Pensamentos Seletos

Conheça a origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria

Poder e eficácia sobrenatural

Em Fátima, a Virgem Maria ensinou aos três pastorinhos a devoção ao seu Imaculado Coração

A revelação da devoção reparadora ao Imaculado Coração começou na segunda aparição da Santíssima Virgem Maria, que se deu em 13 de junho de 1917, em Fátima, Portugal, aos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. A Virgem Maria disse à pequena Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos: “Ele [Jesus] quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”1. Logo após ouvir essas palavras, os pastorinhos viram Nossa Senhora com um coração na mão, cercado de espinhos. As três crianças compreenderam que aquele era o Coração Imaculado da Santíssima Virgem, ofendido pelos pecados da humanidade, que necessitavam de reparação.

Na aparição seguinte, no dia 13 de julho, Nossa Senhora concedeu às três crianças uma experiência extraordinária! Elas viram, no Inferno, os demônios e as almas dos condenados, que gritavam e gemiam de dor e desespero. Depois de dar-lhes essa visão assustadora, disse aos pastorinhos: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração”2. No entanto, a Virgem não revelou como deveríamos fazer essa reparação, mas disse que voltaria para pedir essa devoção reparadora.

Sete anos depois, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, na Espanha, a Santíssima Virgem revelou à então postulante Lúcia a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. Entretanto, somente dois anos mais tarde, em dezembro de 1927, por ordem de seu confessor, Lúcia deu a conhecer as palavras de Nossa Senhora: “Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que, durante cinco meses, no primeiro sábado, confessarem-se, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”3.

Origem da devoção ao Imaculado Coração de Maria

A memória litúrgica do Imaculado Coração de Maria é comemorada no sábado seguinte à solenidade do Sagrado Coração de Jesus, celebrada na primeira sexta-feira do mês de junho. No entanto, a devoção ao Imaculado Coração de Maria remonta aos inícios da Igreja, pois tem suas raízes mais profundas nas Sagradas Escrituras. Nelas, encontramos referências ao Imaculado Coração no Evangelho segundo São Lucas, o “pintor” da Santíssima Virgem: “Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19). “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2,51).

A semente do Evangelho, plantada pelos apóstolos e discípulos de Jesus Cristo, germinou na doutrina dos Santos Padres e desenvolveu-se com os teólogos e místicos da Idade Média. Nos séculos seguintes, surgiram outros grandes devotos do Imaculado Coração de Maria, bem como do Coração de Jesus, como São Bernardo, Santa Gertrudes, Santa Brígida, São Bernardino de Sena e São João Eudes. Este último foi o maior apóstolo da devoção ao Coração de Maria. Em 1648, o Padre João Eudes obteve do Bispo de Autun, na França, a aprovação da celebração da festa.

A Santa Sé mostrou-se favorável ao culto ao Imaculado Coração no início do século XIX. Em 1805, o Papa Pio VII concedeu a autorização para a celebração da festa às Dioceses e às Congregações religiosas que lhe pediam. No ano de 1855, o Papa Pio IX aprovou a Missa e o Ofício próprios do Imaculado Coração de Maria. Durante a segunda guerra mundial, em 8 de dezembro de 1942, na Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Pio XII consagrou a Igreja e todo o gênero humano ao Coração Imaculado de Maria e, três anos depois, estendeu a festa do Imaculado Coração de Maria para toda a Igreja Católica.

A partir das aparições de Nossa Senhora em Fátima, a devoção ao Imaculado Coração de Maria ganha ainda mais força, especialmente na devoção particular dos fiéis, como aconteceu com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A esse respeito, escreveu o Cardeal Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Gonçalves Cerejeira:
“A missão especial de Fátima é a difusão no mundo do culto ao Imaculado Coração de Maria. À medida que a perspectiva do tempo nos permitir julgar melhor os acontecimentos de que fomos testemunhas, estou certo que melhor se verá que Fátima será, para o culto do Coração de Maria, o que Paray-le-Monial foi para o Coração o de Jesus4″.

A consagração dos sábados e a devoção ao Imaculado Coração de Maria

A consagração dos sábados a Virgem Maria não é nenhuma novidade na Igreja. Todavia, o pedido dessa devoção por Nossa Senhora foi uma magnífica confirmação dos Céus de uma antiga piedade mariana. O sábado, como dia especialmente consagrado a Virgem Maria, é uma tradição que tem sua origem muito provavelmente nos primeiros séculos da Igreja. “A presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados, no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antiguidade dessa prática, que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana”5.

Apoiados nesta bela e piedosa tradição da Igreja, os membros das confrarias do Rosário consagravam especialmente a Santíssima Virgem quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico. Durante esses sábados, “eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo rosário. Em 1889, o Papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados”6. Entretanto, foi com o grande Papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados foi aprovada e encorajada pela Santa Sé que, em 10 de julho de 1905, indulgenciou, pela primeira vez, essa devoção mariana. Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedeu “indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação”7.

Por desígnio da Divina Providência, cinco anos depois, na mesma data, aconteceu a “segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração da Virgem Maria, vendo-o ‘cercado de espinhos que pareciam enterrados nele. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação’”8. Os termos usados pelo Papa São Pio X são quase exatamente os mesmos do pedido de Nossa Senhora a Irmã Lúcia, principalmente no que diz respeito “à extrema importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus”9.

Depois de conhecer um pouco mais a história da Igreja, percebemos que, em Fátima e em Pontevedra, a Virgem Maria não é inovadora, mas nos deu uma confirmação do Céu e um novo impulso à devoção dos primeiros sábados, unindo-a com a devoção ao seu Imaculado Coração.

Por que cinco sábados em reparação ao Imaculado Coração?

Em 1930, o Padre José Bernardo Gonçalves, então confessor da Irmã Lúcia, intrigado com a devoção dos cinco primeiros sábados em reparação ao Imaculado Coração de Maria, perguntou a Irmã: “Por que hão de ser ‘cinco sábados’ e não nove ou sete em honra das dores de Nossa Senhora?”10 Mas Lúcia não soube responder a pergunta do confessor.
Irmã Lúcia não sabia o que fazer ou dizer, até que, durante uma de suas orações, na noite do dia 29 para 30 de maio de 1930, nosso Senhor Jesus Cristo revelou a ela a razão da devoção dos cinco primeiros sábados: “Minha filha, o motivo é simples: são cinco as espécies de ofensas e blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria:
1 – As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2 – Contra a Sua virgindade;
3 – Contra a Maternidade Divina, recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4 – Os que procuram publicamente infundir, nos corações das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio para com esta Imaculada Mãe;
5 – Os que a ultrajam diretamente nas suas sagradas imagens.

Eis, minha filha, o motivo pelo qual o Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir essa pequena reparação; e, em atenção a ela, mover a minha misericórdia ao perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de a ofender”11.

A primeira ofensa é a negação do dogma da Imaculada Conceição, promulgado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854.

A segunda, a negação da Doutrina Católica a respeito da virgindade perpétua de Nossa Senhora. São opositores dessa verdade as pessoas que negam que a concepção e o parto de Jesus não foram virginais, e que a Mãe de Deus não conservou a virgindade depois do parto, bem como aquelas que dizem que a Santíssima Virgem teve mais filhos além de Jesus.

A terceira, a negação da maternidade divina e espiritual da Virgem Maria, declarada no III Concílio de Constantinopla, no ano de 680. Nossa Senhora é Mãe de Deus e, ao mesmo tempo, Mãe espiritual dos homens, pela sua participação no mistério da Redenção de toda a humanidade.

A quarta, é o ódio para com a Santíssima Virgem Maria colocado, à força de falsas doutrinas, injúrias e blasfêmias, no coração das crianças. Desde o século passado, “a ideologia marxista-comunista procurou eliminar todos os vestígios de religião, a começar pelas crianças. […] Ensinava-se às crianças o racionalismo puro e, além disso, em certa nação, os pequeninos aprendiam ‘ladainhas’ de injúrias contra a Mãe de Deus”12.

A quinta, é o desrespeito para com as sagradas imagens de Nossa Senhora. Como outrora, não é raro, em nossos dias, o ultraje, o sacrilégio, o vandalismo, a destruição das imagens da Virgem Maria, principalmente quando estão expostas em locais públicos. Além disso, as pessoas que tiram as suas imagens das igrejas e capelas, ou as reduzem ao mínimo, ofendem também o Coração Imaculado da Santíssima Virgem e contrariam o que foi dito no Concílio Vaticano II a respeito das imagens sacras: “Observem religiosamente aquelas coisas que nos tempos passados foram decretadas acerca do culto das imagens de Cristo, da Bem-aventura Virgem e dos Santos”13, ou seja, devemos zelar pela tradicional e salutar devoção às sagradas imagens.

Como praticar a devoção dos cinco primeiros sábados?

