Pensamentos Seletos

Meu corpo, regras de Deus

http://blog.cancaonova.com/diarioespiritual/2015/12/04/meu-corpo-regras-de-deus/

Os pagãos gritam: ‘meu corpo, minhas regras’ para eles, tudo é permitido. Mas os cristãos seguem outras regras. E cantam com a vida ‘meu corpo, regras de Deus.’

Meu corpo, regras de Deus

“Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Poderia eu fazer dos membros de Cristo, membros de uma prostituta?! De modo algum!”

É uma atitude heroica da parte dos cristãos diante de tão grande apelo moral à libertinagem a devassidão. Os Coríntios tinham um ditado: ‘A mim, tudo é permitido’ e com isso, misturavam sua fé aos costumes pagãos de libertinagem e devassidão, sem contar as outras atitudes reprováveis próprias de quem ainda não conheceu Jesus Cristo e vive entregue às próprias paixões. Entre eles, cada qual faz de seu corpo suas próprias regras e se considera livre por agir assim sem reprovação moral, mas aquele que foi lavado, resgatado, salvo pelo nome e pelo precioso sangue de Jesus Cristo, se tornou com ele um só corpo. Corpo santo que não pode ser maculado por causa dos nossos pecados. Aos cristãos, nem tudo convém… Por isso cantamos uma canção de amor e gratidão a Deus: meu corpo, regras de Deus! Porque já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2, 20).

Diante de tantos apelos, a nossa fé precisa ser cada vez mais marcada pelo amor genuíno intenso e verdadeiro que só Deus tem para nos dar gratuitamente. Assim, banhados neste amor estaremos fortalecidos para resistir à corrupção da carne e do Espírito pois em nossos corpos experimentamos um amor que está acima de todas as paixões desordenadas. Cada estado de vida pode experimentar esse amor de Deus banhando seu modo de amar humano em plena castidade e liberdade dentro de seu estado de vida abençoado por Deus. Amor que os que se entregam à devassidão sequer imaginam, mas buscam nas paixões ávida e inutilmente.

Leia o trecho em I Cor 6, 12-20

Na Bíblia cnbb página 1404-1405

Título: Liberdade cristã e libertinagem

Promessas

I Cor 6, 14

“E Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder.”

Ordens

I Cor 6, 18.20b

“Fugi da devassidão.”

“Então, glorificai a Deus no vosso corpo.”

Princípios Eternos

I Cor 6, 12-13.15-17.18b-20A

“A mim tudo é permitido, mas nem tudo me convém. A mim tudo é permitido, mas não me deixarei dominar por coisa alguma. Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos. Mas Deus destruirá uns e outros. O corpo, porém, não é para a prostituição, ele é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.”

“Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Poderia eu fazer dos membros de Cristo, membros de uma prostituta?! De modo algum! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Pois está escrito: ‘os dois serão uma só carne.’ Mas quem adere ao Senhor, torna-se com ele um só espírito.”

“Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados por preço muito alto!”

Qual a mensagem de Deus para mim hoje?

Glorificai a Deus com vosso corpo. Fugi da devassidão.

Como posso pôr isso em prática?

Buscando sempre mais fugir das ocasiões de pecado e procurando desenvolver as virtudes, sobretudo a castidade.

Curiosidades sobre a vida de São João Maria Vianney

Conheça algumas passagens da vida deste santo que irão te surpreender

São João Maria Vianney e o pastorzinho de Ars

O jovem pároco João Maria Batista Vianney não prometia sucessos retumbantes, mas ao ser nomeado para o vilarejo perdido de Ars, o seu imenso amor a Deus transformou a fundo não apenas os seus paroquianos, mas milhões de peregrinos da França inteira.

Era ao entardecer de 9 de fevereiro de 1818, uma terça-feira. Um pastorinho de dezesseis anos, Antoine Givre, que guardava as ovelhas na lande das Dombes, teve um encontro estranho, que havia de recordar durante toda a vida. Ia cair a noite. Já as luzes se acendiam nas janelas das casas, agrupadas a algumas centenas de metros, para além de um valado. Do lado da estrada de Lyon, o rapaz ouviu um barulho e olhou: era um padre que avançava a grandes passadas de camponês; a seu lado, uma velha de touca na cabeça; atrás deles, uma carriola vacilante, carregada de fardos e de uma misturada de coisas, no meio das quais se via uma cama de madeira. O padre saudou o pequeno e perguntou-lhe se ainda estava longe de uma aldeia chamada Ars. Antoine indicou com a mão o humílimo povoado que já se ocultava no crepúsculo. “Como é pequeno!”, murmurou o padre. E ajoelhou-se. Em silêncio, durante muito tempo, rezou, de olhos postos nas casas. Rezou com um fervor e uma atenção extraordinários. Dir-se-ia que via coisas de que os outros não faziam a menor ideia. Ao levantar-se, olhou para o rapaz e, com voz muito simples, disse: “Tu mostraste-me o caminho de Ars… Um dia hei de mostrar-te o caminho do Céu”. Antoine Givre morreu algumas semanas depois do Cura d´Ars. Em seguida, retomou a marcha. A capelania de Ars-en-Dombes – que não tinha mais de duzentas almas e estava subordinada à paróquia de Misérieux, da diocese de Lyon – recebia o seu novo encarregado. Chamava-se Jean-Marie Vianney.

Como o novo Cura de Ars conseguiu transformar toda uma comunidade?

Quando Jean-Marie chegou, Ars não passava da mais morna das comunidades cristãs. “Lá, não gostavam muito de Deus”. Mas, logo que viram como vivia o novo cura, os paroquianos compreenderam que alguma coisa tinha mudado. Começou por mandar restituir ao castelo os móveis confortáveis que a piedosa Mme. des Garets tinha emprestado ao presbitério. Depois, pôs-se a restaurar a igreja, que estava caindo aos pedaços, fazendo por suas próprias mãos “o trabalho doméstico de Deus”. A seguir, só se falava na aldeia de que o novo encarregado da capelania de Ars tinha um modo singularíssimo de alimentar-se: umas tantas côdeas de pão seco, uma panela de batatas, que mandava coser cada três semanas e que ia comendo frias. Por último, as boas mulheres que, de tempos a tempos, conseguiam penetrar na casa paroquial para cuidar dos trabalhos domésticos, contavam que encontravam roupa ensanguentada, manchas vermelhas nas paredes… E compreendeu-se então para que serviam as correntes que o padre mandara forjar na oficina do ferreiro. Esses jejuns, essas penitências – que o Cura d´Ars conservará durante toda a vida – fizeram tanto maior impressão quanto a verdade é que essa terrível ascese não impedia M. Vianney de ser de uma delicadeza, de uma mansidão perfeitas, sem querer impor a ninguém os golpes de disciplina que a si mesmo infligia – e que nem uma só vez deixou transparecer. Quando, porém, este ou aquele se permitia aludir aos rigores que ele aplicava ao seu corpo, respondia com o melhor dos sorrisos que era coisa muito apropriada para “o velho Adão” ou “o cadáver”…

