Pensamentos Seletos

Jovens, o Senhor precisa de vocês

Vigília em Copacabana
Sábado, 27 de julho  de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

“Também hoje o senhor continua precisando de vocês, jovens. Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja, para serem missionários”

A Vigília de oração dos jovens com o Papa Francisco em Copacabana, na noite deste sábado, 27, começou pontualmente às 19h30, como previsto. A praia ficou lotada por um público recorde de três milhões de pessoas, segundo informações da assessoria de imprensa da jornada.

O Papa Francisco acompanhou algumas apresentações artísticas na abertura da Vigília, e muito compenetrado ouviu o testemunho de conversão de alguns jovens. A cada história, no palco, era construído o alicerce de uma Igreja, caracterizando a Porciúncula.

Em seu discurso, o Papa recordou o episódio da vida de São Francisco de Assis, em que ele, diante do Crucifixo, escuta Jesus lhe pedir: “Francisco, vai e repara a minha casa”. A princípio, o santo pensa que era para tornar-se um pedreiro e reconstruir um edifício feito de pedras, mas depois ele entende que precisa dar a sua “contribuição para a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja, amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face de Cristo”.

“Também hoje o senhor continua precisando de vocês, jovens”, afirmou o Santo Padre. “Também hoje ele chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja, para serem missionários”.

Mas como isso acontece? questionou o Papa. “Partindo do nome do local em que nos encontramos – Campus Fidei, Campo da Fé – pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras”.

Na primeira imagem, do “campo como lugar que se semeia”, Francisco recordou a passagem bíblica do semeador que saiu para semear no campo, algumas sementes deram frutos e outras não (cf. Mt 13,1-9), parábola que Jesus mesmo explica: “a semente é a Palavra de Deus que é lançada nos nossos corações”.

“Queridos jovens, isso significa que o verdadeiro Campus Fidei é o coração de cada um de vocês, é a vida de vocês. E é na vida de vocês que Jesus pede para entrar com a sua Palavra, com a sua presença. Por favor, deixem que Cristo e a sua Palavra entrem na vida de vocês, e nela possam germinar e crescer”, pediu o Santo Padre.

Na segunda imagem, “do campo como treinamento”. O Papa destacou que Jesus pede que “joguemos no seu time”, que sejamos seus discípulos. E recordando que aqui no Brasil o futebol é uma paixão nacional, o Santo Padre refletiu: “o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do Senhor”.

Os atletas assim procedem para conseguirem uma coroa, corruptível, explicou o Pontífice, e acrescentou: “quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!” (1Co 9, 25). Para alcançá-la, Jesus nos pede que “treinemos para estar em forma”, através da oração – diálogo com Ele -, dos sacramentos e do amor fraterno.

E sobre o “campo como canteiro de obras”, o Pontífice afirmou que “quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando se ‘sua’ a camisa procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho (…) tornamo-nos construtores da Igreja”.

Destacando a “Igreja” construída no palco, o Papa Francisco disse que, “na Igreja de Jesus nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; e não como uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos!”

“Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus! Digamos juntos: Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo!”.

Papa Francisco concluiu pedindo aos jovens que não se esqueçam de que eles são o “campo da fé!”, os “atletas de Cristo”. “Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor”.

Navegar é preciso, mas para onde?

A missão dos leigos como contrutores da sociedade nova  

Não parece, mas o Concílio Vaticano II chegou ao seu jubileu áureo. Nunca a Igreja pôde acompanhar, com tantos detalhes, a evolução interna dos padres conciliares nem a recepção, às vezes tumultuada, de seus ensinamentos no meio do povo. Muitas de suas riquezas estão como e-mails ainda não acessados. Sem menosprezar os demais pontos altos do magno conclave, eu diria que há duas verdades, pouco ou nada abordadas, em Concílios anteriores: o verdadeiro rosto da diocese, ou Igreja local, e o papel dos leigos nos tempos atuais. Hoje, pretendo entrar um pouco neste segundo ponto, sobre o qual deliberaram os bispos da Santa Igreja, juntamente com seus assessores teológicos.

Antes de comentar o grande plano do Reino de Deus, permitam-me contar uma curtíssima “parábola”. Para haver uma boa construção deve existir um arquiteto, pelo menos um bom pedreiro e um servente de pedreiro. Na grande construção do Reino, o arquiteto é o Espírito Divino obviamente. O pedreiro é o leigo, para surpresa nossa, um novo sujeito eclesial. E o servente de pedreiro é aquele que distribui os sacramentos, o pão da Palavra e os serve à comunidade. Este é o sacerdote. Por que o Leigo é o construtor da sociedade nova? Porque ele está dentro do mundo econômico, nas vivências da saúde e da educação, na distribuição da justiça. Esse lugar é dele e não do clero primeiramente. Este entra em questão, mas de modo supletivo e na fase da motivação espiritual. Hoje, felizmente, redescobre-se a importância de sair do nosso cercado paroquial para levar a mensagem às pessoas que não estão no nosso aprisco. “Fazei discípulos meus todos os povos” (Mt 28, 19).

