Pensamentos Seletos

As armadilhas do diabo

Sexta-feira, 9 de outubro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco pediu que fiéis tenham discernimento e sejam vigilantes para não caírem nas armadilhas do diabo e acabarem se afastando de Deus

Em Celebração Eucarística na Casa Santa Marta, nesta sexta-feira, 9, o Papa Francisco falou sobre as armadilhas do demônio. Francisco lembrou que o diabo traz calúnias, invejas e armadilhas, motivos pelos quais é preciso ter discernimento e vigilância para saber o que vem ou não de Deus.

A homilia foi inspirada no Evangelho do dia, que conta sobre o dia em que Jesus expulsou um demônio. Embora Jesus fizesse o bem, o Papa lembrou que um grupo de pessoas sempre tentava interpretar suas palavras de modo diferente, por motivos como inveja ou rigidez doutrinal.

“Por muitas razões, tentavam afastar a autoridade de Jesus das pessoas e caluniar, como neste caso. ‘Ele expulsa os demônios por meio de Belzebu’. Ele é um endiabrado, faz magias, é um feiticeiro’. Colocavam-no à prova continuamente, provocavam-no com armadilhas, para ver se caía”, disse.

Diante dessas reflexões, o Papa convidou os fiéis ao discernimento e à vigilância, para saber discernir o que é de Deus e o que é do mal. “O cristão não pode ficar tranquilo, pensar que tudo corre bem; deve discernir as coisas e observar de onde provêm, qual é a sua raiz”.

A vigilância é necessária, observou Francisco, porque em um caminho de fé as tentações voltam sempre. O Maligno se esconde, vem com seus amigos muito educados, bate à porta, pede licença, entra, convive com o homem na sua vida cotidiana e pouco a pouco, dá as instruções. Com esta “modalidade educada”, disse o Papa, o diabo convence a fazer as coisas com relativismo, tranquilizando a consciência.

“Tranquilizar a consciência, anestesiar a consciência, é um grande mal. Quando o espírito ruim consegue anestesiar a consciência, pode-se falar de uma verdadeira vitória: se transforma no dono daquela consciência. ‘Mas isso acontece em todo lugar! Sim, mas todos, todos temos problemas, todos somos pecadores, todos’. Em todos inclui-se o ‘ninguém’, ou seja, ‘todos menos eu’. E assim se vive a mundanidade, que é filha do espírito ruim”.

Francisco concluiu a homilia reiterando a necessidade de vigilância e discernimento. “Vigilância: a Igreja nos aconselha sempre o exercício do exame de consciência: o que aconteceu hoje no meu coração? Veio a mim o demônio bem educado com seus amigos? Discernimento: de onde vêm os comentários, as palavras, os ensinamentos… quem diz isso? Discernir e vigilar, para não deixar entrar aquilo que engana, que seduz e fascina. Peçamos ao Senhor a graça do discernimento e a graça da vigilância”.

Primeiro crer para depois saber: a fé dos cristãos

Domingo, 26 de agosto de 2012 / Da Redação, com Rádio Vaticano

Bento XVI no Angelus deste domingo, 26, na residência apostólica de Castel Gandolfo, onde passa um período de descanso  

No Angelus deste domingo, 26, o Papa Bento XVI refletiu sobre o Evangelho de hoje (cf. Jo 6, 60-69) que descreve a reação dos discípulos de Jesus após Ele ter dito: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu […] E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51).

O Santo Padre destacou que a reação dos discípulos foi provocada conscientemente pelo próprio Cristo, e mostra que aqueles que o seguiam não compreenderam o significado das palavras que Jesus dizia.

Bento XVI explicou que a afirmação de Jesus era inaceitável para eles, porque “a entendiam em sentido material, enquanto que aquelas palavras preanunciavam o mistério pascal de Jesus, em que Ele daria a si mesmo pela salvação do mundo”

O Evangelho destaca que “a partir de então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com ele” (Jo 6,66).

Ao ver isso, Jesus perguntou aos apóstolos: “Também vós quereis ir embora?” (Jo 6,67), e como em outras situações, é Pedro que tomou a palavra e respondeu em nome dos doze: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69).

Pedro não diz sabemos e acreditamos, mas sim acreditamos e sabemos, explicou o Papa recorrendo aos comentários de Santo Agostinho sobre esta passagem, e destacou:

“Acreditamos para poder saber: Se com efeito, tivéssemos procurado saber antes de acreditar, não teríamos conseguido nem conhecer, nem acreditar. O que acreditamos e o que soubemos? Que Tu és Cristo Filho de Deus, isto é que Tu és a vida eterna e através da tua carne e do teu sangue nos dás aquilo que tu próprio és.”

Bento XVI salientou que Jesus sabia que entre os doze apóstolos havia um que não acreditava: Judas. “Ele poderia ter ido embora, como fizeram os outros discípulos, ou melhor, deveria ter ido embora, se tivesse sido honesto”.

“Ao invés, ficou com Jesus”, prosseguiu o Santo Padre. “Ficou não por causa da fé, nem por amor, mas com a intenção secreta de se vingar do Mestre. Por quê? Porque Judas se sentia traído por Jesus, e decidiu que, por sua vez, iria traí-lo”, explicou.

