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O Dogma da Santíssima Trindade

Padre João Carlos Almeida (pe. Joãozinho, SCJ), doutor em Teologia Espiritual

Neste próximo domingo, 11, a Igreja celebra a solenidade da Santíssima Trindade. A festa relembra o Dogma de Fé  que professa Deus, Uno e Trino, sendo três Pessoas distintas, mas um único Deus.

Para facilitar a compreensão sobre a Santíssima Trindade, é importante entender também o que vem a ser o mistério, afinal, Deus é mistério.

Na concepção de muitas pessoas, mistério é algo insondável, é o desconhecido. Já o doutor em Teologia Espiritual, padre João Carlos Almeida (pe. Joãozinho, SCJ), explica que na Teologia e na fé cristã, mistério é o contrário: é aquilo que se pode experimentar, ainda que não se tenha o domínio racional do seu todo.

“O mistério não se compreende, se experimenta; e Deus se conhece pela experiência. Logo, o mistério não é necessariamente para ser estudado, mas para ser experimentado”, disse.

A Igreja considera a Santíssima Trindade um grande mistério. Seguindo a lógica explicativa do padre, é preciso fazer uma experiência com a Trindade para então compreendê-la melhor. Todavia, segundo o doutor em Teologia Espiritual, é possível também questionar sobre os mistérios de Deus, mas é imprescindível ter fé, porque, para ele, a fé é uma forma de completar aquilo que a razão não consegue alcançar.

“A razão, por mais que ela tente, ela tem um discurso sempre limitado sobre Deus. Ela consegue dar as razões, mas não consegue compreender Deus. Nós não podemos ter a arrogância de pensar que nossas reflexões são definitivas”.

Apesar dos limites da razão, a fé católica busca ampliar o campo de compreensão em torno da Santíssima Trindade. Sobre este Dogma de Fé, padre Joãozinho explica:

“Deus não é solitário, Deus é solidariedade! Deus é Pai, é Filho e é Espírito Santo, Deus é família: é Pai e Filho, Ele é o Espírito que existe entre o Pai e o Filho. Deus é Pessoa. A Trindade não é uma composição de três indivíduos, mas de Três Pessoas e pessoa se dá na relação, ou seja, o Pai é pai porque tem filho, o Filho é filho porque tem Pai e os dois são pai e filho porque tem uma paternidade filiação garantida pelo Espírito que há entre os dois. Isso é a Santíssima Trindade, uma relação de amor: o Pai é o amante, o Filho é o amado e o Espírito Santo é o amor do Pai e do Filho”.

Para facilitar a compreensão, o sacerdote dá um exemplo que se baseia no exercício humano do falar. “Pense numa pessoa que fala: eu falo com você, eu sou o falante. Agora, no momento em que eu falo a minha palavra fica gravada, então, a palavra se encarna, se grava. Para que eu fale é preciso soprar, sai um sopro de dentro de mim. Então, o Pai é o falante, o Filho é a Palavra do Pai encarnada, gravada. Mas, para que o Pai fale a Palavra que, encarnada se torna o Filho, é preciso o sobro do Espírito”.

Apesar de serem três pessoas distintas, padre Joãozinho garante: “Nós não acreditamos em três deuses, nem em apenas três nomes do mesmo Deus, nem em três modos do mesmo Deus se manifestar”. Segundo ele, a fé da Igreja está num “Deus plural”, ou seja, “num Deus solidário, num Deus família. E ressalta: “a Trindade nos revela que nem Deus é auto-suficiente”.

Se as Três Pessoas são um único Deus, o que então as tornam diferentes uma das outras? De acordo com o Catecismo da Igreja, a diferença entre as Pessoas da Trindade está no relacionamento existente entre elas (cf. CIC nº 255). Padre Joãozinho explica que isso foi esclarecido por Santo Tomás de Aquino que denominou essa relação como “atributos”

De acordo com o santo, as Três Pessoas têm atributos próprios: o Pai é criador, o Filho salvador e o Espírito santificador. Mas os atributos próprios não esgotam o significado de cada uma das Pessoas porque, como elas se inter-compenetram e a Igreja acredita em um só Deus, há atributos apropriados também.

“O Espírito Santo se apropria do atributo de criar. Há um hino chamado ‘Veni Creator’ que mostra a dimensão do Espírito Santo enquanto criador, criativo. O Filho é salvador, mas o Filho também cria, enquanto atributo apropriado. Atributos próprios: o Pai criador, o Filho salvador e o Espírito Santo santificador; e atributos apropriados enquanto um se apropria dos atributos das outras duas pessoas”, esclarece padre Joãozinho.

Entender ou apenas crer na Trindade?

Sobre essa questão, o padre afirma que as duas coisas se influenciam mutuamente e lembra ainda o que disse Santo Anselmo: “Creia para compreender”. A inteligência pede a compreensão e, segundo o padre, uma fé verdadeira busca dar as razões, “não é uma fé irracional ou uma fé de quem diz: eu não entendo, mas pulo”.