A própria Virgem Maria nos ensinou a praticar a devoção reparadora das ofensas ao seu Imaculado Coração. Para praticar perfeitamente esta devoção devemos – durante cinco primeiros sábados de cinco meses seguidos, na intenção geral de reparar nossos próprios pecados e os de toda a humanidade contra o Coração Imaculado de Maria – realizar quatro atos de piedade:

1 – A Confissão: devemos confessar preferencialmente no primeiro sábado. Caso seja impossível, ou muito difícil, podemos confessar com até oito dias ou mais de antecedência. Todavia, recordamos que é necessário estar em estado de graça no primeiro sábado do mês, a fim de fazer comunhão reparadora. Na confissão, é indispensável a intenção de reparar as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria. Essa intenção reparadora não precisa ser dita ao confessor, mas apenas colocada mentalmente diante de Deus antes da confissão. Jesus Cristo disse à Irmã Lúcia que, se esquecermos da intenção reparadora, podemos colocar essa intenção na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tivermos para nos confessar;

2 – O Terço: a tradicional oração do Terço mariano também faz parte da devoção dos cinco primeiros sábados, que deve ser rezado na intenção da reparação do Imaculado Coração da Santíssima Virgem;

3 – Os 15 minutos de meditação dos mistérios do Rosário: Nossa Senhora pediu que fizéssemos companhia a ela durante pelo menos 15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do Rosário14, na intenção da reparação ao seu Imaculado Coração. Essa meditação não precisa ser de todos os 15 ou 20 mistérios do Rosário. Podemos meditar apenas um, dois, três ou mais mistérios, conforme a nossa escolha. Outra opção é a meditação dos mistérios do Rosário conforme o tempo litúrgico. Por exemplo: no tempo do Advento, podemos meditar os mistérios Gozosos; no tempo da Quaresma, os Mistérios Dolorosos; no Tempo Pascal, os Mistérios Gloriosos; no Tempo Comum, podemos meditar aqueles mistérios que mais dizem respeito à Liturgia do dia ou do Domingo;

4 – A comunhão: é um ato essencial da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria. Para compreender bem a sua importância, lembremos que a devoção da comunhão das nove primeiras Sextas-feiras tem como intenção a reparação das ofensas contra o Sagrado Coração de Jesus. Recordemos também que a comunhão milagrosa, dada aos três pastorinhos de Fátima pelo Anjo da Guarda de Portugal, no outono de 1916, teve um caráter eminentemente reparador. Essa intenção evidencia-se na oração ensinada pelo Anjo da Paz, repetida seis vezes, três vezes antes e três vezes depois da comunhão:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores15.

Como nos casos acima, a intenção reparadora na devoção dos cinco primeiros sábados é muito importante, porque as ofensas contra o Imaculado Coração de Maria também ofendem gravemente o Sacratíssimo Coração de Jesus. Essa devoção reparadora, como um todo, pode ser também feita no domingo seguinte ao primeiro sábado, desde que seja por motivos justos e autorizado por um padre.

O poder e a eficácia sobrenaturais da devoção ao Imaculado Coração de Maria

Assim, a devoção ao Imaculado Coração, praticada nos primeiros sábados em reparação das ofensas cometidas contra a Virgem Maria, foi-nos revelada para salvação de muitas almas do inferno. Pois, cada vez mais, em nosso tempo, multiplicam-se os ataques contra a dignidade, os privilégios, as honras devidas a Nossa Senhora. Além disso, há uma diminuição considerável do culto mariano em quase toda a Igreja, em consequência principalmente dos erros espalhados pelo comunismo no mundo todo.

Sendo este o estado das coisas em nossos dias, a impiedade de muitos para com a Santíssima Virgem é ainda pior do que outrora. Por isso, certamente é mais do que essencial a intenção reparadora de nossa prática da devoção dos cinco primeiros sábados. Reparemos as ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria, tão ultrajado pela ingratidão dos homens, através da devoção que ela mesma nos indicou.

Poder e eficácia sobrenatural da devoção

Na carta a Dom Manuel Maria Ferreira da Silva, Arcebispo titular de Gurza, escrita em 27 de maio de 1943, a Irmã Lúcia nos ajuda a compreender o poder e a eficácia sobrenaturais da devoção ao Imaculado Coração de Maria: “’Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria], porque dele se servem para atrair todas as almas a eles, e isso é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas’. Nosso Senhor me dizia há alguns dias: ‘Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria, porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia’”16. Com a certeza desta eficácia sobrenatural, peçamos a Mãe de Deus, com insistência e perseverança, as boas disposições de nossa alma para bem praticar a devoção dos cinco primeiros sábados.

Imaculado Coração de Maria, rogai por nós!

Natalino Ueda
Missionário da comunidade Canção Nova desde 2005. Cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo e é autor do blog Todo de Maria: http:// blog.cancaonova.com/tododemaria

O Coração de Jesus e a Eucaristia

“Quem poderá descrever dignamente as pulsações do Coração divino do Salvador, indícios de seu amor infinito, naqueles momentos em que oferecia à humanidade seus dons mais preciosos, a si mesmo no sacramento da eucaristia, sua Mãe santíssima e o sacerdócio? Ainda antes de celebrar a última ceia com seus discípulos, ao pensar que iria instituir o sacramento de seu corpo e de seu sangue, cuja efusão iria confirmar a nova aliança, o Coração de Jesus manifestara intensa comoção, revelada por ele aos apóstolos com estas palavras: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Mas sua emoção atingiria o ápice quando tomou o pão, rendeu graças, partiu-o e ofereceu-lhes, dizendo: “Este é o meu corpo, dado por vós. Fazei isto em minha memória. Do mesmo modo, depois da ceia, deu o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que por vós será derramado” (Lc 22,19-20)” (Pio XII, Encíclica Haurietis Aquas, 33-34).

