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Papa pede a leigos e pastores que não tenham medo de sujar as mãos

Segunda-feira, 8 de outubro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Em homilia, Francisco exortou leigos e pastores a estarem abertos às surpresas de Deus

Papa em homilia na Missa desta segunda-feira, 08, na Casa Santa Marta./ Foto: Vatican Media

O Papa celebrou, na manhã desta segunda-feira, 08, como de costume, a Santa Missa na Casa Santa Marta. Em sua homilia, Francisco exortou os leigos e os pastores a refletirem sobre o sentido de serem cristãos, exortando a estarem “abertos” às surpresas de Deus.

Um convite a ser “cristãos de verdade”, cristãos que “não têm medo de sujar as mãos, as vestes, quando se fazem próximos do outro.

Inspirando-se no Evangelho de Lucas, o Pontífice refletiu sobre os “seis personagens” da parábola narrada por Jesus ao doutor da Lei que, para colocá-lo “à prova”, lhe pergunta: “Quem é meu próximo?”. E cita os assaltantes, o ferido, o sacerdote, o levita, o Samaritano e o dono da pensão.

Não ir além, mas parar e ter compaixão

Os assaltantes que espancaram o homem, deixando-o quase morto; o sacerdote que, quando viu o ferido, “seguiu adiante”, sem levar em consideração a própria missão, pensando somente na iminente “hora da Missa”. Assim fez também o levita, “homem de cultura da Lei”.

Francisco exortou a refletir precisamente sobre o “seguir adiante”, um conceito que – afirma – “deve entrar hoje no nosso coração”. O Papa observou que se trata de dois “funcionários” que “coerentes” com suas funções, disseram: “não cabe a mim” socorrer o ferido. Ao invés, quem “não segue adiante” é o Samaritano, “que era um pecador, um excomungado do povo de Israel”: o “mais pecador – destacou o Papa – sentiu compaixão”. Talvez, era “um comerciante que estava em viagem para negócios”, e mesmo assim:

Não olhou o relógio, não pensou no sangue. “Chegou perto dele, desceu do burro, fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas”. Sujou as mãos, sujou as vestes. “Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão”, todo sujo… de sangue… E assim tinha que chegar. “E cuidou dele”. Não disse: “Mas eu o deixo aqui, chamem os médicos que venham. Eu vou embora, fiz minha parte”. Não. “Cuidou dele”, como dizendo: “Agora você é meu, não por posse, mas para servir”. Ele não era um funcionário, era um homem com coração, um homem com o coração aberto.

Abertos às surpresas de Deus

O Pontífice falou sobre o dono da pensão que “ficou estupefato” ao ver um “estrangeiro”, um “pagão, porque não era do povo de Israel”, que parou para socorrer o homem, pagando “duas moedas de prata” e prometendo que quando voltasse pagaria o que tivesse sido gasto a mais. A dúvida de não receber o devido insinuou-se no dono da pensão, acrescentou o Papa, “a dúvida em relação a uma pessoa que vive um testemunho, uma pessoa aberta às surpresas de Deus”, como o Samaritano.

Os dois não eram funcionários. “Você é cristão? Você é cristã? Sim, vou à missa aos domingos e procuro fazer o que é justo, menos fofocar, porque eu gosto de fofocar, mas o resto eu faço bem”. Você é aberto? Você é aberto às surpresas de Deus ou é um cristão funcionário, fechado? “Eu faço isso, vou à missa ao domingo, comungo, me confesso uma vez por ano, faço isso, faço aquilo. Cumpro as obrigações”. Estes são cristãos funcionários, que não são abertos às surpresas de Deus, que sabem muito de Deus, mas não encontram Deus. Aqueles que nunca se surpreendem diante de um testemunho. Pelo contrário: são incapazes de testemunhar.

Jesus e sua Igreja

O Papa exortou a todos, “leigos e pastores”, a se perguntar se somos cristãos abertos ao que o Senhor nos dá “todos os dias”, “às surpresas de Deus que muitas vezes, como o Samaritano, nos colocam em dificuldade”, ou se somos cristãos funcionários, fazendo o que devemos, sentindo-nos “em ordem” e sendo forçados às mesmas regras. Alguns teólogos antigos, recordou Francisco, diziam que nesta passagem está contido “todo o Evangelho”.

Cada um de nós é o homem ali ferido, e o Samaritano é Jesus. Ele curou nossas feridas. Fez-se próximo. Cuidou de nós. Pagou por nós. Ele disse à sua Igreja: “Se precisar de mais, você paga, pois eu voltarei e pagarei”. Pensem bem: nesta passagem há todo o Evangelho.

O Matrimônio não foi inventado pela Igreja

Entrevista com Robert George, professor em Princeton, New Jersey, sexta-feira, 07 de abril de 2006

Bento XVI explicou esta quinta-feira que o matrimônio «não é uma invenção da Igreja», mas uma forma de vida que faz parte da natureza humana desde sua própria criação. A esta mesma conclusão chegou uma pesquisa interdisciplinar de investigadores que se acaba de publicar com o livro «O sentido do matrimônio: família, estado, mercado e moral» (Spence), editado por Robert P. George e Jean Bethke Elshtain. George é professor de jurisprudência e diretor do programa James Madison in American Ideals and Institutions, na Universidade de Princeton, e é membro do Conselho de Bioética do presidente George Bush. Nesta entrevista, George compartilha com Zenit alguns dos temas apresentados no livro segundo os quais o matrimônio é um «bem intrínseco».

O que os impulsionou a reunir estes ensaios sobre o significado do matrimônio?
O que tem de especial esta recopilação? Estes ensaios são importantes porque demonstram que o matrimônio não é um tema sectário ou inclusive de natureza meramente religiosa. Pelo contrário, os ensaios demonstram a importância pública do matrimônio e nossa capacidade, como pessoas racionais, de entender o sentido, o valor e o significado do matrimônio sem invocar ou recorrer a revelações especiais ou a tradições religiosas. Em dezembro passado, Jean Bethke Elshtain e eu convocamos uma conferência de três dias, com o apoio do Witherspoon Institute, que reuniu estudiosos de primeira ordem de várias disciplinas acadêmicas – história, ética, economia, direito e política pública, filosofia, sociologia, psiquiatria, ciências políticas – para discutir sobre o matrimônio. Os estudiosos apresentaram cada um uma contribuição a nossa compreensão do matrimônio desde sua própria disciplina, e cada uma das disciplinas ofereceu reflexões profundas sobre a importância do matrimônio tanto para os indivíduos como para a nação. As exposições não invocaram a revelação, a autoridade religiosa ou o raciocínio sectário. Representaram o melhor daquilo que se denominou «razão pública».
E as conclusões de cada um na conferência foram:
a) o matrimônio é importante;
b) o matrimônio está em crise; e
c) podemos enfrentar a virtual abolição do matrimônio se avançar o caminho do «matrimônio» do mesmo sexo.
O professor Elshtain, da Universidade de Chicago, e eu decidimos recopilar estes ensaios em um livro, porque é necessário que se difundam em toda nossa nação a informação e os argumentos que tivemos a fortuna de escutar na conferência. A todo norte-americano que lhe importe a sociedade civil, o bem-estar das crianças e a situação do matrimônio em nossa cultura, necessita conhecer as conclusões científicas recolhidas neste volume. Atualmente se desenvolve um debate público sobre o matrimônio, mas com muita freqüência se reduziu só a escaramuças verbais sobre o «matrimônio» do mesmo sexo. Nosso projeto tentou evitar esta armadilha, para examinar toda a série de problemas sociais que emergem do debate do matrimônio: a ausência do pai, a coabitação, o divórcio, os filhos crescidos fora do matrimônio, etc. Ainda que não posso mencionar cada capítulo do livro, há três ensaios particulares escritos desde a perspectiva das ciências sociais que mencionarei. Dom Browning, da Universidade de Chicago, e Elizabeth Marquardt – autora de «World’s Apart» («Mundos à parte») – têm um ensaio fascinante, «O que acontece com as crianças? Advertências liberais sobre o matrimônio do mesmo sexo» («What About the Children? Liberal Cautions on Same-Sex Marriage»). Maggie Gallagher, presidente do Institute for Marriage and Public Policy, tem um brilhante ensaio titulado «Como o matrimônio protege o bem-estar da criança?» («How Does Marriage Protect Child Well-Being?». W. Bradford Wilcox, professor adjunto de sociologia na Universidade de Virginia, conclui o livro com uma reflexão sobre o impacto do matrimônio sobre quem menos ingressos tem na sociedade. Outros ensaios incluem um tema sobre como a aceitação do «matrimônio» do mesmo sexo apagaria a validade dos princípios em base aos quais rejeitamos a poligamia e o poliamor, ou seja, as multiplicidades de relações sexuais estáveis; outro trata sobre como o «no-fault divorce», «divórcio sem culpa» – o divórcio unilateral – debilitou o matrimônio como instituição, e como as lições aprendidas de nosso erro ao abraçá-lo deveriam fazer-nos ser mais cautelosos à hora de considerar mudanças inclusive mais radicais; e outros relativos à importância do matrimônio para o bem-estar legal, político e econômico de nossa sociedade. Retrospectivamente podemos ver como a introdução do «divórcio sem culpa» alterou a pior a compreensão que as pessoas tinham do significado do matrimônio, com conseqüências sociais profundamente danosas.

Passando a sua contribuição pessoal, um capítulo sobre filosofia prática e matrimônio: «Que quer dizer em seu ensaio quando afirma que o matrimônio é um «bem intrínseco»?
Quero dizer que o matrimônio é muito mais que um meio para conseguir fins extrínsecos a ele. O valor do matrimônio não é meramente instrumental. O matrimônio é um bem humano básico – um aspecto irreduzível do bem-estar e da plena realização de um homem e uma mulher que se unem como esposos. Quando se entende corretamente o matrimônio como a união permanente e exclusiva entre esposos sexualmente complementares, cuja partilha fiel, amorosa e compreensiva da vida se funda sobre a união dos corpos em «uma só carne», entende-se que o matrimônio constitui por si mesmo um motivo para sua validade, e que seu valor não depende, portanto de outros objetivos para o que é um mero instrumento. Ao unir-se um homem e uma mulher em todos os níveis de seu ser – o biológico, o emocional, o racional, o espiritual – o matrimônio converte-se em uma eleição racionalmente válida como fim em si mesmo. Assim como o elemento fundamental da amizade não esponsal é a amizade em si mesma, o elemento fundamental do matrimônio é o matrimônio em si mesmo.

O senhor observa que grande parte da confusão sobre o sexo e o matrimônio em nossa cultura encontra suas raízes no pensamento do filósofo escocês do século XVIII, David Hume. Como pode ser assim?
Não quero carregar com toda a culpa ao pobre David Hume. Como apontava em meu capítulo de «The Meaning of Marriage», Hume mesmo abrigava mais bem os pontos de vista conservadores sobre o matrimônio, reconhecendo-o como uma instituição social profundamente importante, que necessita e merece apoio e proteção das instituições da sociedade e dos usos e costumes das pessoas. O problema não está no que Hume ensinava sobre o matrimônio; está no que Hume ensinava sobre a razão prática e a verdade moral. Como já disse, uma compreensão correta do matrimônio o reconhece como um bem intrínseco ou como, seguindo Germain Grisez, chamei-o de um bem humano básico – algo que as pessoas têm motivos para eleger precisamente porque captam seu valor como um aspecto irredutível do bem-estar e realização humana. Mas Hume ensina que não há bens humanos básicos, que não existem razões outras que as instrumentais para atuar. Mais, supõe Hume, nossos fins nos vêm dados por fatores de motivação como o sentimento, o desejo, a emoção – o que Hume chamava «as paixões». Reduz-se a razão a um papel meramente instrumental no domínio da deliberação, a eleição e a ação. A razão não pode identificar o que é desejável e, portanto digno de eleição; seu papel, segundo a opinião de Hume sobre o tema, reduz-se a identificar os meios eficazes pelos quais podemos alcançar qualquer fim que se nos ocorra desejar. Em palavras de Hume, «a razão é, e só deve ser, a escrava das paixões, e não deve reivindicar nenhuma outra função, mas a de servi-las e obedecer a elas». Na medida em que os ensinamentos de Hume foram aceitos, seja formal ou implicitamente, pelos homens e mulheres contemporâneos, levou-os a adotar uma forma de subjetivismo – em ocasiões chamado «a falta de cognitivismo moral» – que ameaça uma reta compreensão do matrimônio e de outros bens humanos básicos. Isto resulta especialmente nocivo no caso do matrimônio, posto que o matrimônio é um bem do qual só podem participar plenamente aqueles que, ainda que seja implicitamente, compreendem-no corretamente. Sua capacidade de enriquecer nossas vidas como esposos – e, quando o matrimônio se vê abençoado com filho, como pais – depende muito de nossa compreensão dele e de que captemos que seu valor é maior que o meramente instrumental.

O senhor descreve o matrimônio como uma «comunhão de pessoas em uma só carne». Trata-se de um conceito claramente religioso?
Não. O valor intrínseco do matrimônio, entendido como o compartilhar a vida de forma ampla e a todos os níveis fundamentado na comunhão corporal da complementaridade sexual dos esposos e ordenado de forma natural à procriação e criação dos filhos pode entender-se, e assim ocorreu, por pessoas de diversos credos e por aqueles que não têm um concreto. Os ensinamentos de muitas, se não todas, as religiões se estendem de um modo ou outro ao matrimônio, mas o bem do matrimônio pode ser conhecido, e é conhecido, pela razão, ainda que não esteja ajudada pela revelação. Segundo John Finnis, os grandes filósofos da antiga Grécia e os juristas da Roma pré-cristã, ainda que em um contexto de reflexão crítica sobre o matrimônio, eram capazes de articular as bases de uma compreensão correta deste grande bem humano. Claro está que a expressão “uma só carne” deriva da Bíblia hebraica e Jesus a reafirma com força nos Evangelhos. Para judeus e cristãos, a revelação reforça e ilumina uma grande verdade da lei natural.

O número 1652 do Catecismo da Igreja Católica indica: «Por sua própria natureza, a própria instituição do matrimônio e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação da prole e com elas são coroadas como sua culminação». O Catecismo parece que descreve o matrimônio em termos meramente instrumentais. Pode declarar-nos coincide isto com o que o senhor afirmou?
Certamente. Já disse que o amor conjugal e a instituição do matrimônio estão ordenados de forma natural à procriação e ao cuidado dos filhos. Mas isto não quer dizer que os filhos sejam fins extrínsecos para os que a união marital, em sua dimensão sexual ou em outra, seja um mero meio. «Ordenado a» não quer dizer «é um mero meio para». Talvez a melhor evidência de que a Igreja reconhece o valor intrínseco do matrimônio e de que não o trata como um mero meio de procriação seja seu claro e constante ensinamento de que as pessoas podem ter razões para casar-se, e podem casar-se legitimamente, e podem estar plena e verdadeiramente casados, inclusive quando a infertilidade de um ou ambos esposos converta a procriação em impossível. Os matrimônios de esposos inférteis são verdadeiros matrimônios. Não são pseudomatrimônios. Não são matrimônios de segunda classe. Dado como estão constituídos os seres humanos, o que por sua vez determina a conformação do bem humano, a realização plena do homem e da mulher acontece intrinsecamente em sua união na forma de uma comunhão idônea – ou «ordenada a » – para a procriação e o cuidado dos filhos, ainda que não sejam capazes de concebê-los. Os esposos convertem-se verdadeiramente em «uma só carne» em sua relação, ainda que a infertilidade temporária ou permanente signifique que não acontecerá a concepção. Há que observar que os matrimônios judeus e cristãos consumam-se ao completar a relação sexual, não ao conseguir a concepção de um filho. Não obstante, nada na afirmação desta grande verdade contradiz a igualmente grande verdade que os filhos concebidos como fruto da comunhão marital são, de fato, a “coroação” do amor conjugal. Os filhos não são objetivos operativos da união sexual dos esposos ou da instituição do matrimônio; mas sim, são um dom que se acrescenta ao amor marital que se há de acolher e cuidar como participantes perfeitos da comunidade – a família – estabelecida pela comunhão marital de seus pais.