“A nossa compreensão do Mistério da Trindade é muito mais o ser compreendido por este mistério, ou seja, estar mergulhado no mistério por uma ação de fé que procura refletir, uma fé inteligente, mas ao mesmo tempo, uma fé vivida, testemunhada”.

Por fim, o padre explica que a fé consegue dar as razões mas não consegue compreender Deus. “Um Deus compreendido não seria mais Deus”.

Filiação divina é nossa vocação, nosso DNA

“Toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” – REUTERS

15/05/2016

Cidade do Vaticano (RV) – Nós não somos mais órfãos, somos filhos, este é o nosso “DNA”. E como filhos, pertencemos a uma “única paternidade e fraternidade”. Na Solenidade de Pentecostes o Papa Francisco presidiu a Missa na Basílica de São Pedro, onde refletiu sobre nossa filiação divina e pertença a Cristo com a vinda do Espírito Santo e tudo o que isto comporta.

Jesus havia prometido que não nos deixaria órfãos. E precisamente a sua missão, “que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”. De fato, “a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo”. O Espírito que nos torna “filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai!”.

O Papa explica que “toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” e observa, que no nosso tempo, é possível constatar “vários sinais desta nossa condição de órfãos”:

“A solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes”.

A todos estes sinais de orfandade – afirma o Pontífice – “se contrapõe a condição de filhos, que é a nossa vocação primordial, é aquilo para que fomos feitos, o nosso «DNA» mais profundo mas que se arruinou e, para ser restaurado, exigiu o sacrifício do Filho Unigênito”:

“Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. «Não vos deixarei órfãos»”.

Estas palavras de Jesus – prosseguiu o Papa – remetem-nos à presença materna de Maria no Cenáculo:

“A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”.

Citando a Carta de Paulo aos Romanos, Francisco recorda que “o Espírito faz com que pertençamos a Cristo”, e “consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade:

“Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade”. (JE)

 

“Ser cristão é ligar a própria vida a Jesus”
Domingo, 15 de maio de 2016, Da redação, com Agência Ecclesia

“Que o Espírito Santo nos dê jovens fortes, que tenham o desejo de partir e anunciar o Evangelho”, pediu o Papa no Regina Caeli

À janela do apartamento pontifício, o Papa Francisco presidiu a recitação da oração do ‘Regina Caeli’, neste último domingo do tempo pascal em 2016. A oração se deu após a Missa de Pentecostes na Basílica vaticana.

O Papa recordou que a Festa de Pentecostes leva ao cumprimento o Tempo Pascal, precisamente cinquenta dias após a Ressurreição de Cristo. “A Liturgia nos convida a abrir a nossa mente e o nosso coração ao dom do Espírito Santo, que Jesus prometeu em diversas ocasiões aos seus discípulos, o primeiro e principal dom que Ele obteve para nós com a sua Ressurreição”, recordou.

O Papa explicou que essas palavras de Jesus aos seus discípulos – “Se me amais, observareis os meus mandamentos; e eu rezarei ao Pai e ele vos dará um outro Paráclito, para que permaneça sempre convosco e para sempre” –  recordam antes de tudo que o amor por uma pessoa, e também pelo Senhor, se demonstra não com as palavras, mas com os fatos”. Disse ainda que a observância dos mandamentos, deve ser entendida no sentido existencial, de modo que toda a vida seja envolvida por eles.

“De fato, ser cristãos não significa principalmente pertencer a uma certa cultura ou aderir a uma certa doutrina, mas sim ligar a própria vida, em todos os seus aspectos, à pessoa de Jesus e, por meio dele, ao Pai. Para este objetivo Jesus promete a efusão do Espírito Santo aos seus discípulos. Precisamente graças ao Espírito Santo, Amor que une o Pai e o Filho e deles procede, todos podemos viver a mesma vida de Jesus. O Espírito, de fato, nos ensina cada coisa, ou seja, a única coisa indispensável: amar como Deus ama”.

Francisco apresentou então outra definição dada por Jesus ao Espírito Santo, ou seja, “o Paráclito”. “Ao prometer o Espírito Santo, Jesus o define como ‘um outro Paráclito’, que significa Consolador, Advogado, Intercessor, aquele que nos assiste, nos defende, está ao nosso lado no caminho da vida e na luta pelo bem e contra o mal. Jesus diz ‘um outro Paráclito’, porque o primeiro é Ele, Ele mesmo, que se fez carne precisamente para assumir a nossa condição humana e libertá-la da escravidão do pecado”.

Além disto, o Santo Padre recordou que o Espírito Santo exerce a função de ensinamento e de memória. “O Espírito Santo não traz um ensinamento diferente, mas torna vivo, torna atuante o ensinamento de Jesus, para que o tempo que passa não o apague ou não o arrefeça. O Espírito Santo coloca este ensinamento dentro de nosso coração, nos ajuda a interiorizá-lo, fazendo-o tornar-se parte de nós, carne da nossa carne. Ao mesmo tempo, prepara o nosso coração para que seja capaz realmente de receber as palavras e os exemplos do Senhor. Todas as vezes que a palavra de Jesus é acolhida com alegria em nosso coração, isto é obra do Espírito Santo”.

