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Em homilia, Papa diz que cristãos devem rezar pelos governantes

Segunda-feira, 18 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa destacou que é preciso acompanhar os governantes com a oração

O Papa Francisco presidiu a Missa na Capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 18, e em sua homilia pediu aos cristãos para rezarem pelos seus governantes, apesar de seus erros. O Pontífice pediu também aos governantes para rezar, caso contrário, correm o risco de fecharem-se no próprio grupo. O governante que tem a consciência de ser subalterno ao povo e a Deus, reza.

A reflexão de Francisco partiu da Primeira Leitura de hoje e do Evangelho. Na primeira leitura, São Paulo aconselha a Timóteo a rezar pelos governantes. No Evangelho, há um governante que reza: é o oficial romano que tinha um empregado que estava doente. Amava o povo, não obstante fosse estrangeiro, e amava o empregado, pois, de fato, se preocupava.

“Este homem sentiu a necessidade de rezar”, disse o Papa. Ele explicou que o homem rezava não somente porque amava, mas também porque tinha a consciência de não ser o patrão de tudo, de não ser a última instância. Sabia que, acima dele, há outro que comanda. Havia subalternos, soldados, mas ele também estava na condição de subordinado. E isso o levou a rezar. O governante que tem essa consciência, reza.

“Se não reza, fecha-se na própria ‘autorreferencialidade’ ou na de seu partido, naquele círculo do qual não se sai. É um homem fechado em si mesmo. Porém, quando vê os problemas verdadeiros, tem a consciência de ser subalterno, que existe outro que tem mais poder que ele. Quem tem mais poder do que o governante? O povo, que lhe deu o poder, e Deus, do qual vem o poder através do povo. Quando um governante tem a consciência de ser subordinado, reza”.

A oração do governante

O Papa Francisco ressaltou a importância da oração do governante, porque é a oração para o bem comum do povo que lhe foi confiado. Ele recordou, a esse propósito, a conversa com um governante que todos os dias passava duas horas em silêncio diante de Deus, apesar de ter muitos afazeres. É preciso pedir a Deus a graça de governar bem como Salomão, que não pediu a Deus ouro ou riquezas, mas sabedoria para governar.

Os governantes, diz Francisco, devem pedir ao Senhor essa sabedoria. “É tão importante que os governantes rezem”, reiterou o Papa. Nessa oração, pedir ao Senhor que não cancele a “consciência de ser subalterno” a Deus e do povo.

E a quem poderia se opor dizendo ser agnóstico ou ateu, o Papa diz: “Se você não pode rezar, confronte-se”, “com a sua consciência”, com “os sábios do seu povo”, mas “não fique sozinho com o pequeno grupo do seu partido”, ressalta. “Isto é ser auto-referencial”.

Rezar pelos governantes

Na primeira leitura, Paulo convida a rezar pelos reis, “para que – afirma – possamos levar uma vida calma, pacífica, digna e dedicada a Deus”. Francisco observa que, no entanto, quando um governante faz algo que não agrada, ele é criticado ou, de outra forma, louvado. É deixado sozinho com o seu partido, com o Parlamento.

“’Não, eu o votei – eu o votei’ – ‘Eu não o votei, problema seu’. Não, não podemos deixar os governantes sozinhos: devemos acompanhá-los com a oração. Os cristãos devem rezar pelos governantes. “Mas, Padre, como vou rezar por ele que faz tantas coisas ruins?”. Ele precisa mais do que nunca da oração. Reze, faça penitência pelo governante. A oração de intercessão – isso é tão bonito que Paulo diz – é para todos os reis, para todos aqueles que estão no poder. Por quê? Porque podemos levar uma vida calma e tranquila. Quando o governante é livre e pode governar em paz, todo o povo irá se beneficiar disso”.

E o Papa conclui pedindo que se faça um exame de consciência sobre a oração pelos governantes. “Peço-lhes um favor: cada um de vocês pegue hoje cinco minutos, não mais. Se você é um governante, se pergunte: ‘Eu rezo por aquele que me deu o poder através do povo?’ Se não é um governante, ‘rezo pelos governantes? Sim, por esse e por aquele sim, porque gosto deles; por aqueles outros, não’. Esses têm mais necessidade do que os outros! ‘Rezo por todos os governantes?’ E se você perceber, quando faz exame de consciência para se confessar, que não reza pelos governantes, leve isso à confissão. Porque não rezar pelos governantes é um pecado”.

Abrir-se à alegria e ao perdão são os pedidos do Papa no Angelus

Domingo, 17 de setembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

O Santo Padre se inspira em passagem de Mateus em sua reflexão dominical

Em sua reflexão que precede a oração mariana do Angelus deste domingo, 17, o Papa Francisco dedicou-se a temas como o perdão, inspirando-se na passagem de Mateus proposta pela liturgia do dia.

“Perdoar setenta vezes sete, ou seja, sempre”, é a resposta de Jesus a Pedro ao ser questionado por ele sobre quantas vezes deveria perdoar. Se para ele perdoar sete vezes uma mesma pessoa já parecia ser muito, “talvez para nós pareça muito fazê-lo duas vezes”, observou Francisco.

O Papa coloca Jesus e o perdão em perspectiva por meio da parábola do “Rei misericordioso e do servo perverso, que mostra a incoerência daquele que antes foi perdoado e depois se recusa a perdoar”: “A atitude incoerente deste servo é também a nossa quando rejeitamos o perdão aos nossos irmãos. Enquanto o rei da parábola é a imagem de Deus que nos ama com um amor tão rico de misericórdia, que nos acolhe, nos ama e nos perdoa continuamente”.

