Pensamentos Seletos

Deus não deixa o homem à mercê do seu mal

Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus, explica Francisco

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta quinta-feira, 08, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano.

“As leituras da Solenidade de hoje da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria apresentam duas passagens cruciais na história das relações entre o homem e Deus: podemos dizer que nos levam às origens do bem e do mal”, disse o Pontífice.

Não das origens

Francisco explicou que o livro do Gênesis mostra o “não das origens”, quando o homem preferiu olhar para si mesmo, ao invés do seu Criador, escolheu ser autossuficiente.

“Mas, assim fazendo, saindo da comunhão com Deus, perdeu a si mesmo e começou a ter medo, a se esconder e a acusar quem estava perto. Isto faz o pecado”, destacou.
Contudo, o Santo Padre disse que Deus não deixa o homem à mercê do seu mal.

“Imediatamente o procura e lhe faz uma pergunta cheia de apreensão: ‘Onde você está?’. É a pergunta de um pai ou de uma mãe que procura o filho perdido: ‘Onde você está? Em qual situação você se encontra?’. E este Deus o faz com tanta paciência, até preencher a distância criada nas origens.”

O sim de Maria

A segunda passagem crucial, narrada hoje no Evangelho, é quando Deus vem habitar entre nós, se faz homem como nós. E isso só foi possível por meio de um grande “Sim”, o de Maria no momento da Anunciação.

“Através deste “sim” Jesus começou o seu caminho nas estradas da humanidade; começou em Maria, transcorrendo os primeiros meses de vida no útero da mãe: não apareceu já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Se fez em tudo igual a nós, exceto uma coisa: o pecado. Por isso, escolheu Maria, a única criatura sem pecado, imaculada. No Evangelho, com uma palavra, ela é chamada de “cheia de graça”, isto é cumulada de graça. Isso significa que nela, “imediatamente” cheia de graça, não há lugar para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a ela, reconhecemos esta beleza: a invocamos “cheia de graça”, sem sombra de mal”, sublinhou Francisco.

Maria responde à proposta de Deus dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor”. Ela não diz: “Desta vez eu vou fazer a vontade de Deus, eu estou disponível, depois vamos ver…”. O seu é um “sim” total, incondicional. E como o “não” das origens tinha fechado a passagem do homem a Deus, assim o “sim” de Maria abriu o caminho para Deus entre nós. É o “sim” mais importante da história, o “sim” humilde que abate o “não” soberbo das origens, o “sim” fiel que cura a desobediência, o “sim” disponível que derrota o egoísmo do pecado.

Sim e não a Deus

O Pontífice disse ainda que para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus.

“Às vezes, porém, somos especialistas nos Sim à metade: somos bons em fingir de não entender bem o que Deus quer e o que a consciência sugere. Somos também astutos, e para não dizer um não verdadeiro a Deus dizemos: “eu não posso”, “não hoje, mas amanhã”; “amanhã serei melhor, amanhã eu vou rezar, vou fazer o bem, amanhã.” Assim, no entanto, fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita desta falta de “sim”. Em vez disso, cada “sim” pleno a Deus dá origem a uma história nova: dizer sim a Deus é verdadeiramente “original”, não o pecado, que nos torna velhos dentro, nos envelhece por dentro. Cada sim a Deus origina histórias de salvação para nós e para os outros.”

Neste caminho do Advento, Deus quer nos visitar e espera o nosso “sim”, com o qual dizemos a ele: “Creio em Ti, espero em Ti, eu te amo; faça-se em mim segundo a tua vontade de bem”. Com generosidade e confiança, como Maria, vamos dizer hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus.

Homenagem pública à Maria

“Nesta tarde eu vou até a Praça de Espanha para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento à Imaculada. Depois vou à Basílica de Santa Maria Maior, para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”. Peço-lhes que se unam a mim neste gesto que expressa a devoção filial a nossa Mãe celeste”.

O Papa concluiu desejando a todos boa festa e bom caminho de Advento sob a guia da Virgem Maria. “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até mais!”

Na solenidade da Imaculada Conceição

Sexta-feira, 8 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Em sua reflexão, Papa destacou Maria como cheia de graça e sempre jovem, uma vez que não é envelhecida pelo pecado

Na Solenidade da Imaculada Conceição, celebrada nesta sexta-feira, 8, o Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. O Santo Padre destacou a característica “cheia de graça” de Maria, convidando os fiéis a olhar para ela e pedir auxílio para viver uma vida bela dizendo sim a Deus.

“Hoje contemplamos a beleza de Maria Imaculada”. Assim o Papa iniciou a reflexão, lembrando que no episódio bíblico que narra a Anunciação, o anjo se referiu a Maria como “cheia de graça”, o que significa dizer que Maria é cheia da presença de Deus, nela não há lugar para o pecado. “Ela é o único ‘oásis sempre verde’ da humanidade, a única incontaminada, criada imaculada para acolher plenamente, com o seu ‘sim’, Deus que vem ao mundo e iniciar assim uma história nova”, disse o Papa.

O Santo Padre explicou que toda vez que se reconhece Maria como cheia de graça se faz a ela o maior elogio, o mesmo que o fez Deus. “Um belo elogio a fazer a uma senhora é dizer-lhe que aparenta uma jovem idade. Quando dizemos a Maria cheia de graça, em certo sentido lhe dizemos também isso, no nível mais alto”.

Francisco ressaltou que se reconhece Maria sempre jovem, porque nunca é envelhecida pelo pecado. Ele explicou que a única coisa que realmente faz envelhecer não é a idade, mas o pecado. “O pecado torna velhos, porque atrofia o coração. Fecha-o, torna-o inerte, o faz murchar. Mas a cheia de graça é vazia de pecado. Então é sempre jovem”.

E assim como a juventude de Maria não está na idade, assim também a sua beleza não consiste na aparência, pontuou Francisco. Maria era de família simples, vivia humildemente em Nazaré, não era famosa, tinha preocupações e temores. Todavia, viveu uma vida bela; seu segredo era a Palavra de Deus.

“Permanecendo com Deus, dialogando com Ele em toda circunstância, Maria tornou bela a sua vida. Não a aparência, não aquilo que passa, mas o coração voltado para Deus faz bela a vida. Olhemos hoje com alegria à cheia de graça. Peçamos a ela que nos ajude a permanecer jovens, dizendo ‘não’ ao pecado e a viver uma vida bela, dizendo ‘sim’ a Deus”, finalizou.

Ainda hoje, por ocasião da Solenidade, o Papa vai à Praça Espanha, no centro de Roma, para renovar o tradicional ato de homenagem e oração aos pés do monumento da Imaculada. “Peço que vocês se unam espiritualmente a mim neste gesto, que expressa a devoção filial à nossa Mãe celeste”, disse o Papa após a oração mariana.

A Imaculada Conceição

Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça

O tempo do Advento tem, sem dúvida alguma, um sabor mariano. É com a Virgem que melhor aprendemos como esperar o Sol que nasce da Aurora, o Cristo, nosso Deus! Por isso, é muito conveniente celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Virgem.

O que a Igreja crê e celebra neste mistério? A Escritura Santa nos ensina que a humanidade fora criada por Deus para a comunhão com Ele, para ser feliz convivendo com Ele, construindo a vida e o mundo. Mas, infelizmente, desde o início da história humana e até hoje, nossa raça foi dizendo “não” ao sonho de Deus. Quisemos e queremos ainda ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (cf. Gn 3,4s); queremos viver a vida de modo autônomo, como se a existência fosse nossa e não um dom recebido do Senhor. Se não dizemos, pensamos muitas vezes: “A vida é minha; faço dela o que eu quero! O resultado dessa atitude tem sido trágico: tornamo-nos uma humanidade ferida, esfacelada num mundo também ferido e esfacelado.

Somos todos presa de um enorme fechamento para Deus, uma desconfiança n’Ele, uma tendência a não percebê-Lo. Por isso somos profundamente desequilibrados no nosso modo de nos ver, de ver a vida, de nos relacionar com os outros e com o mundo. Somos um poço de contradições, de paixões, de anseios desencontrados e sentimentos, muitas vezes, destrutivos. Somos, pois, profundamente feridos de morte, feridos até a morte! É esta situação miserável que a Igreja denomina “pecado original”, pecado que já nos marca desde o primeiro momento de nossa existência: “Minha mãe já concebeu-me pecador” (Sl 50,7). É desta situação miserável, sem saída, que Cristo nos arranca com a Sua encarnação, Sua vida, Sua morte e ressurreição com o dom do Seu Espírito: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente em virtude da redenção realizada por Jesus Cristo” (Rm 3,23s).

Pois bem, a Igreja crê, firmemente, que a toda Santa Virgem Maria, desde o primeiro momento em que foi concebida no seio de sua mãe, foi preservada por Deus desta solidariedade com esta situação de pecado. Nós já nascemos marcados de morte; ela, desta marca de pecado foi preservada; nós, precisamos ser arrancados da lama do pecado graças à cruz do Cristo; ela, pela cruz do Cristo foi liberta desde a origem e, sequer, foi tocada por esta lama maldita; nós fomos redimidos, porque lavados desta lama; ela foi ainda mais perfeitamente redimida. porque, pelos méritos da Paixão do Senhor, sequer experimentou esta situação de pecaminosidade.

Desde o ventre materno, desde o primeiro instante de sua concepção, o Senhor a libertou graças aos méritos de Cristo. Ela, a Virgem, pode ser chamada Toda Santa, isto é, Toda Santificada. Ela pode cantar as palavras da profecia de Isaías: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me vestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!”

A Igreja crê nesta Concepção Imaculada da Mãe de Jesus e com ela se alegra. E crê fundamentada na Escritura Sagrada. A Palavra de Deus não afirma que o Senhor colocou uma inimizade de morte entre a serpente e a Mulher, entre a descendência da serpente e da Mulher? Quem é esta Mulher? Não é aquela a quem Jesus chama Mulher em Caná e ao pé da cruz? Não é aquela de quem São Paulo diz: “Quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o Seu Filho nascido de Mulher? Como, pois, poderia estar sob o domínio do pecado, fruto da serpente, a Mulher de quem nasceria o Cordeiro sem mancha, que tira o pecado do mundo?

Estejamos atentos ainda no modo como Gabriel saudou a Virgem no Evangelho: ele lhe muda o nome! Não diz “Alegra-te, Maria!”, mas “Alegra-te, Cheia de Graça!”. Cheia de graça, kecharitomene, do verbo charitô, agraciar. “Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça!”, “Alegra-te, ó Mar de Graça, ó possuída totalmente pela graça! Em ti, Virgem Maria, não há o mínimo lugar, a mínima brecha para a “des-graça” do pecado!” – É isto que significam as palavras de Gabriel. Podem crer: Deus juntou toda água um dia e chamou de mar; Deus juntou toda graça, outro dia, e a chamou de Maria!

