Homilia da Semana

Confirmação ou Crisma

ENCONTRO COM OS CRISMANDOS DISCURSO DO PAPA BENTO XVI
Estádio “Meazza”, San Siro Sábado, 2 de Junho de 2012

Queridos jovens e moças!

É para mim uma grande alegria poder encontrar-me convosco durante a minha visita à vossa Cidade. Neste famoso estádio de futebol, hoje sois vós os protagonistas! Saúdo o vosso Arcebispo, Cardeal Angelo Scola, e agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigiu. Agradeço também a Pe. Samuele Marelli. Saúdo o vosso amigo que, em nome de todos vós, me deu as boas-vindas. Sinto-me feliz por saudar os Vigários episcopais que, em nome do Arcebispo, vos administraram ou administrarão a Crisma. Um obrigado particular à Fundação dos Oratórios Milaneses que organizou este encontro, aos vossos sacerdotes, a todos os catequistas, aos educadores, aos padrinhos e madrinhas, e a quantos em cada uma das comunidades paroquiais se fizeram vossos companheiros de viagem e vos testemunharam a fé em Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo.

Vós, queridos jovens, estais a preparar-vos para receber o Sacramento da Confirmação, ou já o recebestes há pouco tempo. Sei que fizestes um bom percurso formativo, chamado este ano «O espetáculo do Espírito». Ajudados por este itinerário, com diversas etapas, aprendestes a reconhecer as coisas maravilhosas que o Espírito Santo fez e faz na vossa vida e em quantos dizem «sim» ao Evangelho de Jesus Cristo. Descobristes o grande valor do Batismo, o primeiro dos sacramentos, a porta de entrada para a vida cristã. Vós recebeste-lo graças aos vossos pais, que juntamente com os padrinhos, em vosso nome, professaram o Credo e se comprometeram a educar-vos na fé. Esta foi para vós — assim como para mim, há muito tempo! — uma graça imensa. A partir daquele momento, renascidos da água e do Espírito Santo, começastes a fazer parte da família dos filhos de Deus, tornastes-vos cristãos, membros da Igreja.

Agora sois grandes, e podeis vós próprios dizer o vosso «sim» pessoal a Deus, um «sim» livre e consciente. O sacramento da Crisma confirma o Batismo e efunde sobre vós o Espírito Santo em abundância. Agora vós mesmos, cheios de gratidão, tendes a possibilidade de acolher os seus grandes dons que vos hão-de ajudar, no caminho da vida, a tornar-vos testemunhas fiéis e corajosas de Jesus. Os dons do Espírito são realidades maravilhosas, que vos permitem formar-vos como cristãos, viver o Evangelho e ser membros ativos da comunidade. Recordo brevemente estes dons, dos quais já nos fala o profeta Isaías e depois Jesus:

— o primeiro dom é a sabedoria, que vos faz descobrir como o Senhor é bom e grande e, como diz a palavra, dá à vossa vida sabor pleno, para que sejais, como dizia Jesus, «sal da terra»;

— depois o dom do intelecto, para que possais compreender em profundidade a Palavra de Deus e a verdade da fé;

— em seguida o dom do conselho, que vos guiará na descoberta do projeto de Deus sobre a vossa vida, a vida de cada um de vós;

— o dom da fortaleza, para vencer as tentações do mal e praticar sempre o bem, mesmo quando custa sacrifício;

— em seguida, o dom da ciência, não ciência no sentido técnico, como é ensinada na Universidade, mas ciência no sentido mais profundo, que ensina a encontrar na criação os sinais, as marcas de Deus, a compreender como Deus fala em todos os tempos e como fala a mim, e a animar com o Evangelho o trabalho de cada dia; compreender que há uma profundidade e compreendê-la e desta forma dar sabor ao trabalho, até ao que é difícil;

— outro dom é o da piedade, que mantém viva no coração a chama do amor ao nosso Pai que está no céu, de modo a rezar a Ele todos os dias com confiança e ternura de filhos amados; a não esquecer a realidade fundamental do mundo e da minha vida: que Deus existe e me conhece e espera a minha resposta ao seu projecto;

— e finalmente o sétimo e último dom é o temor de Deus — falámos há pouco do temor — temor de Deus não significa medo, mas sentir por Ele um respeito profundo, o respeito da vontade de Deus que é o verdadeiro desígnio da minha vida e o caminho através do qual a vida pessoal e comunitária pode ser boa; e hoje, com todas as crises que existem no mundo, vemos como é importante que cada um respeite esta vontade de Deus impressa nos nossos corações e segundo a qual devemos viver; e assim este temor de Deus é desejo de praticar o bem, de praticar a verdade, de fazer a vontade de Deus.

Queridos jovens e moças, toda a vida cristã é um caminho, é como percorrer um carreiro que leva a um monte — portanto nem sempre é fácil, mas subir a um monte é algo muito agradável — em companhia de Jesus; com estes dons preciosos a vossa amizade com Ele tornar-se-á ainda mais verdadeira e mais estreita. Ela alimenta-se continuamente no sacramento da Eucaristia, no qual recebemos o seu Corpo e o seu Sangue. Por isto vos convido a participar sempre com alegria e fidelidade na Missa dominical, quando toda a comunidade se reúne para rezar, ouvir a Palavra de Deus e participar no Sacrifício eucarístico em conjunto. E recebei também o Sacramento da Penitência, na Confissão: é um encontro com Jesus que perdoa os nossos pecados e nos ajuda a praticar o bem; receber o dom, recomeçar de novo é um grande dom na vida, saber que sou livre, que posso recomeçar, que tudo é perdoado. Não falte depois a vossa oração pessoal de cada dia. Aprendei a dialogar com o Senhor, confiai n’Ele, dizei-lhe as alegrias e as preocupações, e pedi-lhe iluminação e apoio para o vosso caminho.

Queridos amigos, vós sois privilegiados porque nas vossas paróquias há os oratórios, um grande dom da Diocese de Milão. O oratório, como diz a palavra, é um lugar onde se reza, mas também onde se está juntos na alegria da fé, onde se faz catequese, se joga, se organizam actividades de serviço e de outros géneros, diria, onde se aprende a viver. Sede frequentadores assíduos do vosso oratório, para amadurecer cada vez mais no conhecimento e no seguimento do Senhor! Estes sete dons do Espírito Santo crescem precisamente na comunidade onde se leva a vida na verdade, com Deus. Em família, sede obedientes aos pais, ouvi as indicações que vos dão, para crescer como Jesus «em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 51-52). Por fim, não sejais indolentes, mas jovens e moças comprometidos, em particular no estudo, em vista da vida futura: é o vosso dever quotidiano e uma grande oportunidade que tendes para crescer e para preparar o futuro. Sede disponíveis e generosos com os outros, vencendo as tentações de vos pôr a vós próprios no centro, porque o egoísmo é inimigo da verdadeira alegria. Se apreciardes agora a beleza de fazer parte da comunidade de Jesus, podereis também vós dar a vossa contribuição para a fazer crescer e sabereis convidar os outros a fazer parte dela. Permiti-me dizer-vos também que o Senhor, todos os dias, também hoje, vos chama a coisas grandiosas. Sede abertos ao que vos sugere e se vos chamar a segui-lo no caminho do sacerdócio ou da vida consagrada, não lhe digais não! Seria uma ociosidade errada! Jesus encher-vos-á o coração para toda a vida!

Queridos jovens, queridas moças, digo-vos com força: tendei para ideais nobres: todos podem alcançar uma medida alta, não só alguns! Sede santos! Mas é possível ser santo na vossa idade? Respondo-vos: certamente! Diz isto também santo Ambrósio, grande santo da vossa Cidade, numa das suas obras, onde escreve: «Cada idade é madura para Cristo» (De virginitate, 40). E demonstra-o sobretudo o testemunho de tantos Santos vossos coetâneos, como Domenico Savio, ou Maria Goretti. A santidade é o caminho normal do cristão: não está reservada a poucos eleitos, mas está aberta a todos. Naturalmente, com a luz e a força do Espírito Santo, que não nos faltará se estendermos as nossas mãos e abrirmos o nosso coração! E com a guia da nossa Mãe. Quem é a nossa Mãe? É a Mãe de Jesus, Maria. A ela Jesus nos confiou a todos, antes de morrer na cruz. Então a Virgem Maria conserve sempre a beleza do vosso «sim» a Jesus, seu Filho, o grande e fiel Amigo da vossa vida. Assim seja!

© Copyright 2012 – Libreria Editrice Vaticana

 

ORAÇÃO PEDINDO OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

É hora de intensificarmos nosso pedido: Vinde, Espírito Santo! Vinde sobre nós pessoalmente. Vinde sobre toda Igreja. Vinde sobre toda a cristandade. Nesta semana da Crisma dos nossos jovens e adultos Vinde sobre nós católicos. Vinde sobre a humanidade inteira. Rezemos clamando nestes dias de preparação para o Pentecostes Paroquial os sete dons do Espírito de Deus: SABEDORIA, INTELIGÊNCIA, CONSELHO, FORTALEZA, CIÊNCIA, PIEDADE E TEMOR DE DEUS:

DOM DA SABEDORIA
“Mal podemos compreender o que está sobre a terra, dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem, portanto, pode descobrir o que se passa no céu? E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas às veredas dos que estão na terra; os homens aprenderam as coisas que vos agradam e pela sabedoria foram salvos” (cf. Sb 9, 16-18). Vinde Espírito de sabedoria! Instruí o meu coração para que eu saiba estimar os bens celestes e antepô-los a todos os bens da terra.
Oração: Ó Deus Todo-Poderoso concedei-nos o Dom da Sabedoria, a fim de que cada vez mais gostemos das coisas divinas e, abrasados no fogo do vosso amor, prefiramos com alegria as coisas do céu a tudo que é mundano e nos unamos para sempre a Jesus, sofrendo tudo neste mundo por amor. Por Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito santo.

DOM DA INTELIGÊNCIA
“Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; mas o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca. Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno. Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo 5, 18-20). Vinde espírito de Inteligência! Iluminai a minha mente Para que entenda e abrace todos os mistérios da fé e mereça alcançar um pleno conhecimento Vosso, do Pai e do Filho.
Oração: Ó Deus concedei-nos o Dom do Entendimento, para que pela luz celeste de vossa graça, bem entendamos as sublimes verdades da salvação e a doutrina da santa religião. Por Jesus Cristo, vosso Filho na unidade do Espírito Santo.

DOM DO CONSELHO
“Ouve os conselhos, aceita a instrução: tu serás sábio para o futuro. Há muitos planos no coração do homem, mas é a vontade do Senhor que se realiza” (Pr 19, 20-21). Vinde Espírito de Conselho! Assisti-me em todos os assuntos desta vida instável, torna-me dócil às inspirações e guiai-me sempre pelo caminho dos divinos mandamentos.
Oração: Ó Deus concedei-me o Dom do Conselho, tão necessário em tantos passos melindrosos da vida, para que sempre escolhamos o que mais vos agrada, e sigamos em tudo vossa divina graça. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

DOM DA FORTALEZA
“Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12, 7-10). Vinde espírito de Fortaleza! Fortalecei o meu coração em todas as perturbações e adversidades e daí à minha alma o vigor necessário para resistir ao pecado e ao maligno.
Oração: Ó Deus concedei-nos o Dom da Fortaleza, para que desprezemos todo o respeito humano, fujamos do pecado, pratiquemos as virtudes da fortaleza com santo fervor e afrontemos com paciência e mesmo com alegria de espírito os desprezos, prejuízos e perseguições. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

DOM DA CIÊNCIA “Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra! Vossa majestade se estende triunfante, por cima de todos os céus. Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo. Ó Senhor, nosso Deus, como é glorioso vosso nome em toda a terra”! (Sl 8, 2. 5-7.10). Vinde Espírito de Ciência! Fazei-me ver a vaidade de todos os bens caducos deste mundo, para que não use senão para Vossa glória e salvação de minha alma.
Oração: Ó Deus concedei-nos o Dom da Ciência, para que conheçamos cada vez mais a nossa própria miséria e fraqueza, a beleza das virtudes e o valor inestimável da alma e para que sempre vejamos claramente as ciladas do demônio, da carne, do mundo, a fim de evitá-las. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

DOM DA PIEDADE
“Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão. Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da vida presente e da futura” (1Tm 4, 6.8). Vinde Espírito de Piedade! Vinde morar no meu coração e inclinai-o para a verdadeira piedade e santo amor a Deus.
Oração: Ó Deus concedei-nos o Dom da Piedade, para que aprendamos a amar-vos como nosso Pai e a todos os homens como nossos irmãos. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

DOM DO TEMOR DE DEUS
“Meu filho, se acolheres minhas palavras e guardares com carinho meus preceitos, ouvindo com atenção a sabedoria e inclinando teu coração para o entendimento; se tu apelares à penetração, se invocares a inteligência, se tu apelares à penetração, se invocares a inteligência, então compreenderás o temor do Senhor, e descobrirás o conhecimento de Deus, porque o Senhor é quem dá a sabedoria, e de sua boca é que procedem a ciência e a prudência” (Pr 2, 1-6). Vinde Espírito de Temor de Deus! Repassai a minha carne com o Vosso santo temor, de modo que tenha sempre Deus presente e evite tudo o que possa desagradar aos olhos de Sua divina majestade.
Oração: Ó Deus concedei-me o Dom do Santo Temor, para que sempre nos lembremos com suma reverencia e profundo respeito da vossa divina presença, e evitemos praticar tudo quanto possa vos desagradar. Por Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

TERÇO DO ESPÍRITO SANTO: Creio / Pai Nosso / 3 Ave Marias
Nas contas do Pai Nosso: “Recebereis o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas” (At 1, 8). Nas contas da Ave Maria: Vinde Espírito Santo! Vinde Espírito Santo!

XXXII Domingo do tempo comum – Ano B

Por Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap.

Chegou uma pobre viúva 
1Re 17, 10-16; Hebreus 9, 24-28; Marcos 12, 38-44

Um dia, estando frente ao baú do tesouro do templo, Jesus observa os que ali deixavam esmolas. Fixa-se em uma pobre viúva que deposita ali tudo quanto tem: duas moedinhas, ou seja, alguns centavos. Então, volta-se a seus discípulos e diz: «Digo-vos em verdade que esta viúva pobre deu mais dinheiro que todos os que deixaram esmolas no baú do tesouro. Pois todos deram do que lhes sobrava; esta, ao contrário, deu do que necessitava, tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver». Podemos chamar este domingo de «domingo das viúvas». Também na primeira leitura se relata a história de uma viúva: a viúva de Sarepta, que se priva de tudo quanto tem (um punhado de farinha e um pouco de azeite) para dar de comer ao profeta Elias. É uma boa ocasião para dedicar nossa atenção às viúvas e, naturalmente, também aos viúvos de hoje. Se a Bíblia fala com tanta freqüência das viúvas e jamais dos viúvos é porque na sociedade antiga a mulher que ficava sozinha estava em maior desvantagem que o homem que ficava sozinho. Atualmente não existe grande diferença entre ambos; além disso, diz-se que a mulher que fica sozinha se vira, em geral, melhor que o homem na mesma situação. Desejaria, nesta ocasião, aludir a um tema que interessa vitalmente não somente aos viúvos e viúvas, mas a todos os casados, e que é particularmente atual neste mês dos falecidos. A morte do cônjuge, que marca o final legal de um matrimônio, indica também o final de toda comunhão? Fica algo no céu do vinculo que uniu tão estreitamente duas pessoas na terra, ou, ao contrário, se esquecerá ao cruzar o umbral da vida eterna? Um dia alguns saduceus apresentaram a Jesus o caso extremo de uma mulher que foi sucessivamente esposa de sete irmãos, e lhe perguntaram de quem seria esta mulher após a ressurreição dos mortos. Jesus respondeu: «Quando ressuscitarem dentre os mortos, nem eles terão mulher nem elas, maridos, mas serão como anjos nos céus» (Marcos 12, 25). Interpretando de maneira errônea esta frase de Cristo, alguns sustentaram que o matrimônio não tem nenhuma continuidade no céu. Mas com esta frase Jesus rejeita a idéia caricaturesca que os saduceus apresentam do além, como se fosse uma simples continuação das relações terrenas entre os cônjuges; não exclui que eles possam reencontrar, em Deus, o vínculo que os uniu na terra. De acordo com esta perspectiva, o matrimônio não termina de todo com a morte, mas é transfigurado, espiritualizado, subtraído a todos aqueles limites que marcam a vida na terra, como, além disso, não se esquecem dos vínculos existentes entre pais e filhos, ou entre amigos. Em um prefácio dos falecidos, a liturgia proclama: «A vida não termina, mas se transforma». Também o matrimônio, que é parte da vida, é transfigurado, não suprimido. Mas o que dizer a quem teve uma experiência negativa de incompreensão e de sofrimento, no matrimônio terreno? Não é para eles motivo de temor, ao invés de consolo, a idéia de que o vínculo não se rompa nem com a morte? Não, porque no passar do tempo à eternidade o bem permanece, o mal cai. O amor que os uniu, talvez até por pouco tempo, permanece; os defeitos, as incompreensões, os sofrimentos que se infligiram reciprocamente caem. E mais ainda, este sofrimento, aceito com fé, se converterá em glória. Muitíssimos cônjuges experimentarão só quando se reunirem «em Deus» o amor verdadeiro entre si e, com ele, o gozo e a plenitude da união que não desfrutaram na terra. Em Deus tudo será entendido, tudo será desculpado, tudo será perdoado. Dir-se-á: e os que estiveram legitimamente casados com várias pessoas? Por exemplo os viúvos e as viúvas que se voltam a casar? (Foi o caso apresentado a Jesus dos sete irmãos que haviam tido, sucessivamente, por esposa, a mesma mulher). Também para eles devemos repetir o mesmo: o que houve de amor e doação autêntica com cada um dos esposos ou das esposas que tiveram, sendo objetivamente um «bem» e vindo de Deus, não será suprimido. Lá em cima já não haverá rivalidade no amor ou ciúmes. Estas coisas não pertencem ao amor verdadeiro, mas à limitação intrínseca da criatura.

 

Evangelho segundo São Marcos 12, 38-44
Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.» Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»

Por Pe. Fernando José Cardoso
Normalmente quando se reúnem os grandes deste mundo, distribuem ao final da reunião comunicado à grande imprensa. Tudo se passou num ambiente de cordialidade e profundo respeito mútuo, ainda que ninguém tenha saído de acordo com ninguém daquela reunião. Nós vivemos sob muitos aspectos, uma civilização daquilo que parece uma civilização da amostra, no fundo uma civilização hipócrita. Na Igreja, sobretudo em anos passados, havia também o que podemos denominar a hipocrisia religiosa. Ia-se à Igreja muito mais por conveniência do que por convicção, mais por uma questão social do que por uma questão de fé e de profundo respeito e prática religiosa para com Deus. Graças ao bom Deus, hoje as coisas se passam diferentemente, os católicos são menos numerosos que no passado, eles caminham as mais das vezes contra corrente, porque a ideologia da Igreja não se ajusta perfeitamente com a ideologia, que nos propõe não apenas a mídia, mas a própria civilização ocidental moderna e de certa maneira materialista. Hoje os católicos praticam muito mais por profunda convicção religiosa. O Evangelho deste domingo mostra-nos uma pobre viúva que retira do seu bolso duas ou três moedinhas sem nenhum valor; é tudo, no entanto o que ela possuía, coloca aquelas moedas no cofre das esmolas do templo de Jerusalém. Os olhos agudos de Jesus, não a deixam passar despercebida, naquelas duas ou três moedinhas, colocadas ali com coração, com dedicação, com amor; verdadeiras jóias, verdadeiros diamantes, muito mais preciosos a seus olhos do que notas, diríamos hoje, de cem euros ou de cem dólares. Aprendamos a tratar conosco de maneira tal como Deus nos vê, aprendamos a partir deste texto do Evangelho, a sermos verdadeiros, ainda que no pouco, ainda que sejamos insignificantes, ainda que os nossos movimentos ou as nossas ações não façam alarde, ainda que nós tenhamos recebido apenas um ou dois talentos das mãos do Criador. Deus olha os corações, enquanto os homens, bem mais superficiais, se contentam com as aparências. Deus preferiu aquelas moedinhas da viúva, ao que ricos despejavam naqueles cofres a partir de suas sobras, é exatamente esta realidade que nós vemos repetir nos dias de hoje. Madre Tereza de Calcutá conta-nos o seguinte fato: Certa vez estava distribuindo comida, arroz, simplesmente arroz a uma família numerosa. Percebeu que a mãe daquela família deixava a metade do prato. “Para quê e por que?” Perguntou a Madre. A resposta foi imediata: “Para dar a minha vizinha, porque ela também não tem nada e também passa fome”. É isto que Deus vê, é isto que Deus gostaria de ver manifesto em nossos corações: esta sinceridade, esta total pureza de intenções que nós hoje queremos demonstrar-lhe para lhe agradar de coração.

 

«Deitou tudo quanto possuía»
Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, Doutor da Igreja
Carta 112, a Hugo, o cativo (a partir da trad. De Orval)

No Reino dos céus, todos os homens em conjunto, e como se fossem um só, serão um só rei com Deus, pois todos quererão uma só coisa e a sua vontade cumprir-se-á. Eis o bem que, do alto do céu, Deus declara pôr à venda. Se alguém perguntar por que preço, eis a resposta: Aquele que oferece um Reino no céu não precisa de moeda terrestre. Ninguém pode dar a Deus o que já Lhe pertence, porque tudo o que existe é Dele. E, no entanto, Deus não dá coisas importantes sem que lhes seja estimado o preço: Ele não as dará a quem não as apreciar. De fato, ninguém dá coisas que lhe são queridas a quem não demonstrar ter apreço por elas. Então, e porque Deus não precisa dos teus bens, não deve dar-te uma coisa importante se desdenhares amá-Lo: Ele apenas reclama amor, e sem amor nada O obrigará a dar. Por isso, ama, e receberás o Reino. Ama, e possui-Lo-ás […]. Ama, portanto a Deus mais do que a ti mesmo, e logo começarás a ter o que queres possuir em plenitude no céu.

 

Se no domingo passado acompanhávamos aquele verdadeiro discípulo que, depois de descobrir a fé em Jesus, O seguiu até Jerusalém, e ali vimos que o mais importante para quem segue Jesus é amar, hoje entramos com Jesus no coração da manifestação da fé em Deus: entramos no templo. Ali encontramos aqueles que se exibem com a sua religião, mas incapazes de comprometer a sua vida com os que mais precisam, enquanto que Jesus salienta e valoriza a atitude da viúva que dá tudo o que tem. O contraste é enorme. Aquele que verdadeiramente acredita em Deus dá tudo. Já a Oração Coleta deste domingo convida-nos a pedir a Deus que “nos afaste de toda a adversidade, para que, sem obstáculos do corpo ou do espírito, possamos livremente cumprir a vossa vontade”. Quando vivemos a fé, a nossa vida não pode ser dupla, ou seja, exibicionista da própria fé e ao mesmo tempo escassez de generosidade e doação. Tanto na primeira leitura como no evangelho encontramos duas pessoas que são a expressão da pobreza na Bíblia. As duas pessoas são viúvas e pobres. Não têm ninguém nem qualquer amparo. Só podem entregar-se e confiar em Deus. No aspecto social, vivem na solidão. A viúva de Sarepta ainda tem a seu cuidado criar um filho e vive uma situação de desespero. Todavia, a mulher escuta o homem de Deus, o profeta, e através dele escuta a vontade de Deus que lhe pede um ato de generosidade que ultrapassa a sua situação humana. Porém, ela cumpre o que lhe pede a voz da sua fé e prepara tudo aquilo que o profeta lhe pede. Diz-lhe o que tem e dá-lhe o que tem. No evangelho, a pobre viúva deu tudo o que tinha (condição para ser um verdadeiro discípulo). Para Deus, o mais importante não é a eficácia das coisas materiais, mas a intenção e a generosidade do coração. Aquele que deseja seguir Jesus terá que libertar o seu corpo e o seu espírito de qualquer obstáculo para cumprir a vontade do Deus Misericordioso. No evangelho encontramos o contraste entre a atitude discreta da mulher e a descrição que Jesus faz da exibição dos escribas. Jesus denuncia e condena a tentação de estar sempre no centro das atenções, dos aplausos, das decisões. Todos aqueles que caem nesta tentação não são sensíveis às necessidades dos outros nem a auxiliar o próximo: “devoram as casas das viúvas com pretexto de fazeres longas rezas”. A segunda leitura da Carta aos Hebreus diz-nos que o sacerdócio de Cristo é superior ao sacerdócio do Antigo Testamento, porque Ele é o Mediador da Nova Aliança. A entrada de Cristo no Santos dos Santos é diferente da entrada do Sumo Sacerdote: este tem que entrar cada ano e em todas as festas; Cristo entrou num agora eterno “no próprio céu, …manifestou-se uma só vez”. O Santo dos Santos onde Cristo entrou é muito mais autêntico que o templo; não entrou por uns momentos, mas para sempre. As orações e as ofertas dos homens encontram em Cristo um mediador atento que está sempre diante de Deus. Cristo está revestido da soberania universal de tal modo que exerce sobre os homens uma realeza definitiva: “para dar a salvação àqueles que O esperam”. Aquilo que dá autoridade a Cristo para exercer a expiação definitiva não é o fato de ter derramado o seu sangue, mas o ter oferecido a sua própria vida. A doação de Cristo tem um valor duplo: enquanto Filho de Deus, o seu sacrifício tem um valor superior aos sacrifícios antigos; enquanto Homem perfeito, dá à sua oblação um caráter espiritual que nenhum ritualismo antigo possuía. Cristo pode perdoar os pecados porque foi o primeiro homem que viveu sem pecado e foi o primeiro Senhor que aboliu o reino do mal.

 

TRIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM
Mc 12, 38-44

“Esta viúva pobre depositou mais do que todos os que depositaram dinheiro”

No Evangelho de Marcos, Jesus, na sua última semana de vida em Jerusalém, só encontra uma coisa positiva – o gesto da viúva pobre que depositou duas das menores moedas da época no cofre do Templo. Ela aparece no texto de hoje em contraste com um certo tipo de liderança religiosa da época. O texto relata dois acontecimentos (vv. 38-40; vv. 41-44). O primeiro condena os escribas hipócritas, que concretizam tudo que Jesus quer que os seus discípulos evitem. Ele adverte contra o seu anseio de ter prestígio e honras (vv. 38b-39) – perigo constante para os líderes religiosos, clericais ou leigos/as, de todos os tempos e de todas as religiões! – e o fato de eles esgotarem os recursos das viúvas, enquanto demonstravam a aparência de piedade (v. 40). Embora essa passagem seja muito mais suave do que Mateus 23, também tem sido usado historicamente para atacar os judeus. Mas, Jesus não critica todos os escribas, muito menos todos os judeus, mas somente um certo tipo de escriba (vv. 28-34), os que desviavam o verdadeiro sentido do seu serviço religioso. Na antiguidade, os escribas podiam servir como administradores dos bens das viúvas. Muitas vezes cobravam uma parte dos bens como pagamento – e um escriba com fama de piedade tinha muitas possibilidades de ganhar clientes! Por causa da sua avareza e hipocrisia, esses escribas receberão uma condenação severa no Dia do Juízo, o tribunal mais alto que existe! Do outro lado, a viúva pobre, embora contribua com quase nada em termos monetários, representa a verdadeira espiritualidade dos seguidores de Jesus. Pois, ela contribui com tudo o que ela tinha para viver, e não com o supérfluo (v. 44). Ela simboliza o grupo dos “pobres de Javé” – os que depositavam toda a sua confiança em Deus e não nas riquezas nem no poder. Já em outros textos (Mc 10, 17-30) Jesus enfatizou que é difícil para um rico entrar no Reino de Deus – pois facilmente ele confia nas suas riquezas e não no poder e na graça de Deus. A viúva anônima demonstra o fundamento da espiritualidade dos “pobres de Javé” – gratuidade e doação total, aliadas a uma confiança absoluta em Deus. Contrastando a sua ação com a atitude dos ricos, Jesus implicitamente condena o sistema do Templo, pois ele explorava os mais pobres, exigindo até a oferta dos seus parcos recursos para que pudessem ter acesso a Deus! Assim, Jesus mostra que Deus rejeita qualquer religião que explora e se enriquece à custa dos pobres. Hoje não é nada raro encontrar grupos religiosos que exploram os mais pobres em nome de Deus, com falsas promessas. O texto de hoje nos convida a examinarmos a nós mesmos, para verificar se as nossas práticas religiosas estão revelando o rosto verdadeiro do Deus dos pobres, e para que evitemos totalmente quaisquer projetos – mesmo em nome de Deus – que tiram dos mais necessitados o pouco que eles ainda têm. Também somos convidados a evitar os critérios humanos em julgar as pessoas, pois pode acontecer que alguém doe muito, sem que lhe custe nada, pois vem do seu supérfluo, enquanto freqüentemente a “moeda da viúva”, oferecida pelos pobres, tem muito mais valor diante do Senhor. Somos convidados a olhar e enxergar as coisas com os olhos de Deus e não com os olhos da sociedade materialista e consumista de hoje.

Festa de dedicação da Basílica de São João de Latrão – 09 de Novembro

Por Pe. Inácio José Schuster

Hoje, 9,  celebramos a festa da dedicação à Basílica de São João de Latrão, catedral da Diocese de Roma. Nela, está o trono papal (Cathedra Romana), o que a coloca acima de todas as igrejas do mundo, inclusive da Basílica de São Pedro. Tem o título honorífico de Omnium Urbis et Orbis Ecclesiarum Mater et Caput (Mãe e Cabeça de todas as Igrejas de Roma e do Mundo).

No século IV, o Imperador Constantino deu este grande edifício ao Papa São Silvestre I, que o consagrou, dedicando-o a Deus como Catedral de Roma. A nova Catedral foi dedicada ao Divino Salvador e, mais tarde, também aos santos João Batista e João Evangelista. Como se localiza numa antiga chácara da nobre família romana dos Laterani, foi chamada popularmente de São João do Latrão. Por isso a presente solenidade nos traz à mente e ao coração três aspectos da nossa fé.

Primeiro: Todo templo cristão dedicado a Deus é imagem do próprio Cristo. Ele, no Seu Corpo Ressuscitado, é o verdadeiro Templo, do qual o templo de Jerusalém era apenas uma imagem e profecia: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei”. Mas Jesus estava falando do seu corpo.

É do Corpo Ressuscitado do Senhor, verdadeiro Templo, que brota a água da vida, símbolo do Espírito Santo. É a esta realidade tão bela e misteriosa que alude a leitura de Ezequiel: “A água corria do lado direito do Templo”. Estas águas correm para a região oriental, desembocam nas águas salgadas do mar e elas se tornarão saudáveis. Haverá vida onde o rio chegar. Nas margens do rio, crescerá toda espécie de árvores frutíferas, as quais servirão de alimento e suas folhas serão remédio”.

A imagem é bela, rica, intensa: a água que brota do lado direito do Cristo transpassado é o Espírito Santo, dado pelo Senhor à Igreja e à humanidade, para que n’Ele tenhamos a cura dos nossos pecados e a vida em abundância. Por tudo isso, veneramos e respeitamos nossos templos: eles são imagem do próprio Corpo Ressuscitado de Cristo, fonte do Espírito e lugar de encontro com o Pai. Por isso, toda igreja mais importante – as paroquiais e, sobretudo, as catedrais -, são dedicadas a Deus, como Cristo que foi todo consagrado ao Pai.

Segundo: A Igreja é, primeiramente, a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário d’Ele e que o Seu Espírito mora em vós? O santuário do Senhor é santo, e vós sois esse santuário!”

Nossos templos são chamados de “igreja”, porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo.

Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos, neste mundo, e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo. E este edifício é a Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo.

Irmãos, a Igreja somos nós, chamados a assumir nossa parte na edificação do Reino do céu. Na Igreja, não somos espectadores; mas atores, participantes! Não nos omitamos, portanto; não recebamos a graça de Deus em vão! Tornamo-nos Igreja pelo batismo, o qual nos fez membros do Corpo de Cristo. Em cada Eucaristia, vamos nos tornando sempre mais corpo de Cristo até sermos plenamente configurados com ele na glória. Então, não recebamos em vão tamanha graça!

Terceiro: A Basílica de Latrão é a Catedral da Igreja de Roma, a Catedral do Papa. Na sua entrada, há uma inscrição: “Mãe de todas as igrejas da cidade e do mundo”. Compreendamos! A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside a todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as igrejas da Terra.

Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o Santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo Seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, de honra, digna de louvor e sucesso e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”.

O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. Por isso, hoje, unimo-nos à Igreja de Roma, na festa da dedicação, da consagração da sua catedral, a Basílica do Latrão.

A catedral de cada diocese é a igreja do bispo, sucessor dos apóstolos. Quanto mais a catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro! Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as igrejas da cidade e do mundo”. Assim sendo, a festa de hoje nos convida também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Francisco. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou Sua Igreja.

Num mundo tão complexo, com tantas ideias, opiniões e modas, num Cristianismo que vê surgir tantas seitas sem nenhum fundamento teológico, sem nenhuma seriedade ou enraizamento na Tradição Apostólica, fazendo um terrível mal à fé dos simples e desavisados, reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou, de modo particular, as chaves do Reino e lhe deu a missão de confirmar, na fé, os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a Sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida, de uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de Cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

Que a festa hodierna seja uma feliz ocasião para professar, na exultação e no louvor, a nossa fé católica, da qual nos ufanamos com humildade e na qual esperamos ser salvos. Amém!

A santidade é o caminho normal do cristão

Discurso do Papa aos crismandos em Milão, durante o VII Encontro Mundial das Famílias 2012

ENCONTRO COM OS CRISMANDOS
DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Estádio “Meazza”, San Siro Sábado, 2 de Junho de 2012

Queridos jovens e moças!

É para mim uma grande alegria poder encontrar-me convosco durante a minha visita à vossa Cidade. Neste famoso estádio de futebol, hoje sois vós os protagonistas! Saúdo o vosso Arcebispo, Cardeal Angelo Scola, e agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigiu. Agradeço também a Pe. Samuele Marelli. Saúdo o vosso amigo que, em nome de todos vós, me deu as boas-vindas. Sinto-me feliz por saudar os Vigários episcopais que, em nome do Arcebispo, vos administraram ou administrarão a Crisma. Um obrigado particular à Fundação dos Oratórios Milaneses que organizou este encontro, aos vossos sacerdotes, a todos os catequistas, aos educadores, aos padrinhos e madrinhas, e a quantos em cada uma das comunidades paroquiais se fizeram vossos companheiros de viagem e vos testemunharam a fé em Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo.

Vós, queridos jovens, estais a preparar-vos para receber o Sacramento da Confirmação, ou já o recebestes há pouco tempo. Sei que fizestes um bom percurso formativo, chamado este ano «O espetáculo do Espírito». Ajudados por este itinerário, com diversas etapas, aprendestes a reconhecer as coisas maravilhosas que o Espírito Santo fez e faz na vossa vida e em quantos dizem «sim» ao Evangelho de Jesus Cristo. Descobristes o grande valor do Batismo, o primeiro dos sacramentos, a porta de entrada para a vida cristã. Vós recebeste-lo graças aos vossos pais, que juntamente com os padrinhos, em vosso nome, professaram o Credo e se comprometeram a educar-vos na fé. Esta foi para vós — assim como para mim, há muito tempo! — uma graça imensa. A partir daquele momento, renascidos da água e do Espírito Santo, começastes a fazer parte da família dos filhos de Deus, tornastes-vos cristãos, membros da Igreja.

Agora sois grandes, e podeis vós próprios dizer o vosso «sim» pessoal a Deus, um «sim» livre e consciente. O sacramento da Crisma confirma o Batismo e efunde sobre vós o Espírito Santo em abundância. Agora vós mesmos, cheios de gratidão, tendes a possibilidade de acolher os seus grandes dons que vos hão-de ajudar, no caminho da vida, a tornar-vos testemunhas fiéis e corajosas de Jesus. Os dons do Espírito são realidades maravilhosas, que vos permitem formar-vos como cristãos, viver o Evangelho e ser membros ativos da comunidade. Recordo brevemente estes dons, dos quais já nos fala o profeta Isaías e depois Jesus:

— o primeiro dom é a sabedoria, que vos faz descobrir como o Senhor é bom e grande e, como diz a palavra, dá à vossa vida sabor pleno, para que sejais, como dizia Jesus, «sal da terra»;

— depois o dom do intelecto, para que possais compreender em profundidade a Palavra de Deus e a verdade da fé;

— em seguida o dom do conselho, que vos guiará na descoberta do projeto de Deus sobre a vossa vida, a vida de cada um de vós;

— o dom da fortaleza, para vencer as tentações do mal e praticar sempre o bem, mesmo quando custa sacrifício;

— em seguida, o dom da ciência, não ciência no sentido técnico, como é ensinada na Universidade, mas ciência no sentido mais profundo, que ensina a encontrar na criação os sinais, as marcas de Deus, a compreender como Deus fala em todos os tempos e como fala a mim, e a animar com o Evangelho o trabalho de cada dia; compreender que há uma profundidade e compreendê-la e desta forma dar sabor ao trabalho, até ao que é difícil;

— outro dom é o da piedade, que mantém viva no coração a chama do amor ao nosso Pai que está no céu, de modo a rezar a Ele todos os dias com confiança e ternura de filhos amados; a não esquecer a realidade fundamental do mundo e da minha vida: que Deus existe e me conhece e espera a minha resposta ao seu projecto;

— e finalmente o sétimo e último dom é o temor de Deus — falamos há pouco do temor — temor de Deus não significa medo, mas sentir por Ele um respeito profundo, o respeito da vontade de Deus que é o verdadeiro desígnio da minha vida e o caminho através do qual a vida pessoal e comunitária pode ser boa; e hoje, com todas as crises que existem no mundo, vemos como é importante que cada um respeite esta vontade de Deus impressa nos nossos corações e segundo a qual devemos viver; e assim este temor de Deus é desejo de praticar o bem, de praticar a verdade, de fazer a vontade de Deus.

Queridos jovens e moças, toda a vida cristã é um caminho, é como percorrer um carreiro que leva a um monte — portanto nem sempre é fácil, mas subir a um monte é algo muito agradável — em companhia de Jesus; com estes dons preciosos a vossa amizade com Ele tornar-se-á ainda mais verdadeira e mais estreita. Ela alimenta-se continuamente no sacramento da Eucaristia, no qual recebemos o seu Corpo e o seu Sangue. Por isto vos convido a participar sempre com alegria e fidelidade na Missa dominical, quando toda a comunidade se reúne para rezar, ouvir a Palavra de Deus e participar no Sacrifício eucarístico em conjunto. E recebei também o Sacramento da Penitência, na Confissão: é um encontro com Jesus que perdoa os nossos pecados e nos ajuda a praticar o bem; receber o dom, recomeçar de novo é um grande dom na vida, saber que sou livre, que posso recomeçar, que tudo é perdoado. Não falte depois a vossa oração pessoal de cada dia. Aprendei a dialogar com o Senhor, confiai n’Ele, dizei-lhe as alegrias e as preocupações, e pedi-lhe iluminação e apoio para o vosso caminho.

Queridos amigos, vós sois privilegiados porque nas vossas paróquias há os oratórios, um grande dom da Diocese de Milão. O oratório, como diz a palavra, é um lugar onde se reza, mas também onde se está juntos na alegria da fé, onde se faz catequese, se joga, se organizam actividades de serviço e de outros géneros, diria, onde se aprende a viver. Sede frequentadores assíduos do vosso oratório, para amadurecer cada vez mais no conhecimento e no seguimento do Senhor! Estes sete dons do Espírito Santo crescem precisamente na comunidade onde se leva a vida na verdade, com Deus. Em família, sede obedientes aos pais, ouvi as indicações que vos dão, para crescer como Jesus «em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 51-52). Por fim, não sejais indolentes, mas jovens e moças comprometidos, em particular no estudo, em vista da vida futura: é o vosso dever quotidiano e uma grande oportunidade que tendes para crescer e para preparar o futuro. Sede disponíveis e generosos com os outros, vencendo as tentações de vos pôr a vós próprios no centro, porque o egoísmo é inimigo da verdadeira alegria. Se apreciardes agora a beleza de fazer parte da comunidade de Jesus, podereis também vós dar a vossa contribuição para a fazer crescer e sabereis convidar os outros a fazer parte dela. Permiti-me dizer-vos também que o Senhor, todos os dias, também hoje, vos chama a coisas grandiosas. Sede abertos ao que vos sugere e se vos chamar a segui-lo no caminho do sacerdócio ou da vida consagrada, não lhe digais não! Seria uma ociosidade errada! Jesus encher-vos-á o coração para toda a vida!

Queridos jovens, queridas moças, digo-vos com força: tendei para ideais nobres: todos podem alcançar uma medida alta, não só alguns! Sede santos! Mas é possível ser santo na vossa idade? Respondo-vos: certamente! Diz isto também santo Ambrósio, grande santo da vossa Cidade, numa das suas obras, onde escreve: «Cada idade é madura para Cristo» (De virginitate, 40). E demonstra-o sobretudo o testemunho de tantos Santos vossos coetâneos, como Domenico Savio, ou Maria Goretti. A santidade é o caminho normal do cristão: não está reservada a poucos eleitos, mas está aberta a todos. Naturalmente, com a luz e a força do Espírito Santo, que não nos faltará se estendermos as nossas mãos e abrirmos o nosso coração! E com a guia da nossa Mãe. Quem é a nossa Mãe? É a Mãe de Jesus, Maria. A ela Jesus nos confiou a todos, antes de morrer na cruz. Então a Virgem Maria conserve sempre a beleza do vosso «sim» a Jesus, seu Filho, o grande e fiel Amigo da vossa vida. Assim seja!
© Copyright 2012 – Libreria Editrice Vaticana

 

Deus na alegria e na tristeza
Padre Paulo Ricardo

Irmãos, nos reunimos para celebrar a Eucaristia, que é o mais importante que podemos fazer nesta terra, não existe nada de mais solene e grandioso. Não há nada que possamos imaginar nesta terra tão importante quanto celebrar a Eucaristia. Dentro desses tantos jovens eu gostaria de recordar de um grupo de jovens que está neste altar, os seminaristas, neste ano sacerdotal, que se dispõe a seguir este caminho, a vocês, meus filhos quero dizer, Deus ama muito vocês, mas tenham cuidado, pois o demônio odeia muito vocês, tenham muito cuidado. O Papa proclamou este ano para que nós nos convertamos, e é no seminário que começa nossa conversão, eu falo para vocês que não façam como eu, que se converteu depois de padre, eu já tinha cinco anos de padre. Não esperem serem ordenados para se converterem. Que bom estarmos neste clima de festa, pois é exatamente isto que nos fala o Evangelho. Jesus acaba de sair de uma festa escandalosa na casa de Mateus. Mateus era um corretor de impostos, hoje diríamos que ele é um político corrupto, e Jesus vai à festa de sua casa, Ele come com os pecadores. Jesus fazia festa, é neste contexto que se dá o Evangelho de hoje, os discípulos não faziam jejum, e isso era um escândalo. Aqui nós enxergamos o que é Igreja, saiba você que se converteu há pouco tempo e está participando de uma paróquia, não se iluda, tem gente que pensa que dentro da Igreja só encontrará ‘santinhos’, quando você vai ao hospital, você encontra doentes, quando você vai a Igreja, você encontra pecadores, pois a Igreja é o lugar dos pecadores, a Igreja é o único lugar onde sabemos que somos pecadores. Qual a diferença entre um cristão que está na igreja e um pagão que não está na igreja? Alguns dizem que o cristão é santo e o pagão peca, não é essa [diferença], o cristão peca, e o pagão também peca, a diferença é que o cristão odeia seu pecado, e o pagão não. A alegria do cristão é a certeza de que eu sou amado por Deus, não importa o que eu fizer, Ele me ama e não me abandona nunca. Uma alegria que não tem ruga, não tem mancha, pois Ele derramou Seu sangue por mim na cruz, esta é a mensagem que o Evangelho nos dá. O que Deus quer nos ensinar, parece contraditório, mas não é, dentro de cada cristão existe uma alegria radical e ao mesmo tempo existe uma tristeza. A alegria de sermos amados, a tristeza de não termos correspondido a esse amor. A minha miséria me entristece e a misericórdia me alegra, eu preciso fazer jejum quando o esposo está longe de mim, e fazer festa quando Ele estiver próximo. O paradoxo é que Deus nunca está longe de mim, mas eu posso estar longe de Deus, parece uma contradição, mas não é, é a grande verdade da nossa fé. Deus não me abandona. No sacramento da ordem, recebemos de Deus um caráter indelével, o que é isso? Os gados recebiam um carimbo, um caráter, que dizia a quem o boi pertencia. Indelével é algo que ninguém pode destruir, caráter indelével, é um carimbo que ninguém pode destruir, ninguém pode tirar. Você pode descer aos infernos para ir longe de Deus, mas Deus não abandonará você, o batismo, a crisma lhe dá um caráter indelével, você é servo d’Ele, e Ele não deixa você. Acontece com o sacerdote essa grande verdade, Ele me escolheu, e apesar de mim Ele não me deixará, eu como padre posso deixar Deus, mas Ele nunca me deixará. Essa não é uma verdade somente para o padre, é uma verdade para todos que são batizados e crismados, e até para quem não é batizado. Deus quer você, os católicos querem você, se você não é católico, eu sou capaz de viajar ao outro lado do planeta para converter alguém ao catolicismo, pois o catolicismo é lindo. A tristeza foi criada por Deus e Ele nos deu a tristeza de presente. Quando Deus criou Adão e Eva, Ele sabia que eles podiam pecar, e deu a eles a tristeza de presente, para que quando eles pecassem, eles se entristecem, e por causa dessa tristeza que é uma graça extraordinária, se decidisse voltar para Deus. Mas também a tristeza pode ser usada pelo diabo, para nos afastar de Deus, Deus nos deu a tristeza para que nos voltemos para Ele, e o diabo usa a tristeza para quando nós perdemos nossos deuses falsos. Toda vez que você fica triste é porque perdeu um deus, pode ser que perdeu o Deus verdadeiro, mas pode ser que você perdeu seu deus falso, quando você perde o dinheiro, seu namorado, namorada, você perder seu deus falso. Num relacionamento amoroso, se diz: “você é minha vida, meu ar que eu respiro, eu te adoro”, coisas que deveriam ser ditas somente a Deus, mas são ditas a pessoas que se tornam nossos deuses. Você é um filho amado de Deus, não ria do sofrimento de Jesus, dê a vida a Aquele que morreu por você. Nós não fomos amados por um amor qualquer, mas sim por um amor sem imperfeições, um amor eterno, um amor divino, mas nós não amamos de volta. São Francisco passava dias a fio dizendo: “O amor não é amado”. Deus nos deu uma tristeza para nos entristecermos de termos nos afastado d’Ele e uma alegria que nós fomos amados, que Ele nunca ficará longe de nós. Cristo já nos alcançou, agora precisamos correr para alcançá-lo, parece contraditório, mas é isso, talvez você tenha vindo no PHN sem saber o porquê, veio para “azarar” uma menininha, para se divertir, para vender drogas, achando que veio servir ao inimigo, mas agora enquanto eu estou falando, Jesus te alcança, você sabe que Jesus já te alcançou, você sabe que estou falando com você, agora você precisa alcançar Jesus, sair da morte em que você vive, nesta morte disfarçada de vida, você não vive, você esperneia, você não é capaz de sentir a alegria de um verdadeiro cristão, a alegria da certeza de sermos amados por Deus, a alegria que entra no seu coração quer tomar conta de você. Se você por acaso está triste e não consegue sair da tristeza, você sabe o que precisa fazer, largue o que você precisa largar, essa idéia que com você nada poderia acontecer, que sua mulher morreu, seu pai morreu. Uma coisa é ficar triste porque alguém morreu, isto é normal, outra coisa é você transformar essa tristeza num projeto de vida, você acha que a morte poderia bater na porta de qualquer pessoa menos na sua. Não importa sua idade, estamos neste mundo de passagem, dá um pulo para Deus, vai para Ele. Enquanto você viver essa vida ambígua, que é de Jesus e não é de Jesus, será um remendo novo, num pano velho. Você que vive nesta luta psíquica, que fica naquela ‘vou, não vou’, não fique nessa, lute com Deus, porque quando você luta com Ele, você perde para Ele, e com isso acontece a vida nova. Você que sente que deve jogar a camisinha fora, não fique nessa luta psíquica com você, jogue-a. Deixe Deus vencer você. Tem pessoas que são retardadas e dizem que a Igreja é contra a camisinha, a Igreja não é contra a camisinha, é contra o sexo fora do casamento, porque a Igreja ama você e quer o seu bem. Pare se maltratar, diga: “Por Hoje Não”.