Poder do exemplo: foi, indubitavelmente, por aí que Jean-Marie Vianney se impôs: primeiro, às suas ovelhas; depois, a outras. Pouco a pouco, a paróquia transformou-se. Homens, mulheres, crianças foram agrupados em confrarias ou obras. Abriu-se uma escola gratuita, a “Casa da Providência”, aonde afluíram as meninas, incluindo as órfãs, as abandonadas, as desafortunadas. Os maus hábitos, como o do baile e da taberna, contra os quais o padre era severo, foram desaparecendo da paróquia. Para não o desgostarem, os moços e as moças menos recatados refreavam o seu comportamento. “O respeito humano voltou-se do avesso”, e passou a ser tão vergonhoso apanhar uma bebedeira como o era, na véspera, não beber com os outros. A igreja, ainda ontem meio vazia, encheu-se e, como a gente dos arredores ganhou o costume de a frequentar, passou a ser pequena. Quem havia de prever semelhante mudança, quando, meia dúzia de anos antes, o arcebispo encarara seriamente a hipótese de suprimir a paróquia?

Um Santo Confessor

No confessionário viveu intensamente seu apostolado, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à vocação. Do confessionário seu nome emergiu e transbordou dos estreitos limites Ars-em-Dombes para aldeias e cidades vizinhas. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano. Esses são alguns de muitos relatos de suas experiências no confessionário:

1- Havia um homem pecador que relutou muito em confessar-se com São João Vianney, porque tinha medo da penitência que ele lhe imporia. Mas um dia tomou coragem e foi se confessar com o santo. E eis que este lhe deu uma penitência suave. Então, o penitente estranhou e pergunto ao santo: “só isso?” Ao que São João lhe respondeu: eu queria lhe dar uma penitência pesada, mas pode ser que você não a cumpra, então deixa que eu a cumprirei para você.

2- Um dia, ele saiu do confessionário e foi falar com um jovem que estava na fila da Confissão; e lhe disse: “Olha, eu estou vendo o demônio como uma abelha voando em volta de você, dizendo para você não confessar aquele pecado… Mas pode confessar, porque eu já sei o que é.

3- Certa vez, ele estava confessando as pessoas, e o sacristão veio lhe dizer que seu quarto estava pegando fogo. Ele calmamente disse ao homem: vá lá e apague o fogo, vou ficar aqui confessando. É o demônio; ele não pode pegar o pássaro, então está queimando a gaiola.aintercessoecultodossantos

Quando chegou à cidadezinha ninguém veio recebê-lo, quando morreu a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada. Eram cerca de 100 mil pessoas. A Igreja, que pela lógica humana receara fazê-lo sacerdote, curvou-se à sua santidade. João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo papa Pio IX em 1872, beatificado pelo papa São Pio X em 1905, canonizado pelo papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo, em 1929. Esse é o Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto.

Fonte: HI-VIII – A Igreja das Revoluções (I). Quadrante. São Paulo:2003. Págs. 750-758.

http://wiki.cancaonova.com/index.php/S%C3%A3o_Jo%C3%A3o_Maria_Vianney

A missão do sacerdote

Quinta-feira, 28 de março de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano / Clarissa de Oliveira / CN Roma  

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo, destacou Papa Francisco na Missa do Crisma nesta quinta-feira  

O Papa Francisco celebrou na manhã desta Quinta-feira Santa, 28, que abre o Tríduo Pascal, a Missa do Crisma na Basílica Vaticana.

Em sua homilia, falou da simbologia dos ungidos, seja na forma, seja no conteúdo. A beleza de tudo o que é litúrgico, explicou, não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado.

“O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo, mas se espalha e atinge ‘as periferias’. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção não é para perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.”

Para Francisco, o bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo: “Nota-se quando o povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.

Ser sacerdote é estar nesta relação com Deus e com o seu povo, pois assim a graça passa através dele para ser mediador entre Deus e os homens. Esta graça, todavia, precisa ser reavivada, para intuir o desejo do povo de ser ungido e experimentar o seu poder e a sua eficácia redentora: “Nas ‘periferias’ onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”.

Não é nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor, adverte o Pontífice, nem mesmo nos cursos de autoajuda. O poder da graça cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que nada têm.

“O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o ‘cheiro das ovelhas’, pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens.”

Para enfrentar a crise de identidade sacerdotal, que se soma à crise de civilização, Papa Francisco convida a lançar as redes em nome Daquele em que depositamos a nossa confiança: Jesus.

E conclui: “Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus. Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas ‘periferias’ onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia”.

 

Homilia  Basílica Vaticana – Missa do Crisma
Quinta-feira Santa, 28 de março de 2013  

Amados irmãos e irmãs,

Com alegria, celebro pela primeira vez a Missa Crismal como Bispo de Roma. Saúdo com afeto a todos vós, especialmente aos amados sacerdotes que hoje recordam, como eu, o dia da Ordenação.

As Leituras e o Salmo falam-nos dos “Ungidos”: o Servo de Javé referido por Isaías, o rei Davi e Jesus nosso Senhor. Nos três, aparece um dado comum: a unção recebida destina-se ao povo fiel de Deus, de quem são servidores; a sua unção “é para” os pobres, os presos, os oprimidos… Encontramos uma imagem muito bela de que o santo crisma “é para” no Salmo 133: “É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes” (v. 2). Este óleo derramado, que escorre pela barba de Aarão até à orla das suas vestes, é imagem da unção sacerdotal, que, por intermédio do Ungido, chega até aos confins do universo representado nas vestes.   As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula atual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na ação. O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo a ele, mas espalha-se e atinge “as periferias”. O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção, amados irmãos, não é para nos perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso… e o coração amargo.

O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo; temos aqui uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, “as periferias” onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé.

As pessoas agradecem-nos porque sentem que rezamos a partir das realidades da sua vida de todos os dias, as suas penas e alegrias, as suas angústias e esperanças. E, quando sentem que, através de nós, lhes chega o perfume do Ungido, de Cristo, animam-se a confiar-nos tudo o que elas querem que chegue ao Senhor: “Reze por mim, padre, porque tenho este problema”, “abençoe-me, padre”, “reze para mim”… Estas confidências são o sinal de que a unção chegou à orla do manto, porque é transformada em súplica – súplica do Povo de Deus. Quando estamos nesta relação com Deus e com o seu Povo e a graça passa através de nós, então somos sacerdotes, mediadores entre Deus e os homens.

