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“O Cristianismo é marcado pela presença do Deus eterno”, diz Papa

Sexta-feira, 12 de outubro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

‘O Cristianismo é sinal da presença de Deus eterno, que entrou no tempo e está presente em todo o tempo’, destacou o Papa Bento XVI  

O Papa Bento XVI recebeu na manhã desta sexta-feira, 12, alguns bispos que participaram do Concílio Ecumênico Vaticano II como Padres conciliares. Também estiveram presentes no encontro patriarcas e arcebispos das Igrejas católicas orientais e presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo.

Em seu discurso, Bento XVI destacou que o cristianismo é sempre novo, de forma que não deve ser considerado como algo do passado. “O Cristianismo é marcado pela presença do Deus eterno, que entrou no tempo e está presente em todo o tempo, para que  cada tempo surja do seu poder criador, do seu eterno ‘hoje’”.

O Papa comparou o cristianismo a uma árvore que está sempre em perene “aurora”, sempre jovem. Porém, ele fez a ressalva de que esta “atualização” não significa rompimento com a tradição, mas exprime a contínua vitalidade. “…devemos levar o ‘hoje’ de nosso tempo no ‘hoje’ de Deus”, disse.

Bento XVI destacou ainda que o Concílio foi um tempo de graça em que a Igreja aprendeu com o Espírito Santo que, ao longo de seu caminho na história, precisa falar ao homem contemporâneo. “… mas isso só pode acontecer pelo poder daqueles que têm raízes profundas em Deus, deixam-se guiar por Ele e vivem com pureza a própria fé; não vem daqueles que estão se adaptando ao tempo que passa, daqueles que escolhem o caminho mais confortável”.

Por fim, o Papa definiu como preciosa a memória do passado, mas ressaltou que esta não é um fim em si mesma. Ele disse que o Ano da Fé sugere o melhor modo de recordar e comemorar o Concílio. Este modo é voltar as atenções para o coração da mensagem do Concílio, que nada mais é do que a mensagem da fé em Cristo.

“Desejo sinceramente que todas as Igrejas particulares encontrem, na celebração deste Ano, a ocasião para o sempre necessário retorno à fonte viva do Evangelho, ao encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo”, finalizou.

 

Discurso do Papa aos participantes do Concílio Vaticano II
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal-equipe CN Notícias)

Encontro com alguns bispos que participaram do Concílio Vaticano II como Padres conciliares, Patriarcas e arcebispos das Igrejas Católicas Orientais e presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano Sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Venerados e caros irmãos,

Nós nos encontramos hoje, depois da solene celebração que ontem nos reuniu na Praça São Pedro. A saudação cordial e fraterna que ora desejo vos oferecer vem da comunhão profunda que só a Celebração eucarística é capaz de criar. Nessa se tornam visíveis, quase tangíveis, aqueles vínculos que nos une enquanto membros do Colégio episcopal, reunidos com o Sucessor de Pedro.

Em vossas faces, caros Patriarcas e Arcebispos das Igrejas orientais católicas, caros Presidentes das Conferências Episcopais do mundo, vejo também as centenas de bispos que em todas as regiões da terra estão empenhados no anúncio do Evangelho e no serviço da Igreja e do homem, em obediência ao mandato recebido de Cristo. Mas uma saudação particular quero dirigir hoje a vós, caros Irmãos que tiveram a graça de participar como Padres no Concílio Ecumênico Vaticano II. Agradeço ao Cardeal Arinze, que expressou vossos sentimentos, e neste momento tenho presente na oração e no afeto o grupo inteiro – quase setenta – de bispos ainda vivos que tomaram parte dos trabalhos conciliares. Na resposta ao convite para esta comemoração, à qual não puderam estar presente por causa da idade avançada e da saúde, muitos deles lembraram com palavras comoventes aqueles dias, assegurando a união espiritual neste momento, também com a oferta de seus sofrimentos.

São tantas as recordações que emergem da nossa mente e que todo mundo gravou bem no coração daquele período tão vivo, rico e fecundo que foi o Concílio; não quero, porém, estender-me demais, mas – retomando alguns elementos da minha homilia de ontem – gostaria de recordar somente como uma palavra, lançada pelo Beato João XXIII quase de modo programático, retornava continuamente nos trabalhos conciliares: a palavra “atualização”.

Após cinquenta anos da abertura daquela solene Assembleia da Igreja, qualquer um se perguntará se essa expressão não foi, talvez desde o início, não de todo feliz. Penso que sobre a escolha das palavras poderia-se discutir por horas e se encontrariam opiniões continuamente conflitantes, mas estou convencido de que a intuição que o Beato João XXIII resumiu com esta palavra tem sido e ainda é precisa. O Cristianismo não deve ser considerado como “algo do passado”, nem deve ser visto com o olhar perenemente voltado “para trás”, porque Jesus Cristo é ontem, hoje e por toda a eternidade (cfr Eb 13,8). O Cristianismo é marcado pela presença do Deus eterno, que entrou no tempo e está presente em todo o tempo, para que cada tempo surja do seu poder criador, do seu eterno “hoje”.

Por isso o Cristianismo é sempre novo. Não devemos nunca vê-lo como um árvore totalmente desenvolvida a partir da semente de mostarda evangélica, que cresceu, deu os seus frutos, e um belo dia envelhece e chega ao fim da sua energia vital. O Cristianismo é uma árvore que está, por assim dizer, em perene “aurora”, é sempre jovem. E esta realidade, esta “atualização” não significa rompimento com a tradição, mas exprime a contínua vitalidade; não significa reduzir a fé, reduzindo-a à moda dos tempos, ao medidor que nos agrada, que agrada à opinião pública, mas é o contrário: exatamente como fizeram os Padres conciliares, devemos trazer o “hoje” que vivemos na medida do acontecimento cristão, devemos levar o “hoje” de nosso tempo no “hoje” de Deus.

O Concílio foi um tempo de graça no qual o Espírito Santo nos ensinou que a Igreja, no seu caminho ao longo da história, precisa sempre falar ao homem contemporâneo, mas isso só pode acontecer pelo poder daqueles que têm raízes profundas em Deus, deixam-se guiar por Ele e vivem com pureza a própria fé; não vem daqueles que estão se adaptando ao tempo que passa, daqueles que escolhem o caminho mais cômodo. O Concílio tinha bem claro, quando na Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, no número 49, afirmou que todos na Igreja são chamados à santidade, segundo os dizeres do Apóstolo Paulo “Esta, de fato, é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4,3): a santidade mostra a verdadeira face da Igreja, faz entrar no “hoje” eterno de Deus no “hoje” da nossa vida, no “hoje” do homem da nossa época.

