Pensamentos Seletos

Papa Francisco

Não é fácil entregar-se à misericórdia de Deus, porque se trata de um abismo incompreensível. Mas devemos fazê-lo! «Oh padre, se conhecesses a minha vida, não me  falarias assim!» «Porquê? Que fizeste?» «Oh, fi-las grandes e graves!» «Melhor! Vai ter com Jesus; Ele gosta que Lhe contes essas coisas!». Ele esquece; Ele tem uma capacidade especial de esquecer. Esquece, beija-te, abraça-te e apenas te diz: «Também Eu não te condeno! Vai, e doravante não tornes a pecar» (Jo 8, 11). Este é o único conselho que te dá.  Passado um mês, estamos nas mesmas condições… Voltemos ao Senhor! O Senhor nunca Se cansa de perdoar, nunca! Somos nós que nos cansamos de Lhe pedir perdão. Peçamos a graça de não nos cansarmos de pedir perdão, porque Ele jamais Se cansa de perdoar.  Peçamos esta graça! Papa Francisco

Como sabeis, há vários motivos que, ao escolher o meu nome, me levaram a pensar em Francisco de Assis. Um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres. Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas!  A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar,  em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que se empenham na ajuda aos doentes, aos órfãos, aos sem-abrigo e a quantos são marginalizados, e deste modo trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas. Papa Francisco

Como sabeis, há vários motivos que, ao escolher o meu nome, me levaram a pensar em Francisco de Assis. Um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres.  Mas há ainda outra pobreza: é a pobreza espiritual dos nossos dias, que afeta gravemente também os países considerados mais ricos. É aquilo que o meu Predecessor, o amado e venerado Bento XVI, chama a «ditadura do relativismo», que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens. E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra. Papa Francisco

Um dos títulos do Bispo de Roma é Pontífice, isto é, aquele que constrói pontes, com Deus e entre os homens. Desejo precisamente que o diálogo entre nós ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro, não um inimigo nem  um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar. Além disso, as minhas próprias origens impelem-me a trabalhar por construir pontes. Na verdade, como sabeis, a minha família é de origem italiana; e assim está sempre vivo em mim este diálogo entre lugares e culturas distantes, entre um extremo do mundo e o outro, actualmente cada vez mais próximos, interdependentes e necessitados de se encontrarem e criarem espaços efetivos de autêntica fraternidade.  Neste trabalho, é fundamental também o papel da religião. Com efeito, não se podem construir pontes entre os homens, esquecendo Deus; e vice-versa: não se podem viver  verdadeiras ligações com Deus, ignorando os outros.  Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões, para que jamais prevaleçam as diferenças que separam e ferem, mas, embora na  diversidade, triunfe o desejo de construir verdadeiros laços de amizade entre todos os povos. Papa Francisco

Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Papa Francisco

Aprendi que para ter acesso ao Povo Brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração: por isso permitam-me que nesta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Papa Francisco

Ao ateu, não diria que sua vida está condenada, porque estou convencido de que não tenho direito de fazer juízo sobre a honestidade dessa pessoa. Papa Francisco

Os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas econômicas injustas, que originam as grandes desigualdades. Papa Francisco

Algumas pessoas cuidam melhor de seus cães do que dos seus irmãos. Papa Francisco

Nossa vida é um caminho, quando paramos, não vamos para frente. Papa Francisco

O dinheiro tem que servir, não governar. Papa Francisco

Deus não pertence a nenhum povo. Papa Francisco

Apenas os que dialogam podem construir pontes e vínculos. Papa Francisco

O meu desejo ao visitar o Brasil era andar por todos os bairros, bater em todas as portas, pedir um copo de água fresca, um cafezinho, mas não um de cachaça…Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e aqui, junto de vocês, me sinto acolhido. Quando somos generosos acolhendo, enriquecemos. Como diz o ditado: “sempre se pode colocar um pouco mais de água no feijão”. Essa é a verdadeira riqueza. Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário. Ninguém pode permanecer insensível as desigualdades que ainda existem no mundo. Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Papa Francisco

“Deus sempre quer a misericórdia e não a condenação. ”

“Quer a misericórdia do coração, porque Ele é misericordioso e sabe entender bem as nossas misérias, as nossas dificuldades e também os nossos pecados.”

“Ele veio por nós, pecadores, e é isto o que é bonito. Deixemo-nos olhar pela misericórdia de Jesus, façamos festa e guardemos a lembrança desta salvação!”

“Mas a misericórdia de Jesus não é apenas um sentimento, é uma força que dá vida”.

“A misericórdia de Deus dá vida ao homem, o ressuscita da morte”.

“O Senhor nos olha sempre com misericórdia; não esqueçamos, nos olha sempre com misericórdia, nos espera com misericórdia.”

“Deixemo-nos encontrar pelo Senhor: Ele está perto de nós. Tantas vezes”.

“A Igreja deve ser um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade”.
(Habemus Papam – 13 de março)

“O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, mas não discípulos do Senhor… Eu queria que todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor. E assim a Igreja vai para diante”.
(Encerramento do Conclave – 14 de março)

“Cristo é o Pastor da Igreja, mas a sua presença na história passa através da liberdade dos homens: um deles é escolhido para servir como seu Vigário, Sucessor do Apóstolo Pedro, mas Cristo é o centro. Não o Sucessor de Pedro, mas Cristo. Cristo é o centro. Cristo é o ponto fundamental de referimento, o coração da Igreja. Sem Ele, Pedro e a Igreja não existiriam, nem teriam razão de ser”.
(Encontro com os Jornalistas – 16 de março)

“Disse que de coração vos daria a minha bênção. Uma vez que muitos de vós não pertencem à Igreja Católica e outros não são crentes, de coração concedo esta bênção, em silêncio, a cada um de vós, respeitando a consciência de cada um, mas sabendo que cada um de vós é filho de Deus. Que Deus vos abençoe!”
(Encontro com os Jornalistas – 16 de março)

“Deus é como um pai misericordioso, que sempre tem paciência conosco, nos compreende, atende, não se cansa de nos perdoar. Grande é a misericórdia do Senhor. A misericórdia é uma palavra que muda tudo, muda o mundo. Um pouco dela deixa o mundo menos frio e mais justo. Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão.”
(Angelus – 17 de março)

“Sejamos ‘guardiões’ da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para ‘guardar’, devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então devemos  vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.”
(Missa Início Pontificado – 19 de março)

“Peço a todos aqueles que ocupam papel de responsabilidade nos meios econômico, politico e social, a todos homens e mulheres de boa vontade, para que cuidem da criação. Do desenho de Deus na Natureza. Cuidem um do outro, do meio ambiente”.
(Missa Início Pontificado – 19 de março)

“Meu ministério é cuidar das pessoas, principalmente dos mais pobres”.
(Missa Início Pontificado – 19 de março)

•Sobre o casamento entre homossexuais
“Não sejamos ingênuos, não se trata de uma simples luta política. É uma pretensão destrutiva ao plano de Deus. Não se trata de um mero projeto legislativo, é apenas o sinal de uma mentira que pretende confundir e enganar aos filhos de Deus”.
Carta enviada aos mosteiros de Buenos Aires.

• Sobre o aborto
“O aborto nunca é solução. Ao falar de uma mãe grávida, falamos de duas vidas e ambas devem ser preservadas e respeitadas, pois a vida é de um valor absoluto”.
Documento entregue na Conferência Episcopal Argentina.

• Império do dinheiro
“Pouco a pouco habituamo-nos a ouvir e a ver, através dos meios de comunicação, a crónica negra da sociedade contemporânea […] O império do dinheiro, com os seus efeitos demoníacos como as drogas, a corrupção, o tráfico de pessoas (incluindo de crianças), juntamente com a miséria material e moral são frequentes”.
Discurso durante o período da Quaresma.

• Direito a trabalho digno
“A escravidão não está abolida e, nesta cidade [Buenos Aires], a escravidão está na ordem do dia de diversas formas. Nesta cidade existem trabalhadores clandestinos […] A destruição do trabalho digno, as emigrações dolorosas e a falta de um futuro também se unem nesta sinfonia”.
Discurso do Dia da Luta Contra o Tráfico de Pessoas.

• Dívida social
“A dívida social é uma acumulação de privações e carências em distintas dimensões. É uma violação de direitos e aponta diretamente contra a dignidade humana. A dívida social no país [Argentina] é imoral, injusta e ilegítima”.
Em discurso à TV aberta, em 2009.