O Santo Padre recordou ainda que com o nosso batismo, Deus nos perdoa de uma “dívida insolvível”, e continua a nos perdoar “assim que mostramos um pequeno sinal de arrependimento”.

E Francisco deu um conselho para quando houver dificuldade em perdoar: “Quando somos tentados a fechar o nosso coração a quem nos ofendeu e nos pede desculpa, nos recordemos das palavras do Pai celeste ao servo perverso: “eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?”.

Depois o Papa lembrou a oração do Pai Nosso para explicar o perdão: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos quem nos tenha ofendido. O perdão de Deus é o sinal de seu amor transbordante por cada um de nós; é o amor que nos deixa livres para nos afastar, como o filho pródigo, mas que espera a cada dia o nosso retorno; é o amor contínuo do pastor pela ovelha perdida; é a ternura que acolhe todo pecado que bate à sua porta. O Pai celeste é pleno de amor e quer oferecê-lo, mas não o pode fazer se fechamos o nosso coração ao amor pelos outros”.

Por fim, o Papa pediu que “a Virgem Maria nos ajude a ser sempre mais conscientes da gratuidade e da grandeza do perdão recebido de Deus, para nos tornarmos misericordiosos como Ele, Pai bom, lento para a ira e grande no amor”.

Contemplar Nossa Senhora das Dores aos pés da Cruz, convida Papa

Sexta-feira, 15 de setembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou força e coragem de Nossa Senhora das Dores, que permaneceu aos pés da cruz, não renegou seu Filho

“Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição (…) É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”, explica Papa / Foto: L’Osservatore Romano

O primeiro compromisso do Papa Francisco na manhã desta sexta-feira, 15, foi a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis a contemplarem Nossa Senhora das Dores, aos pés da Cruz, no dia em que a Igreja recorda a sua memória:

“Contemplar a Mãe de Jesus, contemplar este sinal de contradição, porque Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição, não se compreende… É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”.

Maria sabia disso e “toda a vida viveu com a alma transpassada”. Seguia Jesus e ouvia os comentários das pessoas, às vezes a favor, às vezes contra, mas sempre esteve atrás de seu Filho. E “por isso dizemos que é a primeira discípula”, destacou Francisco.

Maria tinha a inquietação que fazia nascer no seu coração este “sinal de contradição”.

No final, ficava ali, em silêncio, sob a Cruz olhando o Filho. Talvez, ouvia comentários do tipo: “Olha, aquela é a Mãe de um dos três delinquentes”. Mas Ela “mostrou o rosto pelo Filho”:

“Aquilo que digo agora são pequenas palavras para ajudar a contemplar, em silêncio, este mistério. Naquele momento, Ela deu à luz a todos nós: deu à luz a Igreja. ‘Mulher’ – Lhe diz o Filho – ‘eis os teus filhos’. Não diz ‘mãe’: diz ‘mulher’. Mulher forte, corajosa; mulher que estava ali para dizer: ‘Este é meu Filho: não O renego’”.

Portanto, o trecho do Evangelho é mais para contemplar do que para refletir. “Que seja o Espírito Santo – conclui – a dizer a cada um de nós aquilo de que precisamos”.

13 razões para viver

Saúde e Bem Estar
Com base na série “13 Reasons Why”, Psicólogo apresenta reflexão favorável à vida
Élison Santos*
http://noticias.cancaonova.com/brasil/13-razoes-para-viver/

Em sua obra que se tornou um dos dez livros mais influentes da história dos EUA, ‘Em busca de sentido – Um psicólogo no campo de concentração’, Viktor Frankl relata situações ocorridas durante seus três anos como prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial. A tônica de toda sua obra, iniciada antes da guerra e largamente desenvolvida durante mais de cinco décadas depois da guerra, é a afirmação categórica de que a vida tem sentido, não importa sob qual circunstância, a vida sempre tem sentido. Mas, como encontrar o sentido da vida, especialmente quando tudo parece estar errado, quando parece não haver saída para os problemas, quando a angústia parece ser maior que a vontade de viver?
Enquanto a série ’13 reasons why’ da netflix nos propõe uma reflexão sobre os motivos que podem levar alguém a tirar sua própria vida, proponho aqui algumas razões para se enfrentar a ideia de morte:

1 – Por alguém – Em algumas situações no campo de concentração Frankl se deparou com pessoas que queriam cometer suicídio, algumas ele pôde ajudar, propondo-lhes esta reflexão, se haveria alguém por quem valeria a pena suportar o sofrimento do campo de concentração até o fim e manter a esperança de talvez um dia reencontrar esta ou aquela pessoa. Esta reflexão fez com que muitas pessoas deixassem a vontade de morrer e passagem a suportar o sofrimento de estar vivo sob aquelas circunstâncias, por alguém.

2 – Uma tarefa – Outras pessoas no campo de concentração haviam prometido para elas mesmas terminar uma tarefa, um livro que haviam iniciado antes da guerra, uma obra que haviam prometido para si mesmas que realizariam durante a vida e por esta ou aquela tarefa, por este ou aquele compromisso consigo mesmo, valeria a pena suportar o sofrimento e deixar aberta a possibilidade de sobreviver em um pós-guerra.

