Pensamentos Seletos

“Ame alguém e o leve para o Céu”…

“Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas”.1 Crônicas 16,24

Muitas pessoas são muito carentes de amor.

O filósofo judeu Fílon de Alexandria (cerca de 20 a.C. – 40 d.C.) afirmou: “Seja amável, pois cada pessoa que você encontra trava uma grande batalha”. Ele sabia que as pessoas estavam sofrendo. Apesar das aparências, apesar do rosto que essa pessoa mostra ao mundo, cada um de nós sofre alguma coisa. Muitos de nós tentam aliviar seus sofrimentos com os “remédios” que o mundo sugere: materialismo, entretenimentos, passatempos, sexo, comida, bebida, drogas… Ao invés de nos sentirmos melhores, tais coisas, muitas vezes, desviam a nossa atenção de Deus e, consequentemente, nos tornam carentes de amor e vazios. Não importa quais são os desafios que você e sua família estão enfrentando – desemprego, problemas financeiros, de saúde, vícios, divórcio –, a única fonte duradoura de conforto e de segurança é Deus, Todo-Poderoso.

Os primeiros cristãos eram tão carinhosos e compassivos, que seus vizinhos pagãos se maravilhavam: “Veja como eles (os cristãos) se amam!”. O carinho dos primeiros cristãos atraía muitos à conversão e serviu para formar a Igreja. Não é diferente de hoje: todos querem ser tomados de amor ao cuidarem das pessoas.

É por meio do amor que Jesus atrai as almas para Si. É por amor que Jesus resgata as ovelhas perdidas. Além disso, Cristo espera que cada cristão batizado se una a Ele na missão de salvar as almas.

Antes de subir ao céu, Jesus disse: “Ide, pois, e fazei discípulos a todas as nações” (Mt 28,19). Desde então, a Igreja Católica tem entendido que a sua principal missão é evangelizar. No entanto, a evangelização não se limita aos missionários enviados a terras longínquas. Você e eu temos a missão de levar a mensagem do Evangelho e do amor a Deus para a nossa família e amigos, vizinhos e colegas de trabalho.

Talvez você esteja pensando: “Minha fé é algo particular. Não quero fazer proselitismo”. Talvez você esteja com medo por não conhecer sua fé de modo suficiente para explicá-la aos outros. No entanto, você não precisa ser um teólogo. O que você deverá fazer é lançar a semente, o que não é necessário fazê-lo abordando questões doutrinárias difíceis, mas apenas contando a história das coisas boas que Deus fez em sua vida. Você pode falar sobre as orações que Deus tem lhe respondido, a paz que foi restaurada na sua família e de todas as outras bênçãos que Deus tem lhe dado. Se falar com o coração, com sinceridade e amor, coisas maravilhosas vão acontecer. Não tenha medo! Esteja aberto a rezar todos os dias para que Deus lhe conceda a graça de ajudar a levar alguém para o céu. Muitos apóstolos leigos já estão respondendo a este chamado, bem como várias paróquias, inúmeros diáconos e sacerdotes, religiosas e bispos, que, corajosa e amorosamente, estão trabalhando juntos como uma família para trazerem nossos irmãos e irmãs para casa. Em 2006, no quadragésimo ano da publicação do documento do Concílio Vaticano II, o então Papa Bento XVI lembrou que a Igreja “não é algo opcional, mas a própria vocação do povo de Deus, um dever que lhe corresponde por ordem do próprio Senhor Jesus Cristo”.

Antes de começar a falar da fé, ouça a pessoa com a qual você está prestes a falar. Que lutas ou desafios está tendo? Seu amigo ou amiga acabou de passar por uma perda significativa? Seu esforço junto a ele(a) será em vão se você passar uma hora falando sobre a doutrina mariana, quando o que ele(a) precisa realmente ouvir é o ensinamento restaurador da Igreja no seu sofrimento redentor. Com frequência, recorremos ao suporte intelectual da fé católica quando alguém está lutando diante de um profundo revés emocional, o qual tem de ser resolvido de forma completamente diferente, mas sempre com a verdade da Igreja. Lembre-se de que ninguém se interessa pelo quanto você tem de sabedoria, até que saibam o quanto você tem de interesse por eles(as). Isso vale a pena ser repetido: ninguém se importa pelo quanto você sabe, até que saibam quanto se importa com eles.

Todos somos chamados, cada um no seu caminho, a guiar as almas. Temos que estar abertos ao Espírito Santo e aproveitarmos cada oportunidade como dom de Deus. São Paulo nos diz na 1ª aos Coríntios 9,16: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!”. Quando o Espírito Santo lhe dá a oportunidade de falar com alguém sobre a fé, não vire as costas. Quando der seu testemunho, faça-o com humildade e compaixão, não com julgamento, nem condenação.

Todos os dias, o dia todo, Deus está falando para você: “Eu estou aqui e te amo! Volta para mim”. A maioria das pessoas que não ouve o convite de Deus, não O está rejeitando com convicção. Elas estão tão absorvidas pelas distrações do mundo, que, simplesmente, não se conscientizam de que Deus existe. No entanto, o dom de Sua Misericórdia está sempre disponível, esperando pelo dia em que tais ovelhas perdidas perceberão quanto necessitam Dele.

Se os membros de sua família estão entre as ovelhas que se afastaram da Igreja, nunca pare de rezar por eles. Um dos momentos mais eficazes de rezar pelo retorno deles é durante a consagração, na Missa, quando o sacerdote eleva o cálice com o preciosíssimo Sangue de Jesus. Lembre-se que, por amor e compaixão para com a humanidade pecadora, Cristo derramou Seu sangue para a salvação do mundo; e Ele o fez a fim de não perder uma única alma. Assim, na elevação do cálice, cite os nomes dos seus entes queridos, colocando-os diante do Preciosíssimo Sangue de Jesus e peça a Ele para trazê-los de volta para casa.

Talvez o maior desafio espiritual que nossas famílias enfrentam hoje é a batalha contra o secularismo humano, o qual é definido como “uma filosofia humanística considerada como uma religião ateia, oposta à religião tradicional”. Outra fonte o define como “a visão de uma religião global baseada no ateísmo, no naturalismo, na evolução e no relativismo ético”, em que os humanistas seculares são ateus e adotam o “relativismo ético”, isto é, a ideia de que não existe um código moral absoluto, portanto, nós seríamos livres para adaptar nossos padrões éticos de acordo com cada situação.

Mesmo várias pessoas religiosas podem achar difícil resistir ao secularismo humano, pois o conhecem bem. No entanto, você tem que resistir a essa filosofia, pois ela não vem do Evangelho; não é o plano de Deus para a humanidade! Se você está muito ligado na rotina da sua correria diária, se se encontra perdendo a Missa e ignorando suas orações, pare por um momento agora e olhe ao redor, não apenas para o exterior, mas também interiormente.

