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A Igreja “está fora de moda”

Vaticano, 18 Set. 12 / 12:07 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Nova Iorque e Presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, respondeu com simplicidade e precisão, baseado na vida cotidiana, àqueles que afirmam que que a Igreja é “anacrônica” ou está “fora  de moda”.

Na mais recente publicação de seu blog pessoal no site da Arquidiocese de Nova Iorque, o Cardeal respondeu às críticas que dizem que a Igreja deve “colocar-se ao dia com as novas épocas ou vai perder fiéis!”

Com um claro tom de ironia, o Cardeal comenta que também uns dizem que o Papa Juan XXIII ia iniciar algumas mudanças com o Concílio Vaticano II para “colocar a Igreja em dia”, mas que o “indeciso” Paulo VI e “o polonês de mente fechada” João Paulo II, e o “autoritativo Panzerkardinal” Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, “arruinaram tudo com seu conservadorismo!”

A seguir o Cardeal explica que o Papa João XXIII reuniu o Concílio para debater a melhor forma de transmitir a fé “sem comprometer ou diluir sua integridade. E, de acordo aos ensinamentos do mesmo Concílio, é o Papa, unido aos Bispos da Igreja, que proporcionam a genuína interpretação do significado do Concílio”.

O Cardeal explica logo que o que deve adequar-se aos tempos é a forma que a fé é apresentada e que a missão da Igreja e seus ensinamentos não devem ser alterados, mas devem estar conformes à Revelação de Deus na Bíblia, ao direito natural, aos ensinamentos de Jesus e ao Magistério da Igreja (os ensinamentos do Papa e dos bispos).

Para deixar ainda mais claro que os ensinamentos da Igreja não estão “fora de moda”, o Cardeal põe três exemplos concretos.

O primeiro se refere à convivência antes do matrimônio e a vida sexual ativa, que segundo a Igreja pertence apenas ao âmbito do matrimônio. “Tal afirmação, como sabem, é qualificada de tola, imprática e repressiva”.

Entretanto, prossegue o prelado, “não foi um jornal católico –a não ser justamente o contrário– o New York Timas (que no dia 15 de Abril de 2012) informou as sombrias estatísticas de como a convivência antes do matrimônio gera altos graus de infelicidade marital e divórcio!”

O segundo caso é o de uma mulher que procura o seu pároco para pedir consolo porque agora não pode ficar grávida porque, segundo o seu médico, durante 15 anos tomou a pílula anticoncepcional, um tema com o qual alguns se burlavam da Igreja. “A mulher mesmo conclui que o respeito da Igreja pela integridade natural do corpo não está para nada ‘ultrapassado’”.

O terceiro caso é um homem que se aproxima do próprio Cardeal para contar-lhe o seu drama: está velho, sozinho e vai morrer. Deixou a sua esposa e filhos uma década atrás, procurou dinheiro, prestígio, propriedades e uma esposa mais bonita e mais jovem. Anos atrás ele se burlou do sacerdote que lhe advertiu sobre os perigos de “adorar o dinheiro e o prazer”.

“E agora –diz o Cardeal Dolan– o homem está morrendo sozinho, recordando as palavras de Jesus: ‘De que serve ao homem ganhar o mundo inteiro se ao fazê-lo perde seu alma?’ O homem admite que, no final das contas, a Igreja tinha razão”.

O Arcebispo assinala que “a Igreja ‘não está fora de foco’, mas ao contrário se encontra no meio de tudo e bastante mais adiante de nós porque tem os olhos na eternidade. É uma mãe amorosa e sábia, fundada sobre Aquele que é ‘o Caminho, a Verdade e a Vida’”.

“Ela, a Igreja, não tem que mudar de perspectiva, mas nós temos que mudar de vida. Esqueçam-se de ‘adaptar-se aos novos tempos’ no que diz respeito à fé e à moral. Em vez disso ‘coloquem-se em dia com o eterno!’, concluiu”.

Papa Francisco: a Igreja cresce no silêncio, sem dar espetáculo

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-francisco-igreja-cresce-no-silencio-sem-dar-espetaculo/

Em homilia, Papa falou sobre a Igreja e a chegada do Reino de Deus

Papa Francisco, durante a Missa na Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15./ Foto: Vatican Media

A Igreja cresce “na simplicidade, no silêncio, no louvor, no sacrifício eucarístico, na comunidade fraterna, onde todos amam e não se prejudicam”. Foi o que disse o Papa Francisco ao celebrar a Missa na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15.

Comentando o episódio do Evangelho do dia, de Lucas (Lc 17,20-25), o Pontífice reiterou que “o Reino de Deus” não é um espetáculo e cresce no silêncio.

As boas obras não fazem notícia

A Igreja, portanto, se manifesta “na Eucaristia e nas boas obras”, mesmo que aparentemente não “são notícia”. A Esposa de Cristo tem um temperamento silencioso, gera frutos “sem fazer barulho”, sem “tocar a trombeta como os fariseus”.

