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“Procurar, encontrar e seguir Jesus, este é o caminho”, afirma Papa

Domingo, 14 de janeiro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Felicidade, amor, uma vida boa e plena são buscas do ser humano que podem ser encontradas, de acordo com Francisco, em Jesus

Às vésperas de sua viagem apostólica ao Chile e Peru, Papa Francisco retomou o Evangelho (Jo 1, 35-42) no Ângelus deste domingo, 14, e reforçou o convite feito por João Batista aos seus discípulos, o de seguir Jesus. “Após o contemplarmos no mistério do Natal, somos chamados para segui-lo na vida cotidiana (…). Procurar, encontrar e seguir Jesus, este é o caminho”, afirmou.

Segundo Francisco este domingo de introdução ao tempo litúrgico comum serve para animar a fé dos cristãos na vida cotidiana, e indica características essenciais do itinerário da fé, como questionar-se: O que procuro? Pergunta feita por Jesus aos discípulos de João Batista e a Maria Madalena na manhã de Páscoa. Felicidade, amor, uma vida boa e plena são buscas do ser humano que podem ser encontradas, de acordo com Francisco, em Jesus.

João Batista é testemunha de pessoa que fez a jornada e conheceu o Senhor, ação que fez, segundo o Papa, com que Batista dirigisse seus discípulos ao encontro de Jesus, a uma nova experiência. “Esses dois não poderão mais esquecer a beleza desse encontro (…). Apenas um encontro pessoal com Jesus gera uma jornada de fé e discipulado”, lembrou o Papa. “Poderíamos ter muitas experiências, realizar muitas coisas, estabelecer relacionamentos com muitas pessoas, mas apenas Jesus (…) pode dar pleno significado às nossas vidas e tornar nossos projetos e iniciativas frutíferas”.

O Santo Padre prosseguiu afirmando que não basta construir uma imagem de Deus com base em rumores, deve-se buscar Deus e ir aonde ele habita. “O pedido dos dois discípulos a Jesus: ‘Onde você mora?’ (Versículo 38), tem um forte sentido espiritual: expressa o desejo de saber onde o Mestre vive, estar com Ele. A vida de fé consiste no desejo de ser com o Senhor e, portanto, buscar o lugar onde ele mora. Isso significa que somos chamados a superar uma religiosidade habitual e óbvia, revivendo o encontro com Jesus na oração, na meditação sobre a Palavra de Deus e no atendimento aos sacramentos, para estar com ele e dar frutos graças a Ele, à Sua ajuda, a Sua graça” suscitou.

“Que a Virgem Maria nos apoie a este respeito para seguir Jesus, ir e ficar onde ele mora, ouvir sua Palavra de vida, aderir a ele que tira o pecado do mundo, para encontrar esperança e impulso espiritual nele”, pediu o Papa ao encerrar o Ângelus deste domingo, 14.

Após o Angelus

Ao concluir a oração Mariana do Ângelus, Francisco lembrou aos fiéis que neste domingo, 14, é comemorado o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados e comentou sobre a celebração que presidiu nesta manhã, que contou com a participação de um bom grupo de migrantes e refugiados residentes na diocese de Roma.

“Na minha mensagem para este dia, eu enfatizei que a migração hoje é um sinal dos tempos. Todo estranho que bate à nossa porta é uma oportunidade de conhecer Jesus Cristo, que se identifica com o estrangeiro que foi aceito ou rejeitado em todas as épocas. (…) Gostaria de reafirmar que a nossa resposta comum poderia ser articulada em torno de quatro verbos baseados nos princípios da doutrina da Igreja: acolhimento, proteção, promoção e integração”, suscitou o Santo Padre.

Viagem Apostólica e saudação

O Papa pediu orações aos fiéis concentrados na Praça São Pedro por sua jornada apostólica ao Chile e Peru que começará nesta segunda-feira, 15. O pontífice aproveitou a oportunidade para saudar todos os peregrinos e também à comunidade latino-americana de Santa Lúcia em Roma, que celebra 25 anos de fundação.

A contracepção e a paternidade responsável

Coletiva com jornalistas

Terça-feira, 20 de janeiro de 2015, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Cristãos não precisam ter filhos em série, disse o Papa, ressaltando que o que a Igreja defende é uma paternidade responsável

A contracepção foi um dos temas que os jornalistas abordaram com o Papa Francisco na coletiva que aconteceu no voo de Manila para a Roma nesta segunda-feira, 19. A resposta do Santo Padre reiterou o que a Igreja defende: uma paternidade responsável, de forma que os cristãos não precisam ser como coelhos, tendo filhos em série.

