíssima Virgem me pareceu bela, tão bela, como nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma foi o “empolgante sorriso da Santíssima Virgem”. Nesta altura, desvaneceram-me todos os meus sofrimentos. Das pálpebras me saltaram duas grossas lágrimas e deslizaram silenciosas sobre as faces. Eram lágrimas de uma alegria sem inquietação… Oh! Pensei comigo, a Santíssima Virgem sorriu para mim, como sou feliz… Mas, nunca jamais o contarei a ninguém, porque então desapareceria minha felicidade. Sem nenhum esforço, baixei os olhos e enxerguei Maria que olhava para mim com amor. Parecia emocionada e dava a impressão de suspeitar o favor que a Santíssima Virgem me concedera… Oh! Era exatamente a ela, às suas edificantes orações que devia a graça do sorriso da Rainha dos Céus. Quando viu meu olhar fito na Santíssima Virgem, disse de si para si: “Teresa está curada!” Sim, a florzinha ia renascer para a vida, o Raio luminoso que a reanimara não pararia suas beneficências. Não atuou de uma só vez, mas de modo manso e agradável foi levantando e revigorando sua flor, de tal sorte que cinco anos depois ela desabrocharia na montanha do Carmelo.
37. “A Santíssima Virgem pareceu-me muito linda… e eu a vi sorrir para mim”.

Capítulo IV
PRIMEIRA COMUNHÃO – TEMPOS DE ESCOLA (págs. 84-110)
(1883-1886)
38. Sabia que lá existia uma Irmã Teresa de Jesus. Apesar disso, meu belo nome de Teresa não me podia ser tirado. De súbito me ocorreu à lembrança de Jesus pequeno, a quem tanto amava, e disse comigo: “Oh! Que felicidade, se me chamasse Teresa do Menino Jesus!”.
39. E vejo que “debaixo do sol tudo é vaidade e aflição de espírito” Ecl 2, 11… Que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra…
40. Ninguém ainda me ensinara o modo de fazer oração, apesar da grande vontade que tinha de aprendê-lo. Como, porém, ma achasse bastante piedosa Maria sé me deixava fazer minhas preces. Um dia, uma das minhas mestras da Abadia me perguntou o que fazia nos dias de folga, quando estava sozinha. Respondi-lhe que me punha atrás de minha cama num vão que ali havia, fácil para mim de fechar com o cortinado, e nesse lugar ficava a “pensar”. Mas, em que pensáveis? Perguntou-me. – Penso no Bom Deus, na vida… Na ETERNIDADE, afinal penso!…
41. Existem pensamentos da alma que se não podem traduzir em linguagem terrena, sem perderem o sentido autentico e celestial. São como a “pedrinha branca que se dará ao vencedor, sobre a qual está escrito um nome, que só CONHECE, QUEM a recebe”. Ah! Como foi afetuoso o primeiro ósculo de Jesus à minha alma!…
Foi um ósculo de amor: Senti-me amada, e de minha parte dizia: “Amo-vos, entrego-me a vós para sempre”. Não houve pedidos, nem lutas, nem sacrifícios. Desde muito, Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia, porém, já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois; Tereza desaparecera como a gota de água que se perde no seio do oceano. Ficava só Jesus, era ele o Senhor, o Rei.
42. À tarde de um belo dia, estive novamente com minha família terrena. Pela manhã, já tinha abraçado Papai e todos os meus queridos parentes. Agora, porém, se estabelecia a verdadeira reunião, quando Papai tomou pela mão sua rainhazinha e se dirigiu ao Carmelo… Vi então minha Paulina, que se tornara esposa de Jesus. Divisei-a com seu véu branco, como o meu, e com sua coroa de rosas… Oh! Minha alegria foi sem amargura, esperava estar em breve novamente com ela, e com ela esperar pelo Céu!
43. O dia que se seguiu à minha primeira comunhão foi ainda um dia bonito, mas repassado de melancolia. Toda a linda roupa que Maria me tinha comprado, todos os presentes recebidos, não me enchiam o coração. Não havia senão Jesus que pudesse contentar-me. Anelava pelo momento em que me fosse dado recebê-lo pela segunda vez. (…) Que doce recordação não guardei da segunda visita de Jesus! Desta vez ainda, corriam minhas lágrimas com inefável doçura. Sem cessar repetia a mim mesma as palavras de São Paulo: “Já não sou eu que vivo, Jesus é quem vive em mim!…”
44. O sofrer tornou-se-me um atrativo. Tinha encantos que me arrebatavam, sem os conhecer com clareza. Até antão, sofria sem amar o sofrimento; desde aquele dia senti por ele verdadeiro amor. Sentia também o desejo de amar só a Deus, de não encontrar alegria senão Nele. Muitas vezes, repetia em minhas comunhões as palavras de Imitação de Cristo: “Ó Jesus! Doçura inefável, convertei-me em amargura todas as consolações da terra!… Esta oração me saía dos lábios sem esforço, sem constrangimento. Vinha-me a impressão de que a repetia, não por minha vontade, mas como criança que repete as palavras que uma pessoa amiga lhe sugere…
45. Oh! Como estava exultante a minha alma! Igual aos Apóstolos, eu aguardava, venturosa, a visita do Espírito Santo… Folgava com a idéia que dentro em breve seria perfeita cristã, sobretudo que eternamente teria na fronte a misteriosa Cruz que o Bispo traça, quando faz a imposição do Sacramento… Chegou afinal o ditoso momento. Não senti, quando desceu o Espírito Santo, nenhum vento impetuoso, mas antes aquela leve brisa, cujo murmúrio o profeta Elias ouviu no monte Horeb. 1Rs 19, 12-13. Nesse dia, recebi a força de sofrer, pois logo sem seguida devia começar o martírio de minha alma… Foi minha querida e gentil Leônia que me serviu de madrinha.
46. O Bom Deus, porém, deu-me um coração tão leal que, amando com pureza, ama para sempre. Por isso, continuei a rezar pela minha companheira, e ainda lhe tenho afeição… Ao ver que Celina queria bem a uma de nossas mestras, quis imitá-la, mas não pude consegui-lo, pois não sabia conquistar as boas graças das criaturas. Ó ditosa ignorância! Como me livrou de grandes males!…
47. Eu seu, “menos Ama aquele a quem menos perdoa”. Lc 7, 47
48. A vaidade insinua-se facilmente no coração!…
49. Oh! Quanta compaixão não sinto das almas que se perdem!… É tão fácil desgarrar-se nas sendas floridas do mundo… Não há dúvida, para uma alma mais formada a doçura que Ele oferece, vem mesclada de amargura, e o imenso vácuo dos desejos não poderia preencher-se com louvores momentâneos… No entanto, se meu coração desde o seu despertar não se erguera até Deus, se o mundo me tivera sorrindo desde a minha entrada ma vida, que teria acontecido comigo?… Ó minha Mãe querida, com que gratidão canto as misericórdias do Senhor!… De acordo com as palavras da Sabedoria, não foi Ele que “me tirou do mundo, antes que meu espírito se pervertesse com sua malícia e que suas enganosas aparências me seduzissem a alma?” Sb 4, 11. A Santíssima Virgem também velara sobre sua florzinha. Não querendo que ela se manchasse ao contato com as coisas da terra, retirou-a para o alto de sua montanha¸ antes que desabrochasse… Enquanto aguardava o ditoso momento, Teresinha crescia no amor à sua Mãe do Céu.
50. Ninguém me dava atenção, e por isso subia à tribuna do coro da capela, ficando diante do Santíssimo Sacramento até o momento em que Papai ia buscar-me. Esta era minha exclusiva consolação. Não era Jesus meu único amigo?… Sentia que era maior vantagem falar com Deus do que falar de Deus.
51. “A vida é tua embarcação, não é tua morada!”… Não nos diz também a Sabedoria que “a vida é como uma nau que sulca as ondas agitadas, e de rápida passagem não fica nenhum vestígio?”.
52. Eu ficava realmente triste com qualquer coisa! Era ao contrário de agora, pois o Bom Deus concedeu-me a graça de me não abater com nenhuma coisa passageira. Quando me lembro do passado, minha alma transborda de gratidão, vendo os favores que recebi do Céu. Em mim se operou tal mudança, que já não sou reconhecível… Desejava realmente a graça “de ter absoluto domínio sobre meus atos, de ser senhora e não escrava deles”. Estas palavras de Imitação de Cristo tocavam-me profundamente.
53. O Bom Deus, que queria chamar a si a menor e a mais franzina de todas, apressou-se em desenvolver suas asas. Ele que se compraz em mostrar sai bondade e seu poder, lançando mão dos instrumentos menos dignos, houve por bem chamar-me a mim antes de Celina, indubitavelmente muito mais merecedora desse favor. Jesus, porém, sabia quanto eu era fraca, e por esse motivo escondeu-me, como primeira, na fenda do rochedo.
54. Estando em condições de haurir (colher) nos tesouros divinos, neles poderiam buscar a paz para mim, e mostrar-me assim que no Céu a gente ainda sabe amar!… A resposta não se fez esperar. A paz logo me inundou a alma com sua deliciosa exuberância, e compreendi que, se era amada aqui na terra, também o era no Céu… Desde aquele momento, cresceu minha devoção para com meus irmãozinhos. Gosto de entreter-me muitas vezes com eles, de falar-lhes das tristezas do exílio… do meu desejo de logo juntar-me a eles novamente na Pátria!