O Senhor nos explicou como cresce a Igreja com a parábola do semeador. O semeador semeia e a semente cresce de dia, de noite… – Deus provoca o crescimento – e depois se veem os frutos. Mas isto é importante: primeiro, a Igreja cresce em silêncio, escondida; é o estilo eclesial. E como se manifesta na Igreja? Através dos frutos das boas obras, para que as pessoas vejam e glorifiquem o Pai que está no céu – afirma Jesus – e na celebração – o louvor e o sacrifício do Senhor – isto é, na Eucaristia. Ali se manifesta a Igreja; na Eucaristia e nas boas obras.

A tentação da sedução

“A Igreja cresce por testemunho, por oração, por atração do Espírito que está dentro – insistiu o Papa na homilia – não pelos eventos”. Certamente que eles ajudam, mas “o crescimento da Igreja, que dá fruto, é em silêncio, escondido com as boas obras e a celebração da Páscoa do Senhor, o louvor de Deus”.

O Senhor nos ajuda a não cair na tentação da sedução. “Gostaríamos que a Igreja fosse mais visível; o que podemos fazer para que seja vista?” Eh! E normalmente se cai numa Igreja dos eventos que não é capaz de crescer em silêncio com as boas obras, escondido.

O espírito do mundo não tolera o martírio

Num mundo onde com frequência se cede à tentação de fazer espetáculo, da mundanidade, do aparecer, Francisco recordou que também Jesus ficou lisonjeado por essas fragilidades, mas Ele escolheu “o caminho da pregação, da oração, das boas obras”, “da cruz” e “do sofrimento”.

A Cruz e o sofrimento. A Igreja cresce também com o sangue dos mártires, homens e mulheres que dão a vida. Hoje existem muitos. Curioso: não são notícia. O mundo esconde isso. O espírito do mundo não tolera o martírio, o esconde.

Proclamação da República: o que queremos neste 15 de novembro?

Dia da Proclamação da República

Neste dia 15 de novembro, o Brasil vai memorar 128 anos da mudança do regime de Governo, da Monarquia para a República, da governança efetivada por um monarca hereditário, para um representante eleito pelo povo (presidente), com o dever de defender seus interesses.

Naqueles dias de 1889, o segundo reinado, capitaneado por Dom Pedro II, enfrentava muitos problemas de ordem política, econômica e social, dentro os quais podemos mencionar as tensões oriundas da manutenção da escravidão e o crescimento do movimento abolicionista, o isolamento do imperador, o desejo crescente de mudança por parte dos cafeicultores e dos militares, entusiastas do modelo republicano. Hoje, também a nossa nação encontra-se diante de muitos desafios, que, objetivamente, se colocam diante de nós. A violência que se avoluma do Oiapoque ao Chuí, o desemprego que vitima mais de 13 milhões de brasileiros, e a nossa mais terrível mazela: a corrupção.

Nova proclamação

É comum encontrarmos pessoas que, olhando para tantas e tantas crises diárias, caem na tentação da desesperança, ou pior, sentem-se impotentes diante da força do mal, optam por resistir e se unem a ele. Hoje, também precisamos de uma mudança, de uma transformação de nossa realidade, mas que não se operacionalizará na dimensão do regime ou do sistema político, pois esses aspectos, por mais relevantes que possam ser, alteram apenas a superfície da sociedade.

Precisamos de uma nova proclamação! Da proclamação de Jesus como Senhor dessa nação, como Senhor do Seu povo e de sua cultura e vida. Não há outra forma de conquistarmos a justiça, a igualdade e felicidade, senão por meio dessa proclamação: Jesus vive e é o Senhor! Contra todas as forças de morte, de desesperança e subversão do projeto de Deus, é necessário que, com todas as nossas forças, proclamemos: Jesus é o Senhor! Esse é o convite que faço a você: no próximo dia 15, por meio de suas redes sociais, nos seus círculos e grupos, una-se a nós e proclame o senhorio de Jesus.

Que Ele nos fortaleça, encoraje e fidelize por meio da ação do Espírito Santo, de modo que “trabalhemos como se tudo dependesse de nós, e oremos como se tudo dependesse de Deus”. (Santo Inácio de Loyola)

Feliz dia da proclamação!

De seu irmão,

Christian Moreira é missionário da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo em em Fortaleza (CE). Graduado em História, Mestre em Ciências da Educação e Especialista em Ensino Superior de História e Especialista em Gestão Escolar.

O Papa Francisco recorda os ensinamentos da Igreja sobre a homossexualidade

VATICANO, 30 Jul. 13 (ACI/EWTN Noticias) – No voo de volta a Roma, o Papa Francisco surpreendeu os jornalistas com uma roda de imprensa em que respondeu a suas inquietações. Na última pergunta abordou o tema do lobby gay e recordou os ensinamentos da Igreja sobre os homossexuais.
“Se escreve muito sobre o lobby gay. Até agora não encontrei ninguém no Vaticano com uma carteira de identidade que diga “gay”. Alguns dizem que há. Quando alguém se encontra com uma pessoa assim, deve distinguir entre o fato de ser gay e o fato de fazer lobby gay, porque nenhum lobby é bom. Se uma pessoa é gay e procura Jesus, e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O catecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas por isso. Elas devem ser integradas à sociedade. O problema não é ter esta tendência. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lobby, de pessoas gananciosas, lobby de políticos, de maçons, tantos lobbies. Esse é o pior problema”, disse o Papa segundo uma transcrição difundida pelo jornal El Mundo da Espanha.