O Santo Padre contou que, há alguns meses, repreendeu uma mulher que estava grávida do oitavo filho, após sete cesáreas. “Esta é uma irresponsabilidade. ‘Não, eu confio em Deus’. ‘Mas, veja, Deus te dá os meios, seja responsável’. Alguns acreditam que – desculpem a palavra – para ser bons católicos devemos ser como coelhos. Não. Paternidade Responsável”.

A abordagem feita ao Papa foi ligando a contracepção ao mito de que os cristãos devem ter muitos filhos.  Francisco recordou que a Igreja sempre promoveu o princípio da paternidade e maternidade responsáveis, contido na encíclica Humanae vitae, de Paulo VI.

Ele lembrou que a abertura à vida é condição do Sacramento do matrimônio. Recordou também que Paulo VI estudou essa questão da abertura à vida com uma comissão, como fazer para ajudar tantos casos, tantos problemas. Mas Paulo VI não se deteve apenas aos problemas pessoais.

“Ele olhava para o neo-malthusianismo universal que estava em andamento (…) E como se chama este novo malthusianismo? É o menos de 1% do nível dos nascimentos na Itália, o mesmo na Espanha. Aquele neo-malthusianismo que procurava um controle da humanidade pelas potências. Isso não significa que o cristão deve fazer filhos em série”.

O Santo Padre acredita que três filhos é um número bom para a família a fim de manter a população, pois menos que isso ocasiona o outro extremo, que tem a Itália como exemplo: diz-se que em 2024 não haverá dinheiro para pagar os aposentados do país. Novamente, a palavra-chave é “paternidade responsável”, que se faz com diálogo.

Francisco destacou como curiosidade o outro aspecto dessa questão: o fato de que, para os mais pobres, um filho é um tesouro e Deus sabe como ajudá-los. “Talvez alguns não são prudentes nisso, é verdade. Paternidade responsável. Mas é preciso olhar também para a generosidade daquele pai e daquela mãe que veem em cada filho um tesouro”.

Corrupção

Quando a conversa com a imprensa chegou ao tema da corrupção, Francisco reiterou que este mal, e a prevaricação que se segue, são um problema mundial que encontra ninho facilmente nas instituições, fazendo dos pobres suas vítimas preferidas.

“A corrupção é tirar do povo. Com a pessoa corrupta, que faz negócios corruptos, ou governa de maneira corrupta ou vai associar-se com os outros para fazer um negócio corrupto, rouba o povo”.

Francisco comentou ainda a corrupção nas instituições eclesiais, dizendo que existem casos. “Quando eu falo de Igreja, gosto de falar dos fiéis, dos batizados, toda a Igreja. E ali é melhor falar de pecadores. Todos somos pecadores. Mas quando falamos de corrupção, falamos ou de pessoas corruptas ou de instituições da Igreja que caem na corrupção e há casos (…) Mas recordemos isso: pecadores sim, corruptos não! Corruptos nunca! Devemos pedir perdão por aqueles católicos, aqueles cristãos que escandalizam com a sua corrupção”.

Liberdade de expressão

Um dos jornalistas pediu ao Papa um esclarecimento sobre sua consideração na coletiva de imprensa no voo de Colombo para Manila, sobre limites da liberdade de expressão. A questão foi sobre o “soco” que o Pontífice disse que possivelmente daria em seu organizador de viagens caso ele falasse mal de sua mãe. Francisco reafirmou que, “em teoria”, todos concordam em oferecer a outra face em caso de provocação, mas a realidade é que “somos humanos” e, portanto, uma repetida ofensa pode desencadear em uma reação errada.

“Em teoria, podemos dizer que uma reação violenta diante de uma ofensa, de uma provocação, em teoria sim, não é uma coisa boa, não se deve fazer. Em teoria podemos dizer aquilo que o Evangelho diz, que devemos dar a outra face. Em teoria, podemos dizer que nós temos a liberdade de exprimir e esta é importante. Na teoria, estamos todos de acordo. Mas somos humanos, e há a prudência que é uma virtude da convivência humana. Eu não posso insultar, provocar uma pessoa continuamente, porque corro o risco de irritá-la, de receber uma reação não justa, não justa. Mas é humano, isso. Por isso digo que a liberdade de expressão deve considerar a realidade humana e por isso digo que deve ser prudente”.