 

Jovens, sois fortes
Padre Paulo Ricardo

“Jovens, sê forte e corajoso”. Mas quando é que somos fortes? Quando a Palavra de Deus permanece em nós. Quero que você entenda o que é essa fortaleza dentro de você. Quando falamos de fortaleza, muitas pessoas não a entendem, mas estamos falando de coragem. A coragem é uma virtude que só existe por que existe o mal no mundo. Se só existisse o bem, não precisaríamos de coragem. Nós, seres humanos, temos coragem, porque somos vulneráveis e podemos sair feridos de uma guerra. Quando somos corajosos, significa que podemos lutar e sair ferido, mas sabemos que vale a pena. Coragem é aquilo que diz o Salmo: “O vosso amor vale mais do que a vida e, por isso, os meus lábios vos louvam”. Existe algo que vale mais do que a vida: é o amor de Deus. Ele vale a pena. Acontece que, muitas vezes, não nos damos conta disso e terminamos achando que o nosso maior compromisso é salvar a vida. Como costumamos dizer, “salve-se quem puder”. Anjo não tem coragem, porque não é vulnerável. Mas você é vulnerável e, por isso precisa de coragem, precisa estar disposto a sair ferido, porque sabe que há coisas que valem mais do que a vida. Os jovens dos anos 70, 80 tinham coragem e força, mas usaram-na no lugar errado. Eles destruíram as coisas para construir, neste mundo, um paraíso, um mundo novo. Mas isso não funciona, porque nós fomos feitos para Deus. Essa vida é boa, é bonita, mas é um ensaio da verdadeira vida que virá em Deus. Estamos aqui passando uma temporada; não é aqui o nosso lugar, não é aqui que vamos encontrar repouso e felicidade. Nós fomos criados para o céu, para a felicidade perfeita, para a vida eterna. Nada neste mundo vai preencher nosso coração plenamente. O que é um namorado? É um companheiro de viagem na sua travessia por este mundo para chegarem, juntos, ao porto seguro que é Deus. Mas se você transformar o seu relacionamento de namoro, de casamento, numa cobrança de felicidade aqui neste mundo, a única coisa que você vai conseguir fazer é destruir a sua vida, os seus relacionamentos. Quem está errado não é seu esposo, seu pai ou seu namorado, mas a sua expectativa. Você está esperando de uma pessoa aquilo que ela não pode lhe dar. A Palavra de Deus nos diz que somos feitos para o céu, mas se você não quer voar alto como uma águia, vai ser, simplesmente, uma galinha que voa cada vez mais para o chão. Meus irmãos, coragem. Os santos nos recordam que a coragem é a virtude do bem árduo. Se você ficar sentado, esperando o tempo passar, não vai encontrar a felicidade de Deus na sua vida. Se não combater o bom combate, será destruído. Você não pode abraçar pessoas doentes espiritualmente e pensar que vai sair ileso. Assim, você está tentando a Deus. Típico da fortaleza é resistir ao mal, criar uma espécie de muralha para se defender. Mas como fazer isso? Sabendo identificar quem é amigo e quem é inimigo. Para que você, pessoalmente, combata a maldade, é preciso entender que existe maldade dentro de você. Não adianta nada você ficar lutando conta os outros para acabar com a maldade no mundo, se existe um mundo dentro de você que ainda não está convertido. Você também precisa se dar conta de que dentro de você existem doenças espirituais. Você não pode ser uma alma aidética espiritualmente, não pode abraçar o pecado. Você precisa identificar o mal e resistir a ele. É dentro de você que começa a conversão, a mudança espiritual.

Qual é o sentido da ressurreição de Jesus para um cristão?

A ressurreição de Cristo não se reduz à revitalização de um indivíduo qualquer. Com ela foi inaugurada uma dimensão que interessa a todos seres humanos
http://pt.aleteia.org/2015/04/05/qual-e-o-sentido-da-ressurreicao-de-jesus-para-um-cristao/

Acreditar na ressurreição de Jesus, para o cristão, é uma condição de existência: é-se cristão porque se acredita que Jesus está vivo, triunfou da morte, ressuscitou, e é, para todos os humanos, o único mediador entre Deus e os homens. Dessa mediação participam a seu modo tudo aquilo (o universo e tudo aquilo que contém) e todos aqueles (dos mais sábios aos mais humildes) que, pela vida e pela palavra, proclamam o poder e a misericórdia de Deus que sustenta todo o universo e chama todos a participar de sua vida.
A fé na ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da mensagem cristã. A fé cristã estaria morta se lhe fosse retirada a verdade da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Jesus são as primícias de um mundo novo, de uma nova situação do homem. Ela cria para os homens uma nova dimensão de ser, um novo âmbito da vida: o estar com Deus. Também significa que Deus manifestou-se verdadeiramente e que Cristo é o critério no qual o homem pode confiar.
A fé na ressurreição de Jesus é algo tão essencial para o cristão que São Paulo chegou a escrever: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia, e vazia também a vossa fé” (1Cor 15, 14).
A ressurreição de Cristo não é apenas o milagre de um cadáver reanimado. Não se trata do mesmo evento que ocorreu com outros personagens bíblicos como a filha de Jairo (cf. Mc 5, 22-24) ou Lázaro (cf. Jo 11, 1-44), que foram trazidos de volta à vida por Jesus, mas que, mais tarde, num certo momento, morreriam fisicamente.
A ressurreição de Jesus “foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso: uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem”, explica o Papa Bento XVI no segundo volume do seu livro “Jesus de Nazaré”.
Jesus ressuscitado não voltou à vida normal que tinha neste mundo. Isso foi o que aconteceu com Lázaro e outros mortos ressuscitados por Ele. Jesus “partiu para uma vida diversa, nova: partiu para a vastidão de Deus, e é a partir dela que Ele se manifesta aos seus”, prossegue o Papa.
A ressurreição de Cristo é um acontecimento dentro da história que, ao mesmo tempo, rompe o âmbito da história e a ultrapassa. Bento XVI a explica com uma analogia. “Se nos é permitido por uma vez usar a linguagem da teoria da evolução”, a ressurreição de Jesus é “a maior ‘mutação’, em absoluto o salto mais decisivo para uma dimensão totalmente nova, como nunca se tinha verificado na longa história da vida e dos seus avanços: um salto para uma ordem completamente nova, que tem a ver conosco e diz respeito a toda a história” (homilia da Vigília Pascal de 2006).
Portanto, a ressurreição de Cristo não se reduz à revitalização de um indivíduo qualquer. Com ela foi inaugurada uma dimensão que interessa a todos seres humanos, uma dimensão que criou para os homens “um novo âmbito da vida, o estar com Deus”, explica o Papa no livro “Jesus de Nazaré”.
As narrativas evangélicas, na diversidade de suas formas e conteúdos, convergem todas para a convicção a que chegaram os primeiros seguidores de Jesus, de que sua ação salvadora, tal como se havia pressentido nas Escrituras, não se frustrara nem se havia encerrado com sua morte. Pelo contrário, cumpria a promessa de Deus feita desde as origens da humanidade e, portanto, o fato de Jesus estar vivo e atuante na história tinha sua base em Deus, vinha confirmar a esperança que depositamos em Deus de que a verdade e o bem, a justiça e a paz hão de triunfar, terão a última palavra, porque Deus é fiel.
O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Ao mesmo tempo, é um evento misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus (cf. CIC, 639 e 656).
Dois sinais da ressurreição são reconhecidos como essenciais pela fé da Igreja Católica. O primeiro é o testemunho das pessoas que encontraram Cristo ressuscitado. Essas testemunhas da ressurreição de Cristo são, antes de tudo, Pedro e os Doze apóstolos, mas não somente eles. São Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu de uma só vez, além de Tiago e de todos os apóstolos (cf. CIC, 642; 1Cor 15, 4-8).
O segundo sinal é o túmulo vazio. Significa que a ausência do corpo de Jesus não poderia ser obra humana. O sepulcro vazio e os panos de linho no chão significam por si mesmos que o corpo de Cristo escapou das correntes da morte e da corrupção, pelo poder de Deus (CIC, 656).
O teólogo Francisco Catão, doutor em Teologia pela Universidade de Estrasburgo e professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, explica que os sinais do sepulcro vazio e das aparições de Jesus ressuscitado foram válidos para os apóstolos e primeiros seguidores de Jesus.
“Não há porque, racionalmente, duvidar. Seria levantar a suspeita de inautenticidade histórica de todo o Novo Testamento, no que hoje, depois dos abalos da exegese liberal e da ciência mal informada, nenhum autor sério cientificamente acredita”.
“O Novo Testamento relata a morte de Jesus e seus primeiros seguidores, interpretando os sinais do túmulo vazio e das aparições. Fato que afirmaram solenemente, com base nas Escrituras. Animados pelo Espírito Santo, deram o testemunho de sua vida pela fé em Jesus, vivo junto a Deus, como o sabemos desde os Atos dos Apóstolos”, afirma o teólogo.
O ser humano é aquele ser que não tem permanência em si mesmo. Continuar vivendo só pode significar, humanamente falando, continuar existindo num outro. Mas existir no outro – por meio dos filhos ou da fama, por exemplo – não passa de uma sombra, porque o outro também se desfaz. Só Deus pode amparar o homem e fazê-lo perdurar. Neste sentido, a ressurreição é a força do amor que vence a morte. Ela não é um ato fechado em si, que pertence só à divindade de Cristo. É o princípio e a fonte de nossa própria ressurreição futura.
Só existe “um” que nos pode amparar, “aquele que ‘é’, que não vem ao ser e que não deixa de ser, mas que permanece em meio ao vir a ser e ao desaparecer: o Deus dos vivos que sustenta não apenas uma sombra e o eco de meu ser e cujos pensamentos não são apenas cópias da realidade” (Joseph Ratzinger, “Introdução ao Cristianismo”).
Nesse sentido, a ressurreição “é a força maior do amor diante da morte. Ela prova, ao mesmo tempo, que a imortalidade só pode ser fruto do existir no outro que continua de pé mesmo quando eu estou em farrapos” (idem).
Os relatos da ressurreição de Jesus testemunham um fato novo, que não brotou simplesmente do coração dos discípulos. Trata-se de um fato que chegou a eles de fora, se apoderou deles contra as suas dúvidas e os fez ter a certeza de que Jesus realmente ressuscitou.
“Aquele que estava no túmulo já não está lá, ele vive – e é realmente ele próprio. Ele que passara ao outro mundo de Deus mostrou-se suficientemente poderoso para mostrar-lhes de forma palpável que era ele mesmo que se encontrava na frente deles, que nele o poder do amor se revelara realmente mais forte do que o poder da morte” (idem).
A ressurreição de Jesus Cristo constitui a comprovação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua confirmação se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina (CIC, 651).
Nenhum homem pode ressuscitar um morto. Por conseguinte, se Jesus, como homem, ressuscitou, isto é obra de Deus. A ressurreição de Jesus crucificado demonstrou que ele era verdadeiramente o Filho de Deus e Deus mesmo (CIC, 653).
A ressurreição é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e das promessas que o próprio Jesus fez durante sua vida terrestre. A verdade da divindade de Jesus é confirmada por sua ressurreição.
A ressurreição de Jesus não é um ato fechado em si. É o início de um processo que se estende a todos os homens. Ela é o princípio e a fonte da ressurreição futura dos homens, atuando “desde já pela justificação de nossa alma” e, mais tarde, “pela vivificação de nosso corpo” (CIC, 658).
“Não foi nada fácil, através da história, nem o é, nos dias de hoje, para os cristãos, sustentar sua fé. Nunca, porém, lhes faltou a assistência do Espírito, senão para provar a ressurreição, pelo menos para evidenciar que não pode ser validamente contestada, por nenhum tipo de argumento científico ou filosófico”, afirma o teólogo Francisco Catão.
Ressurreição, Ascensão e Segunda vinda de Cristo
http://opusdei.org.br/pt-br/article/tema-11-ressurreicao-ascensao-e-segunda-vinda-de-cristo/

A Ressurreição de Cristo é verdade fundamental da nossa fé, como diz São Paulo (cfr. 1Cor 15, 13-14). Com este fato, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e a pôs à disposição dos homens.
1. Cristo foi sepultado e desceu aos infernos.
Após padecer e morrer, o corpo de Cristo foi sepultado em um sepulcro novo, próximo ao lugar onde o haviam sacrificado. E sua alma desceu aos infernos. A sepultura de Cristo manifesta que verdadeiramente morreu. Deus dispôs que Cristo passasse pelo estado de morte, isto é, de separação entre a alma e o corpo (cfr. Catecismo, 624). Durante o tempo que Cristo passou no sepulcro, tanto sua alma como seu corpo, separados entre si por causa da morte, continuaram unidos à sua Pessoa divina (cfr. Catecismo, 626).
Porque continuava pertencendo à Pessoa divina, o corpo morto de Cristo não sofreu a corrupção do sepulcro (cfr. Catecismo, 627; At 13, 37). A alma de Cristo desceu aos infernos. “Os «infernos» (não confundir com o inferno da condenação) ou mansão dos mortos, designam o estado de todos aqueles que, justos ou maus, morreram antes de Cristo” (Compêndio, 125). Os justos se encontravam em um estado de felicidade (diz-se que repousavam no “seio de Abraão”) embora ainda não gozassem da visão de Deus. Dizendo que Jesus desceu aos infernos, entendemos sua presença no “seio de Abraão” para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido. “Com a alma unida à sua Pessoa divina, Jesus alcançou, nos infernos, os justos que esperavam o seu Redentor para acederem finalmente à visão de Deus” (Compêndio, 125).
Cristo, com a descida aos infernos, mostrou seu domínio sobre o demônio e a morte, libertando as almas santas que estavam retidas, para levá-las à glória eterna. Deste modo, a Redenção – que devia atingir todos os homens de todas as épocas – aplicou-se àqueles que haviam precedido Cristo (cfr. Catecismo, 634).
A glorificação de Cristo consiste em sua Ressurreição e sua Ascensão aos céus, onde Cristo está sentado à direita do Pai. O sentido geral da glorificação de Cristo está relacionado com sua morte na Cruz. Como, pela paixão e morte de Cristo, Deus eliminou o pecado e reconciliou o mundo consigo, de modo semelhante, pela ressurreição de Cristo, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e a colocou à disposição dos homens.
Os benefícios da salvação não derivam somente da Cruz, mas também da Ressurreição de Cristo. Estes frutos se aplicam aos homens por mediação da Igreja e por meio dos sacramentos. Concretamente, pelo Batismo recebemos o perdão dos pecados (do pecado original e dos pessoais) e o homem se reveste, pela graça, com a nova vida do Ressuscitado.
“Ao terceiro dia” (de sua morte), Jesus ressuscitou para uma vida nova. Sua alma e seu corpo, plenamente transfigurados com a glória de sua Pessoa divina, voltaram a se unir. A alma assumiu de novo o corpo e a glória de sua alma se comunicou totalmente ao corpo. Por este motivo, “a Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena. O Seu corpo ressuscitado é Aquele que foi crucificado e apresenta os vestígios da Sua Paixão, mas é doravante participante da vida divina com as propriedades dum corpo glorioso” (Compêndio, 129).
A Ressurreição do Senhor é fundamento de nossa fé, pois atesta de modo incontestável que Deus interferiu na história humana para salvar os homens. E garante a verdade do que prega a Igreja sobre Deus, sobre a divindade de Cristo e a salvação dos homens. Pelo contrário, como diz São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé” (1Cor 15, 17).
Os Apóstolos não podiam enganar-se nem ter inventado a ressurreição. Em primeiro lugar, se o sepulcro de Cristo não estivesse vazio, não poderiam ter falado da ressurreição de Jesus; além disso, se o Senhor não lhes tivesse aparecido, em várias ocasiões e a numerosos grupos de pessoas, homens e mulheres, muitos dos discípulos de Cristo não teriam podido aceitá-la, como ocorreu inicialmente com o apóstolo Tomé. Muito menos teriam podido eles dar sua vida por uma mentira. Como diz São Paulo: “E se Cristo não ressuscitou (…) seríamos convencidos de ser falsas testemunhas de Deus, por termos dado testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou” (1Cor 15, 14.15). E quando as autoridades judias queriam silenciar a pregação do evangelho, São Pedro respondeu: “Há que obedecer a Deus antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus a quem vós destes a morte, suspendendo-o num madeiro. (…) Nós somos testemunhos destas coisas” (At 5, 29-30.32).
Além de ser um evento histórico, verificado e testemunhado mediante sinais e testemunhos, a Ressurreição de Cristo é um acontecimento transcendente porque “ultrapassa a história como mistério da fé, enquanto implica a entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus” (Compêndio, 128). Por este motivo, Jesus Ressuscitado, embora possuindo uma verdadeira identidade físico-corpórea, não está submetido às leis físicas terrenas, e se sujeita a elas só enquanto o deseja: “Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos seus discípulos como Ele quer, onde Ele quer e sob aspectos diversos” (Compêndio, 129).
A Ressurreição de Cristo é um mistério de salvação. Mostra a bondade e o amor de Deus, que recompensa a humilhação de seu Filho, e que emprega sua onipotência para encher de vida os homens. Jesus ressuscitado possui, em sua humanidade, a plenitude da vida divina, para comunicá-la aos homens. “O Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa Ressurreição: a partir de agora, Ele garante-nos a graça da adoção filial que é a participação real na sua vida de Filho unigênito; depois, no final dos tempos, Ele ressuscitará o nosso corpo” (Compêndio, 131). Cristo é o primogênito entre os mortos e todos ressuscitaremos por Ele e nEle.
Da Ressurreição de Nosso Senhor, devemos tirar para nós:
a) Fé viva: “Acende tua fé. – Cristo não é uma figura que passou. Não é uma recordação que se perde na história. Vive! “Jesus Christus heri et hodie: ipse et in saecula!” – diz São Paulo – Jesus Cristo ontem e hoje e sempre!” [1];
b) Esperança: “Nunca desesperes. Morto e corrompido estava Lázaro: “iam foeted, quatriduanos est enim” – já fede, porque há quatro dias que está enterrado, diz Marta a Jesus. Se ouvires a inspiração de Deus e a seguires – “Lazaro, veni foras!”: Lázaro, vem para fora! -, voltarás à Vida” [2];
c) Desejo de que a graça e a caridade nos transformem, levando-nos a viver vida sobrenatural, que é a vida de Cristo: procurando ser realmente santos (cfr. Cl 3, 1 e ss). Desejo de apagar nossos pecados no sacramento da Penitência, que nos faz ressuscitar para a vida sobrenatural – se a havíamos perdido pelo pecado mortal – e recomeçar de novo: nunc coepi (Sl 76, 11).
A Exaltação gloriosa de Cristo compreende sua Ascensão aos céus, ocorrida quarenta dias depois de sua Ressurreição (cfr. At 1, 9-10), e sua entronização gloriosa neles, para compartilhar, também como homem, a glória e o poder do Pai e para ser Senhor e Rei da criação.
Quando confessamos neste artigo do Credo que Cristo “está sentado à direita do Pai”, nos referimos com esta expressão à “glória e à honra da divindade, onde aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos, como Deus e consubstancial ao Pai, está sentado corporalmente depois que se encarnou e de que sua carne foi glorificada” [3].
Com a Ascensão, termina a missão de Cristo, enviado para o meio de nós, em carne humana, para realizar a salvação. Era necessário que, após sua Ressurreição, Cristo continuasse sua presença entre nós, para manifestar sua nova vida e completar a formação dos discípulos. Mas essa presença terminará no dia da Ascensão. Porém, ainda que Jesus tenha voltado ao céu, junto do Pai, permanece entre nós de vários modos, principalmente no modo sacramental, pela Sagrada Eucaristia.
A Ascensão é sinal da nova situação de Jesus. Sobe ao trono do Pai para compartilhá-lo, não só como Filho eterno de Deus, mas também como verdadeiro homem, vencedor do pecado e da morte. A glória que havia recebido fisicamente, com a Ressurreição, se completa agora com sua entronização pública nos céus, como Soberano da criação, junto ao Pai. Jesus recebe a homenagem e o louvor dos habitantes do céu.
Uma vez que Cristo veio ao mundo para redimir-nos do pecado e conduzir-nos à perfeita comunhão com Deus, a Ascensão de Jesus inaugura a entrada no céu da humanidade. Jesus é a Cabeça sobrenatural dos homens, como Adão o foi na ordem da natureza. Já que a Cabeça está no céu, também nós, seus membros, temos a possibilidade real de alcançá-lo. Mais, ele foi para preparar-nos um lugar na casa do Pai (cfr. Jo 14, 3).
Sentado à direita do Pai, Jesus continua seu ministério de Mediador universal da salvação. “Ele é o Senhor que agora reina com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e sem cessar intercede por nós junto do Pai. Envia-nos o Seu Espírito e tendo-nos preparado um lugar, dá-nos a esperança de um dia ir ter com Ele” (Compêndio, 132).
Com efeito, dez dias depois da Ascensão ao céu, Jesus enviou o Espírito Santo aos discípulos, conforme sua promessa. Desde então, Jesus manda incessantemente aos homens o Espírito Santo, para comunicar-lhes a potência vivificadora que possui, e reuni-los por meio de sua Igreja para formar o único povo de Deus.
Depois da Ascensão do Senhor e da vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, a Santíssima Virgem Maria foi levada em corpo e alma para os céus, pois convinha que a Mãe de Deus, que havia levado a Deus em seu seio, não sofresse a corrupção do sepulcro, à imitação de seu Filho [4].
A Igreja celebra a festa da Assunção da Virgem no dia 15 de agosto. “A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (Catecismo, 966).
A Exaltação gloriosa de Cristo:
a) Nos anima a viver com o olhar posto na glória do Céu: quae sursum sunt, quaerite (Cl 3, 1); recordando que não temos aqui morada permanente (Hb 13, 14), e com o desejo de santificar as realidades humanas;
b) Nos impulsiona a viver de fé, pois nos sabemos acompanhados por Jesus Cristo, que nos conhece e nos ama, estando no céu, e que nos dá sem cessar a graça de seu Espírito. Com a força de Deus, podemos realizar o labor apostólico que nos encomendou: levar-lhe todas as almas (cfr. Mt 28, 19) e pô-lo no cume de todas as atividades humanas (cfr. Jo 12, 32), para que seu Reino seja uma realidade (cfr. 1Cor 15, 25). Além disso, Ele nos acompanha do Sacrário.
Cristo Senhor é Rei do universo, mas ainda não lhe estão submetidas todas as coisas deste mundo (cfr. Hb 2, 7; 1Cor 15, 28). Concede tempo aos homens para experimentar seu amor e sua fidelidade. Contudo, no fim dos tempos, terá lugar seu triunfo definitivo, quando o Senhor aparecerá com “grande poder e majestade” (cfr. Lc 21, 27).
Cristo não revelou o tempo de sua segunda vinda (cfr. At 1, 7), mas nos anima a estar sempre vigilantes e nos adverte que antes dessa sua segunda vinda, a parusia, ocorrerá um último assalto do demônio acompanhado de grandes calamidades e outros sinais (cfr. Mt 24, 20-30; Catecismo 674-675).
O Senhor virá então como Supremo Juiz Misericordioso para julgar os vivos e os mortos: é o juízo universal, no qual os segredos dos corações serão revelados, assim como a conduta de cada um diante de Deus e em relação ao próximo. Este juízo sancionará a sentença que cada um recebeu após a morte. Todo homem será cumulado de vida ou condenado, por toda a eternidade, segundo suas obras. Assim se consumará o Reino de Deus, pois “Deus será tudo em todos” (1Cor 15, 28).
No Juízo Final os santos receberão, publicamente, o prêmio merecido pelo bem que fizeram. Deste modo, a justiça será restabelecida, já que nesta vida, muitas vezes, os que praticaram o mal são louvados e os que praticaram o bem, desprezados ou esquecidos.
O Juízo Final nos leva à conversão: “Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10)” (Catecismo, 1041).
Antonio Ducay Bibliografia básica Catecismo da Igreja Católica, 638-679; 1038-1041.
Leituras recomendadas
João Paulo II, La Resurrección de Jesucristo, Catequesis: 25-01-1989, 1-02-1989, 22-02-1989, 1-03-1989, 8-03-1989, 15-03-1989.
João Paulo II, La Ascensión de Jesucristo, Catequesis: 5-04-1989, 12-04-1989, 19-04-1989.
São Josemaria, Homilia A Ascensão do Senhor aos Céus, em É Cristo que Passa, 117-126.
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[1] São Josemaria, Caminho, 584.
[2] Ibidem, 719.
[3] São João Damasceno, De fide ortodoxa, 4, 2: PG 94, 1104; cfr. Catecismo, 663.
[4] Cfr. Pio XII, Const. Munificentissimus Deus, 15-08-1950: DS 3903.
A ressurreição de Jesus é o elemento principal da nossa fé
Padre Roger Araújo
http://homilia.cancaonova.com/homilia/a-ressurreicao-de-jesus-e-o-elemento-principal-da-nossa-fe/

Nós cremos, acreditamos e professamos com todo o nosso coração a certeza de que Jesus está vivo e de que Ele ressuscitou dos mortos.

“Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã e a vossa fé é vã também” (1 Coríntios 15, 13).
Amados irmãos e irmãs no Senhor, fiz questão de hoje meditar a primeira leitura da liturgia, da Carta de Paulo aos Coríntios, na qual ele enfatiza o tema da ressurreição dos mortos. Este é um ponto fundamental da nossa fé, da nossa convicção religiosa, e só podemos falar da ressurreição dos mortos a partir da ressurreição de Jesus.
A ressurreição de Jesus é o elemento fundamental da nossa fé! A fé cristã não é baseada no nascimento de Jesus, ela enfatiza os ensinamentos de Jesus, a vida d’Ele e a morte d’Ele, mas o núcleo da fé cristã, o sentido da fé cristã, é a ressurreição de Jesus. Como enfatiza São Paulo: “Se Cristo não tiver ressuscitado tudo o que fazemos é perda de tempo”. Sim, sem essa certeza tudo seria em vão, inútil! Nós cultuamos e celebramos um Deus que está morto? Não, muito pelo contrário, nós cremos, acreditamos e professamos, com todo o nosso coração, a certeza de que Jesus está vivo e de que Ele ressuscitou dos mortos. E, assim como Jesus ressuscitou, nós também ressuscitaremos com Ele; esta é a nossa fé, é a nossa esperança!
Meus irmãos, no mundo em que vivemos há muitas confusões religiosas, há muitas pregações, há muita mistura de elementos religiosos que não são compatíveis com a nossa fé. Há muita gente pregando a reencarnação. Não estou combatendo e não devemos, nenhum de nós, combater nenhuma religião, nenhuma filosofia, mas não podemos nos alimentar nem nos enganar com elementos que são estranhos à nossa fé e à nossa convicção religiosa.
Se existem coisas boas em outras convicções religiosas – que bom – mas não nos cabe misturar elementos estranhos à nossa fé e um deles é a reencarnação. Não há compatibilidade entre ressurreição e reencarnação, não podemos crer em Cristo vivo e ressuscitado e, ao mesmo tempo, também comungar de alimentos, de elementos, de sentimentos, de outras convicções religiosas que não pregam a ressurreição de Jesus.
Precisamos nos cuidar, temos que ser convictos naquilo em que cremos e precisamos dar razões a nossa fé! Nós amamos a todos, queremos bem a todos, mas não comungamos dos pensamentos e dos sentimentos religiosos que não convêm à nossa fé. A reencarnação não é bíblica, não é cristã e não está de acordo com os ensinamentos de Jesus. Nós cremos na ressurreição, assim como Jesus ressuscitou nós também ressuscitaremos!
A Ressurreição de Jesus: Ficção ou Realidade?
Escrito por D. Estêvão Bettencourt, OSB
http://www.veritatis.com.br/apologetica/deus-uno-trino/535-ressurreicao-jesus-ficcao-realidade

Nenhuma outra confissão religiosa atribui ao seu fundador o privilégio da ressurreição dentre os mortos. O Cristianismo, porém, o faz e chega a afirmar que, sem a ressurreição de Jesus, não há Cristianismo.
Ora, a ressurreição de um morto é milagre de primeira grandeza. Por isto a crítica pergunta se não se trata de mito ou ficção; em consequência, tem formulado explicações meramente racionais para a notícia da “ressurreição”. Dada a importância capital de tal matéria desenvolveremos a questão, abordando: 1) as teorias racionalistas; 2) os textos do Novo Testamento que atestam a fé da Igreja nascente, e os seus sinais comprovantes.

I. TEORIAS RACIONALISTAS
Pode-se dizer que até o século XVIII não havia, entre os cristãos, quem duvidasse da historicidade da ressurreição de Jesus. Especialmente importante é o testemunho da Igreja nascente: em Corinto, por exemplo, no ano de 56 os fiéis não aceitavam a perspectiva da ressurreição dos cristãos, mas não punham em xeque a ressurreição de Jesus, de modo que, a partir desta, São Paulo deduzia a ressurreição de todos os mortos.
“Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou… Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou…Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram” (1Cor 15, 12.13.16.20).
Examinemos, porém, as proposições dos racionalistas:
1) No século XVIII, Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) retomou a alegação, dos judeus, de que o corpo de Jesus fora roubado pelos discípulos para que pudessem proclamar a sua ressurreição (Mt 28, 11-15). Segundo Reimarus, Jesus foi um Messias político, que queria libertar Israel do jugo romano. Fracassou, porém. Todavia os discípulos retiraram do túmulo o seu cadáver para poder apregoar a sua ressurreição e apresentar Jesus como o Messias apocalíptico de Daniel 7, 13s.
A própria crítica racionalista rejeitou a teoria de Reimarus como sendo simplória demais e infundada. Os apóstolos não tinham ânimo para admitir a ressurreição do Mestre; muito menos o tinham para tentar impô-la mediante fraude e embuste. Ademais qualquer tentativa de mentira e falsidade da parte dos Apóstolos cedo ou tarde teria sido descoberta pelos judeus hostis, que haveriam consequentemente desprestigiado toda a pregação dos discípulos de Cristo – o que na realidade não se deu.
2) Mais recentemente Karl Friedrich Bahrdt (1741-1792) e Eberhardt Gottlob Paulus (1761-1851) propuseram a tese de que Jesus não morreu realmente na Cruz e foi sepultado vivo. O sedativo que Ele tomou quando crucificado e os aromas que as mulheres levaram ao sepulcro para ungi-lo, terão contribuído para reanima-lo, comunicando-lhe consciência e vigor necessários para sair do túmulo, não ao terceiro dia, mas em data posterior. O estudioso alemão Holger Kersten, em nossos dias, retomou esta hipótese, acrescentando-lhe um complemento: Jesus, deixando o sepulcro, foi à Índia, onde terminou os seus dias.
Tal hipótese também não goza de autoridade, pois é fantasiosa; além do que, contradiz a arqueologia, que mostra o local do sepulcro de Jesus em Jerusalém, com sua história através dos séculos. Levemos em conta, outrossim, o duro desenrolar da Paixão de Cristo (flagelação, coração de espinhos, porte de Cruz, crucificação…) e principalmente o golpe de lança infligido a Jesus, “porque os soldados o encontraram já morto” (Jo 19, 33). Estas ocorrências não podem deixar dúvida sobre a realidade da morte de Jesus na Cruz.
3) Certos seguidores da Escola da História das Formas deram à ressurreição de Cristo uma interpretação nova.Entre eles, destaca-se Willi Marxsen, discípulo de Rudolf Bultmann: Marxsen afirma que o que ressuscitou não foi Jesus, mas a mensagem de Jesus; esta parecia fadada a emudecer por causa da hostilidade dos judeus, mas conseguiu vencer os obstáculos e assim “ressuscitou”, impondo-se aos ouvintes. O que importa, dizem, não é o mensageiro (Jesus), mas a mensagem (a Boa-Nova); as aparições de Jesus aos Apóstolos narradas pelos evangelistas nada teriam de objetivo; seriam apenas a maneira como os antigos cristãos formularam a experiência íntima de que a mensagem de Jesus superara os obstáculos e continuava a viver…O milagre não seria a ressurreição de Jesus, mas a fé dos discípulos.
A tese de Marxsen parte de um preconceito dogmaticamente afirmado, mas não demonstrado, a saber: não pode ser real o que escapa às categorias da razão humana. Ora, a ressurreição de um morto é algo que a razão não explica; daí ser tida como impossível ou como mito,… mito que está sujeito à interpretação ou hermenêutica atrás proposta. – Tal preconceito é falho, pois a razão humana não é a medida ou o critério da verdade; a verdade tem amplidão maior do que o alcance da razão. Por conseguinte, pode haver fatos reais que a razão não explica; só não se pode aceitar que concepções ilógicas ou absurdas (um círculo quadrado, por exemplo) sejam verdadeiras. Ora a ressurreição de um morto não é algo de ilógico ou irracional, absurdo.
4) E os mitos orientais?
Certos historiadores afirmam que as “religiões de mistérios” do Oriente próximo conheciam, no limiar da era cristã, mitos de deuses que voltaram à vida depois de haver morrido: assim na Ásia Menor, Adonis, Astarté, Átis, Cibele; no Egito, Ísis e Osíris… tais mitos se inspiravam no fato de que a natureza morre no outono e renasce na primavera seguinte. Ora, as narrativas evangélicas não seriam senão uma nova edição de tais lendas.
A propósito observamos que os deuses da mitologia estavam longe de “ressuscitar” propriamente; a ressurreição ou volta da alma ao corpo nunca foi um ideal, mas, sim, um espantalho para gregos e orientais (estes tinham o corpo na conta de cárcere da alma). Ademais a ressurreição de Jesus nada tem que ver com os mitos da vegetação que morre e renasce.
Por último, consideremos também que a fé se manifestou desde os primeiros dias da Igreja. Ora, a Palestina não era terreno favorável ao sincretismo religioso; os Judeus, mesmo convertidos ao Cristianismo, eram ferrenhamente avessos aos mitos pagãos. Para que a infiltração de lendas pagãs se desse no Cristianismo, teria sido necessário que este tivesse tido origem num ambiente geográfico e numa população tais como a Síria, a Ásia Menor ou o Egito; além do que, exigir-se-ia notável espaço de tempo entre a morte de Jesus e a pregação de sua ressurreição.
Uma vez examinadas as teorias que negam a ressurreição corporal de Jesus, vejamos qual seja:

II. O TESTEMUNHO DO NOVO TESTAMENTO
2.1. 1Cor 15, 3-8
O texto mais significativo é a profissão de fé consignada por São Paulo em 1 Cor 15, 3-8. Ei-la em tradução literal:
1 Faço-vos conhecer, irmãos, o Evangelho que Vos preguei, o mesmo que vós recebestes e no qual permaneceis firmes.
2 Por ele também sereis salvos, se o conservardes tal como vô-lo preguei…a menos que não tenha fundamento a vossa fé.
3 Transmiti-vos, antes de tudo, aquilo que eu mesmo recebi, a saber, que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras,
4 e que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras
5 e que apareceu a Céfas, depois aos doze.
6 Posteriormente apareceu, de uma vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive até hoje, alguns, porém, já morreram.
7 Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os Apóstolos.
8 Por fim, depois de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo?.
São Paulo escreveu tal passagem no ano de 56, ou seja, pouco mais de 20 anos após a Ascensão de Jesus. Eis, porém, que nesse texto o Apóstolo quer apenas lembrar aos fiéis o que ele lhes transmitiu de viva voz quando fundou a comunidade de Corinto em 51-52: nessa época Paulo entregou aos fiéis a doutrina que lhe foi fora entregue (“Transmiti-vos…aquilo que eu mesmo recebi…”). E quando o Apóstolo recebeu a mensagem?
– Ou por ocasião da sua conversão, que se deu aproximadamente no ano de 35, ou no ensejo de sua visita a Jerusalém, que teve lugar em 38, ou, ao mais tardar, por volta do ano de 40.
Observemos agora o estilo do texto de 1Cor 15, 3-8: as frases são curtas, incisivas, dispostas segundo um paralelismo que lhes comunica um ritmo notável. Abstração feita dos vv. 6 e 8, dir-se-ia que se trata de formulas estereotípicas, forjadas pelo ensinamento oral e destinadas a ser frequentemente repetidas. Nesses versículos encontram-se várias expressões que não ocorrem em outras cartas de São Paulo: assim “conforme as Escrituras”, “no terceiro dia”, “aos doze”, “apareceu” (expressão que só ocorre sob a pena de São Paulo num hino citado pelo Apóstolo em 1Tm 3, 16).
Estas indicações dão a ver que São Paulo em 1Cor 15, 3-8 reproduz uma fórmula de fé que ele mesmo recebeu já definitivamente redigida poucos anos (dois, cinco, oito anos?) após a Ascensão do Senhor Jesus. O v. 6, quebrando o ritmo do conjunto, talvez tenha sido introduzido posteriormente; quanto ao v. 8, é por certo uma notícia pessoal que São Paulo acrescenta ao bloco.
Vê-se, pois, que desde os primeiros anos da pregação do Evangelho já existia entre os fiéis uma profissão de fé na ressurreição de Cristo formulada em frases breves e pregnantes; tais frases eram transmitidas como expressões exatas da mensagem dos Apóstolos.
Ora essa fórmula de fé antiquíssima professa a ressurreição corpórea de Cristo como realidade histórica. Para comprová-la, havia testemunhas oculares, das quais, diz São Paulo, muitas ainda viviam vinte e poucos anos após a ressurreição do Senhor.
Tal depoimento de primeira hora é um texto pré-paulino, concebido e transmitido pelos discípulos imediatos do Senhor como expressão da fé comum da Igreja nascente. – É de notar que São Paulo insiste no peso das testemunhas oculares; muitas ainda viviam e podiam ser interpeladas pessoalmente; não diz que “creram”, mas que “viram” (Jesus apareceu-lhes ressuscitado).
O texto de 1Cor 15, 1-8 é por Bultman e sua escola reconhecido como obstáculo sério à sua teoria racionalista (obstáculo fatal, segundo a expressão usada pelo próprio Bultman em Kerygma und Mythos I). Paulo terá sido incoerente consigo mesmo:
Só posso compreender o texto de 1Cor 15, 1-8 como tentativa de apresentar a ressurreição como um fato objetivo, merecedor de fé. Apenas posso dizer que Paulo, levado por sua apologética, caiu em contradição consigo mesmo? (Glauben und Verstehen I. Tübingen 1964, 54s).
Passemos agora a

2.2. A PREGAÇÃO DA IGREJA NASCENTE
2.2.1. O DESTEMOR DOS APÓSTOLOS
Seriam incompreensíveis o êxito e a força persuasiva da pregação dos Apóstolos, se, depois de haverem feito a dolorosa experiência da Paixão Mestre, não O Tivesse visto realmente ressuscitado.
Sem o encontro com Cristo vencedor, também não se explicaria a Cristologia pascoal (ou seja, a doutrina concernente a Cristo morto e redivivo) da Igreja antiga. Com efeito, os Apóstolos e os primeiros cristãos não somente se reconciliaram com a idéia de um Messias padecente, mas também com a de um Messias ausente, que voltará no fim dos tempos. Levemos em conta, outrossim, que, apesar do seu estrito monoteísmo, os Apóstolos no culto sagrado associaram Jesus a Deus Pai, reconhecendo-lhe grandeza e dignidade divinas. Nada disto teria podido ocorrer, se os discípulos não tivessem visto o Senhor ressuscitado e se Ele não vivesse de fato na Igreja nascente mediante o Espírito Santo prometido aos Apóstolos.
A conversão de São Paulo, que de perseguidor se tornou incansável arauto de Cristo ressuscitado, desenvolvendo atividade admirável e fecunda, é outro fato que dificilmente se poderia entender sem a realidade da ressurreição de Cristo.

2.2.2. O conteúdo da Pregação dos Apóstolos
Em termos mais precisos, perguntamos: que é que os discípulos anunciaram quando começaram a pregar?
O livro dos Atos dos Apóstolos responde a esta pergunta, apresentando-nos textos muito significativos:
At 2, 4-40: Pedro, no dia de Pentecostes, explica à multidão o fenômeno das línguas;
At 3, 12-26: Pedro, apelando para a obra salvífica de Cristo, esclarece como e por que um paralítico foi curado à porta do Templo de Jerusalém;
At 4, 8-12: diante do Sinédrio (tribunal judaico) Pedro explica as ocorrências da última Páscoa;
At 5,30-32: idem;
At 10, 34-43: Pedro, em casa do centurião romano Cornélio, faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central;
At 13, 17-41: Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo.
A propósito obervamos:
É possível averiguar o caráter arcaico de tais trechos: neles se encontram, por exemplo, o eco de locuções bíblicas (At 2, 22-24; 10, 38…) e hebraísmos (At 2, 23; 2, 3; 3, 20; 10, 40…)…Isto significa que estamos diante das camadas mais antigas e das linhas mestras da pregação dos Apóstolos, dirigida aos judeus, que constituíram o núcleo inicial da Igreja.
O tema desse anúncio, como se compreende, é Jesus de Nazaré
-anunciado pelos Profetas: At 2, 23; 2, 27; 3, 18; 4, 11; 5, 30s; 10, 40; 13, 35…
-figura histórica, pois há referências ao seu nascimento na casa de Davi (At 13,23; 10,37), ao seu ministério público precedido pela pregação de João Batista (At 2, 22; 10, 37s; 13, 24-31);
-ressuscitado dentre os mortos, ponto alto de toda a pregação. A ressurreição revela o significado da existência de Jesus, de tal modo que o Evangelho (a Boa Nova) é essencialmente o anúncio da ressurreição. Diz São Paulo em Antioquia: “E nós vos anunciamos a Boa-Nova: Deus cumpriu para nós, os filhos, a promessa feita a nossos pais, ressuscitando a Jesus” (At 13, 22). Procurando resumir numa palavra a missão dos Apóstolos, Pedro diz que a sua tarefa principal é a de ser “testemunhas da ressurreição” (At 1, 22).

2.3 O CONCEITO DE MESSIAS
Notemos que os judeus do Antigo Testamento não tinham o conceito de um Messias que morreria e ressuscitaria. Esperavam, antes, a vinda do seu reino em poder e glória. Se, não obstante, a idéia da ressurreição do Messias logo após a sua morte foi apregoada por Pedro e seus companheiros, parece lógico admitir que os Apóstolos tiveram a experiência de um encontro pessoal com Cristo redivivo após a morte na cruz. Sem esta experiência, jamais teriam chegado a proclamar que Jesus ressuscitara dentre os mortos.
Com outras palavras: a idéia de um Messias não glorioso, mas crucificado, era “escândalo para os judeus” (cf. 1Cor 1, 23). O fato de que os Apóstolos a aceitaram, seria um enigma se não tivessem visto Jesus ressuscitado.
Observa-se mesmo que os Apóstolos, longe de imaginar que Jesus morto voltaria à vida, perderam o ânimo ao vê-lo presa de seus inimigos, e fugiram. Quando lhes foi dada a notícia da ressurreição, relutaram para aceitá-la; não estavam subjetivamente predispostos a conceber a vitória de Cristo sobre a morte. Fizeram-no, porém vencidos pela evidência objetiva do fato; cf. Jo 20, 9.19-29 (episódio de Tomé); Lc 24, 13-35 (os discípulos de Emaús); Lc 24, 36-43(Jesus nega ser mero espírito, dá a palpar mãos e pés).
Em outros termos: quem lê os Evangelhos, observa que as aparições de Jesus não se dão após uma expectativa ansiosa dos Apóstolos ou discípulos. Ao contrário, Jesus aparecia de maneira totalmente imprevista, quando os discípulos menos os esperavam.
Nas aparições, é Ele, e somente Ele, quem tem a iniciativa ou quem vai ao encontro… Jesus também desaparece imprevistamente, quando os Apóstolos desejariam tê-lo por mais tempo consigo. Estes dados tornam inaceitável a tese segundo a qual as aparições de Jesus não teriam sido senão subjetivas – visões que, após madura reflexão haveriam sugerido a interpretação; “Jesus ressuscitou”. Segundo os Evangelhos, os discípulos tiveram experiência imediata do Senhor Ressuscitado, que eles puderam identificar com o Crucificado.

2.4 O SEPULCRO VAZIO
O Texto de Mc 16, 1-8 fala das mulheres que encontraram vazio o sepulcro de Jesus na manhã de domingo. A mesma descoberta foi feita por Maria Madalena, segundo Jo 20, 1s, e por Pedro, conforme Lc 24, 12.
Perguntamos: qual o valor histórico destas narrações?
Admite-se a realidade do sepulcro vazio na base das seguintes razões:
1) Os Evangelhos dão a entender que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, homem rico, que se serviu de uma rocha ainda não utilizada para tal fim. Por conseguinte, o sepulcro de Jesus devia estar em lugar conhecido; a visita das mulheres ao túmulo correspondia bem aos costumes da época.
2) A notícia de que as mulheres encontraram vazio o sepulcro de Jesus, não pode ter sido forjada pela Igreja antiga; quem a inventasse, não teria apelado para dizeres de mulheres, já que as mulheres outrora eram tidas como testemunhas pouco fidedignas. Refere São Lucas que as mulheres, tendo encontrado o sepulcro vazio, “disseram isto aos Apóstolos, mas suas palavras pareceram-lhes um desvario e eles não acreditaram. Pedro, no entanto, pôs-se a caminho, e correu ao sepulcro. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o que sucedera” (Lc 24, 10-12).
3) Os inimigos de Jesus não negaram que o túmulo estivesse vazio, mas unicamente trataram de explicar o fato por vias diversas. Eis, por exemplo, o que se lê em Mt 28, 11-15:
“Enquanto as mulheres iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que havia sucedido. Estes reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados com esta recomendação: Dizei isto: os seus discípulos vieram de noite e roubaram-no enquanto dormíamos. E, se o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que os deixe tranquilos. Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje”.
Vê-se, pois, que a tradição do sepulcro vazio é historicamente bem fundada. Ela tem sentido profundo para os cristãos. Sim; ela quer dizer que a mensagem da ressurreição de Jesus implica algo mais que o fato de que “a causa de Jesus continua” (Marxsen). Ela incute que existe continuidade entre o Crucificado e o Ressuscitado; a vida terrestre de Jesus não foi uma fase ultrapassada da existência de Cristo, mas continua presente no corpo do Senhor. O Cristo que ressuscitou, é o mesmo que morreu na cruz; possui o mesmo corpo, embora de maneira diversa.
Deve-se dizer também que a ressurreição de Jesus, à qual ninguém assistiu, deixou de si um sinal impressionante na história humana: o sepulcro vazio. Eis por que a questão do sepulcro vazio não é secundária ou pouco importante.

2.5. FATO HISTÓRICO
Há aqueles que, embora aceitem o que acaba de ser exposto, afirmam que a ressurreição de Jesus não foi um fato histórico. E por quê?
– Porque ninguém a viu ou a presenciou.
– Respondemos que, na verdade, ninguém viu Jesus ressuscitar na manhã do domingo de Páscoa; os Apóstolos encontraram o sepulcro já vazio. Todavia não se vê por que restringir o conceito de histórico aos fatos atestados por testemunhas oculares. Mais exato é definir como histórico todo evento que ocorre no tempo e no espaço. Ora, a ressurreição de Jesus aconteceu no tempo e no espaço; por isto deve ser tida como fato histórico. ¹A ressurreição de Cristo, embora se tenha dado sem testemunhas e no plano dos acontecimentos milagrosos, deixou na história os seus sinais ou os seus rastros a partir dos quais se cria a certeza – certeza moral, a certeza própria da historiografia – de que Jesus ressuscitou.
A insistência da Igreja antiga sobre a ressurreição no terceiro dia parece revelar a clara intenção de afirmar que a ressurreição foi um fato realmente histórico, a ponto de se poder indicar a respectiva data Tal intenção é muito clara no discurso de São Pedro proferido em casa do centurião Cornélio:
“Sabeis o que ocorreu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo que João pregou: como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem… E nós somos testemunhas do que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém. A Ele que mataram, suspendendo-O de madeiro, Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a nós que comemos com Ele, depois da Sua ressurreição dentre os mortos. E mandou-nos pregar ao povo…” (At 10, 37-42).
Como se vê, a ressurreição ao terceiro dia é inserida entre os fatos históricos de que os Apóstolos e seus ouvintes são testemunhas.
É verdade que a certeza moral – a certeza da historiografia – ainda não é a certeza da fé. A fé pertence a outro plano; tem a sua origem e a sua motivação decisiva na atração interior que Deus exerce sobre a pessoa que Ele chama à fé. Todavia a certeza moral fornece a justificativa à razão do homem, fazendo que a adesão à fé na ressurreição seja um ato razoável, inteligente, digno, e não cego ou infantil, imaturo.

III. CONCLUSÃO
O Homem do século XX pode crer na ressurreição corporal de Cristo sem recear cair no infantilismo ou na mitologia. Quem nega a ressurreição, fá-lo não porque ela seja em si um absurdo ou porque não haja argumentos que a incutam, mas talvez por não ter refletido suficientemente sobre tais argumentos ou quiçá por nunca ter sido esclarecido a respeito dos mesmos. Quem, ao contrário, sem preconceitos, sem negar de antemão a possibilidade do milagre, estudar o assunto, perceberá que crer na ressurreição de Cristo é atitude correspondente às exigências da razão, para não se dizer “altamente razoável”.
De resto, quem professa as verdades da fé, aos poucos encontra nessa própria fé a demonstração de que não se enganou; a fé se comprova através da experiência ou da vivência respectiva.

Nota: ¹Imaginemos o caso de alguém que morre a sós durante a noite, sem a presença de um acompanhamento, ou de um suicida que se esconde para pôr fim à sua vida…Pode-se dizer que não são fatos históricos? Parece absurdo afirmar tal coisa, visto que são fatos ocorridos no tempo e no espaço.
O que é ressuscitar? Quem ressuscitará? Quando?
http://cleofas.com.br/o-que-e-ressuscitar-quem-ressuscitara-quando/
 
O Catecismo da Igreja ensina que:
“Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus” (§ 997).
“Todos os homens que morreram: “Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5, 29). (§ 998)
“Definitivamente “no último dia” (Jo 6, 39-40.44-54); “no fim do mundo”. Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo: Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (1Ts 4, 16)” (§ 1001).
De que maneira os mortos ressuscitam?
“Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!” (Lc 24, 39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele” ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora”; porém, este corpo será  “transfigurado em corpo de glória”, em “corpo espiritual” .
“Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie (…) Semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível (…) os mortos ressurgirão incorruptíveis. (…) Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade (1Cor 15, 35-37.42.44.52-53)” (§ 999).
A Igreja sabe que haverá a ressurreição da carne; as almas de todos os homens se unirão a seus corpos no Último Dia, mas não sabe “como” isso será; ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, sendo acessível só na fé. Mas, nossa participação na Eucaristia já nos dá um antegozo da transfiguração de nosso corpo por Cristo, como disse Santo Irineu (†202):
“Assim como o pão que vem da terra, depois de ter recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, Constituída por duas realidades, uma terrestre e a outra celeste, da mesma forma os nossos corpos que participam da Eucaristia não são mais corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição” (Adv. Haer. 4.18,5).
De certo modo, já ressuscitamos com Cristo. Pois, graças ao Espírito Santo, a vida cristã é, já agora na terra, uma participação na morte e na ressurreição de Cristo, como disse São Paulo:
“Fostes sepultados com Ele no Batismo, também com Ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (…) Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus (Cl 2, 12; 3, 1)… mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3). “Com ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2, 6).
A recomposição (ressurreição da carne) dar-se-á no fim dos tempos, quando Cristo voltar em sua Parusia ou plena manifestação para consumar a história. E o que ensina o Apóstolo em 1Cor 15, 22s:
“Assim como todos morrem em Adão, todos receberão a vida em Cristo. Cada um, porém, na sua ordem: como primícias, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda (Parusia)”.
“Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em segundo lugar, nós, os vivos…, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor”.
“Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu. E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste, contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida” (2Cor 5, 1-4).
A alma humana, sendo espiritual e imortal, sobrevive  independentemente do corpo e recebe a sua sorte definitiva, no juízo particular, até a consumação dos tempos: a ausência do corpo não a impede de ter consciência lúcida. Quando Cristo retornar a alma humana receberá o corpo, porém numa nova dimensão de vida.
“Na ressurreição nem eles se casam nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu” (cf. Mt 22, 30).
A tese da reencarnação é contrária à da ressurreição, pois supõe que a matéria seja má; nela o indivíduo expia faltas de existências anteriores; reencarna-se em castigo de seus pecados, muitas vezes se necessário. A verdadeira felicidade consistiria em livrar-se da matéria ou desencarnar-se definitivamente. A Igreja sempre lutou contra o maniqueísmo gnóstico que considerava a matéria má, como se fosse obra de um deus mau. Na crença da ressurreição a Igreja valoriza tanto o corpo quanto a alma. Além disso, se a pessoa se salva pela reencarnação, então, não precisa da Redenção de Cristo. Isto esvazia o cristianismo.
Dom Estevão Bittencourt ensina que:
“Para que haja a ressurreição não se requer que Deus recolha a poeira dos cadáveres a fim de com ela plasmar de novo os corpos. Lembremo-nos de que, já durante a vida terrestre de um homem, a matéria do respectivo corpo se vai renovando lentamente, de modo que, de sete em sete anos, cada qual tem outra constituição material; não obstante, esta é realmente o mesmo corpo do indivíduo… Deus pode reconstituir o corpo de uma pessoa falecida a partir do que os filósofos chamam “matéria prima”; esta, reunida à alma desse indivíduo, torna-se o corpo mesmo de tal pessoa, com as suas notas típicas, visto que a identidade da alma propicia a identidade das características do respectivo corpo (tal processo tem sua analogia no fato de que o metabolismo de um homem mortal incorpora ao organismo respectivo matéria nova; esta vem a ser o corpo típico de tal pessoa porque passa a ser animada pelo mesmo principio vital ou pela mesma alma). — O corpo dos justos ressuscitados é certamente glorioso, semelhante ao corpo de Jesus, mas conserva as características morfológicas do corpo mortal”.

Solenidade de todos os Santos – 04 de Novembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Boas festas a todos. Boas festas a você, a sua comunidade, a sua família, porque hoje com toda a Igreja, no Brasil, celebramos todos os Santos, e você faz parte da comunhão de todos os Santos. Você foi batizado, e inserido no Corpo Santo de Jesus Cristo. Você O recebe com frequência na Sagrada Eucaristia, e está progredindo em direção, não à morte, mas à Eternidade feliz. Boas festas à você que se santifica ainda neste mundo, porque este trabalho está destinado a terminar na glória do Céu, com todos os eleitos de Deus. Boas festas também, àquela multidão de todos os povos, raças, línguas e nações, que se encontram na presença de Deus.  Boas festas para aqueles santos majestosos, admiráveis que povoam o nosso calendário Litúrgico de janeiro a dezembro. Boas festas também, àqueles outros santos numerosos, mas desconhecidos, não canonizados, não propostos oficialmente pela Igreja à nossa veneração, mas que souberam entrar pela porta estreita do Evangelho, souberam amar Cristo e seus irmãos. Fizeram escolhas acertadas na vida e hoje também se alegram com todos os eleitos formando a Família Celeste, já segura da própria salvação e solicita do nosso futuro. Sim, Jesus em pessoa, no Evangelho de hoje, nos transmite o código da Santidade, o código da felicidade, para aquele que deseja ser feliz neste e no outro mundo. É simples este código. É o estilo de Deus, que nós hoje vamos aprender com os nossos Santos. Bem aventurados os pobres, os puros de coração, os mansos, os misericordiosos, aqueles que têm fome e sede de justiça, os perseguidos por causa de Cristo. O mundo materialista tem o seu código também: bem aventurados os ricos, os espertalhões, os inescrupulosos, aqueles que vão à frente às custas de cotoveladas à direita ou à esquerda, aqueles que tem sempre mais e que desejam uma vida de conforto e nada mais. Se Jesus tivesse dito isto no Evangelho, cairia no descrédito de todos. Como, porém Jesus mostra que o estilo de Deus vai do lado oposto ao estilo deste mundo, nós ficamos admirados e desejamos hoje realizar o que nossos Santos, antes de nós realizaram. Você também possui uma vocação de santidade e pode se perguntar com Santo Inácio de Loyola, se eles conseguiram, porque eu não, os mesmos meios que tiveram, eu também os tenho e posso chegar um dia aonde chegaram.

 

O que é uma vida feliz, o fim último ou o objetivo da vida?

É, sem dúvida, a felicidade, que consiste no bem total, a soma de todos os bens, não permanecendo nada a desejar. Jesus lança esta questão no sermão da montanha. De fato, bem-aventuranças, bem-aventurados, são palavras que poderiam ser simplesmente traduzidas por felizes. Possuem, no entanto, um sentido profano. Ao se falar de “bem-aventurança” temos em primeiro lugar um sentido “religioso ou místico”. É a felicidade eterna saboreada pelo homem quando da visão de Deus, ou, são as perfeições evangélicas exaltadas pelo Cristo no sermão da montanha como meios para aceder, para alcançar a felicidade da vida eterna. Por extensão a palavra pode designar também a “serenidade concedida à alma pela contemplação. Diante de tais considerações podemos dizer que Jesus promete não simplesmente nos tornar felizes nesta terra, mas a Bem-aventurança perfeita do céu, a mesma da qual participamos aqui e agora, em meio aos sofrimentos deste mundo. E foi assim interpretada a Bem-aventurança ao longo da Tradição da Igreja. São Gregório de Nissa (385), em suas “Oito homilias sobre as bem-aventuranças” nos diz: “A Bem-aventurança é a vida pura e sem mistura. Ela é o bem inefável, inconcebível, a inexprimível beleza, o poder que está acima de tudo, o único desejo, a realidade sem declínio, a exaltação sem fim”. Com outros olhos, lemos o texto de São Mateus e, com outra repercussão interior, experimentamos as palavras do Senhor. Guiados pelo Espírito  Divino lemos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque serão consolados…”  Compreendemos em nosso coração que “só Deus, escreve São Gregório de Nissa, é bem-aventurado. Mas uma comunhão na bem-aventurança nos é acessível se nos tornarmos semelhantes a Deus”. E São Gregório explicita este assemelhar-se como viver “a pobreza no Espírito, a humildade voluntária de um espírito humano e sua renúncia; e o Apóstolo nos dá um exemplo da pobreza de Deus quando nos diz: “Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8, 9). “Então, se tu imitas Deus pela atitude da humildade, que não é estranha à tua natureza, e que tu podes certamente. “Senhor, que eu reconheça sempre mais em vós o caminho que conduz à paz e à felicidade eternas. Possa eu vos desejar acima de tudo e encontrar a perfeita alegria em realizar vossos divinos ensinamentos”.

 

Quem é santo?

Na Sagrada Escritura, lê-se que só Deus é Santo. A santidade não é um atributo de Deus, mas é o seu verdadeiro nome. Esta santidade define a transcendência inacessível de Deus. Quando Deus escolhe Israel como o seu povo, comunica-lhe a sua santidade. Israel converte-se em povo santo, ao qual Deus lhe exige uma santidade de vida. Ao longo da sua história, os profetas procuraram fazer com que o povo compreendesse as exigências da santidade: o culto que Deus quer é o da obediência e do amor, ou seja, o do acolhimento íntimo do dom de Deus. Por isso, é necessário mudar o coração de pedra por um de carne. Cheio do Espírito Santo, Jesus é o Santo de Deus. A santidade de Jesus é a santidade do Filho de Deus. Recebeu-a de Seu Pai, mas pertence-lhe, é Sua. Esta santidade penetra profundamente a sua humanidade. Nós recebemos a santidade cristã, porque Cristo ama a Igreja e a tem como Esposa (Cfr. LG nº 39). Todo aquele que pertence à Igreja é chamado à santidade. “Esta santidade da Igreja… exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com a edificação do próximo”. Para ser santo é preciso viver em união com Cristo. A segunda leitura diz-nos claramente isto: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de fato”. Depois, termina dizendo: “Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro”. A santidade exige a cada um de nós um processo de purificação para acolher verdadeiramente a união com Cristo.  A lua, que recebe a luz do sol e a reflete é elogiada por sua beleza, ainda que não seja dela a origem. Mais importante e de brilho mais intenso, a luz do sol não pode ser contemplada em si mesma. No entanto, se mostra suave, agradável e atraente aos olhos, quando refletida pela lua. Pensando sobre esse fato da natureza, encontrei nele uma referência para compreender o significado da Solenidade de todos os Santos. Esta celebração nos dá a oportunidade de contemplar, em cada ser humano que passou pela história seguindo Jesus Cristo, a luz da santidade divina como algo belo, agradável, convidativo e compreensível para todos nós. A história de tantos homens e mulheres, jovens, crianças e adultos, pobres e ricos, negros, brancos, índios e mestiços, leigos, religiosos, padres e bispos nos ensina, em primeiro lugar, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Em seguida nos mostra que ser santo não é fazer coisas extraordinárias, mas viver com, em e por Cristo. A beleza que se encontra em cada uma dessas histórias nos encanta e nos atrai. Ao mesmo tempo nos encoraja a dar passos na direção indicada pela vida de Jesus de Nazaré. Mansidão, amor, atitudes de serviço, misericórdia, perseverança, sabedoria, proximidade dos mais fracos: eis os caminhos trilhados por Jesus e indicados para nos tornarmos santos em nossos dias! O jeito de Cristo nos contagie e nos torne apaixonados pelos seus ideais, a fim de podermos participar da multidão incontável dos que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e não cessam de cantar seus louvores diante do trono de Deus. Nossa vida seja reflexo da santidade divina! Para isso, que todos os santos roguem por nós!

 

Ser santo é ser pobre e bem-aventurado
Pe. Inácio José Schuster

Hoje celebramos a solenidade de todos os santos e a liturgia da Palavra enriquece e dá cor à esta festa, pois traz a essência da santidade: santidade é ter Deus como nossa única riqueza, primeira bem-aventurança. Aliás, sem esta – por isso é apresentada como sendo a primeira – tanto para Mateus quanto para Lucas, sem ser pobre – primeira bem-aventurança, jamais viveremos as demais, pois todas dependem da primeira. Os santos são bem-aventurados porque assumiram a principal bem-aventurança: a pobreza evangélica: ter Deus como sua única riqueza. As demais foram e são consequência desta. Diante da bem-aventurança da pobreza, a sociedade consumista proclama a sua própria bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm e podem gastar, porque são felizes. É a mensagem incluída em toda a publicidade, verdadeiro “cavaleiro do apocalipse”, que tudo arrasa semeando escravidão e insatisfação. Na base de se criarem necessidades fictícias, o homem atual está acorrentado a uma corrida sem fim, condenado a não descansar em nenhuma meta. Como não se fica nas necessidades reais, todo o salário lhe é insuficiente, todo trabalho é pouco, qualquer nova aquisição é incapaz de lhe dar a felicidade sonhada. Confunde o ter com o ser; confunde o acumular de bens com o ser pessoa e ser feliz; o ter meios de vida com o ter razões para viver. Quando a nossa atitude pessoal diante do dinheiro e dos bens nos desvia dos “meios” de subsistência dignos e humanos: alimentação, vestuário, casa, família, estudo, educação, cultura, para os converter em “fim” obsessivo da nossa vida, começamos a soldar os elos da cadeia que nos amarra à tirania de um novo ídolo: o consumismo. Não é verdade que conhecemos pouca gente feliz? Parece mentira que o homem atual, sabendo tanto e tendo tantas coisas, não tenha aprendido a ser feliz. Mais do que coisas, necessitamos de razões para viver e partilhar, pois a felicidade não pode estar fora de nós, nas coisas, mas há de brotar de dentro. A felicidade é um estado de alma e uma possessão do espírito, os quais se baseiam na realização do indivíduo como pessoa. Há gente muito feliz com muito poucas coisas. São os que assimilaram a bem-aventurança da pobreza afetiva e efetiva e sabem ser solidários com os outros no partilhar. São os que se dão conta de que a sociedade do bem-estar, da abundância e do desenvolvimento econômico ilimitado dá, efetivamente, meios de vida ao homem, coisas e mais coisas; mas não lhe dá razões para viver, nem lhe pode dar a sabedoria da vida que nos  faz descobrir os motivos para trabalhar e lutar, sofrer e gozar, esperar e amar, inclusive a fundo, o perdido. Jesus proclamou bem-aventurados e felizes os pobres de bens e despojados de si mesmos, que são solidários e partilham com os irmãos o que têm, pouco ou muito, porque assim estão em condições de ser cumulados por Deus e enriquecidos com os dons do Seu Reino. Ao dizer-nos hoje: “Não amontoeis tesouros perecíveis”, convida-nos para viver em liberdade com o coração posto no tesouro secreto da verdadeira felicidade: amar a Deus sobre todas as coisas e os nossos irmãos como a nós mesmos.

 

As bem-aventuranças são para os que se deixam transformar
Padre Eliano

Hoje, na Solenidade de Todos os Santos, o nosso coração precisa desejar a santidade. Nos santos Deus revela Sua face e Seu amor. No início do Evangelho (Mateus 5,1-12a), Jesus se coloca a falar com as multidões. Que todos nós nos aproximemos hoje diante da Palavra de Jesus que nos revela que Deus é a fonte, a razão de toda a felicidade. A encarnação revela o amor de Deus que se faz carne no seio da Virgem Maria. Isso dá um novo sentido perante a realidade, torna-se possível a bem-aventurança, mas é preciso mudança de vida. Por isso as bem-aventuranças são dirigidas a todos que se deixam transformar em uma interioridade profunda, concreta. A ação externa é transformada pela novidade do Reino, é a graça de Deus ligada a vida reta do cristão. As bem-aventuranças são a beleza da presença Divina que alcança o homem e o quer feliz. A primeira bem-aventurança se volta para os pobres em espírito. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Ela é dos humildes, dos pequenos. São felizes aqueles que se apresentam diante de Deus com as mãos vazias porque renunciaram as atitudes orgulhosas. Devemos olhar cada bem-aventurança e perceber que é um apelo a todo aquele que quer seguir Jesus. Não há lugar no Reino dos Céus para quem não for pobre em espírito. A segunda bem-aventurança fala aos aflitos. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. É a bem-aventurança daqueles que vivem a aflição. O humilde que passa pela aflição a Deus confia. Somente o humilde passa pela aflição confiando e se deixa consolar por Deus. A terceira bem-aventurança fala da mansidão. “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. O homem e a mulher governados por essa mansidão, são aqueles que constroem as coisas desarmados, sem a autodefesa. É alguém que não tem o próprio ego como centro. Somente aquele que é manso, se deixa conduzir por Deus que vai conduzindo-o no Seu querer. A mansidão é segredo da santidade. A quarta bem-aventurança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. É aquele que está sempre com sede da santidade porque quer ver a Deus. Está engajado na vontade de Deus a todo momento, e se angustia se está longe da vontade do Pai. Somente o sedento da vontade de Deus será saciado no Reino dos Céus. Há essa fome, essa sede em você? O Reino dos Céus é para os sedentos e famintos da vontade do Pai. Quinta bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. As bem-aventuranças partem da humildade porque chegam na misericórdia. São aqueles que concretamente liberam em seus corações o perdão que reconcilia, não vivem tomado de divisões interiores porque em seus corações reina a misericórdia do Pai. O que reina em seu coração? Se não reinar a misericórdia, você não será feliz. A sexta bem-aventurança fala aos puros de coração. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Os que trazem essa pureza são declarados bem-aventurados por Jesus. Com que você tem alimentado seu coração? O que você tem buscado? Você tem buscado aquilo que é puro e verdadeiro? Caso contrário seu coração se tornará impuro. No Reino de Deus tem lugar somente para os corações puros. Sétima bem-aventurança: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. São felizes os que promovem a paz. Jesus se congratula com os que semeiam a paz, com os que promovem a reconciliação. O shalom do Pai se revela na face, na palavra e nos gestos dessas pessoas. Você faz bem para os outros? As pessoas têm alegria em conviver com você? A oitava bem-aventurança é para os perseguidos. “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. São felizes os que são perseguidos por causa da justiça. Não é uma perseguição por qualquer coisa, mas por causa da fidelidade ao querer de Deus. As demais bem-aventuranças precisam reinar em nosso coração para que na perseguição nós tenhamos força. Na nona bem-aventurança Jesus se dirige aos discípulos. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. Essa última bem-aventurança é do discípulo que de fato segue o seu Senhor, não de quem segue a si mesmo, de quem segue Jesus porque é aplaudido. Jesus fala do discípulo que segue a Deus por aquilo que Ele é, e não simplesmente por causa da recompensa. É a bem-aventurança do discípulo que sofre pela verdade. Aqui Jesus é a causa da perseguição e também a fonte da salvação. Se alguém sofre por ser cristão não fique envergonhado. Nós precisamos e desejamos a manifestação de Jesus, aqui está nossa esperança. Nossa esperança está no fato de que somos cidadãos dos Céus. Somos vocacionados para eternidade. A felicidade não está nesse mundo, mas ainda tem muita gente buscando naquilo que é passageiro, aquilo que é pleno. Meus irmãos, a grande tribulação chegará, e como estará a nossa vida? O homem é aquilo que ama e admira. Somente uma vivência de fé coerente suportará a tribulação. De outra forma, ninguém suportará, é violenta demais para aqueles que não viveram seu batismo. Cuidado com aquilo que você tem amado, porque senão você não será esse bem-aventurado do Evangelho.

 

A celebração da festa de todos os Santos
Neste dia a Igreja militante honra a Igreja triunfante

Prof. Felipe Aquino
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No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a festa de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, porque que os celtas ingleses – pagãos -, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween). Nesse dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão”. “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 4-14). Esta imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou através da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas Orações Eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de Santos em seus filhos. Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. No livro ‘Relação dos Santos e Beatos da Igreja’, eu pude relacionar, de várias fontes, quase 5mil dos mais importantes; e os coloquei em ordem alfabética. A “Lumen Gentium” do Vaticano II lembra que: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§ 956). Na hora da morte, São Domingos de Gusmão dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. E Santa Teresinha confirmava este ensino dizendo: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”. O nosso Catecismo diz que: “Na oração, a Igreja peregrina é associada à dos santos, cuja intercessão solicita” (§ 2692). A marca dos santos são as bem–aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, este trecho do Evangelho de São Mateus (5, 1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Esta ‘Solenidade de Todos os Santos’ vem do século IV. Em Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro. Cada um de nós é chamado a ser santo. Disse o Concilio Vaticano II que: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG 40). Todos são chamados à santidade: “Deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48): “Com o fim de conseguir esta perfeição, façam os fiéis uso das forças recebidas (…) cumprindo em tudo a vontade do Pai, se dediquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. Assim, a santidade do povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra luminosamente na história da Igreja pela vida de tantos santos” (LG 40). O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual da oração, mortificação, vida sacramental, meditação, luta contra si mesmo; é isto que nos leva gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças. Disse São Gregório de Nissa (†340) que: “Aquele que vai subindo jamais cessa de ir progredindo de começo em começo por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece” (Hom. in Cant. 8).

Comemoração de todos os Finados – 02 de Novembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, FINADOS, a Igreja se mobiliza para sufragar aqueles filhos seus, que outrora, haviam gerado para Deus e dirigido à Vida Eterna. Nós somos seres de eternidade. Nós fomos feitos para a alegria e o bem; não fomos feitos para o desastre e a morte. Quando tocamos o mistério da morte com nossas mãos, esta mesma realidade se apresenta a nós irremediável, absurda e inaceitável. Sim, é inaceitável um ente querido ser arrancado, abrupta e cruelmente do nosso convívio. É inaceitável, o marido amado, deixar sua esposa e ir se para nunca mais voltar. É inaceitável e cruel, perceber que um filho afetuoso também se vai, sem sequer ter tempo de se despedir do pai ou da mãe. A morte é absurda. E uma vida que caminha para ela seria absurda também se não houvesse alguma coisa por detrás; se não houvesse nada além dela. De todos os entes do universo, nós seríamos ao mesmo tempo os mais nobres e os mais contraditórios, porque para todos os outros entes, animais incluídos, a morte não é problemática. Ela é um problema grave e insolúvel apenas para nós. Se não houvesse nada para além da morte, um grande magnata do tráfico de drogas, que carregou na consciência milhares de mortes, estaria lado a lado no cemitério com Madre Teresa de Calcutá. É algo de absolutamente inadmissível e de extremamente chocante. Nós agradecemos a Deus porque temos a dita e a felicidade de crer; e não é fácil crer, diante do inexorável da morte, que uma plenitude de vida se encontra por detrás. Não é fácil crer que os nossos mortos não estão mortos, estão junto de Deus. Não é fácil crer que eles participam hoje da serenidade e beleza de Deus, contemplando-O face a face na beatitude do Céu repetem, hoje, para nós, o que Jesus disse aos seus, na véspera de morrer: “Vou preparar-vos um lugar; e quando o tiver preparado, voltarei para vos tomar comigo”. Nossos mortos hoje nos segredam ao coração: tenham confiança, fomos também preparar um lugar para vós, e vos ajudaremos com nossas preces, a chegar aonde nós já chegamos, vos ajudaremos a contemplar, o que estamos contemplando: a beleza inesgotável e infinita de Deus. Com Santa Teresinha do Menino Jesus, Virgem Carmelita e Doutora da Igreja nós, hoje gostaríamos de repetir: não morro, entro na Vida.

 

IRMÃ MORTE
“Tudo tem seu tempo, há um momento oportuno para cada empreendimento debaixo do céu. Tempo para nascer e tempo de morrer” (Eclo 3, 1-2a).   

Viver esse dia de finados, não significa deixar-se tomar pela tristeza da morte, da saudade, do abandono, da falta de esperança. Mais que isso, é um momento de refletirmos sobre tudo. Uma grande oportunidade de orar, tomar a Bíblia, meditar sobre a vida, sobre o amor verdadeiro e partilhado no lar, na família, contemplar o horizonte, o nascer e o pôr do sol sobre a nossa existência.

Nós que somos filhos do Deus da Vida, temos por nós o Cristo ressuscitado, vencedor da morte, ficamos nos lamentando e nos desesperando ao nos depararmos com ela – a morte.