A Virgem não é dona da graça; ela a recebeu totalmente. A Virgem não é imaculada por seus próprios méritos, mas pelos méritos daquele que, nascido de suas entranhas benditas, venceu a antiga serpente e destruiu o antigo inimigo. Observemos que esta ideia aparece na segunda leitura da Missa desta solenidade. O que diz o apóstolo? O Pai “nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou por intermédio de Jesus Cristo (Ef 1,4s).

Se todos somos fruto de um sonho eterno de Deus, se todos somos predestinados em Cristo, desde antes da fundação do mundo; se o Senhor conheceu nossos dias antes mesmo que um só deles existisse, pois bem: em Cristo, Deus, o Pai, preservou a Mãe do Seu Filho do pecado, graças ao Seu Filho! Que nossos irmãos protestantes se alegrem conosco pela Imaculada Conceição de Maria: ela é bíblica, ela exalta enormemente a grandeza abundante da graça de Cristo, único Salvador! São Paulo diz que “todos pecaram e estão privados da glória de Deus”; assim estaria a Virgem sem a graça de Cristo; mas disso foi libertada no primeiro momento de sua existência, graças a Cristo!

Esta é a beleza desta festa: o triunfo da graça, celebrar a graça de Cristo que age antes mesmo do nascimento histórico de Cristo! Que graça tão grande, que Salvador tão potente, que Deus tão previdente! E para nós, que alegria contemplar o mistério, vislumbrá-lo, mergulhar nele! Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; hoje, começou a raiar a aurora do dia sem fim; surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, que é o Cristo, nosso Deus!

A Igreja, exultante de alegria, tem palavras lindas na celebração litúrgica no dia da Imaculada. No Ofício Divino, ela assim se dirige à Virgem Toda Santa: “Com a vossa Imaculada Conceição, Virgem Maria, um anúncio de alegria percorreu o mundo inteiro” e, mais adiante, no Ofício, continua, admirada: “Toda bela sois, Virgem Maria, sem mancha original! Sois a glória de Sião, a alegria de Israel e a flor da humanidade”. E, imaginando a resposta da Virgem, coloca nos seus lábios estas palavras que ela dirige ao Senhor: “Foi nisto que eu vi, porque vós me escolhestes! Porque não triunfou sobre mim o inimigo, porque vós me escolhestes!” Isso mesmo: mais que ninguém, a Virgem é devedora a Cristo: Ele a escolheu, a preservou, sustentou-a e teve por ela uma predileção inigualável!

Alegremo-nos nós também! Em Cristo o pecado pode ser vencido! A Conceição Imaculada de Maria é sinal belíssimo desta vitória! Alegremo-nos, porque a Imaculada Conceição de Nossa Senhora é o feliz princípio e o primeiro albor da salvação que o Senhor Jesus nos traz! Bendita seja a cruz de Jesus, que antes de ser fincada no Calvário, já libertou com seus raios a Virgem de todo pecado! A Jesus, fruto bendito, do bendito ventre da bendita Virgem Maria, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

Procura-se um deserto

O deserto nos ajuda a compreender nossa missão

É preciso que se estude, um dia, o papel do deserto na vida do ser humano ou, ao menos, na vida de certas pessoas. Para uma legião de monges, ele se tornou um ideal, quase uma obsessão. Achavam impossível viver longe dele e, por isso, deixaram tudo e partiram para um mosteiro. Ali, na oração e no trabalho, não tinham em mente fugir do mundo, mas compreendê-lo melhor e colocá-lo em sua oração. Charles de Foucauld († 1916), nascido numa família aristocrática francesa, fez do deserto, no norte da África, o seu lar. Saint-Exupéry compreendeu melhor a terra dos homens depois que seu avião teve uma pane, vendo-se obrigado a passar dias e dias no deserto do Saara, completamente isolado de tudo.

A lembrança desse silêncio o fez, um dia, escrever: “Eu sempre amei o deserto. A gente se senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se escuta nada. E, no entanto, no silêncio, alguma coisa irradia”. Claro que ninguém ama o deserto por ele mesmo, pois “o que o torna belo é que ele esconde um poço em algum lugar”. Quem nunca teve um avião não sabe o que é se sentir, de repente, num deserto, como Saint-Exupéry. Mas isso não nos impede de fazer essa experiência tão importante e renovadora, que foi escolhida pelo Senhor para preparar o coração de Seu povo antes da entrada na Terra Prometida: “Guiou o seu povo no deserto: pois eterno é seu amor” (Sl 136,16).

Cada pessoa tem condições de criar um deserto em torno de si mesma e, principalmente, em seu coração. Ali, na rica solidão de seu interior, saberá dar à sua vida, às pessoas que a cercam e a ela própria o devido valor. Aliás, nunca uma pessoa poderá compreender tais realidades se não se encerrar em si mesma.

O deserto é feito de silêncio. Não de um silêncio estéril, marcado apenas pela falta de barulho, mas de um silêncio que nasce dentro da própria pessoa, feito de reflexão e paz. Um silêncio feito de amor.

É necessário, de quando em vez, fazermos uma parada na vida. Parada semelhante à daqueles que, andando pelo deserto, ficam algum tempo no oásis que encontram. Saem dali refeitos, enriquecidos e animados. Também nós sairemos enriquecidos dos momentos de deserto que criarmos. Depois disso, teremos melhores condições de enfrentar a vida de cada dia, com seus problemas, desafios e solicitações. Sairemos de nossos desertos convictos de que, nesses tempos que periodicamente nos concedemos, longe de nos isolarmos num egoísmo estéril, criaremos melhores condições para estabelecer um encontro leal, profundo e sincero com nós mesmos, com os outros e com Deus.

Na vida de Cristo há vários momentos que testemunham o quanto Ele amava o deserto: “Logo em seguida, Jesus mandou que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. Depois de despedi-las, subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho” (Mt 14,22-23). Sua vida não era tranquila: as multidões O procuravam a toda a hora e em todos os lugares; pediam curas, exigiam Sua presença e Sua palavra. Ele atendia a todos com uma paciência que a outros conquistava. À noite, cansado, deixava os apóstolos descansando e retirava-se para longe. Suas noites de oração eram o Seu “deserto”.

Numa época e num mundo marcados pela agitação (ou pela dispersão), é urgente seguirmos o exemplo de nosso Mestre, procurando criar espaços de deserto. Justamente, porque as atividades nos absorvem, porque todos solicitam nossa presença e nossas responsabilidades se multiplicam; por isso precisamos de “desertos” em nossa vida, o qual nos dará maior unidade, nos tornará mais amigos de nós mesmos, e fará com que cumpramos melhor nosso papel no plano que o Pai tem para nós. Tempos de deserto não são de fugas, mas multiplicadores de nossas forças, tornando-nos mais eficazes.

Só quem já fez a experiência de deserto é capaz de valorizá-lo devidamente e de lhe dedicar um tempo que a eternidade recompensará.

Dom Murilo Krieger, scj
Arcebispo de Salvador (BA)

Aproximar-se do sacramento da Confissão

Catequese, quarta-feira, 19 de fevereiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano em espanhol

Dando continuidade às catequeses sobre os sacramentos, Francisco falou da Penitência

A Confissão é sempre um abraço de Deus, disse o Papa / Foto: Reprodução CTV

Na catequese desta quarta-feira, 19, Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os sacramentos, desta vez concentrando-se no da Penitência.

Trata-se de um sacramento, segundo o Papa, que é um “autêntico tesouro, que às vezes se corre o risco de esquecer”. Francisco recordou que o perdão dos pecados não é fruto do esforço pessoal humano, mas é um dom do Espírito Santo que purifica o homem com a misericórdia e a graça do Pai.

“A Confissão que se realiza de forma pessoal e privada não deve nos fazer esquecer seu caráter eclesial. Não basta pedir perdão ao Senhor interiormente; é necessário confessar com humildade os próprios pecados diante do sacerdote, que representa Deus e a Igreja”, pontuou Francisco.

O Santo Padre convidou todos a se aproximarem do sacramento da Penitência e receber assim o abraço da infinita misericórdia de Deus, que está sempre disposto a acolher o ser humano.

 

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano / Quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Boletim da Santa Sé / Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Através dos Sacramentos da iniciação cristã, o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia, o homem recebe a vida nova em Cristo. Agora, todos sabemos disso, nós levamos essa vida “em vasos de barro” (2 Cor 4, 7), ainda estamos sujeitos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do pecado, podemos até mesmo perder a nova vida. Por isto o Senhor Jesus quis que a Igreja continuasse a sua obra de salvação também através dos próprios membros, em particular o Sacramento da reconciliação e aquele da Unção dos enfermos, que podem ser unidos sob o nome de “Sacramentos da cura”. O Sacramento da Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando eu vou confessar-me é para curar-me, curar a minha alma, curar o coração e algo que fiz e não foi bom. O ícone bíblico que o exprime melhor, em sua profunda ligação, é o episódio do perdão e da cura do paralítico, onde o Senhor Jesus se revela ao mesmo tempo médico das almas e dos corpos (cfr Mc 2,1-12 // Mt 9,1-8; Lc 5,17-26).

1. O Sacramento da Penitência e da Reconciliação surge diretamente do mistério pascal. De fato, na própria noite de Páscoa, o Senhor aparece aos discípulos, fechados no cenáculo, e depois de ter dirigido a eles a saudação “A paz esteja convosco”, soprou sobre eles e disse: “Recebeis o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,21-23). Esta passagem nos revela a dinâmica mais profunda que está contida neste Sacramento. Antes de tudo, o fato de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos dar a nós mesmos. Eu não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão se pede, se pede a uma outra pessoa e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é fruto dos nossos esforços, mas é um presente, é um dom do Espírito Santo, que nos enche com a misericórdia e a graça que surge incessantemente do coração aberto de Cristo crucificado e ressuscitado. Em segundo lugar, recorda-nos que somente se nos deixamos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com os irmãos podemos estar verdadeiramente na paz. E todos sentimos isso no coração quando vamos confessar-nos, com um peso na alma, um pouco de tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus estamos em paz, com aquela paz da alma tão bela que somente Jesus pode dar, somente Ele.