O reconhecimento, por parte da Igreja, da validade dos matrimônios inférteis não contradiz sua doutrina de que o matrimônio é necessariamente a união de um homem e uma mulher, em vez da união de duas pessoas quaisquer, incluindo a pessoas do mesmo sexo?
Não. O elemento chave a considerar é que a Igreja, de acordo com o que sabemos pela luz da razão natural, entende o matrimônio fundamental e irredutivelmente como uma relação sexual. Qualquer pessoa pode viver com outra, cuidando e compartilhando as vidas do outro em muitas dimensões. Mas para que chegue a existir um matrimônio e se complete, o compartilhar a vida de forma compreensiva e a todos os níveis se há de basear na união corporal – biológica – dos esposos. Um homem e uma mulher que prometeram fidelidade permanente um ao outro devem converter-se em uma «só carne» em virtude da consumação de sua união sexual pelo que completam as condições de comportamento da procriação – ainda que não existam as condições necessárias para a concepção. Se não existe a união biológica, as pessoas não compartilharão a vida do outro na singular forma conjugal. Sua vida em comum não pode ser um compartilhar compreensivo, no qual a comunhão em outros níveis se fundamenta em sua comunhão corporal. É através dos atos conjugais – atos que são procriativos por natureza, ainda que não sejam reprodutivos com efeito; e ainda devido à enfermidade, a um defeito ou à idade da mulher não possam como resultado a procriação – que um homem e uma mulher, comprometidos um com o outro, consumam seu matrimônio como a união de uma só carne. É por isto que não pode existir um matrimônio entre mais de duas pessoas, por muito afetuosos que sejam uns com os outros ou por muito comprometidos com o grupo que sinceramente se possa estar. Uma vez compreendido o matrimônio como uma união em “uma só carne”, vemos que a atividade sexual entre membros de grupos polígamos ou entre casais do mesmo sexo, por muito que o desejam ou o encontrem satisfatório, é intrinsecamente não conjugal. Sejam quais forem as considerações sobre o fato de que a atividade sexual nas relações polígamas ou do mesmo sexo pode reforçar o laço emocional de quem participa, não pode unir plenamente os casais sexuais de forma conjugal. Seja qual for a motivação, o objetivo ou o fim, não pode ser biológico, a união «em uma só carne» – precisamente o fundamento e o princípio definidor do matrimônio. Convém observar, de passagem, que o ensinamento da Igreja reflete aqui sua compreensão do corpo como uma parte integrante na realidade pessoa do ser humano, e não como um mero instrumento subpessoal para conseguir alguns fins ou induzir satisfações desejadas pela parte consciente ou volitiva do eu – considerada, como na pessoa real que habita e utiliza um corpo. A união biológica dos esposos nos atos de tipos procriativo pode ser comunhão pessoal verdadeira, precisamente porque nós somos nossos corpos – ainda que, claro está, não só somos nossos corpos –, somos a união de alma e corpo. Não somos pessoas incorporais – mentes, almas, consciência –, que residem dentro, supervisionam, e usam corpos impessoais.

Se o matrimônio é em si evidentemente bom, então por que necessita intervir para preservá-lo? Não seria suficiente a tutela por parte da Igreja e das comunidades religiosas onde se celebra e vive em sentido pleno?
Esta é uma proposição válida só em aparência. Sua força cai no momento em que consideramos:
a) A importância dos matrimônios, e, portanto, do matrimônio considerado como instituição, para o bem-estar da sociedade e do Estado; e
b) A vulnerabilidade do matrimônio como instituição às patologias sociais e às ideologias hostis ao mesmo que debilitam sua capacidade de defesas ante tais patologias.
A razão mais poderosa e fundamental para o interesse público no matrimônio e em seu bom estado de saúde institucional é sua idoneidade única para proteger os filhos e atendê-los para que cresçam como pessoas retas e cidadãos responsáveis. Como mostraram Brad Wilcox, Maggie Gallagher e outros especialistas que contribuíram a «The Meaning of Marriage», poucas coisas são tão importantes para o bem público – e em nossas circunstâncias atuais quase nada é mais urgente – que criar e manter um conjunto de condições sociais nas quais o fato de que as crianças cresçam com sua própria mãe e pai seja a norma. É certo que as comunidades religiosas e outras instituições da sociedade civil têm um papel indispensável que exercer, mas a lei tem também seu papel. A lei é uma guia. Pode ensinar que o matrimônio é uma realidade na qual as pessoas podem eleger participar, mas cujos contornos não podem fazer-se e desfazer-se à vontade. Ou seja, uma comunhão em uma só carne de pessoas unidas em uma forma de vida que é a própria para a geração, a educação e a criação dos filhos. A lei tampouco pode ensinar que o matrimônio e uma mera convenção, que se pode malear na forma em que escolham fazê-lo indivíduos, casais ou grupo, sejam quais forem seus desejos, interesses ou fins subjetivos. O resultado, consideradas as tendências da psicologia sexual humana, será o desenvolvimento de práticas e ideologias capazes de destruir verdadeiramente a correta compreensão e prática do matrimônio, junto com o desenvolvimento que tendem a reforçar as mesmas práticas e ideologias que as causam. O filósofo da Universidade de Oxford Joseph Raz, ele mesmo liberal, que não compartilha meus pontos de vista sobre a moralidade sexual, mostra-se com razão crítica ante formas de liberalismo que supõem que a lei e o governo podem e devem ser neutras com respeito a concepções contrapostas do bem moral. A este respeito, observou que a “monogamia, admitindo que respeite a única forma válida de matrimônio, não pode praticar-se por um indivíduo. Requer uma cultura que a reconheça, e que a apóie através da atitude pública e através das instituições formais”. O professor Raz afirma que, ainda que a monogamia é um elemento chave em uma correta compreensão do matrimônio, um grande número de pessoas não conseguirá compreender o valor da monogamia e a lógica que a confirma, senão ajudando-se e servindo-se de uma cultura, de uma ordem jurídica, de uma política e de uma sociedade favorável ao matrimônio monógamo. O que vale para monogamia é igualmente válido para outros elementos de uma correta compreensão do matrimônio. O matrimônio é a classe de bem que podem eleger e do qual podem participar de forma convencida só aquelas pessoas que o compreenderam profundamente e os que o elegem precisamente em base a tal compreensão. Não obstante, a capacidade de compreendê-lo, portanto, depende de forma decisiva da orientação das instituições e da cultura que transcendem as eleições individuais e que se constituem por um grande número de eleições individuais.

Papa afirma: “Matrimônio é união de amor que implica fidelidade”

Domingo, 7 de outubro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé
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Francisco aproveitou o tema para reafirmar proximidade da Igreja também com aqueles que vivem a experiência de relacionamentos rompidos

Papa Francisco durante o Ângelus deste domingo, 7/ Foto: Vatican Media

Matrimônio, este foi o tema do evangelho (cf. Mc 10,2-16) deste domingo, 7, e também da reflexão que antecede a tradicional oração dominical do Ângelus, presidida na Praça São Pedro, no Vaticano, pelo Papa Francisco. Segundo o Santo Padre, no projeto original do Criador, homem e mulher são chamados a se reconhecerem, se completarem, e se ajudarem mutuamente no casamento. “Este ensinamento de Jesus é muito claro e defende a dignidade do matrimônio, como uma união de amor que implica fidelidade”, frisou.

O evangelho de hoje começa com a provocação dos fariseus que perguntam a Jesus se é lícito ao marido divorciar-se de sua esposa, conforme estabelecido pela lei de Moisés. Jesus, com a sabedoria e autoridade que vem do Pai a ele, afirmou o Pontífice, reduz a prescrição mosaica dizendo: ‘Pela dureza do seu coração ele — isto é, o antigo legislador — escreveu esta regra para você’ (v. 5). “Esta é uma concessão que serve para amortecer as falhas produzidas pelo nosso egoísmo, mas não corresponde à intenção original do Criador”.

O Papa relembrou a citação de Jesus ao texto do Livro do Gênesis.“‘Desde o princípio da criação (Deus) os fez homem e mulher; por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa e os dois se tornarão uma só carne’ (versículos 6-7). E ele concluiu: ‘Portanto, o homem não divide o que Deus uniu’”. O ensinamento de Jesus é, para o Santo Padre, muito claro e defende a dignidade do matrimônio como união de amor que implica fidelidade. O compromisso com o outro permite, de acordo com o Papa, que casais mantenham-se unidos no matrimônio e sejam fomentados pelo amor mútuo de auto-entrega sustentado pela graça de Cristo.

“Se, por outro lado, o interesse individual e a satisfação prevalecerem nos cônjuges, então a união deles não poderá resistir”, alertou Francisco. O Pontífice chamou atenção para a mesma página do Evangelho que lembra, com grande realismo, que homem e mulher, chamados a viver a experiência do relacionamento e do amor, podem ter práticas dolorosos que os colocam em crise. “Jesus não admite tudo o que pode levar ao afundamento do relacionamento. Ele faz isso para confirmar o plano de Deus, no qual a força e a beleza das relações humanas se destacam”, interpretou.

O Santo Padre fez questão também de frisar que a Igreja não se cansa de confirmar a beleza da família, como é dada pela Escritura e pela Tradição, e, ao mesmo tempo, se esforça para fazer com que sua proximidade materna seja concreta para aqueles que vivem a experiência de relacionamentos rompidos ou que se desenvolvem de maneira dolorosa e cansativa.

“O modo de agir do próprio Deus com o seu povo infiel, isto é conosco, nos ensina que o amor ferido pode ser curado por Deus através da misericórdia e do perdão. Portanto, à Igreja, nestas situações, não é solicitado imediatamente e somente a condenação. Pelo contrário, em face de tantos dolorosos fracassos conjugais, a Igreja se sente chamada a viver a sua presença de caridade e de misericórdia, para levar de volta a Deus os corações feridos e perdidos”, concluiu.

Crise política e econômica decorre da crise moral

Sexta-feira, 18 de março de 2016, Padre Mário Marcelo Coelho,scj
Frente à crise política, doutor em Teologia Moral diz que a solução passa pela recusa de toda forma de corrupção

Cenário político brasileiro
Estamos acompanhando uma profunda crise política, econômica e institucional que gera instabilidade e insegurança na vida do povo. Esta crise tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, colunas para a vida e organização de toda sociedade que presa pela vida dos seus membros.
Não é minha intenção aqui descrever a crise e os fatores nela envolvidos. Acompanhamos com atenção e apreensão todo o decorrer dos fatos. Meu interesse é refletir um pouco nossas ações com o desejo de iluminar o leitor para uma viva esperança.
Cada vez mais se torna necessário estar atento aos fatos, procurando informar-se a partir de fontes seguras. Acredito que a solução para esta crise será encontrada quando houver interesse de todos pelo bem estar da nossa sociedade. A busca de respostas, de solução pede reflexão, discernimento, com serenidade e responsabilidade ética, visando sempre o bem do povo, especialmente dos mais pobres, sem desviar do caminho da justiça.
A crise política e econômica é grave, mas entendo que tudo decorre de uma crise moral. A falta de princípios éticos de justiça, respeito, honestidade, etc., leva consequentemente a comportamentos que prejudicam a nação. A superação da crise que está aí e que nos atinge, passa pela recusa radical de toda e qualquer ato de corrupção, pela capacidade de governar com honestidade, pelo desejo de promover o crescimento justo que favoreça, sobretudo, os mais pobres.
É preciso promover a formação de pessoas honestas, íntegras que tenham a capacidade de assumir o país com seriedade e responsabilidade. Lutar pelo aumento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível governar um país e não preservar pelos valores éticos e morais. O Governo, o Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar um governo ético e justo.
O cristão comprometido com a vida do povo sabe, sente e compreende o que significa a fé para a luta pela libertação. Salvação e libertação de toda e qualquer opressão, dominação e exploração humana, seja em qualquer tipo de regime político ou condição. Muita gente ainda tenta separar a fé da política, a vida da realidade.
Os cristãos não querem uma vida fora do mundo concreto, fora dos fatos sociais. Os cristãos querem o céu na terra e a terra no céu, sempre. O cristão deve ser fermento, sal, caminho e luz. Deve lutar pelos princípios básicos da mensagem cristã, como defesa da ética, da vida desde a concepção, da família, da democracia, da participação social e da liberdade, assumindo responsabilidade social e política.
Nossa fé precisa capacitar-se para criticar, avaliar, comparar e intervir na realidade à luz do Evangelho, fazendo uma política com ética, compromisso, reforma, transformação e realização de justiça social. A fé e a política devem ajudar os cristãos a decidir, optar e assumir os compromissos que nos são dados viver e transformar, historicamente.
Precisamos resgatar o interesse do povo, eu diria até o encantamento, pela boa política. Resgatar a esperança através de políticos comprometidos com o povo. Promover a paz e a justiça. É preciso restaurar, respeitar a dignidade de cada pessoa, construir a justiça e promover a cultura do diálogo, do respeito e da honestidade. Hoje se torna necessário organizar ações e práticas sociais como instrumentos de concretização para construção de uma sociedade solidária conforme a proposta cristã.

 

Jurista e cientista política analisam crise política no Brasil
Sexta-feira, 18 de março de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação
Jurista Ives Gandra acredita que nomeação de Lula fere princípio da moralidade; cientista política atenta sobre necessidade de mudar estrutura da corrupção

Os brasileiros têm acompanhado com atenção, receio e incerteza o momento político do país. Nesta quinta-feira, 17, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, logo depois essa posse foi suspensa com liminar, o governo conseguiu derrubá-la, mas já surgiram outras. Uma “dança das cadeiras” que está repercutindo no Brasil e na imprensa internacional.
As discussões sobre o rumo dado ao governo da presidente Dilma Rousseff aumentaram quando ela decidiu nomear Lula como ministro da Casa Civil. Para o jurista Ives Gandra, essa nomeação feriu o princípio da moralidade, pois ele está sendo investigado por suspeita de corrupção na Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal e sob jurisdição do juiz federal Sérgio Moro. Além disso, feriu o princípio da impessoalidade, segundo o qual deve-se nomear alguém por interesse público, não pessoal.
Moro divulgou na quarta-feira, 16, o áudio de uma conversa telefônica entre Lula e Dilma. Essa ação do juiz também dividiu opiniões. “A meu ver, deu vazão ao princípio da publicidade. Tomou conhecimento de um fato grave que ainda estava na sua jurisdição (…) e ele gravou baseado em outro princípio constitucional: fatos de extrema relevância e gravidade como esse poderiam ser dado a público porque são do interesse público”.
A cientista política Dora Soares avalia que a hierarquia estabelecida no país deve ser respeitada, o que não aconteceu. “Ela (Dilma) é o maior cargo e isso tem que ser respeitado, se não você não tem instituição no país (…) Não é em nome de denunciar e combater a corrupção que eu não respeito as instituições. Você tem que pensar na estabilidade política do país, na estabilidade econômica, porque isso tudo tem decorrência”.

E as investigações sobre Lula, como ficam?
A grande questão que fica em aberto é que rumo vão tomar as investigações sobre o ex-presidente Lula. Se ele não fosse ministro, seria investigado normalmente dentro da Operação Lava Jato, como qualquer cidadão comum.
Caso o governo consiga revogar a suspensão e ter Lula como ministro, ele passa a ter foro privilegiado. Gandra explica que o processo segue, então, para o Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações continuam, o que muda é a instância em que será realizada. Todo o material avaliado até então pelo ministério público do Estado de São Paulo tem validade, mas a análise e o possível julgamento ficam a cargo do STF, não mais de Moro.