Ao concluir, o Papa Francisco pediu a intercessão da Virgem Maria, para que “nos obtenha a graça de sermos fortemente animados pelo Espírito Santo, para testemunhar Cristo com franqueza evangélica e abrir-nos sempre mais à plenitude de seu amor”.

Após rezar o Regina Coeli com os milhares de fieis presentes na Praça São Pedro, o Santo Padre falou que neste domingo de Pentecostes foi publicada a sua Mensagem para o próximo Dia Mundial das Missões, a ser celebrado no terceiro domingo de outubro. “Que o Espírito Santo dê força a todos os missionários ad gentes e sustenha a missão da Igreja no mundo inteiro. E que o Espírito Santo nos dê jovens – moças e rapazes – fortes, que tenham vontade de anunciar o Evangelho. Peçamos isto hoje ao Espírito Santo”.

Por fim, saudou os diversos grupos presentes, provenientes de diversas partes do mundo, concluindo com o tradicional “não esqueçam de rezar por mim! Bom almoço e até logo!”.

 

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões
Domingo, 15 de maio de 2016

“Queridos irmãos e irmãs!

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a sair, como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantos não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor. Ela tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho (Bula Misericordiae Vultus, 12), e anunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem, idoso, jovem e criança.

A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal 144, 8-9).

A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta e perfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia: não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio a encarna e a personifica (JOÃO PAULO II, Enc. Dives in misericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula Misericordiae Vultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive a misericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que a escolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seu mandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cada cultura e convicção religiosa.

Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.

Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como o vinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), com paciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-se assim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguém esperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aqueles que poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo de Deus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos que ainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom de Deus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesus percorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tende a aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maior que Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.

Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem de salvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra ao considerarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje, por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. O mandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrário impele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-nos chamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na Exortação Apostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).

Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimo aniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considero oportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendo que fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia, comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessem recolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigorar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossos dias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-lo aos horizontes da humanidade inteira.

Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelo missionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerar e guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado, que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, as culturas e os povos”.

Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016.

Papa inicia ciclo de catequeses sobre crisma

http://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/papa-inicia-ciclo-de-catequeses-sobre-crisma

O Santo Padre inicia hoje (23), um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao sacramento da Crisma, também chamado Confirmação, quando os fiéis recebem o dom do Espírito Santo.

Na Audiência Geral, o Pontífice disse que Jesus confiou uma grande missão: ser sal da terra e luz do mundo. Segundo ele, este dom é recebido justamente no Sacramento da Confirmação. “Confirmação porque confirma o Batismo e reforça a sua graça; assim também “Crisma” porque recebemos o Espírito mediante a unção com o “crisma” – óleo consagrado pelo Bispo – termo que remete a “Cristo”, o Ungido pelo Espírito.

Francisco ressalta que renascer para a vida divina no Batismo é o primeiro passo, mas depois é preciso se comportar como filhos de Deus, ou seja, conformar-se ao Cristo que atua na santa Igreja.

“Sem a força do Espírito Santo não podemos fazer nada. Assim como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja e de cada seu membro está sob a guia do mesmo Espírito.”

Francisco ressaltou o modo com o qual Jesus se apresenta na sinagoga de Nazaré, a sua a carteira de identidade, isto é, Ungido pelo Espírito. «O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a levar aos pobres o alegre anúncio » (Lc 4,18).

O “Respiro” do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja. Pentecostes é para a Igreja aquilo que para Cristo foi a unção do Espírito recebida no Jordão, isto é, o impulso missionário a viver a vida pela santificação dos homens, a glória de Deus.

No momento de fazer a unção, explicou ainda Francisco, o bispo diz estas palavras: “Receba o Espírito Santo que lhe foi confiado como dom”.

“É o grande dom de Deus”, finalizou o Pontífice. “Todos nós temos o Espírito dentro, o Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito nos guia para que nos tornemos sal e luz na medida certa aos homens. O testemunho cristão consiste em fazer somente e tudo aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a graça de o realizar.”

Historiadora revela: Igreja usou estratégia para combater nazismo

Quarta-feira, 30 de janeiro de 2013, Rádio Vaticano

Os documentos também revelam financiamentos para atividades humanitárias em favor das tropas aliadas e das populações envolvidas na guerra.  

Novos documentos dos ‘National Archives’ britânicos revelam como o Papa Pio XII combateu o nazismo também através de investimentos nos Estados Unidos, informou o ‘L´Osservatore Romano’.

A pesquisa sobre o tema, conduzida pela historiadora Patricia McGoldrick, foi publicada no “The Historical Journal”, da Universidade de Cambridge. No centro da história está Bernardino Nogara, membro da direção do Banco Comercial Italiano e amigo da família Ratti. Em 1929 ele foi chamado para dirigir as finanças da Santa Sé. Nogara, orientado pela Cúria romana, foi o protagonista da estratégia financeira do Vaticano durante a II Guerra Mundial.

