Pensamentos Seletos

Edificar a família no amor que vem de Deus

Encontro com noivos, sexta-feira, 14 de fevereiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco reuniu-se, nesta manhã, com noivos de várias partes do mundo que se preparam para o “sim” para sempre

Na chegada à Praça São Pedro, Francisco cumprimentou casais que se preparam para o casamento / Foto: reprodução CTV

No dia em que se celebra São Valentim, Dia dos Namorados na Itália e em alguns outros países, Papa Francisco participou de um encontro com noivos na Praça São Pedro. De várias partes do mundo, casais que se preparam para o matrimônio puderam ouvir as palavras do Santo Padre sobre amor, fidelidade e escolhas definitivas.

O tema do encontro foi “A alegria do ‘sim’ para sempre”. Esse foi, inclusive, o assunto da primeira pergunta dirigida por um casal de noivos a Francisco. O Papa recordou que, hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas e, às vezes, se entende o amor somente como um sentimento. Mas é preciso, segundo o Papa, entender o amor como uma relação, uma realidade que cresce, como se constrói uma casa.

“Queridos noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas na rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus. (…) Não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’”.

Esse medo do “para sempre” se cura, segundo o Papa, a partir da confiança em Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual cotidiano, feito de passos, de crescimento comum, de empenho para se tornarem homens e mulheres maduros na fé. Isso porque o “para sempre” não é só uma questão de tempo, mas é importante também a qualidade do matrimônio.

“Estar junto e saber amar-se para sempre é o desafio dos casais cristãos. Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vós o Senhor pode multiplicar o vosso amor e doá-lo fresco e bom a cada dia”.

Na segunda pergunta, sobre o “estilo de vida” de um casal e a espiritualidade que se deve ter no cotidiano, Francisco voltou a enfatizar três palavras-chaves para a família: “por favor”, “obrigado” e “desculpe-me”.

“Todos sabemos que não existe uma família perfeita, um marido perfeito nem uma mulher perfeita. Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz volte à nossa casa, à nossa família. Se aprendermos a pedir desculpas e a nos perdoar, o casamento vai durar e seguir adiante. (…) Nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Esse é um segredo para conservar o amor.”

Os preparativos para o casamento também estiveram entre as preocupações dos noivos, que pediram um conselho ao Santo Padre sobre como celebrar bem o matrimônio. Francisco disse ser preciso fazer com que o casamento seja uma grande festa, mas uma festa cristã, não mundana. O que tornará o casamento pleno e verdadeiro é, segundo destacou o Papa, a presença do Senhor que se revela e doa a Sua graça.

“Alguns se preocupam com os sinais exteriores, com o banquete, as fotografias, as roupas, as flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se são capazes de indicar o verdadeiro motivo da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor”, disse.

Antes da chegada do Papa, os noivos participaram de momentos de reflexão, música e testemunhos.

 

DIÁLOGO DO PAPA FRANCISCO COM OS NOIVOS
Praça São Pedro – Vaticano
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé Tradução: Liliane Borges

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos hoje pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil, muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo… E essa mentalidade leva muitos que estão se preparando para o matrimônio a dizerem: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

A casa se constrói juntos, e não sozinhos!  Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Se cura dia por dia confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Me vem a mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na Oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”.  Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade,  viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar.  Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso,  Santo Padre?

Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.

“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Te agrada que façamos isso?  Tomamos essa iniciativa, para educarmos nossos filhos? Você quer sair essa noite ? … Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.

Às vezes, se usa modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com  dureza e agressividade. Nos escritos de  Francisco se encontra essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus…  é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E hoje em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.

“Obrigado”. Parece  fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! A ensinamos às crianças, mas depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante, lembram do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para agradecer a Jesus. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. E nesta atitude interior agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer obrigado, para caminhar bem juntos.

“Desculpe”.  Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós . Talvez haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.

Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e justificar-se. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e pedir desculpas. “Desculpe se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem te cumprimentar; desculpe-me  pelo atraso; desculpe-me  por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.

Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne a nossa casa, em nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos  indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento o vinho faltou e a festa parecia arruinada.  Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho, e assim, salva a festa de núpcias.

O que aconteceu em Caná há dois mil anos, acontece na realidade em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

No Dia dos Namorados, surpreenda seu eterno amor

Criatividade

O Dia dos Namorados está chegando e parece que paira no ar um clima de coraçõezinhos e frases de amor. É a força do romantismo que invade as nossas conversas, invade o comércio e, principalmente, o ânimo das pessoas. Todos nós, em qualquer estado de vida, ficamos mais sensíveis neste tempo.