O que ensina o Catecismo
Na Terceira Parte do Catecismo, titulada “A Vida em Cristo”, o Catecismo da Igreja Católica aborda o tema da homossexualidade. Reproduzimos o texto oficial a seguir.

Castidade e homossexualidade
2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atração sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (Gn 19, 1-29; Rm 1, 24-27; 1 Cor 6, 10; 1 Tm 1, 10), a Tradição sempre declarou que «os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Pessoa Humana, 8). São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.
2358 Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.
2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.
Aqui se pode ler o texto oficial do Catecismo:
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html

Dom Henrique rebate ministro Barroso: não cabe ao STF querer legislar sobre o aborto

https://www.acidigital.com/noticias/dom-henrique-rebate-ministro-barroso-nao-cabe-ao-stf-querer-legislar-sobre-o-aborto-76210

Dom Henrique Soares da Costa / Foto: Facebook Dom Henrique Soares da Costa

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Nov. 18 / 11:46 am (ACI).- Na segunda-feira, 12 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso defendeu que o debate sobre o aborto deve ser feito nesta Corte Suprema, ao que o Bispo de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, rebateu indicando que não cabe a esta instância judicial “querer legislar”.

O ministro Barroso participou do I Congresso Internacional de Direito e Gênero, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, tendo se pronunciado no painel sobre Direitos Reprodutivos.

Nesta ocasião, o ministro do STF defendeu que a questão do aborto se trata de debate sobre direitos fundamentais da mulher. “Nenhuma emenda constitucional pode impedir o desfrute de um direito fundamental porque, no caso brasileiro, seria violação de cláusula pétrea. Os direitos fundamentais têm aplicabilidade direta e imediata e, quando eles entram em rota de colisão, é o Poder Judiciário que deve dirimir a questão”, afirmou.

Para ele, em relação a este tema do aborto, uma das colisões de direitos fundamentais se dá entre o da mulher e, “para quem acha que existe vida desde o momento da concepção, também os direitos fundamentais do feto”.

“Estão em jogo direitos fundamentais da mulher e do feto. Resta fazer uma ponderação de qual deve prevalecer. Esse é um papel típico do judiciário. A característica dos direitos fundamentais é que independem de legislador e da aprovação da maioria. A autonomia individual da mulher é um direito fundamental em jogo”, expressou.

O ministro ainda afirmou que “a mulher não é um útero a serviço da sociedade. Se os homens engravidassem, esse problema já teria sido resolvido. O ponto é que a criminalização se tornou uma má política”.

Frente a tais comentários de Barroso, Dom Henrique Soares fez uma publicação em sua página no Facebook intitulada “Suprema leviandade”. Conforme manifestou o Bispo de Palmares, “é impressionante como um juiz da Suprema Corte da República pode ter uma visão tão míope e um pensamento tão raso e cínico num tema moralmente tão relevante”.

“Direito fundamental da mulher não tem nada a ver com assassinato de embriões! Para o Excelentíssimo togado, qual o estatuto do embrião? Qual o direito do ser humano no ventre materno? Qual seria o direito do feto?”, questionou.

Nesse sentido, ressaltou que “é preciso que o Supremo cumpra a Constituição e deixe de lado a impostura de querer legislar”. “Esperamos que a próxima legislatura, na Câmara e no Senado, ponha fim a isto”, expressou.

Além disso, indicou “o Povo deve sempre recordar que os ministros do Supremo podem sofrer impeachment, quando não são dignos da função ou, exorbitam nas suas atribuições constitucionais”.

“O Povo poderia pressionar o Congresso no sentido de uma limpeza de alguns senhores que se colocam acima da Constituição, dos demais Poderes da República e do Povo brasileiro…”, completou.

A questão do aborto no STF

Esta não foi a primeira vez que o ministro Luís Roberto Barroso se manifestou sobre o aborto. O magistrado já havia demonstrado posição semelhante em 2016, quando a maioria da primeira Turma do STF declarou que o aborto até o terceiro mês de gestação não é crime.

A decisão se deu quando os ministros analisavam o pedido de habeas corpus cinco funcionários de uma clínica clandestina de aborto de Duque de Caxias (RJ). Na ocasião, votaram no sentido de não considerar o aborto um crime os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Edson Fachin.

Em seu voto, Barroso declarou que os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto nos três primeiros meses de gestação violam os direitos fundamentais da mulher, entre os quais listou: autonomia da mulher, integridade física e psíquica, direitos sexuais e reprodutivos e igualdade de gênero.

Para o ministro, “na medida em que é a mulher que suporta o ônus integral da gravidez, e que o homem não engravida, somente haverá igualdade plena se a ela for reconhecido o direito de decidir acerca da sua manutenção ou não”.

Recentemente, a questão do aborto voltou à pauta do Supremo, devido à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442/2017 (ADPF 442), apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Esta ADPF 442 questiona os artigos 124 e 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade. Assim, propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Em agosto deste ano, a questão foi tema de uma audiência pública no STF, convocada pela ministra Rosa Weber, relatora do caso.