2. No tempo, a celebração deste Sacramento passou de uma forma pública – porque no início se fazia publicamente – àquela pessoal, à forma reservada da Confissão. Isto, porém, não deve fazer perder a matriz eclesial, que constitui o contexto vital. De fato, é a comunidade cristã o lugar no qual se torna presente o Espírito, o qual renova os corações no amor de Deus e faz de todos os irmãos uma só coisa, em Cristo Jesus. Eis então porque não basta pedir perdão ao Senhor na própria mente e no próprio coração, mas é necessário confessar humildemente e com confiança os próprios pecados ao ministro da Igreja. Na celebração deste Sacramento, o sacerdote não representa somente Deus, mas toda a comunidade, que se reconhece na fragilidade de cada um de seus membros, que escuta comovida o seu arrependimento, que se reconcilia com ele, que o encoraja e o acompanha no caminho de conversão e amadurecimento cristão. Alguém pode dizer: eu me confesso somente com Deus. Sim, você pode dizer a Deus “perdoa-me”, e dizer os teus pecados, mas os nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isto é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote. “Mas, padre, eu me envergonho…”. Também a vergonha é boa, é saudável ter um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é saudável. Quando uma pessoa não tem vergonha, no meu país dizemos que é um “sem vergonha”: um “sin verguenza”. Mas também a vergonha faz bem, porque nos faz mais humildes e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão e em nome de Deus perdoa. Também do ponto de vista humano, para desabafar, é bom falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que são tão pesadas no meu coração. E alguém sente que desabafa diante de Deus, com a Igreja, com o irmão. Não ter medo da Confissão! Alguém, quando está na fila para confessar-se, sente todas estas coisas, também a vergonha, mas depois quando termina a Confissão sai livre, grande, belo, perdoado, purificado, feliz. É este o bonito da Confissão! Eu gostaria de perguntar-vos – mas não digam em voz alta, cada um responda no seu coração – quando foi a última vez que você se confessou? Cada um pense… São dois dias, duas semanas, dois anos, vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga a si mesmo: quando foi a última vez que eu me confessei? E se passou tanto tempo, não perder um dia a mais, vá, que o sacerdote será bom. É Jesus ali, e Jesus é o melhor dos sacerdotes, Jesus te recebe, recebe-te com tanto amor. Seja corajoso e vá à Confissão!

3. Queridos amigos, celebrar o Sacramento da Reconciliação significa ser envolvido em um abraço caloroso: é o abraço da infinita misericórdia do Pai. Recordemos aquela bela, bela parábola do filho que foi embora de sua casa com o seu dinheiro da herança; gastou todo o dinheiro e depois quando não tinha mais nada decidiu voltar pra casa, não como filho, mas como servo. Tanta culpa tinha em seu coração e tanta vergonha. A surpresa foi que quando começou a falar, a pedir perdão, o pai não o deixou falar, abraçou-o, beijou-o e fez festa. Mas eu vos digo: toda vez que nós nos confessamos, Deus nos abraça, Deus faz festa! Vamos adiante neste caminho. Que Deus vos abençoe!

Saia da escuridão

Tem confiança levanta-te, Ele te chama

O Evangelho (Mc 10, 46-52) relata-nos a passagem de Jesus pela cidade de Jericó e a cura do cego Bartimeu, que estava à beira do caminho, pedindo esmola. Pouco antes de sua Paixão, Jesus está a caminho para Jerusalém, acompanhado dos seus discípulos e grande multidão. Percebendo que Jesus passava, o cego começou a gritar:

“Filho de Davi, Jesus, tem compaixão de mim”. Muitos mandam que ele se cale, mas ele grita mais alto ainda, pedindo compaixão. Jesus se detém e diz: “Chamai-o”. Chamaram o cego, dizendo-lhe: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama!” Deixando seu manto, deu um pulo e foi até Jesus. Estabelece-se o diálogo decisivo. “O que queres que eu te faça?” O cego respondeu: “Mestre, que eu veja!” Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te curou”. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.

Esse homem que vive na escuridão, mas sente ânsia de luz, de cura, compreendeu que aquela era a sua a sua oportunidade: Jesus estava muito perto da sua vida. Quantos dias não tinha esperado por esse momento! O mestre está agora ao alcance da sua voz! Por isso, se bem que o repreendiam para que se calasse, ele não lhes fez caso nenhum e cada vez gritava mais alto. Não podia perder aquela ocasião.

Que exemplo para a nossa vida! Cristo, que nunca deixa de estar ao alcance da nossa voz, da nossa oração, passa às vezes mais perto, para que nos atrevamos a chamá-Lo com força. Comenta Santo Agostinho: “Temo que Jesus passe e não volte”. Não podemos deixar que as graças passem como a água da chuva sobre a terra dura. Temos que gritar para Jesus muitas vezes: Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!

Ao chamar por Ele, consolam-nos estas palavras de São Bernardo, que tornamos nossas: “O meu único mérito é a misericórdia do Senhor. Não serei pobre em mérito enquanto Ele não o for em misericórdia. E como a misericórdia do Senhor é abundante, abundantes são também os meus méritos”.

Com esses méritos, acudimos a Ele: Jesus, filho de Davi… Gritamos-lhe, afirma Santo Agostinho, com a oração e com as obras que devem acompanhá-la. As boas obras, especialmente a caridade, o trabalho bem feito, a limpeza da alma através da confissão contrita dos nossos pecados, dão o aval a esse clamor diante de Jesus que passa.

O cego, depois de vencer o obstáculo dos que estavam à sua volta, conseguiu o que tanto desejava.

Percebe-se aqui o valor da perseverança, da constância! O Senhor tinha-o ouvido já da primeira vez, mas quis que Bartimeu nos desse um exemplo de insistência na oração, de perseverança até chegar à presença do Senhor.

Vale a pena meditar na cena quando Jesus, parando, mandou chamar Bartimeu! E alguns dizem-lhe: “Tem confiança; levanta-te; Ele te chama”. É a vocação cristã! Mas, na vida de cada um de nós, não há apenas um chamamento de Deus. O Senhor procura-nos a todo o instante: levanta-te – diz-nos – e sai da tua preguiça, do teu comodismo, dos teus pequenos egoísmos, dos teus problemazinhos sem importância. Desapega-te da terra; estás aí rasteiro, achatado e informe. Ganha altura, peso, volume e visão sobrenatural.

O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus. Atirou a capa! Não te esqueças de que, para chegar até Cristo, é preciso o sacrifício. Jogar fora tudo o que estorva: manta, mochila, cantil. Tens de proceder da mesma maneira nesta luta pela glória de Deus, nesta luta de amor e paz, com que procuramos difundir o reinado de Cristo.

Neste processo é decisiva a fé em Jesus Cristo, o Filho de Davi. Comentando a cura de Bartimeu, diz São Josemaría Escrivá: “Agora é contigo que Cristo fala. Diz-te: que queres de Mim? Que eu veja, Senhor, que eu veja! E Jesus: Vai, a tua fé curou. No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho. Segui-Lo pelo caminho! Tu tomaste conhecimento do que o Senhor te propunha e decidiste acompanha-Lo pelo caminho. Tu procuras seguir o seus passos, vestir-te com as vestes de Cristo, ser o próprio Cristo: portanto, a tua fé – fé nessa luz que o Senhor te vai dando – deverá ser operativa e sacrificada. Não te iludas, não penses em descobrir novas formas. É assim a fé que Ele nos pede: temos de andar ao Seu ritmo com obras cheias de generosidade, arrancando e abandonando tudo o que seja estorvo” (Amigos de Deus, 195 – 198).

Pois, para aproximar-se de Jesus é sempre necessário deixar algo, nem que seja somente o manto! Importante ainda que se queira ver novamente! Então, basta confiar e corresponder: segui-Lo pelo caminho!

Possamos repetir ao longo do dia: Senhor que eu veja o que queres de mim! Senhora, minha Mãe, que eu veja o que o teu Filho me pede agora, nestas circunstâncias, e que eu, generosamente, faça-Lhe a entrega do que for descoberto!

Nunca duvidemos da segurança que Cristo nos dá, com o seu olhar amabilíssimo pousado constantemente em nós!

Mons. José Maria Pereira
Diocese de Petrópolis-RJ 

Abrir-se à luz de Jesus

Caminho de santidade / domingo, 30 de março de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Santo Padre alertou sobre o perigo da “cegueira interior”, dizendo que é preciso abrir-se à luz de Jesus para que a vida dê frutos

No Angelus deste domingo, 30, Papa Francisco falou da passagem evangélica que retrata a cura, realizada por Jesus,  do homem cego. Ele destacou a necessidade do ser humano se abrir à luz de Jesus, para que a vida dê frutos, e não seguir pelo caminho da “cegueira interior”.

Francisco concentrou-se sobre dois comportamentos que se vê nessa passagem do Evangelho: a abertura do cego à luz de Cristo e o fechamento dos doutores da lei em suas próprias presunções.

“Enquanto o cego se aproxima da luz, os fariseus, ao contrário, se fecham cada vez mais na cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz e por isto não se abrem à verdade de Jesus”.

Esses doutores da lei, segundo explicou o Papa, fazem de tudo para negar a evidência, colocam em dúvida a identidade do homem curado. Depois, negam a ação de Deus na cura, sob a alegação de que Deus não age aos sábados.

O Santo Padre enfatizou que este trecho do Evangelho chama a atenção para o drama da cegueira interior de tantas pessoas. Às vezes, disse, a vida é parecida com a do cego que se abriu à luz de Deus e à sua graça. Outras vezes, lamentavelmente, a vida se parece um pouco mais com a dos fariseus, de forma que o orgulho próprio leva a julgar os outros e até mesmo Deus.

“Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para dar frutos na nossa vida, para eliminar comportamentos que não são cristãos, para caminhar decididamente pelo caminho da santidade que começa no Batismo”.

Francisco sugeriu que, ao voltarem para casa hoje, os fiéis leiam o capítulo 9 do Evangelho segundo São João. Segundo ele, isso fará bem para cada um refletir e se perguntar como anda o seu coração: aberto para Deus e para o próximo ou fechado. “Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, do erro, mas não tenhamos medo. Vamos nos abrir à luz do Senhor, Ele nos espera sempre, para nos fazer ver melhor, para nos dar a luz”.

Ele pediu, por fim, que nesse caminho de preparação para a Páscoa os fiéis possam reavivar em si o dom recebido no Batismo e alimentar essa chama com a oração e a caridade para com o próximo. “Confiemos à Virgem Maria o caminho quaresmal para que também nós, como o cego curado, possamos com a graça de Cristo ‘caminhar para a luz’, renascer para a vida nova”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio do homem cego de nascença, ao qual Jesus doa a visão. A longa história começa com um cego que começa a ver e se fecha – é curioso isto – com as supostas pessoas que veem que continuam a permanecer cegas na alma. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista quer atrair a atenção não sobre o milagre, mas sobre o que acontece depois, sobre as discussões que suscita; também sobre as fofocas, tantas vezes uma obra boa, uma obra de caridade suscita fofocas e discussões, porque há alguns que não querem ver a verdade. O evangelista João quer atrair a atenção sobre isso que acontece também nos nossos dias quando se faz uma obra boa. O cego curado primeiro é interrogado pela multidão atônita – viram o milagre e o interrogam – depois pelos doutores da lei; e estes interrogam também seus pais. Ao final, o cego curado  chega à fé, e esta é a maior graça que lhe é feita por Jesus: não somente de ver, mas de conhecê-Lo, vê-Lo como “luz do mundo” (Jo 9, 5).

Enquanto o cego se aproximava gradualmente da luz, os doutores da lei, ao contrário, caíam sempre mais em sua cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz; e por isso não se abrem à verdade de Jesus. Fizeram de tudo para negar a evidência. Colocaram em dúvida a identidade do homem curado; depois negaram a ação de Deus na cura, adotando como desculpa que Deus não age de sábado; chegaram até a duvidar que aquele homem tivesse nascido cego. O seu fechamento à luz torna-se agressivo e acaba na expulsão do homem curado do templo.