Hoje se diz: “A Igreja é missionária, ou não é a Igreja de Cristo”. Nestes novos tempos, “é preciso evangelizar a todos”. Os freges, por invasão recíproca de atribuições, não são poucos, mas com paciência, vamos aprendendo sempre de modo melhor. O que ainda falta é a objetividade. Todos são desafiados a serem missionários e grandes evangelizadores; só não se fala o que deve ser feito. Somos como um grande navio que é desafiado a levantar âncoras, mas parece que todos ignoram para onde navegar.

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj

Obras de misericórdia são o coração da fé

Quinta-feira, 7 de janeiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa falou da necessidade de discernir o espírito que vem ou não de Deus; obras de misericórdia são o coração da fé

O Papa Francisco celebrou nesta quinta-feira, 7, a Missa na Casa Santa Marta, a primeira após a pequena pausa para as celebrações de fim de ano. O Pontífice alertou sobre a necessidade dos fiéis se protegerem da mundanidade e dos espíritos que afastam de Deus.

“Permanecer em Deus”. Papa Francisco desenvolveu sua homilia a partir dessa afirmação de São João Apóstolo na Primeira Leitura. Francisco explicou que um cristão é aquele que permanece em Deus, que tem o Espírito Santo e se deixa guiar por Ele.

Ao mesmo tempo, o apóstolo adverte sobre prestar fé a todo espírito; é preciso colocar à prova os espíritos para saber se realmente são de Deus. Francisco explicou que isso significa ver o que acontece no coração, analisar qual é a raiz daquilo que se sente. O discernimento está no reconhecimento da encarnação de Jesus, conforme indica o apóstolo João: “Todo espírito que reconhece Jesus Cristo vindo na carne é de Deus e todo espírito que não reconhece Jesus não é de Deus”.

“O critério é a Encarnação. Eu posso sentir tantas coisas por dentro, também coisas boas, ideias boas. Mas se estas ideias boas, estes sentimentos, não me levam a Deus que se fez carne, não me levam ao próximo, ao irmão, não são de Deus”, disse.

As obras de misericórdia

O Santo Padre disse ainda que as pessoas podem fazer planos pastorais e pensar em novos métodos para se aproximar dos outros, mas se não fazem o caminho de Deus vindo em carne, não estão no caminho do bom espírito, e sim naquele do anticristo.

“Quanta gente encontramos na vida que parece espiritual: ‘Mas, que pessoa espiritual essa! Mas não fala de obras de misericórdia. Por que? Porque as obras de misericórdia são justamente o concreto da nossa confissão de que o Filho de Deus se fez carne: visitar os doentes, dar de comer a quem não tem comida, cuidar dos descartados… Obras de misericórdia: por que? Porque cada irmão nosso, que devemos amar, é carne de Cristo. Deus se fez carne para identificar-se conosco. Aquele que sofre é Cristo que sofre”.

Espírito que vem de Deus – serviço aos outros

“Não professem fé a todo espírito, sejam atentos!”, enfatizou o Papa, explicando que o serviço ao próximo precisa também de um conselho; estes são os sinais de que a pessoa está no caminho do bom espírito, ou seja, no caminho do Verbo de Deus que se fez carne.

“Peçamos ao Senhor, hoje, a graça de conhecer bem o que acontece em nosso coração, aquilo que gostamos de fazer, o que nos toca mais: se é o espírito de Deus, que me conduz ao serviço aos outros, ou o espírito do mundo, que gira ao meu redor, dos meus fechamentos, dos meus egoísmos e de tantas outras coisas… Peçamos a graça de conhecer o que acontece em meu coração”.

O lugar do cristão

Não existem portas fechadas que não possam ser superadas

O Cristianismo se espalhou a partir de um grupo de discípulos escolhidos por Jesus, cuja missão desafiadora era desproporcional às suas capacidades humanas. O ambiente judaico da época e o poder romano, que dominava o quadro cultural em que se encontravam, não lhes eram propícios para divulgarem a Boa Nova do Evangelho. No entanto, pessoas limitadas se puseram a falar de Jesus Cristo e a proclamar que Ele está vivo. A perseguição desencadeada nos anos que se sucederam provocou a chamada “diáspora”, dispersão que se revelou providencial, pois fez com que o Evangelho chegasse a rincões mais distantes. Até hoje, cada situação adversa é oportunidade – Kairós – aproveitado por Deus, para novas oportunidades para testemunhar o nome de Cristo. O resultado aí está, com a presença da Igreja em toda parte, malgrado todas as dificuldades encontradas no correr dos séculos.