Judas era um Zelota, e “queria um Messias vencedor, para guiar uma revolta contra os romanos. Mas Jesus tinha decepcionado essas expectativas. O problema é que Judas não foi embora, e sua culpa mais grave foi a falsidade, que é a marca do diabo. Por isso Jesus disse aos Doze: ‘Um de vós é um diabo’ (Jo 6,70)”, destacou Bento XVI.

O Papa concluiu com o convite a rezar a Nossa Senhora, “para que nos ajude a crer em Jesus, como São Pedro, e a sermos sempre honestos com Ele e com todos” .Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

 

A falsidade é a marca do diabo
Angelus de Bento XVI em Castel Gandolfo

CASTEL GANDOLFO, domingo, 26 de agosto de 2012(ZENIT.org) – Apresentamos as palavras de Bento XVI aos fiéis e peregrinos reunidos diante de sua residência de férias a Castel Gandolfo para a tradicional oração do Angelus. Nos domingos anteriores meditamos o discurso sobre o “pão da vida” que Jesus pronunciou na sinagoga de Cafarnaum, depois de alimentar milhares de pessoas com cinco pães e dois peixes. Hoje, o Evangelho apresenta a reação dos discípulos àquele discurso, uma reação que foi o próprio Cristo, consciente, a provocar. Antes de tudo, o evangelista João – que esteve presente, juntamente com os outros Apóstolos – diz que “A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele.” (João 6, 66). Por quê? Porque não acreditaram nas palavras de Jesus, quando disse: Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. (cf. João 6,51-54); palavras realmente difíceis de aceitar neste momento, de compreender. Essa revelação – como disse – continuava incompreensível para eles, porque a entenderam no sentido material, enquanto essas palavras preanunciavam o mistério pascal de Jesus,em que Eledaria a si mesmo pela salvação do mundo: a nova presença na Santa Eucaristia. Vendo que muitos dos seus discípulos se retiravam, Jesus disse aos Apóstolos: “Também vós quereis ir embora?” (João 6, 67). Como em outros casos, é Pedro, quem responde em nome dos Doze: “Senhor, a quem iríamos nós? – Também nós podemos refletir: a quem iremos? – Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus “(João 6, 68-69). Sobre esta passagem, temos um belo comentário de Santo Agostinho, que diz, em seu sermão sobre João 6: “Vejam como Pedro, pela graça de Deus, a inspiração do Espírito Santo, compreende? Por que compreendeu? Porque acreditou. Tu tens palavras de vida eterna. Tu nos dás a vida eterna, oferecendo o teu corpo [ressuscitado] e o teu sangue [Tu mesmo]. E nós acreditamos e conhecemos. Não diz: conhecemos e depois acreditamos, mas acreditamos e depois conhecemos. Acreditamos para poder conhecer, se com efeito, quiséssemos conhecer antes de acreditar, não seríamos capazes nem de conhecer e nem acreditar. O que acreditamos e o que conhecemos? Que Tu és Cristo Filho de Deus, isto é que Tu és a vida eterna e através da tua carne e do teu sangue nos dás aquilo que tu próprio és.”(Comentário ao Evangelho de João, 27, 9). Assim disse Santo Agostinho, em um sermão para seus fiéis. Enfim, Jesus sabia que, entre os doze Apóstolos havia um que não acreditava: Judas. Ele poderia ter ido embora, como fizeram os outros discípulos, ou melhor, deveria ter ido embora, se tivesse sido honesto. Ao invés, ele permaneceu com Jesus. Permaneceu não por causa da fé, nem por amor, mas com a intenção secreta de se vingar do Mestre. Por quê? Porque Judas se sentia traído por Jesus, e decidiu que, por sua vez, iria traí-lo. Judas era um zelota, e queria um Messias vencedor, para guiar uma revolta contra os romanos. Jesus tinha decepcionado essas expectativas. O problema é que Judas não foi embora, e a sua culpa mais grave foi a falsidade, que é a marca do diabo. É por isso que Jesus disse aos Doze: “Um de vós é um diabo” (João 6,70). Oremos à Virgem Maria, para que nos ajude a crer em Jesus, como São Pedro, e a serrmos sempre sinceros com Ele e com todos.
(Trad.:MEM)

A importância dos avós

Dia dos avós

Uma criança que respeita os avós certamente será mais consciente do seu papel como cidadão

A formação dos filhos acontece pela interação deles com a família e com a sociedade. Quantas lembranças boas temos da relação com nossos avós! As viagens para a casa deles, a comidinha gostosa, o carinho, o olhar, as histórias. Enfim, a riqueza do relacionamento com eles é significativa na vida de uma criança.

As raízes familiares são transmitidas também pelos avós, e isto é bastante válido. Todo contato é importante e também enriquece a vida deles, que já se encontram em outro momento de vida e se “revitalizam” com seus netos.

Nesta convivência, outro ponto muito importante é ensinar à criança o valor da pessoa mais velha. Num mundo “descartável”, no qual o “velho” é facilmente deixado de lado ou ridicularizado, é extremamente válido que possamos dar à criança o sentido de valor dos mais idosos, bem como o respeito que deve ser dado a eles.

