Homilia da Semana

São Luís Gonzaga – 21 de Junho

“O Deus que me chama é Amor”
Irmã Maria Teresa Ribeiro Matos, EP

No meio dos prazeres e honras da corte, o jovem Luís permaneceu ancorado no desejo de se fazer religioso

Altíssimo foi o grau de santidade por ele alcançado pela via da inocência. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos. – Então, o que faremos, Irmão Luís? – perguntou o Padre Provincial, ao entrar no quarto do enfermo. – Estamos a caminho, Padre. – Para onde? – Para o Céu… Se não impedirem meus pecados, espero, pela misericórdia de Deus, ir para lá. Esta era a disposição de alma do jovem noviço da Companhia de Jesus, que interrompera seus estudos de Teologia por força de uma grave doença e há três meses jazia prostrado no leito. Oito dias antes, predissera que estes seriam para ele os últimos.

“Morrerei esta noite”
Já pela manhã, pediu o Viático, o qual só lhe foi trazido à tarde, por julgarem-no ainda com saúde. Passou o dia em atos de fé, petição e adoração. Os padres jesuítas não se consolavam por perder o santo irmão, e tentavam persuadi-lo de que sua hora ainda não chegara. Ele, inflexível, respondia: – Morrerei esta noite. Morrerei esta noite. Padres e noviços de todas as casas, tendo sabido da predição de sua morte, acorreram para despedir-se dele, encomendar-se às suas orações e pedir seus últimos conselhos. A doença minara-lhe a saúde do corpo, mas a alma a cada momento crescia em santidade. Assim, atendia a todos com afeto, prometendo lembrar-se deles no Céu. Tendo anoitecido e vendo o Padre Reitor que Luís ainda falava com facilidade, concluiu que não morreria nessa noite e deu ordem aos irmãos para se recolherem a dormir. Ficaram no quarto apenas dois sacerdotes para auxiliar o enfermo, além do seu confessor, São Roberto Belarmino. Luís não escondia sua profunda alegria. Ir para o Céu, unir-se definitivamente com Deus: era o que mais almejara durante sua curta vida! Passado algum tempo, disse ao confessor: – Padre, podeis fazer a encomendação. O sacerdote logo a fez, com muita compenetração e devoção. Recolhido, calmo e confiante, Luís aguardava o momento supremo, o qual não tardou: por volta das vinte horas, com os olhos fixos no crucifixo que segurava em suas mãos, entrou serenamente nas terríveis dores da agonia. Nenhum gemido lhe saiu dos lábios, seu olhar não se desviou um instante sequer d’Aquele que tanto sofrera por nós na Cruz. Pronunciando o Santíssimo Nome de Jesus, entregou sua alma a Deus na mais inteira paz.

O perfeito pensa constantemente em Deus
Luís Gonzaga era dessas almas diletas, sobre as quais Deus derrama graças e dons em superabundância para mantê-las na inocência. Altíssimo foi o grau de santidade alcançado por ele nessa via. Nada de terreno o atraía, vivia em contemplação e todas as suas ações estavam em conformidade plena com os desígnios divinos. Eis como o famoso dominicano Padre Garrigou-Lagrange descreve uma alma nesse estado de perfeição: “Depois da purificação passiva do espírito, os perfeitos conhecem a Deus de uma maneira quase experimental, não mais passageira, porém quase contínua. Não somente durante as horas da Missa, do Ofício Divino ou demais orações, mas também no meio das ocupações exteriores, sua alma permanece voltada para Deus. Por assim dizer, eles não perdem sua presença e guardam a união atual com Ele. ” Compreenderemos com facilidade a questão se a analisarmos em contraposição ao estado de alma do egoísta. Este pensa sempre em si mesmo e, naturalmente, refere tudo a si; entretém-se sem cessar consigo mesmo sobre suas veleidades, suas tristezas, ou suas superficiais alegrias; sua conversa íntima, por assim dizer, é incessante, mas vã, estéril e esterilizante para todos. O perfeito, ao contrário, em lugar de pensar em si, pensa constantemente em Deus, em Sua glória, na salvação das almas e, para isso, faz tudo convergir para este objetivo, como por instinto. Sua conversa íntima não é consigo mesmo, mas com Deus”.1 Vejamos alguns episódios da existência terrena, breve, mas pervadida de santidade, de São Luís Gonzaga, que refletem bem sua inocente alma.

Retidão desde a infância
Nasceu em 9 de março de 1568, no castelo de Castiglione, Itália. Foi o primeiro filho de Dom Fernando Gonzaga, Marquês de Castiglione e Príncipe do Sacro Império, e de Dona Marta Tana, dama da Rainha Isabel de Valois. Muito agradava à marquesa ver quão bem seu filho assimilava, desde pequeno, suas maternais instruções de piedade. Seu pai, porém, se inquietava, pois temia que a devoção o desviasse da carreira das armas, à qual se destinavam os primogênitos. Quando Luís tinha cinco anos de idade, o marquês recebeu ordem de partir para Túnis à frente de três mil homens da infantaria italiana e, devendo passar em revista as tropas na cidade de Casalmaior, levou-o consigo, para acostumá-lo ao sabor das armas. Passou o menino lá alguns meses e, na convivência com a soldadesca, aprendeu algumas palavras indecorosas, as quais passou a repetir, sem saber seu significado. De volta a Castiglione, foi repreendido por seu preceptor, e não apenas nunca mais proferiu tais palavras, mas manifestava grande enfado quando ouvia alguém pronunciá-las. Muito se envergonhou por essa falta e, quando já religioso, costumava contá-la para “provar” como fora mau desde criança.

Devoção a Maria e virtudes exemplares
Quando Luís fez nove anos de idade, Dom Fernando o levou, juntamente com seu irmão Rodolfo, para a corte do Grão-duque da Toscana. A Providência Divina utilizou esses dois anos em que ele viveu em Florença para fazê-lo progredir nos caminhos da santidade. A leitura de um livro sobre os mistérios do Rosário fez desabrochar em sua alma a devoção a Maria Santíssima. Contribuiu também para tal a fervorosa devoção a Nossa Senhora da Anunciata, venerada nessa cidade. Tanto se lhe inflamou o coração pela Virgem que quis oferecer a Ela seu voto de virgindade. As diversas virtudes já eram robustas em sua alma. Adquirira uma completa guarda dos sentidos, uma obediência total aos superiores, além de um profundo recolhimento de alma e elevação de espírito. Deus rapidamente construía a bela catedral da alma de Luís, o qual, com a simplicidade de uma criança, deixava-se conduzir pelo Pai celestial. Tendo passado para a corte de Mântua, não só conservou os hábitos de oração, mas sublimou-os pelas práticas de mortificação. Obrigado pelos médicos a seguir uma dieta alimentar, para curar-se de uma enfermidade, tomou tal gosto pela penitência que, ultrapassando as receitas indicadas, entregou-se aos mais rigorosos jejuns. Considerava ter feito uma lauta refeição quando comia um ovo inteiro!

Intensa vida sobrenatural
De volta ao solar paterno, foi cumulado de graças místicas extraordinárias. Quando se punha a considerar os atributos divinos, experimentava uma tão grande consolação que derramava lágrimas suficientes para empapar vários lenços. Algumas vezes ficava tão arrebatado que perdia completamente os sentidos exteriores. Sua mente estava toda posta no sobrenatural, e sobre as coisas de Deus versavam todas as suas palavras. Em 1580, chegou a Castiglione o Cardeal Carlos Borromeu, Visitador Apostólico do Papa Gregório XIII. Muito se admirou o Cardeal por ver como aquele pequeno “anjo” discorria sobre os temas da Religião. No final de duas horas de conversa com ele, decidiu o Cardeal dar-lhe por primeira vez a Sagrada Eucaristia. O Cardeal Carlos Borromeu admirou-se de ver como o pequeno Luís discorria sobre os temas da Religião e decidiu dar-lhe por primeira vez a Sagrada Eucaristia. Aos treze anos de idade sentiu o chamado religioso. Por ser ainda muito jovem, nada comunicou a seus pais, mas redobrou suas austeridades. Aboliu o uso da lareira em seu quarto; levantava-se de madrugada e, de joelhos, rezava durante longo tempo, mesmo durante os rigores do inverno lombardo. Cada vez mais inquieto à vista dos progressos do filho na trilha da piedade, o Marquês de Castiglione decidiu, para distraí-lo, dirigir-se com toda a família para Madri e colocá-lo como pajem do filho do rei Felipe II. Luís, entretanto, com a alma ancorada em Deus, permaneceu firme e resoluto em seus propósitos, no meio dos prazeres e honras da corte.

Conquista da permissão paterna
“Para qual ordem religiosa sou chamado?” – perguntava-se o jovem pajem. Optou pela Companhia de Jesus. Além da nobre função do ensino à qual esta se dedicava, motivou essa escolha o fato de os jesuítas serem proibidos, pela regra, de ascender a qualquer cargo, salvo se por ordem direta do Papa. Assim, renunciaria para sempre não só às honras do mundo, mas também às eclesiásticas. Gritos de cólera e ameaças de açoites foi a resposta do marquês ao pedido de seu filho para entregar-se a Deus, na Ordem fundada por Santo Inácio. Usou de sua influência para conseguir que algumas altas dignidades eclesiásticas tentassem dissuadi-lo de sua vocação, ou ao menos fazê-lo entrar por um caminho que conduzisse às possíveis honras do cardinalato. Não tiveram sucesso maior que o das ondas furiosas do mar sobre a rocha. Pediu-lhe o pai, então, que esperasse a volta à Itália para decidir. Não podia se conformar em perder aquele filho tão dotado, no qual pusera toda a esperança da principesca casa dos Gonzaga. Começou, então, um período de dois árduos anos de luta para conquistar a permissão paterna de abandonar tudo e seguir a Cristo. Foi a mais dura – e talvez a mais gloriosa – fase de sua vida. Essa luta encerrou-se com um episódio comovedor: certo dia o marquês, olhando pelo buraco da fechadura do quarto de seu filho, viu-o ajoelhado e se flagelando. Só então dobrou-se e lhe deu a tão almejada autorização.

A alegria de entrar na casa do Senhor
“Que alegria quando me vieram dizer: vamos subir à casa do Senhor!” (Sl 121, 1). Chancelada pelo imperador a renúncia pública a seus direitos de filho primogênito, entrou Luís no noviciado da Companhia de Jesus, em Roma. Em todos os lugares por onde passou, o nobre religioso deixou atrás de si o suave aroma de suas virtudes. Despojou-se de tudo quanto podia lembrar sua antiga condição, buscando para si as humilhações e o último lugar. Chegava a enrubescer de vergonha ao ouvir elogios à nobreza de sua família. Os noviços disputavam lugar a seu lado nas horas de recreação, pelo prazer de participar de suas elevadas conversas. E consideravam seus objetos pessoais como verdadeiras relíquias. No estudo de Filosofia e Teologia, mostrou-se tão sábio que defendeu, com aplausos, uma tese diante de três Cardeais e outras autoridades. Vendo seus superiores o valor da joia que tinham em mãos e, ao mesmo tempo, a fragilidade de sua saúde, multiplicaram os desvelos por ele. Recorreram em vão a uma mudança de ares, na esperança de que lhe faria bem. À vista do insucesso dessa terapêutica, o Padre Reitor deu-lhe ordem de, por um determinado período, não se deter em pensamentos elevados, pois talvez estes o estivessem prejudicando… Permitiu a Providência esse equívoco para fazer brilhar mais ainda as qualidades de alma daquele “anjo”. Dessa vez a obediência, por ele tão amada, custou-lhe grandes esforços: sair de seu constante estado de oração – confessou a um de seus companheiros – era um enorme tormento, pois, mal se distraía, seu pensamento voava para a consideração dos mistérios divinos. “No entardecer da nossa vida, seremos julgados segundo o amor”. É para esse  amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude.

Vítima da caridade
Em 1591, sua caridade para com o próximo encontrou uma ótima ocasião para expandir-se até o heroísmo: atender as pobres vítimas da peste que assolava a Cidade Eterna. Não tardou, porém, em ser ele próprio contagiado. Mas Deus, que decidira colher tão cedo este viçoso lírio, não quis levá-lo antes de ele espargir seus últimos perfumes. Três meses de uma febre ardente, aceita com total abnegação, encerraram os 23 anos de sua permanência na Terra. Seu confessor, São Roberto Belarmino, afirmou que São Luís tinha levado uma vida perfeita e fora confirmado em graça.2 Mais tarde, declararia Santa Madalena de Pazzi, a propósito de uma visão que tivera da glória imensa da qual gozava no Céu este filho de Santo Inácio de Loyola: “Enquanto viveu, Luís manteve seu olhar sempre atento em direção ao Verbo, e é por isso que ele é tão grande. […] Oh! Quanto ele amou na terra! É por isso que hoje no Céu possui Deus numa soberana plenitude de amor”.3 Luís Gonzaga foi beatificado por Paulo V, em 1605, e canonizado a 13 de dezembro de 1726, por Bento XIII, quem o declarou padroeiro da juventude.

Modelo de santidade no amor
“No entardecer de nossa vida, seremos julgados segundo o amor”.4 É para esse amor, em uma entrega total, que Deus nos chama desde a juventude, tal qual o fez ao moço rico do Evangelho: “Vem e segue-Me!” (Mt 19, 21). Que a juventude atual – tão carente de modelos a seguir e tão confundida acerca do amor – não tome a atitude do moço rico, entristecendo-se por ter de desapegar-se das coisas do mundo, mas reencontre o exemplo de seu patrono, São Luís Gonzaga. A isso a incentivou o saudoso Papa João Paulo II, dirigindo-se aos jovens de Mântua: “São Luís é sem dúvida um santo a ser redescoberto em sua alta estatura cristã. É um modelo indicado também à juventude de nosso tempo, um mestre de perfeição e um experimentado guia no caminho da santidade. ‘O Deus que me chama é Amor, como posso circunscrever este amor, quando para isto seria pequeno demais o mundo inteiro?’- lê-se em uma de suas anotações”.5

1 GARRIGOU-LAGRANGE, OP, Réginald. Les trois ages de la vie intérieure. 7.ed. Paris: Les éditions du Cerf, 1951, v.II, p.555-556.
2 Cf. CEPARI, Pe. Virgilio. Vida de São Luís Gonzaga. Roma: Officina Poligrafica, 1910, p.37.
3 GUÉRANGER, Prosper. L’année liturgique. 14.ed. Tours: Alfred Mame et fils, 1922, v.III, p.253.
4 SAN JUAN DE LA CRUZ. Avisos y sentencias, n.57. Burgos: Biblioteca Mística Carmelitana, 1931, v.XIII, p.238.
5 Homilia em Castiglione, por ocasião do IV centenário da morte do santo, 22/6/1991.
(Revista Arautos do Evangelho, Junho/2010, n. 102, p. 34 à 37)

 

História do protetor da juventude – São Luís Gonzaga

1568
Nascimento
São Luís Gonzaga nasceu en Castiglione, Itália, a 9 de março de 1586, filho primogênito de D. Fernando Gonzaga, príncipe do Império, e de Da. Marta Tana Santena.

