Pensamentos Seletos

A esperança do Oriente

Olha para o Cristo, vai ao Seu encontro!

Na segunda leitura (Fl 1,4-6.8-11) da Liturgia da Palavra do II Domingo do Advento, por duas vezes São Paulo refere-se ao Dia de Cristo: “Aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até ao Dia de Cristo”; “que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. Assim ficareis puros e sem defeito para o Dia de Cristo”. Para este Dia de Cristo, estamos nos preparando no santo Tempo do Advento.

Dia de Cristo é o Natal; Dia de Cristo é o “todo-dia”, quando sabemos reconhecer suas visitas; Dia de Cristo será a sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Quem celebra piedosamente o Dia de Cristo no Natal e é atento pela vigilância ao Dia de Cristo de “todo-dia”, estará pronto na perfeição do amor, estará puro e sem defeito para o Dia de Cristo no final dos tempos!

É certo que não poderemos fugir do Cristo Jesus: diante dele todos nós estaremos um dia porque através dele e para ele fomos criados e somente nele nossa existência chegará à sua plenitude. A liturgia ilustra ainda de modo comovente a situação da humanidade e também a situação da Igreja, pequeno resto peregrino e acabrunhado sobre esta terra: trata-se de uma humanidade sofrida, de uma Igreja em exílio, mas que será consolada pelo Senhor. Recordemos a palavra de Baruc (Br 5,1-9) profeta “Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus!” Que belo convite, que sonho, que felicidade!

Pensemos na nossa vida, pensemos nas ânsias da Mãe Igreja, e alegremo-nos com o consolo que Deus nos promete! “Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu!” Vede, o nosso Deus como é: um Deus que promete, um Deus que abre a estrada da esperança, um Deus que consola, um Deus que nos prepara um futuro de bênção, de paz e de vida! Mas, quando será esta paz, de onde virá? Escutai, caríssimos: “Levanta-te, Jerusalém – levanta-te, irmão; levanta-te, irmã! Levanta-te, Mãe católica! – põe-te no alto e olha para o Oriente!” O Oriente, é o lugar da luz, o lado no qual o sol nasce e o dia começa; o Oriente é o próprio Cristo Jesus! Olhar para o Oriente é esperar o Dia de Cristo, o Dia sem fim, a Luz que não tem ocaso!

Quem caminha sem olhar o Oriente, caminha sem saber para onde vai; quem avança noutra direção, não caminha para a luz, mas vai ao encontro das trevas: “des-orienta-se”! “Levanta-te, põe-te no alto e olha para o Oriente!” Olha para o Cristo, vai ao seu encontro! Então, tu verás a salvação de Deus; tu experimentarás que o Senhor não é Deus de longe, mas de perto; tu experimentarás o quanto o Senhor é capaz de consolar o que chorava, de acalmar o que estava aflito, de reconduzir o transviado: “Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel sua Igreja santa, seu povo eleito, caminhe com segurança sob a glória de Deus!”

Vede, é de paz que o Senhor nos fala, é a salvação que nos promete! Se agora lançarmos as sementes da vida entre lágrimas, haveremos de colher com alegria; se agora muitas vezes na tristeza formos espalhando as sementes, um dia, no Dia de Cristo, nosso Oriente bendito, com alegria voltaremos carregados com os frutos em feixes! As promessas do Senhor, fazem-nos compreender que nossa vida tem sentido, que tudo quanto nos acontece pode e deve ser vivido à luz de Deus! Uma das grandes misérias do nosso tempo é a solidão humana. Não se trata de uma solidão qualquer, mas de uma sensação mortal de viver a vida diante de ninguém, de caminhar a lugar nenhum, de gastar energia e sonho para produzir vazio… Mas, quando voltamos o rosto para o Oriente, quando nos deixamos banhar por sua luz que, como uma aurora bendita já começa a difundir seus raios, então tudo se enche de paz e de alegria, porque tudo ganha um novo sentido!

Portanto, no Senhor, pensai na vossa vida concreta, nas vossas semanas e dias feitos de experiências bem reais e miúdas… Pois bem, Deus, em Cristo, visita a nossa vida! São Lucas (Lucas 3,1-6)) ao narrar o aparecimento de João Batista, o precursor do Messias, começa mostrando como a palavra do Senhor, como a sua salvação nos atinge e nos encontra bem no concreto de nossa vida, no nosso aqui e no nosso agora.

A salvação não é um mito, a vinda do Senhor até nós não é uma estória de trancoso… Escutai como é concreta a sua vinda, como tem uma história e uma geografia: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias, a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumo sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.” Vede, irmãos, e compreendei: a Palavra de Deus vem nós num “quando” e num “onde”.

O “quando” é hoje, agora, neste período da nossa vida; o “onde” é aí onde você vive: na sua casa, no seu trabalho, nas suas relações, nos seus conflitos! É neste agora e neste aqui, neste “quando” e neste “onde” que Deus vem ao nosso encontro em Cristo Jesus! E o que devemos fazer para acolhê-lo? Como devemos proceder para que não venha na os em vão? Como agir para que a sua luz nos possa iluminar? Escutai ainda o Evangelho: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E toda carne verá a salvação de Deus”.

Vê, é de ti que o Senhor fala; é à tua vida que ele se refere: queres ver a luz do Oriente? Queres dirigir-te para o Dia eterno? Queres realmente estar pronto para o Dia de Cristo no Natal, no “todo-dia” e no Último Dia? Então, endireita agora teus caminhos, abaixa as montanhas da soberba e do orgulho, aterá os vales do medo, da covardia e do vão temor, e endireita as tortuosas estradas de teus vícios e de teus pecados! Aí sim, tu e toda carne verão a salvação de Deus: na celebração do Natal vamos vê-la reclinada num pobre presépio, no “todo-dia” vamos experimentá-la de tantos modos e em tantos momentos e, no Último Dia, Dia de Cristo, iremos vê-la face a face como eterna delícia, alegria sem fim e vida imperecível!

Vamos, irmãos, caminhemos com fé ao encontro do Senhor! E para que o nosso caminho não seja sem rumo e em vão, endireitemos desde agora as estradas de nossa vida! Levantemo-nos, ponhamo-nos no alto da virtude e vejamos: vem a nós a alegria do nosso Deus! A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