• Desigualdade
“Nós vivemos na parte do mundo mais desigual. A distribuição desigual de bens continua, criando uma situação de pecado social que clama aos céus e limita as possibilidades de uma vida mais plena para muitos dos nossos irmãos”.
Discurso na reunião de Bispos Latino Americanos, em 2007.

•  Igreja doente
“Temos que evitar a doença espiritual de uma igreja auto-referencial. Se a igreja permanece fechada em si mesma, fica velha. Entre uma igreja que sofre acidentes na rua e uma igreja que está doente porque é auto-referencial, não tenho dúvidas sobre preferir a primeira [opção]”.
Durante conversa recente, pré-conclave.

Bote fé, bote esperança, bote amor, que a sua vida terá novo sabor! Papa Francisco

Saiam às ruas como fez Jesus. Papa Francisco

Não sejam covardes. Saiam às ruas! Papa Francisco – Dirigindo-se aos jovens, estimulando protestos para que a nova geração seja a protagonista das mudanças sociais e políticas no mundo.

Deus dá as batalhas mais difíceis aos seus melhores soldados. Papa Francisco

Peçamos a graça de não nos cansarmos de pedir perdão, porque Deus jamais se cansa de perdoar. Papa Francisco

Às vezes, na nossa vida, os óculos para ver Jesus são as lágrimas. Papa Francisco

Não existem mães solteiras, existem mães com filhos. Papa Francisco

Hoje tenho certeza que a semente está caindo numa terra boa, sei que vocês querem ser um terreno bom, não querem ser cristãos pela metade, nem engomadinhos, nem cristãos de fachada, mas sim autênticos. Tenho a certeza de que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e conveniências do momento. Papa Francisco

“O Batismo é a porta da fé”

Na audiência geral o Papa rezou pelas crianças vítimas de atentado na Síria e pelas vítimas do tufão nas Filipinas

Fé, alegria, entusiasmo e esperança são alguns dos sentimentos que as multidões trazem à Praça de São Pedro nas audiências gerais de quarta-feira:

“no Credo, através do qual em cada domingo fazemos a nossa profissão de fé, nós afirmamos: ‘Professo um só batismo para o perdão dos pecados’. Trata-se da única referência explícita a um Sacramento no interior do Credo. Efetivamente o Batismo é a porta da fé e da vida cristã.”

A porta da fé e da vida cristã é o Batismo e este é o único Sacramento referido no Credo. O Papa Francisco apontou três elementos fundamentais: Professo; um só batismo; e remissão dos pecados. O primeiro elemento é – diz-nos o Papa Francisco – professo. Quando no Credo dizemos que “professo um só Batismo para a remissão dos pecados”, afirmamos que este sacramento é, em certo sentido, o bilhete de identidade do cristão: um novo nascimento, o ponto de partida de um caminho de conversão, que se estende por toda a vida.

“Neste sentido o dia do nosso Batismo é o ponto de partida de um caminho de conversão que dura toda a vida e que é continuamente sustentado pelo Sacramento da Penitência.”

O Santo Padre apresentou, então, o segundo elemento: um só batismo:

“Segundo elemento: ‘um só batismo’. Esta expressão recorda-nos aquela de S. Paulo: Um só Senhor, uma só fé, um só batismo. A palavra batismo significa literalmente ‘imersão’ e, com efeito, este sacramento constitui uma verdadeira imersão espiritual na morte de Cristo, da qual se ressuscita com Ele como novas criaturas.”

Este novo nascimento – afirmou o Santo Padre – dá-se através de uma verdadeira imersão espiritual na morte de Cristo, pois, batismo significa imersão, para que possamos ressuscitar com Ele para uma vida nova.

Terceiro e último elemento: a remissão dos pecados:

“Finalmente, um breve apontamento sobre o terceiro elemento: para a remissão dos pecados. No sacramento do Batismo são remidos todos os pecados, o pecado original e todos os pecados pessoais, como também todas as penas do pecado.” Assim, o Batismo – continuou o Santo Padre – representa uma poderosa intervenção da misericórdia divina na nossa vida, que nos garante o perdão de todos os pecados: do pecado original e de todos os pecados pessoais. E como se fosse um novo batismo.

O Papa Francisco dirigiu nesta audiência uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente a uma delegação de Moçambique e a diversos grupos de brasileiros.

No final da audiência o Papa Francisco lançou um apelo pelas crianças mortas na Síria devido a tiros de morteiro que atingiram o autocarro que as transportava. O Papa pediu: Por favor, que estas tragédias não voltem a acontecer, rezemos fortemente.

O Santo Padre recordou ainda as vítimas do tufão nas Filipinas. E afirmou serem estas as batalhas a combater: pela vida e nunca pela morte! (RS)

O caminho de fé e caridade traçado pelo Batismo

Angelus, domingo, 12 de janeiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco destacou necessidade de um “suplemento” de caridade e amor fraterno

No Angelus deste domingo, 12, Papa Francisco pediu a intercessão de Maria para que cada um possa seguir o caminho da fé e da caridade, um percurso traçado pelo Batismo. Trata-se de se deixar invadir pelo amor de Deus para ver “céus abertos”, uma invocação muito presente no tempo do Advento.

“Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuro, sem esperança. Em vez disso, celebrando o Natal, a fé mais uma vez nos deu a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus”, disse.

A partir do Evangelho do dia, Francisco afirmou que, com o nascimento de Jesus, os céus se abrem e Deus dá em Cristo a garantia de um amor indestrutível. E como o Verbo se fez carne, é possível ver os céus abertos. Cada um dos homens pode fazer isso se se deixar invadir pelo amor de Deus, que é doado pela primeira vez no Batismo.

O Papa lembrou ainda que, quando Jesus recebeu o Batismo, Deus fez ouvir a sua voz, que reconhecia Cristo como o Seu Filho, enviado para partilhar a condição humana. Isso porque partilhar é o verdadeiro modo de amar.

“Não parece que no nosso tempo nos seja necessário um suplemento de partilha fraterna e de amor? Não parece que todos temos necessidade de um suplemento de caridade?”, questionou o Papa, dizendo que não se trata de uma ajuda sem envolvimento, mas de uma caridade que partilha, que cuida do sofrimento do irmão.

“Peçamos à Virgem Santa para nos apoiar com a sua intercessão no nosso empenho de seguir Cristo no caminho da fé e da caridade, o caminho traçado pelo nosso Batismo”, concluiu.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é a festa do Batismo do Senhor. Nesta manhã, batizei 32 crianças. Agradeço convosco ao Senhor por estas novas criaturas e por cada vida nova. Eu gosto de batizar crianças. Eu gosto tanto! Cada criança que nasce é um dom de alegria e de esperança, e cada criança que é batizada é um prodígio da fé e uma festa para a família de Deus.

O Evangelho de hoje enfatiza que, quando Jesus recebeu o Batismo por João no Rio Jordão, “se abrem para ele os céus” (Mt 3, 16). Isto realiza as profecias. De fato, há uma invocação que a liturgia nos faz repetir no tempo do Advento: “Se rasgásseis os céus, se descêsseis” (Is 63, 19). Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuridão, sem esperança. Em vez disso, celebrando o Natal, a fé mais uma vez nos deu a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus. E no dia do batismo de Cristo ainda contemplamos os céus abertos. A manifestação do Filho de Deus sobre a terra marca o início do grande tempo da misericórdia, depois que o pecado tinha fechado os céus elevando uma barreira entre o ser humano e o seu Criador. Com o nascimento de Jesus, os céus se abrem! Deus nos dá em Cristo a garantia de um amor indestrutível. Uma vez que o Verbo se fez carne é possível ver os céus abertos. Foi possível para os pastores de Belém, para os Magos do Oriente, para o Batista, para os apóstolos de Jesus, para Santo Estêvão, o primeiro mártir, que exclamou: “Contemplo os céus abertos!” (At 7, 56). E é possível também para cada um de nós, se nos deixamos invadir pelo amor de Deus, que nos vem dado pela primeira vez no Batismo por meio do Espírito Santo. Deixemo-nos invadir pelo amor de Deus! Este é o grande tempo da misericórdia! Não se esqueçam disso: este é o grande tempo da misericórdia!

Quando Jesus recebeu o batismo de penitência de João o Batista, solidarizando com o povo penitente – Ele sem pecado e não necessitado de conversão – , Deus Pai fez ouvir a sua voz do céu: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (v. 17) Jesus recebe a aprovação do Pai celeste, que o enviou propriamente para aceitar partilhar a nossa condição, a nossa pobreza. Partilhar é o verdadeiro modo de amar. Jesus não se dissocia de nós, considera-nos irmãos e partilha conosco. E assim nos torna filhos, junto com Ele, de Deus Pai. Esta é a revelação e a fonte do verdadeiro amor. E este é o grande tempo da misericórdia!