O que pretendo sublinhar é que devemos reavivar sempre a graça, para intuirmos, em cada pedido – por vezes inoportuno, puramente material ou mesmo banal (mas só aparentemente!) –, o desejo que tem o nosso povo de ser ungido com o óleo perfumado, porque sabe que nós o possuímos. Intuir e sentir, como o Senhor sentiu a angústia permeada de esperança da hemorroíssa quando ela Lhe tocou a fímbria do manto. Este instante de Jesus, no meio das pessoas que O rodeavam por todos os lados, encarna toda a beleza de Aarão revestido sacerdotalmente e com o óleo que escorre pelas suas vestes. É uma beleza escondida, que brilha apenas para aqueles olhos cheios de fé da mulher atormentada com as perdas de sangue. Os próprios discípulos – futuros sacerdotes – não conseguem ver, não compreendem: na “periferia existencial”, vêem apenas a superficialidade duma multidão que aperta Jesus de todos os lados quase O sufocando (cf. Lc 8, 42). Ao contrário, o Senhor sente a força da unção divina que chega às bordas do seu manto.

É preciso chegar a experimentar assim a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas “periferias” onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus. Não é, concretamente, nas auto-experiências ou nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor: os cursos de auto-ajuda na vida podem ser úteis, mas viver a nossa vida sacerdotal passando de um curso ao outro, de método em método leva a tornar-se pelagianos, faz-nos minimizar o poder da graça, que se ativa e cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que não têm nada de nada.

O sacerdote, que sai pouco de si mesmo, que unge pouco – não digo “nada”, porque, graças a Deus, o povo nos rouba a unção –, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor “já receberam a sua recompensa”. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração; e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de coleccionadores de antiguidades ou então de novidades, em vez de serem pastores com o “cheiro das ovelhas” – isto vo-lo peço: sede pastores com o “cheiro das ovelhas”, que se sinta este –, serem pastores no meio do seu rebanho e pescadores de homens. É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes. É um bem que a própria realidade nos faça ir para onde, aquilo que somos por graça, apareça claramente como pura graça, ou seja, para este mar que é o mundo atual onde vale só a unção – não a função – e se revelam fecundas unicamente as redes lançadas no nome d’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: Jesus.

Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus.   Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas “periferias” onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia. Que o nosso povo sinta que somos discípulos do Senhor, sinta que estamos revestidos com os seus nomes e não procuramos outra identidade; e que ele possa receber, através das nossas palavras e obras, este óleo da alegria que nos veio trazer Jesus, o Ungido. Amém.

Santo Cura D’Ars: belo dever do homem, orar e amar

Padre Luizinho, Canção Nova

Hoje a Igreja celebra a memória do Cura D´Ars. Um sacerdote que viveu na França e que se tornou um grande modelo de vida sacerdotal para todo padre. O Papa Bento XVI por ocasião dos 150 anos de seu falecimento promulgou o Ano Sacerdotal no ultimo dia 19 de Junho na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Com o tema: “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do sacerdote”, você conhece São João Maria Vianney? Vamos conhecê-lo mais um pouco a partir de sua vida espiritual com este texto que trago para meditarmos e rezarmos, depois clique em Santo do Dia e conheça mais um pouco do santo modelo para os padres e para todos os cristãos:

Belo dever do homem: Orar e amar
Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do homem cristão não está na terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pensamento deve voltar-se para onde está o nosso tesouro. O homem tem este belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, tendes a felicidade do homem sobre a terra. A oração não é outra coisa senão a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, experimenta em si mesmo uma certa suavidade e doçura que inebria e uma luz admirável que o circunda. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém mais os pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequena criatura! É uma felicidade que supera toda a compreensão humana. Nós tornamo-nos indignos de orar; mas Deus, na sua bondade, permite-nos falar com Ele. A nossa oração é o incenso que mais Lhe agrada. Meus filhos, o vosso coração é pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração faz-nos saborear antecipadamente a suavidade do Céu, é como se alguma coisa do Paraíso descesse até nós. Ela nunca nos deixa sem doçura; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita desaparecem as dores, como a neve aos raios do sol. Outro benefício nos traz a oração: o tempo passa depressa e com tanto prazer que não se sente a sua duração. Escutai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião tive de percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas, que estavam doentes; e podeis estar certos disto: nessas longas caminhadas rezava ao bom Deus e o tempo não me parecia longo. Há pessoas que se submergem profundamente na oração, como os peixes na água, porque estão completamente entregues a Deus. O seu coração não está dividido. Oh como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Coleta viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que nós falamos uns com os outros. Nós, pelo contrário, quantas vezes vimos para a igreja sem saber o que havemos de fazer ou que pedir! No entanto, sempre que vamos ter com algum homem, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Mais: há pessoas que parecem falar a Deus deste modo: «Só tenho a dizer-Vos duas palavras para ficar despachado…». Muitas vezes penso: Quando vimos para adorar a Deus, conseguiríamos tudo o que pedimos se pedíssemos com fé viva e coração puro (Liturgia das Horas, Da Catequese de São João Maria Vianney, presbítero).

O Senhor da messe não deixe faltar à sua Igreja numerosas e santas vocações sacerdotais e religiosas!

Oração: Pai santo olha para esta nossa humanidade, que dá os primeiros passos no caminho do terceiro milênio. A sua vida ainda é fortemente marcada pelo ódio, pela violência, pela opressão, mas a fome de justiça, de verdade e de graça ainda acha espaço no coração de muitos, que esperam que tragas a salvação realizada por ti, por meio de teu Filho Jesus. Precisamos de arautos corajosos do Evangelho, de servos generosos da humanidade sofredora. Manda à tua Igreja, nós te suplicamos presbíteros santos, que santifiquem o teu povo com os instrumentos da tua graça. Manda numerosos consagrados e consagradas, que mostrem a tua santidade no meio do mundo. Manda na tua vinha operários santos, que ajam com o ardor da caridade e, impelidos por teu Santo Espírito, levem a salvação de Cristo até os últimos confins da Terra. Amém (João Paulo II, De Castel Gandolfo, 08 de setembro de 2001).

“Uma alma pura tem todo o poder sobre o bom Deus, não é mais ela que faz a vontade de Deus, mas Deus que faz a sua” (São João Maria Vianney).

ORAÇÃO
Deus de poder e misericórdia, que tornastes São João Maria Vianney um pároco admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com ele a gloria eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

São João Maria Vianney, rogai por nós e por todos os nossos sacerdotes!