Uma criança que respeita a história, o passado, as tradições certamente será mais consciente do seu papel como cidadão.

A relação entre pais e avós é, dentro do possível, bastante salutar. No entanto, as regras e os limites para a criança devem ser combinados entre eles, caso sejam os avós quem cuidarão dos netos. Assim, a educação das crianças terá regras parecidas e não haverá desentendimentos.

Quando existe uma relação conflituosa dos pais com os avós, é importante que ela seja resolvida entre eles, mas nunca com a participação da criança. Mesmo que sua visão a respeito dos avós seja comprometida, evite um posicionamento que dê essa impressão para seus filhos.

Cada família tem sua configuração, seus conflitos e entendimentos particulares. Assim, cabe a cada família avaliar quando e como seus filhos estarão com os avós. Só não vale usá-los como “cuidadores de luxo”, atendendo às necessidades dos pais e nada mais.

A troca de afetos é muito válida, porque prepara os filhos pequenos para o contato com outras pessoas no mundo. A vinda de novos netos sempre é uma comemoração e dá aos idosos o sentimento de continuação e perpetuação da família. Dá a eles o sentido de que suas histórias serão multiplicadas para outros membros da família, fato extremamente enriquecedor.

Acredito ser bastante importante que também os pais possam rever sua percepção sobre as pessoas mais velhas e sobre o relacionamento que têm com elas. A partir dos exemplos dos pais, a criança terá, de forma melhor ou pior, sua relação com os avós ou com qualquer pessoa mais velha.

A grande lição dessa experiência é que os netos são de fundamental importância na vida dos avós e que o relacionamento entre eles é extremamente importante para os adultos que estão envelhecendo e para as crianças que estão amadurecendo.

Elaine Ribeiro
Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp

Missão da família se estende à toda humanidade

Sexta-feira, 17 de agosto de 2012, Kelen Galvan / Da Redação

‘A medida que a família dá aquilo que é uma riqueza interna, ela se enriquece mais’

O projeto de Deus para a família é muito amplo, engloba a vivência do amor e do perdão, de um relacionamento profundo no próprio âmbito familiar. No entanto, também é um projeto que diz respeito a toda a humanidade.

Essa reflexão é do bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, também membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, sobre a relação da família e da comunidade. O tema é um dos assuntos tratados na Semana Nacional da Família, que está sendo celebrada em todo o país até o dia 18 deste mês.

O bispo explica que a família não existe para si mesma. “Ela é chamada a ser evangelizadora. A família não está para si, como também o indivíduo não está para si, mas para o outro. A família está para outras famílias, para a comunidade paroquial, para toda a humanidade”.

Nessa afirmação está incutido um papel muito grande da Igreja, destaca Dom Antônio, que é o de mostrar à família que todos os valores bons que ela cultiva dentro de si, só continuarão a crescer se for “expandido”, transmitido a outras comunidades.

“A lógica de Deus é inversa – ‘Dai e dar-se-vos-á’ (Lc 6,38). Quando se compartilham os bens espirituais eles se multiplicam. À medida que a família dá aquilo que é uma riqueza interna, ela se enriquece mais e as pessoas estarão muito mais satisfeitas. Por outro lado, a família que se fecha em si mesma, se empobrece. Então, abrir-se à comunidade é uma questão de sobrevivência da família”, enfatiza.

Como ensinar os filhos?

Para Dom Antônio, a melhor maneira de ensinar os filhos a estarem atentos aos outros é proporcionar que eles tenham proximidade com os irmãos que mais precisam.

“Visitar hospitais, orfanatos, casas de repouso para idosos, levar os filhos para verem os mendigos nas praças… Sem nenhum receio, fazer com que os filhos se sensibilizem com as necessidades dos outros. Vejam pessoas que vivam felizes com tão pouco. E entendam que, muitas vezes, o que eles mais precisam não é de roupas e alimentos, mas de atenção, de alguém que compartilhe com eles momentos que passam sozinhos”, exemplifica o bispo.

Atitudes como essas “desenvolvem e dilatam” o coração, diz Dom Antônio, “faz os filhos crescerem com esse sentido, essa sensibilidade social”.

Exemplo dos cristãos

Os primeiros cristãos viviam de perto essa realidade. Eles conviveram com Jesus ou com testemunhas diretas da vida de Cristo e O anunciavam. O subsídio para a Semana Nacional da Família destaca que as primeiras comunidades cristãs tinham o costume de praticar gestos de amor fraterno e de caridade aos domingos.

“Alimentados da Eucaristia dominical transformavam o dia do Senhor no dia da caridade, assumindo a dimensão evangélica do serviço”, explica o texto.

Essa atitude dos primeiros cristãos tem sido muito enfatizada pelo Papa Bento XVI, que nos convida a “conhecer a Cristo e levá-lo à nossa sociedade”, destaca Dom Antônio. “A Igreja se faz não simplesmente com as estruturas, com os meios econômicos e tecnológicos de que dispomos, mas se faz com pessoas que sabem ter esse encontro pessoal com Cristo”.