Não parece que no nosso tempo nos seja necessário um suplemento de partilha fraterna e de amor? Não parece que todos temos necessidade de um suplemento de caridade? Não aquela que se contenta com a ajuda de improviso, que não envolve, não coloca em jogo, mas aquela caridade que partilha, que cuida da necessidade e do sofrimento do irmão. Que sabor conquista a vida quando se deixa inundar pelo amor de Deus!

Peçamos à Virgem Santa para nos apoiar com a sua intercessão no nosso empenho de seguir Cristo no caminho da fé e da caridade, o caminho traçado pelo nosso Batismo.

 

A fé é a herança mais bela, diz Papa na festa do Batismo do Senhor
Missa na Capela Sistina, domingo, 12 de janeiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Em breve homilia, Francisco destacou a necessidade de transmitir a fé às crianças
Na festa do Batismo do Senhor, Francisco batizou 32 crianças / Foto: Arquivo-Reprodução CTV

Na manhã deste domingo, 12, Papa Francisco celebrou a Missa na Capela Sistina, no Vaticano, na Festa do Batismo do Senhor. Na ocasião, em que batizou 32 crianças, o Santo Padre destacou a transmissão da fé, dizendo que esta é a mais bela herança que se pode deixar a uma criança.

Francisco lembrou que hoje os pais batizam seus filhos, mas daqui a alguns anos estes terão outra criança para batizar. Trata-se de uma sequência, em que os pais são transmissores da fé.

“Vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a mais bela herança que vocês deixarão para elas: a fé! Somente isto”.

O Santo Padre prosseguiu pedindo que os presentes levassem para casa hoje este pensamento acerca da necessidade de ser transmissor de fé e o modo de fazê-lo.

“E agora, com esta consciência de ser aqueles que transmitem a fé, continuemos a cerimônia do Batismo”, disse Francisco, que em seguida batizou as 32 crianças presentes.

 

HOMILIA

Jesus não tinha necessidade de ser batizado, mas os primeiros teólogos dizem que, com o seu corpo, com a sua divindade, no Batismo abençoou todas as águas, para que as águas tivessem o poder de dar o Batismo. E depois, antes de subir ao Céu, Jesus nos disse para ir a todo o mundo e batizar. E daquele dia até o dia de hoje, esta foi uma sequência ininterrupta: batizavam-se os filhos e os filhos depois aos filhos, aos filhos… E hoje também esta sequência prossegue. Estas crianças são o elo de uma sequência.

Vocês pais têm um menino ou uma menina para batizar, mas depois de alguns anos serão eles que terão uma criança para batizar ou um netinho… É assim a sequência da fé! O que quer dizer isto? Eu gostaria de dizer-vos somente isso: vocês são aqueles que transmitem a fé; vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a mais bela herança que vocês deixarão para elas: a fé! Somente isto. Hoje levem para casa este pensamento. Nós devemos ser aqueles que transmitem (transmissores) a fé. E pensem nisto. Pensem sempre como transmitir a fé às crianças.

Hoje canta o coro, mas o coro mais belo é este das crianças, que fazem barulho… Algumas choram, porque não estão confortáveis ou porque têm fome: se têm fome, mamães dêem a elas de comer! Tranquilas, hein! Porque elas são aqui as protagonistas. E agora, com esta consciência de ser aqueles que transmitem a fé, continuemos a cerimônia do Batismo.

O Batismo une para sempre o ser humano a Jesus

Domingo, 13 de janeiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Na Festa do Batismo do Senhor, o Papa Bento XVI administrou o sacramento do Batismo a 20 crianças

Neste domingo, 13, o Papa Bento XVI presidiu, na Capela Sistina, a Santa Missa na Festa do Batismo do Senhor. Na mesma ocasião, o Santo Padre administrou o sacramento do Batismo a 20 crianças, destacando que a partir desse momento elas renascem como filhos de Deus e ficam unidas profundamente e para sempre com Jesus.

Bento XVI lembrou que, tendo se tornado homem, Jesus iniciou o seu ministério público e foi ser batizado por João, um batismo de arrependimento e conversão. O Pontífice atentou para o fato de que Cristo não precisa de arrependimento e conversão, é sem pecado, mas coloca-se entre os pecadores para fazer-se batizar, mostrando a proximidade de Deus àqueles que precisam de misericórdia.

“… o Santo de Deus se une a quantos se reconhecem necessitados de perdão e pedem a Deus o dom da conversão, isso é, a graça de voltar-se a Ele com todo o coração, para ser totalmente seu. Jesus quer colocar-se do lado dos pecadores, fazendo-se solidário com esses, exprimindo a proximidade de Deus”.

Da mesma forma que aconteceu com o Batismo de Jesus, Bento XVI afirmou que também para as crianças que estavam prestes a ser batizadas o céu estava aberto e Deus as reconhecia como seus filhos. “Inseridos nesta relação e libertados do pecado original, esses se tornam membros vivos do único corpo que é a Igreja e são capazes de viver em plenitude a sua vocação à santidade, de forma que possam herdar a vida eterna, obtida a partir da ressurreição de Jesus”.

Esse gesto de levar seus filhos para serem batizados é, segundo o Papa, uma manifestação e testemunho da fé que os pais têm, da alegria de ser cristão e pertencer à Igreja. E tão importante quanto os pais são os padrinhos e madrinhas, a quem o Papa também deixou uma mensagem: “Saibam sempre oferecer a elas (as crianças) o vosso bom exemplo, através do exercício das virtudes cristãs”.

Por fim, Bento XVI explicou que a água com a qual as crianças são marcadas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo as imerge na “fonte” de vida que é o próprio Deus e as torna seus verdadeiros filhos. O Santo Padre também confiou as crianças à proteção de Maria. “… ela os proteja sempre com a sua materna presença e os acompanhe em cada momento das suas vidas”.

 

Homilia de Bento XVI: Festa do Batismo do Senhor – 13/01/2013  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

A alegria surgida na celebração do Santo Natal encontra hoje cumprimento na festa do Batismo do Senhor. A esta alegria vem acrescentado um outro motivo para nós que estamos aqui reunidos: no sacramento do Batismo que daqui a pouco administrarei a estes bebês se manifesta de fato a presença viva e operante do Espírito Santo que, enriquecendo a Igreja com novos filhos, a vivifica e a faz crescer, e com isso não podemos não nos alegrar. Desejo dirigir uma especial saudação a vós, queridos pais, padrinhos e madrinhas, que hoje testemunham a vossa fé solicitando o Batismo para estas crianças, para que sejam geradas à vida nova em Cristo e comecem a fazer parte da comunidade dos crentes.

A história evangélica do batismo de Jesus, que hoje ouvimos segundo a narração de São Lucas, mostra o caminho de redução e humildade que o Filho de Deus escolheu livremente para aderir ao desígnio do Pai, para ser obediente à sua vontade de amor para o homem em tudo, até o sacrifício na cruz. Tornado então homem, Jesus inicia o seu ministério público indo para o rio Jordão para receber de João um batismo de arrependimento e de conversão. Acontece aquilo que aos nossos olhos poderia parecer paradoxal. Jesus precisou de arrependimento e conversão? Certamente não. No entanto, propriamente Aquele que é sem pecado coloca-se entre os pecadores para fazer-se batizar, para cumprir este gesto de penitência; o Santo de Deus se une a quantos se reconhecem necessitados de perdão e pedem a Deus o dom da conversão, isso é, a graça de voltar-se a Ele com todo o coração, para ser totalmente seu. Jesus quer colocar-se do lado dos pecadores, fazendo-se solidário com esses, exprimindo a proximidade de Deus. Jesus se mostra solidário conosco, com o nosso esforço de nos convertermos, de deixar os nossos egoísmos, de separar-nos dos nossos pecados, para dizer-nos que se O aceitamos na nossa vida, Ele é capaz de levantar-nos e nos conduzir a Deus Pai. E esta solidariedade de Jesus não é, por assim dizer, um simples exercício da mente e da vontade. Jesus imergiu-se realmente na nossa condição humana, a viveu até o fim, exceto no pecado, e é capaz de entender a fraqueza e a fragilidade. Por isto Ele se move pela compaixão, escolhe “sofrer com os homens”, fazer-se penitente junto a nós. Esta é a obra de Deus que Jesus quer cumprir: a missão divina de curar quem está ferido e remediar quem está doente, tomar sobre si o pecado do mundo.