Resumo da vida cristã: escutar e praticar a Palavra de Deus

Terça-feira, 23 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco falou aos fiéis sobre a necessidade de escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática

A vida cristã é “simples”: escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática, não limitando-se a “ler” o Evangelho, mas perguntando-se de que modo as suas palavras falam à própria vida. Essa foi a reflexão do Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 23, na Casa Santa Marta.

Santo Padre fala da necessidade de ouvir a Palavra de Deus com os ouvidos e o coração / Foto: L’1Osservatore Romano

O Pontífice destacou que as palavras de Jesus eram novas e tocavam o coração; nelas muitos percebiam a força da salvação e por isso a multidão seguia Jesus. Havia também aqueles que seguiam Jesus por conveniência, sem pureza de coração, fato que acontece ainda hoje. Mas Jesus continuava a falar à multidão; para Ele, todos que escutam a Palavra de Deus e a colocam em prática são sua mãe e seus irmãos, como relata o Evangelho do dia.

“Estas são as duas condições para seguir Jesus: escutar a Palavra de Deus e colocá-la em prática. Esta é a vida cristã, nada mais. Simples, simples. Talvez nós a tenhamos feito um pouco difícil, com tantas explicações que ninguém entende, mas a vida cristã é assim: escutar a Palavra de Deus e praticá-la”.

Para escutar a Palavra de Deus basta abrir a Bíblia, explicou Francisco. Mas ele fez a ressalva de que as páginas do Evangelho não devem ser lidas, devem ser escutadas, o que significa ler o que está escrito e perguntar-se: “o que isto diz pra mim, para o meu coração? O que Deus está dizendo pra mim com esta Palavra?”. Trata-se de escutar a Palavra com os ouvidos e com o coração, uma atitude que, segundo o Papa, muda a vida.

“Abrir o coração à Palavra de Deus. Os inimigos de Jesus escutavam Sua Palavra, mas estavam próximos para procurar encontrar um erro, fazê-Lo deslizar e perder a autoridade. Mas nunca se perguntaram: ‘o que Deus me diz nesta Palavra?’. E Deus não fala só a todos: sim, fala a todos, mas fala a cada um de nós. O Evangelho foi escrito para cada um de nós”.

Francisco reconheceu que colocar em prática o que se escutou da Palavra não é tarefa fácil, porque é mais fácil viver tranquilamente sem preocupações com as exigências da Palavra de Deus. Mas pistas concretas para fazer isso são os Mandamentos, as Bem-Aventuranças, contando sempre com a ajuda de Jesus, mesmo quando o coração escuta, mas finge não entender.

“O Senhor sempre semeia sua Palavra, pede somente um coração aberto para escutá-la e boa vontade para colocá-la em prática. Por isto, então, a oração de hoje, que é aquela do Salmo: ‘Guiai-me, Senhor, no caminho de vossos preceitos!’, isso é, no preceito da tua Palavra para que eu aprenda com a tua condução a colocá-la em prática”.

Seja feita a Tua vontade

Assim na terra como no céu

Com muita frequência, nós nos deparamos com os resultados de pesquisas destinadas a compor estatísticas que avaliam as tendências de nosso tempo nas diversas áreas da vida e da atividade humana. Trata-se de uma atividade inteligente, com metodologia precisa, cada vez mais apurada. Durante a semana que passou, já estavam à disposição levantamentos a respeito do que os eleitores levarão em conta nas próximas eleições municipais. Os comerciantes estão sempre atentos às tendências de mercado, os meios de comunicação conferem sua audiência, e daí por diante. Também as estatísticas religiosas nos interessam. Queremos saber com quem estamos tratando, como as pessoas recebem nossas mensagens, o efeito prático de nossa pregação e daí por diante. É que todos querem saber em que chão estão pisando.

Há alguns dias, veio-me um desejo diferente: o de tornar-me, como um texto lido há alguns anos, um contador de estrelas, olhando para o alto ao invés de olhar apenas para o chão, sonhar com o Céu e não apenas constatar a realidade que nos circunda. E redescobri a oração do Pai-Nosso, tão antiga quanto nova e revolucionária. Para rezá-lo, veio-me de forma espontânea o sinal da cruz. Antes de “Pai nosso” eu disse: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Vi que traçava, junto com as palavras, a cruz de Cristo sobre mim. Pareceu-me ver o universo aberto de forma diferente, com uma haste voltada para o alto, para o infinito. A outra abraçava o mundo. O contador de estrelas começou a sonhar, mas com os pés no chão!

Vi que existe no alto um modelo para caminhar na terra. De fato, há um “plano” pensado desde toda a eternidade, há um sonho de Deus para a humanidade. Seu nome é santificado porque as pessoas são chamadas a viver voltadas para fora de si, abertas para amar e não dobradas sobre os próprios interesses. Como sou livre, incomodou-me um pouco pensar que, no desenho do projeto de Deus, está escrito que é para fazer a Sua vontade, até que entendi que, numa reunião de amor, cuja duração se estende por toda a eternidade, a família de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, tramaram a estratégia da felicidade. Pareceu-me ver, olhando para as estrelas iluminadas no horizonte da fé, que é mesmo melhor fazer o que agrada a Deus, pois Ele é infinitamente mais inteligente do que todas as mentes humanas.

E foi então possível rezar de novo “venha a nós o vosso Reino”, constatando que é melhor implantar o Reino que precede e pode iluminar todos os reinos do mundo. Se eu tivesse em mãos todas as constituições de todos os países, e a elas ajuntasse a avalanche de leis que os homens e mulheres elaboram a cada dia, no afã de encontrar saídas para os problemas de nosso tempo, descobriria nelas os rastros daquele “plano”, porque sei que estão plantadas por aí muitas sementes do Verbo de Deus. É que acredito na ação misteriosa e verdadeira do Espírito Santo, que planta o bem onde nós menos esperamos.

Nas estrelas do Céu de Deus, vi que estava escrita a lei da providência. Pão do Céu e Pão da terra, pão compartilhado e dividido. Na oração, o sonho de que todos acolham o alimento do Céu e aprendam a lei divina da liberalidade, para que não haja fome nesta terra. Foi bom constatar que a natureza que Deus nos deu foi pensada com inteligência. Não faltam recursos nem comida, mas falta partilha! Quem se volta para o alto descobre a receita da despensa e da cozinha de Deus!

O Céu de Deus, a casa da Santíssima Trindade, é amor eterno. Quando desceu a terra, este amor assumiu a face da misericórdia. Que ousadia e que risco corri ao dizer “perdoai-nos assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Viramos o jogo? O Céu e o Pai do Céu se submetem à nossa capacidade de perdoar? É que o plano de Deus nos introduziu num verdadeiro jogo de amor. Numa nova “escada de Jacó” (Cf. Gn 28,12 e Jo 1,51), o Céu e terra partilham seus dons, ainda que o Céu seja sempre o vencedor, pois a vitória que vence o mundo é a fé!

Para chegar a tais alturas, aquele que nos livra do mal nos liberte também da tentação de olhar somente para baixo, nivelando o mundo ao rodapé das constatações frias. Deus tem a palavra e Ele é mais inteligente do que minha pobre percepção da vida. Olhando para Ele, que é família e não solidão, sonhei com o mundo “passado a limpo”, como foi pensado para a felicidade de todas as criaturas de todos os tempos.

Sonhei tanto que rezei assim: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes vosso inefável mistério. Fazei que, professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente”. E disse “Amém”. E sonhei de novo toda a humanidade vivendo o Céu, na terra e na eternidade!

Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém – PA

A oração que tem transformado a vida dos homens

Masculinidade

Existe uma oração que está transformando a vida dos homens e impulsionando-os a buscar sua verdadeira missão

Algo novo tem acontecido nas paróquias. De modo até tímido, temos visto os chamados grupos de Terço dos Homens começarem e, aos poucos, angariarem cada vez mais varões, podendo, em não poucos casos, chegarem a mil, mil e quinhentas, duas mil pessoas para a oração do Santo Terço.

O mais importante é que essa oração tem transformado a vida de muitos homens, tirado muitos do vício, pornografia, adultério e seitas secretas; devolvendo-os à companhia da família e à frequência dos sacramentos da Igreja. Por isso achei importante escrever um livro que descrevesse todas essas maravilhas.

A obra retrata o que vem a ser o Terço dos Homens, a origem do movimento em nosso país, como acontecem essas conversões e o que se passa no íntimo desses homens. No entanto, não me contentei em falar somente do Terço dos Homens sob o aspecto da vida de oração e seus efeitos, mas vi uma ótima oportunidade de falar também de vida, de assuntos de interesse masculino, e ofertar alguma literatura que pudesse dar um norte ao homem de hoje, como é pedido pelo movimento Mãe Rainha três vezes admirável de Schoenstatt – de quem veio o principal impulso, nesses últimos tempos, para a propagação do Terço dos Homens –, em que um dos pilares dos grupos de Terço é a formação humana para os homens.

