Homilia da Semana

Espiritualidade do Advento

Toda a liturgia do Advento é apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do cristão: a expectativa vigilante e alegre, a esperança, a conversão, a pobreza. Somente na vivência profunda destes elementos, o nascimento de Cristo terá um sentido profundo em nossa vida e não uma simples lembrança histórica.

1) A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o cristão e a Igreja, porque o Deus da revelação e o Deus da promessa, que manifestou em Cristo toda sua fidelidade ao homem. Em toda a liturgia do Advento ressoam as promessas de Deus, principalmente pela voz de Isaías, que reaviva a esperança de Israel.

A esperança da Igreja, portanto a nossa esperança, é a mesma de Israel, mas já realizada em Cristo. O olhar da comunidade, fixa-se com esperança mais segura no comprimento final, a vinda gloriosa do Senhor: “Maranatha: vem, Senhor Jesus”. É o grito e o suspiro de toda Igreja e de cada um de nós, em seu peregrinar terreno ao encontro definitivo do Senhor.

A expectativa vigilante é acompanhada sempre pelo convite à alegria. O Advento é tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecerá. Deus é fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia não só relembra, mas quer que seja vivida por cada um de nós.

2) No Advento, toda a Igreja vive sua grande esperança. O Deus da revelação de Jesus tem um nome: “Deus da esperança” (Rm 15,13). Não é o único nome do Deus vivo, mas um nome que o identifica como “Deus para nós e conosco”. Este tempo deve ser para nós, e todos precisamos,um tempo de grande educação à esperança: uma esperança forte e paciente; uma esperança que aceita a hora da provação, da perseguição e da lentidão no desenvolvimento do reino; uma esperança que confia no Senhor e nos liberta das nossas muitas impaciências.

Esse empenho da Igreja torna-se mais forte e urgente diante das grandes áreas vazias de esperança, que se registram no mundo contemporâneo, inclusive no nosso Brasil. A geografia do desespero é maior e mais terrível do que a geografia da fome e é expressão aterradora do avanço de anti-humanismos destruidores, como a droga e a violência.

3) Advento, tempo de conversão. Não existe possibilidade de esperança e de alegria sem retornar ao Senhor de todo o coração, na expectativa da sua volta. A vigilância requer luta contra o torpor e a negligência; requer prontidão, e portanto, desapego dos prazeres e bens terrenos (cf. Lc 21,34 ss).

Os comportamentos fundamentais do cristão exigidos pelo espírito do Advento, estão intimamente unidos entre si, de modo que não é possível viver a expectativa, a esperança e a alegria pela vinda do Senhor, sem uma profunda conversão. Por outro lado,como as tentações da vida presente antecipam a tribulação escatológica, a vigilância cristã exige um treinamento diário na luta contra o maligno; exige sobriedade e oração contínua: “sejam sóbrios e fiquem de prontidão” (1 Pd 5,8-9).

4) Enfim, um comportamento que caracteriza a espiritualidade do Advento é o do pobre. Não tanto o pobre em sentido econômico, mas o pobre entendido em sentido bíblico: aquele que confia em Deus e apóia-se totalmente nele. Estes anawîm, como os chama a bíblia, são os mansos e humildes, porque as suas disposições fundamentais são a humildade, o temor de Deus, a fé.

Jesus proclamará felizes os pobres e neles reconhecerá os herdeiros do Reino,e ele mesmo será um pobre. Maria, a mulher do advento, emerge como modelo dos pobres do Senhor, que esperam as promessas de Deus, confiam nele e estão disponíveis à atuação do plano de Deus. Não nos esqueçamos que a pobreza do coração, essencial para entrar no Reino, não exclui, mas exige a pobreza efetiva, a renúncia em colocar a própria confiança nos bens terrenos.

Vivendo assim este “tempo de graça” que a Igreja nos oferece, o Natal do Senhor de 2012 terá um novo sentido em nossa vida espiritual.

Padre Gian Luigi Morgano

 

ADVENTO – TEMPO DE ESPERA
Pe. Marcelo Rezende Guimarães

As primeiras comunidades, como testemunha o Apocalipse, tinham uma oração muito curta que expressa bem o desejo do seu coração: Maranatha! Vem, Senhor Jesus! (Ap 22, 20). Infelizmente, depois, foi se perdendo e esvaziando este desejo de espera. Seríamos muito pobres se reduzíssemos o Advento, simplesmente, a um tempo de preparação para a festa do Natal. O Advento é baseado na espera da vinda do Reino e a nossa atitude básica é acender e renovar em nós este desejo e este ânimo. Num tempo marcado pelo consumo, é preciso que afirmemos profeticamente a esperança. No âmbito pessoal, intensificando o desejo do coração e retomando o sentido da vida. Mas as esperanças são também coletivas: é o sonho do povo por justiça e paz – “as espadas transformadas em arado e as lanças em podadeiras” (Is 2, 4). E são também cósmicas: “a criação geme e sofre em dores de parto até agora e nós também gememos em nosso íntimo esperando a libertação” (Rm 8, 18-23). Cantar como resposta das preces “Vem, Senhor Jesus” pode ajudar a animar a esperança de nossas comunidades. Igualmente, depois da acolhida de quem preside, a comunidade poderia lembrar fatos e acontecimentos (não ainda preces ou intenções) que são para ela sinais de esperança e da vinda de Deus entre nós. Podem ser trazidos símbolos que evoquem tal luta ou acontecimento. Algum refrão, como “eu quero ver, eu quero ver acontecer”, certamente contribuiria para renovar a esperança. “O melhor da festa é esperar por ela”, diz um ditado popular. A espera e a preparação de um acontecimento é, do ponto de vista humano, tão importante quanto este evento. Daí a necessidade de fazermos uma avaliação do que significa e de como vivenciamos o tempo do Advento em nossas comunidades. Seria oportuno se as equipes de liturgia, ao prepararem as celebrações deste tempo, pudessem se colocar a seguinte questão: que importância damos ao tempo do Advento? Vale aqui também lembrar o que escreve o liturgista Frei José Ariovaldo da Silva, na revista “Mundo e Missão”, dezembro de 2004: “Atualmente, muitas comunidades eclesiais, influenciadas pela onda consumista por ocasião das festas natalinas e de final de ano, estão assumindo o costume de enfeitar suas igrejas já bem antes de o Natal chegar. Em pleno tempo de Advento, que é um ‘tempo de piedosa e alegre expectativa’, já ornamentam suas igrejas com flores, pisca-piscas, árvores de Natal e outros motivos natalinos, como se já fosse Natal. Posso dar uma sugestão? Não sejam tão apressadas. Não entrem na onda dos símbolos consumistas da nossa sociedade. Evitem enfeitar a igreja com motivos natalinos durante o Advento. Deixem o Advento ser Advento e o Natal ser Natal. Enfeites natalinos dentro da igreja, só quando Natal chegar. Então, a festa com certeza será melhor. Sobretudo se houver na comunidade uma boa preparação espiritual”. É preciso tomar o cuidado de não abortar o Advento ou de celebrá-lo superficialmente. Este cuidado nos levará a não antecipar o Natal, seja fazendo celebrações natalinas antes do previsto, seja usando ritos próprios da festa. Se cantamos “Noite Feliz” no dia 15 de dezembro, o que iremos cantar na noite do dia 24 para 25? Mas, também não podemos celebrar o advento como se Cristo ainda não tivesse nascido. A longa noite da espera terminou. O mundo já foi redimido, embora a história da salvação continue…

Perguntas para reflexão pessoal e em grupos
1. Quais são as práticas religiosas mais comuns no tempo do Advento?
2. Como viver e celebrar o Advento em nossa comunidade eclesial?
3. Qual a característica que marca a liturgia do tempo do Advento?

 

O QUE É O TEMPO DE ADVENTO?
O que significa para os católicos o tempo de Advento? Para que existe?

É a época do ciclo litúrgico em que nos preparamos para a vinda de Jesus Cristo. A vinda de Cristo à terra é um acontecimento tão imenso que Deus quis prepará-lo durante séculos, com um Advento que durou quatro mil anos, completado com o anelo de todas as almas santas do Antigo Testamento que não cessavam de pedir pela vinda do Messias o Salvador.

Esta vinda é tripla: CRISTO VEIO NA CARNE E NA DEBILIDADE -VEM NO ESPÍRITO E NO AMOR- E VIRÁ NA GLÓRIA E NO PODER.

A PRIMEIRA VINDA SE REALIZOU QUANDO O VERBO DIVINO SE FEZ HOMEM NO SEIO PURÍSSIMO DE MARIA e nasceu – menino débil e pobre – no presépio de Belém, a noite de Natal faz vinte séculos.

A SEGUNDA VINDA É CONSTANTE, feito de perene atualidade na história da Igreja e na vida íntima das almas. Pela ação misteriosa do Espírito de Amor, Jesus está nascendo constantemente nas almas, seu nascimento místico é um fato presente, ou melhor dito é de ontem, e de hoje, e de todos os séculos.

A TERCEIRA VINDA DE CRISTO -QUE SERÁ NA GLÓRIA, NO PODER E NO TRIUNFO- é a que clausurará os tempos e inaugurará a eternidade. Jesus virá, não a redimir, como na primeira vinda, nem a santificar, como na segunda; senão a julgar, para fazer reinar a verdade e a justiça, para que prevaleça a santidade, para que se estabeleça a paz, para que reine o amor.

Falemos do tempo de ADVENTO em especial. O ano eclesiástico se abre com o Advento. A Igreja nos alerta com quatro semanas de antecipação para que nos preparemos a celebrar o Natal, o nascimento de Jesus e, por sua vez, para que, com a recordação da primeira vinda de Deus feito homem ao mundo estejamos muito atentos a estas outras vindas do Senhor.

O Advento é tempo de preparação e esperança.

“Vem Senhor e não tardes”. Este é um tempo para fazer com ESPECIAL FINEZA O EXAME DE NOSSA CONSCIÊNCIA E DE MELHORAR NOSSA PUREZA INTERIOR PARA RECEBER A DEUS. É o momento para ver quais são as coisas que nos separam do Senhor e tirar-nos tudo aquilo que nos afasta DELE. É por isso importante ir as raízes mesmas de nossos atos, aos motivos que inspiram nossas ações e depois aproximar-nos ao SACRAMENTO DA PENITÊNCIA OU RECONCILIAÇÃO, para que se nos perdoem nossos pecados.

Assim quando chegue o dia de Natal, nossa alma estará disposta para receber a Jesus. É necessário manter-nos em estado de vigília para lutar contra o inimigo que sempre estará tentando-nos para afastar-nos do bem. CUIDEMOS COM ESMERO NOSSA ORAÇÃO PESSOAL, evitemos a tibieza e mantenhamos vivo o desejo de santidade. ESTEJAMOS VIGILANTES COM MORTIFICAÇÕES PEQUENAS, que nos mantenham despertos para tudo o que é de Deus, e atentos a evitar tudo o que nos desvie do caminho para Ele. PEÇAMOS PERDÃO AO SENHOR SE LHE OFENDEMOS E APROFUNDEMOS NO SENTIDO DO ADVENTO.

Tem presente “QUEM É O QUE VEM, DE ONDE VEM E PORQUE VEM”. Com o coração limpo saiamos a receber a Nosso Rei, que está por vir. Maria será nossa ajuda e nos ensinará o caminho para chegar a Jesus.

 

Esquema do Advento

Começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Os domingos deste tempo se chamam 1º, 2º, 3º, e 4º do Advento. Os dias 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) tendem a preparar mais especificamente as festas do Natal. O tempo do Advento tem uma duração de quatro semanas. Este ano, começa no domingo 01 de dezembro, e se prolonga até a tarde do dia 24 de dezembro, em que começa propriamente o Tempo de Natal. Podemos distinguir dois períodos.
No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico e nos é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda ao fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos.
No segundo período, que abarca desde 17 até 24 de dezembro, inclusive, se orienta mais diretamente à preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos destes dias nos preparam diretamente para o nascimento de Jesus. Com a intenção de fazer sensível esta dupla preparação de espera, a liturgia suprime durante o Advento uma série de elementos festivos. Desta forma, na Missa já não rezamos o Glória. Se reduz a música com instrumentos, os enfeites festivos, as vestes são de cor roxa, o decorado da Igreja é mais sóbrio, etc. Todas estas coisas são uma maneira de expressar tangivelmente que, enquanto dura nosso peregrinar, nos falta alo para que nosso gozo seja completo. E quem espera, é porque lhe falta algo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, haverá chegado a Igreja à sua festa completa, significada pela Solenidade do Natal.
Temos quatro semanas nas quais de domingo a domingo vamos nos preparando para a vinda do Senhor.
A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor ao final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vela, mantendo uma especial atitude de conversão.
A segunda semana nos convida, por meio do Batista a “preparar os caminhos do Senhor”; isso é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus segue chamando-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida.
A terceira semana preanuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor.
Finalmente, a quarta semana nos fala do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e sua espera é modelo e estímulo da nossa espera. Quanto às leituras das Missas dominicais, as primeiras leituras são tomadas de Isaías e dos demais profetas que anunciam a Reconciliação de Deus e, a vinda do Messias.
Nos três primeiros domingos se recolhem as grandes esperanças de Israel e no quarto, as promessas mais diretas do nascimento de Deus. Os salmos responsoriais cantam a salvação de Deus que vem; são orações pedindo sua vinda e sua graça. As segundas leituras são textos de São Paulo ou das demais cartas apostólicas, que exortam a viver em espera da vinda do Senhor.
A cor dos paramentos do altar e as vestes do sacerdote é o roxo, igual à da Quaresma, que simboliza austeridade e penitencia.
São quatro os temas que se apresentam durante o Advento:

I Domingo
A vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas e a prédica são um convite com as palavras do Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento”. É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar no caminho ao Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tem ofendido para começar o Advento vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família da mesma forma que em cada comunidade paroquial.

II Domingo
A conversão, nota predominante da predica de João Batista. Durante a segunda semana, a liturgia nos convida a refletir com a exortação do profeta João Batista: “Preparem o caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor maneira de preparar esse caminho que busca a reconciliação com Deus? Na semana anterior nos reconciliamos com as pessoas que nos rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos convida a acudir ao Sacramento da Reconciliação (Confissão) que nos devolve a amizade com Deus que havíamos perdido pelo pecado. Durante esta semana poderíamos buscar nas diferentes igrejas mais próximas, os horários de confissões disponíveis, para quando chegar o Natal, estejamos bem preparados interiormente, unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia.

III Domingo
O testemunho, que Maria, a Mãe do Senhor, vive, servindo e ajudando ao próximo. Na sexta-feira anterior a esse Domingo é a Festa da Virgem de Guadalupe, e precisamente a liturgia do Advento nos convida a recordar a figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de Jesus e que além disso está disposta a ajudar e a servir a todos os que necessitam. O evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Isabel e nos convida a repetir como ela: “quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me? Sabemos que Maria está sempre acompanhando os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a viver esta terceira semana do Advento, meditando sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Propomos que fomentar a devoção à Maria, rezando o Terço em família.

IV Domingo
O anúncio do nascimento de Jesus feito a José e a Maria. As leituras bíblicas e a prédica, dirigem seu olhar à disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do nascimento do Filho dela e nos convidam a “aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos; agora nos resta somente esperar a grande festa. Como família devemos viver a harmonia, a fraternidade e a alegria que esta próxima celebração representa. Todos os preparativos para a festa deverão viver-se neste ambiente, com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as famílias e as comunidades.

Santo André, Apóstolo – 30 de Novembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Mateus 4, 18-22
Caminhando ao longo do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens.» E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no.

Celebramos hoje a festa de Santo André, Apóstolo e irmão de Simão Pedro. De acordo com o Evangelista João, foi André quem seguiu Jesus por primeiro, e foi André que em um segundo momento apresentou Simão, seu irmão, a Jesus. André é praticamente sempre mencionado após Simão na lista dos doze Apóstolos, nos livros do Novo Testamento. Conhecemos pouquíssimo sobre a vida de André. Praticamente nada, a não ser o nome e a sua parentela com Simão Pedro. No entanto, a Palavra de Jesus lhe foi dirigida também: “Vinde após mim e farei de vós pescadores de homens”, e a partir daquele momento, juntamente com Pedro, André se consagrou inteiramente a serviço da Palavra de Deus, de quem foi arauto, mensageiro e testemunha até morrer. É possível, e até mesmo provável, que tenha desenvolvido um altíssimo ministério na Igreja nascente de Jerusalém. A festa de um Apóstolo é para nós ocasião propícia para examinarmos o nosso relacionamento com a Palavra de Deus, é ela “O Pão de cada dia”. Alimento-me da Palavra de Deus como me alimento da comida terrestre que me mantém provisoriamente em vida. Qual é o tempo que eu dedico a esta Palavra de Deus? Faço uma leitura meditativa de seu texto, procurando trazê-la para dentro do meu coração? Deixo ou permito que esta Palavra de Deus provoque dentro de mim e no meu íntimo certa guerra contra todos os meus vícios e, sobretudo contra aquelas zonas cavernosas que cada um de nós carrega dentro, e onde não penetrou ainda plenamente a luz do Evangelho de Jesus? A Palavra de Deus é saborosa num primeiro momento, num segundo momento ela pode provocar no interior todo este mal estar, porque ela mostra nosso estado atual, as mais das vezes, miserável ou medíocre e, e o ideal a que nos devíamos espelhar e ao mesmo tempo buscar. Finalmente, a Palavra de Deus é transformadora da vida de cada um de nós. Estas Palavras não são abstratas. Aqueles que estão acostumados a ouvir, meditar a Palavra de Deus, que é a Palavra Apostólica, cada dia da sua vida, daqueles que Lhe consagra pelo menos trinta minutos no seu dia-a-dia, podem com o tempo relatar como é real seu crescimento espiritual e cristão, como Espírito Santo vai plasmando e unindo sempre mais o seu coração ao coração de Cristo. Estas pessoas poderão no final dizer como Paulo: “Não sou eu que vivo, é Jesus Cristo que esta tomando posse e está vivo em mim”.