Impeachment de Dilma e reflexos da crise
A nomeação de Lula para a Casa Civil foi um dos elementos que impactou ainda mais a crise política no país e o processo de impeachment em estudo contra a presidente Dilma Rousseff. Ainda na quinta-feira, 17, a Câmara dos Deputados aprovou a comissão especial que analisará o pedido de impeachment da presidente.  O jurista Ives explica que essa comissão vai seguir as determinações do STF e examinar os argumentos para decidir se propõe ou não o impeachment.
Essas ações e decisões impactam também a população, que em várias regiões do país saiu às ruas em protesto. “Eu tenho a impressão de que a pressão popular é evidentemente um elemento político, porque ela (Dilma) foi eleita pelo povo e agora o povo está querendo que ela saia. A pressão popular faz com que ela não tenha confiança e nem tenha condições de governabilidade”, afirma Gandra.
E se o cenário não está favorável para a política, tão pouco está para outros setores da vida do brasileiro. “Os investidores não investem porque não sabem o que vai acontecer. O povo não acredita e tirou toda confiança dela (Dilma), só ver as manifestações espontâneas de ontem. O desemprego está aumentando, porque não havendo investimento, o desemprego é maior. O PIB está caindo assustadoramente. O Brasil está entrando numa crise monumental. Cada vez que há notícia de que ela (Dilma) vai cair o dólar cai e a bolsa sobe, cada vez que ela se recupera, a bolsa cai e o dólar sobe”.
Gandra acredita que as manifestações populares exercem grande pressão nesse processo de impeachment. “Se elas continuarem, duvido que os deputados que vão ter seu nome promulgado votarão nela (Dilma). Se elas diminuírem, os deputados ganharão coragem de aceitar as benesses do poder”.

Necessidade de mudança verdadeira
Em meio a manifestações contrárias e favoráveis ao governo, pedindo ou não a saída de Dilma, Dora Soares chama a atenção para a falta de um propósito para combater a corrupção. Segundo ela, há nas manifestações um ódio pessoal por um partido e por indivíduos.
“Se a presidência renuncia, seremos governados pelo que, por quem, se o vice-presidente está sim denunciado, se o presidente do Senado está no meio das denúncias, se o presidente da Câmara Federal está no meio das denúncias?”, questiona Dora.
Para a cientista política, cabe a todos os brasileiros pensar em mecanismos que garantam a permanência da democracia e o combate à estrutura da corrupção, já que, para ela, não há hoje no país um nome a quem o povo possa recorrer.
“Nós já tiramos um presidente. Retirar outro não significa mudar a possibilidade da corrupção. É a estrutura que nós temos que pensar (…) Nós precisamos pensar que são grupos que governam, e não um grupo que assumiu e que é corrupto em si (…) Trocando os indivíduos, a estrutura continuará a mesma, então nós temos que pensar qual a mudança necessária na estrutura para que sejam garantidos o combate à corrupção e o bem-estar social”.

 

Um olhar sobre a realidade
18/03/2016
Cidade do Vaticano (RV*) – O Brasil atravessa um difícil momento de crise política, institucional e ética, que não deixa indiferente ninguém de nós. Ao contrário, pede-nos oração e reflexão. Se de um lado há um despertar das pessoas para agir na sociedade, de outro há também situações de conflitos preocupantes. Ao querer o bem do país, devemos procurar fazê-lo bem também.
Em tempos de tantas situações anômalas e tensas, ao mesmo tempo em que nos cabe manifestar nossas opiniões, somos chamados também a encontrar caminhos de solução. Eis o grande desafio que se impõe nesse momento à nossa pátria!
Em tempos como estes, os homens da Igreja são chamados a dar uma palavra de apoio e incentivo a todos os filhos e filhas desta amada nação que – queiramos ou não – nasceu sob o signo da Cruz do único e divino Redentor do gênero humano. Ele, sem deixar de ser Deus, se fez homem igual a nós em tudo, menos no pecado, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). A história é inexorável. Pode ser reinterpretada, nunca, porém, negada por quem quer que seja.

Unidade Nacional
Essas raízes religiosas dão base à unidade nacional de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sempre dentro do respeito às diferentes denominações religiosas ou mesmo às pessoas ou grupos que afirmam não ter religião. É a unidade nacional na pluralidade de pensamentos. Isso constitui um Estado que se confessa laico no sentido exato do termo, mas não laicista, ou seja, aquela Nação que, sob a aparência de laicidade, persegue as instituições não concordes com o seu modo de pensar ou, pior, com a linha ideológica do seu governo. Isso caracterizaria um tipo de intolerância que o próprio povo jamais toleraria.
É certo, como a Igreja entende desde o distante pontificado do Papa Leão XIII (1878-1903), que a chamada questão social jamais será resolvida se nos esquecermos dos valores humanos e evangélicos, pois ela é uma questão do homem e da mulher dos nossos tempos com fome e sede do Absoluto ou de Deus, sem o qual tudo o mais parece sem sentido. Daí dizer aquele Papa o seguinte: “Alguns professam a opinião, assaz vulgarizada, de que a questão social, como se diz, é somente econômica; ao contrário, porém, a verdade é que ela é principalmente moral e religiosa e, por este motivo, deve ser resolvida em conformidade com as leis da moral e da religião” (Encíclica Graves de communi, 18/01/1901).

Reforma vazia
Em outras palavras, seguindo a sabedoria bimilenar da Igreja, não se pode fazer verdadeira reforma social sem, antes de tudo, transformar o coração humano em um coração que ama o próximo antes de amar a si. Mais: faz isso por amor de Deus e não por mera filantropia. Qualquer reforma social que não parta da própria reforma interior de cada um de nós está sujeita aos mais vergonhosos fracassos, como já ficou comprovado em diversos países que tentaram destronar Deus para colocar em Seu lugar qualquer outra coisa ou pessoa no campo social e político.
Um dos princípios básicos de todo povo civilizado, que se preze de ter esse adjetivo, tem de ser o respeito à vida desde a sua concepção até o seu natural ocaso. Afinal, que credibilidade teria quem dissesse defender os mais fragilizados, mas advogasse – inclusive oficialmente em um programa político ou legislativo – a morte dos mais inermes e indefesos, como são os nascituros no ventre de suas mães? Ainda: como poderia ser chamado de civilizado um país no qual é roubada a dignidade de viver dos idosos a cambalearem pelas filas de alguns órgãos públicos de saúde ou mesmo em hospitais ou instituições semelhantes?

Bases sólidas
Como poderia ser tida por avançada uma sociedade que, por meio de suas autoridades maiores e contra o sentimento do povo, investisse pesadamente contra a família, célula mãe da vida social e cultural? É na família que se aprendem os primeiros passos da fé, da honestidade, da partilha (e não do tirar vantagem, especialmente com o que é do outro), do amor, enfim, dos valores humanos e cristãos necessários para a vida saudável em comunidade. Tentar quebrar essa instituição querida por Deus é desejar destruir a sociedade a partir de seus alicerces.
Ora, sem o respeito à religião, à vida e à família não se pode, de modo algum, construir uma sociedade verdadeiramente próspera e respeitável. Todos os artifícios de progresso serão uma quimera, que cedo ou tarde acabarão por ruir. Seu alicerce está sobre a areia movediça e não sobre a Rocha firme que é Deus, criador de tudo e desejoso do bem dos seus filhos e filhas. Os caminhos que não respeitam a fé do povo e seus valores acabam por desencadear em situações irrespiráveis.
A falta de ética na vida pública, especialmente no exercício de um mandato público eletivo, neste caso, é mera consequência. É triste, mas não assusta a quem reflita um pouco. Sim, se não se respeita a fé alheia, a vida, a família etc., que se pode mais esperar? O triunfo ou o fracasso? Esperemos que não seja necessário cantar como a ópera Nabucco de Verdi: “Ó minha pátria, tão bela e perdida”, que foi o hino patriótico dos italianos no final do século XIX. Mas o Salmo a que isso se refere (137) coloca sua confiança no Senhor: “Lembra-te, Senhor!”

Ética
Ausente de Deus, na prática a pessoa se julga um deus acima de tudo e de todos, e exige para si prerrogativas especiais acima dos demais seres humanos comuns. É a loucura de alguns governantes que, ao longo da história, atribuíram a si mesmos, inclusive, poderes divinos, ou se faziam adorar pelo povo.
Haverá espaço para a ética aí, a não ser aquela “ética” que leva a tirar vantagens de tudo em nome dos que mais necessitam e, pior, à custa deles? A lei, no caso, será igual para todos, menos para alguns privilegiados? Teríamos dois pesos e duas medidas: na hora que convém, invocar-se-ia a Constituição do País, quando não convém, se fariam críticas ferrenhas a essa mesma Lei Maior? Lembremo-nos, porém, de que o comum não é o normal na vida das pessoas. O sonho desmedido e perpetuado de poder não combina com democracia e com progresso em nenhuma parte do mundo.
Um Estado que se pretendesse totalitário, sufocador e abocanhador das demais instituições, não conseguiria prosperar a não ser pelo império do medo e das ameaças, ou jogos sujos de atirar uns contra os outros e enquanto esses menos avisados brigassem aqui embaixo, os poderosos continuariam imunes lá em cima, usufruindo dos benefícios lícitos que o cargo lhes dá ou dos ilícitos tirados especialmente dos mais necessitados. Necessitados que esses homens e mulheres públicos tanto diriam defender.

“Não” à corrupção
Passando ao Brasil, em especial, devemos dizer que o momento é grave e requer o despertar e o aliar-se de todas as forças vivas da Nação, a fim de, juntos, dizermos um forte e rotundo “Não” à corrupção, venha ela de quem vier e de que esfera ou natureza for. Não se podem sacrificar os valores éticos e morais, nem se podem espezinhar os benefícios ao povo sofrido como saúde, moradia, educação, saneamento básico. Afinal, sempre é o povo humilde o mais atingido em meio a esse turbilhão de coisas, que desde algum tempo vem se abatendo sobre o Brasil.
Essas mesmas forças vivas da Nação precisam dizem “Sim” à união de todos os homens e mulheres, independentemente de seu time de futebol, da sua cor de pele, da sua condição social ou de quaisquer outras pequenas diferenças acidentais, a fim de que o mal seja combatido com seriedade, dentro da lei e da ordem e, sobretudo, sem ódio ou revolta contra quem quer que seja, nem luta entre classes. Somos todos irmãos em Cristo Jesus!
É hora de mantermos a unidade nacional, a fim de, unidos, vermos o triunfo do bem nesta Terra de Santa Cruz. Portanto, irmãos e irmãs, que todos nós – católicos, cristãos ou homens e mulheres de boa vontade em geral – apoiemos a melhoria desta grande Nação brasileira de modo firme, mas, ao mesmo tempo, cordato e pacífico, sem ódio ou incitações a revoltas. Já temos violência demais! E, assim, Deus nos abençoará com as mais copiosas graças celestiais.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, mãe de Jesus, o príncipe da Paz, e também nossa mãe (cf. Jo 19, 25-27), dado que somos filhos no Filho (cf. Gl 4, 5), intercederá sempre por nós, sobretudo nesta hora decisiva ao povo brasileiro. Amém!
*Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

 

A política partidária no Brasil instalou o caos na sociedade
Sexta-feira, 18 de março de 2016
A política partidária no Brasil configura-se como um devastador desastre humano

“A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo…”. Assim começa a narração do Livro do Gênesis, permitindo uma analogia com o atual momento político do Brasil. A política partidária instalou incontestavelmente o caos na sociedade. Está perdida a capacidade para o diálogo que gera consensos e entendimentos. Não paira, absolutamente, o Espírito de Deus no mundo da política. É uma escuridão que fomenta o caos – um “salve-se quem puder” que passa por cima do bem comum como um trator. Não há esperança de que a política partidária consiga, rapidamente, oferecer contribuições para os rumos da nação. A lista de desmandos, escolhas absurdas, interesseiras e manipulações é interminável. Comenta-se, em muitas esferas da sociedade, sobre a expectativa do surgimento de um líder político capaz de gerar agregação e apontar novas direções. Isso parece ser difícil de ocorrer, justamente pelo atual cenário vivido pela política partidária. Quem seria capaz, agora, de reverter essa difícil situação? O mundo da política partidária no Brasil configura-se como um devastador desastre humano à semelhança das incidências horrendas que ferem o meio ambiente.
A deterioração da esfera política e o tratamento inadequado das questões ambientais se desenvolvem a partir da mesma raiz. Aqui vale relembrar as palavras do Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, quando se refere à nova idolatria do dinheiro. O caos vem dessa idolatria. É inexistente a nobreza de fazer política pelo bem comum, com o objetivo de ajudar a nação a alcançar patamares de civilidade e de funcionamentos que promovam, sem populismos, os seus cidadãos. A falta dessa nobreza é resultado de carência na formação humanística que ilumina intuições, capacita para o bem, muito acima do interesse de enriquecimentos ilícitos. O Papa Francisco afirma que “uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o dinheiro porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e nossas sociedades”. Essa verdade explica os desajustes no tecido da cultura, que delineia a identidade da sociedade e influencia suas direções.

Onde está a base do caos instalado na sociedade?
O Papa Francisco oferece a chave de interpretação desse caos instalado que produz, por exemplo, a crise financeira que pesa sobre os ombros de todos. A base da desordem é a negação da primazia do ser humano. Esse colapso antropológico tem muitas feições. Descompassa relações, articulações de grupos e segmentos na sustentação de uma sociedade que deve se mover no horizonte da justiça e da solidariedade. É triste constatar o que ocorre na política partidária. O desejo de ocupar cargos públicos não vem acompanhado do sentido cidadão mais profundo de ajudar decisivamente na construção de uma sociedade solidária e justa. Trata-se de interesse doentio pelo dinheiro, para alimentar ilusórias sensações de poder e segurança. Uma ambição que produz essa economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano.
Ora, a idolatria do dinheiro é perigosa, gera ilusões e desgasta o mais nobre sentido da política, que é promover o bem comum. Essa idolatria é tão terrível que faz crescer, de modo generalizado, a sensação de que não há mais tempo para fazer o que é necessário. Isto fica explícito nas muitas lamentações e ladainhas exaustivamente propaladas. O interesse mesmo é ganhar sempre mais, produzir menos. Nada de sacrifícios e esforços para alcançar o bem de todos. Uma luz precisa brilhar para iluminar essas trevas. E de onde ela pode vir? Em primeiro lugar, da corresponsabilidade e seriedade cidadã de cada indivíduo. Sistemicamente, essa luz pode e precisa brilhar com o fortalecimento, em seriedade e audácia, dos diferentes segmentos da sociedade – empresarial, religioso, judiciário, acadêmico e intelectual, artístico e outros mais. Cada setor, pela seriedade e honestidade, tem o dever de dissipar as trevas que preenchem o abismo onde está inserida a sociedade brasileira. Que venha de todas as pessoas e grupos, pelo compromisso com o bem, a justiça e a verdade, essa a luz que tem a força para resgatar o país do caos.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália). http://www.arquidiocesebh.org.br

 

Homilia: Papa condena “cristianismo como costume social”

Sexta-feira, 5 de outubro de 2018, Da redação com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/papa/homilia-papa-condena-cristianismo-como-costume-social/

Em homilia da Missa na Casa Santa Marta, Papa Francisco falou sobre a hipocrisia dos justos

Papa Francisco, na missa desta manhã, na Casa Santa Marta./ Foto: VaticanMedia

Na homilia da missa na Casa Santa Marta nesta sexta-feira, 05, o Papa convidou os fiéis a refletirem sobre a hipocrisia dos justos, que vivem o cristianismo social:

“Nós que nascemos numa sociedade cristã, corremos o risco de viver o cristianismo ‘como um costume social’, formalmente, com a ‘hipocrisia dos justos’, que têm medo de deixar-se amar.”