A estratégia consistia em transferir e investir milhões de dólares nos maiores bancos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, evitando assim o confisco por parte dos nazistas e permitindo a ajuda à Igreja e às populações perseguidas.

A historiadora baseou sua pesquisa em documentos do Serviço Secreto britânico, no período de 1941 a 1943, conservados nos ‘Arquivos Nacionais’. Eles dizem respeito às atividades das principais instituições financeiras do Vaticano, ou seja, a Seção Extraordinária da Administração dos Bens da Santa Sé (ASSS) e o Instituto de Obras para a Religião (IOR).

A pesquisadora concluiu que a Santa Sé usou o instrumento financeiro como estratégia para combater a ocupação nazista e aliviar as feridas da Europa. Desde os primeiros anos do mandato, Nogara e seus colaboradores montaram uma bem formada rede de contatos e relacionamentos, demonstrando uma notável capacidade diplomática.

As atividades das instituições financeiras do Vaticano – escreve McGoldrick -, fornecem uma prova muito clara de que o Vaticano enviava sistematicamente os seus títulos, via Lisboa, para colocá-los em local seguro, como as contas em bancos norte-americanos.

No início do conflito, a Santa Sé decidiu transferir enorme quantidade de valores (títulos, reservas, doações, dinheiros das dioceses) dos territórios controlados pelos nazistas para os Estados Unidos. E isto sob os auspícios de Washington, que havia não somente isentado o Vaticano das restrições impostas a operações ligadas a Países inimigos, os ‘US Freezibng Orders’, mas também usava uma maior flexibilidade quando os pedidos vinham de Roma.

Grande parte deste dinheiro era usado para sustentar a Igreja em dificuldade, as missões, as nunciaturas, os seminários e as dioceses de todos os continentes. Era um canal privilegiado para a Europa, levando alívio à Igreja perseguida durante a ocupação nazista, onde escolas católicas, mosteiros e igrejas eram confiscados ou fechados, organizações de jovens ou publicações católicas suspensas, e numerosos sacerdotes e religiosos presos em campos de concentração.

Os documentos do “National Archives” também revelam financiamentos para atividades humanitárias em favor das tropas aliadas e das populações envolvidas na guerra. Como exemplo, em abril de 1944, Pio XII organizou carregamentos de farinha para a cidade de Roma, onde já havia fornecido mais de cem mil refeições diárias, tentando também importar gêneros alimentícios da Argentina e da Espanha para a Itália e para a Grécia.

Ao usar o celular na igreja, é preciso coerência

É viável utilizar celular dentro da igreja?

Atualmente, é perceptível o grande número de pessoas que usam o celular. Nem é preciso buscar as pesquisas para comprovar isso, basta ver que muitos na rua, no trabalho, nas escolas, nas casas etc. estão com o aparelho nas mãos. Mas, além destes lugares citados, existe um local que nos faz pensar no seu uso: a igreja.

Sabe-se que Igreja, em grego, diz-se ekklesia e significa “os convocados”. Todos nós que somos batizados e cremos em Deus somos convocados pelo Senhor. Juntos, somos a Igreja, onde Cristo é a cabeça e nós o Seu corpo (cf. Catecismo Jovem da Igreja Católica, 121). Porém, refiro-me no texto ao templo físico, por isso escrevo igreja com a letra inicial minúscula.

Numa conversa, espera-se que as pessoas estejam com toda a sua atenção voltada uma para a outra. Na igreja, espera-se que todos estejam voltados para dialogar com Deus, ou seja, que estejam por inteiro nas orações e celebrações.

Alguns pensam que é possível fazer duas coisas ao mesmo tempo, com a mesma atenção, mas essa teoria é questionável. O neurocientista Russell Alan Poldrack, professor da Universidade de Stanford, afirma que o homem não é feito para realizar várias atividades ao mesmo tempo. Assim, cabe a pergunta: consigo usar o celular na igreja e estar por inteiro no diálogo com Deus?

O uso do celular na Missa

Muitos utilizam o celular na Missa. O assunto é complexo, pois há os pontos positivos, que são: auxiliar no canto litúrgico; colaborar na atenção do que está sendo falado pelo leitor; responder as orações eucarísticas corretamente; fazer anotações a respeito da homilia etc. Todavia, também possui pontos negativos, sendo eles: a distração com outros aplicativos e mídias sociais; o incômodo causado à pessoa ao lado com fotos e sons; desatenção na Missa entre outros.

O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil da CNBB diz: “Com a evolução das tecnologias de amplificação de imagem e som, as igrejas são beneficiadas com os aparatos técnicos que contribuem para maior visibilidade, compreensão e participação da Celebração Eucarística. Cuide-se, no entanto, que eles não ocupem o centro da relevância e da atenção em relação à Palavra e ao rito sacramental, e não criem ambiente de dispersão e de distração. Antes, colaborem para que os fiéis participem de forma ativa e reflexiva das celebrações eucarísticas”.