Caros irmãos no Episcopado, a memória do passado é preciosa, mas nunca é um fim em si mesma. O Ano da Fé que iniciamos ontem nos sugere o melhor modo de recordar e comemorar o Concílio: concentrar-nos sobre o coração da sua mensagem, que nada mais é do que a mensagem da fé em Cristo, único Salvador do mundo, proclamada ao homem do nosso tempo. Também hoje aquilo que é importante e essencial é levar o raio do amor de Deus ao coração e à vida de cada homem e de cada mulher, e levar os homens e as mulheres de cada lugar e de cada época a Deus. Desejo sinceramente que todas as Igrejas particulares encontrem, na celebração deste Ano, a ocasião para o sempre necessário retorno à fonte viva do Evangelho, ao encontro transformador com a pessoa de Jesus Cristo. Obrigado.

A confissão é o primeiro alicerce da Evangelização, diz Papa

Segunda-feira, 08 de outubro de 2012, Da Redação, com Rádio Vaticano

Bispos reunidos na primeira Congregação do Sínodo, na presença do Papa Bento XVI, nesta segunda-feira, 8  

Os trabalhos da 13º Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização foram abertos na manhã desta segunda, 8, com a oração das Laudes, presidida pelo Papa Bento XVI, na Sala Paulo VI. Bento XVI destacou a importância da confissão, colocando-a como o primeiro alicerce da Evangelização.

“O lugar da confissão é o coração e a boca, ou seja, a fé não é apenas uma realidade do coração, mas deve ser comunicada, confessada; tende a ser pública, como o fogo que se acende e se alastra, gerando novas chamas. É necessária a coragem da palavra. A confissão é o primeiro alicerce da Evangelização, e não é uma coisa abstrata. Tornando-se visível, é a força do presente e do futuro”.

Para o Papa, é importante que no latim cristão, a palavra ‘professio’ tenha sido substituída pela ‘confessio’, palavra usada nos tribunais, em processos, e que traz consigo um elemento martiriológico: o testemunho, o risco da morte, a disponibilidade de sofrer.

“Isto é muito importante, pois garante credibilidade. A fé não é uma coisa qualquer, que posso até deixar cair. Sabemos que para nós, a confissão não é uma palavra vazia, é mais do que a morte. Quem a faz demonstra que a verdade vale mais do que a vida: é uma pérola preciosa”.

Aos 262 padres sinodais presentes, Bento XVI também destacou a necessidade do cristão manter-se firme. “O cristão não deve ser morno; este é o mais grave perigo para o cristianismo de hoje: a tepidez desacredita o cristianismo”.

“O fogo é luz, é calor, força de transformação: a cultura humana começou quando o homem descobriu que podia criar o fogo, que destrói, mas, sobretudo transforma, renova e cria uma novidade, a do homem que se torna luz em Deus”, destacou.

Início dos trabalhos

Esse primeiro dia de trabalho dos padres Sinodais reunidos no Vaticano começou com uma Congregação, que teve início com a saudação dos presidentes-delegados e a introdução do Secretário-Geral do Sínodo, Dom Nikola Eterovic.

Para Dom Eterovic, um dos desafios para a Nova Evangelização é o individualismo. “A nossa cultura exalta o indivíduo e minimiza a relação necessária entre as pessoas. Exaltando a liberdade individual e a autonomia, é fácil perder de vista a nossa dependência dos outros e a responsabilidade diante do outro.”

Para o Secretário-Geral do Sínodo, no centro da Nova Evangelização está a renovada proposta do encontro com o Senhor Ressuscitado, o seu Evangelho e a sua Igreja àqueles que não acham mais atraente a mensagem da Igreja.

“Agora que começamos o nosso trabalho, temos todas as razões para fazê-lo com otimismo e entusiasmo, porque as sementes da Nova Evangelização, semeadas no decorrer dos pontificados de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, estão iniciando a germinar. Nossa tarefa é encontrar o modo para cultivá-las, encorajá-las e acelerar seu crescimento.”

O Sínodo sobre a Nova Evangelização prossegue esta tarde com a segunda Congregação Geral, na presença de Bento XVI.

Igreja propõe reflexão sobre o sentido do entardecer da vida

Domingo, 07 de outubro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

Frei Antônio Moser defende uma boa preparação para que se viva o entardecer da vida com dignidade  

A Semana da Vida discutiu, ao longo destes último sete dias, questões relacionadas à vida humana, enfatizando o seu verdadeiro sentido, os riscos que a ameaçam e o que fazer para driblar estas situações. Mas não só a vida deve ser vivida com dignidade. A Igreja defende que a morte também é um estágio da vida humana que merece respeito e uma boa vivência.

Para frei Antônio Moser, a vida não tem etapas, mas é um processo que se desenvolve. Ao se aproximar dos 60 anos, idade de aproximadamente 22 milhões de brasileiros, a pessoa tem algumas perdas, mas também alguns ganhos.

A prática de exercícios violentos ou que exigem muito esforço tornam-se menos possíveis nessa idade. Em contrapartida, o homem ganha serenidade, valores, reconhece a importância de se dar mais atenção à família do que aos bens materiais. “A pessoa, no entardecer, vai olhando o mundo e a sua vida de um modo diferente”, afirma o frei.

No entanto, é uma realidade de muitas pessoas a dificuldade em lidar com o envelhecimento, o apavoramento com a chegada da idade avançada e o medo de ser deixado de lado.  Outras, ao contrário, dão graças a Deus pelo entardecer da vida e vivem essa fase como a melhor idade.

Frei Moser acredita que a terceira idade hoje é um termo um pouco ambíguo. No fundo, a partir de uma compreensão antropológica e teológica do ser humano, nessa idade é como se o ser humano atingisse o topo de uma montanha.

“A criança está lá embaixo, o horizonte dela é pequenino; o adolescente tem um horizonte um pouco mais amplo; a pessoa chamada adulta, mais amplo; agora quem tem um panorama enorme pela frente é justamente a pessoa na terceira idade”.

Mas o tempo que se vive não implica em uma melhor ou pior vivência neste mundo. “Tem gente que vive muito e que não deixa marca alguma ou deixa marca negativa. Tem pessoas que vivem pouco, mas vivem intensamente”.

Como exemplos, frei Moser lembrou São Francisco de Assis, celebrado pela Igreja católica no último dia 4, que morreu aos 46 anos. Ele também citou os exemplos de Santo Antônio, que morreu aos 36 anos, Santa Terezinha, aos 24 e  São Domingos Sávio, que faleceu com apenas 15 anos.