 

Santo André, Apóstolo

Os Gregos chamam a este ousado apóstolo Protókletos que significa: o primeiro chamado. Santo André foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Baptista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo». André e João foram atrás d’Ele, com a agitação duma juventude que se abre para a vida. Não se atreveram a falar-Lhe, até que Jesus Se virou para eles – feliz olhar – e lhes perguntou: «Que procurais?» – «Mestre, onde habitas?» – «Vinde e vereis». Foram com Ele e passaram juntos aquela noite. O que ouviram e viram, só eles o podem contar. Noite que foi mais clara que o meio-dia, porque nasceu para os afortunados discípulos o sol da verdade. «Encontramos o Messias», dizia no dia seguinte André ao irmão, Simão Pedro. Um encontro afortunado decidiu para sempre da vida de Santo André. Aquela tarde do princípio do ano de 27 foi o amanhecer dum dia de sol e de vida. O Apóstolo viverá sempre à sua luz, junto a Jesus e com Jesus. A Igreja deve muito a Santo André. Chamado ao aposto lado em primeiro lugar, não parou até encontrar seu irmão Simão. Convenceu-o, apresentou-o a Jesus e então realizou-se a eleição do primeiro Papa, num reduzido conclave campestre das margens do Jordão. «Tu chamar-te-ás Pedro». A pedra fundamental do edifício cristão estava escolhida pelo Divino Arquiteto. André tinha sido o mensageiro que o transportou à sua presença. Pouco depois apareceram André e o irmão Simão na margem do pitoresco Lago da Galiléia. Os dois tinham nascido perto das suas águas, na aldeia de Betsaida, casa de pesca, e eram pescadores. Jesus, a quem apraz madrugar, sobretudo quando chama almas, passeia muito cedo pela praia e vê-os nas barcas, lançando as redes ao mar. «Vinde após Mim, e Eu farei de vós pescadores de homens». E os dois irmãos ficaram com Ele e ficaram para sempre. Não há fraternidade comparável com esta, a qual sela uma vocação divina comum. Pedro e André, irmãos segundo o sangue, sê-lo-ão desde agora na fé, no apostolado e na glória. André era, como o seu nome indica, animoso, ativo e prático. Na praia norte do Lago estão um dia 5.000 homens à volta de Jesus. Trata-se de lhes dar de comer. André averigua imediatamente quais as provisões disponíveis: cinco pães e dois peixes. Que eram para 5.000 homens? Com a bênção de Jesus, os pães e os peixes multiplicaram-se e todos comeram até saciar-se. Quanto gozaria Santo André naquela tarde de Primavera, ele que tinha procurado em todos os grupos e sacos, e não tinha encontrado nada além de cinco pães e dois peixes! Outro dia, uns gregos desejavam falar com o Mestre; mostram o desejo a Filipe. Este não se atreve a ir com a embaixada ao Senhor e pede ao amigo e patrício, André. Animoso como sempre, foi direito a Jesus e transmitiu-Lhe o recado dos gregos. Excelente intercessor na terra, não o há de ser igualmente no Céu? São Marcos apresenta-nos outra vez André sentado junto a Jesus, no dia de terça-feira santa, na colina do Monte das Oliveiras. Dali contemplam pelo Ocidente a cidade de Jerusalém e no primeiro plano a massa ingente, branca e brilhante pelo ouro e os mármores, do Templo. Terá sido Santo André quem primeiro perguntou pela sorte futura daquele Templo grandioso e daquela cidade de Sião? «Mestre, que será de tudo isto?» Hoje, no Céu, contemplará Santo André aquela vasta esplanada, onde florescem as ervas e os cardos; aquelas ruas agitadas, que eram o ponto de encontro dos beduínos da vizinha aldeola de Siloé. Ciência divina de Jesus e desígnios imperscrutáveis da Providência de Deus sobre os povos! «Chegará um dia, respondeu Jesus a André, em que não ficará pedra sobre pedra». Já não se toma a falar de Santo André nos livros sagrados. Mas uma tradição muito antiga e autorizada, expressa por figuras tão ilustres como Eusébio e São Jerônimo no século IV, fala-nos dele como evangelizador da Cítia e da Acaia. Nesta última região, na cidade grega de Patras, foi onde encontrou a coroa gloriosa do martírio, selando assim com o sangue a fé que, como testemunha da verdade infalível, tinha pregado. As Atas do seu martírio são relativamente tardias, do século IV, e revestem a forma duma carta que escrevem os presbíteros de Patras à Igreja universal, comunicando a notícia da morte e martírio do Apóstolo. Embora a forma esteja muito enfeitada, o fundo geral é histórico. Têm especial interesse os afetos que sugere a Santo André a vista da cruz, o instrumento do seu martírio. Cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André. «Eu vos saúdo, ó cruz consagrada pelo corpo de Jesus Cristo! As vossas pedras preciosas são as gotas do seu sangue. Antes de o meu Mestre vos ter escolhido para seu trono, o mundo tinha-vos horror; hoje deseja-vos com ardor celestial. Os que crêem em Cristo conhecem as delícias que possuís e as recompensas que por vós se obtêm. Alegre e sem temor venho a vós; regozijai-vos, porque ides receber um discípulo do Crucificado. Sempre vos amei apaixonadamente e desejei poder abraçar-vos. O vosso esplendor e a vossa beleza recebeste-os do Senhor. Oh Cruz boa, tanto tempo desejada, tão ardentemente amada, e buscada sem descanso! Agora vejo-vos pronta a satisfazer os anelos da minha alma. Retirai-me do lado dos homens e devolvei-me ao meu Divino Mestre. Fazei que por vós me receba Aquele que por vós me resgatou». Ao pronunciar estas palavras, dizem as Atas, despojou-se do que vestia e distribuiu-o entre os verdugos. Ataram-no de pés e mãos à cruz e levantaram-no nela. Dois dias inteiros durou o seu sacrifício, aquela Missa solene do seu pontificado na terra. «Recebei-me, Mestre meu, Cristo meu, a quem amei desde que vos conheci, a quem agora confesso. Recebei o meu espírito». O seu corpo ficou envolvido em nuvem de luz celestial cerca de meia hora, e a sua alma voou à verdadeira mansão do Mestre, que tinha ficado a conhecer nas margens do Jordão; voou para a nobre casa do Pai. Foi agora que ficou sabendo onde habitava Jesus. A noite que passou com Ele na tenda de Jericó converte-se na jornada eterna da glória. Amanheceu a luz eterna.

 

Santo André imita a Cristo até na morte
Papa Bento XVI
Audiência geral de 14/06/2006
(© copyright Libreria Editrice Vaticana)

Uma tradição […] narra a morte de André em Patras, onde também ele sofreu o suplício da crucifixão. Mas, naquele momento supremo, de modo análogo ao de seu irmão Pedro, pediu para ser posto numa cruz diferente da de Jesus. No seu caso tratou-se de uma cruz decussada, isto é, cruzada transversalmente inclinada, que por isso foi chamada «cruz de Santo André». Eis o que o Apóstolo disse naquela ocasião, segundo uma antiga narração […]: «Salve, ó Cruz, inaugurada por meio do corpo de Cristo e que se tornou adorno dos Seus membros, como se fossem pérolas preciosas. Antes que o Senhor fosse elevado sobre ti, tu incutias um temor terreno. Agora, ao contrário, dotada de um amor celeste, és recebida como um dom. Os crentes sabem, a teu respeito, quanta alegria possuis, quantos dons tens preparados. Portanto, certo e cheio de alegria venho a ti, para que também tu me recebas exultante como discípulo Daquele que em ti foi suspenso […]. Ó Cruz bem-aventurada, que recebeste a majestade e a beleza dos membros do Senhor! […] Toma-me e leva-me para longe dos homens e entrega-me ao meu Mestre, para que por teu intermédio me receba Quem por ti me redimiu. Salve, ó Cruz; sim, salve verdadeiramente!» Como se vê, há aqui uma profundíssima espiritualidade cristã, que vê na Cruz não tanto um instrumento de tortura como, ao contrário, o meio incomparável de uma plena assimilação ao Redentor, ao grão de trigo que caiu na terra. Devemos aprender com isto uma lição muito importante: as nossas cruzes adquirem valor se forem consideradas e aceites como parte da cruz de Cristo, se refletirem a sua luz. Só naquela Cruz são também os nossos sofrimentos nobilitados e adquirem o seu verdadeiro sentido.

 

SOMOS CHAMADOS A NOS COMPROMETER COM A MISSÃO DE JESUS
Padre Bantu Mendonça

Celebramos hoje a festa de Santo André, apóstolo. Seu nome significa forte, robusto. Depois de ter escutado de João Batista, ao apontar em direção a Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus”, André sentiu-se atraído pelo Mestre e O seguiu até o fim, ao ponto de ter a mesma sorte de Jesus: ser crucificado, mas numa cruz em forma de “X”. No Evangelho de hoje Jesus chama quatro homens simples que, por causa da sua fidelidade, converteram-se em autênticos companheiros de Sua missão até o fim, como foi o caso de André. Estes homens simples eram pescadores. Jesus, depois de ter passado a noite toda em oração, caminha à beira do mar da Galileia. Então Ele vê, escolhe e chama a Simão e seu irmão André que estavam a lançar redes ao mar. Eles, ouvindo a voz d’Aquele que mais tarde será o seu Mestre, imediatamente O seguem. O mesmo cenário se repete com Tiago e João que, por sua vez, estavam consertando as redes com o pai Zebedeu. A partir da profissão destes homens humildes e unicamente pescadores, Jesus inicia a grande missão de pescar todos os homens para o Reino dos Céus. Cristo quer comprometer-nos com a Sua missão. O fato do convite acontecer à beira do mar tem um significado muito importante: o mar para aquela gente era fonte de sustentabilidade. Mateus, ao mencionar o chamado à beira-mar, destaca o aspecto da vida ativa e envolvida no processo de sobrevivência daqueles irmãos num mundo agitado. O processo vital de um chamado e a resposta positiva, na realidade, comporta um tempo de relacionamento humano. Comporta também conhecimento, amadurecimento na oração, até a adesão final. Mas isto pressupõe uma natureza na qual se apóia o chamado. Veja como acontece com André, Simão, João e Tiago: os dois primeiros lançando as redes ao mar e os outros dois as consertavam. Portanto, todos eram comprometidos, trabalhadores e empenhados em suas tarefas. Jesus, então, aproveita o jeito de ser daqueles homens e o estilo de vida que levam para lhes confiar a grande missão de pescar homens para o Reino dos Céus. Você foi escolhido por Jesus para colaborar com Ele na pesca de homens para o Céu. Por isso, não esconda os talentos que você traz dentro de si. Assim como Pedro e seus colegas de profissão, é preciso que você se deixe encontrar e envolver pela missão e siga em frente. Cristo quer que você seja “pescador de homens”. Que a celebração desta festa nos faça verdadeiros seguidores do Mestre tal como foi Santo André, a fim de que, na medida do possível, correspondamos ao chamado que Jesus nos faz todos os dias: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”.

Surto religioso atual: As Revelações Particulares em Nossos Dias

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 345 – fevereiro 1991
http://www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=557

Em síntese: O Grupo “Pastorais et Sectes” filiado ao Episcopado Francês publicou um estudo sobre as revelações particulares apregoadas em nossos dias tanto dentro como fora da Igreja Católica. Esse documento, após enunciar as modalidades de tais visões e revelações, propõe critérios para discernir a autenticidade das mesmas:
1) critérios subjetivos (saúde psíquica do vidente, honestidade moral e, no caso de vidente católico, fidelidade ao magistério da Igreja);
2) critérios objetivos (mensagem consentânea com a doutrina católica, mensagem sóbria ou isenta de pormenores fantasiosos).

A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja ainda não se pronunciou oficialmente: as opiniões diferem entre si, enquanto uma Comissão de teólogos nomeada pelos Bispos estuda o caso. Na verdade, os frutos espirituais colhidos pelos devotos em Medjugorje são muito positivos, mas não se pode dizer que as mensagens respectivas sejam de importância indispensável à fé católica, como nota o Cardeal Joseph Ratzinger.

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Os novos Movimentos religiosos têm chamado continuamente a atenção do público pelo seu caráter proselitista, apoiado, às vezes, em “revelações” e “milagres”. O Brasil tem grande experiência de tais fenômenos. . .

Existe na França um Grupo designado pelo Episcopado Francês para estudar sistematicamente as expressões e as causas de tais correntes religiosas. O Grupo (“Pastorale et Sectes”) realizou seu primeiro encontro em 28/05/1990 na Secretaria Geral do Episcopado em Paris, estando presentes os PP. Jean Vernette, Pierre Le Cabellec, Norbert Gauderon, Yvon Le Mince, Damien Sicard, Claude Cesbron et a Sra. Yvonne Vitré. O Grupo elaborou e publicou um relatório sobre as Revelações particulares, ocorrentes tanto dentro como fora do Catolicismo. Visto que o texto pode ser útil ao público brasileiro, vai, a seguir, traduzido para o português a partir do Boletim SNOP (órgão do Episcopado Francês) datado de 22/06/1990.

1. O TEXTO

“As revelações particulares mobilizam de novo a atenção…

Para começar, falaremos indiferenciadamente de todas as revelações atualmente ocorrentes dentro e fora da Igreja, reconhecidas oficialmente por alguma instancia ou não. São uma das formas de expressão mais típicas da nova religiosidade. Interessam ao público por diversos motivos: mensagens tidas como provenientes do Alto; manifestações de contato com habitantes do Além; descrição estupenda de fenômenos maravilhosos; levitação; movimentação do sol; odores suaves; suor de óleo; insistência dos mensageiros sobre os perigos iminentes que o mundo corre se não se converter; atração espiritual e aliciamento coletivo, em conseqüência dos quais há peregrinações de devotos aos lugares ditos das aparições; fatos portentosos, em especial curas, tidos como sinais que autenticam a revelação; surto de grupos religiosos férvidos em torno do personagem ou do lugar ‘agraciado’.

Ligadas a esses sinais portentosos, há manifestações populares de fé ou de credulidade, de religião ou de religiosidade. Com efeito; encontram-se as mais diversas atitudes religiosas suscitadas pela crença no portentoso.

Para permanecer apenas no quadro da França e dos países vizinhos e da época atual, podem-se apontar os seguintes fenômenos maravilhosos:

Aparições da Virgem SS., devidamente reconhecidas pela Igreja;

Aparições de Jesus Cristo acompanhadas de revelações feitas, por exemplo, a Michel Potay, o profeta da ‘Revelação de Ares’ (atualmente em grande voga);

Locuções interiores, levando as mamães a redigir, por escrita automática, numerosas mensagens provenientes de seus filhos falecidos;

Contatos com indivíduos extra-terrestres nas religiões dependentes de OVNIs, (1) tais como ocorrem com os grupos Appert e os Raelianos;

(1) OVNIs = Objetos Voadores Não Identificados.

Relacionamento com entidades do Além por meio de canais próprios, como os descreve a atriz Shirley Mac Laine em seu livro best-seller, publicado em milhões de exemplares;

Visões de cenas do Evangelho relatadas em numerosas narrações por Maria Vàltorta;

‘Leitura no Astral’ de episódios da Vida de Cristo em diversos grupos esotéricos;

Revelações não reconhecidas, mas ligadas a lugares aos quais se dirigem peregrinações constantes, como San Damiano, Garabandal, Kerizineo, Espis, Dozulé;

Grupos de New Age (Nova Era), como Vida Universal, oriunda da profetisa Gabriela Witeck;

Comunicações com os habitantes do céu, tais como os Diálogos com o Anjo de Gitta Mallasz, traduzidos para as principais línguas.

Entre os numerosos grupos, organizados ou não, que se formam em torno do maravilhoso, alguns dizem derivar-se do catolicismo; seriam, entre outros, o IVI, de Yvonne Trubert, e El de Joanna. Alguns desses grupos dão origem a igrejas paralelas, como Le Frechou e Palmar de Troya. Há cristãos que querem ambiguamente pertencer tanto à Igreja Católica quanto à comunidade paralela.

Algumas mensagens têm provocado conversões, como as mensagens de Marta Robin e de Medjugorje. Outras, porém, desencadeiam violentos ataques contra a Igreja, como as de Michel Potay em Ares, ou querem transmitir lições à Igreja, como o Petit Caillou e Bayside.

Somos assim chamados a procurar discernir em cada nova ‘revelação’ o admirável e o inaceitável.

A multiplicação desses casos corresponde a uma necessidade, existente no público, de portentos e também de luz para guiar os passos dos homens. Por conseguinte, importa sempre analisar caso por caso (impressos, atividades, mensagem. . .).

Os elementos característicos das revelações particulares

Distinguem-se diversos parâmetros ou traços típicos nas revelações particulares:

—    Os videntes são de todas as idades, mas freqüentemente citam-se crianças e mulheres nas aparições em ambientes católicos. São discretos ou tagarelas, simples ou reivindicativos.

—    Nos mesmos ambientes, a pessoa que transmite a mensagem é geralmente a Virgem SS., às vezes um anjo (de preferência, São Miguel), ocasionalmente Jesus. Esses traços são convencionais ou prendem-se ao contexto sócio-cultural do vidente.

— Os ritmos e os lugares são os mais variados. Acompanham-nos símbolos extraordinários: um grande véu azul em Le Frechou; uma imensa cruz em Dozulé.

As mensagens têm seus pontos constantes (embora em dosagens diferentes): apelo à conversão, pregações, pedido de fundação de um santuário, um templo, profecias de sabor milenarista, ([1]) ameaças de castigo, pedidos de práticas rituais precisas.

Por conseguinte, quando alguém começa a estudar uma revelação particular, encontra-se diante de elementos um tanto genéricos: manifestações físicas, luzes e cores; manifestações psicológicas (êxtases, visões, mensagens). . . Mas esses elementos são dispostos em sínteses bem diferentes umas das outras. Há, por exemplo, aparições que a Igreja reconhece porque as tem como humanamente sadias e espiritualmente aceitáveis, além de coerentes com a Grande Tradição cristã. Há também revelações duvidosas, se se leva em conta a saúde psíquica e espiritual dos videntes e as suas incoerências com os Livros Sagrados.

Critérios de discernimento

As pessoas agraciadas realmente com revelações ou vozes são geralmente sinceras e convictas. Alegam: ‘Tendo visto o que vi e ouvido o que ouvi, eu não posso não falar’. Elas se sentem investidas de uma missão. Mas o sentimento subjetivo de certeza não garante por si a autenticidade de uma mensagem, assim como a sinceridade não é o equivalente de verdade. É necessário que pratiquemos o discernimento dos espíritos. Distingamos, pois, ulteriores critérios tanto no plano meramente humano e natural como no plano da fé:

— No plano humano: o equilíbrio e o bom senso do indivíduo, o apagamento do mensageiro diante da mensagem, a estrutura do grupo criado: A quem toca a autoridade? Como é esta exercida? Qual o funcionamento financeiro? Que margem de liberdade interior é deixada aos membros do grupo?

— No plano cristão: quais são os frutos de tal revelação particular? A mensagem é coerente com a Tradição cristã? Que traz de novo ao mundo e à Igreja? Qual o aspecto da Revelação cristã mais focalizado pela mensagem do vidente?

— Que controle a comunidade é capaz de exercer sobre si mesma? Tal carisma está voltado para servir ao bem comum?

Nesta época de florescimento de mensagens inspiradas, de novas religiões proselitistas e de fenômenos milagrosos, é importante fornecermos aos cristãos esses critérios de discernimento”.

2. COMENTÁRIO

1. Vê-se que a multiplicidade de expressões religiosas de nossos dias atribuídas a intervenções do Além exige, da parte do estudioso, cautela para discernir, do fantasioso e talvez mórbido, o que possa ser autenticamente inspirado por Deus. Em vista disto, apontam-se critérios subjetivos e objetivos:

a) Critérios subjetivos:

— requer-se saúde psíquica da parte dos videntes ou mensageiros. Esta implica equilíbrio mental, capacidade de resistir a sugestionamentos e condicionamentos superficiais;

— honestidade ou retidão de vida, comportamento irrepreensível;

— fidelidade ou docilidade à Igreja e ao seu Magistério (no caso de visões ocorrentes dentro do Catolicismo).

b) Critérios objetivos:

—    a mensagem deve ter um conteúdo ortodoxo, isto é, consentâneo com as verdades da fé católica;

—    a mensagem seja sóbria, isto é, isenta de pormenores fantasiosos, mais aptos a satisfazer à curiosidade do que a edificar a fé. Tal é a diferença entre os Evangelhos canônicos e os apócrifos: enquanto aqueles são geralmente sóbrios e simples em seu estilo, os apócrifos são exuberantes e dados ao fantástico.

2. A respeito de Medjugorje em particular, a Igreja ainda não se pronunciou definitivamente. Em 1986, o episcopado iugoslavo constituiu uma segunda Comissão destinada a averiguar os fatos; desde 24 de junho de 1981 crê-se que a Virgem SS. aparece a alguns jovens. O grande número de “aparições” e a sua duração até 1990/1 são dados insólitos, que deixam alguns estudiosos um tanto perplexos. O Bispo de Mostar (Herzegovínia, Iugoslávia), Mons. Pavão Zanic, é cético em relação às aparições de Medjugorje, paróquia de sua diocese; ao contrário, Mons. Frane Franic, Arcebispo emérito de Split, é-lhes francamente favorável.

Na verdade, são muito numerosos os frutos produzidos pela notícia das “aparições” em Medjugorje: conversões, grandes graças de índole espiritual e física têm sido obtidas por multidões de peregrinos que afluem a Medjugorje. A ponderação dos fatos ainda não permite um juízo seguro sobre a autenticidade ou não dos mesmos.