3 – O amor – Além de pensar no bem de outra pessoa, quando se tem alguém para amar, você mesmo vive uma experiência de grandes proporções. Frankl relata que muitas vezes, no final de um dia, ainda trabalhando sob o frio cortante, a fraqueza física, a fome e a humilhação, pensava em sua esposa, nos momentos felizes que passou ao seu lado e isto lhe ajudava a suportar o sofrimento.

4 – A inteligência – Enquanto estamos vivos somos constantemente desafiados por nossa existência. Nossa mente está a nos ajudar a encontrar saídas para os problemas e por isso temos condições de suportar sofrimentos. É fato que sempre existem saídas. Por isso a afirmação categórica de que a vida tem sentido. Portanto, se não estamos encontrando saída é porque nossa inteligência está, de alguma forma, equivocada, alguma emoção muito grande pode nos impedir de encontrar e perceber as muitas possibilidades de saída daquele problema.

5 – O humor – Frankl relata que uma vez foram encaminhados para um barracão e tiveram que tirar suas roupas, era um lugar diferente, eles sabiam que muitos prisioneiros eram encaminhados para lugares assim e eram executados com gases letais. Eles entraram ali e se depararam com muitos chuveiros, estavam literalmente morrendo de medo de que daqueles canos saíssem os gases que os matariam, quando de repente saiu água e muitos deles começaram a rir muito porque ao invés de serem mortos, foram levados apenas para tomar banho. Mesmo diante das piores situações de nossa vida, mesmo diante do sofrimento mais amargo que alguém pode viver, ainda assim é possível encontrar um segundo de bom humor e o humor abre janelas em nossa mente, ampliando nosso campo de visão, ajudando nossa inteligência a encontrar as saídas para os problemas.

6 – A arte – Uma das formas de auxiliar a mente a suportar o sofrimento é ver a realidade por um outro prisma. Na arte a pessoa é convidada a se colocar a margem da realidade fria para poder ver com outros olhos. Frankl nos fala de uma capacidade especificamente humana que é a autotranscendência, podemos nos afastar da realidade nua e crua e encontrar um sentido superior. Um desenho, uma pintura, uma música, um poema, algo que posso expressar fisicamente ou que posso apenas imaginar em minha mente. Uma realidade que me ajude a suportar o sofrimento como, por exemplo, a personagem Guido no filme ‘A vida e bela’ desenvolve uma história para que o filho possa suportar os terrores da guerra.

7 – A resiliência – Suportar o sofrimento e a dor é uma capacidade presente em todos os seres humanos. Desde nosso nascimento experimentamos dores e desconfortos que fazem parte dos processos do crescimento físico e do desenvolvimento psicossocial. Quanto maior nossa capacidade de suportar desconfortos, maior nossa possibilidade de desenvolvimento. Frankl poderia ter ele mesmo cometido suicídio no campo de concentração, mas optou pela resiliência e fez que esta experiência terrível de dor, humilhação e privação se transformasse em uma obra com mais de trinta livros publicados e dezenas de títulos honoris causa das mais conceituadas universidades do mundo.

8 – Caridade – Uma colocação do Rabino Hillel pode nos ajudar a refletir sobre esta razão: “Se eu não for por mim, quem o será? Mas, se eu for só por mim, que serei eu? Senão agora, quando?” Refletir sobre o sentido da vida é pensar também nas pessoas que estão ao meu redor. Diante da pergunta: ‘que serei eu?’, propõe-se uma constatação de que eu sou alguém conectado com uma família, com laços de sangue e de amizade, e ainda que eu não tenha amigos nem parentes, em última instância o único responsável por mim mesmo. Desta forma, posso apelar a minha consciência para que eu mesmo seja caridoso comigo, oferecendo-me a possibilidade de seguir vivendo. E, ainda que não tenhamos certeza do futuro, temos certeza do agora, ‘se não agora, quando?’, pois se não tomo a decisão de viver agora e me salvo da morte, quando poderei fazê-lo?

9 – A curiosidade – Ainda que possa parecer sedutora a ideia de se conhecer o que há do outro lado da morte, não existe provas sobre o que se pode existir, nem mesmo se existe algo, por outro lado, há uma certeza sobre a vida, pois está sendo experimentada de alguma forma, ainda que em sofrimento. Pela experiência, também sabe-se que o tempo passa, e com o tempo surgem novas possibilidades. Posso lançar-me no desafio de que existem milhões de possibilidades que me visitarão no dia de amanhã, por que não esperar para ver o que acontece? O preço para ver o dia seguinte é apenas a paciência para viver o dia de hoje. Em uma perspectiva de muitos anos que poderão vir após o amanhã, o valor de um dia pode ser bem pouco.

10 – A vaidade – Pode-se ver a vaidade como algo negativo, mas ela está relacionada também a uma possibilidade de defesa de nossa vida. E se ela pode interpelar minha consciência para que eu não tire minha própria vida, então a vaidade pode ser minha amiga. Posso, por exemplo, perguntar-me o que os outros pensarão de mim se eu cometer suicídio, certamente que poderei encontrar muitos que terão uma visão muito negativa de mim. É certo que, para a pessoa que chega próxima de pensar na possibilidade de morrer a vaidade pode não ser algo para o qual ela vá se importar, mas não deixa de ser também para alguns uma boa questão. Minha história poderá ficar manchada negativamente, então pode valer a pena continuar vivendo para tentar construir uma história que de fato traga orgulho para as pessoas que me conhecem.