Já nos primeiros séculos, escritores cristãos deixaram o testemunho do caminho seguido para o crescimento da Igreja: “Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, os apóstolos começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judéia, onde fundaram Igrejas; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos. Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos apóstolos.

Apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não formam senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e que é origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental” (Do Tratado sobre a prescrição dos hereges, de Tertuliano, presbítero, capítulo 20 – Século III). A “certidão de nascimento” de uma comunidade cristã é dada pelo laço da sucessão apostólica, que a liga aos primórdios da fé cristã.

Nosso tempo é de pluralismo, por isso exige testemunho mais qualificado dos cristãos. A Igreja pede, em sua oração, que no tempo da renovação da festa pascal, quando o Senhor reacende a fé em Seu povo, estes compreendam melhor o batismo que os lavou, o Espírito que lhes deu nova vida e o Sangue que os redimiu (Cf. Oração do dia do Segundo Domingo da Páscoa). É que não lhes é lícito esmorecer diante de qualquer situação. Antes, cabe-lhes exercitar a criatividade suscitada pelo Espírito Santo a fim de fermentarem de novo e sempre os ambientes em que se encontram.

Após a Ressurreição, o Senhor Jesus Cristo apareceu aos Apóstolos (cf. Jo 20,19-31), estando “as portas fechadas”. Comunicou-lhes Sua paz, confirmou-lhes a fé, fazendo-os superar o medo das chagas – agora gloriosas! – entregou-lhes a missão de serem portadores da misericórdia infinita com que quer restaurar a vida dos homens e mulheres de todos os tempos com o sacramento do perdão. Enfim, deu-lhes “instrumentos de trabalho”. Dali para frente, as mudas da fé foram plantadas em toda parte e não existem portas fechadas que não possam ser superadas. Não é necessário nem conveniente ou permitido usar as armas da violência, do engodo ou da mentira. Basta anunciar Jesus Cristo, pois só Ele pode converter os corações.

Formaram-se as primeiras comunidades cristãs (Cf. At 2, 42-47; At 4, 32-35; At 5,12-16), como relatam os Atos dos Apóstolos. Perseverança na escuta da Palavra de Deus, na Oração, na Eucaristia e na Partilha dos bens. E em toda a sua história, a Igreja constatou que os bens, quando partilhados, se multiplicam. É a lógica de Deus, diferente do que o senso comum possa oferecer! Todas as gerações de cristãos se descobriram chamadas à fraternidade, lenir as chagas e suscitar obras com as quais os mais frágeis da sociedade são por eles acolhidos e promovidos. Venha à luz, de forma especial, o que os cristãos fazem, ao lado de outras forças da sociedade, para defender a vida do nascituro, ou a Pastoral da Criança, as grandes obras de acolhimento às pessoas com necessidades especiais ou as instituições que cuidam da saúde dos mais pobres.

E em tempos como o nosso, em que o valor da vida é vilipendiado e a verdade relativizada, continua verdadeira a afirmação do Apóstolo São João: “A vitória que vence o mundo é a nossa fé” (I Jo 5,4). Vitória para o cristão não é a destruição do adversário! É que, amado, este se transforma! Os valores pelos quais lutam os cristãos são o que existe de melhor para a humanidade! Não a destroem ou impedem a felicidade. Eles são chamados a ser diferentes, mas para melhor, no rumo de realização plena para todos, sem exceção.

Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo de Belém – PA

 

Maria, exemplo de fidelidade e obediência a Deus

São João Paulo II, no ano de 1997, reflete sobre a figura da Virgem Santíssima em três catequeses: “Maria, singular cooperadora da Redenção”, “Mulher, eis aí o teu Filho” e “Eis aí a tua Mãe!”.

A Virgem Maria, que é a primeira redimida por Cristo na sua Imaculada Conceição, torna-se capaz de uma singular contribuição na obra da salvação.

As catequeses: “Mulher, eis aí o teu Filho” e “Eis aí a tua Mãe!” são iniciadas com os versículos nos quais Jesus se dirige a Maria e ao discípulo amado: “Ao ver Sua Mãe e junto dela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua Mãe: ‘Mulher, eis aí o teu Filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua Mãe” (Jo 19, 26-27). Essas palavras revelam profundos sentimentos de Cristo e são de grande riqueza de significados para a fé e a espiritualidade cristãs.