“A vida tem que ser intensa. Não existe velhice, o que existe é um bom entardecer e um entardecer que não é tão sereno e é mais sombrio. Depende de muitas circunstâncias”.

Interrupção no ciclo natural

Nem sempre a vida humana consegue seguir seu curso natural. Hoje, uma das práticas que gera polêmica é justamente a eutanásia.

De acordo com Frei Moser, de início, eutanásia significava ajudar a pessoa a fazer a passagem natural, aliviar a dor, dar conforto espiritual. Depois, sobretudo durante a guerra, na época de Hitler, o conceito mudou e hoje tem um entendimento negativo.

Frei Moser enfatizou que abreviar a vida de alguém, como prevê a eutanásia, é algo que a Igreja sempre condenou e sempre vai condenar. Outra questão condenável é não deixar a pessoa morrer, mesmo quando não há perspectiva alguma de vida, ao que se chama distanásia.

O que se defende é o respeito ao processo natural, ou seja, a ortotanásia, que significa nem apressar e nem retardar a morte. Nesta posição, são mantidos os chamados meios ordinários, que seriam os medicamentos, a alimentação, o cuidado, o carinho.

“(Manter) O que é comum, que está ao alcance da mão, não representa um prolongamento artificial da vida, mas, por outro lado, não abandona o paciente, sobretudo em questão de doença, de higiene, de alimentação”.

Morrer com dignidade

Embora sendo motivo de medo e agonia para muitos, Frei Moser defende que este pavor que se tem com relação à morte é algo negativo. Ele acredita que a sociedade tem que aprender a conviver com a morte.

“Uma pessoa sábia sabe que vai morrer. Você tem que se conscientizar de que a vida é curta, não com medo, mas se preparando no bom sentido da palavra, fazendo o bem como Jesus, que viveu 33 anos e passou pela vida fazendo o bem, isso é o que importa”.

Tendo se preparado, o que resta é respeitar a trajetória da vida. Este respeito é, para Frei Moser, o significado de um “morrer com dignidade”.

“O morrer com dignidade significa respeitar a trajetória da vida. É aquela (morte) em que a gente dá aquilo que é necessário para aliviar as dores e, sobretudo, uma perspectiva para a pessoa, sabendo que essa vida é um corte, mas por outro lado abre as portas para a eternidade”.

Liturgia é presença viva do Mistério Pascal de Cristo, diz Papa

Quarta-feira, 03 de outubro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

‘A vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus’, disse o Papa durante a catequese desta quarta-feira, 3  

O Papa Bento XVI dedicou a catequese desta quarta-feira, 3, à natureza eclesial da oração litúrgica. O Pontífice explicou que a liturgia, na verdade, não é uma auto-manifestação de uma comunidade, mas sim a entrada numa comunidade viva, nutrida pelo próprio Deus. Ele destacou a liturgia como a presença viva do Mistério Pascal de Cristo.

“A liturgia então não é a memória de eventos passados, mas é a presença viva do Mistério Pascal de Cristo que transcende e une os tempos e os espaços. (…) A cada dia deve crescer em nós a convicção de que a liturgia não é um nosso, um meu “fazer”, mas é ação de Deus em nós e conosco”.

O Papa convidou os fiéis a se perguntarem se reservam um tempo especial para a oração e qual o lugar que a oração litúrgica ocupa em sua relação com Deus. Sobre a resposta a esta pergunta, ele lembrou que é preciso considerar antes de tudo que a oração é relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai.

“A vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus e ter consciência de viver a relação com Deus como se vivem as relações habituais da nossa vida, aquelas com os familiares mais queridos, com os verdadeiros amigos; e mais: aquela com o Senhor é a relação que dá luz a todos os nossos outros relacionamentos”.

O Pontífice também lembrou que este diálogo com Deus Pai só é possível em Cristo. “O cristão redescobre a sua verdadeira identidade em Cristo”, disse. Ele salientou ainda que o vínculo indissolúvel firmado entre Cristo e a Igreja não anula  o “tu” e o “eu”, mas os eleva à sua unidade mais profunda.

“Encontrar a própria identidade em Cristo significa chegar a uma comunhão com Ele, que não me anula, mas me eleva à dignidade mais alta, aquela de filho de Deus em Cristo”.

Desta forma, ao participar da liturgia, o cristão deve fazer sua a linguagem da Igreja, mergulhar progressivamente nestas palavras com oração, com alegria. “É um caminho que nos transforma”.

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o fato de que na liturgia da menor comunidade está sempre presente toda a Igreja, motivo pelo qual não se pode dizer que existem “estrangeiros” na comunidade litúrgica. “Em cada celebração litúrgica participa junto toda a Igreja, céu e terra, Deus e os homens”.

Ao final da catequese, Bento XVI fez um apelo tendo em vista sua visita ao Santuário de Loreto, nesta quinta-feira, 4:

“Queridos irmãos e irmãs, amanhã visitarei o Santuário de Loreto, no 50º aniversário da célebre peregrinação do Beato Papa João XXIII naquela localidade mariana, ocorrida uma semana antes da abertura do Concílio Vaticano II.

Peço-vos que se unam à minha oração em recomendar à Mãe de Deus os principais eventos eclesiais que estamos prestes a viver: o Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos sobre nova evangelização. Possa a Virgem Santa acompanhar a Igreja em sua missão de anunciar o Evangelho aos homens e às mulheres de nosso tempo”.

 

Catequese de Bento XVI – Oração Litúrgica – 03/10/2012
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal-equipe CN Notícias)

Caros irmãos e irmãs,

Na catequese passada comecei a falar de uma das fontes privilegiadas da oração cristã: a sagrada liturgia, que – como afirma o Catecismo da Igreja Católica – é “participação da oração de Cristo, dirigida ao Pai no Espírito Santo. Na liturgia toda oração cristã encontra a sua fonte e o seu fim” (n. 1073). Hoje gostaria que nos perguntássemos: na minha vida, reservo um espaço suficiente para a oração e, sobretudo, que lugar tem na minha relação com Deus a oração litúrgica, em especial a Santa Missa, como participação na oração comum do Corpo de Cristo que é a Igreja?

Na resposta a esta pergunta devemos recordar antes de tudo que a oração é a relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo (cfr ibid., 2565). Assim, a vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus e ter consciência de viver a relação com Deus como se vivem as relações habituais da nossa vida, aquelas com os familiares mais queridos, com os verdadeiros amigos; e mais: aquela com o Senhor é a relação que dá luz a todos os nossos outros relacionamentos. Essa comunhão de vida com Deus, Uno e Trino, é possível porque por meio do Batismo somos inseridos em Cristo, começamos a ser uma só coisa com Ele. (cfr Rm 6,5).

