Pensamentos Seletos

Misericórdia de Deus não tem limite

Convite à vida nova

Domingo, 6 de abril de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Refletindo sobre a ressurreição de Lázaro, Santo Padre destacou o convite a uma nova vida feito por Cristo a cada um dos homens

A misericórdia de Deus não tem limite; Ele convida o homem a sair do túmulo no qual o pecado afundou-o. Esse foi o foco da reflexão do Papa Francisco em suas palavras antes do Angelus deste domingo, 6, com os fiéis na Praça São Pedro.

Francisco concentrou-se no Evangelho deste domingo, que relata o dia em que Jesus ressuscitou Lázaro.  Ele explicou que a vida de todo aquele que crê em Cristo e segue os seus mandamentos será transformada, após a morte, em uma vida nova, plena e imortal.

“Lázaro, vem para fora”, são as palavras de Jesus no Evangelho, uma fala dirigida a cada homem, disse o Papa, pois todos estão marcados pela morte. Trata-se de um convite à liberdade, a deixar-se livrar das “ataduras” do orgulho que faz o ser humano escravo de si mesmo e de tantos ídolos.

“Cristo não se conforma com os túmulos que construímos para nós com as nossas escolhas do mal e da morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele não se conforma com isso! Ele nos convida, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos, contentando-nos com uma vida falsa, egoísta, medíocre”.

O Pontífice concluiu dizendo que o gesto de Jesus ao ressuscitar Lázaro mostra até onde pode chegar a força da graça de Deus e até onde pode chegar a conversão, a mudança do homem. “Ouçam bem: não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! O Senhor está sempre pronto para levantar a pedra do túmulo dos nossos pecados, que nos separa Dele, a luz dos vivos”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo de Quaresma nos narra a ressurreição de Lázaro. É o ápice dos “sinais” prodigiosos feitos por Jesus: é um gesto muito grande, muito claramente divino para ser tolerado pelos sumos sacerdotes, os quais, sabendo do fato, tomaram a decisão de matar Jesus (cfr Jo 11, 53).

Lázaro já estava morto há três dias, quando chega Jesus; e às irmãs Marta e Maria Ele disse palavras que ficaram gravadas para sempre na memória da comunidade cristã. Jesus diz assim: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25). Sobre esta Palavra do Senhor nós acreditamos que a vida de quem crê em Jesus e segue o seu mandamento depois da morte será transformada em uma vida nova, plena e imortal. Como Jesus ressuscitou com o próprio corpo, mas não retornou a uma vida terrena, assim nós ressurgiremos com os nossos corpos que serão transfigurados em corpos gloriosos. Ele nos espera junto ao Pai e a força do Espírito Santo, que O ressuscitou, ressuscitará também quem está unido a Ele.

Diante do túmulo lacrado do amigo Lázaro, Jesus “exclamou em voz forte: Lázaro, vem para fora”. O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano (vv. 43-44). Este grito peremptório é dirigido a cada homem, porque todos estamos marcados pela morte, todos nós; é a voz Daquele que é o Senhor da vida e quer que todos “a tenham em abundância” (Jo 10, 10). Cristo não se conforma com os túmulos que construímos para nós com as nossas escolhas do mal e da morte, com os nossos erros, com os nossos pecados. Ele não se conforma com isso! Ele nos convida, quase nos ordena, a sair do túmulo em que os nossos pecados nos afundaram. Chama-nos com insistência para sairmos da escuridão da prisão em que nos fechamos, contentando-nos com uma vida falsa, egoísta, medíocre. “Vem para fora!”, noz diz, “Vem para fora!”. É um belo convite à verdadeira liberdade, a deixar-nos agarrar por estas palavras de Jesus que hoje repete a cada um de nós. Um convite a deixar-nos livrar das “ataduras”, das ataduras do orgulho. Porque o orgulho nos faz escravos, escravos de nós mesmos, escravos de tantos ídolos, de tantas coisas. A nossa ressurreição começa aqui: quando decidimos obedecer a esta ordem de Jesus saindo para a luz, para a vida; quando da nossa face caem as máscaras – tantas vezes estamos mascarados pelo pecado, as máscaras devem cair! – e nós reencontramos a coragem da nossa face original, criada à imagem e semelhança de Deus.

O gesto de Jesus que ressuscita Lázaro mostra até onde pode chegar a força da Graça de Deus e também até onde pode chegar a nossa conversão, a nossa mudança. Mas ouçam bem: não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Não há limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos! Lembrem-se bem desta frase. E possamos dizê-la todos juntos: “Não há limite algum para a misericórdia de Deus oferecida a todos”. O Senhor está sempre pronto para levantar a pedra do túmulo dos nossos pecados, que nos separa Dele, a luz dos vivos.

Fé na Ressurreição de Cristo e importância do testemunho

Catequese na Praça São Pedro, quarta-feira, 3 de abril de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Refletindo sobre a ressurreição, Papa destacou o importante testemunho dados por mulheres e jovens

Na audiência geral desta quarta-feira, 3, o Papa Francisco retomou o ciclo de catequeses dedicado ao Ano da Fé. Reunido com peregrinos de todo o mundo na Praça São Pedro, o Santo Padre refletiu sobre a fé em Cristo Ressuscitado, que permanece vivo na vida do homem.

Da oração do Credo, que é a profissão de fé dos fiéis, Francisco destacou o trecho que diz: “ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. Ele explicou que a Morte e a Ressurreição de Jesus são propriamente o coração da esperança.

“É propriamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos”, disse.

Sobre o modo como essa verdade de fé da Ressurreição foi transmitida, Francisco destacou os relatos do evento da Ressurreição e fatos a ela ligados. Nesse ponto, ele falou sobre a importância do testemunho dado pelas mulheres, as primeiras testemunhas deste acontecimento.

“As mulheres são movidas por amor e estão prontas para aceitar este anúncio com fé: acreditam, e imediatamente o transmitem, não o guardam para si mesmas, transmitem-no. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche o coração, não se pode conter. Isto também deve ser feito em nossas vidas”. Ele destacou ainda que no caminho de fé é importante saber e sentir que Deus ama a todos e não ter medo de amar Deus. “A fé se professa com a boca e o coração, com a palavra e com o amor”.