1573
Aos 5 anos, orgulho da Tropa
D. Fernando Gonzaga leva Luís, com 5 anos, numa expedição guerreira à Tunísia. Tornou-se o orgulho da tropa. Queimara o rosto ao disparar um mosquetão sozinho, reprimindo varonilmente a dor. Nova proeza. Era hora da sesta. De repente, um tiro de canhão. Dom Fernando manda uma patrulha em direção ao tiro. Descobrem a peça ainda fumegante e, por trás das rodas do canhão, Luís que trabalhava por sacudir o pó. O pai manda-o de volta para Castiglione. Começa a fase dos estudos.

1575
A “Conversão”
Ouvira dos soldados certas expressões que, embora não lhes atingisse o significado, não deixavam de ser grosseiros palavrões. Para fazer-se importante diante dos soldados, as repetia para divertimento da velha guarda. Uma vez de volta para casa, ouviu-o falar palavrões o seu aio, Del Turco, censurando com seriedade. Bastaram-lhe para a vida inteira. Nunca mais falou algo com que devesse se envergonhar. Foi o início do que Luís chamaria, mais tarde, da sua Conversão. O conhecimento do pecado e sua oposição a Deus, foi a grande novidade que veio sobressaltar a alma dele criança. Poucos anos bastaram para que o amor de Deus enchesse inteiramente o coração puro de Luís. Este primeiro desenvolvimento culminou mais ou menos aos 7 anos de idade.

Florença
Vida na corte com tudo a que tinha direito: festas, brinquedos, roupas, aulas de dança, professor de caligrafia. Mas Luís já não era mais criança. Estava conscientemente empenhado na formação do próprio caráter. Já fazia algum tempo que Luís vinha pedindo ao mestre Del Turco para que lhe procurasse um confessor. Del Turco apontou-lhe o padre Della Torre, reitor do colégio dos jesuítas. Daí para frente começou a formar sua personalidade interior, atento a tudo que pudesse desfigurá-la. Primeiro, a IRA, a “fraqueza dos fortes”. Em poucas semanas conseguiu dominá-la. Segundo, o Noviciado da Língua: nenhuma palavra mais que pudesse ferir os outros. Falar somente o necessário. Terceiro, tratar a criadagem segundo o Espírito do Cristianimo. Por suas atenções para com os criados, desfrutava de grande veneração entre eles. Quarto, o Sacramento da Penitência, que foi e continuou sendo para Luís a fonte onde buscava força e estímulos para uma constante e esmerada formação do seu caráter. Através deste instrumento singular da Graça, desenvolveu-se nele aquela extraordinária clareza e segurança de consciência que, anos mais tarde, haveria de assombrar o seu próprio confessor, São Roberto Bellarmino. Luís considerou sempre o Sacramento da Penitência como o ponto central de sua vida interior.

Nossa Senhora e a Castidade
Em Florença, Luís costumava visitar com frequência a igreja de Nossa Senhora “Santissima Annunziata”, e deter-se demoradamente diante do quadro da Anunciação. Os olhos puros de Maria tocaram-no profundamente.. Pareciam que estavam a lhe fazer um convite: “Filho, não queres ser como eu fui e ainda sou? Não me queres dar teu coração para que eu o entregue a Jesus como propriedade sua para sempre?” Sua resposta foi simples e singela. Ante o quadro da Anunciação, numa hora de recolhimento e de graça, depositou nas mãos de Maria todo o seu ser virgem e emitiu o voto de perpétua virgindade.

1580
Volta a Castiglione: vida de oração
Junho de 1580. Abrem-se novos horizontes. Algo aconteceu com respeito à oração. Rezava ora nos cumes das montanhas, ora no interior do seu quarto. Espreitando-o por uma fresta da porta, os camareiros viam-no ajoelhado no chão, diante de um grande crucifixo de prata, único ornato em seu quarto, abismado em oração, braços estendidos ou com as mãos postas, sereno, imóvel. E de seus olhos corriam lágrimas de amor e felicidade. Costumava, aos descer as escadas, saudar em cada degrau a Medianeira de Todas as Graças com uma Ave-Maria. Luís tornou-se um grande homem de oração. A princípio rezava 1 hora de manhã e 1 hora à noite. Depois, passou a prolongar a oração durante a noite. Começou, então, a célebre luta contra as distrações na oração. Esta tornou-se o grande propulsor de toda a vida de Luís. Dizia: “A plenitude evangélica só se adquire com o estudo da oração. Não pode jamais a ser perfeito quem não for homem de oração”.

1580
Primeira comunhão
De visita a Castiglione, o cardeal São Carlos Borromeu pergunta a Luís se já havia recebido a santa Comunhão. Luís respondeu que não. No dia 22 de junho de 1580, festa de Santa Maria Madalena, recebeu, na igreja Matriz, das mãos do Cardeal São Carlos Borromeu, a sua Primeira Comunhão. Tinha 12 anos de idade. Quando, durante a Missa, o celebrante erguia o Corpo do Senhor para a adoração dos fiéis, corriam pelas faces de Luís lágrimas de emoção, porque começava a desvendar-se, diante dele, os mistérios da Redenção.

1581
Espanha
Em 1581 parte com a família rumo à Espanha, convidado que fora seu pai a integrar a comitiva de Da. Maria da Áustria. Luís, e seu irmão Rodolfo, foram destacados para o serviço imediato do jovem príncipe herdeiro, D.Diogo, filho de Felipe II. Estava Luís Gonzaga com 13 anos. Intensificou sua vida de oração. Às vezes levava cinco, ou mais, horas de esforços para se livrar das distrações. Vestia-se modestamente, muitas vezes como pobre. Mas a todos causava respeito. Após 1 ano na corte, o príncipe herdeiro morre. Luís começa a preocupar-se com o futuro. Queria decidir sobre a vocação.

Vocação
Depois de muita oração, decide consagrar toda sua vida a Deus entrando numa Ordem religiosa. Mas, QUAL? Pouco a pouco a COMPANHIA DE JESUS foi predominando. Ainda viviam vários padres do tempo de Santo Inácio. Mas o que exerceu um último e decisivo influxo, foi o fato da garantia que a Ordem lhe dava de jamais ser elevado a honras ou dignidades eclesiásticas…ser um simples homem entre outros homens, todo para Deus e para a salvação das almas. Resolveu e ficou em paz. Pede luz à Mãe do Céu, Nossa Senhora do Bom Conselho. Sente a certeza. Seu confessor confirma a decisão. Luís vai imediatamente comunicar a decisão a sua mãe. Esta leva a notícia ao marquês. Da parte deste, primeiro admiração; depois, raiva e, finalmente, um NÃO decidido! Luís resolve enfrentar o pai. Ameaçado de chicotadas, responde; “Peço a Deus que me conceda a graça de, se for preciso, sofrer pacientemente pela minha vocação”. Passam-se dois anos de luta entre os dois. Deixam para resolver o assunto na volta para a Itália.

1584
Volta à Itália
São Luís estava com 16 anos. Mandado a visitar os principados vizinhos, conservou-se forte e puro. Quanto à vocação, o marquês volta à carga: “Vai-te daqui para fora e não apareças mais diante dos meus olhos!” Luís deixa a casa paterna. O pai manda trazê-lo de volta. Novos vitupérios. Luís tranca-se no quarto. O pai, preocupado, vai expiar. O que vê? Luís prostrado de joelhos, diante do crucifixo, repetindo jaculatórias ao seu Jesus. Ao mesmo tempo, com mão firme, vergastava tão violentamente suas costas, que o sangue já aparecia nas estrias. O marquês, impressionado, concede-lhe, finalmente, a permissão. Escreve ao geral da Companhia de Jesus entregando-lhe o seu primogênito, o que de mais caro possuía no mundo!

1585
A abdicação
O dia 2 de novembro de 1585 foi o dia da abdicação. O notário termina a leitura da renúncia de todos os bens. Luís assina sem vacilar. Retira-se para o quarto. Dentro de instantes volta já trajando a batina preta dos jesuítas.

1585
Ingresso na Companhia de Jesus
Aos 20 de novembro de 1585, entra no noviciado de Santo André, em Roma. Começa a observância fiel das regras. Antes de terminar o primeiro ano de noviciado é mandado a Nápoles, a fim de retomar os estudos. Uma das razões era que a sua saúde já começava a dar sinais de abalo. Mas o clima de Nápoles foi pior. Em maio de 1587 é chamado de volta a Roma, onde concluiria o ano letivo. Sobressaiu nos estudos de filosofia. Escolhido para a disputa solene, três cardeais compareceram. Em 1587, fez os Santo Votos de pobreza, castidade e obediência na capela do Colégio Romano. Não havia completado ainda 20 anos. Em 1589, enquanto passava o verão na casa de campo de Frascati, o padre, depois santo, Roberto Bellarmino avisa-o que deve viajar para sua terra natal. Problemas de família. Resolve-os e vai continuar seus estudos em Milão. Durante sua estadia nesta cidade, sente que estava próxima sua viagem para a pátria definitiva. Volta a Roma, decidido a empregar, com toda energia, o tempo que lhe restasse, na preparação para o encontro com o Senhor. Entrega tudo o que tinha ao P. Reitor e inicia o seu quarto e último ano de teologia.

1591
O Apóstolo da Caridade
Em 1591, a peste bate às portas da Itália. Contavam-se, aos milhares, as vítimas em Roma. Luís sentiu que sua grande hora havia chegado. Quis tornar-se um simples Irmão enfermeiro a serviço do próximo. Somente no Colégio Romano eram tratados 300 indigentes. Insiste para cuidar dos doentes, preferindo os mais pobres e necessitados. o zelo de Luís fá-lo descuidar de certas precauções. os superiores o proíbem de trabalhar no hospital, com medo do contágio. Pede, então, para ser transferido a outro hospital menos perigoso. Para lá dirige-se no dia 3 de março de 1591. No caminho, topa na rua com um empestado. Levanta-o e carrega-o nos ombros até o Hospital da Consolação. Volta para casa minado pela febre. O germe da morte infiltrara-se em seu corpo extenuado. Recolhe-se logo ao leito, o seu leito de morte!. Em cinco dias a doença leva-o às portas da morte. Vem uma primeira crise. Resiste, ainda, por três meses. A 10 de junho, escreve uma carta de despedia a sua mãe: “Recebi sua carta ainda em vida nesta terra dos mortos. Em breve, porém, irei louvar a Deus na eternidade, terra dos vivos…Nossa separação não durará muito. Lá em cima nos reencontraremos”. Depois disso, Luís só falava do céu: “Desejo dissolver-me e estar com Cristo” .

1591
A Morte
Caia a tarde de 20 de junho. Era uma quinta-feira, oitava da festa de Corpus Christi. Pede que lhe tragam a santa comunhão. Após a comunhão, pede para despedir-se de cada um em particular. Na hora do desenlace, três pessoas ficaram no quarto. Ao entrar a noite, somente um padre estava no quarto. Este aproxima-se do leito de Luís e pergunta-lhe se precisava de alguma coisa. “Ajudai-me…estou morrendo!”. Depois, pede que o virem para o outro lado. Os outros dois padres volta. Colocam uma vela na mão do moribundo. Luís segura-a firmemente. Com a outra mão, aperta firmemente ao peito o crucifixo dos agonizantes. mantinha o olhar fixo num outro crucifixo que haviam colocado aos pés da cama. Onze da noite, um leve tremor, e dos lábios de Luís, um hálito de respiração e um, bem apagado, “Jesus!” . Fim! Luís Gonzaga voara para a eternidade! Era o dia 21 de junho de 1591. Luís Gonzaga tinha 23 anos!

1605
Beatificação

1726
Canonização

1926
Protetor da Juventude Proclamado pelo Papa Pio XI, em 1926, modelo e protetor da juventude.

O Pecado contra o Espírito Santo

http://www.universocatolico.com.br/index.php?/o-pecado-contra-o-espirito-santo.html

Alguém poderá duvidar da misericórdia de Deus? Claro que não.
Numa demonstração inefável de amor aos homens, Deus enviou seu Filho único para que, através d’Ele, o perdão ficasse disponível a todos. A salvação de Jesus Cristo é a maior prova, a mais cabal evidência de que “Deus é Amor”(1) e que jamais despreza o que criou, pois se odiasse alguma coisa, não a teria criado(2). E nós, que fomos criados à “imagem e semelhança”(3) do Deus que é Amor, somos convidados também a amar, de forma incondicional, e se assim não fazemos, nos frustramos, pois não exercemos o motivo de nossa existência. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque Ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”(4). São palavras como estas que fez de Jesus a maior personalidade de todos os tempos: mostrou aos homens que Deus ama a todos independentemente de qualquer coisa; e nós, espelho desse Amor, devemos procurar refleti-lo nitidamente, pois para isso fomos feitos. Contudo, uma curiosa passagem do Evangelho chama a atenção de quem conhece o Deus que é Amor Incondicional. Trata-se da fortíssima palavra de Jesus que é documentada por Mateus(5), Marcos(6) e Lucas(7): “Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno”. Duas perguntas nos surgem imediatamente: “Que pecado tão grave é este que não merece o perdão de Deus?” e “Deus, que é Amor, por causa deste pecado, esqueceria desse Amor para condenar eternamente o blasfemador do Espírito Santo?” Analisemos as questões.

a) que pecado é esse? Antes de sua volta para o Pai, Jesus prometeu um novo Consolador, um Advogado. Trata-se do Espírito Santo que viria para apanhar aquilo que é de Jesus e interpretar para os seus discípulos(8), para assim convencer o mundo “quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo”(9). Diante disso, nos ensina o Santo Padre João Paulo II que “a blasfêmia (contra o Espírito Santo) não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se ‘convencer quanto ao pecado’, que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita ao mesmo tempo a ‘vinda’ do Consolador: aquela ‘vinda’ que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do sangue de Cristo que ‘purifica a consciência das obras mortas’. Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito Santo e o sangue, permanece nas ‘obras mortas’, no pecado. E a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’ consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que ele é dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência (…) Ora, a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no seu pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, conseqüentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida”(10). Como Deus poderá perdoar alguém que não quer ser perdoado? Para que o nosso entendimento ficasse mais claro acerca deste terrível pecado, o Papa São Pio X, que governou a Igreja de 1903 a 1914, no seu Catecismo Maior, ensinou que seis são os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.
2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.
3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro, do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.
4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.
5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.
6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.

b) por causa disso Deus abandona seu amor para condenar a criatura? Deus não condena ninguém. Ao contrário, “Deus não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter”(11). No entanto, Deus não criou os seres humanos como irracionais, mas os criou à sua ‘imagem e semelhança”, que quer dizer: nos deu inteligência, para separar o bem do mal; liberdade, para escolher o bem ou o mal; e vontade, para vivenciar o bem ou o mal. A escolha é nossa, é de cada um. Assim, vivemos a nossa vida direcionados pelos três pilares da imagem e semelhança de Deus: inteligência, liberdade e vontade, para que assim decidamos o que queremos trilhar. No fim da vida terrena, a morte confirmará a nossa decisão, dando-nos aquilo que escolhemos. Por isso, a conclusão torna-se óbvia: só está no inferno aqueles que realmente querem estar lá, aqueles que não querem a presença de Deus que ilumina suas imundícies. Por outro lado, Deus, que “não quer que ninguém se perca”, continua a amar sua criatura, mesmo esta preferindo estar longe. Como já disse, o amor de Deus não impõe condições, assim, onde quer que a criatura esteja, Deus a amará sempre, embora respeitando aquilo que a faz ser uma pessoa: sua inteligência, sua liberdade e sua vontade. Em suma: o pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, conseqüentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate(12), e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.