“Colonização ideológica”

Também pediram que o Papa explicasse melhor o conceito de “colonização ideológica”, que ele citou no encontro com as famílias. Na resposta, o Francisco citou um episódio de 20 anos atrás, em que um ministro da Educação, que tinha pedido um grande empréstimo para construir escolas para os pobres, recebeu como condição a introdução nas escolas de um livro que ensinava a teoria do gênero.

“Esta é a colonização ideológica: entram em um povo com uma ideia que não tem nada a ver com o povo; sim, com grupos do povo, mas não com o povo, e colonizam o povo com uma ideia que muda ou quer mudar uma mentalidade ou uma estrutura (…) Mas isso não é novidade. O mesmo fizeram as ditaduras do século passado. Entraram com a sua doutrina. Pensem nos Balilla, pensem na Juventude Hitlerista. Colonizaram o povo, queriam fazê-lo. Mas quanto sofrimento! Os povos não devem perder a liberdade”.

Terrorismo

Sobre o seu apelo aos países islâmicos para que tomem uma posição contra os grupos terroristas, Francisco disse ser preciso dar um pouco de tempo, pois a situação deles não é fácil. “Tenho esperança porque há muita gente boa entre eles, tanta gente boa, tantos líderes bons”.

Papa dedica catequese ao canto do “Glória” e à oração coleta

Quarta-feira, 10 de janeiro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Nesta quarta-feira, Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa

O canto do “Glória” e a oração coleta, partes dos ritos iniciais da Missa, foram os temas abordados pelo Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 10. O encontro foi realizado na Sala Paulo VI, devido ao frio intenso em Roma nessa época do ano, e deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa.

A última catequese foi dedicada ao ato penitencial. Hoje, Francisco pontuou que é justamente do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina que toma vida a gratidão expressa no “Glória”, um canto antigo com o qual a Igreja glorifica a Deus. O Santo Padre explicou que o início do hino – “Glória a Deus nos altos céus” – retoma o canto dos anjos no nascimento de Jesus em Belém, o alegre anúncio do abraço entre o céu e a terra.

Sobre a oração coleta, realizada após o Glória ou logo depois do ato penitencial (quando não há o Glória), o Papa explicou que com o convite “oremos”, o padre exorta o povo a recolher-se com ele em um momento de silêncio. O objetivo é ter consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir no coração de cada um as intenções pessoais para a Missa, aquilo que cada um deseja pedir.

Mas o silêncio não se reduz à ausência de palavras, observou o Papa, e sim dispor-se a ouvir outras vozes, como a voz do coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo. Nesse ponto da catequese, o Papa explicou que, na liturgia, a natureza do silêncio depende do momento em que ele ocorre, podendo ajudar o recolhimento (durante o ato penitencial e após o convite à oração), ser um chamado à meditação (após as leituras ou a homilia) ou favorecer a oração interior de louvor e súplica (após a Comunhão).

Talvez as pessoas tenham dias difíceis e querem invocar a ajuda de Deus, confiar a Ele o futuro da Igreja e do mundo, observou o Papa, e para isso serve esse breve silêncio antes que o sacerdote, recolhendo as intenções de cada um, faça a comum oração que conclui os ritos iniciais, fazendo a “coleta” das intenções individuais.

“Recomendo vivamente aos sacerdotes observar esse momento de silêncio e não ir com pressa: ‘oremos’, e que se faça o silêncio. Recomento isso aos sacerdotes. Sem esse silêncio, corremos o risco de negligenciar o recolhimento da alma”.

Francisco conclui a catequese dizendo que, no Rito Romano, as orações são concisas, mas ricas em significado, e considerou que meditar os textos, também fora da Missa, pode ajudar a aprender como se dirigir a Deus, o que pedir, quais palavras usar. “Possa a liturgia se tornar para todos nós uma verdadeira escola de oração”.

Papa: vida dupla dos pastores é ferida na Igreja

http://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta.html

Inspirado no Evangelho do dia que fala da autoridade de Jesus, o Papa recordou “aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas” para não perderem a esperança: “Sempre existe a possibilidade!”

Comoção, proximidade e coerência. Essas são as características do pastor e da sua “autoridade”, nas palavras do Papa na missa esta manhã na Casa Santa Marta.