E como testemunhas, Papa Francisco também destacou a importância dos jovens, que ele notou em grande número na Praça São Pedro. “A vós digo: levem adiante esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida. Esta é a missão de vocês! Levem adiante esta esperança!”.   A catequese foi concluída com a oração do Pai Nosso e a Benção Apostólica.

 

Catequese

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

Hoje retomamos as Catequeses do Ano da Fé. No Credo repetimos esta expressão: “Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. É propriamente o evento que estamos celebrando: a Ressurreição de Jesus, centro da mensagem cristã, ecoando desde o início e transmitido porque se estende até nós. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “A vós…transmiti, antes de tudo, aquilo que também eu recebi; isso é, que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia segundo as Escrituras e que apareceu a Cefas e aos Doze” (1 Cor 15, 3-5). Esta breve confissão de fé anuncia propriamente o Mistério Pascal, com as primeiras aparições do Ressuscitado a Pedro e aos Doze: a Morte e a Ressurreição de Jesus são propriamente o coração da nossa esperança. Sem esta fé na morte e na ressurreição de Jesus a nossa esperança será frágil, mas não haverá esperança nenhuma, e propriamente a morte e a ressurreição de Jesus são o coração da nossa esperança. O Apóstolo afirma: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé e vós estais ainda em vossos pecados” (v. 17). Infelizmente, sempre se procurou obscurecer a fé na Ressurreição de Jesus, e também entre os próprios crentes se insinuaram dúvidas. Um pouco daquela fé “água de rosas”, como dizemos nós; não é a fé forte. E isto por superficialidade, às vezes por indiferença, ocupados por mil coisas que são consideradas mais importantes que a fé, ou por uma visão somente horizontal da vida. Mas é propriamente a Ressurreição que nos abre à esperança maior, porque abre a nossa vida e a vida do mundo ao futuro eterno de Deus, à felicidade plena, à certeza de que o mal, o pecado, a morte podem ser vencidos. E isto leva a viver com mais confiança as realidades cotidianas, enfrentá-las com coragem e com compromisso. A Ressurreição de Cristo ilumina com uma luz nova estas realidades cotidianas. A Ressurreição de Cristo é a nossa força!   Mas como nos foi transmitida a verdade de fé da Ressurreição de Cristo? Há dois tipos de testemunho no Novo Testamento: alguns são na forma de profissão de fé, isso é, de fórmulas sintéticas que indicam o centro da fé; outras, porém, são em forma de relatos do acontecimento da Ressurreição e de fatos ligados a ela. A primeira: a forma da profissão de fé, por exemplo, é aquela que escutamos há pouco, ou aquela da Carta aos Romanos na qual São Paulo escreve: “Se com a tua boca proclamarás: ‘Jesus é o Senhor!’, e com o teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (10, 9). Desde os primeiros passos da Igreja está bem clara e firme a fé no Mistério de Morte e Ressurreição de Jesus. Hoje, porém, gostaria de concentrar-me sobre a segunda, sobre o testemunho na forma de relatos, que encontramos nos Evangelhos. Antes de tudo, notamos que as primeiras testemunhas deste acontecimento foram as mulheres. Ao amanhecer, essas vão ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus, e encontram o primeiro sinal: o túmulo vazio (cfr Mc 16,1). Segue depois o encontro com um Mensageiro de Deus que anuncia: Jesus de Nazaré, o Crucificado, não está aqui, ressuscitou (cfr vv. 5-6). As mulheres são movidas por amor e estão prontas para aceitar este anúncio com fé: acreditam, e imediatamente o transmitem, não o guardam para si mesmas, transmitem-no. A alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche o coração, não se pode conter. Isto também deve ser feito na nossa vida. Sintamos a alegria de ser cristãos! Nós cremos em um Ressuscitado que venceu o mal e a morte! Tenhamos a coragem de “sair” para levar esta alegria e esta luz a todos os lugares da nossa vida! A Ressurreição de Cristo é a nossa maior certeza; é o tesouro mais precioso! Como não compartilhar com os outros este tesouro, esta certeza? Não é somente para nós, é para transmiti-la, para doá-la aos outros, compartilhá-la com os outros. É propriamente o nosso testemunho.   Um outro elemento. Nas profissões de fé do Novo Testamento, como testemunhas da Ressurreição são recordados somente homens, os Apóstolos, mas não as mulheres. Isto porque, segundo a Lei judaica daquele tempo, as mulheres e as crianças não podiam dar testemunho confiável, credível. Nos Evangelhos, em vez disso, as mulheres têm um papel primário, fundamental. Aqui podemos colher um elemento a favor da historicidade da Ressurreição: se fosse um fato inventado, no contexto daquele tempo não estaria ligado ao testemunho das mulheres. Os evangelistas, em vez disso, narram simplesmente isso que aconteceu: são as mulheres as primeiras testemunhas. Isto mostra que Deus não escolhe segundo os critérios humanos: as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus são os pastores, gente simples e humilde; as primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é belo. E isto é um pouco a missão das mulheres: das mamães, das mulheres! Dar testemunho aos filhos, aos sobrinhos, que Jesus está vivo, está vivo, ressuscitou. Mães e mulheres, sigam adiante com este testemunho! Para Deus conta o coração, o quanto estamos abertos a Ele, se somos como as crianças que confiam. Mas isto nos faz refletir também sobre como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e têm também hoje um papel particular no abrir as portas ao Senhor, no segui-Lo e no comunicar a sua Face, porque o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor. Os apóstolos e os discípulos encontraram dificuldades para acreditar. As mulheres não. Pedro corre ao sepulcro, mas para diante do túmulo vazio; Tomé precisa tocar com as suas mãos as feridas do corpo de Jesus. Também no nosso caminho de fé é importante saber e sentir que Deus nos ama, não ter medo de amá-Lo: a fé se professa com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor.   Depois das aparições às mulheres, seguem outras: Jesus torna-se presente de modo novo: é o Crucificado, mas o seu corpo é glorioso; não tornou à vida terrena, mas sim em uma nova condição. No início não O reconhecem, e somente através de suas palavras e os seus gestos os olhos se abrem: o encontro com o Ressuscitado transforma, dá uma nova força à fé, um fundamento inabalável. Também para nós há tantos sinais no qual o Ressuscitado se faz reconhecer: a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os outros Sacramentos, a caridade, aqueles gestos de amor que trazem um raio do Ressuscitado. Deixemo-nos iluminar pela Ressurreição de Cristo, deixemo-nos transformar pela sua força, para que também através de nós no mundo os sinais de morte deixem o lugar aos sinais de vida. Vi que há tantos jovens na praça. Aqui estão eles! A vocês digo: levem adiante esta certeza: o Senhor está vivo e caminha ao nosso lado na vida. Essa é a missão de vocês! Levem adiante esta esperança. Estejam ancorados nesta esperança: esta âncora que está no céu; segurem forte a corda, estejam ancorados e levem adiante a esperança.  Vocês, testemunhas de Jesus, levem adiante o testemunho de que Jesus está vivo e isto nos dará esperança, dará esperança a este mundo um pouco envelhecido pelas guerras, pelo mal, pelo pecado. Avante, jovens!

