Pensamentos Seletos

São João XXIII

03/6/2013
Papa Francisco

“Exatamente 50 anos atrás, nesta mesma hora, São João XXIII deixava este mundo. Quem, como eu, tem uma certa idade, mantém uma recordação viva da comoção que se espalhou por toda parte naqueles dias. A Praça São Pedro tornou-se um santuário a céu aberto, acolhendo dia e noite os fiéis de todas as idades e condições sociais, apreensivos e em oração pela saúde do Papa”.

“O mundo inteiro tinha reconhecido no Papa João um pastor e pai. Como ele conseguiu atingir o coração de pessoas tão diferentes, até mesmo de muitos não-cristãos? Para responder a essa pergunta, podemos nos referir ao seu lema episcopal, Oboedientia et pax (obediência e paz). Essas palavras, anotou o Arcebispo Roncalli no Diário da Alma, na véspera de sua ordenação episcopal, são um pouco a minha história e a minha vida”.

“Angelo Roncalli era um homem capaz de transmitir a paz, uma paz natural, serena e cordial. Uma paz que com sua eleição ao pontificado manifestou-se ao mundo inteiro e recebeu o nome da bondade. Esta foi, sem dúvida, uma característica de sua personalidade, que lhe permitiu construir amizades sólidas em todos os lugares e que se destacou de maneira particular em seu ministério como representante do Papa, desempenhado por quase três décadas, muitas vezes em contato com ambientes e mundos distantes do universo católico em que ele nasceu e se formou”.

“Naqueles ambientes, ele se demonstrou um tecelão eficaz de relações e um válido promotor de unidade, dentro e fora da comunidade eclesial, aberto ao diálogo com os cristãos de outras Igrejas, com expoentes do mundo judeu e muçulmano e com muitos outros homens de boa vontade. Na verdade, o Papa João transmitia paz, porque tinha um coração profundamente pacificado, fruto de um longo e árduo trabalho sobre si mesmo, trabalho que deixou traços abundantes no Diário da Alma”.

“Nele podemos ver o seminarista, o sacerdote, o bispo Roncalli lutando com o caminho de purificação progressiva do coração. Vemo-lo, todos os dias, atento a reconhecer e mortificar os desejos provenientes de seu próprio egoísmo, a discernir a inspiração do Senhor, deixando-se guiar por sábios diretores espirituais e se inspirar por mestres como São Francisco de Sales e São Carlos Borromeo. Lendo seus escritos, vemos realmente tomar forma uma alma sob a ação do Espírito Santo que trabalha em sua Igreja”.

“Se a paz foi a característica exterior, a obediência foi para Roncalli a disposição interior. A obediência, na realidade, foi o instrumento para alcançar a paz. Em primeiro lugar, ela teve um sentido muito simples e concreto: desempenhar na Igreja o serviço que os superiores lhe pediam, sem buscar nada para si, sem fugir de tudo o que lhe era pedido, mesmo quando isso significou deixar sua terra, confrontar-se com mundos desconhecidos, permanecer por longos anos em lugares onde a presença de católicos era muito escassa”.

“Este deixar-se conduzir como uma criança construiu o seu percurso sacerdotal como secretário de Dom Radini Tedeschi, como professor e padre espiritual no seminário diocesano, como representante pontifício na Bulgária, Turquia, Grécia e França, como Pastor da Igreja em Veneza e, enfim, como Bispo de Roma. Através desta obediência, o sacerdote e bispo Roncalli também viveu uma fidelidade mais profunda que podemos definir, abandono à Providência Divina. Ele reconheceu constantemente na fé, que através desse caminho de vida, aparentemente, guiado por outros, não conduzido por seus gostos ou baseado na própria sensibilidade espiritual, Deus estava desenhando um de seus projetos”.

“Ainda mais profundamente, mediante este abandono cotidiano à vontade de Deus, o futuro Papa João viveu uma purificação que lhe permitiu se distanciar completamente de si mesmo e aderir a Cristo, deixando emergir a santidade que a Igreja depois oficialmente reconheceu. ‘Quem perder a sua vida por mim, a salvará’, nos diz Jesus. Esta é a verdadeira fonte da bondade do Papa João, da paz que difundiu no mundo. Aí está a raiz de sua santidade: nesta sua obediência evangélica”.

“Este é um ensinamento para cada um de nós e para a Igreja do nosso tempo: se nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo, se soubermos mortificar o nosso egoísmo para dar espaço ao amor do Senhor e sua vontade, encontraremos a paz, seremos construtores de paz e difundiremos a paz ao nosso redor. Cinquenta anos após sua morte, a sábia e paterna orientação do Papa João XXIII, o seu amor pela tradição da Igreja e consciência da necessidade constante de renovação, a intuição profética da convocação do Concílio Vaticano II e a oferta de sua vida por sua bondade vivida, permanecem como marcos na história da Igreja do século XX e como um farol de luz para o caminho que nos espera”.