Diante disso, movimentos pró-vida e diversos Bispos alertaram nos últimos meses sobre tentativas de aprovar pela via do STF a prática do aborto no Brasil, no que denunciaram como um ativismo do judiciário.

Em uma nota publicada em julho deste ano, às vésperas da audiência pública no STF, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Comissão Nacional da Pastoral Familiar assinalaram que “cabe, de fato, ao Congresso Nacional colocar limites a toda e qualquer espécie de ativismo judiciário”.

“Onde há mentira, não pode haver amor”, afirma Papa

Quarta-feira, 14 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Francisco deu continuidade às catequeses sobre os 10 mandamentos, falando sobre o oitavo: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”

“Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”. A catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 14, foi dedicada ao oitavo mandamento. Aos milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro, o Pontífice explicou o significado profundo da verdade e afirmou que o oitavo mandamento ensina que não se pode falsificar a verdade nas relações com os outros.

“Viver de comunicações não autênticas é grave, porque impede as relações e, portanto, o amor. Onde há mentira, não pode haver amor. E quando falamos de comunicação entre as pessoas não entendemos somente as palavras, mas também os gestos, as atitudes e até mesmo os silêncios e as ausências. Uma pessoa fala com tudo aquilo que é e o que faz. Todos nós vivemos comunicando e estamos continuamente num frágil equilíbrio entre a verdade e a mentira”, afirmou.

Francisco perguntou aos presentes o significado de dizer a verdade, e respondeu: “É algo que vai além do nosso ponto de vista ou a revelação de fatos pessoais ou reservados. É um modo de manifestar o amor”. O Papa afirmou que as fofocas matam, e dedicou esta constatação ao apóstolo Tiago.

“Os fofoqueiros são pessoas que matam os outros porque a língua mata como uma faca. Fiquem atentos. O fofoqueiro é um terrorista, porque com a sua língua lança a bomba e vai embora e esta bomba destrói a fama dos outros. Fofocar é matar, não esqueçam”, alertou o Pontífice. Francisco prosseguiu explicando que as palavras ‘não levantarás falso testemunho contra teu próximo’, pertencem à linguagem jurídica. Segundo o Santo Padre, os Evangelhos culminam com a narração do processo, da execução da sentença contra Jesus e sua consequência inaudita.

O Pontífice recordou que Jesus, quando interrogado por Pilatos, disse que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. “A verdade, portanto, encontra sua plena realização na própria pessoa de Jesus, no seu modo de viver e de morrer, fruto da sua relação com o Pai. E esta existência como filho de Deus, Jesus a doa também a nós. Em cada ato, o homem afirma ou nega esta verdade. Eu sou uma testemunha da verdade ou sou um mentiroso fantasiado de verdadeiro? Cada um se questione”, recomendou o Papa.

A verdade não se limita a discursos, mas é um modo de existir, de viver, frisou o Papa, que continuou afirmando que a verdade é a revelação maravilhosa de Deus, do seu rosto de Pai, do seu amor sem limites. “Esta verdade corresponde à razão humana, mas a supera infinitamente”, sublinhou. Francisco então concluiu: “Não levantar falso testemunho quer dizer viver como filhos de Deus, que jamais desmente a si mesmo, jamais mente, deixando emergir em cada ato a grande verdade: que Deus é Pai e é possível confiar Nele. Eu confio em Deus, esta é a grande verdade. E dessa nossa confiança em Deus Pai, de que Ele nos ama, nasce a minha verdade e o ser verdadeiro e não mentiroso”.

Nota da CNBB sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo

Quinta-feira, 16 de maio de 2013

‘Desejamos recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito’  

“Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 14, 15 e 16 de maio de 2013, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar. Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito.

Diante da Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a “habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo” (n. 175/2013), recordamos que “a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural” (Nota da CNBB, 11 de maio de 2011). A família, assim constituída, é o âmbito adequado para a plena realização humana e o desenvolvimento das diversas gerações, constituindo-se o maior bem das pessoas.

Ao dar reconhecimento legal às uniões estáveis como casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em nosso país, a Resolução interpreta a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011 (cf. ADI 4277; ADPF 132). Certos direitos são garantidos às pessoas comprometidas por tais uniões, como já é previsto no caso da união civil. As uniões de pessoas do mesmo sexo, no entanto, não podem ser simplesmente equiparadas ao casamento ou à família, que se fundamentam no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e à educação dos filhos.

Com essa Resolução, o exercício de controle administrativo do CNJ sobre o Poder Judiciário gera uma confusão de competências, pois orienta a alteração do ordenamento jurídico, o que não diz respeito ao Poder Judiciário, mas sim ao conjunto da sociedade brasileira, representada democraticamente pelo Congresso Nacional, a quem compete propor e votar leis.

Unimo-nos a todos que legítima e democraticamente se manifestam contrários a tal Resolução. Encorajamos os fiéis e todas as pessoas de boa vontade, no respeito às diferenças, a aprofundar e transmitir, no seio da família e na escola, os valores perenes vinculados à instituição familiar, para o bem de toda a sociedade.

Que Deus ilumine e oriente a todos em sua vocação humana e cristã!”