Van Thuan: um homem de esperança que amava os seus perseguidores

OS CINCO DEFEITOS DE JESUS
O Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da Esperança”:

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23, 43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “… hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.
Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume… Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7, 47)…
A memória de Jesus não é igual à minha…

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15, 4-7).
Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração…

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15, 8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15, 10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias…
Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.
Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20)…
Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta?…
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4, 16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.

 

Entrevista com o postulador da causa de beatificação do cardeal vietnamita José Antonio Varela Vidal

ROMA, quarta-feira, 25 de julho de 2012 (ZENIT.org) – Falar do Servo de Deus François-Xavier Nguyen Van Thuan significa tratar de uma vida provada pelo sofrimento, pela injustiça e pelas três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Ele passou fome e frio e sofreu o desprezo da prisão. Foi vítima de um sistema totalitário e cego, que o prendeu sem acusação alguma, só porque era “perigoso”. Mas ele estava convencido de que tudo fazia parte do plano de Deus, esperava contra toda esperança e amava os seus perseguidores a ponto de alguns deles terem se convertido durante a época em que o cardeal ficou na prisão. ZENIT conversou com Waldery Hilgeman, postuladora do processo de beatificação.

De tudo o que aconteceu na vida do cardeal Van Thuan, o que a impacta mais?
Waldery Hilgeman: Ele é um personagem muito complexo, no sentido de que toda a vida dele foi como gotas contínuas de evangelho, uma chuva incessante de santidade, desde o início. Uma coisa que me impressiona em sua espiritualidade é a constância do amor ao próximo. Ele foi até preso, e, na cadeia, nunca deixou de amar aqueles que o perseguiam, desde os funcionários de mais alto grau do sistema até os carcereiros. Esse amor total de Cristo pelo inimigo, sem interesses pessoais, nos atinge com muita força ainda hoje, neste contexto social de tanto egoísmo.

De que exatamente ele foi acusado?
Waldery Hilgeman: O cardeal Van Thuan foi um prisioneiro sem culpa. Nunca houve uma acusação contra ele de verdade, assim como também nunca houve um julgamento, muito menos uma sentença. Então, dizer de que ele foi acusado é uma grande dificuldade até para nós. Há muitos fatores no ambiente social daquele período que indicam que esse bispo era “perigoso” para um sistema vazio, um sistema baseado em nada, como é o sistema comunista, mas ele nunca foi formalmente acusado de nada concreto.

A partir dos escritos do cardeal na prisão, qual era o seu espírito, a sua reflexão como prisioneiro?
Waldery Hilgeman: O pensamento mais frequente do cardeal desde o primeiro momento do cativeiro, que durou treze anos, era que Deus estava pedindo que ele desse tudo, que ele abandonasse tudo e vivesse para Deus. Ele sentiu, especialmente no primeiro período de prisão, algo muito forte: a obra de Deus é Deus. Já desde antes, como arcebispo coadjutor, Van Thuan vivia para a obra de Deus. E ele sentiu que, naquele cativeiro, Deus pedia que ele deixasse o trabalho e vivesse só para Ele.

Você deve ter lido muitas histórias e relatos de testemunhas oculares do período na prisão…
Waldery Hilgeman: A história mais bonita é a da conversão de um dos guardas. Vários daqueles guardas, responsáveis pelo acompanhamento dos presos, no final se converteram. O cardeal Van Thuan, com amor total por essas pessoas, mostrou o que é o amor de Cristo. Sem poder pregar, sem poder falar diretamente de Cristo com aquelas pessoas, ele conseguiu convertê-los ao longo do tempo com o seu exemplo de Cristo encarnado. Isto continua sendo muito peculiar.

Para o processo de beatificação, a Igreja conseguiu contatar esses guardas?
Waldery Hilgeman: O ambiente político torna muito difícil ter contato com essas pessoas. Eles não foram questionados durante o julgamento, mas, talvez de maneira muito excepcional, vamos colocar o depoimento deles nos documentos processuais, que reconstroem a vida e as virtudes heroicas do cardeal Van Thuan.

Depois da transferência para Roma, qual foi a principal contribuição do cardeal Van Thuan à Igreja, como chefe de dicastério do Vaticano?
Waldery Hilgeman: Na verdade, parece que Deus queria desde o início preparar o cardeal Van Thuan para o ministério na Cúria Romana e no serviço do papa e da Igreja. Porque, já como jovem bispo, ele tinha se concentrado muito no papel dos leigos na diocese dele e no maior envolvimento dos leigos na vida social vietnamita. Basta pensar que em poucos anos ele conseguiu dobrar o número de vocações: ele queria bons leigos a serviço da Igreja, que poderiam ser chamado por Cristo.

Ele também trabalhou no Pontifício Conselho para os Leigos…
Waldery Hilgeman: O cardeal Van Thuan sempre lutou pelo papel dos leigos no Vietnã, porque justificava a presença deles como testemunhas diretas de Cristo na vida política, social, no trabalho. Não foi à toa que ele foi um dos primeiros a serem chamados para o Pontifício Conselho para os Leigos, que ainda estava sendo criado. Apesar de viver a meio mundo de distância, a Santa Sé estava de olho desde o início no potencial desse homem.