O mundo não precisa de palavras, mas sim de testemunhas

Papa Beato Paulo VI

22 de outubro de 2010, Posted by Pe. Mateus Maria

Caros irmãos, posto uma pregação muito bela, embora que não saiba a origem, mas serve para cada um de nós, é sobre o martírio, o testemunho, a vivência cristã, e abaixo posto um belo texto que traduzi do italiano – um pronunciamento do Papa Beato Paulo VI.
O Grande Papa Beato Paulo VI, um verdadeiro combatente de Deus, terminou a sua vida dizendo: “Combati o bom combate, guardei a fé, amei a Igreja e os Irmãos, e agora estou indo ao encontro, do meu Senhor!”.
Papa Montini, ainda quando era cardeal, pronunciadas em 26/6/1955 e 26/9/1958, aos sacerdotes, mas servem de meta para cada cristão:
“O nosso povo quer um padre, que seja padre, exemplo de dedicação e sacrifício, de desinteresse e de coragem, um exemplo de generosidade, um homem livre e sem medos, sendo para todos um pai e um servo para cada necessitado, de modo que não seja preso em suas ações, em seus pensamentos, mas perseverante no seu caráter sacro. Mas lembremos que não é por causa disso, de nossa bondade, que encontraremos favores e acolhida, e por isto, vos recordo neste momento de grandeza espiritual: “Ecce Ego mitto vos, sicut oves in médio luporum” (Mt 10, 16).
Sim, irmãos, A Igreja, Nosso Senhor vos envia fracos, em meio aos fortes, desarmados, entre os armados, vos envia como arautos do amor, em um campo de ódio e morte, vos envia como profetas do espírito em um mundo, em um mercado da matéria, vos envia como anunciadores do futuro prometido, com a riqueza de uma tradição, em um mundo sem esperança, sem um ontem e sem um amanhã, em um mundo baseado na conquista do sucesso presente. A Igreja não vos garante a tranqüilidade, ou imunidade, mas lhes diz com Cristo: ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo!
Hoje a Igreja, tem necessidade de uma fidelidade maior, pois o perigo na luta que ela enfrente, exige um amor maior a Ela e a Cristo, um amor sem medos, um amor maior, porque muitos filhos não a amam mais. ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! A vida com Cristo é grandiosa, maravilhosa, mas ao mesmo tempo é um risco, não é feita para os oportunistas, mas é feita de amor e sacrifício, de risco e confiança. Devemos saber que estamos em uma trincheira, onde nós devemos estar bem armados, pois se não estamos armados, e não somos capazes de combater, estamos já derrotados.
Pode ser que na dura luta não resistiremos, mas o Senhor está conosco e não temos o que temer. Posso até dizer que a Providência, quer que nós a sua Igreja, sejamos militantes, e ainda mais, nós que fizemos um juramento a Cristo, um voto, uma promessa no altar, nos oferecemos como sacrifício, e neste mundo moderno, devemos testemunhar o evangelho, devemos sofrer as suas conseqüências, sem medo.
O Senhor não quer aplainar as estradas, não quer tornar fácil o nosso caminho, o nosso ministério, não quer tornar a sua Igreja triunfante, mas nos quer sofredores, lutadores, que dêem o testemunho com perseverança, dom fadiga, com suor, e se a ele agradar, também testemunhar com o sangue, sangrando de fidelidade e amor a Cristo. Ousemos irmãos, ‘Nolite Temere!’ Esta expressão retorna sempre no evangelho, Não tenhas Medo!
Mostremos ao Senhor que o queremos bem. Sejamos dispostos a superar os medos, a ignorar também os insucessos, sejamos dispostos a sacrificar-nos, e a fazer as coisas para o Senhor, para a Igreja, para os irmãos de modo sério, pois se tivermos esta psicologia de querer enfrentar e afrontar os problemas, o mundo, e aquilo que a providência nos colocar a diante no caminho, enfrentando com o Senhor, já somos mais que vencedores! Ousemos!
Por fim, eu não tenho mais o que dizer e a oferecer-vos, além destas palavras: Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! Recordo-lhes que Jesus é nosso guia, o mestre, ele é o Senhor vivo na vossa alma, é a vossa coragem, e deseja dar-vos uma grande recompensa, e vos promete: “Gaudete autem, quod nomina vestra scripta sun in caelis” (Lc 10, 20) “Os vossos nomes estarão escritos no céu!”.

 

Confissão do Papa Beato Paulo VI

Ao Papa Beato Paulo VI coube dirigir a Barca de Pedro nos difíceis tempos pós-conciliares. Em 1977, numa confissão marcada pela angústia e, ao mesmo tempo, pela confiança em Deus, que jamais abandona a Igreja, disse:

“Há uma grande perturbação, neste momento, no mundo e na Igreja, e está relacionada com a fé. Vem-me agora repetidamente à memória a frase obscura de Jesus no Evangelho de S. Lucas: ´Quando o Filho do homem retornar, encontrará ainda fé sobre a Terra?´ Vem-me à memória que se publicam livros nos quais a fé está em retirada, em alguns pontos importantes, e que o episcopado se cale, não achando estranhos estes livros; isto, segundo minha opinião, é estranho. Releio às vezes o Evangelho do fim dos tempos e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim. Estamos próximos do fim? Isto jamais saberemos. É necessário estarmos sempre prontos, mas tudo pode durar ainda muito tempo. O que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que, no interior do catolicismo, parece às vezes dominar um pensamento do tipo não católico e pode acontecer que este pensamento não católico, no interior do catolicismo, torne-se amanhã o mais forte. Mas jamais representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja” (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153).

 

A autoridade da Igreja – audiência de Beato Paulo VI

Diletos filhos e filhas!

A boa palavra, que é esperada de Nós para dar nesta Audiência qualquer simples motivo de reflexão espiritual, refere-se a uma impressão, que quase sempre produz na mente dos visitantes para o encontro com o Papa: a impressão da “autoridade”.

E é impressão exata. Aqui tudo fala de autoridade: as chaves de Pedro figuram em todos os lugares. A composição própria desta reunião coloca em evidência a estrutura orgânica e hierárquica da Igreja. A presença do Papa, da Cabeça visível da Igreja, acentua esta impressão recordando a todos como existe na Igreja um poder maior, que é a prerrogativa pessoal, que tem autoridade sobre toda a comunidade em nome de Cristo; poder não só puramente externo, mas capaz de criar ou dissolver obrigação interna à consciência; e não já deixado à escolha opcional dos fiéis, mas necessário à estrutura da Igreja; e não deriva dessa, mas de Cristo e de Deus. Será útil, peregrinos ou visitantes que são vós, refletirdes sobre esse aspecto da Igreja Católica, o qual adquire nesta sede a sua mais manifesta expressão.

Sim, aqui estamos no centro da autoridade da Igreja. E qual reação desperta em seus corações esta observação, aqui tão óbvia e documentada? Isso: Pode ser que a primeira reação espontânea não seja de alegria. Será talvez uma reação de interesse curioso ou de admiração; mas não em todos, não sempre, de satisfação. Em alguns, de fato, pouco formados ao “sentido da Igreja”, será de desconfiança e quase de defesa, de repulsa para com um poder tão alto e tão indiscutível. Como assim? Por que esta atitude negativa a um poder de paternidade, de serviço e de salvação?

Levaria muito tempo para explicá-lo. Mas todos podem ver que se difundiu bastante em toda parte a mentalidade do protestantismo e do modernismo, negadora da necessidade e existência legítima de uma autoridade intermediária na relação da alma com Deus. “Quantos homens entre mim e Deus!” (Rousseau) exclama a voz famosa de um seguidor dessa mentalidade. E se há falado de religião de autoridade e de religião de espírito, em oposição um ao outro, por identificar na religião da autoridade o catolicismo, e na religião do espírito as correntes do sentimento religioso liberal e subjetivista do nosso tempo, e por concluir que a primeira, a religião chamada da autoridade, não é autêntica e que a segunda deve proceder  e realizar por si só, sem vínculo exterior, arbitrário e sufocante. E assim o plausível progresso da cultura moderna, sobre a personalidade humana, acerca da liberdade individual, acerca da primazia moral da consciência muitas vezes conspiram para tal função, ou diminuir a competência, ou a mortificar o prestígio da autoridade religiosa.

Se realmente a autoridade religiosa – falamos daquela constitutiva e diretiva da Igreja católica – fosse um poder arbitrário, ou fosse contrário à vida espiritual, ou colocasse vínculos indevidos à consciência, ou até mesmo se concebesse à mesma maneira da autoridade temporal, esta desconfiança, este ressentimento, esta reivindicação de autonomia subjetiva teria razão de ser. Mas vós sabeis que não é.

Vós que tendes, e quereis ter o “sentido da Igreja” sabeis muito bem de duas coisas, nesta discussão muito importante. E sabeis, em primeiro lugar, que a autoridade na Igreja, e, portanto, na religião, não se constitui por si só, mas ela foi instituída por Cristo; é o seu pensamento, é sua vontade, é obra sua; e, portanto, antes da autoridade da Igreja, devemos sentir a presença de Cristo. “Quem vos ouve, a mim ouve” (Luc. 10, 16), disse o Senhor. E todas as vezes que se tenta impugnar esta instituição, que é o poder apostólico, tanto de santificação, quanto de magistério e de governo na Igreja, se colide contra a palavra, contra o desejo, contra o amor de Cristo.

Sim, até contra o amor de Cristo. Porque a autoridade na Igreja, para ser eficaz, mesmo quando ela é forte e serva, é um instrumento da sua caridade. A autoridade na Igreja é o veículo do dom divino, é serviço de caridade para a caridade; de fato instituída a fim de pôr em exercício a favor da salvação o grande preceito do amor; não é expressão de orgulho, não está para realizar vantagem própria, nem mesmo é uma cópia da autoridade civil, armada com uma espada e vestida de glória. É uma função pastoral, direcionada para condução e para a prosperidade dos outros; e não só não é contrária à dignidade a vitalidade espiritual da alma em que é exercido, mas é instituída para conferir com precisão a sua dignidade e vitalidade espiritual e para garantir a sua luz da verdade divina, para distribuir os seus dons do Espírito, e para assegurar-lhes o caminho certo para Deus. Santa Catarina diz bem, trazendo palavras sugeridas pelo Senhor: “Eu quis que alguém tivesse necessidade do outro, e assim foram meus ministros para ministrar as graças e dons que receberam de mim. Pois, queira o homem ou não, não pode exercer nada menos do que um ato da caridade.” (Dialogo, Ed. Ferrari, Roma, 1947, p. 19-20). E é, portanto, função providencial e indispensável. Retornamos à Nossa mente as palavras do Pontifical, que Nós dizemos na ordenação do Sacerdote:  «Quanto fragiliores sumus, tanto his pluribus indigemus». [Quanto mais frágeis somos, mais precisamos de vossa ajuda].