Comentando o Evangelho do dia, de Marcos, dedicado a Jesus que ensinava “como quem tem autoridade”, Francisco explicou que se trata de um “ensinamento novo”: a “novidade” de Cristo é justamente o “dom da autoridade” recebido do Pai.

Diante dos ensinamentos dos escribas, dos doutores da lei, que mesmo “dizendo a verdade”, evidenciou o Papa, as pessoas “pensavam a outra coisa”, porque o que diziam “não chegava ao coração”: ensinavam “da cátedra e não se importavam com as pessoas”.

Ao invés, acrescentou Francisco, “o ensinamento de Jesus provoca admiração, movimento no coração”, porque aquilo que “dá autoridade” é precisamente a proximidade e Jesus “tinha autoridade porque se aproximava das pessoas”, entendia os problemas, dores e pecados:

“Porque estava próximo, entendia; mas acolhia, curava e ensinava com proximidade. Aquilo que dá autoridade a um pastor ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade: proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não busca Deus perdeu a proximidade às pessoas. O pastor distante das pessoas não chega a elas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e se pode comover diante dos pecados, do problema, das doenças das pessoas: deixa comover o pastor”.

Os escribas, prosseguiu o Papa, tinham perdido a “capacidade” de se comover justamente porque “não estavam nem próximos das pessoas nem de Deus”. E quando se perde esta proximidade, destacou Francisco, o pastor acaba “na incoerência de vida”:

“Jesus é claro nisto: “Façam aquilo que dizem” – dizem a verdade – “mas não aquilo que fazem”. A vida dupla. É duro ver pastores com vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente com esta vida dupla. Existem tantas maneiras de levar em frente esta vida dupla: mas é dupla… E Jesus é muito forte com eles. Não somente diz às pessoas para ouvi-los, mas para não fazer aquilo que fazem, mas o que diz a eles? “Mas vocês são sepulcros caiados”: belíssimos na doutrina, por fora. Mas por dentro, podridão. Este é o fim do pastor que não tem proximidade com Deus na oração e com as pessoas na compaixão”.

Francisco cita a primeira leitura e repropõe a figura de Ana, que ora ao Senhor pedindo para ter um filho homem, e do sacerdote, o “velho Eli”, que “era um fraco, havia perdido a proximidade com Deus e com as pessoas”: havia considerado que Ana estava embriagada. Ela pelo contrário, estava rezando em seu coração, movendo somente os lábios.

Foi ela a explicar a Eli estar “amargurada” e a falar foi o “excesso” de sua “dor” e de sua “angústia”.

E enquanto ela falava, Eli “foi capaz de aproximar-se daquele coração”, até dizer para ir em paz: “Vai em paz e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”.

Deu-se conta – observa o Papa – “de ter errado e brotou de seu coração a bênção e a profecia”, porque depois Ana deu à luz a Samuel:

“Eu diria aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas: “Mas, não percam a esperança. Sempre existe a possibilidade. Para isto foi suficiente olhar, aproximar-se a uma mulher, ouvi-la e despertar a autoridade para abençoar e profetizar; a profecia foi feita e o filho da mulher veio”. A autoridade: a autoridade, dom de Deus. Somente vem d’Ele. E Jesus a dá aos seus. Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, as duas coisas sempre juntas. Autoridade que é coerência, não dupla vida. É autoridade, e se um pastor a perde, que ao menos não perca a esperança, como Eli: sempre há tempo para aproximar-se e despertar a autoridade e a profecia”.

Rezar reduz risco da doença de Alzheimer, afirmam cientistas

WASHINGTON DC, 08 Ago. 12 / 10:22 am (ACI/EWTN Noticias).- Um grupo de cientistas dos Estados Unidos e de Israel concluíram que rezar regularmente pode reduzir, no caso das mulheres, até em 50 por cento o risco de sofrer a doença de Alzheimer.

Os resultados, expostos em junho na Universidade de Tel Aviv (Israel), apontaram a que a oração influi de forma notavelmente positiva no cérebro.

Segundo o professor Rivka Inzelberg, que encabeçou o estudo, “a oração é um costume no qual se utiliza o pensamento, e a atividade intelectual ocasionada poderia constituir uma medida de prevenção contra a doença”.

“Qualquer trabalho intelectual influi positivamente ao trabalho do cérebro”, assinalou o cientista.