É difícil quem nunca ouviu o celular tocar na Missa ou encontraram pessoas usando-o dentro da igreja. Ora, o celular deve ajudar na participação do fiel e não atrapalhá-lo. Uma catequese, com a finalidade de orientar o fiel a usar o celular de modo adequado e levá-lo a contemplar o mistério pode ser o início da formação para uma nova evangelização.

O celular para oração pessoal

Num ambiente em que se está fora da Missa, o celular pode contribuir na oração pessoal com seus vários aplicativos. Porém, não estamos privados de receber notificações que vão nos desconcentrar no momento de intimidade com Deus. Assim, o celular no modo avião pode ser útil. Se for o caso, é mais recomendável usar o livro impresso para não dispersar a comunicação com Deus.

O Papa Francisco, na Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, disse: “Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor”.

Discernir para usar

Ressalta-se que a Igreja é lugar de comunhão com Deus e com os irmãos. Nada substitui a presença física da pessoa, sendo que os meios de comunicação devem nos aproximar e não nos distanciar. “O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós”. (Mensagem do Santo Padre Francisco para 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2014).

Portanto, sobre ser viável ou não o uso do celular na Igreja, é o homem que deve ter o discernimento necessário para avaliar os momentos adequados em que ele pode ser usado ou não. Seja como for, o cristão deve dispor das tecnologias para dar a conhecer o amor de Deus, uma vez experimentado por ele.

O Papa Bento XVI, no 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, disse: “Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até os confins da terra.”

Ricardo Cordeiro
Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

O Espírito Santo é a força divina que muda o mundo, afirma Papa

Solenidade de Pentecostes

Domingo, 20 de maio de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Na Solenidade de Pentecostes, no Vaticano, Francisco comparou o Espírito Santo a uma forte rajada de vento que traz mudança

Papa Francisco durante homilia da Santa Missa na Solenidade de Pentecostes, no Vaticano/ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

Na Solenidade de Pentecostes celebrada neste domingo, 20, na Basílica Vaticana, Papa Francisco comparou a vinda do Espírito Santo sob os apóstolos a uma forte rajada de vento. Segundo o Santo Padre, a rajada de vento sugere uma força grande, mas não finalizada em si mesma. “É uma força que muda a realidade. De fato, o vento traz mudança (…) o mesmo, embora a nível muito diferente, faz o Espírito Santo: Ele é a força divina que muda, que muda o mundo”, afirmou.

De acordo com o Pontífice, o Espírito Santo penetra nas situações e as transforma, mudando os corações e as vicissitudes. Francisco aproveitou para recordar as palavras de Jesus aos apóstolos – “Ides receber uma força, a do Espírito Santo (…) e sereis minhas testemunhas” (At 1, 8) – e sublinhou o medo enfrentado pelos discípulos mesmo depois da ressurreição do Mestre, e que só foi transformado pelo Espírito. “De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo”, disse.

“O Espírito liberta os espíritos paralisados pelo medo. Vence as resistências. A quem se contenta com meias medidas, propõe ímpetos de doação. Dilata os corações mesquinhos. Impele ao serviço quem se desleixa na comodidade. Faz caminhar quem sente ter chegado. Faz sonhar quem sofre de tibieza. Esta é a mudança do coração. Muitos prometem estações de mudança, novos começos, renovações portentosas, mas a experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem. A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração”, comentou o Papa.

O Santo Padre atribuiu também ao Espírito Santo a capacidade de manter jovem o coração, impedindo o envelhecimento interior. Segundo o Pontífice, a terceira pessoa da Trindade Santa renova os corações, transformando todos de pecadores em perdoados, de culpados e escravos do pecado, em livres e alegres com um coração de paz.

Francisco frisou como aprendizado da Solenidade de Pentecostes a busca pela verdadeira mudança. “Quando nos encontramos por terra, quando nos debatemos sob o peso da vida, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível. Então servir-nos-ia um forte reconstituinte: é Ele, a força de Deus. É Ele – como professamos no Credo – que dá a vida. Como nos faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida! Dizer, ao acordar: Vinde, Espírito Santo, vinde ao meu coração”, suscitou.

Além dos corações, o Papa destacou que, como o vento, o Espírito Santo sopra por todo o lado e chega às situações, mesmo as mais imprevistas. O Santo Padre prosseguiu citando o livro dos Atos dos Apóstolos, no qual é possível ver um dinamismo contínuo, rico de surpresas do Espírito, e advertiu sobre os que buscam a autoconservação e não vão ao encontro dos distantes.

“Muitas vezes, precisamente nos períodos mais escuros, o Espírito suscitou a santidade mais luminosa! Porque Ele é a alma da Igreja, sempre a reanima com a esperança, enche-a de alegria, fecunda-a de vida nova, dá-lhe rebentos de vida”, afirmou o Pontífice. O Santo Padre continuou pedindo aos fiéis que não se cansem de convidar o Espírito para os ambientes onde estão inseridos, e antes das atividades.