O Papa convidou a todos a um exame de consciência, comentando o Evangelho de São Lucas e a advertência de Jesus aos habitantes de Betsaida, Corazim e Cafarnaum, que não acreditaram nele não obstante os milagres.

Jesus “está triste por ter sido rejeitado”, explicou Francisco, enquanto cidades pagãs como Tiro e Sidônia, vendo os seus milagres “com certeza teriam acreditado”. E chora, “porque essas pessoas não foram capaz de amar”, enquanto Ele “queria chegar a todos os corações com uma mensagem que não era uma mensagem ditatorial, mas era uma mensagem de amor”.

Cristianismo formal

Vamos nos colocar no lugar dos habitantes das três cidades, prosseguiu o Papa. “Eu que recebi muito do Senhor, nasci numa sociedade cristã, conheci Jesus Cristo, conheci a salvação”, fui educado à fé. E com muita facilidade me esqueço de Jesus. Depois, ao invés, “ouvimos notícias de outras pessoas que ouviram o anúncio de Jesus, se convertem e o seguem”. Mas nós, comentou o Pontífice, estamos “acostumados”.

E esta é uma atitude que nos faz mal, porque reduzimos o Evangelho a um fato social, sociológico, e não a uma relação pessoal com Jesus. Jesus fala a mim, fala a você, fala a cada um de nós. A pregação de Jesus é para cada um de nós. Como é possível que aqueles pagãos, que ao ouvirem a pregação de Jesus o seguem, e eu, que nasci aqui, numa sociedade cristã, me acostumo, e o cristianismo é como se fosse um costume social, uma veste que visto e depois a deixo? E Jesus chora sobre cada um de nós quando nós vivemos o cristianismo formalmente, não realmente.

Hipocrisia dos justos

Se agimos assim, esclareceu Francisco, somos um pouco hipócritas, com a hipocrisia dos justos.

“Há a hipocrisia dos pecadores, mas a hipocrisia dos justos é o medo ao amor de Jesus, o medo de deixar-se amar. E, na realidade, quando nós fazemos isso, nós tentamos administrar a relação com Jesus. ‘Sim, eu vou à Missa, mas você fique na Igreja que eu depois vou para casa’. E Jesus não volta conosco para casa: na família, na educação dos filhos, na escola, no bairro…”

Exame de consciência

E assim Jesus permanece lá na Igreja, comentou Francisco, “ou permanece no crucifixo ou na imagem”.

Hoje pode ser para nós um dia de exame de consciência, com este refrão: “Ai de ti, ai de ti”, porque eu dei muito, dei a mim mesmo, escolhi você para ser cristão, ser cristã, e você prefere uma vida pela metade, uma vida superficial: um pouco sim de cristianismo e água benta, mas nada mais. Na realidade, quando se vive esta hipocrisia cristã, o que nós fazemos é expulsar Jesus do nosso coração. Fazemos de conta tê-lo conosco, mas o expulsamos. “Somos cristãos, orgulhosos de sermos cristãos”, mas vivemos como pagãos.

Cada um de nós, concluiu o Papa, deve pensar: “Sou Corazim? Sou Betsaida? Sou Cafarnaum?”. E se Jesus chora, pedir a graça de chorar também nós. Com esta oração: “O Senhor me deu muito. O meu coração é tão duro que não O deixa entrar. Pequei de ingratidão, sou um ingrato, sou uma ingrata”. “E peçamos ao Espírito Santo que nos escancare as portas do coração, de modo que Jesus possa entrar e não só ouçamos Jesus, mas ouçamos a sua mensagem de salvação e “assim demos graças por tantas coisas boas que Ele fez por cada um de nós”.

Existem homens e mulheres criados para a política

Compreenda:

Quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Deus deu a alguns homens e mulheres os dons e as características necessárias para ocuparem cargos públicos.

No mês de agosto, a Igreja dedica um olhar especial às vocações. Entre as tantas vocações para as quais o Senhor convoca Seus filhos a servir, encontramos uma que sofre grandes golpes em nossa atualidade: a vocação à política. Talvez, soe como novidade para alguns encarar esse ramo como uma vocação, mas para a Igreja ela é real, tanto que, em suas orações litúrgicas, encontramos várias vezes a intercessão pelas autoridades e pelos governos.

O termo “política” denomina arte ou ciência de organização; muito mais que isso, o Papa Paulo VI afirmou que “a política é uma forma sublime do exercício da caridade”. Se observarmos, em todos os tempos, Deus suscitou homens para guiar Seu povo. Foi assim ao escolher Moisés, Elias, Eliseu, Samuel, Saul, Davi… Enfim, em cada etapa que o povo de Deus se encontra, detectamos um líder, e por que não dizer, um político.

Claro que podemos encontrar diversas características que podem divergir na ideia de se comparar líderes do povo de Deus aos políticos da atualidade. Mas, ao fazermos tal comparação, podemos observar que o Senhor dá a alguns homens os dons e as características necessárias para organizar, dar diretrizes e criar normas para que os direitos de cada pessoa sejam atendidos e para que também os deveres sejam realizados. A partir disso, compreendemos o que Paulo VI disse ao ligar a vocação do político à virtude da caridade, ou seja, seu papel está em servir e não em ser servido.

No Evangelho de João 6,5-12, Jesus pergunta a Filipe: “Onde vamos comprar pão para que estes possam comer?”. Vemos, então, que o discípulo fica perdido, pois não sabe a solução para o problema. Como ele, pobre e sem alimento até mesmo para si, poderia alimentar aquela multidão? O Evangelho relata que Jesus disse isso para testar Filipe, pois Ele sabia muito bem o que ia fazer.

Esse Evangelho expressa a vocação do cristão: viver a caridade. A política constrói o cenário ideal para que esse Evangelho possa ser praticado. O desejo de Deus é que os líderes das nações tenham um espírito cheio de amor e compaixão pelo povo, de maneira especial pelos mais pobres, e que tragam o coração inclinado para a renúncia, prática sem a qual não conseguiriam viver com plenitude o papel que lhes cabe.

O que Deus espera de Seus líderes, comparado ao que vemos nos governos de hoje em nosso país, nos leva a perceber que nem sempre esse papel é bem exercido. Se existem pessoas portadoras de dons e características dadas pelo próprio Deus para exercer em tais funções, o que há de errado com esses cargos?

Podemos encontrar na frase do Papa Pio XII uma boa resposta: “Onde faltam homens honestos, outros vêm ocupar-lhes o lugar para fazer da atividade política arena das suas ambições, uma corrida aos ganhos próprios e de sua classe”. Vemos hoje uma política suja e vendida aos que corrompem e desonram o cargo que ocupam. Não são em sua totalidade, mas é notável a carência de opções na hora de escolher um candidato para ocupar um cargo público. Torna-se inaceitável que nós cristãos possamos escolher para o governo pessoas que discursam contra os princípios fundamentais da vida humana deixados por Cristo.

Papa Pio XII deixa claro, em sua frase, que há a necessidade de pessoas comprometidas com o Evangelho engajadas na política. Precisamos de representantes tementes a Deus, que possam se colocar a serviço do povo, com desejo de agradar ao Senhor. Também precisamos de eleitores que, na hora de escolher um candidato, sejam atentos e conscientes, pois um homem que não é movido pelo Espírito de Deus não tem a capacidade de conduzir uma nação para uma verdadeira caridade.

A omissão dos bons ocasionou o domínio dos corruptos. Os homens confiantes em Deus poderão levar para o meio do povo o milagre feito por Jesus.

Quem aí tem cinco pães e dois peixinhos para ofertar?

Paulo Pereira
José Paulo Neves Pereira nasceu em Nossa Senhora do Livramento (BA). É missionário da Comunidade Canção Nova e atua no setor de Novas Tecnologias da TVCN. Twitter: @paulopereiraCN

Entenda a responsabilidade do cristão no processo eleitoral

Sexta-feira, 29 de agosto de 2014, Luciane Marins e Kelen Galvan

Além de se preparar para escolher o candidato, o cristão deve fiscalizar e acompanhar o candidato eleito

Há pouco mais de um mês para as eleições de outubro, o Canção Nova em Foco destaca a responsabilidade do cristão no processo eleitoral.

Na mensagem lançada em maio pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a respeito das próximas eleições, os bispos apontam que os meses que antecedem as eleições constituem um momento privilegiado para refletir sobre situações injustas que acontecem no País.

Padre Wesley Macedo, coordenador do setor comunicação da Arquidiocese de Brasília, explica que a Igreja não tem opção político-partidária e nem orienta em que candidato o fiel deve votar, mas sim, indica os critérios que devem ser observados para a escolha de um candidato.

“A Igreja se preocupa com o bem comum, a busca da verdade, da solidariedade, essa participação na vida pública, mas não faz nenhuma opção direta por nenhuma ideologia”, reforça.

Olhar para a vida do candidato, observar o que ele fez e o que deixou de fazer, se tem ficha limpa, analisar se ele defende o bem comum, a vida, a família e avaliar suas propostas de governo, são alguns dos critérios que devem ser observados, segundo padre Wesley.

Em unidade com a CNBB, a Arquidiocese de Brasília, também lançou orientações pastorais para essa eleição. Diante da reflexão apresentada pela Arquidiocese, padre Wesley destaca justamente os critérios para a atuação política.

“Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de Brasília, de modo muito claro colocou cinco pontos interessantes para a gente se orientar,” afirma o padre.

São eles:
1º- Comportamento ético do candidato;
2º- Voto não é mercadoria, não pode ser trocado, vendido ou comprado;
3º- O bem comum, que deve estar acima dos interesses particulares ou de grupos partidários;
4º- Os candidatos e suas propostas devem defender e promover a vida;
5º- Além do respeito ao eleitor, é necessário o respeito mútuo entre os candidatos.

Compromisso cidadão

Às vésperas das eleições nacionais e estaduais (municipais) é oportuno ecoar o sentido e o alcance da ida às urnas como compromisso cidadão. Trata-se de um dever com determinante importância nos rumos dos municípios no próximo quadriênio. Um tempo que não é longo, mas, se for perdido, por incompetências ou por falta de envergadura moral, contabiliza prejuízos que se desdobram durante décadas.

Não se pode arriscar entregando governos municipais e responsabilidades de vereança a quem carece de competências para fazer avançar cada um dos municípios. A campanha eleitoral foi oportunidade para todos acompanharem as propostas, os programas de governo e os compromissos. Sabe-se, contudo, que o acompanhamento da campanha eleitoral, especialmente pelos meios de comunicação, embora muito importante, não tem a força necessária para o adequado discernimento nas escolhas dos candidatos.

Muitos eleitores estão indecisos, outros já planejam votar em determinado candidato, mas ainda há tempo de confrontar suas escolhas a partir de critérios éticos. Ressalvada a sua importância, o ideário partidário não é suficiente para decidir em quem votar. Na verdade, às vésperas das eleições, cessada a campanha eleitoral, por dispositivo legal e controle das instâncias competentes, é importante deixar ecoar os critérios éticos e morais para balizar escolhas adequadas. Já não é mais, portanto, campanha eleitoral, mas o início daquela etapa em que o eleitor é chamado a recolher-se no mais recôndito de sua consciência.

Nesse exercício, o cidadão deve sopesar critérios éticos e morais, necessidades e competências, além de avaliar, no seu município, o que está em andamento, o que é necessário e urgente, para escolher bons candidatos. O voto secreto, além do respeito à liberdade e autonomia de cada pessoa na sua escolha, é também referência ao confidencial da consciência, que precisa ser iluminada suficientemente para não se escolher por razões frágeis. No horizonte, deve sempre estar a importância do compromisso cidadão, sua repercussão na vida da sociedade e de cada pessoa.

Esse momento tem, portanto, grande importância no fortalecimento da democracia brasileira, e incidência determinante na vida cotidiana. Não se pode entregar a responsabilidade de governar a quem não consegue corresponder às exigências próprias dessa missão. É preciso escolher aqueles que estão verdadeiramente comprometidos com a tarefa de construir uma sociedade mais justa. O executivo municipal tem que ser caracterizado pela rapidez nos encaminhamentos e respostas e não por discursos repetitivos, retóricos e estéreis. Deve buscar, criativamente, o uso de recursos, parcerias e projetos que debelem atrasos históricos na solução de questões habitacionais, educacionais, saúde, transportes e outras. Também não se pode arriscar na formação de uma câmara municipal que burocratiza, emperra processos ou funcione na estreiteza das dinâmicas cartoriais.

Mais importante do que o partidário é considerar a força da ética e da moral no processo eletivo. É indispensável avaliar a condição moral de cada candidato. Não é por simples moralismo. Ora, sem autoridade moral a competência pode resvalar em direções contrárias ao bem comum. A autoridade a ser exercida num cargo político também não pode ancorar-se apenas na competência técnica. Mais importante é deixar-se guiar pela ordenação moral. Uma ordem que é sustentadora e tem a força para promover o desenvolvimento de competências técnicas e fidelidades partidárias.

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em nota, sublinha que “o político deve cumprir seu mandato, no Executivo ou no Legislativo, para todos, independentemente das opções ideológicas e partidárias.” Incentiva, também, “a sociedade organizada e cada eleitor em particular, passadas as eleições, a acompanharem a gestão dos eleitos, mantendo o controle social sobre seus mandatos e cobrando deles o cumprimento das propostas apresentadas durante a campanha. Quanto mais se intensifica a participação popular na gestão pública, tanto mais se assegura a construção de uma sociedade democrática.” As eleições são uma festa da democracia. Que esta festa seja vivida com a mais lúcida consciência deste compromisso cidadão, construindo um tempo mais promissor nas cidades.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

O GRAVE DEVER DE INFORMAR

“Quem luta na causa pró-vida tem um tríplice dever: o primeiro é informar; o segundo é informar; o terceiro é seguir informando” (Dr. Humberto Leal Vieira, presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e membro da Pontifícia Academia para a Vida).

A vitória do Partido dos Trabalhadores (PT) nestas eleições deveu-se, em grande parte, à desinformação do eleitorado. Faltou, por parte da hierarquia da Igreja no Brasil, uma informação clara aos leigos sobre quais partidos são, por sua própria natureza, incompatíveis com a Doutrina Cristã. Para demonstrar a incompatibilidade do PT com o Cristianismo, não seria necessário elencar o que fez o Partido ao longo dos anos em prejuízo da família e da vida humana.

Bastaria citar o artigo primeiro de seu estatuto e compará-lo com a Doutrina Social da Igreja: Art. 1º: O Partido dos Trabalhadores (PT) é uma associação voluntária de cidadãs e cidadãos que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático (Estatuto do PT, aprovado pelo Diretório Nacional em 11/3/2001).

Ora, o socialismo foi inúmeras vezes condenado pelas Encíclicas Sociais, desde a Rerum Rovarum (1891) de Leão XIII até a Centesimus Annus (1991) de João Paulo II. “E se o socialismo estiver realmente tão moderado, no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que já não mereça nisso a mínima censura? Terá renunciado por isso à sua natureza essencialmente anticristã?” (Quadragesimo Anno, n. 117). Quem faz esta pergunta é o Papa Pio XI, em 1931. Na mesma encíclica ele responde: “O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos, não pode conciliar-se com a doutrina católica; pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã” (Idem). “Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Idem, n. 119).