O que acontece no momento em que Jesus se deixa batizar por João? Diante deste ato de amor humilde da parte do Filho de Deus, se abrem os céus e se manifesta visivelmente o Espírito Santo sobre forma de pomba, enquanto uma voz do alto exprime a complacência do Pai, que reconhece o Filho unigênito, o Amado. Trata-se de uma verdadeira manifestação da Santíssima Trindade, que dá testemunho da divindade de Jesus, do seu ser o Messias prometido, Aquele que Deus mandou para libertar o seu povo, para que seja salvo (cfr Is 40,2). Realiza-se assim a profecia de Isaías que ouvimos na Primeira Leitura: o Senhor Deus vem com poder para destruir as obras do pecado e o seu braço exerce o domínio para desarmar o Maligno; mas tenhamos em mente que este braço estendido na cruz e que o poder de Cristo é o poder Daquele que sofre por nós: este é o poder de Deus, diferente do poder do mundo; assim vem Deus com poder para destruir o pecado. Realmente Jesus age como o bom Pastor que apascenta o rebanho e o reúne, para que não seja disperso (cfr Is 40,10-11), e oferece a sua própria vida para que tenha vida. É pela sua morte redentora que o homem é libertado do domínio do pecado e é reconciliado com o Pai; é pela sua ressurreição que o homem é salvo da morte eterna e é feito vitorioso sobre o mal.

Queridos irmãos e irmãs, o que acontece no Batismo que daqui a pouco administrarei às vossas crianças? Acontece propriamente isto: serão unidos de modo profundo e para sempre com Jesus, imersos no mistério deste seu poder, isto é, no mistério da sua morte, que é fonte de vida, para participar da sua ressurreição, para renascer a uma vida nova. Então o prodígio que hoje se repete também para as vossas crianças: recebendo o Batismo, esses renascem como filhos de Deus, participantes da relação filial que Jesus tem com o Pai, capaz de dirigir-se a Deus chamando-O com plena segurança e confiança: “Abbá, Pai”. Também sobre as vossas crianças o céu está aberto, e Deus diz: estes são os meus filhos, filhos da minha complacência. Inseridos nesta relação e libertados do pecado original, esses se tornam membros vivos do único corpo que é a Igreja e são capazes de viver em plenitude a sua vocação à santidade, de forma que possa herdar a vida eterna, obtida a partir da ressurreição de Jesus

Queridos pais, no solicitar o Batismo para os vossos filhos, vós manifestais e testemunhais a vossa fé, a alegria de ser cristãos e de pertencer à Igreja. É a alegria que vem da consciência de ter recebido um grande presente de Deus, a fé precisamente, um presente que nenhum de nós pôde merecer, mas que nos foi dado gratuitamente e ao qual respondemos com o nosso “sim”. É a alegria de reconhecer-nos filhos de Deus, de descobrir-nos confiados às suas mãos, de sentir-nos acolhidos em um abraço de amor, do mesmo modo que uma mãe apoia e abraça o seu filho. Esta alegria, que orienta o caminho de cada cristão, é baseada em um relacionamento pessoal com Jesus, um relacionamento que orienta toda a existência humana. É Ele de fato o sentido da nossa vida, Aquele sobre o qual vale a pena ter fixo o olhar, para ser iluminados pela sua Verdade e poder viver em plenitude. O caminho de fé que hoje começa para estas crianças se baseia por isso em uma certeza, sobre a experiência de que não há nada maior que conhecer Cristo e comunicar aos outros a amizade com Ele; somente nesta amizade revela-se verdadeiramente o grande potencial da condição humana e podemos experimentar isso que é belo e que liberta (crf Homilia na Santa Missa pelo início do pontificado, 24 de abril de 2005). Quem fez esta experiência não está disposto a renunciar à própria fé por nada neste mundo.

A vós, queridos padrinhos e madrinhas, a importante tarefa de apoiar e ajudar o trabalho educativo dos pais, estando ao lado deles na transmissão da verdade da fé e no testemunho dos valores do Evangelho, no fazer crescer estas crianças em uma amizade sempre mais profunda com o Senhor. Saibam sempre oferecer a elas o vosso bom exemplo, através do exercício das virtudes cristãs. Não é fácil manifestar abertamente e sem compromissos isso em que se crê, especialmente no contexto em que vivemos, diante de uma sociedade que considera sempre fora de moda e fora de tempo aqueles que vivem da fé em Jesus. Na esteira dessa mentalidade, pode estar também entre os cristãos o risco de entender o relacionamento com Jesus como limitante, como algo que mortifica a própria realização pessoal; “Deus é visto como o limite da nossa liberdade, um limite a eliminar a fim de que o homem possa ser totalmente ele mesmo” (A infância de Jesus, 101). Mas não é assim! Esta visão mostra não ter entendido nada do relacionamento com Deus, porque propriamente mão a mão que se procede no caminho da fé, se compreende como Jesus exerce sobre nós a ação libertante do amor de Deus, que nos faz sair do nosso egoísmo, de ser transformados em nós mesmos, para nos conduzir a uma vida plena, em comunhão com Deus e aberta aos outros. “ “Deus é amor; quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele” (1 Jo 4, 16). Estas palavras da Primeira Carta de João exprimem com singular clareza o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho” (Enc. Deus caritas est, 1).

A água com a qual estas crianças serão marcadas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo as imergirá naquela “fonte” de vida que é o próprio Deus e que as tornará seus verdadeiros filhos. E a semente das virtudes teologais, infundida por Deus, a fé, a esperança e a caridade, sementes que hoje são colocadas no coração delas pelo poder do Espírito Santo, deverão ser alimentadas sempre pela Palavra de Deus e pelos Sacramentos, de forma que estas virtudes do cristão possam crescer e atingir a plena maturidade, para fazer de cada uma delas um verdadeiro testemunho do Senhor. Enquanto invocamos sobre estes pequenos o derramamento do Espírito Santo, os confiamos à proteção da Virgem Santa; ela os proteja sempre com a sua materna presença e os acompanhe em cada momento das suas vidas. Amém.

O Batismo de Jesus

Papa dá orientações de como educar os filhos na Fé e na vida
Mirticeli Medeiros / Da Redação / Radio Vaticana

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste domingo, 08, na Capela Sistina, no Vaticano, a Missa da Solenidade do Batismo do Senhor, na qual foi administrado o Sacramento do Batismo a 16 crianças. Durante toda a homilia, o Santo Padre falou sobre a arte de educar, que segundo ele, acontece primordialmente através do testemunho dos pais e daqueles que são responsáveis pelas pessoas que lhes são confiadas. “Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos”, disse. Ainda falando sobre a educação passada de pais para filhos, o Pontífice ressaltou que as crianças devem ser conduzidas desde cedo a um relacionamento profundo com a verdade, para que, a partir disso, possam fazer suas escolhas definitivas. “O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulos, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal”, salientou. Entretanto, o Papa destacou que para que a educação aconteça de forma eficaz, é necessária a ação do Espírito Santo, com o qual, pais e responsáveis devem fazer uma forte experiência de fé. “A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes ou melhor que nós e sabe, perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles”, citou.