(1) cf. 1Jo 4, 8.
(2) cf. Sb 11, 24.
(3) cf. Gn 1, 26.
(4) Mt 5, 43-48.
(5) cf. Mt 12, 31s.
(6) cf. Mc 3, 28-s.
(7) cf. Lc 12, 10.
(8) cf. Jo 16, 14.
(9) Jo 16, 8.
(10) Carta Encíclica Dominum Vivificantem, 46.
(11) 2Pd 3, 9.
(12) cf. Ap 3, 20.

 

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

Como nos ensina Cristo: “Aquele que pecar contra o Filho do homem será perdoado, mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo será réu da Justiça Divina” (Mc 3, 28-29). O pecado contra o Filho pode ser perdoado, mas o pecado contra o Amor de Deus – o Espírito Santo – não pode ser perdoado, não porque Deus não tenha poder de perdoar, mas porque o pecador não quer pedir perdão de seu pecado.

Os pecados contra o Espírito Santo são seis:

1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus. Quando a pessoa, como Judas, não pede perdão porque considera que Deus é incapaz de perdoá-lo. E não pedindo perdão, não é perdoado.

2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus. Quando a pessoa se julga já salva, e, por isso, se recusa a pedir perdão a Deus.

3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus. Quando o pecador de tal modo se entrega conscientemente à mentira a ponto de acabar acreditando na mentira como verdade, e, por isso, recusa até a evidência da verdade. Era o pecado dos fariseus que viam Cristo fazer milagres, e os negavam, apesar de vê-los. Não havia então modo de convertê-los.

4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa. Isto é, ter raiva de que Deus, por amor, tenha dado alguma graça a outros, e não a nós. Desse modo se odeia a bondade de Deus, que é o Espírito Santo.

5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.

6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se. Quando a pessoa recusa o perdão de Deus na hora da morte, recusando os sacramentos impiamente.

Os pecados contra o Espírito Santo não têm perdão, porque a pessoa não quer pedir perdão por eles, porque nem os considera pecados. Ninguém confessa pecado contra o Espírito Santo. Se uma pessoa vai confessar ter cometido pecado contra o Espírito Santo, é sinal claro que não cometeu esse pecado, porque, se o tivesse cometido, não pediria nunca perdão por ele.

 

Carta Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do Mundo
Papa João Paulo II (18/5/1986)  

SEGUNDA PARTE – O ESPÍRITO QUE CONVENCE O MUNDO QUANTO AO PECADO

6. O pecado contra o Espírito Santo

46. Tendo em conta tudo o que temos vindo a dizer até agora, tornam-se mais compreensíveis algumas outras palavras impressionantes e surpreendentes de Jesus. Poderemos designá-las como as palavras do «não-perdão». São-nos referidas pelos Sinópticos, a propósito de um pecado particular, que é chamado «blasfêmia contra o Espírito Santo». Elas foram expressas na tríplice redação dos Evangelistas do seguinte modo: São Mateus: «Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro». 180 São Marcos: «Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno». 181 São Lucas: «E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado». 182 Porquê a «blasfêmia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido entender esta «blasfemia»? Santo Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados». 183 Segundo uma tal exegese, a «blasfêmia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas». Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfêmia contra o Espírito Santo» consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfêmia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

47. A ação do Espírito da verdade, que tende ao salvífico «convencer quanto ao pecado», encontra no homem que esteja em tal situação uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência, um estado de alma que se diria endurecido em razão de uma escolha livre: é aquilo que a Sagrada Escritura repetidamente designa como «dureza de coração». 184 Na nossa época, a esta atitude da mente e do coração corresponde talvez a perda do sentido do pecado, à qual dedica muitas páginas a Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia. 185 Já o Papa Pio XII tinha afirmado que «o pecado do século é a perda do sentido do pecado». 186 E esta perda vai de par com a «perda do sentido de Deus». Na Exortação acima citada, lemos: «Na realidade, Deus é a origem e o fim supremo do homem, e este leva consigo um gérmen divino. Por isso, é a realidade de Deus que desvenda e ilumina o mistério do homem. É inútil, pois, esperar que ganhe consistência um sentido do pecado no que respeita ao homem e aos valores humanos, quando falta o sentido da ofensa cometida contra Deus, isto é, o verdadeiro sentido do pecado». 187 É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a retidão nas consciências humanas, que não se embote a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Esta retidão e esta sensibilidade estão profundamente ligadas à ação íntima do Espírito da verdade. Sob esta luz, adquirem particular eloqüência as exortações do Apóstolo: «Não extingais o Espírito!». «Não contristeis o Espírito Santo!». 188 Mas, sobretudo, a Igreja não cessa de implorar, com todo o fervor, que não aumente no mundo o pecado designado no Evangelho por «blasfêmia contra o Espírito Santo»; e, mais ainda, que ele se desvie da alma dos homens — e como repercussão, dos próprios meios e das diversas expressões da sociedade — deixando espaço para a abertura das consciências, necessária para a ação salvífica do Espírito Santo. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar a missão do Consolador, quando Ele vier para «convencer o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo».

48. Jesus, no seu discurso de despedida, uniu estes três domínios do «convencer», como componentes da missão do Paráclito: o pecado, a justiça e o juízo. Eles indicam o âmbito do «mistério da piedade», que na história do homem se opõe ao pecado, ao mistério da iniqüidade. 189 Por um lado, como se exprime Santo Agostinho, está o «amor de si mesmo levado até ao desprezo de Deus»; por outro, «o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo». 190 A Igreja continuamente eleva a sua oração e presta o seu serviço, para que a história das consciências e a história das sociedades, na grande família humana, não se rebaixem voltando-se para o pólo do pecado, com a rejeição dos mandamentos de Deus «até ao desprezo do mesmo Deus»; mas, pelo contrário, se elevem no sentido do amor em que se revela o Espírito que dá a vida. Aqueles que se deixam «convencer quanto ao pecado» pelo Espírito Santo, deixam-se também convencer quanto «à justiça e quanto ao juízo». O Espírito da verdade que vem em auxílio dos homens e das consciências humanas, para conhecerem a verdade do pecado, ao mesmo tempo faz com que conheçam a verdade da justiça que entrou na história do homem com a vinda de Jesus Cristo. Deste modo, aqueles que, «convencidos quanto ao pecado», se convertem sob a ação do Consolador, são, em certo sentido, conduzidos para fora da órbita do «juízo»: daquele «juízo» com o qual «o Príncipe deste mundo já está julgado». 191 A conversão, na profundidade do seu mistério divino-humano, significa a ruptura de todos os vínculos com os quais o pecado prende o homem, no conjunto do «mistério da iniqüidade». Aqueles que se convertem, portanto, são conduzidos para fora da órbita do «juízo» pelo Espírito Santo», e introduzidos na justiça, que se encontra em Cristo Jesus, e está Nele porque a «recebe do Pai», 192 como um reflexo da santidade trinitária. Esta justiça é a do Evangelho e da Redenção, a justiça do Sermão da Montanha e da Cruz, que opera a «purificação da consciência» mediante o Sangue do Cordeiro. É a justiça que o Pai faz ao Filho e a todos aqueles que Lhe estão unidos na verdade e no amor. Nesta justiça o Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho, que «convence o mundo quanto ao pecado», revela-se e torna-se presente no homem, como Espírito de vida eterna.

180 Mt 12, 31 s.
181 Mc 3, 28 s.
182 Lc 12, 10.
183 S. TOMÁS DE AQUINO, Summa Theol. IIa-IIae, q. 14, a. 3; cf. S. AGOSTINHO, Epist. 185, 11, 48-49: PL 33, 814-815; S. BOAVENTURA, Comment. in Evan. S. Luc: cap. XIV, 15-16: Ad Claras Aquas, VII, 314 s.
184 Cf. Sl 81 [80], 13; Jer 7, 24; Mc 3, 5.
185 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et Paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS (1985), PP.224-228.
186 PIO XII, Radiomensagem ao Congresso Catequístico Nacional dos Estados Unidos da América, em Boston (26 de Outubro de 1946): Discorsi e Radiomessaggi, VIII (1946), 288.
187 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS 77 (1985), PP. 225 s.
188 1 Tes 5, 19; Ef 4, 30.
189 Cf. JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), nn. 14-22: AAS 77 (1985), pp. 211-233. 190 Cf. S. AGOSTINHO, De Civitate Dei, XIV, 28: CCL 48, 451.
191 Cf. Jo 16, 11. 192 Cf. Jo 16, 15.

 

CONDIÇÃO HUMANA
Dom Paulo Mendes Peixoto

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.

Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.

Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.

A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.

A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.

A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos terna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

XI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Marcos 4, 26-34

Dizia ainda: «O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro o caule, depois a espiga e, finalmente, o trigo perfeito na espiga. E, quando o fruto amadurece, logo ele lhe mete a foice, porque chegou o tempo da ceifa.» Dizia também: «Com que havemos de comparar o Reino de Deus? Ou com qual parábola o representaremos? É como um grão de mostarda que, ao ser deitado à terra, é a mais pequena de todas as sementes que existem; mas, uma vez semeado, cresce, transforma-se na maior de todas as plantas do horto e estende tanto os ramos, que as aves do céu se podem abrigar à sua sombra.» Com muitas parábolas como estas, pregava-lhes a Palavra, conforme eram capazes de compreender. Não lhes falava senão em parábolas; mas explicava tudo aos discípulos, em particular.

Neste XI Domingo do Tempo Comum, em sua segunda parte o Evangelista Marcos nos oferece uma coleção de pequenas parábolas de Jesus a respeito do Reino de Deus. Este Reino de Deus deve ser cuidadosamente distinguido da Igreja, a Igreja não é o Reino de Deus, porém as duas realidades não são antagônicas. A Igreja precede o Reino de Deus, é a reunião de todos aqueles que se tornam mediante a fé e o Batismo, candidatos a entrarem um dia no Reino de Deus, porém de alguma maneira ainda que imperfeita, o Reino já se inicia neste mundo. A última parábola de hoje a compara a menor de todas as sementes. Na Palestina o grão de mostarda, quase invisível a olho nu, mas uma vez lançado na terra, ele possui uma força que lhe é própria e independe do agricultor, este uma vez feita a semeadura, pode descansar, dormir, acordar, comer e beber, que a semente se encarrega por si mesma de produzir a germinação e a planta. Esta planta quando cresce se torna o maior de todos os arbustos que podem ser observados às margens do lago da Galiléia, onde Jesus anunciava o Reino de Deus de tal maneira que as aves do céu poderiam fazer lá o seu ninho. O que Jesus queria dizer com um grão insignificante, que se transforma no maior de todos os arbustos? Quer dar-nos a seguinte lição: Deus é discreto em tudo aquilo que faz, e se utiliza de meios humildes, pequenos, insignificantes e não considerados pelos seres humanos. Quem era Jesus no conjunto da Judéia, numa província dependente do Imperador de Roma, diante do Imperador? Um nada, um judeu insignificante e, no entanto ali estava o início de uma grande obra de Deus. Os Imperadores se passaram, a Igreja que antecede ao Reino se impõe sempre mais, apesar de mil dificuldades nos quatro cantos do mundo. Deus é diferente do ser humano. Quando os homens querem fazer grandes coisas, usam a mídia, as televisões, conclamam a imprensa nacional e internacional. Todos se lembram dos espetáculos maravilhosos com os quais se iniciaram as últimas Olimpíadas internacionais. Deus toma a liberdade de ser diferente de todos nós. Tudo que faz é absolutamente singelo humilde e quase não vistoso, no entanto as coisas de Deus possuem uma força tal, que infalivelmente chegam ao escopo que Ele se propôs, ao passo que tanta gritaria, algazarra e estardalhaço por parte dos homens, tanta efervescência, termina muitas vezes em nada. Creia na sua Igreja que cresce em direção ao Reino, apesar das dificuldades que sofre neste mundo.

 

Semeados pela terra
A carta a Diogneto (c. 200) / VI

Aquilo que a alma é no corpo, são-no os cristão no mundo. A alma está espalhada por todas as partes do corpo como os cristãos pelas cidades do mundo. A alma mora no corpo e contudo não é do corpo, como os cristãos moram no mundo mas não são do mundo (Jo 17, 16). Invisível, a alma está aprisionada num corpo visível. Assim também os cristãos: vê-se bem que estão no mundo, mas o culto que rendem a Deus permanece invisível. A carne detesta a alma e faz-lhe guerra, sem razão, porque ela lhe impede a fruição de prazeres; de igual modo, o mundo detesta os cristãos sem qualquer razão, porque eles se opõem aos seus prazeres. A alma ama essa carne que a detesta, e os seus membros, tal como os cristãos amam aqueles que os detestam. A alma está encerrada no corpo; é contudo ela que mantém o corpo. Os cristãos estão como que detidos na prisão do mundo; são contudo eles que mantêm o mundo. Imortal, a alma habita uma tenda mortal; assim os cristãos acampam no corruptível, esperando o incorruptível celeste (1Cor 15,50)… Tão nobre é o posto que Deus lhes confiou, que não lhes é permitido desertar.

 

Décimo Primeiro Domingo Comum
Mc 4, 26-34 “Com que coisa podemos comparar o Reino de Deus?”