A investigação experimentou dificuldades ao determinar a relação entre a oração e o Alzheimer entre homens, já que 90 por cento dos homens asseguraram rezar diariamente, o que impossibilitou ter uma amostra adequada.

Entretanto, “entre as mulheres, só 60 por cento rezava cinco vezes ao dia, e 40 por cento não rezava regularmente, assim pudemos comparar a informação”, indicou Inzelberg.

Papa: agredir os fracos, uma das marcas do pecado original

http://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta.html

Ao retomar as celebrações na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco alertou que a tendência do ser humano de agredir os mais fracos é uma das marcas do pecado original e não é inspirada pelo Espírito Santo. Por isto, devemos pedir ao Senhor a graça da compaixão, que é de Deus.

A tendência a agredir os mais fracos é uma das marcas do pecado original, e se temos este desejo, é porque o diabo está ali. Deus, ao contrário disto, é compaixão.

A primeira leitura proposta pela liturgia do dia inspirou a homilia do Papa Francisco ao retomar as celebrações na Capela da Casa Santa Marta, após a pausa pelas festas de Natal.

A passagem, extraída do Livro do Profeta Samuel, narra a história dos pais do profeta, Elcana e Ana.

Elcana tinha duas mulheres: Ana, que era estéril, e Penina, que tinha filhos.

Penina, ao invés de consolar Ana, não perde a ocasião para humilhá-la e a maltratá-la, recordar-lhe constantemente a ela a sua esterilidade.

O Papa observa que em outras páginas da Bíblia acontece a mesma coisa, citando o que ocorre entre Agar e Sara, as mulheres de Abraão, sendo a segunda estéril.

Mas ridicularizar e desprezar os mais fracos é um comportamento dos homens, como no caso de Golias diante de Davi.

Mais ainda – disse Francisco – pensemos na mulher de Jó, ou na de Tobias, que desprezam os seus maridos sofredores:

“Eu me pergunto: o que existe dentro destas pessoas? O que existe dentro de nós, que nos leva a desprezar, a maltratar, a ridicularizar os mais fracos? Compreende-se que alguém se ofenda com quem é mais forte: pode ser a inveja que te leva (a isso)… Mas e os mais fracos? O que existe dentro (de nós) que nos leva (a isso)? É algo que é corriqueiro, como se eu tivesse a necessidade de desprezar o outro para me sentir seguro. Como uma necessidade…”

Também entre as crianças acontece isto – observa o Papa – recordando de uma situação vivida na infância: em seu bairro vivia uma senhora, Angiolina, que tinha uma doença mental e vagava pelas ruas o dia inteiro.

As mulheres davam a ela algo para comer, alguma roupa, mas as crianças a enganavam. Diziam: ‘Vamos atrás da Angiolina para nos divertirmos um pouco’”.

“Quanta maldade nas crianças! – comenta Francisco – ofender os mais fracos!”:

“E hoje vemos o mesmo continuamente, nas escolas, com o fenômeno do bullying: (bulismo), agredir o fraco, porque você é gordo ou porque você é assim ou é estrangeiro ou porque você é negro, por isto…agredir, agredir… As crianças, os jovens… Não somente Penina, ou Agar, ou as mulheres de Tobias e de Jó: também as crianças. Isto significa que existe algo dentro de nós que nos leva a isto. À agressão dos fracos. E acredito que seja uma das marcas do pecado original”.

Talvez os psicólogos – afirma o Papa – tenham sua explicação para este desejo de aniquilar o outro porque é fraco, mas eu digo que “esta é uma das marcas do pecado original. Isto é obra de satanás”. Em satanás, de fato, não existe compaixão:

“E assim, da mesma forma quando temos um bom desejo de fazer uma obra boa, uma obra de caridade, dizemos “é o Espírito Santo que me inspira a fazer isto”, quando nós nos damos conta que temos dentro de nós este desejo de agredir alguém porque é fraco, não duvidemos: o diabo está ali. Porque isto é obra do diabo, agredir o fraco”.

“Peçamos ao Senhor – conclui Francisco – que nos dê a graça da compaixão: esta é de Deus”, Ele que “tem compaixão de nós e nos ajuda a caminhar”.