Desde que nascemos e começamos a percorrer as estradas da vida, vencendo obstáculos, quer seja no limite, quer seja com maior facilidade, cada pessoa com seu próprio estilo, com sua individualidade. Como um rio que corre pelo seu leito, às vezes tranqüilo, às vezes vencendo obstáculos, ruidosamente caindo em cascatas, mas sempre nos seus limites, suas margens, até chegar, mais cedo ou mais tarde, à plenitude da água que é o oceano.

As pessoas também, mais cedo ou mais tarde chegam a plenitude da existência, da vida, do amor, da felicidade, do prazer, que desde criança aprendemos a chamar de céu, e que não está localizado nem aqui, nem ali, nem no alto, nem no baixo, mas no além, no diferente, em Deus. Para a sua glória somos chamados e iremos quando chegar o nosso dia, face a face com o Pai.

Lá estão todos os seres humanos. Lá estão todos que amam, por que o amor não tem qualificação de tempo. É uma só e grande família. Uma enorme família. É isto que chamamos de céu; é isto a vida dos ressuscitados; é isto que acontece na morte de cada um, e para sempre.

Uma presença diferente. Um modo de ser diferente, que participa plenamente do jeito de ser do espírito. Todos ali, numa nova e eterna família, reunida para toda a eternidade, junto com a Trindade.

Nós desejamos para você, não apenas mais um feriado, mas um dia de crescimento, maturidade e aconchego na fé. Ore pelos seus amados, celebre a Vida, a vitória da Cruz do Cristo Senhor, participe da Eucaristia celebrada na intenção dos seus familiares falecidos e também por todos nós em Ação de Graças ao redor do altar da vida.

 

Evangelho segundo São Mateus 25, 31-46 «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’ Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

Durante a última ceia, naquela noite derradeira que passou entre nós, Jesus disse a seus discípulos: “Vou preparar-vos um lugar. E quando tiver ido e vos tiver preparado um lugar, voltarei para vos tomar comigo e assim estareis onde Eu estou”. Hoje nós nos recordamos com saudades, mas também com esperanças, daqueles que se foram, partiram deste mundo, tendo-nos precedido na fé, na vida cristã e na morte. Eles foram receber o lugar onde Jesus tinha sofrido durante a sua vida entre nós. Eles se foram para receber para sempre na eternidade de Deus, as alegrias que Cristo ressuscitado oferece a todos aqueles que neste mundo souberam carregar a sua cruz e seguir os seus passos, vivendo o caminho do Evangelho. Eles nos precederam na vida e na morte, eles deixaram saudades e nós hoje de certa maneira exprimimos através de mil gestos a nossa saudade, porém juntamente com a nossa saudade, nós exprimimos a nossa esperança. Nós queremos chegar aonde eles chegaram e para tanto não é preciso grandes esforços, realizações consideráveis ou coisas extraordinárias, basta que sejamos fiéis à vocação cristã no nosso dia-a-dia. Basta que não tenhamos outra preocupação na vida, como eles, os fiéis defuntos, a não ser amar. Que saibamos: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar a todos como a si próprios”. Se alguém de nós assumir este programa de vida, este essencial, ainda que deixe de lado todo o resto, esta pessoa está no bom caminho. Hoje nós nos recordamos daqueles que, sobretudo se purificam para serem dignos da morada eterna de Deus. O purgatório nada mais é do que aquele momento no ato da morte em que Cristo alivia o excesso de nossas bagagens ou a nossa gordura excessiva, em direção à eternidade. Os nossos fiéis defuntos se submetem alegremente ao purgatório, a esta última purificação que elimina todas as escórias de seus corpos e, sobretudo de seus corações, para que sejam plenamente dignos de participar da alegria dos Santos, na luz da imortalidade de Deus. Hoje nós os contemplamos, repito, com saudades, mas ao mesmo tempo com esperança, porque com a graça de Cristo que não nos falta, como não faltou a eles, também, nós queremos chegar aonde eles chegaram. E assim, da mesa dos peregrinos e da estrada dos viajantes, nós com eles, ingressaremos na Pátria definitiva a cantar para sempre, com todos os eleitos á misericórdia de Deus.

 

Muitas vezes nos perguntam porque rezar pelos mortos. Se já faleceram que valor terá nossa oração? Esta pergunta teria sentido caso não compreendêssemos a comunhão dos santos em Deus. Nele não existe separação ou divisões, mas todos os que se encontram em seu amor vivem em profunda e verdadeira comunhão entre si. Todos os membros da Igreja estão, portanto, unidos, formando o Corpo de Cristo em que uns beneficiam os outros. É necessário que o amor de Deus penetre sempre mais a nossa vida e assim sejam consumidas todas as impurezas do pecado. Jesus veio para nos comunicar todos os bens espirituais, sem discriminar quem quer que seja. O Senhor deseja que todos participem de todos os bens, não se prendendo a classes sociais ou a privilégios. A comunhão entre os membros da Igreja não se restringe ao tempo presente, mas abrange o passado e mesmo os que hão de vir. Em Deus há um eterno presente. E como queremos que todos sejam envolvidos pela misericórdia divina elevamos a Deus nossas preces em favor de todos, dos doentes, das crianças, dos moribundos, dos idosos e dos que já faleceram. Sem dúvida, nesta comunhão dos santos, os falecidos estão também rezando, intercedendo por nós. De fato, no livro de Macabeus se lê que se “ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado” (2Mc 12, 38ss).

 

FINADOS
Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

Na próxima sexta-feira (02/11), as peregrinações ao cemitério se intensificam. Todos querem levar uma flor à sepultura daquele que partiu, deixando um vazio de tristeza aos que ficaram. Pode, para muitos, ser um dia de saudade e de recordação. Para nós, cristãos, a visão da morte é diferente. Não que não nos traga tristeza. Mas há, na recordação dos mortos, um luminoso raio de alegria. No prefácio da Missa dos mortos, a Igreja lembra esta confortadora esperança: “Aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Para os que crêem, a vida não é tirada, mas transformada. E desfeita a nossa habitação terrestre, nos é dada no céu uma eterna mansão”. O mesmo nos diz São Paulo (2Cor 5, 1): “Se nossa tenda (corpo) for destruída, teremos no céu morada eterna, feita não por mãos humanas”. É que para nós, cristãos, a morte não é o fim. É passagem, como o é a do nascimento da criança, que passa do escuro do seio materno para a luz do dia. Não é possível fugir da morte. A vida, na visão do salmista (Sl 89) é como a flor viçosa na madrugada, que reabre em sorrisos para a aurora, mas que à tarde fenece e fica seca. Há, no culto dos mortos, talvez o desejo inconsciente de que eles estivessem vivos, bem perto de nós. Enfeitam-se os enterros de flores. Erguem-se monumentos nos cemitérios com afetuosas inscrições. Conservam-se nas paredes os retratos dos entes queridos. Temos medo de esquecer os que partiram. E eles não voltam para falar conosco. O Senhor Jesus já nos avisou. Por isso, é oportuno lembrar, no dia dos mortos, a colorida parábola que São Lucas registra (Lc 16, 19) do homem rico e do pobre mendigo que vegetava na sua porta. Os dois morreram. Quando o rico pede ao Senhor para que o pobre volte à terra a fim de advertir os descuidados sobre o perigo de serem, também eles, castigados, a resposta divina é peremptória: a distância é intransponível. Não pode quem lá está voltar, nem sequer para advertir os incautos. É a palavra do Mestre. O que fazer pelos mortos? O 2º livro dos Macabeus (2Mac 12) responde: rezar por quem morreu, que é sinal de fé na ressurreição dos mortos. Dia dos finados – dia de oração em favor dos que partiram.

 

Como o grão de trigo
Santo Ireneu de Lião (c. 130-c. 208), bispo, teólogo e mártir
Contra as Heresias V, 2, 3 (a partir da trad. de SC 153, pp. 37ss. rev.)

Uma vez plantada na terra, a cepa dá fruto a seu tempo. Da mesma forma, o grão de trigo, depois de ter caído à terra e de se ter dissolvido nela (Jo 12, 24), ressurge multiplicado pelo Espírito de Deus que tudo mantém. Depois, graças a um trabalho competente, esses frutos tornam-se utilizáveis pelos homens; seguidamente, recebendo a Palavra de Deus, tornam-se Eucaristia, quer dizer, corpo e sangue de Cristo. Da mesma forma, os nossos corpos, alimentados por essa Eucaristia, após deitados à terra e nela dissolvidos, ressuscitarão a seu tempo quando o Verbo de Deus lhes conceder a graça da ressurreição «para glória de Deus Pai» (Fil 2, 11). Porque Ele obterá a imortalidade para o que é mortal e a incorruptibilidade para o que é corruptível (1Cor 15, 53), porque a força de Deus manifesta-se na fraqueza (2Cor 12, 9). Sendo assim, acautelar-nos-emos de nos inflarmos de orgulho – como se fosse de nós mesmos que obtivéssemos a vida – e de nos levantarmos contra Deus, mantendo pensamentos de ingratidão. Pelo contrário, sabendo por experiência que é exclusivamente através Dele […] que recebemos o dom de viver eternamente, nunca nos afastaremos dos pensamentos verazes sobre Deus e sobre nós mesmos. Conheceremos o poder de Deus e quantos benefícios Dele recebe o homem. Não nos equivocaremos a respeito da verdadeira concepção que é necessário ter de Deus e do homem. Aliás […], se Deus permitiu a nossa decomposição na terra, não será precisamente para que, sabendo tudo isso, estivéssemos doravante atentos a tudo, de forma a não menosprezarmos nem a nós mesmos, nem Deus? […] Se o cálice e o pão, pela Palavra de Deus, se tornam Eucaristia, como pretender que a carne é incapaz de receber a vida eterna?

Solenidade de Todos os Santos – 01 de Novembro

Por Pe. Inácio José Schuster

Todos os Santos

Mais uma vez o calendário rodou e chegou o dia 1 de Novembro… Mais uma vez, a Igreja nos convida a celebrar todos os Santos. Dia a dia, vamos tendo diante dos nossos olhos figuras de homens e mulheres que aceitaram seguir Cristo, entregar-lhe a sua vida, por vezes derramar o seu sangue. Dia a dia a Igreja nos propõe modelos diferentes de santidade, caminhos diversos para se chegar ao mesmo Senhor que, um dia, será tudo em todos. Hoje não é um modelo que nos é apresentado – é uma condição de vida, a nossa. Redimidos pelo sacrifício de Cristo, nós já somos parte da imensa multidão que lavou as vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7, 14) e que foi convidada para as núpcias eternas. Alguns de nós já lá chegaram e, conhecidos ou desconhecidos, gozam da alegria sem fim dos bem-aventurados. Outros, como nós, ainda caminham, sujeitos às vicissitudes do tempo, às armadilhas do inimigo, aos perigos do deserto. De qualquer forma, temos “Deus por nós”. E, se Deus está por nós (Rm 8, 31), quem estará contra nós? Por isso, e ainda que semeemos com lágrimas (Sl 126, 6), vivemos já a certeza da colheita na alegria. É nesta alegria que vos saudamos, neste dia de Todos os Santos. Que a vossa alegria perdure, que ela cresça, que ela seja perfeita.

 

A santidade não é um luxo…
XXX Domingo do tempo comum (B)
Apocalipse 7, 2-4.9-14; 1 João 3, 1-3; Mateus 5, 1-12ª
Por Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

Os santos que a liturgia celebra nesta solenidade não são só aqueles canonizados pela Igreja e que se mencionam em nossos calendários. São todos os salvos que formam a Jerusalém celeste. Falando dos santos, São Bernardo dizia: «Não sejamos preguiçosos em imitar a quem estamos felizes de celebrar». É, portanto, a ocasião ideal para refletir no «chamado universal de todos os cristãos à santidade». A primeira coisa que se deve fazer, quando se fala de santidade, é libertar esta palavra do medo que inspira, devido a certas representações equivocadas que nos fizeram dela. A santidade pode comportar fenômenos extraordinários, mas não se identifica com eles. Se todos estão chamados à santidade é porque, entendida adequadamente, está ao alcance de todos, faz parte da normalidade da vida cristã. Deus é o «único santo» e «a fonte de toda santidade». Quando se aproxima para ver como o homem entra na esfera da santidade de Deus e o que significa ser santo, aparece imediatamente a preponderância, no Antigo Testamento, da idéia ritualista. Os meios da santidade de Deus são objetos, lugares, ritos prescrições. Escutam-se, é verdade, especialmente nos profetas e nos salmos, vozes diferentes, morais, mas são vozes que permanecem isoladas. Ainda em tempos de Jesus prevalecia entre os fariseus a idéia de que a santidade e a justiça consistem na pureza ritual e na observância escrupulosa da Lei. Ao passar ao Novo Testamento, assistimos a mudanças profundas. A santidade não reside nas mãos, mas no coração; não se decide fora, mas dentro do homem, e se resume na caridade. Os mediadores da santidade de Deus não são lugares (o templo de Jerusalém ou o monte das Bem-aventuranças), ritos, objetos e leis, mas uma pessoa, Jesus Cristo. Em Jesus Cristo está a santidade de Deus que nos chega em pessoa, não é uma distante reverberação suja. Ele é «o Santo de Deus» (João 6, 69). De duas maneiras entramos em contato com a santidade de Cristo e esta se comunica a nós: por apropriação e por imitação. A santidade é antes de tudo dom, graça. Já que pertencemos a Cristo mais que a nós mesmos, havendo sido «comprados a grande preço», disso segue-se que, inversamente, a santidade de Cristo nos pertence mais que nossa própria santidade. Estas são as asas da santidade. Paulo nos ensina como se dá este «golpe de audácia» quando declara solenemente que não quer ser encontrado com uma justiça suja, ou santidade derivada da observância da lei, mas unicamente com aquela que deriva da fé em Cristo (Fil 3, 5-10). Cristo, diz, se tornou para nós «justiça, santificação e redenção» (1Cor 1, 30). «Para nós»: portanto, podemos reclamar sua santidade como nossa para todos os efeitos. Junto a este meio fundamental da fé e dos sacramentos, deve encontrar lugar também a imitação, isto é, o esforço pessoal e as boas obras. Não como meio desgarrado e diferente, mas como o único meio adequado para manifestar a fé, traduzindo-a em ato. Quando Paulo escreve: «Esta é a vontade de Deus: vossa santificação», está claro que entende precisamente esta santidade como fruto do compromisso pessoal. Acrescenta, de fato, como para explicar em que consiste a santificação da qual está falando: «que vos afasteis da fornicação, que cada um saiba possuir seu corpo com santidade e honra» (1Ts 4, 3-9). «Não há senão uma tristeza: a de não ser santos», dizia Leon Bloy, e tinha razão a Madre Teresa quando, a um jornalista que lhe perguntou à queima-roupa o que ela sentia ao ser aclamada santa por todo mundo, disse: «A santidade não é um luxo, é uma necessidade».

 

Evangelho segundo São Mateus 5, 1-12
Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o gênero de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Por Pe. Fernando José Cardoso

Nesta solenidade de Todos os Santos, nós gostaríamos de felicitar em primeiro lugar a nós mesmos, porque nós, em estado insipiente, somos já Santos. Paulo escrever aos cristãos de Corinto e mesmo Éfeso, que não eram modelos de santidade acabada, os chamava Santos. Nós somos Santos porque estamos programados para a Santidade. Somos Santos porque o nosso destino eterno é a Santidade. Somos Santos porque a Santidade única de Cristo já nos contagia desde o dia do nosso Batismo. Programados a sermos plenamente Santos, a levar pleno cumprimento e acabamento na glória na qual o Cristo, através do seu Espírito, já começou em nós. Para aqueles que desejam o acabamento na glória, o Evangelho desta solenidade traz o programa: “Bem Aventurados os pobres. Bem Aventurados os humildes. Bem Aventurados os que choram. Bem Aventurados os puros de coração. Bem Aventurados os misericordiosos”. Os cristãos que querem chegar ao ápice da santidade sabem perfeitamente que devem andar na contra-mão da história, na contra-mão da sociedade, da mídia e do mundo que os envolve. Este mundo tem também as suas bem aventuranças: bem aventurados os ricos, os que possuem muito dinheiro, os que podem fazer compras e gastar quanto desejarem, os que vão a frente a custa de cotoveladas, à direita e à esquerda. Jesus, pelo contrário, ao nos indicar o caminho da contra mão que nos leva a verdadeira glória, fala-nos da bem aventurança da pobreza, da humildade, da pureza de coração, da misericórdia, do desejo insaciável: fome e sede de justiça neste mundo, justiça nas coisas de Deus e justiça nas coisas dos homens também. Eis-nos diante da nossa sublime vocação: o mundo, apesar do seu código de felicidade, não conduz ninguém para além da morte, tudo para este mundo termina com a morte de cada um. O Evangelho é realmente uma porta estreita, eu disse e repito nesta solenidade, que andamos com todos os Santos que nos precederam na fé e na glória, na contra mão. Entramos pela porta estreita Aqui se trata de carregar a cruz de Jesus Cristo, a cruz de cada dia, concreta, feita de pequenos sacrifícios, de pequenas abnegações. Sobretudo a cruz que se impõe a aqueles que desejam amar desinteressadamente, mas este caminho termina na glória: este caminho tem um acabamento onde nós hoje contemplamos os Santos na grandeza e na felicidade eterna de Deus. Tenhamos confiança. Intercessores tão numerosos, já serviram de sua própria salvação, estão solícitos com relação a nossa, eles nos ajudam de mil maneiras eficazes, porém discretas, a chegar onde eles chegaram, depois de terem transpostos e superados os obstáculos  em suas vidas também. A todos aqueles que têm esta visão, esta vocação, boas festas nesta solenidade de Todos os Santos.

 

Com todos os santos
Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular
Os Sete Graus do Amor (cf. com a trad. de Louf, Bellefontaine 1990, p. 217)

Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. No último dia, no julgamento de Deus, quando pelo poder de Nosso Senhor ressuscitarmos com os nossos corpos gloriosos, esses corpos estarão resplandecentes como a neve, serão mais brilhantes do que o sol, transparentes como cristal […]. Cristo, nosso chantre e mestre de coro, cantará com a Sua voz triunfante e doce um cântico eterno, elogio e honra a Seu Pai celeste. Todos nós entoaremos esse cântico, com espírito alegre e voz clara, eternamente, para todo o sempre. A glória da nossa alma e a sua felicidade refletir-se-ão nos nossos sentidos e atravessar-nos-ão os membros; contemplar-nos-emos mutuamente com nossos olhos glorificados; escutaremos, diremos, cantaremos esse elogio de Nosso Senhor com vozes que nunca desfalecerão. Cristo servir-nos-á; mostrar-nos-á a Sua face luminosa e o Seu corpo com as marcas da fidelidade e do amor. Veremos também em todos os corpos gloriosos as marcas desse amor com que serviram a Deus desde o princípio do mundo […]. Os corações vivos embrasar-se-ão de um amor ardente por Deus e por todos os santos […]. Cristo, na Sua natureza humana, dirigirá o coro da direita, porque essa natureza foi o que Deus fez de mais nobre e sublime. A esse coro pertencem todos aqueles em que Ele vive, e que n’Ele vivem. O outro coro é o dos anjos; ainda que pela sua natureza estes sejam seres mais elevados, nós, os homens, recebemos mais de Jesus Cristo, com Quem somos um. Ele será, no meio do coro dos anjos e dos homens, o supremo pontífice, diante do trono da soberana majestade de Deus. E, diante de Seu Pai celeste, Deus todo-poderoso, oferecerá e renovará todas as oferendas que Lhe forem apresentadas pelos anjos e pelos homens; e estas renovar-se-ão ininterruptamente, e para sempre se manterão na glória de Deus.

 

Elementos para ser feliz
Dom Irineu Danelon, Bispo da Diocese de Lins/SP

Bem aventurado é sinal de felizes. Tenho tentado oferecer três elementos fundamentais para ser feliz: sabe qual é o primeiro elemento indispensável para ser feliz, para saborear a felicidade, é cuidar bem da vida: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida plena”. E como podemos cuidar bem da vida? Combatendo aquilo que combate a vida que são os nossos defeitos e isso chama-se conversão, não podemos colocar remendo. Não nascer da carne e do sangue, mas nascer do amor de Deus. Os nossos defeitos é que nos impedem de ser aquilo para o qual viemos ao mundo, ser portadores do amor de Deus. E a festa de todos os santos, nos lembra as pessoas que levaram a sério o seu processo de conversão, e que foram melhoram através da ascese, da mística, da oração, meditação da palavra de Deus, vivenciando os sacramentos, abrindo-se a misericórdia e permitindo que Deus o amasse. O segundo elemento indispensável para ser feliz é ter amigos, por melhor que seja alguém, jamais consegue ser tão feliz quanto todos nós unidos. Então Jesus que é o caminho veio nos indicar o caminho para ser feliz vivendo em comunidade, a Igreja é a comunidade que cresce por atração do amor, e é impossível não ser feliz quando vivemos em família. Terceiro elemento, para ser feliz além de cultivar a sua perfeição, guiado pela inteligência e iluminado pela Palavra, além de viver em comunhão, a alegria, a felicidade está em servir, porque a maior alegria em dar do que em receber.

 

FESTA DE TODOS OS SANTOS
Mt 5, 1-12a “Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”

Esses primeiros versículos do Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e como resumo do Sermão da Montanha. Apresentam-nos um retrato das qualidades do verdadeiro(a) discípulo(a), daquele que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanto a do tempo de Jesus, como a de hoje. Embora de uma forma menos contundente do que Lucas (Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver. Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas, quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”. As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de ser passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos. Tem fome da justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino. Cumpre lembrar a frase famosa do Papa Paulo VI: “Justiça é o novo nome da paz!” Mas, Jesus deixa clara a conseqüência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois, um sistema baseado em valores anti-evangélicos não pode aguentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso continente testemunha muito bem. Qualquer igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônico excludente precisaria se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (que na sua raiz significa “testemunho”) é a pedra-de-toque dessa fidelidade. O martírio nem sempre se dá pela morte física, mas muitas vezes pela morte lenta ao egoísmo e às ideologias de dominação, numa vivência fiel da luta pela justiça do Reino de Deus. É a concretização da declaração de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga.” (Mt 16,24) A festa de hoje não é tanto para que recordemos os nomes e façanhas dos grandes Santos/as conhecidos/as; mas, também para que lembremos de tantos milhões de pessoas, de todas as raças, culturas e religiões, que viviam a santidade no anonimato das suas vidas diárias, na luta de viver na fidelidade aos valores do Reino. O grande milagre que mostra a santidade é a vivência fiel em busca do bem, na dedicação à família, à comunidade e à sociedade, sempre procurando cumprir a vontade de Deus, seja qual for a nossa experiência d’Ele. Se examinarmos a nossa vida, veremos que já conhecíamos muitas pessoas santas, cujos nomes jamais serão conhecidos, mas que serviram como exemplo dos verdadeiros valores para nós. Que a celebração nos anime na busca da vivência fiel dos valores do Evangelho, não em grandes milagres, mas no dia a dia da nossa vocação, seja o que for.

 

A Oração Coleta desta solenidade apresenta-nos o sentido da celebração deste dia que tem dois objetivos: por um lado, celebramos os méritos de todos os santos; por outro, imploramos a misericórdia de Deus através dos santos que são intercessores. O Prefácio diz-nos como os santos celebram, ou seja, manifestam com a sua vida a glória da Jerusalém Celeste. Todavia, esta solenidade não se limita a contemplar e a celebrar a graça de Deus que foi derramada nos homens e nas mulheres que se aproximaram da santidade de Deus, mas também a dar ânimo a todos nós que estamos a peregrinar para a santidade de Deus, contando com a ajuda e a intercessão de todos os santos. Quem é santo? Na Sagrada Escritura, lê-se que só Deus é Santo. A santidade não é um atributo de Deus, mas é o seu verdadeiro nome. Esta santidade define a transcendência inacessível de Deus. Quando Deus escolhe Israel como o seu povo, comunica-lhe a sua santidade. Israel converte-se em povo santo, ao qual Deus lhe exige uma santidade de vida. Ao longo da sua história, os profetas procuraram fazer com que o povo compreendesse as exigências da santidade: o culto que Deus quer é o da obediência e do amor, ou seja, o do acolhimento íntimo do dom de Deus. Por isso, é necessário mudar o coração de pedra por um de carne. Cheio do Espírito Santo, Jesus é o Santo de Deus. A santidade de Jesus é a santidade do Filho de Deus. Recebeu-a de Seu Pai, mas pertence-lhe, é Sua. Esta santidade penetra profundamente a sua humanidade. Nós recebemos a santidade cristã, porque Cristo ama a Igreja e a tem como Esposa (Cfr. LG nº 39). Todo aquele que pertence à Igreja é chamado à santidade. “Esta santidade da Igreja… exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com a edificação do próximo”. Para ser santo é preciso viver em união com Cristo. A segunda leitura diz-nos claramente isto: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de fato”. Depois, termina dizendo: “Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro”. A santidade exige a cada um de nós um processo de purificação para acolher verdadeiramente a união com Cristo.  A santidade de Deus que Jesus revela e que é derramada pela graça nos homens, deve ser acolhida. Foram muitas as pessoas que ao longo da história deixaram que a sua personalidade fosse marcada pelo selo do amor santificador de Deus. São pessoas que viveram, sofreram, amaram como nós, mas que abriram os seus corações à graça, deixando-se conduzir pelo Espírito. Cada uma com a sua personalidade, em momentos históricos diferentes, respondeu ao chamamento e ao convite do evangelho. A sua vida foi e é Boa Nova. A leitura das bem-aventuranças manifesta o pluralismo que sempre existiu na Igreja e que manifesta a santidade original de Deus. Quando proclamamos o evangelho, não pensemos que a palavra “Felizes” identifica aqueles que tiveram uma boa vida, mas aqueles que compreenderam que, na sua situação de vida, era uma bênção estar comprometidos, ou seja, amando todas as situações que viviam, porque assim poderiam conhecer melhor o significado do reino de Deus. Se repararmos bem, todas as bem-aventuranças não são situações de êxito, mas de luta, de pobreza, de limitação, mas que permanecem fiéis porque têm esperança. Os pobres possuirão o Reino; os que choram serão consolados (alguns serão consolados somente no Céu); os que têm fome e sede de justiça serão saciados; os misericordiosos serão compreendidos por Deus; os que são perseguidos por amor da justiça, passando pelo martírio, estarão com Deus, “são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro” (1ª Leitura); são todos aqueles que viveram à sua maneira, mas com um profundo sentido de comunhão com Cristo, com a sua paixão e morte, acreditando pela fé na ressurreição. O testemunho dos santos dá-nos coragem a configurarmo-nos em Cristo, o Santo.

E a festa dos halloween?

O que é a festa do Halloween?
O Halloween é uma festa muito comum nos EUA e na Europa, celebrada no dia 31 de outubro. A comemoração veio dos antigos povos bárbaros  celtas, os quais habitavam a Grã-Bretanha há mais de 2 mil anos.

Os celtas realizavam a colheita nessa época do ano, e, segundo um antigo ritual, para eles os espíritos das pessoas mortas voltariam à Terra durante a noite e queriam, entre outras coisas, alimentar-se e assustar as pessoas. Então, os bárbaros costumavam se vestir com máscaras assustadoras para afastar esses espíritos.

O episódio era conhecido como o “Samhaim”. Com o passar do tempo, os cristãos chegaram à Grã-Bretanha, converteram os celtas e outros povos da ilha, especialmente pela intercessão de São Patrício, no século IV e V, e com o grande São Columbano no século VI.

Assim, a Igreja Católica transformou este ritual pagão em uma festa religiosa. Esta estratégia  da Igreja foi ensinada por São Leão Magno e São Gregório Magno, passando a ser celebrada nesta mesma época, mas em vez de honrar espíritos e forças ocultas, o povo recém-catequizado deveria honrar os santos. Daí veio o “All Hallows Day”: o ‘Dia de todos os santos’.

A tradição, entretanto, continuou entre estes povos. Além de celebrarem o  ’Dia de todos os santos’, os não convertidos ao Cristianismo celebravam também a noite da véspera do ‘Dia de todos os santos’ com as máscaras assustadoras e com a comida. A noite era chamada de “All Hallows Evening”, abreviando-se, veio o Halloween.

Vemos assim que a tradição de comemorar as bruxas ou outros espíritos não é cristã e deve ser evitada, ainda que tenha apenas uma conotação folclórica. Devemos, sim, celebrar o dia de todos os santos.  Esses são reais e verdadeiros, são modelos de vida para nós e, diante de Deus, intercedem por nós sem cessar.

É bom lembrar a recomendação de São Paulo: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.  Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele?” (1 Cor 10,19-22)

Prof. Felipe Aquino

 

Há suspeitas sobre o significado de tais celebrações
Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS
D. Estevão Bettencourt, osb.

Em síntese: A Festa dos Halloween é de origem céltica; tem sua inspiração no druidismo ou na religião dos sacerdotes celtas, que muito marcaram o pensamento dos povos da Irlanda, da Escócia e de regiões da Inglaterra. Supunha-se que os mortos vinham a terra visitar seus familiares na noite de 31/10 para 1º/11; em conseqüência disso os homens e mulheres se vestiam com trajes fantasiosos a fim de não serem reconhecidos e arrebatados pelos visitantes do além. A essas concepções se associava o festival de fim do ano celta celebrado no dia 31/10 com presentes e orgias.
Esse fundo de idéias e práticas pagãs foi, tanto quanto possível, cristianizado pela Igreja, que instituiu a Festa de Todos os Santos a 1º/11 e a comemoração de Finados a 2/11. Ainda hoje os Halloween são festejados nos Estados Unidos, levados para lá pelos imigrantes irlandeses. Todavia muitos abusos se têm registrado em tais celebrações.
No Brasil a Festa dos Halloween toma o caráter de um pequeno carnaval, em que as crianças trajam suas fantasias e recebem presentes. O apreço dessa celebração em alguns lugares decorre da onda neo-pagã que tem invadido a civilização ocidental. À tarde de 31/10 celebra-se em alguns lugares a vigília da Festa dos Halloween (Allhallowseven). Muitas pessoas, um tanto estupefatas, perguntam: que festa é essa?

As origens da festa
À primeira vista, quem considera a Festa dos Halloween, como é celebrada no Brasil, dirá que é uma comemoração folclórica, popular e inofensiva: as crianças então se vestem de fantasias (quase carnavalescas) e põem seus sapatos à porta da residência dos vizinhos, para que estes lhe dêem presentes. Há, porém, quem levante suspeitas sobre o significado de tais celebrações, suspeitas, aliás, justificadas, dada a origem dos Halloween. Com efeito, a Festa dos Halloween tem seu berço entre os povos celtas. Estes emigraram da Ásia para o Continente Europeu nos séculos anteriores a Cristo e se fixaram principalmente na Gália, na Irlanda, na cerdotal dos druídas, guardiões das tradições religiosas de sua gente, que tinham conhecimentos de astronomia, medicina e direito.
Os druídas exerciam as funções de juízes e líderes, dotados de “dons proféticos” ou da capacidade de prever o futuro. Acreditavam na imortalidade da alma e de metempsicose ou na migração das almas dos falecidos. Eles foram um fator de unidade do mundo celta: por isso foram combatidos pelos romanos, que conquistaram a Gália e as Ilhas Britânicas. De modo especial, os celtas valorizavam a noite de 31/10 para 1º/11.
E isso por dois motivos:
1) O ano celta terminava em 31/10, dia do olho de Samhain. Tal dia era celebrado com ritos religiosos e agrários. Nessa ocasião comiam-se alimentos especiais, como nozes, maçãs e preparavam-se os alimentos para o inverno.
2) Na noite de 31/10 para 1º/11 julgava-se que os mortos desciam do além para a terra a fim de visitar seus familiares à procura de calor e bom ânimo frente ao frio do inverno que se aproximava.
Dessa maneira, Samhain assinalava o fim de um ano e o começo de outro, juntamente com o festival dos mortos. A celebração respectiva implicava todo um folclore típico. Os homens e as mulheres vestiam trajes fantasiosos a fim de se dissimilarem e não serem arrebatados pelos espíritos dos falecidos para o além. Por estarem começando novo ano, desejavam uns aos outros plena felicidade. Havia magos que procuravam saber “profeticamente” quem haveria de se casar e quem haveria de morrer no próximo ano; tentavam adivinhar também quais as melhores oportunidades de êxito em seus empreendimentos. Ao lado desse aspecto festivo, havia o apavorante: julgava-se que as bruxas, as fadas e os gnomos lançavam o terror no povo: eram tidos como seres de um mundo superior que roubavam crianças, destruíam colheitas e matavam o gado.
Dentro desse quadro de festa e pavor, os homens acendiam lanternas no topo das colinas sob o olhar de Samhain; o fogo luminoso podia servir para guiar os espíritos até a casa dos familiares, como também para matar ou afugentar as bruxas. Tais são os elementos dos quais dependem a festa moderna dos Halloween. Além desses dados de origem céltica, julga-se que os Halloween trazem também resquícios da festa romana da colheita dita “Pomona”, resquícios, porém, muito mais pálidos do que os de origem céltica. O Cristianismo, ao penetrar nas regiões da Gália e das Ilhas Britânicas, encontrou aí a celebração pagã mencionada.
A Igreja procurou eliminar os elementos mitológicos do festival. Assim o dia 1º de novembro foi “cristianizado”. Com efeito, o Papa Gregório III (731-741) escolheu a data de 1º/11 para celebrar a festa da consagração de uma capela na basílica de São Pedro em honra de Todos os Santos.
Em 834, o Papa Gregório IV estendeu a festa à Igreja inteira; dessa maneira, procurava-se dar um sentido cristão à celebração da vinda dos espíritos dos falecidos praticada pelo druidismo. A cristianização foi corroborada pelo fato de que em 908 Santo Odilon, abade de Cluny (França), começou a celebrar a memória de todos os fiéis defuntos aos 2/11.
Os cristãos tentaram assim neutralizar os efeitos dos antigos ritos pagãos. Todavia não foi possível aos cristãos retirarem todo o resquício mitológico. Na Idade Média dava-se grande importância às bruxas, que eram tidas como agentes do demônio; como se dizia, estes desciam sobre as bruxas em “sabbaths”, quando havia banquetes e orgias. Um dos mais importantes “sabbaths” era precisamente o dia da noite de 31 de outubro; supunha-se que as bruxas iam a esses bacanais voando em cabo de vassoura, acompanhadas de gatos pretos.
Na época moderna os festivais de Halloween caíram em desuso na Europa, exceto na Irlanda, na Escócia e em regiões do País de Gales. Mesmo aí degeneraram, muitas vezes, tomando o caráter de desmandos com pilhagem e saques. Grupos de festeiros itinerantes bloqueiam as portas das casas com carretas; roubam grades e maquinaria, batem nas janelas, arremessam hortaliças contra os portões, entopem as chaminés para que a fumaça não possa sair. Em alguns lugares os rapazes e as moças vestem trajes ou fantasias do sexo oposto, usam máscaras e assim invadem as casas vizinhas para se divertir com os moradores. Fazem as vezes de bruxas, fadas e gnomos.
Para preparar a tarde de Halloween, muitos adeptos da festa vão de casa em casa pedindo donativos, especialmente alimentos (nozes, maçãs…). Os doadores generosos são gratificados com promessas de prosperidade, ao passo que os opositores são ameaçados de castigos. Essas contribuições são, muitas vezes, solicitadas em nome de Muck Olla, antiga divindade dos druídas, ou também em nome de São Columba Cille, missionário na Irlanda do século VI.
Nos Estados Unidos a Festa dos Halloween foi introduzida pelos imigrantes irlandeses a partir de 1840; e tem sido celebrada com vandalismo e danos para muitas famílias. No Brasil também há redutos de Halloween, com fantasias e presentes para as crianças. Tal festividade tem caráter ambíguo, fomentado pela onda de paganismo renascente.

 

BRUXARIA PARA CRIANÇAS
Alexandre Farias Torres
fonte: http://www.cidadeverde.com/gospeltxt.asp?ID=1090

Ninguém entra na bruxaria por acaso. Primeiro é necessário se interessar por ela e depois descobrir o caminho pelo qual eu posso ser um bruxo (a). Hoje, no mundo das crianças, isso já é algo visível – desde o vocabulário religioso até os rituais mais simples como fazer um feitiço por meio de VODU. Lançar feitiço num colega é comum, mesmo que seja uma simples brincadeira, que mais tarde poderá virar realidade. Deus pelo seu amor alerta o seu povo sobre a feitiçaria e bruxaria, um bom exemplo é o rei Saul: começou bem, mas terminou mal porque não deu ouvidos á Palavra de Deus. “Assim morreu Saul por causa da transgressão que cometeu contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque buscou a adivinhadores para consultar. E não buscou ao Senhor, que por isso o matou e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé” (1ª Cr 10 v.13-14). Poderíamos dar uma lista de passagens bíblicas que mostram claramente que Deus abomina a feitiçaria, por isso quero que você pense na vida espiritual e onde você quer que seu filho passe a eternidade. “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idolatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte” (Ap 21 v. 8). Pais estão sendo levados a fechar os olhos para a semeadura da fantasia. Em uma das matérias o “Suplemento Diarinho do jornal do Gaande ABC”, de 10/8/03, nº 1621, dirigido para o público infantil, trazia o título “Quando os filhos se sentem pais”. O depoimento de um pai chama a atenção após definir seu filho como muito inteligente: “Com ele aprendi coisas que não imaginava, como as raças dos personagens utilizados no RPG, como vampiros, demônios, elfos. Parece que estou no filme de Harry Potter”. Ainda no mesmo depoimento, o pai dizia que comprou até uma espada para entrar no clima do jogo.

REVISTAS ESPECIALIZADAS EM BRUXARIA PARA CRIANÇAS
Depois do ‘carro-chefe’ Harry Potter, a bruxaria teve um crescimento no meio das crianças e até mesmo no meio pedagógico, em vista que muitas professoras têm orientado seus alunos a lerem os livros do pequeno Bruxo. O caderno ZH, do jornal ZERO HORA, de 02/6/03, traz uma matéria com o título “ As bruxas andam soltas na educação”, provando que o tema tem sido tão sedutor, que já virou tese de doutorado de uma socióloga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFGRS, basando-se no poder de encantamento das bruxas. Nas bancas de jornais qualquer criança pode ter acesso a revistas especializadas em bruxaria, uma delas que está fazendo o maior sucesso é a WÍTCH, publicada pela Disney em vários países. Ela chegou ao Brasil com o objetivo de ser a “melhor amiga das meninas”.
O próprio site da editora Abril, que comercializa a revista, define que a revista pretende ajudá-las a viver esse período da vida mais preparadas, confiantes e capazes de superar as dificuldades comuns da fase da adolescência. Trazer matérias como astrologia, esoterismo, rituais do mês, seria preparar adolescentes de 9 a 13 anos  para a vida? Este é o perfil dos leitores da Witch. A matéria “Pactos – O Poder e a Inconsciência”, da revista  Sexto Sentido, ano 3, nº 36, tem uma definição que pode fazer alguns pais pensarem antes de colocar a revista Witch nas mãos de suas crianças. “ Para ser um bruxo, a pessoa precisa ter a bruxaria como propósito de alma, já que é um caminho sem volta. Significa não ser movido por uma necessidade urgente de momento, o que não quer dizer que um bruxo não possa ter as suas necessidades e problemas”.
A revista Witch tem ensinado às meninas o que a Bíblia diz para ficarmos longe. Essa revista em seus ‘rituais do mês’, tem levado a criança a ter contato com magias e encantamentos. O ‘ritual do mês’ de novembro de 2002  enfocava o uso do incenso, uma prática religiosa, onde os indianos acreditam que cada incenso reúne energias e contém as forças do elemento terra e que seu cheiro e sua fumaça são meios de falar com os deuses.
O  ritual chamado “Fumaça Mágica” tem o objetivo de levar uma resposta à garota nas suas decisões importantes. Veja o texto colocado como dica: “O incenso pode ajudar você a tomar decisões importantes, sabia? Imagine que você está a fim de um garoto e não sabe o que fazer. Daí  é só pegar um pedaço de papel e escrever nas quatro bordas opções de coisas que você poderia fazer para se aproximar dele como ligar, mandar um e-mail ou um bilhete, esperar ele vir até você ou pedir para uma amiga falar com ele. Coloque seu incensário em cima do papel e acenda o incenso. A direção que a fumaça tomar vai indicar o que você deve fazer”.  Qual é a menina que no período da adolescência não fica gostando de um garoto? Além destas informações, na compra da revista vem o incensário e o incenso. Existem ainda dicas de qual hora é boa para acender o incenso, o que ele pode trazer como bons fluidos e bons sonhos. Esta é uma revista totalmente dedicada às meninas, com intuito claro de levar o conhecimento de práticas de bruxaria, sabendo que esta tem sido uma religião matriarcal.
Marília de Abreu e Antonia Maria de Lima fazem parte da WICCA CIA DAS BRUXAS , um coven  que se destina  ao ensino e práticas dentro da bruxaria, elas puderam dar a definição de magia na revista Sexto Sentido nº 36: “ Lembrem que, em magia, tudo tem um preço e conseqüência; mesmo um ato aparentemente inofensivo como consultar uma tábua de ouija, ou outros ritos que se encontram com facilidade em livros, podem ter efeitos danosos à sua evolução”.

VODU CONTRA QUEM QUISER
Isso mesmo, a criança pode ter uma iniciação em uma religião que também é politeísta. Mais uma vez a criança descobre que jogar um feitiço no outro para obter um resultado esperado, não é tão ruim assim. Dentre muitas lojas de esoterismo, entrei em uma delas quando do lado de fora pude ver bonequinhos (as) sendo vendidos por R$10,00 e que tinham o título bem grande “VOODU – professor”. A embalagem ainda traz a informação que existem bonequinhos para fazer o VOODU para irmã, irmãos, nora, SOGRA, pai, mãe, chefe, companheiro de trabalho e cunhado(a). Tem de tudo quanto é gosto e o que mais sai você já sabe. O pacotinho contém o bonequinho, uma plaquinha para colocar o nome da pessoa, as fitas para amarrar o boneco conforme a necessidade e as informações necessárias de como proceder conforme a situação. Tudo muito bem explicado para que qualquer criança entenda. Veja as situações que são colocadas: “Para o vodu representar seu professor, proceda da seguinte maneira. Escreva o nome dele no papel, enrole-o e amarre-o na mão esquerda do VOODU. Assim tudo o que você fizer para o VOODU, afetará a pessoa representada. Conforme o comportamento do seu professor, proceda da seguinte maneira: Se seu professor te der bronca na frente de todo mundo, amarre a fita verde em volta da boca do seu Voodu. Assim, ele pensará melhor antes de te dar uma bronca da próxima vez. Se seu professor não deixar você sair mais cedo da aula, enforque o voodu com a fita verde, assim ele deixará você entrar e sair da sala a hora em que você desejar. Se seu professor te mandar para a diretoria, amarre a fita em volta da perna direita do Voodu e pendure-o, assim ele vai parar de pegar em seu pé”. Estas informações estão dentro do “Kit Voodu” e existem mais situações de como agir. Depois de fazer inúmeras recomendações de como usá-lo, no ultimo parágrafo o fabricante avisa que é uma brincadeira ironizando o personagem do professor. “Lembre-se, tudo não passa de uma grande brincadeira. Por isso, você também pode dar o Voodu  de presente para o seu professor com um bilhete escrito que você o ‘adora’”. No entanto, esta é uma brincadeira muito perigosa, porque o Vodu é um boneco que representa uma pessoa, à qual é dirigida o encantamento. O que mais chama a atenção é que no VOODU a representação se baseia na lei da similaridade, o boneco representa a pessoa a ser dirigida uma magia para obter o resultado esperado, anulando a ação de uma pessoa, esperando a reação invocada. Em um dos comerciais de TV, o Voodu já está presente, uma garota faz Voodu para o seu namorado ou ex-namorado. Vodu não é brincadeira de criança. Por mais que alguns dizem que cabe ao manipulador do boneco utilizar corretamente o poder do Voodu, qualquer criança que detesta o seu professor vai usar as informações para obter os seus objetivos. No Voodu  verdadeiro o boneco necessita ter corpo (tronco, membros e cabeça) e o que mais me chama a atenção é que ele precisa ter a representação sexual. Nos bonecos masculinos é necessário o pênis e na mulher os seios; os que estão chegando às crianças não possuem os órgãos genitais, mas são definidos claramente se é masculino ou feminino. Você não compra um boneco e escolhe a quem ele vai representar, ele possui um direcionamento – professor, professora, irmão ou irmã etc… No ano de 1959, o diretor de uma escola primária no Alabama/EUA, pediu demissão de seu cargo quando recebeu queixas de que a escola estava ensinando práticas Vodu. Em 1962, uma mulher assassinou o marido em Fênix, no Arizona/EUA, enquanto estava “sob encanto do Vodu”. A revista “NEWSWEEK” trouxe a seguinte notícia: “Os artigos do dia incluem sangue de morcego, pó de cemitério para afastar mau-olhado, velas queimadas para dar fim nos inimigos. O local onde esses artigos eram vendidos não eram posto perdido no meio da selva africana, mas em uma banca do bairro do HARLÉM, na cidade de Nova York. Alarmada com a venda pública e próspera dos objetos VOODUS, a prefeitura de Nova York decidiu fechar todos os pontos desse comércio”. A prática do Vodu é feitiçaria e bruxaria pura.

DESENHOS E FILMES DEDICADOS A BRUXARIA
Infelizmente a sociedade tem recebido informações totalmente deturpadas sobre o que é ser um bruxo e uma bruxa. Como Harry Potter tem sido o carro-chefe, muitas crianças têm sido levadas a pensar que a bruxaria é algo bom. Hoje, em alguns programas infantis existem os desenhos que ensinam encantamentos. Sabrina Aprendiz de Feiticeira é um dos seriados que está sendo exibido no período da tarde; o que dói no coração é que ele faz parte da programação de um canal conhecido como evangélico. De dia carrega para a noite descarregar! Não quero estar na pele de algumas pessoas que se escondem atrás do trabalho, para realizar o que a palavra de Deus diz para não fazer, ainda mais quando estes são líderes de grupos religiosos. “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou conhecimento, porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim, e  visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha. Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele tem desejo ardente. Por isso como é o povo assim será o sacerdote, e castiga-lo-ei  segundo os seus caminhos e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras. Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à luxuria, mas não se multiplicarão; porque deixaram de atentar ao Senhor. A luxuria, e o vinho, e o mosto tiram o coração. O meu povo consulta a sua madeira, e a sua vara lhe responde, porque o espírito da luxuria os engana, e prostituem-se apartando-se da SUJEIÇÃO DO SEU DEUS” (Os 4 v. 6- 12).  É triste que o dinheiro e a audiência tem sido um motivo de prostituição para muitos filhos de Deus que possuem um canal de comunicação Hoje Dragon-ball , Yu-Gi-Oh , Slayer  são os desenhos mais assistidos do público infantil, pois a busca do poder e o duelo tem sido as armas usadas para alcançar o objetivo, o mal e o bem sempre serão um ponto de partida de qualquer história, a princesa contra a bruxa, o príncipe contra o cavaleiro negro, mas o que vemos nos desenhos é o mal contra o próprio mal. Devemos analisar as programações que as crianças assistem, o bruxo, o feiticeiro, até mesmo o próprio diabo tem sido personagem em um dos desenhos que para mim traz uma mensagem para os pais pensarem. O desenho é A VACA E O FRANGO, uma vaca e um frango filhos de pais normais, estes pais tem como objetivo de apóia-los mesmo quando os seus atos são errados. O que impressiona é que seus pais nunca aparecem totalmente, estão sempre da cabeça para baixo, e quem toma conta dos garotos, a Vaca e o Frango, é um DEMONIO, literalmente o demônio; de vez em quando ele leva os dois para o inferno e é ele que dá dicas e opiniões para a vida de cada um. Se percebemos a mensagem subliminar que este desenho traz é que “os pais estão sem cabeça para criar os seus filhos e eles são ensinados pelo mundo ou pelo príncipe deste mundo, o DIABO. Analise o que a sociedade chama de Frango um menino e de Vaca a menina ?