Ele colaborou também no Conselho Justiça e Paz…
Waldery Hilgeman: Sim. Com a chegada dele a Roma, as coisas mudaram, porque o papel do Pontifício Conselho Justiça e Paz é de extrema sensibilidade no nosso contexto, porque ele monitora a economia, a justiça, a fome no mundo, a solidariedade, a paz, e assim por diante; ele abrange toda a doutrina social da Igreja. Um bispo que veio de um tecido social de extrema pobreza, como era o Vietnã, e que, além disso, tinha sido preso, viveu na própria pele o que é a injustiça no mundo pelo simples fato de ser cristão. Não há dúvidas de que Cristo o preparou muito bem para o ministério aqui em Roma.

Pode nos contar algo sobre o processo de beatificação?
Waldery Hilgeman: O processo é muito especial. E nós temos a sorte de que este processo está no Tribunal do Vicariato de Roma, que é um tribunal com grande experiência. É uma causa muito grande, de um personagem que viajou muito, que envolve fiéis e imigrantes que moram em todos os continentes. O trabalho é imenso. Desde que o processo começou, em outubro de 2010, na paróquia, até agora, nós já demos grandes passos, ouvimos cerca de 130 testemunhas, incluindo cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, toda a realidade da Igreja. Até o processo “viajou”, por assim dizer, já que nós fomos para a Austrália, onde ouvimos inúmeras testemunhas; nos Estados Unidos, onde uma proporção significativa da população é de imigrantes vietnamitas, também ouvimos muita gente. Fomos à Alemanha, onde encontramos muitos fiéis de países vizinhos, Holanda e Bélgica, e fomos também à França. Eu diria que estamos em um estágio bem avançado.

Há relatos de algum suposto milagre?
Waldery Hilgeman: Vários! Eu, como postuladora, juntamente com o Conselho Pontifício Justiça e Paz, que promove a causa, estou estudando com a ajuda de especialistas médicos qual seria a forma mais adequada de iniciar um processo sobre o milagre que poderia levar o cardeal à canonização.

Que mensagem você pode mandar para os muitos “devotos” do cardeal Van Thuan, que esperam vê-lo logo nos altares?
Waldery Hilgeman: Nos escritos e nos livros dele, existe um tema recorrente, que também aparece nos depoimentos que chegam ao tribunal: a esperança, não perder a esperançaem Deus. François-Xavier Nguyen Van Thuan vai ser o “santo da esperança”.
(Tradução:ZENIT)

O profeta católico ‘não obedece ninguém além de Deus’

Domingo, 03 de fevereiro de 2013, Rádio Vaticano

“É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade,” ressaltou o Santo Padre

Durante a oração mariana do Angelus, neste domingo, 3, o Papa Bento XVI convidou os católicos a ‘investir’ na vida e na família como resposta eficaz à atual crise, e expressou o desejo de que a Europa seja sempre um lugar em que se defenda a dignidade de todo ser humano.

No breve discurso proferido da sacada de seu escritório, Bento XVI se uniu aos bispos italianos e saudou a celebração na Itália do “Dia pela Vida”, que recorre sempre no primeiro domingo de fevereiro e que este ano lançou a iniciativa “Um de nós”. Trata-se de um apelo que defende a dignidade de todo ser humano como “fundamento de justiça, liberdade, democracia e paz”.

E ainda em referência à tutela da vida, dirigiu um pedido aos professores da Faculdade de Medicina, para que formem profissionais no respeito da cultura da vida.

No início do encontro, o Pontífice recordou o episódio narrado no Evangelho de São Lucas, quando Jesus surpreende os cidadãos de Nazaré e os provoca, deixando a entender que é ele o Messias. As pessoas de sua cidade, que bem conheciam ele e sua família, o julgam presunçoso e o expulsam da sinagoga. No entanto, Jesus sabe que “nenhum profeta é bem-quisto em sua pátria” e assim, levanta-se e vai embora.

Em meio ao povo, surge a dúvida: “Por que esta ruptura? Ele tinha o nosso consenso…”. O Papa esclareceu aos fiéis que Jesus não queria o consenso dos homens, mas “dar testemunho à Verdade”. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade!”.

Como escrevia São Paulo, “o amor não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor; o amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade”.

Falando em espanhol, o Papa prosseguiu dizendo que o Apóstolo garante que “o caminho da perfeição não consiste em ter qualidades particulares, mas em viver o amor autêntico, que Deus nos revelou em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu que o verdadeiro profeta católico “não obedece ninguém além de Deus; está a serviço da verdade e sempre pronto a pagar com a própria vida: crer em Deus significa renunciar aos próprios preconceitos”.

Não tenhamos medo das surpresas de Deus

Vigília Pascal, sábado, 30 de março de 2013, André Alves / Da redação 

Com a Basílica São Pedro lotada, Papa Francisco celebra a Vigília Pascal, no Vaticano.  

Papa Francisco durante a procissão da Luz que marcou o início da Vigília Pascal. (Foto: CTV)  

O Papa Francisco, presidiu neste Sábado Santo, 30, a celebração da Vigília Pascal, na Basílica de São Pedro, em Roma. Como prevê a liturgia, o Santo Padre iniciou a cerimônia com a Benção do Fogo Novo. Em seguida, adentrou à Basílica, em procissão, com o Círio Pascal, símbolo do Cristo Ressuscitado.

Após percorrer o corredor central, o Papa chegou ao presbitério e beijou o Altar. Ouviu-se então a proclamação da Páscoa e o canto do “Exultat”.

Um momento marcante na celebração foi a entoação do Hino do Glória – Gloria in excelsis deo – que quer dizer, “Glória a Deus nas alturas”. Nesta hora, se acenderam as luzes da Basílica e ressoaram os sinos no interior e fora do templo.

Após o anúncio e o canto do “Aleluia”, ouviu-se a proclamação do Evangelho. Em seguida, o Santo Padre proferiu breves palavras em sua homilia.