 

EXCERTOS DAS PALAVRAS do Santo Cura d’Ars
Com suas palavras, João Maria Vianney soube tocar os corações e guiá-los para Deus.
Fonte: Ars Net

Misericórdia e sacramento do perdão
Se compreendêssemos bem o que significa ser filho de Deus, não poderíamos fazer o mal […]; ser filho de Deus, oh, que bela dignidade! A misericórdia de Deus é como um rio que transbordou. Ao passar, arrebata os corações. Não é o pecador que retorna a Deus para lhe pedir perdão, é Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. Demos, portanto, esta alegria a esse Pai tão bom: voltemos a Ele… e seremos felizes. O bom Deus está sempre disposto a nos receber. Sua paciência nos espera! Há quem volte ao Pai Eterno um coração duro. Oh, como essas pessoas se enganam! O Pai Eterno, para desarmar sua justiça, deu a seu Filho um coração excessivamente bom: não damos o que não temos… Há quem diga: “Agi mal demais; Deus não pode me perdoar”. Trata-se de uma grande blasfêmia. Equivale a impor um limite à misericórdia de Deus, que não tem limites: é infinita. Nossos erros são grãozinhos de areia em comparação com a grande montanha da misericórdia de Deus. Quando o sacerdote dá a absolvição, precisamos pensar apenas numa coisa: que o sangue do bom Deus se derrama sobre nossa alma para lavá-la, purificá-la e torná-la bela como era depois do batismo. O bom Deus, no momento da absolvição, joga nossos pecados para trás das costas, ou seja, esquece-os, apaga-os: não reaparecerão nunca mais. Já não há o que falar dos pecados perdoados. Foram apagados, não existem mais!

A Eucaristia e a comunhão
Todas as boas obras, juntas, não se equivalem ao sacrifício da Missa, pois são obras dos homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus. Nada há tão grande quanto a Eucaristia. Oh, filhos meus, o que faz Nosso Senhor no Sacramento de seu amor? Toma seu coração bom para nos amar, e extrai desse coração uma transpiração de ternura e misericórdia, para sufocar os pecados do mundo. Aí está aquele que tanto nos ama! Por que não amá-lo? O alimento da alma é o corpo e o sangue de um Deus. Se pensarmos nisso, havemos de nos perder eternamente nesse abismo de amor! Venham à comunhão, venham a Jesus, venham viver d’Ele, para viver para Ele. O bom Deus, querendo oferecer-se a nós no sacramento de seu amor, deu-nos um desejo grande e profundo, que só Ele pode satisfazer. A comunhão produz na alma uma espécie de lufada de ar num fogo que começa a se apagar, mas em que ainda ardem muitas brasas! Depois que comungamos, se alguém nos dissesse: “O que você leva para casa?”, poderíamos responder: “Eu levo o céu”. Não digam que não são dignos disso. É verdade: vocês não são dignos, mas precisam disso.

A oração
A oração nada mais é que a união com Deus. A oração é uma doce amizade, uma familiaridade surpreendente; […] é um doce colóquio de uma criança com seu Pai. Quanto mais rezamos, mais queremos rezar. Vocês têm um coração pequeno, mas a oração o alarga e o torna capaz de amar a Deus. Não é para as longas nem para as belas orações que o bom Deus olha, mas para as que vêm do fundo do coração, com grande respeito e verdadeiro desejo de agradar a Deus. Como um pequeno quarto de hora que roubamos a nossas ocupações, a uma série de coisas inúteis, para rezar, lhe dá prazer! A oração particular assemelha-se à palha espalhada aqui e ali num campo. Se lhe ateamos fogo, a chama tem pouco ardor, mas, se reunimos a palha espalhada, a chama se torna abundante e se eleva para o alto do céu: o mesmo se dá com a oração pública. O homem é um pobre que precisa pedir tudo a Deus. O homem tem uma bela função: rezar e amar. […] Essa é a felicidade do homem na terra. Vamos, minh’alma, vai conversar com o bom Deus, trabalhar com Ele, caminhar com Ele, lutar e sofrer com Ele. Trabalharás, mas Ele abençoará teu trabalho; caminharás, mas Ele abençoará teus passos; sofrerás, mas Ele abençoará tuas lágrimas. Como é grande, como é nobre, como é consolador fazer tudo em companhia e sob o olhar do bom Deus, e pensar que Ele tudo vê, tudo enumera!…

O sacerdote
A ordem: é um sacramento que não parece dizer nada a nenhum de vocês, mas diz respeito a todos. É o sacerdote quem continua a obra da Ressurreição na terra. Quando vocês vêem o sacerdote, pensem em Nosso Senhor Jesus Cristo. O sacerdote não é sacerdote para si mesmo, mas por vocês. Tentem se confessar com a Santa Virgem ou com um anjo. Eles os absolverão? Darão o corpo e o sangue de Nosso Senhor a vocês? Não, a Santa Virgem não pode trazer seu divino Filho na hóstia. Ainda que vocês tivessem duzentos anjos a sua disposição, eles não poderiam absolvê-los. Um sacerdote, por mais simples que seja, pode fazer isso. Ele pode lhes dizer: vão em paz, eu os perdôo. Oh, o sacerdote é algo realmente grande! Um bom pastor, um pastor de acordo com o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia, e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina. O Sacerdócio é o amor do coração de Jesus. Deixem uma paróquia vinte anos sem sacerdote: ali os animais serão adorados.

A Virgem Maria
A Santa Virgem é essa bela criatura que nunca desagradou ao bom Deus. O Pai adora contemplar o coração da Santíssima Virgem Maria, como a obra-prima de suas mãos. Jesus Cristo, depois de ter-nos dado tudo o que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros do que tem de mais precioso, sua Santa Mãe. A Santa Virgem nos gerou duas vezes: na encarnação e aos pés da Cruz; logo, é nossa Mãe duas vezes. Não entramos numa casa sem falar com o porteiro! Pois bem: a Santa Virgem é a porteira do Céu! A ave-maria é uma oração que não cansa nunca. Tudo o que o Filho pede ao Pai lhe é concedido. Tudo o que a Mãe pede ao Filho também lhe é deferido. O meio mais seguro de conhecer a vontade de Deus é rezar a nossa boa Mãe. Quando nossas mãos tocaram um aroma, perfumam tudo o que tocam. Façamos nossas orações passarem pelas mãos da Santa Virgem: ela as perfumará. Creio que, no fim do mundo, a Santa Virgem ficará muito tranqüila, mas, enquanto durar o mundo, ela é puxada de todos os lados…