Tenho percebido que, a partir da oração do Rosário, os homens têm se convertido, voltado aos sacramentos e, a partir disso, buscado um sentido maior para a vida deles; daí vem a segunda parte do título do livro: ‘A grande missão masculina’.

Mas qual é essa grande missão?

Vou relatar, brevemente aqui, quatro características das quais Deus pensou para o homem em sua origem, desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver essa imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais junto com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a enxerga como objeto de sua satisfação, está agindo fora de sua própria essência, pois está desobedecendo ao sentido de sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Você já viu algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Dom de autoridade de Deus Pai

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar sua esposa e seus filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu.[…] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso:[..] ‘Quando meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimônio, e também para defender o matrimônio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – seus dons, talentos e habilidades, todo seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para segurá-lo no colo. Dificilmente, veremos uma mãe brincando assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que o olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao seu filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, seu filho seguirá seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Todo homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa surgir por meio de um esforço”. Isso é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino quanto a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e se desenvolvem femininas. O menino precisa se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo homem precisa ter por que lutar. O prêmio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha de frente.

Que grande graça é o Terço dos Homens! A partir da oração simples, mas feita com o coração, ele pode revelar e autenticar todas essas características que Deus já depositou em nós.

Não canso de repetir que esse movimento é iniciativa de Nossa Senhora, a mulher que gerou Jesus e quer formar, gerar em nós características, infundir em nós o mesmo Espírito de Seu Filho divino. Cristo é o modelo do homem que frequenta o Terço dos Homens.

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.

Regras para uma vida piedosa

Platon, Arcebispo de Kostroma / Bispo Alexander (Mileant)
Traduzido por Balark de Sá Peixoto Junior

Obrigue-se a acordar cedo, numa hora previamente marcada. Tão logo levante, volte sua mente para Deus. Faça o sinal da cruz, e agradeça-lhe pela noite que passou e por todos os seus dons em seu favor. Peça-lhe para guiar todos os seus pensamentos, sentimentos e desejos de forma que tudo o que você disse ou desejar seja agradável a Ele.

Enquanto se arruma, perceba a presença do Senhor e de seu anjo da guarda. Peça ao Senhor Jesus Cristo para lhe colocar o manto da salvação.

Depois de banhar-se, recolha-se nas orações matinais. Reze ajoelhado, com concentração, reverência e simplicidade, como‚ adequado diante dos olhos do Altíssimo. Peça que lhe dê fé‚ esperança e prática da caridade, como também resignação para aceitar tudo o que o dia que chegou possa trazer – suas dificuldades e problemas. Peça-lhe que abençoe as suas atividades. Peça-lhe ajuda: para realizar aquela tarefa especialmente desagradável que lhe espera, para evitar de maneira especial um determinado pecado.

Se puder, leia algum trecho da bíblia, especialmente do Novo Testamento ou do Livro dos Salmos. Leia com o desejo de receber luz espiritual, inclinando seu coração para reconhecer seus pecados e deles se arrepender. Tendo lido um pouco, pare e reflita sobre o que leu; e leia mais um pouco, escutando aquilo que o Senhor sugere ao seu coração.

Tente reservar ao menos quinze minutos para contemplar espiritualmente os ensinamentos da fé‚ e tirar proveito espiritual do que tiver lido.

Sempre agradeça ao Senhor que não lhe deixa perecer em seus pecados, mas cuida de você e de todas as maneiras possíveis o conduz para o seu reino celestial.

Comece o dia como você tivesse acabado de decidir tornar-se cristão e viver de acordo com os mandamentos de Deus.

Ao cumprir suas obrigações, esforce-se para que tudo seja feito para a glória de Deus. Nada comece sem orar, pois tudo o que fazemos sem rezar depois se mostra improdutivo ou incompleto. As palavras do Senhor são verdadeiras: “Sem mim, nada podeis fazer.”

Imite Nosso Senhor, que trabalhou ajudando José e sua puríssima Mãe. Enquanto trabalha, mantenha-se em bom estado de espírito, sempre contando com a ajuda do Senhor. É bom repetir sem cessar a oração: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim, pecador.”

Se suas atividades têm sucesso, agradeça a Deus. Se não, coloque-se no Seu arbítrio, pois Ele cuida de você e tudo direciona para o melhor. Aceite as dificuldades como uma penitência por seus pecados em espírito de obediência e humildade.

Antes de qualquer refeição, peça que Deus abençoe a comida e a bebida; ao terminar, agradeça e peça-Lhe que não o prive de suas bênçãos espirituais. É bom deixar a mesa ainda com um pouco de fome. Em tudo, evite excessos. Seguindo o exemplo dos antigos cristãos, jejue às quartas e sextas-feiras.

Não seja guloso. Contente-se em ter o que comer e o que vestir, imitando Cristo que veio pobre para o nosso bem.

Esforce-se por louvar ao Senhor em tudo, de forma que você não seja reprovado pela sua própria consciência. Lembre-se: Deus sempre vê você e observa cuidadosamente os sentimentos, pensamentos e desejos do seu coração.

Evite mesmo os menores pecados, para não cair nos grandes. Tire de seu coração cada um e todo pensamento e desígnio que o leva para longe do Senhor. Lute especialmente contra os desejos impuros; tire-os do seu coração como você tiraria uma fagulha de suas roupas. Se você não quer ficar confuso com desejos impuros, aceite humildemente ser humilhado pelos outros.

Não fale muito. Lembre-se que prestaremos contas a Deus por cada palavra que tivermos dito. É melhor ouvir que falar: falar muito torna impossível evitar pecados. Não seja curioso para ouvir novidades, as quais apenas envolvem e distraem o espírito. Não condene ninguém, e considere-se o pior de todos. Quem condena os outros, está tomando para si os seus pecados. É melhor se apiedar do pecador, e rezar para que Deus o corrija à sua maneira. Se alguém não ouve os seus conselhos, não discuta. Mas se os atos desse alguém são uma tentação para outros, tome atitudes corretas, pois os bem dos outros, que são muitos, pesam mais que o bem de um só.

Nunca rejeite ou invente desculpas. Seja gentil, calmo e humilde. Resista a tudo, de acordo com o exemplo de Jesus. Ele não vai sobrecarregar você com uma cruz que exceda a sua força; e sim ajudá-lo a carregar a cruz que você tem.

Peça ao Senhor a graça de cumprir seus santos mandamentos da melhor maneira que puder, mesmo se pareçam muito difíceis de observar. Agindo bem, não espere gratidão, mas tentação: pois o amor a Deus é testado pelos obstáculos. Não espere adquirir alguma virtude sem sofrimento. No meio das tentações, não desespere, mas dirija-se a Deus com pequenas orações: “Senhor, me ajude… Ensina-me a… Não deixe-me… Proteje-me…” O Senhor sempre permite tentações e provações. Ele também dá a força para superá-las.

Peça a Deus para tirar de você tudo o que alimenta seu orgulho, mesmo que isso seja amargo. Evite ser áspero, aborrecido, desanimado, desconfiado, suspeitoso ou hipócrita, e evite a rivalidade. Seja sincero e simples em suas atitudes. Humildemente aceite os conselhos dos outros, mesmo se você conhece mais e é mais experiente.

O que você não quer que seja feito para você, não faça para os outros. Ao invés, faça aos outros aquilo que você queria que fizessem para você. Se alguém lhe visita, seja atencioso com ele. Seja modesto, sensato e, às vezes, dependendo das circunstâncias, seja também cego e surdo.

Quando se sentir mole ou resfriado, não deixe de realizar suas habituais orações e práticas piedosas. Tudo o que você faz em nome do Senhor Jesus, mesmo as menores e imperfeitas coisas, tornam-se um ato de piedade.

Se você quer encontrar paz, confie-se inteiramente a Deus. Você não encontrará paz até que repouse em Deus, amando somente a Ele.

De vez em quando, isole-se, seguindo o exemplo de Jesus, para orar e contemplar Deus. Contemple o infinito amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, seus sofrimentos e morte, sua ressurreição, sua Segunda vinda e o Juízo Final.

Vá à Igreja tanto quanto possível. Confesse-se mais freqüentemente e receba os santos mistérios. Fazendo isso, você aproxima-se de Deus, e essa é a maior bênção. Durante a confissão, reconheça e confesse abertamente e com contrição todos os seus pecados, pois os pecados não reconhecidos levam à morte.

Dedique os domingos para obras de caridade e misericórdia. Por exemplo, visite alguém doente, console quem estiver sofrendo, salve quem estiver perdido. Se alguém ajuda o perdido a encontrar Deus receberá uma grande recompensa nesta vida e no mundo futuro. Estimule seus amigos a ler literatura espiritual cristã e a debater temas espirituais.

Deixe Cristo Jesus, o Senhor, ser seu mestre em tudo. Constantemente recorra a Ele, voltando sua mente a Ele; pergunte a si mesmo: “O quê Ele faria em similar circunstância?”