Segundo o saudoso Santo Padre, a intenção primeira de Jesus não era de confiar sua Mãe a João, mas de entregar o discípulo a Maria, atribuindo a ela uma nova missão. O fato de o Senhor chamar Maria de “Mulher”, termo usado por Ele também nas “Bodas de Caná” (cf. Jo 2, 1-11), é para destacar uma nova dimensão do seu ser Mãe, colocando-a num plano mais elevado. Em Maria, a figura da mulher é reabilitada e a maternidade assume a tarefa de difundir entre os homens a vida nova em Cristo.

Além do assentimento de Nossa Senhora ao sacrifício do Filho, no Calvário se revela o desígnio divino de estender à humanidade inteira a maternidade da Mãe de Jesus. Dessa forma, a Virgem Santíssima é constituída Mãe de todos os cristãos.

O Papa afirma que as palavras “Eis aí a tua Mãe!” mostram a intenção de Jesus de despertar nos discípulos uma atitude de amor e confiança para com Maria, assumindo-a como Mãe. Pois, na escola de Maria os discípulos aprendem a ter uma íntima e perseverante relação de amor com Jesus.

Dessa forma, descobrimos também a alegria de nos confiarmos ao amor materno da Mãe, vivendo como filhos afetuosos e dóceis. Maria é um caminho que leva a Cristo, por isso, a devoção a ela não nos tira a intimidade com Ele, mas sim a leva a altos graus de perfeição.

Portanto, Maria é a Mãe amorosa de Cristo, que nos foi dada por Ele no ápice de sua doação pela humanidade. Jesus nos entregou tudo. Depois de nos revelar o amor do Pai, pelo Espírito Santo, ofereceu a vida em sacrifício por cada um de nós. Na cruz, não obstante a generosa entrega de si mesmo, Cristo entregou-nos também a própria Mãe.

Em resposta à vontade de Nosso Senhor Jesus na cruz, cada um de nós é chamado a entregar-se com confiança ao amor materno de Nossa Senhora. Como o discípulo amado, somos chamados a acolhê-la em nossa casa, em nossa vida, reconhecendo o seu papel de cooperadora da redenção.

Natalino Ueda
Missionário da Comunidade Canção Nova

Como lido com as opiniões a meu respeito?

A habilidade de conhecer-se é importante

Quando você ouve as pessoas falarem sobre você, qual sua primeira reação? Quais os sentimentos que surgem em você quando recebe uma crítica, por exemplo?

Ao falar sobre autoestima positiva, ressaltamos como é importante reconhecer em nós nossas qualidades e pontos fracos, saber bem quem somos para que, ao ouvir um comentário a nosso respeito, possamos, de fato, amadurecer sobre as situações ocorridas.

Ao ouvir uma crítica a nosso respeito, vale muito a pena pensar: “O que está envolvido naquela crítica?”, “Existe alguma verdade naquilo?”. Claro que existem pessoas que são especialistas em apenas criticar e, muitas vezes, não estão bem consigo, então disparam comentários a todo momento.

Se falam de mim, posso pensar: “Existe algum aprendizado nisso?”. Falo isso especialmente quando um comentário nos irrita, quando nos tira a paz. Certamente, você já viveu essa situação. Por isso a habilidade de conhecer-se é tão importante. Quanto mais entendemos nossas reações, melhor podemos lidar com elas quando passamos por esta situação.

Muitas vezes, em nossa vida somos criticados desde pequenos. Quando isso ocorre, já temos uma certa sensibilidade ou ainda nos tornamos muito inseguros; qualquer coisa que se diga a nosso respeito, já é motivo para um mal estar e até mesmo uma dificuldade de questionar os motivos daquela crítica.

A força do diálogo e a coragem de perguntar nos aproxima do outro e, com isso, propicia uma melhor compreensão das situações que para nós são motivos de insegurança. Imagina se você se sente mal com algo em sua aparência, no modo de falar ou de cuidar dos filhos, por exemplo, e você é alertado por alguém que conheça? Poxa, isso pode lhe dar uma imensa dor de cabeça e preocupação!

Por um momento, deixe o sentimento de lado e observe o conteúdo do que lhe foi dito; a partir daí, entender os motivos será um pouco mais fácil.

Ao formar os filhos é também um ato de amor e cuidado ensiná-los a enfrentar as diferenças, lidar com os amigos e com aqueles que podem não gostar deles, e claro, com as críticas. Às vezes, como pais, protege-se tanto o filho que não se admite que sejam apontados, comentados, enfim, evita-se, isola-se, estimula-se a competição e não se prepara a criança para lidar com o mundo real.