Os primeiros cristãos dialogaram com a cultura da época e conseguiram extrair dela os valores positivos. Também os cristãos de hoje podem fazer a diferença na sociedade.

“É possível vencer a cultura do individualismo com a valorização da pessoa como criatura de Deus. É possivel vencer a cultura da morte mostrando o valor divino da vida. É possivel vencer a cultura do consumismo mostrando às pessoas que os bens materiais são necessários para desenvolver o bem de todos […] Assim dialogamos com a cultura e fazemos com que ela seja um veículo de comunicação de Deus”, concluiu Dom Antônio.

Fortes do bem

“Meu filho é bom, o problema dele são as más companhias…”. Muitos de nós talvez já tenhamos ouvido esse desabafo de pais e mães cujos filhos começam a enveredar por maus caminhos: drogas, alcoolismo, delinquência juvenil etc.

Durante a adolescência as amizades exercem uma influência muito importante. Nessa idade elas e eles se predispõem a fazer o que for necessário para ser aceitos e estimados pelos demais. Assim, se há bons amigos, que cultuam os mesmos valores da família, não haverá grandes problemas na educação. Porém, se o grupo tende para desvios de comportamento, os pais enfrentarão sérias dificuldades na formação dos filhos.

Apesar das amizades serem muito importantes para um saudável desenvolvimento dos filhos, os pais normalmente se sentem impotentes nesse assunto. Isso porque não está ao seu alcance escolher as amigas e os amigos. Sendo assim, como podem agir nesse assunto tão importante?

Na educação um grande desafio é chegar antes, ou melhor, agir preventivamente. Assim, muito antes de se chegar à adolescência, os pais devem se ocupar de formar nas virtudes. Essas podem ser definidas como hábitos bons já arraigados na pessoa, que se através de um esforço reiterado por se praticar atos bons.

Assim, se nos empenhamos para que nossas filhas e filhos adquiram as virtudes adequadas para cada idade, isso os ajudará no momento de escolher suas amizades. Por exemplo, se os treinamos na fortaleza e na sobriedade será muito mais fácil resistir a um ambiente que pressiona para o consumo de álcool, de droga ou ainda para a prática de relações sexuais precocemente e de maneira irresponsável.

Mas isso não basta. Chegada a adolescência, se não se cultivar bons amigos, todo o esforço educativo empreendido até então pelos pais pode se perder em pouco tempo. Por isso, convém estar atentos.

Uma boa iniciativa é manter a casa sempre aberta aos amigos. Deve se fazer um esforço para que as filhas e os filhos tragam as amigas e amigos para casa. E para isso não é necessário que os pais relaxem e os deixem fazer o que bem entendem. O que é preciso é manter um ambiente alegre e acolhedor. É claro que isso dá trabalho, mas é muito eficaz, pois então se poderá orientar, com delicadeza e respeito sobre os bons e maus amigos.

Outro aspecto importante é conhecer os pais das amigas e dos amigos. Se possível, fomentando um convívio de amizade também com eles. Uma vez um jovem que se enveredou para o mundo das drogas fazia exatamente essa crítica aos seus pais. Dizia ele que era muito unido com os “amigos” do vício, ao passo que os pais sequer se falavam entre si. E, diante desse cenário, lançava a seguinte crítica: “porque fostes fracos no bem é que fomos fortes no mal”.

Penso que essa frase deixa uma grande dica para os pais. Não se trata de formar uma espécie de “liga de pais” para os vigiar. Até porque um grande dom que as nossas filhas e os nossos filhos têm é a liberdade, de modo que somente poderão ser mulheres e homens responsáveis e felizes se o quiserem sê-lo livremente.

No entanto, é necessário que elas e eles se sintam inseridos num contexto de cuidado, de modo que percebam que são verdadeiramente importantes. Assim, se há sintonia entre família e colégio, bem como se os pais se unem por laços fraternos que os movam a lutar juntos por seus filhos, é muito pouco provável que ainda assim se enveredem por maus caminhos.

Vivemos num mundo em que as relações humanas empobreceram bastante. A visita aos amigos e parentes foi substituída pelos relacionamentos virtuais. No entanto, isso não é um fenômeno irreversível. Ainda podemos criar e fomentar boas amizades. E, nesse sentido, um grande desafio será ser amigos dos nossos filhos, amigos dos amigos dos nossos filhos e amigos dos pais dos amigos dos nossos filhos. Com isso, além de darmos um tom muito mais humano às nossas próprias vidas, agiremos de maneira muito mais eficaz na sua educação.

Fábio Henrique Prado de Toledo é Juiz de Direito em Campinas e Especialista em Matrimônio e Educação Familiar pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC.  

Silêncio e oração para entender sinais dos tempos

Sexta-feira, 23 de outubro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa disse que silêncio, reflexão e oração são bons caminhos para entender os sinais dos tempos

“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente”, com liberdade e na verdade da fé. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta sexta-feira, 23, na Casa Santa Marta. O Santo Padre falou do discernimento que a Igreja deve ter, observando os ‘sinais dos tempos’, sem ceder à comodidade do conformismo, mas se deixando inspirar pela oração.