 

HOMILIA Santa Missa na Festa do Batismo do Senhor Capela Sistina
Vaticano Domingo, 08 de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs É sempre uma alegria celebrar esta Santa Missa com o Batismo das crianças. Vos saúdo com afeto, caros pais, padrinhos e madrinhas, e todos vocês familiares e amigos! Viestes – a dissestes em alta voz – para que os vossos bebês recebam o dom da graça de Deus, a semente de vida eterna. Vós pais quisestes isso. Pensastes no Batismo antes mesmo que o vosso filho ou a vossa filha viesse à luz. A vossa responsabilidade de pais cristãos vos fez pensar logo no Sacramento que marca o ingresso na vida divina, na Comunidade da Igreja. Podemos dizer que esta foi a vossa primeira escolha educativa como testemunhas da fé em relação aos vossos filhos: a escolha é fundamental. O objetivo dos pais, ajudados pelo padrinho e pela madrinha é o de educar o filho ou a filha. Educar é muito trabalhoso, às vezes é árduo para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas educar se torna uma maravilhosa missão se a cumprimos em colaboração com Deus, que é o primeiro e verdadeiro educador de todos os homens. Na primeira leitura que escutamos tirada do livro do profeta Isaías, Deus se volta para o seu povo exatamente como educador. Protege os israelitas para que estes não saciem a sede e fome em fontes erradas: “Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, o vosso salário com aquilo que não sacia?” (Is 55,2). Deus quer dar-nos, sobretudo Si mesmo e a sua Palavra: sabe que distanciando-nos dEle, nos encontraremos logo em dificuldade, como o filho pródigo da palavra, e sobretudo perderemos a nossa dignidade humana. E por isto, nos assegura que Ele é misericórdia infinita, que os seus pensamentos e as suas vias não são como as nossas – por sorte nossa! – e que podemos sempre retornar a Ele, à casa do Pai. Nos assegura que se acolhermos a sua Palavra, a mesma trará frutos bons para nossa vida, como a chuva que irriga a terra (Is 55, 10-11). A esta Palavra que o Senhor dirigiu mediante o profeta Isaias, nós respondemos com o refrão do Salmo: “Chegaremos com alegria às fontes de salvação”. Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos. Os adultos são os primeiros a alimentarem-se destas fontes, para poder guiar os mais jovens no crescimento deles. Os pais devem dar tanto, mas para poder dar têm a necessidade às vezes de receber, ao contrário, se esvaziarão, se secarão. Os pais não são a fonte, como também nós sacerdotes não somos a fontes: somos os canais, através dos quais deve passar a proteína vital do amor de Deus. Se nos distanciamos da fonte, nós mesmos por primeiro seremos atingidos negativamente e não teremos a capacidade de educar os outros. Por isto nos comprometemos dizendo: “Chegaremos com alegria às fontes da salvação”. E agora vamos para a segunda leitura e para o Evangelho. Os trechos nos dizem que a primeira e principal educação vem através do testemunho. O Evangelho nos fala de João o Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos porque os conduziu ao encontro com Jesus, ao qual rendeu testemunho. Não exaltou a si mesmo, não quis ter os discípulos ligados a si. João também era um grande profeta, a sua fama era muito grande. Quando Jesus chegou, ele se colocou atrás e indicou-o: “Depois de mim vem àquele que é mais forte que eu. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará no Espírito Santo” (Mc 1, 7-8). O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulo, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal. O educador cumpre o seu dever até o fim, não permite que falte a sua presença atenta e fiel, mas o seu objetivo é que o educando escute a voz da verdade falar ao seu coração e a siga em um caminho pessoal. Retornemos agora ao testemunho. Na segunda leitura, o apóstolo João escreve: “É o Espirito que dá testemunho” (I Jo 5,6). Se refere ao Espírito Santo, o Espírito de Deus, que rende testemunho a Jesus, atestando que é o Cristo, o Filho de Deus. Isso se vê também na cena do batismo no rio Jordão: o Espírito Santo desce sobre Jesus como uma pomba para revelar que Ele é o Filho Unigênito do eterno Pai (Mc 1,10). Também no seu Evangelho, João sublinha este aspecto, lá onde Jesus diz aos discípulos: “Quando vier o Paráclito, que eu vos mandarei do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim, e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26-27). Este é um grande conforto no empenho de educar à fé, porque sabemos que não estamos sós e que o nosso testemunho é sustentado pelo Espírito Santo. É muito importante para vós pais e também para os padrinhos e madrinhas, acreditar fortemente na presença e na ação do Espírito Santo, invocá-lo e acolhê-lo em vós, mediante a oração e os Sacramentos. É Ele, de fato, que ilumina a mente, inflama o coração do educador para que saiba transmitir o conhecimento e Amor de Jesus. A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes o melhor que nós, e sabe perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles. E, ao mesmo tempo, quando rezamos, nos colocamos em escuta das inspirações de Deus para fazer bem a nossa parte, que nos cabe e devemos realizar. Os Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, nos permitem de cumprir a ação educativa em união com Cristo, em comunhão com Ele e continuamente renovados pelo seu perdão. A oração e os Sacramentos nos obtém a luz da verdade, graças a qual podemos estar ao mesmo tempo serenos e fortes, usar a docilidade e a firmeza, calar e falar no momento certo, exortar e corrigir na maneira justa. Caros amigos, invoquemos juntos o Espírito Santo, a fim que desça em abundância sobre estas crianças, as consagre à imagem de Jesus Cristo e as acompanhe sempre no caminho da vida deles. As confiamos à direção materna de Maria Santíssima, para que cresçam em idade, sabedoria e graça e se tornem verdadeiros cristãos, testemunhas fiéis e alegres do amor de Deus. Amém.

 

BENTO XVI EXPLICA O SENTIDO DO BATISMO NA INFÂNCIA
Mirticeli Medeiros / Da Redação

Após a celebração da Missa na Solenidade do Batismo do Senhor, o Papa Bento XVI se dirigiu à sacada do Palácio Apostólico para rezar com os fiéis a tradicional oração mariana do Angelus. Durante o discurso que precedeu a oração, o Santo Padre fez um discurso no qual explicou o real sentido do Batismo, Sacramento que nos eleva à qualidade de Filhos de Deus. “O Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que nós mesmos não temos”, explicou. O Pontífice, que administrou o batismo a 16 crianças na Capela Sistina neste domingo, 08, aproveitou a celebração deste acontecimento para fazer uma breve catequese sobre a administração desse Sacramento, o qual acontece comumente na infância. “Precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede nosso fazer”, ressalto.

 

ANGELUS DE BENTO XVI – 08/01/2012
Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)
Queridos irmãos e irmãs Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel. Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos. Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneração para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que crêem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23).

Igreja é fiel se seu único tesouro é Jesus

Segunda-feira, 23 de novembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa falou sobre a “viuvez” da Igreja, que é fiel quando sabe esperar por seu esposo Jesus

A Igreja é fiel se o seu único tesouro e interesse é Jesus, mas é “morna” e medíocre se procura sua segurança nas coisas do mundo. Essa foi a reflexão central do Papa Francisco em Missa nesta segunda-feira, 23, na Casa Santa Marta.

No Evangelho, o relato da pobreza da viúva que depositou no tesouro do templo duas pequenas moedas enquanto os ricos ostentavam suas grandes ofertas. Para Jesus, foi a maior oferta de todas, pois ela deu o que tinha para viver, não o que estava sobrando.

Francisco explicou que essa viúva tinha a sua esperança somente no Senhor; ele acrescentou que gosta de ver nas viúvas retratadas no Evangelho a imagem da viuvez da Igreja que espera o retorno de Jesus.

“A Igreja é a esposa de Jesus, mas o seu Senhor foi embora e o seu único tesouro é o seu Senhor. A Igreja, quando é fiel, deixa tudo por causa da espera de seu Senhor. Quando a Igreja não é fiel ou não é muito fiel ou não tem muita fé no amor de seu Senhor procura se arranjar com outras coisas, com outras seguranças, mais do mundo que de Deus”, disse.

Segundo o Papa, as viúvas do Evangelho dão uma mensagem bonita de Jesus sobre a Igreja. Ele deu exemplos retomando algumas passagens bíblicas:

“Tem aquela sozinha, única, que saia de Nain, com o caixão de seu filho: chorava, sozinha. Sim, as pessoas tão boas, a acompanhavam, mas o seu coração estava só! A Igreja viúva que chora quando os seus filhos morrem à vida de Jesus. Tem aquela outra que, para defender os seus filhos, vai até o juiz iníquo: torna sua vida impossível, batendo à sua porta todos os dias, dizendo ‘faça-me justiça!’. No final, faz justiça. É a Igreja viúva que reza, intercede por seus filhos. Mas o coração da Igreja está sempre com seu Esposo, com Jesus. Está nas alturas. E também nossa alma – de acordo com os pais do deserto – se parece tanto à Igreja. E quando nossa alma, a nossa vida, está mais próxima de Jesus, se afasta de tantas coisas mundanas, coisas que não servem, que não ajudam e que afastam de Jesus. Assim é a nossa Igreja que procura o seu Esposo, espera o seu Esposo, espera aquele encontro, que chora por seus filhos, luta por seus filhos, dá tudo aquilo que tem porque seu único interesse é o seu Esposo”.

A ‘viuvez’ da Igreja, esclareceu o Papa, refere-se ao fato de que a Igreja está esperando Jesus: “pode ser uma Igreja fiel a esta espera, aguardando com confiança o retorno do marido, ou uma Igreja não fiel a esta ‘viuvez’, procurando seguranças em outras realidades: a Igreja morna, a Igreja medíocre, a Igreja mundana. Francisco convidou os fiéis a pensarem também se suas almas procuram segurança somente no Senhor ou procuram outras seguranças que o Senhor não gosta.