Para quem está namorando, é ótimo, pois tudo é propício aos casais! Já quem não namora pode escolher entre reclamar ou sonhar.

Existe, no entanto, uma outra turma: a dos casados. Estes já colheram os bons frutos que o namoro lhes trouxe. E como não há um dia especial para eles, talvez se vejam, neste dia 12 de junho, excluídos da atmosfera de amor.

Contudo, os gestos próprios do namoro como o beijo apaixonado, as mãos dadas, as juras de amor, as palavras doces e os abraços calorosos, também um jantar à luz de velas, os presentes e as surpresas caprichadas não são exclusivos aos namorados. O casal unido pelo matrimônio também pode usar e abusar de tais iniciativas neste dia.

Existe até um dito popular que os motiva: “O casamento é um eterno namoro”.

Como podem, então, os casados, neste Dia dos Namorados, surpreender sua (seu) eterna (o) namorada (o)?

Aí vão algumas dicas:

– Seja romântico: Que os compromissos e as responsabilidades do cotidiano da vida de casados não faça morrer o romantismo. Não se deixe levar pela avalanche de obrigações que você tem; afinal, seus afazeres servem para manter sua família, não o contrário.

Reserve um tempo para vocês! Fale mansinho ao pé do ouvido, use aquele perfume ou roupa que ela (e) gosta, repita um gesto do namoro, que tanto os marcou.

– Seja criativo: Faça algo pela primeira vez ou de forma diferente. O Espírito Santo é dinâmico e criativo. Peça Seu auxílio e mãos à obra.

– Relembre o começo do namoro: A dúvida, as investidas para a conquista, a espera, os encontros ou desencontros de antes do namoro e até as “gafes” são um ótimo assunto para esse dia. Quando fazemos memória do quanto um se sacrificou e lutou para estar perto do outro, sentimos, de novo e com mais ardor, a importância que temos um para o outro.

– Presenteie: Você conhece seu cônjuge e sabe do que ela (e) gosta e como melhor agradá-la (o). Associe ao presente material um gesto ou algo que diga da entrega da sua pessoa a ela (e).

– Comprometam-se a, de vez em quando, saírem sozinhos (sem os filhos). Todo casal precisa de um tempo a sós. Cultive o hábito de ser romântico mais vezes. Não precisa gastar muito. Sair para tomar um sorvete já ajuda os dois a terem esse momento para falarem de si. Enfim, não queiram perder nada que o amor esponsal lhes oferece.

Se namorar é bom, casar-se é melhor ainda, pois é no matrimônio que realizamos a nossa vocação e encontramos o sentido desse chamado.

Deus o abençoe! Feliz dia dos “Eternos Namorados”!

Sandro Ap. Arquejada

3 Pistas para reconhecer a ação do diabo

Servo de Deus, Dom Fulton John Sheen
Arquidiocese de Washington

Tradução e fonte: Sentinela no escuro

1. Amor pela nudez – Isto é claramente manifestado em vários níveis. Primeiro existe a tendência generalizada de vestir-se imodestamente. Já discutimos a modéstia aqui antes e devemos notar que modéstia vem da palavra “modo”, referindo-se ao meio ou a moderação. Por isso, se por um lado procuramos evitar noções opressivamente puritanas sobre o vestuário que impõem fardos pesados (especialmente sobre as mulheres) e que vêem o corpo como algo mau, por outro também devemos criticar muitas das formas modernas de se vestir no outro extremo. Estes “estilos” revelam mais do que razoável e geralmente deveriam, com a pretensão de chamar atenção a aspectos do corpo que são privados e reservados para a união sexual no casamento. Muitos em nossa cultura não vêem problema em desfilar vários níveis de nudez, vestindo peças que possuem a intenção de descobrir e chamar a atenção em vez de esconder as áreas privadas do corpo. Este amor pela exibição e provocação é seguramente um aspecto do próprio amor do Mal pela nudez. E ele tem espalhado esta obsessão a muitas pessoas no moderno Ocidente.