Essas observações do Papa Pio XII, na encíclica que se tornou ponto de referência quando se estuda a espiritualidade do Coração de Jesus, motiva-nos a apresentar a fundamentação bíblica dessa devoção (O coração na Bíblia e O Coração Traspassado) e a analisar o dom mais precioso do Coração de Jesus – aquele que nasceu de um desejo ardente e num momento especialíssimo de sua vida e missão: a Eucaristia (“Desejei ardentemente”, Memorial da morte e ressurreição e O que mais poderia Jesus ter feito por nós?). O coração na Bíblia Na introdução de um livro que escreveu sobre o Coração de Jesus, o teólogo alemão Karl Rahner (1904-1984) afirmou que “no futuro do mundo e da Igreja, o homem e a mulher serão místicos, isto é, pessoas com profunda experiência religiosa, ou não serão mais cristãos”. Os místicos, segundo ele, serão capazes de compreender de maneira nova e radical o sentido da expressão Coração de Jesus. Coração de Jesus, Sagrado Coração de Jesus: terá ainda sentido essa devoção? Não será uma forma ultrapassada de expressão religiosa, própria de outras épocas e culturas? Afinal, ao longo dos séculos, homens e mulheres relacionaram-se com Deus utilizando-se de palavras, expressões e gestos tirados de seu mundo, de seu tempo e de sua realidade. Por isso mesmo, muitas devoções e manifestações religiosas, largamente difundidas em determinadas épocas ou lugares, aos poucos caíram em desuso. Todos admitem que tiveram seu valor mas, hoje, ninguém mais lhes dá importância. Não teria acontecido o mesmo com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, tão difundida nos séculos dezoito e dezenove? A história da Igreja nos ensina que as expressões de fé que têm base bíblica conseguem ultrapassar culturas, épocas e costumes e permanecem sempre. Ora, a base da espiritualidade do Coração de Jesus está na Bíblia. Nela encontramos, somente no Antigo Testamento, 853 vezes a palavra “coração” – por exemplo, na promessa: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). No Novo Testamento, essa palavra aparece 159 vezes. Na maioria delas, mais do que se referir ao órgão físico, sintetiza a interioridade da pessoa, sua intimidade e o mais profundo do seu ser. É o que percebemos no convite de Jesus: “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,28-29). Quem penetra nesse Coração manso e humilde passa a compreender a razão de sua predileção pelos pecadores, pobres e aflitos; partilha de seu ardente amor pelo Pai; descobre as dimensões de seu amor e sente-se motivado a se jogar com confiança nele. É o caso do apóstolo S. Paulo, que fez tão profunda experiência da intimidade de Cristo que passou a insistir: “Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3,17-19). Um biblista belga, Ignace de la Potterie[1], escrevendo sobre a intimidade de Cristo, isto é, sobre seu “coração”, insiste que Jesus tinha consciência de ser ele mesmo “o Reino de Deus”. Converter-se e crer no Evangelho quer dizer converter-se a Jesus, penetrar na intimidade de seu Coração e viver dele e por ele. É isso que entendemos, por exemplo, com a invocação: “Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações”. Entramos em seu reino, isto é, penetramos em sua interioridade, quando começamos a reconhecê-lo como Rei e Senhor, quando aceitamos que seja ele a reinar em nossos corações. Damos outro passo no conhecimento de sua intimidade quando descobrimos as razões e os modos de sua obediência ao Pai. Jesus foi obediente não só para nos deixar um exemplo, mas porque tinha clara consciência de ser, acima de tudo, Filho. Tendo uma profunda intimidade com o Pai e, sabendo-se infinitamente amado por ele, como não lhe obedecer? A obediência era-lhe, pois, natural, e até mais do que isso: uma agradável obrigação de todo o seu ser. Obedecendo, vivia, mais do que em qualquer outra circunstância, a condição de Filho. Deus é seu “Abbá”, seu Pai querido. O Coração Traspassado Também o apóstolo e evangelista João refere-se à intimidade de Cristo, ao seu “coração”, mas de outra maneira. Presente no Calvário quando Jesus consumava sua obra, o evangelista relata com pormenores o que testemunhou: “Era o dia de preparação do sábado, e esse seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E um outro texto da Escritura diz: “Olharão para aquele que traspassaram” (Jo 19,31-37). “Olharão para aquele que traspassaram”. S. João vê no Coração traspassado de Jesus um sinal escolhido por Deus para testemunhar seu amor. Vê nesse sinal o maior prodígio da História da Salvação; a maior epifania do amor de Deus; o ponto mais alto e a síntese de todo o mistério pascal. Não vê esse fato como casual, mas como um acontecimento projetado por Deus e até anunciado no Antigo Testamento (Ex 12,46; Zc 12,10). O sangue que sai do lado de Cristo é sinal de libertação (Ex 12,7,13); por ele concretiza-se a nova aliança (Ex 24,8): “Este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26,28). Assim, no Coração aberto de seu Filho, Deus marca um encontro conosco, mostra-nos sua misericórdia e nos dá seu abraço de Pai. A água que sai do lado de Cristo é a “água viva”, prometida por Jesus à Samaritana (cf. Jo 4,10-14): quem dela beber, “nunca mais terá sede”. É, também, a água prometida a todos “no último e mais importante dia da festa” das Tendas[2]: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim” – conforme diz a Escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37-38). Ao evangelista João não interessa somente o que sai – sangue e água –, mas de onde sai: do lado aberto do Coração de Cristo, de seu Coração traspassado. Sagrado Coração de Jesus, portanto, é um outro nome que a Igreja dá ao Traspassado na Cruz. Desde os primeiros tempos de sua história, a Igreja elevou seu olhar para o Coração de Cristo, ferido pela lança do soldado na Cruz. Olhando para aquele que foi traspassado, queria penetrar na intimidade de seu Senhor. Desse olhar nasceu uma descoberta, que o Concílio Vaticano II (1962-1965) assim resumiria: ele nos “amou com um coração humano” (GS, 22). “Desejei ardentemente” O Papa Pio XII destacou que, ao instituir a Eucaristia, seu dom mais precioso, o Coração de Jesus deixou que seus sentimentos se manifestassem abertamente: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). A instituição da Eucaristia aconteceu, pois, por premeditação de Jesus e não por mera iniciativa dos apóstolos. Diante da proximidade da festa da Páscoa, eles perguntaram ao Mestre: “Onde queres que preparemos a ceia pascal?” (Mt 26,17). Os apóstolos eram judeus e deviam participar anualmente dessa celebração. Tinham aprendido a fazer memória[3] da ação libertadora operada por Javé, no Egito. Em resposta à pergunta, Jesus lhes deu as devidas orientações (“Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’” – Mt 26,18) e eles procuraram executá-las (“Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal” – Mt 26,19). Ao anoitecer daquela quinta-feira – ou, para usar uma expressão do evangelista Lucas: “quando chegou a hora” (Lc 22,14) –, reunido com os apóstolos, Jesus lhes abriu seu coração. Em nenhuma outra oportunidade havia expressado tão claramente seus sentimentos; em nenhum outro momento falara tão abertamente do que ia no mais profundo de seu ser: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Depois de antecipar que não mais comeria a páscoa com eles, “até que ela se realize no Reino de Deus” (Lc 22,16), fez uma série de gestos que os apóstolos só entenderiam mais tarde, em Pentecostes: “Tomou o pão, deu graças, partiu-o e lhes deu, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim’. Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós’” (Lc 22,17-20). “Desejei ardentemente…” Jesus deixou claro que aquele momento e aquele acontecimento não estavam sendo improvisados. Foram preparados e desejados por ele. Se para ele era um momento importante, emocionante até, o que foi para os apóstolos? Pouco ou nada entenderam do que Jesus fez e falou. É o que se conclui pelo que aconteceu em seguida: “Ora, houve uma discussão entre eles sobre qual deles devia ser considerado o maior” (Lc 22,24). Certamente, Jesus não se surpreendeu com tal discussão: havia antecipado que só com a vinda do Espírito Santo eles entenderiam suas palavras e obras. Realmente, “quando chegou o dia de Pentecostes” (At 2,1), os apóstolos compreenderam a extensão do “Desejei ardentemente…” e da ordem: “Fazei isso em memória de mim!” (Lc 22,19) – ordem que os primeiros cristãos levaram muito a sério, a ponto de serem “assíduos… à fração do pão” (At 2,42). Memorial da morte e ressurreição “Quando a igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, esse acontecimento central da salvação torna-se realmente presente e com ele se realiza também a obra de nossa redenção. Esse sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos, como se a ele tivéssemos estado presentes. Assim, cada fiel pode tomar parte na obra da redenção, alimentando-se de seus frutos inexauríveis.” (EE, 11). Essa verdade de fé, esse mistério – “mistério grande, mistério de misericórdia” –, fez nascer uma pergunta no coração de João Paulo II: “O que mais poderia Jesus ter feito por nós?” O próprio Papa, maravilhado com a grandeza desse mistério, exclamou: “Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até o fim (cf. Jo 13,1), um amor sem medida” (id.). Estamos convictos de que: (1º) o memorial da morte e ressurreição do Senhor encontra-se à nossa disposição e podemos participar da obra de nossa redenção “como se tivéssemos estado presentes”; 2º) de diversas maneiras Jesus cumpre, na Igreja, a promessa que fez: “Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20), sendo que, na Eucaristia, essa presença é especial (cf. EE 1); (3º) a Igreja vive da Eucaristia; nutre-se desse pão vivo (cf. EE 7); (4º) a Eucaristia é o que a Igreja tem de mais precioso para oferecer ao mundo (cf. EE 9). Diante dessas certezas, só nos resta perguntar: que impacto tem a Eucaristia em nosso dia-a dia? A participação nesse “mistério da fé” é, realmente, o momento mais importante de nossa vida? “Desejei ardentemente comer esta Páscoa antes de sofrer”. Somos convidados a ver a Eucaristia a partir da perspectiva do Coração de Jesus. Reunido com os apóstolos, na noite daquela memorável quinta-feira, ele procurou dizer-lhes que não nos estava deixando apenas uma série de ensinamentos e de lembranças. Era sua própria pessoa que nos oferecia em testamento. Concretizava, dessa maneira, a nova aliança com o Pai. Ele se oferecia pela salvação do mundo. Na Eucaristia aplica, aos homens e às mulheres de hoje, a reconciliação obtida, de uma vez para sempre, para a humanidade de todos os tempos (cf. EE 12), já que torna presente o sacrifício da Cruz. Não é mais um sacrifício, nem se multiplica. O que se repete é a celebração memorial (cf. EE 12). Participando da Eucaristia, aprendemos com Jesus a “lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14), num serviço fraterno que se expressará sob mil formas e em inúmeras circunstâncias, numa extensão da Eucaristia. O que mais poderia Jesus ter feito por nós? Depois da consagração, o Presidente da celebração eucarística aclama: Eis o mistério da fé! Realmente, a Eucaristia não é um dos tantos mistérios, mas é “o” mistério da fé. É fonte da vida da Igreja, pois dela é que nasce a graça; é, também, seu ponto mais alto, pois é para a Eucaristia que tende sua ação, suas orações e seus trabalhos pastorais. Por ela se obtém a santificação dos homens e a glorificação de Deus. Como deve ocupar o lugar central na vida cristã, toda a atividade cristã deve ser organizada em vista da Eucaristia. À aclamação do Presidente da celebração, o povo responde: Anunciamos, Senhor, a vossa morte; proclamamos a vossa ressurreição; vinde, Senhor Jesus! Anunciar a morte do Senhor até que ele venha inclui transformar a vida, que se deve tornar eucarística (cf. EE 20). Somos chamados a unir-nos a Cristo, sacerdote e vítima, associando-nos à oferta que faz de si mesmo pela salvação da humanidade. É com Cristo Eucarístico que aprendemos a viver a identidade entre ministro e vítima. Também nós devemos desejar ardentemente celebrar a Páscoa, pois em nenhum momento somos tão fortes, tão úteis e eficazes como nesse, em que nos oferecemos a Cristo; com Cristo nos oferecemos ao Pai; e oferecemos ao Pai, “por Cristo, com Cristo, em Cristo”, toda a humanidade. Cada vez que formos para o altar deveremos levar a realidade que nos envolve – realidade feita de esperanças e alegrias, mas também de sofrimentos e insucessos. Damos, assim, nossa contribuição pessoal ao sacrifício redentor de Cristo. Com ele, aprendemos a ser pão partido e repartido para vida do mundo – isto é, descobrimos que não se pode comer o corpo do Senhor e beber seu sangue, e permanecer insensível diante da situação dos irmãos. A Eucaristia é também comunhão: não só cada um de nós recebe Cristo, mas Cristo recebe cada um de nós (cf. EE 22). Unindo-nos a ele, que possui a vida divina em plenitude, participamos de sua vida divina: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, possui a vida eterna” (Jo 6,54). Quem recebe a Eucaristia, recebe, pois, o germe da ressurreição: “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,58). Celebrar a Eucaristia é esperar a vinda gloriosa de Jesus Cristo; é unir-se à liturgia celeste, associando-se àquela multidão imensa que grita: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). “A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar nosso caminho” (EE, 19). “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” . Precisamos alimentar em nosso coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fl 2,5). Quando nossos sentimentos forem os dele, não só poderemos dizer: “Eu vivo, mas não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20), como também concluiremos que “o divino Redentor foi crucificado mais pela força do amor do que pela violência de seus algozes; e seu voluntário holocausto é o dom supremo que seu Coração fez a cada um dos homens” (HA, 37). Ou, como o apóstolo São Paulo, proclamaremos com convicção: “O Filho de Deus me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). O que mais poderia o Coração de Jesus ter feito por nós?…

[1] DE LA POTTERIE, I. Il mistero del Cuore trafitt -. Fondamenti biblici della spiritualità del Cuore di Gesù. Bolonha – Itália, Dehoniane, 1988.
[2] Festa das Tendas (ou: do Tabernáculo; ou: da Dedicação): Festa do fim da colheita, especialmente da uva, no início do outono da Palestina (set/out), a mais festiva das festas de romaria (Páscoa, Pentecostes e Tendas). Originalmente pernoitava-se nas cabanas de folhagens nos vinhedos, mais tarde, interpretadas como lembrança das tendas no deserto, quando do êxodo do Egito. Tanto o templo de Salomão como o de Zorobabel (2º templo) foram inaugurados nesta festa, motivo pelo qual ela é também chamada de Festa da Dedicação do Templo. Foi em uma delas que Esdras fez a grande leitura da Lei (fundação do judaísmo: Ne 8-9). (Cf. Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, Glossário).
[3] Memória: o fato recordado é o evento salvífico de Deus, que se renova na história, atualizando-se. Nesse sentido, a eucaristia não é só recordação, mas o sacrifício de Cristo em ação, no hoje da Igreja, a tensão para a realidade gloriosa de Cristo ressuscitado. (Dicionário Enciclopédico das Religiões, Vozes).