Existe algum vazio? Tenho certeza que sim; e se assim for, em seguida, vá à Missa, receba com frequência os Sacramentos e não se prive das orações, pois estas são as chaves para você permanecer na paz de Deus, reconhecendo Seu verdadeiro plano para este mundo. Embora seja importante amar os outros para conduzi-los ao céu, é igualmente importante amar-nos a nós mesmos para irmos para o céu, e fazemos isso a fim de descansar na presença do Senhor.

Retirado do livro “Católicos, voltem para casa”, de Tom Peterson

Solenidade da Ascensão do Senhor

Domingo, 20 de maio de 2012 / Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa abençoa peregrinos reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano  

Fiéis e peregrinos compareceram em grande número à praça São Pedro, no Vaticano, para ouvir as palavras do Papa Bento XVI, no Angelus deste domingo, 20, e receber a sua benção.

Bento XVI falou aos presentes sobre a Ascensão do Senhor, ressaltando que o acontecimento “assinala o cumprir-se da salvação, iniciada com a Encarnação”. Ele explicou que ao ascender aos céus, Jesus não abandonou a humanidade, pelo contrário, “assumiu consigo os homens na intimidade do Pai e assim revelou o destino final da nossa peregrinação terrena”.

“A Ascensão é o último ato da nossa libertação do peso do pecado”, disse o Papa, que acrescentou: “Por isso os discípulos, quando viram o Mestre levantar-se da terra e elevar-se para o alto, não foram tomados pelo desconforto, mas sentiram uma grande alegria e sentiram-se encorajados a proclamar a vitória de Cristo sobre a morte” (cfr Mc 16,20).

Sobre o significado da Ascensão, o Santo Padre explicou que esse gesto do senhor, revela que “em Cristo a nossa humanidade é levada às alturas de Deus, assim, a cada vez que rezamos, a terra une-se ao Céu. E como o incenso, queimando, faz subir às alturas a sua fumaça de suave perfume, de forma que, quando elevamos ao Senhor a nossa fervorosa e confiante oração, em Cristo, ela atravessa os céus e alcança o Reino de Deus, é por ele ouvida e atendida”.

Por fim, o Papa citou a obra de São João da Cruz, a Subida ao Monte Carmelo: “para ver realizados os desejos do nosso coração, não há modo melhor que colocar a força da nossa oração naquilo que agrada a Deus. Então ele nos dará não somente o que pedimos, ou seja, a salvação, mas também o que considerar que seja conveniente e bom para nós”.

O Papa lembrou então dois eventos trágicos ocorridos na Itália nas últimas 24 horas: um atentado a uma escola da cidade de Brindisi e o terremoto desta madrugada que atingiu a região italiana da Emília Romagna deixando, até o momento, um saldo de seis mortes. O Santo Padre manifestou sua proximidade às vítimas e aos seus familiares.

Como sempre faz, Bento XVI saudou os presentes nas suas diversas línguas. Em português, disse: “Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, em particular o grupo brasileiro da paróquia Nossa Senhora Aparecida de Piabetá, a quem agradeço o apoio espiritual e material que dão ao meu serviço de Sucessor de Pedro. Sobre todos invoco os dons do Espírito Santo, para serem verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, fazendo jorrar a sua Vida no meio das respectivas famílias e comunidades, que de coração abençôo”.

A Ascensão de Jesus e o mandato missionário

Domingo, 1 de junho de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação  

Santo Padre destacou o mandato missionário deixado por Jesus: partir para anunciar a todos os povos Sua mensagem de salvação

No Regina Coeli deste domingo, 1º, Papa Francisco falou da Ascensão de Jesus ao Céu, festa celebrada pela Igreja hoje. O Santo Padre se concentrou sobre o mandato de Jesus aos discípulos nesta ocasião: partir para anunciar o Evangelho a todos os povos. Segundo Francisco, “partir” se torna a palavra-chave da festa de hoje.

Jesus vai para o céu, mas isso não significa uma separação, explicou o Papa. Esse episódio da Ascensão mostra ao homem que a meta do seu caminho é o Pai e que Jesus permanece sempre próximo. “Mesmo se nós não O vemos, Ele está ali! Acompanha-nos, guia-nos, toma-nos pela mão e nos levanta quando caímos”.

Francisco destacou que, quando Jesus vai para o céu, ele leva ao Pai um presente: as suas chagas. Ele conservou suas chagas para lembrar ao Pai que elas foram o preço do perdão que Ele dá. “Quando o Pai olha para as chagas de Jesus, perdoa-nos sempre, não porque somos bons, mas porque Jesus pagou por nós. Olhando para as chagas de Jesus, o Pai se torna mais misericordioso. Este é o grande trabalho de Jesus hoje no céu: fazer ver ao Pai o preço do perdão, as suas chagas”.

Esse mandato de Jesus aos seus discípulos – “Ide e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19) é, segundo o Pontífice, um mandato preciso, não facultativo. “A comunidade cristã é uma comunidade  ‘em saída’, ‘em partida’. Mais que isso, a Igreja nasceu em saída”.

Por fim, o Santo Padre lembrou que Jesus, antes de partir, garantiu que estaria com os discípulos todos os dias até o fim do mundo. Então, não se pode fazer nada sem Jesus. Nas obras apostólicas, disse o Papa, os esforços humanos são necessários, mas não bastam.

“Sem a presença do Senhor e a força do seu Espírito, o nosso trabalho, mesmo que bem organizado, resulta ineficaz. E assim vamos aos povos dizer quem é Jesus. Eu não gostaria que vocês se esquecessem qual é o presente que Jesus levou ao Pai: as chagas, porque com elas faz ver ao Pai o preço do Seu perdão”.

 

REGINA COELI

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Hoje, na Itália e em outros países, celebra-se a Ascensão de Jesus ao céu, ocorrida quarenta dias após a Páscoa. O Ato dos Apóstolos conta este episódio, a separação final do Senhor Jesus dos seus discípulos e deste mundo (cfr. At 1, 2.9). O Evangelho de Mateus, em vez disso, relata o mandato de Jesus aos discípulos: o convite a ir, a partir para anunciar a todos os povos a sua mensagem de salvação (cfr. Mt 28, 16-20). “Ir”, ou melhor, “partir” se torna a palavra-chave da festa de hoje: Jesus parte para o Pai e ordena seus discípulos a partirem para o mundo.

Jesus parte, sobe ao Céu, isso é, retorna ao Pai do qual tinha sido mandado ao mundo. Fez o seu trabalho, então retorna ao Pai. Mas não se trata de uma separação, porque Ele permanece sempre conosco, de uma forma nova. Com a sua ascensão, o Senhor ressuscitado atrai o olhar dos apóstolos – e também o nosso olhar – às alturas do Céu para nos mostrar que a meta do nosso caminho é o Pai. Ele mesmo havia dito que iria para lá nos preparar um lugar no Céu. Todavia, Jesus permanece presente e ativo nos acontecimentos da história humana com o poder e os dons do seu Espírito; está próximo a cada um de nós: mesmo se nós não O vemos com os olhos, Ele está ali! Acompanha-nos, guia-nos, toma-nos pela mão e nos levanta quando caímos. Jesus ressuscitado está próximo aos cristãos perseguidos e discriminados; está próximo a cada homem e a cada mulher que sofre. Está próximo a todos nós, também hoje está aqui conosco na praça; o Senhor está conosco! Vocês acreditam nisso? Então digamos juntos: o Senhor está conosco!

Jesus, quando retorna ao Céu, leva ao Pai um presente. Qual é o presente? As suas chagas. O seu corpo está belíssimo, sem contusões, sem as feridas da flagelação, mas conserva as chagas. Quando retorna ao Pai, mostra-lhe as chagas e lhe diz: “Veja, Pai, este é o preço do perdão que tu dás”. Quando o Pai olha para as chagas de Jesus, perdoa-nos sempre, não porque somos bons, mas porque Jesus pagou por nós. Olhando para as chagas de Jesus, o Pai se torna mais misericordioso. Este é o grande trabalho de Jesus hoje no Céu: fazer ver ao Pai o preço do perdão, as suas chagas. É uma coisa bela esta que nos impele a não ter medo de pedir perdão; o Pai sempre perdoa, porque olha as chagas de Jesus, olha o nosso pecado e o perdoa.

Mas Jesus está presente também mediante a Igreja, que Ele enviou para prolongar a sua missão. A última palavra de Jesus aos discípulos é um mandamento de partir: “Ide e fazei discípulos todos os povos” (Mt 28, 19). É um mandato preciso, não é facultativo! A comunidade cristã é uma comunidade “em saída”, “em partida”. Mais que isso: a Igreja nasceu “em saída”. E vocês me dirão: mas e as comunidades de clausura? Sim, também aquelas, porque estão sempre “em saída” com a oração, com o coração aberto ao mundo, aos horizontes de Deus. E os idosos, os doentes? Também eles, com a oração e a união às chagas de Jesus.

Aos seus discípulos missionários, Jesus diz: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (v. 20). Sozinhos, sem Jesus, não podemos fazer nada! Na obra apostólica não bastam as nossas forças, os nossos recursos, as nossas estruturas, também são necessários. Sem a presença do Senhor e a força do seu Espírito o nosso trabalho, mesmo bem organizado, resulta ineficaz. E assim vamos dizer ao povo quem é Jesus. E junto com Jesus acompanha-nos Maria, nossa Mãe. Ela já está na casa do Pai, é Rainha do Céu e assim a invocamos neste tempo; mas como Jesus está conosco, caminha conosco, é a Mãe da nossa esperança.

São Felipe Neri – o Santo da alegria

Presbítero e Fundador da Congregação do Oratório (Florença, 22 de julho de 1515 – 26 de maio de 1595)

“Guarde-se o moço da luxúria e o velho da avareza: e ambos serão Santos”.

“Os que desejam avançar no caminho de Deus, sujeitem-se a um sábio confessor e obedeçam-lhe como a Deus”.

“Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco”.

“Quanto de amor pomos nas criaturas, tanto tiramos de Deus”.

“Não tardes em bem obrar; porque a morte não tarda em vir”.

“A tentação revelada ao diretor espiritual já é vencida pela metade”.

“Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer por amor de Cristo”.

“Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus”.

“Neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam o paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno”.

“É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições”.

“Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmos nem tempo nem espaço”.

“A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio, para se conservar a pureza”.

“Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia”.

“Com a oração pedimos mais graças a Deus; mas na Santa Missa obrigamos a Deus a no-las dar”.

“Então, caro amigos, quando é que começaremos a amar a Deus?”

Retirado do livro Ensinamentos dos santos. Felipe Aquino. Editora Cleófas, 2003.

 

1-“Ser misericordioso com os que caíram é melhor meio para não cairmos nós mesmos!”

2-“Na guerra pela pureza só vencem os covardes, isto é, aqueles que fogem!”

3 – “Quem quiser outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que quer; quem pede outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que faz”.

4 – “A  grandeza  do amor que se tem a Deus, é medida pela grandeza do desejo de sofrer  muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz, achará uma outra mais pesada”.

5 – “Os sofrimentos  deste mundo são a melhor  escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó, porque é um infeliz”.

6 – “Basta, Senhor, basta! Suspendei a  torrente de vossas  consolações,  porque não tenho forças para receber  tantas delícias”.

7 – “Ó meu Deus tão amável, por que não  me destes um coração capaz de amar-Vos  condignamente?”

8 – “Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus”.

9 – “É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições”.

10 – “Esta só razão devia bastar para manter alegre um fiel — saber que tem Maria Virgem junto de Deus, que pede por ele”.

11 – “Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia”.

12 – “Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco”.

13 – “Longe de mim, o pecado e a tristeza!”

14 – “Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um cristão do que padecer por amor de Cristo”.

 

As Armas Contra os Maus Pensamentos, por São Felipe Neri.

Certo mancebo apresentou-se um dia a S. Felipe Neri, queixando-se que as tentações molestavam-no continuamente.

O santo prescreveu-lhe alguns remédios, mas depois de alguns dias apresentou-se novamente, dizendo que não havia experimentado nenhuma melhora.

– “Bem” – disse-lhe então o padre Felipe – “vem amanhã bem cedo; passarás o dia comigo”.

No dia seguinte, mal o mancebo se apresentou, disse-lhe:

– “Presta-me um auxílio: leva este monte de ladrilhos ao andar de cima“. – “Fa-lo-ei com muito gosto“. – “Eia, depressa! Ao meio-dia deves ter terminado“. – “Será obedecido, padre“.

Eram muitos os ladrilhos e na verdade não havia muito tempo a perder.

Ao meio dia, vermelho como um caranguejo, mas satisfeito, apresentou-se nosso moço cheio de júbilo ao padre Felipe, para dizer-lhe que havia cumprido a sua tarefa.

– “Muito bem” – disse-lhe o santo – “Depois do almoço voltarás a trazer esses mesmos ladrilhos ao mesmo sítio primitivo”.

Obediente, o moço cumpriu perfeitamente o seu dever e ao anoitecer, apresentou-se, cansado, ao padre Felipe.

– “Diz-me” – interrogou este sorrindo – “tiveste hoje tentação”? – “Nenhuma sequer, padre; não havia tempo“. – “Procura, pois, trabalhar assim todos os dias; verás como o demônio já não pensará mais em incomodar-te“.

O Matrimônio

Beleza do sacramento

Quarta-feira, 29 de abril de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Reunido com fiéis na Praça São Pedro, Francisco refletiu sobre o casamento, que hoje em dia é uma realidade distante ou inexistente para muitos jovens

Francisco fala do matrimônio cristão e destaca a família como obra-prima da sociedade / Foto: Reprodução CTV

A catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 29, foi dedicada ao matrimônio. O Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a família e, desta vez, concentrou-se no casamento, refletindo, por exemplo, sobre a realidade dos jovens que não querem se casar.

Francisco mencionou que o primeiro dos sinais prodigiosos de Jesus foi realizado no contexto do matrimônio: o milagre do vinho nas bodas de Caná. “Assim, Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!”.

Desta época até hoje, muita coisa mudou, disse o Papa, mas esse sinal de Cristo contém uma mensagem sempre válida. O Pontífice reconheceu que os jovens não querem se casar, que em muitos países aumenta o número de separações e diminui o número de filhos. Essas são as primeiras e mais importantes vítimas de uma separação, destacou o Papa, e isso pode ter reflexos futuros.

“Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura”.

Essa realidade dos jovens que não querem se casar constitui, segundo o Santo Padre, uma das preocupações dos tempos atuais. Ele lembrou que é importante tentar entender o porquê dos jovens agirem assim, de não terem confiança na família.

Para o Papa, as dificuldades financeiras não são o único motivo. Há quem cite como provável causa a emancipação da mulher, mas isso não é um argumento válido, segundo o Pontífice, mas sim uma forma de machismo que sempre quer dominar a mulher.

Na verdade, Francisco disse que quase todos os homens e mulheres gostariam de ter um casamento sólido, mas muitos têm medo de errar e, mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental. “Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família”.

“Os cristãos, quando se casam ‘no Senhor’, são transformados em sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam somente para si: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade, de toda a sociedade”, concluiu Francisco, anunciado que, na catequese da próxima semana, dará continuidade à reflexão sobre a beleza da vocação do matrimônio cristão.

A criação do mundo e o pecado original

Quarta-feira, 06 de fevereiro de 2013, André Alves / Da Redação

“A vida surge, o mundo existe, porque tudo obedece à Palavra divina”, diz Bento XVI  

O Papa Bento XVI continuou nesta quarta-feira, 6, as catequeses sobre a Profissão de Fé católica – o Credo. Ele abordou nesta seção, a temática da criação de Deus, a imagem do jardim do Éden, as figuras de Adão e Eva e a realidade do pecado original, citados no livro do Gênesis.

O Santo Padre ressaltou no início, a qualificação que o Credo faz de Deus como “Pai Onipotente” e “Criador do céu e da terra”, frase mencionada no livro da criação. O Papa afirma que Deus é a origem de todas as coisas e na beleza da criação se desdobra a sua onipotência de Pai que ama. A fé, diz o Pontífice, é a base para o reconhecimento de que o mundo foi criado pela palavra de Deus.

“O crente pode ler o grande livro da natureza e entender sua linguagem (cfr Sal 19,2-5); mas é necessária a Palavra de revelação, que suscita a fé, para que o homem possa chegar à plena consciência da realidade de Deus como Criador e Pai”, explicou.

Ao citar o livro que trata da criação, o Gênesis, Bento XVI, interpreta, a partir da revelação bíblica, que o primeiro pensamento de Deus ao criar o mundo era encontrar um amor que respondesse ao seu amor. O segundo pensamento era criar um mundo material onde colocar este amor, estas criaturas que em liberdade lhe responderiam.

“Mas a nossa pergunta hoje é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação?” Questionou o Pontífice. Segundo ele, a Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; quer, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. E afirma: “a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional ou as nossas necessidades, mas a razão e o amor e a liberdade.”

Bento XVI prosseguiu a catequese refletindo sobre a imagem do barro no livro que relata a criação. “Isto significa que não somos Deus, não nos fizemos por nós mesmos, somos terra; mas significa também que viemos da terra boa, por obra do Criador bom.” E segundo o Papa, o jardim do Éden diz que a realidade em que Deus colocou o ser humano não é uma floresta selvagem, mas lugar que protege, alimente e sustenta.

“O homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como dom do Criador, sinal de sua vontade salvífica, dom a cultivar e proteger, de fazer crescer e desenvolver no respeito, na harmonia, seguindo os ritmos e a lógica, segundo o desígnio de Deus (cfr Gen 2,8-15)”, salientou.

Em seguida, o Santo Padre explicou a figura da serpente como sendo o sinal da tentação que objetiva levar o homem a romper a relação com Deus, colocando no seu coração a dúvida e inimizade com o Criador.

Segundo o Papa, a serpente levanta a suspeita de que a aliança com Deus seja como uma prisão que une, que priva da liberdade e das coisas mais belas e preciosas da vida. A serpente, como sinal da tentação, leva o homem a não aceitar os seus limites de criatura e a pensar a dependência do amor criador de Deus, como um fardo do qual deve se libertar.

Por fim, o Santo Padre, comentando a realidade do pecado original, afirmou que “o pecado gera pecado e todos os pecados da história estão ligados entre si.” Segundo ele, o pecado significa perturbar ou destruir a relação com Deus e sua  essência está em colocar-se no lugar de Deus.

Bento XVI encerrou dizendo que viver de fé significa ao homem reconhecer a grandeza de Deus, a pequenez humana e a sua condição de criatura. A fé ilumina o mistério do mal e traz a “certeza de que é bom ser um homem”.

 

Catequese de Bento XVI: reflexão sobre o Credo 06/02/2013  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

O Credo, que inicia qualificando Deus como “Pai Onipotente”, como meditamos na semana passada,  acrescenta que Ele é o “Criador do céu e da terra”, e remete assim à afirmação com a qual inicia a Bíblia. No primeiro versículo da Sagrada Escritura, de fato, se lê: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gen 1,1): é Deus a origem de todas as coisas e na beleza da criação se desdobra a sua onipotência de Pai que ama.

Deus se manifesta como Pai na criação, enquanto origem da vida, e ao criar, mostra a sua onipotência. As imagens usadas pela Sagrada Escritura a este respeito são muito sugestivas (cfr Is 40,12; 45,18; 48,13; Sal 104,2.5; 135,7; Pr 8, 27-29; Gb 38–39). Ele, como um Pai bom e poderoso, cuida daquilo que criou com um amor e uma fidelidade que não são nunca menores, dizem repetidamente os Salmos (cfr Sal 57,11; 108,5; 36,6). Assim, a criação torna-se lugar no qual conhecer e reconhecer o poder do Senhor e a sua bondade, e torna-se apelo à fé de nós crentes para que proclamemos Deus como Criador. “Pela fé, – escreve o autor da Carta aos Hebreus – reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível” (11, 3). A fé implica, portanto, saber reconhecer o invisível identificando o traço no mundo visível. O crente pode ler o grande livro da natureza e entender sua linguagem (cfr Sal 19,2-5); mas é necessária a Palavra de revelação, que suscita a fé, para que o homem possa chegar à plena consciência da realidade de Deus como Criador e Pai. É no livro da Sagrada Escritura que a inteligência humana pode encontrar, à luz da fé, a chave de interpretação para compreender o mundo. Em particular, ocupa um lugar especial o primeiro capítulo do Gênesis, com a solene apresentação da obra criadora divina que se desdobra ao longo de sete dias: em seis dias Deus cumpre a criação e no sétimo dia, o sábado, cessa todas as atividades e descansa. Dia de liberdade para tudo, dia da comunhão com Deus. E assim, com esta imagem, o livro do Gênesis nos indica que o primeiro pensamento de Deus era encontrar um amor que responda ao seu amor. O segundo pensamento é criar um mundo material onde colocar este amor, estas criaturas que em liberdade lhe respondam. Tal estrutura, portanto, faz com que o texto seja marcado por algumas repetições significativas. Por seis vezes, por exemplo, aparece repetida a frase: “Deus viu que era coisa boa” vv. 4.10.12.18.21.25), para concluir, a sétima vez, depois da criação do homem: “Deus viu o quanto havia feito, e de fato, era coisa muito boa” (v. 31). Tudo aquilo que Deus cria é belo e bom, cheio de sabedoria e de amor; a ação criadora de Deus traz ordem, harmonia, doa beleza. No relato de Gênesis, então, emerge que o Senhor cria com a sua palavra: por dez vezes se lê no texto a expressão “Deus disse” (vv. 3.6.9.11.14.20.24.26.28.29). É a palavra, o Logos de Deus que é a origem da realidade do mundo dizendo: “Deus disse”, foi assim, enfatiza o poder eficaz da Palavra divina. Assim canta o Salmista: “Da palavra do Senhor foram feitos os céus, do sopro de sua boca cada ordem …, porque ele falou, tudo foi criado, ordenou e tudo foi cumprido” (33, 6. 9). A vida surge, o mundo existe, porque tudo obedece à Palavra divina.

Mas a nossa pergunta hoje é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação? Como devemos compreender as narrações de Gênesis? A Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; quer, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. A verdade fundamental que os relatos de Gênesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças entre conflitantes, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus que continua a sustentar o universo. Isso é um desígnio sobre o mundo que nasce desta Razão, do Espírito criador. Acreditar que na base de tudo esteja isto, ilumina cada aspecto da existência e dá coragem para enfrentar com confiança e com esperança a aventura da vida.  Depois, a escritura nos diz que a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional ou as nossas necessidades, mas a razão e o amor e a liberdade. Disto a alternativa: ou prioridade do irracional, da necessidade, ou prioridade da razão, da liberdade, do amor. Nós acreditamos nesta última posição.

Mas gostaria de dizer uma palavra também sobre aquilo que é o ápice de toda a criação: o homem e a mulher, o ser humano, o único “capaz de conhecer e de amar o seu Criador” (Const. past. Gaudium et spes, 12). O Salmista, olhando para o céu, pergunta-se: “Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: ‘que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?” (8,4-5). O ser humano, criado com amor por Deus, é coisa bem pequena diante da imensidade do universo; às vezes, olhando fascinados para a enorme extensão do firmamento, também nós percebemos a nossa limitação. O ser humano é habitado por este paradoxo: a nossa pequenez e a nossa fragilidade convivem com a grandeza disso que o amor eterno de Deus quis para ele.

Os relatos da criação no Livro do Gênesis nos introduzem também neste misterioso âmbito, ajudando-nos a conhecer o projeto de Deus para o homem. Antes de tudo afirmam que Deus formou o homem com o barro da terra (cfr Gen 2,7). Isto significa que não somos Deus, não nos fizemos por nós mesmos, somos terra; mas significa também que viemos da terra boa, por obra do Criador bom. A isto chega outra realidade fundamental: todos os seres humanos são pó, para além das distinções feitas por cultura e história, para além de qualquer diferença social; somos uma única humanidade formada com o único fundamento de Deus. Aparece-vos, pois, um segundo elemento: o ser humano tem origem porque Deus inspira-lhe o sopro de vida no corpo modelado pela terra (cfr Gen 2,7). O ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus (cfr Gen 1,26-27). Todos, então, trazemos em nós o sopro vital de Deus e cada vida humana – noz diz a Bíblia – está sob a particular proteção de Deus. Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana contra toda tentação de avaliar a pessoa segundo critérios utilitaristas e de poder. O ser à imagem e semelhança de Deus indica, então, que o homem não é fechado em si mesmo, mas tem uma referência essencial em Deus.

Nos primeiros capítulos do Livro de Gênesis encontramos duas imagens significativas: o jardim com a árvore do conhecimento do bem e do mal e a serpente (cfr 2,15-17; 3,1-5). O jardim nos diz que a realidade em que Deus colocou o ser humano não é uma floresta selvagem, mas lugar que protege, alimente e sustenta; e o homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como dom do Criador, sinal de sua vontade salvífica, dom a cultivar e proteger, de fazer crescer e desenvolver no respeito, na harmonia, seguindo os ritmos e a lógica, segundo o desígnio de Deus (cfr Gen 2,8-15). Depois, a serpente é uma figura que deriva dos cultos orientais de fertilidade, que apelavam a Israel e constituíam uma constante tentação de abandonar a misteriosa aliança com Deus. À luz disto, a Sagrada Escritura apresenta a tentação por que passa Adão e Eva como o núcleo da tentação e do pecado. O que diz de fato a serpente? Não nega Deus, mas insinua uma pergunta sutil: “É verdade o que Deus disse ‘Não devem comer do fruto de toda árvore do jardim’? (Gen 3, 1). Deste modo, a serpente levanta a suspeita de que a aliança com Deus seja como uma prisão que une, que priva da liberdade e das coisas mais belas e preciosas da vida. A tentação torna-se construir sozinho o mundo no qual viver, não aceitar os limites do ser criatura, os limites do bem e do mal, da moralidade; a dependência do amor criador de Deus é visto como um fardo do qual libertar-se. Este é sempre o núcleo da tentação. Mas quando se distorce a relação com Deus, com uma mentira, colocando em seu lugar, todos os outros relacionamentos são alterados. Então o outro transforma-se um rival, uma ameaça: Adão, depois de ter cedido à tentação, acusa imediatamente Eva (cfr Gen 3,12); os dois se escondem da vista daquele Deus com o qual conversavam em amizade (cfr 3,8-10); o mundo não é mais o jardim no qual viver com harmonia, mas um lugar para desfrutar e no qual se escondem armadilhas (cfr 3,14-19); a inveja e o ódio contra a outro entram no coração do homem: a exemplo de Caim que mata o próprio irmão Abel (cfr 4,3-9). Indo contra o seu criador, na verdade o homem vai contra si mesmo, renega a sua origem e também a sua verdade; e o mal entra no mundo, com a sua penosa prisão de dor e de morte. E assim tudo quanto Deus havia criado era bom, na verdade, muito bom, depois desta livre decisão do homem pela mentira contra a verdade, o mal entra no mundo.

Dos relatos da criação, gostaria de evidenciar um último ensinamento: o pecado gera pecado e todos os pecados da história estão ligados entre si. Este aspecto nos impele a falar sobre o que é o chamado “pecado original”. Qual é o significado desta realidade, difícil de compreender? Gostaria de citar somente alguns elementos. Antes de tudo, devemos considerar que nenhum homem é fechado em si mesmo, nenhum pode viver sozinho, por si só; nós recebemos a vida do outro e não somente no momento do nascimento, mas a cada dia. O ser humano é relacional: eu sou eu mesmo somente no tu e através do tu, na relação do amor com o Tu de Deus e o tu dos outros. Bem, o pecado é perturbar ou destruir a relação com Deus, esta é a sua essência: destruir a relação com Deus, a relação fundamental, colocar-se no lugar de Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que com o primeiro pecado o homem “fez a escolha de si mesmo contra Deus, contra as exigências da própria condição de criatura e consequentemente contra o próprio bem” (n. 398). Perturbada a relação fundamental, são comprometidos ou destruídos também os outros pólos da relação, o pecado arruína as relações, assim arruína tudo, porque nós somos relações. Ora, se a estrutura relacional da humanidade é perturbada desde o início, cada homem entra em um mundo marcado por esta perturbação das relações, entra em um mundo perturbado pelo pecado, do qual é marcado pessoalmente; o pecado inicial ataca e fere a natureza humana (cfr Catechismo della Chiesa Cattolica, 404-406). E o homem sozinho não pode sair desta situação, não pode redimir-se sozinho; somente o próprio Criador pode restabelecer as relações certas. Somente se Aquele do qual nós fomos desviados vem a nós e nos toma pela mão com amor, as relações corretas podem ser retomadas. Isso acontece em Jesus Cristo, que cumpre exatamente o percurso inverso daquele de Adão, como descreve o hino do segundo capítulo da Carta de São Paulo aos Filipenses (2,5-11): enquanto Adão não reconhece o seu ser criatura e quer colocar-se no lugar de Deus, Jesus, o Filho de Deus, está em uma relação filial perfeita com o Pai, reduz-se, transforma-se servo, percorre o caminho do amor humilhando-se até a morte de cruz, para reordenar a relação com Deus. A Cruz de Cristo transforma-se assim na nova árvore da vida.

Queridos irmãos e irmãs, viver de fé quer dizer reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa pequenez, a nossa condição de criatura deixando que o Senhor a transborde com o seu amor e assim cresça a nossa verdadeira grandeza. O mal, com a sua carga de dor e sofrimento, é um mistério que vem iluminado pela luz da fé, que nos dá a certeza de poder ser libertos: a certeza de que é bom ser um homem.

Oração, força em meio a tribulação

Os barcos da época de Jesus eram conduzidos pelo vento ou por remo, pois não tinham motor. A parte da frente, chamada proa, cortava as águas em direção à outra margem e recebia pancadas das fortes ondas. Mas era na parte de trás, na popa do barco, que se localizava o leme ou timão, uma importante estrutura de madeira usada pelo navegador mais experiente (timoneiro) para direcionar toda a embarcação. Ela define para qual direção a embarcação seria deslocada sobre a água. Por isso a enorme importância do timoneiro, principalmente no momento da tempestade. Ele não podia deixar seu poto em nenhuma circunstância, pois, em meio à agitação do temporal, o único que poderia influenciar do direcionamento da embarcação era o Grande Timoneiro: Jesus Cristo.

Ao acalmar a tempestade, Ele se direciona para os discípulos e, ali mesmo, proporciona a eles uma formação. Faz uma pergunta: “Por que sois tão medrosos?”.

O medo nasce, automaticamente, no coração de quem se vê sozinho, desamparado e sente-se “órfão do Pai do Céu”. Aqueles discípulos estavam apavorados, porque ainda não haviam encontrado Jesus na parte posterior do barco. Eles sabiam “teoricamente” da presença de Jesus, mas, de fato, precisavam fazer uma experiência da presença ativa de Jesus e do seu Senhorio em suas vidas. É incompreensível que, ainda hoje, muitos cristãos vivam sua fé apenas na teoria, sem ter um encontro pessoal com Jesus, o qual pode sustentá-los no tempo da tribulação.

Para o cristão, a passagem pela tribulação é uma oportunidade de vivenciar uma conversão pessoal a partir de um esvaziamento de si mesmo (processo kenótico), para estar cheio de Deus. Aprender a lidar com as tribulações e sofrimentos é um credenciamento necessário para o seguimento de Cristo. Ele disse: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc9, 23). Trate-se de uma exigência do Senhor para os que querem segui-Lo; e Ele não abre exceção para ninguém. “Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). Jesus não fez propaganda enganosa de um “Cristianismo light e frouxo”, mas deixou claro que deveríamos tomar a cruz a cada dia. Aquela que, tantas vezes, é motivo de reclamação, mas que Ele mesmo avisou que existiria. Perceba que os ensinamento de Jesus são válidos até hoje para nós. Ele não enganou ninguém a respeito das exigências necessárias para ser um discípulo, um verdadeiro cristão.

Cientes de todas as dificuldades do tempo da provação, devemos nos empenhar no fortalecimento da nossa fé, que em nada se assemelha a uma vida sem lutas ou sofrimentos, mas solidificada, que pode nos dar o suporte necessário para o enfrentamento do tempo da tribulação. A nossa fé deve se firmar, crescer e amadurecer à medida que enfrentamos os sofrimentos e as adversidades.

Trecho do livro “Fortes na Tribulação” do Padre Fabrício Andrade

Sacramento do Matrimônio

“Perdoar é permitir que o outro entre de novo na história de sua vida” (autor desconhecido).

“Ninguém é perfeito, até que você se apaixone por essa pessoa” (W.Shakeaspeare).

“Se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada” (Ovídio).

“Se você ama alguém, deixo-o livre; se ele voltar, ele é seu; se não, nunca foi” (Richard Bach).

“A medida do amor é amar sem medida” (Santo Agostinho).

“Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar, não gosto porque preciso. Preciso sim, por gostar” (Mário Lago).

“Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo” (autor desconhecido).

“Apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família” (Friedrich Schlegel).

“O bom casamento é um eterno noivado” (Theodor Korner).

“Durante o vosso casamento finjam que ainda não são casados e tudo irá bem. Que haja sempre algo de não atingido e de inacessível entre os dois” (Carl Almquist).

“Quando há casamento sem amor, há amor sem casamento” (Benjamim Franklin).

“O bom marido nunca deve ser o primeiro a adormecer à noite, nem o último a acordar pela manhã” (Honoré de Balzac).

“O casamento feliz é e continuará a ser a viagem de descoberta mais importante que o homem jamais poderá empreender” (Soren Kierkegaard).

“O casamento é a relação entre homem e mulher na qual a independência é igual, a dependência é mútua e a obrigação recíproca” (Louis Anspacher).

“O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos” (Dr. David Reuben).

“O casamento é um edifício que deve ser reconstruído todos os dias” (André Maurois).

“Se os homens agissem depois do casamento da maneira como agem durante o namoro, haveria menos divórcios – e mais falências” (Frances Rodman).

“Não discuta com sua esposa quando ela estiver dobrando seu pára-quedas” (autor desconhecido).

“O valor do casamento não está no fato de adultos produzirem crianças, mas de crianças produzirem adultos” (Peter de Vries).

“Um homem de sucesso é o que ganha mais dinheiro do que sua mulher consegue gastar. Uma mulher de sucesso é a que consegue encontrar um homem desses” (autor desconhecido).

“Um otimista é aquele que acredita que o casamento é um jogo” (Laurence J. Peter).

“A vida de casado ensina uma lição inestimável: pensar sobre as coisas antecipadamente o bastante para não dizê-las” (Jefferson Machamer).

“Casamento é uma longa conversa entremeada de disputa” (Robert Louis Stevenson).

“O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos” (Cyril Connolly).

“O problema do casamento são as diferenças de expectativas: a mulher acha que o homem vai mudar após o casamento, enquanto que o homem acha que a mulher não vai mudar após o casamento” (autor desconhecido).

O casamento não produz dois prisioneiros, mas sim uma liberdade em duas pessoas. Pode dizer-se que teve êxito quando, tendo-se tomado o compromisso inicial, e tendo-se convertido a união em algo natural, os esposos nem sequer têm a impressão de estarem casados (André Frossard).

Um casamento feliz é uma longa conversa que nos parecerá sempre demasiado curta (André Maurois).

O amor humano autêntico é uma entrega total da própria pessoa: alma, coração, corpo, toda a própria vida, presente e futuro. Quando duas pessoas se amam, sabem que vão compartilhar toda a sua vida. O casal é isto: um com uma para sempre, em tudo, para terminar nos filhos. Já não são dois, mas uma só carne e uma só vida. Antes eram duas vidas independentes que, de vez em quando, coincidiam. Agora estão intimamente ligados, a vida de um é inseparável da do outro. Até nas coisas mais concretas (M. Santamaría Garai).

Amor não é olharem um para o outro, mas sim olharem ambos numa mesma direção (Antoine de Saint-Exupéry).

No verdadeiro amor não manda ninguém; ambos obedecem (Alejandro Casona).

Tal como o amor conjugal, a paixão autêntica aspira à exclusividade absoluta e à continuidade. Aquele que diz estar agora apaixonado, embora não saiba se amanhã continuará a estar, está embriagado, mas não realmente apaixonado (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

No caso ideal, também não se dirá “amo-te pela tua beleza” pela tua inteligência, pela tua força, pela tua suavidade, pois assim querer-se-ia só alguma coisa do outro (alguma coisa que indubitavelmente é digna de ser amada), mas ainda não se amaria a outra pessoa por si mesma, tal como é. No caso ideal, dever-se-ia dizer “Amo-te por seres como és”. Então, sim, amar-se-ia o outro por ele próprio, através de todas as adversidades da vida, as doenças, a velhice e até da morte (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quem diz que amou só porque sentiu prazer não entende nada de amor. Porque quer colher, enquanto o amor é uma força que leva a semear. Quem dá porque quer receber, ou quem se dá só enquanto dar não dói, é um comerciante. Calcula. O que equivale a dizer que nunca amou. E que a pessoa amada é uma mercadoria – sujeita, como as mercadorias, a critérios de qualidade e a prazos de validade (Paulo Geraldo).

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que pode desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na medida em que os dois estão mais unidos, porque partilham mais. Mas para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é devido (Juan Luis Lorda).

Um casamento feliz exige que nos apaixonemos muitas vezes e sempre pela mesma pessoa (autor desconhecido).

É claro que os esposos e os filhos são seres humanos, com falhas e defeitos. Podem surgir dificuldades, mesmo graves, mas a solução não é negar a natureza das coisas, mas precisamente apoiar-se nela para procurar ultrapassar essas dificuldades. Não se pense em situações idílicas, mas num amor que cresce no meio das dificuldades, nas canseiras, nas incomodidades, nas coisas que saem bem e nas que saem mal, problemas de saúde, apertos econômicos, cansaços, irritações passageiras, etc. E tudo isto é compatível com a felicidade. Quem ama sente-se feliz, mesmo quando não é inteiramente correspondido, embora aí possa haver uma plenitude de amor (Juan Luis Lorda).

Os cônjuges mais alegres parecem ser aqueles que não se centram exclusivamente em alcançar a sua felicidade. Não procuram constantemente a vantagem pessoal, nem seguem metas próprias de pessoas instaladas, nem tentam formar o seu próprio idílio, preferem partilhar a sua felicidade e o seu amor com os outros: filhos, familiares, amigos, vizinhos e companheiros de trabalho (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quanto mais crescer o meu amor, mais desejarei que o outro seja o melhor e o mais perfeito possível, em suma, que se realize o máximo; e assim estarei preparado para o ajudar a alcançá-lo. Vejo com uma clareza cada vez maior como a minha auto-realização pessoal consiste em ajudar o outro a realizar-se (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Uma crise matrimonial não é nenhuma catástrofe. Quem foge dela, sobrevaloriza-a. Quem a ignora, peca por despreocupação. Deveríamos descobrir a oportunidade que ela encerra. Através de tais provas, o amor vai amadurecendo e ganhando em profundidade; cada tempestade é uma oportunidade de renovação. Com os anos vou amando cada vez mais porque quero amar, porque escolhi o outro como cônjuge e estou disposto a suportar desilusões (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

O amor não se conjuga no passado: ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente (autor desconhecido).

O amor incondicional é aquele que diz: “Vem se quiseres, vem quando quiseres, vem sejas como fores, vem faças o que fizeres. Estou aqui para te receber. Existirei para ti. Derramarei tudo o que há de bom em mim sobre ti, para te construir” (Paulo Geraldo).

Quanto mais unidade tem uma coisa mais perfeita é na sua bondade e poder (Santo Tomás de Aquino).

A fidelidade, naturalmente, tem que ver com a sexualidade, mas não se limita a ela. Implica a aceitação de ambos em todas as dimensões da sua personalidade. Normalmente, a fidelidade está presente na vida matrimonial quotidiana de uma maneira calada e pouco visível, consistindo numa constância tanto nos bons tempos como nos difíceis. É preciso a ajuda do outro, sobretudo face à monotonia diária que pode consistir nas obrigações familiares e profissionais. Mas também se requer quando se fracassa, se duvida de si mesmo ou por acaso se falhou. “Sê solidário com os teus amigos, sobretudo quando são culpados”, diz um provérbio francês. Quando alguém está prestes a cair no mais fundo da miséria, não é precisamente o parceiro aquele que, em primeiro lugar, deve lutar para ir com ele? (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

A docilidade ao Espírito Santo leva adiante a Igreja

Quinta-feira, 14 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa se concentrou na necessidade de ser dócil ao Espírito Santo, que leva adiante a Igreja e traz alegria

É preciso ser dócil ao Espírito Santo, não apresentar resistência. Esse foi, em síntese, o ensinamento do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa se inspirou na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, em que Filipe evangeliza o etíope, alto funcionário da rainha Candace. O protagonista desse encontro, de fato, não é Filipe nem mesmo o etíope, mas o próprio Espírito. “É Ele quem faz as coisas. É o Espírito quem faz nascer e crescer a Igreja”, observou o Papa.