COMO DEVO ANALISAR O DESENHO OU A FANTASIA?
A Bíblia é um livro completo e tem resposta para tudo, até mesmo analisar a fantasia para a criança. Quero que você pense nas palavras do profeta Isaias no cap.5 v.20 : “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem chamam mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas, e fazem do amargo doce e do doce amargo”. Este é um dos princípios que podemos  analisar um desenho ou qualquer  fantasia, se dermos ao nosso filho essas definições do bem e do mal, a criança sempre terá em seu coração um conceito, mesmo que seja o mais simples. O que devemos fazer é levar a criança no caminho em que ela deve andar (Pv 22 v.6). Mostre a ela quem é o feiticeiro, bruxo, duende, bruxa dentro do princípio que será para ele luz para o seu caminho (Sl 119 v.105) para o resto de sua vida. Se mostrar como Deus analisa os personagens, mesmo sendo uma fantasia, ele saberá escolher a sua programação. Não podemos chamar o bem de mal e o mal de bem, não podemos chamar o garoto bruxo de bonzinho porque, mesmo que suas atitudes são para ajudar uma outra pessoa, ele age de modo contrário à Bíblia. O traficante mesmo que ajude a comunidade e suprir as suas necessidades, ele ainda age contra a lei – rouba, vende drogas  para obter o seu sucesso. Da mesma forma é o Bruxo, ele busca invocar demônios ou espíritos da natureza para obter o seu sucesso, mesmo que a sua atitude seja para ajudar alguém. Não podemos nunca deixar de lado a definição de Deus, nunca podemos ser sábios aos nossos próprios olhos. “Ai daqueles que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes de si mesmos” (Is 5 v.21). O seu fim será como? “Por isso como a língua de fogo consome a palha, e o restolho se desfaz pela chama, assim será a sua raiz como podridão, e a sua flor se esvaecerá como pó; porquanto rejeitaram a lei do Senhor dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel” (Is 5 v.24). Quero lembrar que estes conselhos de não se misturarem com feitiçaria  e com pessoas e povos que fazem destas práticas algo comum, foi dado para o homem mais sábio do mundo que continha sabedoria como areia da praia, e que no mundo não houve e nunca haverá homem mais sábio que ele, Salomão. Ele se fez sábio aos seus próprios olhos e se misturou com os povos que Deus, por várias vezes, disse para não se misturar. Salomão amou as mulheres destes povos e imaginava que nunca iria se contaminar com as suas práticas religiosas, mas confiou na sua força, ele que conhecia o Deus de seu pai, mas com a convivência com elas, o seu coração foi pervertido pelas mulheres e Salomão se corrompeu, foi contaminado com as práticas de feitiçaria e chegou até mesmo edificar altares aos ídolos Quemós, Moloque. A pergunta é clara: Não confie na sua sabedoria para educar o seu filho, porque se Salomão que tinha sabedoria como a areia da praia se contaminou, imagine uma criança que está em processo de formação de caráter e valores éticos e morais, estando em contato com feiticeiros, bruxos e demônios? Será que ela não pode se contaminar e amanhã procurar um caminho que você não quer?

DIGA NÃO AO HALLOWEEN, A FESTA DAS BRUXAS
O texto abaixo foi enviado no ano de 2001, pela amiga Tania, residente nos Estados Unidos. Devo lembrar que a festa do Dia das Bruxas (31/10), realizada naquele país, é uma data comemorativa muito tradicional nos USA. Porém, aqui no Brasil também é muito apreciada e lembrada, aliás com está onda da chamada Nova Era, a data do Dia Das Bruxas (Halloween) vem crescendo cada vez mais.   —————————————————–   As lojas começam a se transformar, mudam-se os estoques, mudam as decorações…   Há bruxas, caveiras, espantalhos e fantasmas por toda parte!   Ai vem o abominável HALLOWEEN! A terrível FESTA DAS BRUXAS!   A FESTA DE SATANÁS!   As casas começarão a ser transformadas em verdadeiras Casas do Terror,   As escolas serão transformadas, as ruas, a cidade, o país inteiro será transformado numa cópia do inferno! E ai, com sutileza, satanás transformará nossas jóias em cópias fieis de suas enganadoras faces! Nossas crianças! Oh! Meu Deus que maldade os próprios pais farão com seus filhinhos desde a mais tenra idade, fantasiando-os em capetinhas com rabo e chifre, em dráculas e franksteins, em duendes e fadas, em corcundas e em toda espécie de fantasias horripilantes! E depois de tantos enganos incutidos em suas cabecinhas, os tomarão pelas mãos e os levarão a buscar a recompensa dos hereges! Alguns pais nem mesmo se preocupam em estar com eles nestas horas demoníacas, deixam-nos sozinhas pelas ruas, a mercê de qualquer um. Buscarão as balas e os doces pelo qual tanto anseiam como prêmio por uma representação perfeita de personagens das trevas e muitas destas prendas, serão envenenadas até mesmo com raticidas, com vidro moído ou com alfinetes! Muitas destas crianças irão parar no hospital ou quem sabe como ocorre todos os anos, no cemitério ou simplesmente desaparecerão do mapa … Talvez sejam sacrificadas em algum ritual satânico e tenham seus corpinhos, usufruídos pelos servidores do diabo. Jesus, o que fazer? Para nosso espanto, ao buscarmos repouso em tua casa, lá também nos deparamos com esta festa maldita nos próprios salões das paróquias e agora, são todos juntos, os mesmos que entram nas filas da Eucaristia, entram agora por aquelas portas recobertas de preto e de teias de aranha… vão todos em busca de uma DIVERSÃO MALDITA! São todos; consagrados e leigos, cada um tem sua fantasia, todos em apologia a satanás e com a desculpa de arrecadar fundos para isto ou para aquilo… O que fazer irmãos? Para onde ir? Eis que Jesus mesmo nos diz, buscai a porta estreita pois larga e a que vos conduz a perdição! Venham todos, reunamo-nos e partamos para a guerra… Terá que ser no corpo a corpo, Tomemos então nosso escudo maior, o Espírito Santo e empunhemos o Rosário! Levemos junto a nós, uma imagem da Virgem que representa a OBEDIÊNCIA A DEUS! Clamemos pela presença de São Miguel e todos os seus anjos para que entrem conosco nesta batalha! Vamos então para a porta da Igreja e digamos não a tudo isto! Não a satanás e a suas festas, não a apostasia! Digamos sim a Jesus e a sã doutrina! Louvemos e defendamos a EUCARISTIA E SÓ A EUCARISTIA! Seja um guerreiro, uma guerreira de DEUS! Não enfeite sua casa, não compre estes objetos consagrados ao maligno, não mandem seus filhos a escola nestes dias de festa, não comprem de maneira alguma estás fantasias que são precursoras da real fisionomia que haverão de ter no inferno, aqueles que as usam! Digam não ao HALLOWEEN! DIGAM NÃO A SATANÁS! E SE HOUVER AINDA MAIS ALGUMA COISA QUE QUEIRAM FAZER, DENUNCIAI E DIVULGAI ESTAS LINHAS A TODOS POIS AQUILO QUE NÃO SERVE PARA NÓS, NÃO DEVERÁ TAMBÉM SERVIR PARA NINGUÉM. ! “CATÓLICOS REUNIDOS EM DEFESA DA VERDADEIRA IGREJA E FÉ CRISTÔ EUA – BRASIL- PORTUGAL – ITÁLIA    (fim)
Comentário do autor do site: Caríssimos irmãos, no texto acima temos uma pequeno desabafo de uma amiga que reside nos USA, sabemos que está data de 31 de outubro, referente ao Dia das Bruxas (Halloween), é muito festejada naquele país. Eu também resolvi colocar este assunto no site, principalmente depois que presenciei por breves instantes uma festinha de Dia das Bruxas que fizeram na garagem de um condomínio onde reside amigos meus Tenho a dizer, sem exageros, que quando passei pelo local a caminho do bloco de apartamentos, onde moram meus amigos, percebi crianças e adolescentes fantasiados de diabos, monstros, múmias, dráculas, lobos, duendes e etc… Muitos dirão: “Ora, deixem as crianças brincar se vestindo de bruxas, monstros, esqueletos, duendes, vampiros, diabinhos e etc… Que mal pode haver em usar fantasias assim ?” Eu, só posso dizer, que existem tantas brincadeiras e festas para se realizar, então fico me perguntando; porque muitos querem  as nossas crianças parecidas com o inimigo de Deus, vestidas como diabinhos? Ah, já sei, é que ficar se vestindo de anjinho com harpinha talvez seja muito careta e além disso não está na moda. Agora, a moda que rege o mundo, é a nova era, o esoterismo e a bruxaria. Ah sim, eu  havia  me esquecido, os nossos filhos e as nossas crianças tem que estar sempre na moda e na “onda” do mundo moderno, todas estás coisas misteriosas e sinistras são a moda do momento. Digamos ironicamente, que Satanás agora, é adorado como um deus em muitos países do mundo, pois a maioria de seus jovens habitantes cansaram de acreditar neste Deus, que não aceita as coisas profanas se misturarem com as coisas Sagradas. Então muitos jovens dizem: “Não quero mais aceitar este Deus careta e ultrapassado, prefiro os outros deuses que me permitem realizar tudo que quero, chega desse papo de condenação, de inferno, isso é coisa de beatos e fanáticos, eu vou curtir a vida do meu jeito! ” Também já vi jovens dizendo o seguinte: “Ah, se o Céu só tem anjinho e calmaria, prefiro então muito mais o inferno, lá deve ter altas agitações, além do mais o diabo não é tão ruim assim como dizem!” Ou: “Diabo? Que Diabo nada! Isto é pura invenção, conversa fiada! E vocês sabem irmãos porque muitos jovens pensam assim? Porque a sociedade moderna os moldou assim, pois desde crianças viram as coisas profanas sendo tratadas como coisas perfeitamente normais na sociedade e, para muitos deles a palavra Sagrado é coisa de gente beata e crente. Isto tudo que resumi acima, serve para dizer, que está hipócrita sociedade, que vive muito mais de aparências, as festas realizadas para destacar o Dia das Bruxas no mundo, estão ganhando cada vez mais espaço, não seria de se admirar que muito em breve se perguntarem à uma criança o que ela gostaria de ser quando crescer, ela respondesse que queria ser uma bruxa ou um bruxo. E muitos católicos leigos e religiosos, dizendo que não vêem mal nenhum em comemorar o Dia das Bruxas ou praticar alguns ensinamentos esotéricos. A exemplo de uma amiga residente nos USA, dizendo que o próprio Sacerdote incentivou as crianças e adolescentes da sua Paróquia a se vestir com fantasias diabólicas para comemorar o Dia das Bruxas. Sabe qual o propósito que este Sacerdote alegou, para permitir tal coisa?  Das crianças ajudar a coletar fundos para a Paróquia. Ora,: incentivar as crianças da sua paróquia a se vestir de modo ficar parecidas com demônios este Sacerdote soube fazer, afim de conseguir fundos para a sua Paróquia, mas dar atenção só um pouquinho as muitas mensagens de Jesus e Nossa Senhora, reveladas por aparições pelo mundo, inclusive muitas com o reconhecimento da Santa Sé, pedindo penitência, renuncia as coisas do mundo e chamando a conversão, este Sacerdote mandou rasgar tudo, sem ao menos saber do que se tratava. Nas aparições em Fátima, 1917, Nossa Senhora antecipou: “Virão modas que ofenderão muito a Deus… O Céu não tem modas, o mundo as tem todas…” Pergunto para este Sacerdote: Que benefício cristão poderá trazer uma festa profana deste tipo na sua paróquia? Só se for por causa do dinheiro mesmo. “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai”. (1Jo 2,15) Enfim, acho que para os verdadeiros católicos e defensores das tradições da Santa Igreja, resta-nos muito mais orar sem cessar, afim que muitos corações sejam tocados pelo Santo Espírito de Deus, pois densas trevas se espalham rapidamente pelo mundo inteiro. E na realidade, o mundo nem precisaria comemorar este tal de Dia das Bruxas, pois da forma que tem aumentado o surgimento de tantas seitas relacionadas com bruxas, duendes, satanismo e etc… O mundo vive o Dia das Bruxas todos os dias, ou seria o Dia dos Mortos Vivos? (mortos de coração, de espírito) Porque devemos misturar a pureza do coração de cada criança, com demônios, bruxas e monstros? Será que já não basta tantas impurezas que elas aprendem desde muito pequenas, agora querem mais e mais, devemos fazer festas para bruxas, demônios e criaturas das trevas. Nós somos da Luz, e não das trevas, procuramos pois, o que é agradável à Deus ! E assim nos diz a Sagrada Bíblia: “Portanto não vos comprometais com eles; pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (pois o fruto da luz está em toda a bondade, e justiça e verdade), procurai o que é agradável ao Senhor;” (Ef 5, 7-10) “E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.” (Jo 3, 19) “Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios. Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embriagam, embriagam-se de noite; mas nós, porque somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação” (1Ts 5, 4-8). Que os Anjos do Senhor continuem a vos guardar ! Meu abraço fraterno Dilson Kutscher em 29/10/2001

Guia de Votação para os Católicos

Este Guia oferece declarações claras e concisas acerca de cinco assuntos morais inegociáveis.
Por Redacao

Brasília, 05 de Março de 2014 (Zenit.org) – Este Guia oferece declarações claras e concisas acerca de cinco assuntos morais inegociáveis. Ao terminar de lê-lo, não restará dúvida ou confusão a respeito do ensino da Igreja, sobre o que ela exige de seus filhos. Nenhuma parte deste Guia deverá ser interpretada como apoio para algum candidato ou partido político.

Como este guia do eleitor pode ajudá-lo?
Este Guia do Eleitor o ajudará a votar de modo consciente, fundamentado no ensino moral católico. Este Guia o auxiliará a eliminar aqueles candidatos que apoiam políticas irreconciliáveis com as normas de moralidade sustentadas por todo cristão. Face à maioria dos temas apresentados pelos candidatos e legisladores, os católicos podem favorecer um ou outro, sem ter que agir contra a sua fé. Com efeito, a maioria dos assuntos não necessita de uma “postura católica”. Porém, alguns assuntos são tão importantes, tão fundamentais, que apenas uma única ação pode estar de acordo com o ensino do evangelho cristão. Ninguém que defenda uma postura incorreta nesses assuntos pode dizer que age segundo as normas morais da Igreja. Este Guia do Eleitor identifica os cinco assuntos “inegociáveis” e o ajuda a chega numa lista de candidatos aceitáveis, que postulam um cargo político, seja a nível nacional, estatal ou municipal. Os candidatos que respaldarem qualquer dos cinco assuntos inegociáveis, devem ser considerados desqualificados para o desempenho de cargo público e, portanto, não devem receber o seu voto. Assim, você deverá fazer a sua escolha entre os candidatos restantes.

Seu papel como eleitor católico
Os católicos têm a obrigação moral de promover o bem comum ao exercer o seu privilégio de voto (cf. CIC § 2240). As autoridades civis não são as únicas responsáveis pelo país. “O serviço do bem comum exige dos cidadãos que cumpram com a sua responsabilidade na vida da comunidade pública” (CIC § 2239). Isto significa que os cidadãos devem participar do processo político na urna de votação. Porém, a votação não pode ser arbitrária. “A consciência cristã bem formada não permite a alguém favorecer com o próprio voto a concretização de um programa político ou a aprovação de uma lei particular que contenham propostas alternativas ou contrárias aos conteúdos fundamentais da fé e da moral” (CVP nº 4). Algumas questões sempre estarão erradas e ninguém poderá votar a favor delas direta ou indiretamente. Os cidadãos votam a favor desses males quando votam nos candidatos que se propõem a promovê-los. Portanto, os católicos não devem votar a favor de alguém que promove programas ou leis intrinsecamente más.

Os cinco assuntos inegociáveis
Estes cinco assuntos são chamados inegociáveis porque contêm atos que sempre são moralmente maus e nunca podem ser promovidos pela lei. É pecado grave defender ou promover qualquer destes atos e nenhum candidato que verdadeiramente deseja fomentar o bem comum pode apoiar estes cinco assuntos inegociáveis:

1. O Aborto
Sobre uma lei que permite o aborto, a Igreja ensina que “nunca é lícito submeter-se a ela, nem participar em uma campanha de opinião a favor de uma lei semelhante, nem dar-lhe o sufrágio do próprio voto” (EV nº 73). O aborto é o assassinato intencional de um ser humano inocente e, portanto, é uma espécie de homicídio. A criança sempre é parte inocente e nenhuma lei pode permitir que lhe seja tirada a vida. Mesmo quando uma criança é concebida em razão de estupro ou incesto, a criança não tem culpa e não deve sofrer a morte pelo pecado dos outros.

2. A Eutanásia
Às vezes disfarçada sob a denominação de “morte misericordiosa”, a eutanásia é uma forma de homicídio. Ninguém tem o direito de tirar sua própria vida (suicídio) e ninguém tem o direito de tirar a vida de uma pessoa inocente. Com a eutanásia, os doentes e os idosos são assassinados sob um sentido de compaixão mal fundamentado, pois a verdadeira compaixão não pode incluir o cometimento de atos intrinsecamente maus contra outra pessoa (cf. EV nº 73).

3. As Pesquisas com Células Estaminais Fetais
Os embriões humanos são seres humanos. “O respeito pela dignidade do ser humano exclui toda manipulação experimental ou exploração do embrião humano” (CDF nº 4b). Os recentes avanços científicos demonstram que qualquer cura que possa resultar dos experimentos com células estaminais fetais pode também ser desenvolvida a partir do uso de células estaminais adultas. As células estaminais adultas podem ser obtidas sem causar mal aos adultos das quais provêem. Portanto, já não existe um argumento médico favorável ao uso das células estaminais fetais.

4. A Clonagem Humana
“As tentativas… para se obter um ser humano sem conexão alguma com a sexualidade, mediante ‘fissão gemelar’, clonagem, partenogênesis, devem ser consideradas contrárias à moral, porque estão em contraste com a dignidade tanto da procriação humana como da união conjugal” (RVH 1, 6). A clonagem humana também acaba sendo uma forma de homicídio porque destrói o clone “rejeitado” ou “fracassado”; no entanto, cada clone é um ser humano.

5. O “Matrimônio” Homossexual
O verdadeiro matrimônio é a união entre um homem e uma mulher. O reconhecimento legal de qualquer outra forma de “matrimônio” menospreza o verdadeiro matrimônio e o reconhecimento legal das uniões homossexuais na realidade causa dano aos homossexuais, pois os anima a continuar vivendo sob um acordo objetivamente imoral. “No caso de uma Assembléia Legislativa propor pela primeira vez um projeto de lei a favor da legalização das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de expressar clara e publicamente seu desacordo e votar contra o projeto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um ato gravemente imoral” (UPH nº 10).

Com quais cargos políticos devo me preocupar?
As leis são aprovadas pelo Legislativo, o Executivo as faz cumprir e o Judiciário as interpreta. Isto quer dizer que você deve se preocupar com qualquer candidato ao Legislativo, ou qualquer um que se apresente como candidato ao Poder Executivo e, [nos países onde for cabível] os que se candidatam à magistratura. E isto não apenas em nível nacional, mas também estadual e municipal. É certo que, quando o cargo é inferior, há menor probabilidade do candidato apoiar certas causas. Por exemplo, é possível que a Câmara Municipal jamais discuta o tema da clonagem humana. Porém, é muitíssimo importante avaliar cada candidato antes das eleições, sem importar o cargo que está disputando. Poucas pessoas alcançam um alto posto sem ter ocupado um cargo menor. Algumas poucas pessoas se convertem em deputados, em senadores ou presidentes sem ter sido antes eleitas para um cargo menor. Porém, a maioria dos deputados, senadores e presidentes começaram sua carreira política em nível local. O mesmo ocorre com os deputados estaduais; muitos deles começaram nas Câmaras Municipais e associações de bairro, galgando aos poucos a carreira política. Os candidatos que futuramente postularão cargos superiores procederão principalmente dos atuais candidatos a cargos menores. Por isso, é prudente empregar os mesmos princípios para os candidatos municipais como para os estaduais e federais. Se os candidatos que estão equivocados nos cinco assuntos inegociáveis fracassarem na eleição para os cargos menores, talvez não postularão cargos superiores. Isto facilitaria a eleição dos melhores candidatos para os postos de maior influência em nível estadual e nacional.

Como determinar a postura de um candidato
1. Isto poderá se conseguir com maior facilidade quanto mais importante for o cargo. Por exemplo: apresentar estes assuntos [inegociáveis] aos deputados e senadores e determinar sua postura. O mesmo podemos fazer em nível estadual. Em ambos os casos, conhecer a postura de um candidato pode ser fácil ao ler artigos em jornais e revistas, buscar suas opiniões na Internet ou avaliar suas propostas impressas e distribuídas durante o período eleitoral.
2. Um pouco mais difícil é conhecer as opiniões dos candidatos aos cargos municipais, porque poucos deles tiveram a oportunidade de considerar a legislação sobre temas como o aborto, a clonagem e a santidade do matrimônio. Porém, estes candidatos, por serem locais, frequentemente podem ser contatados diretamente ou mantêm comitês eleitorais onde poderão explicar sua postura perante estes temas.
3. Se não for possível determinar a postura do candidato por outros meios, não hesite em escrever-lhe diretamente e perguntar-lhe qual a sua posição sobre cada um dos assuntos inegociáveis.

Como não se deve votar
1. Não confie seu voto apenas à sua filiação partidária, em seus anteriores hábitos de votação ou na tradição familiar de voto. Há alguns anos, estas eram formas confiáveis para determinar em quem se poderia votar, mas hoje não são mais confiáveis. Deve-se olhar cada candidato como um indivíduo. Isto significa que você pode votar em candidatos de partidos distintos.
2. Não vote pela aparência ou personalidade do candidato ou por sua astúcia perante os meios de comunicação. Alguns desses candidatos atraentes, agradáveis e que dizem o que convém apóiam males intrínsecos quando deveriam se opor a eles, enquanto que outros candidatos, que parecem simples, cansados ou incomodados pelas câmaras defendem leis que estão de acordo com os princípios cristãos.
3. Não vote em candidatos apenas porque se declaram católicos. Infelizmente, muitos dos candidatos que se dizem católicos rejeitam os ensinamentos básicos da moral católica. Eles apenas são “católicos” porque querem o voto dos católicos.
4. Não selecione os candidatos baseando-se apenas no pensamento: “O que vou ganhar?”. Tome sua decisão optando pelos candidatos que pareçam mais dispostos a promover o bem comum, ainda que você não se beneficie direta ou imediatamente do ordenamento legal que propõem.
5. Não premie com seu voto os candidatos que estejam corretos em assuntos menos importantes, mas que estão equivocados em assuntos morais fundamentais. Pode ser que um candidato adquira uma certa consideração por ter votado exatamente como você deseja, embora já tenha votado a favor – digamos – da eutanásia. Tal candidato jamais deve receber o seu voto. Os candidatos devem saber que estar equivocado em um dos cinco assuntos inegociáveis é suficiente para excluí-los da sua consideração.

Como votar
1. Para cada cargo, determine primeiro a posição que cada candidato possui em cada um dos cinco assuntos inegociáveis.
2. Elimine da sua relação os candidatos que estiverem equivocados em qualquer um dos assuntos inegociáveis. Não importa que tenham razão em outros assuntos; devem ser desprezados se estiverem equivocados em um só dos não negociáveis.
3. Escolha entre os candidatos restantes, baseando-se no seu juízo sobre as posições de cada candidato em outros assuntos de menor importância.

Quando não há um candidato “aceitável”
Em alguns debates públicos, cada candidato assume uma postura equivocada em um ou mais assuntos inegociáveis. Nesse caso, você pode votar no candidato que assuma menos posturas incorretas; ou que pareça ser mais incapaz para fazer avançar a legislação imoral; ou pode, ainda, não votar em ninguém.

O papel da sua consciência
A consciência é como um alarme: o adverte quando está a ponto de cometer algum erro. Ela apenas não determina o que é bom ou mau. Para que a sua consciência funcione corretamente, deve estar bem informada. Ou seja, você deve se informar sobre o que é bom e o que é mau. Só assim sua consciência será um guia confiável. Infelizmente, muitos católicos hoje em dia não formaram suas consciências adequadamente sobre os assuntos fundamentais da moralidade. O resultado é que suas consciências não disparam nos momentos apropriados, inclusive no dia das eleições. Uma consciência bem formada jamais contradiz o ensino moral católico. Por essa razão, se você tem dúvidas sobre o caminho que deve trilhar a sua consciência no momento de votar, ponha sua confiança no firme ensino moral da Igreja (o Catecismo da Igreja Católica é uma excelente fonte de ensino moral autêntico).

Quando acabar de ler este Guia do Eleitor
Por favor, não pare com a simples leitura deste Guia. Leia-o, aprenda com ele e prepare a sua seleção de candidatos baseado nele. Em seguida, forneça este Guia do Eleitor a um amigo e peça-lhe que o leia e o repasse a outros. Quanto mais pessoas votarem de acordo com os princípios morais básicos, melhor será o nosso país.

Abreviações: CIC – Catecismo da Igreja Católica
CVP – Congregação para a Doutrina da Fé: Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao compromisso e a conduta dos católicos na vida política.
CDF – Pontifício Conselho para a Família: Carta dos Direitos da Família.
EV – João Paulo II: Carta Encíclica Evangelium Vitae (O Evangelho da Vida)
RVH – Congregação para a Doutrina da Fé: Instrução acerca do respeito da vida humana nascente e dignidade da procriação.
UPH – Congregação para a Doutrina da Fé: Considerações acerca dos projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais
[Fonte: Apostolado Veritatis Splendor: Guia do eleitor católico. Disponível em http://www.veritatis.com.br/doutrina/doutrina-social/926-guia-do-eleitor-catolico, desde 07 Outubro 2010; tradução:Carlos Martins Nabeto, Revisão TS].

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