2. Pornografia – como não há nada de novo neste mundo caído, seguramente alcançou proporções epidêmicas por meio da internet. Qualquer psicoterapeuta, conselheiro ou sacerdote te dirá que o vício da pornografia é um enorme problema entre as pessoas de hoje. Sites pornográficos superam outras categorias dez vezes mais. Milhões de americanos estão consumindo enorme quantidade de pornografia e a “indústria” está crescendo exponencialmente. O que uma vez foi escondido nas livrarias, hoje está à distância de um clique na internet. E a ideia de que os hábitos de navegação podem ser facilmente descobertos pouco importa aos viciados na última das formas de escravidão. Muitos estão sobre uma encosta íngreme a ponto de caírem em formas mais degradantes de pornografia. Muitos acabam em sites ilegais e antes mesmo de saberem o que aconteceu, deparam-se com o FBI batendo nas suas portas. O amor de Satanás pela nudez possuiu muitos! A cultura global de sexualização também amarra ao amor satânico pela nudez. Nós sexualizamos a mulher para vender produtos. Nós sexualizamos até mesmo as crianças. As nossas novelas tagarelam excessivamente sobre sexo de um modo muito adolescente e imaturo. Nós somos, coletivamente, tolos e imaturos a respeito do sexo e a nossa cultura vibra como adolescentes fogosos obcecados por algo que eles não compreendem. Sim, o amor satânico pela nudez e tudo o que vem com ela. Violência – nós já discutimos antes como nós, coletivamente, transformamos a violência numa forma de entretenimento. Os nossos filmes de aventura e jogos de vídeo transformam retaliação violenta numa prazerosa forma de entretenimento e a morte numa “solução”. Os últimos Papas têm-nos alertado sobre a cultura da morte, na qual a morte é cada vez mais proposta como solução para os problemas. Na nossa cultura a violência começa no ventre, onde os inocentes são atacados. Chamam isto de “direito” e “escolha”. A violência e a adoção da morte continuam movimentando-se pela cultura por meio da contracepção, atividades violentas de gangues, recursos fáceis para a guerra e pena capital. O século passado talvez tenha sido o mais sangrento já conhecido no planeta e incontáveis pessoas, na casa dos milhões, morreram durante as duas guerras. Além disso, vale lembrar das centenas de conflitos e guerras regionais, terríveis campanhas em favor da fome na Ucrânia, China e outros lugares, genocídios na Europa Central, na África e no sudeste da Ásia. Paul Johnson, no seu livro Modern Times, estima que cerca de 100.000.000 morreram em guerras e de maneiras violentas nos últimos 50 anos do século XX. E a cada morte, Satanás faz a sua “dança intrometida”. Satanás ama a violência. Ele ama colocar o fogo e ver-nos culpando uns aos outros enquanto nos queimamos.

3. Divisão – Satanás ama dividir. Dom Fulton Sheen diz que a palavra “diabólico” vem de duas palavras gregas “dia Bolós”, significando separar, dividir. Tendo como base os meus próprios estudos de grego, por mais parcos que sejam, diria que os resultados da tradução não seriam os mesmos do bispo. “Dia” significa “através” ou “entre” e “bolós” “atirar ou arremessar”. Ainda assim, o bom bispo era um homem estudioso e eu peço a vocês, estudantes de grego, que me compreendam e defendam Dom Sheen. Ainda assim, é claro que o diabo nos quer dividir. Dentro da nossa própria psiqué e entre e os outros. Certamente ele se regozija a cada divisão que provoca. Ele “atira coisas entre nós” (dia bolós)! Eis o propósito diabólico. E, portanto, vemos as nossas famílias divididas, a Igreja dividida, a nossa cultura e o país divididos. Agora nós estamos divididos ao nível máximo: racial, religioso, político e econômico. Nós dividimos a nossa idade, raça, região, Estados azuis e vermelhos, liturgia, música, linguagem e demais pormenores sem fim. As nossas famílias são rachadas, os nossos casamentos são rachados. Os divórcios são exaltados e compromissos de quaisquer tipos são rejeitados e considerados impossíveis. A Igreja está rachada e dividida em facções, assim como o Estado, todos os níveis que compõem os conselhos escolares. Ainda assim, mesmo que concordemos com o essencial, verifica-se que até mesmo quando uma verdade é compartilhada somos chamados de intolerantes. E dentro também, nós lutamos com muitos ímpetos divisivos e formas de esquizofrenia figurativa e literal. Somos puxados para o que é bom, verdadeiro e belo e ainda o que é inferior, falso e mau também nos atrai. Sabemos o que é belo, o que é bom, mas desejamos o que é mau. Procuramos amor, mas cedemos ao ódio e à vingança. Admiramos o inocente, mas frequentemente nos alegramos em destruí-lo ou pelo menos em substituir isto pelo cinismo. E assim Satanás dança a sua “dança intrometida”.

Três características do diabólico: amor pela nudez, violência e divisão. O que achas? O príncipe deste mundo está cumprindo com os seus compromissos? Mais importante ainda: estamos sendo coniventes? O primeiro passo para vencer os compromissos do inimigo é conhecer os seus movimentos, nomeá-los e repreendê-los em Nome de Jesus.