O Papa Francisco recordou a narração do texto de São Lucas, ouvido durante a celebração, e enfatizando a figura das mulheres que foram surpreendidas com a ausência do corpo de Jesus no túmulo (cf.Lc 24, 1-12).

Segundo o Papa, há uma dificuldade por parte do homem em lidar com as surpresas de Deus. No entanto, o convite do Pontífice foi que os católicos não temam as novidades do Senhor. “Temos medo das surpresas de Deus! Irmãos e irmãs, não nos fechemos às surpresas de Deus. Não nos fechemos em nós mesmos, não percamos a confiança”, convidou o Papa.

Mencionando as palavras do Anjo que apareceu às mulheres – “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?” – o Papa questionou: “Quantas vezes precisamos que o Amor nos diga: porque buscar os viventes no meio dos mortos”? Para o Pontífice, os problemas e as situações do dia a dia tendem a entristecer e tirar-nos a paz. Logo, afirmou o Papa, aí está a morte.

De acordo com o Santo Padre, quem acolhe Jesus Ressuscitado não fica desiludo ou entristecido. “Podes estar seguro porque Ele está perto de ti e lhe dará força para viver como Ele quer.”

Um último elemento destacado pelo Papa Francisco na homilia, foi o sentimento de medo que tomou as mulheres que visitavam o túmulo de Cristo. Segundo o Santo Padre, a novidade de Deus causou-lhes medo a princípio, mas quando ouviram o anúncio da Ressurreição, acolheram e confiaram.

A confiança, explicou o Papa, veio após o convite do anjo que lhes chamou a recordar as palavras de Jesus antes de morrer. “Fazer memória do acontecimento de Jesus, é isso que faz as mulheres anunciar a todos. Fazer memória daquilo que Deus fez, do caminho percorrido. Isso abre o coração para a espera, para o futuro”, disse o Papa.

Por fim, o Santo Padre pediu a Deus, por intercessão de Maria, que o coração dos fiéis estejam abertos para fazerem memória daquilo que Deus fez a eles; que os torne capazes de perceber Cristo como vivente e que os ensine a não procurar entre os mortos Aquele que está vivo.

A Vigília Pascal é a última celebração do Tríduo Pascal que prepara os católicos para a festa da Páscoa – Ressurreição de Jesus Cristo. Os símbolos do Fogo, da Luz, o canto do “Aleluia”, dentre outros momentos marcantes, dão acentuação especial a esta cerimônia tradicional da Igreja Católica.

A celebração da “Noite de todas as noites”, como é chamada pela Igreja, já era mencionada em livros do segundo século e também – conforme escritos de São Jerônimo – era celebrada pelos primeiros Apóstolos.

Maria e a Ressurreição de Cristo

“Rainha do céu, alegra-te. Aleluia!”

Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria “é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição” (Alocução da Audiência geral, L’Osserv. Rom. ed. port., 06/4/1996, pág. 12). A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor: na obscuridade que envolve o universo, Ela entrega-se plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas.

Os Evangelhos narram diversas aparições do Ressuscitado, mas não o encontro de Jesus com a sua Mãe. Este silêncio não deve levar a concluir que, depois da Ressurreição, Cristo não tenha aparecido a Maria; convida-nos, ao contrário, a procurar os motivos dessa escolha por parte dos evangelistas.

Supondo uma “omissão”, ela poderia ser atribuída ao fato de que tudo o que é necessário para o nosso conhecimento salvífico é confiado à palavra de “testemunhas anteriormente designadas por Deus” (At 10, 41), isto é, aos Apóstolos que, “com grande poder”, deram testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus (cf. At 4,33). Antes de aparecer a eles, o Ressuscitado apareceu a algumas mulheres fiéis por causa da sua função eclesial: “Ide dizer a Meus irmãos que partam para a Galileia, e lá Me verão” (Mt 28,10).

Se os autores do Novo Testamento não falam do encontro da Mãe com o Filho Ressuscitado, isso talvez seja atribuível ao fato de que semelhante testemunho poderia ser considerado, por parte daqueles que negavam a Ressurreição do Senhor, muito interessado e, portanto, não digno de fé.

Os Evangelhos, além disso, referem um pequeno número de aparições de Jesus Ressuscitado, e não certamente o relatório completo de quanto aconteceu nos 40 dias após a Páscoa. São Paulo recorda uma aparição “a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez” (cf. 1Cor 15, 6). Como justificar que um fato conhecido por muitos não seja referido pelos Evangelistas, apesar de seu caráter excepcional? É sinal evidente de que outras aparições do Ressuscitado, embora estivessem no elenco dos notórios fatos ocorridos, não tenham sido mencionadas. Como poderia a Virgem, presente na primeira comunidade dos discípulos (cf. At 1, 14), ter sido excluída do número daqueles que se encontraram com o seu divino Filho, ressuscitado dos mortos?

É antes legítimo pensar que, de modo semelhante, a Mãe tenha sido a primeira pessoa a quem Jesus Ressuscitado apareceu. A ausência de Maria do grupo das mulheres que ao alvorecer se dirige ao sepulcro (cf. Mc 16, 1; Mt 28, 1), não poderia talvez constituir um indício do fato de Ela já se ter encontrado com Jesus? Esta dedução encontraria confirmação no dado que as primeiras testemunhas da ressurreição, por vontade de Jesus, foram as mulheres, que tinham permanecido fiéis ao pé da cruz e, portanto, mais firmes na fé. Com efeito, a uma delas, Maria de Mágdala, o Ressuscitado, confia a mensagem a ser transmitida aos Apóstolos (cf. Jo 20,17-18). Também este elemento consente talvez pensar em Jesus que aparece em primeiro lugar à sua Mãe, Aquela que permaneceu a mais fiel e, na prova, conservou íntegra a fé.

Por fim, o caráter único e especial da presença da Virgem no Calvário e a sua perfeita união com o Filho, no sofrimento da cruz, parecem postular uma sua particularíssima participação no mistério da ressurreição. Sedúlio, um autor do século quinto, afirma que Cristo Se mostrou no esplendor da vida ressuscitada, antes de tudo, à própria Mãe. Com efeito, aquela que, na anunciação, tinha sido a via do Seu ingresso no mundo, era chamada a difundir a maravilhosa notícia da ressurreição, para se fazer anunciadora da Sua vinda gloriosa. Inundada assim pela glória do Ressuscitado, a Santíssima Virgem antecipa o “resplendor” da Igreja (cf. Sedúlio, Carmen Pascale, 5, 357-364, CSEL 10, 140 s.).