O texto de hoje traz à tona dois elementos muito importantes para o estudo dos Evangelhos – “o Reino de Deus” e “as parábolas”. Antes de olhar o texto mais de perto, convém comentar algo sobre esses dois termos ou conceitos. Existe um consenso entre estudiosos modernos, sejam católicos ou protestantes, que existem dois termos nos textos evangélicos que provém do próprio Jesus e que não dependem da reflexão posterior das comunidades, ou seja, “Reino” e Abbá”. Estamos tão acostumados de ter Jesus como “objeto” da pregação que esquecemos que Ele não pregou a si mesmo mas o “Reino de Deus” (geralmente citado em Mateus como o Reino dos Céus, para evitar o uso do nome de Deus). Toda a vida de Jesus foi dedicada ao serviço desse Reino, que ele nunca define, pois é uma realidade dinâmica, mas que ele descreve por comparações, usando parábolas. “Parábola” é um tipo de comparação, usando símbolos e imagens conhecidos na vida dos ouvintes, e que os leva a tirar as suas próprias conclusões (de fato, várias vezes temos a explicação de uma parábola nos evangelhos, mas, essa nasceu da catequese da comunidade e não teria feito parte da parábola original). O Capítulo 13 de Mateus talvez seja o melhor exemplo do uso de parábolas para clarificar a natureza do Reino – ou Reinado – de Deus. No tempo de Jesus e das primeiras comunidades cristãs, os diversos grupos religiosos judaicos esperavam a chegada do Reino de Deus e achavam que poderiam apressar a sua chegada – os fariseus através da observância da Lei, os essênios através da pureza ritual, os zelotas, através de uma revolta armada. O texto de hoje nos adverte que não é nem possível nem preciso tentar apressar a chegada ou o crescimento do Reino de Deus, pois ele possui uma dinâmica interna de crescimento própria. Como a semente semeada cresce, independente do semeador e sem que ele saiba como, assim o Reino cresce onde plantado, pois também tem a sua própria força interna que, passo por passo, vai levá-lo à maturidade. Assim, o texto nos ensina o que Paulo vai ensinar de uma maneira diferente aos coríntios, quando, referindo-se ao trabalho de evangelização desenvolvido por ele, Apolo e outros/as missionários/as; ele afirma “Paulo planta, Apolo rega, mas é Deus que faz crescer” (1Cor 3, 6). Uma das imagens que Jesus usa para caracterizar o Reino é a do grão de mostarda. Embora a semente seja minúscula, ela cresce até se tornar um arbusto frondoso. Assim Jesus quer que a gente relembre que é importante começar com ações pequenas e singelas, pois, pela ação do Espírito Santo, elas poderão dar frutos grandes. Esta parábola é um lembrete para que não caiamos na tentação de olhar as coisas com os olhos da sociedade dominante, que valoriza muito a prepotência, o poder, a aparência externa. A nossa vocação é plantar e regar, nunca perdendo uma oportunidade de semear o Reinado de Deus – ou seja, criar situações onde realmente reine o projeto do Pai, projeto de solidariedade e amor, partilha e justiça, começando com sementes minúsculas, para que, não através do nosso esforço, mas da graça de Deus, eventualmente cresça uma árvore frondosa que abriga muitos. O desafio do texto é de que valorizemos o gesto pequeno, as duas moedas da viúva, a semente de mostarda, não nos preocupando com os resultados, mas, confiantes no poder transformador da semente, plantar e regar, para que Deus possa ter a colheita!

 

As Leituras do 11º Domingo Comum chamam a nossa atenção para o modo maravilhoso como o Reino de Deus se difunde no mundo.
Tanto Ezequiel como São Marcos utilizam imagens que nos mostram que os seus destinatários eram pessoas ligadas à vida do campo, capazes de facilmente compreenderem o alcance do seu anúncio. A 1ª Leitura situa-nos no tempo de Joaquim (597), rei de Judá, que foi levado para o cativeiro com o povo do seu reino. A árvore frondosa, símbolo da vida de Israel como povo livre, perdera a sua pujança real pelas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, que tinha conquistado Jerusalém. Ezequiel chora com o seu povo a decapitação dessa “árvore elevada”. As esperanças do povo, perante o cumprimento das promessas de Deus feitas aos seus antepassados, ficaram, de certo modo, abaladas. Ezequiel responde às preocupações dos seus compatriotas com a imagem do “ramo de cedro”. E anuncia-lhes que será o próprio Deus a tomar a iniciativa de transplantar uma árvore do monte Sião, a partir de um rebento ou “ramo novo”, tirado do antigo cedro apodrecido. Este ramo ganhará vida, desenvolver-se-á e estenderá o seu império sobre o mundo. Este “ramo novo”, símbolo do pequeno “resto” do povo que se manteve fiel a Deus, transformar-se-á numa grande árvore, sinal do povo messiânico dos últimos tempos. Esta profecia realizou-se na pessoa de Jesus e na Sua Igreja. Jesus, “ramo” da família de David, foi o “rebento novo” que Deus fez brotar da árvore já caduca de Israel. Com Ele surgiu a grande árvore do Reino de Deus, a Igreja. É sob esta árvore que todos os homens podem encontrar abrigo. No Evangelho, Marcos diz-nos que o Reino, anunciado por Jesus, não aparece de um momento para o outro. O evangelista emprega um conjunto de narrativas similares, orientadas para justificar a atitude do Messias face ao aparente fracasso da Sua pregação ao serviço do Reino. Na parábola do lavrador paciente, o Reino de Deus é comparável ao lento crescimento de uma semente, que, “sem ele saber como”, vai germinando e amadurecendo até a colheita. É interessante notar que, dos quatro versículos que compõem a parábola, três deles destinam-se a descrever o processo misterioso do crescimento: a semente cresce, desenvolve-se sem que o homem intervenha. Quer durma ou vigie, o resultado é o mesmo. Com esta parábola, Jesus pretende dizer aos Seus ouvintes que a construção do Reino é, fundamentalmente, obra de Deus. Ao homem compete semear, ser instrumento apto nas mãos do Senhor. O tempo da colheita virá no momento oportuno. É preciso esperar, com paciência e serenidade, a manifestação da vida da fé como ação de Deus. Por mais que a nossa pregação seja eloquente e incisiva, o crescimento da fé e o seu frutificar no coração de cada homem depende da ação de Deus. A comunidade primitiva teve muito a peito esta catequese de Marcos, na sua pregação missionária. As dificuldades, e até os insucessos, deveriam ser aceites com serenidade e confiança, tendo presente que é Deus que dá o incremento. A aproximação do Reino de Deus impelia a comunidade a anunciar o Evangelho com alegria e constância. Aquilo que importa, não é a contagem matemática do tempo, mas a presença de Deus, que atua no silêncio e conhece o dia e a hora da colheita. A parábola exige de cada membro da Igreja um comportamento semelhante: abandonar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar-se conduzir por Ele. Deus atua silenciosamente e faz amadurecer a Sua semente, numa serenidade de espírito, que constrói a paz e fortalece a consciência do crente. A 2ª Leitura só se poderá compreender, se tivermos presentes os primeiros versículos do capítulo 5 da 2ª Carta aos Coríntios. No versículo 6, São Paulo recorre a novas imagens. Para ele, viver significa estar no exílio, longe de Cristo Senhor. Morrer significa encontrar o Senhor na pátria celeste. Cristo Ressuscitado foi elevado ao céu. Como Senhor glorificado, Ele encontra-se num modo de existência diferente, para o qual o cristão vai caminhando. Mas a terminologia com que Paulo procura descrever, nesta passagem, o destino de glória que nos espera, é pouco precisa, uma vez que não tem experiência dela. Contudo, isto é um bem, porque permite encarar a vida presente como uma caminhada “na fé” para essa glória. O importante é estar e viver em Cristo no tempo presente. A vivência cristã, nesta perspectiva Paulina, não é uma fantasia. Ela informa a vida no seu conjunto e nos seus pormenores. Viver cristãmente é estar determinado e comprometido “em agradar ao Senhor”, em “estar com o Senhor”. Para São Paulo, o mais importante é o modo como nos comportamos enquanto vivemos na fé, pois disto depende a sentença no juízo “perante o tribunal de Cristo”. “Enquanto habitarmos neste corpo” não podemos cruzar os braços. A graça não dispensa o nosso empenhamento numa vida ativa e digna.

Beata Regina Protmann – 13 de Junho – Aniversário da Beatificação – 19 anos

Nascimento e infância

Regina era filha de Peter Protmann e Regina Tingels, ambos descendentes de famílias ricas e cristãs. Nascida em 1552, em Braunsberg, hoje Braniewo, Polônia, tornou-se uma fantástica personalidade religiosa do seu tempo, do seu povo e da Igreja Católica.

No século em que viveu, a Europa passou por intensas e tumultuadas mudanças sociais. No campo religioso e político aconteceram os movimentos da Reforma e da Contra Reforma da Igreja de Roma. Foi o grande cisma, que incluiu luta armada e dividiu a cristandade entre católicos e protestantes.

Nesse clima Regina cresceu, bonita, vaidosa e inteligente, apreciando as roupas elegantes, as diversões e festas, como todas as jovens de sua condição social. Tinha espírito de liderança, por isso se sobressaia às demais amigas. Era uma filha amorosa e obediente. Os pais lhe proporcionaram uma boa educação intelectual, moral e religiosa. Era hábito da família se reunir à noite em volta da lareira, onde o pai narrava sobre a história dos povos, a vida dos Santos e ensinava a Palavra de Cristo aos filhos.

Cardeal

Em março de 1551 o Cabido Diocesano escolhe o Padre Estanislau Hosius para Bispo do Ermland. No inverno de 1557/58 Hosius é chamado a Roma. Já é conhecido como grande teólogo e diplomata. O Papa Paulo IV lhe pede para colaborar nos preparativos da grande reunião do Concilio de Trento.

Aos 26 de fevereiro de 1561, Hosius é elevado à dignidade de Cardeal. Aos 7 de fevereiro de 1564 chega a Heilsberg (Ermland); e umas semanas após, segue a Braunsberg. Aos 24 de março, começa suas conferências com os magistrados da cidade. Consegue restabelecer a paz religiosa; com paciência e zelo leva os magistrados à adesão à fé, com exceção de dois deles que são excluídos. Porém, outro inimigo se apresenta: a peste.

Empregam-se todos os meios preventivos, enquanto nas Igrejas não cessam as orações coletivas. A Diocese do Ermland terá poucas vítimas. O Cardeal está atento a tudo, zela pelo bem do povo e pela formação do clero.

Ainda em Trento, pedira ao Geral dos Jesuítas, alguns padres para a formação de sacerdotes. Em novembro de 1564, chegam os primeiros Jesuítas a Frauenburg e a Heilsberg. Aos 8 de janeiro de 1565, após a extinção da peste, chegam em Braunsberg e fundam o Colégio.

Hosius confia seus diocesanos ao zelo dos Jesuítas e retorna a Roma na qualidade de embaixador da Polônia. Voltará a visitar o Ermland, pela última vez, na semana Santa de 1568. Regina terá 16 anos.

Vinagre

Apesar de ter passado o perigo da peste que deixou a cidade em sobressalto, Regina traz consigo o paninho embebido em vinagre. É um bom preventivo contra o contágio.

– Mamãe, como estão os doentes que a senhora visitou? Gostaria de ir junto. Mas tenho medo. Confessa a jovem. E cheira o paninho para desinfetar-se.

– A senhora parece triste!

– Filha, um dia você compreenderá. A caridade tem muitas dimensões…

A mãe parece desfalecer. Solícita, a jovem a faz recolher-se ao leito.

Peter chega do trabalho. Coloca o cesto das provisões sobre a mesa.

– Onde está a mãe?

Os olhos vermelhos da filha já dizem tudo.

De fato, Regina Tingels cumpria sua missão.

As colegas apreciam ouvir Regina… Elas já nem percebem as pessoas que param a fim de admirar-lhes a jovialidade que irradiam…

– Há pessoas que são como estas florzinhas. Enfeitam o pasto, lhe dão graça e perfume; mas só quando vem o inverno que tudo envolve no branco gélido é que se percebe o quanto elas fazem falta ao conjunto da paisagem.

– Você me faz lembrar algo!

– Que foi?

– As senhoras que cuidam dos pobres que a peste deixou na miséria!

Em casa, Regina ajuda no preparo do jantar…

Mudança de vida

Algo está acontecendo com Regina. Observa um dos irmãos.

– Parece apaixonada… Não sei por quem!

– É! Ela procura mais a Igreja e o silêncio. Passa horas em oração.

– Você reparou? Quando acaba a festa, ela se recolhe ao quarto. Não vibra mais com ela.

Um novo tipo de felicidade brilha em Regina. Percebe-se a transformação e não se consegue descobrir as razões.

– Onde vai, Regina?

– À igreja. Preciso falar com o Pároco.

Regina está amadurecendo. Deixa-se invadir pela Graça que, qual luz, lança nova compreensão em seu ser. Como Santa Catarina, ela escolhe o Senhor Jesus e se doa inteiramente a Ele. Inflamada deste amor, experimenta a dimensão profunda da vida de intimidade com Deus. Tudo o mais se toma relativo para Regina. Tudo não passa de sombra da realidade da vida que “Deus preparou para aqueles que o amam”. E a alegria parece transpirar-lhe de todos os poros. As conversas com suas duas amigas preferidas giram em torno disso. O luxo, os passatempos, antes tão desejados, se tornam insípidos para ela.

Oração pessoal

As duas amigas entram no quarto de Regina. Apontam para o escrito que Regina tem nas mãos e perguntam:

– Que é isso?

Regina… sorri e olha para as amigas… Regina lê pausadamente:

– “Ó meu Senhor e Deus, fere meu coração pecador com a flecha ardente de Teu grande amor, para que nenhuma criatura me distraia, mas somente Tu, Deus, nosso Senhor; dá-me tal amor que me abrase inteiramente e em Ti me dissolva. Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração, para que eu possa agradar somente a Ti, eternamente. Ah! Tu, meu doce Jesus, meu Senhor e meu Deus, quando Te amarei perfeitamente?

Quando, meu dulcíssimo Esposo, Te receberei interiormente com os braços de minha alma indigna e repousarei aí eternamente? Ó Senhor Jesus, doçura de minha alma, Esposo do meu coração, oxalá pudesse eu desprezar a mim e a todo mundo por amor a Ti!

Ah! que minha alma se desfizesse e se derretesse de amor a Ti como a cera, pelo sol, e eu fosse inteiramente consumida em Ti, ó meu Senhor”.

E o silêncio envolve as três por longo tempo. Regina, sob o impulso do Espírito Santo, toma firme decisão.

Incompreensão pelos parentes e amigos

Ninguém consegue compreender a mudança de comportamento operada em Regina.

– Pai, Regina está doente?

– Onde está ela?

– Ora, deve estar na igreja.

– Não, recolheu-se ao quarto. Eu vi. Está em oração e nem percebeu que entrei lá.

Batem à porta da casa. Peter atende. Faz sinal com a mão para as jovens entrarem no quarto de Regina. – “Regina, suas amigas estão aí”. Na conversa, Regina lhes transmite as maravilhas que Deus está realizando nela.

– Sinto-me fortemente atraída pelo Senhor. Passaria o tempo todo pensando nele. E intuo tanto ensinamento quando assim me entretenho com Ele. Em Braunsberg não há convento.

Que está pensando?

Aqui em casa não dá para viver assim. Sou um escândalo para todos.

– Regina, eu também sinto o mesmo.

19 anos

Ante o protesto dos parentes, dos amigos e dos conhecidos, Regina e duas de suas amigas vão viver na casa de uma piedosa viúva.

Elas se ocupam com pequenos trabalhos e passam a maior parte do tempo em oração, meditação e estudo da Sagrada Escritura.

– Não dá para vivermos aqui.

– Por quê? lhe pergunta a viúva.

– As visitas são muitas e as reclamações e protestos dos parentes não têm fim.

– Que pretende fazer?

Regina decidira viver totalmente para o Senhor Deus. E, sem delongas, ela e suas companheiras mudam-se para a Kirchgasse, (Rua da Igreja) . Regina tem apenas 19 anos.

O berço

A casa está mais ou menos em ruínas e a desmoronar. As três, de mãos vazias, iniciam nova vida.

– Isto aqui se parece com o estábulo de Belém, berço de Jesus. Observa uma delas.

– Regina, já dei uma olhada em tudo: o porão, a despensa, as arcas e os baús, estão vazios; e as paredes, nuas! Exclama a outra.

– Achei um barril!

– Ótimo! Ele nos servirá de mesa.

Regina pendura o crucifixo na parede. E as três se olham e sorriem. Despojada de tudo, desprezada pelos parentes, malvista pelo povo, Regina lança os alicerces de sua obra, para a glória de Deus, seu Esposo. O frio, a fome e a penúria são seus companheiros. Porém, inexplicável alegria reina entre elas e tudo sofrem com fortaleza de coração.

Agora podem saborear, com novo gosto, a leitura das bem-aventuranças: “Felizes os pobres… porque deles é o reino dos céus. Felizes os mansos… possuirão a terra. Felizes os que choram… serão consolados. Felizes são vocês quando os insultam e perseguem e mentindo, dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guardada para vocês uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.

Regina mortifica-se com vigílias, orações, jejuns e disciplinas; mantém-se moderada, e sóbria no comer, no beber e no vestir. Transmite às companheiras as lições que aprende na intimidade com o Senhor, seu Esposo, e na Sagrada Escritura. Jamais está ociosa; maneja a roça com maestria. Com o trabalho de suas mãos, elas se provêm de alguma coisa do estritamente necessário.

Admiração

Passaram-se alguns anos.

– Peter, sua filha Regina, não é tão louca como diziam. Você reparou o que falam dela e de suas companheiras?

– Eu, que tanto me opus! Bem que podia tê-la ajudado! Quem poderia adivinhar?

– Encontrei gente da cidade vizinha que trouxe a filha. Ela também quer viver como Regina.

– Sabe quantas são?

– Não sei. Mas é bonito vê-las indo juntas à missa na igreja Matriz! Regina permanece ajoelhada durante as cinco missas do domingo, desde a primeira até a última. E não é ostentação. Parece que Deus lhe fala diretamente. Nunca vi coisa igual.

Assim falam Patrício e Peter. Peter levanta-se para disfarçar as lágrimas… No quintal, lava o rosto na bica. Nisto chegam os irmãos de Regina para passar o domingo em casa. As sobrinhas enchem de festa o ambiente. E a conversa continua em volta de Regina…

Partilha

– Chegam a dizer que elas vivem tal qual viviam os primeiros cristãos.

– E é a nossa irmã! Quem o diria?

– É inacreditável! Elas colocam tudo em comum.

– Não sei se é verdade, porque não entrei lá. Minha vizinha, que é muito amiga de Regina, contou-me que elas têm dormitório e alimento em comum. O trabalho é distribuído entre elas e o fazem com alegria. Não dá para ver quem é rica, nem quem é pobre. Tudo, entre elas, é colocado em comum. Nem procuram saber quem produz mais, nem quem produz menos. Cada uma faz seu trabalho com amor.

Caridade

– Não posso entender, Peter!

– O que?

– Elas vivem tão pobres e ajudam a tanta gente. Não cobram pelos serviços que prestam.

– Também, elas estão sempre ajudando às famílias mais pobres. Não dá para cobrar…

– Eu vi com meus olhos. Você lembra daquela família perto do Porto do Passarge?

– Sim.

– A mulher deu à luz uma criança. Regina ficou sabendo. Foi imediatamente lá com uma companheira e as duas fizeram os trabalhos da casa. Quando o marido chegou, encontrou a mãe e a criança dormindo e uma sopa quente que Regina acabara de fazer com os mantimentos que ela trouxe, pois este pobre homem não tinha deixado nada em casa.

Vida de Oração

– Fico maravilhada e envergonhada quando lembro da Madre.

– Por que?

– Ela tem uma vida de oração, de penitência e de jejum que não dá para imitar.

Nisto batem à porta. Uma das Irmãs atende.

– É uma senhora desconhecida. Exige sua presença, Madre.

Assim que Madre Regina chega à sala, a senhora vai logo dizendo com amabilidade!

– Vejo que está precisando de dinheiro.

E coloca sobre a mesa algumas dezenas de marcos de ouro.

– Por favor, agora peço que assine este recibo. É um comprovante de que a senhora me restituirá esta soma, daqui a sete anos.

A Madre fica maravilhada e quase confusa. Diz-lhe:

– Peço-lhe esperar um pouco até que chame uma de minhas Irmãs.

Regina vai ter com uma Irmã para preparar alguma coisa para dar à senhora. Quando retorna à sala:

– Que é isso? Onde está a senhora?

Procuram-na por toda parte. Ninguém sabe dar notícias da mulher. O dinheiro está sobre a mesa.

Humilde

Apesar de rica em virtudes e graças, ela é humilde e conhece suas limitações. Muitas vezes repete a prece que escreveu:

“Ó doce Senhor Jesus, conserva-me em tua graça, para que eu jamais Te abandone ou Te ofenda com pecados e vícios. Não deixes a mim, pobre serva, morrer e perecer; dá-me, ó Deus, a mim, pobre criaturinha, a mim, “pobre cachorrinho, as migalhas que caem de Tua mesa”. Não sou digna de tuas grandes graças; dá-me, ó Deus, que eu Te ame, honre e bendiga eternamente”.

Quando ouvia falar de guerra, ou perigos para a cidade de Braunsberg, assumia o caso juntamente com as Irmãs, fazia um jejum, uma oração de dois dias ou das 40 horas e silêncio; e os fazia com tanto empenho, como se a ela e a suas Irmãs coubesse a responsabilidade”.

Outros Conventos

Ano de 1586. A cidade de Wormditt está em festa. O povo recebe Madre Regina e as sete outras Irmãs. O bispo Martinho Cromer providenciou a residência das Irmãs. Ali, elas serão a presença visível da bondade de Deus entre os homens. As Irmãs, por sua vez, esperam que tudo seja para a maior glória de Deus e para o bem de todos. Wormditt dista 40 km de Braunsberg.

No ano seguinte, 1587, os moradores de Heilsberg assistem à chegada das Irmãs de Santa Catarina que são recebidas no Palácio Episcopal do Bispo Martinho Cromer. Algumas semanas depois, elas podem transferir-se para a residência definitiva que o Bispo adquiriu para elas, onde iniciam a escola para as meninas. Em 1593, Regina funda o quarto Convento das Irmãs de Santa Catarina, na cidade de Rõssel. Os novos Conventos de Wormditt, Heilsberg e Rõssel contam com sete Irmãs cada um. O Convento de Braunsberg  está com 14 Irmãs.   Regina consulta suas Irmãs para as iniciativas. As fundações e as obras são assumidas por todas. Cada Convento tem uma superiora escolhida pelas Irmãs da Comunidade. E os quatro Conventos prestam obediência à Madre Regina.

Madre Geral

Madre Regina medita muitas vezes sobre a responsabilidade de Fundadora e de Superiora Geral. Busca em Deus segurança, força e luzes para bem orientar as Irmãs. Regina é conhecida como “a Mãe dos pobres”. Sabe que sozinha, pouco consegue fazer. Empenha-se em formar aquelas jovens corajosas que deixaram tudo para se colocar sob sua orientação, a serviço dos pobres, dos doentes, por amor a Deus, na consagração total a Ele. Sabe que as Irmãs são continuadoras da tarefa que Deus lhe confia.

Não mede sacrifícios: “Nem granizo, nem neve, nem chuva, nem tempestade, nem vento ou frio, a atemorizam”, ou a impedem de visitar suas Irmãs dos quatro Conventos. Conversa com cada Irmã; encoraja e exorta a todas.

Mãe dedicada

As Irmãs colheram os frutos do pomar. Regina acaba de ver as conservas de legumes e verduras. Tudo está sendo colocado na adega.

– Irmã Scholástica, você pode me acompanhar nesta viagem?

– Madre Regina, o tempo está ruim; teremos que pernoitar em casa de camponeses, passar por lugares alagados e já se faz sentir o inverno que se aproxima. Parece-me que sua saúde não é mais a mesma!

– Preciso falar pessoalmente às Irmãs. Talvez é minha despedida. Seja como Deus quer!

As duas põem-se a caminho… vão pelas estradas… do campo. Depois de muitos dias, chegam a seu destino, cansadíssimas. A alegria é grande nas Comunidades. Madre Regina, como é bom revê-la! Depois dos cumprimentos, de se lavarem e comerem algo, as Irmãs se reúnem para ouvir a palavra da Madre, que é cheia de sabedoria.

61 anos de idade

Irmã Scholástica está preocupada. Percebe que as forças da Madre estão diminuindo. Passaram pelas Comunidades de Wormditt, Heilsberg e Rõssel. As Irmãs de Braunsberg recebem as duas, com entusiasmo. Mas este, logo se apaga. A Madre está visivelmente doente. Fazem-na deitar-se. Lá fora não se ouve mais o canto dos pássaros. Emigraram para outras regiões. Não se vê um ramo verde, sequer. O inverno cobriu tudo de neve. Madre não se levanta mais.

– Como está a Madre Regina? Pergunta o Padre que vem trazer-lhe os Sacramentos.

– Ela sempre responde: Como Deus quer. Já se vão oito semanas que está assim sofrendo as dores com paciência. Responde a Irmã Scholástica. E continua:

– Jamais se ouve dela uma pequena reclamação. Parece que se consome no desejo de se encontrar face a face com o Senhor, seu Deus.

O Padre entra no quarto, dá-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático.

Madre Regina, mansa e tranquilamente, entrega seu espírito, aos 61 anos de idade.

E o calendário marca, Segunda-Feira – 18 de janeiro – 1613. O Papa São João Paulo II beatificou-a, em Varsóvia, aos 13 de junho de 1999.

Saudades

Regina deixou entre seus escritos, o seguinte testamento: “A vocês, queridas Irmãs, deixo minha modesta mensagem: Andem sempre na presença do Pai, do Cristo e de todos os homens, com simplicidade e dignidade, com profunda humildade, com paciência, obediência responsável e sincero amor fraternal. Procurem dominar não só as paixões perigosas, mas também as solicitações ilusórias que prejudicam a vivência cristã, quais sejam: conversas inúteis, suspeitas contra os irmãos, indiferença e atitudes levianas. Façam todo esforço para viver em paz e amor fraterno, não só na sua Comunidade, mas com todos os homens. Assim, a bênção do Pai estará em todos os empreendimentos de sua vida”.

A espiritualidade e o carisma de Madre Regina continuam através das Irmãs de Santa Catarina que hoje estão espalhadas em vários países. Assistem aos necessitados, aos doentes, nos Hospitais, a domicílios; trabalham em asilos, creches, orfanatos; em obras de assistência social, em escolas, em colégios, em comunidades eclesiais de base, em paróquias, nas missões e outros (Livro: Novidade no Ermland de Ir. Mª Berenice Ziviani).

Reflexão

Com as palavras de seu grande conterrâneo, São João Paulo II, concluímos a história de nossa santa: “A espiritualidade de uma comunidade religiosa deve inspirar-se sempre no carisma da fundação, deixar-se interpelar e confrontar-se com ele. A Beata Regina viveu o espírito da autêntica reforma religiosa no seguimento de Cristo. Ocupou-se dos pobres, doentes e crianças para lhes dar testemunho da bondade divina. Considerava como seu dever sagrado confortar os aflitos e cuidar dos doentes (cf. Mt 25, 35 ss.) e dar às crianças uma boa educação.

A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: “Como Deus quiser” tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado…

Estreitamente ligada a este serviço de amor, a principal preocupação da Beata Regina Protmann era a relação viva com o seu Senhor e Esposo, Jesus. “Rezava na verdade e incessantemente”, diz o seu primeiro biógrafo. A oração prepara o terreno para a ação. “Ao abrir o coração ao amor de Deus, abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus”. Beata Regina Protmann, rogai por nós. Amém!

Fonte:
http://www.madreregina.com.br
http://alexandrinabalasar.free.fr/regina_protmann.htm

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/december/documents/hf_jp-ii_spe_20021212_congr-st-catherine_po.html

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/travels/documents/hf_jp-ii_hom_19990613_beatification_po.html

Santo Antônio de Pádua – 13 de Junho

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste mês estaremos celebrando os santos juninos: São João Batista, São Pedro, São Paulo e Santo Antônio. Fogos, comidas e bebidas típicas, mas também um mês de muitas devoções e orações com a intercessão dos santos juninos.
Um deles é conhecido na Europa como o “Santo” e muito querido também entre nós na América Latina. Vamos conhecer um pouco mais sobre Santo Antônio, nascido em Lisboa – Portugal,  e o seu amor filial a Maria:
“Nós te rogamos, portanto, Senhora nossa e nossa esperança:
Tu, que és Estrela do mar,
Irradia a tua luz sobre nós,
Atormentados neste mar tempestuoso,
Encaminha-nos para o porto,
Protege-nos na morte com a tutela da tua presença,
Para termos a dita de sair seguros deste cárcere
E de chegar, alegres, ao gozo perene.
Isso nos conceda aquele que trouxeste no ventre
E que aleitaste nos teus seios sacratíssimos.
A ele honra e glória por séculos eternos. Amém! (Sermão do 3 domingo da Quaresma)
Santo Antônio, desde o início de suas pregações, preocupa-se com aqueles que viviam distantes da Palavra de Deus. Procurava evangelizar onde não conheciam a Sagrada Escritura. Mas, não apenas pregou a palavra de Deus, mas a viveu na pratica da bondade e da fraternidade com todos.
Ele se preocupava principalmente com os menos favorecidos, através da partilha, do gesto concreto de serviço ao irmão necessitado, que precisava do pão, do trabalho, da educação, da solidariedade, da amizade, da paz, enfim de vida digna.
O “pão de Santo Antônio”, que até hoje costumamos partilhar, é sinal da solidariedade demonstrada em sua vida. Caridoso, procurava solucionar o problema de todos os que careciam de ajuda e quando não encontrava solução para os problemas, oferecia ao irmão sua palavra, sua amizade ajudando-o a encontrar e adquirir a confiança em dias melhores.
Santo Antônio considerava pobres também aqueles que não tinham cultura e por isso procurava ajudá-los, pois sabia que o culpa ou sem culpa, e se encontravam separados dos outros homens. Considerava pobres aqueles que não tinham conseguido ser felizes no seu casamento, que não tinham conseguido uma profissão, um digno trabalho, que não tinham chegado a desenvolver todas as suas capacidades, todos os seus estudos, que é um bem devido a todos. Considerava pobres aqueles que não tinham amigos, que viviam na solidão, privados da amizade. Considera pobres aqueles que haviam perdido sua liberdade, com talentos.
Hoje nós devemos reconhecer como pobres de Santo Antônio os desempregados, os esquecidos e abandonados, os famintos de pão e justiça, os violentados, que esperam de nós um gesto de bondade e fraternidade. Desta forma, Santo Antônio nos mostra, com sua vida, exemplo de amor aos irmãos e que devemos buscar sempre o bem de todos.
Suas mensagens são o eco de sua vida e de sua pregação chegam ainda até nós, mesmo depois de 800 anos. Antônio foi o grande pregador do Evangelho, e a Igreja o proclama como “Doutor Evangélico”.
“Sua palavra, tão nítida e clara, como sempre, com a força de um vinho velho, nutre a devoção e a espiritualidade de todos aqueles que se aproximam de Antônio, com a devoção e a comoção necessárias, como para deixar tocar o coração por essa espada de dois gumes, que é a Palavra de Deus” (Frei Alejandro R. Ferreirós, OFM).
Contando com a intercessão de Santo Antônio, pedimos as bênçãos de Deus sobre todas as nossas comunidades paroquiais, nossas festas juninas e particularmente sobre os nossos idosos e enfermos.