“Mantenha seu espírito, aprofunda o estudo de sua vida e seus escritos, mas sobretudo imite a sua santidade. Do céu, ele continue acompanhando com amor a sua Igreja, que tanto amou na vida, e obtenha para ela, do Senhor, o dom de numerosos e santos sacerdotes, de vocações para a vida religiosa e missionária, bem como também para a vida familiar e o compromisso dos leigos na Igreja e no mundo”. (MJ)

Fonte: Rádio Vaticano

Conselhos para matrimônios felizes e duradouros

ROMA, 21 Nov. 13 (ACI/EWTN Noticias) .- A perita em filosofia Gabriella Gambino escreveu nesta semana um artigo na seção “Mulher”, do Pontifício Conselho para os Leigos, oferecendo conselhos para ajudar os casais a conseguirem um casamento bem-sucedido. No texto, que leva como título “O poder da fidelidade conjugal”, Gambino assinala que a chave está em ter como base do matrimônio a fidelidade baseada em Deus, quer dizer “o amor é estável e fiel porque é sustentado pelo amor de Deus”, afirma.

“Não é casualidade, como recordou recentemente também o Papa Francisco na Lumen fidei, que na Bíblia a fidelidade de Deus é indicada com a palavra hebraica ‘emûnah (do verbo ‘amàn), que na sua raiz significa “sustentar”. Se compreende assim por que o efeito da fidelidade é a possibilidade de construir a relação conjugal verdadeiramente sobre a ‘rocha’”, explica.

A fidelidade “é a atitude de coerência e de perseverança na adesão a um valor ideal de amor, de bondade, de justiça; mas também pode ser entendida como o compromisso com o qual uma pessoa se vincula a outra com um vínculo estável e mútuo”, e encontra “sua mais perfeita expressão humana na fidelidade entre cônjuges, através da exclusividade e unicidade da relação amorosa consagrada no matrimônio”, assinala Gambino.

Segundo Gambino, o secularismo da época moderna dá a incapacidade de compreender o “extraordinário poder ‘humanizante’ deste valor, capaz de realizar plenamente as dimensões ética e espiritual da pessoa que, quando é fiel, pode viver de modo coerente verdade e liberdade, verdade e amor”.

Gambino, que ensina filosofia na Universidade de TorVergata de Roma, explica que esta tendência procede da revolução sexual do século passado, que difundiu um questionamento geral dos valores tradicionais do matrimônio produzindo uma fratura radical entre sexualidade e matrimônio, e sentando as bases para uma sexualidade fluída e reduzida à dimensão do prazer, “que priva a relação de amor conjugal da capacidade de ser fiéis à pessoa amada”, lamenta.

Gambino sustenta que entre a paixão e o amor fiel, há alguns passos que o casal deve aprender a dar até chegar a oferecerem-se a si mesmos em uma esfera muito maior, “uma atmosfera em que seu amor recíproco poderá respirar e viver, nutrindo-se da liberdade recíproca e da vontade de ser fiéis a este amor para sempre”, descreve.

“Para compreender mais de perto a estruturação antropológica da dinâmica da fidelidade no amor, é necessário partir da ideia de que a dinâmica afetiva, como processo de enamorar-se de uma pessoa (aprender a amar), passa através de alguns níveis que se entrecruzam em um processo de amadurecimento que exige um compromisso pessoal crescente”. Precisamente “no cônjuge encontra o instrumento para levar juntos o mesmo ‘jugo’, mantendo o mesmo passo, no curso de sua existência”, acrescenta.

Por outro lado, a autora explica que o matrimônio nunca é sinônimo de perder a liberdade, por que –conforme explica-, a liberdade “não é busca do prazer, sem chegar nunca a uma decisão, mas é capacidade de decidir-se por um dom definitivo e exclusivo. Somente quem pode prometer para sempre demonstra ser dono do próprio futuro, tem-no entre suas mãos e o doa à pessoa amada”.

“Compreende-se assim por que o conteúdo da fidelidade é a confiança: confiança no futuro e no outro, a quem se faz o dom de si. Pelo contrário, o que paralisa e escraviza é o temor de comprometer-se: no fundo, priva da liberdade e da capacidade da razão de seguir o coração”, conclui.

O Sacramento do Matrimônio

Conselho aos casais, quarta-feira, 2 de abril de 2014, Jéssica Marçal, com informações da Rádio Vaticano / Da Redação

Francisco destacou que o matrimônio é o ícone do amor de Deus pela humanidade e voltou a recordar três “palavras mágicas” que são a chave do bom casamento

A catequese desta quarta-feira, 2, no Vaticano, foi sobre o matrimônio, encerrando, assim, o ciclo de catequeses sobre os sacramentos.

Francisco destacou que este sacramento conduz o homem ao coração do desígnio de Deus, que é um desejo de aliança e de comunhão. Deus criou o ser humano para amar, como um reflexo d’Ele e de Seu amor.

“Na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimônio, Deus, por assim dizer, se reflete neles: imprime neles os próprios traços e o caráter indelével de seu amor. O matrimônio é o ícone do amor de Deus conosco”.

Da mesma forma, explicou o Santo Padre, Deus é comunhão nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que vivem desde sempre e para sempre em perfeita unidade. Este é justamente o mistério do matrimônio: Deus faz de duas pessoas uma só existência.