11 – A fé – Nem todo mundo tem uma religião, mas todo ser humano tem a capacidade de ter fé. Ainda o mais ateu dos ateus, pode se deparar com sua capacidade de crer nas infinitas possibilidades do universo. Ainda que para alguns não haja provas suficientes de que Deus exista, para todos não existem provas cabíveis de que Ele não exista. Desta forma, todos temos a possibilidade de ter fé. Frankl não sabia que a guerra acabaria, ninguém sabia, ele não sabia se sairia vivo da guerra, mas de alguma forma, ele acreditava. São muitos os relatos da Segunda Guerra de grupos que se reuniam para rezar, para realizar suas experiências religiosas em comunidade. Existem pesquisas no campo da psicologia e da psiquiatria que comprovam, por exemplo, que as pessoas que têm uma crença religiosa tendem a superar com mais facilidade uma enfermidade ou um vício do que aquelas que não tem.

12 – Meu espelho – A pessoa pode chegar em um ponto da vida que não mais goste de si, que eu não goste do seu corpo, do seu semblante, das pessoas que a cercam, da sua casa, das coisas que tem, mas se tem algo que não pode fugir é de sua própria consciência. Olhar no espelho, não significa buscar uma análise narcísica das coisas bonitas que julgue que todos devam ter, mas sim olhar nos seus próprios olhos, encarar a verdade do seu olhar. Quando olhar para si, busque dizer com honestidade o que você pretende fazer com os sonhos, os planos, as experiências, as histórias que viveu. Olhar no espelho é permitir-se apreciar tudo o que se construiu até agora e valorizar esta obra chamada vida.

13 – Meu futuro – Não tenho certeza do meu futuro, mas posso projetar-me. A 13ª razão para viver encontra-se em um diálogo sincero com uma pessoa chamada ‘meu futuro’, ela tem o meu nome, e é pelo menos 10 anos mais velha que eu. No meu caso, que estou com 39, quero falar com o meu ‘eu’ de 80 anos. Depois de olhar no espelho e ver meus olhos de agora, quero olhar para os olhos do senhor de 80 anos. Ele olhará para mim e me dirá o que eu fiz de certo e o que eu fiz de errado. Eu estou dando a ele a oportunidade de me dizer o que há de errado no momento atual, ele passou por isso, ele viveu aquele momento e depois de algum tempo ele entendeu bem os motivos do sofrimento que eu estou vivendo. Eu olho para os olhos deste senhor de 80 anos e não consigo pensar em outra coisa do que na vontade de encontrá-lo são e salvo daqui 41 anos, eu amo este senhor e quero poder abraçá-lo um dia. Farei de tudo para que eu o encontre bem.

14 – Minha missão – Não há ninguém igual a mim, desde minhas aulas de biologia no ensino fundamental eu sei que dos mais de 7 bilhões de habitantes da terra, ninguém tem uma digital como a minha, ninguém tem um DNA como o meu. Por alguma razão eu nasci neste tempo da história e neste espaço do universo, minha existência tem um sentido. Assim como inúmeros seres vivos existem por uma razão, por um propósito, eu certamente tenho o meu, a lógica, a história e a ciência me provam isso. Minha vida tem um sentido e ele é único. Eu cheguei a este momento talvez porque muitas circunstâncias me levaram a pensar que minha vida não era importante, que minha história não fazia diferença, mas desde o dia em que eu fui concebido eu comecei a mudar o mundo ao meu redor, a vida da minha mãe mudou, do meu pai, da minha família, das pessoas que me conheceram quando eu era apenas um bebê e dos colegas e amigos que fiz durante todos estes anos, ainda que não gostem de mim, eu represento algo para eles, minha vida fez diferença até agora, mesmo eu não sabendo o que queria, mesmo eu não entendendo o valor da minha vida, mesmo nas vezes em que eu estava pensando apenas em mim mesmo, de alguma forma, direta ou indiretamente, minha vida está afetando a vida de outras pessoas. Hoje, lendo este texto sobre 13 razões para viver, eu me pergunto: Qual é minha missão? O que está ao meu alcance? O que poderei fazer nos anos que virão para que minha vida possa influenciar de forma positiva nas pessoas ao meu redor?
Viktor Frankl relata um momento em que ele seria levado em um caminhão para ser possivelmente liberto, pois a guerra estava acabando, mas ele viu que haviam muitos doentes ali e como era médico sentiu-se no dever de ajudar as pessoas que estavam ali e abriu mão de ir naqueles caminhões. Terminada a guerra, ele viria a saber que as pessoas que estavam naqueles caminhões foram executadas. Ele refletiu de como seu senso de missão, o tinha livrado novamente da morte. Todos nós temos um lugar no mundo, um lugar que só pode ser preenchido por nós, com nossa unicidade. Uma obra de arte é valiosa justamente por ser única, somos uma obra de arte, a mais bela e cara de todas, e o valor de nossa existência pode ser aumentado a cada momento que decidimos fazer o que é melhor para as pessoas ao nosso redor e consequentemente para nós mesmos.

Eu sei, se você prestou atenção, percebeu que existem mais de 13 razões neste texto… não se preocupe, eu escreveria 1013 razões para mantê-lo vivo e não me importaria em ‘errar’ na sequência dos números. Ao final das contas, não importa quantas razões você tenha para tirar sua vida, lembre-se que você só precisa de uma razão para manter-se vivo.
 