A tentação
“A tentação nos é útil e necessária”.
“Deus não nos pede o martírio; pede-nos que resistamos a umas poucas tentações”.
“Conhecemos o preço da nossa alma pelos esforços que o demônio faz para perdê-la. O inferno arma-se contra ela, o céu por ela… Como ela é grande! Quando o demônio prevê que uma alma caminha para a união com Deus, a sua raiva redobra … Feliz união!”
“Enquanto houver um cristão à face da terra, “ele” [o demônio] o tentará”.
“A maior tentação é não ter nenhuma”.
“Havia uma vez uma mulher (parece-me que era Santa Teresa) que se queixava a Nosso Senhor após uma tentação e lhe dizia: “Onde estáveis Vós, meu Jesus infinitamente amável, onde estáveis durante esta horrível tempestade?” Nosso Senhor respondeu-lhe: “Estava no meio do teu coração, feliz de te ver lutar” “.
“Todos os soldados são bons da caserna. É no campo de batalha que se vê a diferença entre os corajosos e os covardes”.
“Os combates levam-nos para junto da cruz, e a cruz é a porta do céu”.
“Quando fordes tentados, oferecei a Deus o mérito dessa tentação para obterdes a virtude oposta”.
“Muitos se entregam à moleza e à ociosidade. Não é de admirar que o demônio lhes ponha o pé em cima”.
“Três coisas nos são absolutamente necessárias para combater a tentação: a oração para obtermos luz, os sacramentos para ganharmos forças, a vigilância para nos preservarmos”.
“Se estivéssemos impregnados da presença de Deus, ser-nos-ia fácil resistir ao inimigo”.
“Quando o demônio quer perder uma pessoa, começa por incutir-lhe um grande desgosto pela oração”.
“O demônio é esperto, mas não é forte: basta fazer o sinal da cruz para pô-lo em fuga”.
“O demônio só tenta aqueles que querem sair do pecado e aqueles que estão em estado de graça. Os outros já lhe pertencem, não precisam de ser tentados”.

 

10 Ensinamentos de São João Vianney para a luta contra o mal
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2016/08/04/10-ensinamentos-de-s-joao-vianney-para-a-luta-contra-o-mal/

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar seus santos conselhos. Devido a seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões, inclusive em algumas não só espiritualmente.

Em uma delas, enquanto se preparava para celebrar a missa, um homem lhe disse que seu dormitório estava pegando fogo. Qual foi sua resposta? “O Resmungão está furioso. Quando não consegue pegar o pássaro, ele queima a sua gaiola”. Entregou a chave para aqueles que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a missa e não o permitiu.

Deus premiou sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demônios das pessoas possuídas.

Sua confiança em Deus e fé inabalável nos dão várias lições que podem também nos ajudar em nossas lutas do dia-a-dia em nossa caminhada nesta terra. Sim, o mal existe; mas, Deus pode mais… “Quem como Deus?”.

Confira:

1. Não imagine que exista um lugar na terra onde possamos escapar da luta contra o demônio, se tivermos a graça de Deus, que nunca nos é negada, podemos sempre triunfar.

2. Como o bom soldado não tem medo do combate, assim o bom cristão não deve ter medo da tentação. Todos os soldados são bons no acampamento, mas é no campo de batalha que se vê a diferença entre corajosos e covardes.

3. O demônio tenta somente as almas que querem sair do pecado e aquelas que estão em estado de graça. As outras já lhe pertencem, não precisa tentá-las.

4. Uma santa se queixou a Jesus depois da tentação, perguntando a Ele: “onde você estava, meu Jesus adorável, durante esta horrível tempestade?” Ao que Ele lhe respondeu: “Eu estava bem no meio do seu coração, encantado em vê-la lutar”.

5. Um cristão deve sempre estar pronto para o combate. Como em tempo de guerra, tem sempre sentinelas aqui e ali para ver se o inimigo se aproxima. Da mesma maneira, devemos estar atentos para ver se o inimigo não está nos preparando armadilhas e, se ele está vindo para nos pegar de surpresa…

6. Três coisas são absolutamente necessárias contra a tentação: a oração, para nos esclarecer; os sacramentos, para nos fortalecer; e a vigilância para nos preservar…

7. Com nossos instintos a luta é raramente de igual: ou nossos instintos nos governam ou nós governamos nossos instintos. Como é triste se deixar levar pelos instintos! Um cristão é um nobre; ele deve, como um grande senhor, mandar em seus vassalos.

8. Nosso anjo da guarda está sempre ao nosso lado, com a pena na mão, para escrever nossas vitórias. Precisamos dizer todas as manhãs: “Vamos, minh’alma, trabalhemos para ganhar o céu”.

9. O demônio deixa bem tranquilo os maus cristãos; ninguém se preocupa com eles, mas contra aqueles que fazem o bem ele suscita mil calúnias, mil ofensas.

10. O sinal da cruz é temido pelo demônio porque é pela cruz que escapamos dele. É preciso fazer o sinal da cruz com muito respeito. Começamos pela cabeça: é o principal, a criação, o Pai; depois o coração: o amor, a vida, a redenção, o Filho; por fim, os ombros: a força, o Espírito Santo. Tudo nos lembra a cruz. Nós mesmos somos feitos em forma de cruz.

Jesus está atento a todas as nossas necessidades

https://www.acidigital.com/noticias/jesus-esta-atento-a-todas-as-nossas-necessidades-ressalta-papa-francisco-no-angelus-61519

Papa Francisco. Foto: ACI Prensa

Roma, 29 Jul. 18 / 07:52 am (ACI).- A passagem do Evangelho da multiplicação dos pães e dos peixes é um convite relembrar que Jesus, assim como vimos no Evangelho do domingo passado, não se faz cego a nenhuma das nossas necessidades. Na sua alocução antes da oração do ângelus deste domingo, ao comentar o evangelho dominical, o Papa Francisco ressaltou como o Apóstolo João mostra Jesus atento às necessidades primárias das pessoas, como a necessidade do alimento, assim como ao profundo desejo de ouvir a Palavra da salvação que ele traz.

O Santo Padre ressaltou a figura do menino que oferece o pouco alimento que tinha para Jesus. “O menino que traz os pães e o peixe é corajoso e ele também tem compaixão, os jovens são assim, e nós devemos ajudá-los”, disse o Papa em seu discurso.

“O episódio – explica Francisco – deriva de um fato concreto: as pessoas estão com fome e Jesus pede participação dos seus discípulos para que essa fome seja satisfeita. Para as multidões, Jesus não se limitou a dar pão – ele ofereceu também a sua Palavra, a sua consolação, a sua salvação e finalmente a sua vida – mas ele certamente fez isto também: ele cuidou da comida para o corpo”.

“Nós, seus discípulos – acrescenta o pontífice – não podemos fingir nada. Somente ouvindo as demandas mais simples das pessoas e permanecendo ao lado delas em suas situações existenciais concretas, podemos ser ouvidos quando falamos de valores mais elevados”.

Hoje assim como naquela ocasião – sublinha o Papa Francisco – “o amor de Deus pela humanidade, faminta de pão, liberdade, justiça, paz e acima de tudo a sua graça divina, jamais diminui. Jesus continua hoje a alimentar, a tornar-se uma presença viva e consoladora, e ele faz isso através de nós. O Evangelho nos convida a ser disponíveis e laboriosos, como o menino dos 5 pães e 2 peixes”.

“Diante do grito de todo tipo de fome por tantos irmãos e irmãs em todas as partes do mundo, não podemos permanecer como espectadores desinteressados ​​e pacíficos. O anúncio de Cristo, pão da vida eterna, requer um generoso compromisso de solidariedade para com os pobres, os fracos, os últimos, os indefesos. Essa ação de proximidade e de caridade é a melhor verificação da qualidade de nossa fé”, sublinhou.