Para não deixar dúvida quanto à validade desta afirmação, o Pontífice acrescentou: “Estas doutrinas (…) nós de novo com a suprema autoridade solenemente declaramos e confirmamos” (Idem, n. 120). Em 1961 o Papa João XXIII citaria e confirmaria o que disse seu predecessor: “Entre comunismo e cristianismo, o Pontífice [Pio XI] declara novamente que a oposição é radical. E acrescenta não poder admitir-se de maneira alguma que os católicos adiram ao socialismo moderado” (Mater et Magistra, n. 31).

A aplicação destes princípios perenes à realidade brasileira levaria o Episcopado a instruir os eleitores católicos que, por coerência com seu compromisso batismal, não poderiam votar em partidos que se declaram comunistas ou socialistas. São eles:

1) o Partido dos Trabalhadores (PT);

2) o Partido Comunista Brasileiro (PCB);

3) o Partido Popular Socialista (PPS), sucessor do PCB;

4) o Partido Comunista do Brasil (PC do B);

5) o Partido da Causa Operária (PCO);

6) o Partido Democrático Trabalhista (PDT);

7) o Partido da Mobilização Nacional (PMN);

8) o Partido Socialista Brasileiro (PSB);

9) o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU);

10) o Partido Verde (PV), que não se declara socialista, mas em seu Programa defende o homossexualismo e a legalização do aborto. São metas do Partido: “4.1.i) defender a liberdade sexual, no direito do cidadão dispor do seu próprio corpo e na noção de que qualquer maneira de amor é valida e respeitável; 7.1.g) legalização da interrupção voluntária da gravidez com um esforço permanente para redução cada vez maior da sua prática através de uma campanha educativa de mulheres e homens para evitar a gravidez indesejada”;

11) o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

O dever de informar é grave. Daqui a dois anos, deverá haver eleições para prefeito e vereador. Muitos dos candidatos serão pessoas que só agora estão pensando em filiar-se a um partido político, e não sabem qual escolher. É muito comum que um brasileiro assine a carta de filiação sem ter lido o Estatuto ou o Programa do Partido.

Quando chegarem as eleições municipais, saberão, tarde demais, que se filiaram ao Partido errado. Na tarefa de informar, não devemos ficar passivos, esperando providências vindas “de cima”. Se sou leigo, não devo esperar por uma iniciativa do pároco para informar aos meus colegas paroquianos em que partidos um cristão não pode votar e aos quais não pode filiar-se. Se sou pároco, não devo esperar que o Bispo de minha diocese escreva uma carta pastoral sobre o assunto. Eu mesmo posso dar aos fiéis de minha paróquia a lista dos partidos “não votáveis” e “não filiáveis”. Se sou Bispo, não devo esperar uma declaração solene da Conferência Episcopal.

Em minha própria diocese, posso e devo instruir minhas ovelhas. Se cada um fizer o que está a seu alcance, Deus proverá o restante. Nossa omissão terá conseqüências graves. Dentro de dois anos, poderemos assistir novamente ao triste espetáculo de uma nação católica votar maciçamente em um partido socialista. Deus se apiede de nós.

Anápolis, 10 de novembro de 2002.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, Presidente do Pró-Vida de Anápolis.

 

LIBELO SILOGÍSTICO CONTRA A PARTICIPAÇÃO DE CATÓLICOS NO PARTIDO DOS TRABALHADORES E, POR ANALOGIA, EM OUTRAS INSTITUIÇÕES DE ESQUERDA ou MOTIVOS PELOS QUAIS UM CATÓLICO NÃO PODE VOTAR NO PT!
Dr. Rafael Vitola Brodbeck advogado, escritor e pensador católico 

Exposição de Motivos
– Considerando a gravíssima ignorância que reina em nosso país quanto às ideologias totalitárias e anticristãs e o que elas propõem como modelo nos terrenos da economia, da política, da história, do direito, da moral e do comportamento;
– Considerando que as organizações de esquerda, em decorrência de estarmos em uma etapa avançada do processo revolucionário, hoje se apresentam com uma capa de democracia, mudaram pontos acidentais em seu discurso e, assim aparentemente domesticadas, atraem a simpatia dos incautos;
– Considerando a infiltração de tendências marxistas em ambientes católicos desde principalmente os anos 1960 e 1970, causando grande confusão entre os fiéis, que não mais conhecem o pensamento social e político da Igreja e a condenação pontifícia quanto aos partidos socialistas ou proto-socialistas;
– Considerando que as heresias e os erros teológicos, sobretudo por ocasião da crise pós-conciliar, penetraram de tal forma em instituições formativas do clero e do laicato, impedindo que muitos sacerdotes, até mesmo bem-intencionados, possuam uma adequada consciência anticomunista e uma posição firme de defesa da doutrina tradicional da Igreja, com esse relativismo tão pernicioso tendo por uma de suas funestas conseqüências a falta de unidade no rebanho católico e mesmo entre alguns Bispos;
– Considerando o crescimento do Partido dos Trabalhadores, com sua fantástica ascensão às mais alta magistratura do país, e sua influência em não poucos católicos através da Teologia da Libertação, infindáveis vezes rejeitada pela Santa Sé, totalmente incompatível com a doutrina católica tal como preservada e ensinada pelo Papa e pela Tradição;
– Considerando o riquíssimo conteúdo da Doutrina Social da Igreja, ignorado pela maioria dos fiéis e mesmo por setores do clero, a qual se opõe frontalmente aos postulados socialistas, comunistas, esquerdistas, petistas etc;
– Considerando que essa mesma Doutrina Social é, por vezes, transmitida de maneira truncada, quer por ignorância quer por má-fé, como se o Papa e a Igreja Católica fosse favoráveis ao PT e suas aspirações político-filosóficas;
– Considerando que o socialismo, mais do que uma doutrina política, é toda uma forma de ver o mundo e o homem, e que, por isso, tratar desse assunto é tarefa que interessa sobremaneira à Igreja Católica, chamada a evangelizar esse mesmo homem e a reconciliar com Deus o mesmo: Iremos propor, nesse despretensioso trabalho, as razões da ilicitude de qualquer forma de participação do católico nas fileiras do Partido dos Trabalhadores e, como diz o título, também em outros movimentos ou grupos que sustentem, em maior ou menor grau, a mesma ideologia. Que ele desfaça as eventuais confusões, converta os que estão no erro, reafirme a posição dos que se mantêm inabaláveis na defesa da doutrina católica em comunhão com o Papa, e afaste todas as dúvidas dos que, sem culpa, foram atraídos para setores e doutrinas socialistas. Dedicamos esse artigo à Santíssima Virgem de Guadalupe, Padroeira da América Latina, para que ela, Mãe de Deus e nossa, abençoe seus filhos tão ameaçados pelas experiências comunistas no continente a ela consagrado. Rogamos também a intercessão dos mártires que morreram sob a opressão da Revolução Cubana de Fidel Castro e Che Guevara, e dos guerreiros cristeros do México, que combateram os inimigos da Realeza de Cristo no campo temporal.

Silogismo que guiará nossa argumentação
Chamamos silogismo ao raciocínio lógico, ordenado e concatenado, no qual de duas premissas se extrai uma conclusão. Iremos expor um silogismo, explicitá-lo por pontos, e, a seguir, comentaremos a conclusão a que chegarmos. Ei-lo: Premissa maior: A Igreja condenou o socialismo. Premissa menor: Ora, o PT é socialista. Conclusão: Logo, o PT deve ser rejeitado por quem se considera fiel à Igreja. Se alguém pretender refutar o conteúdo de nossa argumentação, as três únicas maneiras possíveis de fazê-lo são:
a) provar que a premissa maior está errada; ou
b) provar que a premissa menor está errada; ou ainda
c) provar que há algum erro lógico na conclusão a partir das mesmas.
De qualquer modo, a refutação do silogismo dar-se-á sustentando que o mesmo é falso, revestindo-se de aparente lógica apenas, sendo, portanto, um sofisma ou uma falácia. Não procedendo do modo explicado, qualquer tentativa de contestação do presente libelo será fracassada, provando-se mera tergiversação, manobra notadamente diversionista, que não ataca o fulcro da questão.

Explicitação das premissas
1. A Igreja condenou o socialismo
a) citações do Magistério Pontifício que comprovam a rejeição da Igreja às doutrinas comunistas e socialistas: “O comunismo é intrinsecamente mau, e não se pode admitir, em campo algum, a colaboração recíproca, por parte de quem quer que pretenda salvar a Civilização Cristã” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937). “E se o socialismo estiver tão moderado no tocante à luta de classes e à propriedade particular, que já não mereça nisto a mínima censura? Terá renunciado por isso à sua natureza essencialmente anticristã? (…) O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico ou como “ação”, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça (…) não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã. (…) Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931). “A Igreja tem rejeitado as ideologias totalitárias e atéias associadas, nos tempos modernos, ao “comunismo” ou ao “socialismo”. Além disso, na prática do “capitalismo”, ela recusou o individualismo e o primado absoluto da lei do mercado sobre o trabalho humano” (Catecismo da Igreja Católica, 2425). Sobre o comunismo e o socialismo: “Estas pestes, muitas vezes, e com palavras gravíssimas, foram reprovadas na Encíclica Qui Pluribus, de 09 de novembro de 1846; na Alocução Quibus Quantisque, de 20 de abril de 1849; na Encíclica Noscitis et Nobiscum, de 8 de dezembro de 1849; na Alocução Singulari Quadam, de 9 de dezembro de 1854; na Encíclica Quanto Conficiamur Moerore, de 10 de agosto de 1863” (Sua Santidade, o Papa Beato Pio IX. Syllabus, § IV). “Não ajudar o socialismo – Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Quod Apostolici Muneris, de 1878, 34). Falando do capitalismo “selvagem”, o Papa João Paulo II, com a clareza que lhe é peculiar, reafirma a doutrina da Igreja sobre o tema: “Nesta luta contra tal sistema não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que, de fato, não passa de um capitalismo de Estado, mas uma sociedade do trabalho livre, da empresa e da participação” (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Centesimus Annus, de 1º de maio de 1991, 35). O grau de solenidade da rejeição do socialismo e do comunismo é explicitado pelo Papa: “Estas doutrinas, que nós de novo com a nossa suprema autoridade solenemente declaramos e confirmamos (…). “(Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931).

b) principais razões da condenação da Igreja ao socialismo:
* o socialismo prega o igualitarismo, a supressão da sociedade de classes, ou, em suas formas mais moderadas, ao menos a atenuação desse modelo social, o que contraria a doutrina social da Igreja, que, longe de defender desigualdades injustas e iníquas, sustenta a desigualdade harmônica: “A igualdade entre os homens diz respeito essencialmente à sua dignidade pessoal e aos direitos que daí decorrer. (…) Quando nasce, o homem não dispõe de tudo aquilo que é necessário ao desenvolvimento de sua vida corporal e espiritual. Precisa dos outros. Aparecem diferenças ligadas à idade, às capacidades físicas, às aptidões intelectuais ou morais, aos intercâmbios de que cada um pôde ser beneficiar, à distribuição das riquezas. Os “talentos” não são distribuídos de maneira igual. Essas diferenças pertencem ao plano de Deus; Ele quer que cada um receba do outro aquilo que precisa e que os que dispõem de “talentos” específicos comuniquem seus benefícios aos que dele precisam. As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha (…)” (Catecismo da Igreja Católica, 1935-1937). “Segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais todos, unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no céu e o seu bem-estar moral e material na terra” (Sua Santidade, o Papa São Pio X. Motu Próprio Fin dalla Prima, de 18 de dezembro de 1903). “A Igreja, pregando aos homens que eles são todos filhos do mesmo Pai celeste, reconhece como uma condição providencial da sociedade humana a distinção das classes; por esta razão ela ensina que apenas o respeito recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão o segredo do justo equilíbrio, do bem estar honesto, da verdadeira paz e prosperidade dos povos. (…) Mais uma vez o declaramos: o remédio para esses males [da sociedade] não será jamais a igualdade subversiva das ordens sociais” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Alocução ao Patriciado e à Nobreza Romana, em 24 de janeiro de 1903). “Se [Cristo] chamou junto de si, para os consolar, os aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade quimérica” (Sua Santidade, o Papa São Pio X. Encíclica Notre Charge Apostolique, 38). “Não é verdade que na sociedade civil todos tenhamos direitos iguais, e que não exista hierarquia legítima” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937). “Pois bem, os irmãos não nascem nem permanecem todos iguais: uns são fortes, outros débeis; uns inteligentes, outros incapazes; talvez algum seja anormal, e também pode acontecer que se torne indigno. É, pois inevitável uma certa desigualdade material, intelectual, moral, numa mês família. (…) Pretender a igualdade absoluta de todos seria o mesmo que pretender idênticas funções a membros diversos do mesmo organismo” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Discurso aos fiéis da Paróquia de São Marciano, em 04 de abril de 1953). * o socialismo é contrário à propriedade privada, pregando o coletivismo, seja, em sua vertente radical, pela total supressão da mesma nos meios de produção (e até nos de consumo, em alguns casos), seja, nos modelos moderados, sensivelmente diminuída (limitação da propriedade, ao seu exercício etc), ao passo em que a Igreja a defende como direito natural do homem; por ser igualitário, condena a propriedade privada e defende o coletivismo, onde tudo é de todos, o que é rejeitado pelo Decálogo e pela Doutrina Social da Igreja: “Fique bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer para todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo é a inviolabilidade da propriedade particular” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Rerum Novarum, de 1º de maio de 1891). “O direito de propriedade privada, mesmo em relação a bens empregados na produção, vale para todos os tempos. Pois depende da própria natureza das coisas” (Sua Santidade, o Papa João XXIII. Encíclica Mater et Magistra, de 15 de maio de 1961). “A propriedade particular não seja esgotada por um excesso de encargos e impostos. Não é das leis humanas, mas da natureza que emana o direito de propriedade individual; a autoridade pública (…) obra contra a justiça e contra a humanidade quando, sob o nome de impostos, sobrecarrega desmedidamente os bens dos particulares” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Rerum Novarum, de 1º de maio de 1891). “Rejeitar ou atenuar o direito de propriedade privada ou individual leva rapidamente ao coletivismo, ou pelo menos à necessidade de admitir-lhe os princípios” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931). “É alheio à verdade dizer que se extingue ou se perde o direito de propriedade com o não uso ou abuso dele” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931). Alguns distorcem o conceito da função social da propriedade, sobretudo a agrária, para tentar uma reforma rural de moldes confiscatórios. O dito acima rejeita tais pretensões. “O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente os bens do próximo ou lesá-lo, de qualquer modo, nos mesmos bens. Prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrestres e dos frutos do trabalho dos homens. Exige, em vista do bem comum, o respeito à destinação universal dos bens e ao direito de propriedade privada. A vida cristã procura ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo.