 

Eucaristia no Direito Canônico 
Do Código de Direito Canônico da Igreja Católica
www.cleofas.com.br

Face à importância da Santíssima Eucaristia na vida da Igreja, transcrevemos aqui os cânones (artigos) mais importantes sobre as normas que regem este augusto Sacramento. Como são poucas as pessoas leigas que têm acesso ao Código de Direito Canônico da Igreja, achamos oportuno mostrar este assunto.

Cân. 897 – Augustíssimo sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam.

Cân. 899 § 1. A celebração da Eucaristia é ação do próprio Cristo e da Igreja, na qual, pelo mistério do sacerdote, o Cristo Senhor, presente sob as espécies de pão e de vinho, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis unidos à sua oblação.

Cân. 900 § 1. Somente o sacerdote validamente ordenado é o ministro que, fazendo as vezes de Cristo, é capaz de realizar o sacramento da Eucaristia.

Cân. 904 – Lembrando-se sempre que no mistério do Sacrifício eucarístico se exerce continuamente a obra da salvação, os sacerdotes celebrem freqüentemente; e mais, recomenda-se com insistência a celebração cotidiana, a qual, mesmo não se podendo ter presença de fiéis, é um ato de Cristo e da Igreja, em cuja realização os sacerdotes desempenham seu múnus principal.

Cân. 907 – Na celebração eucarística, não é lícito aos diáconos e leigos proferir as orações, especialmente a oração eucarística, ou executar as ações próprias do sacerdote celebrante.

Cân. 908 – É proibido aos sacerdotes católicos concelebrar a Eucaristia junto com sacerdotes ou ministros de Igrejas ou comunidades que não estão em plena comunhão com a Igreja Católica.

Cân. 913 § 1. Para que a santíssima Eucaristia possa ser ministrada às crianças, requer-se que elas tenham suficiente conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que, de acordo com sua capacidade, percebam o mistério de Cristo e possam receber o Corpo do Senhor com fé e devoção. § 2. Contudo, pode-se administrar a santíssima Eucaristia às crianças que estiverem em perigo de morte, se puderem discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e receber a comunhão com reverência.

Cân. 916 – Quem está consciente de pecado grave não celebre a missa nem comungue o Corpo do Senhor, sem fazer antes a confissão sacramental, a não ser que exista causa grave e não haja oportunidade para se confessar; nesse caso, porém, lembre-se que é obrigado a fazer um ato de contrição perfeita, que inclui o propósito de se confessar quanto antes.

Cân. 917 – Quem já recebeu a santíssima Eucaristia pode recebê-la no mesmo dia, somente dentro da celebração eucarística em que participa, salva a prescrição do cânon 921 §2 (perigo de morte).

Cân. 918 – Recomenda-se sumamente que os fiéis recebam a sagrada comunhão na própria celebração eucarística; seja-lhes, contudo, administrada fora da missa quando a pedem por causa justa, observando-se os ritos litúrgicos.

Cân. 919 § 1. Quem vai receber a sagrada Eucaristia abstenha-se de qualquer comida ou bebida, excetuando-se somente água e remédio, no espaço de ao menos uma hora antes da sagrada comunhão (exceção para pessoas idosas e enfermas e quem cuida delas, §3).

Cân. 920 § 1. Todo fiel, depois que recebeu a sagrada Eucaristia pela primeira vez, tem a obrigação de receber a sagrada comunhão ao menos uma vez por ano. §2. Esse preceito deve ser cumprido no período pascal, a não ser que, por justa causa, sejam confortados com a sagrada comunhão como viático.

Cân. 921 § 1. Os fiéis em perigo de morte, proveniente de qualquer causa, sejam confortados com a sagrada comunhão como viático. § 2. Mesmo que já tenham comungado nesse dia, recomenda-se vivamente que comunguem de novo aqueles que vierem a ficar em perigo de morte. § 3. Persistindo o perigo de morte, recomenda-se que seja administrada a eles a sagrada comunhão mais vezes em dias diferentes.

Cân. 844 §2. Sempre que a necessidade o exigir ou verdadeira utilidade espiritual o aconselhar, e contanto que se evite o perigo de erro ou indiferentismo, é lícito aos fiéis, a quem for física ou moralmente impossível dirigir-se a um ministro católico, receber os sacramentos da penitência, Eucaristia e unção dos enfermos de ministros não-católicos, em cuja Igreja ditos sacramentos existem validamente.

Cân. 924 §1. O sacrossanto Sacrifício eucarístico deve ser oferecido com pão e vinho, e a este se deve misturar um pouco de água. §2. O pão deve ser só de trigo e feito recentemente, de modo que não haja perigo algum de deterioração. §3. O vinho deve ser natural, do fruto da videira e não deteriorado.

Cân. 925 – Distribua-se a sagrada comunhão só sob a espécie de pão ou, de acordo com as leis litúrgicas, sob ambas as espécies; mas, em caso de necessidade, também apenas sob a espécie de vinho.

Cân. 927 – Não é lícito, nem mesmo urgindo extrema necessidade, consagrar uma matéria sem a outra, ou mesmo consagrá-las a ambas fora da celebração eucarística.

Cân. 929 – Sacerdotes e diáconos, para celebrarem ou administrarem a Eucaristia, se revistam dos paramentos sagrados prescritos pelas rubricas.

Cân. 931 §1. A celebração eucarística deve realizar-se em lugar sagrado, a não ser que, em caso particular, a necessidade exija outra coisa; nesse caso, deve-se fazer a celebração em lugar decente. §2. O sacrifício eucarístico deve realizar-se sobre altar dedicado ou benzido; fora do lugar sagrado, pode ser utilizada uma mesa conveniente, mas sempre com toalha e corporal.

Cân. 934 §2. Nos lugares em que se conserva a santíssima Eucaristia deve sempre haver alguém que cuide dela e, na medida do possível, um sacerdote celebre missa aí, pelo menos duas vezes por mês.

Cân. 935 – A ninguém é licito conservar a Eucaristia na própria casa ou levá-la consigo em viagens, a não ser urgindo uma necessidade pastoral e observando-se as prescrições do Bispo diocesano.

Cân. 937 – A não ser que obste motivo grave, a igreja em que se conserva a santíssima Eucaristia seja aberta todos os dias aos fiéis, ao menos durante algumas horas, a fim de que eles possam dedicar-se à oração diante do santíssimo Sacramento.

Cân. 938 §1. Conserve-se a santíssima Eucaristia habitualmente em um só tabernáculo da igreja ou oratório. §2. O tabernáculo em que se encontra a santíssima Eucaristia esteja colocado em alguma parte da igreja ou oratório que seja insigne, visível, ornada com dignidade e própria para a oração. §3. O tabernáculo em que habitualmente se conserva a santíssima Eucaristia seja inamovível, construído de madeira sólida e não transparente, e de tal modo fechado, que se evite o mais possível o perigo de profanação. §4. Por motivo grave, é lícito conservar a santíssima Eucaristia, principalmente à noite, em algum lugar mais seguro e digno. §5. Quem tem o cuidado da igreja ou oratório providencie que seja guardada com o máximo cuidado a chave do tabernáculo onde se conserva a santíssima Eucaristia.

Cân. 939 – Conservem-se na píxide ou âmbula hóstias consagradas em quantidade suficiente para as necessidades dos fiéis; renovem-se com freqüência, consumindo-se devidamente as antigas.

Cân 940 – Diante do tabernáculo em que se conserva a santíssima Eucaristia, brilhe continuamente uma lâmpada especial, com a qual se indique e se reverencie a presença de Cristo.

Cân. 943 – Ministro da exposição do santíssimo Sacramento e da bênção eucarística é o sacerdote ou diácono; em circunstâncias especiais, apenas da exposição e remoção, mas não da bênção, é o acólito, um ministro extraordinário da comunhão eucarística, ou outra pessoa delegada pelo Ordinário local, observando-se as prescrições do Bispo diocesano. Estas normas são completadas com as disposições definidas pela Sagrada Congregação Para o Sacramento e o Culto Divino, da Cúria Romana, sempre aprovadas pelo Papa, antes de entrar em vigor na vida da Igreja.

Sagrado Coração de Jesus

Frases sobre o Sagrado Coração de Jesus

1- Papa Pio XII – “Todas as Bênçãos que, do Céu, a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus derrama sobre as almas dos Fiéis, purificando-os, trazendo-lhes uma grata consolação celeste e exortando-os a alcançar todas as virtudes, são verdadeiramente inumeráveis”.

2- A Palavra: “Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água”. (Jo 19, 33-34)

3- São Boaventura: “Levanta-te, ó alma amiga de Cristo. Não cesses a tua vigília, cole seus lábios neste Coração para aí haurires as águas das fontes do Salvador”.

4- São João Paulo II: “Eis que, no Transpassar da lança do soldado todas as gerações dos cristãos aprenderam e aprendem a ler o mistério do Coração do Homem Crucificado, que era e é Filho de Deus”.

5- São Bernardo: “O mistério do coração abre-se através das feridas do corpo; abre-se o grande mistério da piedade, abem-se as entranhas de misericórdia do nosso Deus”.