O Papa sublinhou que o Espírito dá intimidade com Deus, e força interior para avançar, mas, ao mesmo tempo, é força centrífuga, isto é, impele para o exterior. “Aquele que conduz ao centro é o Mesmo que envia para a periferia, rumo a toda a periferia humana; Aquele que nos revela Deus impele-nos para os irmãos. Envia, torna testemunhas e, para isso, infunde amor, benignidade, bondade, mansidão. Somente no Espírito Consolador proferimos palavras de vida e encorajamos verdadeiramente os outros. Quem vive segundo o Espírito permanece nesta tensão espiritual: encontra-se inclinado conjuntamente para Deus e para o mundo”, comentou.

Ao final de sua homilia, Francisco pediu o Espírito Santo sobre os fiéis, rogando: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins, para que, levada por Vós, nada mais leve senão Vós. Soprai sobre o mundo o suave calor da paz e a fresca restauração da esperança. Vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”, concluiu.

Derramamento do Espírito Santo
Papa no Regina Coeli: Santidade não é privilégio, mas a vocação de todos

Domingo, 20 de maio de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Em reflexão que antecede oração do Regina Coeli, Francisco recordou importância da Solenidade de Pentecostes para a história da santidade cristã

Da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, Papa Francisco iniciou na manhã deste domingo de Pentecostes, 20, a reflexão que antecede a oração do Regina Coeli. Aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice recordou a importância da vivência do derramamento do Espírito Santo sobre os apóstolos e os outros discípulos reunidos em oração com a Virgem Maria no Cenáculo (cf. Atos 2 : 1-11). “Naquele dia começou a história da santidade cristã, porque o Espírito Santo é a fonte de santidade, que não é privilégio de poucos, mas a vocação de todos”, afirmou.

Francisco recordou que, no batismo, todos os cristãos são chamados a participar da mesma vida divina de Cristo e, com a Confirmação – a Crisma —, tornam-se testemunhas no mundo. O Papa seguiu citando um trecho de sua recém-lançada Exortação Apostólica, a Gaudete et exsultate: “O Espírito Santo derrama a santidade em todos os lugares no santo povo fiel de Deus” (Gaudete et exsultate , 6).

O Santo Padre retomou também os desígnios de santidade, anunciado pelos antigos profetas. “Vou colocar meu espírito dentro de você e fazê-lo viver de acordo com as minhas leis e vou fazer você observar e colocar em práticas minhas normas. […] tu serás o meu povo e eu serei o teu Deus”(36: 27-28), afirmou o Papa ao citar a passagem de Ezequiel.

“Hoje é a festa do derramamento do Espírito. Daquele dia de Pentecostes, e até o fim dos tempos, essa santidade, cuja plenitude é Cristo, é dada a todos os que se abrem à ação do Espírito Santo e se esforçam para serem dóceis a Ele. É o Espírito que nos faz experimentar uma alegria plena. Ao entrar em nós, o Espírito Santo derrota a secura, abre os corações para a esperança e estimula o amadurecimento interior no relacionamento com Deus e com o próximo”, sublinhou Francisco.

O Papa seguiu citando a frase de São Paulo: “O fruto do Espírito é o amor, a alegria, a paz, a magnanimidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio de si” ( Gal 5, 22 ). O Pontífice encerrou sua reflexão pedindo à Virgem Maria uma Igreja renovada em Pentecostes, uma juventude renovada para testemunhar a alegria de viver o Evangelho e a efusão, em todos os cristãos, de um profundo desejo de santidade.

Dia das mães na Pastoral da Criança

Símbolo de amor e ternura, presença divina em nossas casas, vidas, escolas, igrejas, empresas, presença na coordenação e na execução de políticas públicas, presença, presença e presença.
Também, e principalmente nas Vilas, as mães são o suporte, a base e o esteio das precárias famílias que há muito vem mudando e assumindo novos e perigosos formatos.
Mães heroínas são elas – nas Vilas.
Sofrem, passam muitas necessidades, mal sabem ler e escrever, quando sabem. Muitas vezes são maltratadas dentro de suas casas, outras vezes testemunham maus tratos e violência com seus filhos. Muitos desses filhos têm somente a presença de suas mães e algumas vezes dos voluntários da Pastoral da Criança, como exemplos de carinho, atenção e um pouquinho do lado bom da vida.
Se o pai desiste da luta e cai na vida, a mãe não abandona o filho.
Até mesmo Deus, enquanto homem, teve Mãe e a honrou eternizando-a.
Santa Maria, Mãe de Deus, da Igreja e nossa Mãe!
No dia 12 de maio, a Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, com sua nova coordenadora – Marinês Zwir, suas líderes e voluntárias: Isabel, Marlete, Silvana e Rosinha, estiveram na Vila Martim Pilger homenageando as mamães da Vila e levando um pouco de conforto, carinho e alento às famílias do local. Na casa muito humilde de Dona Leila, uma das heroínas locais, a Pastoral solenizou e confraternizou com as mães e seus filhos. As mães foram agraciadas com pequenos mimos, muitos beijos, abraços e sorrisos – como Jesus faria se estivesse lá naquele dia. Certamente Ele estava!
Parabéns mamães!
Novo Hamburgo, 12 de maio de 2018.