Quando nos abrimos a ouvir o que o outro fala a nosso respeito, ganhamos a oportunidade de estarmos olhando para nossa vida, excluindo os fatos irreais, mas tendo a grande chance de fazer diferente.

Elaine Ribeiro
[email protected]

O decálogo para sermos felizes

Em entrevista a uma revista argentina, o Papa Francisco nos propõe 10 idéias como fórmula da felicidade

Viver e deixar os outros viverem. Compartilhar o domingo em família e brincar com as crianças. Esquecer o negativo e doar-se aos outros. Estes são alguns dos conselhos que o papa Francisco nos dá em seu “decálogo” para sermos felizes, publicado pelo repórter Pablo Calvo em sua entrevista ao pontífice para a revista argentina “Viva”. “Qual é a fórmula da felicidade?”, pergunta o jornalista, que depois conta aos leitores: “O papa não foge da pergunta e, nesta resposta pontual e durante o resto da conversa, ensaia uma receita para sermos felizes. Seguem 10 elementos dessa poção que parece inalcançável, mas que Francisco nos convida a tentar”, apresenta Pablo Calvo.

1. Viva e deixe viver: “Os romanos têm um ditado que poderíamos tomar como ponto de partida: ‘Vá em frente e deixe os outros irem em frente’. Viva e deixe viver, é o primeiro passo da paz e da felicidade”.

2. Doar-se aos outros: “Se você estancar, vai correr o risco de ser egoísta. E a água estancada fica logo estragada”.

3. Mover-se “remansadamente”: “Em ‘Dom Segundo Sombra’ há uma coisa muito bonita, de alguém que relê a sua vida. O protagonista. Diz que, quando era jovem, era um arroio pedregoso que arrastava tudo pela frente; quando adulto, era um rio que corria em frente; e na velhice ele se sentia em movimento, mas lentamente, ‘remansado’. Eu utilizaria esta imagem do poeta e novelista Ricardo Güiraldes, esse último adjetivo, ‘remansado’. A capacidade de mover-se com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os idosos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não cuida dos seus idosos não tem futuro”.

4. Brincar com as crianças: “O consumismo nos levou a essa ansiedade de perder a cultura sadia do ócio, de ler, de desfrutar da arte. Agora eu atendo pouco em confissão, mas, em Buenos Aires, eu ouvia muitas confissões e quando vinha uma jovem mãe eu perguntava: ‘Quantos filhos você tem? Você brinca com eles?’. E era uma pergunta que elas não esperavam, mas eu dizia que brincar com as crianças é fundamental, é uma cultura sadia. É difícil, os pais vão trabalhar cedo e voltam muitas vezes quando os filhos já estão dormindo. É difícil, mas eles têm que brincar”.

5. Compartilhar os domingos com a família: “Outro dia, em Campobasso, fui a uma reunião entre o mundo da universidade e o mundo operário. Todos pediam o domingo livre. O domingo é para a família”.

6. Ajudar os jovens a conseguir emprego: “Temos que ser criativos com essa faixa etária. Se faltam oportunidades, eles caem na droga. E está muito alto o índice de suicídios entre os jovens sem trabalho. Outro dia eu li, mas não confio porque não é um dado científico, que havia 75 milhões de jovens de até 25 anos desempregados. Não basta dar comida para eles: tem que inventar cursos de um ano de encanador, eletricista, costureiro. É a dignidade que dá o pão para casa”.

7. Cuidar da natureza: “Temos que cuidar da criação e não estamos fazendo isso. É um dos maiores desafios que nós temos”.

8. Esquecer rápido o que é negativo: “A necessidade de falar mal do outro indica uma baixa autoestima: eu me sinto tão abaixo que, em vez de subir, rebaixo o outro. Esquecer rápido o que é negativo é sadio”.

9. Respeitar quem pensa diferente: “Podemos instigar o outro com o testemunho, para que os dois progridam nessa comunicação, mas o pior que pode acontecer é o proselitismo religioso, que paralisa: ‘Eu dialogo contigo para te convencer’. Não. Cada um dialoga a partir da sua identidade. A Igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10. Procurar ativamente a paz: “Estamos vivendo uma época de muita guerra. Na África parecem guerras tribais, mas são mais do que isso. A guerra destrói. E o clamor pela paz tem que ser gritado. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa”.

Beata Chiara Luce

“Se é assim que queres Jesus, também eu quero”.

“Eu já não posso correr, mas gostaria de vos passar a chama, como nas Olimpíadas“.