Caríssimos Filhos. Gostaríamos que esta Audiência provocasse em vós a meditação deste aspecto da vida eclesiástica, para confortar-lhes o reconhecimento ao Senhor que por sua vontade estabeleceu e para reavivar em si a adesão cordial e fiel a autoridade da Igreja, na qual autoridade agora Nós de todo corações vos abençoamos.

Audiência de Paulo VI, 04 de novembro de 1964.

 

Oração ao Espírito Santo  

“Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da santa Igreja! Um coração grande, desejoso de tornar-se semelhante ao Coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte, constante até o sacrifício, quando for necessário!  Um coração cuja felicidade é palpitar com o Coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente a vontade do Pai. Amém.”
Papa Beato Paulo VI 

Comportamentos na comunidade cristã

Terça-feira, 29 de abril de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Viver em harmonia, testemunhar Cristo e ajudar os pobres são atitudes que comunidades cristãs devem preservar, explicou Francisco

Papa Francisco celebrou Missa, na manhã desta terça-feira, 29, na Casa Santa Marta, colocando, no centro de sua homilia, a comunidade cristã. Para o Santo Padre, cada comunidade deveria verificar a própria capacidade de viver em harmonia, testemunhar a Ressurreição de Cristo e ajudar os pobres.

Francisco recordou o exemplo das primeiras comunidades cristãs, conforme retratadas na Primeira Leitura do dia. Ele se concentrou em três comportamentos desse grupo: ser capaz de plena concórdia, dar testemunho de Cristo aos de fora e impedir que seus membros sofram com a miséria.

Essas comunidades tinham um só coração e uma só alma, destacou Francisco. Havia nelas a paz, o que significa que não havia lugar para fofocas, invejas, calúnias e difamações.

“Paz e perdão. O amor cobria tudo. Para qualificar uma comunidade cristã com base nisso, devemos nos perguntar como é o comportamento dos cristãos. São mansos e humildes? Naquela comunidade, há brigas entre eles pelo poder? Brigas com inveja? Há fofocas?”

O Santo Padre reconhece que, nessas primeiras comunidades, também existiam problemas, como as disputas internas, as lutas doutrinárias e pelo poder. Mas aquele momento do início fixava para sempre a essência da comunidade nascida do Espírito, uma comunidade de testemunhas da fé. O Papa nos convidou a comparar toda comunidade de hoje com essas primeiras comunidades.

“É uma comunidade que dá testemunho da Ressurreição de Jesus Cristo? Essa paróquia, essa comunidade, essa diocese crê, realmente, que Jesus Cristo ressuscitou? Dar testemunho de que Jesus está vivo, está entre nós. E assim se pode verificar como vai uma comunidade”.

O terceiro traço sobre o qual mensurar a vida de uma comunidade é, segundo o Papa, os pobres. Francisco fala que isso pode ser feito sob dois pontos de vista.

“Primeiro: como é o seu comportamento ou o comportamento dessa comunidade com os pobres? Segundo: essa comunidade é pobre? Pobre de coração, pobre de espírito? Ou coloca a sua confiança nas riquezas, no poder? Harmonia, testemunho, pobreza e coração de pobres, é isso que Jesus explicava a Nicodemos, esse nascer do Alto. (…) Que o Espírito Santo nos ajude a caminhar nesse caminho de renascidos pela força do batismo”.

A fé de Maria

Quarta-feira, 19 de dezembro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

“A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, mas revela-se na pobreza de um menino”, disse o Santo Padre.

Na última catequese de 2012, nesta quarta-feira, 19, o Papa Bento XVI centrou suas reflexões sobre a fé de Maria a partir do mistério da Anunciação. Ele destacou a humildade e a obediência de fé da Virgem Maria.

O Pontífice lembrou que o evangelista Lucas conta a história de Maria fazendo um paralelo com a história de Abraão. Da mesma forma que este respondeu ao chamado de Deus para sair da terra onde morava rumo a uma terra desconhecida, também Maria foi confiante no plano do Senhor.

“… assim Maria confia com plena confiança na palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus e torna-se modelo e mãe de todos os crentes”.

Bento XVI destacou que a saudação do anjo a Maria é também um convite à alegria; anuncia o fim da tristeza presente no mundo, o fim do sofrimento, da maldade, da escuridão do mal “que parece obscurecer a luz da bondade divina”.

O Santo Padre mencionou ainda que a abertura da alma a Deus e à sua ação implica também o elemento que é a treva. Ele lembrou que o caminho de Abraão é marcado pela alegria, quando recebe o filho Isaac, mas também por um momento de treva, quando precisa se dirigir ao monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que havia acabado de lhe dar.

Da mesma forma, Maria viveu a alegria na Anunciação e a treva na crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição. Então Bento XVI destacou que não é diferente quando se trata do caminho de fé de cada um dos fiéis, já que há momentos de luz e outros em que Deus parece ausente.

“Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança – como Abraão e como Maria – tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isso, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a luz que guia os nossos pensamentos e as nossas ações”.

Concluindo suas reflexões, Bento XVI enfatizou que os fiéis são convidados, na celebração do Natal do Senhor, a viver esta  mesma humildade e obediência de fé. A próxima audiência do Papa com os fiéis será em 2 de janeiro de 2013.

 

Catequese de Bento XVI: A fé de Maria – 19/12/2012  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

No caminho do Advento a Virgem Maria ocupa um lugar particular como aquele que de modo único esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de refletir brevemente convosco sobre a fé de Maria a partir do grande mistério da Anunciação

“Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou”, “Alegra-te, cheia de graça: o Senhor é convosco” (Lc 1, 28). São estas as palavras – reportadas pelo evangelista Lucas – com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo chaîre, “alegra-te”, parece uma saudação normal, como era usual no âmbito grego, mas esta palavra, se lida a partir da tradição bíblica, adquire um significado muito mais profundo. Este mesmo termo está presente quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cfr Sof 3,14; Gl 2,21; Zc 9,9; Lam 4,21). A saudação do anjo a Maria é também um convite à alegria, a uma alegria profunda, anuncia o fim da tristeza que há no mundo diante das limitações da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, da escuridão do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. É uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.

Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo? A resposta está na segunda parte da saudação: “o Senhor está convosco”. Também aqui para compreender bem o sentido da expressão devemos dirigir-nos ao Antigo Testamento. No Livro de Sofonias encontramos esta expressão “Alegra-te, filha de Sião… Rei de Israel é o Senhor em meio a ti… O Senhor, teu Deus, em meio a ti é um salvador poderoso” (3,14-17). Nestas palavras há uma dupla promessa feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como Salvador e habitará em meio ao seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exatamente esta promessa: Maria é identificada com o povo escolhido por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; nela se cumpre a esperada vinda definitiva de Deus, nela toma morada o Deus vivente.

Na saudação do anjo, Maria é chamada “cheia de graça”; em grego o termo “graça”, charis, tem a mesma raiz lingüística da palavra “alegria”. Também nesta expressão esclarece-se a fonte de alegria de Maria: a alegria provém da graça, provém, isso é, da comunhão com Deus, do ter uma conexão tão vital com Ele, de ser morada do Espírito Santo, totalmente moldada pela ação de Deus. Maria é a criatura que de modo único abriu a porta a seu Criador, colocou-se em suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; está em atitude de escuta, atenta a acolher os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida em uma história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o cerne da sua existência. E se submete livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.

O Evangelista Lucas narra a história de Maria por meio de um fino paralelismo com a história de Abraão. Como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu ao chamado de Deus a sair da terra onde morava, da sua segurança, para iniciar o caminho para uma terra desconhecida e possuindo somente a promessa divina, assim Maria confia com plena confiança na palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus e se torna modelo e mãe de todos os crentes.