Em um dia como hoje, Santa Teresinha do Menino Jesus foi canonizada

Por María Ximena Rondón
https://www.acidigital.com/noticias/em-um-dia-como-hoje-santa-teresinha-do-menino-jesus-foi-canonizada-79295

Santa Teresinha do Menino Jesus / Foto: Domínio Público

REDAÇÃO CENTRAL, 17 Mai. 18 / 01:45 pm (ACI).- Em um dia como hoje, há 93 anos, o Papa Pio XI canonizou Santa Teresinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Lisieux, Doutora da Igreja e Padroeira das Missões.

Esta carmelita francesa morreu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. Um ano depois, foi publicado o livro “História de uma alma”, baseado em seus escritos, o qual revela o intenso amor que ela professava por Jesus.

A religiosa foi beatificada pelo Papa Pio XI em 29 de abril 1923 e, em 17 de maio de 1928, foi canonizada pelo mesmo Papa.

Em sua homilia, Pio XI indicou que a santa francesa “o Espírito de verdade lhe comunicou e manifestou o que coube esconder ‘aos sábios e entendidos’ e revelar ‘aos pequeninos’”.

Destacou que, “de fato, ela – segundo o testemunho do nosso Predecessor – foi dotada de tal ciência das coisas celestes a ponto de indicar aos outros a via correta da salvação. E esta participação abundante na divina luz e na divina graça acendeu em Teresa um incêndio tão grande de caridade que, portando-a continuamente quase fora do corpo, por fim, a consumou, de modo que, pouco antes de deixar a vida, pôde candidamente declarar que ‘não havia dado a Deus nada mais do que amor’”.

O Santo Padre também disse sobre seus escritos que, “difundidos em todo o mundo, ninguém lê sem querer reler mais e mais vezes, com alegria máxima para a alma e com fruto”.

Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada Doutora da Igreja por São João Paulo II em 19 de outubro de 1997.

Naquele dia, o Pontífice polonês destacou que “entre os ‘Doutores da Igreja’, Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas nos seus escritos são tão vastas e profundas, que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais”.

“O desejo que Teresa exprimiu, de ‘passar o seu Céu fazendo o bem sobre a terra’, continua a realizar-se de modo maravilhoso. Obrigado, ó Pai, porque hoje a tornais próxima de nós a novo título, para louvor e glória do Vosso nome nos séculos”, acrescentou.

Os pais desta doce religiosa, Luis Martin e Zélia Guérin, foram canonizados pelo Papa Francisco em 18 de outubro de 2015 em Roma, durante o Sínodo da Família.

Papa adverte contra os que tentam converter o povo em uma “massa” manipulável

https://www.acidigital.com/noticias/papa-adverte-contra-os-que-tentam-converter-o-povo-em-uma-massa-manipulavel-96330

Papa durante a Missa realizada na Casa Santa Marta. Foto: Vatican Media

Vaticano, 17 Mai. 18 / 10:05 am (ACI).- O Papa Francisco advertiu contra os “líderes” que tentam manipular os povos e convertê-los em “massa”, através da construção de uma “falsa unidade” usada para fins particulares.

Na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta na manhã de hoje, o Santo Padre destacou a necessidade de trabalhar pela unidade, porque “quando nós na vida, na Igreja ou na sociedade civil trabalhamos pela unidade, estamos no caminho que Jesus traçou”.

Entretanto, advertiu contra a “falsa unidade”, como aquela dos acusadores de São Paulo na Primeira Leitura do dia, dos Atos dos Apóstolos. Inicialmente, eles se apresentam como um bloco único para acusá-lo.

Mas Paulo, com a sabedoria do Espírito Santo, lançou a “pedra da divisão” assegurando que estava sendo julgado “pela esperança da ressurreição dos mortos”, o que provocou a divisão da assembleia que o julgava entre os fariseus e saduceus, pois eles não acreditavam na ressurreição.

Nos Atos dos Apóstolos, também se vê outras ocasiões em que São Paulo sofre perseguições por parte do povo, que grita sem nem mesmo saber o que está dizendo, e só repetem o que “os dirigentes” sugerem.

“Esta instrumentalização do povo – explicou Francisco – é também um desprezo pelo povo, porque o transforma em massa. É um elemento que se repete com frequência, desde os primeiros tempos até hoje”.

Nesse sentido, o Pontífice sugeriu pensar como “no Domingo de Ramos todos aplaudiram Jesus: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’. E as mesmas pessoas, na sexta-feira seguinte, gritaram: ‘Crucifica-o!’. O que aconteceu?”, perguntou-se o Papa.

“Fizeram uma lavagem cerebral e mudaram as coisas. E transformaram o povo em massa, que destrói”.