“Serei santa, se for santa já”.

“Temos uma única vida, e vale a pena vivê-la bem!”

“Descobri que Jesus Abandonado é a chave da unidade com Deus e quero escolhê-lo como meu primeiro esposo e preparar-me para quando Ele vier”.

“Acho que, mais do que sentir medo, o importante é amar”.

Sua História

Chiara Badano nasceu em Sassello, cidade dos Apeninos lígures, que pertence à diocese de Acqui, no dia 29 de outubro de 1971, depois que os pais a aguardaram por 11 anos. O seu nome é Chiara (Clara, em português). Ela é mesmo assim, com seus olhos límpidos e grandes, com o sorriso doce e comunicativo, inteligente e determinado, vivaz, alegre e esportiva, foi educada pela mãe – com as parábolas do Evangelho – a conversar com Jesus e a lhe dizer «sempre sim».

Era sadia, gostava da natureza e de brincar, mas desde pequena se distinguia pelo amor que tinha pelos «últimos», a quem cobria de atenções e de serviços, muitas vezes renunciando a momentos de divertimento. Já no Jardim de Infância colocava as suas economias numa pequena caixa para as «crianças de cor»; e sonhava em poder um dia ir à África como médica para cuidar delas.

Foi uma menina normal, mas com algo mais. Era dócil à graça e ao projeto que Deus tinha para ela que aos poucos foi se revelando. No dia da sua primeira Comunhão recebeu de presente o livro dos Evangelhos. Foi para ela um «magnífico livro» e «uma extraordinária mensagem»; como afirmou: «Para mim, é fácil aprender o alfabeto, deve ser a mesma coisa viver o Evangelho!».

Aos 9 anos entrou como Gen (geração nova) no Movimento dos Focolares. Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu os pais. Desde então a sua vida foi uma subida, tentando «colocar Deus em primeiro lugar».

Prosseguiu os estudos até o Liceu clássico, e ofereceu a Jesus as suas dificuldades e sofrimentos. Mas aos 17 anos, de repente uma dor aguda no ombro esquerdo revelou nos exames e nas inúteis operações um osteossarcoma, que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente. Depois que ouviu diagnóstico, Chiara não chorou nem se revoltou: ficou imóvel em silêncio e depois de 25 minutos saiu dos seus lábios o sim à vontade de Deus. Repetirá muitas vezes: «Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também». Não perdeu o seu sorriso luminoso; enfrentou tratamentos dolorosos e arrastava no mesmo Amor quem dela se aproximava. Ela não aceitou receber morfina para não perder a lucidez e oferecia tudo pela Igreja, pelos jovens, os ateus, pelo Movimento, pelas missões…, permanecendo serena e forte.

Repetia: «Não tenho mais nada, contudo tenho o meu coração e com ele posso sempre amar». O seu quarto, no hospital em Turim e em casa, era um lugar de encontro, de apostolado, de unidade: era a sua igreja. Também os médicos, até mesmo aqueles não praticantes, ficavam desconsertados com a paz que se sentia ao seu redor e alguns se reaproximaram de Deus. Se sentiam “atraídos como por um ímã” e ainda hoje se recordam dela, falam sobre ela e a invocam.

Quando sua mãe lhe perguntou se ela sofria muito, respondeu: «Jesus tira de mim as manchas dos pontinhos pretos com a água sanitária e isso queima. Quando eu chegar ao Paraíso serei branca como a neve». Estava convencida do Amor de Deus por ela. De fato, afirmava: «Deus me ama imensamente» e, depois de uma noite particularmente dura, acrescentou: «Sofria muito, mas a minha alma cantava…».

Os amigos que a visitavam para consolá-la, voltavam para casa consolados. Pouco antes de partir para o Céu, ela revelou: «…Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus… Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus».

Chiara, pela insistência de muitos, num bilhetinho, escreveu a Nossa Senhora: «Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!» e permanecerá fiel a este propósito.

Desde muito jovem fez o propósito de não «doar Jesus aos amigos com as palavras, mas com o comportamento». Tudo isso nem sempre é fácil; de fato, repetirá algumas vezes: «Como é duro ir contra a corrente!». E para conseguir superar cada obstáculo, repetia: «É por ti,Jesus!». Para viver bem o cristianismo, Chiara procurava participar da missa todos os dias, quando recebia Jesus que tanto amava. Lia a palavra de Deus e a meditava. Muitas vezes refletia sobre a frase de Chiara Lubich: “Serei santa, se for santa já”.

Quando viu sua mãe preocupada, pois ficaria sem ela, Chiara continuou a repetir: «Confie em Deus, pois você fez tudo»; e «Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente».