Gostaria de destacar um outro aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua ação na fé inclui também o elemento das trevas. A relação do ser humano com Deus não apaga a distância entre o Criador e a criatura, não elimina o que afirma o apóstolo Paulo frente à profundidade da sabedoria de Deus: “Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos” (Rm 11,33). Mas propriamente aquele que – como Maria – está aberto de modo total a Deus, vem a aceitar a vontade divina, também se é misterioso, também se sempre não corresponde ao próprio querer e é uma espada que transpassa a alma, como profeticamente dirá o velho Simeão a Maria, no momento no qual Jesus é apresentado no Templo (cfr Lc 2,35). O caminho de fé de Abraão compreende o momento de alegria pela doação do filho Isaac, mas também o momento de treva, quando precisa ir para o monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que havia acabado de lhe dar. No monte o anjo lhe ordena: “Não estenda a mão contra o menino e não lhe faça nada! Agora sei que tu temes a Deus e não me recusaste o teu filho, o teu unigênito” (Gen 22, 12); a plena confiança de Abraão no Deus fiel às promessas não é menor mesmo quando a sua palavra é misteriosa e difícil, quase impossível, de acolher. Assim é para Maria, a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também pelas trevas da crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição.

Não é diferente também para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos também momentos no qual Deus parece ausente, o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós queremos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança – como Abraão e como Maria – tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isso, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a luz que guia os nossos pensamentos e as nossas ações.

Gostaria de concentrar-me ainda sobre um aspecto que emerge nas histórias sobre a Infância de Jesus narrada por São Lucas. Maria e José levam o filho a Jerusalém, ao Templo, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor como prescreve a lei de Moisés: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (cfr Lc 2,22-24). Este gesto da Sagrada Família adquire um sentido ainda mais profundo se o lemos à luz da ciência evangélica de Jesus aos 12 anos, depois de três dias de busca, é encontrado no Templo a discutir entre os mestres. As palavras cheias de preocupação de Maria e José: “Filho, por que nos fez isso? Teu pai e eu, angustiados, te procurávamos”, corresponde à misteriosa resposta de Jesus: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? (Lc 2,48-49). Isso é, na propriedade do Pai, na casa do Pai, como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com a qual disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que na precedência havia o Pai verdadeiro e próprio de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou para que siga a sua missão. E o “sim” de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até o momento mais difícil, aquele da Cruz.

Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: como pode viver Maria este caminho ao lado do Filho com uma fé tão forte, também nas trevas, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Há uma atitude de fundo que Maria assume diante a isso que vem na sua vida. Na Anunciação Ela permanece perturbada escutando as palavras do anjo – é o temor que o homem experimenta quando é tocado pela proximidade de Deus – , mas não é a atitude  de quem tem medo diante disso que Deus pode querer. Maria reflete, interroga-se sobre o significado de tal saudação (cfr Lc 1,29). O termo grego usado no Evangelho para definir este “refletir”, “dielogizeto”, refere-se à raiz da palavra “diálogo”. Isto significa que Maria entra em íntimo diálogo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas se concentra, a deixa penetrar na sua mente e no seu coração para compreender isso que o Senhor quer dela, o sentido do anúncio. Um outro aceno para a atitude interior de Maria frente à ação de Deus o encontramos sempre no Evangelho de São Lucas, no momento do nascimento de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19); em grego o termo é symballon, poderíamos dizer que Ela “tinha junto”, “colocava junto” no seu coração todos os eventos que estavam acontecendo; colocava cada elemento, cada palavra, cada fato dentro de tudo e o comparava, o conservava, reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria não para em uma primeira compreensão superficial disso que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se levar pelos acontecimentos, os elabora, os discerne, e adquire aquela compreensão que somente a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si também aquilo que não compreende do agir de Deus, deixando que seja Deus a abrir a mente e o coração. “Bem aventurada aquela que acreditou no cumprimento da palavra do Senhor” (Lc 1,45), exclama a parente Isabel. É propriamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem aventurada.

Queridos amigos, a solenidade do Natal do Senhor que em breve celebraremos, convida-nos a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas toma morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino. A onipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, sempre silenciosa, da verdade e do amor. A fé nos diz, então, que o poder indefeso daquele Menino no fim vence o rumor dos poderes do mundo.

A Imaculada Conceição

Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça

O tempo do Advento tem, sem dúvida alguma, um sabor mariano. É com a Virgem que melhor aprendemos como esperar o Sol que nasce da Aurora, o Cristo, nosso Deus! Por isso, é muito conveniente celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, a Virgem.

O que a Igreja crê e celebra neste mistério? A Escritura Santa nos ensina que a humanidade fora criada por Deus para a comunhão com Ele, para ser feliz convivendo com Ele, construindo a vida e o mundo. Mas, infelizmente, desde o início da história humana e até hoje, nossa raça foi dizendo “não” ao sonho de Deus. Quisemos e queremos ainda ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (cf. Gn 3,4s); queremos viver a vida de modo autônomo, como se a existência fosse nossa e não um dom recebido do Senhor. Se não dizemos, pensamos muitas vezes: “A vida é minha; faço dela o que eu quero! O resultado dessa atitude tem sido trágico: tornamo-nos uma humanidade ferida, esfacelada num mundo também ferido e esfacelado.

Somos todos presa de um enorme fechamento para Deus, uma desconfiança n’Ele, uma tendência a não percebê-Lo. Por isso somos profundamente desequilibrados no nosso modo de nos ver, de ver a vida, de nos relacionar com os outros e com o mundo. Somos um poço de contradições, de paixões, de anseios desencontrados e sentimentos, muitas vezes, destrutivos. Somos, pois, profundamente feridos de morte, feridos até a morte! É esta situação miserável que a Igreja denomina “pecado original”, pecado que já nos marca desde o primeiro momento de nossa existência: “Minha mãe já concebeu-me pecador” (Sl 50,7). É desta situação miserável, sem saída, que Cristo nos arranca com a Sua encarnação, Sua vida, Sua morte e ressurreição com o dom do Seu Espírito: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente em virtude da redenção realizada por Jesus Cristo” (Rm 3,23s).

Pois bem, a Igreja crê, firmemente, que a toda Santa Virgem Maria, desde o primeiro momento em que foi concebida no seio de sua mãe, foi preservada por Deus desta solidariedade com esta situação de pecado. Nós já nascemos marcados de morte; ela, desta marca de pecado foi preservada; nós, precisamos ser arrancados da lama do pecado graças à cruz do Cristo; ela, pela cruz do Cristo foi liberta desde a origem e, sequer, foi tocada por esta lama maldita; nós fomos redimidos, porque lavados desta lama; ela foi ainda mais perfeitamente redimida. porque, pelos méritos da Paixão do Senhor, sequer experimentou esta situação de pecaminosidade.

Desde o ventre materno, desde o primeiro instante de sua concepção, o Senhor a libertou graças aos méritos de Cristo. Ela, a Virgem, pode ser chamada Toda Santa, isto é, Toda Santificada. Ela pode cantar as palavras da profecia de Isaías: “Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me vestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias!”

A Igreja crê nesta Concepção Imaculada da Mãe de Jesus e com ela se alegra. E crê fundamentada na Escritura Sagrada. A Palavra de Deus não afirma que o Senhor colocou uma inimizade de morte entre a serpente e a Mulher, entre a descendência da serpente e da Mulher? Quem é esta Mulher? Não é aquela a quem Jesus chama Mulher em Caná e ao pé da cruz? Não é aquela de quem São Paulo diz: “Quando chegou a plenitude dos tempos, enviou Deus o Seu Filho nascido de Mulher? Como, pois, poderia estar sob o domínio do pecado, fruto da serpente, a Mulher de quem nasceria o Cordeiro sem mancha, que tira o pecado do mundo?

Estejamos atentos ainda no modo como Gabriel saudou a Virgem no Evangelho: ele lhe muda o nome! Não diz “Alegra-te, Maria!”, mas “Alegra-te, Cheia de Graça!”. Cheia de graça, kecharitomene, do verbo charitô, agraciar. “Alegra-te, ó Toda Cumulada Pela Graça!”, “Alegra-te, ó Mar de Graça, ó possuída totalmente pela graça! Em ti, Virgem Maria, não há o mínimo lugar, a mínima brecha para a “des-graça” do pecado!” – É isto que significam as palavras de Gabriel. Podem crer: Deus juntou toda água um dia e chamou de mar; Deus juntou toda graça, outro dia, e a chamou de Maria!