Papa relembra, durante o Ângelus, a importância do batismo

Sacramento original

Domingo, 7 de janeiro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

No primeiro Ângelus dominical deste ano, Francisco falou sobre a relevância do batismo na vida dos fiéis

O Papa Francisco, neste domingo, 7, falou aos fiéis e peregrinos que o ouviram na Praça São Pedro sobre a importância do batismo. Francisco recordou a humildade de Jesus Cristo, que nunca pecara e se alinhara aos penitentes, misturado entre eles ao ser batizado nas águas do Rio Jordão.

“Ele manifestou o que comemoramos no Natal: a disponibilidade de Jesus para mergulhar no rio da humanidade, tomar sobre si as falhas e fraquezas da humanidade, compartilhar nosso desejo de ser livre e superar tudo o que nos separa de Deus e faz de nós estranhos aos nossos irmãos e irmãs”, exortou o Santo Padre.

O Evangelho de hoje, disse Francisco, enfatiza que Jesus, “emergindo da água, viu os céus se abrirem e o Espírito descer sobre ele como uma pomba”. O Espírito Santo foi a força motriz que desde o início dos tempos guiara Moisés e os fiéis no deserto, e que em seguida recaiu sobre Jesus Cristo e deu a Ele forças para completar sua missão no mundo. “E ainda é o Espírito Santo, que faz com que a Palavra reveladora do Pai ressoe: ‘Você é meu Filho amado: em você estou satisfeito’. No momento em que o Filho expressa Sua solidariedade aos pecadores, a voz do Pai é ouvida, confirmando Sua identidade e missão”, explicou Francisco.

Ao final deste Ângelus, o Sucessor de Pedro agradeceu a todos os peregrinos presentes, que atentamente ouviam as suas palavras, e os indagou: “Vocês sabem em que dia foram batizados? Cada um de vocês pense nisto. Se não conhecem a data, voltem para casa e falem com seus pais, tios, avós ou padrinhos, mas a memorizem. Esta é a data de nossa santificação inicial, quando o Pai nos deu o Espírito Santo que nos leva a caminhar, a data do grande perdão”.

Desde o início de seu Pontificado, o Papa Francisco já batizou 169 crianças na tradicional celebração que ocorre anualmente na Capela Sistina.

Para encontrar Jesus é preciso pôr-se a caminho, afirma Papa

Epifania do Senhor

Sábado, 6 de janeiro de 2018, Da redação

Em celebração, Francisco apontou que para encontrar Jesus, como os magos, é preciso olhar para o alto, caminhar e oferecer presentes gratuitos

Papa Francisco celebrou neste sábado, 6, na Basílica São Pedro, no Vaticano, a solenidade da Epifania do Senhor. A celebração eucarística, que comemora a manifestação de Jesus Cristo como o Messias, indica segundo o Santo Padre três pontos do percurso realizado pelos três reis magos como o caminho que leva o ser humano a um encontro com o Senhor. “Eles veem a estrela, põe-se a caminho e oferecem presentes”, apontou.

Segundo Francisco ver a estrela é o ponto de partida para um encontro sincero com Jesus, ato por vezes sublinhado pelo pontífice como distante do ser humano quando este se contenta a apenas olhar para a terra. “Basta a saúde, algum dinheiro e um pouco de divertimento. Me pergunto, nós ainda sabemos levantar os nossos olhos para o céu? Sabemos sonhar e nos alegrar por Deus, sabemos esperar a sua novidade? Ou nos deixamos levar pela vida, como um ramo seco pelo vento?”, indagou.

Para viver de verdade, de acordo com o Papa, é preciso intuir como os magos: ter uma meta alta e manter alto o olhar. A estrela de Jesus não é deslumbrante, não brilha mais do que as outras, afirmou Francisco, mas é mansa, guia pela mão, acompanha, não promete recompensas materiais, mas garante a paz e dá, como para os magos, uma imensa alegria, porém, também pede para caminhar. “Caminhar, é a segunda ação dos magos e é essencial para encontrar Jesus”, indicou o Santo Padre.

“A sua estrela [de Jesus] solicita a decisão de se pôr a caminho. A fadiga diária da caminhada pede à pessoa, para se libertar de pesos inúteis e situações embaraçantes que estorvam, e a aceitar os imprevistos que não aparecem assinalados no mapa da vida tranquila. Jesus se deixa encontrar por quem o busca, mas para buscá-lo é preciso mover-se, sair, não ficar a espera, mas arriscar, não ficar parados, avançar. Jesus é exigente a quem o busca, propõe deixar as poltronas das comodidades mundanas (…). Seguir Jesus não é um educado protocolo a respeitar, mas um êxodo a viver”, afirmou o Papa.