Acolhia com amabilidade quem vai visitá-la; escutava e oferecia o próprio sofrimento, porque dizia: «Eu tenho mesmo a matéria!». Nos últimos encontros com o seu Bispo, manifestou um grande amor pela Igreja. Enquanto isso o mal avançava e as dores aumentavam. Nenhum lamento; dos lábios: «Com você, Jesus, por você, Jesus!».

Chiara se preparou para o encontro: «É o Esposo que vem me encontrar», e escolhe o vestido de noiva, as canções e as orações para a “sua” Missa; o rito deverá ser uma «festa», onde «ninguém deverá chorar».

Recebendo pela última vez Jesus Eucaristia aparece imersa nele e suplica que seja recitada a «oração: Vinde Espírito Santo, mandai do Céu um raio da tua luz».

O nome “LUCE” (LUZ) lhe foi dado por Chiara Lubich, com quem teve um intenso e filial relacionamento epistolar desde pequenina.

Não teve medo de morrer. Disse à sua mãe: «Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele ainda por um pouco a cruz». Um pensamento especial aos jovens: «…Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!».

E o «Esposo» veio buscá-la no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. ERA o dia da Virgem do Rosário. Estas foram suas últimas palavras: «Mãezinha, seja feliz, porque eu o sou. Adeus». Ela também fez a doação das suas córneas. O enterro foi celebrado pelo Bispo de então e dele participaram centenas de jovens e muitos sacerdotes. Os membros do Gen Rosso e do Gen Verde tocaram as canções escolhidas por ela.

O exemplo luminoso de Chiara atinge muitos corações de jovens e adultos, os move e os orienta a Deus.

A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo; muitos os “frutos”. Dom Livio Maritano,Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais. No dia 19 de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI reconhece o milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação. Foi beatificada no dia 25 de setembro de 2010.

A virgindade sempre se dá bem no casamento

Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum

Padre Angelo del Favero *

1Cor 7, 32-35: “Irmãos, eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido. Da mesma forma, a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido. Digo-vos isto em vosso próprio interesse, não para vos armar cilada, mas para que façais o que é digno e possais permanecer junto ao Senhor sem distração.”

Mc 1, 21-28: “Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foram à sinagoga. E ali ele ensinava. Estavam espantados com o seu ensinamento, pois ele os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Na ocasião, estava na sinagoga deles um homem possuído de um espírito impuro, que gritava, dizendo, “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus”. Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando grande grito, deixou-o. Todos então se admiraram, perguntando uns aos outros: “Que é isto? Um novo ensinamento com autoridade! Até mesmo aos espíritos impuros dá ordens, e eles lhe obedecem!” Imediatamente a sua fama se espalhou por todo lugar, em toda a redondeza da Galiléia”.
Na sua “Introdução à vida devota,” São Francisco de Sales, doutor da Igreja (1567-1623), diz que colocar em prática o Evangelho (o que entendemos por “devoção”) é possível e necessário em todas as esferas da vida do batizado, sem exceção: “É um erro, ainda mais, uma heresia, pretender excluir o exercício da devoção do ambiente militar, da oficina dos artesãos, da corte dos príncipes, das casas das pessoas casadas.”

O santo Bispo de Genebra, depois de ter exemplificado alguns estados particulares de vida que corresponde a um modo próprio e legítimo de seguir ao Senhor, conclui: “a devoção não destrói nada quando é sincera, mas antes aperfeiçoa tudo e, quando incompatível com os compromissos de alguém, é definitivamente falsa”.

A mensagem é clara: em todas as condições humanas pode-se e deve-se testemunhar Jesus Cristo.

Estas palavras nos ajudam a entender a segunda leitura.

Paulo, respondendo às perguntas do Corintios, havia declarado abertamente uma preferência pela virgindade mais do que pelo casamento: “Estás livre de mulher? Não vá buscá-la” (1Cor 7, 27). Ele começou a falar dos dois estados de vida com uma declaração surpreendente, e que certamente não deve ser tomada literalmente: “É bom para o homem não tocar em mulher” (1Cor 7, 1).

O apóstolo aqui assume a questão de se é ou não é lícito a um cristão ter relações sexuais (“tocar uma mulher”), ou seja, é preferível para Deus: se casar ou não se casar? Ele já descartou categoricamente a “porneia” (relações pré-matrimoniais), e agora compara a condição das pessoas casadas com aquela das pessoas virgens.

A afirmação: “Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido” (1Cor 7, 32-34), não tem a intenção de mortificar o estado conjugal em comparação com a virgindade consagrada.