Jesus não joga fora o pão com o qual saciou a multidão, recordou o Pontífice, e convidou a “que cada um de nós reflita quanta comida em casa é jogada fora”. O Santo Padre sugeriu aos presentes que falassem com seus avós que viveram o pós-guerra e exortou: “não jogue fora a refeição que pode ser doada, nunca! É uma sugestão e também um exame de consciência!”. E pediu que no mundo de hoje prevaleçam “os programas dedicados ao desenvolvimento, à alimentação, à solidariedade, e não aqueles de ódio, armamentos e guerra”.

No final do Ângelus, o Papa recordou que amanhã é o Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas. “Esse flagelo – mais uma vez denunciou Francisco – escraviza muitos homens, mulheres e crianças com o objetivo de exploração trabalhista e sexual, do comércio de órgãos, da mendicância e da delinquência forçada, mesmo aqui em Roma! As rotas de migração também costumam ser usadas por traficantes e exploradores para recrutar novas vítimas de tráfico. É da responsabilidade de todos denunciar injustiças e se opor firmemente a este crime vergonhoso”.

O Santo Padre concluiu seu encontro com os peregrinos pedindo que não esqueçam a coragem daquele rapaz que levou a Jesus tudo que tinha para que ele fizesse o milagre e concluiu a audiência geral concedendo a todos a sua bênção apostólica.

O amor de Jesus é sem medida, não seguir os “amores” mundanos

Cidade do Vaticano (RV) – O amor de Jesus é sem medida, não como os amores mundanos, que buscam poder e vaidade. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa matutina (18/5/2017) na Casa Santa Marta.
 
“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei”: o Pontífice desenvolveu sua homilia partindo da afirmação de Jesus, que destaca como o seu amor seja infinito. O Senhor, observou ainda, nos pede que permaneçamos no Seu amor “porque é o amor do Pai” e nos convida a observar os Seus mandamentos. Para Francisco, “certamente  os Dez Mandamentos são a base, o fundamento, mas é preciso seguir todas as coisas que Jesus nos ensinou, os mandamentos da vida cotidiana”, que representam “um modo de viver cristão”.

Uma coisa é querer bem, outra é amar

A lista dos mandamentos de Jesus é muito ampla, afirmou Francisco, mas “o cerne é um: o amor do Pai por Ele o amor Dele por nós”:

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder… São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar.”

O amor de Deus é sem medida

“Amar – destacou – é mais do que querer bem”. Qual é, portanto, “a medida do amor”, se pergunta Francisco: “A medida do amor é amar sem medida”:

“E assim, realizando esses mandamentos que Jesus nos deixou, permaneceremos no Seu amor, que é o amor do Pai, é o mesmo. Sem medida. Sem este amor morno ou interesseiro. ‘Mas porque, Senhor, nos lembra dessas coisas?’, podemos perguntar. ‘Para que a minha alegria esteja em vocês e esta alegria seja plena’. Se o amor do Pai vai até Jesus, Jesus nos ensina o caminho do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores”.

A missão do cristão é obedecer a Deus e doar alegria às pessoas

“O grande amor por Ele – acrescentou o Papa – é permanecer neste amo e se há alegria”; “o amor e a alegria são um dom”. Dons que devemos pedir ao Senhor:

“Pouco tempo atrás, um sacerdote foi nomeado bispo. Foi visitar seu pai, já idoso, para dar-lhe a notícia. Este homem idoso, aposentado, homem humilde, um operário durante toda a vida, não tinha frequentado a universidade, mas tinha a sabedoria da vida. Deu somente dois conselhos para o filho: ‘Obedeça e dê alegria às pessoas’. Este homem tinha entendido isso: obedeça ao amor do Pai, sem outros amores, obedeça a este dom e, depois, dê alegria às pessoas. E nós, cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados, bispos, devemos dar alegria às pessoas. Mas por que? Por isso, pelo caminho do amor, sem qualquer interesse, somente pelo caminho do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas.”

O Papa concluiu: “Que o Senhor proteja, como pedimos nas orações, este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas”.

 

Seguir Jesus por amor, não por vantagens

Segunda-feira, 5 de maio de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre enfatizou que há cristãos que seguem Jesus por vaidade, sede de poder e de dinheiro, atitudes que são repreendidas por Cristo

Na Missa desta segunda-feira, 5, na Casa Santa Marta, Papa Francisco rezou para que Deus dê ao homem a graça de segui-Lo somente por amor. O Santo Padre destacou que, na Igreja, há pessoas que seguem Jesus por vaidade, sede de poder ou dinheiro.

No Evangelho do dia, vê-se a passagem em que Jesus repreende o povo que o procurava somente por ter sido saciado após a multiplicação dos pães e dos peixes. A partir disso, Francisco convidou os fiéis a pensarem se seguem Deus por amor ou por qualquer vantagem. “Porque somos todos pecadores e sempre há algum interesse que deve ser purificado no seguir Jesus, e devemos trabalhar interiormente para segui-Lo por Ele, por amor”.

O Santo Padre falou de três comportamentos que não são bons no caminho para seguir Jesus, atitudes que o próprio Cristo repreendeu. O primeiro deles é a vaidade. Como exemplo, o Papa citou as pessoas que dão esmola para aparecer.

“Algumas vezes, fazemos coisas procurando aparecer um pouco, procurando a vaidade. A vaidade é perigosa, porque nos faz escorregar no orgulho, na soberba e, depois, tudo termina ali. Faço uma pergunta: eu, como sigo Jesus? As coisas boas que eu faço, faço-as escondido ou gosto de me aparecer? Penso também em nós, pastores, porque um pastor que é vaidoso não faz bem ao povo de Deus, pode ser padre ou bispo, mas não segue Jesus se gosta da vaidade”.

Um segundo aspecto que Jesus reprova naqueles que O seguem é o poder. Francisco elencou como um caso claro o de João e Tiago, filhos de Zebedeu, que pediam a Jesus a graça de serem primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro quando chegasse o Reino.

“Na Igreja, há os escaladores! Há tantos que batem à porta da Igreja para… Mas se você gosta, vá ao Norte e faça alpinismo: é mais saudável! Mas não venha à Igreja para escalar! Jesus repreende esses escaladores que procuram o poder”.

Os discípulos mudaram de atitude somente após a vinda do Espírito Santo, mas o Papa lembrou que o pecado permanece na vida cristã de forma que é bom cada um refletir sobre o modo como segue Jesus. “Por Ele, somente, até o fim, na cruz, ou procuro poder e uso um pouco a Igreja, a comunidade cristã, a paróquia, a diocese para ter um pouco de poder?”.