Os tempos fazem o que devem: mudam. Os cristãos devem fazer aquilo que Cristo quer: avaliar os tempos e mudar com ele, permanecendo ‘firmes da verdade do Evangelho’. O que não se admite é o tranquilo conformismo que, na prática, deixa as pessoas imóveis.

Sabedoria cristã

O Papa se inspirou no trecho da Carta de São Paulo aos Romanos, na qual ele prega com muita força a liberdade que salvou a humanidade do pecado. No Evangelho do dia, Jesus fala do sinal dos tempos, definindo hipócritas aqueles que sabem compreender o tempo, mas não fazem o mesmo com o tempo do Filho do Homem. Deus criou os homens livres, lembrou o Papa, e para ter esta liberdade é preciso abrir-se à força do Espírito Santo e ter discernimento.

“Temos esta liberdade de julgar o que acontece fora de nós, mas para julgar temos que saber bem o que ocorre fora de nós. E como se pode fazer isto? Como se pode fazer o que a Igreja chama ‘conhecer os sinais dos tempos’? Os tempos mudam; é justamente a sabedoria cristã a conhecer estas mudanças, conhecer os diferentes tempos e também os sinais dos tempos. O que significa uma coisa e a outra. Fazer isto sem medo, com liberdade”.

Silêncio, reflexão e oração

Francisco reconhece que essa não é uma tarefa fácil, pois são muitos os condicionamentos externos que pressionam também os cristãos e induzem muitos a um mais cômodo “não fazer”.

“Este é um trabalho que, com frequência, não fazemos: nos conformamos, nos tranquilizamos com ‘me disseram, ouvi, as pessoas dizem, eu li…’. Assim estamos tranquilos… Mas qual é a verdade? Qual é a mensagem que o Senhor quer me passar com este sinal dos tempos? Para entender os sinais dos tempos, antes de tudo é preciso o silêncio: silenciar e observar. E, em seguida, refletir dentro de nós. Um exemplo: por que existem tantas guerras hoje? Porque aconteceu algo? E rezar… Silêncio, reflexão e oração. Somente assim poderemos entender os sinais dos tempos, o que quer nos dizer Jesus”.

Livres na verdade do Evangelho

Entender os sinais dos tempos não é uma tarefa exclusiva de uma elite cultural. Jesus, recordou o Papa, não diz “vejam como fazem os universitários, como fazem os doutores, os intelectuais…”. Jesus fala aos camponeses que “em sua simplicidade” sabem “distinguir o joio do trigo”.

“Os tempos mudam e nós cristãos devemos mudar continuamente. Devemos mudar firmes na fé em Jesus Cristo, firmes na verdade do Evangelho, mas o nosso comportamento deve se mover continuamente de acordo com os sinais dos tempos. Somos livres. Somos livres pelo dom da liberdade que Jesus Cristo nos deu. Mas o nosso dever é olhar o que acontece dentro de nós, discernir os nossos sentimentos, os nossos pensamentos; e o que acontece fora de nós e discernir os sinais dos tempos. Com o silêncio, com a reflexão e com a oração”.

Contingências da Vida

Dom Aloísio Roque Oppermann scj

Todos nós gostaríamos de exclamar: “não tenho inimigos! Dou-me muito bem com todos”! A realidade nos mostra que, via de regra, todos temos uma pedra no sapato. Há sempre alguém que nos espicaça e nos tira o bom humor. Na maior parte das vezes é por motivos fúteis. Alguém é frontalmente contra nós por causa do nosso jeito; porque a nossa fisionomia lembra a de um conhecido adversário; porque deixamos de atender um pedido que envolvia corrupção; porque não somos do partido tal… Posso dizer, pessoalmente, que despertei vários inimigos irreconciliáveis, por ter tomado posição em favor daquilo que é ensinamento de Cristo. Outras vezes não foi possível atender uma solicitação, inteiramente de interesse pessoal, por contrariar o bem comum.

Eu tenho muitíssimos amigos. Sinto uma onda de simpatia pela minha pessoa. Mas não posso dizer que não tenho inimigos. Existem alguns poucos que me odeiam. Às vezes nem eles sabem direito por que. Chego a gemer na dor: “Salva-me, Senhor, dos meus inimigos” (Sl 143, 9).

Fico conjeturando: “por que passamos por essa provação de encontrar alguém que nos detesta?” O primeiro motivo podemos ser nós mesmos, quando prejudicamos alguém irremediavelmente. Neste caso estejamos abertos para um reatamento da amizade. Todos temos um dia em que cometemos algum erro. Entre os que tomam a iniciativa de nos odiar (sim, isso existe) quem são os nossos inimigos? Não são diretamente os ateus, os espíritas, os evangélicos. São aqueles que deveriam ter um vínculo conosco. “Os inimigos do homem são os da sua casa” (Mt 10, 36).

A definição das nossas ideologias costuma ser outro fator de desunião. Os amigos vão até ficar estupefatos com minha afirmação. Mas um divisor de águas é uma velha ideologia do século XIX. Trata-se do socialismo. A partir dele o homem de Igreja é classificado de “avançado”, “libertador”, retrógrado”, “tridentino”, “moderno”, “atualizado”, “amante dos ricos”, ou “inteligente”. O critério não é o evangelho. Em muitos casos somos obrigados a conviver com tais pessoas, sem esperança de reconciliação, e rezar por elas. Mas a pergunta, diante de muitos casos inexplicáveis, sempre permanece: “Saulo, Saulo, por que me persegues” (At 22, 7).