6- Papa Pio XII – “A Igreja teve sempre em tal estima a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e de tal modo continua a considerá-la, que se empenha totalmente no sentido de a manter florescente em todo o mundo, e de a promover por todos os meios possíveis.”

7- A Palavra: “Ei-lo que vem com as nuvens. Todos os olhos o verão, mesmo aqueles que o traspassaram. Por sua causa, hão de lamentar-se todas as raças da terra. Sim. Amém”. (Ap 1, 7)

8- Padre Dehon: “A Eucaristia e a Cruz são os mananciais dos quais o Sagrado Coração se expande em ondas de amor, de graça, de misericórdia”.

9- São João Paulo II: “A bela ladainha ao Sagrado Coração de Jesus é composta de muitas palavras semelhantes — além disso, das exclamações de admiração pela riqueza do Coração de Cristo”.

10- Santa Margarida Maria de Alacoque: “Ó Coração de amor, ponho toda minha confiança em ti, temo minhas fraquezas e falhas, mas tenho esperança em tua Divindade e Bondade”.

11- São Boaventura: “Para isso foi ferido o teu coração, para abrires uma porta e aí entrarmos, e libertos do pecado, com amor aí permanecer. Quem não ama tão grande amante?”

12- Papa Leão XIII disse que a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus é “uma forma por excelência de religiosidade (…) Esta devoção, que recomendamos a todos, será para todos proveitosa.” – “No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do Amor Infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-Lhe esse Amor.”

13- São João Paulo II disse do Coração de Jesus: “Este Coração é fonte de vida e de santidade”.

14- Padre Dehon: “O Ideal da minha vida é conquistar o mundo para Jesus Cristo instaurar o Reino do Sagrado Coração”.

15- Papa Pio XII – “O Seu Coração é o sinal natural e o símbolo do Seu Amor sem limites para com a humanidade”.

16- Santa Margarida Maria de Alacoque: “Que eu obtenha de tua amada bondade a graça de Ter meu nome escrito em Teu coração, para depositar em ti toda minha felicidade e glória, viver e morrer em tua bondade”.

17- A Palavra: “Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de boa vontade e de prece, e eles voltarão os seus olhos para mim. Farão lamentações sobre aquele que transpassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito! (Zc 12, 10)

18- São João Paulo II: “O Coração do Homem-Deus não julga os corações humanos. O Coração chama. O Coração «convida». Com este fim foi aberto com a lança do soldado”.

19- São São Gregório Magno disse: “Aprendei do Coração de Deus e nas próprias palavras de Deus, para poderdes aspirar ardentemente às coisas eternas.”

20- Padre Dehon: “Levar Cristo ao coração do mundo; Trazer o mundo ao coração de Cristo”.

21- Santa Gertrudes: “Eu Vos saúdo, ó Sagrado Coração de Jesus, Fonte viva e vivificante de Vida Eterna, Tesouro infinito da Divindade, Fornalha Ardente do Amor de Deus…”.

22- O Catecismo (§478): “O Sagrado Coração de Jesus, transpassado pelos nossos pecados e para nossa salvação, é considerado sinal e símbolo por excelência… daquele amor com que o divino Redentor ama sem cessar o eterno Pai e todos os homens”.

 

Consagração ao Sagrado Coração de Jesus (Santa Margarida Maria Alacoque)

Eu (dizer o nome)… Vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para vos honrar, amar e glorificar.

É esta a minha vontade irrevogável: ser toda Vossa e tudo fazer por Vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto Vos possa desagradar.

Tomo-Vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconsciência, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.

Sede, ó coração de bondade, minha justiça diante de Deus, Vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera. Ó coração de amor! deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de Vossa bondade!

Extingui em mim tudo que possa desagradar-Vos ou se oponha à Vossa vontade. Seja o Vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-Vos, nem separar-me de Vós. Suplico por todas as Vossas finezas, que meu nome seja escrito em Vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como Vossa escrava. Amém.

 

ORAÇÃO CONSAGRATÓRIA AO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

Coração Sagrado de meu amado Jesus: eu, ainda que vilíssima criatura, vos dou e consagro minha pessoa, vida e ações, penas e padecimentos, confiando que nenhuma parte de meu ser me sirva se não é para amar-vos, honrar-vos e glorificar-vos.

Esta é minha vontade irrevogável: Ser todo vosso e fazer tudo por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a quanto possa desagradar-vos. Vos tomo, pois, oh! Coração Divino, pelo único objeto de meu amor, protetor de minha vida, prenda de minha salvação, remédio de minha inconstância, reparador de todas as culpas de minha vida; e asilo seguro na hora de minha morte. Sede, pois, oh! Coração bondoso, minha justificação para com Deus Pai, e afastai de mim os raios de sua justa cólera.

Oh! Coração amoroso, ponho toda a minha confiança em Vós, pois ainda que temo tudo de minha fraqueza, sem dúvida, tudo o espero de vossa misericórdia; Consumi em mim tudo o que vos desagrada e resiste, e fazei que vosso puro amor se imprima tão intimamente em meu coração, que jamais chegue a esquecer-vos nem a estar separado de Vós.

Vos suplico, por vossa mesma bondade, escrevais meu nome em Vós mesmo, pois quero ter cifrada toda minha sorte em viver e morrer como vosso escravo. Amém.

 

Aprender a difícil “ciência” de nos deixar amar por Deus: a homilia do Papa Francisco na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

2013-06-07 Rádio Vaticana  Cidade do Vaticano (RV) – Deixar-nos amar pelo Senhor com ternura é difícil, mas é o que devemos pedir a Deus: este foi o convite feito pelo Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Na homilia, o Pontífice repetiu várias vezes que Jesus nos amou não tanto com as palavras, mas com as obras e com a sua vida.  A solenidade de hoje, disse, é “a festa do amor”, de um “coração que muito amou”. Um amor que, como repetia Santo Inácio, “se manifesta mais nas obras do que nas palavras” e que é sobretudo “mais dar do que receber”. “Esses dois critérios – evidencia o Papa – são como os pilares do verdadeiro amor” de Deus. Ele conhece suas ovelhas uma a uma, porque não se trata de um amor abstrato, mas que se manifesta por cada um de nós: “Um Deus que se faz próximo por amor, caminha com seu povo e esse caminhar chega a um ponto inimaginável. E isto é proximidade: o pastor próximo do seu rebanho, de suas ovelhas”. Citando um trecho do Livro do Profeta Ezequiel, o Papa evidencia outro aspecto do amor de Deus: o cuidado pela ovelha perdida e por aquela ferida e doente: “Ternura! O Senhor nos ama com ternura. O Senhor conhece aquela bela ciência dos carinhos, a ternura. Não nos ama com as palavras. Ele se aproxima e nos dá o amor com ternura. Proximidade e ternura! E este é um amor forte, porque nos faz ver a fortaleza do amor de Deus”. Francisco explica ainda que este amor deve fazer-se próximo do outro, deve ser como o do bom samaritano”. Mas é possível retribuir todo este amor ao Senhor? “Isso pode parecer uma heresia, mas é a grande verdade! Mais difícil que amar a Deus é deixar-se amar por Ele! A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-nos amar. Deixar que Ele se faça próximo a nós, deixar que ele nos acaricie. É tão difícil deixar-nos amar por Ele. Talvez isso é o que devemos pedir hoje na Missa: ‘Senhor, eu quero amá-Lo, mas me ensine a difícil ciência, o difícil hábito de deixar-nos amar, de senti-Lo próximo e tenro!’. Que o Senhor no dê esta graça!” (BF)

 

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Doce Coração de Jesus que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada vez mais   

Jesus apareceu numerosas vezes a Santa Margarida Maria Alacoque, de 1673 até 1675, para falar sobre a devoção ao seu Sagrado Coração, a “grande devoção”. A Igreja instituiu a solenidade do Sagrado Coração de Jesus que  é celebrada pela Igreja na sexta-feira seguinte ao segundo domingo depois de Pentecostes. Há diversas formas de devoção ao Coração de Jesus. Entre elas: a consagração pessoal, que, segundo Pio XI, “entre todas as práticas do culto ao Sagrado Coração é sem dúvida a principal”;  e também, a consagração da família. Dos colóquios de Santa Margarida com Jesus, distinguem-se 12 promessas. São elas: – A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração. – Eu darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias a seu estado. – Estabelecerei e conservarei a paz em suas famílias. – Eu os consolarei em todas as suas aflições. – Serei seu refúgio seguro na vida e, principalmente, na hora da morte. – Lançarei bênçãos abundantes sobre todos os seus trabalhos e empreendimentos. – Os pecadores encontrarão em meu Coração fonte inesgotável de misericórdias. – As almas tíbias se tornarão fervorosas pela prática dessa devoção. – As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma alta perfeição. – Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente essa devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos. – As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes inscritos para sempre no meu Coração. – A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.  Consagração da Família ao Sagrado Coração de Jesus  Sagrado Coração de Jesus, que manifestastes a Santa Margarida Maria Alacoque o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa família. Queremos, de agora em diante, viver a vossa vida, queremos que floresçam, em nosso meio, as virtudes às quais prometestes, já neste mundo, a paz.  Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes. Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé; em nossos corações pelo amor sem reservas de que estamos abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção freqüente de vossa divina Eucaristia.  Dignai-vos, Coração divino, presidir as nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as aflições, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas. Se, alguma vez, algum de nós tiver a infelicidade de Vos ofender, lembrai-Vos, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.  E quando soar a hora da separação, nós todos, os que partem e os que ficam, seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia em que toda a família, reunida no Céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios. Digne-se o Coração Imaculado de Maria, digne-se o glorioso Patriarca São José apresentar-Vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida. Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai.  Consagração pessoal ao Sagrado Coração de Jesus  Eu (o seu nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, a minha vida, as minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte do meu ser, senão para Vos honrar, amar e glorificar. É esta a minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar.  Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único bem do meu amor, protetor da minha vida, segurança da minha salvação, remédio da minha fragilidade e da minha inconstância, reparador de todas as imperfeições da minha vida e meu asilo seguro na hora da morte.  Sê, ó Coração de bondade, a minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim a vossa justa cólera. Ó Coração de amor, deposito toda a minha confiança em vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade! Extingui em mim tudo o que possa desagradar-vos ou que se oponha à vossa vontade.  Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-vos nem separar-me de vós. Suplico-vos que o meu nome seja escrito no vosso Coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém.