Com efeito, somente em Cristo podemos dialogar com Deus Pai como filhos, caso contrário não é possível, mas em comunhão com o Filho podemos também dizermos nós como disse Ele: “Abba”. Em comunhão com Cristo podemos conhecer Deus como Pai verdadeiro (cfr Mt 11,27). Por isso a oração cristã consiste em olhar constantemente e de maneira sempre nova a Cristo, falar com Ele, estar em silêncio com Ele, escutá-Lo, agir e sofrer com Ele. O cristão redescobre a sua verdadeira identidade em Cristo, “primogênito de cada criatura”, no qual existem todas as coisas (cfr Col 1,15ss). No identificar-me com Ele, no ser uma só coisa com Ele, redescubro a minha identidade pessoal, aquela de verdadeiro filho que olha para Deus como a um Pai cheio de amor.

Mas não nos esqueçamos: descobrimos Cristo, O conhecemos como Pessoa vivente, na Igreja. Ela é o “seu Corpo”. Tal corporeidade pode ser compreendida a partir das palavras bíblicas sobre o homem e sobre a mulher: os dois serão uma só carne (cfr Gn 2,24; Ef 5,30ss.; 1 Cor 6,16s). O vínculo indissolúvel entre Cristo e a Igreja, através da força unificadora do amor, não anula o “tu” e o “eu”, mas eleva-os a sua unidade mais profunda. Encontrar a própria identidade em Cristo significa chegar a uma comunhão com Ele, que não me anula, mas me eleva à dignidade mais alta, aquela de filho de Deus em Cristo: “a história de amor entre Deus e o homem consiste precisamente no fato de que esta comunhão de vontade cresce em comunhão de pensamento e de sentimento e, assim, o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais” (Enc. Deus caritas est, 17). Rezar significa elevar-se a Deus, mediante uma necessária e gradual transformação do nosso ser.

Assim, participando da liturgia, façamos nossa a linguagem da mãe Igreja, aprendamos a falar nela e para ela. Naturalmente, como eu já disse, isto acontece de modo gradual, pouco a pouco. Preciso mergulhar progressivamente nas palavras da Igreja, com a minha oração, com a minha vida, com o meu sofrimento, com a minha alegria, com o meu pensamento. É um caminho que nos transforma.

Penso então que essas reflexões nos permitem responder à pergunta que nos fizemos no início: como aprendo a rezar, como cresço na minha oração? Olhando para o modelo que nos ensinou Jesus, o Pai Nosso, nós vemos que a primeira palavra é “Pai” e a segunda é “nosso”. A resposta, assim é clara: aprendo a rezar, alimento a minha oração, dirigindo-me a Deus como Pai e rezando com outros, rezando com a Igreja, aceitando o dom de suas palavras, que se tornam pouco a pouco familiares e ricas em significado. O diálogo que Deus estabelece com cada um de nós, e nós com Ele, na oração inclui sempre um “com”; não se pode rezar a Deus de modo individualista. Na oração litúrgica, sobretudo na Eucaristia, e – formado pela liturgia – em cada oração, não falamos somente como pessoas individuais, mas entramos no “nós” pela Igreja que reza. E devemos transformar o nosso “eu” entrando neste “nós”.

Gostaria de atentar para um outro aspecto importante. No Catecismo da Igreja Católica lemos: “na liturgia da Nova Aliança, cada ação litúrgica, especialmente a celebração da Eucaristia e dos sacramentos, é um encontro entre Cristo e a Igreja” (n. 1097); assim, é o “Cristo total”, toda a comunidade, o Corpo de Cristo unido à sua Cabeça que celebra. A liturgia então não é uma espécie de “auto-manifestação” de uma comunidade, mas é a saída do simplesmente “ser para si mesmo”, ser fechado em si próprio para o acesso ao grande banquete, à entrada na grande comunidade viva, na qual o próprio Deus nos nutre. A liturgia implica universalidade e esse caráter universal deve entrar sempre de novo na consciência de todos. A liturgia cristã é o culto do templo universal que é Cristo Ressuscitado, cujos braços estão estendidos na cruz para atrair todos no abraço do amor eterno de Deus. É o culto do céu aberto. Não é nunca somente o evento de uma comunidade individual, com sua inserção no tempo e no espaço. É importante que cada cristão sinta-se e seja realmente inserido neste “nós” universal, que fornece o fundamento e o refúgio ao “eu”, no Corpo de Cristo que é a Igreja.

Nisto devemos ter presente e aceitar a lógica da encarnação de Deus: Ele se fez próximo, presente, entrando na história e na natureza humana, fazendo-se um de nós. E esta presença continua na Igreja, seu Corpo. A liturgia então não é a memória de eventos passados, mas é a presença viva do Mistério Pascal de Cristo que transcende e une os tempos e os espaços. Se na celebração não emerge a centralidade de Cristo, não temos a liturgia cristã, totalmente dependente do Senhor e sustentada pela sua presença criadora. Deus age por meio de Cristo e nós não podemos agir a não ser por meio dele e nele. A cada dia deve crescer em nós a convicção de que a liturgia não é um nosso, um meu “fazer”, mas é ação de Deus em nós e conosco.

Assim, não é o indivíduo – sacerdotes ou fiel – ou o grupo que celebra a liturgia, mas essa é primeiramente ação de Deus através da Igreja, que tem sua história, a sua rica tradição e a sua criatividade. Essa universalidade e abertura fundamental, que é própria de toda a liturgia, é uma das razões pelas quais essa não se pode ser idealizada ou modificada pela comunidade individual ou por especialistas, mas deve ser fiel às formas da Igreja universal.

Também na liturgia da menor comunidade está sempre presente a Igreja inteira. Por isso não existem “estrangeiros” na comunidade litúrgica. Em cada celebração litúrgica participa junto toda a Igreja, céu e terra, Deus e os homens. A liturgia cristã também se celebra em um lugar e em um espaço concreto e expressa o “sim” de uma determinada comunidade, por sua natureza católica, provém de todos e conduz a todos, em unidade com o Papa, com os Bispos, com os crentes de todas as épocas e de todos os lugares. Quanto mais uma celebração é animada por esta consciência, mais frutuosamente se realiza nela o sentido autêntico da liturgia.