Sendo imagem e modelo da Igreja, que espera o Ressuscitado e que no grupo dos discípulos O encontra durante as aparições pascais, parece razoável pensar que Nossa Senhora tenha tido um contato pessoal com o Filho Ressuscitado, para gozar também ela da plenitude da alegria pascal.

Presente no Calvário durante a Sexta-Feira Santa (cf. Jo 19, 25) e no cenáculo, no Pentecostes (cf. At 1, 14), a Virgem Santíssima foi provavelmente testemunha privilegiada da Ressurreição de Cristo, completando desse modo a sua participação em todos os momentos essenciais do mistério pascal. Ao acolher Jesus Ressuscitado, Maria é, além disso, sinal e antecipação da humanidade, que espera obter a sua plena realização mediante a ressurreição dentre os mortos.

No tempo pascal a comunidade cristã, ao dirigir-se à Mãe do Senhor, convida-a a alegrar-se: “Regina caeli, laetare. Aleluja!”, “Rainha do céu, alegra-te. Aleluia!”. Recorda assim a alegria de Maria pela Ressurreição de Jesus, prolongando no tempo o “alegra-te” que lhe fora dirigido pelo Anjo na anunciação, para que se tornasse “causa de júbilo” para a humanidade inteira.

São João Paulo II

Acolher a vitória de Cristo sobre o mal na própria vida

Segunda-feira do Anjo

VATICANO, 01 Abr. 13 / 01:47 pm (ACI/EWTN Noticias).- Ao presidir a oração do Regina Caeli nesta segunda-feira da Oitava de Páscoa, conhecida como Segunda-feira do Anjo, o Papa Francisco alentou todos a acolher a vitória de Cristo sobre o mal em nossa vida, para que o ódio deixe lugar ao amor e a tristeza à alegria.

Ante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa pronunciou estas palavras:

“Queridos irmãos e irmãs,

Bom dia e boa Páscoa a todos vocês! Agradeço-vos por terem vindo também hoje em grande número, para compartilhar a alegria da Páscoa, mistério central da nossa fé. Que a força da Ressurreição de Cristo possa atingir cada pessoa – especialmente quem sofre – e todas as situações mais necessitadas de confiança e esperança.

Cristo venceu o mal de modo pleno e definitivo, mas corresponde também a nós, os homens de cada tempo, acolher esta vitória na nossa vida e nas realidades concretas da história e da sociedade. Por isto parece-me importante destacar aquilo que hoje pedimos a Deus na liturgia: “Ó Pai, que fazes crescer a tua Igreja doando-lhe sempre novos filhos, concede a teus fiéis expressar na vida o sacramento que receberam na fé” (Oração Coleta da Segunda-Feira da Oitava de Páscoa).

É verdade, o Batismo que nos faz filhos de Deus, a Eucaristia que nos une a Cristo, devem transformar-se em vida, traduzir-se, isso é, em atitudes, comportamentos, gestos, escolhas. A graça contida nos Sacramentos pascais é um potencial de renovação enorme para a existência pessoal, para a vida das famílias, para as relações sociais. Mas tudo passa pelo coração humano: se eu me permito alcançar a graça de Cristo ressuscitado, se me permito mudar naquele meu aspecto que não é bom, que pode fazer mal a mim e aos outros, eu permito à vitória de Cristo ter sucesso na minha vida, ampliar a sua ação benéfica.

Este é o poder da graça! Sem a graça não posso fazer nada. Sem a graça não podemos nada! E com a graça do Batismo e da Comunhão eucarística posso me tornar instrumento da misericórdia de Deus, daquela bela misericórdia de Deus!

Expressar na vida o sacramento que recebemos: eis, queridos irmãos e irmãs, o nosso compromisso cotidiano, mas direi também a nossa alegria cotidiana! A alegria de sentir-se instrumentos da graça de Deus, como ramos da videira que é Ele próprio, animados pela seiva do seu Espírito!   Rezemos juntos, em nome do Senhor morto e ressuscitado, e pela intercessão de Maria Santíssima, para que o Mistério pascal possa operar profundamente em nós e neste nosso tempo, para que o ódio deixe lugar ao amor, a mentira à verdade, a vingança ao perdão, a tristeza à alegria”.

Depois de concluir a oração do Regina Caeli, o Santo Padre saudou os peregrinos dos distintos continentes e desejou a todos que vivam serenamente esta Segunda-feira do Anjo, na qual ressoa com força o anúncio contente da Páscoa: “Cristo ressuscitou!” e concluiu desejando “Boa Páscoa a todos! Boa Páscoa a todos e bom almoço!”.

Deixemo-nos transformar com a Ressurreição

Oitava de Páscoa

Segunda-feira, 6 de abril de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco rezou o Regina Coeli com os fiéis na oitava de Páscoa; pedido foi uma transformação de vida a partir da Ressurreição de Cristo

Nesta segunda-feira, 6, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli com os fiéis presentes na Praça São Pedro nesse primeiro dia da oitava de Páscoa. Na reflexão que precede a oração, o Pontífice convidou os fiéis a deixarem que suas existências sejam conquistadas e transformadas pela Ressurreição.

Francisco partiu da narração do Evangelho de Mateus, em que as duas mulheres, ao encontrarem o Sepulcro de Jesus vazio, presenciam a aparição do Anjo que lhes anuncia que Cristo ressuscitou. Elas puderam se encontrar com o próprio Jesus, que lhes disse: “Vão e digam aos meus irmãos que se dirijam à Galileia, pois é lá que eles me verão”.

“A Galileia é a ‘periferia’ onde Jesus havia iniciado sua pregação; e de lá repartirá o Evangelho da Ressurreição para que seja anunciado a todos e cada um possa encontrar o Ressuscitado, presente e operante na história”, refletiu Francisco.