Para Paulo, todos os crentes, homens e mulheres, casados ou não, devem se comprometer a viver o próprio estado de vida como um dom universal de santidade, em Cristo.

Claro, aos esposos não faltará as suas específicas “preocupações”, com algum esforço para viver em plenitude o relacionamento com o Senhor; mas as relações sexuais são legítimas e santificadoras, desde que nenhum dos cônjuges faça delas um uso egoísta.

Neste sentido, a preocupação fundamental dos cônjuges não deve ser aquela de “sim/não” à relação sexual, mas do “sim” à verdade desta diante de Deus

E a verdade do relacionamento conjugal é esta: Deus quer que os dois sejam “uma só carne” (Mt 19, 4-6), e que o sejam de modo “virginal”, isto é, com pureza de coração e com pureza de amor.

Puro é o coração que no dom de si deseja em primeiro lugar, a felicidade do outro, sem instrumentalizar a relação sexual para o próprio prazer; puro é o amor, doado e recebido, que reconhece em Deus a sua Fonte e obedece cada dia a sua vontade e verdade.

É “o espírito dos cônjuges que não deve nunca ficar “impuro”, sugere Paulo, sabendo bem que a concupiscência da carne, mesmo no casamento, é um pecado grave e tentação do diabo, porque contradiz radicalmente o significado esponsal inscrito pelo Criador no corpo.

Voltando agora ao Evangelho, compreendemos que o egoísmo sexual conjugal, mesmo se partilhado, é para o matrimônio uma ruína essencialmente “diabólica” (“diabo” é o outro nome de Satanás, que ‘divide’), causa de profunda e dolorosa separação da alma do marido da alma da esposa, até mesmo na união dos seus corpos.

Em conclusão, sirvo-me aqui ainda de São Francisco de Sales: seja a devoção daqueles que não são casados, seja daqueles que são casados, são verdadeiras e justas diante de Deus, ainda que, nos dois diferentes estados de vida, igualmente chamados à santidade, cada um, também “nas coisas do mundo” antes de mais nada se preocupe “das coisas do Senhor” (1Cor 7, 32-33), ou seja, é o mesmo que dizer: buscar estar fazendo a Vontade de Deus em todas as suas ações.

——–

* Padre Angelo del Favero, cardiólogo, em 1978 co-fundou um dos primeiros centros de apoio à vida perto da Catedral de Trento. Tornou-se um carmelita em 1987. Foi ordenado sacerdote em 1991 e foi conselheiro espiritual no santuário de Tombetta, perto de Verona, Itália. Atualmente dedica-se à espiritualidade da vida no convento carmelita de Bolzano, na paróquia de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
[Tradução Thácio Siqueira]

Amar Cristo sem a Igreja é dicotomia absurda

Homilia, quinta-feira, 30 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre destacou três pilares essenciais para o sentido de pertença à Igreja

“Não se entende um cristão sem a Igreja”. Este foi o aspecto enfatizado pelo Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30, na Casa Santa Marta. O Pontífice indicou três pilares do sentido de pertença eclesial: a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja.

A homilia do Papa partiu da figura do rei Davi, apresentada nas leituras do dia. Trata-se de um homem, explicou o Papa, que fala com o Senhor como um filho fala com o pai, e que tinha um sentimento forte de pertença ao povo de Deus. Isso leva o homem a refletir, hoje, sobre o sentido de sua pertença à Igreja.

“O cristão não é um batizado que recebe o batismo e, depois, segue adiante pelo seu caminho. O primeiro fruto do batismo é fazer-se pertencente à Igreja, ao povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E, por isso, o grande Paulo VI dizia que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem amar a Igreja; escutar Deus, mas não a Igreja; estar com Cristo à margem da Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda”.

O sentido eclesial dessa pertença, segundo Francisco, está justamente no sentir, pensar e querer dentro da Igreja. O primeiro passo para isso é a humildade, reconhecendo a pequenez humana diante da grandeza de Deus. “A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que segue na estrada do Senhor”.

O segundo aspecto destacado pelo Santo Padre é a fidelidade, que está ligada à obediência. Trata-se de ser fiel aos ensinamentos da Igreja, ao Credo, à Doutrina. Ele recordou o que dizia Paulo VI sobre a transmissão da mensagem do Evangelho: esta é recebida como um dom e deve ser transmitida como tal, o que requer fidelidade.

E como terceiro pilar, Francisco falou da necessidade de rezar pela Igreja. “Rezar por toda a Igreja, em todas as partes do mundo. Que o Senhor nos ajude a seguir por essa estrada para aprofundar a nossa pertença à Igreja e o nosso sentir com ela”.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda