Pensamentos Seletos

A corrupção é pior que o pecado

O corrupto se cansa de pedir perdão e por isso precisa ser curado
http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/noticias/papa-francisco-a-corrupcao-e-pior-que-o-pecado-656001

A corrupção é o mato da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada.

Esta é a crítica mordaz e impiedosa que emerge de algumas páginas escritas em 2005 por Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, cujo texto foi agora publicado em um livro, “A cura da corrupção”, publicado pela primeira vez em italiano (Editora Missionária Italiana).

Pecado e corrupção

Em seu afresco de cores fortes, Bergoglio explica desde o início que a corrupção está intimamente ligada ao pecado, mas é diferente dele. Na verdade, a corrupção é “não um ato, mas um estado, um estado pessoal e social no qual a pessoa se acostuma a viver”, por meio de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar.

Bergoglio resume as principais características desta praga:

1) Imanência. A corrupção tende a gerar uma “verdadeira cultura, com capacidade doutrinal, linguagem própria, jeito próprio de agir”, tornando-se uma “cultura de subtração”. O caminho que levou do pecado à corrupção é um processo de substituição de Deus pelas próprias forças. A gênese pode ser atribuída a um “cansaço da transcendência: frente a um Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se levanta como autossuficiente na expressão de sua salvação: está cansado de pedir perdão”.

2) Boas maneiras. Esta autossuficiência humana, que reflete a atitude do coração com relação a um tesouro que o seduz, tranquiliza e engana, é uma transcendência frívola. Na corrupção, de fato, prevalece uma espécie de imprudência modesta; cria-se um culto às boas maneiras para encobrir os maus hábitos. O corrupto é um acrobata da delicadeza, campeão das boas maneiras. Enquanto “o pecador, reconhecido como tal, de alguma forma, admite a falsidade do tesouro ao qual aderiu ou adere, o corrupto, no entanto, submeteu seu vício a um curso intensivo de boas maneiras”.

3) Medida moral. “O corrupto – escreve Bergoglio – sempre tem necessidade de se comparar com aqueles que parecem ser coerentes em suas vidas (mesmo quando se trata da coerência do publicado que se confessa pecador).” Uma de suas características é a forma como se justifica, apresentando as suas boas maneiras como opostas a situações de pecado extremo ou fruto de caricatura, e assim se levanta para julgar os outros, tornando-se medida de comportamento moral.

4) Triunfalismo. “O triunfalismo é o terreno ideal para o comportamento corrupto.” A este respeito, o teólogo Henri de Lubac fala da ambição e da frivolidade que podem esconder-se na “mundanidade espiritual”, a tentação mais perversa, que concebe como ideal moral o homem e seu aperfeiçoamento, e não a glória de Deus. Segundo Bergoglio, a mundanidade espiritual “nada mais é do que a vitória daqueles que confiam no triunfalismo da capacidade humana; o humanismo pagão adaptado ao bom senso cristão”.

5) Cumplicidade. “O corrupto não conhece a fraternidade ou a amizade, mas só a cumplicidade”; tende a arrastar todos à sua própria medida moral. Os outros são cúmplices ou inimigos. “A corrupção é o proselitista. Ela se disfarça de comportamento socialmente aceitável”, como Pilatos, “que faz de conta que o problema não lhe diz respeito, e por isso lava as mãos, mesmo que no fundo seja para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço”.

A corrupção do religioso

Bergoglio faz, então, uma análise muito lúcida do estado de corrupção cotidiana que lentamente faz a vida religiosa encalhar. É uma espécie de paralisia que ocorre quando uma alma se adapta a viver tranquilamente em paz.

No início, existe “o medo de que Deus nos conduza a caminhos que não podemos controlar”. Mas ao fazer isso, explica Bergoglio, “os horizontes se encolhem à medida da própria desolação ou quietismo. A pessoa teme a ilusão e prefere o realismo do menos à promessa do mais”. Aqui se esconde o perigo, porque, “na preferência pelo menos, que parece mais realista, já existe um processo sutil de corrupção: começa a mediocridade e a tibieza (duas formas de corrupção espiritual)”, um caminho inclinado que leva ao desânimo da alma e a uma lenta, mas definitiva esclerose do coração.

É por isso que a alma se apega a todos os produtos que o supermercado do consumismo religioso lhe oferece, tendendo talvez a interpretar a vida consagrada como uma realização imanente de sua personalidade, buscando a realização profissional ao se deliciar com a estima alheia, ou se dedicando a uma intensa vida social. Daí o convite do então arcebispo de Buenos Aires: “A nossa indigência deve se esforçar um pouco para abrir espaço à transcendência”, porque “o Senhor nunca se cansa de chamar: não tenha medo. Não ter medo de quê? Não ter medo da esperança, porque a esperança não decepciona”.

O Reino de Deus cresce em silêncio, sem espetáculo

Santidade cotidiana

Quinta-feira, 13 de novembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco refletiu sobre o Reino de Deus, que está presente na santidade da vida cotidiana sem fazer espetáculo

Na Missa desta quinta-feira, 13, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre o crescimento do Reino de Deus. Segundo o Santo Padre, o Reino cresce a cada dia graças a quem o testemunha sem fazer “barulho”, rezando e vivendo com fé os seus compromissos em família, no trabalho, na sua comunidade de origem, na santidade da vida cotidiana.

No silêncio, talvez de uma casa onde se chega ao fim do mês apenas com meio euro, mas não se deixa de rezar e cuidar dos filhos e dos avós: é ali que se encontra o Reino de Deus. A homilia do Santo Padre foi guiada por um trecho do Evangelho de Lucas, em que Jesus responde aos discípulos  quando virá o Seu Reino. Francisco destacou que o Reino não é um espetáculo.

“O espetáculo! Nunca o Senhor diz que o Reino de Deus é um espetáculo. É uma festa! Mas é diferente. É festa, certo, é belíssima. Uma grande festa! E o Céu será uma festa, mas não é um espetáculo. E a nossa fraqueza humana prefere o espetáculo”.

O Pontífice explicou que, tantas vezes, o espetáculo está em uma celebração de casamento, por exemplo, quando as pessoas, em vez de se apresentarem para receber o sacramento, vão fazer espetáculo da moda, do fazer-se ver, da vaidade. Em vez disso, o Reino de Deus é silencioso; o Espírito Santo o faz crescer com a disponibilidade do homem. Citando as palavras de Jesus, Francisco lembrou que também para o Reino chegará o momento da manifestação de força, mas será somente nos fins dos tempos.

“O dia em que fará barulho, o fará como uma esquadrilha de aviões que atravessa o céu de um lado ao outro. Assim fará o Filho do homem no seu dia. E quando se pensa na perseverança de tantos cristãos – homens e mulheres – que levam adiante a família, que cuidam dos filhos, que cuidam dos avós, que chegam ao fim do mês com meio euro no bolso, mas rezam, ali está o Reino de Deus; escondido na santidade da vida cotidiana, na santidade de todos os dias, porque o Reino de Deus não está longe de nós, está perto! Esta é uma das suas características: proximidade todos os dias”.

Também quando descreve o seu retorno numa manifestação de glória e poder, Jesus – insistiu o Papa – acrescentou que “antes é necessário que ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”. Segundo o Papa, isso quer dizer que o sofrimento, a cruz cotidiana da vida, esta pequena cruz cotidiana, é parte do Reino de Deus.

Ele encerrou a homilia pedindo a Deus a graça de zelar pelo Reino de Deus que está dentro de cada um, com a oração, a adoração e o serviço da caridade, silenciosamente. “O Reino de Deus é humilde como a semente, mas cresce pela força do Espírito Santo. A nós cabe deixá-lo crescer em nós, sem nos vangloriar; deixar que o Espírito venha, nos transforme a alma e nos leve avante no silêncio, na paz, na serenidade, na proximidade a Deus, aos outros, na adoração a Deus sem espetáculos”.

Existe limite no namoro?

É preciso ter atitude e tomar firmes decisões

O namoro é um tempo maravilhoso, cheio de atração, beleza, gestos de amor e carinho, mas tem horas que só o carinho, a beleza e as palavras já não satisfazem. Queremos mais! O corpo “grita”, pois a pessoa à nossa frente é para nós a mais bela, aquela com quem queremos seguir em frente, aquela com quem pensamos: “Sim, vamos nos casar! Então, para que esperar?”.

Esse é o perigo do namoro. Qual a hora de parar e não avançar o sinal? Existe o momento certo para se dizer “chega!”? Como, então, reconhecê-lo?

Antes de tudo, é necessário que você descubra o seu “ponto de parada”, ou seja, além desse ponto, você não deve avançar, pois esse é o seu limite. E quando ele é ultrapassado, o que acontece? Você acaba extrapolando!

Talvez para você, rapaz, o limite seja a mão que começa a escorregar pelo corpo da sua namorada e daí você não consegue mais parar, a tal da “mão boba”. Talvez, minha jovem, o limite para você seja aquele beijo mais demorado – um beijo de língua por exemplo – que pode deixá-la bem excitada e pronta para algo que não está na hora de acontecer. Aqui, se faz fundamental aquele diálogo franco e aberto entre vocês dois para a descoberta dos limites que estão sendo extrapolados.

Veja: no namoro é preciso o beijo e o toque físico nos lugares certos – no rosto, nos cabelos, nos braços… Bom, vamos parar por aí, não é mesmo? A tal da “mãozinha boba” vai querer passar desse lugar para outros muitas vezes. O beijo mais fervoroso vai começar rápido; depois com um pouquinho mais de tempo; mais tarde, bem mais demorado… E daí? Onde isso vai parar?

Quando namorávamos, meu esposo e eu passamos por vários momentos assim, quando alcançávamos o nosso limite. À medida que fomos nos conhecendo, já sabíamos o que nos excitava mais. Fomos percebendo o ponto em que a mão escorregava, em que o beijo ficava mais longo e profundo do que poderíamos aguentar. Bom, somos de carne, sangue e muitos hormônios!

Tivemos, então, que ter atitude e tomar nossas decisões. Tivemos que determinar o nosso limite.

Se, em certa época, estávamos avançando no beijo – o avanço é só você que reconhece, e vamos ser sinceros, você não é bobo (a) e sabe muito bem onde o fogo está acendendo ou já está mais do que aceso -, então fazíamos uma penitência. Numa Quaresma, ficamos quarenta dias sem beijo de língua, só ficamos dando aquela “bitoquinha”. Numa outra época, ficamos por alguns dias sem nos abraçar de frente, evitando assim ficar com o corpo bem coladinho.

Recordo-me também que houve um tempo no qual meu namorado (hoje meu esposo), deixava-me plantada na porta de casa, quando tinha chegado, a poucos minutos, dizendo: “Meu amor, hoje não dá! Não consigo ficar aqui perto de você namorando, pois estou muito excitado”. Na hora, eu não entendia aquela reação dele; só depois fui entender: ele estava no limite dele e não queria extrapolar. Por muitas vezes paramos, paramos tudo e começamos de novo. Esfriamos o que estava “quente” demais!

De tempos em tempos, de atitude em atitude, de decisão em decisão, toca-se no limite e, ali, para-se tudo. É muito importante que você compreenda a seriedade e a grandeza dessa decisão de parar tudo. Nessas horas, para salvar o seu namoro, é preciso parar tudo e começar de novo. É preciso olhar e pensar no prêmio da castidade que podemos oferecer a Deus e ao futuro esposo (ou esposa) no Sacramento do Matrimônio.

Para-se tudo, porque se ama e quer se dar por inteiro no tempo que será para sempre, e não agora no tempo que é transitório, de conhecimento dentro do relacionamento a dois, de preparação para o noivado e o casamento.

Ocorre também algo maravilhoso: quando você toma essa decisão de não extrapolar o seu limite, você acaba percebendo que não está só nessa opção pela santidade. A graça de Deus se faz presente! Todo casal de namorados pode – e deve! – contar com o Espírito Santo como seu fiel aliado. Um casal que busca uma vida de intimidade com o Senhor pela oração adquire muito mais força e determinação para respeitar os limites dentro do relacionamento afetivo.

Existe limite no namoro? Sim. Tudo na vida tem limite. O namoro também o tem. E se você já o alcançou, pare, pare tudo e retome decidindo-se pela santidade. Valerá a pena e eu posso testemunhar!

Rosení Valdez Oliveira
Formadora de namorados na Comunidade Canção Nova

Aprenda a viver com a simplicidade das crianças

No universo delas, a felicidade está em pequenos gestos

Vivemos em um mundo de intensas dores e ansiedades. Porém, não significa que devemos deixar tudo isso ditar as regras sobre nossa existência. Pelo contrário, precisamos reagir submetendo nossa vida a uma outra lógica, que não nos permitirá ser totalmente engolidos por essa enorme onda de agitação e ansiedade.

O ser humano é, no reino da vida, o único ser dotado de pensamento (razão). Ele é o único capaz de não se permitir determinar pelo meio em que vive e pelos seus instintos. Assim, pode construir uma realidade nova e melhor, que mais eficazmente corresponda à sua autêntica realização.

O homem não é uma massa de manobra que será sempre escrava do tempo e de suas frágeis tendências. Não. Ele é muito mais e foi criado para ir mais longe, pois possui a “dinâmica força da vida” dentro de si.

Não será possível uma vida sem tensões e sofrimentos, e sobre isso já falamos. Mas como gerir esses sofrimentos e tensões tão comuns em nossa vida?

Aqui, não me sinto autorizado a despejar sobre você receitas (ou frases) prontas. Ao contrário, desejo apenas propor caminhos que o possibilitem pensar e, posteriormente, encontrar ferramentas que o auxiliem neste processo.

Gosto de contemplar o jeito como as crianças percebem a vida e as dificuldades nela presentes. Para elas, as coisas são simples e descomplicadas, e quase sempre elas acabam encontrando soluções fáceis e bem humoradas para cada tensão que encontram. Elas não possuem a pretensão de querer reter, instantaneamente, a felicidade debaixo dos braços, mas a buscam experimentar em pequenas porções, a partir de cada pequena coisa que a existência lhes proporciona.

No universo delas, a felicidade está em pequenos gestos: em uma partida de futebol com os amigos, em uma brincadeira na rua ou em uma refeição cheia de comidas gostosas etc. Enfim, elas conseguem viver bem cada momento, sendo inteiras (e felizes) em cada fragmento.

Com elas podemos aprender algo?

Acredito que aprender a viver com simplicidade sem complicar os fatos, lutando para separar cada coisa e as experienciando uma de cada vez é um concreto caminho para uma boa gerência de tensões (um caminho para a maturidade).

Percebo que uma boa e diária dose de paciência revestida de otimismo, diante de nossa vida e de seus muitos desafios, também nos possibilita bem lidar com nossas frustrações, ensinando-nos a não nos desesperarmos diante das momentâneas derrotas que o dia a dia nos apresentará.

(Extraído do livro “Construindo a felicidade”)
Padre Adriano Zandoná

No casamento, ame!

Casamento sobrevive de doçura, de ternura, de toque  

Quando um homem e uma mulher se unem diante de Deus para formar uma família, seu relacionamento se transforma num instrumento de cura um para o outro. Eu tenho muita pena quando o verdadeiro sacramento do matrimônio é abandonado. Quando o marido e a esposa decidem viver um longe do outro por causa das feridas que um causou no outro ao longo de suas vidas. Eu tenho muita pena, porque este relacionamento longe de Deus se transformou numa arma, porque conviveram juntos e sabem dos limites um do outro.

Qual a maneira concreta para o sacramento se tornar instrumento de cura um para o outro? “Faze o que fazes com doçura” (cf. Eclesiástico 3-19).  Se você faz todas as coisas com doçura, ganha o afeto da pessoa que está com você. Quando somos doces, mais do que ser estimado e reconhecido nós ganhamos o afeto da pessoa, porque afeta a pessoa que é querida e é amada. O que é dar afeto? É você afetar a pessoa; e nós afetamos uns aos outros quando, no decorrer do dia, fazemos tudo com doçura.

Eu não estou falando de coisas que fogem do seu dia a dia, mas das coisas que você faz no ordinário da vida. Quando prepara a mesa do café, fazendo do jeito que o seu marido gosta, do jeito que seus filhos gostam de se sentar à mesa, preparando as coisas com carinho, porque você já os conhece, você já sabe o que cada um vai pegar na mesa. Estou falando da maneira que você chega no seu trabalho, da forma que você dirige; eu estou dizendo do momento do almoço ou do jantar, quando vocês se encontram para compartilhar a refeição. Falo de uma palavra que você dirige à sua esposa. Já que você tem de fazer estas coisas, faça com ternura, faça de forma doce; não é fazer mais coisas, é fazer o que você já faz com bondade e ternura. Há pessoas que dizem: “eu já faço tudo o que ele gosta”; mas, às vezes, falta doçura no fazer. Não fez de maneira terna. Não importa só o fato de darmos algo, mas sim a forma como o fazemos.

A Palavra nos diz que, quando agimos assim, ganhamos mais do que uma estima, ganhamos afeto. Estima é levar uma joia ao joalheiro e lhe perguntar: “Quanto o senhor estima o valor desta joia?”, ou seja, é aquilo que tem valor por si só, é aquilo que admiramos. Admirar é reconhecer o valor do outro e, na admiração, pode haver uma certa distância. Nós podemos admirar até um inimigo, reconhecer que ele tem qualidades. Mas afeto é diferente, há admiração.

Casamento sobrevive de doçura, de ternura, de toque, ou seja, a pessoa foi atingida por outra que está na mesma condição que ela. Às vezes, nós amamos uma pessoa que não nos ama, mas a força do amor é tão grande que, quando passamos a amá-la, ela, que não nos amava antes, passa a nos amar. É tão grande a força do amor que você acaba fazendo a outra pessoa amar você também. É algo simples? Sim é simples. Mas é fácil amar? Fácil não é, mas é o único caminho para a transformação da outra pessoa.

Quando queremos que uma pessoa mude, há três coisas simples e poderosas que podemos fazer:

1º) Usar, no relacionamento, a máxima exigência com você mesmo;
2º) Ter o máximo de compreensão com a outra pessoa;
3º) Ter sempre um sorriso para ela.

No casamento, nós exigimos o máximo de compreensão do outro, mas o que transforma não são as exigências com ele, mas com nós mesmos. Exigência para nós e compreensão para os outros.

Muitas vezes, erramos, porque colocamos o foco no lugar errado. Quando eu cobro do outro o que eu não dou, as coisas não mudam. Como é diferente um casal que troca palavras de carinho, de apoio e elogios! Como é bom encontrar um casal que se promove, que se ama. Como é bom encontrar uma mulher apaixonada pelo marido, que, quando tem algo a dizer dele, é sempre uma coisa boa!

Como é bom encontrar um marido que ama, tem uma verdadeira devoção à sua mulher! É claro que há brigas para colocar as coisas nos eixos, mas não daquela que destrói. Como é ruim encontrar casais que só tem uma palavra más, críticas mordazes, daquelas que são como uma uma punhalada no coração. Quantos casais destroem os casamentos por causa de críticas! Não só críticas para o cônjunge, mas também para os filhos, quando começam a ser cruéis com os filhos.

A Palavra de Deus se preocupa tanto com isso que São Paulo, em uma de suas cartas, diz que um dia nós vamos prestar contas de cada palavra inconsiderada que dissemos, porque a maioria das feridas existentes dentro de um casamento acontecem por causa das palavras. A flecha atirada e a palavra proferida não tem volta, diz um provérbio. A palavra fere como a flecha. Quantos casamentos se esvaziaram por palavra malditas! Quantos casais entraram nos casamentos felizes e encantados, mas, no momento de um apoiar o outro, começaram as palavras de destruição? Irmãos, nós vamos prestar contas a Deus por causa dessas palavras de destruição.

Se o marido soubesse o quanto as palavras ditas, na hora do nervoso e da raiva, destroem as mulheres, eles não as diriam. A raiva e as brigas passam, mas as palavras ficam lá dentro, cozinhando no coração da pessoa que você ofendeu. Se as mulheres soubessem a força que suas palavras têm, quando são proferidas contra o marido, elas não as diriam. É que homem tem a mania de fazer de conta que não está ouvindo, mas aquilo fica armazenado dentro do coração. No entanto, quando explode, leva junto o casamento.

Há coisas que não são amor. Somos, a todo momento, enganados pelas novelas, pelos filmes com os homens perfeitos com as mulheres perfeitas, com o beijo perfeito. Isso é mentira, isso é ilusão, isso não existe. Você quer saber o que é amor? É quando um homem olha para sua esposa, sabe que ela teve um dia difícil e, por isso, ela está sendo áspera nas palavras. Para não brigar com ela, ele se cala.

Amor é quando, depois de ter brigado, de ter discutido, ainda preparar uma cama gostosa para os dois dormirem, pois não conseguem dormir sem dizer uma palavra boa um para o outro. Isso é amor!

Márcio Mendes
[email protected]

Santo Antônio de Pádua – Doutor da Igreja

Santo Antônio foi um grande pregador da Palavra de Deus, morreu aos 36 anos de idade e foi canonizado um ano após sua morte. No dia 13 de junho, celebramos sua festa com toda a Igreja que lhe deu o título “Doutor  Evangélico”.

“A paciência é o baluarte da alma, ela a fortifica e defende de toda perturbação.”

“É viva a Palavra quando são as obras que falam.”

“Ó Senhor, dá-me viver e morrer no pequeno ninho da pobreza e na fé dos teus Apóstolos e da tua Santa Igreja Católica.”

“Quando te sorriem prosperidade mundana e prazeres, não te deixes encantar; não te apegues a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como serpentes.”

“Uma água turva e agitada não espelha a face de quem sobre ela se debruça. Se queres que a face de Cristo, que te protege, se espelhe em ti, sai do tumulto das coisas exteriores, seja tranqüila a tua alma.”

“Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa”

“Ó meu Senhor Jesus, eu estou pronto a seguir-te mesmo no cárcere, mesmo até a morte, a imolar a minha vida por teu amor, porque sacrificaste a tua vida por nós.”

“Neste lugar tenebroso, os santos brilham como as estrelas do firmamento. E como os calçados nos defendem os pés, assim os exemplos dos santos defendem as nossas almas tornando-nos capazes de esmagar as sugestões do demônio e as seduções do mundo.”

 

Pensamentos de Santo Antônio

1. A vida contemplativa não foi instituída por causa da ativa, mas a vida ativa por causa da contemplativa.

2. A fé se compara ao peixe. Assim como o peixe é batido pelas freqüentes ondas do mar, sem que morra com isso, também a fé não se quebra com as adversidades.

3. Quem está cheio das glórias do mundo se assemelha à bexiga que, cheia de vento, parece maior do que é; basta uma picadinha da agulha da morte e se verá o pouco que é.

4. Não é o temor que faz o servo nem é o amor que faz o livre; mas antes o temor é que faz o livre, o amor que faz o servo.

5. Em todo o corpo do homem o diabo não encontra nenhum membro tão conveniente para ser caçado, para espiar, para enganar, como o coração, porque dele procede a vida.

6. A paciência é melhor maneira de vencer.

7. Quanto mais profundamente lançares o alicerce da humildade, tanto mais alto poderás construir o edifício.

8. Jerusalém tinha uma porta chamada “Buraco da Agulha”, pela qual não podia entrar um camelo, porque era baixa. Esta porta é Cristo humilde, pela qual não pode entrar o soberbo ou o corcunda avarento. Aquele que pretende entrar por ela tem de se humilhar.

9. Maria não afugenta nenhum pecador, antes, recebe a todos os que se refugiam nela e, por isso, é chamada Mãe de Misericórdia: é misericordiosa para com os miseráveis, é esperança para os desesperados.

10. O coração profundo é o coração do que ama, do que deseja, do contemplativo, do desprezador das coisas inferiores. Quando te aproximas de tal coração com passos devotos. Deus é exaltado, não em si, mas em ti; a sua exaltação é a intensidade do teu amor, é a elevação do teu espírito.

11. Feliz aquele que arranca de si o coração de pedra e toma um coração de carne, capaz de se doer compungido das misérias dos pobres, de modo que a sua compaixão lhe sirva de consolo e este consolo lhe dissipe a avareza.

12. Oscula com a boca a própria mão quem louva o que faz.

13. Acredita o estulto no conselho da raposa, fiado em que o bem transitório e mutável seja verdadeiro e duradouro.

14. Não poderás levar os fardos de outrem, se não depuseres primeiro os teus. Alivia-te primeiro dos teus, e poderás levar os fardos de outrem.

15. O que o Senhor faz em nós com a nossa cooperação é maior do que tudo o que faz sem nós.

16. Assim como o vento que entra pela boca aberta não mata a sede, mas aumenta-a mais, o mesmo sucede com a vaidade da dignidade.

17. Assim como a flor, quando espalha o odor, não se corrompe, também o verdadeiramente humilde não se eleva quando louvado pelo perfume da sua vida de bondade.

18. A mentira reside na língua, o roubo na mão, as extorsões no coração.

19. Aquele que segue a outro no caminho, não olha para si, mas para aquele a quem constituiu guia da sua vida.

20. Antes de entrar um raio de sol em casa, não aparece dentro, no ar, o pó; se, porém, entrar um raio de sol, parece cheia de pó.

21. Todo enfermo diz: Amarga é a poção para os que a bebem, mas quando se afastar a enfermidade, então se gloriará.

22. O insensato, como um asno, ouve somente o som da palavra divina, mas o sábio percebe-lhe a força e leva-a ao coração.

23. Dizem que o filho da cegonha ama tanto o pai que, ao vê-lo envelhecer, sustenta-o e alimenta-o. Isso faz por instinto. Também nós devemos sutentar o nosso Pai nos seus membros débeis e doentes e alimenta-los nos pobres e necessitados.

24. A soberba, para não ser desprezada, procura encobrir-se na preciosa humildade.

25. Usa mais vezes os ouvidos do que a língua.

26. O hipócrita se assemelha ao pavão: ao ser provocado pelas crianças, mostra o esplendor das suas penas e, quando faz rodar a cauda, descobre torpemente o traseiro.

Pensamentos extraídos do livro “Ensinamentos e Admoestações”, da Editora Vozes; e “Obras Completas de Santo António de Lisboa”, Editorial Restauração, Lisboa.  – See more at: http://www.franciscanos.org.br/?p=18119#sthash.DDeNR5VT.dpuf

Edificar a família no amor que vem de Deus

Encontro com noivos, sexta-feira, 14 de fevereiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco reuniu-se, nesta manhã, com noivos de várias partes do mundo que se preparam para o “sim” para sempre

Na chegada à Praça São Pedro, Francisco cumprimentou casais que se preparam para o casamento / Foto: reprodução CTV

No dia em que se celebra São Valentim, Dia dos Namorados na Itália e em alguns outros países, Papa Francisco participou de um encontro com noivos na Praça São Pedro. De várias partes do mundo, casais que se preparam para o matrimônio puderam ouvir as palavras do Santo Padre sobre amor, fidelidade e escolhas definitivas.

O tema do encontro foi “A alegria do ‘sim’ para sempre”. Esse foi, inclusive, o assunto da primeira pergunta dirigida por um casal de noivos a Francisco. O Papa recordou que, hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas e, às vezes, se entende o amor somente como um sentimento. Mas é preciso, segundo o Papa, entender o amor como uma relação, uma realidade que cresce, como se constrói uma casa.

“Queridos noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas na rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus. (…) Não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’”.

Esse medo do “para sempre” se cura, segundo o Papa, a partir da confiança em Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual cotidiano, feito de passos, de crescimento comum, de empenho para se tornarem homens e mulheres maduros na fé. Isso porque o “para sempre” não é só uma questão de tempo, mas é importante também a qualidade do matrimônio.

“Estar junto e saber amar-se para sempre é o desafio dos casais cristãos. Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vós o Senhor pode multiplicar o vosso amor e doá-lo fresco e bom a cada dia”.

Na segunda pergunta, sobre o “estilo de vida” de um casal e a espiritualidade que se deve ter no cotidiano, Francisco voltou a enfatizar três palavras-chaves para a família: “por favor”, “obrigado” e “desculpe-me”.

“Todos sabemos que não existe uma família perfeita, um marido perfeito nem uma mulher perfeita. Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz volte à nossa casa, à nossa família. Se aprendermos a pedir desculpas e a nos perdoar, o casamento vai durar e seguir adiante. (…) Nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Esse é um segredo para conservar o amor.”

Os preparativos para o casamento também estiveram entre as preocupações dos noivos, que pediram um conselho ao Santo Padre sobre como celebrar bem o matrimônio. Francisco disse ser preciso fazer com que o casamento seja uma grande festa, mas uma festa cristã, não mundana. O que tornará o casamento pleno e verdadeiro é, segundo destacou o Papa, a presença do Senhor que se revela e doa a Sua graça.

“Alguns se preocupam com os sinais exteriores, com o banquete, as fotografias, as roupas, as flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se são capazes de indicar o verdadeiro motivo da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor”, disse.

Antes da chegada do Papa, os noivos participaram de momentos de reflexão, música e testemunhos.

 

DIÁLOGO DO PAPA FRANCISCO COM OS NOIVOS
Praça São Pedro – Vaticano
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé Tradução: Liliane Borges

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos hoje pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil, muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo… E essa mentalidade leva muitos que estão se preparando para o matrimônio a dizerem: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

A casa se constrói juntos, e não sozinhos!  Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Se cura dia por dia confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Me vem a mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na Oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”.  Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade,  viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar.  Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso,  Santo Padre?

Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.

“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Te agrada que façamos isso?  Tomamos essa iniciativa, para educarmos nossos filhos? Você quer sair essa noite ? … Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.

Às vezes, se usa modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com  dureza e agressividade. Nos escritos de  Francisco se encontra essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus…  é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E hoje em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.

“Obrigado”. Parece  fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! A ensinamos às crianças, mas depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante, lembram do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para agradecer a Jesus. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. E nesta atitude interior agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer obrigado, para caminhar bem juntos.

“Desculpe”.  Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós . Talvez haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.

Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e justificar-se. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e pedir desculpas. “Desculpe se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem te cumprimentar; desculpe-me  pelo atraso; desculpe-me  por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.

Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne a nossa casa, em nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos  indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento o vinho faltou e a festa parecia arruinada.  Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho, e assim, salva a festa de núpcias.

O que aconteceu em Caná há dois mil anos, acontece na realidade em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

No Dia dos Namorados, surpreenda seu eterno amor

Criatividade

O Dia dos Namorados está chegando e parece que paira no ar um clima de coraçõezinhos e frases de amor. É a força do romantismo que invade as nossas conversas, invade o comércio e, principalmente, o ânimo das pessoas. Todos nós, em qualquer estado de vida, ficamos mais sensíveis neste tempo.

Para quem está namorando, é ótimo, pois tudo é propício aos casais! Já quem não namora pode escolher entre reclamar ou sonhar.

Existe, no entanto, uma outra turma: a dos casados. Estes já colheram os bons frutos que o namoro lhes trouxe. E como não há um dia especial para eles, talvez se vejam, neste dia 12 de junho, excluídos da atmosfera de amor.

Contudo, os gestos próprios do namoro como o beijo apaixonado, as mãos dadas, as juras de amor, as palavras doces e os abraços calorosos, também um jantar à luz de velas, os presentes e as surpresas caprichadas não são exclusivos aos namorados. O casal unido pelo matrimônio também pode usar e abusar de tais iniciativas neste dia.

Existe até um dito popular que os motiva: “O casamento é um eterno namoro”.

Como podem, então, os casados, neste Dia dos Namorados, surpreender sua (seu) eterna (o) namorada (o)?

Aí vão algumas dicas:

– Seja romântico: Que os compromissos e as responsabilidades do cotidiano da vida de casados não faça morrer o romantismo. Não se deixe levar pela avalanche de obrigações que você tem; afinal, seus afazeres servem para manter sua família, não o contrário.

Reserve um tempo para vocês! Fale mansinho ao pé do ouvido, use aquele perfume ou roupa que ela (e) gosta, repita um gesto do namoro, que tanto os marcou.

– Seja criativo: Faça algo pela primeira vez ou de forma diferente. O Espírito Santo é dinâmico e criativo. Peça Seu auxílio e mãos à obra.

– Relembre o começo do namoro: A dúvida, as investidas para a conquista, a espera, os encontros ou desencontros de antes do namoro e até as “gafes” são um ótimo assunto para esse dia. Quando fazemos memória do quanto um se sacrificou e lutou para estar perto do outro, sentimos, de novo e com mais ardor, a importância que temos um para o outro.

– Presenteie: Você conhece seu cônjuge e sabe do que ela (e) gosta e como melhor agradá-la (o). Associe ao presente material um gesto ou algo que diga da entrega da sua pessoa a ela (e).

– Comprometam-se a, de vez em quando, saírem sozinhos (sem os filhos). Todo casal precisa de um tempo a sós. Cultive o hábito de ser romântico mais vezes. Não precisa gastar muito. Sair para tomar um sorvete já ajuda os dois a terem esse momento para falarem de si. Enfim, não queiram perder nada que o amor esponsal lhes oferece.

Se namorar é bom, casar-se é melhor ainda, pois é no matrimônio que realizamos a nossa vocação e encontramos o sentido desse chamado.

Deus o abençoe! Feliz dia dos “Eternos Namorados”!

Sandro Ap. Arquejada

3 Pistas para reconhecer a ação do diabo

Servo de Deus, Dom Fulton John Sheen
Arquidiocese de Washington

Tradução e fonte: Sentinela no escuro

1. Amor pela nudez – Isto é claramente manifestado em vários níveis. Primeiro existe a tendência generalizada de vestir-se imodestamente. Já discutimos a modéstia aqui antes e devemos notar que modéstia vem da palavra “modo”, referindo-se ao meio ou a moderação. Por isso, se por um lado procuramos evitar noções opressivamente puritanas sobre o vestuário que impõem fardos pesados (especialmente sobre as mulheres) e que vêem o corpo como algo mau, por outro também devemos criticar muitas das formas modernas de se vestir no outro extremo. Estes “estilos” revelam mais do que razoável e geralmente deveriam, com a pretensão de chamar atenção a aspectos do corpo que são privados e reservados para a união sexual no casamento. Muitos em nossa cultura não vêem problema em desfilar vários níveis de nudez, vestindo peças que possuem a intenção de descobrir e chamar a atenção em vez de esconder as áreas privadas do corpo. Este amor pela exibição e provocação é seguramente um aspecto do próprio amor do Mal pela nudez. E ele tem espalhado esta obsessão a muitas pessoas no moderno Ocidente.

2. Pornografia – como não há nada de novo neste mundo caído, seguramente alcançou proporções epidêmicas por meio da internet. Qualquer psicoterapeuta, conselheiro ou sacerdote te dirá que o vício da pornografia é um enorme problema entre as pessoas de hoje. Sites pornográficos superam outras categorias dez vezes mais. Milhões de americanos estão consumindo enorme quantidade de pornografia e a “indústria” está crescendo exponencialmente. O que uma vez foi escondido nas livrarias, hoje está à distância de um clique na internet. E a ideia de que os hábitos de navegação podem ser facilmente descobertos pouco importa aos viciados na última das formas de escravidão. Muitos estão sobre uma encosta íngreme a ponto de caírem em formas mais degradantes de pornografia. Muitos acabam em sites ilegais e antes mesmo de saberem o que aconteceu, deparam-se com o FBI batendo nas suas portas. O amor de Satanás pela nudez possuiu muitos! A cultura global de sexualização também amarra ao amor satânico pela nudez. Nós sexualizamos a mulher para vender produtos. Nós sexualizamos até mesmo as crianças. As nossas novelas tagarelam excessivamente sobre sexo de um modo muito adolescente e imaturo. Nós somos, coletivamente, tolos e imaturos a respeito do sexo e a nossa cultura vibra como adolescentes fogosos obcecados por algo que eles não compreendem. Sim, o amor satânico pela nudez e tudo o que vem com ela. Violência – nós já discutimos antes como nós, coletivamente, transformamos a violência numa forma de entretenimento. Os nossos filmes de aventura e jogos de vídeo transformam retaliação violenta numa prazerosa forma de entretenimento e a morte numa “solução”. Os últimos Papas têm-nos alertado sobre a cultura da morte, na qual a morte é cada vez mais proposta como solução para os problemas. Na nossa cultura a violência começa no ventre, onde os inocentes são atacados. Chamam isto de “direito” e “escolha”. A violência e a adoção da morte continuam movimentando-se pela cultura por meio da contracepção, atividades violentas de gangues, recursos fáceis para a guerra e pena capital. O século passado talvez tenha sido o mais sangrento já conhecido no planeta e incontáveis pessoas, na casa dos milhões, morreram durante as duas guerras. Além disso, vale lembrar das centenas de conflitos e guerras regionais, terríveis campanhas em favor da fome na Ucrânia, China e outros lugares, genocídios na Europa Central, na África e no sudeste da Ásia. Paul Johnson, no seu livro Modern Times, estima que cerca de 100.000.000 morreram em guerras e de maneiras violentas nos últimos 50 anos do século XX. E a cada morte, Satanás faz a sua “dança intrometida”. Satanás ama a violência. Ele ama colocar o fogo e ver-nos culpando uns aos outros enquanto nos queimamos.

3. Divisão – Satanás ama dividir. Dom Fulton Sheen diz que a palavra “diabólico” vem de duas palavras gregas “dia Bolós”, significando separar, dividir. Tendo como base os meus próprios estudos de grego, por mais parcos que sejam, diria que os resultados da tradução não seriam os mesmos do bispo. “Dia” significa “através” ou “entre” e “bolós” “atirar ou arremessar”. Ainda assim, o bom bispo era um homem estudioso e eu peço a vocês, estudantes de grego, que me compreendam e defendam Dom Sheen. Ainda assim, é claro que o diabo nos quer dividir. Dentro da nossa própria psiqué e entre e os outros. Certamente ele se regozija a cada divisão que provoca. Ele “atira coisas entre nós” (dia bolós)! Eis o propósito diabólico. E, portanto, vemos as nossas famílias divididas, a Igreja dividida, a nossa cultura e o país divididos. Agora nós estamos divididos ao nível máximo: racial, religioso, político e econômico. Nós dividimos a nossa idade, raça, região, Estados azuis e vermelhos, liturgia, música, linguagem e demais pormenores sem fim. As nossas famílias são rachadas, os nossos casamentos são rachados. Os divórcios são exaltados e compromissos de quaisquer tipos são rejeitados e considerados impossíveis. A Igreja está rachada e dividida em facções, assim como o Estado, todos os níveis que compõem os conselhos escolares. Ainda assim, mesmo que concordemos com o essencial, verifica-se que até mesmo quando uma verdade é compartilhada somos chamados de intolerantes. E dentro também, nós lutamos com muitos ímpetos divisivos e formas de esquizofrenia figurativa e literal. Somos puxados para o que é bom, verdadeiro e belo e ainda o que é inferior, falso e mau também nos atrai. Sabemos o que é belo, o que é bom, mas desejamos o que é mau. Procuramos amor, mas cedemos ao ódio e à vingança. Admiramos o inocente, mas frequentemente nos alegramos em destruí-lo ou pelo menos em substituir isto pelo cinismo. E assim Satanás dança a sua “dança intrometida”.

Três características do diabólico: amor pela nudez, violência e divisão. O que achas? O príncipe deste mundo está cumprindo com os seus compromissos? Mais importante ainda: estamos sendo coniventes? O primeiro passo para vencer os compromissos do inimigo é conhecer os seus movimentos, nomeá-los e repreendê-los em Nome de Jesus.