São Valentim, patrono dos namorados

Bispo de Terni e mártir, foi criador de centenas de milagres e conversões
Por Pietro Barbini

ROMA, terça-feira 12 de Junho de 2012 (ZENIT.org) –  Hoje se celebra o dia de São Valentim no Brasil, 14 de Fevereiro em Portugal, festa dedicada “aos namorados”. Chocolates, rosas, jóias e as lembranças mais impensáveis: hoje em dia a comemoração do santo patrono dos namorados transformou-se no festival do consumismo, do materialismo e do eros desenfreado, comercializada ao ponto de esquecer a razão desta festa, quem foi realmente São Valentim e o que ele tem a ver com os namorados. Esta tradição, inicialmente, foi espalhada pelos monges da ordem de São Bento, que foram os primeiros guardiões da Basílica dedicada ao Santo, que continha seus restos mortais, e instituída pelo Papa Gelásio I em 496, com a intenção de substituir a antiga festa pagã dos Lupercalia, comemorada no mesmo dia pelos romanos em honra do deus Fauno, que era o protetor dos animais e, ao mesmo tempo divulgar a mensagem do amor cristão através do trabalho de São Valentim. Mas quem foi realmente Sao Valentim? Nascido em uma família nobre, foi consagrado bispo de Terni, na idade de 21 anos por São Feliciano de Foligno, e no 270 foi chamado a Roma, a convite do filósofo e orador grego e latino Cráton, onde pregou o Evangelho, convertendo muitos pagãos, graças também à sua oratória eloqüente. Diz-se que quando falava “todos pendiam dos seus lábios que abria o coração até mesmo dos pagãos mais endurecidos em seus vícios”. Foi muito amado e respeitado pelo povo, dada a sua particular atenção às crianças, aos doentes e aos jovens, que muitas vezes pediam-lhe conselhos. Morreu decapitado na idade de 97 anos, no ano 273, depois de ter sido flagelado  fora dos muros de Roma ao longo da Via Flaminia, por causa das perseguições contra os cristãos sob o imperador Aureliano. Até o momento existem poucos documentos que contam a vida do Santo mártir: o documento mais antigo data do século VIII e narra alguns detalhes do martírio, da tortura, da decapitação e da sepultura por obra dos discípulos Próculo, Efebo e Apolônio, também eles decapitados por terem pego o corpo do Santo; os próprios discípulos dizem-nos do milagre que provocou a conversão imediata de muitas almas, incluindo a eles mesmos, ou seja, a cura de Chermone, o filho do Cráton, atacado por uma paralisia. Após este milagre, o mesmo Cráton, nascido de uma família pagã, se converteu ao cristianismo, sendo batizado com sua esposa e a família inteira, e ao mesmo tempo, também se converteram os seus alunos: Atenieses, Próculo, Efebo, Apolônio e Abondio, filho de Annio Placido, que era prefeito de Roma; foi Abondio que recolheu os corpos martirizados de Efebo, Proculo e Apolônio, que enterrou ao lado de São Valentim. Também Cráton, junto com toda a família, foi condenado à morte sob a acusação de seguir Valentim; o único sobrevivente foi o filho Chermone (diz-se que foi ele quem construiu a primeira basílica dedicada ao santo padroeiro de Terni). Narram-se muitos milagres realizados pelo Santo, como muitos são também as narrações populares proferidas ao longo dos séculos, por exemplo, aquele que diz ter dado a visão à filha cega de seu carcereiro, Asterius (quando foi capturado e preso pela primeira vez por ordem Imperador Claudio II, o Gótico). Outro milagre importante remonta ao 225 dC e foi a cura de um escravo em seu leito de morte (depois de tal milagre o irmão, Fonteyo Triburzio, iniciou o seu serviço na casa de Cráton em Roma). Doentes de todos os tipos vinham regularmente à sua casa pedindo orações e curas (curas que muitas vezes aconteciam); conta-se que todos entravam com sofrimentos na sua casa e saíam confortados e fortalecidos no espírito. Aquilo que o Santo fazia, de fato, era convidar as pessoas a louvar e agradecer a Deus, insistindo na fé, o único meio graças ao qual, dizia, é possível curar. A sua associação com os namorados, então, refere-se ao seu longo ministério. Ao longo da sua vida, de fato, o santo dirigiu uma atenção especial aos jovens e seus familiares, que acolhia dentro do seu belíssimo jardim de flores, dando a todos conselhos e apoio. Valentim repetia com frequência: “Deus nos ama e devemos devolver-lhe este amor, amando o próximo como ele nos amou”. Era normal dar uma rosa aos jovens namorados que iam até ele pedindo uma benção. As famílias que estavam em dificuldades econômicas, ou que eram incapazes de ter filhos, convidava-as a olhar para a Sagrada Família de Nazaré, a confiar na providência divina, insistindo em voltar a atenção para a figura da Virgem Maria, incentivando-os, abençoando-os e orando com eles, assegurando-lhes sempre as suas orações.É por isso que São Valentim está associado ao Dia dos Namorados: na sua longa jornada da vida levou muito a sério os jovens casais e as famílias. Entre as histórias mais citadas está aquela segundo a qual o santo passeando pela estrada viu dois namorados brigarem e, aproximando-se, colocou uma rosa em cada um deles convidando-lhes a tê-las nas suas mãos e pouco tempo depois os dois se pacificaram jurando-se eterno amor; uma segunda versão, também, conta que Valentim, já bispo de Terni, fez voar em torno de dois namorados briguentos vários casais de pombos que trocavam efusões de afeto, de tal forma que inspiravam paz e amor nos dois. Outra história famosa conta que Vatentim uniu em matrimônio a cristã Serapia com o centurião romano Sabino, um amor obstaculizado pelo pai dela, porque o centurião era pagão. Quando a jovem adooeceu gravemente, o centurião, no leito de morte, chamou Valentim pedindo-lhe, de acordo com Serapia, que ele fizesse algo para que eles nunca se separassem, de tal forma que naquele dia o bispo batizou o centurião pagão, uniu os dois jovens em matrimônio e logo depois os dois morreram. São Valentim, neste dia, é celebrado pela Igreja Católica, Ortodoxa e Anglicana.
[Traduçao Thácio Siqueira]