O Papa acrescentou que a verdadeira ligação é sempre com Deus, de forma que quando a família reza, quando o esposo reza pela esposa e vice-versa, esta ligação se mantém e se fortalece. Francisco reconheceu que há dificuldades na vida matrimonial e também muitas brigas – “algumas vezes, voam os pratos!” –, mas isso não deve ser motivo de tristeza.

“A condição humana é assim. Mas o segredo é que o amor é mais forte do que quando se briga. Por isso, eu aconselho aos esposos, sempre, para que não terminem o dia em que tiverem brigado sem fazer as pazes. E para fazer as pazes não é preciso chamar as Nações Unidas! É preciso um pequeno gesto, um carinho”.

Novamente, ele recordou as três palavras-chaves para a vida matrimonial: com licença, obrigado e desculpa. “Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e da esposa pelo esposo e com o fazer as pazes sempre, antes que termine o dia, o matrimônio seguirá adiante”.

 

CATEQUESE

Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre os sacramentos falando do matrimônio. Este sacramento nos conduz ao coração do desígnio de Deus, que é um desígnio de aliança com o seu povo, com todos nós, um desígnio de comunhão. No início do Livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no ápice do relato da criação se diz: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e mulher… Por isto o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gen 1, 27; 2, 24). A imagem de Deus é o casal matrimonial: o homem e a mulher; não somente o homem, não somente a mulher, mas todos os dois. Esta é a imagem de Deus: o amor, a aliança de Deus conosco é representada naquela aliança entre o homem e a mulher. E isto é muito belo! Fomos criados para amar, como reflexo de Deus e do seu amor. E na união conjugal, o homem e a mulher realizam esta vocação no sinal da reciprocidade e da comunhão de vida plena e definitiva.

1. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrimônio, Deus, por assim dizer, reflete-se neles, imprime neles seus próprios traços e o caráter indelével do seu amor. O matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós. Também Deus, de fato, é comunhão: as três Pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo vivem desde sempre e para sempre em perfeita unidade. E é justamente esse o mistério do matrimônio: Deus faz dois esposos uma só existência. A Bíblia usa uma expressão forte e diz “uma única carne”, tão íntima é a união entre o homem e a mulher no matrimônio. E é justamente esse o mistério do matrimônio: o amor de Deus que se reflete no casal que decide viver junto. Por isto, o homem deixa a sua casa, a casa dos seus pais e vai viver com sua esposa e se une tão fortemente a ela que os dois se tornam – diz a Bíblia – uma só carne.

Mas vocês, esposos, lembra-se disso? Estão conscientes do grande presente que o Senhor vos deu? O verdadeiro “presente de casamento” é este! Na vossa união há o reflexo da Santíssima Trindade e com a graça de Cristo vocês são um ícone vivo e credível de Deus e do seu amor.

2. São Paulo, na Carta aos Efésios, coloca em destaque que nos esposos cristãos se reflete um mistério grande: a relação instituída por Cristo com a Igreja, uma relação nupcial (cfr Ef 5, 21-33). A Igreja é a esposa de Cristo. Esta é a relação. Isto significa que o matrimônio responde a uma vocação específica e deve ser considerada como uma consagração (cfr Gaudium et spes, 48; Familiaris consortio, 56). É uma consagração: o homem e a mulher são consagrados em seu amor. Os esposos, de fato, em força do Sacramento, são revestidos de uma verdadeira e própria missão, para que possam tornar visível, a partir de coisas simples, cotidianas, o amor com que Cristo ama a sua Igreja, continuando a doar a vida por ela, na fidelidade e no serviço.

3. É realmente um desígnio maravilhoso aquele que é inerente ao matrimônio! E acontece na simplicidade e também na fragilidade da condição humana. Sabemos bem quantas dificuldades e provações conhecem a vida de dois esposos… O importante é manter viva a ligação com Deus, que está na base da ligação conjugal. E a verdadeira ligação é sempre com o Senhor. Quando a família reza, a ligação se mantém. Quando o esposo reza pela esposa e a esposa reza pelo esposo, aquela ligação se torna forte; um reza pelo outro. É verdade que na vida matrimonial há tantas dificuldades, tantas; seja o trabalho, seja que o dinheiro não basta, seja que as crianças tenham problemas. Tantas dificuldades. E tantas vezes o marido e a mulher se tornam um pouco nervosos e brigam entre si. Brigam, é assim, sempre se briga no matrimônio, algumas vezes voam até os pratos. Mas não devemos ficar tristes por isto, a condição humana é assim. E o segredo é que o amor é mais forte que o momento no qual se briga e por isto eu aconselho aos esposos sempre: não terminem um dia no qual tenham brigado sem fazer as pazes. Sempre! E para fazer as pazes não é necessário chamar as Nações Unidas, que venham pra casa fazer a paz. É suficiente um pequeno gesto, um carinho, um olá! E amanhã! E amanhã se começa uma outra vez. E esta é a vida, levá-la adiante assim, levá-la adiante com a coragem de querer vivê-la juntos. E isto é grande, é belo! É algo belíssimo a vida matrimonial e devemos protegê-la sempre, proteger os filhos.