Ao recordar que este é o anúncio que a Igreja repete desde seus primórdios, o Papa afirmou que também os fiéis, por meio do batismo, ressuscitam, passam da morte à vida, da escravidão do pecado à liberdade do amor.

“Esta é a boa notícia à qual somos chamados a levar aos outros, em todos os lugares, animados pelo Espírito Santo. A fé na ressurreição e a esperança que Ele nos trouxe são o dom mais bonito que os cristãos podem e devem oferecer a seus irmãos. A todos e a cada um não nos cansemos de repetir: Cristo ressuscitou!”, exortou o Papa.

Cristãos felizes

Ao afirmar que a Boa Nova da Ressurreição deve transparecer no rosto dos cristãos, em seus sentimentos, atitudes e na maneira como tratam os outros, Francisco falou sobre o que acontece quando se anuncia a ressurreição de Cristo.

“A Sua luz ilumina os momentos mais sombrios da nossa existência e podemos compartilhá-la com os outros, então sabemos sorrir com quem sorri e chorar com quem chora; caminhar ao lado de quem está triste e poderia perder a esperança; contar a nossa experiência de fé a quem está buscando um sentido para a vida e a felicidade”, descreveu o Pontífice.

Oitava de Páscoa

Explicando o tempo litúrgico da Ressurreição, o Papa destacou que a Oitava de Páscoa ajuda a entrar no mistério, para que a sua graça se imprima no coração e na vida.

“A Páscoa é o evento que traz a novidade radical para todo ser humano, para a História e o mundo: é o triunfo da vida sobre a morte; é a festa de despertar e se regenerar. Deixemos que a nossa existência seja conquistada e transformada pela Ressurreição!”, concluiu Francisco.

A alegria vinda da Ressurreição de Jesus

Quarta-feira, 23 de abril de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Diante da certeza da Ressurreição de Cristo, Santo Padre enfatizou necessidade de os fiéis se abrirem à esperança que remove as pedras dos “sepulcros” atuais

Na catequese desta quarta-feira, 23, Papa Francisco dedicou-se a falar da alegria vinda da Ressurreição de Jesus. Trata-se de uma alegria verdadeira e profunda, baseada na certeza de que Cristo não morre jamais, mas está sempre vivo e ativo na Igreja e no mundo.

O Santo Padre concentrou-se, em especial, na frase que os anjos disseram às mulheres no sepulcro de Jesus: “Por que procurais Aquele que vive entre os mortos?”. Estas palavras, segundo ele, dirigem-se também aos homens de hoje, que, de várias formas, podem se fechar em seus egoísmos, seduzidos pelas coisas deste mundo, pelo dinheiro e pelo sucesso, deixando de lado Deus e o próximo.

Por outro lado, o Papa lembrou que nem sempre é fácil aceitar a presença de Cristo Ressuscitado em meio ao homem. É possível ser como Tomé, querendo tocar nas chagas para acreditar, ou como Maria Madalena, que vê Jesus, mas não O reconhece; ou ainda, como os discípulos de Emaús, que, sentindo-se derrotados, não percebem o próprio Jesus que os acompanha.

Depois de um fracasso, para quem se sente só, abandonado e perdeu a esperança, Francisco destacou que a pergunta dos anjos faz superar a tentação de olhar para trás e impulsiona rumo ao futuro.

“Jesus não está no Sepulcro, Ele ressuscitou! Não podemos procurar entre os mortos aquele que está vivo!”, disse Francisco, pedindo que a multidão repetisse a frase dos anjos. “Não nos dirijamos aos muitos sepulcros que hoje prometem algo, e depois não nos dão nada. Ele está vivo. Por isso, é preciso maravilhar-se novamente com Cristo ressuscitado, para poder sair dos nossos espaços de tristeza e abrir-nos à esperança que remove as pedras dos sepulcros e nos dá coragem para anunciar, pelo mundo afora, o Evangelho da vida”.

Depois da catequese, o Papa saudou os diversos grupos presentes na Praça, entre os quais os brasileiros. “Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos fiéis de Lisboa e aos diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na Ressurreição nos leva a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!”

 

Buscar a verdadeira esperança que traz o Ressuscitado, alenta o Papa Francisco
VATICANO, 23 Abr. 14 (ACI/EWTN Noticias) .- O Papa Francisco presidiu nesta quarta-feira a Audiência Geral na Praça de São Pedro e exortou os fiéis a não procurarem Cristo vivo entre as “coisas mortas” que oferece o mundo, como o poder e o êxito, que só dão uma alegria “por um minuto, por um dia, uma semana ou um mês”, mas a verdadeira esperança que brinda o Senhor Ressuscitado.

O Pontífice disse que precisamos escutar a pergunta dos anjos às mulheres que chegaram à tumba “por que procuram entre os mortos ao que está vivo? por que procuram entre os mortos ao que está vivo?” (Lc 24,5). Estas palavras são como uma pedra milhar na história; mas também uma “pedra de tropeço”, se não nos abrirmos à Boa Notícia, se pensarmos que um Jesus morto molesta menos que um Jesus vivo!”.

“Se escutarmos, podemos nos abrir a Aquele que dá a vida, Aquele que pode dar a verdadeira esperança. Neste tempo pascal, nos deixemos novamente tocar pelo estupor do encontro com Cristo ressuscitado e vivo, pela beleza e a fecundidade de sua presença”, asseverou o Papa.

A seguir a catequese completa do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Esta semana é a semana da alegria: celebramos a Ressurreição de Jesus. É uma alegria verdadeira, profunda, baseada na certeza de que Cristo ressuscitado não morre mais, mas está vivo e ativo na Igreja e no mundo. Tal certeza mora nos corações dos crentes daquela manhã de Páscoa, quando as mulheres foram ao sepulcro de Jesus e os anjos disseram a elas: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?”. Estas palavras são como uma pedra milenar na história; mas também uma “pedra de tropeço”, se não nos abrimos à Boa Notícia, se pensam que dê menos cansaço um Jesus morto que um Jesus vivo! Em vez disso, quantas vezes, no nosso caminho cotidiano, temos necessidade de ouvirmos dizer: “Por que estais procurando entre o s mortos Aquele que está vivo?”.