O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista concedida a Vittorio Messori em 1985, pronunciou-se sobre Medjugorje em termos que até hoje são válidos:

“Neste terreno, mais do que em qualquer outro, a paciência é um elemento fundamental da nossa Congregação. Nenhuma aparição é indispensável à fé; a Revelação chegou à sua plenitude em Jesus Cristo; Ele mesmo é a Revelação. Mas é certo que não podemos impedir que Deus fale ao nosso tempo através de pessoas simples e valendo-se de sinais extraordinários. . . As aparições que a Igreja aprovou oficialmente — Lourdes, antes do mais, e, posteriormente, Fátima —(1) ocupam um lugar preciso na história da Igreja do último século. Mostram, entre outras coisas, que a Revelação — mesmo sendo única, plena e, por conseguinte, irreformável — não é algo de morto; é viva e vital. Doutro lado, à margem do caso de Medjugorje, sobre o qual não posso exprimir juízo algum, pois está sujeito a exame na minha Congregação, um dos sinais dos nossos tempos é que as notícias de ‘aparições’ marianas se estão multiplicando no mundo”.

(1) A aprovação oficial, no caso, quer dizer reconhecimento da legitimidade do culto a Nossa Senhora em Lourdes, Fátima, com festa própria no calendário litúrgico. Não significa, porém, que a Igreja professe as aparições de Nossa Senhora como artigo de fé. — De resto, a mensagem de tais revelações coincide com a do Evangelho e sintetiza-se na fórmula: “Oração e Penitencia!” (Nota do Tradutor).

3. CONCLUSÃO

A leitura do relatório do Grupo “Pastorale et Sectes” leva a crer que:

1) no mundo atual pode, sem dúvida, haver autênticas manifestações do Senhor Deus, especialmente através de Maria SS. Esta é a Estrela da Manhã e a Porta do Céu, pela qual Deus se digna de consolar os homens. Para averiguar a genuinidade das ditas aparições marianas, apliquem-se os critérios atrás recenseados.

2) Ao lado dessas possíveis manifestações autênticas, há também, e sem dúvida, muitas ditas “revelações” que não são a expressão senão do estado de ânimo ansioso e angustiado de parte da humanidade contemporânea; a procura emocional, quase irracional, de uma resposta para a problemática contemporânea leva muitos a imaginar seres extra-terrestres (corpóreos, luminosos, belos, ou meramente espirituais) transmitindo aos homens mensagens de reconforto, estímulo e orientação. O pulular de fenômenos ditos “sobrenaturais” em nossos dias se reduz, em boa parte, ao mecanismo da psique humana, que procura num falso Além a garantia e a segurança que o aquém (inclemente como é) não lhe fornece.

Na verdade, também o cristão sente a ingratidão dos tempos presentes, mas na fé (que o leva à oração, à leitura das Escrituras e aos Sacramentos dentro da Igreja) encontra paz e força, cheia de esperança para atravessar os tempos atuais. A exuberância do “extraordinário” de nossa época, oriunda do psiquismo humano desorientado, deveria ceder a um fortalecimento da fé cristã, remédio para tanto desatino contemporâneo. “O justo vive da fé”, diz três vezes o Apóstolo (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38), parafraseando o Profeta Habacuc (2,4).

Dom Estêvão Bettencourt
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[1] O Milenarismo é a doutrina que professa a vinda de Jesus Cristo para reinar visivelmente durante mil anos sobre a terra em bonança e paz.

 

O FIM DO MUNDO OU A RENOVAÇÃO DO MUNDO? EB
Categoria: Perguntas e Respostas / Publicado em 3 de fevereiro de 2011

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 411 – Ano: 1996 – p. 337  

Pululam profecias relativas a catástrofes e flagelos que devem assolar o mundo nos próximos anos em preparação do ano 2000, que deverá ser uma data de fim da era atual da história. Essas previsões apavoram a quem lhes dá crédito. A multiplicidade das mesmas parece ser a expressão de certo desânimo da sociedade contemporânea, que não encontra nos recursos convencionais a solução para os problemas que a afligem.
Bem diverso é o pensamento oficial da Igreja. O Santo Padre João Paulo II, em sua Carta Apostólica sobre o Terceiro Milênio, considera com certo otimismo este fim de século, que coincide com o Jubileu do nascimento de Cristo.
O Papa propõe a renovação da vida dos fiéis mediante convicta e generosa resposta aos apelos do Senhor: conversão mais coerente e radical, oração mais intensa hão de ser os exercícios marcantes destes anos, Jesus iniciou sua pregação precisamente com as palavras: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).
João Paulo II deseja que o ano de 1997 seja dedicado a Cristo; será o ano em que reavivaremos nossa consciência de batizados e fortaleceremos nossa fidelidade ao Senhor, aprofundando a fé que a Igreja nos transmite. O ano de 1998 será dedicado ao Espírito Santo e ao sacramento da Crisma, que nos faz adultos em Cristo. O ano de 1999 focalizará o Pai e promoverá a redescoberta do sacramento da Penitência, via de retorno Àquele que é o Alfa e o Ômega de toda a história. O ano de 2000 será o ano da Eucaristia, o sacramento da unidade: João Paulo II espera que naquela data, entre outros dons do Céu, se verifique maior aproximação dos cristãos separados.
– Tal é a atitude oficial da Igreja diante da perspectiva do Jubileu do nascimento de Jesus, nos escritos do Santo Padre não se encontra uma palavra sobre profecias, calamidades, reino milenar de Cristo (…). Ora convém aos fiéis católicos “sentir com a Igreja”, caminhar fielmente com a Igreja. O Senhor Jesus recusou-se a revelar o dia e a hora do fim dos tempos; cf. At 1,7. Muito sabiamente o fez, pois, para o cristão, mais importante do que a data da consumação dos séculos é a do seu encontro com Cristo no fim desta caminhada terrestre. É urgente a preparação desse momento através de uma conduta de vida pura e santa.
O Evangelho insiste nessa preparação, como se depreende das palavras de Cristo: “Vigiai, porque não sabeis nem o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mt 25,13).
João Paulo II faz eco a esta exortação: “É necessário suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade, um forte desejo de conversão e renovação pessoal, num clima de oração cada vez mais intensa e de solidário acolhimento do próximo, especialmente do mais necessitado” (Tertio Millennio Adveniente nº 42).

 

O MUNDO VAI ACABAR EM 21 DE DEZEMBRO DE 2012?
Categoria: Artigos / Publicado em 18 de dezembro de 2012

“Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só” (Mc 13, 32). Recebo vários emails de pessoas católicas apavoradas e que ainda perguntam sobre a “Profecia” sobre o “fim do mundo” em 21/12/2012, o que gera um alarmismo danoso e um verdadeiro terrorismo espiritual. Será que estaríamos nas vésperas do fim do mundo? São muitas “profecias” falsas, que tentam até misturar argumentos pseudocientíficos com superstições, Nova Era e ficção científica.
Até mesmo o Terceiro Segredo de Fátima, que nada tem a ver com o fim do mundo, e que o Papa João Paulo II já revelou em 2000 em Fátima; é citado abusivamente. Os divulgadores desse fim do mundo para o dia 21/12/2012 usam “argumentos científicos”, falam de Profecias maias que até a NASA já desmentiu.
Ninguém sabe a época e a data do fim do mundo, ou melhor, da renovação do mundo. Jesus fala em fim do mundo como “renovação do mundo”: Mt 19, 28 – “No dia da renovação do mundo, quando o Filho do homem estiver sentado no trono da glória…”
Com relação à data em que acontecerá a renovação do mundo e a inauguração definitiva do Reino de Deus, ninguém sabe e não deve especular a respeito. Muitos já se enganaram sobre isto e levaram muitos outros ao engano e ao desespero. Até grandes santos da Igreja erraram neste ponto.
Podemos citar alguns exemplos: Dom Estevão Bettencourt, em um de seus livros (Curso de Escatologia – págs. 123 – 124), afirma que: São Hipólito de Roma (†235) – chegou a afirmar que o final do mundo seria no ano 500… Santo Irineu (†202) – confirmava a tese do Pseudo Barnabé, de que o final seria no ano 6000 após a criação do mundo… Santo Ambrósio (†397) e Santo Hilário de Poitres (†367) – apoiaram a mesma tese anterior. São Gaudêncio de Bréscia (†405) – indicava o ano 7000 após a criação. No século V, com a queda de Roma (476), São Jeronimo (†420), São João Crisóstomo (†407), São Leão Magno (†461), defendiam que face à queda de Roma, o fim do mundo estava próximo…
No século VI e VII, São Gregório Magno (†604) afirmava como próxima a vinda de Cristo… Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos difíceis em que se vive. Por isso, a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra: At 1, 7 – “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”. Mc 13, 32 – “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”.
Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36, 355). O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data.
No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado: “Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.
Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse: “Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável. Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de divulgá-las ou refutar” (idem).
O que a Igreja sabe é o que está no Catecismo:
§ 670. “Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na “última hora” (1Jo 2, 18)”. “Portanto, a era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra”.
§ 673. “A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos “caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade” (At 1, 7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam “retidos” tanto ele como a provação final que há de precedê-lo”.
Prof. Felipe Aquino

Solenidade de Cristo Rei do Universo – Ano B

Por Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

Vós o vereis vir entre as nuvens do céu…
Daniel 7, 13-14; Apocalipse 1, 5-8; João 18, 33b-37

No Evangelho deste domingo, Pilatos pergunta a Jesus: «Tu és o rei dos judeus?», e Jesus responde: «Tu o dizes, eu sou Rei». Pouco antes, Caifás lhe havia dirigido a mesma pergunta de outra forma: «És tu o Filho de Deus bendito?», e também desta vez Jesus respondeu afirmativamente: «Sim, eu sou». E mais: segundo o Evangelho de Marcos [Mc 14, 62. ndt.], Jesus reforçou esta resposta, citando e aplicando a si mesmo aquilo que o profeta Daniel havia dito do Filho do homem que vem entre as nuvens do céu e recebe o reino que nunca passará (primeira leitura). Uma visão grandiosa na qual Cristo aparece dentro da história e acima dela, temporal e eterno. Junto a esta imagem gloriosa de Cristo, encontramos, nas leituras da solenidade, a do Jesus humilde e sofredor, mais preocupado por fazer de seus discípulos reis que de reinar sobre eles. Na passagem do Apocalipse, Ele é definido como quem «nos ama e nos lavou com seu sangue de nossos pecados e fez de nós um Reino de Sacerdotes para seu Deus e Pai». Foi sempre difícil manter unidas estas duas prerrogativas de Cristo — majestade e humildade –, derivadas de suas duas naturezas, divina e humana. O homem de hoje não tem dificuldade para reconhecer em Jesus o amigo e o irmão universal, mas acha difícil proclamá-lo também Senhor e reconhecer n’Ele um poder real sobre ele. Nos filmes sobre Jesus, esta dificuldade salta à vista. Em geral, o cinema optou pelo Jesus humilde, perseguido, incompreendido, tão perto do homem como para compartilhar suas lutas, suas rebeliões, seu desejo de uma vida normal. Nesta linha se situam Jesus Cristo Superstar e, de maneira mais crua e dessacralizadora, A última tentação de Cristo — de Martin Scorsese. Também Píer Paolo Pasolini, no Evangelho segundo Mateus, nos apresenta esse Jesus amigo dos apóstolos e dos homens, a nosso alcance, ainda que não carente de certa dimensão de mistério, expressada com muita poesia, sobretudo através de alguns eficazes silêncios. Só Franco Zeffirelli, em seu Jesus de Nazaré, se esforçou por manter juntas as duas marcas d’Ele. Aí se vê a Jesus como homem entre os homens, afável e à mão, mas por sua vez como alguém que, com seus milagres e sua ressurreição, nos situa ante o mistério de sua pessoa que transcende o humano. Não se trata de desqualificar os intentos de voltar a propor em termos acessíveis e populares o acontecimento de Jesus. Em seu tempo, Jesus não se ofendia se «as pessoas» o consideravam um dos profetas. Mas perguntava aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que eu sou?», dando a entender que as respostas das pessoas não eram suficientes. O Jesus que a Igreja nos apresenta na solenidade de Cristo Rei é o Jesus completo, humaníssimo e transcendente. Em Paris se conserva, sob custódia especial, a barra que serve para estabelecer a longitude exata do metro, a fim de que esta unidade de medida, introduzida pela Revolução Francesa, não se altere com o passar do tempo. De forma similar, na comunidade de crentes que é a Igreja, se custodia a verdadeira imagem de Jesus de Nazaré que deve servir como critério para medir a legitimidade de toda representação sua na literatura, no cinema, na arte. Não se trata de uma imagem fixa e inerte, que é preciso conservar ao vazio, como o metro, mas de um Cristo vivo que cresce na compreensão da Igreja, também a partir das questões e das provocações sempre novas propostas pela cultura e pelo progresso humano.

 

Evangelho segundo São João 18, 33-37
Pilatos entrou de novo no edifício da sede, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és rei dos judeus?» Respondeu-lhe Jesus: «Tu perguntas isso por ti mesmo, ou porque outros to disseram de mim?» Pilatos replicou: «Serei eu, porventura, judeu? A tua gente e os sumos sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste?» Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» Disse-lhe Pilatos: «Logo, Tu és rei!» Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.»

Por Pe. Fernando José Cardoso

Com toda Igreja, neste último domingo começamos o ano litúrgico, celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. Pede-me – diz Deus no salmo segundo – a teu Cristo, e Eu te darei as nações por herança, reergueras com cetro de ferro. Na verdade, Satanás havia antecipado a esta oferta do Pai a Jesus. Nas tentações, havia oferecido os reinos deste mundo. Dizem os Evangelistas, Matheus e Lucas, que tendo conduzido Jesus a um alto monte, numa tentação imaginativa, Satanás lhes mostra os reinos desta terra: “Tudo isto é meu, eu possuo, e tudo isto eu te darei se me adorares”. Naquela ocasião, repeliu para longe Satanás. Ele estava consciente de que receberia todos os reinos deste mundo, mas não das mãos de Satanás, e sim das mãos do Pai. E o Pai lhe daria estes reinos todos, apos uma vida de entrega e de serviço abnegado a todos os seres humanos. Como é diferente a realeza de Cristo que hoje nós celebramos, como é diferente o Seu Reino dos Reinos e realezas que conhecemos neste mundo. Neste mundo os poucos monarcas que ainda subsistem estão distantes, normalmente não s misturam com os povos. Os chefes das nações nem sempre buscam daqueles que comandam. Quantos candidatos, fazem promessas mirabolantes nos tempos de eleição, que eles mesmos estão conscientes que não poderão realizar? Quanta demagogia, quanta corrupção nos reinos e nos domínios deste mundo. Como somos diariamente vítimas deste desserviço que muitos dos grandes nos prestam na nossa história. Jesus assumiu a Sua realeza, através do duro sacrifício da cruz, foi oferecendo a vida toda inteira, se deixando alto destruir por cada um de nós, que Ele se tornou não apenas o nosso redentor, mas o Rei do Universo. Doravante, todos os redimidos, todos aqueles que de maneira misteriosa se encaminham em direção da vida eterna, possuem em Jesus um ponto de absoluta referência. Você também, juntamente comigo, tem em Cristo o centro de suas atenções. Ele deseja dominar diferentemente dos chefes deste mundo. Ele não é demagogo, não faz promessas temporais, e não nos promete bens deste mundo, Ele deseja possuir o nosso afeto, Ele deseja entrar em nosso coração. O Reino de Deus não vem com ostentação, o Reino de Deus está dentro dos corações de cada um de nós e realiza, pouco a pouco, progressos e crescimentos. Agradeçamos a Deus hoje por nos ter arrancado do poder das trevas e nos ter transferido através da graça e do sacramento da iluminação ao Reino do Seu Filho bem amado, Jesus Cristo.

 

«Venha o Teu Reino» (Mt 6, 10)
Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
A oração, 25; GCS 3, 356 (a partir da trad. do breviário)

O reino do pecado é inconciliável com o reino de Deus. Portanto se queremos que Deus reine sobre nós, «que o pecado não reine mais no vosso corpo mortal». Mas «crucifiquemos os nossos membros no que toca à prática de coisas da terra», demos frutos do Espírito. Assim, como num paraíso espiritual, o Senhor passeará em nós, reinando sozinho com o Seu Cristo. Este será entronado em nós «à direita do Todo-Poderoso» que desejamos receber até que todos os Seus inimigos presentes em nós «se tornem estrado para os Seus pés» e seja expulso para longe «todo o principado, toda a dominação e poder». Tudo isto pode acontecer em cada um de nós até que seja destruído «o último inimigo […]: a morte» e Cristo diga em nós: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» Por isso, desde agora, que tudo o que é «corruptível» em nós se torne santo e «se revista de incorruptibilidade» e o que é «mortal» […] se «revista da imortalidade» do Pai. Assim, Deus reinará sobre nós e estaremos desde já na alegria do novo nascimento e da ressurreição. (Referências bíblicas: Rom 6, 12; Col 3, 5; Gn 3, 8; Mt 26, 64; Sl 110, 1; 1Cor 15, 24.26.55.53)

 

O Meu Reino não é deste mundo
Padre Paulinho

Com esta celebração estamos dando início a última semana do tempo comum, preparando nosso coração para o advento, nascimento do menino Jesus. Na verdade Jesus nasce, se dá e quer nos visitar todos os dias. Hoje proclamamos Jesus Rei do universo, e todo reino precisa de um trono. Você sabe em qual trono que Jesus quer sentar? No Trono do nosso coração. E como todo Rei, Ele quer indicar os caminhos, organizar seu reino. Pilatos perguntou para Jesus: “você é Rei?” e Jesus lhe questiona: “é você que está dizendo ou outros te disseram?”. E Jesus diz: “meu reino não é deste mundo”. Todos temos saudades de Deus, era pequenos, fomos crescendo e a saudade de Deus foi ficando maior. Todos temos saudades de nosso familiares, eu me lembro quando fiquei por 4 anos no Tocantins, quanta saudade eu senti de meus pais. Mas existe uma saudade no nosso coração muito maior da que sentimos de nossos familiares, que é a saudade do Rei do Reis, e enquanto não dermos o trono para esse Rei, sentiremos saudades, pois só Deus pode matar essa saudade de nosso coração. É só Jesus que pode organizar a nossa vida. Enquanto eu estava levando Jesus no ostensório, o Rei que se faz pequeno em uma pedaço de pão, para chegar mais perto de nós, eu pude sentir que muitas pessoas foram tocadas. Mesmo que você tenha vindo para cá por outros motivos, Jesus já te esperava. Ele esperava esse momento de se encontrar conosco, pois somos criaturas, somos filhos amados de Deus. Quando nós nos afastamos de Deus, que tristeza para o Seu coração. Eu tenho a graça de atender as pessoas em confissão, e eu vejo o que o pecado faz na vida do ser humano, ele acaba com o ser humano. O inimigo de Deus que quer nos afastar cada vez mais do Pai. Jesus tem pressa te trazer para Ele, para que você proclame que sua vida não é aqui nesta terra, que você precisa buscar as coisas do céu. Você tem que ter suas coisas aqui na terra, mas é preciso ter os pés no chão, mas o coração no céu. Quem vai na missa, está adiantando esta graça, de se chegar no céu. Quando rezamos o terço precisamos deixar a oração passar no coração, para que você experimentar a manifestação de Jesus como Rei na sua vida. Jesus nasceu na pobreza, no meio das ovelhas, cavalos, e este reinado que o Senhor vem trazer para nós. É preciso que o Reinado de Deus se manifeste em nossos atos. Daqui a pouco você irá voltar para casa, e você precisa levar o que experimentou aqui, a alegria, o amor de Deus que nos encontra como estamos. Se fossemos esperar estarmos prontos para encontrar Deus estávamos perdidos. A graça de Deus irá nos conduzir, o que experimentamos aqui, não pode ficar para trás, apenas a vida velha pode ficar para trás. Nós temos que continuar seguindo em frente, só podemos seguir em frente, e a partir desse acampamento dizer: “não dá mais para voltar.” É o amor de deus que nos faz dizer sim a vontade de Deus. Em Dezembro vai fazer dois anos que sou padre, é uma decisão a cada dia, é esta decisão de cada dia que nós fará ter uma vida plena. As coisas deste mundo passam, os desejos, os prazeres da vida passam, mas as coisas do céu não passam. Busque as coisas do céu, as coisas que nos faz matar as saudades de Deus, até que enfim possamos vê-Lo face a face. Eu trabalhava na roça, meu último trabalho ficava a 9km de casa, eu ia de bicicleta rezando o terço, e no meu coração havia uma sede de Deus que eu não tinha controle, eu ia no grupo de oração, na missa. Mas no meio de semana enquanto eu esperava chegar o dia da missa, aquela sede ia aumentando em meu coração. E eu buscava cada vez mais a Deus e eu ia descobrindo os sacramentos, sacramento da confissão. E quando eu comecei a buscar a Deus de todo o meu coração, o Senhor começou a curar essa saudade que muitas vezes eu refletia nas pessoas, indo a festas, numa vida desregrada. E Deus ia me curando, me restaurando, pois a saudade não era de pessoas, mas do próprio Deus. Reze, meu irmão e você verá que sua vida irá mudar muito. Assuma seu chamado, seu lugar na Igreja, se você já faz, continue a fazer. Continue sendo a manifestação de Deus nas vidas das pessoas, mostre a elas que quem dá ordens na sua vida é Jesus. Busquemos as coisas de Deus e sairemos saciados. Minha mãe sempre foi religiosa e ela cuidava das coisas da igreja, e um dia minha mãe, Adelaide seu nome, estava diante do santíssimo, rezando de uma forma diferente, limpando e uma mulher que estava rezando, dona Lia, olhou para ela e percebeu que estava chorando. E Dona Lia perguntou o que tinha acontecido e minha mãe chorosa disse: “eu acho que estou grávida”, e dona Lia ficou feliz e minha mãe continuou chorando, dizendo que está gravidez não poderia ter acontecido, pois ela não tinha condições de ter mais um filho e dona Lia disse: “não se preocupe dona Adelaide, é menino e vai ser padre”. E hoje eu estou aqui, sacerdote de Cristo, para glória do Senhor.