I. A destinação universal e a propriedade privada dos bens
No começo, Deus confiou a terra e seus recursos à administração comum da humanidade, para que cuidasse dela, a dominasse por seu trabalho e dela desfrutasse. Os bens da criação são destinados a todo o gênero humano. A terra está, contudo, repartida entre os homens para garantir a segurança de sua vida, exposta à penúria e ameaçada pela violência. A apropriação dos bens é legítima para garantir a liberdade e a dignidade das pessoas, para ajudar cada um a prover suas necessidades fundamentais e as daqueles de quem está encarregado. Deve também permitir que se manifeste uma solidariedade natural entre os homens. O direito à propriedade privada, adquirida ou recebida de modo justo, não abole a doação original da terra ao conjunto da humanidade. A destinação universal dos bens continua primordial, mesmo se a promoção do bem comum exige o respeito pela propriedade privada, pelo respeito direito e exercício. “Usando aqueles bens, o homem que possui legitimamente as coisas materiais não as deve ter só como próprias dele, mas também como comuns, no sentido de que elas possam ser úteis não somente a ele, mas também aos outros”. A propriedade de um bem faz de seu detentor um administrador da Providência, para fazê-los frutificar e para repartir os benefícios dessa administração a outros, a seus parentes, em primeiro lugar. Os bens de produção – materiais ou imateriais -, como terras ou fábricas, competências ou profissões, requerem os cuidados de quem os possui para que sua fecundidade aproveite ao maior número possível. Os detentores os bens de uso e de consumo devem usá-los com moderação, reservando a melhor parte ao hóspede, ao doente e ao pobre. A autoridade política tem o direito e o dever de regulamentar, em função do bem comum, o exercício legítimo do direito de propriedade” (Catecismo da Igreja Católica, 2401-2406). “Os sectários do socialismo, apresentando o direito de propriedade como uma invenção humana que repugna à igualdade natural dos homens, e reclamando o comunismo dos bens, declaram que é impossível suportar com paciência a pobreza e que as propriedades e regalias dos ricos podem ser violadas impunemente. Mas a Igreja, que reconhece muito mais útil e sabiamente que existe a desigualdade entre os homens, naturalmente diferentes nas forças do corpo e do espírito, e que esta desigualdade também existe na propriedade dos bens, determina que o direito de propriedade ou domínio, que vem da própria natureza, fique intacto e inviolável para cada um” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Quod Apostolici Muneris, de 1878). “Não se oponha também à legitimidade da propriedade particular o fato de que Deus concedeu a terra a todo o gênero humano para a gozar, porque Deus não a concedeu aos homens para que a dominassem confusamente todos juntos. Tal não é o sentido dessa verdade. Ela significa, unicamente, que Deus não assinou uma parte a nenhum homem em particular, mas quis deixar a limitação das propriedades à indústria humana e às instituições dos povos. Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos, atendendo a que ninguém há entre os mortais que não se alimente do produto dos campos. Quem os não tem, supre-os pelo trabalho, de maneira que se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma arte lucrativa cuja remuneração, apenas, sai dos produtos múltiplos da terra, com os quais se ela comuta” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Rerum Novarum, de 1º de maio de 1891). Com tais afirmações, o Romano Pontífice fere de morte as alegações do Movimento Sem-Terra (MST), uma vez que não pelo fato de alguns não terem a propriedade rural que deixarão de trabalhar: podem fazê-lo na propriedade dos outros, como empregados; e mesmo os urbanos se beneficiam dos frutos da terra, comendo-os, comprando-os com o dinheiro que recebem por seus labores etc. “(…) a teoria socialista da propriedade coletiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles mesmos a que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos (…)” (Sua Santidade, o Papa Leão XIII. Encíclica Rerum Novarum, de 1º de maio de 1891). “A própria natureza exige a repartição dos bens em domínios particulares, precisamente a fim de poderem as coisas criadas servir ao bem comum de modo ordenado e constante. Este princípio deve ter continuamente diante dos olhos quem não quer se desviar da reta senda da verdade” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931).
* O socialismo tem uma visão deturpada da História, baseada na filosofia substancialmente dialética, a qual foi reiteradas vezes condenada pela Igreja, e que se expressa pela chamada “luta de classes”, sempre vendo os processos históricos como conflitos entre um pólo opressor (tese) e um oprimido (antítese), os quais produzem um resultado (síntese), que evoluirá para outro conflito revolucionário; essa filosofia é oposta aos postulados de Santo Tomás de Aquino e dos grandes Doutores da Igreja; a História no pensamento socialista é fundamentalmente materialista, e o ateísmo dessa doutrina não é mero acidente, senão ponto essencial de sua concepção de mundo;
* O socialismo cai, ainda, no erro filosófico do historicismo, condenado pelo Papa: O historicismo “consiste em estabelecer a verdade de uma filosofia sobre a base de sua adequação a um determinado período e um determinado objetivo histórico. Desse modo, ao menos implicitamente, se nega a validez perene da verdade. O que era numa época, sustenta o historicista, pode não ser verdade noutra” (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Fides et Ratio, de 14 de setembro de 1998, nº 87).
* O socialismo tem uma visão antropológica igualmente deturpada, avessa ao ensino da Igreja: “Aprofundando agora a reflexão delineada, e fazendo ainda referência ao que foi dito nas Encíclicas Laborem Exercens e Sollicitudo Rei Socialis, é preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem e do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção de pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. O homem, de fato, privado de algo que possa – dizer seu – e da possibilidade de ganhar com que viver por sua iniciativa, acaba por depender da máquina social e daqueles que a controlam, o que lhe torna muito mais difícil reconhecer a sua dignidade de pessoa e impede o caminho para a constituição de uma autêntica comunidade humana” (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Centesimus Annus, de 1o de maio de 1991, 13).
* A matriz filosófica do socialismo é a mesma do liberalismo/iluminismo, o que acarreta sua condenação, eis que o pensamento liberal também foi rejeitado pela Igreja; mesmo que alguns neguem, o socialismo, o comunismo, o nazismo, o fascismo, são filhos do liberalismo, pois tanto faz dizer que a verdade é criada pelo proletariado representado pelo Estado (socialismo e comunismo), pela raça pura comandada pelo Estado (nazismo), pela Nação dirigida pelo Estado (fascista), ou pela maioria democrática (liberalismo): todas essas hipóteses são contrárias à visão católica de que a verdade é absoluta, aferível pela razão humana e revelada por Deus; herdeiro do liberalismo – ainda que finja combatê-lo -, pesam contra o comunismo todos os erros daquele – falsa noção de liberdade, equivocado entendimento quanto às relações entre Estado e Igreja etc;
* O socialismo defende o aborto, o feminismo radical, e, nas suas vertentes mais modernas e avançadas, também a prática homossexual, tudo condenado pela doutrina católica;
* O socialismo, por todos os seus postulados, é incompatível com a Doutrina Social da Igreja;
* A experiência socialista em todos os países em que foi implantada teve como conseqüência obrigatória a violência desordenada: veja-se Pol Pot, Mao-Tsé Tung, Fidel Castro, Josef Stálin, Ho Chi Min, Tito etc;
* O socialismo perseguiu a religião, pois é ponto pacífico na doutrina social-comunista o ódio a qualquer manifestação de culto a Deus, em especial à Fé Católica, que é a verdadeira Revelação de Cristo; isto foi traduzido em milhões de mortos pelos regimes comunistas e em perseguições dos mais variados matizes mesmo em Nações de socialismo dito moderado;
* socialismo é obrigatoriamente estatizante, dando todo o poder ao Estado, como representante máximo das aspirações do proletariado, mesmo quando este afirma não querer tal regime (no que Gramsci, teórico comunista italiano, dizia que estava o povo sendo manipulado e que, por não ter a vontade livre, deveria ser representado sempre pelo Intelectual Coletivo, i.e., pelo Partido); a Igreja Católica, ao contrário, embora não defenda o liberalismo econômico que gera o capitalismo “selvagem”, propõe o princípio da subsidiariedade, em que o Estado tem de ser forte, com autoridade suficiente, e interventor quando necessário, para manter a moral no mercado e nas relações, mas dando a liberdade que os socialistas não desejam nessa matéria; a Igreja prega a iniciativa privada com responsabilidade, ao passo que os diversos sistemas socialistas ensinam que o Estado deve coletivizar tudo ou, pelo menos, supervisionar de modo excessivo, caindo no totalitarismo que lhe é característico (daí sua semelhança com o nazi-fascismo, novamente): “Ora, sem dúvida alguma, segundo a doutrina social da Igreja, o Estado tem seu papel próprio na ordenação da vida social. Para desempenhar esse papel, deve mesmo ser forte e ter autoridade. Mas os que o invocam continuamente e lançam sobre ele toda a responsabilidade, o conduzem à ruína e fazem mesmo o jogo de certos poderosos grupos interessados” (Sua Santidade, o Papa Pio XII. Discurso ao VII Congresso da UCID, em 07 de março de 1957). “Deve-se afirmar que no campo econômico a parte principal compete à iniciativa privada dos cidadãos, quer ajam isoladamente, quer associados de diferentes maneiras a outros para a consecução de interesses comuns” (Sua Santidade, o Papa João XXIII. Encíclica Mater et Magistra, de 15 de maio de 1961). “Deve-se respeitar o princípio de subsidiariedade: uma sociedade de ordem superior não deve interferir na vida interna de uma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas competências, mas deve antes apoiá-la em caso de necessidade e ajudá-la a coordenar a sua ação com a das outras componentes sociais, tendo em vista o bem comum” (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Encíclica Centesimus Annus, de 1º de maio de 1991, 48). “Permanece, contudo, imutável aquele solene princípio da filosofia social: assim como é injusto subtrair aos indivíduos o que eles podem fazer com a própria iniciativa e esforço, para o confiar à coletividade, do mesmo modo passar para uma sociedade maior e mais elevada o que sociedades menores e inferiores, podiam conseguir, é uma injustiça, um grave dano e perturbação da boa ordem social. O fim natural da sociedade e da sua ação é coadjuvar os seus membros, e não destruí-los nem absorvê-los” (Sua Santidade, o Papa Pio XI. Encíclica Quadragesimo Anno, de 1º de maio de 1931).
* pelo igualitarismo, o socialismo tende a favorecer toda a sorte de comportamentos contrários á Moral – os partidos de esquerda identificam-se com a promoção do aborto, das “uniões homossexuais”, do amor-livre etc;
* a filosofia comuno-socialista nega diretamente Deus e a existência de uma moral objetiva;
* o socialismo não subordina as idéias à realidade, negando a verdade, portanto, e primando pela ideologia; ao contrário, a Igreja, sobretudo através da magistral obra de Santo Tomás de Aquino, sustenta ser a verdade justamente a adequação da idéia à realidade, no que entra em confronto direto com a filosofia socialista;
* o socialismo, quando não está ainda no poder, insufla a revolta ilegítima do povo contra a autoridade constituída, com uma série de expedientes que não são aprovados pela Moral da Igreja: “A sociedade humana não estará bem constituída nem será fecunda a não ser que lhe presida uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao bem comum”. Chama-se “autoridade” a qualidade em virtude da qual pessoas ou instituições fazem leis e dão ordens a homens, e esperam obediência da parte deles. Toda comunidade humana tem necessidade de uma autoridade que a dirija. Tal autoridade encontra seu fundamento na natureza humana. É necessária à unidade da cidade. Seu papel consiste em assegurar enquanto possível o bem comum da sociedade. A autoridade exigida pela ordem moral emana de Deus: ”Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. De modo que aquele que se revolta contra a autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus. E os que se opõem atrairão sobre si a condenação” (Rm 13, 1-2). O dever da obediência impõe a todos prestar à autoridade as honras a ela devidas e cercar de respeito e, conforme seu mérito, de gratidão e benevolência as pessoas investidas de autoridade. Deve-se ao papa São Clemente de Roma a mais antiga oração da Igreja pela autoridade política: “Concedei-lhes, Senhor, a saúde, a paz, a concórdia, a estabilidade, para que exerçam sem entraves a soberania que lhes concedestes. Sois vós, Mestre, rei celeste dos séculos, quem dá aos filhos dos homens glória, honra e poder sobre as coisas da terra. Dirigi, Senhor, seu conselho segundo o que é bom, segundo o que é agradável a vossos olhos, a fim de que, exercendo com piedade, na paz e mansidão, o poder que lhes destes, vos encontrem propício”. Se, por um lado, a autoridade remete a uma ordem fixada por Deus, por outro, “são entregues à livre vontade dos cidadãos a escolha do regime e a designação dos governantes”. A diversidade dos regimes políticos é moralmente admissível, contanto que concorram para o bem legítimo da comunidade que os adota. Os regimes cuja natureza é contrária natural, à ordem pública a aos direitos fundamentais das pessoas não podem realizar o bem comum das nações às quais são impostos. A autoridade não adquire de si mesma sua legitimidade moral. Não deve comportar-se de maneira despótica, mas agir para o bem comum, como uma “força moral fundada na liberdade e no senso de responsabilidade”. A legislação humana não goza do caráter de lei senão na medida em que se conforma à justa razão; de onde se vê que ela recebe seu vigor da lei eterna. Na medida em que ela se afastasse da razão, seria necessário declará-la injusta, pois não realizaria a noção de lei; seria antes uma forma de violência. A autoridade só será exercida legitimamente se procurar o bem comum do grupo em questão e se, para atingi-lo, empregar meios moralmente lícitos. Se acontecer de os dirigentes promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, estas disposições não poderão obrigar as consciências. “Neste caso, a própria autoridade deixa de existir, degenerando em abuso do poder”. “É preferível que cada poder seja equilibrado por outros poderes e outras esferas de competência que o mantenham em seu justo limite. Este é o princípio do “estado de direito”, no qual é soberana a lei, e não a vontade arbitrária dos homens?” (Catecismo da Igreja Católica, 1897-1904).