Caros amigos, a Igreja torna-se visível de vários modos: na ação caritativa, nos projetos de missão, no apostolado pessoal que cada cristão deve realizar no próprio ambiente. No entanto, o lugar no qual a igreja é experimentada plenamente é na liturgia: essa é o ato no qual acreditamos que Deus entra na nossa realidade e nós podemos encontrá-Lo, podemos tocá-Lo. É o ato no qual entramos em contato com Deus: Ele vem a nós, e nós somos iluminados por Ele. Por isso, quando nas reflexões sobre liturgia nós centramos a nossa atenção somente sobre como torná-la atraente, interessante, bonita, corremos o risco de esquecer o essencial: a liturgia se celebra por Deus e não por nós mesmos; é obra sua; é Ele o sujeito; e nós devemos nos abrir a Ele e nos deixar guiar por Ele e pelo seu Corpo que é a Igreja.

Peçamos ao Senhor para aprendermos a cada dia a viver a sagrada liturgia, especialmente a Celebração Eucarística, rezando no “nós” da Igreja, que dirige o seu olhar não para si mesma, mas para Deus, e nos sentindo parte da Igreja viva de todos os lugares e todos os tempos. Obrigado.

A cura do coração nos abre a Deus e aos outros, diz Papa

Domingo, 09 de setembro de 2012, Rádio Vaticano

Esta pequena palavra – effatà – abre-te -, resume em si toda a missão de Cristo, explicou Bento XVI no Angelus deste domingo

Um alegre grupo de fiéis e peregrinos acolheu o Papa Bento XVI, no Pátio interno da residência de Castel Gandolfo, para rezar com ele a oração mariana do Angelus deste domingo, 9.

Ao comentar o Evangelho de hoje (cf. Mc 7,31-37), o Papa explicou que há uma pequena palavra, muito importante, que no seu sentido profundo resume toda a mensagem e toda a obra de Cristo. O evangelista Marcos a cita na mesma língua em que Jesus a pronunciou, de modo que a sentimos ainda mais viva. Esta palavra é “effatà”, que significa: “abre-te”.

Jesus estava atravessando a região dita “Decápoli”, entre o litoral de Tiro e Sidônia e a Galileia. Levaram a ele um homem surdo-mudo, para que o curasse. Jesus o apartou, tocou suas orelhas e a língua e depois, olhando em direção ao céu, com um profundo suspiro, disse: “Effatà”, que significa justamente: “Abre-te”. E imediatamente aquele homem começou a ouvir e a falar. Graças ao gesto de Jesus, aquele surdo-mudo “se abriu”; antes estava fechado, isolado; a cura foi para ele uma “abertura” aos outros e ao mundo, uma abertura que, partindo dos órgãos do ouvido e da palavra, envolvia toda a sua pessoa e a sua vida.

Bento XVI acrescentou que o fechamento do homem, o seu isolamento, não depende somente dos órgãos do sentido. Há um fechamento interior, que diz respeito ao núcleo profundo da pessoa, aquilo que a Bíblia chama de “coração”. É isso que Jesus abriu, libertou, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com os outros.

“Eis porque dizia que esta pequena palavra, ‘effatà – abre-te’, resume em si toda a missão de Cristo. Ele se fez homem para que o homem, que se tornou interiormente surdo e mudo pelo pecado, se torne capaz de ouvir a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração, e assim aprenda a falar, por sua vez, a linguagem do amor, a comunicar com Deus e com os outros”, destacou.

Antes de rezar o Angelus, o Papa recordou que Maria, por sua especial relação com o Verbo Encarnado, é plenamente “aberta” ao amor do Senhor, o seu coração está constantemente à escuta da sua Palavra. “Que sua materna intercessão nos permita experimentar todos os dias, na fé, o milagre do effatà, para viver em comunhão com Deus e com os irmãos”, conclui o Santo Padre.

Papa destaca Maria como ponto de referência para a Igreja

Sábado, 08 de setembro de 2012, Da Redação, com Rádio Vaticano

‘“Maria, de quem se destaca antes de tudo a fé, é compreendida no mistério de amor e de comunhão da Santíssima Trindade’, disse o Papa  

O Papa Bento XVI recebeu na manhã deste sábado, 8, cerca de 350 participantes do 23º Congresso Mariológico Mariano Internacional, em andamento em Roma. Em seu discurso, o Pontífice destacou que Maria é compreendida no mistério de amor e de comunhão da Santíssima Trindade e que ela constitui um modelo e um ponto de referência para a Igreja.

“Maria, de quem se destaca antes de tudo a fé, é compreendida no mistério de amor e de comunhão da Santíssima Trindade; (…) tornando-se um modelo e um ponto de referência para a Igreja, que nela reconhece a si mesma, a sua vocação e missão”

Bento XVI mencionou ainda o tema deste Congresso, “A mariologia a partir do Concílio Vaticano II. Recepção, balanço e perspectivas”, ressaltando a iminência da celebração pelos 50 anos de abertura do Concílio.

Essa celebração, no próximo dia 11 de outubro, será feita em concomitância com a inauguração do Ano da Fé, convocada com o Motu proprio “Porta fidei”, em que apresenta Maria como modelo de fé.

Como jovem participante do Concílio, Bento XVI disse que ele “foi capaz de ver as várias maneiras de lidar com as questões sobre a figura e o papel da Virgem Maria na história da salvação”.

Na segunda sessão do Concílio, explicou, um grupo de padres pediu que a questão fosse tratada dentro da Constituição sobre a Igreja, enquanto outro grupo afirmava a necessidade de um documento específico sobre a dignidade e o papel de Maria.

Com a votação de 19 de outubro de 1963, optou-se pela primeira proposta, e o esquema da Constituição Dogmática sobre a Igreja foi enriquecido com o capítulo sobre a Mãe de Deus, em que a figura de Maria aparece em toda a sua beleza e inserida nos mistérios fundamentais da fé cristã.

“Certamente, o texto conciliar não esgota todas as problemáticas relativas à figura da Mãe de Deus, mas constitui o horizonte hermenêutico essencial para qualquer reflexão, seja de caráter teológico, seja de caráter mais estritamente espiritual e pastoral”, destacou.

Por fim, o Pontífice dirigiu-se aos participantes do Congresso, pedindo que ofereçam suas contribuições para que o Ano da Fé represente um momento de graça para todos os cristãos.

“Ofereçam suas contribuições para que o Ano da Fé possa representar para todos os fiéis em Cristo um verdadeiro momento de graça, em que a fé de Maria nos preceda e nos acompanhe como farol luminoso e como modelo de plenitude e maturidade cristã para onde olhar com confiança e do qual extrair entusiasmo e alegria para viver com sempre maior empenho e coerência a nossa vocação de filhos de Deus, irmãos em Cristo, membros vivos do seu Corpo que é a Igreja”.

Quanto mais e melhor rezarmos, mais nos tornaremos semelhantes a Ele

As palavras de Bento XVI na Audiência Geral de quarta-feira

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 05 de setembro de 2012(ZENIT.org)- Apresentamos as palavras do Papa Bento XVI  dirigidas aos fiéis e peregrinos reunidos hoje na Sala Paulo VI para a tradicional Audiência Geral.