A Virgem não é dona da graça; ela a recebeu totalmente. A Virgem não é imaculada por seus próprios méritos, mas pelos méritos daquele que, nascido de suas entranhas benditas, venceu a antiga serpente e destruiu o antigo inimigo. Observemos que esta ideia aparece na segunda leitura da Missa desta solenidade. O que diz o apóstolo? O Pai “nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. Ele nos predestinou por intermédio de Jesus Cristo (Ef 1,4s).

Se todos somos fruto de um sonho eterno de Deus, se todos somos predestinados em Cristo, desde antes da fundação do mundo; se o Senhor conheceu nossos dias antes mesmo que um só deles existisse, pois bem: em Cristo, Deus, o Pai, preservou a Mãe do Seu Filho do pecado, graças ao Seu Filho! Que nossos irmãos protestantes se alegrem conosco pela Imaculada Conceição de Maria: ela é bíblica, ela exalta enormemente a grandeza abundante da graça de Cristo, único Salvador! São Paulo diz que “todos pecaram e estão privados da glória de Deus”; assim estaria a Virgem sem a graça de Cristo; mas disso foi libertada no primeiro momento de sua existência, graças a Cristo!

Esta é a beleza desta festa: o triunfo da graça, celebrar a graça de Cristo que age antes mesmo do nascimento histórico de Cristo! Que graça tão grande, que Salvador tão potente, que Deus tão previdente! E para nós, que alegria contemplar o mistério, vislumbrá-lo, mergulhar nele! Hoje, a Virgem foi concebida livre do pecado; hoje, começou a raiar a aurora do dia sem fim; surgiu a puríssima Estrela d’Alva que anuncia o Sol, que é o Cristo, nosso Deus!

A Igreja, exultante de alegria, tem palavras lindas na celebração litúrgica no dia da Imaculada. No Ofício Divino, ela assim se dirige à Virgem Toda Santa: “Com a vossa Imaculada Conceição, Virgem Maria, um anúncio de alegria percorreu o mundo inteiro” e, mais adiante, no Ofício, continua, admirada: “Toda bela sois, Virgem Maria, sem mancha original! Sois a glória de Sião, a alegria de Israel e a flor da humanidade”. E, imaginando a resposta da Virgem, coloca nos seus lábios estas palavras que ela dirige ao Senhor: “Foi nisto que eu vi, porque vós me escolhestes! Porque não triunfou sobre mim o inimigo, porque vós me escolhestes!” Isso mesmo: mais que ninguém, a Virgem é devedora a Cristo: Ele a escolheu, a preservou, sustentou-a e teve por ela uma predileção inigualável!

Alegremo-nos nós também! Em Cristo o pecado pode ser vencido! A Conceição Imaculada de Maria é sinal belíssimo desta vitória! Alegremo-nos, porque a Imaculada Conceição de Nossa Senhora é o feliz princípio e o primeiro albor da salvação que o Senhor Jesus nos traz! Bendita seja a cruz de Jesus, que antes de ser fincada no Calvário, já libertou com seus raios a Virgem de todo pecado! A Jesus, fruto bendito, do bendito ventre da bendita Virgem Maria, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

O Sacramento da Reconciliação

Papa Francisco atendendo confissão – AFP

29/12/2015

Cidade do Vaticano (RV) – “A misericórdia de Deus será sempre maior do que qualquer pecado”: escreve o Pontífice num novo tuíte lançado esta terça-feira (29/12). A frase é extraída da Bula de convocação do Jubileu “Misericordiae Vultus” (Rosto da Misericórdia).

No documento, o Papa Francisco convida a colocar novamente no centro, com convicção, o Sacramento da Reconciliação, porque permite experimentar a grandeza da misericórdia.

“Ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa”, escreve o Santo Padre no texto da Bula para o Jubileu. Porém, recordava no início deste ano, também o perdão tem uma condição:

“Não existe nenhum pecado que Deus não possa perdoar! Nenhum! Somente aquilo que é subtraído à divina misericórdia não pode ser perdoado, como quem se subtrai ao sol não pode ser iluminado nem aquecido” (Discurso aos participantes do Curso da Penitenciaria Apostólica, 12 de março de 2015).

Um dos sinais importantes do Ano Santo é a Confissão – disse Francisco durante uma audiência geral:

“Deus nos compreende também em nossos limites, nos compreende também em nossas contradições. Mais ainda, com o seu amor nos diz que propriamente quando reconhecemos nossos pecados, Ele se faz ainda mais próximo  de nós e nos impele a olhar para frente. Diz mais: que quando reconhecemos nossos pecados e pedimos perdão há festa no Céu. Jesus faz festa: essa é a sua misericórdia” (Audiência geral, 16 de dezembro de 2015).

O perdão dos pecados não é “fruto dos nossos esforços”, mas “dom do Espírito Santo” que nos cura. E “não é algo que podemos darmos nós. Não posso dizer: perdoo meus pecados. O perdão se pede, se pede a outro, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus”:

“Alguém pode dizer: eu me confesso somente com Deus. Sim, você pode dizer a Deus ‘perdoai-me’, e confessar seus pecados, mas nossos pecados são também contra os irmãos, contra a Igreja. Por isso é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na pessoa do sacerdote” (Audiência geral, 19 de fevereiro de 2014).

Recorrendo ao Sacramento da Reconciliação, também a vergonha é salutar:

“Também a vergonha é boa, ter um pouco de vergonha é salutar… A vergonha faz bem, porque nos torna mais humildes” (Audiência geral, 19 de fevereiro de 2014).

Porém, a Confissão “não deve ser uma tortura”. Os confessores devem ser respeitosos da dignidade e da história pessoal de cada um – exorta Francisco.

“Mesmo o maior pecador que se apresenta diante de Deus para pedir perdão é ‘terra santa’… a ser ‘cultivada’ com dedicação, cuidado e atenção pastoral.” “Todos deveriam sair do confessionário com a felicidade no coração, com o rosto radiante de esperança”:

“O Sacramento, com todos os atos do penitente, não implica que se torne um interrogatório cansativo, maçante e invasor. Pelo contrário, deve ser um encontro libertador e rico de humanidade, através do qual poder educar para a misericórdia, que não exclui, aliás, compreende também o justo compromisso a reparar, o quanto possível, o mal cometido” (Discurso aos participantes do Curso da Penitenciaria Apostólica, 12 de março de 2015).

O Santo Padre afirma que “nem o confessor por demais tolerante, nem o confessor rígido, é misericordioso”:

“O primeiro, porque diz: “Continue, isso não é pecado, continue, continue!” O outro, porque diz: “não, a lei diz…”. Mas nenhum dos dois trata o penitente como irmão, toma-o pela mão e o acompanha em seu percurso de conversão! (…) Misericórdia significa cuidar do irmão ou da irmã e ajudá-lo a caminhar” (Discurso aos participantes de um curso da Penitenciaria Apostólica, 12 de março de 2015).

(RL)

O “vírus” da hipocrisia

Sexta-feira, 16 de outubro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano 

Na Missa de hoje, Papa destacou necessidade de oração para não se contagiar pelo vírus da hipocrisia, que nunca leva à luz de Deus

É preciso rezar muito para não se deixar contagiar pelo “vírus” da hipocrisia, disse o Papa Francisco em sua homilia nesta sexta-feira, 16, na Casa Santa Marta. A hipocrisia, disse, seduz o ser humano com o fascínio da mentira.

O Papa recordou a cena retratada por Lucas na passagem do Evangelho do dia – Jesus e os discípulos, no meio de uma multidão, que pisa nos próprios pés, de tão numerosa que é –, chamando à atenção para a advertência sincera de Cristo aos Seus discípulos: “Atentos ao fermento dos fariseus”. “O fermento é uma coisa muito pequena”, observa Francisco, mas como Jesus fala sobre ele, é como se quisesse dizer “vírus”. Como um médico que diz para prestar atenção aos riscos de um contágio.

“A hipocrisia é a maneira de viver, agir e falar, que não é clara. Talvez sorria, talvez seja sério… Não é luz, não é escuridão… Move-se de uma forma que parece não ameaçar ninguém, assim como a serpente, mas tem o fascínio do claro-escuro. Tem o fascínio de não ter as coisas claras, de não dizer as coisas claramente; o fascínio da mentira, das aparências… Aos fariseus hipócritas, Jesus dizia também que eles estavam cheios de si mesmos, de vaidade, que eles gostavam de caminhar nas ruas, mostrando que eram importantes, pessoas cultas”.