Outras vezes eu disse nesta Praça uma coisa que ajuda tanto a vida matrimonial. São três palavras que devem ser ditas sempre, três palavras que devem estar em casa: com licença, obrigado e desculpa. As três palavras mágicas. “Com licença”: para não ser invasivo na vida dos cônjuges. Com licença, mas o que te parece? Com licença, permito-me. “Obrigado”: agradecer o cônjuge; agradecer por aquilo que fez por mim, agradecer por isto. Aquela beleza de dar graças! E como todos nós erramos, aquela outra palavra que é um pouco difícil de dizê-la, mas é preciso dizê-la: “desculpa”. Com licença, obrigado e desculpa. Com estas três palavras, com a oração do esposo pela esposa e vice-versa, com fazer as pazes sempre antes que termine o dia, o matrimônio seguirá adiante. As três palavras mágicas, a oração e fazer as pazes sempre. Que o Senhor vos abençoe e rezem por mim.

A família está fundada no matrimônio para sempre

25/10/2013   

Ao receber nesta manhã os participantes da 21ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, o Papa Francisco explicou que a família está fundada no matrimônio para sempre e é o âmbito natural da vida humana onde as pessoas aprendem a amar.

Em seu discurso, o Santo Padre disse que “a família está fundada no matrimônio. Através de um ato de amor livre e fiel, os esposos cristãos testemunham que o matrimônio, por ser sacramento, é a base onde se funda a família e faz mais sólida a união dos cônjuges e sua entrega recíproca. O amor conjugal e familiar também revela claramente a vocação da pessoa de amar de forma única e para sempre e de que as provações, os sacrifícios e as crises do casal, como da mesma família, representam passagens para crescer no bem, na verdade e na beleza”.

Tudo isto, disse o Papa, “é uma experiência de fé em Deus e de confiança recíproca, de liberdade profunda, de santidade, porque a santidade pressupõe entregar-se com fidelidade e sacrifício todos os dias da vida”.

“A família é uma comunidade de vida que tem uma consistência autônoma… Não é a soma das pessoas que a constituem, mas é uma comunidade de pessoas”, indicou Francisco, citando as palavras de São João Paulo II na exortação apostólica “Familiaris consortio”- ao receber nesta manhã os participantes na XXI Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, que acontece nestes dias em Roma.

A família, continuou o Pontífice, é “o lugar onde se aprende a amar; o centro natural da vida humana… Cada um de nós constrói sua personalidade na família… ali se aprende a arte do diálogo e da comunicação interpessoal”. Por isso “a comunidade-família deve reconhecer-se como tal, ainda mais no dia de hoje, quando predomina a tutela dos direitos individuais”.

O Santo Padre destacou duas fases da vida familiar: a infância e a velhice, recordando que “as crianças e os idosos representam os dois polos da vida, os mais vulneráveis e, com frequência, os mais esquecidos. Uma sociedade que marginaliza as pessoas idosas renega as suas raízes e obscura o seu futuro”.

“Todas as vezes que se abandona uma criança e se deixa de lado um idoso, não se comete apenas um ato de injustiça, mas também se proclama o fracasso dessa sociedade. Prestar atenção aos pequenos e aos anciões denota civilização”.

Nesse sentido o Papa reconheceu que se alegra de que o Pontifício Conselho tenha cunhado uma imagem nova da família que representa a cena da apresentação de Jesus no templo, com Maria e José que levam o Menino, para cumprir a Lei, e os dois anciões, Simeão e Ana que, movidos pelo Espírito Santo, acolhem-no como o Salvador e cujo lema é: “De geração em geração se estende a sua misericórdia”.

“A ‘boa nova’ da família é uma parte muito importante da evangelização, que os cristãos podem comunicar a todos através do testemunho de suas vidas: já o fazem, é evidente nas sociedades secularizadas”.

“Proponhamos, portanto, a todos, com respeito e coragem, a beleza do matrimônio e da família iluminados pelo Evangelho. E por isso nos aproximamos com atenção e afeto às famílias que atravessam por dificuldades, às que se veem obrigadas a deixar a sua terra, às que estão divididas, às que não têm casa nem trabalho, ou que sofrem por tantos motivos; aos cônjuges em crise e aos que estão separados. Queremos estar perto de todos”.

Fonte: AciDigital  

O perigo de perder a noção do pecado

Homilia, sexta-feira, 31 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que se perde a noção do pecado quando a presença de Deus entre os homens é diminuída

Quando a presença de Deus é diminuída entre os homens, perde-se a noção do pecado. Esta foi a reflexão do Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 31, na Casa Santa Marta. O Santo Padre lembrou que esse comportamento pode fazer que com outras pessoas tenham que pagar pela “mediocridade cristã” de alguém.

Como exemplo, o Papa citou o problema do adultério, fato que aconteceu com o rei Davi, retratado na primeira leitura do dia. Francisco explicou que Davi cometeu um grande pecado, mas não pensava que havia cometido um pecado, então não lhe vem em mente pedir perdão.