A busca da perfeição

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho

“Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 38-48). Esta clara determinação do Mestre divino é um vibrante apelo à fuga de toda e qualquer mediocridade. Cristo nos ensina que o apelo à santidade é para todo batizado.
Muitos julgam que a perfeição cristã está reservada aos grandes místicos como Santa Catarina de Sena, São João da Cruz ou Padre Pio. Eis aí um ledo erro, pois tal é a vocação de todo aquele que tem fé, dado que Deus já preceituara no Antigo Testamento: “Sede santos, porque eu sou santo”, como está no Livro do Levítico (Lv 2, 43-45).
Jesus veio a esta terra para mostrar como colocar em prática a solicitação divina. Os santos realizaram de maneira excelente aquilo que todo cristão deve querer ser se tiver plena consciência de sua vocação. Não se trata de viver na estratosfera, num estado de alienação, mas simplesmente estar imbuído de uma disposição sincera de adesão à vontade do Ser Supremo, amando-O e ao próximo como Jesus amou.
Amar é preferir. É sacrificar as preferências egoístas para aderir às de Deus e aos legítimos interesses dos irmãos na fé, inclusive amando os inimigos e por eles orando.
Na prece do Pai Nosso se reza o que nem sempre se coloca em prática: “Seja feita a vossa vontade”. São Paulo decodificou o amor ao semelhante com detalhes magníficos: “A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não se ufana, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita o mal. Não folga com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor 13, 4-7).
A busca da perfeição, assim conceituada, é sem limites, pois o referencial dado por Cristo é a santidade divina. Ele deu a seus seguidores um modelo a imitar.
Não se deve abaixar as normas de Deus ao nível dos preceitos humanos. A medida que se deve aspirar é a imitação do Todo-Poderoso na sua infinita santidade.
Não há nunca um basta na caminhada do verdadeiro cristão. É claro que cada um alça seus vôos para o Alto de acordo com seus próprios carismas e sua atividade específica dentro da sociedade. Enraizado no batismo e na confirmação deste, cada um deve procurar o Reino de Deus ordenando as coisas temporais em vistas da salvação própria e dos outros. Tudo depende da união vital com Cristo, ou seja, uma sólida espiritualidade nutrida por uma participação ativa na Liturgia e expressa no estilo das oito bem-aventuranças evangélicas.
Na prática cotidiana isto significa a competência profissional, o senso sagrado do espírito familiar e cívico, as virtudes sociais. Além disto, na medida do possível, o engajamento nas diversas pastorais, colaborando na difusão do verdadeiro Cristianismo. Nunca se deve esquecer que para aqueles que assim amam a Deus tudo coopera para o bem.
A sublime missão de todo batizado é ser predestinado a reproduzir a imagem do Filho de Deus para uma multidão de irmãos. Diz São Paulo: “Os que Ele predestinou, Ele também os chamou. Os que Ele chamou, Ele justificou. Os que Ele justificou, ele os glorificou” (Rm 8, 28-30). Deste modo, a santidade do povo de Deus se espalha em frutos abundantes como testemunha.
A força para o progresso espiritual advém a cada um através dos sacramentos que conferem as graças especiais para a vivência plena do Evangelho. O que não se pode, porém, esquecer é que o caminho da perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso implica ascese, mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz.
A perfeição que Cristo preceitua tem, de fato, que passar pelo Calvário. Os sacrifícios diários no exercício da profissão, as tarefas de todo instante, a convivência com os semelhantes, a luta contra a carne e seus desejos maus e cobiças desregradas, a fuga das ocasiões de pecado, enfim, tudo isto a cada hora, sem paciência e muita determinação, ninguém consegue sem vencer, conviver consigo mesmo e com o próximo. Animado, contudo pelo Espírito de Jesus, pode o cristão vencer os movimentos desordenados da alma, lutando contra eles. É o que ensina São Paulo: “Os que são de Cristo crucificaram a carne com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo espírito, andemos também no espírito” (Gl 5, 25).
É, deste modo, que o cristão espera a graça da perseverança final e a recompensa de Deus, seu Pai, pelas boas obras realizadas com sua graça em comunhão com Jesus. Ao guardar esta regra de vida quem crê, vive na casa da esperança, olhos voltados para a Cidade santa, a Jerusalém celeste.
Eis o destino de todo aquele que, virilmente, corajosamente, prontamente busca as veredas da perfeição, as quais nunca se tornam possíveis para os fracos, os pusilânimes, os covardes.
Por tudo isto ser santo é ser salvo.

Um cristão apegado aos bens faz um “papelão”

Contratestemunho

Terça-feira, 26 de maio de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco enfatizou que é feio querer seguir Jesus e o mundo, isso constitui um contratestemunho do cristão

“É feio ver um cristão seguindo Jesus e a mundanidade”. Nessas palavras, o Papa Francisco centralizou sua homilia desta terça-feira, 26, na Casa Santa Marta, destacando que os cristãos são levados a fazer escolhas radicais na vida. Não pode haver um “cristianismo à metade”, não se pode ter “o céu e a terra”.