O caminho do cego, em vez disso, é um percurso de etapas, que parte do conhecimento do nome de Jesus. Não conhece outro além Dele; de fato diz: “Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos” (v. 11). Seguindo as insistentes perguntas dos doutores da lei, considera-O antes de tudo um profeta (v. 17) e depois um homem próximo a Deus (v. 31). Depois que se afastou do templo, excluído da sociedade, Jesus encontra-o de novo e lhe “abre os olhos” pela segunda vez, revelando-lhe a própria identidade: “Eu sou o Messias”, assim lhe diz. Neste momento, aquele que estava cego exclama: “Creio, Senhor!” (v. 38), e se prostra diante de Jesus. Este é um trecho do Evangelho que faz ver o drama da cegueira interior de tanta gente, também a nossa, porque nós, algumas vezes, temos momentos de cegueira interior.

A nossa vida às vezes é similar àquela do cego que se abriu à luz, que se abriu a Deus, que se abriu à sua graça. Às vezes, infelizmente, é um pouco como a dos doutores da lei: do alto do nosso orgulho, julgamos os outros, e até mesmo o Senhor! Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para levar frutos à nossa vida, para eliminar os comportamentos que não são cristãos; todos nós somos cristãos, mas todos nós, algumas vezes, temos comportamentos não cristãos, comportamentos que são pecados. Devemos nos arrepender disso, eliminar estes comportamentos para caminhar decididamente no caminho da santidade. Esse tem a sua origem no Batismo. Também nós, de fato, fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, a fim de que, como nos recorda São Paulo, possamos nos comportar como “filhos da luz” (Ef 5, 8), com humildade, paciência, misericórdia. Estes doutores da lei não tinham nem humildade, nem paciência, nem misericórdia!

Eu sugiro a vocês, hoje, quando voltarem para casa, peguem o Evangelho de João e leiam este trecho do capítulo 9. Fará bem a vocês, porque assim vocês verão este caminho da cegueira à luz e o outro caminho mal rumo a uma mais profunda cegueira. Perguntemo-nos: como está o nosso coração? Tenho um coração aberto ou um coração fechado? Aberto ou fechado para Deus? Aberto ou fechado para o próximo? Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, dos erros. Não devemos ter medo! Abramo-nos à luz do Senhor, Ele nos espera sempre para nos fazer ver melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não esqueçamos isto! À Virgem Maria confiemos o caminho quaresmal, para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos ‘seguir rumo à luz’, andar mais adiante rumo à luz e renascer para uma vida nova.

Solenidade da Imaculada Conceição – 08 de Dezembro

Padre Wagner Augusto Portugal

“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias” (cf. Is 61, 10).

Meus queridos Irmãos,
Neste sábado celebramos uma festa muito cara a todo o povo cristão: a IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA. O que significa Imaculada Conceição? Maria foi agraciada por Deus, elevada para assumir com eficiência sua vocação. Nela não esteve presente o pecado original, porque o Espírito de Deus operou maravilhas em sua vida e permitiu que fosse diferente das dos outros seres humanos. Maria conceberá e dará à luz Jesus virginalmente, selando a aliança definitiva de Deus com a humanidade. O dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854.

Caros Irmãos, Celebramos a festa da Imaculada Conceição no tempo do Advento. Maria está à raiz do mistério pascal e é o fundamento do mistério da Encarnação. Celebramos hoje uma mulher concreta, Maria de Nazaré. Deus, a quem nada é impossível criou como quis sua própria Mãe, a criou imaculada e santíssima, prevendo a encarnação de seu Filho na terra. Quando o arcanjo Gabriel lhe trouxe o anúncio da maternidade do Filho de Deus, lhe disse que ela estava repleta da graça de Deus. E no momento que ela fez uma coisa só com o Filho de Deus em seu ventre, a plenitude da graça ultrapassou todos os limites imagináveis pela criatura humana. Desde sempre o fruto mais precioso da redenção de Cristo, Maria é na história da salvação a imagem ideal de todos os redimidos.

O que vem a ser o pecado original lembrado na liturgia de hoje, tendo em vista que NOSSA SENHORA FOI PRESERVADA DO MESMO? Pecado Original é o pecado quer significar o pecado cometido por aqueles que foram os protagonistas do mistério da criação. Pecado original foi o pecado cometido por Adão e por Eva na origem da humanidade. Ensina as Escrituras Sagradas que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e os constituiu na sua amizade. Com o tempo, gozando da amizade do Criador, as criaturas humanas desobedeceram a Deus, ou seja, quebraram aquele anelo que uniam a absoluta confiança que havia entre Criador e criatura. Isso foi o primeiro pecado, o chamado pecado original. Portanto é bom sabermos que o pecado original não é o pecado do sexo livre, aquele pecado do sexto mandamento da Lei de Deus. O pecado original é o pecado raiz de todos os pecados e desequilíbrios da criatura humana. Todos nós, indistintamente, somos implicados no pecado de Adão e de Eva. Entretanto, por causa de sua maternidade divina, Maria Santíssima foi preservada tanto do pecado original quanto das conseqüências daquele Pecado.

Por isso celebramos a festa de hoje, a festa da Imaculada Conceição desde a concepção e que a Virgem viveu toda a sua peregrinação neste mundo sem pecado. Mulher privilegiada, em vista dos méritos de seu Filho, o Salvador, o Redentor da humanidade. Ensina a Igreja, pela palavra proclamada por Pio IX que: “A Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original…” Maria é a nova Eva. Isso porque Deus não usou de Maria como um instrumento somente passivo, mas, sobretudo, porque Maria colaborou para a salvação humana com livre fé e obediência espontânea. Maria foi à criatura que forneceu a Jesus as possibilidades humanas, sendo dele a maior colaboradora na restauração da aliança com Deus. A iconografia da Virgem Imaculada lembra Maria com o pé calcando a cabeça da serpente. Isso lembra também Eva, que fez o contrário: ouviu a voz da serpente, que é o diabo e acreditou nela. Maria, calcando a cabeça do monstro do mal está nos lembrando que ela esteve acima do pecado, que ela é a vitoriosa com Jesus na história da redenção.

Caros irmãos, A Primeira Leitura (Gn 2, 9-15.20) demonstra a vitória sobre a serpente. Deus quer oferecer ao homem sua amizade, mas o homem prefere estar cheio de sua auto-suficiência: a história do pecado de Adão. Mas, ao mesmo tempo em que ele toma conhecimento de sua desgraça, a promessa de que ele calcará aos pés a serpente sedutora aparece-lhe como sinal da restauração da amizade com Deus. A Segunda Leitura (Ef 1, 3-6.11-12) nos introduz no plano de Deus para com os homens, destinados a serem imaculados. O começo de Efésios resume todo o agir de Deus na palavra “bênção”. Deus é sempre; seu amor para conosco, também, desde a eternidade. E Deus é, ao mesmo tempo, a nossa meta. Mas não a podemos alcançar por nossas próprias forças. Aí intervém a graça de Deus, dando-nos Cristo como Salvador e Cabeça; por ele também, nosso pecado é apagado; nele, temos esperança: Deus nos adotou como seus filhos. O Evangelho (Lc 1, 26-38) nos defrontamos com a Anunciação: “Encontraste graça junto a Deus”. Maria conclui e supera toda a série de eleitos de Deus. Ela é a plenitude de Jerusalém, em que o amor de predileção de Deus se plenifica. A mensagem a Maria, a respeito de Jesus, supera aquela a Zacarias, a respeito de João (Lc 1, 31-33). Jesus é filho da Virgem Maria, mas também presente de Deus à humanidade. Diferentemente de Zacarias, Maria responde, com a palavra ao mesmo tempo singela e grandiosa: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”.

Irmãos Caríssimos, Maria não é uma figura fora da humanidade. Ela encarna a criatura que Deus sempre quis, isto é, santa e em comunhão com ele. Por isso é modelo nosso: a contemplamos como um espelho daquilo que devemos, e que queremos ser. Ela é chamada de estrela da nova evangelização, mas não há entre nós e ela a lonjura de uma estrela. Porque, embora santíssima e imaculada, é carne de nossa carne, como carne de nossa carne é o seu Filho redentor, que quis conosco repartir sua privilegiada mãe. A Imaculada Conceição pode ser considerada como Maria do Advento, pois o Senhor vem para restaurar os seres humanos, assemelhando-os mais e mais ao ser humano ideado por Deus, realizado plenamente em MARIA. AJUDE-NOS A CONCEIÇÃO IMACULADA a santos e imaculados festejarmos o Natal do seu Filho. Amém!

 

IMACULADA CONCEIÇÃO

Ninguém pode dizer não ter existido, pelo menos desde o século XII, a crença explícita na conceição imaculada da Virgem. Existiu, espalhou-se gradualmente por toda a Igreja ocidental e assim se explica que, antes da definição dogmática, de tantas centenas de pastores, aparecesse apenas um ou outro que tenha posto em dúvida esta verdade.

Esta persuasão foi-se espalhando e radicando, para o que contribuiu não somente a singeleza dos rudes, mas também e, sobretudo a autoridade dos doutos, chegando um autor insuspeito a afirmar, no fim do século XVI, que mais de seis mil escritores a ela se referiram. Mas não foram somente os indivíduos; academias inteiras, como nos afirma Bartolomeu Medina, obrigaram-se por juramento a defender a Conceição Imaculada de Maria. E nós, portugueses, podemos afirmar com satisfação que também tivemos duas dessas academias cujos membros juravam a crença nesta verdade: eram as Universidades de Coimbra e Évora.

Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembléia dos doutores mais eminentes em teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem; João Duns Escoto foi o encarregado pelo superior de defender e sustentar aquela consoladora verdade. Duns Escoto, franciscano, implorou o auxílio de Maria que escutou as suas súplicas, assegurando-lhe a mais completa vitória. E foi tão agradável à Mãe de Deus a prece deste filho humilde que a imagem, diante da qual estava prostrado, se inclinou para ele e nesta posição se venerava ainda três séculos depois.

Venceu, e desde esse momento a Universidade de Paris, que lhe outorgou o título de Doutor subtil, determinou que de futuro se celebrasse em toda a França a festa da Imaculada Conceição e que não fosse admitido nas suas aulas aquele que se não obrigasse a defender que Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem mácula do pecado original.

Desde então, a Imaculada resplandeceu no mundo católico com luz mais viva. E os argumentos de Duns Escoto são os mesmos com que os teólogos defendem e sustentam o dogma tão simpático, tão consolador, tão poético, da santidade original de Maria, são os mesmos que Pio IX, de santa e feliz memória, compendiou na sua admirável bula Ineffabilis Deus.

A isto juntemos a autoridade dos santos padres. Ouçamos Santo Agostinho com aquela eloqüência e sabedoria que de todos é bem conhecida: «A natureza humana, dizia ele, foi reparada em Jesus Cristo pelos mesmos graus pelos quais ela tinha perecido. Adão foi soberbo, humilde foi Jesus; por uma mulher veio a morte, por uma mulher veio a vida; por Eva a desgraça, por Maria a salvação; aquela corrompida seguiu o sedutor, esta íntegra deu à luz o Salvador. Aquela de bom grado recebeu e entregou ao esposo o veneno fornecido pela serpente, do qual resultou a morte de ambos; esta, pela graça divina que recebeu, deu origem à vida pela qual a carne morta pode ser ressuscitada».