Brasília-DF, 16 de maio de 2013

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Presidente da CNBB em exercício

Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB em exercício

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Eutanásia: qual é a hora de morrer?

Sexta-feira, 15 de junho de 2012 / Jéssica Marçal / Da Redação / Felipe Godoy

Nesta última reportagem especial sobre assuntos relacionados à bioética, o tema em questão é a eutanásia. Se por um lado defende-se essa prática por ela abreviar o sofrimento de um doente em estado terminal, por outro os contrários a ela argumentam que, com doença ou não, trata-se de uma vida que não pode ser tirada.

As primeiras discussões sobre eutanásia surgiram com os ingleses por volta de 1900. O atual capelão do Hospital das Clínicas em São Paulo, padre Anísio Baldessin, explicou que, nesta época, avaliava-se mais a questão do custo-benefício em manter um doente. Já na sociedade atual, a prática assume outra conotação.

“A conotação que a eutanásia assume hoje é de solucionar um problema, porém seria solucionar o problema de quem: da pessoa ou da sociedade?”, disse. O padre comentou ainda a diferença entre eutanásia, distanásia, ortotanásia e suicídio assistido, além de deixar um conselho para as famílias de doentes em estado terminal. Veja abaixo a íntegra da entrevista:

noticias.cancaonova.com – Desde quando existe a polêmica em torno da eutanásia e como ela foi sendo compreendida ao longo do tempo?

Pe. Anísio Baldessim– A eutanásia começa a ser discutida pelos ingleses por volta de 1900, em que se tinha a questão da Teoria da Evolução, de Darwin. Ele acreditava que abreviar a vida das pessoas que eram consideradas inúteis, ou seja, que não tinham uma perspectiva de colaboração para a sociedade, era benéfico para a sociedade. Alguns apoiavam, outros se questionavam se quem era inútil era a pessoa ou a sociedade. Então podemos dizer que, no começo, foi mais relacionado à questão de custo-benefício; era visto como se isso fosse proporcionar um bem para a sociedade, uma vez que não traria custos, ou seja, se a pessoa não pode produzir como é que a sociedade vai ter que arcar com os custos que essa pessoa produz? Hoje, para nós, isso veio à tona, em se tratando de hospitais e de questões de doenças, com o advento das Unidades de Tratamentos Intensivos (UTIs), a partir da década de 1950, em que a tecnologia começou a prolongar a vida. A conotação que a eutanásia assume hoje é de solucionar um problema, porém seria solucionar o problema de quem: da pessoa ou da sociedade? É o que se discute hoje.

noticias.cancaonova.com –  Os pesquisadores utilizam também os termos distanásia e ortotanásia para determinar o fim da vida no caso de doentes terminais. Alguma dessas práticas é considerada correta sob o ponto de vista da bioética?

Pe. Anísio – Distanásia é o contrário da eutanásia. Eutanásia é tomar uma atitude que venha abreviar o sofrimento da pessoa. A distanásia é o prolongamento, seriam as chamadas “terapias inúteis”, que não vão proporcionar bem estar algum às pessoas e isso também é questionável. Aliás, hoje o que se discute muito é o que se pratica nos hospitais: a eutanásia ou a distanásia? Com o advento da tecnologia, o que se prolonga hoje é o sofrimento, e isso é decorrente do novo processo do morrer. Então hoje o que a gente percebe na nossa realidade é mais a distanásia do que propriamente a eutanásia. Falando num contexto bioético, o que seria correto é a ortotanásia, ou seja, a morte no momento certo. É preciso distinguir sim entre eutanásia e distanásia. Distanásia seria prolongar a vida de maneira indeterminada com sofrimentos e a ortotanásia seria não prolongar e nem abreviar, mas saber a hora certa. O grande desafio, e isso é o que os bioeticistas discutem, é qual é o momento certo de parar, existe esse momento? Na visão bioética, o correto seria nem a eutanásia nem a distanásia, mas sim a ortotanásia, a morte tranquila, sem sofrimento, sem abreviar e também sem prolongar deliberadamente.

“A melhor coisa é fazer com que a pessoa possa morrer perto daqueles que são importantes para ela”, aconselha pe. Anísio

noticias.cancaonova.com –  Qual a diferença entre eutanásia e suicídio assistido? As pessoas confundem esses dois termos?

Pe. Anísio – Existe muita confusão. A eutanásia, na verdade, seria uma atitude direta, ou seja, dar um medicamente para que a pessoa morra mais rápido. É como o que o Dr. Morte fazia, ele fazia um procedimento que iria levar a pessoa à morte num período curto de tempo. O suicídio assistido seria o paciente desejar morrer e tomar algumas atitudes, como não comer, não beber, não tomar os remédios. A pessoa que cuida estaria vendo essa atitude, porém não tomaria nenhuma decisão, ficaria omisso diante de uma atitude que o próprio paciente está fazendo. Isso é considerado ético? Você não está provocando diretamente, você está assistindo o processo do morrer, é uma questão bastante complexa, porque quando a pessoa não quer viver, muitas vezes ela praticamente se entrega, talvez não tomando uma atitude direta, mas interiormente vai se desligando e se deprimindo e com isso acaba morrendo. Eu não sei se, concretamente, a pessoa que a assiste tem alguma coisa a fazer nesse sentido. Então eu acho que não dá pra saber se realmente é uma atitude ética aí nessa questão.

noticias.cancaonova.com – A explicação para a eutanásia acaba sendo o fim do sofrimento do paciente. Dessa forma, a morte acaba sendo encarada como uma solução. Esse entendimento que se tem da morte condiz com o significado cristão da morte?