Pecadores somos todos, corruptos não

O Papa na missa desta segunda-feira denunciou quem é benfeitor da Igreja mas rouba o Estado

Na missa desta manhã na Casa de Santa Marta o Papa Francisco denunciou os corruptos, dizendo que pecadores somos todos mas corruptos não. Partindo da passagem do Evangelho em que Jesus nos pede para perdoarmos sete vezes por dia, o Santo Padre recordou que o próprio Cristo considerava muito mau o comportamento dos que são motivo de escândalo.

“Pecado é uma coisa mas o escândalo é outra”. “A diferença é que quem peca e se arrepende, pede perdão, sente-se débil, sente-se filho de Deus, humilha-se e pede a salvação a Jesus. Mas daquele que escandaliza, o que é que escandaliza? Quem não se arrepende. Continua a pecar, mas faz de conta de ser cristão: é a vida dupla. E a vida dupla de um cristão faz tão mal, tão mal. Mas eu sou benfeitor da Igreja! Meto a mão no bolso e dou à Igreja. Mas com a outra rouba: ao Estado, aos pobres… rouba. É um injusto. Isto é vida dupla.”

“E nós devemos assumir-nos como pecadores, sim, todos, somos todos. Mas corruptos não. O corrupto está fixo num estado de suficiência, não sabe o que é a humildade. Jesus a estes corruptos dizia serem sepulcros esbranquiçados, que parecem belos exteriormente mas dentro estão cheios de ossos, morte e podridão. Cristãos corruptos e padres corruptos…quanto mal fazem à Igreja. Porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade.”

S. Paulo – comentou o Papa Francisco – diz claramente na Carta aos cristãos de Roma: “Não vos conformeis com este mundo”, e o próprio texto – continua o Santo Padre até vai mais longe pois S.Paulo propõe que não entremos nos parâmetros deste mundo, na mundanidade que nos leva à vida dupla:

“Uma podridão envernizada: esta é a vida dos corruptos. Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo que foge a todo o engano, peçamos a graça de reconhecermo-nos pecadores: somos pecadores. Pecadores sim, Corruptos não.”

Mistério de amor da Cruz não é “masoquismo” espiritual, explica Papa

Quinta-feira, 14 de setembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia, Francisco advertiu para duas tentações espirituais diante da cruz de Cristo

Depois de dois meses e meio de pausa, o Papa Francisco retomou na manhã desta quinta-feira, 14, Festa da Exaltação da Santa Cruz, a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Na homilia o Pontífice advertiu para duas tentações espirituais diante da cruz de Cristo: a de pensar um Cristo sem cruz, isto é, fazer Dele um “mestre espiritual”, e, de outro lado, pensar uma cruz sem Cristo, ou seja, não ter esperança, numa espécie de “masoquismo” espiritual.

O centro da reflexão do Papa foi o mistério de amor constituído pela cruz. Francisco evidenciou que nem sempre é fácil entender a cruz. “Somente com a contemplação se vai avante neste mistério de amor”, afirmou.

E Jesus, quando quer explicá-lo a Nicodemos, como recorda o Evangelho do dia, usa dois verbos: subir e descer. “Jesus desceu do Céu para levar todos nós a subir ao Céu”. “Este é o mistério da cruz”, destacou o Papa. Na Primeira Leitura, justamente para explicar isto, São Paulo diz que Jesus “humilhou a si mesmo”, fazendo-se obediente até a morte de cruz:

“Esta é a descida de Jesus: até embaixo, à humilhação, esvaziou a si mesmo por amor. E por isso, Deus o exaltou e o fez subir. Somente se nós conseguirmos entender esta descida até o fim, podemos entender a salvação que nos oferece este mistério do amor.”

Porém, notou o Papa, “não é fácil, porque sempre existem tentações para considerar uma metade e não a outra. São Paulo disse uma palavra forte aos Gálatas “quando cederam à tentação de não entrar no mistério do amor, mas de explicá-lo”.

Assim como a serpente encantou Eva e envenenou os israelitas no deserto, do mesmo modo foram encantados “por uma ilusão de um Cristo sem cruz ou de uma cruz sem Cristo”.

“Um Cristo sem cruz que não é o Senhor: é um mestre, nada mais que isso. É aquele que, sem saber, talvez Nicodemos buscava. É uma das tentações. Sim, Jesus que bom o mestre, mas….sem cruz, Jesus. Quem os encantou com esta imagem? A raiva de Paulo. Jesus Cristo apresentado, mas não crucificado. Outra tentação é a cruz sem Cristo, a angústia de permanecer lá embaixo, com o peso do pecado, sem esperança. É uma espécie de “masoquismo” espiritual. Somente a cruz, mas sem esperança, sem Cristo”.

Mas a cruz sem Cristo seria “um mistério trágico”, disse o Papa, como as tragédias pagãs:

“Mas a cruz é um mistério de amor, a cruz é fiel, a cruz é nobre. Hoje podemos tirar alguns minutos e cada um fazer uma pergunta: para mim, o Cristo crucificado é mistério de amor? Eu sigo Jesus sem cruz, um mestre espiritual que nos enche de consolação, de bons conselhos? Sigo a cruz sem Jesus sempre me lamentando, com este “masoquismo” do espírito? Deixo-me levar por este mistério do abaixamento, esvaziamento total e exaltação do Senhor?”.

O Papa conclui fazendo votos de que o Senhor dê a graça “não digo de entender, mas de entrar” neste mistério de amor: “depois, com o coração, com a mente, com o corpo, com tudo, entenderemos alguma coisa”.