Recordemos ainda os concílios: o Concílio de Éfeso, condenando a heresia de Nestório que ousou negar a maternidade divina de Maria, e o concílio de Trento, declarando que não era intenção sua compreender no decreto do pecado original a Bem-aventurada Virgem Maria, proclamam implicitamente a puríssima e imaculada conceição da Mãe de Deus. E se não a definiram expressamente, foi porque ainda não tinha soado a hora marcada nos insondáveis desígnios da Providência.

As declarações dogmáticas da Igreja não têm somente a sabedoria e a infalibilidade, têm também a oportunidade. Aparecem no mundo quando devem aparecer, brilham no mundo quando ele tem necessidade dos seus eternos esplendores, alumiam as consciências quando elas precisam da sua luz.

O concílio de Basiléia, celebrado em 1439, declarou que a doutrina sobre a Imaculada Conceição era pia, muito conforme com o culto eclesiástico, com a fé católica, com a reta razão e a Sagrada Escritura, e que por isso devia ser aprovada, seguida e abraçada por todos os católicos.

Temos ainda os pontífices: Sisto IV determinando que se celebrasse em todas as igrejas o oficio e missa da Puríssima Conceição, concedendo copiosas indulgências a todos os fiéis que assistissem e condenando como falsas e errôneas as afirmações dos que dissessem que os que crêem que Maria foi concebida sem pecado original são hereges ou pecam mortalmente.

Temos Paulo V, Gregório XIV, Alexandre VIII, Clemente IX, Clemente XIII, e uma longa série de pontífices venerandos que promoveram e enriqueceram com inúmeras graças a antiga devoção à pureza e santidade original da Virgem Santíssima.

É que eles reconheciam que, assim como as águas do rio Jordão se tinham detido para deixar passar ilesa a arca do Antigo Testamento onde se encerravam umas figuras, também as águas corruptoras do pecado original se haviam de deter para deixar passar imaculada a Arca do Novo Testamento onde se encerraria, durante nove meses, a realidade que eles reconheciam. A Filha do Eterno, a Mãe de Jesus, a Esposa e o Templo do Espírito Santo não podia sofrer as conseqüências da tentação da serpente maldita.

Este dogma constitui também uma glória para Maria, concebida sem pecado. Oh! Quem nos dera graça igual; este mundo, longe de ser um vale de lágrimas, seria um jardim de delícias onde poderíamos antegozar a felicidade eterna que com certeza nos esperava.

Quem nos dera graça igual! As flores seriam para nós mais lindas, uma vez que, não tendo a vista enuviada pelo fumo das paixões, somente veríamos nelas os reflexos da beleza de Deus. As águas seriam mais cristalinas para não macularem a quem Deus criou imaculado. As avezinhas do céu acercar-se-iam de nós como dum perfeito exemplar do seu Criador. Nem paixões que abrasam, nem vícios que degradam, nem tristezas que definham, nem desilusões que desesperam; nada disto poderia escurecer o sol brilhante da nossa existência. Mas essa felicidade foi perdida com a falta dos nossos primeiros pais. Só Maria a gozou.

Só vós e vossa Mãe, dizia santo Efrém ao Senhor, só vós estais puros a todos os respeitos, porque em vós, ó Senhor, não há mancha e em vossa Mãe não há mácula; Ela foi o santuário da inocência, inacessível ao pecado, o paraíso virginal donde devia surgir o novo Adão.

Ela calcou aos pés a serpente, por isso trouxe em seu seio a realização de todas as promessas da antiga aliança, a bênção encarnada em quem foram abençoadas todas as nações da terra. Ela foi a verdadeira arca da aliança que encerrou em si o Todo Poderoso.

Como à primeira Eva foi concedida a graça da santidade original e da justiça, assim em grau muito mais elevado a outorgou Deus à segunda Eva: a Maria. Santificados foram os profetas que receberam a inspiração do Senhor; santo foi João, o último e maior deles; Maria, porém, foi maior do que todos, porque foi Mãe do Senhor e por isso cheia de graça desde a sua Conceição.

Resplandece de luz ante os olhos do Pai, que nela mostrou quanto sabe amar e encher de graças. Resplandece de luz ante os olhos do Espírito Santo, que nela preparou a morada para o Verbo Divino. E se Este, o Criador, baixou do céu à terra na humilhação da criatura, de Maria, porque não havia de subir esta da terra ao céu, a primeira de todas as criaturas, a Mãe que lhe dera a humanidade?

Temos também o testemunho de Maria. Do alto das Rochas de Massabille, quando a Pastorinha de Lourdes lhe perguntou quem era, respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição, e mandou-a dizer aos homens que viessem ali invocá-la sob esse título, pois desejava que as iras divinas se quebrassem de encontro àquelas pedras enegrecidas.

Ó Maria, vós ultrapassastes os esplendores de todas as ordens de anjos e eclipsastes o brilho dos Arcanjos, abaixo de vós ficam os tronos, sois superior aos domínios e principados, sois mais forte do que as potestades, mais pura do que as virtudes, assentais-vos acima dos Querubins.

Foi em 8 de Dezembro de 1854 que se realizou a festa desejada por ,tantos santos, solicitada por tantos séculos, intentada por tantos pontífices, mas que o Senhor, em sua infinita misericórdia, reservou para tempos mais recentes, como uma esperança, como um auxílio. Presidiu-a o chefe da Igreja católica, Pio IX.

Alegre, satisfeito como um pai carinhoso quando se vê cercado dos filhos queridos da sua alma, rodeado por 54 cardeais, um patriarca, 42 arcebispos, 100 bispos, 300 prelados inferiores, muitos milhares de sacerdotes e religiosos de todos os ritos, regiões, ordens e trajes, e por mais de 50.000 fiéis de todas as classes e nações, Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, na atitude própria de doutor supremo encarregado de interpretar a divina revelação e de pronunciar os oráculos da fé, principia com voz grave, sonora e majestosa, a leitura do decreto que define a Imaculada Conceição da Virgem.

Mas, ao chegar à passagem em que se referia à Imaculada Conceição, essa voz enternece-se, as lágrimas assomam-lhe aos olhos e quando pronuncia as palavras decisivas: «Definimos, decretamos e confirmamos», a emoção e o pranto embargam-lhe a palavra e vê-se obrigado a suspender, para enxugar as lágrimas que pelo rosto lhe deslizam. Eloqüência sublime, eloqüência dum grande pai, pregando bem alto este privilégio da melhor das mães. Contudo, fez um esforço supremo para dominar a emoção e continuou a leitura com a inteireza da voz e autoridade próprias do juiz da fé. Seu coração eleva-se aos lábios e conhece-se bem que falam ao mesmo tempo o pai da Cristandade, o filho afetuoso de Maria e o supremo pastor da Igreja, aliando, dum modo sublime, o oráculo do doutor da verdade com os sentimentos dum coração ternamente dedicado à Virgem.

Oh! Como tudo isto era belo e agradável ao Senhor, como era imponente aquela assembléia inumerável, em que batia um só coração para amar a Maria, em que falava uma só boca para saudar a Maria, coroada com o diadema da Imaculada Conceição. Terminada a leitura do decreto, Pio IX entoou o Te Deum que se repetiu em toda a basílica como hino infinito de ação de graças e de reconhecimento singular, imenso, universal, ao glorioso privilégio de Maria, como uma oração ardente, unânime, apaixonada mesmo Àquela a quem o anjo, 19 séculos antes, saudara, dizendo: Ave cheia de graça, e a quem os homens hoje saúdam dizendo: Ave-Maria, concebida sem pecado original.

 

Maria, estrela da primeira e da nova evangelização
A festa da Imaculada Conceição de Maria no Ano da Fé
Pe. Giuseppe Buono, PIME

ROMA, quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Ao se aproximar a festa da Imaculada Conceição, neste Ano da Fé, queremos recordar algumas expressões do amor de Bento XVI e de João Paulo II por Nossa Senhora.

Bento XVI
O papa confiou a Maria o sucesso espiritual do Ano da Fé na carta apostólica Porta Fidei: “Confiamos este tempo de graça à Mãe de Deus, proclamada bendita porque acreditou (Lc 1, 45)” [1]. Ele já havia mencionado anteriormente a fé de Maria: “Pela fé, Maria acolheu as palavras do anjo e acreditou no anúncio de que seria a Mãe de Deus. Visitando Isabel, elevou seu hino de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que ele fez em quem nele confiou. Deu à luz, com alegria, o seu Filho único, mantendo intacta a sua virgindade” [2]. Sua contínua referência a Maria, Mãe da Igreja, é peculiar nos escritos de seu magistério. Em sua primeira encíclica, Deus caritas est, do natal de 2005, ele tece um elogio denso de teologia e de amor a Maria, em seu papel associado à obra redentora do Filho. “Entre os santos, sobressai Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. No evangelho de Lucas, encontramo-la empenhada num serviço de caridade à prima Isabel, junto de quem permanece durante cerca de três meses (1, 56) para auxiliar na fase final da sua gravidez. ‘Magnificat anima mea Dominum’, proclama ela nessa visita: ‘a minh’alma engrandece o Senhor’ (1, 46). Ela expressa, assim, o seu programa de toda a vida: não colocar-se no centro, mas dar espaço para Deus tanto na oração quanto no serviço ao próximo: só então é que o mundo se tornará bom. Maria é grande, mas não quer aumentar a si mesma, e sim a Deus. Ela é humilde: não pretende ser nada mais do que a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.48). Ela sabe que contribui para a salvação do mundo não realizando uma obra sua, mas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus. É uma mulher de esperança: só porque ela crê nas promessas de Deus e porque espera a salvação de Israel é que o anjo pode visitá-la e chamá-la ao serviço decisivo daquelas promessas. Ela é uma mulher de fé: ‘Bem-aventurada és tu que acreditaste’, diz-lhe Isabel (cf. Lc 1, 45). O magnificat, retrato da sua alma, é tecido inteiramente de fios da Sagrada Escritura, revelando que na Palavra de Deus ela se sente em casa com toda a naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus se torna sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Revela-se ainda que os seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que a sua vontade é uma só com a vontade de Deus. Impregnada da Palavra de Deus, ela pode tornar-se a Mãe do Verbo Encarnado. Enfim, Maria é uma mulher que ama. Poderia ser diferente? Como crente, que, na fé, pensa com os pensamentos de Deus e deseja com a vontade de Deus, ela não pode não ser uma mulher que ama. Nós o sentimos em seus gestos silenciosos durante os evangelhos da infância. Na delicadeza com que ela reconhece a necessidade dos esposos de Caná e a expõe a Jesus. Na humildade com que ela se afasta durante o período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma família nova e que a hora da Mãe chegará apenas na cruz, a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2, 4; 13, 1). Então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da cruz (cf. Jo 19, 25-27) e, mais tarde, na hora de Pentecostes, eles se reunirão junto a ela, na espera do o Espírito Santo! (Atos 1, 14) [3]. Em Loreto, na homilia da missa de 4 de outubro de 2012, véspera da abertura do Sínodo dos Bispos e do início do Ano da Fé, o papa afirmou: “Queridos irmãos e irmãs, nesta peregrinação que refaz o peregrinar do beato João XXIII, e que acontece, providencialmente, no dia de São Francisco de Assis, verdadeiro evangelho vivo, eu quero confiar à Santa Mãe de Deus todas as dificuldades do nosso mundo que está em busca de serenidade e de paz, bem como os problemas de tantas famílias que olham para o futuro com preocupação, os desejos dos jovens que se abrem para a vida, o sofrimento de quem espera gestos e escolhas de solidariedade e de amor. Eu gostaria de confiar à Mãe de Deus este tempo especial de graça para a Igreja, que se abre diante de nós. Maria, Mãe do sim, que ouviste Jesus, fala-nos dele, conta-nos da tua estrada para segui-lo na fé, ajuda-nos a proclamá-lo, para que cada homem aceite e se torne um lugar de habitação de Deus. Amém”. Na homilia da missa do último dia do ano de 2006, ele convidou: “Peçamos que a Mãe de Deus nos consiga o dom de uma fé madura: fé que gostaríamos que fosse o mais possível parecida com a dela. Uma fé clara, genuína, humilde e corajosa, cheia de esperança e de entusiasmo pelo Reino de Deus, uma fé desprovida de todo fatalismo e totalmente disposta a cooperar em obediência plena e alegre com a vontade divina, na certeza absoluta de que Deus não quer nada mais do que amor e vida, sempre e para todos. Alcança-nos, ó Maria, uma fé autêntica e pura!”
NOTAS
[1] Porta fidei, cit. 13.
[2] Ibid, 15.
[3] Idem, Deus Caritas Est, 41.
(Trad.ZENIT)