Para encontrar Jesus é preciso perder o medo, ressaltou Francisco, que indica que ao arriscar-se para encontrar um menino — Jesus —, o ser humano descobre ternura e amor, para enfim descobrir a si mesmo. Mas alertou que independente do chamado, a escolha é individual, difícil e pode ser a tentação de quem se considera crente há muito tempo e olha para a fé como algo já conhecido, e não se compromete pessoalmente com o Senhor.

“Viemos adorá-lo”, frase dos magos apontado por Francisco como primeira ação de gratuidade daqueles que conhecem e se encontram de fato com Jesus. “Ofereceram as suas preciosidades: ouro, incenso e mirra. O evangelho se cumpre quando o caminho da vida chega a doação, dar gratuitamente, por amor ao Senhor, sem esperar nada em troca. Isto é sinal certo de ter encontrado Jesus, que diz: ‘Recebestes de graça, daí de graça’. Praticar o bem sem cálculos, (…) mesmo se não faz ganhar nada, mesmo se não nos apetece, isto é o que Deus deseja”, indicou.

Segundo o pontífice o cristão que encontra o Senhor oferece algo pelos mais pequeninos, os que não tem com o quê retribuir, os necessitados, os famintos, os presos, os pobres. “Oferecer um presente agradável a Jesus é cuidar de um doente, dedicar tempo a uma pessoa difícil, ajudar alguém que não nos inspira, oferecer o perdão a quem nos ofendeu, são presentes gratuitos, não podem faltar na vida cristã, caso contrário, como nos recorda Jesus, amando apenas aqueles que nos amam, fazemos como os pagãos” alertou o Papa, que convidou os fiéis a procurarem neste tempo festivo um presente gratuito, sem retribuição, para ser ofertado a Deus.

“Queridos irmãos e irmãs façamos como os magos: olhar para o alto, caminhar e oferecer presentes gratuitos” concluiu Francisco, que pediu: “Senhor fazei me redescobrir a alegria de dar”.

Reis magos tiveram coragem de caminhar para encontrar a glória

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa presidiu na manhã da sexta-feira (06/1/2017) a Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro.

Em sua reflexão (íntegra), Francisco falou de uma “nostalgia” que impeliu os reis magos a colocarem-se a caminho e seguir a estrela de Belém.

“Os reis magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem tem saudade da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração”, disse Francisco.

Essa saudade, refletiu ainda o Papa, pode ser agente de grandes mudanças.

“A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos”.

Surpresa

O Pontífice recordou a surpresa dos reis magos que foram até o palácio de Herodes, lugar em que o senso comum indicaria para o nascimento de um rei. Mas não era assim.

“E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial”.

Assim, o novo rei se manifesta sob o signo da liberdade e não da tirania. Ele não humilha, não escraviza, não aprisiona.

“Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!”, destacou o Papa ao concluir:

“Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus”. (rv0)

 

HOMILIA

“Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, explicam o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo fora do comum, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir.

Como justamente reconheceu um Pai da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração que acredita, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória fiel que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade fiel que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair de uma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara.

E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos.

A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o fiel «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, com uma atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilômetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia de uma consciência cauterizada.

E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço.

Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idôneo, porque é próprio de um rei nascer em um palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida.

E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial.

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona.

Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia.

Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo.

Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.

 

Luz de Jesus vence as trevas, afirma Papa no Angelus 

Sexta-feira, 6 de janeiro de 2017, Rádio Vaticano

No Angelus, Papa convidou a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”

Cabe a nós escolher qual estrela seguir. Mas saindo de nossa acomodação e buscando a luz de Jesus, encontraremos a alegria verdadeira. Na Solenidade da Epifania, o Papa Francisco rezou o Angelus com cerca de 35 mil, convidando a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”. A sensação térmica na Praça São Pedro era abaixo de zero.

“O símbolo desta luz que resplandece no mundo e quer iluminar a vida de cada um – disse o Papa no início de sua reflexão – é a estrela que guiou os Magos a Belém”. Eles a viram despontar no horizonte e “decidiram segui-la, deixaram-se guiar pela estrela de Jesus”, “uma luz estável, uma luz gentil, que não se apaga, porque não é deste mundo, vem do céu, e resplandece no coração”:

“Também na nossa vida existem diversas estrelas, luzes que brilham e orientam. Cabe a nós escolher quais seguir. Por exemplo, existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida: ainda que boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que buscamos. Existem depois as luzes deslumbrantes do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e logo: são sedutoras, com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais densa”.