Na liturgia do dia, Pedro pergunta a Jesus o que os discípulos ganhariam se O seguissem. O Papa observou que Jesus responde em uma direção diferente da que os discípulos esperavam: não fala de riquezas, mas promete a herança do Reino dos céus com a perseguição, com a cruz.

“Por isso, quando um cristão é apegado aos bens, faz um papelão, como se quisesse as duas coisas; o céu e a terra. E o peso final está naquilo que Jesus diz: a cruz, as perseguições. Isso quer dizer negar a si mesmo, sofrer todos os dias a cruz. Os discípulos tinham a tentação de seguir Jesus, mas o que será desse ‘bom negócio’? Lembremo-nos da mãe de Tiago e João, quando pediu a Jesus um lugar para seus filhos, que um se tornasse primeiro ministro, e o outro ministro da economia. Ela assumiu o interesse mundano em seguir Jesus”.

Francisco explicou que o coração desses discípulos foi purificado até Pentecostes, quando eles entenderam tudo. “A gratuidade em seguir Jesus é a resposta à gratuidade do amor e da salvação que Jesus nos dá”.

Francisco destacou a necessidade de recordar o ensinamento de Cristo: “os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros”, o que significa que “aquele que crê ou que é o maior” deve ser “o servo, deve ser o menor”.

“Seguir Jesus a partir do ponto de vista humano, não é um bom negócio: é servir. Ele o fez, e se o Senhor lhe dá a oportunidade de ser o primeiro, você tem de agir como o último, isto é, servindo. E se o Senhor lhe dá a possibilidade de ter bens, você tem de agir servindo, isto é, ajudar os outros. São três coisas, três degraus que nos distanciam de Jesus: as riquezas, a vaidade e o orgulho. Por isso são tão perigosas as riquezas, porque levam você imediatamente à vaidade e você se acha importante. E quando você pensa que é importante, tudo sobe na cabeça e você se perde”.

Um cristão mundano é um contratestemunho

O caminho indicado pelo Senhor, prosseguiu o Papa, é o do “despojamento”, como Ele fez. Para Jesus, disse ainda, esse trabalho com os discípulos custou-lhe muito tempo, porque eles não entendiam bem. Segundo o Papa, também os fiéis, hoje, devem pedir a Jesus que os ensine a seguir nesse caminho, nessa ciência do serviço. Essa ciência de humildade, de ser o último para servir os irmãos e irmãs na Igreja.

“É feio ver um cristão – seja leigo, consagrado, sacerdote ou bispo –, querer duas coisas: seguir Jesus e os bens, seguir Jesus e a mundanidade. Isso é um contratestemunho e distancia as pessoas de Cristo. Continuemos agora a celebração da Eucaristia, pensando na pergunta de Pedro. ‘Deixamos tudo: como nós pagará?’. E pensando na resposta de Jesus, o preço que Ele nos dará é sermos semelhantes a Ele. Esse será o ‘salário’.. Grande ‘salário’, assemelhar-se a Jesus!”.

15 ensinamentos dos Santos sobre a amizade

Quem encontrou, encontrou um tesouro!
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/07/20/15-ensinamentos-dos-santos-sobre-a-amizade/