Pe. Anísio – Para muitos realmente é a explicação. Agora se nós partirmos do princípio cristão, a morte pode ser uma solução de um problema, pode solucionar o problema do sofrimento. Esse entendimento está certo? Se nós recordarmos o próprio Papa João Paulo II, ele pediu para não ser levado para o hospital nos últimos momentos, porque ele queria morrer em casa. Aí nós podemos entender isso como uma eutanásia, uma abreviação da vida? Do ponto de vista cristão, e nisso a Igreja é até um pouco avançada, ela diz que, mesmo que a pessoa tenha todos os recursos, quando os recursos que serão usados trarão mais sofrimentos do que benefícios, você deveria deixar a pessoa, ou seja, quando os recursos tecnológicos trouxerem mais malefícios, mais sofrimento do que benefício, então isso seria correto.

noticias.cancaonova.com – A ética utiliza um termo técnico que é o chamado princípio do “duplo efeito”, em que a pessoa, movida por uma única intenção, pode ter um efeito desejado e um para-efeito indesejado. É o caso, por exemplo, em que se ministra uma alta dose de medicamento visando sanar o sofrimento do paciente, mas isso pode acabar causando a morte da pessoa. Isso é aceito pela Igreja? Como distinguir esse princípio do duplo efeito da eutanásia?

Pe. Anísio – Essa é uma questão muito complicada, porque a primeira intenção daquele que coloca em prática o princípio do duplo efeito é não provocar a morte, mas sim proporcionar um bem estar para aquele que sofre. Porém o primeiro efeito é inseparável do segundo. Ou seja, vai-se aplicar um medicamento para aliviar a dor e sofrimento, mas ao mesmo tempo ele pode antecipar um pouco a morte, porém, na visão cristã, com essa atitude não se está querendo abreviar a vida. Este é o princípio que está sendo levado adiante: não fazer o mal. Mas ao tentar fazer o bem, você pode causar um certo mal, mas nesse caso seria o que a gente chama de um cuidado paliativo, a pessoa não vai agir diretamente, mas sim de acordo com aquilo que é possível. Mas é uma questão muito complicada, porque você pode mascarar uma realidade.

noticias.cancaonova.com –  O senhor, como atual capelão do Hospital das Clínicas de São Paulo, lida diretamente com doentes e também com suas famílias. Que conselho o senhor daria para que pessoas que enfrentam enfermidades possam lidar melhor com a situação, em especial no caso de doenças terminais?

Pe. Anísio – Isto é uma coisa importante. Nesse ano em que a Campanha da Fraternidade fala sobre saúde, tem uma parte em que ela fala “aprender o bem morrer”. O que nós precisamos entender é que a morte faz parte da vida. O meu pai, por exemplo, morreu fora do hospital, longe das tecnologias e eu achei isso muito bom, porque na verdade o que se prolonga não é a vida, mas sim o sofrimento da pessoa. Sempre que eu tenho a oportunidade de conversar com as famílias, eu digo que a melhor coisa é fazer com que a pessoa possa morrer perto daqueles que são importantes para ela. É claro que há esperança, mas em meio à esperança há sofrimento, eu sempre enfatizo muito isso para as famílias. Eu acho que nós precisamos entender que o morrer faz parte do processo natural da vida e nós temos que dar o direito para que a pessoa possa morrer, mesmo quando se trata daquele que amamos, deixar as pessoas dizerem adeus. Muitas pessoas me perguntam: “padre, mas será que é a hora do meu pai morrer, da minha mãe morrer?”. Para nós que amamos as pessoas nunca é hora. Nós precisamos aprender a arte do “bem morrer”. Nós fomos preparados e esperados para nascer e eu acho que nós precisamos aprender também a arte de “bem morrer”.

A morte na mídia…

Despudorada e gananciosa como mulher de lupanar, a imprensa consegue turbinar a dor provocada pela morte
Ucho Haddad

A morte é um ato inevitável no palco da vida. O último deles. Todos sabem disso, mas preferimos fingir desconhecimento por causa da dor causada pela ausência. É melhor assim, pois do contrário a vida perderia a graça, seria tomada pela contínua preocupação com o fim. Disse o poeta e astrólogo romano Marcus Manilius: “Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início”. Manilius tinha razão. O fim é a cortina do prelúdio, é o fim de um começo sem fim. O tempo é o senhor da razão. Transmuta-se em verdade. O problema maior é encará-la, porque por vezes ela é maior que a nossa capacidade de suportar, de compreender, de aceitar.