c) citações de outros pensadores católicos, Santos e eclesiásticos: “Por fidelidade ao Evangelho e à doutrina da Igreja, a Legião de Cristo sempre vai estar muito atenta à problemática social que aflige o mundo e, na medida das suas possibilidades, vai agir para que todas as suas instituições e as pessoas que tiverem contato com ela também se imbuam desta mesma consciência social. A Legião e o Regnum Christi vão ter sempre no coração da sua espiritualidade os mesmos sentimentos de Cristo para com os pobres e excluídos, as pessoas humildes, os que sofrem injustiças. A nossa luta em favor do homem é uma luta pelo humanismo autêntico, que pretende abrir o homem à Boa Nova, à fé em Cristo e, a partir daí, abri-lo aos caminhos da justiça e da caridade. Mas não vai cair nas soluções fáceis da luta de classes e do recurso à violência, simplesmente porque são anti-evangélicos e anti-humanos. A ideologia da luta de classes mostrou a sua incapacidade histórica, com a queda estrondosa dos regimes marxistas. Seu resultado foi a geração de novas violências e sistemas totalitários e ditatoriais, que destruíram não somente a liberdade dos homens, mas até mesmo a própria vida econômica. Nós procuramos, ao contrário, a mudança radical do coração humano, fruto da conversão interior do homem que, tocado pela graça, se abre à fé em Cristo e às necessidades do irmão. A nossa missão é trabalhar pela instauração do Reino de Cristo na sociedade, através da pregação da Boa Nova do Reino, por meio de uma ação claramente sobrenatural e transcendente, que muda o coração dos homens, criando as bases de uma civilização da justiça e do amor” (MACIEL, Pe. Marcial, LC. Apud COLINA, Jesús. Minha vida é Cristo, São Paulo: CEFID/Logos, 2003, pp. 108-109). “No emaranhado de opiniões, idéias, partidos e movimentos hodiernos, nada esclarecedores, pergunta-se ansiosamente de que lado está a Igreja. Há padres hoje, e Bispos até, que defendem os partidos de esquerda, chegando a ponto de apresentá-los como os únicos confiáveis. Há os que propugnam a luta de classes, a reforma agrária socialista, a invasão de terras alheias, propondo como modelo os países comunistas. É essa afinal a posição da Igreja? Nós respondemos categoricamente: não! A posição da Igreja não é constituída pelas idéias desta ou daquela personagem eclesiástica, seja ela qual for, mas sim pela tradição doutrinária que nos foi legada por Nosso Senhor, pelos Apóstolos e enriquecida pelo ensinamento dos Papas, Concílios, Santos e Doutores da Igreja. E esse ensinamento perene defende a propriedade privada, condena o comunismo, o socialismo, a luta de classes, prega as virtudes cristãs da justiça e da caridade, ensina que amar os pobres não é odiar os ricos, promovendo assim através da prática de uma moral sadia a verdadeira harmonia e felicidade social. (…) Não nos iludamos. Desconfiamos dos discursos demagógicos que, através de propostas humanitárias e aparentemente cristãs, terminam afinal na luta de classes, na agitação, no igualitarismo e no materialismo ateu com a mais completa negação de Deus e da mentalidade cristã. É hora de tirar da estante as encíclicas de Leão XIII e Pio XI sobre a questão social, que refletem com precisão a doutrina da Igreja e são leitura utilíssima e esclarecedora na atual conjuntura religiosa. A solução para o problema social não está no socialismo ou comunismo, mas sim na prática da justiça e caridade, com a formação da verdadeira consciência cristã, alicerce da verdadeira ordem social” (RIFAN, D. Fernando Arêas. De que Lado está a Igreja?, in Quer Agrade, Quer Desagrade, Campos: ed. do autor, 1999, pp. 123-124). “E como o oposto do socialismo ou comunismo não é o liberalismo econômico ou o capitalismo, mas sim o catolicismo, será pela propagação das verdadeiras idéias cristãs que construiremos a direita e o anticomunismo dignos deste nome. O resto é ilusão e perda de tempo.” (RIFAN, D. Fernando Arêas. A Fraqueza dos Bons, in Quer Agrade, Quer Desagrade, Campos: ed. do autor, 1999, p. 104) “O igualitarismo moderno, de inspiração atéia, é contrário não somente à Revelação, senão também à natureza. É uma ideologia falsa, que somente fazendo violência à realidade das coisas pode se afirmar. Sabemos cientificamente que, por exemplo, em qualquer associação de viventes ? uma manada de lobos ? domina a confusão e a ineficácia até que nela se estabeleça uma estruturação hierárquica, que implica relações desiguais. Pois bem, a autoridade ? a hierarquia, a desigualdade ?, que é natural entre os animais, segue sendo natural entre os homens. Certamente nas sociedades humanas haverá que se distinguir ? mas não entre os animais ? desigualdades justas, procedentes de Deus, conformes à natureza, e desigualdades injustas, nascidas da maldade dos homens: temos, pois, de afirmar as primeiras e combater as segundas. Porém, em todo o caso, deve restar claro que o princípio igualitário, enquanto tal, é injusto, é violento, é contrário à natureza” (RIVERA, Pe. José; IRABURU, Pe. José María. Síntesis de Espiritualidad Católica, 6ª ed., Pamplona: Fundación Gratis Date, 2003, p. 16). “Inclusive pode ser bom possuir riquezas, ou seja, uma abundância de bens claramente superior à média. Se Deus criou o mundo naturalmente hierárquico e desigual, é indubitável que na Providência divina ricos e pobres têm seu lugar. Não é vontade de Deus que todos sejam iguais na posse dos bens deste mundo. Ou, em outras palavras: pode haver riquezas legitimamente adquiridas e honestamente possuídas. Pode haver, sem dúvida, riquezas benéficas, realmente postas a serviço de Deus e do bem comum dos homens” (RIVERA, Pe. José; IRABURU, Pe. José María. Síntesis de Espiritualidad Católica, 6ª ed., Pamplona: Fundación Gratis Date, 2003, p. 339). “(…) é lei natural que os seres superiores movam os inferiores, pela virtude mais excelente que Deus lhes conferiu” e também que “os inferiores devem obedecer aos superiores” (Santo Tomás de Aquino. S. Th., II-II, q. 104, a. 1). “(…) também as riquezas, enquanto são certo bem, são algo divino, principalmente quando dão possibilidade de fazer muitas obras boas” (Santo Tomás de Aquino. Quodlibeto, 10, q. 6, a. 12, ad 2m). “Em tais condições, a coexistência pacífica da Igreja com o comunismo deve ser recusada pelos católicos:

1º argumento. — A ordem temporal exerce uma ação formadora — ou deformadora — profunda sobre a alma dos povos e dos indivíduos. A Igreja não pode, pois, aceitar uma liberdade que implique em calar sobre os erros do regime comunista, criando no povo a impressão de que Ela não os condena.

2º argumento. — Renunciando a ensinar os preceitos do Decálogo que fundamentam a propriedade privada (7º e 10º Mandamentos), a Igreja apresentaria uma imagem desfigurada do próprio Deus. O amor de Deus, a prática da virtude da justiça e o pleno desenvolvimento das faculdades do homem, e, portanto, a sua santificação, ficariam assim gravemente prejudicados.

3º argumento. — A Igreja não pode aceitar o comunismo como um fato consumado e um “mal menor”.

1. Quanto à primeira condição, parece-nos que a resposta deve ser negativa, à vista da força suasória que têm uma metafísica e uma moral concretizadas num regime, numa cultura, num ambiente. A missão docente da Igreja não consiste só em ensinar a verdade, mas também em condenar o erro. Nenhum ensino da verdade é suficiente enquanto ensino, se não inclui a enunciação e refutação das objeções que contra a verdade se possam fazer. “A Igreja — disse Pio XII — sempre transbordante de caridade e de bondade para com os desgarrados, mas fiel à palavra de seu Divino Fundador, que declarou. “Quem não está comigo, está contra Mim” (Mt 12, 30), não pode faltar a seu dever de denunciar o erro e de arrancar a máscara aos semeadores de mentiras…” (Radiomensagem do Natal de 1947 — “Discorsi e Radiomessagi”, vol. IX, p. 393). No mesmo sentido se exprimiu Pio XI: “O primeiro dom de amor do Sacerdote ao seu meio, e que se impõe da maneira mais evidente, é o dom de servir à verdade, à verdade inteira, e desmascarar e refutar o erro sob qualquer forma, máscara ou disfarce com que se apresente” (Encíclica “Mit Brennender Sorge”, de 14 de março de 1937 — AAS, vol. XXIX, p. 163). É da essência do liberalismo religioso a falsa máxima de que para ensinar a verdade não é necessário impugnar ou refutar o erro. Não há formação cristã adequada, que prescinda da apologética. Resulta particularmente importante notá-lo, à vista do fato de que a maioria dos homens tende a aceitar como normal o regime político e social em que nasce e vive, e de que o regime exerce a este título uma influência formativa profunda sobre as almas. Para medir em toda a sua extensão o poder dessa ação formativa, examinemo-la em sua razão de ser e em seu modo de operar. Todo regime político, econômico e social se baseia, em última análise, em uma metafísica e em uma moral. As instituições, as leis, a cultura e os costumes que o integram, ou com ele são correlatos, refletem na prática os princípios dessa metafísica e dessa moral. Pelo próprio fato de existir, pelo natural prestígio do Poder Público, bem como pela enorme força do ambiente e do hábito, o regime induz a população a aceitar como boas, normais, até indiscutíveis, a cultura e a ordem temporal vigentes, que são as conseqüências dos princípios metafísicos e morais dominantes. E, ao aceitar tudo isto, o espírito público acaba por ir mais longe, deixando-se penetrar como por osmose, por esses mesmos princípios, habitualmente entrevistos de modo confuso, subconsciente, mas muito vivo, pela maior parte das pessoas. A ordem temporal exerce, pois uma ação formadora — ou deformadora — profunda sobre a alma dos povos e dos indivíduos. Há épocas em que a ordem temporal se baseia em princípios contraditórios, que convivem em razão de um tal ou qual ceticismo com colorido quase sempre pragmatista. Em geral, esse ceticismo pragmático passa daí para a mentalidade das multidões. Outras épocas há, em que os princípios metafísicos e morais que servem de alma à ordem temporal são coerentes e monolíticos, na verdade e no bem como na Europa do século XIII, ou no erro e no mal como na Rússia ou na China de nossos dias. Então, esses princípios podem marcar-se a fundo nos povos que vivem em uma sociedade temporal por eles inspirada. O viver em uma ordem de coisas assim coerente no erro e no mal já é de si um tremendo convite à apostasia. No Estado comunista, oficialmente filosófico e sectário, esta impregnação doutrinária na massa é feita com intransigência, amplitude e método, e completada por uma doutrinação explícita incansavelmente repetida a todo propósito. Ao longo de toda a História não há exemplo de pressão mais completa em seu conteúdo doutrinário, mais sutil e polimórfica em seus métodos, mais brutal em suas horas de ação violenta, que a exercida pelos regimes comunistas sobre os povos que estão sob seu jugo. Num Estado assim totalmente anticristão não há meio de evitar esta influência senão instruindo os fiéis sobre o que ele tem de ruim. Face a tal adversário, mais ainda do que face a qualquer outro, a Igreja não pode, pois, aceitar uma liberdade que implique em renunciar sincera e efetivamente ao exercício, franco e eficiente, de sua função apologética.

2. Quanto à segunda condição, também nos parece que não é aceitável, tendo em vista não só a incompatibilidade total entre o comunismo e a doutrina católica, como particularmente o direito de propriedade em suas relações com o amor de Deus, a virtude da justiça e a santificação das almas. Para a recusa desta segunda condição há antes de tudo uma razão de caráter genérico. A doutrina comunista, atéia, materialista, relativista, evolucionista, colide do modo mais radical com o conceito católico de um Deus pessoal, que promulgou para os homens uma lei em que se consubstanciam todos os princípios da moral, fixos, imutáveis, e consentâneos com a ordem natural. A “cultura” comunista, considerada em todos os seus aspectos e em cada um deles, conduz à negação da moral e do direito. A colisão do comunismo com a Igreja não se dá, pois, apenas em matéria de família e de propriedade. E é sobre toda a moral, sobre toda a noção do direito, que a Igreja se deveria então calar. Não vemos, portanto, a que resultado tático conduziria um “armistício ideológico” entre católicos e comunistas circunscrito a estes dois pontos, se em todos os outros a luta ideológica continuasse” (OLIVEIRA, Plínio Corrêa de Oliveira. Acordo com o regime comunista: para a Igreja, esperança ou autodemolição?). “Não podemos usar a tática da avestruz, achando que o problema se resolve ao ser ignorado. Mas não podemos recorrer a soluções que não são do Evangelho, como as que alguns autores de certas teologias da libertação procuram, ao pretender unir, numa falsa aliança, o Evangelho e a luta de classes. Não negamos a possível boa intenção destas pessoas; só Deus pode julgar o interior de cada homem. Mas o que podemos fazer? como foi feito pelo Magistério da Igreja, que sobre esse assunto emitiu duas declarações pela Congregação da Doutrina da Fé, guiada pelo cardeal Josef Ratzinger? é afirmar claramente que as teologias da libertação que admitem a análise marxista? e com muita freqüência, também certos elementos da sua filosofia materialista de fundo? são incompatíveis com a doutrina social da Igreja. A nossa preocupação em matéria social, portanto, é aplicar os grandes princípios da doutrina social da Igreja, procurando conscientizar os leigos, especialmente os que têm mais possibilidades devido à sua posição política, econômica ou social, para que eles apliquem esses princípios no próprio raio de ação. É um trabalho lento e pouco vistoso, mas eficaz, a longo prazo. Através da formação e da projeção apostólica dos leigos, é possível realizar obras de grande envergadura no âmbito do desenvolvimento social e econômico” (MACIEL, Pe. Marcial, LC. Apud COLINA, Jesús. Minha vida é Cristo, São Paulo: CEFID/Logos, 2003, pp. 107). “Alguns cristãos pregam como norma a resistência aos poderes, e como exceção o dever de obediência. Adornam sua doutrina com algumas citações bíblicas, nas quais se faz alusão pejorativa aos “poderosos” (o Magnificat, por exemplo, em Lc 1,52), mas a verdade é que repelem a Revelação. É certo que os poderes políticos e outras modalidades de autoridade civil estão geralmente mais ou menos corrompidos, e que raras vezes são de todo sadios tanto em sua origem como em seu exercício. Sem embargo, ainda que sejam assim as coisas, o dever cristão da obediência cívica está normalmente vigente, e só excepcionalmente há de ceder a outras exigências morais contrárias. Isto é o que ensinaram Jesus e os Apóstolos em tempos terríveis. Os que aceitam esta doutrina terão às vezes problemas de discernimento à hora de aplicá-la na prática. Porém, os que rechaçam tal doutrina de Cristo, como poderão aplicá-la com prudência. Errarão sempre, necessariamente. Alguns cristãos pretendem superar as injustiças de autoridades e leis vencendo o mal com o mal. Estes querem o bem sem esperar mais, agora, sem sofrimentos próprios, a custa do que quer que seja; qualquer meio vale, se se mostra eficaz. Estão, pois, dispostos a pressionar, ridicularizar a autoridade e desprestigiá-la, armas escândalos, romper a unidade, usar de intimidações, greves selvagens ou guerras. Estes são os que vêem na Cruz de Cristo a raiz de muitos males históricos. É coisa clara que se envergonham do Evangelho de Jesus (cf. Rm 1, 16; 2Tm 1, 8), e que o consideram loucura e absurdo (cf. 1Cor 1, 23). Pois a Revelação divina nos ensina: “Que ninguém devolva mal pelo mal, senão que buscai sempre fazer o bem entre vós e com todos” (1Ts 5, 15). “Não te deixes vencer pelo mal [fazendo-o tu], mas vence o mal com o bem” (Rm 12, 21). A Igreja sabe que, às vezes, a violência pode ser expressão de caridade (cf. Jô 2,15), porém só a admite em casos extremos (por exemplo, GS 68c, sobre a greve; 79b-d, sobre a guerra), e se se dá um conjunto de condições (cf. Pio XI, Encíclica Firmissimam Constantiam, de 28 de março de 1937, Dz 3775-3776), ignoradas muitas vezes pelos partidários da violência” (RIVERA, Pe. José; IRABURU, Pe. José María. Síntesis de Espiritualidad Católica, 6ª ed., Pamplona: Fundación Gratis Date, 2003, p. 370).