 

As 12 Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque

1- Eu lhes darei as graças necessárias para cumprirem os deveres de seu estado.

2- Eu darei paz às suas almas.

3- Eu os consolarei em todas as suas aflições.

4- Serei refúgio seguro durante a vida e, sobretudo, na hora da morte.

5- Derramarei abundantes bênçãos sobre seus empreendimentos.

6- Os pecadores acharão em Meu Coração a fonte e o oceano de infinita misericórdia.

7- As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas.

8- As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente à grande perfeição.

9- Abençoarei os lares onde for exposta e honrada a imagem do Meu Coração.

10- Darei aos sacerdotes a graça de comoverem os corações mais endurecidos.

11- As pessoas que propagarem essa devoção terão seu nome escrito para sempre no Meu Coração e, dele jamais será apagado.

12- Eu prometo, na excessiva misericórdia de Meu Coração, que meu amor onipotente concederá a todos os que comungarem durante nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas, a graça da penitência final; não há de morrer em pecado e sem receber os sacramentos, servindo Meu Coração de asilo seguro naquele último momento.

(Fonte: A Grande Promessa do Sacratíssimo Coração de Jesus- Edições Loyola)

O exame de consciência como proteção ao coração

Defesa contra o mal

Sexta-feira, 10 de outubro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano  

Francisco disse que prática tão antiga, mas boa, ajuda o homem a não deixar que o mal entre no coração, onde mora o Espírito Santo

Na homilia desta sexta-feira, 10, o Papa Francisco falou de uma prática “antiga”, mas “boa”: o exame de consciência. Segundo o Pontífice, este é um caminho para não deixar o mal entrar no coração.

Francisco começou pelo Evangelho do dia, que mostra o diabo sempre procurando tentar o homem. Ele lembrou que, após as tentações no deserto, o demônio deixou Jesus por um tempo, mas sempre voltava, o que se via, por exemplo, quando O colocavam à prova e faziam armadilhas para Ele.

O Santo Padre destacou que é preciso proteger o coração onde mora o Espírito Santo, como se protege uma casa com a chave, a fim de que não entrem outros espíritos. Depois, vigiar o coração, como uma sentinela.

“Quantas vezes entram os maus pensamentos, as más intenções, o ciúme, a inveja. (…) Se eu não me dou conta do que entra no meu coração, ele se torna uma praça, onde todos vão e vem. Um coração sem intimidade, um coração onde o Senhor não pode falar nem ser ouvido”.

Nesse sentido, o Papa disse que se pode adotar uma prática antiga na Igreja, mas boa: o exame de consciência. Trata-se de ficar sozinho no fim do dia e se perguntar o que se passou no coração ao longo da jornada. Segundo Francisco, se a pessoa não faz isso, então não sabe realmente vigiar nem proteger o coração. Ele disse ainda que o exame de consciência é uma graça, porque proteger o coração é proteger o Espírito Santo que está lá dentro.

“Nós sabemos, Jesus fala claramente, que os demônios voltam sempre. Mesmo no fim da vida, Ele – Jesus – nos dá o exemplo disso. E para proteger, para vigiar, para que não entrem os demônios, é preciso saber recolher-se, isso é, estar em silêncio diante de si mesmo e diante de Deus, e ao fim do dia perguntar-se: ‘O que aconteceu hoje no meu coração? Entrou alguém que não conheço? A chave está no lugar?’. Isso nos ajudará a nos defendermos de tantas maldades, mesmo daquelas que nós podemos fazer, se entrarem esses demônios, que são muito espertos e no fim enganam a todos”.

Não basta encontrar Jesus para crer n’Ele, se o coração estiver fechado

09/08/2015

Cidade do Vaticano (RV) – Não basta encontrar Jesus para crer n’Ele, não basta ler a Bíblia, o Evangelho, não basta nem mesmo assistir a um milagre; se o coração estiver fechado, a fé não entra: foi o que disse o Santo Padre no Angelus deste domingo.

Na alocução que precedeu à oração mariana, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus – após ter feito o grande milagre da multiplicação dos pães – parte da experiência da fome e do sinal do pão para revelar Ele mesmo e convidar a crer n’Ele.

O povo o procura, o povo o escuta, porque ficou entusiasmado com o milagre. Mas quando Jesus afirma que o verdadeiro pão, dado por Deus, é Ele mesmo – explicou o Papa –, muitos se escandalizam, não entendem, e começam a murmurar entre si. Então Jesus responde: “Ninguém pode vir a mim, se não o atrai o Pai que me enviou”.

Esta palavra do Senhor impressiona-nos e nos faz refletir, observou Francisco. “Esta palavra introduz na dinâmica da fé, que é uma relação: a relação entre a pessoa humana – todos nós – e a Pessoa de Jesus, onde o Pai desempenha um papel decisivo, e naturalmente também o Espírito Santo – que aí está subentendido”, acrescentou o Santo Padre.

“Não basta encontrar Jesus para crer n’Ele, não basta ler a Bíblia, o Evangelho – mas isso é importante, hein?, mas não basta; não basta nem mesmo assistir a um milagre, como o da multiplicação dos pães… Muitas pessoas estiveram em estreito contanto com Jesus e não acreditaram n’Ele, pelo contrário, desprezaram-no e o condenaram.”

Dito isso, Francisco perguntou-se: por que isso? Não foram atraídas pelo Pai? E Respondeu: não, isso aconteceu porque o coração dessas pessoas estava fechado para a ação do Espírito de Deus.

“Se você tem o coração fechado, a fé não entra. Deus Pai sempre nos atrai rumo a Jesus: Somos nós a abrir ou a fechar o nosso coração. Ao invés, a fé, que é como uma semente no profundo do coração, desabrocha quando nos deixamos ‘atrair’ pelo Pai rumo a Jesus, e ‘vamos até Ele’ com ânimo aberto, com o coração aberto, sem preconceitos; então reconhecemos em seu rosto o Rosto de Deus e em suas palavras a Palavra de Deus, porque o Espírito Santo nos fez entrar na relação de amor e de vida que existe entre Jesus e Deus Pai. E aí recebemos o dom, o presente da fé”, explicou o Santo Padre.

Então, com esta atitude de fé, acrescentou o Papa, podemos compreender também o sentido do “Pão da vida” que Jesus nos dá, e que Ele expressa da seguinte forma: “Eu sou o pão vivo, descido do céu. Se alguém come deste pão viverá eternamente e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).

“Em Jesus, em sua ‘carne’ – ou seja, em sua humanidade concreta – está presente todo o amor de Deus, que é o Espírito Santo. Quem se deixa atrair por esse amor caminha rumo a Jesus e vai com fé, e recebe d’Ele a vida, a vida eterna.”

Após a oração do Angelus, antes da saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes, o Santo Padre recordou que 70 anos atrás, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, se verificaram os terríveis bombardeios atômicos sobre Hiroshima e Nagasaki:

“À distância de tanto tempo, esse trágico evento ainda suscita horror e repulsão. Ele tornou-se o símbolo do desmedido poder destrutivo do homem quando faz uso destorcido dos progressos da ciência e da técnica, e constitui uma advertência perene para a humanidade, a fim de que repudie para sempre a guerra e proíba as armas nucleares e toda arma de destruição em massa. Essa triste data nos chama, sobretudo, a rezar e a empenhar-nos pela paz, para difundir no mundo uma ética de fraternidade e um clima de serena convivência entre os povos.”

“De toda a terra – disse ainda o Papa – se eleve uma única voz: não à guerra, não à violência, sim ao diálogo, sim à paz! Com a guerra – acrescentou – sempre se perde! O único modo de vencer uma guerra é não fazê-la!”

Em seguida, o Pontífice voltou seu olhar para a situação em que se encontra a República de El Salvador:

“Sigo com grande preocupação as notícias que chegam de El Salvador, onde nos últimos tempos se agravaram as dificuldades da população por causa da penúria, da crise econômica, dos aguçados contrastes sociais e da crescente violência. Encorajo o querido povo salvadorenho a fim de que a justiça e a paz refloresçam na terra do Beato Oscar Romero.” (RL)

A Oração Une os dois Sagrados Corações, por Amor a Você!

Por Padre Luizinho

“Se você está cansado /
sem lugar pra repousar
Venha ao Coração Sagrado de Jesus que aberto está  Pode então entrar /
até descansar teu Deus ai espera e quer te amar
Curar tuas feridas, tirar a solidão /
reconstruir com selo tudo que está no chão.
Te dá muito carinho, alegre-se irmão felicidade não é ilusão”
(Com. Recado).