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, após as férias, retomamos as audiências no Vaticano, continuando a “escola de oração” que estamos vivendo juntos nas catequeses de quarta-feira. Hoje gostaria de falar sobre a oração no livro de Apocalipse que, como vocês sabem, é o último do Novo Testamento. É um livro difícil, mas que contém uma grande riqueza. Nos coloca em contato com a oração viva e palpitante da assembléia cristã, reunida “no dia do Senhor” (Apocalipse 1,10), que é, de fato, o pano de fundo no qual se desenvolve o texto. Um leitor apresenta à assembléia a mensagem confiada pelo Senhor ao evangelista João. O leitor e a assembléia são, por assim dizer, os dois protagonistas no desenvolvimento do livro. Para eles, desde o início, é dirigida uma saudação festiva: “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras da profecia” (1,3). Através do diálogo constante entre eles, brota uma sinfonia de oração, que se desenvolve em uma variedade de formas até a sua conclusão. Ouvindo o leitor que apresenta a mensagem, ouvindo e observando a assembléia que reage, a oração deles tende a se tornar nossa. A primeira parte do Apocalipse (1,4-3,22) tem, na atitude da assembléia que reza, três fases sucessivas. A primeira (1,4-8) consiste em um diálogo – único caso no Novo Testamento – que ocorre entre a assembléia reunida e o leitor, que lhe dirige uma saudação de bênção: “Graça e paz “(1,4). O leitor destaca a origem dessa saudação: vem da Trindade, do Pai, do Espírito Santo, de Jesus Cristo, juntos envolvidos no levar adiante o projeto de criação e de salvação para a humanidade. A assembléia escuta, e quando escuta nomear Jesus Cristo, há como uma explosão de alegria e responde com entusiasmo, elevando a seguinte oração de louvor: “Àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados com o seu sangue, que fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém” (1,5b-6). A assembléia, envolvida pelo amor de Cristo, se sente libertada da escravidão do pecado e proclama o “Reino” de Jesus Cristo, que pertence totalmente a Ele. Reconhece a grande missão que através do batismo foi confiada a ela, de levar ao mundo a presença de Deus. E conclui essa celebração de louvor olhando de novo diretamente para Jesus e, com crescente entusiasmo, reconhece Nele “a glória e o poder” para salvar a humanidade. O “Amém” final conclui o hino de louvor a Cristo. Já estes primeiros quatro versos contêm uma riqueza de evidências para nós, diz que a nossa oração deve ser, acima de tudo, escutar a Deus que fala. Submersos com tantas palavras, estamos pouco acostumados a ouvir, sobretudo a colocar-nos com disposição interior e exterior em silêncio para estar atentos ao que Deus quer nos dizer. Esses versículos ensinam-nos que a nossa oração, muitas vezes somente de pedidos, deve ser antes de tudo, de louvor a Deus por seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação. Uma nova intervenção do leitor chama, então, a assembléia, cativada pelo amor de Cristo, ao compromisso de assimilar sua presença na própria vida. Ele diz: Eis que vem com as nuvens e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele” (1,7a). Depois de subir ao céu em uma “nuvem”, símbolo de transcendência (cf. Atos 1,9), Jesus Cristo retornará assim como ascendeu ao céu (cf. Atos 1,11b). Então, todos os povos o reconhecerão e, como exorta São João no quarto Evangelho, “olharão para Aquele que transpassaram” (19,37). Pensarão em seus pecados, causa de Sua crucifixão, e como aqueles que haviam testemunhado de forma direta no Calvário “, vão se lamentar” (cf. Lc. 23,48) pedindo perdão a Ele, para segui-Lo na vida e, assim, preparar a plena comunhão com Ele, após o seu retorno final. A assembléia reflete sobre a mensagem e diz: “Sim, Amém.” (Ap 1,7 b). Exprime com o seu “sim” a plena aceitação do que foi comunicado e pede que isso possa se tornar uma realidade. É a oração da assembléia, que medita sobre o amor de Deus manifestado de modo supremo na Cruz e clama por viver com a coerência dos discípulos de Cristo. E esta é a resposta de Deus: “Eu sou o Alfa e o Ômega, Aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (1,8). Deus se revela como o começo e o fim da história, aceita e leva a sério o pedido da assembléia. Ele foi, é e será presente e ativo com o seu amor nas relações humanas, tanto no presente, como no futuro e no passado, até chegar o fim dos tempos. Esta é a promessa de Deus. E aqui encontramos outro elemento importante: a oração constante desperta em nós um senso de presença do Senhor em nossas vidas e na história, uma presença que nos sustenta, nos guia e nos dá grande esperança, mesmo em meio à escuridão de certos acontecimentos humanos; além disso, cada oração, mesmo na solidão radical, nunca é um isolar-se e nunca é estéril, mas é a força vital para a alimentação de uma vida cristã cada vez mais comprometida e coerente. A segunda fase da oração da assembléia (1,9 a22) aprofunda ainda mais o relacionamento com Jesus Cristo, o Senhor aparece, fala, age, e a comunidade smpre mais próxima a ele, ouve, reage e acolhe. Na mensagem apresentada pelo leitor, São João relata sua experiência pessoal de encontro com Cristo: se encontra na ilha de Patmos, por causa da “palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (1,9) e é “o dia do Senhor ”  (1,10a), o domingo, dia em que celebramos a Ressurreição. E São João está “tomado pelo Espírito” (1,10a). O Espírito Santo preenche e renova-o, ampliando sua capacidade de acolher Jesus, que o convida a escrever. A oração da assembléia que escuta, gradualmente assume uma atitude contemplativa motivada pelos verbos “ver”, “olhar”: contempla, tudo o que o leitor propõe, internalizando-o e tornando-o seu. João ouve “uma voz forte como de trombeta” (1,10b), a voz o ordena a enviar uma mensagem “às sete igrejas” (1,11) que se encontram na Ásia Menor e, por meio disso, a todas as igrejas de todos os tempos, juntamente com seus pastores. O termo “voz… de trombeta”, tirado do livro do Êxodo (cf. 20,18), recorda a manifestação divina a Moisés no Monte Sinai e indica a voz de Deus que fala do céu, da sua transcendência. Aqui é atribuída a Jesus Cristo, o Ressuscitado, que da glória do Pai fala com a voz de Deus à assembléia em oração. Virando-se “para ver a voz” (1,12), João vê “sete candelabros de ouro e em meio a eles, algo semelhante ao Filho do homem” (1,12-13), termo particularmente familiar para João , que indica o próprio Jesus. Os castiçais de ouro com velas acesas, indicam a Igreja de todos os tempos em oração na Liturgia: Jesus ressuscitado, o “Filho do Homem” se encontra em meio a tudo isso, revestido com as vestes do sumo sacerdote do Antigo Testamento, atua como mediador junto ao Pai. Na mensagem simbólica de João, segue uma manifestação visível de Cristo Ressuscitado, com as características próprias de Deus, citadas no Antigo Testamento. Ele fala de “cabelos brancos como a lã …, branco como a neve” (1,14), símbolo da eternidade de Deus (cf. Dn. 7,9) e da Ressurreição. Um segundo símbolo é o fogo, que no Antigo Testamento muitas vezes refere-se a Deus para indicar duas propriedades.A primeira é a intensidade de seu amor ciumento, que anima a sua aliança com o homem (cf. Deuteronômio 04,24). E é essa intensidade ardente de amor, que lê-se nos olhos de Jesus Ressuscitado: “Seus olhos eram como chama de fogo” (Apocalipse1,14 a). A segunda é a capacidade irrestringível de vencer o mal como um “fogo devorador” (Dt 9,3). Assim também os “pés” de Jesus, no caminho de enfrentar e destruir o mal, tem o brilho do “bronze brilhante” (Ap 1,15). A voz de Jesus Cristo, então, “como a voz de muitas águas” (1,15 c), tem o ruído impressionante “da glória do Deus de Israel”, que segue rumo a Jerusalém, mencionado pelo profeta Ezequiel (cf. 43, 2). Seguem ainda três outros elementos simbólicos que mostram o que Jesus Ressuscitado está fazendo por sua Igreja: a mantém firme em sua mão direita, uma imagem muito importante: Jesus tem a Igreja em sua mão – fala a ela com o poder penetrante de um espada afiada, e revela o esplendor de sua divindade: “Seu rosto era como o sol que brilha em todo o seu esplendor” (Rev. 1, 16). João fica tão impressionado com esta maravilhosa experiência do Ressuscitado, que se sente fraco e cai como morto. Depois desta experiência da revelação, o Apóstolo diante do Senhor Jesus que fala com ele, tranquiliza-o, coloca a mão em sua cabeça, revela sua identidade de Crucificado e Ressuscitado, e confia a missão de transmitir a sua mensagem à Igreja (Apocalipse . 1,17-18). Algo belo é esse Deus diante daquele que perde as forças e cai como morto. É o amigo da vida, que coloca Sua mão em nossa cabeça. Assim será também para nós: somos amigos de Jesus. Depois da revelação de Deus Ressuscitado, Cristo Ressuscitado, não haverá temor, mas será o encontro com o amigo. A Assembléia também vive com João o momento especial de luz diante do Senhor, unidos. No entanto, é a experiência do encontro diário com Jesus, experimentando a riqueza do contato com o Senhor, que preenche todo o espaço da existência. Na terceira e última fase da primeira parte do Apocalipse (AP 2-3), o leitor propõe à assembléia uma mensagemem que Jesusfala na primeira pessoa. Dirigida às sete igrejas da Ásia Menor localizadas ao redor de Éfeso, o discurso de Jesus parte da situação particular de cada igreja, e então se espalha para as igrejas de todos os tempos. Jesus entra na realidade particular de cada igreja, enfatizando luz e sombra, fazendo um apelo urgente: Convertei-vos” (2,5.16; 3,19c). “Guardai o que tens” (3,11), “praticai as primeiras obras” (2,5); “Sejais zelosos, portanto, e vos convertei” (3,19b)… Esta palavra de Jesus, se ouvida com fé, imediatamente passa a ser eficaz: a Igreja em oração, acolhendo a Palavra de Deus se transforma.