“Satanás procura seduzir o homem”

Ter coisas, vaidade e poder

Sábado, 3 de outubro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco presidiu na Capela do Governatorato, no Vaticano, uma Missa para o corpo de soldados que zelam pela segurança e ordem pública vaticana

O Papa Francisco iniciou suas atividades deste sábado, 3, presidindo na Capela do Governatorato, no Vaticano, a uma Santa Missa para a Gendarmaria, corpo de soldados que zelam pela segurança e ordem pública vaticana.

Em sua homilia, o Santo Padre partiu da liturgia do dia, citando a passagem do Apocalipse: “Eclodiu uma guerra no Céu”. Trata-se de uma guerra entre os anjos de Deus, comandados por São Miguel, contra Satanás. Esta foi a última guerra. Permaneceu somente a paz do Senhor com todos os seus filhos, que lhe foram fiéis.

“Durante a história da humanidade, esta guerra continuou, todos os dias, no coração dos homens e das mulheres, dos cristãos e não-cristãos. É a guerra do bem e do mal”, afirmou o Papa.

O método do diabo são as ciladas que prepara para o homem. Satanás procura seduzir o homem. Os três degraus do método do diabo são: ter coisas, vaidade e poder, acompanhado do orgulho e da soberba. “Estes três degraus podem ser subidos também por nós, em nossos dias”, diz o Pontífice.

O Santo Padre adverte que, nesta celebração, todos deveriam pedir a intercessão do Arcanjo São Miguel, para que os livre das insídias do demônio.

“Vocês, que trabalham, que prestam um serviço um pouco difícil, onde sempre existem contraste, devem colocar as coisas em seus devidos lugares e evitar, tantas vezes, delitos e crimes. Peçam ao Senhor a intercessão de São Miguel Arcanjo, para que os defenda de toda tentação de corrupção por dinheiro, riquezas, vaidades e soberba. Quanto mais humilde for o seu serviço, mais fecundo e útil será para todos nós”.

“Corruptos fazem muito mal à Igreja. Santos são a luz!”

Missa com o Papa, segunda-feira, 3 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Em homilia na Casa Santa Marta, Francisco falou sobre três “modelos de cristãos”

Pecadores, corruptos e santos. Foi sobre este trinômio que o Papa Francisco centrou sua homilia da Missa celebrada nesta segunda-feira, 3, na Casa Santa Marta. O Santo Padre ressaltou que os corruptos fazem muito mal à Igreja porque são adoradores de si mesmos. Os santos, ao contrário, fazem muito bem: são a luz na Igreja. A homilia foi inspirada na leitura do Evangelho que narra a parábola dos vinhateiros maldosos, o que proporcionou ao Papa aprofundar a questão dos três “modelos de cristãos” que existem na Igreja: pecadores, corruptos e santos. “Não precisamos falar muito dos pecadores, porque sabemos bem como são, já que todos nós o somos. Se algum de nós não se sente pecador, procure um bom ‘médico espiritual’, porque alguma coisa está errada”.