 

MAIS QUE CASAMENTEIRO, SANTO ANTÔNIO É EXEMPLO DE COERÊNCIA
Muitas simpatias envolvendo a imagem de Santo Antônio surgiram com os anos, mas são heresias

Sempre muito compadecido com os pobres, Santo Antônio casava muitos deles sem exigir nenhuma contribuição financeira para a igreja, como era costume na época.
Veio daí a fama de “santo casamenteiro”. “Conta-se também que uma jovem muito bonita, que queria encontrar um marido, fazia todos os dias orações e colocava junto à imagem de Santo Antônio flores que ela mesma colhia em seu jardim. Já cansada de esperar ela atira a imagem pela janela que cai na cabeça de um rapaz que se apaixona por ela e mais tarde eles se casam”. Antes de morrer, Santo Antônio prometeu que nunca deixaria de atender um pedido dos fiéis. Com os anos, surgiram simpatias em relação a imagem do santo, mas, tais coisas são heresias que nada condizem com a fé católica. Santo Antônio é mais que um santo casamenteiro, ele foi um grande anunciador do Evangelho. O grande exemplo que Santo Antônio deixou foi o de uma vida coerente com aquilo que se prega. “Maior característica de Santo Antônio é a busca por uma vida coerente. Pois ele sabia que muito mais que anunciar é preciso ter a vivência da palavra de Deus, mirando o exemplo dos santos”.

História de Santidade
Nascido em 15 de agosto de 1195, em Lisboa, Portugal, ele recebeu no batismo o nome de Fernando. Era o único herdeiro de Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões e Taveira de Azevedo. Fernando teve uma vida farta e estudou nos melhores escolas. Mas depois ingressar na vida religiosa na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, o jovem  sacerdote pede para ser transferido para Coimbra a fim de ficar longe do assédio da família que não aceitava sua escolha pela pobreza. Nos estudos de filosofia e teologia, ele não encontrou dificuldade, pois tinha uma inteligência e uma memória formidável, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Em Portugal, conheceu a família dos Franciscanos e se encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, além da vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças. E é na ordem dos franciscanos que Fernando adota o nome de Antônio. “Lá ele passa a fazer trabalhos braçais e viver uma vida bem diferente daquela que ele vivia. Lá ele também conhece a graça da contemplação e conhece o próprio Francisco de Assis”. Certa vez,  o supervisor pede para ele fazer o sermão do dia de improviso e todos ficaram surpresos com sua facilidade e sabedora para anunciar o Evangelho.

Amor aos pobres
Num certo dia, Santo Antônio tomou todos os pães do convento e distribuiu aos pobres. O padeiro do convento ficou desesperado, pois não tinha o que servir aos franciscanos, mas Antônio pediu para que ele verificasse na dispensa e ali aconteceu o milagre da multiplicação. Assim a exemplo de Santo Antônio, este ano, Beatriz decidiu doar alguns pães para sua paróquia, afim de que fossem abençoados e entregues às famílias. “Mas esse ano não estou pedindo nada, só quero que esses pães cheguem até a casa das famílias e que as abençoe para nunca faltar alimento a elas e que sejam felizes”, diz a devota.

Oração de Santo Antônio
Lembrai-vos, glorioso Santo Antônio, amigo do Menino Jesus, filho querido de Maria Imaculada, de que nunca se ouviu dizer de alguém que tenha recorrido à vós, tenha sido por vós abandonado. Animado de igual confiança, venho à vós fiel consolador e amparador dos aflitos. Gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés. Não rejeitais, pois, a minha súplica: (fazer o pedido). Sendo tão poderoso junto ao Coração de Jesus, escutai-a favoravelmente e dignai-vos a atendê-la. Amém.

 

MILAGRES de Santo Antônio

São muitos os milagres atribuídos a Santo Antônio, ocorridos tanto em vida como após a morte. O Santo nasceu provavelmente no Verão de 1195, com o nome de Fernando de Bulhões, perto da Sé de Lisboa, onde ainda criança iniciou a sua instrução. Aos 15 anos, entrou para o Mosteiro de São Vicente de Fora, de frades agostinhos, e, mais tarde, completou a sua educação em Santa Cruz de Coimbra, também da mesma ordem. Após ter aprendido em Portugal tudo o que era possível saber naquela altura, a sua natureza curiosa e o seu insaciável desejo de aprender levaram o jovem a embarcar para Marrocos, com a intenção de evangelizar os povos, dando-lhes a conhecer a palavra de Deus. No entanto, devido a problemas de saúde, rapidamente, embarcou de regresso a Portugal, onde nunca chegou, pois o barco, em que navegava, foi atingido por uma tempestade e chegou à Sicília, tendo depois rumado para o centro de Itália, onde se encontrava São Francisco de Assis. Foi companheiro deste e tornou-se franciscano, tomando o nome de Antônio. Começou a manifestar dotes de orador, tendo ficado famoso pela simplicidade e força dos seus sermões. Santo Antônio morreu aos 36 anos e foi canonizado pelo Papa Gregório IX, um ano apenas após a sua morte. Conta a lenda que Santo Antônio foi um dia pregar à cidade de Limoges, em França. Dizia-se que os seus sermões eram ouvidos por mais de 30 mil pessoas de cada vez e que, por isso, era obrigado a pregar ao ar livre. Estavam todos em silêncio a ouvir o Santo quando desabou uma grande tempestade sobre a multidão, que ficou atemorizada pela violência dos raios e dos trovões. Santo Antônio, porém, aconselhou os ouvintes a ficar, assegurando-lhes que, com a ajuda de Deus, nem uma gota de chuva os atingiria. O local onde estavam os ouvintes ficou enxuto, enquanto, à volta, ficou completamente encharcado. Uma outra vez, em Rimini, perante hereges cátaros que se tinham reunido para evitar a evangelização, houve um sermão que ficou célebre. Defrontado com a indiferença da população, Santo Antônio dirigiu-se aos peixes do mar que surgiram, aos milhares e, muito organizados, emergiram as suas pequenas cabeças para ouvir a palavra de Deus. Homens e mulheres acorreram para ver esta maravilha, tendo muitos deles acabado convertidos. A imagem de Santo Antônio é, como se sabe, representada com o Menino Jesus ao colo pela grande cumplicidade e companheirismo entre os dois. Conta a lenda que, em Mação, ia o Santo buscar lenha do outro lado do Tejo, a pedido de sua mãe, quando verificou, na volta, que barco e barqueiro tinham desaparecido. Preocupado por saber que a mãe o esperava do outro lado, Santo Antônio pediu ajuda ao Menino que lhe apareceu. Este disse-lhe que atirasse o feixe de lenha ao rio que Ele o conduziria para a outra margem. Diz a lenda que Santo Antônio apareceu do outro lado do rio com o Menino ao colo. Uma outra vez, em Pádua, Santo Antônio hospedou-se em casa de um homem rico que o surpreendeu a conversar com o Menino Jesus e que só foi autorizado a revelar o que tinha visto depois da morte do Santo. Ainda em Pádua, veio, um dia, um homem chamado Leonardo confessar-lhe um grande pecado: Leonardo tinha dado um pontapé a sua mãe. Santo Antônio comentou que uma pessoa que comete tal ofensa deveria ter o pé cortado. Não percebendo as palavras do Santo e levando-as à letra, Leonardo cortou o pé com a sua espada. A mãe deste correu indignada ao convento, queixando-se do frade que quase lhe tinha morto o filho. Santo Antônio desculpou-se e explicou que não era aquela a sua intenção e acompanhou-a a casa de Leonardo onde, depois de rezar a Deus, lhe juntou o pé à perna com tanta fé que estes se soldaram por milagre. Um dos muitos milagres de Santo Antônio passou-se com o seu próprio pai quando este foi injustamente condenado à forca por assassínio, em Lisboa. Por milagre de Santo Antônio, o homem que tinha sido morto voltou a viver para jurar a inocência do condenado. Este Santo é muito estimado pelo povo português que lhe dedicou muitas poesias populares, quer orais, quer escritas, para além do grande culto que lhe é prestado. É considerado o Santo casamenteiro e no dia em que se celebra o seu culto, a 13 de Junho, em Lisboa, realizam-se casamentos em conjunto, na cerimônia tradicionalmente chamada “Noivas de Santo António”.

Como referenciar este artigo: Milagres de Santo António. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-06-13]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$milagres-de-santo-antonio>.

 

Santo Antônio e o milagre eucarístico de Rimini
A narração de um dos milagres mais significativos do Santo, por ocasião da celebração da sua memória litúrgica de hoje

“Santo dos Milagres”, assim era chamado Santo Antonio de Pádua, que hoje celebramos a memória litúrgica. De fato, foram muitos os prodígios que o Santo realizou ao longo da sua vida. Particularmente, a tradição nos deu a conhecer o famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou o assim chamado milagre “da mula”, acontecido na capital da Romanha e atribuído à sua intercessão. Na sua intensa atividade de evangelização, santo Antonio foi ativo em Rimini por volta do 1223 e foi justo neste período que o milagre foi narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo – que narram episódios análogos acontecidos também em Tolosa e em Bourges. O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges: nos primeiros séculos após o ano Mil, de fato, a hierarquia da Igreja era fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros, patarines e valdenses. Especialmente, estes atacavam a verdade fundamental da fé católica: a presença real do Senhor no sacramento da Eucaristia. O Milagre Eucarístico foi obrado por Santo Antonio depois que um certo Bonovillo, um herege, o desafiou a provar por meio de um milagre a presença real do Corpo de Cristo na comunhão. Outra biografia antiga de Santo Antônio – A  Assídua – traz as palavras exatas faladas por Bonovillo no ‘desafio’: “Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer por três dias, comer a Hóstia que tu lhe oferecerás, em vez da forragem que lhe darei”. Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o Deus pregado por Santo Antônio, o herege ter-se-ia convertido. O encontro foi marcado na Praça Grande (Atual Praça dos Três Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado, portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de Forragem. Chegou Santo Antônio que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça. Diante da mula, o Santo teria dito: “Em virtude e em nome do Criador, que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e o adores com a devida veneração”. O animal, apesar de estar esgotado pela fome, deixou de lado o feno, e aproximou-se para adorar a hóstia consagrada a tal ponto que inclinou os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos presentes. Antonio não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente, que, ao ver o milagre, jogou-se aos seus pés e abjurou publicamente os seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos cooperadores do Santo taumaturgo. Em memória deste episódio foi construído, na praça Três Mártires, uma igrejinha dedicada a Santo Antonio com uma capela que fica na frente, obra de Bramante (1518). A capela, no entanto, foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, então, é possível visitar, do lado do Santuário de São Francisco de Paula, o “templete” – como é chamado pelos habitantes de Rimini – em substituição da Igreja originária, que foi consagrada no dia 13 de abril de 1963. Com um tabernáculo de prata dourado que reproduz o pequeno templo exterior, e de um frontal de altar de bronze mostrando o milagre da mula, a igrejinha tornou-se sede da Adoração Eucarística perpétua a partir do 28 de novembro de 1965, por vontade do bispo Biancheri. Historicamente o milagre da mula apareceu um pouco tarde na iconografia de Santo Antônio, no âmbito do movimento eucarístico do século XIII que levou, em 1264, à instituição da festa solene do Corpus Domini pelo Papa Urbano IV, a fim de defender e dar o justo valor à Eucaristia.

Aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida

http://berakash.blogspot.com.br/2015/11/aceitar-jesus-nao-e-mudar-de-igreja-mas.html

Eu aceito Jesus quando experimento de seu amor e de sua misericórdia e digo SIM a Ele. Sim Senhor, eu quero Te amar acima de todas as coisas, Jesus! Quero, por meio dos meus irmãos, levar Seu amor a quem precisar.
Maria aceitou Jesus quando disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.Mas antes de tudo, aceitar Jesus é dizer não ao mal e ao pecado e a tudo que é contra o plano e projeto de Deus para nós e para o mundo.É encarar o que o Evangelho nos diz e fazer de tudo para segui-lo através do magistério seguro da Igreja.
Por isso, não tenhamos medo de dizer: SOU CRISTÃO, SOU CATÓLICO E ACEITO E RENOVO MINHA EXPERIÊNCIA COM JESUS TODOS OS DIAS!
Aceito Jesus quando reconheço que minha vida é d’Ele, aceito Jesus em cada Santa Missa e todas as vezes que Ele vem até mim na Eucaristia. Eu te aceito Jesus!
Aceitar Jesus – O que é verdadeiramente?

1)- Eu já aceitei Jesus e já me batizei em outra denominação Cristã, preciso aceitar de novo e me re-batizar?
Não!!! Pois isto não tem respaldo nem na bíblia e nem na tradição dos primeiros Cristãos. A palavra de Deus diz em Efésios 4, 4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo…” Aceitar Jesus é uma decisão que se toma uma vez só, é um compromisso que assumimos diante do Senhor e publicamente na Igreja, desde que seja verdadeiro não há necessidade de aceitar novamente. Com relação ao batismo deste que tenha sido na forma ordenada por Cristo em nome da Trindade (Mateus 28, 19), é válido. É evidente que todos os dias devemos estar renovando este nosso compromisso com Deus.