Este método, “criar condições obscuras para condenar a pessoa”, é o que rompe a unidade. Um método com o qual perseguiram Jesus, Paulo, Estêvão e todos os mártires.

Além disso, o Papa assinalou que também é um método utilizado hoje “na vida civil, na vida política, quando se quer fazer um golpe de Estado”: “a mídia começa a falar mal das pessoas, dos dirigentes, e com a calúnia e a difamação essas pessoas ficam manchadas”.

Do mesmo modo, advertiu que, “de maneira mais concreta, acontece o mesmo também nas nossas comunidades paroquiais, por exemplo, quando dois ou três começam a criticar o outro. E começam a falar mal daquele outro… E fazem uma falsa unidade para condená-lo; sentem-se seguros e o condenam”.

“Condenam mentalmente o outro. Depois se separam e falam mal um contra o outro, porque estão divididos. Por isso a fofoca é uma atitude assassina, porque mata, exclui as pessoas, destrói a ‘reputação’ das pessoas”.

Pelo contrário, convidou a pensar “na grande vocação à qual fomos chamados: a unidade com Jesus, o Pai”.

“E este caminho devemos seguir, homens e mulheres que se unem e buscam sempre prosseguir no caminho da unidade. E não as falsas unidades, que não têm substância, e servem somente para dar um passo a mais e condenar as pessoas, e levar avante interesses que não são os nossos: interesses do príncipe deste mundo, que é a destruição”.

O Papa terminou a sua homilia pedindo “que o Senhor nos dê a graça de caminhar sempre na estrada da verdadeira unidade”.

Leitura comentada pelo Papa Francisco:

At 22,30;23,6-11

Naqueles dias, 30querendo saber com certeza por que Paulo estava sendo acusado pelos judeus, o tribuno soltou-o e mandou reunir os chefes dos sacerdotes e todo o conselho dos anciãos. Depois fez trazer Paulo e colocou-o diante deles.

23,6Sabendo que uma parte dos presentes eram saduceus e a outra parte eram fariseus, Paulo exclamou no conselho dos anciãos: “Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos”. 7Apenas falou isso, armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, e a assembleia se dividiu.

8Com efeito, os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, enquanto os fariseus sustentam uma coisa e outra. 9Houve, então, uma enorme gritaria. Alguns doutores da Lei, do partido dos fariseus, levantaram-se e começaram a protestar, dizendo: “Não encontramos nenhum mal neste homem. E se um espírito ou anjo tivesse falado com ele?”

10E o conflito crescia cada vez mais. Receando que Paulo fosse despedaçado por eles, o comandante ordenou que os soldados descessem e o tirassem do meio deles, levando-o de novo para o quartel. 11Na noite seguinte, o Senhor aproximou-se de Paulo e lhe disse: “Tem confiança. Assim como tu deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que tu sejas também minha testemunha em Roma”.

Papa conclui ciclo de catequeses sobre o Batismo

Revestidos de Cristo

Quarta-feira, 16 de maio de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Na reflexão de hoje, Papa explicou significado da veste branca e da vela acesa no rito do Batismo

Audiência geral na Praça São Pedro com o Papa Francisco / Foto: Reprodução Youtube – Vatican News

O Papa Francisco concluiu nesta quarta-feira, 16, o ciclo de catequeses sobre o Batismo, realizado nesse tempo pascal vivido pela Igreja. O tema de hoje foi “revestidos de Cristo”.

Na reflexão de hoje, Francisco se deteve sobre o significado da veste branca e da vela acesa, que fazem parte do rito. “A veste branca, enquanto exprime simbolicamente o que aconteceu no sacramento, anuncia a condição dos transfigurados na glória divina”, disse, explicando que revestir-se de Cristo, como lembra São Paulo, é revestir-se de sentimentos de ternura, bondade, humildade, mansidão, magnanimidade, perdão e, sobretudo, caridade.

Também a entrega da chama tirada do círio pascal lembra o efeito do Batismo. Sobre as palavras do sacerdote nesse momento – “Receba a luz de Cristo”, Francisco explicou que elas recordam que a luz é Jesus Cristo, que venceu as trevas do mal.

“Nós somos chamados a receber o seu esplendor! Como a chama do círio pascal dá luz a cada vela, assim a caridade do Senhor Ressuscitado inflama os corações dos batizados, enchendo-os de luz e calor”.

Francisco lembrou que essa é, de fato, a vocação cristã: caminhar sempre como filhos da luz, perseverando na fé. No caso das crianças, explicou o Papa, é tarefa dos pais, junto aos padrinhos, cuidar de alimentar a chama da graça batismal no coração dos pequenos, ajudando-os a perseverar na fé. “A educação cristã é um direito das crianças”, disse, citando o Rito do Batismo das Crianças.

“Ao término destas catequeses sobre Batismo, repito a cada um de vocês o convite que assim expressei na exortação apostólica Gaudete et exsultate: ‘Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gal 5, 22-23)”, concluiu o Santo Padre.

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