O Advento e a necessidade de vigilância

“Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, diz padre Mário destacando o Advento como tempo de vigilância e obras de caridade

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!  O Senhor está perto”

O termo Advento vem do latim adventum que significa vinda ou chegada e refere-se às quatro semanas antes do Natal. Pelo Advento, nos preparamos para celebrar a primeira vinda do Senhor, ou seja, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a expectativa da segunda vinda do Senhor. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano da Igreja, é a penitência como preparação para receber Aquele que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo.

O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. A palavra fundamental é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.

Pedagogicamente dizendo, advento é um tempo que a Liturgia dispõe à Igreja com a finalidade de preparar os cristãos para a celebração do Natal. Como é natural, trata-se de uma preparação espiritual, incentivando os católicos a preparar o coração e a alma para o encontro com o Senhor. Mas, não é somente preparação do Natal. No caso do Advento, estamos diante de dois aspectos desta preparação: aquela da 2ª vinda e que Paulo escreve aos Tessalonicenses sobre o “Dia do Senhor”, o dia do juízo final, quando nos encontraremos face a face com Deus (1Ts 5,1-6) e, a preparação da 1ª vinda, que celebramos no Natal.

Quanto ao primeiro aspecto do Advento, de preparar-se para a 2ª vinda do Senhor, a vigilância espiritual pode ser considerada a partir do cuidado em vista do encontro final com o Senhor, no Final dos Tempos. Para isso, é preciso ficar atentos aos sinais dos tempos, como o próprio Jesus adverte, e o melhor meio para não se descuidar e nem se distrair dos sinais dos tempos é pela vigilância espiritual. Por vigilância espiritual entende-se o cuidado, para que o nosso espírito não se afaste das coisas de Deus, mas se mantenha fiel ao projeto divino. São muitas as ocasiões para distrair-se das coisas de Deus, podendo nos anestesiar daquilo que é divino e descuidar-nos de alimentar nosso espírito com as coisas do alto.

O Advento é tempo para incentivar com mais intensidade a oração, a leitura da Palavra, a penitência e as obras de caridade. A vigilância é feita preferencialmente com a oração e, a oração nos mantém acordados para o encontro do Senhor, em sua 2ª vinda.

Quanto ao segundo aspecto do Advento, da preparação para o Natal de Jesus, é a alegria da nossa salvação pela encarnação do Verbo de Deus. Neste tempo que a publicidade natalina vem alimentar nosso espírito com “belas” e “boas” mensagens de tempos novos, repletos de paz e de harmonia fraterna, é preciso ficar atentos para não nos alimentar com fantasias e imagens enganosas. O alimento espiritual deste tempo que nos aproxima do Natal não pode se limitar a poesias ou mensagens vazias. Precisa de algo mais sólido como a oração diária, a meditação da Palavra de Deus e as obras de caridade.

A coroa do Advento

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na confecção da coroa são usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno, ou seja, mesmo em tempos difíceis. Os ramos verdes são sinais da vida que resiste; são sinais da esperança. A coroa é envolvida com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Na coroa, são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

Quanto às cores das quatro velas, a mais usada é a cor vermelha. Em alguns lugares costumava-se usar velas nas cores roxa e uma vela cor rósea referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o  “Domingo Gaudete” (Domingo da Alegria), a alegria de quem se sente perdoado. O terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Atualmente em muitos lugares tem-se usado cada uma de uma cor.

O tempo do Advento quer sensibilizar-nos para a celebração do Natal do Senhor e para a segunda vinda de Jesus. O apelo que Cristo nos lança à vigilância é para ser tomado bem a sério. Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes. Este é o convite que Jesus nos faz: “Vigiai!” Como os Profetas, Maria, José, os pastores, os Reis Magos… Se vigiamos, o nosso presente e o nosso futuro encontrar-se-ão. É isso a Esperança.

São Nicolau – 06 de Dezembro

A verdadeira História do papai-noel
Bispo de Mira

A cada final de ano, se destaca a figura de um bom velhinho de barba branca chamado papai-noel, que traz presentes na noite de Natal. Esse costume tem a sua origem na veneração muito antiga de São Nicolau, bispo de Mira (Turquia). Foi chamado bispo das crianças e dos necessitados.  Poucos santos gozaram de tanta popularidade, e a poucos se atribuiu tão grande número de milagres. Entre esses milagres destaca-se a ressurreição de dois rapazes. São Boaventura contou em um sermão que São Nicolau entrou em uma estalagem, onde o dono havia matado dois rapazes e se preparava para servi-los aos clientes. São Nicolau devolveu a vida aos dois rapazes e converteu seu assassino.  Também é conhecido como padroeiro dos marinheiros, porque, estando um navio em meio a uma terrível tempestade em alto-mar, seus tripulantes começaram a rezar: “Ó Deus, pelas orações de nosso bom bispo Nicolau, salvai-nos”. E imediatamente viram aparecer no barco a São Nicolau. Ele abençoou o mar, veio a calmaria, e a seguir desapareceu.
O costume de esperar algum presente de São Nicolau vem do modo como socorria os mais pobres. Saía à noite para ninguém saber quem os ajudava. Famosa é a história do modo como ajudou três moças a realizarem seu casamento. Naquele tempo era necessário dar um dote para o noivo, e o pai das moças era pobre. Não tendo como resolver esse problema, o pai pensava mandá-las para uma casa de prostituição. Sabendo do fato, São Nicolau certa noite jogou uma bolsa com moedas de ouro no quarto do pai. O pai, maravilhado com o dinheiro inesperado, casou a filha mais velha. O bom bispo usou o mesmo recurso para o casamento da segunda. Quando o santo se preparava para entregar escondido o dote da terceira, foi descoberto. O pai reconheceu-o, atirou-se aos seus pés arrependido e agradecido. Espalhou para toda a região como São Nicolau havia presenteado suas filhas. Sua generosidade se espalhou, e as pessoas recorriam a ele em suas necessidades. Com sua morte os milagres começaram a se multiplicar, assim como a sua fama.  Em muitos países da Europa e de outros continentes, devido ao gesto de presentear quem necessitava, foi transformado em um dos símbolos da festa de Natal.
Nasceu no ano 280 em Patara de Lícia. Recebeu uma boa educação de seus pais aos que parece perdeu de muito menino, pelo que uns parentes seus se encarregaram de sua educação. Já maior se deu conta que os bens desta terra não nos fazem felizes, e se dedicou a ajudar a todos os necessitados. Então começou já a obrar milagres dos que está cheia sua vida. Ao perder a seus pais, foi um tio seu, que era Bispo de Mira, quem o patrocinou e ajudou até que chegou a ordenar-se sacerdote. Mas aquela vida tampouco lhe enchia e por ele mesmo, decidiu abandonar o mundo e se retirou a Tebaida, aqueles tempos onde abundavam os monges, que fugindo do mundo levavam vida de oração e sacrifício, só entregados a Deus. Encontrava-se neste remanso de paz quando morreu seu tio o Bispo de Mira e os olhos do clero e do povo se pousaram em Nicolau, quem com muito pesar houve de abandonar seu retiro para entregar-se ao apostolado da Diocese. Governou-a com grande prudência e sabedoria e, sobretudo, com enorme caridade. Não havia pobre que acudisse a sua casa que não encontrasse remédio a suas necessidades. A escolha de Nicolau como Bispo de Mira (Turquia) foi rodeada de milagres. Também a de sua consagração episcopal. A lenda diz que uma mulher levou a seu filhinho que se havia abrasado nas chamas e o pôs aos pés do novo Bispo e Nicolau lhe devolveu a vida. No ano 325 se celebrava o primeiro Concílio da Igreja Universal na cidade de Nicéia. Parece ser que nele tomou parte nosso Santo. Durante esta viagem colocam o famoso milagre no que devolveu a vida a três jovens, que um bárbaro hoteleiro havia matado, para dar de comer aos que acudiam a sua pensão. A devoção a São Nicolau é a mais popular em muitos países, sobretudo por celebrá-lo como “Santa Claus” e como advogado em perigos. Tem muitas igrejas dedicadas em todo o mundo, sobretudo na Grécia. Se lhe chama “de Bari” porque desde o século XI repousam aí, em Bari, Itália, suas relíquias.

 

COMO SÃO NICOLAU CONVERTEU-SE EM PAPAI NOEL, UMA TEORIA
Jeremy Seal relata a transformação histórica do velhinho cheio de presentes

BATH, sexta-feira, 22 de dezembro de 2005 (ZENIT.org).- A figura moderna de Papai Noel é um pálido reflexo da pessoa que a inspirou: São Nicolau, bispo de Mira, antiga cidade da costa meridional da atual Turquia. Como se produziu a transformação de santo caritativo em ícone do consumo natalino? O escritor Jeremy Seal empreendeu uma pesquisa internacional para dar resposta a esta pergunta, e comunicou suas conclusões no livro “Nicholas: The Epic Journey from Saint to Santa Claus” (Nicolau: a viagem épica do santo a Santa Claus), Ed. Bloombury. Em uma entrevista concedida a ZENIT, Seal relata que encontrou sinais do culto à Papai Noel (Santa Claus) em todo o mundo e os motivos que explicam por que São Nicolau, com seu carisma de caridade, persiste ainda hoje, apesar da comercialização das festas de Natal.