O Santo Padre ressaltou que a tentação faz parte da vida cotidiana, todos são pecadores. Mas o problema maior, neste trecho lido, é a atitude de Davi diante do pecado. “Davi aqui não fala de pecado, fala de um problema que deve resolver. Isto é um sinal! Quando o Reino de Deus é diminuído, um dos sinais é que se perde a noção do pecado”.

E a perda do sentido do pecado leva também à perda do sentido do Reino de Deus, explicou Francisco. Assim, ganha força a ideia de que o homem pode tudo.

“O poder do homem no lugar da glória de Deus! Este é o pão de cada dia. Por isto a oração de todos os dias a Deus: ‘Venha o teu Reino, cresça o teu Reino’. Porque a salvação não virá das nossas astúcias, mas sim da graça de Deus e da prática diária que nós fazemos desta graça na vida cristã”.

“O maior pecado de hoje é que os homens perderam o sentido do pecado”. Papa Francisco citou esta célebre frase de Pio XII e depois recordou a figura de Urias, o marido traído que foi enviado para a guerra, consequentemente para a morte, pelo rei Davi. Segundo o Papa, Urias torna-se, então, emblema de todas as vítimas da soberba escondida.

“A mim faz bem pensar em tantos Urias da história, tantos Urias que mesmo hoje sofrem a nossa mediocridade cristã, quando nós perdemos o sentido do pecado, quando deixamos que o Reino de Deus caia… Fará bem a nós hoje rezar por nós, para que o Senhor nos dê sempre a graça de não perder a noção do pecado, para que o Reino não se silencie em nós”.

O Matrimônio

Beleza do sacramento

Quarta-feira, 29 de abril de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Reunido com fiéis na Praça São Pedro, Francisco refletiu sobre o casamento, que hoje em dia é uma realidade distante ou inexistente para muitos jovens

Francisco fala do matrimônio cristão e destaca a família como obra-prima da sociedade / Foto: Reprodução CTV

A catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 29, foi dedicada ao matrimônio. O Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a família e, desta vez, concentrou-se no casamento, refletindo, por exemplo, sobre a realidade dos jovens que não querem se casar.

Francisco mencionou que o primeiro dos sinais prodigiosos de Jesus foi realizado no contexto do matrimônio: o milagre do vinho nas bodas de Caná. “Assim, Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!”.

Desta época até hoje, muita coisa mudou, disse o Papa, mas esse sinal de Cristo contém uma mensagem sempre válida. O Pontífice reconheceu que os jovens não querem se casar, que em muitos países aumenta o número de separações e diminui o número de filhos. Essas são as primeiras e mais importantes vítimas de uma separação, destacou o Papa, e isso pode ter reflexos futuros.

“Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura”.

Essa realidade dos jovens que não querem se casar constitui, segundo o Santo Padre, uma das preocupações dos tempos atuais. Ele lembrou que é importante tentar entender o porquê dos jovens agirem assim, de não terem confiança na família.

Para o Papa, as dificuldades financeiras não são o único motivo. Há quem cite como provável causa a emancipação da mulher, mas isso não é um argumento válido, segundo o Pontífice, mas sim uma forma de machismo que sempre quer dominar a mulher.

Na verdade, Francisco disse que quase todos os homens e mulheres gostariam de ter um casamento sólido, mas muitos têm medo de errar e, mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental. “Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família”.

“Os cristãos, quando se casam ‘no Senhor’, são transformados em sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam somente para si: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade, de toda a sociedade”, concluiu Francisco, anunciado que, na catequese da próxima semana, dará continuidade à reflexão sobre a beleza da vocação do matrimônio cristão.

Sacramento do Matrimônio

“Perdoar é permitir que o outro entre de novo na história de sua vida” (autor desconhecido).

“Ninguém é perfeito, até que você se apaixone por essa pessoa” (W.Shakeaspeare).

“Se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada” (Ovídio).

“Se você ama alguém, deixo-o livre; se ele voltar, ele é seu; se não, nunca foi” (Richard Bach).

“A medida do amor é amar sem medida” (Santo Agostinho).

“Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar, não gosto porque preciso. Preciso sim, por gostar” (Mário Lago).

“Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo” (autor desconhecido).

“Apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família” (Friedrich Schlegel).

“O bom casamento é um eterno noivado” (Theodor Korner).

“Durante o vosso casamento finjam que ainda não são casados e tudo irá bem. Que haja sempre algo de não atingido e de inacessível entre os dois” (Carl Almquist).

“Quando há casamento sem amor, há amor sem casamento” (Benjamim Franklin).

“O bom marido nunca deve ser o primeiro a adormecer à noite, nem o último a acordar pela manhã” (Honoré de Balzac).

“O casamento feliz é e continuará a ser a viagem de descoberta mais importante que o homem jamais poderá empreender” (Soren Kierkegaard).

“O casamento é a relação entre homem e mulher na qual a independência é igual, a dependência é mútua e a obrigação recíproca” (Louis Anspacher).

“O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos” (Dr. David Reuben).

“O casamento é um edifício que deve ser reconstruído todos os dias” (André Maurois).