“Nestes últimos dias do Ano Litúrgico, fará bem nos perguntarmos sobre a nossa alma: se é como esta Igreja que Jesus quer, se a nossa alma volta-se ao seu esposo e diz: ‘Vinde, Senhor Jesus! Vinde!’. E que deixamos de lado todas as coisas que não servem, que não são de ajuda à fidelidade”.

Não são os magos que nos salvam…

… nem os tarôs ou nós mesmos, somente Jesus salva
05/04/2013   

Cidade do Vaticano  – Somente no nome de Jesus há salvação: foi o que disse o Papa na manhã desta sexta-feira na breve homilia da missa presidida na capelinha da Casa Santa Marta, no Vaticano. Participaram da celebração alguns sediários pontifícios e um grupo de funcionários da Farmácia vaticana.

Comentando as leituras desta Sexta-feira da Oitava de Páscoa, o Santo Padre recordou com São Pedro que somente no nome de Jesus somos salvos: “Em nenhum outro há salvação”.

Pedro, que havia renegado Jesus, agora com coragem, na prisão, dá o seu testemunho diante dos chefes judeus, explicando que é graças à invocação do nome de Jesus que um paralítico é curado. É “aquele nome que nos salva”. Pedro não pronuncia aquele nome sozinho, mas “repleto do Espírito Santo”.

De fato – explicou Francisco –, “nós não podemos confessar Jesus, não podemos falar sobre Jesus, não podemos dizer algo sobre Jesus sem o Espírito Santo. É o Espírito que nos impele a confessar Jesus ou a falar sobre Jesus ou a ter confiança em Jesus. Jesus que está no nosso caminho da vida, sempre”.

Francisco contou um fato: “na Cúria de Buenos Aires trabalha um homem humilde, trabalha há 30 anos; pai de oito filhos. Antes de sair, antes de fazer as coisas, sempre diz: ‘Jesus!’ E eu, uma vez, perguntei-lhe: ‘Por que você sempre diz ‘Jesus’?’ Quando eu digo ‘Jesus’ – disse-me este homem humilde – me sinto forte, sinto poder trabalhar, e sei que Ele está a meu lado, que Ele me protege'”.

“Este homem – observou – não estudou Teologia, tem somente a graça do Batismo e a força do Espírito. E esse testemunho – afirmou o Papa Francisco – me fez um grande bem”: porque nos recorda que “neste mundo que nos oferece tantos salvadores” somente o nome de Jesus salva.

Para resolver seus problemas, muitos recorrem aos magos ou aos tarôs – ressaltou. Mas somente Jesus salva “e devemos dar testemunho disso! Ele é o único”.

Por fim, fez um convite a ter Maria como companheira: “Nossa Senhora nos conduz sempre a Jesus”, como fez em Caná quando disse: “Fazei aquilo que Ele vos disser!” Assim, confiemo-nos ao nome de Jesus, invoquemos o nome de Jesus, deixando que o Espírito Santo nos impulsione “a fazer esta oração confiante no nome de Jesus – concluiu Francisco – … nos fará bem!”.

Fonte: Rádio Vaticano  

O Mistério quer falar

Por uma liturgia mais silenciosa
Frei José Ariovaldo da Silva e Pe. Carlos Gustavo Haas

Temos o imenso prazer de trazer aqui um texto esplêndido do teólogo e escritor dominicano Frei Betto, publicado no Boletim on line ADITAL, que pode (direta ou indiretamente) questionar também nossas ruidosas celebrações litúrgicas. Se Liturgia é celebração do Mistério profundo que nos pervade de amor sem medida, não seria o caso de pensar uma maneira mais silenciosa de celebrá-la? Escreve Frei Betto:

“Há demasiados ruídos à nossa volta. O coração sobressalta, os nervos afloram, a mente atordoa-se. É o televisor ligado quase o tempo todo, o fluxo incessante de imagens sugando-nos num carrossel de flashes. O rádio em monólogo inclemente, a música rítmica desprovida de melodia, o som alojado nos orifícios auditivos, o telefone trinando supostas urgências, o celular a invadir todos os espaços, suas musiquetas de chamada destoando em teatros, cinemas, templos, cerimônias e eventos, seus usuários nele dependurados pelas orelhas, publicitando em voz alta conversas privadas. De todos os lados sobem ruídos: da construção civil vizinha, do latido dos cães, dos carros na rua e das aeronaves que cortam o espaço, das motos estridentes, do anunciante desaforado em seu carro de som, do apito fabril disciplinando horários.

Tantos ruídos causam tamanho prejuízo à saúde humana que o Exército americano criou, em sua sanha assassina, um arsenal de “projéteis sonoros”, capazes de produzir som de 140 decibéis. Bastam 45 para impedir o sono. O rumor do tráfego na esquina de uma avenida central atinge 70 decibéis. Aos 85 produz-se uma lesão auditiva. Elevado para 120, o som provoca dor aguda nos ouvidos. Imagine-se, pois, o que significa essa tecnologia de tortura a 140 decibéis! Nosso silêncio não é quebrado apenas por ruídos auditivos. Agridem-nos também os visuais. Assim como o silêncio da zona rural ou de uma igreja nos impregna de paz, levei um choque ao visitar, anos atrás, Praga antes da queda do Muro de Berlim. Não havia outdoors. A cidade não se escondia atrás de anúncios. A poluição visual era zero, permitindo contemplar a beleza barroca da terra de Kafka.

Nas cidades brasileiras, subjugadas pelo império do mercado, somos vorazmente engolidos pela proliferação de propagandas, exceto a capital paulista, agora em fase de despoluição visual por iniciativa da prefeitura. Sem silêncio, ficamos vulneráveis, expostos à voracidade do mercado, a subjetividade esgarçada, a epiderme eriçada em potencial violência. Contra esse estado de coisas, o professor Stuart Sim, da Universidade de Sunderland, na Inglaterra, acaba de lançar Manifesto pelo silêncio, contra a poluição do ruído. O autor enfatiza que a cacofonia de sons que nos envolve ameaça a saúde, provoca agressividade, hipertensão, estresse, problemas cardíacos.

Todos os grandes bens infinitos da humanidade – arte, literatura, música, filosofia, tradições religiosas – exigiram, como matéria-prima, o silêncio. Sem ele perdemos a nossa capacidade de raciocinar, ouvir a voz interior, aprofundar a vida espiritual, amar além do jogo erótico meramente epidérmico. Quando um casal de noivos me procura, interessado em preparar-se para o matrimônio, costumo indagar se os dois são capazes de ficar juntos uma hora, em silêncio, sem que um se sinta incomodado. Caso contrário, duvido que estejam em condições de uma saudável vida a dois, pois o respeito ao silêncio do outro é um dos atributos da confiança amorosa.

Assisti ao filme O grande silêncio, do diretor alemão P. Gröning, que nos convida a penetrar a vida de uma comunidade cartuxa nos Alpes franceses. Nenhuma palavra no decorrer de três horas de filme, exceto o canto gregoriano das liturgias monásticas e o bater do sino. Um convite à mais desafiadora viagem: ao mais profundo de si mesmo. Quem ousa, sabe que lá se desdobra um Outro que, por sua vez, espelha nossa verdadeira identidade. Viagem que tem como veículo privilegiado a meditação.

Na fase inicial, é tão árduo quanto escalar montanha para quem não está acostumado ao alpinismo. Porém, em certo momento, é como se u’a mão invisível nos elevasse, tornando a subida suave e agradável. Só então se descobre que, no imponderável do Mistério, não se sobe, se desce, mergulha-se em si mesmo para vir à tona, do outro lado de nosso ser, naquele Outro silenciosamente presente em nossas vidas e na tecitura do Universo. Aqui a palavra se cala e o silêncio se faz epifania”.

Obrigado, Frei Betto.

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos:

1. Nas celebrações litúrgicas de sua comunidade, até que ponto há espaço para o Mistério falar e se manifestar?
2. Há ruídos (sonoros e visuais) que abafam a “fala” da silenciosa presença do Mistério? Quais são e como são?
3. O que fazer para que nossas celebrações litúrgicas sejam mais “saudáveis” do ponto de vista sonoro e visual?

A Adoração dos Magos

– A alegria de encontrar Jesus. Adoração na Sagrada Eucaristia.
– Os dons dos Magos. As nossas oferendas.
– Manifestação do Senhor a todos os homens. Apostolado.