 

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO

Esta é a solenidade teve sua origem com o Papa Pio XI, o qual, na Encíclica “Quas primas”, de 11 de dezembro de 1925, “desenvolve a idéia de que um dos meios mais eficazes contra as forças destruidoras da época seria o reconhecimento da realeza de Cristo”. Sua colocação no fim do Ano Litúrgico fica mais dentro daquele contexto escatológico, em que sempre se caracterizou o último domingo na liturgia. A restauração do mundo em Cristo (Cf. Cl 1,15-20), que se consumou na sua Paixão, Morte e ressurreição, com sua vitória definitiva sobre a morte (Cf. 1Cor 15,26), sendo o Cordeiro imolado digno de receber a glória e o poder (Cf. Ap 5,12), traz realmente a característica principal desta solenidade: Aquele que restaura o mundo, nele próprio criado e nele próprio subsistente, é aquele também que vai exercer sobre ele a sua realeza, e esta transcende a dimensão temporal e cósmica, isto é, os domínios de um mundo visível. A realeza, pois, que se celebra nesta solenidade é total, plena e celeste, exercida à direita do Pai (Cf. At 7,56; Hb 1,3-4; Ap 22,1). Saibamos também que a realeza de Cristo é aquela que se manifestou no sacrifício da cruz, com seu paradoxo, com sua “loucura” e com sua simplicidade redentora. Portanto, “supera de longe o modelo davídico”, embora seja, biblicamente, de sua linhagem. Escarnecido por espectadores (Cf. Mt 27,39-44), insultado pelo ladrão impenitente (Lc 23,39) e por soldados da vassalagem imperial (Lc 22,63-65), reverenciado, porém, pelas santas mulheres, venerado e adorado pela própria Mãe, estimado por amigos, mesmo trêmulos e hesitantes, Cristo lhes dá, como também a todos nós, na resposta ao ladrão arrependido, a dimensão mais profunda de sua realeza: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). De fato, se ele não fosse rei, no verdadeiro sentido, com domínio, pois, até sobre a morte, jamais poderia fazer tal afirmação. “Hoje”, ou seja, “agora”, para mim, para você, para todos, e não só para o ladrão arrependido, começa então de maneira viva, eficaz, definitiva e solene, o início da imortalidade, com nossa participação definitiva na realeza de Cristo, inseridos que fomos, pela graça batismal, no sacerdócio do Filho de Deus, graça que nos confere ainda, além da dimensão régia e sacerdotal, também a dimensão profética para a nossa vida. Sendo a origem, o centro e o fim do universo criado, Cristo é também a sua consumação mais profunda, na medida em que o restaura e o entrega ao Pai (Cf. 1Cor 15,24). O Rei da eterna realeza é o mesmo, “hoje, amanhã e por todos os séculos” (Cf. Hb 13,8), como também é “o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Cf. Ap 22,13). A liturgia faz contemplar a visão do Filho do Homem descrita na primeira leitura (Ano B), ao qual são dados o poder, a majestade e o império, e a segunda leitura, do mesmo ano, mostra o Cristo como “a testemunha fiel, o Primogênito dos Mortos, o Príncipe dos reis da Terra. São aqui títulos ainda tímidos para a compreensão da verdadeira soberania de Cristo. No seu mistério pascal, Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus (Ap 5,10) e, ressuscitado, garantiu a nossa ressurreição, pois “Ele é o Senhor que destruirá também a morte como o último inimigo (Cf. 1Cor 15,26). A exaltação de Cristo, na solenidade de sua realeza, vai permitir-nos rogar-lhe com o coração cheio de confiança: “…fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente” (Oração do dia – Anos A e B). Esta celebração, colocada no fim do Ano Litúrgico, como que o coroa na glória do Cristo-Rei, fazendo também ressoar em toda a Igreja e na vida de todos nós o caráter escatológico de toda a liturgia e seu dinamismo santificador, como já se falou antes. O Reino de Cristo é, pois, um reino que começa por dentro e que não se deixa corroer por forças exteriores, opostas a ele, ou não muito propensas a submeter-se a ele. É o reino da verdade, não deste mundo (Cf. Jo 18,36), que dá testemunho da Verdade, e não como os reinos da Terra, que manipulam a verdade, fabricando-a a seu gosto, substituindo-a pela mentira, fazendo com que ambas (verdade e mentira) vistam a mesma roupagem e dando-lhes o mesmo conceito e o mesmo valor. Sim, diga-se mais: o Reino de Deus não é um reino de interesses mesquinhos, de vassalos e de caricaturas, mas um reino de amor, tão-somente um reino de amor, que não se contenta com “servos”, mas que se abre para a intimidade de “amigos” (Cf. Jo 15,15). Um reino, pois, cujo Senhor revela totalmente seus segredos aos mais humildes e aos mais pequeninos (Cf. Mt 11,25; Lc 10,21).

 

Cristo é um Rei que domina com o amor, explica Papa Não se impõe, mas respeita a liberdade

CIDADE DO VATICANO, domingo, 22 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Cristo é um Rei que domina com o amor, sem impor-se, respeitando a liberdade do homem, explicou Bento XVI na solenidade de Cristo Rei, que a Igreja celebrou neste domingo. A realeza de Cristo não é a dos grandes deste mundo, mas consiste no poder de derrotar o mal e a morte, de “acender a esperança”, inclusive no coração mais endurecido, acrescentou o pontífice, ao rezar ao meio-dia a oração mariana do Ângelus. No último domingo antes do início do Advento, o tempo litúrgico de preparação para o Natal, o Santo Padre explicou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro que o poder de Cristo “não é como o dos reis e dos grandes deste mundo; é o poder divino para dar a vida eterna, para libertar do mal, derrotar o domínio da morte”. “É o poder do Amor, que sabe extrair bem do mal, enternecer um coração endurecido, levar paz ao conflito mais agudo, acender a esperança na escuridão mais densa. Este Reino da Graça não se impõe jamais, mas respeita sempre nossa liberdade”, acrescentou, falando da janela dos seus aposentos. Segundo o pontífice, “o título de ‘rei’ referido a Jesus é muito importante nos Evangelhos e permite dar uma leitura completa da sua figura e da sua missão de salvação”. “Pode-se observar, neste sentido, uma progressão: começa-se com a expressão ‘rei de Israel’ e se chega à de ‘rei universal’, Senhor do cosmos e da história; portanto, muito além das expectativas do próprio povo judeu”, esclareceu. Diante da grandeza desta realeza, diante do paradoxo do seu sinal, a cruz, toda consciência tem que realizar necessariamente uma “opção”, indicou Bento XVI: “A quem quero seguir? Deus ou o maligno? A verdade ou a mentira?”. “Optar por Cristo não garante o êxito segundo os critérios do mundo, mas assegura essa paz e essa alegria que somente Ele pode dar”, reconheceu. “Demonstra-o, em toda época, a experiência de tantos homens e mulheres que, em nome de Cristo, em nome da verdade e da justiça, souberam opor-se às adulações dos poderes terrenos com suas diferentes máscaras, até selar esta fidelidade com o martírio”, concluiu.

Santa Catarina de Alexandria – 25 de Novembro

VIDA DE SANTA CATARINA DE ALEXANDRIA

JOVEM CORAJOSA – é um livro que  conta como Santa Catarina enfrentou corajosamente o martírio. Em cada uma de suas páginas somos convidados a contemplar o misterioso caminho da fé.

I – Nobre, Culta e Bela
II – Pagã e Orgulhosa
III – Sonho Revelador
IV – Esposa do Imperador da Glória
V – Em  Alexandria
VI – Perseguição
VII – Corajosa e Sábia
VIII – Tortura e Cárcere
IX – As Rodas Despedaçadas
X – Martírio da Imperatriz e do General Porfírio
XI – Morte Gloriosa
XII – Veneração a Santa Catarina
XIII – Oração a Santa Catarina

I – Nobre, Culta e Bela
O rei Costus, da Cilícia, casou-se com Sabinela, mulher prudente e sábia, filha de um príncipe dos Samaritanos, que deu a Costus, como dote, terras do Egito, na região de Alexandria. Deste casamento nasceu Catarina, pelos fins do século III.

Cedo iniciou seus estudos. Freqüentou a Escola de Alexandria. Aprendeu as sete artes livres: eloqüência, poesia, música, arquitetura, escultura, plástica e coreografia. Dotada de inteligência brilhante, tornou-se, em breve, mestra nas ciências.

Seus conterrâneos a consideravam a mais bela mulher.

II – Pagã e Orgulhosa
Costus faleceu.

Sabinela e Catarina foram residir na região da Montanha Negra, na Cilícia.

Ali Sabinela conheceu o eremita Ananias que lhe revelou o Deus verdadeiro e a instruiu na fé. Sabinela aderiu a Jesus Cristo e recebeu o Batismo. Insistia com sua filha para que também ela se fizesse discípula de Cristo. Catarina resistia; defendia o paganismo e refutava todos os argumentos apresentados pela mãe, em favor de Jesus Cristo.

Catarina estava em idade de contrair matrimônio.

A mãe exortava-a para que recebesse um esposo. Os grandes do reino, do qual Catarina era herdeira, lhe pediam o mesmo, para que o reino não perecesse pela rebelião dos ambiciosos.

Príncipes de diversas regiões ouviam falar de sua sabedoria e beleza e desejavam casar-se com ela.

Catarina primava nas ciências profanas e respondia à mãe e aos pretendentes:

– Encontrai-me um esposo que seja sábio, belo e nobre; em uma palavra, da mesma condição que eu, e, por amor a vós, estou pronta a recebê-lo por marido.

Tal resposta entristecia a mãe e os príncipes.

Sabinela acorria à ermida de Ananias e lhe pedia que orasse em favor de sua filha.

III – Sonho Revelador
Certa noite, Catarina e Sabinela tiveram sonhos idênticos: uma senhora de extrema beleza, rodeada de príncipes, aproximou-se de Catarina e lhe disse:

– Todos estes são reis submissos a meu Filho, o Imperador da Glória. Se queres, escolhe para esposo o que mais te agrada.

Catarina não quis nenhum deles.

Apareceu, então, o Imperador da Glória, rodeado de uma multidão de seres celestes.

A senhora perguntou:

– Queres este, para teu esposo?

Com grande fervor, Catarina disse sim, fosse ele quem fosse, e a nenhum outro.

Sabinela reprovou-a:

– Como ousas pedir para teu esposo aquele que tem tantos reis a seus pés? Que te baste um de seus príncipes, pois todos são poderosos.

A filha respondeu:

– Não me repreendais se desejo este. Não vejo aqui nenhum outro que me seja superior em tudo, a não ser ele. Implorai à sua Mãe, a fim de que lhe fira o coração para que me aceite por esposa. Se não, jamais me casarei.

Sabinela dirigiu-se à Senhora e lhe ofereceu a filha para esposa do Imperador da Glória.

A senhora disse a seu Filho:

– Quereis esta jovem para vossa esposa?

Ele lhe respondeu:

– Não. Afastai-a. Não posso desposar uma idólatra. Se ela se batizar, prometo aceitá-la por esposa, dando-lhe um anel como sinal de aliança.

Quando acordaram, Sabinela e Catarina relataram uma à outra o sonho. Parecia-lhes ser revelador.

IV – Esposa do Imperador da Glória
Catarina e Sabinela procuraram o eremita Ananias. Contaram-lhe o sonho.

Esclarecido por Deus, o eremita lhes disse que a senhora é Maria, a Mãe de Deus; o Imperador da Glória é Jesus Cristo; os príncipes são os Patriarcas, os Profetas, os Apóstolos e os Santos; os seres celestes são os Anjos. Acrescentou, ainda, que se Catarina quisesse o Imperador da Glória por esposo, seria necessário que se fizesse cristã.

O eremita a instruiu. Chorando e com fervor, recebeu o batismo.

Catarina não conseguia esquecer o sonho. Desejava Cristo para seu esposo.

Certo dia, rezando em seu quarto, o Senhor lhe apareceu. Em sinal de que a aceitava por esposa, colocou-lhe um anel verdadeiro no dedo e prometeu fazer por ela grandes coisas. E desapareceu.

Catarina compreendeu que era uma visão espiritual. A Caridade Divina a abrasava e a envolvia por respeitosa ternura para com o Senhor Jesus, seu esposo. Ele a cumulava de graças. Catarina passou a dedicar seu tempo à contemplação, à oração, à leitura e meditação da Sagrada Escritura, especialmente dos textos dos Evangelhos.

Costumava exclamar:

– Ó pecadora, como perdi meu tempo nas trevas dos livros profanos!

– Catarina, eis o Evangelho de teu esposo! Põe teu coração a estudá-lo cuidadosamente, a fim de que possas chegar à luz da Verdade.

V – Em Alexandria
Os grandes do reino pediam a Catarina que se casasse. Catarina respondeu:

– Sou esposa do Rei Altíssimo, o Salvador do mundo. Eis o anel pelo qual o Senhor Jesus me declarou sua esposa.

Os príncipes continuaram a insistir.

Catarina, querendo servir unicamente a Deus, pediu à mãe para retornarem à Alexandria, ao patrimônio que lhe pertencia por herança. Confiaram o reino a um governador e partiram.

Sabinela sentia-se feliz com as boas disposições da filha. Mas, por esse tempo, Sabinela morreu em paz.

Catarina, em Alexandria, administrava cuidadosamente seus bens e cuidava dos servos. Distribuía víveres e vestimentas entre eles.

Da abundância da fortuna de seu pai ela fazia esmolas aos pobres.

Os príncipes da Cilícia ficaram desapontados. Acusaram Catarina de cristã, ao Imperador Maxêncio, que deu ouvidos aos mensageiros dos príncipes.

Determinou que Catarina fosse vigiada secretamente. Em breve, ele mesmo iria a Alexandria. Ficou sabendo que a jovem era sobrinha de seu primo Constantino, seu inimigo mortal, que o expulsara de Roma.

VI – Perseguição
Estamos por volta do ano 307.

Dioclesiano e Maximiano haviam favorecido a idolatria e perseguido a Igreja. Maxêncio, filho de Maximiano, quis incrementar o poder da idolatria. Ordenou que a Igreja de Cristo fosse perseguida e arrasada. Para melhor identificar os cristãos, organizou pomposa festa.

No dia determinado, Maxêncio, ao som de trombetas, fez convocar os habitantes de Alexandria a se reunirem no templo dos deuses, a fim de oferecerem sacrifícios segundo as posses: os ricos, touros e carneiros; os pobres imolariam pássaros.

Por toda cidade ouvia-se a voz dos animais que eram sacrificados. O sangue das vítimas escorria pelo chão.

Catarina, ao ouvir o som das trombetas, os gritos dos animais e todo o alarido que se fazia no templo dos ídolos, enviou mensageiros para se informar sobre os acontecimentos. Ciente do que era, dirigiu-se ao templo. Encontrou cristãos a chorar, a gemer e a se queixar. Por medo da morte, viram-se constrangidos a participar dos sacrifícios aos ídolos.

A jovem Catarina, tocada de dor e de zelo, enfrentou o olhar do imperador.

Reprovou-o pela ingratidão para com Deus que o investira de poder; e ele, em vez de reconhecer o seu Criador, sacrificava aos ídolos, inventados pelos homens, e lhes rendia as homenagens devidas ao Deus verdadeiro.

– Além do mais, Deus não se alegra com o sacrifício de animais. O que Deus quer de seus filhos é a fé, a prática da justiça e da misericórdia.

Enquanto a jovem falava, o imperador fixou-lhe o olhar. Considerava a beleza irradiante do semblante da virgem, a coragem e a força de seus argumentos. Quando ela terminou de falar, ele procurou refutar suas afirmações e reprovações, apoiando-se na tradição dos antepassados, e demonstrando o absurdo do Cristianismo.

Maxêncio, vendo que não podia vencê-la na sabedoria, convidou-a a residir em seu palácio e submeter-se às suas ordens.

VII – Corajosa e Sábia
O imperador Maxêncio convocou os eruditos.

Quando souberam do motivo, ficaram decepcionados. Julgaram ser afronta à sua sabedoria, disputar com a jovem que eles qualificaram de feiticeira, atrevida e orgulhosa. O imperador prometeu-lhes presentes e honras se a convencessem de erro.

Catarina, ciente do duelo intelectual que a esperava, não se perturbou.

Recomendou-se ao Senhor dizendo:

– Senhor Jesus Cristo, que te dignaste reconfortar teus servos para que não tremessem ante às perseguições; que lhes disseste: “Quando estiverdes diante dos reis e presidentes, não vos inquieteis sobre o que haveis de responder. Eu vos darei uma sabedoria à qual vossos adversários não poderão resistir, nem vos contradizer”, sê presente a mim, tua serva, e dá à minha boca a palavra exata a fim de que aqueles que vieram para insultar Teu nome, não tenham força e poder contra mim, mas que, ao contrário, pela virtude de Tua palavra, seus sentidos endurecidos se abram à Tua luz e que eles rendam honra e glória ao Teu nome, Senhor, que com o Pai e o Espírito Santo, reinas sempre, pelos séculos. Amém.

Apareceu-lhe o Arcanjo São Miguel e lhe disse:

– Não tenhas medo, Catarina! És agradável a Deus! Continua neste caminho. Jesus Cristo, amigo verdadeiro e fiel, te recompensará pelas lutas que travas por amor a Ele. Teus adversários serão tocados pela Graça. Em breve tua provação chegará ao fim.

Maxêncio, em seu trono, mandou que entrassem os sábios. Ordenou que Catarina se apresentasse. Grande número de alexandrinos acorreu para ouvir a disputa.