O Coração de Jesus é fornalha ardente de amor. Ele é o Pastor Divino, que nos ama com o coração humano. Cuida de nós, suas ovelhas, como Deus cuidaria, nos coloca em seus ombros lugar de repouso, refúgio e salvação. Onde eu posso descansar seguro, sem medo e sabendo que todas as minhas feridas serão tratadas. Seu Coração diz pra mim: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Cf. Mt 11,28-29). Como os nossos corações têm saudade desse lugar, precisamos nos deixar vencer, eu tenho saudade de Deus! Sejamos como os pássaros, façamos o nosso ninho na fenda da rocha, Jesus é a rocha e a fenda é o seu Coração aberto de onde choram Sangue e água. Fonte inesgotável de vida, de Santidade, lugar de cura e libertação para nós, oh inesgotável Mistério de Amor e misericórdia escondido em forma de coração humano, mas só poderia ser Divino.

No Coração de Jesus cumpre-se a profecia de Ezequiel 37,26-27: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Esse coração novo é o coração de Cristo, Nele revela-se neste maravilhoso Mistério: Deus tem um coração! Coração aberto na cruz pelo soldado é o manancial da salvação, onde nasceu a Igreja, os sacramentos, sangue e água saíram para curar nossas doenças, para matar a nossa sede, sede de Deus, sede de Amor, pois Deus tem um coração ferido de amor por mim e por você.   Os filhos de Deus nascem do amor, nascem do Coração de Jesus. E pelo toque do Espírito Santo, reconhecemos que ele nos ama. NELE está o poder de conferir a vida divina a nós pobres mortais, que em Deus encontramos o elixir da vida eterna, pois o homem tem desejo de eternidade e só a encontra no coração de Deus. Esta realidade me aproxima de Deus, saber que ele tem um coração igual ao meu, sem duvida divino, mas humano, torna reais as possibilidades de ter um coração igual ao Dele: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Acorramos com vivo desejo a esta fonte de vida, depositemos na fenda do coração de Jesus os nossos pecados, desejos e aspirações, nossas necessidades e feridas e descansemos nesta fornalha ardente de amor. Peçamos a Deus que tenhamos o coração ferido do mesmo amor que abrasa o Coração de seu Filho Jesus, hoje eu coloco você, sua vida e suas intenções neste rio que vem trazer alegria, conforto e esperança e descansemos nestes prados verdejantes que é o Coração de Jesus.

Rezemos com a Igreja: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber desta fonte de vida, uma torrente de graças. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade dom Espírito Santo”.

A Oração Une os dois Sagrados Corações, de Jesus e de Maria:

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Cf. Mt 11,28).

A Igreja celebra a solenidade do SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, fonte de onde jorrou toda justificação e salvação dos nossos pecados. Coração Humano e Divino, mistério aberto na cruz, nascente de água viva e causa de nossa cura e libertação. O Sagrado Coração de Jesus é abismo da misericórdia para nós. No sábado, a Igreja simultaneamente uniu os dois corações, celebra-se o IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA. Esse Imaculado Coração esta prestes a triunfar sobre todo mal, é refugio para os pecadores e para aqueles que buscam a cura no seu Filho Jesus. Na celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus a Igreja reza em particular pela santificação dos sacerdotes.

Quero apresentar para você um terço que uni os Dois Corações a clamar pela nossa cura interior e libertação de todo o mal, que aprendi em um precioso retiro:   No inicio reza-se 1 Pai Nosso, 3 Ave-Marias e Glória.

Nas contas do Pai Nosso reza-se: “Na inocência de minh’alma entrego-me inteiramente a Vós e de Vós tudo espero, ó Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria”.

Nas contas das Ave-Marias, em cada dezena reza-se 10 vezes clamando a cura e a libertação:
1° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: curai-nos com Vosso Amor.
2° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: curai os que estão caídos pelo caminho.
3° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ensinai-nos a amar como Vós amais.
4° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ensinai-nos a amar para curar.
5° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ajudai-nos a amar o que o Pai ama, querer o que Ele quer e rejeitar todo o mal.

Oração Final: Ofereço-vos, ó meu Deus, neste dia, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Imaculado Coração de Maria, as orações e o trabalho, as alegrias e o descanso, as dificuldades e os sofrimentos desta vida, em reparação das nossas ofensas, e por todas as intenções, pelos quais o mesmo Divino Coração está continuamente a interceder e a sacrificar-se por nós em nossos altares. Eu Vos ofereço, em particular, pelas intenções da Vossa Santa Igreja, pela santificação do clero e por nossa Comunidade e nossa família. Amém.

A Verdadeira felicidade está no manancial dos Corações de Jesus e de Maria.

Sejamos pequenos para dialogar com a grandeza do Senhor

O Papa na Missa em Santa Marta

Na Missa desta terça-feira na Capela da Casa de Santa Marta o Papa Francisco, partindo da leitura do Livro de Samuel que nos relata a unção de David por Samuel, sublinhou que o Senhor escolhe sempre os pequenos desenvolvendo com o Seu povo uma relação pessoal:

“Nunca o Senhor fala à gente assim à massa, nunca. Fala sempre pessoalmente, com os nomes. E escolhe pessoalmente. O relato da criação faz-nos ver isto: é o próprio Senhor que com as suas mãos artesanalmente faz o homem e lhe dá um nome: ‘Tu chamas-te Adão’. E assim começa aquela relação entre Deus e a pessoa. E há uma outra coisa, há uma relação entre Deus e nós pequenos: Deus, o grande, e nós pequenos. Deus, quando deve escolher as pessoas, também o seu povo, sempre escolhe os pequenos.”

“Todos nós com o Batismo fomos eleitos. Todos somos eleitos. Escolheu-nos um por um. Deu-nos um nome e olha para nós. Há um diálogo, porque assim ama o Senhor. Também David depois se tornou rei e errou. Talvez tenha feito tantos, mas a Bíblia conta-nos dois erros fortes, dois erros daqueles pesados. O que é que fez David? Humilhou-se. Tornou à sua pequenez e disse: ‘Sou pecador’. E pediu perdão e fez tanta penitência.”

David pediu ao Senhor que o punisse a ele e não ao seu povo. Segundo o Papa Francisco, David guardou a sua pequenez com o pensamento, com o arrependimento, com a oração, com o choro. E pensando neste diálogo entre o Senhor e a nossa pequenez o Santo Padre perguntou-se onde está a fidelidade cristã:

“A fidelidade cristã, a nossa fidelidade, é simplesmente conservar a nossa pequenez, para que possa dialogar com o Senhor. Guardar a nossa pequenez. Por isto a humildade, a mansidão são tão importantes na vida do cristão, porque é a conservação da pequenez, a qual é do agrado do Senhor. E será sempre o diálogo entre a nossa pequenez e a grandeza do Senhor. Que o Senhor nos dê, por intercessão de S. David – também por intercessão de Nossa Senhora que cantava alegremente a Deus, porque tinha guardado a sua humildade – nos dê o Senhor a graça de guardar a nossa pequenez perante Ele.”

 

Proteger a pequenez humana para dialogar com Deus, pede Papa
Homilia, terça-feira, 21 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou a escolha de Deus pelos pequenos, pois o Senhor olha para o coração e não para a aparência

Na Missa desta terça-feira, 21, Papa Francisco refletiu sobre o relacionamento entre o homem e Deus, o que não se configura como um diálogo com a massa, mas sim algo pessoal. O Santo Padre disse ser preciso proteger a pequenez humana para dialogar com a grandeza de Deus.

O Senhor e os pequenos. Papa Francisco focou sua homilia neste binômio, destacando que o relacionamento de Deus com o seu povo é sempre de pessoa a pessoa, chamando-as pelo nome. Como exemplo, o Santo Padre citou o episódio da criação, quando Deus, com suas próprias mãos, fez o homem e deu-lhe um nome: Adão.

“E assim começa aquela relação entre Deus e a pessoa. E tem uma outra coisa, há uma relação entre Deus e nós pequenos: Deus, o grande, e nós pequenos. Deus, quando deve escolher as pessoas, também o seu povo, sempre escolhe os pequenos”.

Nessa escolha se reflete, segundo o Papa, o diálogo entre Deus e a pequenez humana. Deus sempre escolhe os pequenos porque vê o coração, ao passo que o homem olha para a aparência. “O Senhor escolhe segundo os seus critérios”, disse o Pontífice recordando a Primeira Leitura do dia, que narra a escolha de Deus por Davi, o menor dos filhos de Samuel.

“Todos nós, com o Batismo, fomos eleitos pelo Senhor. Todos fomos eleitos. Escolheu-nos um por um. Deu-nos um nome e nos olha. Há um diálogo, porque assim ama o Senhor. Também Davi depois se tornou rei e errou. Talvez fez tantas coisas, mas a Bíblia nos conta dois erros fortes. E o que fez Davi? Humilhou-se. E retornou à sua pequenez, pediu perdão”.

O Papa destacou que, com esta atitude de reconhecer-se pecador e pedir que Deus punisse somente a si e não a seu povo, Davi protegeu a sua pequenez, com a oração, com o pranto. E pensando neste diálogo entre Deus e a pequenez humana, Francisco questionou-se onde está a fidelidade cristã.

“A fidelidade cristã, a nossa fidelidade, é simplesmente proteger a nossa pequenez, para que possa dialogar com o Senhor. Proteger a nossa pequenez. Por isso, a humildade e mansidão são tão importantes na vida do cristão, porque é uma proteção à pequenez, à qual o Senhor gosta de olhar”.

Valorizar o Dia do Senhor

A celebração da festa da Divina Misericórdia nos colocou dentro de uma atmosfera muito importante: a valorização do domingo, o primeiro dia da semana, o dia do Senhor, como o dia mais importante da semana e da vida de todos os batizados.

Jesus, ao entrar no Cenáculo, anuncia: “A Paz esteja convosco!”. “A quem vós perdoardes os pecados eles serão perdoados e quem vós reterdes eles serão retidos”.