O terceiro e último aspecto destacado por Francisco é a sede de dinheiro. Trata-se de pessoas que procuram tirar algum lucro em cima da paróquia, da diocese, de um hospital ou de um colégio. É uma tentação que existe desde as primeiras comunidades cristãs, lembrou o Santo Padre.

“Peçamos ao Senhor que nos dê o Espírito Santo para seguirmos atrás d’Ele com retidão de intenção: somente Ele. Sem vaidade, sem vontade de poder e sem sede de dinheiro”.

Como enfrentar as provações?

Sofrer, com paciência, é sabedoria, pois assim se vive com paz  

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…” (1 Pe 4,12). Ensinando-nos que essas dificuldades nos levarão à perfeição: “O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1 Pe 5,10).

O mesmo Apóstolo ensina-nos que a provação nos “aperfeiçoará” e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isso que o tentador deseja.

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal-humorada, triste, indelicada com os outros e acaba deprimida.

O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina:   “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tes 5, 16).

É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de glorificar a Deus, rezar muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…” até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados do Senhor.

Essa atitude muito agrada ao Senhor, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos Seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (cf. Hb11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

Da mesma forma, Jó agradou muito ao Todo-poderoso porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé:

“Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um “Bendito seja Deus!”, pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O Jardineiro Divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Não se assuste com as podas que Ele fizer no jardim de sua alma.

Santa Teresa diz que ouviu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A grande santa da Igreja chegou a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”.

Para nós, essas palavras parecem um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4, 17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que o Senhor tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários, pois nos dão a oportunidade de lutar contra as nossas misérias.

Isso tudo, repito mais uma vez, não quer dizer que Deus seja o autor do mal ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não. O que o Senhor faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria-prima de nossa própria salvação, dando assim, um sentido à nossa dor.

A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, como nos ensina São Tiago.

“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta-se, desespera-se, sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também.

Santo Afonso disse que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

Prof. Felipe Aquino

Eduque seus filhos com valores

Família

Temos de ensinar nossos filhos a terem valores

É um comportamento muito comum das famílias criar expectativas em torno do futuro dos filhos. O sonho e a necessidade dos pais de vê-los na Universidade, bem sucedidos e felizes, acabam por negligenciar o tempo para educá-los por meio de uma espiritualidade capaz de fortalecer as relações, as escolhas e as decisões deles.

Compra-se livro, papel e caneta, Iphone e celular. Compra-se e paga-se tudo, porque nada (cheio de tudo) pode faltar para os filhos. “Dou aos meus filhos tudo que não tive”.

Vamos, então, ao começo. Vamos nos lembrar da época do enxoval. Primeiro, decide-se se será rosa ou azul, se vai colocar o berço no quarto dos pais ou não, escolhe-se quem será a madrinha e quando e onde será o batizado. A rotina da casa muda por completo, o que era calmo passa a ficar agitado, quem dormia à noite toda não dorme mais e, assim, tudo vai sendo adaptado por conta da chegada do bebê. E o pequenino ocupa tanto o centro da casa que ninguém mais viaja nem sai para passear. Os pais deixam, muitas vezes, de ir à igreja, ao cinema… As mudanças não param por aí. É preciso decidir também qual será a primeira escola, o preço da mensalidade, quem será a professora e com quem ele ficará quando os pais saírem para trabalhar.

Quase nunca se escuta: temos de ensinar o nosso filho a respeitar os mais velhos, a conviver bem com os outros, a falar a verdade, a guardar com carinho os seus pertences, a ter um encontro com Deus. São reflexões que precisam ser feitas a fim de estar preparado e disponível para o filho, seja ele uma criança, um adolescente ou um jovem adulto a desenvolver o gosto pelos estudos, o respeito por si mesmo e pelo outro. O filho precisa desenvolver os princípios da boa convivência e cultivar o amor à sua própria vida, cuidando da sua saúde biopsicossocial e espiritual.

Por meio dos estímulos e dos modelos de comportamento encontrados no ambiente, em casa, na escola e na sociedade, os filhos vão desenvolver sua espiritualidade. Aprenderão a amar seus pais, a cuidar deles e a respeitá-los até a velhice; aprenderão a gastar o necessário e viver com leveza em contato com a arte, com a cultura e com as pessoas. Terão ocupações com o trabalho, com os estudos, com o lazer e com a fé.

Fiz essas considerações a partir da minha experiência como mãe e do conceito sobre espiritualidade que construí durante a minha vida. A pergunta para nortear a nossa espiritualidade deverá sempre ser esta: “Quem eu sou no lugar onde estou?”, “Para onde eu quero ir e com quem?”.

Caro leitor e leitora, você, que está lendo este texto, poderá pensar na educação do seu filho a partir da sua espiritualidade. Os pais precisam educar os filhos com o pulso do amor e da autoridade, do critério da excelência; o que é bem diferente de conduzir uma educação pautada no autoritarismo, na indiferença e no abandono. Educar com espiritualidade é proporcionar bem-estar ao filho.

Os pais se deixam contaminar pelas consequências do relativismo do mundo moderno e acabam por não tirar proveito da sua própria história, arriscando-se a viver como muitos intelectuais empobrecidos pensam: “Quando ele estiver crescido, escolherá o que vai comer, que religião vai professar e em que escola vai querer estudar, porque meu filho tem de ter liberdade”. Que engraçado! Ele pode ter liberdade e não pode desenvolver a sua espiritualidade? Como ter liberdade sem aprender a escolher e decidir? Como seguir o que não conhece? O que nunca lhe foi apresentado?

Ao fazer esses questionamentos, gostaria de motivá-lo, querido leitor, a pensar na espiritualidade de uma maneira ampla e profunda, desassociada da religiosidade. Com certeza, esses conceitos irão se encontrar, pois é impossível uma religiosidade sem espiritualidade. Mas é possível tratar de espiritualidade sem estar focado na religiosidade. A especialista em educação Mimi Doe afirma: “A espiritualidade é a base a partir da qual nascem a autoestima, a ética, os valores, a sensação de fazer parte de algo. É a espiritualidade que determina o sentido e o significado da vida”.

A educação nesses moldes precisará oferecer aos filhos um ambiente do qual eles participem e estejam preparados para o diálogo, para a convivência e para fazer o bem. Um ambiente que ofereça abraço e elogios quando necessários, que o outro seja reconhecido pelo que ele acerta, pelo que faz de bom. Será por meio da ação e do compromisso em conviver bem que os filhos poderão desenvolver uma espiritualidade fortalecida nos valores.

Não se cresce para, um dia, ser espiritualizado. Viver assim é uma opção. De acordo com Mimi, “resgatar esse sentimento de educar filhos pode ser, ainda hoje, um verdadeiro milagre. Não, não é nada esotérico nem específico dessa ou daquela religião. Ao contrário, abrir um espaço para a espiritualidade na relação com as crianças é fazer coisas simples, como criar um ambiente agradável e receptivo na hora do jantar ou marcar um dia por mês para um ‘estar em família’ diferente“.