Os sábios expuseram sua doutrina em defesa da autoridade dos deuses. O auditório aplaudiu.

Catarina falou da divindade eterna sem princípio, do Criador do céu e da terra e da humanidade do Verbo, para a redenção do mundo. Tal foi a força de suas razões e a evidência das afirmações, que abalou as convicções dos 50 sábios e todos confessaram a verdade do cristianismo.

Muitos, dentre o povo, se converteram a Cristo.

Maxêncio, vencido nos mestres de sua crença, enfurecido por ver demonstrada a falsidade dos deuses, mandou que os sábios fossem queimados vivos, em praça pública, no dia seguinte.

VIII – Tortura e Cárcere
Por ordem do tirano, Catarina foi encarcerada.

No dia seguinte, Maxêncio mandou vir Catarina à sua presença.

Estava apaixonado pela beleza da jovem. Procurou conquistá-la por meio de promessas e de adulações. Prometeu-lhe as honras devidas a uma deusa e dedicar-lhe um templo.

A jovem insistia junto ao imperador para que deixasse de fazer tais propostas. Fiel a Jesus Cristo, dispôs-se a aceitar os sofrimentos e o martírio.

O monarca enfurecido, deu ordens para que a jovem fosse flagelada.

Catarina continuou condenada ao cárcere escuro, sem comer e sem beber.

Maxêncio precisou viajar.

Em sua ausência, a Imperatriz chamou o General Porfírio e contou-lhe:

– Nesta noite tive um sonho que me fez sofrer. Vi uma jovem encerrada num cárcere, rodeada de luz e de muitas pessoas vestidas de branco. A jovem se aproximou de mim e colocou-me uma coroa na cabeça dizendo: Ó imperatriz, eis a coroa que o céu te envia, em nome de Jesus Cristo, meu Deus e meu Senhor!”

Peço-te, Porfírio, que me acompanhes à prisão em que se encontra Catarina.

Porfírio já perdera a fé nos deuses e olhava com simpatia o Cristianismo.

Chegaram ao cárcere às primeiras horas da noite. Estava iluminado por claridade indescritível. Rescendia suave odor. Apavorados, caíram por terra.

– Levantai-vos! disse Catarina. Não vos assusteis! Cristo quer dar-vos a vitória.

Catarina conversou longamente com a imperatriz e o general Porfírio que aderiram a Cristo. Animou-os a se prepararem para as conseqüências, inclusive para o martírio que sua adesão a Cristo lhes traria.

Porfírio comandava a primeira coorte dos guardas imperiais: 500 homens. Confirmado na fé, anunciou a seus soldados a Boa Nova de Jesus. Muitos se converteram.

Uma pomba branca trazia um alimento divino que sustentava Catarina, na prisão.

No 12º dia de prisão, Cristo lhe apareceu e disse:

– Alegra-te! Não tenhas medo! Estou contigo e não te abandonarei jamais. Muitos devem a ti a fé em meu nome!

IX – As Rodas Despedaçadas
Maxêncio retornou da viagem. Convocou Catarina a comparecer no tribunal. O imperador ficou surpreso ao vê-la mais bela do que antes, apesar do jejum e da flagelação.

Ordenou que os guardas fossem castigados se não revelassem quem a havia socorrido na prisão. Para defender a vida dos guardas, Catarina declarou:

– Se estou com boa aparência é porque Aquele que eu confessei diante de ti, dignou-se alimentar Sua serva com pão celestial.

Mais irritado ainda, Maxêncio acusa-a de feiticeira. Ordena que seja torturada e assassinada.

A caminho do suplício, Catarina converteu a muitos que insistiam com ela para que atendesse aos desejos do imperador.

Chursates, alto funcionário da corte, homem diabólico, veio ter com o imperador e lhe propôs condenar Catarina ao suplício da máquina com facas e pontas de ferro nas quatro grandes rodas que, ao se movimentarem em sentidos inversos umas das outras, despedaçariam o corpo colocado no meio delas. A máquina foi colocada na praça pública e Catarina foi trazida para o local.

Enquanto preparavam o suplício, Catarina permaneceu tranqüila e rezou:

– Ó Deus, Pai Todo-Poderoso, que não cessas de vir com bondade em socorro daqueles que Te invocam em seus perigos e em suas necessidades, atende-me. Peço-Te que esta máquina de tortura seja destruída a fim de que aqueles que estão aqui, tocados pelo Teu poder, glorifiquem Teu santo nome. Tu sabes que não oro por medo dos sofrimentos, pois desejo, de coração, chegar a Ti por qualquer gênero de morte, mas rezo por aqueles que, através de mim, devem crer em Ti e perseverem na confissão de Teu nome.

Apenas a jovem acabara a oração, eis que um Anjo descendo do céu, num turbilhão, quebrou a máquina com tal ímpeto que os pedaços se projetaram sobre os algozes. Alguns morreram atingidos pelos pedaços das rodas e, outros, pelo raio.

X – Martírio da Imperatriz e do General Porfírio  
A Imperatriz foi ter com seu marido e lhe disse:

– Por que lutas contra o Senhor meu Deus? Que loucura te ergueres contra o Criador! Pensas que terás êxito? Reconhece, ao menos agora, nas rodas quebradas, o poder do Deus dos cristãos!

Muitos pagãos, vendo o sinal do céu, converteram-se a Jesus Cristo e diziam:

– Verdadeiramente, o Deus dos cristãos é muito grande. Confessamos Sua glória e somos Seus servidores, pois os teus deuses, ó imperador, são ídolos vãos e inúteis que não podem ajudar em nada aos seus adoradores e nem a eles mesmos.

Irritado ao ver que sua esposa professava a fé em Jesus Cristo ordenou aos carrascos que a levassem ao lugar do suplício para ser martirizada.

A imperatriz se encontrou com Catarina e lhe disse:

– Ó virgem de Jesus Cristo, ora por mim ao Senhor Deus por cuja glória iniciei este combate. Pede-lhe que ele confirme minha coragem, que fortaleça meu coração a fim de que, por meio do martírio, como afirmaste, obtenha aquilo que Cristo prometeu a Seus servos.

Catarina respondeu:

– Não tenhas medo, ó Rainha, amada pelo Senhor Deus, mas age com coragem, pois hoje, em troca de teu reino passageiro, receberás um reino eterno; em lugar de teu esposo mortal, farás aliança com o esposo imortal. Os sofrimentos passageiros conduzir-te-ão ao repouso eterno. Uma morte rápida, conduzir-te-á à vida que não terá fim. Hoje, em verdade, verás o dia em que se realizará teu nascimento.

Encorajada, a rainha exortou os algozes a cumprirem logo as ordens do tirano.

Os carrascos conduziram-na para fora da cidade. Com tenazes de ferro lhe arrancaram os seios; e, depois de cruéis tormentos, lhe deceparam a cabeça.

Na manhã seguinte o imperador ficou sabendo que o general Porfírio e seus soldados embalsamaram e sepultaram o corpo da imperatriz. Encolerizado, ordenou que Porfírio e seus soldados fossem martirizados e decapitados. Por um edito expresso ordenou que seus corpos fossem devorados pelos cães.

XI – Morte Gloriosa
Alguns dias depois, o imperador Maxêncio pediu que lhe trouxessem Catarina e lhe disse:

– Embora sejas mais culpada do que todos aqueles que, seduzidos por tua arte mágica, incorreram, por tua causa, à dura sentença de morte, todavia, se te arrependeres e ofereceres incenso às nossas divindades onipotentes, poderás reinar feliz conosco e ser nomeada a primeira em nosso reino.

Catarina desdenhou as promessas do tirano e preferiu ser fiel a Jesus Cristo.

Maxêncio ordenou que fizessem Catarina sair de sua presença e que fosse imediatamente decapitada.

Enquanto Catarina se apressava em direção ao lugar fixado para o martírio, viu a multidão que a seguia e muitos choravam. Disse-lhes:

– Se alguma piedade natural vos comove a meu respeito, peço-vos: alegrai-vos comigo, pois vejo Nosso Senhor Jesus Cristo que me chama. Ele é a soberana recompensa dos santos, a beleza e a coroa das virgens.

Pediu ao carrasco lhe desse tempo para orar:

– Ó bom Jesus, que és a alegria e a salvação de todos os que crêem em Ti, eu Te agradeço, meu Salvador, por Te haveres dignado admitir-me entre Teus servos.

Usa de misericórdia para com Tua humilde serva a fim de que todos aqueles que, em memória de meu martírio, Te louvarem e glorificarem, ou que me invocarem na hora da morte, ou em qualquer angústia, tribulação ou necessidade, sintam o poderoso efeito de Tua ajuda. Que toda peste e fome, toda doença e contágio, que a mortal violência das tempestades se afastem para longe deles. Que em seus campos e lavouras a colheita seja abundante. Que o ar, em seu clima, seja doce e salutar. Que todos os elementos lhes sejam amigos. Que eles obtenham abundância de bens corporais e espirituais.

Eis que meu combate chega ao fim, ó bom Jesus; mas, belo Senhor Deus, ordena que meu corpo, que agora será entregue à morte pelo gládio, seja guardado dos cães vorazes, pelas mãos de Teus anjos, e que ele espere em paz o dia em que se reunirá à minha alma, na companhia das virgens bem-aventuradas, no paraíso da felicidade eterna.

Catarina estendeu o pescoço e disse ao algoz:

– Eis que Nosso Senhor Jesus Cristo me chama! Faze o que tens a fazer.

O algoz, de um só golpe, decepou-lhe a cabeça.

XII – Veneração a Santa Catarina  
Segundo a tradição, os Anjos (monges) transportaram o corpo de Catarina para o mais alto pico do monte Sinai que passou a ter seu nome.

Desde os primeiros tempos do cristianismo, muitos fiéis, para fugirem das perseguições de Roma, e viverem mais unidos a Deus, no silêncio e na solidão, retiraram-se nos desertos do Sinai. Já no século III depois de Cristo encontramos monges no Sinai formando comunidades junto aos lugares santos: ao redor do monte Horeb, junto à “sarça ardente”, ao oásis Faran e a outros lugares, ao sul do Sinai.

Os primeiros monges sofreram privações, quer pela hostilidade da natureza, quer pelos assaltos de tribos nômades. Nada os detinha de se adentrarem nos desertos sinaíticos. Muitos deles viviam eremiticamente, nas grutas e dedicavam-se à oração. Nos dias festivos reuniam-se perto da “sarça ardente” para ouvirem o mestre espiritual e receberem a Eucaristia.

A liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino9  propiciou o florescimento da vida monástica do Sinai.

O imperador bizantino Justiniano (527 a 565) ordenou a construção do Mosteiro de Santa Catarina10  e da Igreja, no Monte Sinai.

A veneração a Santa Catarina teve novo impulso quando seu corpo foi descoberto no Monte Katharin, no século VIII. Tornou-se objeto de freqüentes visitas.

Sua veneração propagou-se nas cristandades do Oriente, em toda Igreja Grega, no Ocidente, especialmente, na Igreja Latina.

A Biblioteca Nacional da França possui a Vida de Santa Catarina em dois manuscritos de redação latina anteriores às Cruzadas.

As Cruzadas, facilitando as peregrinações aos Santuários do Oriente, tornaram ainda mais conhecida, à Europa, a veneração de Santa Catarina.

Catarina é um nome comum de batismo. Numerosas Igrejas e Capelas, localidades, tanto no Oriente como no Ocidente, são colocadas sob sua proteção.

Ela é honrada como padroeira da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, dos jovens, das faculdades de filosofia das universidades, das escolas cristãs, da corporação dos moleiros (donos de moinho) e dos fabricantes de carros.

É um dos quatorze santos auxiliares.

Sua festa é celebrada no dia 25 de novembro.

XIII – Oração a Santa Catarina
Senhor, nosso Deus, nas tribulações Tu nos revelas o poder de Tua misericórdia. De Ti, Santa Catarina recebeu a graça de suportar o martírio. De Ti nos venha também a força de confiar em Teu auxílio em todas as necessidades. Isto Te pedimos por Jesus Cristo. Amém.

Santa Cecília – 22 de Novembro

Embora se trate da mesma pessoa, na prática fala-se de duas santas Cecílias: a da história e a da lenda. A Cecília histórica é uma senhora romana que deu uma casa e um terreno aos cristãos dos primeiros séculos. A casa transformou-se em igreja que se chamou mais tarde Santa Cecília no Trastévere; o terreno tomou-se o cemitério de São Calisto, onde foi enterrada a doadora, perto da cripta fúnebre dos papas. Lá repousou, sem fazer falar de si, até ao século VI, quando os peregrinos começaram a perguntar quem era essa Cecília cujo túmulo e cuja inscrição se encontravam em tão honrosa companhia. Para lhes satisfazer a curiosidade foi então publicada uma Paixão, que deu origem à Cecília lendária; esta foi sem demora colocada na categoria das mártires mais ilustres.

Segundo o relato da sua Paixão é uma jovem da mais alta nobreza que, desposada contra vontade, observa o voto de virgindade antes feito, e morre mártir três dias depois do casamento, depois de converter, neste pouco tempo, o marido, o cunhado, os algozes e outros 400 pagãos.

Ainda hoje está, na mencionada igreja do Trastévere, em Roma, estendido na urna de cipreste, o corpo decapitado de Santa Cecília, com a túnica que levou quando a transportavam para as catacumbas. Não sabemos sequer em que época viveu. Há quem afirme que foi contemporânea de Marco Aurélio, enquanto outros sustentam que foi vítima da perseguição de Diocleciano ou da de Julião Apóstata (imperadores entre 161-180, 284-305 e 361-363).

Diz-se que era uma jovem patrícia muito culta, cujos ascendentes eram tudo o que havia de mais ilustre na história de Roma. Embora tivesse feito voto de virgindade, os pais casaram-na com Valeriano, que vivia no Trastévere. Logo a seguir à cerimônia nupcial, Cecília disse-lhe: «O dulcissime et amantissime juvenis – Ó dulcíssimo e bem-amado jovem, há um mistério que eu te revelarei se me jurares que o guardarás fielmente». Valeriano jurou, e ela então revelou-lhe que era guardada por um Anjo; «mas, para o veres, acrescentou, tens primeiro de ser purificado».

Por estas indicações, Valeriano foi encontrar-se com o ancião Urbano, que vivia escondido entre os túmulos cristãos, e recebeu das suas mãos o batismo. Ao regressar, encontrou Cecília em oração e um anjo a seu lado. Este, que tinha nas mãos duas coroas, colocou uma sobre a cabeça de Cecília e outra sobre a de Valeriano e ofereceu-se a este para lhe conceder qualquer favor que desejasse. Valeriano pediu-lhe então que fosse também concedida a graça do batismo a seu irmão Tibúrcio. Como a perseguição recrudescia e os dois irmãos se dedicavam a inumar os confessores da fé a quem a polícia imperial recusava sepultura, foram presos e decapitados. Por sua vez, Cecília foi presa por ter sepultado os corpos deles na sua vila da Via Ápia. Colocada perante a alternativa de sacrificar aos deuses ou morrer, escolheu a morte. Ao prefeito Almáquio, que lhe lembrava que tinha sobre ela direito de vida ou de morte, respondeu: «É falso, porque podes dar-me a morte, mas não me podes dar a vida». Almáquio condenou-a a morrer asfixiada; como ela sobreviveu a esse suplício, mandou cortar-lhe a cabeça.

Nas Atas de Santa Cecília lê-se esta frase: «Enquanto ressoavam os concertos profanos das suas núpcias, Cecília cantava no seu coração um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro esposo». Estas palavras, lidas um tanto por alto, fizeram acreditar no talento musical de Santa Cecília e valeram-lhe o ser padroeira dos músicos.

Diante do altar da basílica de Santa Cecília «in Trastévere», admira-se a bela estátua marmórea de Estêvão Maderno, que em1600 arepresentou como foram descobertas as suas relíquias, que se encontram, como dissemos, numa urna de cipreste. A mártir está deitada sobre o lado direito, com a cabeça virada para o chão e uma grande cutilada no pescoço. Tem os dois braços estendidos diante do tronco, apresentando a mão esquerda o dedo indicador, único não dobrado, e a mão direita com o polegar, o indicador e o maior, bem salientes. Um na direita e três na esquerda: afirmação da unidade e da trindade de Deus, dogmas pelos quais a Santa morria. Os joelhos tem-nos um pouco dobrados, para o vestido, em gesto de grande resguardo, chegar bem até ao pé esquerdo, único visível.

 

SANTA CECÍLIA PADROEIRA DOS MÚSICOS
Padre Delton Filho, Comunidade Coração Fiel

Dia 22 de novembro, dia do músico, fazemos memória de Santa Cecília padroeira dos músicos. Existe uma mártir da Igreja que nos deixou uma história fenomenal, é padroeira, protetora dos músicos. Cecília viveu nos primeiros séculos da Igreja, era de família nobre, que tinha posses. Naquele tempo, a Igreja vivia o duro período da perseguição. Para professar a fé, se encontrar com a Palavra e a Eucaristia muitos tinham que celebrar às escondidas. Muitas vezes isso acontecia nas casas das famílias e Cecília tinha o prazer de emprestar sua casa para a celebração da Santa Missa. Cantava maravilhosamente, fazendo com que todos sentissem a presença de Deus, também era instrumentista – tocava piano e harpa. E, por causa de sua beleza externa e também por causa de sua voz, o imperador quis possuí-la; então a convidou para ir até seu palácio e lhe fez esta proposta: “venha morar comigo aqui no palácio e eu lhe darei tudo que você ainda não pôde experimentar. Quero ouvir sua música e ter você a meu lado”. Ela respondeu que não poderia ir, porque estava noiva e amava Jesus de Nazaré. Então voltou para casa, mas começa a ser perseguida pelo imperador para que mudasse de idéia. Mas permaneceu fiel.
Chegando o dia das núpcias de Cecília, quando partilharia com seu esposo o amor que celebraram diante de Deus. No leito nupcial, ela faz uma revelação a seu esposo, olhando em seus olhos, “O amor do Senhor me conquistou. Eu te amo também, mas preciso lhe pedir que me permita viver para Ele, mesmo estando a seu lado. Guardando a minha virgindade.” O marido confuso, mas também tocado por suas palavras responde “Eu acredito em você se um anjo vier e disser que você pertence a Deus”. Então Cecília se ajoelhou e fez uma oração que seu esposo jamais esqueceu, pedindo a Deus este sinal. Aqui encontramos a espiritualidade do músico, pois a canção, na verdade, é extensão, conseqüência de toda intimidade que o músico tem com o Senhor. O anjo então, se entrou no quarto nupcial e se aproximando do esposo, diz “Ela pertence ao Senhor”. Naquela hora, o esposo consagrou-se também ao Senhor para viver unido a ela como casal, mas os dois castamente para o Senhor. Mas o imperador não desistiu e depois matar o esposo de Cecília, pediu-lhe que renunciasse a Deus. Ela negou e ficou presa uma semana, sem nenhum contato com ninguém, não podia nem cantar. Mas permaneceu firme e consciente do que queria, mesmo enfraquecida. Todo músico passa por situações dolorosas, quem não sofre não vive, quem não vive não cresce, quem não cresce não morre e quem não morre não ressuscita. Depois de ter sobrevivido a um incêndio, tiraram-lhe seu instrumento mais precioso – sua voz. O soldado cortou com uma faca a garganta de Cecília. É conhecimento médico que alguém sofrendo um corte nesta área, morre em minutos. Mas por um milagre ela sobreviveu ainda por três dias. Os cristãos que estavam por perto, pediram que escrevesse um “testamento”. Cada músico precisa pensar em seu testamento. Nosso Senhor deixou seu testamento na cruz, por meio das 7 palavras. Qual herança você vai deixar? Cecília escrevia as últimas recomendações a seus criados e amigos. Uma delas era que sua casa fosse transformada em uma Igreja, e de fato hoje a casa de Cecília está no subsolo de sua basílica. Antes de morrer disse, por meio de gestos “morro por causa de meu Deus”.
Dê a Deus o seu melhor, como Cecília que não teve medo de dar até a própria vida. Nós precisamos de cristãos que tem a coragem de dar a vida, há esperança para o nosso Brasil, há esperança para a Igreja. Não retenha nada para si, confie, dê ao Senhor o seu máximo. Porque Ele já lhe deu tudo, já fez tudo por você. Músico não retenha nenhuma nota sequer, dê tudo ao Senhor. Não espere amanhã, não podemos aumentar um dia sequer na nossa existência. E se for a sua última chance? Renda-se diante do amor de Deus, renda-se diante do tudo que Deus lhe deu. Se você precisa de ajuda, eu também preciso, todos nós precisamos. Mas comece com humildade, uma coisa de cada vez. Comece rendendo-se ao Senhor.