Que a santa cruz seja a nossa luz

Catequese para toda a família
Por Luis Javier Moxo Soto

MADRI, 10 de Julho de 2013 (Zenit.org) – A primeira encíclica do nosso papa Francisco, Lumen Fidei, foi começada pelo papa emérito Bento XVI e terminada por Francisco 114 dias após a sua eleição.
Se, como diz São Paulo, a fé vem da pregação e esta vem pela palavra de Cristo (Rom 10, 17), então pudemos ouvir esse doce Cristo na terra transmitir-nos a luz e o frescor do Evangelho.
Temos que nos perguntar quais são as sombras que povoam hoje a humanidade e qual é a luz que vem da fé da Igreja nesses tempos que nos couberam.
Há consciência da sombra e da escuridão? Há necessidade real da luz da fé, da verdade, do Evangelho?
Não de forma abstrata, mas na minha vida, na vida da minha família, da minha comunidade cristã, no meu trabalho e no meu lazer: sou daqueles que guardam num lugar escondido, longe da exposição pública, o tesouro da fé que me foi confiada? Ou não posso evitar que tudo o que eu penso, sinto e vivo esteja cheio do amor de Deus?
Porque se recebi o maior dos tesouros e não o aproveito, se não cuido dele todo dia, se não o exponho ao sol da verdade e ao ar livre da relação com os outros, como posso esperar que a minha vida se enraíze na única terra que realmente vale a pena e que me salva?
Acolher e amadurecer a fé é ser sal e luz no mundo. E é motivo de alegria constante saber que somos amados, incondicionalmente, não só por Quem nos deu esse tesouro, mas porque Ele próprio é esse tesouro.
Na medalha de São Bento de Núrsia, cuja festa celebramos em 11 de julho, está inscrito Crux Sacra Sit Mihi Lux (“Que a Santa Cruz seja a minha luz”). Isto nos lembra que, por trás da cruz de Cristo, temos sempre a luz da ressurreição e, para chegar a ela, devemos passar pela porta estreita do sofrimento.
Nesta décima quarta semana do Tempo Comum, avaliemos como estamos vivendo a relação da fé com a luz de que tanto precisamos, da cruz que carregamos todo dia com a presença real de Cristo. E também como vivemos essa relação na prática, como a transmitimos às nossas crianças e jovens, em nosso ambiente mais concreto.

168 anos com a Padroeira

Nestes 168 anos com Nossa Senhora da Piedade, jamais estivemos órfãos.

Quantas mãos se uniram para o trabalho e a prece incessante.

Quantos braços e pernas fizeram a maratona espiritual, deixando o seu melhor para tantas gerações.

Quanto se construiu e restaurou nesta montanha sagrada, pelas conversões sinceras e o testemunho ardente de uma fé que se mantém, unindo crianças, jovens, adultos e a melhor idade.

Famílias inteiras aqui tiveram seu início e seu fim, a sombra da Cruz gloriosa, e no colo de Maria Santíssima, chegaram a Jesus.

Somos agradecidos pelo empenho, o sacrifício, a dedicação, a doação, a generosidade, a gratuidade, a fraternidade, a oração de tantos grupos, pastorais e movimentos paroquiais, de tantos benfeitores e colaboradores, de tantos voluntários e voluntárias, que não mediram esforços, dando o máximo de si, para que experimentássemos a Vida Naquele que não passa e que sempre é fiel.

O tradicional e delicioso ½ frango com massa e salada, quer reunir a grande família paroquial neste domingo, dia 10/9, almoço digno de um prêmio internacional pelos sabores tão bem concatenados.

No próximo domingo, 17/9, entoaremos os louvores de tantas graças e bênçãos imerecidas pelas mãos maternais de Maria Santíssima, na Santa Missa solene das 9h (com a participação do Coral Misto Nossa Senhora da Piedade). Unindo tantas gerações, adoramos o Deus Único e Verdadeiro!

Nossa gratidão e bênção a todas as equipes de trabalho que se congraçam na harmonia de talentos variados, como aqueles e aquelas que realmente fazem a diferença em nossa comunidade católica.

Mons. Inácio José Schuster, Pároco
Pe. Ronaldo Bernardes, Vigário paroquial

 

Papa destaca que é preciso caminhar juntos e ser construtores da paz

Quinta-feira, 7 de setembro de 2017, Kelen Galvan, Da redação

Francisco disse há multidões que anseiam por uma Palavra de vida

O segundo dia da visita do Papa Francisco à Colômbia terminou com a Celebração da Santa Missa no Parque Símon Bolívar, em Bogotá.

Na homilia, Francisco refletiu sobre o Evangelho (Lc 5,1-11) que recorda o chamado dos primeiros discípulos de Jesus, nas margens do Lago de Genesaré.

O Santo Padre lembra que é a única vez, em todo o Evangelho de Lucas, que Jesus prega junto do chamado mar da Galileia. Jesus tem atrás de si o mar e à sua frente uma multidão que O seguiu para ouvi-Lo.

“A Palavra de Jesus tem algo de especial que não deixa ninguém indiferente. A sua Palavra tem o poder de converter os corações, mudar planos e projetos. É uma Palavra corroborada pela ação, não são conclusões redigidas no escritório, expressões frias e distantes do sofrimento das pessoas; por isso, é uma Palavra que serve tanto para a segurança da margem como para a fragilidade do mar”, destacou.

O Papa afirmou que também em Bogotá vivem multidões que anseiam por uma palavra de vida, que ilumine os esforços e mostre o sentido e a beleza da existência humana. E lembrou que o mandato de lançar as redes não é dirigido apenas a Simão Pedro.