Jesus, no entanto, tranquiliza a multidão. “Não tenham medo”, diz Ele, porque “não há nada escondido que não será revelado, nem segredo que não será conhecido”. Como se dissesse, observa ainda Francisco, que se esconder não ajuda, embora o fermento dos fariseus leva as pessoas a amar mais as trevas do que a luz.

“Esse fermento é um vírus que fará com que você fique doente e morra. Cuidado! Esse fermento leva você às trevas. Cuidado! Mas há alguém que é maior do que isso: é o Pai que está nos céus. “Cinco pardais não se vendem por duas moedas? No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus. Até os cabelos de sua cabeça estão todos contados”. E, em seguida, a exortação final: “Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais”. Diante de todos esses medos que nos colocam aqui e ali, e que nos coloca o vírus, o fermento da hipocrisia farisaica, Jesus nos diz: “Há um pai que ama você, que cuida de você”.

E há uma só maneira de evitar o contágio, diz Papa Francisco. É o caminho indicado por Jesus: rezar. A única solução, para evitar cair naquela atitude hipócrita que não é nem luz, nem escuridão, é a metade de um caminho que nunca vai chegar à luz de Deus.

“Rezemos. Rezemos muito. ‘Senhor, protege a tua Igreja, que somos todos nós: protege o teu povo, o que se tinha reunido e se pisoteava entre eles. Protege o teu povo, para que ame a luz, a luz que vem do Pai, que vem do Teu Pai, que Te enviou para nos salvar. Protege o Teu povo, para que não se torne hipócrita, para que não caia na apatia da vida. Protege o Teu povo, para que ele tenha a alegria de saber que existe um Pai que nos ama tanto”.

Passos concretos para conversão

Quinta-feira, 22 de outubro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que a conversão exige esforço diário e é graça de Deus; o Papa exortou ainda a não retroceder diante das tentações

“O esforço do cristão é propenso a abrir a porta do coração ao Espírito Santo.” Foi o que disse o Papa Francisco, na Missa celebrada na manhã desta quinta-feira, 22, na Casa Santa Marta.

O Pontífice sublinhou que a conversão para o cristão é uma tarefa de todos os dias, que o leva ao encontro com Jesus. Como exemplo, Francisco contou a história de uma mãe doente de câncer que fez de tudo para combater a doença.

O Papa se baseou na Carta de São Paulo aos Romanos para destacar que para passar do serviço da iniquidade à santidade, é preciso esforço diário.

“São Paulo usa a imagem do atleta, pessoa que treina para se preparar para a jogo e faz um esforço enorme”, disse o Pontífice. “Mas se essa pessoa faz todo esse esforço para vencer um jogo, nós, que devemos obter a vitória grande do céu, o que devemos fazer? São Paulo nos exorta a  prosseguirmos nesse esforço”.

“Padre, podemos pensar que a santidade vem do esforço que eu faço, assim como a vitória do atleta vem por causa do treinamento? Não. O esforço que nós fazemos, esse trabalho cotidiano de servir ao Senhor com a nossa alma, com o nosso coração, com o nosso corpo, com toda a nossa vida somente abre a porta ao Espírito Santo. É Ele quem entra em nós e nos salva! Ele é o dom em Jesus Cristo. Caso contrário, assemelharemo-nos aos faquires: não, nós não somos faquires. Nós, com o nosso esforço, abrimos a porta.”

Não retroceder diante das tentações

O Papa reconheceu que não retroceder diante das tentações é uma tarefa difícil, porque a  fraqueza humana, o pecado original e o diabo sempre levam o homem para trás. Ele explicou que o autor da Carta aos Hebreus nos adverte contra essa tentação de retroceder, mas que é preciso ir avante sempre, um pouco a cada dia, mesmo quando existe uma grande dificuldade.

“Alguns meses atrás, encontrei uma mulher. Jovem, mãe de família – uma bela família – que tinha um câncer. Um câncer feio. Mas ela vivia com felicidade, agia como se estivesse saudável. Ao falar dessa atitude, disse-me: ‘Padre, faço de tudo para vencer o câncer!’. Assim deve ser o cristão. Nós que recebemos esse dom em Jesus Cristo e passamos do pecado, da vida de injustiça à vida do dom em Cristo, no Espírito Santo, devemos fazer o mesmo. Um passo a cada dia, um passo a cada dia.”

Treinamento da vida

O Papa indicou algumas tentações, como a vontade de falar mal de alguém. Nesse caso, disse: é preciso se esforçar para calar. Ou quando ficamos com preguiça de rezar, mas depois acabamos rezando um pouco. Francisco disso que é preciso partir das pequenas coisas.

“Essas coisas nos ajudam a não ceder, a não retroceder, a não voltar para a injustiça, mas ir avante rumo a esse dom, essa promessa de Jesus Cristo, que será propriamente o encontro com Ele. Peçamos ao Senhor essa graça de sermos bons nesse treinamento da vida rumo ao encontro, porque recebemos o dom da justificação, da graça e do Espírito em Cristo Jesus”.

Exame de Consciência

http://padremicael.blogspot.com.br/2011/05/exame-de-consciencia-completo.html

Exame inicial:
1. Há quanto tempo eu não me confesso?
2. Alguma vez deixei de confessar um pecado grave, ou conscientemente disfarcei ou escondi um tal pecado?
Nota: Esconder deliberadamente um pecado mortal invalida a confissão, e é igualmente pecado mortal. Lembre-se que a confissão é privada e sujeita ao Sigilo da Confissão, quer dizer que é pecado mortal para um sacerdote revelar a quem quer que seja a matéria de uma confissão.
3. Alguma vez fui irreverente para com este Sacramento, não examinando a minha consciência com o devido cuidado? Alguma vez deixei de cumprir a penitência que o sacerdote me impôs? Tenho quaisquer hábitos de pecado grave que deva confessar logo no início (por exemplo, impureza, alcoolismo, etc.)?

1º Mandamento: Adorar a Deus e amá-Lo sobre todas as coisas.
Tenho posto em dúvida ou negado, deliberadamente, alguma verdade de fé? Li algum livro contra a religião? Abandonei os meios necessários para a salvação (oração, sacramentos)? Tenho procurado adquirir formação religiosa, de acordo com a minha condição? Faltei ao respeito das coisas santas (por ex. omitindo a genuflexão diante do Sacrário por desprezo), da Igreja ou dos seus Ministros? Rezo e frequento os sacramentos de má vontade? Recebi indignamente algum sacramento? Sou supersticioso? Pratiquei a superstição, a magia, o espiritismo ou bruxaria? Pratiquei a umbanda, camdomblé, Jorei, passes, mesa branca ou macumba? Consultei os mortos? Desenvolvi a “mediunidade” ou “recebi” espíritos dos mortos? Pratiquei a adivinhação através da astrologia, do jogo do copo, do pêndulo, das cartas do tarôt, da leitura da palma da mão ou coisas semelhantes? Acreditei em horóscopos? Usei amuletos como a ferradura, os cristais, iemanjá, Buda, figas ou coisas semelhantes? Acreditei nas “energias”, no New Age, Seicho no ie, na reencarnação, no Reiki, ou em coisas semelhantes? Usei coisas, li textos, ou ouvi músicas que invocam explicitamente o demônio? Revolto-me contra Deus nas minhas tribulações? Nego ou ponho em duvida de alguma verdade revelada por Deus? Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anti-católico? Omiti algum dever ou prática religiosa por respeitos humanos? Recomendo-me a Deus diariamente? Tenho rezado fielmente as minhas orações diárias? Tenho contribuído o tanto quanto posso para apoiar a Igreja?

2º Mandamento: Não invocar o Santo nome de Deus em vão.
Blasfemei ou disse palavras injuriosas contra Deus, contra os Santos ou contra as coisas santas? Jurei sabendo que era falso o que prometia? Jurei fazer alguma coisa que não é justa ou lícita? Reparei os prejuízos que daí tenham decorrido? Deixei de cumprir algum voto ou promessa grave?