Algumas verdades sempre ecoarão como mentiras dentro de cada um. Há quem garanta que o tempo cicatriza as úlceras da alma, cura os arranhões do coração. Pode ser, mas não tenho certeza. Creio que o tempo se incumbe de colocar pensamentos e sentimentos complexos, dolorosos e mais doloridos, em um compartimento equidistante da razão e da emoção. Mas é um serviço sem garantia eterna. Em algum momento, mesmo que por curto tempo, o pensamento volta e causa uma revolução. Eis o que faz da imperfeição humana algo interessante e, muitas, vezes, prazeroso. Somos feitos também de sentimentos.

Algumas pessoas entram e saem das nossas vidas como o abrir e fechar da porta de um “saloon” de faroeste. Algumas entram porque queremos, mas saem sem que saibamos a razão. Algumas entram e ficam, deixando lembranças, ensinamentos, saudades. Há as que entram nas nossas vidas e as levamos para sempre, até o outro lado da vida, para a eternidade. Se é que isso de fato existe. O importante é que essas pessoas, as que entram e levamos, ficam de maneira especial, em lugar especial dentro de nós.

A involução do ser humano patrocinou, com o passar do tempo, a banalização da morte. Como nominei um dos meus tantos artigos, a morte é um espetáculo midiático. Os comunicadores encontraram nesse mórbido nicho uma incansável cornucópia. Afinal, o calvário alheio funciona como o éter que anestesia a dor e os problemas daqueles que alimentam esse tipo de negócio. E essa fórmula covarde e milagreira precisa ser vendida aos bolhões. Um dia, esses serão o anestésico da próxima leva de desumanos.

A vida é assim, é cíclica. É com a morte que a vida aciona a sua essência ciclotímica. Em tempos outros, alguém inventou que a vida do ser humano tinha um prazo máximo de validade. Cem anos. Quem fosse antes era alvo de uma frase quase lapidar: “morreu tão cedo!”. Não se morre cedo ou tarde, apenas morre-se. A dolorosa linha do tempo será de responsabilidade dos que ficaram. Esses definirão se foi cedo ou tarde. Nunca é tarde, por mais que a razão nos sussurre o oposto. Essa invenção que surgiu do nada ganhou força e foi ficando.

Tanto é assim, que quando alguém ultrapassa a casa dos cem anos a comemoração é maior. Dependo do grau de notabilidade do aniversariante, o centenário vira manchete, entra para o livro dos recordes. Não importa se a morte ocorre aos 20 ou aos 100. É morte e quem fica sofre. O sofrimento tende a mergulhar em um processo de auto-absorção, mas o período para que isso ocorra depende de cada um, da forma de reagir e de enfrentar a realidade. Certas pessoas não morrem, apenas saem de cena. Continuam no palco do nosso imaginário, nas coxias das nossas lembranças, nos bastidores do nosso pensamento.

Contudo, há um detalhe no cenário de morte que a faz ainda mais dolorida e difícil de administrar. A forma como ela ocorre. E é por isso que insisto em criticar o sensacionalismo midiático que tomou conta da tragédia ocorrida em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, assim como em outras tantas que marcaram a história. Há mortes que são aguardadas, o que não as tornam menos duras e difíceis para os que ficam. Mas a cicatrização da dor é mais célere, talvez menos vagarosa. Há mortes inesperadas, que ocorrem do nada e sem explicação. Como alguém que dorme e não acorda. Quem fica “só” precisa encarar a morte como uma realidade inevitável e administrar a dor que ela provoca.

A morte que ocorre no vácuo de uma tragédia é diferente. Traz na receita da dor um ingrediente a mais, teimoso, disposto a ficar incomodando durante muito tempo, talvez durante a vida toda, até chegar a nossa vez. Qual é esse ingrediente? Imaginar como tudo aconteceu. É o movimento natural do pensamento de quem perdeu uma pessoa querida. Quem está noticiando o fato quer saber do ineditismo, da exclusividade, do furo de reportagem, dos índices de audiência, o quanto o sensacionalismo renderá em termos financeiros. Não se pensa em momento algum na dor de quem fica. Na dor que fica. Para ser mais claro, cito como exemplo a reportagem feita dentro da boate que foi consumida pelo fogo em Santa Maria e tirou a vida de 231 pessoas, na maioria jovens.

O que essas imagens sórdidas, exibidas como troféu, podem acrescentar em termos jornalísticos na história de um veículo de comunicação, no currículo de um jornalista ou repórter? Nada, absolutamente nada. O que podem as imagens subtrair daqueles que perderam seus familiares na tragédia? Muito! Elas tiram o sono, o sossego da alma, o pouco que restou da alegria de viver, a dignidade daqueles que ficaram. Dos que esperaram um retorno que não aconteceu. Situação idêntica ocorreu nos acidentes da Gol, da TAM e da Air France.

Para que serviram as imagens feitas na selva brasileira, no aeroporto da capital paulista, nas águas do Atlântico? Serviram para deixar dentro de cada um que perdeu alguém querido um oceano de dúvidas, um matagal de conjecturas, que jamais terão um pouso seguro no rasar da mente. Por certo alguém me acusará de falso pudor, mas hei de não me incomodar com ataques. Entre as tantas críticas que recebi de desafetos profissionais, saqueadores da honra alheia, a de não ter diploma universitário, e por isso não poder exercer o jornalismo, foi uma das mais banais.