Apresentação de Nossa Senhora no Templo – 21 de Novembro

“O Senhor Deus Vos abençoou, Virgem Maria, mais que todas as mulheres. Ele exaltou o vosso nome: que todos os povos cantem vosso louvor” (Jt 13,23.25).

“Neste dia da dedicação da Igreja de Nossa Senhora, construída junto ao templo de Jerusalém, celebramos juntamente com os cristãos do Oriente aquela dedicação que Maria fez a Deus de si mesma desde a infância, movida pelo Espírito Santo, de cuja graça tinha sido repleta na sua Imaculada Conceição (Liturgia das Horas). No Ocidente, a festa remonta ao século XIV, exatamente ao ano 1372, com Gregório XI.” Alves, José Benedito, Os Santos de Cada Dia, SP, Paulinas, 2008, p. 656

ORAÇÃO DO DIA
Ao celebrarmos, ó Deus, a gloriosa memória da santa Virgem Maria, concedei-nos, por sua intercessão, participar da plenitude da vossa graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. (Liturgia das Horas)

Leituras da Liturgia Eucarística: Zc 2,14-17; Lc 1,46-55; Mt 12,46-50
EVANGELHO: Mt 12,46-50
Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

REFLEXÃO
“Jesus não põe em questão a grandeza e a bondade da família humana, mas põe as bases de uma íntima união com Ele: fazer a vontade do Pai. No âmago das relações humanas instaura-se novo parentesco espiritual, que une a Cristo e ao Pai: é a consonância com a vontade do Pai. Dele veio a vida, dele vem todo o bem. Nisto Maria é louvada tacitamente: ela é aquela que aceitou em plenitude a iniciativa do Pai. Nas famílias cristãs tudo deve tornar-se “sinal” não só de pertença à própria família, mas ainda à família mais dos filhos de Deus: ‘Todos aqueles que, atraídos pelo Pai e movidos pelo Espírito Santo, respondem livremente ao amor revelado e comunicado no Filho, formam a Igreja, assembleia dos eleitos em Cristo’ (RdC 7)”. (Missal Dominical, Paulus, 1995, p. 1053)

 

A APRESENTAÇÃO DA VIRGEM MARIA NO TEMPLO
21 de novembro
De acordo com a Constituição Dogmática Lumen Gentium, a Igreja Católica celebra o culto à Virgem Santíssima com as Festas de Nossa Senhora, dentro do calendário litúrgico. Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a Igreja celebra a Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, pois está unida, indissoluvelmente, à obra de salvação do seu Filho (Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, § 103).
A memória da Apresentação da Santíssima Virgem Maria no Templo tem grande importância, pois comemoramos um dos “mistérios” da vida d’Aquela que foi escolhida por Deus como Mãe de seu Filho e como Mãe da Igreja. Com a “apresentação” de Maria podemos fazer uma alusão também à “apresentação” de Jesus e de cada um de nós ao Pai.
A Sagrada Escritura não relata o nascimento de Maria Santíssima nem o episódio da Sua apresentação no templo. Entretanto, muitos escritos apócrifos e a Tradição, narram, com muitos detalhes, que a Santa Menina, a pedido seu, foi levada por seus pais, Joaquim e Ana, ao templo na idade de três anos, onde se consagrou em corpo e alma ao Senhor. Segundo a mesma tradição apócrifa, ela teria ali permanecido até os doze anos, saindo apenas para desposar São José.
O Papa Paulo VI, em sua exortação apostólica Marialis Cultus (I PARTE § 8), escreveu que “apesar de seu teor apócrifo, a história da Apresentação propõe conteúdos de elevado valor exemplar e continuam veneráveis tradições, radicadas sobretudo no Oriente”.
Segundo a Tradição, no templo havia um colégio para meninas pobres que recebiam, ali, sólida instrução, além de servir a Deus por meio dos seus trabalhos, estudos e piedosas práticas. À luz do que conhecemos, entendemos que também a infância e a adolescência da Mãe de Deus deveriam ter sido momentos importantes, totalmente marcados pela Graça Divina.
A liturgia aplica à Virgem Santíssima algumas frases dos livros sagrados relativamente à Apresentação de Maria no templo:
“Assim fui firmada em Sião; repousei na cidade santa, e em Jerusalém está a sede do meu poder. Lancei raízes no meio de um povo glorioso, cuja herança está na partilha de meu Deus; e fixei minha morada na assembleia dos santos. (Eclo 24, 15-16).
Elevei-me como o cedro do Líbano, como o cipreste do monte Sião; cresci como a palmeira de Cades, como as roseiras de Jericó. Elevei-me como uma formosa oliveira nos campos, como um plátano no caminho à beira das águas (Eclo24, 17-19).
A festa da Apresentação da Virgem Maria no Templo expressa Sua pertença exclusiva a Deus e a completa dedicação de Sua alma e de Seu corpo ao mistério da salvação, que é o mistério da aproximação do Criador às suas criaturas. Além de festejar um acontecimento da vida de Nossa Senhora, a festa da Apresentação quer nos recordar também, o período que vai do Seu nascimento até a Anunciação do Anjo. Ao celebrá-la, a Igreja quer clarificar, tanto quanto possível, o silêncio existente na Sagrada Escritura acerca do primeiro período da vida de Maria Santíssima.
A memória da apresentação de Maria nos mostra que Ela estava preparada para sua missão desde a infância, motivada pelo Espírito Santo, de cuja graça estava repleta desde a sua imaculada concepção.
Rezemos a Nossa Senhora:
Ajudai-me a amar o Vosso Deus com toda a minha alma, com todas as minhas forças, Virgem Santíssima, menina sem mácula, auxiliai-me com a vossa bênção. Amém.
Rita de Sá Freire
Associada da Academia Marial de Aparecida
Administradora do Apostolado “Nos Passos de Maria”
Facebook: Nos Passos de Maria
Fontes consultadas:
– Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, 103) Papa Paulo VI, 25 de janeiro de 1964.
– Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja – Papa Paulo VI, 21 de Novembro de 1964.
– Exortação Apostólica Marialis Cultus do Santo Padre Paulo VI para a reta ordenação e desenvolvimento do culto à Bem-Aventurada Virgem Maria – 2/01/1974.
– Revista Catolicismo – Nov/ 1997
– Bíblia Católica Ave-Maria – Edição Pastoral

 

A apresentação de Nossa Senhora no Templo – 21 de novembro
Honramos no dia 21 de novembro a Apresentação de Nossa Senhora no Templo. Esta festa antiquíssima lembra que Nossa Senhora, então com 3 anos foi levada por seus pais São Joaquim e Santa Ana ao Templo, onde com outras meninas e piedosas mulheres foi instruída cuidadosamente a respeito da fé de seus pais e sobre seus deveres para com Deus.
Historicamente a origem desta festa foi a dedicação da Igreja de Santa Maria a Nova em Jerusalém, no ano de 543. Comemora-se no Oriente desde o século VI. Dela fala até o Imperador Miguel Comneno na Constituição de 1166
Um nobre francês, chanceler na Corte do Rei de Chipre, tendo sido enviado a Avignon em 1372, na qualidade de Embaixador junto ao Papa Gregório XI, contou-lhe a magnificência com que na Grécia era celebrada no dia 21 de novembro. O Papa então a introduziu em Avignon e Sixto V a extendeu a toda a Igreja.
A memória da apresentação da Virgem Maria é celebrada no dia 21 de novembro, quando se comemora um dos momentos sagrados da vida da Mãe de Deus, sua apresentação no Templo por seus pais Joaquim e Ana. Nenhum livro da Sagrada Escritura relata este acontecimento, sendo fartamente tratado nas escrituras apócrifas, que não são reconhecidas como inspiradas. Segundo esses apócrifos, a apresentação de Maria foi muito solene. Tanto no momento de sua oferta como durante o tempo de sua permanência no Templo verificaram-se alguns fatos prodigiosos: Maria, conforme a promessa feita pelos seus pais, foi conduzida ao Templo aos três anos, acompanhada por um grande número de meninas hebreias que seguravam tochas acesas, com a presença de autoridades de Jerusalém e entre cantos angélicos.
Para subir ao Templo havia 15 degraus, que Maria subiu sozinha, embora fosse tão pequena. Os apócrifos dizem ainda que Maria no Templo se alimentava com uma comida extraordinária trazida diretamente pelos anjos e que ela não residia com as outras meninas. Segundo a mesma tradição apócrifa ela teria ali permanecido doze anos, saindo apenas para desposar São José, pois durante este período havia perdido seus pais.
Na realidade a apresentação de Maria deve ter sido muito modesta e ao mesmo temo mais gloriosa. Foi de fato através deste serviço ao Senhor no Templo, que Maria preparou o seu corpo, mas sobretudo a sua alma, para receber o Filho de Deus, realizando em si mesma a palavra de Cristo: “Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
Na Igreja Oriental, a festa da Apresentação é celebrada desde o século VII, no dia 21 de novembro, aniversário da Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, em Jerusalém. Contudo , ela só foi estabelecida na Igreja Ocidental no século XIV pelo papa Gregório XI, a pedido do embaixador de Chipre junto à Santa Sé. A cidade de Avinhão, na França, residência dos papas naquela época, teve a glória de ser a primeira do Ocidente a celebrar a nova festividade em 1732.
Desde então este episódio da vida de Maria Santíssima começou a despertar o interesse dos cristãos e dos artistas, surgindo belíssimas pinturas sobre o tema da Apresentação.
A primeira paróquia dedicada a esta invocação mariana no Brasil ocorreu em 1599, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A cidade de Porto Calvo, em Alagoas, palco de diversas batalhas entre brasileiros e tropas invasoras, durante a guerra holandesa, tem também como padroeira a Senhora da Apresentação.
No Rio de Janeiro, o bairro do Irajá, era antigamente um vasto campo público, destinado à pastagem e descanso do gado que descia para o consumo da cidade. Em 1644 ali foi erigida uma pequena e humilde capela sob o patrocínio de Nossa Senhora da Apresentação pelo Pe. Gaspar da Costa, que foi mais tarde o seu primeiro Vigário e cujo pai possuía propriedades nos arredores. A igrejinha foi reformada, ampliada e transformada em paróquia, uma das mais antigas do Rio de Janeiro.
Fonte: www.fatima.com.br

 

21 de novembro – Apresentação de Nossa Senhora
A Memória que a Igreja celebra neste dia 21 de novembro não encontra fundamentos explícitos nos Evangelhos Canônicos, mas algumas pistas no chamado Proto-evangelho de Tiago, Livro de Tiago, ou ainda, História do nascimento de Maria. A validade do acontecimento que lembramos possui real alicerce na Tradição que a liga à Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, construída em 534, perto do templo de Jerusalém.
Os manuscritos não canônicos, contam que Joaquim e Ana, por muito tempo não tinham filhos, até que nasceu Maria, cuja infância se dedicou totalmente, e livremente a Deus, impelida pelo Espírito Santo desde sua concepção imaculada. Tanto no Oriente, quanto no Ocidente observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e com muita sabedoria sendo acolhida pela Liturgia Católica, por isso esta festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, onde busca exaltar a Jesus através daquela muito bem soube isto fazer com a vida, como partilha Santo Agostinho, em um dos seus Sermões:
‘Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação; criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Fez Maria totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade em ser discípula do que mãe de Cristo. E assim Maria era feliz porque já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente’. (Dom Total)

Da Liturgia das Horas
Ofício das Leituras
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo (Séc.V)
Aquela que acreditou em virtude da fé, também pela fé concebeu Prestai atenção, rogo-vos, naquilo que Cristo Senhor diz, estendendo a mão para seus discípulos: Eis minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de meu Pai que me enviou, este é meu irmão, irmã e mãe (Mt 12,49-50). Acaso não fez a vontade do Pai a Virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu, foi escolhida dentre os homens para que dela nos nascesse a salvação e que foi criada por Cristo antes que Cristo nela fosse criado? Sim! Ela o fez! Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente.
Vede se não é assim como digo. O Senhor passava acompanhado pelas turbas, fazendo milagres divinos, quando certa mulher exclamou: Bem-aventurado o seio que te trouxe. Feliz o ventre que te trouxe! (Lc 11,27) O Senhor, para que não se buscasse a felicidade na carne, que respondeu então? Muito mais felizes os que ouvem a palavra de Deus e a guardam (Lc 11,28).
Por conseguinte, também aqui é Maria feliz, porque ouviu a palavra de Deus e a guardou. Guardou a verdade na mente mais do que a carne no seio. Verdade, Cristo; carne, Cristo; a verdade-Cristo na mente de Maria; a carne-Cristo no seio de Maria. É maior o que está na mente do que o trazido no seio.
Santa Maria, feliz Maria! Contudo, a Igreja é maior que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é porção da Igreja, membro santo, membro excelente, membro supereminente, mas membro do corpo total. Se ela pertence ao corpo total, logo é maior o corpo que o membro. A cabeça é o Senhor; e o Cristo total, é a cabeça e o corpo. Que direi? Temos cabeça divina, temos Deus por cabeça!
Portanto, irmãos, dai atenção avós mesmos. Também vós sois membros de Cristo, também vós sois corpo de Cristo. Vede de que modo o sois. Diz: Eis minha mãe e meus irmãos (Mt 12,49). Como sereis mãe de Cristo? Todo aquele que ouve e faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão e irmã e mãe (cf. Mt 12,50). Pensai: entendo irmão, entendo irmã; é uma só a herança, e é essa a misericórdia de Cristo que, sendo único, não quis ficar sozinho; quis que fôssemos herdeiros do Pai, co-herdeiros seus.

Três Santos Mártires Rio-grandenses – 19 de Novembro

390 ANOS DOS MÁRTIRES DAS MISSÕES (1628-2018)  

“Cresça, Senhor, a vossa palavra nas terras onde os vossos mártires a semearam e multiplique-se em frutos de justiça e de paz”.

Hoje é festa litúrgica dos mártires São Roque González, Santo Afonso Rodrigues e São João de Castillo (os Mártires das Missões), presbíteros e padroeiros da Província do Brasil Meridional e da Cúria Provincial BRM. Para recordar Os Santos Mártires Roque, Afonso e João foram os primeiros evangelizadores nas terras do Sul do Brasil. Estes três sacerdotes exerceram o seu trabalho missionário junto aos índios Guaranis, no noroeste do Rio Grande do Sul. P. Roque Gonzales era filho de uma família de alta posição social de Assunção, Paraguai. Os padres Afonso Rodrigues e João de Castilho vieram como missionários da Espanha. Depois de fundar numerosas comunidades cristãs, chamadas Reduções, entre os índios no Paraguai e região missioneira da Argentina, entraram em terras do atual Rio Grande do Sul, onde a 3 de maio de 1626 celebraram a primeira missa em terras gaúchas, na localidade de São Nicolau. Depois de dois anos e meio de intenso trabalho missionário, fundando cinco comunidades, ou reduções, foram mortos por um grupo de índios rebeldes à evangelização, liderados pelo cacique-pagé Nheçu. P. Roque Gonzales e P. Afonso Rodrigues foram mortos na recém fundada redução de Caaró, no dia 15 de novembro de 1628, e o P. João del Castilho dois dias mais tarde, em Assunção do Ijuí. Um índio ainda catecúmeno que se opôs aos assassinos também foi trucidado junto aos missionários em Caaró: é Cacique Adauto, que um dia talvez poderá ter seu nome acrescentado aos destes mártires canonizados. Em Caaró, município de Caibaté, se encontra o principal Santuário de veneração dos Santos Mártires, visitado permanentemente por caravanas de romeiros. Ali se realiza cada ano uma grande romaria, no 3º domingo de novembro. Aos 28 de janeiro de 1934 o Papa Pio XI beatificou os Missionários Mártires, e aos 16 de maio de 1988, em visita ao Paraguai, em Assunção, o Papa João Paulo II os canonizou, isto é, declarou-os Santos!

 

A surpreendente história do Caaró

A história das Missões é, sem dúvida nenhuma, surpreendente. Uma das mais intrigantes é o coração do Padre Roque Gonzales que é mantido há quase 400 anos sem nenhum conservante ou produto químico. Para entender um pouco mais essa história vamos fazer um breve resumo:

A região que hoje compreende o Rio Grande do Sul foi habitada há milênios, principalmente, por grupos guaranis, gês e charruas. A partir do ano de 1626, com a presença do padre jesuíta Roque Gonzales e de outros que o seguiram, foram fundados povoados jesuíticos-guaranis no que foi considerado o 1º Ciclo Jesuítico. Padre Roque Gonzales, filho de nobre família paraguaia, fundou os 4 primeiros deses povoados, quando criava o 5º povoado que seria em homenagem “Todos os Santos do Caaró” foi morto. Junto com ele estava o Padre Afonso Rodrigues que também tombou. Os padres foram mortos a mando de Cacique Nheçu, que não aceitava a presença dos “homens de preto” na região.

Os padres foram esquartejados e colocados dentro da rústica igreja do povoado onde foi ateado fogo. Os revoltosos seguiram em direção a outro povoado onde mataram o Padre Jesuíta João de Castillos.

No dia seguinte voltaram ao local onde estavam os corpos dos dois primeiros padres mortos e tiveram uma grande surpresa ao verem em meio as cinzas e brasas um coração intacto, do qual saiu uma voz dizendo: “Matastes a quem vos amava e queria bem; porém somente o meu corpo, pois minha alma está no céu. E não tardará o castigo, porque virão meus filhos para punir-vos por terdes maltratado a imagem da Mãe de Deus. Mas eu voltarei para vos ajudar, porque muitos trabalhos vos hão de sobrevir por causa de minha morte.” Atravessaram um flecha no coração de Padre Roque e atearam fogo novamente na capela.

Dois dias depois os rebeldes já estavam em outro povoado onde mataram o Padre João de Castillos, arrastado por quilômetros em meio à mata.   Mais alguns dias iniciou-se uma batalha entre índios cristãos e os que não aceitavam o cristianismo. Os revoltosos que não foram mortos em batalha converteram-se.

Os restos dos Padres, inclusive o coração de Pe. Roque, foram recolhidos e levados para Concepcion, povoado criado em território que hoje pertence a Argentina, onde ficou por muitos anos.

Quando os restos mortais dos 3 padres foram transladados para Assuncion verificaram que o coração mantinha-se intacto e a partir de então começou-se o processo de beatificação dos Santos Mártires do Caaró, o que acontece em 1934. Finalmente, em 1988, o Papa João Paulo II reconhece Padre Roque Gonzales, Pe. Afonso Rodrigues e Pe. Juan de Castillos como santos da igreja Católica.

No local que foi reconhecido como o local original da redução, foi erguido um Santuário – Santuário do Caaró – e desde as primeiras décadas do século XX acontece a procissão ao Santuário do Caaró reunindo milhares de pessoas da região missioneira.

O Santuário do Caaró fica há alguns quilômetros do Sítio Arqueológico de São Lourenço Mártir e alguns quilômetros do Sítio Arqueológico de São Miguel.