2)- Depois de aceitar a Jesus, eu preciso continuar indo na igreja?
Sim. Muitas pessoas vão à igreja, aceitam o Senhorio de Jesus e depois não voltam mais, isto está errado. Aceitar viver sob o Senhorio de Jesus é apenas o início da nossa caminhada com o Senhor, temos que cultivar e renovar constantemente este nosso compromisso. Veja o que diz em Mateus 24, 13: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Perceba que a salvação é condicional à nossa fidelidade a Deus em seu caminho até o fim, e sozinho é muito difícil perseverar.

3)- O que vai mudar na minha vida depois que eu aceitar Jesus?
O primeiro e principal acontecimento será a salvação, todos aqueles que arrependem-se de seus pecados, os confessa e aceitam Jesus como Senhor e Salvador verdadeiramente em seus corações e são batizados, são salvos, e já não pesa mais nenhuma condenação.Veja o que diz em Romanos 10, 9:
“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.
Mas isto não significa que você não tenha que mudar ainda a sua vida, pois inúmeras pessoas aceitam Jesus tendo suas vidas completamente tortas, porém isto será mudado gradativamente com a operação do Espírito Santo na vida desta nova pessoa e sua livre colaboração, pois assim está escrito:
Filipenses 2, 12-16: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”.

4)- E se não for verdadeira a minha decisão de aceitar Jesus?
Muitas pessoas aceitam Jesus da boca para fora, isto é, não fazem isto com o coração. É importante observar aqui que mesmo que tenha sido de forma inexpressiva, Deus vai considerar a sua decisão, cabendo agora a você assumir ou não, o compromisso diante de Deus. Contudo a salvação só é operada naqueles que aceitarem Jesus de forma verdadeira e só será mantida naqueles que permanecerem nos caminhos do Senhor.

5)- Depois de aceitar Jesus, posso perder a salvação?
Sim. Basta você abandonar o compromisso que fez com Jesus e afastar dos seus caminhos. O que nos revela a palavra de Deus sobre isto?
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada” (Romanos 11, 22).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6, 4-8).
“Aquele, pois, que estar em pé, cuide para que não caia” (1Cor 10, 12).
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar…” (1Pd 5, 8).
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal (Mateus 7, 21-23).
O próprio Paulo é inseguro da sua própria salvação:
“Com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3, 11-14).
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1Cor 9, 27).

6)- Preciso mudar de denominação Cristã para aceitar Jesus e ser salvo?
Aceitar Jesus é algo que tem que acontecer no coração, é uma experiência marcante, profunda entre você e o Senhor Jesus. Envolve arrependimento, quebrantamento de coração e entrega pessoal e total a Deus no filho por meio da graça do Espírito Santo. Se a sua denominação Cristão está comprometida com a palavra de Deus, prega que seus membros devam buscar a viver em santidade, que precisam obedecer a palavra de Deus, e ao sagrado magistério como nos ordena as escrituras, neste caso específico, não precisa sair, mas cada caso é um caso. Nosso Senhor disse aos apóstolos:
“Quem vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza a Mim despreza” (Lc 10, 16).
E disse a Pedro:
“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-18).
E declarou que a Pedro daria as chaves do Reino dos Céus (Mateus 16, 18). Portanto isto é grave e muito relevante a salvação. Não queira cair no pecado do orgulho de satanás. Quem não aceita Pedro, e quem não ouve os apóstolos despreza o próprio Cristo, coisa que o ladrão arrependido não fez. O bom ladrão confessou que Cristo era o Senhor, dizendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em teu Reino” (Lc 23, 42).
Ele se salvou confessando a Deus, e foi batizado por seu sangue. Porque há também um batismo de sangue. E no juízo final Cristo julgará os homens pela Fé e pela observância da lei de Deus, da qual “nem um só jota será tirado” (Mt 5, 18).E no juízo ele dirá “não vos conheço” para aqueles que não alimentaram a lâmpada da fé com as boas obras. Por isso lhes dirá “Tive fome, e não me destes de comer” (Mt 25, 34-46).
Hereges e filhos do diabo são, pois os que deformam a doutrina e a lei de Deus, ora negando o que Cristo ensinou, ora se atribuindo uma fé que recusa as boas obras. De modo que só se salvam as ovelhas de Cristo, e quem recusa ouvir a Pedro, despreza Cristo, e será punido por ele como filho do demônio.
“Fora da Igreja não há salvação”
O que esta frase quer dizer? Esta sentença é dos grandes Padres da Igreja, como Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc., e mostra que a Igreja é fundamental para a nossa salvação.
Como entender esta afirmação?
De maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo, explica o Catecismo da Igreja:
“Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação”.
Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc 16, 16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:
“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)” (Cat. § 846).
Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos):
“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10, 16).
Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), e afirma em seguida que:
“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21, 14); ela é indestrutível (Mt 16, 18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14, 25; 16, 13; § 869).
Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo Católico explica que:
“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (§ 848).
Ora o ladrão na Cruz não era Cristão e foi salvo por Cristo, sem proclamar solenemente Cristo como seu único senhor e salvador. Um índio e os povos de uma cultura não Cristã se salvariam, diz a doutrina Católica, se obedecessem toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem.
Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, ELES SERIAM JULGADOS PELA LEI NATURAL, pois obedecendo essa lei natural que todos conhecem, eles se salvariam (Romanos 2, 12-16). Tais pessoas, como o índio, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

7)- Para aceitar Jesus é necessário que eu esteja na igreja ou posso aceitar e ficar na minha própria casa? Cristo Sim, Igreja não?
O grupo que se autodenomina como os “Sem Igreja” (Cristo sim igreja não) se dizem salvos também. E você o que acha? Eles estão salvos ou a Caminho da Condenação?. Se os “sem igreja” estão salvos, tal como aqueles que frequentam denominações, podemos dizer que igrejas protestantes não servem para nada já que não são essenciais para a salvação? Sim ou não?. Qual dos grupos está salvo? Os “Sem Igreja” ou os “Com milhares de Igrejas”?. Se ambos estão salvos, para que então frequentar Igrejas? e ainda tentar fazer proselitismo? Tentando ganhar adeptos para uma denominação?
O QUE NOS DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE ISTO?
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10, 25).
Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes (Joel 3, 11).
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Salmos 122, 1).
Lc 24, 53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.

8)- É possível aceitar Jesus pelo rádio, TV, ou internet?
Sim. Como visto nas perguntas acima, aceitar Jesus é algo a princípio particular entre você e o Senhor Jesus, portanto não importa o meio que alguém usou para dizer que você precisa aceitar Jesus. Se você sentiu tocado pelo Espírito Santo e deseja se entregar a Jesus poderá ser sim pela internet, rádio, TV, ou qualquer outro meio lícito. Depois é necessário tornar isto público, pois assim nos diz as escrituras:
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus…” (Lucas 12, 8-9).

9)- QUAL A VERDADEIRA IGREJA “VISÍVEL” QUE CRISTO NOS DEIXOU? Qual igreja devo frequentar?
Apresento cinco Critérios bíblicos para você confirmar:
1. Que Possua Unidade: Consenso de doutrina e crença (Atos 2, 46; Efésios 4, 3.13).
2. Que seja Universal (CATÓLICA): Prega o evangelho no mundo todo e para todos (Hebreus 12, 23; Apocalipse 14, 6; Marcos 16, 15)
3. Que esta Igreja esteja de acordo com a doutrina dos apóstolos (Apostolicidade: Atos 2, 42) – Pergunta que não cala: Teologia da Prosperidade, campanhas, votos e desafios em dinheiro é bíblico? Blasfemar contra a mãe de Deus e aos Santos, faz parte do ensino dos apóstolos? Faça a você mesmo estas perguntas e compare com a atual denominação que você está e seja dócil e obediente a vós de Deus, mesmo que isto lhe custe perder amizades e suas seguranças humanas.
4. NÃO É POPULAR NEM DEMOCRÁTICA – VAI CONTRA O PENSAMENTO DO MUNDO: Contra o aborto, contra a homossexualidade e a depravação sexual, a favor da família constituída por um homem e uma mulher, que favoreça a moral e os bons costumes (Apocalipse 12, 17; Romanos 9, 27 e Lucas 12, 32).
5. Ensina a salvação pela fé em Jesus Cristo, mas acompanhada das BOAS OBRAS: Enquanto os protestantes estão preocupados em decorar trechos bíblicos e ATACAR OS CATÓLICOS, generalizar falhas e buscar controvérsias, etc, os Católicos procuram viver o Evangelho, portanto tire suas conclusões. Os protestantes como revela a palavra de Deus, são muito lentos e retardados no entendimento das coisas de Deus: “Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada a vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus” (Hebreus 5, 11-14).
A Religião perfeita é: “A religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1, 26-27).

Onde está escrito na bíblia que Religião não salva ninguém?
Os protestantes não sabem nem ao menos o que dizem, apenas repetem como PAPAGAIOS o que seus FALSOS PASTORES lhe impõem. Ora dizer que a verdadeira religião não salva é negar a própria RELIGIÃO CRISTÃ, pois Cristo disse em João 14, 5: Eu Sou o caminho a verdade e a vida, e NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM… Com esta promessa Cristo estabeleceu a única e verdadeira Religião (Religare) e a confiou a Pedro em Mateus 16, 18. E como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente neste caso a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e Paulo afirma que a fé só tem valor mediante o amor (Gl 5, 6). Por fim a promessa de Cristo é dirigida aqueles que combinaram a fé com as boas obras: “VINDE BENDITOS DO MEU PAI, tive fome e me deste de beber, nu e me vestistes, preso e fostes me visitar, estrangeiro e me acolhestes… (Mt 25, 31-46). Não agir assim é uma fé vazia, esta que o próprio Cristo combate:
“Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim…” (Mt 15, 8).
Por fim, a própria passagem que os protestantes adoram citar (incompleta claro), fala da necessidade das boas obras para confirmar a verdadeira fé professada:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2, 4-10).
Analise na verdade e na sinceridade, e veja em qual Igreja você encontrará estes 5 pontos em um só lugar?Não fiquem espantados com a saída de falsos católicos e a diminuição dos fieis e verdadeiros católicos, pois é preciso que se cumpra as escrituras:
Quando Jesus vier buscar a sua igreja ele não irá levar a maioria, pois será salvo apenas um resto como está profetizado em Romanos 9, 27.
1Jo 2, 19 – “Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon…” PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que os protestantes e suas lideranças pulam essa parte do Evangelho? – Nunca os vi comentarem sobre esse trecho do Evangelho – Devem sentir-se constrangidos em ter de enfrentar a esta verdade dita pelo Cristo, contradizendo suas pregações de bençolatria, dizimolatria, sucessolatria e seus altos padrões de vida a custo dos ignorantes.
Procure uma paróquia próxima de você, ou algum grupo de oração que siga os cinco critérios acima, e diga ao padre, ou coordenador do grupo que você experimentou da misericórdia de Deus, por meio de seu filho Jesus, ouvindo um programa de rádio, TV ou através da internet, e diga que deseja segui-lo e servi-lo. Procure estar presente nas reuniões de louvor, e serviço. Procure fazer os cursos oferecidos pela paróquia ou grupo de oração, pois são importantes para enriquecer o seu conhecimento de Cristo e de sua vontade, e responder as dúvidas que são muito comuns nesta fase da caminhada cristã.

ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS:
As igrejas que conhecemos hoje, com nome, CNPJ e até marca registrada, são instituições fundadas e geridas por homens, elas possuem um papel importante no ponto de vista da organização, e apoio aos crentes na expansão da fé cristã através de trabalhos missionários, pois sem as igrejas e seus missionários, os primeiros Cristãos não teriam sido alcançados pelo evangelho, e consequentemente nós também não, portanto devemos nossa gratidão sim, a todos os Santos missionários do passado e do presente.
Sendo a Igreja uma instituição inspirada por Deus, mas gerida pelo homem, é natural que nela haja falhas, afinal o homem é falho, nos ensina as Sagradas Escrituras:
“não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7, 20).
Todas as denominações, sem exceções, têm suas virtudes e também suas falhas, somente “o caminho de Deus é perfeito”, em somente o magistério Petrino, auxiliado pelo Espírito Santo é infalível e somente “a palavra do Senhor é pura” e somente Deus “é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmo 18, 30).
A igreja que disser não ter defeitos, que seus ministros não pecam, que as palavras ditas nos seus púlpitos são puras, está tentando roubar o papel principal da fé cristã, que é o de Jesus, único perfeito, que é também o autor da salvação (Hebreus 5, 9). Nem sempre as falhas que originam os defeitos nas igrejas são originados com más intenções, nem sempre são premeditadas, o problema é a falibilidade e limitação humana mesmo. Geralmente os dirigentes em sua maioria, estão imbuídos de bons sentimentos e boas intenções. Lógico que há pessoas que por vaidade, politicagem, ganância e poder acham que os fins justificam os meios, há “servos” que agem por interesses próprios, não servindo a Deus, mas a si próprio; estes, porém já receberam seu galardão.

10)- Podemos continuar buscando a Deus em lugares que estão cheio de erros e que conhecemos muitos destes erros?
Como disse acima, não existe igreja e nem grupo perfeito, a busca por uma igreja perfeita seria infinita, porém, existem igrejas maduras e você pode se fixar em qualquer uma delas desde que se sinta acolhido por ela, mas não se iluda, até mesmo as igrejas maduras possuem defeitos, por isso, devemos agir como os crentes de Beréia que se aplicavam em conhecer as Sagradas Escrituras e agir conforme a orientação do apostolo Paulo, que disse:
“examinai tudo, retenha apenas o que é bom” (I Tessalonicenses 21).
Deus se permite ser encontrado por todos que o buscam (Jeremias 29, 13). Então, a princípio, não deixe de buscar a Deus e experimentar de seu amor e de sua misericórdia. Deixe que Espírito Santo seja o teu guia, reze e peça a Deus a direção com sinceridade de coração e Ele será fiel, pois diz a palavra:
“Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?…” (Lucas 11, 10-13).
Não precisamos necessariamente esperar estar numa igreja para conhecer a Bíblia (principalmente se próximo a você não tem uma ou um grupo de pessoas que se reúnem para partilhá-la comunitariamente), nada impede que você abra sua Bíblia na sua casa, e estude a palavra pura que foi inspirada por Deus (2° Timóteo 3, 16-17) e é rica em verdade que liberta (João 8, 32) o homem do jugo pesado imposto pelos homens que lideram uma igreja ou grupo com fardos pesados que nem eles estão dispostos a carregar, com dízimos interesseiros e exploradores, deturpando a palavra de Deus para seus interesses mesquinhos.
Muitas vezes nós erramos, e somos coniventes com os erros da igreja exatamente por não conhecer as Escrituras (Mateus 22, 29).