A luz verdadeira – reiterou o Papa – é o próprio Jesus, “ele é a nossa luz, uma luz que não ilude, mas acompanha e dá uma alegria única. Esta luz é para todos e chama a cada um: Levanta-te, reveste-te de luz”. Uma luz – a de Jesus – à qual somos chamados a seguir no início de cada novo dia, “entre as tantas estrelas cadentes no mundo (…). Seguindo-a, teremos a alegria, como acontece aos Reis Magos, que ao ver a estrela experimentaram uma alegria grandíssima, porque onde está Deus, ali há alegria”:

“Quem encontrou Jesus, experimentou a alegria da luz que ilumina as trevas e conhece esta luz que ilumina e irradia. Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força, está cansado, a quem, sobrecarregado pelas obscuridades da vida, perdeu o ânimo: levanta-te, coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais obscuras, levanta-te, coragem”.

Para encontrar esta luz – recomendou o Papa –  devemos seguir o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve como “sempre em movimento”, “sair de si e buscar, não ficar fechado olhando o que acontece ao redor, mas arriscar a própria vida”:

“A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e feito de busca; um caminho que, como o dos Magos, prossegue também quando a estrela desaparece momentaneamente da vista. Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas, que freiam o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; o pessimismo, que aprisiona a esperança”.

“Não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele Natal no coração”, alertou Francisco. Os Magos fizeram isto, prostraram-se e o adoraram. “Não olharam para ele somente, não fizeram somente uma oração circunstancial e foram embora, mas o adoraram, “entraram em comunhão pessoal de amor com Jesus. Depois, deram a ele ouro, incenso e mirra, isto é, os bens mais preciosos”.

Neste sentido, o Papa exorta a aprendermos dos Magos a não dedicar a Jesus somente os “retalhos de tempo e algum pensamento de vez em quando, pois assim não teremos a sua luz”, mas devemos sim, “nos colocam a caminho, revestindo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus e adorar o Senhor com todo nosso ser”.

Na 1ª catequese de 2018, Papa reflete sobre o ato penitencial da Missa

Quarta-feira, 3 de janeiro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Francisco reuniu-se com os fiéis na Sala Paulo VI e deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa

A primeira catequese do Papa Francisco em 2018, nesta quarta-feira, 3, foi dedicada ao ato penitencial realizado na Missa. Seguindo no ciclo de reflexões sobre a Santa Missa, no contexto dos ritos iniciais, o Pontífice destacou a necessidade de reconhecer-se pecador diante de Deus e dos irmãos, confessando os pecados com sinceridade.

“Quem é consciente das próprias misérias e abaixa os olhos com humildade, sente sobre si o olhar misericordioso de Deus. Sabemos por experiência que somente quem sabe reconhecer os erros e pedir desculpa recebe a compreensão e o perdão dos outros”, disse.

Francisco explicou que, no ato penitencial, cada um confessa a Deus e aos irmãos ter pecado em pensamentos, palavras, atos e também por omissões, ou seja, ter deixado de fazer o bem que poderia ter feito. Ele destacou que não basta não ter feito mal, é preciso fazer o bem aproveitando as ocasiões para dar testemunho de ser discípulo de Jesus. “O pecado rompe: rompe a relação com Deus e rompe a relação com os irmãos, a relação na família, na sociedade, na comunidade: o pecado rompe sempre: separa, divide”.

O Santo Padre reconheceu que custa admitir ser pecador, mas faz bem confessar isso com sinceridade. Ele mencionou, por fim, alguns exemplos de figuras bíblicas “penitentes”, que após terem cometido um pecado, encontraram a coragem de tirar a máscara e se abrir à graça que renova o coração: o rei Davi, o filho pródigo, São Pedro, Zaqueu e a mulher samaritana.

“Comparar-se com a fragilidade do barro de que fomos formados é uma experiência que nos fortifica: enquanto nos coloca diante da nossa fraqueza, abre-nos o coração para invocar a misericórdia divina que transforma e converte. E isso é aquilo que fazemos no ato penitencial no início da Missa”.

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