“Se os homens agissem depois do casamento da maneira como agem durante o namoro, haveria menos divórcios – e mais falências” (Frances Rodman).

“Não discuta com sua esposa quando ela estiver dobrando seu pára-quedas” (autor desconhecido).

“O valor do casamento não está no fato de adultos produzirem crianças, mas de crianças produzirem adultos” (Peter de Vries).

“Um homem de sucesso é o que ganha mais dinheiro do que sua mulher consegue gastar. Uma mulher de sucesso é a que consegue encontrar um homem desses” (autor desconhecido).

“Um otimista é aquele que acredita que o casamento é um jogo” (Laurence J. Peter).

“A vida de casado ensina uma lição inestimável: pensar sobre as coisas antecipadamente o bastante para não dizê-las” (Jefferson Machamer).

“Casamento é uma longa conversa entremeada de disputa” (Robert Louis Stevenson).

“O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos” (Cyril Connolly).

“O problema do casamento são as diferenças de expectativas: a mulher acha que o homem vai mudar após o casamento, enquanto que o homem acha que a mulher não vai mudar após o casamento” (autor desconhecido).

O casamento não produz dois prisioneiros, mas sim uma liberdade em duas pessoas. Pode dizer-se que teve êxito quando, tendo-se tomado o compromisso inicial, e tendo-se convertido a união em algo natural, os esposos nem sequer têm a impressão de estarem casados (André Frossard).

Um casamento feliz é uma longa conversa que nos parecerá sempre demasiado curta (André Maurois).

O amor humano autêntico é uma entrega total da própria pessoa: alma, coração, corpo, toda a própria vida, presente e futuro. Quando duas pessoas se amam, sabem que vão compartilhar toda a sua vida. O casal é isto: um com uma para sempre, em tudo, para terminar nos filhos. Já não são dois, mas uma só carne e uma só vida. Antes eram duas vidas independentes que, de vez em quando, coincidiam. Agora estão intimamente ligados, a vida de um é inseparável da do outro. Até nas coisas mais concretas (M. Santamaría Garai).

Amor não é olharem um para o outro, mas sim olharem ambos numa mesma direção (Antoine de Saint-Exupéry).

No verdadeiro amor não manda ninguém; ambos obedecem (Alejandro Casona).

Tal como o amor conjugal, a paixão autêntica aspira à exclusividade absoluta e à continuidade. Aquele que diz estar agora apaixonado, embora não saiba se amanhã continuará a estar, está embriagado, mas não realmente apaixonado (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

No caso ideal, também não se dirá “amo-te pela tua beleza” pela tua inteligência, pela tua força, pela tua suavidade, pois assim querer-se-ia só alguma coisa do outro (alguma coisa que indubitavelmente é digna de ser amada), mas ainda não se amaria a outra pessoa por si mesma, tal como é. No caso ideal, dever-se-ia dizer “Amo-te por seres como és”. Então, sim, amar-se-ia o outro por ele próprio, através de todas as adversidades da vida, as doenças, a velhice e até da morte (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quem diz que amou só porque sentiu prazer não entende nada de amor. Porque quer colher, enquanto o amor é uma força que leva a semear. Quem dá porque quer receber, ou quem se dá só enquanto dar não dói, é um comerciante. Calcula. O que equivale a dizer que nunca amou. E que a pessoa amada é uma mercadoria – sujeita, como as mercadorias, a critérios de qualidade e a prazos de validade (Paulo Geraldo).

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que pode desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na medida em que os dois estão mais unidos, porque partilham mais. Mas para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é devido (Juan Luis Lorda).

Um casamento feliz exige que nos apaixonemos muitas vezes e sempre pela mesma pessoa (autor desconhecido).

É claro que os esposos e os filhos são seres humanos, com falhas e defeitos. Podem surgir dificuldades, mesmo graves, mas a solução não é negar a natureza das coisas, mas precisamente apoiar-se nela para procurar ultrapassar essas dificuldades. Não se pense em situações idílicas, mas num amor que cresce no meio das dificuldades, nas canseiras, nas incomodidades, nas coisas que saem bem e nas que saem mal, problemas de saúde, apertos econômicos, cansaços, irritações passageiras, etc. E tudo isto é compatível com a felicidade. Quem ama sente-se feliz, mesmo quando não é inteiramente correspondido, embora aí possa haver uma plenitude de amor (Juan Luis Lorda).

Os cônjuges mais alegres parecem ser aqueles que não se centram exclusivamente em alcançar a sua felicidade. Não procuram constantemente a vantagem pessoal, nem seguem metas próprias de pessoas instaladas, nem tentam formar o seu próprio idílio, preferem partilhar a sua felicidade e o seu amor com os outros: filhos, familiares, amigos, vizinhos e companheiros de trabalho (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quanto mais crescer o meu amor, mais desejarei que o outro seja o melhor e o mais perfeito possível, em suma, que se realize o máximo; e assim estarei preparado para o ajudar a alcançá-lo. Vejo com uma clareza cada vez maior como a minha auto-realização pessoal consiste em ajudar o outro a realizar-se (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Uma crise matrimonial não é nenhuma catástrofe. Quem foge dela, sobrevaloriza-a. Quem a ignora, peca por despreocupação. Deveríamos descobrir a oportunidade que ela encerra. Através de tais provas, o amor vai amadurecendo e ganhando em profundidade; cada tempestade é uma oportunidade de renovação. Com os anos vou amando cada vez mais porque quero amar, porque escolhi o outro como cônjuge e estou disposto a suportar desilusões (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

O amor não se conjuga no passado: ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente (autor desconhecido).