Quantas vezes nós procuramos a vida entre as coisas mortas, entre as coisas que não podem dar vida, entre as coisas que hoje são e amanhã não serão mais, as coisas que passam… “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Temos necessidade disso quando nos fechamos em qualquer forma de egoísmo ou de auto-piedade; quando nos deixamos seduzir pelos poderes terrenos e pelas coisas deste mundo, esquecendo Deus e o próximo; quando colocamos as nossas esperanças em vaidades mundanas, no dinheiro, no sucesso. Então a Palavra de Deus nos diz: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Por que estás procurando ali? Aquela coisa não pode te dar vida! Sim, talvez te dará uma alegria de um minuto, de um dia, de uma semana, de um mês… e depois? “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Esta frase deve entrar no coração e devemos repeti-la. Vamos repeti-la juntos três vezes? Façamos um esforço? Todos: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” [repete com a multidão] Hoje, quando voltarmos para casa, digamos essa frase do coração, em silêncio, e nos façamos esta pergunta: por que eu, na vida, procuro entre os mortos Aquele que está vivo? Fará bem a nós.

Não é fácil ser aberto a Jesus. Não se deduz aceitar a vida do Ressuscitado e a sua presença em meio a nós. O Evangelho nos faz ver diversas reações: aquela do apóstolo Tomé, aquela de Maria Madalena e aquela dos dois discípulos de Emaús: faz bem a nós confrontarmo-nos com eles. Tomé coloca uma condição à fé, pede para tocar a evidência, as chagas; Maria Madalena chora, O vê, mas não O reconhece, dá-se conta de que é Jesus somente quando Ele a chama pelo nome; os discípulos de Emaús, deprimidos e com sentimentos de derrota, chegam ao encontro com Jesus deixando-se acompanhar por aquele misterioso andarilho. Cada um por caminhos diversos! Buscavam entre os mortos Aquele que está vivo e foi o mesmo Senhor a corrigir a rota. E eu o que faço? Qual a rota sigo para encontrar o Cristo vivo? Ele e stará sempre próximo a nós para corrigir a rota se nós tivermos errado.

“Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Esta pergunta nos faz superar a tentação de olhar para trás, para aquilo que foi ontem, e nos impele a seguir adiante rumo ao futuro. Jesus não está no sepulcro, é o Ressuscitado! Ele é o Vivo, Aquele que sempre renova o seu corpo que é a Igreja e o faz caminhar atraindo-o para Ele. “Ontem” é o túmulo de Jesus e o túmulo da Igreja, o sepulcro da verdade e da justiça; “hoje” é a ressurreição perene rumo à qual nos impele o Espírito Santo, doando-nos a plena liberdade.

Hoje é dirigida também a nós esta interrogação. Você, por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo, você que se fecha em si mesmo depois de um fracasso e você que não tem mais a força de rezar? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que se sente sozinho, abandonado pelos amigos e talvez também por Deus? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que perdeu a esperança e você que se sente aprisionado pelos seus pecados? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que aspira à beleza, à perfeição espiritual, à justiça, à paz? Precisamos ouvir repetir e recordarmos sempre a advertência do anjo! Esta advertência, “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo”, ajuda-nos a sair dos nossos espaços de tristeza e nos abre aos horizontes da alegria e da esperança. Aquela esperança que remove as pedras dos sepulcros e encoraja a anunciar a Boa Nova, capaz de gerar vida nova para os outros. Repitamos esta frase do anjo para tê-la no coração e na memória e depois cada um responda em silêncio: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”

Repitamos a frase! [repete com a multidão] Vejam, irmãos e irmãs, Ele está vivo, está conosco! Não caminhemos para tantos sepulcros que hoje te prometem alguma coisa, beleza, e depois não te dão nada! Ele está vivo! Não procuremos entre os mortos Aquele que está vivo! Obrigado.

A ressurreição da carne

Certeza de ressuscitar em Cristo

Quarta-feira, 4 de dezembro  de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco deu continuidade à reflexão sobre ressurreição da carne, iniciada na semana passada

Na catequese desta quarta-feira, 4, o Papa Francisco deu continuidade à reflexão sobre a ressurreição da carne. Ele se concentrou sobre a certeza da ressurreição em Cristo, uma espera que é a fonte da esperança cristã.

Francisco disse que, de fato, não é fácil compreender a ressurreição da carne estando imerso neste mundo, mas o Evangelho ilumina os fiéis neste caminho. Ele elencou alguns aspectos que dizem respeito à relação entre a ressurreição de Cristo e a ressurreição do homem.

“Porque Ele ressuscitou, também nós ressuscitaremos”, afirmou o Papa, enfatizando que Jesus leva o homem consigo em seu caminho de retorno ao Pai, doando aos seus discípulos o Espírito Santo. Esta espera constitui uma esperança que, se cultivada e protegida, torna-se luz para a história pessoal e comunitária.

“Lembremos sempre: somos discípulos Daquele que veio, vem todos os dias e virá no final. Se conseguirmos ter mais presente essa realidade, estaremos menos cansados do cotidiano, menos prisioneiros do efêmero e mais dispostos a caminhar com coração misericordioso na via da salvação”.

Sobre o significado da ressurreição, o Santo Padre explicou que, com a morte, a alma separa-se do corpo. Mas, no último dia, Deus restituirá a vida ao corpo e vai juntá-lo à alma. Essa transfiguração do corpo é preparada já nesta vida, no relacionamento com Jesus, nos sacramentos, especialmente na Eucaristia.

“Se Jesus está vivo, vocês pensam que Ele nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele nos espera. Porque Ele ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós. Já nesta vida temos uma participação na Ressurreição de Cristo. A vida eterna começa já neste momento”.

Pelo Batismo, conforme lembrou o Pontífice, o ser humano foi inserido na morte e ressurreição de Cristo, participando de uma vida nova. Assim, o corpo de cada um é ressonância de eternidade, de forma que deve ser respeitado.

“Esta é a nossa alegria, um dia encontrar Jesus e todos juntos, não aqui na Praça, mas em outro lugar, mas alegres com Jesus. Este é o nosso destino”.

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