Jesus nos sinaliza a importância de valorizarmos o dia da Páscoa, da Ressurreição, da vitória da vida sobre a morte e o pecado.

Agora eu me pergunto sempre: como é o nosso domingo? Nosso domingo tem a dimensão de agradecer os benefícios de que Deus deu para cada um de nós? Dos benefícios que são concedidos para a nossa comunidade?

O Papa emérito Bento XVI ensinou, no domingo da Divina Misericórdia que: “Todos os anos, celebrando a Páscoa, nós revivemos a experiência dos primeiros discípulos de Jesus, a experiência do encontro com o Ressuscitado: narra o Evangelho de João que eles viram aparecer no meio deles, no cenáculo, na noite do dia da ressurreição, “o primeiro da semana”, e “oito dias depois” (Jo 20, 19.26). Aquele dia, chamado depois de “domingo”, “dia do Senhor”, é o dia da assembleia, da comunidade cristã que se reúne para seu culto próprio, isto é, a Eucaristia, culto novo e diferente daquele judaico do sábado. De fato, a celebração do Dia do Senhor é uma prova muito forte da Ressurreição de Cristo, porque somente um acontecimento extraordinário e envolvente poderia levar os primeiros cristãos a iniciar um culto diferente em relação ao do sábado hebraico. Então, como hoje, o culto cristão não é somente a comemoração de eventos passados, e nem mesmo uma experiência mística particular, interior, mas essencialmente um encontro com o Senhor ressuscitado, que vive na dimensão de Deus, além do tempo e do espaço, e todavia se faz realmente presente na comunidade, nos fala nas Sagradas Escrituras e parte para nós o Pão da Vida Eterna. Através destes sinais nós vivemos aquilo que experimentaram os discípulos, isto é, o fato de ver Jesus e ao mesmo tempo de não reconhecê-Lo, de tocar o seu corpo, um corpo verdadeiro, mas livre das ligações terrenas”.

Domingo é dia de Santa Missa. Domingo é dia de dedicar-se aos trabalhos do Senhor Jesus, na pastoral, na visita ao doente, na visita à Vila Vicentina, na reunião da família em torno da Mesa da Eucaristia, da Mesa da Palavra e do ágape fraterno.

Quantos vivem o domingo apenas no exterior, nos ranchos, nos jogos de futebol e se esquecem de Deus. Será que Deus se esquece de nós? Não podemos viver uma fé intimista, voltada apenas para o nosso deleite pessoal. Devemos, em primeiro lugar, procurar a Deus, a Igreja e a uma vivência da nossa fé realmente na vida Eucarística.

Que nossos domingos sejam domingos de Missa e de vivência da fé em que professamos!

Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário  Judicial da Diocese da Campanha(MG).  

No Templo, o que mais importa não são os ritos, mas a adoração ao Senhor

Homilia, feira, 22 de novembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

O Pontífice destacou que a comunidade deve se reunir, em primeiro lugar, para adorar a Deus.

“Nossa atitude deve ser de piedade que adora e escuta, reza e pede perdão, louva ao Senhor “, disse o Papa / Foto: Rádio Vaticano

O Templo é um lugar sagrado, no qual o que mais importa não são os ritos, mas a adoração ao Senhor.  Este foi o ensinamento do Papa Francisco, na Missa celebrada, nesta sexta-feira, 22, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou também, em sua homilia, a importância de compreendermos que há o Templo de pedra, como local de culto, mas também o corpo, templo sagrado de Deus.

“Na cerimônia litúrgica, o que é mais importante: os cânticos, os rituais belos ou tudo? Mais importante é a adoração, toda a comunidade reunida, diante do altar, onde se celebra o sacrifício e a adoração”, destacou o Papa.

Francisco, referindo-se ao episódio em que Jesus expulsa os vendilhões do Templo,  questionou a maneira como os fiéis se comportam na Igreja. “Fazem dela um local de adoração ou de negócios?”, indagou o Pontífice.

“Mas, eu acho – digo com humildade -, que nós cristãos perdemos um pouco o sentido da adoração e  pensamos: vamos  ao templo, reunamo-nos  como irmãos, porque é bom, é belo; mas o centro é onde Deus está”, destacou.

O Santo Padre destacou que há também um outro Templo sagrado e importante para a vida de fé: o corpo. “Aqui, talvez, não possamos falar da adoração como no primeiro caso, mas de uma espécie de adoração do coração que busca o Espírito do Senhor dentro de si e sabe que Deus aí está”,  enfatizou o Papa, afirmando que, desse modo, o  homem é capaz de ouvir e seguir o Senhor.

“Seguir a Deus pressupõe uma constante purificação, porque somos pecadores. Purificar-nos com a oração, com a penitência, com o sacramento da reconciliação e com a Eucaristia”, destacou o Papa ao afirmar que, desta forma, os dois Templos estarão em harmonia.

“E assim, nestes dois Templos – o Templo material, local de culto, e o templo espiritual dentro de mim, onde o Espírito Santo habita -,  nossa atitude deve ser a piedade que adora e escuta, reza e pede perdão, louva ao Senhor”, concluiu o Papa.

Eucaristia e Palavra de Deus dão alegria à vida

Domingo, 4 de maio de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco explicou que o caminho dos discípulos de Emaús são um símbolo de fé, em que as Escrituras e a Eucaristia são indispensáveis

Em sua reflexão antes do Regina Coeli deste domingo, 4, Papa Francisco falou da Palavra de Deus e da Eucaristia como grandes fontes de alegria cristã. O Santo Padre destacou que esses são dois elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor.

Francisco partiu do Evangelho deste domingo, que narra o episódio dos discípulos de Emaús. Após a morte de Jesus, eles retornavam pra casa tristes e desanimados quando encontraram Jesus pelo caminho, mas não O reconheceram. Cristo ajudou-os a entender que sua morte e ressurreição estavam previstas nas Escrituras e depois, ao partir o pão junto aos dois discípulos, eles O reconheceram.

O Papa explicou que o caminho de Emaús torna-se, assim, símbolo do caminho de fé. “As Escrituras e a Eucaristia são elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós chegamos muitas vezes à Missa dominical com as nossas preocupações, as nossas dificuldades e desilusões. A vida às vezes nos fere e nós seguimos tristes, rumo à nossa ‘Emaús’, virando as costas ao projeto de Deus”.

Mas nestas situações, o Pontífice lembrou que a Liturgia da Palavra acolhe; as Escrituras reacendem no coração o calor da fé e da esperança e na Liturgia Eucarística, Jesus doa a Si mesmo, o Pão da vida eterna.

“Sempre, a Palavra de Deus e a Eucaristia nos enchem de alegria. Quando você está triste, pegue a Palavra de Deus e vá Missa de domingo fazer a comunhão, participar do mistério de Jesus”.

O Santo Padre concluiu pedindo a intercessão de Maria para que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformador com Jesus ressuscitado. “Há sempre uma Palavra de Deus que nos dá orientação depois dos nossos escorregos, e através dos nossos cansaços e desilusões, há sempre um Pão que nos faz seguir adiante no caminho”.

 

REGINA COELI

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo, que é o terceiro domingo de Páscoa, é aquele dos discípulos de Emaús (cfr Lc 24, 13-35). Estes eram dois discípulos de Jesus, os quais, depois da sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e retornam, tristes e desanimados, para o seu vilarejo, chamado Emaús. Ao longo do caminho, Jesus ressuscitado aproximou-se deles, mas eles não O reconheceram. Vendo-os tão tristes, Ele primeiro ajudou-os a entender que a paixão e a morte do Messias estavam previstas no projeto de Deus e preanunciadas nas Sagradas Escrituras; e assim reacende um fogo de esperança no coração deles.

Naquele momento, os dois discípulos sentiram uma atração extraordinária por aquele homem misterioso, e o convidaram para permanecer com eles naquela noite. Jesus aceitou e entrou com eles na casa. E quando, na mesa, abençoou o pão e o partilhou, eles o reconheceram, mas Ele desapareceu da vista deles, deixando-os cheios de estupor. Depois de serem iluminados pela Palavra, tinham reconhecido Jesus ressuscitado no partilhar o pão, novo sinal da sua presença. E logo sentiram a necessidade de retornar a Jerusalém, para contar aos outros discípulos esta sua experiência, que tinham encontrado Jesus vivo e o tinham reconhecido neste gesto da fração do pão.

O caminho de Emaús torna-se assim símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós, muitas vezes, chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, as nossas dificuldades e desilusões… A vida às vezes nos fere e nós seguimos tristes, rumo à nossa “Emaús”, virando as costas ao projeto de Deus. Afastamo-nos de Deus. Mas nos acolhe a Liturgia da Palavra: Jesus nos explica as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança, e na Comunhão nos dá força. Palavra de Deus, Eucaristia. Ler todo dia um trecho do Evangelho. Recordem bem isso: ler todos os dias um trecho do Evangelho e aos domingos ir fazer a Comunhão, receber Jesus. Assim aconteceu com os discípulos de Emaús: acolheram a Palavra; partilharam a fração do pão e de tristes e derrotados que se sentiam tornaram-se alegres. Sempre, queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia nos enchem de alegria. Lembrem-se bem disso! Quando você está triste, pegue a Palavra de Deus. Quando você está para baixo, pegue a Palavra de Deus e vá à Missa no domingo fazer a Comunhão, participar do mistério de Jesus. Palavra de Deus, Eucaristia: enchem-nos de alegria.

Por intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformante com o Senhor, com o Senhor ressuscitado, que está conosco sempre. Há sempre uma Palavra de Deus que nos dá orientação depois dos nossos escorregos e através dos nossos cansaços e desilusões, há sempre um Pão partilhado que nos faz seguir adiante no caminho.

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