Antes de ir dormir, reze abertamente e com todo o coração, examinando os pecados cometidos durante o dia que passou. Condicione-se a reconhecer seus pecados com coração contrito, com sofrimento e lágrimas, para que não repita os pecados cometidos. Ao ir para a cama, faça o sinal da cruz, beije a cruz e confie-se ao Senhor Deus, que é o seu bom Pastor. Considere que talvez você possa encará-lo nesta noite.

Recorde-se do amor do Senhor para com você e ame-O com todo o seu coração, sua alma e sua mente.

Agindo assim, você alcançará a vida abençoada no reino da eterna luz.

A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco. Amém.

São Maximiliano Maria Kolbe

1-O amor é a fonte da força e da constância.

2-Deus não apenas sabe e pode, mas, especialmente pela Imaculada, faz o que é melhor para ti e para os outros.

3-Imita o que vês de bom nos outros.

4-A lembrança do céu deve estimular-te a grandes virtudes.

5-Mas nós O queremos, para que reine sobre nós. Reinai em mim, ó meu Deus, e dignai-Vos permitir que eu propague em todos o Vosso Reino pela Imaculada.

6-Ama! – isso é tudo.

7-Permite ser conduzido; sê fiel às inspirações.

8-Cumpre bem as tuas obrigações. Imita a S. José; defende a Jesus, a santa Igreja e o Papa, quanto puderes.

9-Não confies absolutamente em ti mesmo: confia em tudo e inteiramente na misericórdia divina que te conduz pela Imaculada.

10-Confia inteiramente na Imaculada. Busca a máxima glória de Deus pela honra à Imaculada.

11-Pode ter mais méritos o ardor em pouco tempo do que o serviço medíocre a Deus durante muitos anos.

12-Condições para uma boa vida em comum: 1) procurar satisfazer os outros; 2) cumprir bem as obrigações e não se intrometer em assuntos que competem a outros; tudo com a intenção pura de agradar apenas a Deus.

13-O maior inimigo do amor a Deus é o amor próprio. Por isso é preciso sempre combatê-lo. Além disso medita com freqüência sobre a bondade de Deus e a Sua grandeza (das criaturas como procedentes de Deus), porque não é suficiente que o fogo (em si) seja capaz de queimar e que a lenha seja seca, mas é preciso aproximar a lenha do fogo.

14-”A semente caiu à beira do caminho, em lugares pedregosos, entre os espinhos e em terra boa” [cf. Mt 13, 1-9; Lc 8, 4-8]. Distração, dureza do coração e vícios. – Concentração, amor, laboriosidade. Não desanimes se a tua semeadura não produz frutos.

15-A vida é breve; após a morte não há méritos. Agora é o tempo de tornar-se santo.

16-Eternidade, eternidade, eternidade!!! Isso ensina a ter juízo.

17-Faze o que tens que fazer e não dês atenção a nada mais (pensamentos bons ou maus); se perceberes que estás distraído, volta tranqüilamante ao que estavas fazendo. Deixa o resto por conta dos milagres da misericórdia da Providência Divina e da Imaculada.

18-O sofrimento é um sinal de bênção divina. – Faze apenas o que tens que fazer.

19-Abandona a todos e tudo e segue os passos de Jesus Cristo – Oração. Non in conturbatione Dominus

20-Mortificação: tanto quanto for preciso e onde for preciso, em pensamentos, palavras, ações. – Maria Imaculada, ajudai-me. –

21-Nossa Senhora sofreu em silêncio, em paz e com amor. – Imita-A.

22-O mérito vem pelo sofrimento e na medida do sofrimento.

23-Sofre e trabalha unicamente por Deus e na Sua presença.

24-Alegra-te porque Deus é grande, santo, infinitamente perfeito; a verdadeira amizade. Busca no mundo apenas a glória divina.

25-Sempre que possível, trabalha. O significado e o mérito do trabalho não depende da avaliação humana, mas da intenção pura: por Deus.

26-Confia inteiramente na Providência Divina.

27-A tua grandeza está num grande amor a Deus.

28-A Santíssima Virgem Maria concordava em tudo, agradável ou desagradável, com a Vontade de Deus, embora sentisse muito os sofrimentos. – Imita-A.

29-A tristeza pela ofensa a Deus e a busca da glória divina são boas na medida em que vêm acompanhadas da submissão à Vontade divina. – Deixa tudo à Imaculada.

30-Deixa todas as preocupações à Imaculada.

31-Doce Coração de Jesus, peço-Vos ardentemente, fazei com que eu Vos ame, e Vos ame cada vez mais.

32-Se aprenderes a aceitar em paz e pela glória divina as honras e o desprezo, serás um santo.

33-Paz com Deus pela inocência (consciência pura, amor); com o próximo, pelo amor; consigo mesmo, pela luta contra as paixões e pela paciência.

34-Os sentimentos não são um sinal infalível de amor a Deus, mas o trabalho e o sofrimento pronto por Deus demonstram a existência do amor.

35-Entrega tudo, tudo a Ela.

36-E faze com confiança o que tens a fazer, sem intromissão em assuntos alheios; dessa forma terás muito mais tempo para o cumprimento das tuas próprias obrigações.

37-Busca apenas a glória de Deus em paz.

38-Imita a Imaculada – devoção. (M) Permite ser conduzido unicamente por Deus (através das criaturas), e não pelas criaturas.

39-Qualquer coisa que aconteça, é porque Deus a faz ou permite, e tudo para o teu bem maior. Por isso não há por que se preocupar.

40-Se não podes, recorre a Ela, pede a ajuda d’Ela.

41-Na paciência tudo podes n’Aquele que te fortalece pela Imaculada.

42-A Imaculada transformou muitos em santos (todos aqueles que a Ela recorreram). A falta de devoção a Ela é um mau sinal.

43-Pela Imaculada atingirás a santidade. Portanto recorre a Ela em todas as necessidades.

44-Permite ser conduzido por Ela com amor e recorre a Ela em todas as dificuldades e dúvidas.

45-Sofre em silêncio e com amor, porquanto tudo provém das mãos do nosso bondosíssimo Pai pelas mãos da Imaculada.

46-A Imaculada conhece o segredo da união mais íntima com o Coração de Jesus.

47-Homem de pouca fé, por que duvidas? Confia inteiramente e em tudo na Imaculada e com certeza prestarás a máxima glória a Deus; permite ser conduzido por Ela e recorre a Ela em todas as dificuldades: “Não se ouviu dizer até agora que alguém, recorrendo a Ela, tenha sido por Ela abandonado”.

48-Permiti que eu Vos louve, ó Virgem santa: dai-me força contra os Vossos inimigos.

49-Perder tempo é deixar de cumprir a Vontade Divina, ou deixar de cumpri-la como Deus quer. Portanto ouve em recolhimento, e com amor sofre e faz.

50-A máxima glória de Deus, a salvação da tua alma e dos outros depende do cumprimento da Vontade Divina, que se manifesta através de tudo e de todos.

51-A única tarefa nesta terra é a salvação da alma; paz na Vontade Divina.

52-Permite ser conduzido pela Providência Divina. A Imaculada fará tudo – não te preocupes com nada.

53-Nada pode ser feito apenas pelo prazer.

54-A marca do amor é o sofrimento.

55-Sofre pelo Coração de Jesus Cristo na humildade, e encontrarás a paz.

56-Seja feita a Vossa vontade. – Nisso consiste a perfeição.

57-Qualquer coisa que te acontecer, ainda que seja decorrente da má vontade dos outros, tudo isso é permitido por Deus para o teu bem maior. – Portanto aceita isso com paz e amor e não te preocupes com nada.

58-O amor a Deus não se manifesta na crítica aos outros, mas na busca da emenda deles (graça interior e exterior).

59-Deus não olha tanto para o valor dos donativos, quanto para a disposição com que são entregues.

60-Com a ajuda da Imaculada vencerás a ti mesmo e contribuirás muito para a salvação das almas.

61-A humildade torna a oração perseverante. No trabalho e na oração deseja unicamente o cumprimento da Vontade Divina.

62-Faze como se tudo dependesse de ti, mas espera o fruto do trabalho unicamente da misericórdia divina.

63-Solidão, recolhimento, vida interior. Se queres encontrar a Deus, afasta-te das criaturas.

64-O que tens que fazer, faze-o bem e com boa intenção.

65-A palavra divina amolece ou endurece o coração.

66-Trabalha pela salvação da tua alma e das almas dos outros, pela glória divina através da Imaculada, e não por outros objetivos.

67-A humildade atrai as graças divinas.

68-Emenda-te da preguiça espiritual, porque ela perturba a ação da graça.

69-Permite ser amorosamente conduzido na alegria e na tristeza.

70-A santa obediência em paz e no amor confiante e sem limites; sofre, reza e trabalha.

71-As admoestações aceitas unem mais que dois ou três anos de trabalho.

72-Permite ser conduzido pela Imaculada, para que em todos os momentos possas ouvir a Sua voz e agir de acordo com ela.

73-Que o homem seja pisado, e que Jesus seja amado.