“A Palavra de Jesus tem algo de especial que não deixa ninguém indiferente. A sua Palavra tem o poder de converter os corações, mudar planos e projetos”

“Em Bogotá e na Colômbia, peregrina uma comunidade imensa, que é chamada a tornar-se uma rede vigorosa que congregue a todos na unidade, trabalhando na defesa e cuidado da vida humana, particularmente quando é mais frágil e vulnerável: no seio materno, na infância, na velhice, nas condições de invalidez, e nas situações de marginalização social”.

Francisco destacou ainda que as multidões que vivem na Colômbia podem tornar-se verdadeiras comunidades vivas, justas e fraternas, se escutarem e acolherem a Palavra de Deus.

“Nestas multidões evangelizadas, hão de surgir muitos homens e mulheres tornados discípulos que, com um coração verdadeiramente livre, sigam a Jesus; homens e mulheres capazes de amar a vida em todas as suas fases, de a respeitar e promover”.

O Santo Padre afirmou que é necessário chamar uns pelos outros, voltar a considerarem-se irmãos, companheiros de estrada, sócios desta empresa comum que é a pátria.

E concluiu sua homilia, convidando os presentes a perder medos que não vêm de Deus, que paralisam e atrasam a urgência de ser construtores da paz e promotores da vida.

Homilia da Santa Missa no Parque Símon Bolívar

O evangelista recorda que a chamado dos primeiros discípulos teve lugar nas margens do lago de Genesaré, onde as pessoas se reuniam para ouvir uma voz capaz de as orientar e iluminar; e é também o lugar onde os pescadores concluem a sua jornada fatigante, durante a qual buscam o sustento para levar uma vida sem penúrias, digna e feliz. É a única vez, em todo o evangelho de Lucas, que Jesus prega junto do chamado mar da Galileia. No mar aberto, confundem-se a esperada fecundidade do trabalho com a frustração pela inutilidade dos esforços vãos. Segundo uma antiga interpretação cristã, o mar também representa a vastidão onde convivem todos os povos. Finalmente, pela sua agitação e obscuridade, evoca tudo aquilo que ameaça a existência humana e que tem o poder de a destruir.

Usamos expressões semelhantes para definir multidões: uma maré humana, um mar de gente. Naquele dia, Jesus tem atrás d’Ele o mar e, à sua frente, uma multidão que O seguiu ao ver como Ele Se comove perante o sofrimento humano… e as suas palavras justas, profundas, seguras. Todos vêm ouvi-Lo; a Palavra de Jesus tem algo de especial que não deixa ninguém indiferente. A sua Palavra tem o poder de converter os corações, mudar planos e projetos. É uma Palavra corroborada pela ação, não são conclusões redigidas no escritório, expressões frias e distantes do sofrimento das pessoas; por isso, é uma Palavra que serve tanto para a segurança da margem como para a fragilidade do mar.

Esta querida cidade, Bogotá, e este belo país, a Colômbia, têm muito destes cenários humanos apresentados pelo Evangelho. Aqui vivem multidões que anseiam por uma palavra de vida, que ilumine com a sua luz todos os esforços e mostre o sentido e a beleza da existência humana. Estas multidões de homens e mulheres, crianças e idosos habitam uma terra de fertilidade inimaginável, que poderia dar frutos para todos. Mas também aqui, como noutras partes do mundo, há densas trevas que ameaçam e destroem a vida: as trevas da injustiça e da desigualdade social; as trevas corrutoras dos interesses pessoais ou de grupo, que consomem, egoísta e desaforadamente, o que se destina para o bem-estar de todos; as trevas da falta de respeito pela vida humana que diariamente ceifa a existência de tantos inocentes, cujo sangue brada ao céu; as trevas da sede de vingança e do ódio que mancha com sangue humano as mãos de quem faz justiça por sua conta; as trevas de quem se torna insensível ao sofrimento de tantas vítimas. Todas estas trevas, as dissipa e destrói Jesus com o seu mandato na barca de Pedro: «Faz-te ao largo» (Lc 5, 4).

Nós podemos enredar-nos em discussões intermináveis, somar tentativas fracassadas e fazer um elenco de esforços que acabaram em nada; tal como Pedro, sabemos o que significa a experiência de trabalhar sem resultado algum. Esta nação também sabe disso, quando nos inícios, durante um período de seis anos, teve dezesseis Presidentes e pagou caro as suas divisões («a pátria tonta»); também a Igreja na Colômbia sabe de trabalhos pastorais vãos e infrutuosos…, mas, como Pedro, também somos capazes de confiar no Mestre, cuja Palavra suscita fecundidade mesmo onde a inospitalidade das trevas humanas torna infrutíferos muitos esforços e fadigas. Pedro é o homem que acolhe, decidido, o convite de Jesus, que deixa tudo e O segue para se transformar num novo pescador, cuja missão é levar os seus irmãos ao Reino de Deus, onde a vida se torna plena e feliz.