Considerei importante apresentar alguns dos princípios que nos ajudarão a praticar, juntamente com os nossos filhos, a alegria espontânea, criativa e livre que caracteriza a espiritualidade inata de uma criança, baseados nos princípios de Mimi Doe, produtora de televisão premiada e cofundadora da Pink BubbleProductions, uma empresa que se dedica a desenvolver programas sem violência para crianças:

1. Deixe de lado os seus velhos programas de educação, os erros cometidos por seus pais, os “deveres” e “obrigações” que foram se infiltrando no seu jeito de educar. Você é você mesmo e seu filho é ele mesmo. Vocês dois foram reunidos por Deus por algum motivo. Acredite, você e seu pequeno foram, literalmente, feitos um para o outro.

2. Ensine seu filho a desenvolver a concentração no pensar. Use como exemplo uma lanterna ou um foco de luz cortando a escuridão. Os pensamentos dele são como esse raio de luz atravessando o universo, juntando e iluminando os seus desejos. Essa imagem vai ajudar seu filho a entender que nossos pensamentos podem provocar grandes mudanças na nossa vida.

3. Busque o maravilhoso fora do trivial. Celebre junto com ele os fatos admiráveis de cada dia. Invente rituais, motivos para celebrar, encha sua casa com música, dance, caminhe na chuva. Se faltar ideias, tome emprestadas algumas fantasias de seu filho. Com certeza, ele vai adorar compartilhar esses tesouros com você.

4. As palavras são importantes. Use-as com cuidado. Em geral, elas refletem nosso jeito de estar no mundo. Institua em sua casa a regra de não permitir rebaixamentos nem zombarias. O deboche é um meio seguro de arrasar o espírito.

5. Faça de cada dia um novo começo. Por pior que tenha sido o dia de hoje, amanhã é um novo dia e ninguém sabe ou pode garantir o que ele vai trazer. Dê de presente para seu filho um dia cheio de possibilidades, um dia sagrado. Um dia para ser saboreado minuto a minuto, intensamente. Agora, sim, podemos concluir essa reflexão falando de religiosidade. Com tamanha espiritualidade, impossível não ver Deus em todas as coisas e sentir-se parte d’Ele. Mais uma vez, viver assim é uma decisão.

Judinara Braz
Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing. Psicóloga especializada em Abordagem e Análise do Comportamento Autora do Livro Sala de Aula, a vida como ela é. Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

Ser de Deus. O que eu ganho com isso?

Oração

Vale a pena ser de Deus

Hoje, vivemos a era do ‘Marketing’. Desde pequena, uma criança já sabe manusear um tablet, e por todos os lados vemos propagandas de produtos que lhe trará maior prazer. É fato que as propagandas não vendem produtos, mas convites à felicidade que será alcançada por meio deles. Com isso, vemos uma geração que, a todo momento, se questiona: “O que eu ganho com isso?”, “Quanto eu lucro ao buscar esse ou aquele meio?”. E quando se fala em religião, vemos que esta não está numa realidade tão diferente da comercial. Em muros e cartazes, até mesmo em “carros de som”, anuncia-se, pela cidade, determinada igreja que nos trará benefícios e soluções de forma cada vez mais fácil, descomprometida e acessível ao fiel… Ou poderia dizer ao cliente?

Vemos que, na Bíblia, também havia pessoas interessadas em se beneficiar de Deus. Giezi é um exemplo; ele é um dos servos do profeta Elizeu, que testemunha a cura de Naamã, chefe do exército de Israel. O profeta não aceita nenhum presente de Naamã, o que deixa seu servo contrariado. “Então, Giezi sai correndo para alcançar Naamã. Quando este vê que Giezi corre atrás dele, desce do carro, vai ao seu encontro e lhe pergunta: ‘Está tudo bem?’. Giezi responde: ‘Tudo bem. Só que meu senhor mandou dizer-lhe: Agora mesmo, acabam de chegar, da região montanhosa de Efraim, dois jovens irmãos profetas. Por favor, dê para eles trinta e cinco quilos de prata e duas roupas de festa’. Naamã respondeu: ‘Aceite setenta quilos’. Insistiu para que Giezi aceitasse. Depois, Naamã colocou setenta quilos de prata e as roupas de festa em duas sacolas, e as entregou a dois de seus servos. Estes foram na frente de Giezi levando as sacolas” (cf. II Reis 5,21-25). Giezi mente dizendo que veio a mando do profeta pedir a prata e as roupas, mas o que o comandava nessa ação era seu desejo de ser beneficiado com o milagre que Deus operara em Naamã.

Na contramão, temos personagens bíblicos que nos mostram o caminho de uma real busca por Deus. O próprio profeta Elizeu, na passagem já citada, nos mostra que não é o que ganhamos com o Senhor que conta, mas o próprio Deus. Naamã lhe ofereceu prata e bens, mas o profeta os recusou, pois queria mostrar àquele homem que não se pode comprar a graça do Senhor. Muitas vezes, vejo por aí mensagens e dizeres onde se exortam um Deus produtor de bênçãos e milagres. Coisas como: “Deus não deixará nada de ruim acontecer. A sua vitória está perto, Deus fará de seus sonhos realidade”. Vamos construindo um “deus” condicionado ao que buscamos, ao que queremos.

Deus quer, sim, nos fazer felizes e nos levar a uma realização. Mas precisamos desmascarar um deus que segue caprichos humanos, que é uma mentira. No fim, são palavras vazias que nos levam a uma fé imatura, e acreditamos que o Senhor existe, sim, mas como nossos planos não acontecem, pensamos que Ele está longe de nós. As promessas de Deus se cumprem sempre, mas precisamos saber se elas vêm, realmente, do Pai.

“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6,5). É na intimidade com Deus que encontramos Suas promessas, e assim elas se cumprem. O que ganho seguindo Cristo? Ganho Cristo! “Porque todos fomos criados para aquilo que o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno.” (Papa Francisco EG. 265)

Jesus veio ao mundo para nos propor uma amizade verdadeira, sem interesses. Quando seu dia não for bom, você terá onde ir e com quem desabafar. E quando for ótimo? Ele estará junto de você, alegrando-se. ‘Os verdadeiros adoradores’ são aqueles que buscam Deus por quem Ele é, e assim recebem graças em sua vida. Mas quando vem a dificuldade, não renega o amigo, pois sabe que “se lhe formos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode renegar a si mesmo.” (cf. II Timóteo 2, 13)

Peçamos a Deus a graça de uma verdadeira conversão, de uma verdadeira disposição interior em buscar o Senhor e experimentar o amor d’Ele por nós. E que cresça, cada vez mais, o amor em nós por Ele. Que o amemos de graça, e o maior ganho que teremos com isso é Sua amizade.

Paulo Pereira

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