O que o levou a escrever este livro e até onde chegou para realizar sua pesquisa?
Este tema atraiu-me graças a minhas duas filhas que, quando comecei a pesquisa, tinham seis e dois anos. São elas as que me recordaram a importância, para as crianças, da figura do Papai Noel. A história de São Nicolau, logo, suscitou minha curiosidade, também por seu aspecto épico. Sou um escritor viajante, e o fato de que sua evolução póstuma lhe tenha levado a realizar uma viagem excepcional, partindo da Turquia para chegar à Europa, a Manhattan, até o Pólo Norte, foi para mim um forte estímulo. Logo viajei a todos os lugares associados à vida de São Nicolau. Comecei na Turquia, em Mira, onde se ergue uma basílica a ele dedicada. Segui seu culto para o Ocidente, em Bari, e para o norte, em Veneza, logo em Amsterdã e outros muitos lugares da Europa. Logo cheguei a Manhattan e posteriormente a Lapônia, ao norte da Finlândia, e à Suécia, junto a minhas filhas, justo no Natal passado.

Quem era São Nicolau de Mira?
Sabe-se muito pouco dele. Era bispo de Mira e viveu no século IV, em uma cidade da Turquia meridional, hoje conhecida como Demre. Não há ali atualmente nenhuma referência a sua vida, salvo uma referência material, em um manuscrito do século VI. Temos então que nos basear quase exclusivamente em elementos póstumos referentes a São Nicolau. Mas, dada a grande difusão de seu culto, é lícito deduzir que houve algo excepcional em sua vida. Não sabemos muito dele, mas intuímos uma pessoa especial. Nicolau parece ser uma pessoa sensível que se fez famosa por dedicar-se à ajuda material e concreta. Este aspecto manifestou-se firme no curso dos séculos, porque a ajuda material é algo de que todos têm necessidade, e que todos sabem apreciar.

Quais foram seus aspectos especiais?
Existe uma série de histórias, também porque foi especialmente longevo. Na época em que viveu, a maior parte dos santos cristãos eram mártires, mas sobre Nicolau se contaram muitas histórias porque viveu uma vida longa, e morreu em sua cama. Os relatos são muitos, mas a maior parte deles coincide em sua dedicação a ajudar os demais. Um infinito número de histórias conta que salvou alguns marinheiros, em meio a uma tempestade ante a costa de Mira. Outra vez, convenceu um capitão a que levasse em seu barco uma carga de trigo a Mira, onde as pessoas estavam morrendo de fome. Alguns militares, condenados injustamente, tiveram uma visão de Nicolau que os confortava e procurava para eles a libertação. Quando o culto de Nicolau chegou à Rússia, no século XI, nasceu toda uma nova série de histórias. Os russos o chamaram em sua língua “o que ajuda”. Na Rússia, sua ajuda assume formas diversas: ajuda aos pastores a proteger o rebanho dos lobos, protege as casas do fogo, etc.

Que obstáculos encontrou o culto de São Nicolau ao longo dos séculos?
Há em especial dois elementos: sobretudo, a partir do século VIII, sua terra de origem, o sul da Turquia, estava cada vez mais ameaçada pelos muçulmanos, que não tinham muito interesse em sua figura. As relíquias de São Nicolau foram tiradas da Turquia em 1087, e levadas a Bari, permitindo a difusão de seu culto no continente europeu. Foi um traslado do mais oportuno, porque haveria sido marginalizado em um futuro país islâmico. Deste modo, seu culto manteve-se, com base na basílica na qual se conservam seus restos. Em segundo lugar, está a Reforma, que se difundiu na Europa setentrional, nos séculos XVI e XVII, que reduziu muito o significado dos santos. Creio que este obstáculo foi superado justo porque se havia convertido em uma figura que ia mais além da Igreja, havia-se convertido em parte integrante de cada família. Desde o século XVI, cada 6 de dezembro, Nicolau chegava trazendo presentes às crianças do Norte da Europa, passando através da chaminé. Era uma figura muito popular e muito amada, e isto parece ter-lhe dado a força de resistir durante um período no qual as imagens e as estátuas dos santos eram derrubadas, queimadas e destruídas.

Como evoluiu a figura atual do Papai Noel?
O amor a Nicolau manteve vivo seu culto até finais do século XVIII, quando em Manhattan produziu-se uma revisão de sua imagem. O nome “Santa Claus” (Papai Noel) deriva da pronunciação americana da palavra holandesa “Sinterklass”. São Nicolau e Papai Noel são, portanto a mesma pessoa, ainda que muitos não saibam. Por outra parte, são representados de modo diverso porque o representam em lugares e tempos diversos, próprios de sua evolução póstuma. Não sabemos quando chegou seu culto a Nova Amsterdã, hoje Manhattan. Mas é provável que tenha sido levado ali pelas primeiras comunidades que se assentaram, e tenha ficado como uma vaga memória na América do Norte, latente até finais do século XVIII. Logo, a tradição dos presentes que até então era uma celebração local e estacional, na qual se intercambiaram objetos feitos em casa, estourou em algo muito maior. Iniciava a produção em massa, difundia-se o comércio, chegaram os jogos do Norte da Europa, e tudo se podia comprar: livros, instrumentos musicais, tecidos, etc. Por conseguinte, o uso dos presentes se transformou em algo irreconhecível, e isto fez nascer a exigência de encontrar ao espírito da entrega de presentes. São Nicolau era quem, nas tradições holandesas e inglesa do velho mundo, representava o doador; e não era necessário buscar muito para recordá-lo. As pessoas, ao final do século XVIII, popularizaram a imagem de Santa Claus, ainda que não imediatamente com fins comerciais. Nos anos vinte, do século XX, começou a adquirir suas características atuais: as renas, o trenó, os sinos. Elementos que são simplesmente característicos do mundo no qual emergiu: naquela época, os trenós eram o meio principal de transporte, no inverno, em Manhattan. A poesia “A visit from St. Nicholas” (Uma visita de São Nicolau), conhecida também como “Twas The Night Before Christmas” (Era a Visita de Natal), de 1822, descreve-o com todos os detalhes. Era muito similar à figura que conhecemos hoje. Enquanto estas características tomavam forma, foi associado cada vez mais ao âmbito comercial. Uma instrumentalização compreensível, mas depois de tudo sempre um desvio de seu significado original. Na Idade Média, era símbolo e ícone da caridade. Não me parece que possa ser definido do mesmo modo hoje. Atualmente parece mais uma estranha mescla de caridade e de consumismo que o invade todo.

Em sua opinião, o que os pais cristãos deveriam contar a seus filhos sobre Papai Noel?
O que quis fazer ao remontar-me às origens do Papai Noel é recordar a mim mesmo que existe um válido motivo moral para dar presentes. A idéia de São Nicolau era a de ajudar quem passava dificuldades. Este é o ensinamento que podemos extrair. Dar presentes, pelo gosto apenas de dá-los, a pessoas queridas que têm em abundância, poderia não refletir a essência da intenção de São Nicolau. Sobre como responder às perguntas das crianças sobre o significado deste nome, não saberia dizer. Eu sou um ex-anglicano, mas São Nicolau me atrai muito desde o ponto de vista intelectual e moral. Aprecio os importantes valores morais que representa, o sentido de uma caridade ativa. São Nicolau pode ser apreciado por qualquer um que tenha um mínimo de sentido moral; nenhum sistema de crenças pode estar em desacordo com o que ele representa. Fala a todos porque, enquanto a Teologia pode ser bastante complexa, suas histórias são simples. Creio que é este o motivo pelo qual foram contadas ao longo de centenas de anos e se transformaram neste rito familiar que celebramos ainda hoje com Papai Noel.

 

RELÍQUIA DE SÃO NICOLAU É DOADA A ORTODOXOS RUSSOS
Rádio Vaticano

A Igreja Ortodoxo russa e a Igreja Católica estão dando, neste período natalino, claros sinais de aproximação. O bispo católico da diocese da Transfiguração, em Novosibirsk, Dom Joseph Werth, entregou, no último dia 19, numa solene liturgia ortodoxa, uma relíquia de São Nicolau ao bispo russo-ortodoxo Aristarco, de Kemerovo e Novokuznetsk, Sibéria.

A Missa, da qual participou também o Núncio Apostólico na Federação Russa, Arcebispo Antonio Mennini, foi celebrada na solenidade russa de São Nicolau, na Catedral de São Nicolau, de Kemerovo.

O bispo Aristarco disse que a entrega da relíquia “é um sinal autêntico do amor e do apreço mútuo entre a Igreja Ortodoxa russa e a Igreja Católica”. Ele destacou também, a alegria com que os fiéis acolhiam a relíquia, recordando que a cristandade oriental e ocidental veneram, conjuntamente, numerosos santos.

Por sua vez, Dom Joseph Werth, que se dirigiu ao bispo Aristarco, chamando-o de “irmão no cargo episcopal”, disse: “Os bispos, sacerdotes e fiéis ortodoxos e católicos se encontram e rezam ao único Senhor. Estou certo de que, no futuro, se estabelecerão relações fraternas também em outras cidades da Sibéria.”

O Núncio apostólico na Federação Russa, Dom Mennini, explicou que o ato de entrega das relíquias de São Nicolau representa “um gesto de amor fraterno” por parte de Bento XVI, que sempre quis entregar esta relíquia ao bispo ortodoxo e aos fiéis de Kemerovo.

Dom Mennini assinalou ainda, que, para a Igreja Católica, era importante prosseguir o diálogo com a Igreja Ortodoxa, em todas as oportunidades. Os representantes de ambas as Igrejas qualificaram o evento como “histórico”.

A cidade de Kemerovo se encontra 3.400km a leste de Moscou, na região de Kuzbas, Sibéria.