O amor incondicional é aquele que diz: “Vem se quiseres, vem quando quiseres, vem sejas como fores, vem faças o que fizeres. Estou aqui para te receber. Existirei para ti. Derramarei tudo o que há de bom em mim sobre ti, para te construir” (Paulo Geraldo).

Quanto mais unidade tem uma coisa mais perfeita é na sua bondade e poder (Santo Tomás de Aquino).

A fidelidade, naturalmente, tem que ver com a sexualidade, mas não se limita a ela. Implica a aceitação de ambos em todas as dimensões da sua personalidade. Normalmente, a fidelidade está presente na vida matrimonial quotidiana de uma maneira calada e pouco visível, consistindo numa constância tanto nos bons tempos como nos difíceis. É preciso a ajuda do outro, sobretudo face à monotonia diária que pode consistir nas obrigações familiares e profissionais. Mas também se requer quando se fracassa, se duvida de si mesmo ou por acaso se falhou. “Sê solidário com os teus amigos, sobretudo quando são culpados”, diz um provérbio francês. Quando alguém está prestes a cair no mais fundo da miséria, não é precisamente o parceiro aquele que, em primeiro lugar, deve lutar para ir com ele? (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Maria: “modelo de fé, caridade e união com Cristo”

Audiência geral, quarta-feira, 23 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal, com Rádio Vaticano / Da Redação

Francisco falou de Maria como modelo de fé, caridade e união com Cristo

O tema da catequese desta quarta-feira, 23, do Papa Francisco com os fiéis no Vaticano foi dedicado a Maria. O Santo Padre falou sobre Nossa Senhora como imagem e modelo da Igreja, concentrando-se em três de suas características: modelo de fé, de caridade e de união com Cristo.

Francisco lembrou que Maria era uma moça que esperava de todo coração a redenção de seu povo, mas nem ela sabia o desejo de Deus de que ela se tornasse a Mãe do Redentor. E na Anunciação, ela disse o seu “sim”, aceitando o projeto de Deus em sua vida, momento a partir do qual sua fé recebe uma luz nova: Jesus Cristo.

“A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, nela está justamente concentrado todo aquele caminho, toda aquela estrada daquele povo de fé, que esperava a redenção e neste sentido é o modelo de fé da Igreja, que tem como centro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus”.

E toda esta fé foi vivida por Maria na simplicidade das mil ocupações e preocupações cotidianas de toda mãe. O relacionamento entre ela e Deus se desenvolveu justamente nesta existência normal de Nossa Senhora que, como disse o Papa, sempre viveu imersa no mistério de Deus, colocando em prática toda a vontade do Senhor.

Além de ser um modelo de fé, Francisco lembrou Maria como exemplo de caridade. Ele citou o momento da Visitação, quando Maria levou não somente sua ajuda material, mas o próprio Cristo.

“Levar Jesus àquela casa queria dizer levar a alegria plena. Nossa Senhora quer trazer também a nós o grande presente que é Jesus e com Ele nos traz o seu amor, a sua paz, a sua alegria. Assim é a Igreja. A Igreja não é um negócio, uma agência humanitária ou uma ONG, mas enviada a levar Cristo e o seu Evangelho a todos”.

Um último aspecto destacado pelo Papa foi a união de Maria a Cristo, lembrando que todas as suas atividades eram realizadas em perfeita comunhão com Ele. E esta união permaneceu até o fim, até o Calvário.

“Peçamos ao Senhor que nos doe a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na vida de cada comunidade eclesial reflita-se o modelo de Maria, Mãe da Igreja”.

A doutrina de Jesus sobre o matrimônio é inegociável

Quarta-feira, 2 de março de 2016, ACI Digital

“Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo. E este ensinamento é, depois de tudo: o que Deus uniu, o homem não separa”, afirmou.

O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, falou sobre a situação dos divorciados em nova união dentro da Igreja e a possibilidade de que comunguem a partir de uma proposta dos bispos alemães durante o Sínodo da Família.

Em uma entrevista concedida nesta semana ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger, de Colônia (Alemanha), a autoridade vaticana descartou que a Igreja possa reinterpretar os ensinamentos de Cristo sobre o matrimônio.

O Cardeal também negou que haja uma “batalha” dentro do Vaticano acerca deste tema e explicou que o Cardeal Walter Kasper – que promove há vários anos a comunhão para divorciados em nova união – já se retratou por ter usado uma metáfora que sugeria tal enfrentamento.

“Não é possível negociar o ensinamento de Jesus Cristo. E este ensinamento é, depois de tudo: o que Deus uniu, o homem não separa. Não pode haver nenhum compromisso nisto”, sublinhou o Cardeal Müller e logo esclareceu que não podemos “como seres humanos converter a clara palavra de Deus em algo vago. Uma sólida aproximação pastoral é o contrário da relativização das palavras de Cristo”.