74-Se agora não pudesses suportar o fogo terreno, como depois suportarias o fogo do inferno”?

75-Já há tanto tempo Deus está esperando por ti.

76-Deixa de lado o que não é útil, e terás tempo para tudo.

77-Ouve a voz da Vontade da Imaculada com tanqüilidade, humildemente e com amor e faze.

78-Prestarás contas também do bem que deixaste de fazer.

79-Alegria no sofrimento, porque o sofrimento provém da mão amorosa de Deus.

80-Não desanimes com os obstáculos; confia n’Ela e ouve-A no silêncio e na paz.

81-Não negligencies as inspirações divinas.

82-Sê senhor de ti mesmo e escravo amoroso da Imaculada.

83-Apesar dos sofrimentos, das friezas, das perseguições, avante. As perseguições são um bom sinal.

84-Lembra-te da morte; luta continuametne contigo mesmo, para que não faças o que queres, mas o que Deus quer, e porque Ele o deseja.

85-Corresponder às graças divinas é a melhor forma de gratidão pelas graças recebidas.

86-Expulsa tudo do coração, para que possas amar unicamente a Deus.

87-Não permitas ser superado por ninguém na propagação da glória divina.

88-A perfeição não consiste em fazer muita coisa, mas em realizar tudo bem. Faze o que tens que fazer.

89-Foge da falsidade e sê sincero. Quem se entrega a Deus, sempre reza ou trabalha pela glória divina.

90-Querer ser o maior santo possível e santificar o maior número possível de almas, confiando unicamente em Deus através da Imaculada – não é orgulho.

91-Deus recompensa pelos desejos, ainda que não possam ser concretizados. Sem limites!

92-Vale a pena sofrer e ser humilhado no tempo, para não ir ao inferno eterno.

93-Amor a Deus no cumprimento daquilo que Ele quer e da maneira como quer, até o desprezo de si mesmo.

94-Livra-te da tibieza. No recolhimento, confiando inteiramente n’Ela, e nada em ti; faze o que Ela te ordena, ainda que não tenhas vontade de fazê-lo. Não deixes para mais tarde, mas faze-o logo, se puderes.

95-Se negligenciares a graça de evitar a ocasião do pecado, não receberás a graça da vitória.

96-Amor ao próximo por amor a Deus: dá o próximo a Deus, e Deus ao próximo.

97-Em paz deixa-te conduzir; afinal não és tu, mas é a graça divina que deve fazer tudo contigo.

98-Por que te preocupas e te entristeces? Deixa tudo à Imaculada e confia tudo inteiramente a Ela. Ela é capaz de consertar o mal e encaminhar tudo para a máxima glória divina. Confia n’Ela sem limites.

99-Tudo que és, que possuis e que podes, tudo isso recebes a todo instante das mãos da Misericórdia Divina pela Imaculada.

100-As inspirações do Espírito Santo não podem ser recebidas na confusão.

101-O Espírito Santo concede sempre a todos as boas inspirações.

102-Considera em tudo a Imaculada como a tua Mãezinha; portanto não te preocupes com nada, apenas com Ela.

103-Santificação pelos grandes e pequenos atos. A medida da santidade é o amor, a Vontade Divina.

104-Respeita a Jesus Cristo nos irmãos. – Não fales do que pode trazer honra para ti.

105-Procura atrair os outros ao amor à Imaculada.

106-O melhor meio para a conversão (santificação) dos pecadores é estimulá-los à devoção à Santíssima Virgem Maria.

107-A humildade atrai as graças divinas. Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes

108-Terás glória no céu na medida em que sofreres por Jesus Cristo..

109-Quando mais ardor demonstrares, tanto mais paz e facilidade encontrarás no progresso.

110-Amor sem limites para com Aquele que te amou sem limites.

111-As paixões bem controladas ajudam às virtudes.

112-As armas da santa Igreja são a paciência, o amor e a oração.

113-Sê um instrumento nas mãos da Imaculada.

114-Pelas orações bem recitadas, prestas honra a Deus, recebes muitas graças para a santa Igreja, para os outros, para o teu apostolado e para ti mesmo.

115-Sofre em silêncio diante dos homens, de ti mesmo e de Deus. Procura consolar a Jesus Cristo nos irmãos, quando sofres.

116-Fidelidade, pontualidade nos exercícios piedosos; através deles obtemos as graças.

117-A Imaculada protege com especial desvelo aqueles que A amam.

118-Faze tudo para proporcionar o máximo de prazer ao Sacratíssimo Coração de Jesus.

119-Vai ao deserto interior, para te preparares para a vida pública.

120-O recolhimento atrai as graças divinas e multiplica os méritos.

121-O recolhimento é o início da conversão. – Dar atenção à Vontade Divina para realizá-la, e a si mesmo, para se comportar segundo a Vontade Divina.

122-Quanto mais cumprires a Vontade Divina, tanto mais aumentarás a glória divina e salvarás e santificarás a tua alma e as dos outros.

123-Um excelente meio para manter a paz é ver a todos à luz da fé. [Ver] a Jesus Cristo em todos.

124-A tua primeira preocupação deve ser a tua própria santificação. A preocupação com a santificação dos outros deve provir do excesso do teu amor para com Jesus Cristo.

125-A arma mais poderosa contra as tentações é o amor para com Jesus Cristo.

126-Entrega-te totalmente e em tudo, com amor e gratidão, ao amor do Sacratíssimo Coração de Jesus através do Sacratíssimo Coração da Imaculada.

127-Não te fies muito em consolos espirituais; antes despreza as tentações e luta contra as más inclinações.

128-O que não é Deus, e na medida em que não conduz a Deus, não é nada. – Que Jesus Cristo viva em ti.

129-O amor destrói os defeitos e conduz rapidamente à santidade.

130-Quem se entrega à Misericórdia Divina, espera [tudo] da Providência Divina.

131-Tendo confiado na misericórdia divina pela Imaculada, não te preocupes com nada e, oculto, reza e trabalha.

132-Se queres triunfar no céu com Jesus Cristo, é preciso que neste mundo carregues com ele a cruz.

133-Recebe a Jesus Cristo na santa Comunhão e recebe tudo das Suas mãos com a humilde disposição da Santíssima Virgem Maria por ocasião da Anunciação: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38].

134-Em silêncio, em solidão com Jesus Cristo e pela Imaculada, sofre, alegra-te, trabalha em paz amorosa. Deus te corrigirá.

135-O amor não leva em conta as forças, mas acredita no impossível.

136-A admoestação é um ato de amor. – Aceita-a com gratidão.

137-Aguarda a vinda de Jesus Cristo aguardando juntamente a vinda da Santíssima Virgem Maria.

138-A maior perfeição está em cumprir a Vondade de Deus, nem mais nem menos.

139-A SVM Imaculada é Rainha também do purgatório, e por Sua intercessão os castigos são diminuídos e abreviados, especialmente para os que A amam, e nas Suas festas.

140-As ações têm valor na medida em que são praticadas segundo a Vontade Divina e por amor a Deus.

141-Quando sentes menos luz e força, confia mais, porque justamente então se verificará que não és tu que fazes, mas Deus pela Imaculada, e isso em todos os assuntos, tanto da vida interior como da exterior.

142-Os santos do céu são nossos amigos e querem nos ajudar. É muito útil recorrer a eles, imitá-los, comemorar as suas festas.

143-Entrega todas as reparações à Imaculada pelas santas almas do purgatório.

144-No amor está a intenção pura, a prudência (doçura, amor) e o bom exemplo.

145-Sofre, reza e trabalha pela Imaculada, e Ela se empenhará por ti e pelos teus.

146-Quantas almas conquistaste para Deus?

147-Zelo. – O teu ideal é a “glória divina na salvação dos homens”. – Pela Imaculada e nas Suas imaculadas mãozinhas permite ser conduzido na paz e com amor, e assim farás o máximo de bem, e prestarás a máxima glória a Deus pela salvação das almas.

148-Mortifica os sentidos e terás tempo suficiente para conviver com o Senhor Deus.

149-O amor próprio é a fonte de todos os pecados.

150-Castidade. – Entrega-te inteiramente à Imaculada e não te preocupes com nada.

151-Deus deseja mais dar a ti do que tu queres pegar. Confia na misericórdia divina.

152-Procura causar o máximo de prazer a Jesus Cristo, como preparação e ação de graças.

153-Confia na eficácia da proteção da Imaculada. Tudo podes com a Sua ajuda.

154-Oferece tudo à Imaculada. Tudo posso (inclusive tornar-me santo) n’Aquele que me fortalece (Fl 4, 13] pela Imaculada. Se não sabes ou não tens força para executar a Vontade Divina, [dize] “Maria”, e Ela se dignará fazer tudo.

155-Não busques o teu prazer, nem o dos outros, mas apenas a glória divina; mais força.

156-Nas mãozinhas da Imaculada tudo podes. O que não sabes ou não podes, entrega a Ela, e saberás e poderás o que é para a máxima glória de Deus – sem limites. – Ela não nega nada aos pecadores, e o Sacratíssimo Coração de Jesus não é capaz de Lhe negar nada.

157-Tudo que és, tens e podes, tudo isso recebes a todo o instante das mãos da misericórdia divina.

Fonte: Livro São Maximiliano Kolbe, em espanhol

 

O amor vence as trevas do ódio e do egoísmo, recorda o Papa
14/08/2012   

Cidade do Vaticano – A Igreja celebra, nesta data, a memória de São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote franciscano polonês morto no campo nazista de Auschwitz para salvar um pai de família. O Papa definiu-o uma “luz” que “encorajou a outros a se doar” para fazer-se próximo aos que sofrem e aos oprimidos.

Vencer o mal com o bem, o ódio com o amor: é o que nos recorda o Evangelho desta terça-feira dedicado ao “mandamento novo” de Jesus: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.

São palavras que Pe. Kolbe viveu profundamente e que – como disse Bento XVI – convidam todos nós a seguirmos, sem medida, o amor de nosso Senhor:

“Aquelas palavras de Jesus, ‘como eu vos amei’, convidam-nos e, ao mesmo tempo, nos inquietam; são uma meta cristológica que pode parecer inalcançável, mas, ao mesmo tempo, são um estímulo que nos permite satisfazer-nos com o que pudemos realizar.” (Audiência Geral, 9 de agosto de 2006)

O amor por Jesus passa pelo sim de Maria. E Pe. Kolbe, sacerdote mariano em seu dna, continuou dando esperança e consolação aos que estavam com ele no bunker da fome de Auschwitz, totalmente consagrado à Mãe de Deus até o fim. Era 14 de agosto de 1941:

“‘Ave-Maria!’ foi a última invocação nos lábios de São Maximiliano Maria Kolbe quando estendia o braço àquele que o matava com uma injeção de ácido fênico. É comovente constatar como o recorrer humilde e confiantemente à Virgem Maria é sempre fonte de coragem e de serenidade.” (Audiência Geral, 13 de agosto de 2008)

Os mártires não se desencorajam em fazer o bem, mesmo quando o mal parece destruir tudo:

“Aparentemente a existência deles poderia ser considerada uma derrota, mas justamente no martírio por eles sofrido resplandece o fulgor do Amor que vence as trevas do egoísmo e do ódio. São atribuídas a São Maximiliano Kolbe as seguintes palavras que ele teria pronunciado no ápice do furor da perseguição nazista: ‘O ódio não é uma força criativa: somente o amor o é’.” (Audiência Geral, 13 de agosto de 2008)

Fonte: Rádio Vaticano

Os Papas e a Família

Sínodo sobre a Família

Papa Francisco

“ “Os avós são a sabedora da família, são a sabedoria de um povo. E um povo que não ouve os avós, é um povo que morre! Ouçamos os avós!” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer as pazes. A paz faz-se de novo cada dia em família!” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Aquilo que mais pesa na vida é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “No vosso caminho familiar, partilhais tantos momentos belos: as refeições, o descanso, o trabalho em casa, a diversão, a oração, as viagens e as peregrinações, as ações de solidariedade… Todavia, se falta o amor, falta a alegria; e Jesus é quem nos dá o amor autêntico” (Carta do Papa às Famílias, 25 de fevereiro de 2014) —

“ “A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 2013) —

Papa emérito Bento XVI

“ “Família, trabalho e festa. Trata-se de três dons de Deus, três dimensões da nossa existência, que devem encontrar um equilíbrio harmonioso para construir sociedades com um rosto humano” (Catequese, 6 de Junho de 2012) —

“ “Queridas famílias, a vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o universo, o mundo” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “As famílias cristãs constituem um recurso decisivo para a educação na fé, para a edificação da Igreja como comunhão e para a sua capacidade de presença missionária nas situações mais diversificadas da vida, além de fermentar em sentido cristão a cultura difundida e as estruturas sociais” (Discurso, 6 de Junho de 2005) —

“ “A edificação de cada uma das famílias cristãs situa-se no contexto daquela família mais ampla que é a Igreja, a qual a sustenta e leva consigo. (…) E, vice-versa, a Igreja é edificada pelas famílias, pequenas Igrejas domésticas” (Discurso, 6 de Junho de 2005)  —

“ “Queridas famílias, sede corajosas! Não cedais à mentalidade secularizada que propõe a convivência como preparação ou mesmo substituição do matrimônio. Mostrai com o vosso testemunho de vida que é possível amar, como Cristo, sem reservas, que não é preciso ter medo de assumir um compromisso com outra pessoa” (Homilia, 5 de Junho de 2011) —

Papa São João Paulo II

“ “Nas famílias cristãs, fundadas no sacramento do matrimônio, a fé nos vislumbra maravilhosamente o rosto de Cristo, esplendor da verdade, que enche de luz e de alegria os lares que inspiram a sua vida no Evangelho” (Encontro do Papa com as Famílias, 4 de outubro de 1997) —

“ “No plano de Deus, o matrimônio – o matrimônio indissolúvel – é o fundamento de uma família sadia e responsável” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “Através da família, toda a existência humana é orientada para o futuro. Nela, o homem vem ao mundo, cresce e amadurece. Nela, ele se torna um cidadão sempre mais maduro do seu país, e um membro da Igreja sempre mais consciente” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “É a família cristã que promove simples e profundamente a dignidade e o valor da vida humana desde o momento da concepção” (Peregrinação Apostólica à África, 1980)  —

“ “A força e a vitalidade de cada país serão em medida da força e da vitalidade da família nesse mesmo país. Nenhum grupo tem tanto reflexo no país quanto a família. Nenhum grupo tem um papel tão influente no futuro do mundo. Por esta razão, os esposos cristãos têm uma missão insubstituível no mundo de hoje. O amor generoso e a fidelidade do esposo e da esposa oferecem estabilidade e esperança a um mundo dilacerado pelo ódio e pela divisão” (1º Congresso Internacional da Família da África e da Europa, 1981) —

“ “É necessário proclamar alto a santidade do matrimônio, o valor da família e a intangibilidade da vida humana. Não me cansarei nunca de cumprir esta que julgo missão inadiável” (Discurso ao Sacro Colégio, 1980) —

“ “A paternidade e a maternidade humana, mesmo sendo biologicamente semelhantes às de outros seres da natureza, têm em si mesmas de modo essencial e exclusivo uma ‘semelhança’ com Deus, sobre a qual se funda a família, concebida como comunidade de vida humana, como comunidade de pessoas unidas no amor” (Carta às Famílias, 1994)  —

“ “Família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se” (Carta às Famílias, 1994)  —

Papa João Paulo I

“ “As Famílias são ‘o santuário doméstico da Igreja’, direi até; uma verdadeira e própria ‘Igreja doméstica’, em que florescem as vocações religiosas, em que se tomam as santas decisões, e onde se prepara o futuro do mundo” (Primeira Radiomensagem, 27 de Agosto de 1978)  —

Papa Paulo VI

“ “Os esposos cristãos, portanto, dóceis à Sua voz, lembrem-se de que a sua vocação cristã, iniciada com o Batismo, se especificou ulteriormente e se reforçou com o sacramento do Matrimônio. (…) Foi a eles que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana” (Carta Encíclica Humanae Vitae, 1968) —

“ “Não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família (…) Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação sancionada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II: ‘Igreja doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 1975) —

Papa São João XXIII

“ “Se não há paz, união e concórdia nas famílias, como poderá havê-la na sociedade civil? Esta ordenada e harmônica união, que deve sempre reinar dentro das paredes domésticas, nasce do vínculo indissolúvel e da santidade própria do matrimônio cristão e contribui imensamente para a ordem, progresso e o bem-estar de toda a sociedade civil” (Carta Encíclica Ad Petri Cathedram, 1959) —

“ “Famílias cristãs, pesai as vossas responsabilidades e dai vossos filhos, com alegria e gratidão, ao serviço da Igreja” (Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia) —

“ “Temos de proclamar solenemente que a vida humana deve ser transmitida por meio da família, fundada no matrimônio uno e indissolúvel, elevado para os cristãos à dignidade de sacramento. A transmissão da vida humana foi confiada pela natureza a um ato pessoal e consciente (…) Por isso, não se podem usar aqui meios, nem seguir métodos, que serão lícitos quando se tratar da transmissão da vida nas plantas e nos animais” (Carta Encíclica Mater Et Magistra) —

“ “A família, baseada no matrimônio livremente contraído, unitário e indissolúvel, há de ser considerada como o núcleo fundamental e natural da sociedade humana” (Carta Encíclica Pacem In Terris, 1963) —

Papa Pio XII

“ “Para não pararmos aqui somente: as inegáveis dificuldades, que uma bela coroa de filhos traz consigo, especialmente em nossos tempos de vida cara em famílias simples, exige coragem, sacrifícios, heroísmo. Mas como a amargura saudável da mirra, assim esta dureza temporária dos direitos conjugais em primeiro lugar, preserva os esposos de uma culpa grave, fonte funesta de ruína para famílias e nações. Além disso, essas dificuldades corajosamente abordadas, devem garantir-lhe a conservação da graça sacramental e uma grande ajuda divina” (Catequese, 10 janeiro 1940) —

“ “A família humana é o último e sublime acontecimento da mão de Deus na natureza do universo, a última maravilha por Ele colocada como coroa do mundo visível, no último e sétimo dia da criação; quando no paraíso das delícias por Ele plantado e preparado, plasmou e conduziu o homem e a mulher colocando-os para cultivá-lo e guardá-lo (Gen 2, 8-15) e deu a eles o domínio sobre todos os pássaros do céu, os peixes do mar e os animais da terra (Gen 1, 28)” (Catequese, 8 abril 1942) —

“ “Como para as famílias que reservam ‘a parte de Deus’ sobre os bens recebidos d’Ele e dos quais eles gozam, assim para vós aquilo que sobre toda coisa convém que motive a santa ambição da bela vocação por alguns dos vossos filhos, deveria ser movido pelo pensamento do quanto na vida espiritual vos é recompensado por Cristo, por meio da sua Igreja, dos seus sacerdotes, dos seus religiosos, assim abundantemente” (Catequese, 25 março 1942) —

“ “O valor do testemunho dos pais de famílias numerosas não somente consiste em rejeitar sem rodeios, e com a força dos fatos, todo compromisso intencional entre a lei de Deus e o egoísmo do homem, mas na prontidão em aceitar, com alegria e reconhecimento, os inestimáveis dons de Deus, que são os filhos, e na quantidade que a Ele agrade” (Discurso, 20 de janeiro de 1958)  —

Papa Pio XI

“ “Mas o primeiro e grande jardim, onde deve quase espontaneamente germinar e desabrochar as flores do santuário, é sempre a família, verdadeiramente e profundamente cristã. A maior parte dos santos bispos e sacerdotes, aos quais a Igreja rende louvores, deve o início das suas vocações e da sua santidade aos exemplos e ensinamentos de um pai cheio de fé e forte virtude e de uma mãe casta e piedosa, de uma família na qual reinava a pureza dos costumes e a caridade de Deus e o amor ao próximo” (Carta Encíclica Ad Catholici Sacerdotti, 1935) —

“ “Além disso, é necessário que os cônjuges cristãos, com a graça divina que internamente transforma a fraca vontade, conformem seus pensamentos e conduta àquela puríssima lei de Cristo, a fim de alcançarem para si e para a própria família a verdadeira paz e felicidade” (Carta Encíclica Casti Connubii, 1930) —

“ “Para enervar a influência do ambiente familiar, acresce hoje o fato de que, quase por toda a parte, se tende a afastar cada vez mais da família a juventude, desde os mais tenros anos, sob vários pretextos, quer econômicos, industriais ou comerciais, quer mesmo políticos” (Carta Encíclica Divini Illius Magistri, 1929) —

“ “Assim como o matrimônio e o direito ao seu uso natural são de origem divina, assim também a constituição e as prerrogativas fundamentais da família derivam, não do arbítrio humano, nem de fatores econômicos, senão do próprio Criador supremo de todas as coisas” (Carta Encíclica Divinis Redemptoris, 1937) —

Valorizar a família

A família nunca cairá de moda

Foi realizada em Roma, junto ao túmulo do Apóstolo São Pedro, a peregrinação internacional da família dentro do Ano da Fé. Esse evento, que reuniu 150 mil famílias, coincidiu com o encerramento da XXI Assembleia Plenária do Pontifício Conselho da Família. Constaram desse evento três jornadas dedicadas ao estudo e ao debate no 30º aniversário da Carta dos Direitos da Família, publicada pelo mesmo dicastério vaticano em 22 de outubro de 1983, sob o Pontificado do Beato João Paulo II. O encontro, aberto ao público, debateu os “Novos horizontes antropológicos e os direitos da família”.

Declarou o Arcebispo Dom Vincenzo Paglia, presidente do Conselho Pontifício para a Família, em entrevista à Rádio Vaticano, que esta Carta dos Direitos da Família é defendida e valorizada como meio “para que não nos esqueçamos que a família, como sujeito jurídico, é uma dimensão que transpassa os séculos, que não nasceu anteontem nem há cem anos. Há uma dimensão que atravessa a história, que fez da família o primeiro lugar em que aprendemos a estar juntos: a família é o primeiro ‘nós'”.

As profundas palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, nesse evento, assim como a celebração, deixam claro a importância do tema nesse momento da história da humanidade. Ele recordou no encontro: “Quisestes chamar a este momento «Família, vive a alegria da fé!» Gosto deste título! Entretanto, escutei as vossas experiências, os casos que contastes. Vi tantas crianças, tantos avós… Pressenti a tristeza das famílias que vivem em situação de pobreza e de guerra. Ouvi os jovens que se querem casar, mesmo por entre mil e uma dificuldades. E então nos surge a pergunta: Como é possível, hoje, viver a alegria da fé em família? Mas eu pergunto-vos também: «É possível viver esta alegria ou não é possível?”. Na missa do domingo, na Praça de São Pedro, ele resumiu em três tópicos: a família reza, a família guarda a fé, a família vive a alegria. E concluiu: “E, acima de tudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, na família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Só Deus sabe criar a harmonia a partir das diferenças. Se falta o amor de Deus, a família também perde a harmonia, prevalecem os individualismos, apaga-se a alegria. Pelo contrário, a família que vive a alegria da fé, comunica-a espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

A família foi querida por Deus desde que o Criador concedeu Adão e lhe deu Eva como esposa, determinando que habitassem a Terra e se perpetuassem pelo seu amor esponsal. Sabemos como a instituição familiar tem sido atacada por todos os lados: instituições internacionais, legislações ideológicas, decretos do executivo, julgamentos nos tribunais, propaganda sistemática na mídia – por todos os lados há muito mais facilidade de se colocar contra a família do que a construção dos valores positivos e essenciais da família humana. São tempos difíceis para a família e é muito importante que, ao valorizarmos a família, saibamos da campanha contrária a ela em tantos âmbitos de nossa sociedade. Como cidadãos, temos o direito de dar nossas opiniões e manifestar nossas convicções, que são importantes para o futuro da humanidade.

Assim, o Papa conclamou os jovens voluntários no seu encontro no Riocentro durante a JMJ Rio 2013: “Deus chama para escolhas definitivas, Ele tem um projeto para cada um: descobri-Lo. Responder à própria vocação é caminhar para a realização feliz de si mesmo. A todos Deus chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um. Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família por meio do sacramento do matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está “fora de moda”. Está fora de moda? [Não…]. Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso, eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem contra esta cultura do provisório, a qual, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes!”

O Documento de Aparecida nos fala dessa importância de valorizar a família e de tutelar os seus direitos neste tempo de mudança de época: a família não é uma mera instituição natural; antes, faz parte do projeto do Criador (cf. Gn 1,27), de modo que “pertence à natureza humana que o homem e a mulher busquem um no outro sua reciprocidade e complementaridade” (n. 116). Na plenitude dos tempos, o Filho de Deus assumiu a nossa natureza humana e, “optando por viver em família em meio a nós, a eleva à dignidade de ‘Igreja doméstica’” (n. 115). O amor conjugal “é assumido no sacramento do matrimônio para significar a união de Cristo com sua Igreja” (n. 117; cf. 175g; 433s). É na família que a pessoa “descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus” (n. 118).

O Beato João Paulo II, na Carta às Famílias de 1994, ensinou que: “Dentre essas numerosas estradas, a primeira e a mais importante é a família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se.” Com efeito, normalmente ele vem ao mundo no seio de uma família, podendo-se dizer que a ela deve o próprio fato de existir como homem. Quando falta a família logo à chegada da pessoa ao mundo, acaba por criar-se uma inquietante e dolorosa carência que pesará depois sobre toda a vida. A Igreja une-se com afetuosa solicitude a quantos vivem tais situações, porque está bem ciente do papel fundamental que a família é chamada a desempenhar. Ela sabe, ainda, que normalmente o homem sai da família para realizar, por sua vez, num novo núcleo familiar, a própria vocação de vida. Mesmo quando opta por ficar sozinho, a família permanece, por assim dizer, o seu horizonte existencial, como aquela comunidade fundamental onde se radica toda a rede das suas relações sociais, desde as mais imediatas e próximas até as mais distantes. Porventura, não usamos a expressão “família humana” para nos referirmos ao conjunto dos homens que vivem no mundo? (cf. número 02).

A Igreja protege a família, célula sacramental que nasce do amor de um homem e de uma mulher, em caráter indissolúvel, aberto à vida, promovendo três colunas vitais como direito inalienáveis: primeiro, a dignidade da pessoa humana; segundo, o sacramento do matrimônio e terceiro a inviolabilidade da vida e da família. Assim como os dogmas estão para a fé católica, estes três pilares estão para a prática cristã dos batizados na Igreja Católica, que não devem se cansar de defender os direitos da família constituída pelo amor verdadeiro e eterno.