I. EIS QUE VEIO o Senhor dos senhores; em suas mãos estão o reino, o poder e a glória1.
A Igreja celebra hoje a manifestação de Jesus ao mundo inteiro. Epifania significa “manifestação”; e os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus. Os reis de Társis e das ilhas trar-lhe-ão presentes. Os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão os seus dons. Todos os reis o hão de adorar, hão de servi-lo todas as nações2.
Ao saírem os Magos de Jerusalém, a estrela que tinham visto no Oriente precedia-os, até que se deteve em cima do lugar onde estava o menino. Ao verem a estrela, eles sentiram uma imensa alegria3.
Não se admiram de terem sido conduzidos a uma aldeia, nem de a estrela se ter detido diante de uma casinha simples. Vêm de tão longe para ver um rei, e são conduzidos a uma casa pequena de uma aldeia! Quantos ensinamentos para nós!
Corremos talvez o perigo de não perceber completamente até que ponto o Senhor está perto das nossas vidas, “porque Deus se apresenta a nós sob a insignificante aparência de um pedaço de pão, porque não se revela na sua glória, porque não se impõe irresistivelmente, porque, enfim, desliza sobre a nossa vida como uma sombra, ao invés de fazer retumbar o seu poder sobre as coisas… Quantas almas oprimidas pela dúvida, porque Deus não se mostra como elas esperam!…”4
Muitos dos habitantes de Belém viram em Jesus uma criança semelhante às outras. Os Magos souberam ver nela o Menino-Deus, a quem, desde então, todos os séculos adoram. E a sua fé valeu-lhes um privilégio singular: serem os primeiros entre os gentios a adorá-lo, quando o mundo ainda o desconhecia. Como deve ter sido grande a alegria destes homens, vindos de tão longe, por terem podido contemplar o Messias pouco tempo depois de ter chegado ao mundo! Devemos estar atentos, porque o Senhor também se nos manifesta nas coisas habituais de cada dia. Saibamos recuperar essa luz interior que permite quebrar a monotonia dos dias iguais e encontrar Jesus na nossa vida normal.
E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram5. “Nós também nos ajoelhamos diante de Jesus, do Deus escondido na humanidade: repetimos-lhe que não queremos dar as costas à sua chamada divina, que não nos afastaremos Dele; que tiraremos do nosso caminho tudo o que for obstáculo à fidelidade; que desejamos sinceramente ser dóceis às suas inspirações”6.
Adoraram-no. Sabem que é o Messias, Deus feito homem. O Concílio de Trento cita expressamente esta passagem da adoração dos Magos ao tratar do culto que se deve a Cristo na Eucaristia. Jesus presente no Sacrário é o mesmo que estes homens sábios encontraram nos braços de Maria. Talvez devamos ver como o adoramos quando está exposto no ostensório ou escondido no Sacrário, com que devoção nos ajoelhamos durante a Santa Missa nos momentos indicados, ou sempre que passamos por lugares onde está reservado o Santíssimo Sacramento.

II. OS MAGOS, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra7: os dons mais preciosos do Oriente; o melhor para Deus.
Oferecem-lhe ouro, símbolo da realeza. Nós, como cristãos, queremos também oferecer-lhe, em sinal de submissão, “o ouro fino do espírito de desprendimento do dinheiro e dos meios materiais. Não esqueçamos que são coisas boas, que procedem de Deus. Mas o Senhor dispôs que as utilizássemos sem nelas deixar o coração, fazendo-as render em proveito da humanidade”8.
Com os Magos, oferecemos-lhe incenso, o perfume que era queimado todas as tardes no altar como símbolo da esperança posta no Messias. São incenso “os desejos – que sobem até o Senhor – de levar uma vida nobre, da qual se desprenda o bonus odor Christi (2Cor 2, 15), o perfume de Cristo […]. O bom perfume do incenso é o resultado de uma brasa que queima sem espetáculo uma grande quantidade de grãos. O bonus odor Christi faz-se sentir entre os homens, não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes: a justiça, a lealdade, a fidelidade, a compreensão, a generosidade, a alegria”9.
E, com os Reis Magos, oferecemos também mirra, porque Deus encarnado tomará sobre si as nossas enfermidades e carregará as nossas dores. A mirra é “o sacrifício que não deve faltar na vida cristã. A mirra traz-nos à lembrança a paixão do Senhor: na Cruz, dão-lhe a beber mirra misturada com vinho (cfr. Mc 15, 23), e com mirra ungiram o seu corpo para a sepultura (cfr. Jo 19, 39). Mas não pensemos que a reflexão sobre a necessidade do sacrifício e da mortificação significa introduzir uma nota de tristeza na festa alegre que hoje celebramos. Mortificação não é pessimismo nem espírito acre”10; muito pelo contrário, está intimamente relacionada com a alegria, com a caridade, com a preocupação de tornar agradável a vida aos outros.
Via de regra, “não consistirá em grandes renúncias, que aliás não são freqüentes. Há de compor-se de pequenas vitórias: sorrir para quem nos aborrece, negar ao corpo o capricho de uns bens supérfluos, acostumar-se a escutar os outros, fazer render o tempo que Deus põe à nossa disposição… E tantos outros detalhes, aparentemente insignificantes – contrariedades, dificuldades, dissabores – que surgem ao longo do dia sem que os procuremos”11.
Podemos fazer diariamente a nossa oferenda ao Senhor, porque diariamente podemos ter um encontro com Ele na Santa Missa e na Comunhão: podemos colocar na patena do sacerdote a nossa oblação, feita de coisas pequenas que Jesus aceitará. Se o fizermos com reta intenção, essas pequenas coisas que oferecermos ganharão muito mais valor que o ouro, o incenso e a mirra, porque se unirão ao sacrifício de Cristo, Filho de Deus, que se oferece a si próprio12.

III. COM A FESTA DE HOJE, a Igreja proclama a manifestação de Jesus a todos os homens, de todos os tempos, sem distinção de raça ou nação. Ele “instituiu a nova aliança no seu sangue, convocando entre os judeus e os gentios um povo que se congregará na unidade… e constituirá o novo Povo de Deus”13. Nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se põem a caminho para adorar o Senhor. Passaram vinte séculos desde aquela primeira adoração, e esse longo desfile do mundo gentio continua chegando a Cristo.
A festa da Epifania incita todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo”14. Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de uma chamada de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em conseqüência do trato diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de fazer com que muitos indecisos ou ignorantes se aproximem do Senhor e purifiquem a sua vida.
A Epifania é a festa da fé e do apostolado da fé. “Participam desta festa tanto os que já chegaram à fé como os que se põem a caminho para alcançá-la […]. Participa desta festa a Igreja, que cada ano se torna mais consciente da amplitude da sua missão. A quantos homens é necessário levar ainda a fé! Quantos homens é preciso reconquistar para a fé que perderam, numa tarefa que é às vezes mais difícil do que a primeira conversão! No entanto, a Igreja, consciente desse grande dom, o dom da Encarnação de Deus, não pode deter-se, não pode parar nunca. Deve procurar continuamente o acesso a Belém para todos os homens e para todas as épocas. A Epifania é a festa do desafio de Deus”15.
A Epifania recorda-nos que devemos esforçar-nos por todos os meios ao nosso alcance para que os nossos amigos, familiares e colegas se aproximem de Jesus: para uns, será fazer com que leiam um livro de boa doutrina; para outros, dizer-lhes ao ouvido umas palavras vibrantes a fim de que se decidam a pôr-se a caminho; para outros, enfim, falar-lhes da necessidade de uma formação espiritual.
Ao terminarmos hoje a nossa oração, não pedimos a estes santos Reis que nos dêem ouro, incenso e mirra; parece mais lógico que lhes peçamos que nos ensinem o caminho que leva a Cristo, a fim de que cada dia lhe levemos o nosso ouro, incenso e mirra. Peçamos também “à Mãe de Deus, que é nossa Mãe, que nos prepare o caminho que conduz à plenitude do amor: Cor Mariae dulcissimum, iter para tutum! Seu doce coração conhece o caminho mais seguro para encontrarmos o Senhor. Os Reis Magos tiveram uma estrela; nós temos Maria, Stella maris, Stella Orientis”16.