2. Ora, o PT é socialista
a) está nos seus estatutos e programas (cf. www.pt.org.br) a plataforma socialista;
b) nas duas primeiras candidaturas à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva utilizou como título de seu programa “Projeto Brasil Socialista”;
c) a história do PT confirma sua adesão ao socialismo:
* Os principais líderes e todos os fundadores eram socialistas, a maioria de tendência marxista clássica inclusive;
* Mesmo as correntes mais moderadas do PT são contaminadas de socialismo em maior ou menor grau;
* Muitos dos caciques do Partido foram guerrilheiros e tentaram implantar um regime comunista no Brasil, como José Dirceu, José Genoíno e outros;
* Os fundadores do PT pertencentes à chamada “esquerda católica” foram ou são de organizações contrárias ao ensino católico, que publicamente rejeitam a autoridade do Papa (Leonardo Boff, ex-OFM; Frei Betto, OP; Marcelo Barros, OSB; etc); muitos deles foram militantes de organizações socialistas nos anos 60 e 70, e que não abandonaram suas idéias;
d) o PT apóia, de uma forma ou de outra, o MST, grupo que pretende uma reforma agrária de perfis socialistas e que não esconde isso de ninguém, contrariando, portanto, o ensino católico acima exposto;
e) o PT participa oficialmente do Fórum de São Paulo (cf. www.midiasemmascara.org), organismo dos movimentos socialistas e comunistas, com vistas a elaborar planos de tomada de poder (democraticamente ou através de ações revolucionárias explícitas) na América Latina;
f) os programas do PT incluem temas como cotas para negros ou para pobres em faculdades, reforma agrária, alta tributação, projetos tendentes a, em maior ou menor grau, diminuir ou suprimir a sociedade de classes e a propriedade de classes, no que demonstra ser socialista;
g) a visão histórica pregada pelo PT é totalmente influenciada pela dialética materialista de Marx (opressores X oprimidos), e por isso vivem criticando os 500 anos do Descobrimento (em ultraje ao Papa, que enviou representação para as festas), e ensinando uma história distorcida pelo socialismo;
h) o PT comanda, de uma forma ou de outra, as manifestações desordeiras contra a autoridade constituída, sempre que não está no poder, por ser influenciado por pressupostos socialistas, e em seu currículo constam agitações, invasões, badernas, tentativas revolucionárias;
i) o PT apóia Chávez, Castro, e outros ditadores comunistas, como o presidente do Gabão, elogiado por Lula em sua recente visita à África;
j) o PT tem uma forte aliança com a teologia da libertação, diversas vezes condenada pelo Papa tanto por seus erros sociais e políticos quanto por seus erros teológicos;
k) a cultura interna do PT é notadamente socialista ou simpatizante do socialismo:
* Celebração de heróis socialistas e comunistas (Fidel, Lênin, Mao, Ho Chi Min, Pol Pot e, principalmente, Che) em camisetas e bandeiras petistas;
* O símbolo do PT é socialista: a estrela amarela sobre um fundo vermelho da URSS, da China comunista, da Internacional Socialista, de vários partidos comunistas ao redor do mundo (PSOE – Espanha; PSB, PPS, PCdoB, PCB, PSTU e PCO – Brasil);
* Os intelectuais do PT não negam sua inspiração em Antonio Gramsci, teórico comunista italiano, e fundamentam suas teses com pressupostos de matriz socialista (igualitarismo, coletivismo, oprimido X opressor, negro X branco, mulher X homem, pobre X rico etc);
* As alianças tradicionais do PT para suas campanhas são com partidos socialistas (PCdoB, PCB, PSB, PPS, PV etc), o que demonstra, no mínimo, simpatia e comunhão ideológica.
l) a experiência dos governos do PT, notadamente no Rio Grande do Sul, pôs em prática sua ideologia socialista, com perseguição aos jornalistas, ideologização da Brigada Militar e do ensino (concursos públicos para professor com questões explicitamente pró-socialistas), catalogação dos inimigos etc; m) o PT, ainda que alguns membros não o sejam, é francamente favorável ao aborto, ao “casamento” homossexual, à eutanásia, ao feminismo radical.

3. Logo, o PT deve ser rejeitado por quem se considera fiel à Igreja
E, por isso, é claramente imoral a participação de qualquer católico, seja leigo, seja eclesiástico, seja religioso, no PT e em outros partidos socialistas:
– Não pode o católico votar no PT, mesmo que não concorde com o socialismo desse partido, ou apenas porque considera que é um partido sério;
– Não pode o católico fazer campanha para o PT;
– Não pode o católico doar dinheiro para o PT;
– Não pode o católico utilizar símbolos petistas ou levar outros a crer que comunga das idéias do PT;
– Não pode o católico favorecer, de qualquer forma, o PT e sua estratégia de tomada de poder.
O católico deve, isso sim, estudar a Doutrina Social Católica, e posicionar-se politicamente de acordo com o que diz o Santo Padre, o Papa, suprema autoridade de governo e infalível autoridade de ensino da Igreja, o Vigário de Cristo na terra!

Papa preside Missa na abertura do Sínodo dedicado aos jovens

Assembleia sinodal

Quarta-feira, 3 de outubro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-preside-missa-na-abertura-sinodo-dedicado-aos-jovens/

Santo Padre pediu que o Espírito Santo dê aos padres sinodais a unção com o dom dos sonhos e da esperança, a fim de ungir os jovens

Francisco na Missa de abertura do Sínodo nesta manhã / Foto: REUTERS/Tony Gentile

O Papa Francisco presidiu nesta quarta-feira, 3, na Praça São Pedro, a Santa Missa por ocasião da abertura da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O evento que segue até 28 de outubro tem como tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Até o fim do mês, 266 padres sinodais estarão reunidos no Vaticano para discutir questões que dizem respeito à juventude. Pela primeira vez, integram o grupo dois bispos da China continental, fator que foi observado pelo Papa na homilia. “Graças à sua presença, é ainda mais visível a comunhão de todo o Episcopado com o Sucessor de Pedro”.

O Santo Padre pediu ao Espírito Santo que dê aos padres sinodais a graça de serem ungidos com o dom dos sonhos e da esperança, a fim de que eles possam ungir os jovens com o dom da profecia e da visão.

É a partir da esperança que se inicia hoje esse encontro eclesial, observou o Papa, destacando que a esperança move e destroça o conformismo e leva a olhar para os jovens e ver as situações em que eles se encontram. “A mesma esperança pede que trabalhemos por derrubar as situações de precariedade, exclusão e violência, a que está exposta a nossa juventude”.

Francisco afirmou ainda que, hoje, os jovens exigem uma dedicação criativa, entusiasta e cheia de esperança, a fim de que não fiquem sozinhos nas mãos de “traficantes de morte” que oprimem sua vida. Nesse sentido, o Papa convidou à escuta, a fim de discernir o que Deus está pedindo à Igreja.

“O dom da escuta sincera, orante e, o mais possível, livre de preconceitos e condições permitir-nos-á entrar em comunhão com as diferentes situações que vive o povo de Deus. Ouvir a Deus, para escutar com Ele o clamor do povo; ouvir o povo, para respirar com ele a vontade a que Deus nos chama”.

O Papa confiou os trabalhos do Sínodo à proteção da Virgem Maria. “Que Ela, mulher da escuta e da memória, nos acompanhe no reconhecimento dos vestígios do Espírito, a fim de que solicitamente, entre os sonhos e esperanças, acompanhemos e estimulemos os nossos jovens para que não cessem de profetizar”.

Por fim, Francisco deixou uma palavra aos padres sinodais. Recordou a eles a mensagem deixada pelo Concílio Vaticano II, época em que muitos deles que hoje participam do Sínodo eram jovens: em suma, um convite a alargar os corações, ouvir o apelo dos irmãos e colocar ao seu serviço as energias juvenis; lutar contra os egoísmos, recusar a violência e o ódio, ser generosos e construir com entusiasmo um mundo melhor.

“Padres sinodais, a Igreja olha-vos com confiança e amor”, concluiu o Papa.

HOMILIA
Santa Missa – abertura da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos
Praça São Pedro
Quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Boletim da Santa Sé

«O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Esse é que vos ensinará tudo, e há de recordar-vos tudo o que Eu vos disse» (Jo 14, 26).

Desta maneira tão simples, Jesus oferece aos seus discípulos a garantia de que acompanhará todo o trabalho missionário que lhes será confiado: o Espírito Santo será o primeiro a guardar e manter sempre viva e atual no coração dos discípulos a memória do Mestre. Ele faz com que a riqueza e beleza do Evangelho seja fonte de constante alegria e novidade.

No início deste momento de graça para toda a Igreja, em sintonia com a Palavra de Deus, peçamos insistentemente ao Paráclito que nos ajude a trazer à memória e à reavivar as palavras do Senhor que faziam arder o nosso coração (cf. Lc 24, 32). Ardor e paixão evangélica que geram o ardor e a paixão por Jesus. Memória que possa despertar e renovar em nós a capacidade de sonhar e esperar. Porque sabemos que os nossos jovens serão capazes de profecia e visão, na medida em que nós, adultos ou já idosos, formos capazes de sonhar e assim contagiar e partilhar os sonhos e as esperanças que trazemos no coração (cf. Jl 3, 1).

Que o Espírito nos dê a graça de ser Padres sinodais ungidos com o dom dos sonhos e da esperança, para podermos, por nossa vez, ungir os nossos jovens com o dom da profecia e da visão; que nos dê a graça de ser memória operosa, viva e eficaz, que, de geração em geração, não se deixa sufocar e esmagar pelos profetas de calamidades e desgraças, nem pelos nossos limites, erros e pecados, mas é capaz de encontrar espaços para inflamar o coração e discernir os caminhos do Espírito. É com esta disposição de dócil escuta da voz do Espírito que nos congregamos aqui de todas as partes do mundo. Hoje, pela primeira vez, estão connosco também dois irmãos Bispos da China continental, a quem damos as nossas calorosas boas-vindas. Graças à sua presença, é ainda mais visível a comunhão de todo o Episcopado com o Sucessor de Pedro.

Ungidos na esperança, começamos um novo encontro eclesial capaz de ampliar horizontes, dilatar o coração e transformar as estruturas que hoje nos paralisam, separam e afastam dos jovens, deixando-os expostos às intempéries e órfãos duma comunidade de fé que os apoie, dum horizonte de sentido e de vida (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 49).

A esperança interpela-nos, move-nos e destroça o conformismo ditado pelo «sempre se fez assim» e pede que nos ergamos para fixar olhos nos olhos o rosto dos jovens e ver as situações em que se encontram. A mesma esperança pede que trabalhemos por derrubar as situações de precariedade, exclusão e violência, a que está exposta a nossa juventude.

Fruto de muitas das decisões tomadas no passado, os jovens chamam-nos a cuidar, com maior empenho e juntamente com eles, do presente e a lutar contra aquilo que de algum modo impede a sua vida de crescer com dignidade. Pedem-nos e exigem-nos uma dedicação criativa, uma dinâmica inteligente, entusiasta e cheia de esperança, e que não os deixemos sozinhos nas mãos de tantos traficantes de morte que oprimem a sua vida e obscurecem a sua visão.

Esta capacidade de sonhar juntos, que hoje o Senhor nos dá de presente a nós como Igreja, exige – conforme nos dizia São Paulo, na primeira Leitura – que desenvolvamos entre nós uma atitude muito concreta: «Cada um não tenha em vista os próprios interesses, mas todos e cada um exatamente os interesses dos outros» (Flp 2, 4). E, ao mesmo tempo, aponta para mais alto pedindo que, humildemente, consideremos os outros superiores a nós mesmos (cf. 2, 3). Com este espírito, procuraremos colocar-nos à escuta uns dos outros para discernirmos, juntos, aquilo que o Senhor está a pedir à sua Igreja. Isto exige de nós que estejamos atentos e nos precavamos bem para não prevalecer a lógica da auto-preservação e da autorreferência, que acaba por tornar importante o que é secundário, e secundário o que é importante. O amor ao Evangelho e ao povo que nos foi confiado pede-nos que alarguemos o olhar e não percamos de vista a missão a que nos chama a fim de apostar num bem maior que será de proveito para todos nós. Sem esta atitude, serão vãos todos os nossos esforços.

O dom da escuta sincera, orante e, o mais possível, livre de preconceitos e condições permitir-nos-á entrar em comunhão com as diferentes situações que vive o povo de Deus. Ouvir a Deus, para escutar com Ele o clamor do povo; ouvir o povo, para respirar com ele a vontade a que Deus nos chama (cf. Discurso na Vigília de Oração preparatória para o Sínodo sobre a família, 4 de outubro de 2014).

Esta atitude defende-nos da tentação de cair em posições moralistas ou elitistas, bem como da atração por ideologias abstratas que nunca correspondem à realidade do nosso povo (cf. J. M. Bergoglio, Meditações para religiosos, 45-46).

Irmãos e irmãs,, coloquemos este tempo sob a proteção materna da Virgem Maria. Que Ela, mulher da escuta e da memória, nos acompanhe no reconhecimento dos vestígios do Espírito, a fim de que solicitamente (cf. Lc 1, 39), entre os sonhos e esperanças, acompanhemos e estimulemos os nossos jovens para que não cessem de profetizar.

Padres sinodais!

Muitos de nós éramos jovens ou dávamos os primeiros passos na vida religiosa, quando terminou o Concílio Vaticano II. Aos jovens de então, foi dirigida a última mensagem dos Padres conciliares. O que ouvimos quando éramos jovens far-nos-á bem repassá-lo com o coração, lembrados das palavras do poeta: «O homem mantenha o que, em criança, prometeu» (F. Hölderlin).

Assim nos falaram os Padres conciliares: «A Igreja, durante quatro anos, tem estado a trabalhar para um rejuvenescimento do seu rosto, para melhor responder à intenção do seu fundador, o grande vivente, o Cristo eternamente jovem. E no termo desta importante “revisão de vida”, volta-se para vós. É para vós, os jovens, especialmente para vós, que ela acaba de acender, pelo seu Concílio, uma luz: luz que iluminará o futuro, o vosso futuro. A Igreja deseja que esta sociedade que vós ides construir respeite a dignidade, a liberdade, o direito das pessoas: e estas pessoas, sois vós. (…) Tem confiança que (…) vós sabereis afirmar a vossa fé na vida e no que dá um sentido à vida: a certeza da existência de um Deus justo e bom.

É em nome deste Deus e de seu Filho Jesus que vos exortamos a alargar os vossos corações a todo o mundo, a escutar o apelo dos vossos irmãos e a pôr corajosamente ao seu serviço as vossas energias juvenis. Lutai contra todo o egoísmo. Recusai dar livre curso aos instintos da violência e do ódio, que geram as guerras e o seu cortejo de misérias. Sede generosos, puros, respeitadores, sinceros. E construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados» (Conc. Ecum. Vat. II, Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).

Padres sinodais, a Igreja olha-vos com confiança e amor.

Este é o companheiro que, segundo o Papa, te ajudará a avançar no caminho da salvação

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Papa durante a Missa. Foto: Vatican Media

Vaticano, 02 Out. 18 / 09:30 am (ACI).- Nesta terça-feira, 2 de outubro, dia em que a Igreja festeja os Anjos da Guarda, o Papa Francisco dedicou a Missa na Casa Santa Marta a refletir sobre sua importância no caminho da salvação da humanidade: “São eles, os Anjos da Guarda, a ajuda muito especial que o Senhor promete ao seu povo e a nós que caminhamos na estrada da vida”.
Francisco insistiu em sua homilia que este caminho da vida é um caminho “no qual devemos ser auxiliados por companheiros, por protetores, por bússolas humanas que nos protegem dos perigos”.
Assegurou que o principal perigo é “o de não caminhar”. “E quantas pessoas se estabelecem e não caminham, e toda a vida ficam paradas, sem se mover, sem fazer nada… É um perigo”, advertiu.
Como exemplo dessas pessoas que passam a vida sem se mover, o Santo Padre falou daquele “homem do Evangelho que tinha medo de investir o talento. O enterrou e pensou: ‘Eu estou em paz, estou tranquilo. Não poderei cometer um erro. Assim não arrisco’”.
“E muitas pessoas não sabem como caminhar ou têm medo de arriscar e param. Mas nós sabemos que a regra é que quem fica parado na vida, acaba por se corromper. Como a água: quando a água está ali parada, chegam os mosquitos, depositam ovos e tudo se corrompe. Tudo”.
Por isso, “o Anjo nos ajuda, nos leva a caminhar”, explicou.
Entretanto, os perigos que o povo de Deus enfrenta em seu caminho não se limitam à tentação de ficar parados. O Papa citou outros dois: o perigo de errar o caminho e o perigo de deixar o caminho para se perder numa praça.
“Eis que o “Anjo existe para nos ajudar a não errar o caminho e a caminhar nele”. “Não somente nos ajudam a caminhar bem, mas nos mostram também onde devemos chegar”. Para isso, “é necessária a nossa oração, o nosso pedido de ajuda”.
“O nosso Anjo não somente está conosco, mas vê Deus Pai. Está em relação com Ele. É a ponte cotidiana, desde a hora em que nos levantamos até a hora em que vamos dormir. Ele nos acompanha. É uma ligação entre nós e Deus Pai”.
O Anjo da Guarda “é a porta cotidiana para a transcendência, para o encontro com o Pai: ou seja, o Anjo nos ajuda a caminhar porque olha o Pai e conhece a estrada. Não nos esqueçamos desses companheiros de caminhada”, concluiu o Papa.

Leitura comentada pelo Papa Francisco
Êx 23,20-23

Assim diz o Senhor: 20″Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.

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