Mas o mandato de lançar as redes não é dirigido apenas a Simão Pedro; a ele, coube-lhe fazer-se ao largo, como aqueles que na vossa pátria foram os primeiros a ver o que era mais urgente fazer, aqueles que tomaram iniciativas de paz, de vida. Lançar as redes implica responsabilidade. Em Bogotá e na Colômbia, peregrina uma comunidade imensa, que é chamada a tornar-se uma rede vigorosa que congregue a todos na unidade, trabalhando na defesa e cuidado da vida humana, particularmente quando é mais frágil e vulnerável: no seio materno, na infância, na velhice, nas condições de invalidez, e nas situações de marginalização social. Também as multidões que vivem em Bogotá e na Colômbia podem tornar-se verdadeiras comunidades vivas, justas e fraternas, se escutarem e acolherem a Palavra de Deus. Nestas multidões evangelizadas, hão de surgir muitos homens e mulheres tornados discípulos que, com um coração verdadeiramente livre, sigam a Jesus; homens e mulheres capazes de amar a vida em todas as suas fases, de a respeitar e promover.

É necessário chamar uns pelos outros, fazermos sinais como os pescadores, voltar a considerar-nos irmãos, companheiros de estrada, sócios desta empresa comum que é a pátria. Bogotá e a Colômbia são simultaneamente margem, lago, mar aberto, cidade por onde Jesus passou e passa para oferecer a sua presença e a sua palavra fecunda, para nos fazer sair das trevas e conduzir-nos para a luz e a vida. Chamar os outros, chamar a todos para que ninguém seja deixado ao arbítrio das tempestades; fazer entrar na barca todas as famílias, santuário de vida; colocar o bem comum acima dos interesses mesquinhos ou particulares, ocupar-se dos mais frágeis promovendo os seus direitos.

Pedro experimenta a sua pequenez, a grandeza da Palavra e da ação de Jesus; Pedro sabe das suas fraquezas, das suas hesitações…, como o sabemos nós, como o sabe a história de violência e divisão do vosso povo que nem sempre nos encontrou disponíveis para compartilhar a barca, as tempestades, os infortúnios. Mas Jesus, como a Simão, convida-nos a fazer-nos ao largo, impele-nos a compartilhar o risco, a deixar os nossos egoísmos e a segui-Lo; convida-nos a perder medos que não vêm de Deus, que nos paralisam e atrasam a urgência de ser construtores da paz, promotores da vida.

Papa no Angelus: não ter medo da cruz de Cristo, verdadeiro amor é sacrifício

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (03/9/2017), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, Francisco disse que “o Evangelho de hoje é a continuação do de domingo passado, que ressaltava a profissão de fé de Pedro, ‘rocha’ sobre a qual Jesus quer construir a sua Igreja. Hoje, em contraste estridente, Mateus, nos mostra a reação do próprio Pedro quando Jesus revela aos discípulos que em Jerusalém deverá sofrer, ser morto e ressurgir”, disse o Papa.

“Pedro leva o Mestre para um lado e o repreende, porque isso, lhe diz, não pode acontecer a Ele, a Cristo. Mas Jesus, por sua vez, repreende Pedro com palavras duras: «Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!» Pouco antes, o apóstolo era abençoado pelo Pai, porque tinha recebido Dele esta revelação, era uma ‘pedra’ sólida para que Jesus pudesse construir a sua comunidade, e logo depois se torna um obstáculo, uma pedra não para construir, uma pedra de tropeço no caminho do Messias. Jesus sabe muito bem que Pedro e os outros ainda têm muita estrada para percorrer para se tornarem seus apóstolos!”

A esse ponto, o Mestre se dirige a todos aqueles que o seguiam, apresentando-lhes claramente o caminho a ser percorrido:

“«Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga». Sempre, e também hoje, a tentação é a de querer seguir um Cristo sem cruz, aliás, de ensinar a Deus a estrada certa; como Pedro: ‘Não, não Senhor, isso nunca acontecerá!’ Mas Jesus nos recorda que a sua estrada é a estrada do amor, e não há verdadeiro amor sem o sacrifício de si. Somos chamados a não nos deixar absorver pela visão deste mundo, mas a ser cada vez mais conscientes da necessidade e da fadiga para nós cristãos de caminhar contracorrente e em subida.”

O Papa ressaltou que “Jesus completa a sua proposta com palavras que expressam uma grande sabedoria sempre válida, porque desafiam a mente e os comportamentos egocêntricos. Ele exorta: «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la».”

“Neste paradoxo esta contida a regra de ouro que Deus inscreveu na natureza humana criada em Cristo: a regra de que só o amor dá sentido e felicidade à vida. Gastar os próprios talentos, as próprias energias e o próprio tempo somente para salvar, proteger e realizar-se, conduz na verdade a se perder, ou seja, a uma existência triste e estéril. Se, ao invés, vivemos para o Senhor e estabelecemos a nossa vida no amor, como Jesus fez, poderemos saborear a verdadeira alegria, e a nossa vida não será estéril, será fecunda.”

O Santo Padre frisou que “na celebração da Eucaristia revivemos o mistério da cruz; não somente recordamos, mas fazemos o memorial do Sacrifício redentor, no qual o Filho de Deus perde completamente Si mesmo para ser recebido novamente pelo Pai e assim nos reencontrar, pois estávamos perdidos, juntamente com todas as criaturas. Toda vez que participamos da Santa Missa, o amor de Cristo crucificado e ressuscitado se comunica a nós como alimento e bebida, para que possamos segui-Lo no caminho de todos os dias, no serviço concreto aos irmãos.”

“Maria Santíssima, que seguiu Jesus até ao Calvário, também nos acompanhe e nos ajude a não ter medo da cruz com Jesus crucificado, não uma cruz sem Jesus, a cruz com Jesus, ou seja, a cruz de sofrer por amor a Deus e aos irmãos, pois esse sofrimento, pela graça de Cristo, é fruto de ressurreição”, concluiu o Papa.

(MJ)

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