Pode ser que muitos de nós sejamos ricos e ainda não nos demos conta. A Palavra de Deus já nos ensinava desde o Antigo Testamento: “Amigo fiel é proteção poderosa, e quem o encontrar, terá encontrado um tesouro. Amigo fiel não tem preço, e o seu valor é incalculável. Amigo fiel é remédio que cura, e os que temem ao Senhor o encontrarão” (Eclo 6, 14-16).
Se Jesus, que é Deus, quis precisar de amigos para seguir sua caminhada neste mundo; imagine nós? O ser humano não pode viver como uma ilha. É como afirmou São João Bosco em sua famosa frase: “Deus nos colocou no mundo para os outros”. Uma grande verdade! Inclusive, podemos dizer até que a partir de Cristo, a amizade tomou um novo sentido, o amigo é aquele que descobriu o valor e a dignidade do irmão, à luz do Evangelho. Essa sincera amizade, no verdadeiro sentido humano e cristão, se propagou entre os primeiros cristãos refugiados nas catacumbas. A história da Igreja é marcada de exemplos de profundas amizades entre os santos padres, como São Basílio e São Gregório, entre os grandes santos, como São Francisco de Assis e Santa Clara, Santo Ambrósio e Santa Mônica e muitos outros.
Em um de seus belíssimos escritos, São Gregório Nazianzeno, um dos padres da Igreja, escreveu sobre seu amigo São Basílio, e nos explicou um pouco como viviam profundamente a amizade:
“Encontramo-nos em Atenas. Como o curso de um rio, que partindo da única fonte se divide em muitos braços, Basílio e eu nos tínhamos separado para buscar a sabedoria em diferentes regiões. Mas voltamos a nos reunir como se nos tivéssemos posto de acordo, sem dúvida porque Deus assim quis.
Nesta ocasião, eu não apenas admirava meu grande amigo Basílio vendo-lhe a seriedade de costumes e a maturidade e prudência de suas palavras, mas ainda tratava de persuadir a outros que não o conheciam tão bem a fazerem o mesmo. Logo começou a ser considerado por muitos que já conheciam sua reputação.
Que aconteceu então? Ele foi quase o único entre todos os que iam estudar em Atenas a ser dispensado da lei comum; e parecia ter alcançado maior estima do que comportava sua condição de novato. Este foi o prelúdio de nossa amizade, a centelha que fez surgir nossa intimidade; assim fomos tocados pelo amor mútuo.
Com o passar do tempo, confessamos um ao outro nosso desejo: a filosofia era o que almejávamos. Desde então éramos tudo um para o outro; morávamos juntos, fazíamos as refeições à mesma mesa, estávamos sempre de acordo aspirando os mesmos ideais e cultivando cada dia mais estreita e firmemente nossa amizade.
Movia-nos igual desejo de obter o que há de mais invejável: a ciência; no entanto, não tínhamos inveja, mas valorizávamos a emulação. Ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro. Cada um considerava como própria a glória do outro.
Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos. E embora não se deva dar crédito àqueles que dizem que tudo se encontra em todas as coisas, no nosso caso podia se afirmar que de fato cada um se encontrava no outro e com o outro.
A única tarefa e objetivo de ambos era alcançar a virtude e viver para as esperanças futuras, de tal forma que, mesmo antes de partirmos desta vida, tivéssemos emigrado dela. Nesta perspectiva, organizamos toda a nossa vida e maneira de agir. Deixamo-nos conduzir pelos mandamentos divinos estimulando-nos mutuamente à prática da virtude. E, se não parecer presunção minha dizê-lo, éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado.
Assim como cada pessoa tem um sobrenome recebido de seus pais ou adquirido de si próprio, isto é, por causa da atividade ou orientação de sua vida, para nós a maior atividade e o maior nome era sermos realmente cristãos e como tal reconhecidos”. (Retirado do Ofício das Leituras- 02.01.15)
A verdadeira amizade, além de ser relação entre pessoas é ajuda mútua e caminho espiritual. Podemos perceber isso claramente na vida dos santos.
Em uma de suas catequeses o Papa Bento XVI destacou:
“Essa é uma característica dos santos: cultivam a amizade, porque é uma das manifestações mais nobres do coração humano e tem em si algo de divino, como Tomás mesmo explicou em algumas quaestiones da Summa Theologiae, na qual ele escreve: ‘A caridade é a amizade do homem com Deus em primeiro lugar, e com os seres que a Ele pertencem’”.

Conheça aqui 15 ensinamentos que os santos nos deixaram sobre a amizade:
1-“Nem sempre o que é indulgente conosco é nosso amigo, nem o que nos castiga, nosso inimigo. São melhores as feridas causadas por um amigo que os falsos beijos de um inimigo. É melhor amar com severidade a enganar com suavidade”. Santo Agostinho
2-“Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado enquanto caminhas neste mundo, e chegarás junto daquele com quem desejas permanecer para sempre.” Santo Agostinho
3-“Disse muito bem quem definiu o amigo como metade da própria alma. Eu tinha de fato a sensação de que nossas duas almas fossem uma em dois corpos.” Santo Agostinho
4-“A amizade é tão verdadeira e tão vital, que nada mais santo e vantajoso pode-se desejar no mundo.” Santo Agostinho
5-“A amizade é a mais verdadeira realização da pessoa”. Santa Teresa D´Ávila
6-“A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”. Santa Teresa D´Ávila
7-“A amizade, cuja fonte é Deus, não se esgota nunca.” Santa Catarina de Sena
8- “Qualquer amigo verdadeiro quer para seu amigo: 1) que exista e viva; 2) todos os bens; 3) fazer-lhe o bem; 4) deleitar-se com sua convivência; e 5) finalmente compartilhar com ele suas alegrias e tristezas, vivendo com ele um só coração”. São Tomás de Aquino
9-“A amizade diminui a dor e a tristeza”. Santo Tomás de Aquino
10-“Quem com palavras, conversas e ações der escândalos, não é um amigo, mas um assassino de almas.” São João Bosco
11-“Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade”. Beata Madre Teresa de Calcutá
12-“As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável”. Beata Madre Teresa de Calcutá
13-“Ama a todos os homens com um grande amor de caridade cristã, mas não traves amizade senão com aquelas pessoas cujo convívio te pode ser proveitoso; e quanto mais perfeitas forem estas relações, tanto mais perfeita será a tua amizade”. São Francisco de Sales
14-“No mundo é necessário que aqueles que se entregam à prática da virtude se unam por uma santa amizade, para mutuamente se animarem e conservarem nesses santos exercícios”. São Francisco de Sales
15-“Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde a nossa dor”. Santa Teresa de Lisieux
Que neste dia do amigo, possamos refletir: “Que tipo de amigo eu sou?”; e pedir ao Senhor que nos dê a graça de viver santas amizades.

 

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