Todas as igrejas devem se colocar em uma escuta atenta do Senhor, abrindo-se ao Espírito, como Jesus pede insistentemente, que repetiu este pedido sete vezes: “Aquele que tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (2,7.11.17.29; 3,6.13.22). A assembléia ouve a mensagem recebendo um estímulo para o arrependimento, a conversão, a perseverança no amor, a orientação para o caminho.

Caros amigos, o Apocalipse apresenta uma comunidade reunida em oração, porque a oração é precisamente onde nós experimentamos a presença crescente de Jesus conosco eem nós. Quanto mais e melhor rezarmos com constância e intensidade, mais nos tornaremos semelhantes a Ele, e Ele realmente entrará em nossa vida e guiará, dando-nos alegria e paz. E quanto mais conhecermos, amarmos e seguirmos a Jesus, mais sentiremos a necessidade de parar em oração com Ele, recebendo esperança, serenidade e força em nossas vidas. Obrigado pela atenção.

Bento XVI dirigiu a seguinte saudação em português:
Amados fiéis brasileiros de Nossa Senhora das Dores e de São Bento e São Paulo, a graça e a paz de Jesus Cristo para todos vós e demais peregrinos de língua portuguesa. Quanto mais e melhor souberdes rezar, tanto mais sereis parecidos com o Senhor e Ele entrará verdadeiramente na vossa vida. É na oração que melhor podereis dar conta desta presença de Jesus em vós, recebendo serenidade, esperança e força na vossa vida. Tudo isto vos desejo, com a minha Bênção. (Tradução:MEM)

 

A oração de louvor
Bento XVI prossegue com a catequese sobre a oração

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 05 de setembro de 2012(ZENIT.org) – De volta ao Vaticano, Bento XVI prosseguiu hoje com a série de catequeses sobre a oração durante a Audiência Geral de quarta-feira, na Sala Paulo VI. No âmbito da «escola de oração», Bento XVI falou da oração no Apocalipse, o último livro do Novo Testamento, onde é possível ver “a oração viva e palpitante da assembleia cristã reunida no domingo, «no dia do Senhor»” que envolvida pelo amor do Senhor, “sente-se livre dos laços do pecado e proclama-se como «reino» de Jesus Cristo: isto é, pertence só a Ele”, prosseguiu. O Papa recordou a missão do cristão recebida no Batismo, de levar ao mundo a presença de Deus. “Conclui esta sua celebração de louvor, fixando o olhar directamente em Jesus e, com entusiasmo crescente, reconhece que Ele detém a glória e o poder para salvar a humanidade”. O «ámen» final, nesta leitura do Apocalipse, conclui o hino de louvor a Cristo Senhor. “Tudo isto nos ensina que a nossa oração, feita muitas vezes só de pedidos, deve, pelo contrário, ser sobretudo louvor a Deus pelo seu amor, pelo dom de Jesus Cristo, que nos trouxe força, esperança e salvação”, concluiu o Santo Padre.
Após a catequese Bento XVI dirigiu a seguinte saudação em português: Amados fiéis brasileiros de Nossa Senhora das Dores e de São Bento e São Paulo, a graça e a paz de Jesus Cristo para todos vós e demais peregrinos de língua portuguesa. Quanto mais e melhor souberdes rezar, tanto mais sereis parecidos com o Senhor e Ele entrará verdadeiramente na vossa vida. É na oração que melhor podereis dar conta desta presença de Jesus em vós, recebendo serenidade, esperança e força na vossa vida. Tudo isto vos desejo, com a minha Bênção.