“Nos dias passados, a Igreja nos propôs o drama da resistência ao Espírito: os corações fechados, duros, tolos, que resistem ao Espírito. Viam os fatos – a cura do paralítico feita por Pedro e João na Porta Formosa do Templo; as palavras e as grandes coisas que fazia Estêvão, mas ficaram fechados a esses sinais do Espírito e resistiram a Ele. Buscavam justificar essa resistência com uma suposta fidelidade à lei, isto é, à letra da lei”.

Hoje, o que a Igreja propõe é o oposto, explicou o Papa: ela ensina a não resistir ao Espírito, mas ser dócil a Ele, deixando-O agir e ir adiante para construir a Igreja; essa é a atitude do cristão. Como exemplo, o Pontífice citou Filipe, um dos Apóstolos, que estava atarefado, tinha os seus planos de trabalho, mas o Espírito lhe diz para deixar de lado o que havia programado e ir ao encontro do etíope, e ele obedeceu.

Francisco ilustrou o encontro entre Filipe e o etíope, quando o apóstolo explicou o Evangelho e sua mensagem de salvação. O Espírito, disse, trabalhava no coração do etíope, oferecia a ele o dom da fé, e este homem sentiu algo de novo no seu coração. E, ao final, pediu para ser batizado, pois foi dócil ao Espírito Santo.

A docilidade ao Espírito nos doa alegria

“Dois homens: um evangelizador e um que não sabia nada de Jesus, mas o Espírito tinha semeado uma curiosidade saudável e não aquela curiosidade das fofocas”. No final, o etíope prossegue o seu caminho com alegria, a alegria do Espírito, a docilidade ao Paráclito. “Ouvimos, nos dias passados, o que faz a resistência ao Espírito. Hoje, temos o exemplo de dois homens que foram dóceis à Sua voz. E o sinal é a alegria. A docilidade ao Espírito é fonte de alegria”.

O Papa propôs, por fim, uma bela oração para pedir essa docilidade, que pode ser encontrada no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se da oração que o sacerdote Eli sugere ao jovem Samuel, que à noite ouvia uma voz que o chamava: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”.

“Essa é uma bela oração que nós podemos fazer sempre: ‘Fala, Senhor, porque teu servo escuta’. A oração para pedir essa docilidade ao Espírito Santo, e com essa docilidade levar avante a Igreja, ser o instrumento do Espírito, para que a Igreja possa prosseguir. ‘Fala, Senhor, que o teu servo escuta’. Rezemos assim, várias vezes por dia: quando temos uma dúvida, quando não sabemos ou quando simplesmente quisermos rezar. E com esta oração pedimos a graça da docilidade ao Espírito Santo”.

Onde está Jesus, não há lugar para a corrupção

Luta cotidiana

Sexta-feira, 20 de novembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta e disse que onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade nem para a corrupção

Nesta sexta-feira, 20, o Papa Francisco celebrou a Santa Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano.

A sua homilia partiu da primeira leitura extraída do Livro dos Macabeus, que narra a alegria do povo pela reconsagração do Templo profanado pelos pagãos e pelo espírito mundano.

O Papa comentou a vitória dos que foram perseguidos pelo pensamento único. O povo de Deus festeja, porque reencontra “a própria identidade”.

“A festa é algo que a mundanidade não sabe fazer, não pode fazer. O espírito mundano nos leva, no máximo, a nos divertir um pouco, a fazer um pouco de barulho, mas a alegria vem somente da fidelidade à Aliança”, explica.

No Evangelho, Jesus expulsa os mercantes do Templo, dizendo: “Está escrito: a minha casa será casa de oração. Vocês, ao invés, fizeram um covil de ladrões”. Assim como durante a época dos Macabeus o espírito mundano tinha tomado o lugar da adoração ao Deus Vivo.

Agora, isso acontece de outra maneira. “Os chefes do Templo, os chefes dos sacerdotes e os escribas tinham mudado um pouco as coisas. Entraram num processo de degradação e tornaram o Templo ‘sujo’. Sujaram o Templo. O Templo é um ícone da Igreja. A Igreja sempre sofrerá a tentação da mundanidade e a tentação de um poder que não é poder que Jesus Cristo quer para ela”, ressalta.

Francisco acrescenta dizendo que Jesus não disse: ‘Não, isso não se faz. Façam fora’, mas disse: ‘Vocês fizeram um covil de ladrões aqui’. E quando a Igreja entra neste processo de degradação, o fim é muito feio. Muito feio!.

Perigo da corrupção

“Sempre há na Igreja a tentação da corrupção. É quando a Igreja, em vez de ser apegada à fidelidade ao Senhor Jesus, ao Senhor da paz, da alegria, da salvação, quando em vez de fazer isto, é apegada ao dinheiro e ao poder. Isso acontece aqui, neste Evangelho. Estes são os chefes dos sacerdotes, estes escribas eram apegados ao dinheiro, ao poder e esqueceram o espírito.”

E para se justificarem e dizer que eram justos e bons – acrescenta o Santo Padre – trocaram o Espírito de liberdade do Senhor pela rigidez. “E Jesus, no capítulo 23 de Mateus, fala desta rigidez. As pessoas tinham perdido o sentido de Deus, assim como a capacidade de ser alegres, também a capacidade de louvar. Não sabiam louvar a Deus, porque eram apegadas ao dinheiro e ao poder, a uma forma de mundanidade, como o outro no Antigo Testamento”.

Escribas e sacerdotes ficam com raiva de Jesus

O Pontífice prossegue sua homilia afirmando que Jesus não expulsava do Templo os sacerdotes, os escribas, mas expulsava estes que faziam negócios, os mercantes do Templo, mas os chefes dos sacerdotes e dos escribas tinham ligações com eles, havia a ‘santa propina’ lá.

“Recebiam deles, eram apegados ao dinheiro e veneravam esta ‘santa’. O Evangelho é muito forte. Os chefes dos sacerdotes e os escribas tentavam matar Jesus e assim também os chefes do povo. A mesma coisa que acontecera nos tempos de Judas, o Macabeu. E por que? Por este motivo. Mas não sabiam o que fazer, porque todo o povo seguia suas palavras.”

A força de Jesus era a sua palavra o seu testemunho, o seu amor, acrescenta o Papa. “Onde está Jesus, não há lugar para a mundanidade, não há lugar para a corrupção. E esta é a luta de cada um de nós, esta é a luta cotidiano da Igreja: sempre Jesus, sempre com Jesus, sempre seguindo suas palavras e jamais procurar seguranças onde existem outras coisas e um outro patrão. Jesus nos havia dito que não se pode servir a dois patrões: ou Deus o as riquezas; ou Deus ou o poder”.

Ao concluir, o Santo Padre diz que fará bema todos rezar pela Igreja e pensar nos tantos mártires de hoje que, para não entrar neste espírito de mundanidade, de pensamento único, de apostasia, sofrem e morrem.

“Hoje existem mais mártires na Igreja que nos primeiros dias. Pensemos. Nos fará bem pensar neles. E também pedir a graça de jamais entrar neste processo de degrado em direção à mundanidade que nos leva ao apego ao dinheiro e ao poder”.

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