Com relação aos corruptos, Francisco os definiu citando novamente a parábola. “Ela nos fala daqueles que querem tomar conta da vinha e perderam o relacionamento com o dono dela, aquele que nos chamou com amor, que zela por nós e nos dá a liberdade. Estas pessoas se sentiram autônomas de Deus. Estes eram pecadores como todos nós, mas deram um passo avante como se fossem acostumados no pecado, que não precisassem de Deus! E como não podem negá-lo, criaram um Deus especial: eles mesmos. São os corruptos”. Para Francisco, os corruptos são os mais perigosos para as comunidades cristãs; eles são os grandes ‘esquecidos’, os que cortaram a relação com o Senhor e se tornaram adoradores de si mesmos. “Que o Senhor nos livre de cair neste caminho de corrupção!”, disse.

E ao falar sobre os santos, o Papa lembrou que nesta segunda-feira decorrem 50 anos da morte do Papa João XXIII, “modelo de santidade”. “Os santos obedecem ao Senhor, adoram o Senhor e nunca perderam a memória do amor com o qual o Senhor plantou a vinha. Dos santos, a Palavra de Deus nos fala como luz, ‘como aqueles que estarão diante do trono de Deus, em adoração’”. Concluindo, o Papa pediu “a graça de nos sentirmos pecadores, de não sermos corruptos e de embocarmos o caminho da santidade”.

Não sejamos desertores da vontade de Deus

A fé em Cristo tudo confirma

Tomai cuidado, diletos, para que os benefícios de Deus, tão numerosos, não se tornem condenação para todos nós, se não vivermos para ele de modo digno e não realizarmos em concórdia o que é bom e aceito diante de sua face. Pois foi dito em algum lugar: “O Espírito do Senhor é lâmpada que perscruta as cavernas das entranhas” (Pr 20,27 Vulg.).

Consideremos quão próximo está e que nada lhe é oculto de nossos pensamentos e palavras. É, portanto, justo que não sejamos desertores de Sua vontade. É preferível ofendermos os homens estultos e insensatos, soberbos e presunçosos na jactância de seu modo de falar, a ofender a Deus.

Veneremos o Senhor Jesus, cujo sangue foi derramado por nós, respeitemos nossos superiores, honremos os anciãos, eduquemos os jovens na disciplina do temor de Deus, encaminhemos nossas esposas para todo o bem. Manifestem o amável procedimento de castidade, mostrem seu puro e sincero propósito de mansidão, pelo silêncio deem a conhecer a moderação da língua, tenham igual caridade sem acepção de pessoas para com aqueles que santamente temem a Deus.

Participem vossos filhos da ciência de Cristo. Aprendam que grande valor tem para Deus a humildade, o poder da casta caridade junto de Deus, como é bom e imenso Seu temor, protegendo a todos que n’Ele se demoram na santidade de um coração puro. Porque ele é o perscrutador dos pensamentos e resoluções da mente. Seu Espírito está em nós, e, quando quer, retira-o.

A fé em Cristo tudo confirma. Ele, pelo Espírito Santo, nos incita: “Vinde, filhos, ouvi-me; ensinar-vos-ei o temor do Senhor. Qual é o homem que quer a vida e deseja ver dias bons? Afasta tua língua do mal e não profiram teus lábios a mentira. Desvia-te do mal e faze o bem. Busca a paz e persegue-a” (Sl 33,12-15).

Misericordioso em tudo, o Pai benigno tem amor pelos que O temem, concede com bondade e doçura Suas graças àqueles que se lhe aproximam com simplicidade. Por isso não sejamos fingidos nem insensíveis a Seus dons gloriosos.

São Clemente I, Papa e Mártir – Século I

Frases da Beata Irmã Dulce

•“A preocupação com os bens materiais é natural, faz parte da vida humana. Mas o importante, o que de fato valoriza a vida, são os gestos que rendem juros e correção na conta aberta em nome de cada um de nós no banco do céu”.

•“Os benfeitores, a quem eu nunca conseguirei agradecer plenamente, não se sintam completamente seguros: haverá ainda outras ocasiões em que bateremos às portas dos seus corações generosos para pedir mais ajuda”.

•“Não existe estado mais sublime do que o da pessoa que consagra a sua vida a Deus. Devemos ser evangelhos vivos, uma aliança no amor mútuo, uma íntima comunhão entre a alma consagrada e Deus”.