3º Mandamento: Santificar os Domingos e festas de Guarda.
Faltei à Missa ao Domingo ou festa de Guarda? Trabalhei ou mandei trabalhar nesses dias sem necessidade urgente? Creio em tudo o que a Santa Igreja Católica ensina? Discuti os seus mandamentos que são mandamentos de Cristo? Guardei abstinência nas sextas-feiras de acordo com a Conferência Episcopal? Jejuei Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa? Confessei-me pelo menos uma vez ao ano? Comunguei durante o tempo estabelecido para cumprir o preceito Pascal?

4º Mandamento: Honrar pai e mãe e os outros legítimos superiores.
Obedeci aos meus pais e legítimos superiores? Manifestei- lhes o devido amor e respeito? Entristeci-os? Zanguei-me com os meus irmãos? Maltratei-os? Dei maus exemplos aos meus filhos ou subordinados, não cumprindo os meus deveres religiosos, familiares ou profissionais? Corrigi com firmeza os seus defeitos ou descuidei-me nisso por comodidade? Ameacei-os, maltratei-os ou prejudiquei-os com palavras ou obras, ou desejei-lhes algum mal, grave ou leve? Sacrifiquei os meus gostos, caprichos, passatempos, etc., para cumprir o dever de me dedicar à minha família? Evitei os conflitos com os filhos não dando importância demasiada a minúcias que se podem vencer com o tempo e o bom humor? Fui amável com os estranhos e, ao contrário, pouco amável na vida de família? Discuti com o meu marido (a minha mulher)? Evitei repreendê-lo(a) ou discutir diante dos filhos? Tenho-lhe faltado ao respeito? Tenho, com isto dado mau exemplo? Deixei muito tempo sozinho(a) o meu marido (a minha mulher)? Tenho procurado aumentar a fé na Providência, esforçando-me ao mesmo tempo por ganhar o dinheiro suficiente para poder ter ou educar mais filhos? Deixei de ajudar, dentro das minhas possibilidades, os meus familiares nas suas necessidades espirituais ou materiais? Também em relação aos filhos: Tenho negligenciado suas necessidades materiais? Tenho falhado em cuidar do seu batismo? Tenho falhado em cuidar da sua apropriada educação religiosa? Tenho permitido a eles negligenciar seus deveres religiosos? Tenho negado a sua liberdade de casar ou de seguir vocação religiosa?

5º Mandamento: Não matar nem causar outro dano no corpo ou na alma a si mesmo ou ao próximo.
Causei prejuízos ao próximo com palavras ou com obras? Desejei-lhe mal? Manifestei ódio ou rancor a alguém? Perdoei de todo o coração as ofensas que recebi? Deixei de falar ou nego a saudação a alguém? Tenho ajudado outros a pecar? Escandalizei o próximo, incitando-o a pecar, com as minhas conversas, o meu modo de vestir, convidando-o para assistir a algum espetáculo mau ou emprestando-lhe algum livro ou revista maus? Procurei reparar o mal causado pelo escândalo? Cheguei a ferir ou a tirar a vida ao próximo? Colaborei, de algum modo, em atos que ocasionassem a morte de um inocente? Pratiquei, aconselhei ou facilitei o crime grave do aborto? Fui gravemente imprudente na condução de veículos motorizados? Deixei-me vencer pela ira? Cometi algum atentado contra a minha vida? Embriaguei-me ou, levado pela gula, comi mais do que devia? Tomei drogas? Preocupei-me eficazmente pelo bem do próximo, advertindo-o de algum grave perigo material ou espiritual, em que se encontrava ou corrigindo-o como exige a caridade cristã? Tenho ficado contente com a infelicidade de alguém? Tenho recebido a Santa Comunhão em estado de pecado mortal?

6º e 9º Mandamentos: Guardar castidade nas palavras e nas obras. Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
Consenti em pensamentos e desejos impuros? Fixei o olhar, falei ou li coisas desonestas? Fiz ações impuras? Sozinho (masturbação) ou acompanhado (adultério, fornicação [sexo pré-marital], “curtir”, procurando o prazer sexual fora de uma relação conjugal)? Havia alguma circunstância – de parentesco, matrimônio, consagração a Deus, ou menoridade – que tornassem mais grave aquela ação? Assisti a espetáculos ou conversas que me colocaram numa situação próxima do pecado? Tenho em conta que expor-me a essa ocasião já é um pecado? Vi pornografia através da Internet, revistas, filmes, etc.? Antes de assistir a um espetáculo ou de ler um livro ou uma revista, procuro informar-me sobre a sua classificação moral para evitar a ocasião de pecado ou o perigo de deformação da consciência que pode ocasionar-me? Usei do matrimônio indevidamente (sexo oral, sexo anal, etc.)? Neguei ao meu cônjuge os seus direitos? Uso do matrimônio somente naqueles dias em que julgo não poder haver descendência, atuando deste modo sem razões graves? Tomei remédios ou usei de outros meios artificiais para evitar os filhos? Aconselhei outros a tomá-los? Faltei à fidelidade conjugal por pensamentos e ações? Mantenho amizades que são ocasião habitual deste pecado de infidelidade? Estou disposto(a) a abandoná-las? Visto-me com decência ou sou provocante pondo em evidência aquelas partes do meu corpo que mais chamam a atenção do sexo oposto? Sou casado (a) na Igreja Católica com uma pessoa, convivo maritalmente (“juntado”) com outra pessoa e estou comungando? Sou solteiro (a), convivo maritalmente (“juntado”) com outra pessoa e estou comungando? Cometi algum pecado impuro contra a natureza (homossexualismo ou lesbianismo, etc.)? Note bem: Não tenha receio de confessar ao sacerdote qualquer pecado impuro que tenha cometido. Não esconda ou tente disfarçá-lo. O sacerdote está ali para ajudá-lo e perdoar. Nada do que possa dizer o escandalizará; por isso, não tenha medo, por mais envergonhado que esteja.

7º e 10º Mandamentos: Não furtar nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo. Não cobiçar as coisas alheias.
Roubei algum objeto ou alguma quantia em dinheiro? Reparei os prejuízos causados ou restituí as coisas roubadas na medida das minhas possibilidades? Defraudei a minha mulher (o meu marido nos seus bens)? Paguei aos outros os salários devidos pelo seu trabalho? Cumpri rigorosamente os meus deveres sociais: o pagamento de seguros, impostos, etc.? Desrespeitei os direitos de autor, copiando livros, software, filmes ou músicas? Comprei ou vendi produtos “pirata” ou roubados? Dei o meu apoio a programas de ação social e política imorais e anticristãos? Prejudiquei, de algum modo, o próximo nos seus bens? Enganei o próximo cobrando, mais do que o justo ou combinado? Reparei o prejuízo causado? Trabalhei como devia, com honradez e sentido de responsabilidade? Deixei, por preguiça, que se produzissem graves prejuízos no meu trabalho? Realizei o meu trabalho lembrado de que a Deus não se oferecem coisas mal feitas? Facilito o trabalho dos outros ou estorvo-o de alguma maneira, como, por exemplo, com discussões, interrupções, derrotismos, etc.? Abusei da confiança dos meus superiores? Tolerei abusos ou injustiças que tinha obrigação de impedir? Fiz acepção de pessoas ou manifestei favoritismos? Gastei mais do que permitem as minhas possibilidades, sobrecarregando, injustamente, o orçamento familiar? Deixei de prestar à Igreja a ajuda conveniente? Dei esmolas de acordo com a minha condição econômica? Aceitei, com sentido cristão, a carência de coisas necessárias? Deixei estragar, por negligência, a propriedade de outrem? Fui negligente na guarda do dinheiro ou bens de outrem? Tive inveja de alguém, por ter algo que eu não tenho? Tenho sido avarento? Tenho sido cúpido e invejoso, dando demasiada importância aos bens e confortos materiais? O meu coração inclina-se para as posses terrenas ou para os verdadeiros tesouros do Céu?