Questionados, alguns detratores responderam que só o banco da faculdade é capaz de ensinar como atuar e se comportar como um profissional da notícia. Que dentro do canudo que se recebe no final do curso vem, além do diploma, importantes lições de ética. Mentira! As reportagens que foram levadas ao ar a partir de Santa Maria provaram o contrário. As imagens macabras não deixaram dúvidas sobre isso. Ética não se aprende sentado no banco da escola. Conquista-se no berço, no ventre materno, vem no DNA, desenvolve-se no seio familiar. Bom senso não se compra no armazém da esquina mais próxima.

Coerência não está disponível nas prateleiras dos supermercados com uma infinidade de sabores e cores. A diferença está entre transformar-se em jornalista e nascer jornalista. Pode parecer pouco, mas não é. Quem nasce jornalista traz o ofício incrustado na alma. Quem transforma-se em jornalista escora a profissão no sindicato pelego da categoria, que dá ao incauto e soberbo um número rebuscado, como se fosse mais uma vítima do holocausto da imprensa. Entre ofício e profissão há uma monumental distância.

Jornalismo é meu ofício. E eu nasci jornalista. É por isso que respeito a dor alheia e me recuso a embarcar no sensacionalismo barato e chicaneiro, que serve apenas e tão somente para entupir os cofres dos veículos de comunicação e saquear a dignidade de quem sofre. Por sorte Deus me presenteou com a capacidade de escrever e me livrou da obrigação de gastar o suado dinheiro para desaprender o que um saudoso e humilde engraxate me ensinou.

Papa em homilia: o bispo é um servidor, não um príncipe

Segunda-feira, 12 de novembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-em-homilia-o-bispo-e-um-servidor-nao-um-principe/

Na homilia desta manhã, Papa Francisco traçou perfil do bispo: humilde, piedoso e não príncipe

Papa Francisco em Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Em sua homilia na Missa desta segunda-feira, 12, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco traçou o perfil do bispo: humilde, piedoso e não príncipe. A reflexão foi conduzida a partir da Carta de São Paulo apóstolo a Tito, no dia em que a Igreja faz memória de São Josafá, bispo e mártir.

Fervor e desordem foram as duas palavras que o Pontífice usou para contar como nasceu a Igreja, recordando também as “coisas admiráveis” realizadas. “Sempre há confusão, afirmou, a força do Espírito, desordem, mas não devemos nos assustar” porque “é um belo sinal”.

“A Igreja jamais nasceu completamente ordenada, tudo certo, sem problemas, sem confusão, jamais. Sempre nasceu assim. E esta confusão, esta desordem, deve ser organizada. É verdade, porque as coisas devem ser colocadas no lugar; pensemos, por exemplo, no primeiro Concílio de Jerusalém: havia a luta entre os judaizantes e os não judaizantes… Mas pensemos bem: fazem o concílio e colocam as coisas no lugar”.

Bispo é um administrador de Deus e não dos bens

Por isso, destacou o Papa, Paulo deixa Tito em Creta para colocar ordem, recordando-lhe que a “primeira coisa é a fé”. Ao mesmo tempo, oferece critério e instruções sobre a figura do bispo como “administrador de Deus”.

“A definição que dá de um bispo é um ‘administrador de Deus’, não dos bens, do poder, dos acordos, não: de Deus. Sempre deve corrigir a si mesmo e perguntar-se: ‘Eu sou administrador de Deus ou sou um negociante?’. O bispo é administrador de Deus. Deve ser irrepreensível: esta palavra é a mesma que Deus pediu a Abraão: ‘Anda na minha presença e sê perfeito’. É a palavra fundamental, de um líder”.

Francisco recordou ainda como deve ser bispo. Nem arrogante nem soberbo, nem irascível nem dado ao vinho, um dos vícios mais comuns no tempo de Paulo, nem cobiçoso nem apegado ao dinheiro. Seria “uma calamidade para a Igreja um bispo do gênero”, que tivesse mesmo que um só desses defeitos, disse ainda o Papa. Já as peculiaridades do servidor de Deus são: hospitaleiro, amante do bem, ponderado, justo, santo, dono de si, fiel à palavra digna de fé que lhe foi ensinada.

“Assim é o bispo. Este é o perfil do bispo. E quando se fazem as pesquisas a eleição dos bispos, seria belo fazer essas perguntas no início, não?, para saber se é possível ir avante com outras investigações. Mas, sobretudo, se vê que o bispo deve ser humilde, manso, servidor, não príncipe. Esta é a palavra de Deus. ‘Ah sim padre, isso é verdade, depois do Concílio Vaticano II isso deve ser feito…’ – ‘Não, depois de Paulo!’. Esta não é uma novidade pós-conciliar. Isso é desde o início, quando a Igreja percebeu que deveria colocar em ordem com bispos do gênero”.

“Na Igreja, concluiu o Papa, não se pode colocar em ordem sem esta atitude dos bispos”. O que conta diante de Deus não é ser simpático, pregar o bem, mas a humildade e o serviço. Recordando a memória de São Josafá, bispo e mártir, Francisco pede orações para que os bispos “sejam assim, sejamos assim, como Paulo nos pede para ser”.

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