•“É certo que a vida de doação exige grandes sacrifícios, mas a felicidade íntima que se desfruta, a tranquilidade e a paz interior, conhecida tão somente por aqueles que fizeram uma doação, são seus frutos”.

•“Se não gosto de cozinha, por exemplo, e me mandam para lá, eis uma boa ocasião de oferecer um sacrifício, realizar uma boa ação, fazer por amor de Deus”.

•“Nós, portadores de Cristo, devemos dar testemunho às pessoas de vida dedicada a Deus na pessoa do pobre”.

•“Devemos levar uma vida edificante e santa, principalmente na comunidade, na vida fraterna, na família, na qual devemos olhar as virtudes de nossos irmãos e irmãs, e não os seus defeitos”.

•“Deus nos transmite todas as graças que necessitamos para bem executar nosso trabalho de amor e dedicação sem reserva aos nossos irmãos sofredores: os pobres”.

•“Devemos confiar incondicionalmente na Providência. Nunca me preocupei em saber como iria sustentar tanta gente, tantos doentes, pagar funerais, médicos, remédios etc”.

•“Toda a nossa vida deve ser em função do amor de Deus. Amemos, amemos com um amor sem limites ao nosso amado Jesus”.

• “Após mais de quarenta longos anos de serviço para Deus e para os pobres, sei que me resta pouco tempo de vida. Minha saúde, abalada constantemente, me faz relembrar que o meu prazo de permanência neste mundo é muito curto”.

Anchieta soube comunicar alegria do encontro com Cristo

Homilia
Missa em Ação de Graças pela Canonização de José de Anchieta

Igreja de Santo Inácio de Loyola – Roma
Quinta-feira, 24 de abril de 2014

Na passagem do Evangelho que acabamos de escutar, os discípulos não conseguem acreditar na alegria que têm, porque não podem acreditar na causa dessa alegria.

Imaginemos a cena, Jesus ressuscitou, os discípulos de Emaús contaram sua experiência, Pedro também o vê, e depois o próprio Senhor aparece no Cenáculo e lhes diz: “a Paz esteja convosco”.

Vários sentimentos irrompem no coração dos discípulos, medo, surpresa, dúvida, e por fim, alegria. Uma alegria tão grande que, por esta alegria não conseguiam acreditar. Estavam atônitos, pasmos, e Jesus quase esboçando um sorriso lhes pede algo para comer e começa a explicar-lhes aos poucos as Escrituras, abrindo-lhes o entendimento para que as compreendessem.

É o momento do estupor, do encontro com Jesus Cristo, em que tanta alegria não parece ser verdade, mas ainda assumir o regozijo e a alegria naquele momento nos parece arriscado e sentimos a tentação de refugiar-nos no ceticismo, no não exagerar.

Não é fácil acreditar em um fantasma, em Cristo vivo. É mais fácil ir a um cartomante que te adivinhe o futuro, que te coloque as cartas, do que confiar-se na esperança de um Cristo Triunfante, de um Cristo que venceu a morte.

Não é uma ideia, não é uma imaginação. A docilidade a esse Senhor que surge da morte e sabe a que coisa nos convida.

Esse processo de relativizar tanto a fé acaba por distanciar-nos do encontro, do carinho de Deus. É como se destilássemos a realidade do encontro no alambique do medo, no alambique da excessiva segurança, de querer nós mesmos controlar o encontro. Os discípulos tinham medo da alegria e também nós.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, falamos de um paralítico. Ouvimos somente a segunda parte da história, mas todos conhecemos a transformação deste homem, entrevado deste o nascimento, sentado à porta do Templo a pedir esmola, sem jamais atravessar a soleira e como seus olhos se fixaram nos apóstolos esperando que lhe dessem algo.

Pedro e João não podiam dar-lhe nada daquilo que ele buscava, nem ouro, nem prata. E ele, que sempre permaneceu na porta, agora entra com seus pés, pulando e louvado a Deus. Celebrando suas maravilhas. E sua alegria é contagiosa. Isso é o que nos diz hoje a Escritura. As pessoas estavam cheias de estupor e maravilhadas acorriam para ver.

No meio daquela confusão, Pedro anunciava a mensagem. Porque a alegria do encontro com Jesus Cristo, aquela que nos dá tanto medo de assumir, é contagiosa e grita o anúncio. E aí cresce a Igreja. O paralítico acredita. A Igreja não cresce por proselitismo, cresce por atração. A atração testemunhal.

Esse testemunho que nasce da alegria assumida, aceita e depois transformada em anúncio, é uma alegria fundada. Sem este gozo, sem esta alegria não se pode fundar uma Igreja, não se pode fundar uma comunidade cristã. É uma alegria apostólica, que se irradia, que se expande.