A autoridade vaticana reiterou que para o Papa Francisco a situação dos divorciados em nova união na Igreja não se limita a comunhão, mas pede sua integração na vida eclesiástica, “cujo último passo pode constituir a comunhão, depois de um processo de conversão e arrependimento se cumprirem com pré-requisitos geralmente válidos”.

“Não é possível um segundo matrimônio ou um segundo esposo, enquanto viva o anterior, segundo a interpretação católica das palavras de Jesus”, indicou o Cardeal Müller e adicionou que “a Igreja não é capaz de dissolver ou suspender um matrimônio válido e verdadeiramente sacramental”.

Neste sentido, precisou que “o Papa e todos nós queremos evitar cuidadosamente que as pessoas se afastem da Igreja como comunidade de salvação. Existem outras formas – teologicamente válidas e legítimas – de participar da vida da Igreja. A comunhão com Deus e com a Igreja não está só constituída pela recepção oral da Eucaristia”.

O Prefeito foi questionado especificamente a respeito da proposta que os bispos alemães, liderados pelo Presidente do Episcopado, Cardeal Reinhard Marx, apresentaram no Sínodo da Família a fim de permitir que os divorciados em nova união comunguem “olhando cada caso” e segundo sua consciência.

O Cardeal Müller explicou que isto seria possível somente “quando os esposos – como o Papa João Pablo II recordou o permanentemente válido ensinamento da Igreja sobre o matrimônio em sua Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981) — vivem juntos como irmão e irmã”.

O entrevistador recordou à autoridade vaticana que o Cardeal Marx considera irreal esperar que os casais convivam em abstinência sexual. E o Cardeal Müller recordou que “isso foi o que também pensaram os apóstolos quando Jesus lhes explicou a indissolubilidade do matrimônio (Mt 19, 10). Mas, o que parece impossível para os seres humanos é possível pela graça de Deus”.

O cristão é missionário de esperança

Quarta-feira, 4 de outubro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Reflexão da catequese de hoje teve como contexto o mês das missões, celebrado pela Igreja em outubro

O tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 4, foi “missionários de esperança hoje”, tendo em vista o início do mês das missões para a Igreja católica e o dia de um grande missionário de esperança, São Francisco de Assis , como recordou o Papa. O Santo Padre destacou que o cristão é um missionário de esperança, não um profeta de desgraças, como se tudo tivesse terminado no calvário ou na sepultura.

Dirigindo-se aos mais de 15 mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa recordou que os discípulos estavam abatidos depois da crucifixão e sepultamento de Jesus. Aquela pedra, rolada contra a entrada do sepulcro, pôs fim a três anos de vida esperançosa e entusiasmante na companhia do Mestre vindo de Nazaré. Parecia o fim de tudo, e alguns já começavam a deixar Jerusalém para regressar para suas casas.

“Mas Jesus ressuscita!”, lembrou o Papa, este fato inesperado transformou a mente e o coração dos discípulos, uma transformação que ficou completa quando receberam a força do Espírito Santo no dia de Pentecostes. “Não terão somente uma bela notícia para levar a todos – sublinhou o Santo Padre – mas estarão eles mesmos diferentes de antes, como renascidos para uma vida nova”.

“Como é bonito pensar que se é anunciadores da ressurreição de Jesus, não somente com palavras, mas com os fatos e com o testemunho de vida! Jesus não quer discípulos capazes somente de repetir fórmulas aprendidas de memória. Quer testemunhos: pessoas que propagam esperança com o seu modo de acolher, de sorrir, de amar. Sobretudo de amar: porque a força da ressurreição torna os cristãos capazes de amar mesmo quando o amor parece ter perdido as suas razões”.

Francisco destacou que a fé e a esperança cristãs não são somente um otimismo, mas algo a mais; é como se os crentes fossem pessoas com um “pedaço de céu a mais” sobre suas cabeças, acompanhados de uma esperança que o mundo sequer consegue intuir. “Assim a tarefa dos cristãos neste mundo é a de abrir espaços de salvação, como células de regeneração capazes de restituir a seiva vital àquilo que parecia perdido para sempre”.

O Santo Padre não deixou de comentar o alto preço que os discípulos terão que pagar por esta esperança dada por Jesus. Ele citou como exemplo os cristãos perseguidos, pessoas que não abandonaram seu povo e continuaram esperando em Deus. “E pensemos em nossos irmãos, em nossas irmãs do Oriente Médio que dão testemunho de esperança e também oferecem a vida por este testemunho. Estes são verdadeiros cristãos! Eles trazem o céu no coração, olham além. Quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus, pode ainda esperar no inesperado”.

Concluindo a catequese, o Papa reforçou que quem tem Cristo a seu lado não teme nada, por isso os verdadeiros cristãos nunca são acomodados e são missionários de esperança. “Não por mérito seu, mas graças a Jesus, o grão de trigo que, caído em terra, morreu e deu muito fruto”.

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