 

São Roque Gonzáles, Afonso Rodrigues e João del Castillo, Mártires (de Santa Cruz, Rio Grande do Sul) +1628

Estes três sacerdotes jesuítas de origem espanhola foram martirizados por índios selvagens, atiçados pelos seus pajés, em território que então pertencia à Coroa espanhola e hoje integram o Estado do Rio Grande do Sul.

Os dois primeiros foram chacinados na redução de Caaró e o terceiro o foi poucos dias depois, em localidade não muito distante.

Segundo o depoimento de 53 testemunhas, do coração do Pe. Roque Gonzáles, arrancando de seu peito pelos índios enfurecidos, saía uma voz que dizia: “ Matastes a quem tanto vos amava e queria. Matastes, porém, só o meu corpo, porque minha alma está no Céu!”

Os índios, ouvindo aquela voz, irritados atravessaram o coração com uma flecha e o lançaram ao fogo, mas as chamas milagrosamente o preservou. Esse coração, ainda hoje in tacto, é venerado como relíquia preciosa em Assunção.

Os três sacerdotes eram jesuítas missionários na América do Sul, no tempo da colonização espanhola. Organizavam as missões e reduções implantadas pela Companhia de Jesus entre os índios guaranis do hoje chamado Cone Sul. O objetivo era catequizar os indígenas, ensinando-lhes os princípios cristãos, além de formar núcleos de resistência indígena contra a brutalidade que lhes era praticada pelos colonizadores europeus.

As reduções impediam que eles fossem escravizados, ao mesmo tempo que permitiam manter as suas culturas. Eram alfabetizados através da religião e aprendiam novas técnicas de sobrevivência e os conceitos morais da vida ocidental.

O grande sucesso fez que os colonizadores se unissem aos índios rebeldes, que invadiam e destruíam todas as missões e reduções, matando os ocupantes e pondo fim à rica e histórica experiência.

Roque foi um sacerdote e missionário exemplar. Era de origem paraguaia, filho de colonizadores espanhóis, nascido na capital, Assunção, em 1576. A família fazia parte da nobreza espanhola, o pai era Bartolomeu Gonzales Vilaverde e a mãe era Maria de Santa Cruz, que o educaram na virtude e piedade. Aos quinze anos, decidiu entregar sua vida a serviço de Deus.

Aos vinte e quatro anos de idade ingressou no seminário e, foi ordenado sacerdote. Padre Roque quis trabalhar na formação espiritual dos índios que viviam do outro lado do rio Paraguai, nas fazendas dos colonizadores.

O resultado foi tão frutífero que o bispo de Assunção o nomeou pároco da catedral e depois vigário-geral da diocese. Mas ele renunciou às nomeações para ingressar na Companhia de Jesus, onde vestiu o hábito de missionário jesuíta em 1609. Assim dedicou toda a sua vida a serviço dos índios das regiões dos países do Paraguai, Argentina, Uruguai, Brasil e parte da Bolívia.

Na Redução de Caaró, atualmente pertencente ao Brasil, os martírios ocorreram no dia 15 de novembro de 1628. Após celebrar a missa com os índios, padre Roque estava construindo um pequeno campanário na capela recém-construída, quando os índios rebeldes, a mando do invejoso e feiticeiro Nheçu, atacaram aquela e toda a vizinha Redução de São Nicolau. Mataram todos e incendiaram tudo.

Padre João de Castillo morreu neste local de São Nicolau, enquanto padre Afonso Rodrigues, que ficou na redução de Caaró, morreu junto com padre Roque Gonzáles, esse último com a cabeça golpeada a machado de pedra.

Eles foram beatificados pelo papa Pio XI em 1934 e canonizados pelo papa João Paulo II em 1988, em sua visita à capital do Paraguai.

A festa de são Roque Gonzáles ocorre no dia 17 de novembro.

XXXIII Domingo do tempo comum – Ano B

Por Pe. Inácio José Schuster

Naqueles dias… 
Daniel 12, 1-3; Hebreus 10, 11-14. 18; Marcos 13, 24-32

O Evangelho do penúltimo domingo do ano litúrgico é o clássico texto sobre o fim do mundo. Em todas as épocas, houve quem se encarregou de agitar ameaçadoramente esta página do Evangelho ante seus contemporâneos, alimentando psicoses e angústia. Meu conselho é permanecer tranquilos e não se deixar abater por estas previsões catastróficas. Basta ler a frase final da mesma passagem evangélica: «Mas daquele dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos no céu, nem o Filho, só o Pai». Se nem sequer os anjos e o Filho» (se entende que enquanto homem, não enquanto Deus) conhecem o dia nem a hora do final, é possível que saiba e esteja autorizado a anunciá-lo o último adepto de alguma seita ou fanático religioso? No Evangelho, Jesus nos assegura o fato de que Ele voltará um dia e reunirá seus escolhidos desde os quatro ventos; o quando e como virá (entre as nuvens do céu, o escurecimento do sol e a queda das estrelas) fazem parte da linguagem figurada própria do gênero literário destes relatos. Outra observação pode ajudar a explicar certas páginas do Evangelho. Quando nós falamos do fim do mundo, segundo a idéia que temos hoje do tempo, pensamos imediatamente no fim do mundo em absoluto, depois do qual já não pode haver mais que a eternidade. Mas a Bíblia raciocina com categorias relativas e históricas, mais que absolutas e metafísicas. Quando por isso fala do fim do mundo, entende com muita freqüência o mundo concreto, aquele que de fato existe e é conhecido por certo grupo de homens: seu mundo. Trata-se, em resumo, mais do fim de um mundo que do fim do mundo, ainda que as duas perspectivas às vezes se entrecruzam. Jesus diz: «Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça». Equivocou-se? Não; aquela geração, de fato, não passou; o mundo conhecido por aqueles que o escutavam, o mundo judaico, passou tragicamente com a destruição de Jerusalém no ano 70 depois de Cristo. Quando, no ano 410, sucedeu o saque de Roma por obra dos vândalos, muitos grandes espíritos do tempo pensaram que era o fim do mundo. Não erravam muito; acabava um mundo, o criado por Roma com seu império. Neste sentido, não se equivocavam tampouco aqueles que em 11 de setembro de 2001, vendo a queda das Torres Gêmeas, pensaram no fim do mundo… Tudo isto não diminui, mas acrescenta a seriedade do compromisso cristão. Seria a maior estupidez consolar-se dizendo que, afinal, ninguém conhece quando será o fim do mundo, esquecendo que pode ser, para cada um, esta mesma noite. Por isso, Jesus conclui o Evangelho de hoje com a recomendação: «Estai atentos e vigiai, porque não sabeis quando será o momento preciso». Devemos — considero — mudar completamente o estado de ânimo com o qual escutamos estes Evangelhos que falam do fim do mundo e do retorno de Cristo. Terminou-se por considerar um castigo e uma escura ameaça aquilo que a Escritura chama «a feliz esperança» dos cristãos, isto é, a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (Tito 2, 13). Também está em jogo a idéia que temos de Deus. Os recorrentes discursos sobre o fim do mundo, obra freqüente de pessoas com um sentimento religioso distorcido, têm sobre muitos um efeito devastador: reforçar a idéia de um Deus perenemente bravo, disposto a dar corda à sua ira sobre o mundo. Mas este não é o Deus da Bíblia, a quem um salmo descreve como «clemente e compassivo, lento para a cólera e cheio de amor, que não se aborrece eternamente nem para sempre guarda seu rancor… ele se lembra do pó que somos nós» (Sl 103, 8-14).

 

Evangelho de São Marcos 13, 24-32
«Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

Por Pe. Fernando José Cardoso
Jesus se havia distanciado do templo de Jerusalém. Do alto do Monte das Oliveiras alguns discípulos chamam sua atenção diante da belíssima construção. Jesus não se faz ilusão: “Vedes este templo, pois eu vos digo não ficará pedra sobre pedra”. Neste penúltimo domingo do tempo comum, a liturgia e as leituras nos fazem voltar a atenção para o futuro, para o grande futuro, para o derradeiro futuro da história e de todos nós. Em dois momentos distintos, Jesus fala a respeito da destruição de Jerusalém, o que se verificou no ano setenta de nossa era, com Tito e num segundo plano fala do final de todas as coisas, do final da história. Nós não sabemos como será este final, nós não sabemos se o nosso planeta entrará numa era glacial ou se será frito literalmente por uma elevação insuportável da temperatura. Nós não sabemos se alguns dos duzentos asteróides e cometas que giram aqui por perto algum dia se chocarão terrível e fatalmente com a nossa terra. Sabemos que nós encaminhamos para o fim e aqueles que têm fé sabe que no fim haverá de se manifestar plenamente a vitória de Jesus crucificado e ressuscitado. De resto, este fim de todas as coisas se antecipa para cada um de nós num pequeno cataclismo ou no apocalipse penoso daquele que parte. O último combate na agonia, medo diante do mistério desconhecido, dores físicas atiçadas por satanás nas suas últimas tentações, um mundo e a vida que se esvai das nossas mãos. Quando isto acontecer, o Evangelho de hoje nos afirma, que está próximo o grande encontro para o qual nós cristãos católicos nos preparamos a vida inteira. Pois o cristão católico naquele derradeiro e definitivo dia não entregará sua vida ao pó da terra ou a sepultura, isto o faz aqueles que não têm fé. Aquele que tem fé entrega a sua vida cheia de esperança nas mãos misericordiosas do Pai, porém é preciso viver esta esperança e vivermos de tal modo a seriedade do cristianismo que, aquele dia tremendo e ao mesmo tempo glorioso que se antecipará no ato da nossa morte, não nos apanhe despreocupados, desprevenidos e, sobretudo com as mãos vazias. Para aqueles que morrem no Senhor e carregados de boas obras, diz o Espírito no Apocalipse: “Que descansem em paz” para toda a eternidade, porque suas obras, suas boas obras, o crescimento que tiverem realizado no amor vertical para com Deus e no amor horizontal para com os irmãos, estas são as obras que nos acompanharão e advogarão a nossa causa diante do Justo Juiz.

 

Da multidão ao grupo dos discípulos
Frei Josué

Nosso Senhor em sua infinita sabedoria nos dá algumas pistas para não ficarmos preocupados com o dia e nem a hora em que Ele voltará, pois ninguém sabe quando será, somente o Pai do céu sabe. Por outro lado Ele também nos diz quando vocês começarem ver catástrofes a nível mundial, vocês estejam atentos, estejam prontos. Fazendo comparação com a figueira, quando vermos os sinais, que nós não devemos ficar desesperados como os pagãos, mas ter certeza sim que Ele está próximo. Todos nós devemos estar prontos, porque o Senhor virá ou nós iremos a Ele. Por isso a Palavra nos alerta, pedindo que estejamos vigilantes. Nosso Senhor sabe que a vida aqui na terra nos fascina, e pode nos fazer perder o verdadeiro sentido da nossa existência. A vida aqui é passageira, a nossa casa definitiva é com Deus e nós não podemos nos acostumar. Nós amamos demais as coisas deste mundo e elas acabam tomando o lugar de Deus. Se acreditamos que existe o céu e acreditamos em tudo o que a Palavra de Deus nos ensina, vivamos então de maneira diferente, porque a gloria futura não se compara a esta vida. Tenham sonhos e queiram construir famílias, nesse mundo que despreza a família, não tenha medo, pois Deus dará a graça de criá-los. Jovem descubra o seu lugar na Igreja, ande na graça de Deus porque quando o Senhor voltar ou você ir a Ele, você receberá um premio. Deus sabe que cada dia mais temos que estar em oração. Deus salvará o seu povo, então você precisa sair do grupo da multidão, e vir para o grupo dos discípulos. A multidão procura milagres e sinais e quando Jesus não faz a multidão fica revoltada, a mesma multidão que gritava hosana ao filho de Davi, gritou crucifica-o. Esta é a multidão que esta atrás das graças de Deus e não de Deus. Dessa multidão Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu os seus discípulos, e nesse Evangelho Jesus fala para os discípulos e não para a multidão. Aos seus Jesus não dá pão da padaria, mas dá o seu corpo sangue alma e divindade. Quando foi que Jesus instituiu a Eucaristia, não foi na multiplicação dos pães, mas foi na quinta-feira junto com os seus discípulos. ‘Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.’ Quem são os discípulos amados de Jesus? Aos discípulos amados Jesus entrega a sua mãe a Virgem Maria, Ele confia São Miguel Arcanjo defensor do povo de Deus como diz na primeira leitura, aos discípulos Jesus vai dar os maiores dons e ensinamentos. Não seja apenas multidão, não seja aqueles que correm para Jesus resolver os problemas, Jesus não é o teu empregado Ele é o teu Senhor. Você precisa ser servo de Deus, e você poderá dizer como o Salmista: “Guardai-me oh Deus porque em Vós me refugio”. Meus irmãos, os discípulos Jesus também recebem a cruz. “Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. E diz também vinde a mim todos vós que estais cansados e Eu vos aliviarei”. Aos seus o Senhor oferece o seu lado aberto, também oferece o seu peito, como João você pode reclinar a sua cabeça. Discípulo sofre um pouquinho mais, mas recebe muito mais e quanto maior a dificuldade maior será a proteção. E como é bom saber que estamos na proteção de Deus e mesmo na noite escura onde você não vê nada, você sabe que a mão do Senhor está sobre a sua vida. Vale a pena entregar a nossa vida a Ele, viver nesse mundo já antecipando o céu, fugindo do pecado, fazendo o bem, andando retamente, trazendo as pessoas para perto de Deus, para que elas também experimentem esta paz. Nós somos a geração que precisa mostrar ao mundo que vale a pena ser de Deus, que vale a pena rezar, ser honesto, caminhar na justiça, mesmo que você seja tido como tolo, mas você sabe em quem você colocou a sua fé. Irmãos vivamos a santidade, saia da multidão, esse é o maior milagre que Jesus quer fazer na sua vida e lhe garanto que como Davi você dirá: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.

 

O exemplo da figueira
Cardeal John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo
«The Invisible World» PPS, IV, 13

Apenas uma vez por ano, mas ainda assim uma vez, o mundo que vemos manifesta subitamente as suas capacidades escondidas e revela-se de várias formas. Então as folhas aparecem, as árvores de fruto e as flores desabrocham, a erva e o trigo germinam. Há subitamente um impulso e irrompe a vida escondida que Deus colocou no mundo material. Ora bem! Isto serve-nos como exemplo do que o mundo pode fazer a uma ordem de Deus. Esta terra […] explodirá um dia num mundo novo de luz e de glória, no qual veremos os santos e os anjos. Quem pensaria, sem a experiência que teve das Primaveras precedentes, quem poderia conceber, dois ou três meses antes, que a face da Natureza, que parecia morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e tão variada ? […] O mesmo se passa com respeito a essa Primavera eterna que espera todos os cristãos: virá, mesmo que tarde. Esperemo-la porque «o que há-de vir virá e não tardará» (Heb 10, 37). É por isso que dizemos todos os dias «Venha a nós o Vosso reino!» O que quer dizer: Mostra a Tua grandeza, Senhor; Tu que tens o Teu trono sobre os querubins, mostra a Tua grandeza. Desperta o Teu poder e vem salvar-nos [cf. Sl 80 (79), 2-3].

 

Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico. Todo o ciclo litúrgico ajudou-nos não só a conhecer melhor Jesus Cristo, mas também a conhecer melhor o significado do Reino. Progressivamente, Jesus foi revelando o mistério de Deus. Da nossa parte, como será importante assimilar e compreender toda a mensagem divina e destruir no nosso íntimo tudo o que nos impede de ver e de seguir Jesus! Como verdadeiros discípulos, queremos viver a nossa fé. Jesus entregou-se por nós, mas a Igreja propõe uma nova reflexão a partir das palavras que Jesus proferiu diante do Templo para nos sentirmos fortes nos momentos em que os esquemas que nos dão segurança poderão vacilar. Quem poderia prever que o Templo, sinal do orgulho e da vaidade da alma judaica daquele tempo, desapareceria? Quando isso aconteceu, as palavras de Jesus converteram-se numa nova fonte de esperança, de realismo, de conforto. Quando o evangelho de São Marcos foi escrito, já a comunidade cristã tinha vivido a destruição do Templo de Jerusalém e já conhecia com sofrimento o que significava dar testemunho da fé. O Livro de Daniel diz-nos umas palavras que poderão ser muito atuais e adequadas ao mundo de hoje: “será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. O profeta fala de uma situação de guerra em que o povo de Israel se tinha envolvido e tinha perdido, provocando uma grande mortandade. A linguagem de Jesus, olhando o Templo a partir do Monte das Oliveiras a dois dias da sua paixão, é de desânimo e angústia: “Depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há no céu serão abaladas”. Há que salientar que esta linguagem é apocalíptica. Não se trata de levar à letra esta frase, mas o texto transmite poeticamente uma vivência dura e desesperada. Também hoje há experiências duras e cheias de desespero. Contudo, a linguagem apocalíptica não fica numa visão negativa. O profeta Daniel fala de Miguel, “o grande chefe dos Anjos”, “que protege os filhos do teu povo” e diz que “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão”, ou seja, fala da ressurreição dos mortos. A mensagem de Jesus fala da vinda do Filho do Homem, um título messiânico, da força da salvação. A sua vinda, a Parusia, é a manifestação evidente do seu Poder e da sua Glória e reunirá todos aqueles que se sentiram irmãos na fé e vivem agora unidos ao coração do Pai. No evangelho, Jesus diz-nos que olhando para uma figueira damos conta que as coisas mudam, “sabeis que o Verão está próximo”. Esta parábola ensina-nos a ler a realidade das coisas (no contexto do evangelho é a destruição de Jerusalém e do Templo) como um sinal de que Ele se aproxima, está já “à porta”. Perante as situações catastróficas, a escatologia bíblica ensina-nos que há coisas terrestres que mudam, mas o Espírito de Deus estará sempre presente. Esta é a consolação que deveremos neste dia gravar no nosso coração. Saber ler a vida é também tomar consciência de que, quando no evangelho lemos a frase “as minhas palavras não passarão”, está a dizer-nos que apesar das coisas naturais mudarem, a realidade eclesial mudar, as transformações culturais e sociais acontecerem, a Palavra de Deus permanece sempre e será sempre sinal de salvação. É importante a convicção de que Deus virá ao nosso encontro. Somos peregrinos, vivemos provisoriamente, a caminho do Paraíso, do Reino, do Céu, para viver na plenitude de Deus.