Me pergunto: como Pedro, sou capaz de sentar-me ao lado do meu irmão e explicar lentamente o dom da Palavra que recebi? Contagiar a ele com minha alegria? Sou capaz de convocar ao meu redor o entusiasmo daqueles que descobrem em nós o milagre de uma vida nova, que não se pode controlar?

Sem docilidade não se atrai. É uma alegria nascida do encontro com Cristo.

Também São José de Anchieta soube comunicar aquilo que tinha experimentado com o Senhor, o que tinha visto e ouvido Dele. O Senhor lhe comunicou em seus exercícios. Ele, junto a Nóbrega, foi o primeiro jesuíta que Inácio enviou à América. Um jovem de 19 anos tinha tal alegria, tal gozo na alma que colocou o fundamento cultura de uma nação em Jesus Cristo.

Não tinha estudado teologia, não havia estudado filosofia. Era um jovem que havia sentido o olhar de Jesus Cristo e deixou-se alegrar pela luz. Essa foi e é sua santidade: Não teve medo da alegria.

São José de Anchieta tem um hino belíssimo dedicado à Virgem Maria, a quem, inspirando-se no cântico de Isaías 52, compara com um mensageiro que procura a paz, que anuncia a alegria da boa notícia.

Que ela, que naquele alvorecer do Domingo, insone pela esperança, não teve medo da alegria, nos acompanhe em nosso peregrinar. Convidando todos a levantarem-se, a renunciar a paralisia, para entrar juntos na paz e na alegria que Jesus, o Senhor ressuscitado, nos promete.

Dia do Sagrado Coração de Jesus: O amor de Deus

Sexta-feira, 27 de junho de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que para receber o amor de Deus é preciso ter pequenez de coração

Francisco destaca que o amor de Deus é como o amor de um pai pelo seu filho / Foto: L’Osservatore Romano-Rádio Vaticano

Para comunicar o seu afetuoso amor de Pai ao homem, Deus precisa que o homem se faça pequeno. Este foi o pensamento proposto pelo Papa Francisco na Missa celebrada nesta sexta-feira, 27, na Casa Santa Marta, dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus.

O Santo Padre concentrou a homilia no “coração” de Jesus, destacando que não há sombras no modo como Deus entende o seu amor para com suas criaturas. Segundo Francisco, Deus dá a graça, a alegria de celebrar no coração do seu Filho as grandes obras do seu amor. Pode-se dizer que hoje é a festa do amor de Deus em Jesus, do amor de Deus pelo ser humano.

“Há dois traços do amor. Primeiro: o amor está mais em dar do que em receber. Segundo: o amor está mais nas obras que nas palavras. Quando dizemos que está mais em dar do que em receber, é que o amor se comunica e é recebido pelo amado. E quando dizemos que está mais nas obras que nas palavras, o amor sempre dá vida, faz crescer”.

Mas para entender o amor de Deus, o Pontífice explicou que é preciso buscar uma dimensão inversamente proporcional à imensidão, ou seja, buscar a pequenez de coração. Ele deu dois exemplos: Moisés, eleito por Deus porque era o menor de todos os povos; e Jesus, que no Evangelho louva o Pai por ter revelado as coisas divinas aos pequenos.

Logo, observou Francisco, essa relação que Deus busca com o homem é como aquela de um pai com o filho, que o acaricia. É a ternura de Deus que dá a força; se o homem se sente forte, não terá a experiência da carícia do Senhor.

“’Não temas, eu estou contigo, eu te pego pela mão…’ São todas palavras do Senhor que nos fazem entender este misterioso amor que Ele tem para conosco. E quando Jesus fala de si mesmo, diz: ‘Eu sou manso e humilde de coração’. Também Ele, o Filho de Deus, se abaixa para receber o amor do Pai”.

Outro sinal particular do amor de Deus é que Ele está sempre precedendo o homem, espera-o sempre. O Santo Padre concluiu a homilia pedindo a graça de entrar neste modo misterioso, de poder se surpreender e ter paz com este amor que se comunica, dá alegria e leva pelo caminho da vida como se faz com uma criança: pela mão.

“Quando nós chegamos, Ele já está lá. Quando nós O procuramos, Ele nos procurou primeiro. Ele está sempre diante de nós, espera-nos para nos receber no seu coração, no seu amor. E estas duas coisas podem nos ajudar a entender este mistério do amor de Deus conosco. Para exprimir-se, precisa da nossa pequenez, do nosso abaixar-se. E também precisa do nosso estupor quando o procuramos e o encontramos ali, esperando-nos”.

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