(1) Antífona de entrada da Missa do dia 6 de janeiro; (2) Sl 71; Salmo responsorial da Missa do dia 6 de janeiro; (3) Mt 2, 10; (4) Jacques Leclercq, Seguindo o ano litúrgico, pág. 100; (5) Mt 2, 11; (6) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35; (7) Mt 2, 11; (8) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35; (9)ibid., n. 36; (10) ibid., n. 37; (11) ibid.; (12) cfr. Oração sobre as oferendas da Missa do dia 6 de janeiro; (13) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 9; (14) ibid., 17; (15) João Paulo II, Homilia, 6-I-1979; (16) São Josemaría Escrivá,É Cristo que passa, n. 38.

 

EPIFANIA
Por Mons. Inácio José Schuster

Celebramos hoje no Brasil a solenidade da Epifania, isto é, a manifestação de Jesus.
Como são simpáticas estas figuras que o Evangelista Mateus, chama Magos. A tradição posterior se encarregou de enriquecê-los. Seriam três Reis, e até mesmo nomes lhes foram outorgados.
Teriam vindo da Pérsia, eram astrólogos, examinavam os astros, procuravam ler o futuro da história e dos homens nos astros, ou quem sabe, através do exame das vísceras de animais, uma prática supersticiosa, que a bem da verdade o Antigo Testamento sempre condenou.
Mas o Evangelista não nos apresenta estas figuras de maneira antipática, eles são extremamente simpáticos, se não vejamos, eles são capazes de perscrutar os céus, olham para os céus.
Enquanto nós teimarmos em não olhar para os céus, enquanto nós apenas olharmos para nossos talões de cheque, para os nossos cartões de crédito, para a terra que produz as nossas frutas, enquanto nós olharmos apenas para o dinheiro que possuímos no banco, ou então para as riquezas deste mundo e os bens de consumo, nós não encontraremos os sinais de Deus.
Estes olharam para os céus, e lá descobriram sinais que podiam conduzi-los ao Rei dos Judeus.
Bateram as portas do rei da Judéia ou da Palestina, Herodes. Quem melhor do que ele, não podia estar avisado a respeito do surgimento do Rei dos Judeus, mas Herodes não estava interessado em concorrentes, ele que havia mandado matar sua mulher e três filhos e a sogra.
Reuniu o alto-clero, que embora tendo apontado a profecias de Miquéias, não se dignou ir com estes Magos até Belém.
Foram perseverantes no encontro de Deus, e se encontraram com o Menino Jesus, se encontraram com Deus. Eles são uma lição para todos nós que começamos 2012.
Epifania é a festa da manifestação Jesus. Está pronto a se manifestar a todos os homens, esta é a festa missionária por excelência a todos os homens e mulheres deste mundo, quaisquer que sejam suas condições sociais, com uma condição: que eles se ponham a caminho como os Magos, que eles também olhem e perscrutem os Céus de Deus como os Magos.
Que eles perguntem e indaguem como os Magos, que eles não sejam preguiçosos nas coisas de Deus, como não foram os Magos, que hoje veneramos nesta solenidade tão alegre e tão significativa de nosso Natal.

 

EPIFANIA: A MANIFESTAÇÃO DE JESUS AOS HOMENS

Epifania significa “manifestação”. Jesus se dá a conhecer. Embora Jesus tenha aparecido em diferentes momentos a diferentes pessoas, a Igreja celebra como Epifanias três eventos:
A festa da Epifania tem sua origem na Igreja do Oriente. Diferentemente da Europa, no dia 6 de janeiro tanto no Egito como na Arábia se celebra o solstício, festejando o sol vitorioso com evocações míticas muito antigas. Epifanio explica que os pagãos celebravam o solstício invernal e o aumento da luz aos treze dias desta mudança; nos diz também que os pagãos faziam uma festa significativa e suntuosa no templo de Coré. Cosme de Jerusalém conta que os pagãos celebravam uma festa muito antes dos cristãos com ritos  noturnos nos quais gritavam: “a virgem deu à luz, a luz cresce”.
Entre os anos 120 e 140 dC os gnósticos trataram de cristianizar estes festejos celebrando o batismo de Jesus. Seguindo a crença gnóstica, os cristãos de Basílides celebravam a Encarnação do Verbo na humanidade de Jesus quando foi batizado. Epifanio trata de dar-lhes um sentido cristão ao dizer que Cristo demonstra assim ser a verdadeira luz e os cristãos celebram seu nascimento.
Até o século IV a Igreja começou a celebrar neste dia a Epifania do Senhor. Assim como a festa de Natal no ocidente, a Epifania nasce contemporaneamente no Oriente como resposta da Igreja à celebração solar pagã que tentam substituir. Assim se explica que a Epifania no oriente se chama: Hagia phota, quer dizer, a santa luz.
Esta festa nascida no Oriente já era celebrada na Gália a meados do séc. IV onde se encontram vestígios de ter sido uma grande festa para o ano 361 dC. A celebração desta festa é um pouco posterior à do Natal.

Os Reis Magos
Enquanto no Oriente a Epifania é a festa da Encarnação, no Ocidente se celebra com esta festa a revelação de Jesus ao mundo pagão, a verdadeira Epifania. A celebração gira em torno à adoração à qual foi sujeito o Menino Jesus por parte dos três Reis Magos (Mt 2, 1-12) como símbolo do reconhecimento do mundo pagão de que Cristo é o salvador de toda a humanidade.
De acordo com a tradição da Igreja do século I, estes magos são como homens poderosos e sábios, possivelmente reis de nações ao leste do Mediterrâneo, homens que por sua cultura e espiritualidade cultivavam seu conhecimento do homem e da natureza esforçando-se especialmente para manter um contato com Deus. Da  passagem bíblica sabemos que são magos, que vieram do Oriente e que como presente trouxeram incenso, ouro e mirra; da tradição dos primeiros séculos nos diz que foram três reis sábios: Belchior, Gaspar e Baltazar. Até o ano de 474 d.C seus restos estiveram na Constantinopla, a capital cristã mais importante no Oriente; em seguida foram trasladados para a catedral de Milão (Itália) e em 1164 foram trasladados para  a cidade de Colônia (Alemanha), onde permanecem até nossos dias.
Trazer presentes às crianças no dia 6 de janeiro corresponde à comemoração da generosidade que estes magos tiveram ao adorar o Menino Jesus e trazer-lhe presentes levando em conta que “o que fizerdes a cada um destes pequenos, a mim o fazeis” (Mt 25, 40); às crianças fazendo-lhes viver formosa e delicadamente a fantasia do acontecimento e aos adultos como mostra de amor e fé a Cristo recém nascido.

Fonte: ACI

Solenidade da Epifania: necessidade de proteger a fé

Missa no Vaticano, segunda-feira, 6 de janeiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação 

Refletindo sobre o exemplo dos magos do Oriente, Papa disse ser preciso ter astúcia espiritual e proteger a fé

Nesta segunda-feira, 6, Papa Francisco presidiu a Missa na Basília de São Pedro, celebrando a Solenidade da Epifania (no Brasil, celebrada ontem). Na homilia, ele destacou a necessidade de seguir a luz de Cristo e proteger sempre a fé.

O Santo Padre concentrou-se no exemplo dos magos do Oriente, que seguiram a luz da estrela para chegar até Cristo quando Ele nasceu. Nesse percurso, conforme explicou o Papa, os magos simbolizam o destino de cada um.

Nesse sentido, Francisco retratou os magos do Oriente como sábios companheiros de caminho, pois deixam grandes ensinamentos ao homem. “Seu exemplo nos ajuda a olhar para a estrela e seguir os grandes desejos do nosso coração. Ensinam-nos a não nos contentarmos com uma vida medíocre, mas a deixarmo-nos atrair sempre pelo que é bom, verdadeiro, belo, por Deus, que é tudo isso de modo cada vez maior”.

Outro ensinamento dos magos do Oriente, ressaltado por Francisco, é não se deixar enganar pela aparência. Ele lembrou que, por um momento, os magos perderam a vista da estrela, pois esta estava ausente no palácio do rei Herodes, onde reinava a escuridão. Mas eles usaram uma “santa astúcia” para reconhecer e evitar o perigo.

“Os magos souberam superar o momento de escuridão junto a Herodes, porque acreditavam nas Escrituras, nas palavras do profeta, que indicavam em Belém o lugar do nascimento do Messias”.

E para não se deixar enganar pelas aparências, Francisco destacou a necessidade de estar atento, vigiar e escutar Deus que fala ao ser humano.  Segundo ele, é preciso ir além da escuridão, além da mundanidade e proteger a graça que é a fé com oração, amor e caridade.

“No exemplo dos magos, com a nossa pequena luz, procuremos a luz e protejamos a fé. Assim seja”.

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