 

GNOMOS, DUENDES, PAPAI-NOEL… E O PRESÉPIO DE NATAL?  
Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral da Diocese de Novo Hamburgo

Todos os anos, no mês de dezembro, aparecem nas cidades turísticas uma decoração de rua sui-generis: as figuras dos gnomos, duendes, fadas e outras mais, tiradas da mitologia pagã e retomadas sob o alento da Nova Era, que é um dos movimentos mais perigosos do mundo ocidental atual. É uma forma de ver, pensar e agir adotada por muitas pessoas e organizações, com a finalidade de mudar o mundo seguindo certas crenças em comum.
O perigo da Nova Era está em não possuir um único centro de difusão de suas idéias, nem regras, doutrinas ou disciplina em comum.
Essa tendência fala dos temas mais variados: Deus, o destino do homem, saúde, morte e outras vidas, meditação, arte… Para isso usa como pano de fundo o ponto de vista de diversas religiões, das ciências e da literatura. O resultado é uma mensagem feita de respostas fantásticas, com a finalidade de levar as pessoas a idéias e comportamentos contrários à mensagem do Evangelho.
“As idéias do movimento ‘New Age’ (Nova Era) conseguem, às vezes insinuar-se na pregação, na catequese, nas obras e nos retiros, e desse modo influenciam até mesmo católicos praticantes que, talvez, não tenham consciência da incompatibilidade entre aquelas idéias e a fé da Igreja. Na sua visão sincretista e imanente, esses movimentos para-religiosos dão pouca importância à Revelação; pelo contrário, procuram chegar a Deus mediante a inteligência e a experiência, baseadas em elementos provenientes da espiritualidade oriental ou de técnicas psicológicas. Tendem a relativizar a doutrina religiosa, em benefício de uma vaga visão mundial, expressa como sistema de mitos e de símbolos, mediante uma linguagem religiosa. Além disso, apresentam com freqüência um conceito panteísta de Deus, o que é incompatível com a Sagrada Escritura e com a Tradição cristã. Eles substituem a responsabilidade pessoal das próprias ações perante Deus por um sentido de dever para com o cosmo, opondo-se, assim, ao verdadeiro conceito de pecado e à necessidade de redenção por meio de Cristo”.
A resposta cristã à Nova Era e às novas religiões está toda contida na festa do Natal: é o Filho de Deus, nascido da Virgem Maria “para nos salvar”.
A verdade é que há muito sofrimento no coração dos nossos contemporâneos. E quem sofre experimenta todos os médicos. Isso explica a atual abundância de oferta em matéria de conhecimentos secretos e de receitas de felicidade para escapar ao sofrimento.  Os homens de hoje andam à procura de sinais e olham para as estrelas. O Natal é verdadeiramente um sinal para a humanidade. Mas não se trata da estrela dos magos. Ela aponta apenas de longe e cede o lugar quando surge o verdadeiro sinal, que não se destina aos magos, mas aos pastores: “Isso vos servirá de sinal: achareis um menino recém-nascido envolto em panos e deitado numa manjedoura (…) Eles foram correndo e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura” (Lc 2, 12-16).
Esse sinal não é um sinal abstrato no céu, mas um homem concreto e histórico: JESUS, nascido de Maria em Belém. Os sinais cristãos são assim: encarnados, simples acontecimentos históricos dissimulados entre as pregas da vida de todos os dias. JESUS, “o sinal”, não é uma conjuntura favorável de estrelas no firmamento: é um menino que chora na manjedoura .
Também nesta época do ano, se destaca a figura de um bom velhinho de barba branca chamado papai-noel, que traz presentes na noite de Natal. Esse costume tem a sua origem na veneração muito antiga de SÃO NICOLAU, bispo de Mira (Turquia). Foi chamado bispo das crianças e dos necessitados.  Poucos santos gozaram de tanta popularidade, e a poucos se atribuiu tão grande número de milagres. Entre esses milagres destaca-se a ressurreição de dois rapazes. São Boaventura contou em um sermão que São Nicolau entrou em uma estalagem, onde o dono havia matado dois rapazes e se preparava para servi-los aos clientes. São Nicolau devolveu a vida aos dois rapazes e converteu seu assassino.
Também é conhecido como padroeiro dos marinheiros, porque, estando um navio em meio a uma terrível tempestade em alto-mar, seus tripulantes começaram a rezar: “Ó Deus, pelas orações de nosso bom bispo Nicolau, salva-nos”. E imediatamente viram aparecer no barco São Nicolau. Ele abençoou o mar, veio a calmaria, e a seguir desapareceu.  O costume de esperar algum presente de São Nicolau vem do modo como socorria os mais pobres. Saía à noite para ninguém saber quem os ajudava. Famosa é a história do modo como ajudou três moças a realizarem seu casamento. Naquele tempo era necessário dar um dote para o noivo, e o pai das moças era pobre. Não tendo como resolver esse problema, o pai pensava mandá-las para uma casa de prostituição. Sabendo do fato, São Nicolau certa noite jogou uma bolsa com moedas de ouro no quarto do pai. O pai, maravilhado com o dinheiro inesperado, casou a filha mais velha. O bom bispo usou o mesmo recurso para o casamento da segunda. Quando o santo se preparava para entregar escondido o dote da terceira, foi descoberto. O pai reconheceu-o, atirou-se aos seus pés arrependido e agradecido. Espalhou para toda a região como São Nicolau havia presenteado suas filhas. Sua generosidade se espalhou, e as pessoas recorriam a ele em suas necessidades. Com sua morte os milagres começaram a se multiplicar, assim como a sua fama.  Em muitos países da Europa e de outros continentes, devido ao gesto de presentear quem necessitava, foi transformado em um dos símbolos da festa de Natal.

De São Nicolau a papai-noel  
No século XVI, os holandeses emigraram para os Estados Unidos levando a tradição de celebrar São Nicolau (Sinter Klaas em holandês). Começa o processo de americanização, isto é, mudança de história e imagem. Lentamente desaparece a imagem do homem cheio do amor de Deus que socorre quem precisa. Transforma-se em um velhinho simpático em um trenó puxado por renas, que dá fortes risadas e saudações e que entra pelas chaminés para deixar os presentes para as crianças boas… A popularidade mundial desse papai-noel com jaqueta, calça e gorro vermelhos aconteceu em uma campanha publicitária da Coca-Cola em 1931.

O cristão e o papai-noel
As crianças esperam com ansiedade a noite de Natal para receber algum presente de papai-noel e nem sempre associam esse momento com o nascimento do Filho de Deus. Por isso, é importante resgatar a bonita origem da história do bom velhinho, associando-o ao acontecimento do Natal.
A bondade de São Nicolau era o modo de agradecer a Deus pelo grande presente de Natal: JESUS CRISTO. Quem tem a Ele é bom com seus semelhantes. Para São Nicolau presentear uma criança ou necessitado era o melhor modo para testemunhar o amor a Deus.  O verdadeiro amor manifesta-se por gestos. Cada pessoa é a oportunidade para amar a Jesus: “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim… todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 35-36.40).  O resgate da figura de São Nicolau como um dos símbolos do Natal ajuda as crianças a serem também generosas com outras crianças.

O Presépio de Natal  
O presépio é fruto de uma intuição inspirada de São Francisco de Assis que o celebrou em Greccio na Noite Santa de 1223. A devoção a humanidade de Jesus e ao mistério da Encarnação é típica e original do humanismo franciscano, que provém da grande verdade de São João 1, 14: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
O Emanuel, Deus-conosco, que veio partilhar a aventura humana, assumindo plenamente a nossa natureza para elevá-la ao consórcio divino, não se concilia com figuras da mitologia pagã retomadas pela Nova Era. Colocar gnomos, duendes, fadas, papais-noéis no presépio, além de ser uma profanação do cenário sagrado do nascimento de Jesus, é um atentado contra a historicidade salvadora do Natal de Cristo.  É esquecer que o Evangelho no anúncio do nascimento do Salvador, é objetivo e real, situando a Jesus num contexto determinado e no lugar social dos humildes e pobres do Senhor, que esperavam ansiosamente a chegada do Messias.
O Papa João Paulo II, afirma na encíclica Fides et Ratio: “A Encarnação do Filho de Deus permite ver realizada uma síntese definitiva que a mente humana, por si mesma, nem sequer poderia imaginar; o Eterno entra no tempo, o Tudo esconde-se no fragmento, Deus assume o rosto do homem”.

O cristianismo é uma religião salvadora que assume a história e leva a sério o homem, convidando-o a colaborar com o Deus da vida que se revela e entra na experiência humana, acredita num Deus Uno e Trino, que dialoga e partilha a graça, perfazendo comunhão com a humanidade.  A Nova Era e o esoterismo, são radicalmente contrários ao verdadeiro Natal e qualquer tentativa de sincretismo, vem a deteriorar e desfigurar o sentido e o alcance do Mistério da Encarnação na vida do homem.

A CARTA DE JESUS POR OCASIÃO DO NATAL
Como você já sabe, comemoro meu aniversário no Natal e ele mais uma vez está chegando. No ano passado fizeram uma grande festa, e parece que vão repeti-la este ano. Pelo menos as pessoas estão fazendo muitas compras e há meses falam da festa. São muitos os anúncios sobre o meu aniversário de nascimento e é bom saber que pelo menos um dia no ano, algumas pessoas pensam um pouquinho em Mim. Já faz muitos anos que começaram a comemorar meu aniversário. No início parecia que as pessoas se davam conta e estavam agradecidas por tudo o que eu havia feito por elas, mas a maioria hoje, parece não saber direito a razão do Meu aniversário. No ano passado, quando chegou a época do Meu Aniversário, fizeram uma grande festa, mas… Você acredita que nem me convidaram? Imagine, Eu o convidado de honra, e eles se esqueceram de mim! Falavam tanto na festa, nos comes e bebes, nos presentes, nos programas de fim de ano, que se esqueceram completamente de mim… Bem, já aconteceu tantas vezes nestes últimos anos que nem estranhei. Mas apesar de não ter sido convidado, resolvi entrar de mansinho em algumas festas e fiquei observando… Todos estavam bebendo, comendo e se divertindo, quando de repente, entrou um homem gordo com uma roupa vermelha toda brilhante e uma barba branca postiça com uma risada falsa. Todos lhe deram viva. Quando ele sentou, todas as criancinhas foram correndo sentar em seu colo gritando: Papai Noel, Papai Noel… Dava para pensar que ele era o convidado de honra, que a festa era para ele… Em seguida ele começou a contar umas histórias estranhas, que mora no pólo norte com um grupo de anões e que todos os anos no meu aniversário, ele vem de trenó puxado por renas voadoras, entregando presentes para as crianças em todo mundo. Imaginem vocês… Que ilusão criaram pra não falar de mim que sou tão real e verdadeiro… Uma outra coisa que me deixa surpreso é que em meu aniversário, em vez de me darem presentes, as pessoas em sua maioria, dão presentes uma para as outras! E, para além do mais, geralmente são mil tipos de coisas que elas nem precisam. Você não acharia estranho se no seu aniversário, todos os seus amigos decidissem dar presentes uns para os outros para celebrar, e não dessem nada para você? Eu sei que alguns dizem: “Jesus, você não está aqui como as outras pessoas. Como, então podemos lhe dar presentes?” Você conhece a minha resposta: “Alimente os famintos e vista os nus; visite os doentes e os presos; dê um pouco de alegria as pessoas solitárias; partilhe com amor; pratique a justiça”. Eu digo: “Tudo isso é como se fosse para mim”. Não convencem minhas palavras… Imagine como me dói ver que, algumas pessoas nem mencionam o meu nome, mas só dizem: Boas Festas, e Feliz Ano Novo”. Imagine se eu lhe mandasse um cartão de aniversário e esquecesse o seu nome? Não lhe acolhesse e nem desejasse encontrar-me com você? É difícil de aceitar como verdade, que muitos só gostam do meu aniversário, por ter se tornado ele uma ocasião para comer e passar bem… Eu não desanimo… com amor estarei esperando que um dia me valorizem e lembrem-se de mim, então o milagre acontecerá à vida nunca mais será a mesma… Espero que não demore. Um abraço e até quando você conseguir mudar e acreditar… JESUS CRISTO

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