 

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM
Mc 13, 24-32

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”

O texto nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos, e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas das quais desconhecidas para nós. Porém, a sua mensagem central fica clara – o triunfo final do Filho do Homem, mandando por Deus para estabelecer o seu Reino. A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas num contexto novo, em que a vinda escatalógica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central. A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus – e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatalógico de Marcos. Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10; Ez 32, 7; Am 8, 9; Jl 2, 10.31; 3, 1-5; Is 34, 4; Ag 2, 6.21. Mas, em nenhum lugar no Antigo Testamento se referem à vinda do Filho do Homem – é uma novidade do evangelho. A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final. A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7, 13; mas, aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel. A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2, 10. Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30, 4; Is 11, 11.16; 27, 12, Ez 39, 7 etc, – mas nunca no Antigo Testamento é o Filho do Homem que faz esse trabalho. A segunda parte do texto consiste numa parábola (vv. 28-29), um ditado sobre a hora do fim (v. 30), sobre a autoridade de Jesus (v. 31) e de novo sobre a hora (v. 32). Nem sempre fica claro a que se refere – o que se fala sobre essas coisas acontecerem “nessa geração” tem como contrabalanço o v. 32 que diz que somente Deus sabe a hora exata. A parábola sobre os sinais claros da chegada do fim (vv. 28-29) tem em contraposição a parábola da vigilância constante (vv. 33-37). Mas, continua clara a mensagem básica – a vitória final do projeto de Deus, concretizada através de Jesus, o Filho do Homem. Mas, a certeza dessa vitória não dispensa a atitude de vigilância constante por parte dos discípulos, para que não se desviem do caminho. Pode parecer confuso o nosso texto – e para nós hoje, de uma certa forma o é. Mas, inserido no contexto do Discurso Escatalógico (referente aos tempos finais) do Evangelho, nos traz uma mensagem de esperança e uma advertência. A esperança nasce do fato de que a vitória de Deus é garantida – um elemento fundamental em todo apocaliptismo. A advertência está na necessidade de vigilância constante, para que não percamos a hora do Filho. Num mundo de desesperança e falta de ânimo por parte de muitos, o texto nos convida, os discípulos, a uma atitude positiva que nos leva a um engajamento maior em prol da construção do Reino entre nós. Mas, também nos desafia para que estejamos sempre vigilantes para não sermos cooptados pela sociedade vigente, opressora e consumista, que muitas vezes se baseia em princípios contrários aos do Reino de Deus. As palavras de Jesus têm um valor permanente, para que possamos julgar as diversas propostas de vida que o mundo nos apresenta. “O céu a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo – 18 de Novembro

A morte de São Pedro em Roma fixou para sempre a sede do seu império espiritual. Com o sangue de Pedro e de Paulo conseguiu Roma mais conquistas do que com todos os seus soldados e legionários. A que era mestra do erro, tomou-se discípula da verdade e resplandeceu em todo o orbe, como sol entre as estrelas. O fogo sagrado, que irradia calor e vida, recolhe-se junto do túmulo dos dois Apóstolos. Lá se ajoelha Roma, de lá olha para o mundo e lá se toma visível Cristo.
A liturgia de hoje chama-nos a Roma, ao túmulo dos dois Apóstolos, às Basílicas de São Pedro e São Paulo. Estão distantes entre si, mas une-as um mesmo espírito, uma mesma fé se respira nelas, um mesmo Cristo fala nas duas.
«Eu posso-te mostrar os sepulcros dos Apóstolos. Se vieres ao Vaticano, se chegares à Via Ostiense, verás os gloriosos troféus dos que fundaram esta Igreja». Assim escrevia no século 11 um presbítero de Roma, Caio, e assim nos fala hoje a liturgia católica. Vamos ver os sepulcros dos Apóstolos Pedro e Paulo, os dois grandes astros do céu cristão.
Como o confirmaram as escavações recentes, da época de Pio XII, é certo que São Pedro foi enterrado na colina do Vaticano, ao pé do lugar da sua crucifixão, que estava junto do circo de Nero. O túmulo de S. Pedro foi núcleo de atração para outros sepulcros cristãos posteriores, especialmente dos Papas dos séculos I e 11, desde São Lino até São Vítor.
São Paulo foi decapitado junto da estrada que leva a Óstia, em Tre Fontane (Três
Fontes), e enterrado na propriedade duma senhora piedosa chamada Lucina.
Sobre o sepulcro de São Pedro, no Vaticano, levantou o Papa Anacleto uma memória, isto é, um oratório. Logo que brilhou o sol da paz, o Papa S. Silvestre propôs a Constantino se desse aos sepulcros de Pedro e Paulo aquela forma exterior de grandeza arquitetônica e riqueza artística que exigiam os dois maiores santuários da fé católica.
Constantino acolheu a idéia e, tanto na Via Comélia como na Via Ápia, levantou duas magníficas Basílicas – domus regales são chamadas pelo Livro Pontifical- resplandecentes pelo oiro e dotadas com ingente patrimônio imóvel.
O primeiro trabalho de Constantino consistiu numa espécie de armário para proteger e, por assim dizer, blindar os dois sepulcros. O biógrafo de S. Silvestre diz-nos que, dentro daquela massa enorme, os corpos dos dois Apóstolos ficavam inteiramente seguros e intangíveis. Sobre ambos erigiu o piedoso Imperador uma grande cruz de oiro, que pesava 150 libras.
Nesta obra do século IV havia duas partes distintas: a câmara sepulcral ou domus regalis, e a basílica exterior, coruscans aula, que a circundava. Desde os tempos do Papa Hormisdas, século VI, a câmara sepulcral estava completamente inacessível.
A Basílica constantiniana de S. Paulo ficou mais pequena que a de S. Pedro, por imposição do lugar, compreendido entre a Via Ostiense e outro caminho do lado do Tibre. Depressa resultou pequena para a afluência de peregrinos e teve de ser ampliada em 386, com a ajuda dos Imperadores Valentiniano 11, Teodósio I e Arcádio.
Ao transladar-se a Corte Imperial para Constantinopla, Roma cristã sentiu maior necessidade de apertar-se à volta do Pontífice e de olhar para as Basílicas dos Príncipes dos Apóstolos como para o verdadeiro Palatino ou a nova Régia da Religião católica. Pedro e Paulo foram desde estão os únicos Soberanos de Roma.
A liturgia das festas principais, como na Epifania, na Ascensão e no Pentecostes, realiza-se na Basílica de S. Pedro. O Papa, os presbíteros e diáconos romanos reúnem-se aí. O novo pontífice começa nela o seu pontificado e termina-o também, com a sua sepultura. O Papa, quando confirma, senta-se na mesma cátedra de madeira que, segundo uma tradição ultrapassada, S. Pedro usava, adornada e enriquecida com o melhor que souberam inspirar a arte e o gênio da fé. Rodeada por Leão IV com uma muralha torreada, a Cidade Leonina surgiu no século IX como símbolo e fortaleza do túmulo do Pontificado Supremo. Até este século, o túmulo de S. Pedro devia estar visível; foi por motivo da invasão sarracena que se ocultou.
Uma inscrição que se lia na abóbada, debaixo do mosaico da ábside, mosaico renovado por Inocêncio III no século XI, indica-nos a idéia cristã sobre a Basílica de S. Pedro: «Esta é a Suprema Sede de Pedro e o Templo consagrado ao Príncipe dos Apóstolos. Esta é a Mãe, a glória e o ornamento de todas as igrejas.
Quem presta devota adoração neste templo a Cristo recolherá as flores da sua virtude e, a seu tempo, o fruto da eterna salvação».
Na extremidade da ábside, debaixo da «glória» de Bernini, vê-se um trono de bronze elevado que encerra uma cadeira antiga que se dizia ter servido ao próprio São Pedro. Sabe-se hoje que foi dada ao papa João VIII (872-882), por Carlos, o Calvo, rei de França.
A história da Basílica de São Paulo é paralela à de São Pedro. Quando, em 410, Alarico I, rei dos Visigodos, saqueou a Cidade Eterna, mandou apregoar aos Romanos que seriam perdoados todos os que se refugiassem nas Basílicas dos Apóstolos. E sabemos por São Jerônimo que Marcela, com a sua discípula Princípia, se refugiou em São Paulo «buscando ou um asilo ou um sepulcro».
São Gregório Magno diz-nos que, no seu tempo, as duas Basílicas eram famosas pelo número dos seus milagres e que os fiéis lhes tinham tal respeito e veneração, que não se atreviam quase a aproximar-se. João VIII rodeou, depois da invasão sarracena, com uma muralha torreada, a Basílica de São Paulo.
As inscrições falam-nos da fé e estima dos fiéis: «Paulo, sepultado aqui, levantou-se mais alto que o céu. Ele, a quem todo o orbe é devedor da sua fé em Cristo».
«Esta é a Sede da fé, onde o Soberano Dominador liberta as almas, as purifica na
fonte sagrada e as toma sob a sua proteção».
As atuais Basílicas de São Pedro e São Paulo não são as mesmas que admiraram os peregrinos da Idade Média. O templo de São Pedro foi derribado no século XVI, reconstruído com o maior esplendor e sagrado por Urbano VIII, a 18 de Novembro de 1626.
Em 1823, enquanto Pio VII, na agonia, recordava delirando os dias felizes que tinha passado, como simples monge da Abadia de São Paulo, um tremendo incêndio destruía grande parte da Basílica do Doutor das gentes. Foi difícil que as chamas respeitassem o cruzeiro onde estava o altar do Apóstolo, debaixo do arco triunfal de São Leão Magno. Ao Papa moribundo ocultaram a tragédia. Única dor que foi poupada a esse Pontífice mártir!
A fé e a generosidade de quatro Pontífices levantaram a nova Basílica de São Paulo, maior, mais formosa e artística que a primeira. Pio IX consagrou-a a 10 de Dezembro de 1854, na presença dos Cardeais e Bispos que tinham acorrido a Roma, de todas as partes do mundo, para assistirem a ser proclamado o Dogma da Imaculada Conceição.

 

Hoje a Igreja celebra a dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo
http://www.acidigital.com/noticias/hoje-a-igreja-celebra-a-dedicacao-das-basilicas-de-sao-pedro-e-sao-paulo-33429/

Lima, 18 Nov. 14 / 11:23 am (ACI).- No dia 18 de novembro a Igreja celebra a dedicação das Basílicas dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, templos em Roma que contêm os restos destes dois grandes apóstolos do cristianismo e símbolos da fraternidade e da unidade da Igreja.

A Basílica de São Pedro no Vaticano foi construída sobre o túmulo do Apóstolo, que morreu crucificado de cabeça para baixo. No ano 323 o imperador Constantino mandou construir aí a Basílica dedicada àquele que foi o primeiro Papa da Igreja.

A atual Basílica de São Pedro demorou 170 anos para ser construída. Começou com o Papa Nicolás V em 1454 e foi terminada pelo Papa Urbano VIII, que a consagrou no dia 18 de novembro de 1626. Data que coincide com a consagração da antiga Basílica.

Bramante, Rafael, Michelângelo e Bernini, famosos artistas da história, trabalharam nela plasmando o melhor de sua arte.

A Basílica de São Pedro mede 212 metros de comprimento, 140 de largura e 133 metros de altura na sua cúpula. Não há nenhum templo no mundo que tenha tamanha extensão.

A Basílica de São Paulo Fora dos Muros é, depois de São Pedro, o maior templo de Roma. Surgiu também por vontade de Constantino. Em 1823 foi destruída, quase completamente, por um terrível incêndio. Leão XIII iniciou a sua reconstrução e foi consagrada em 10 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX.

Um dado interessante é que sob as janelas da nave central e das naves laterais, em mosaico, encontram-se os retratos de todos os Papas desde São Pedro até o atual, o Papa Francisco.

Em 2009, por ocasião desta celebração, o Papa Bento XVI disse que “esta festa nos proporciona a ocasião de ressaltar o significado e o valor da Igreja. Queridos jovens, amem a Igreja e cooperem com entusiasmo em sua edificação”.

 

Dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo – 18 de Novembro

Em 323 o imperador Constantino começou a construir a basílica de São Pedro, atendendo a apelos de sua mãe, Santa Helena. Ela foi construída no local onde São Pedro foi sepultado. Durante dois séculos foi preservada sua concepção original. Depois a construção foi se deteriorando.

As grandes basílicas foram construídas no período que vai de Constantino a Justiniano. A Basílica de São Paulo extramuros localiza-se ao longo da Via Ostiense, próximo à margem esquerda do Tibre e a aproximadamente 2 km da Muralha Aureliana, saindo pela Porta São Paulo, resultando o nome: fora dos muros, extramuros.

A dedicação da basílica de São Pedro foi feita pelo papa Silvestre, cujo pontificado ocorreu de 314 a 335. A basílica de São Paulo foi dedicada pelo papa Siricio, que pontificou de 384 a 399.

Hoje celebramos a Dedicação dessas duas basílicas.

A atual Basílica de São Pedro em Roma foi consagrada pelo Papa Urbano VIII em 18 de novembro de 1626, aniversário da consagração da Basílica antiga. Sua construção durou 170 anos, sob a direção de 20 Papas. Está construída na colina do Vaticano sobre o túmulo de São Pedro, que neste monte foi martirizado, crucificado de cabeça para baixo e ali mesmo sepultado. O Imperador Constantino construiu ali a primeira basílica em 323. Essa Igreja permaneceu sem modificação durante séculos. Junto a ela foram sendo construídos os edifícios que pertenciam aos Sumos Pontífices, que a foram embelezando.

Logo depois do desterro em que os Papas foram mantidos em Avignon, o Papa começou a viver junto à Basílica de São Pedro (até então viveram no Palácio junto à Basílica de Latrão). Desde esse tempo tornou-se a Basílica mais conhecida em todo o mundo. Não há outro templo no mundo que se iguale a ele em extensão. Sua beleza é impressionante. Nela trabalharam artistas como Bramante, Rafael, Michelangelo e Bernini

Hoje recordamos também a Consagração da Basílica de São Paulo, que está do outro lado de Roma, a 11 km de São Pedro, num local chamado “as três fontes”, porque a tradição conta que ali foi cortada a cabeça de São Paulo, que ao cair, bateu três vezes no solo, brotando em cada um desses lugares uma fonte (e ali estão as três fontes).

A antiga Basílica de São Paulo foi construída pelo Papa São Leão Magno e pelo Imperador Teodósio. Em 1823 foi destruída por um incêndio. Com esmolas de todo o mundo foi construída a nova, sobre o modelo da antiga, maior e mais bela, que foi consagrada pelo Papa Pio IX em 1854. Nos trabalhos de reconstrução encontrou-se um sepulcro muito antigo (anterior ao sec. IV), com esta inscrição: “Paulo, Apóstolo e Mártir”.

Estas Basílicas nos recordam como foram generosos os católicos de todos os tempos para que nossas igrejas fossem as mais belas. E o zelo que devemos ter pela casa de Deus.

BASÍLICA DE SÃO PEDRO

A Basílica de São Pedro (em latim Basílica Sancti Petri, em italiano Basílica di San Pietro) é uma basílica no Estado do Vaticano, tratando-se da maior das igrejas do cristianismo e um dos locais cristãos mais visitados. Cobre um área de 23000 m² ou 2,3 hectares (5.7 acres) e pode albergar mais de 60 mil devotos (mais de cem vezes a população do Vaticano). É o edifício com o interior mais proeminente do Vaticano, sendo sua cúpula uma característica dominante do horizonte de Roma, sendo adornada com 340 estátuas de santos, mártires e anjos. Situada na Praça de São Pedro, sua construção recebeu contribuições de alguns dos maiores artistas da história da humanidade, tais como Bramante, Michelangelo, Rafael e Bernini.

Foi provado que sob o altar da basílica está enterrado São Pedro (de onde provém o nome da basílica) um dos doze apóstolos de Jesus e o primeiro Papa e, portanto, o primeiro na linha da sucessão papal. Por esta razão, muitos Papas, começando com os primeiros, têm sido enterrados neste local. Sempre existiu um templo dedicado a São Pedro em seu túmulo, inicialmente extremamente simples, com o passar do tempo, os devotos foram aumentando o santuário, culminando na atual basílica. A construção do atual edifício sobre o antigo começou em 18 de abril de 1506 e foi concluído em 18 de novembro de 1626, sendo consagrada imediatamente pelo Papa Urbano VIII. A basílica é um famoso local de peregrinação, por suas funções litúrgicas e associações históricas. Como trabalho de arquitetura, é considerado o maior edifício de seu período artístico.

A Basílica de São Pedro é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, sendo as outras a Basílica de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros. Contrariamente à crença popular, São Pedro não é uma catedral, uma vez que não é a sede de um bispo. Embora a Basílica de São Pedro não seja a sede oficial do Papado (que fica na Basílica de São João de Latrão), certamente é a principal igreja que conta com a participação do Papa, pois a maioria das cerimônias papais são realizadas na Basílica de São Pedro devido à sua dimensão, à proximidade com a residência do Papa, e a localização privilegiada no Vaticano.

O TÚMULO DE SÃO PEDRO

Depois da crucificação de Jesus, no segundo trimestre do primeiro século da era cristã, está registado no livro bíblico de Atos dos Apóstolos que um de seus doze discípulos, conhecido como Simão Pedro, um pescador da Galileia, assumiu a liderança entre os seguidores de Jesus e foi de grande importância na fundação da Igreja Cristã. O nome é Pedro “Petrus” em latim e “Petros”, em grego, decorrente de “Petra”, que significa “pedra” ou “rocha” em grego. Pedro depois de um ministério com cerca de trinta anos, viajou para Roma e evangelizou grande parte da população romana. Pedro foi executado no ano 64 d.C durante o reinado do imperador romano Nero, sendo crucificado de cabeça para baixo à seu próprio pedido, perto do Obelisco no Circo de Nero.

Os restos mortais de São Pedro foram enterrados fora do Circo, na Colina do Vaticano, a menos de 150 metros (490 pés) a partir do seu local de morte. Seu túmulo foi inicialmente marcado apenas com uma pedra vermelha, símbolo de seu nome, mas sem sentido para os não-cristãos. Um santuário foi construído neste local alguns anos mais tarde. Quase trezentos anos depois, A antiga Basílica de São Pedro foi construída ao longo deste sítio.

A partir dos anos 1950 intensificaram-se as escavações no subsolo da basílica, após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com remoção de toneladas de terra que datava do corte da Colina Vaticana para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino, a equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a São Pedro, inclusive uma parede repleta de grafitos com a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa “Pedro está aqui”.

Também foram encontrados, em um nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60-70 anos, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, serem de São Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 d.C. e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de São Pedro e São Paulo para a estada dos mesmos nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257.

BASÍLICA DE SÃO PAULO EXTRAMUROS

A Basílica de São Paulo Extramuros, (it.: Basílica di San Paolo fuori le mura) ou Basílica de São Paulo Fora de Muros é, em dimensões, a segunda maior basílica católica de Roma, só superada pela Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano. É uma das quatro basílicas patriarcais.

O Arcebispo Francesco Monterisi, Núncio Apostólico Emérito da Itália, é o atual Arcipreste da basílica, nomeado em 2009, pelo Papa Bento XVI.

A Basílica de São Paulo Extramuros localiza-se ao longo da Via Ostiense, próximo à margem esquerda do Tibre e a aproximadamente 2 km da Muralha Aureliana, saindo pela Porta São Paulo, resultando o nome: fuori le mura (fora do muros, extramuro).

No local onde foi erguida a basílica, reza a tradição, é onde o apóstolo Paulo, ao qual é dedicada a igreja, foi sepultado e o túmulo do santo se encontra debaixo do altar maior, dito altar papal. Por esta razão houve, ao longo dos séculos, um grande movimento de peregrinação. A partir do século XIII, data do primeiro Ano Santo, faz parte do itinerário jubilar para obter-se indulgência e ver celebrar a abertura da Porta Santa.

A construção que tem 131,66 m de comprimento, largura 65 m e altura 29,70 m, é imponente e representa pela grandeza a segunda dentre as quatro basílicas patriarcais de Roma. A atual basílica é uma reconstrução do século XVIII da antiga basílica paleocristã do tempo de Constantino.

A basílica, e todo o complexo anexo, como o claustro e o mosteiro, não fazem parte da República Italiana mas são propriedades da Santa Sé.

TÚMULO DE SÃO PAULO

Desde 2002 foram efetuadas escavações arqueológicas na basílica que em 2006 encontraram um túmulo de baixo do altar-mor da basílica.

O túmulo – que já em 390 se acreditava ser de São Paulo – tem inscrita a frase “PAULO APOSTOLO MART” (Paulo, apóstolo mártir), apresenta uma abertura e foi encontrado entre os dois templos que foram construídos um sobre o outro.

A sepultura do apóstolo deverá ser exposta na Basílica. O Papa Bento XVI autorizou o estudo científico do achado. Apesar de não ter sido aberto, foi feito um pequeno orifício e as investigações feitas com recurso a uma microcâmara, que recolheu várias partículas e fragmentos, confirmam que tratar-se de um túmulo datado dos séculos I e II.

O exame do carbono 14 a fragmentos de osso confirmou que se trata de uma pessoa que viveu entre o século I e II, tendo o papa referido que “isso parece confirmar a tradição unânime e incontestável de que se trata dos restos mortais do Apóstolo Paulo”.

Fonte: sacrificiovivoesanto.wordpress.com/2011/11/18/festa-da-dedicacao-das-basilicas-de-sao-pedro-e-sao-paulo/

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