Desde sempre, o lar formado por Jesus, Maria e José é considerado como escola de amor, oração e trabalho. Da mesma maneira, contemplando a Família Sagrada somos chamados a mostrar ao mundo o amor, o trabalho e o serviço vividos diante de Deus, tal como os viveu a Sagrada Família de Nazaré. As condições de vida mudaram muito e progrediram enormemente nos âmbitos técnicos, sociais e culturais. Não podemos contentar-nos com estes progressos. Juntamente com eles, devem estar sempre presentes os progressos morais, como a atenção, a tutela e a ajuda à família, porque o amor generoso e indissolúvel de um homem e de uma mulher constitui o âmbito eficaz e o fundamento da vida humana na sua gestação, na sua iluminação, no seu crescimento e no seu termo natural.

A família nunca cairá de moda: só onde existem o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade. Por isso, a Igreja luta por adequadas medidas econômicas e sociais, para que no lar e no trabalho a mulher encontre a sua plena realização; a fim de que o homem e a mulher que contraem matrimônio e formam uma família sejam decididamente apoiados pelo Estado; para que se defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável, desde o momento da sua concepção; a fim de que a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente. Por isso, a Igreja opõe-se a todas as formas de negação da vida humana e sustenta aquilo que promove a ordem natural no âmbito da instituição familiar.

Ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II que: “Os próprios esposos, feitos à imagem de Deus e estabelecidos numa ordem verdadeiramente pessoal, estejam unidos em comunhão de afeto e de pensamento e com mútua santidade, de modo que, seguindo a Cristo, princípio da vida, se tornem, pela fidelidade do seu amor, através das alegrias e sacrifícios da sua vocação, testemunhas daquele mistério de amor que Deus revelou ao mundo com a sua morte e ressurreição” (GS 52).

O Documento de Aparecida nos ensina que a família se deve tornar “um dos eixos transversais de toda ação evangelizadora da Igreja” (n. 435) – e neste âmbito a “infância” se torna destinatária de uma ação “prioritária” da Igreja (n. 438). Por isso, a pastoral familiar – em suas mais variadas expressões – há de “comprometer de maneira integral e orgânica as outras pastorais, os movimentos e associações matrimoniais e familiares a favor das famílias” (n. 437a). A principal bandeira para valorizar a família é promover a formação e ação de leigos competentes, animá-los a organizar-se para defender a vida e a família, e estimulá-los a participar em organismos nacionais e internacionais.

Que a Sagrada Família proteja as nossas famílias e que seus direitos sejam respeitados para o próprio bem do futuro da humanidade!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Uma vida com sentido

A todo momento há valores a serem vividos

Uma vida com sentido, diferente do que muitas pessoas pensam, não é uma vida cheia de prazeres, mas vivida com significado. Quando realizamos valores, colocamos sentido em nossas vidas.

Viktor Frankl, o precursor da Logoterapia, avalia três categorias de sentido: de criação, de vivência e de atitude. Ao inventarmos, criarmos ou realizarmos algo, como um projeto profissional, um livro, um estudo, entre outros, estamos concretizando um valor criador.

O trabalho que realizamos – quando o fazemos em prol do bem –, ajudando os outros e a humanidade, enche nossa existência de sentido. Isso traz a certeza de termos contribuído com aquilo que temos de melhor para o bem de outros; dessa forma, nós nos sentimos realizados e felizes.

Quando amamos e dedicamos nossa vida às pessoas – para as quais este amor é destinado – ou quando nos dedicamos a uma causa como a evangelização, a luta pela vida ou mesmo a preservação da natureza, realizamos os valores vivenciais.

Também podemos realizar os valores de atitude, um dos mais nobres, pois quando não podemos mudar algo ao nosso redor ou nas pessoas que nos cercam, podemos mudar nossa atitude frente à situação. Podemos responder de forma positiva, subjugando-nos ou enfrentando com a cabeça erguida e um sorriso no rosto. Isso é fazer com que o momento difícil se torne fonte de crescimento pessoal e espiritual.

A todo o momento, há valores a serem vividos, grandes e pequenos; em sua maioria, pequenos, mas que tornam nossa vida repleta de significado e cheia de sentido. Mas se você sente que ainda não encontrou o sentido de sua vida, comece a observar ao seu redor e a ver o quanto o mundo e as pessoas precisam de você; o quanto só você pode fazer por elas. E se não há nada a fazer, sua atitude pode ser diferente e especial.

Realizamos valores quando nos voltamos para fora, quando ajudamos os outros, e isso podemos fazer mesmo que imobilizados: rezando e intercedendo pelas pessoas e pelas causas que lutam pela vida e sua dignidade.

Por mais simples que seja a nossa vida, há uma missão a ser cumprida; ao realizá-la, encontraremos o sentido da nossa vida. E essa missão só nós podemos realizar.

Mara S. Martins Lourenço
[email protected]
Psicóloga e Membro da Comunidade de Aliança Canção Nova

A devoção a Virgem Maria é necessária para a salvação?

A devoção a Santa Virgem é necessária a todos os homens para conseguirem a salvação

Quando li o livro do “Tratado da Verdadeira devoção a Santíssima Virgem”, de São Luís Maria Grignion de Montfort, sobre a importância da Virgem Maria para a salvação de todos os homens, confesso que fiquei impressionado. Pensei logo naqueles que “abandonaram” essa devoção e me dei conta da real importância da Santíssima Maria na nossa vida. Então, concluí: isso precisa ser divulgado.

Assim, transcrevo aqui alguns textos para que possam ser mais amplamente conhecidos. Além disso, pretendem responder às duas perguntas abaixo:

– A devoção a Nossa Senhora é necessária para a salvação?
– Sem a devoção a Nossa Senhora podemos nos salvar?

Eis o que está escrito no referido livro de Montfort nos itens 40 a 42:

§ 1. A devoção a Santa Virgem é necessária a todos os homens para conseguirem a salvação.

40. “O douto e piedoso Suárez, da Companhia de Jesus, o sábio e devoto Justo Lípsio, doutor da universidade de Lovaina, entre outros, provaram incontestavelmente, apoiados na opinião dos Santos Padres, entre os quais, Santo Agostinho, Santo Efrém, diácono de Edessa, São Cirilo de Jerusalém, São Germano de Constantinopla, São João Damasco, Santo Anselmo, São Bernardo, São Bernardino, Santo Tomás e São Boaventura, que a devoção a Santíssima Virgem é necessária à salvação e também um sinal infalível de condenação – opinião do próprio Ecolampádio e outros hereges – não ter estima e amor a Santíssima Virgem. O contrário é indício certo de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente devotado.

41.As figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento o provam; a opinião e os exemplos dos santos o confirmam; a razão e a experiência o ensinam e demonstram; o próprio demônio e seus asseclas, premidos pela força da verdade, viram-se muitas vezes constrangidos a confessá-lo, a seu pesar. De todas as passagens dos Santos Padres e doutores, que compilei para provar esta verdade, cito apenas uma, para não me alongar: “Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar (São João Damasceno).

42. Eu poderia repetir aqui várias histórias que provam o que afirmo. Entre elas, destaco:

Aquela que vem narrada nas crônicas de São Francisco, em que se conta que o santo viu, em êxtase, uma escada enorme, em cujo topo, apoiado no céu, avultava a Santíssima Virgem. E o santo compreendeu que aquela escada ele devia subir para chegar ao céu.

Outra narrada nas crônicas de São Domingos: quando o santo pregava o rosário nas proximidades de Carcassona, quinze mil demônios, que possuíam a alma de um infeliz herege, foram obrigados, por ordem da Santíssima Virgem, a confessar muitas verdades grandes e consoladoras, referentes à devoção a Maria. E eles, para sua própria confusão, o fizeram com tanto ardor e clareza que não se pode ler essa autêntica narração e o panegírico, que o demônio, embora a contragosto, fez da devoção mariana, sem derramar lágrimas de alegria, ainda que pouco devoto se seja da Santíssima Virgem” (São Luís Maria Grignion de Montfort, “Tratado da Verdadeira devoção a Santíssima Virgem”, pág. 40-45. 31. ed. Vozes. Petrópolis, 2002).

Quando São Domingos estava pregando o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demônio. Consta que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar. Os demônios que possuíam esse infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles testemunharam que:

1 – Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;

2 – Continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava o Rosário, impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o mundo; isso por causa das almas que ele arrancou dos demônios por intermédio da devoção do Santo Rosário; revelaram ainda várias outras coisas.

São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demônios lhe dissessem a quem, de todos os santos nos céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens. Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo… e eles disseram:

“Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixe-nos sair desse corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão sua pergunta a qualquer momento (…). São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade. Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse: “Responda ao meu servo Domingos imediatamente”. Então os demônios começaram a gritar:

“Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste dos céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa de nossa vergonha e nossa ruína? Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vocês cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão de nossa astúcia e sutileza. É ela que descobre nossos planos ocultos, quebra nossas armadilhas e faz com que nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito. Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada conosco; um simples suspiro que ela oferece a Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.

Nós a tememos mais que todos os santos dos céus juntos e não temos nenhum sucesso com seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão. Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria como eles a chamaram) não tivesse se oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; e teríamos feito com que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem.

Agora, que somos forçados a falar, também lhe diremos isto: ninguém que persevera ao rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para seus servos a graça da verdadeira contrição por seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus”.

(*) Fonte: www.deuspelaarte.com.br

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