8º Mandamento: Não levantar falsos testemunhos nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo.
Disse mentiras? As minhas mentiras causaram a alguém danos materiais ou espirituais? Copiei (“colei”) nos exames? Fugi das aulas (cabulas)? Reparei os prejuízos causados? Minto habitualmente com a desculpa de que se tratar de coisas de pouca importância? Revelei, sem motivo justo, defeitos graves alheios que, embora reais, são desconhecidos? Reparei de algum modo os prejuízos causados, por exemplo, falando dos aspectos positivos dessa pessoa? Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém (isto é, acreditei firmemente, sem provas suficientes, que eram culpados de algum defeito moral ou crime)? Caluniei, atribuindo ao próximo defeitos que não eram verdadeiros? Atingi o bom nome de alguém, revelando faltas autênticas, mas ocultas (maledicência)? Já reparei os males causados ou estou disposto a fazê-lo? Disse mal dos outros – de pessoas ou instituições – baseando-me apenas nos boatos de: “contaram-me” ou no “diz-se”? Por outras palavras: colaborei na calúnia ou na murmuração? Fui culpado de fazer intrigas (isto é, de contar alguma coisa desfavorável que alguém disse de outra pessoa, para criar inimizade entre eles)? Tenho presente que a diversidade de opiniões políticas, profissionais ou ideológicas, não deve ofuscar-me até o ponto de julgar ou falar mal do próximo, e que essas divergências não são motivo para manifestar os seus defeitos morais, a menos que o exija o bem comum? Julguei ou fui preconceituoso o outro por causa de sua cor, time, partido político ou outros atributos? Jurei falso ou assinei documentos falsos? Sou crítico ou negativo sem necessidade ou falto à caridade nas minhas conversas? Lisonjeei outras pessoas? Sou escrupuloso, vendo pecado onde não existe? Sou hipócrita, puritano, impondo carga desumana a outros? Com relação aos que convivem maritalmente e não estão casados, ou foram casados com outros e vivem em adultério, conforme o Catecismo da Igreja Católica: 1650. “Hoje em dia e em muitos países, são numerosos os católicos que recorrem ao divórcio, em conformidade com as leis civis, e que contraem civilmente uma nova união. A Igreja mantém por fidelidade à palavra de Jesus Cristo («quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério»: Mc 10, 11-12), que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimônio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objetivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da Comunhão Eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa”.

Orientações:
1º Nessa situação, ouça a voz de Cristo pela Igreja conforme acima;
2º Nenhum padre, fora das condições acima, pode dar a absolvição sacramental e permitir a comunhão eucarística;
3º Em caso de dúvida, converse com o confessor para analisar sua situação;
4º O padre poderá te orientar sobre o processo de nulidade matrimonial junto ao Tribunal Eclesiástico da união anterior, sobre causas de nulidade (liberdade, consentimento, erro de pessoa etc.) e como pode-se instruir um processo junto a padres da Diocese especializados;
5º Nada impede a abertura de coração, sobre dúvidas interiores e receber a bênção de Deus (não a absolvição sacramental) para seguir o caminho da misericórdia e atuar na Igreja (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1651).

Perguntas frequentes:
1. Um padre pode dar a absolvição para uma pessoa que convive maritalmente com um recasado? Não, porque não há como se arrepender porque o pecado permanece. Essa mesma pessoa pode comungar? Não, porque está em estado de pecado.
2. Uma pessoa separada de um cônjuge, casados na Igreja, pode namorar? Não, seria adultério.
3. Pode-se namorar uma pessoa que foi casada na Igreja e hoje está divorciada? Não, seria adultério.
4. Com o casamento somente no civil é possível confessar e comungar? Não, seria adultério para a Igreja.
5. Uma pessoa separada de um cônjuge com casamento na Igreja Católica, se vive só pode comungar? Sim, se se vive em castidade.
6. Uma pessoa que vive maritalmente com outra (“juntada”) pode comungar? Não, está no pecado da fornicação.
7. Um padre pode absolvê-la de tal pecado? Não, enquanto a convivência se mantiver.
8. Se uma pessoa vive na mesma casa, mas não vive maritalmente pode comungar? Sim, conforme o Papa Bento diz: “Enfim, caso não seja reconhecida a nulidade do vínculo matrimonial e se verifiquem condições objetivas que tornam realmente irreversível a convivência, a Igreja encoraja estes fiéis a esforçarem-se por viver a sua relação segundo as exigências da lei de Deus, como amigos, como irmão e irmã; deste modo poderão novamente abeirar-se da mesa eucarística, com os cuidados previstos por uma comprovada prática eclesial” (Sacramentum Caritatis, n. 29).

A transformação de Jesus não é magia, renova o coração

Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
Na Missa desta manhã, Papa convidou fiéis a se abrirem à transformação trazida por Jesus

Deixar-se transformar por Jesus, permitindo que Ele liberte dos pecados, disse o Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 5, na capela da Casa Santa Marta. Em sua homilia, o Pontífice comentou a primeira leitura, que fala da renovação, de como tudo será transformado para melhor, pois era isso que o povo de Israel esperava do Messias.

Ao falar do Evangelho do dia, o Papa observou que Jesus curava e mostrava um caminho de mudança para as pessoas e, por isso, elas o seguiam. Não o seguiam porque estava na moda, mas porque a sua mensagem chegava ao coração. O povo via que Jesus curava e o seguia também por isso.

“Mas o que Jesus fazia não era somente uma mudança da feiura à beleza, do ruim ao bom: Jesus fez uma transformação. Não é um problema de fazer bonito, não é problema de maquiagem, de magia: transformou tudo a partir de dentro! Transformou com uma recriação: Deus tinha criado o mundo; o homem caiu no pecado; chega Jesus para recriar o mundo. E esta é a mensagem; a mensagem do Evangelho, que se vê claramente: antes de curar aquele homem, Jesus perdoa os seus pecados. Vai ali, à recriação, recria aquele homem de pecador a homem justo: o recria como justo. O faz de novo, totalmente novo. E isso escandaliza: isso escandaliza!”

Por isso, afirmou o Papa, os Doutores da Lei começaram a discutir, a murmurar, porque não podiam aceitar a sua autoridade. Jesus, disse, é capaz de fazer dos homens – pecadores – pessoas novas. É algo que Madalena intuiu, ela que era saudável, mas tinha uma chaga dentro: era uma pecadora. Intuiu, portanto, que aquele homem podia curar não o corpo, mas a chaga da alma. Podia recriá-la e para isso precisava de tanta fé.

“Que o Senhor nos ajude a nos preparar para o Natal com grande fé, porque precisa de muita fé para a cura da alma, para a cura existencial, para a recriação que Jesus nos traz. Ser transformados é a graça da saúde que Jesus traz. E precisa vencer a tentação de dizer ‘eu não consigo’, mas, ao invés, se deixar ‘transformar’, ‘recriar’ por Jesus”.

O Santo Padre lembrou que todos são pecadores, mas é preciso que cada um olhe para a raiz do seu pecado para que Deus possa recriar essa pessoa. “Mas se nós dizemos ‘sim, sim, tenho pecados; vou, me confesso… duas palavrinhas e depois continuo assim…’, não me deixo recriar pelo Senhor. Somente duas pinceladas de verniz e acreditamos que com isso encerro o caso! Não! Os meus pecados, com nome e sobrenome: eu fiz isso, isso, isso e me vergonho dentro do coração! E abro o coração: ‘Senhor, o único que tenho. Recria-me! Recria-me!’ E assim teremos a coragem de ir com fé verdadeira – como pedimos – em direção ao Natal”.

O Papa acrescentou que sempre se tenta esconder a gravidade dos pecados. Um exemplo é quando não se dá importância à inveja sendo que esta é algo terrível, é como veneno de serpente que tenta destruir o outro. Francisco encorajou então a olhar a fundo para os pecados e depois entregá-los ao Senhor, para que Ele os cancele e ajude a seguir adiante com fé. E destacou este trecho, contando uma anedota de um Santo, “estudioso da Bíblia”, que tinha um caráter muito forte, com momentos de ira e que pedia perdão ao Senhor, fazendo muitas renúncias e penitências.

“O Santo, falando com o Senhor, dizia: ‘Está feliz, Senhor?’ – ‘Não!’ – ‘Mas dei tudo!’ – ‘Não, falta alguma coisa…’. E este pobre homem fazia outra penitência, outra oração, outra vigília: ‘Dei-lhe isto Senhor. Está bom assim?’ – ‘Não! Falta alguma coisa…’ – ‘Mas o que falta, Senhor?’ – ‘Faltam os seus pecados! Dê-me os seus pecados!’. Isso é o que o Senhor pede a nós hoje: ‘Coragem! Dê-me os seus pecados e eu farei de você um novo homem e uma nova mulher’. Que o Senhor nos dê fé para acreditar nisto”.

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