Um pai de família é um colaborador de Deus

O testemunho de Paulo, pai de dez filhos
Por Salvatore Cernuzio

ROMA, segunda-feira, 19 de março de 2012 (ZENIT.org) – “São José é um verdadeiro pai e senhor que protege e acompanha no caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus que crescia e se tornava adulto”.
Assim escreveu São Josemaria Escrivá, explicando como este “homem comum, pai de família, trabalhador que ganhou a vida com o esforço das suas mãos”, ajude a conhecer a Humanidade de Cristo, porque foi eleito por Deus para ser seu pai na terra.
São José é, portanto, um exemplo para todos os pais que hoje comemoram o seu dia: modelo de pai ideal que ensina a aceitar esta tarefa como uma eleição, mais do que uma missão. E numa época em que a figura do pai foi tão desvalorizada ao ponto de ser considerada não necessária ou secundária e onde a mesma paternidade é considerada muitas vezes um “obstáculo”, ainda existem pessoas que quiseram concretizar o que São José ensinou dizendo incondicionalmente sim à vontade de Deus.
É a história de Paulo, 57 anos, casado há 34, pai de 10 filhos, seis homens e 4 mulheres, que mantém tudo com um único salário de freelancer. Não um herói, nem um santo ou um fanático, mas um homem qualquer que experimenta a cada dia a providência de Deus na sua família e que nesta entrevista ao ZENIT quis contar a alegria da paternidade celeste”. Paulo, desde o 68 até hoje assistiu a uma rejeição gradual de certos valores, incluindo, em particular, a figura do pai, compreendido como principal referência de autoridade.

Como vives esse papel, sobretudo sendo o pai de uma família tão numerosa?
Paulo: A realidade mostra que as pessoas nascem, geralmente, por meio de um pai e de uma mãe e crescem de modo harmonioso e satisfatório – poderíamos dizer integrado – quanto mais essas pessoas, pai, e mãe, desempenham o seu papel de acordo com características específicas e, especialmente, em comunhão uns com os outros. Não tenho portanto dúvidas particulares sobre a validez, e mais, sobre a absoluta necessidade de uma figura paterna respeitável e reconhecida. O fato de existirem fortes correntes e influências culturais e sociais contrárias, mais que um obstáculo são um estímulo. O problema é corrigir em si mesmo aquelas fragilidades e debilidades que tendem a estragar e impedir o exercício da paternidade…

Você se refere ao que?
Paulo: À incapacidade de amar inerente na natureza humana, que às vezes te empurra ou até mesmo te obriga a tomar dos filhos a vida para ti ao invés de doar a tua para eles. Dar a vida, às vezes, também pode significar dizer não e sem dúvida quer dizer responsabilizar-se de todo o peso material, moral e espiritual que a relação com outro diferente de ti e dependente de ti corresponde. Para responder a pergunta mais diretamente em primeiro lugar posso dizer que vivo o meu papel de pai com temor e tremor, em constante luta com a minha inadequação que é, no entanto, apoiada pela graça do matrimônio.

Você já teve dificuldade para exercer plenamente a tua autoridade de pai?
Paulo: As principais dificuldades não vieram de fora. Deixando de lado momentos particulares, nunca desejei uma aceitação da minha autoridade fácil, talvez ditada pelo hábito, pelo conformismo ou pelo medo. As verdadeiras dificuldades sempre vieram da minha inclinação para transformar a autoridade em autoritarismo com a consequente pretensão de obediência onde ela não era causada por uma verdadeira autoridade. Também diante dos fracassos que existem – um filho que desobedece, ou cai em sérias dificuldades, ou se revolta ou toma um rumo errado, etc. – A soberba te empurra a deixar tudo e a fechar-te em ti mesmo, enquanto que a humildade te ajuda a aceitar a correção do Senhor por meio da história e a recomeçar a cada dia de novo. Ter muitos filhos é, certamente, uma graça e um dom do Senhor, mas muitas vezes é também fonte de preocupação ou problemas, como podem ser aqueles econômicos, do trabalho ou até mesmo do juízo dos outros ou da mesma família de origem.

Deste ponto de vista qual tem sido a tua experiência?
Paulo: Os problemas, as preocupações não faltam nestes anos e continuam, junto com grandes alegrias e satisfações. A subsistência material causou certamente angústias, mas também nos permitiu experimentar a providência de forma multifacetada e, por vezes, emocionante. Tenho que dizer então que a dialética seja com as famílias de origem, seja com o ambiente ao redor, em certos períodos apertado, eu e minha mulher não o vivemos como um limite, mas como uma ocasião para aprofundar e testemunhar na possibilidade de uma vida mais rica e mais plena. O dado fundamental para gerar os filhos foi o reconhecimento de um poder superior e de uma eleição: Deus é o autor da vida (eterna), nos ama e nos elege como seus colaboradores para transmitir a vida (eterna) para a nossa felicidade, de pais e filhos. Tudo isso se realiza no combate da fé e na liberdade, nossa e dos filhos.

De quem e como fostes ajudados em tudo isso e de que modo vistes a atuação do Senhor na tua vida?
Paulo: Fui ajudado pela Igreja por meio de um caminho de iniciação cristã vivido numa comunidade de irmãos. O Senhor se manifestou de muitos modos, mas sobretudo me permitiu exercitar “indignamente” o papel de Catequista para adultos, presenteando-me uma pregação que me moveu a reconhecer-me pecador, fazendo-me experimentar o perdão e a misericórida, a reconciliação e a comunhão com Deus, com os irmãos, com minha mulher e com os filhos, sempre com percursos de “morte e ressurreição, desolação e consolo”.

Como já mencionado também do ponto de vista material, o Senhor sempre proveu trabalho e recursos, educando-me e levando-me ao conhecimento de mim mesmo para ensinar-me a misericórdia e o amor pelos outros. Devo dizer honestamente que eu me esforço para arruinar a Sua obra, até hoje, toda vez que me foi concedido confiar Nele eu não me decepcionei.

[Tradução Thácio Siqueira]

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