São Valentim, patrono dos namorados

Bispo de Terni e mártir, foi criador de centenas de milagres e conversões
Por Pietro Barbini

ROMA, terça-feira 12 de Junho de 2012 (ZENIT.org) –  Hoje se celebra o dia de São Valentim no Brasil, 14 de Fevereiro em Portugal, festa dedicada “aos namorados”. Chocolates, rosas, jóias e as lembranças mais impensáveis: hoje em dia a comemoração do santo patrono dos namorados transformou-se no festival do consumismo, do materialismo e do eros desenfreado, comercializada ao ponto de esquecer a razão desta festa, quem foi realmente São Valentim e o que ele tem a ver com os namorados. Esta tradição, inicialmente, foi espalhada pelos monges da ordem de São Bento, que foram os primeiros guardiões da Basílica dedicada ao Santo, que continha seus restos mortais, e instituída pelo Papa Gelásio I em 496, com a intenção de substituir a antiga festa pagã dos Lupercalia, comemorada no mesmo dia pelos romanos em honra do deus Fauno, que era o protetor dos animais e, ao mesmo tempo divulgar a mensagem do amor cristão através do trabalho de São Valentim. Mas quem foi realmente Sao Valentim? Nascido em uma família nobre, foi consagrado bispo de Terni, na idade de 21 anos por São Feliciano de Foligno, e no 270 foi chamado a Roma, a convite do filósofo e orador grego e latino Cráton, onde pregou o Evangelho, convertendo muitos pagãos, graças também à sua oratória eloqüente. Diz-se que quando falava “todos pendiam dos seus lábios que abria o coração até mesmo dos pagãos mais endurecidos em seus vícios”. Foi muito amado e respeitado pelo povo, dada a sua particular atenção às crianças, aos doentes e aos jovens, que muitas vezes pediam-lhe conselhos. Morreu decapitado na idade de 97 anos, no ano 273, depois de ter sido flagelado  fora dos muros de Roma ao longo da Via Flaminia, por causa das perseguições contra os cristãos sob o imperador Aureliano. Até o momento existem poucos documentos que contam a vida do Santo mártir: o documento mais antigo data do século VIII e narra alguns detalhes do martírio, da tortura, da decapitação e da sepultura por obra dos discípulos Próculo, Efebo e Apolônio, também eles decapitados por terem pego o corpo do Santo; os próprios discípulos dizem-nos do milagre que provocou a conversão imediata de muitas almas, incluindo a eles mesmos, ou seja, a cura de Chermone, o filho do Cráton, atacado por uma paralisia. Após este milagre, o mesmo Cráton, nascido de uma família pagã, se converteu ao cristianismo, sendo batizado com sua esposa e a família inteira, e ao mesmo tempo, também se converteram os seus alunos: Atenieses, Próculo, Efebo, Apolônio e Abondio, filho de Annio Placido, que era prefeito de Roma; foi Abondio que recolheu os corpos martirizados de Efebo, Proculo e Apolônio, que enterrou ao lado de São Valentim. Também Cráton, junto com toda a família, foi condenado à morte sob a acusação de seguir Valentim; o único sobrevivente foi o filho Chermone (diz-se que foi ele quem construiu a primeira basílica dedicada ao santo padroeiro de Terni). Narram-se muitos milagres realizados pelo Santo, como muitos são também as narrações populares proferidas ao longo dos séculos, por exemplo, aquele que diz ter dado a visão à filha cega de seu carcereiro, Asterius (quando foi capturado e preso pela primeira vez por ordem Imperador Claudio II, o Gótico). Outro milagre importante remonta ao 225 dC e foi a cura de um escravo em seu leito de morte (depois de tal milagre o irmão, Fonteyo Triburzio, iniciou o seu serviço na casa de Cráton em Roma). Doentes de todos os tipos vinham regularmente à sua casa pedindo orações e curas (curas que muitas vezes aconteciam); conta-se que todos entravam com sofrimentos na sua casa e saíam confortados e fortalecidos no espírito. Aquilo que o Santo fazia, de fato, era convidar as pessoas a louvar e agradecer a Deus, insistindo na fé, o único meio graças ao qual, dizia, é possível curar. A sua associação com os namorados, então, refere-se ao seu longo ministério. Ao longo da sua vida, de fato, o santo dirigiu uma atenção especial aos jovens e seus familiares, que acolhia dentro do seu belíssimo jardim de flores, dando a todos conselhos e apoio. Valentim repetia com frequência: “Deus nos ama e devemos devolver-lhe este amor, amando o próximo como ele nos amou”. Era normal dar uma rosa aos jovens namorados que iam até ele pedindo uma benção. As famílias que estavam em dificuldades econômicas, ou que eram incapazes de ter filhos, convidava-as a olhar para a Sagrada Família de Nazaré, a confiar na providência divina, insistindo em voltar a atenção para a figura da Virgem Maria, incentivando-os, abençoando-os e orando com eles, assegurando-lhes sempre as suas orações.É por isso que São Valentim está associado ao Dia dos Namorados: na sua longa jornada da vida levou muito a sério os jovens casais e as famílias. Entre as histórias mais citadas está aquela segundo a qual o santo passeando pela estrada viu dois namorados brigarem e, aproximando-se, colocou uma rosa em cada um deles convidando-lhes a tê-las nas suas mãos e pouco tempo depois os dois se pacificaram jurando-se eterno amor; uma segunda versão, também, conta que Valentim, já bispo de Terni, fez voar em torno de dois namorados briguentos vários casais de pombos que trocavam efusões de afeto, de tal forma que inspiravam paz e amor nos dois. Outra história famosa conta que Vatentim uniu em matrimônio a cristã Serapia com o centurião romano Sabino, um amor obstaculizado pelo pai dela, porque o centurião era pagão. Quando a jovem adooeceu gravemente, o centurião, no leito de morte, chamou Valentim pedindo-lhe, de acordo com Serapia, que ele fizesse algo para que eles nunca se separassem, de tal forma que naquele dia o bispo batizou o centurião pagão, uniu os dois jovens em matrimônio e logo depois os dois morreram. São Valentim, neste dia, é celebrado pela Igreja Católica, Ortodoxa e Anglicana.
[Traduçao Thácio Siqueira]

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