11) – Será que Deus está presente “também” na denominação onde Congrego? Caso contrário, o que devemos fazer?
Deus se faz presente onde dois ou três em seu nome se reunirem (Mateus 18, 20). Dei ênfase no “também” porque alguns tomam o próprio lugar de Deus e do Espírito que sopra onde Ele quer, e não onde nós determinamos, pois assim está escrito:
“O Ruah sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai…” (João 3, 8).
Podemos concluir então, que Deus está presente onde dois ou mais se reunirem em seu nome (cf. Mateus 18, 20) mas, já não podemos afirmar com a mesma certeza que todos os líderes destas reuniões estejam com Deus, pois assim está escrito:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade…” (Mateus 7, 22-23). Não se espante, pois homem é falho, é corruptível e muitas vezes fazem associações obscuras e incompatíveis com a fé que professa.

O que fazer?
Conte sempre com Deus e com sua Palavra, que é “lâmpada para seus pés e luz para seus caminhos” (Salmos 119, 105) e também trás consolo e esperança (Romanos 15, 4). Mas principalmente sigamos o conselho de Cristo:
“Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: Os escribas e os fariseus (Sacerdotes, e bispos) sentaram-se na cadeira de Moisés (No caso Católico na cadeira de Pedro). Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23, 1-5).
Independente de qual igreja você esteja, sempre reze a Deus pelos teus ministros, sacerdotes, bispos, e lideranças Cristãs, e pelos seus ministérios nas igrejas de Deus em geral na face da Terra, para que a vontade Dele seja sempre manifesta e que as ervas daninhas sejam extirpadas do seio da igreja, e assim possamos melhor servir ao Senhor em verdade e em santidade e com sincero coração. Servimos a Deus, não ao homem. Devemos sim honrar e respeitar nossos ministros, mas aquilo que é ensinado por eles se não tem fundamento bíblico, magisterial ou tradicional, deve ser rejeitado e combatido (Gálatas 1, 8).
Hoje em dia, muitos buscam as igrejas motivados por necessidades materiais ou sentimentais, e podem buscar, mas naquela frase, o Mestre atingiu a essência da necessidade humana: o novo nascimento. Sem esta experiência, todas as bênçãos serão inúteis ou de pouco valor. É como se Jesus dissesse a cada pessoa: “Sua vida não tem conserto. Você precisa nascer de novo”. O evangelho não oferece uma simples reforma na vida do homem, mas sim uma nova vida.
O novo nascimento não é reencarnação, mas um nascimento espiritual que acontece quando o indivíduo crê em Jesus Cristo como seu Salvador e o recebe sinceramente no coração pela fé. Podemos ilustrar este conceito bíblico por meio de dois animais: a lagarta e a borboleta. A lagarta é feia, repugnante, tem visão limitada, anda arrastando, é um bicho devorador de plantações e, algumas vezes, nocivo ao ser humano. Como consequência, é temida, desprezada, rejeitada e pisada pelas pessoas. A borboleta, embora não seja uma espécie diferente da lagarta, passou por uma transformação. Agora, ela é bonita, agradável, tem visão mais ampla e consegue voar. A borboleta é admirada, elogiada e sempre bem-vinda em nossos lares.
Podemos comparar a lagarta ao homem sem Cristo, e a borboleta ao homem convertido. Paulo usaria as expressões “velho homem” e “novo homem”. O contraste entre a lagarta e a borboleta é muito grande e essa transformação acontece durante um período intermediário em que o animal toma a forma de crisálida. Ao final do processo, ocorre o que podemos chamar de “novo nascimento”, ou METANOIA (Conversão). Agora, tudo será diferente. Algo semelhante é experimentado por aqueles que recebem a Jesus como Senhor de suas vidas. A conversão, de acordo com a bíblia, não é mudança de religião, mas uma profunda transformação na vida, de dentro para fora. É uma mudança de caráter que afeta também as ações. Isto nos faz lembrar a mudança experimentada por Jacó, que se tornou Israel, e por Saulo de Tarso, que veio a ser o grande apóstolo Paulo. Embora a fase da crisálida seja para o bem, parece morte e sepultamento. A situação do animal parece ter piorado. Antes se arrastava, agora não se move. Antes, tinha companhia, agora há solidão. Antes, devorava tudo, agora tem uma nova fome de Deus. Assim também acontece com as transformações espirituais. Elas podem não ser imediatas, mas sim o fruto de um processo demorado que, a princípio, parece piorar a condição do indivíduo. Jacó saiu mancando do seu encontro com Deus, mas, enquanto doía por fora, o Senhor operava por dentro.
Saulo, quando se encontrou com Jesus, caiu por terra e ficou cego. As coisas pareciam piorar. Ele perdeu suas prerrogativas entre os judeus e não foi recebido logo pelos cristãos. Começou então um período de reclusão, isolamento. Deve ter sido um tempo muito difícil, mas útil para sua preparação espiritual antes de iniciar seu magnífico ministério. Quando termina o tempo da crisálida, uma nova vida começa. A borboleta mudou de nome e de aparência, mas não foi apenas isso. Seu comportamento é outro. Ela passa a frequentar outros ambientes e tem novas companhias. Sua visão agora é superior e até o seu alimento mudou.
Precisamos nos conscientizar do que Deus espera de nós, mesmo sabendo que não o surpreendemos com nossas quedas e fraquezas:
Ele espera por tudo aquilo que Ele mesmo gratuitamente nos deu, aguarda um modo de vida coerente com o novo nascimento. Talvez pensássemos que tudo isso fosse automático, mas não é. Afinal de contas, temos uma nova natureza, mas não perdemos a antiga. Temos duas naturezas que lutam dentro de nós. A borboleta tem condições de voar, mas não perdeu a capacidade de caminhar. Portanto, ela pode escolher abdicar-se de sua nova habilidade, voltando aos antigos ambientes e à velha vida. Quantos cristãos transformados em águias, vivem como se fossem galinhas. São como filhos pródigos entre os porcos. Antes, você era incapaz de vencer o pecado. Agora, pode vencê-lo, mas precisa escolher e re escolher isto todos os dias. Vem a primeira conversão e a fase do testemunho. Depois vem a segunda conversão e a fase do CONTRA TESTEMUNHO, mas quando re escolhemos Deus, o contra testemunho se torna um grande testemunho. Nesta linha de pensamento enquadram-se diversas admoestações de Paulo para as igrejas ao orientar os irmãos no sentido de viverem de acordo com sua nova condição espiritual:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12, 1-3).
“Quanto ao procedimento anterior, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e revesti-vos do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 22-32).
“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3, 1-10).
Sempre encontramos pessoas em condição degradante, rejeitadas pela sociedade. Algumas vezes, isto ocorre por causa de crimes que cometeram, ou por um conjunto de outras situações. A nossa tendência é rejeitar e pisar nessas vidas marginalizadas, mas Deus vê potencial nelas. Se receberem o Senhor Jesus em seus corações, experimentarão verdadeira metanoia (Conversão/Mudança).
Assim, aqueles que se convertem pela fé no evangelho são transformados, não com o propósito de serem ricos ou famosos, mas para serem cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo, em comunhão com ele e em obediência aos seus mandamentos. Sabendo que Deus nunca serve o melhor vinho no começo, mas no fim, portanto, paciência com você mesmo(a),e perseveremos até o fim.
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”

X Domingo do Tempo Comum – Ano B

Aquele que fizer a vontade de Deus: eis a família de Jesus (Mc 3, 20-35).

20E voltou para casa. E de novo a multidão se apinhou, de tal modo que eles não podiam se alimentar. 21E quando os seus tomaram conhecimento disso, saíram para detê-lo, porque diziam: “Enlouqueceu!” 22E os escribas que haviam descido de Jerusalém diziam: “Está possuído por Beelzebu”, e também “É pelo principie dos demônios que Ele expulsa os demônios”. 23Chamando-os para junto de si, falou-lhes por parábolas: 24Se um reino se divide contra si mesmo, tal reino não poderá subsistir. 25E se uma casa se divide contra si mesma, tal casa não poderá manter-se. 26Ora, se Satanás se atira contra si próprio e se divide, não poderá subsistir, mas acabará. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar os seus pertences, se primeiro não amarrar o homem forte; só então poderá roubar e sua casa. 28“Na verdade Eu vos digo: tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados e todas as blasfêmias que tiverem proferido. 29Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, não terá remissão para sempre. Pelo contrário, é culpado de uma pecado eterno”. 30É porque eles diziam: “Ele está possuído por um espírito impuro”. 31Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: “Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram”. 33Ele perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34E, repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. 35Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Inquietação dos parentes de Jesus
Alguns dos parentes de Jesus, conforme nos narra o Evangelho nos vv.21-22, se deixam levar por pensamentos mundanos e encaram a dedicação de Jesus a seu apostolado, como um exagero, uma perda de juízo. Citam que Jesus “enlouqueceu”. Muitos santos, a exemplo de Cristo, também se passarão por loucos. Mas, loucos por amor a Jesus Cristo.

Calúnia dos escribas
Até os milagres de Jesus foram mal entendidos pelos escribas que o acusam de ser instrumento de Beelzebu (vv.22-23). É o mesmo personagem misterioso, mas real, que Jesus chama de Satanás, que significa o adversário, e que Cristo veio para arrancar o seu domínio sobre o mundo, numa luta incessante.
Nos vv. 24-27, o Senhor fala aos fariseus e a cada um de nós: – Num coração petrificado o Espírito não tem liberdade de atuar; dessa resistência à ação do Espírito brotam as doentias divisões internas. São os dinamismos “dia-bólicos” (aquilo que divide) que se instalam em nosso interior, atrofiam nossas forças criativas e nos distanciam da comunhão com tudo e com todos.
A vitória de Jesus sobre o poder das trevas, que culmina na Sua Morte e Ressurreição, demonstra que a luz já está no mundo.

Pecado contra o Espírito Santo
Jesus acaba de realizar um milagre, mas os escribas não o reconhecem: “eles diziam: Ele está possuído por um espírito impuro” (v.30). Não querem admitir que Deus é o autor do milagre. Nessa atitude, consiste a gravidade da blasfêmia contra o Espírito Santo: atribuir ao príncipe do mal, a Satanás, as obras de bondade realizadas pelo próprio Deus.
Diz o Senhor, aquele que blasfema contra o Espírito Santo não terá perdão: não porque Deus não possa perdoar todos os pecados, mas porque esse homem, na sua obcecação perante Deus, rejeita Jesus Cristo, sua doutrina e os seus milagres, e com isto, despreza as graças do Espírito Santo.
O Espírito procura entrar para fecundar, recolocar em ordem, restaurar, unificar.
Agrada-lhe reunir, integrar, conciliar, pacificar, conduzir-nos a um “lugar interior”, a um centro de calma, onde tudo tem seu lugar, onde tudo encontra seu espaço. Soltar as asas nos momentos mais petrificados e pesados de nossa vida é sinal de sua silenciosa Presença.
Em outras palavras: “viver segundo o Espírito” não se define como um combate, como luta para debilitar o “eu”, mas como experiência para ativar o impulso para o “mais” e “ordenar” os dinamismos humanos em direção a um horizonte de sentido: o Reino.

Os verdadeiros parentes de Jesus
31Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: “Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram”. 33Ele perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34E, repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. 35Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.
A palavra “irmãos” era em aramaico, uma expressão genérica para indicar um parentesco: irmãos também se chamavam os sobrinhos, os primos diretos e os parentes em geral. “Jesus não disse estas palavras para renegar Sua mãe, mas para mostrar que só é digna de honra por ter gerado Cristo, mas também pelo cortejo de todas as virtudes” (Teofilacto de Ácrida ou da Bulgária, †1107).
Por isso, a Igreja nos recorda que a Santíssima Virgem: “acolheu as palavras com que o Filho, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática; coisa que ela fazia fielmente” (Lumen Gentium, 58).
É no mais íntimo que se reza ao Senhor. É no mais profundo da interioridade que se escuta o Senhor. Deixe-se invadir pela luz e pela vida d’Aquele que “armou sua tenda entre nós”.
Semana Abençoada!

 

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.
Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.
Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.
A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.
Seis são os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.
2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.
3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro, do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.
4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.
5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa São João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.
6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.
O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, consequentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate, e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.
A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.
A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos terna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

 

Nós celebramos, hoje, o décimo domingo do tempo Comum e, no texto Evangélico de Marcos, se proclama, em primeiro lugar, aquela passagem onde os familiares de Jesus imaginaram que Ele tivesse perdido o juízo, imaginaram que estivesse louco, uma vergonha e humilhação para a família, queriam trazê-lo à qualquer custo de volta para Nazaré e foram a Cafarnaum buscá-lo. Dando espaço para que a família de Nazaré chegasse em dois dias de viagem a Cafarnaum, o evangelista inseriu uma perícope mediana. Jesus Se encontra com judeus provindos de Jerusalém e estes trazem uma acusação ainda mais forte e satânica. Acusam Jesus de ter conchavo com Belzebu; com outras palavras, não negam, e não poderiam negar, ações prodigiosas e extraordinárias que Jesus fazia. Porém, não podendo negá-las, atribuíram-nas não à Deus, mas ao espírito impuro, ou seja, a Belzebu, a Satanás e arrancam de Jesus uma afirmação forte no Novo Testamento: “Todos os pecados serão perdoados, mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, não terá perdão nem nesta, nem na outra vida.”
E nós nos perguntamos qual seria, dentro do contexto imediato de Marcos, o pecado famoso contra o Espírito Santo, pecado que não tem perdão nem neste mundo e nem no outro? É não aceitar, sistematicamente, Jesus. Pior ainda, atribuir a loucura e, sobretudo, a engano satânico tudo aquilo que realizou Jesus, ou Jesus continua a realizar através do Seu grande sacramento que é a Igreja. Existem diversas maneiras de se pecar, existem os que pecam por fragilidade, existem aqueles que pecam por uma certa ignorância não desculpável, existem os que pecam por indiferença e existem aqueles também, que satanicamente se opõe, de maneira violenta e sistemática, ao desígnio de Deus, se opõe com relação a si mesmos e se opõe com relação à outros, impedindo explicitamente outros de receberem o evangelho de Jesus; estes são aqueles que pecam contra o Espírito Santo.
Nós não afirmamos que Jesus é louco e, muito menos, que Jesus agisse com o poder e sobre o impulso de Belzebu, o príncipe dos demônios. Deste texto de hoje nós podemos colher o seguinte: um profeta não é recebido em sua pátria, não é recebido entre os seus, Jesus fez esta experiência, Jesus passou por esta humilhação e nós, seus discípulos, podemos passar pela mesma experiência ao constatar que as pessoas mais íntimas nossas não nos compreendem, não nos aceitam, criticam-nos por causa de nossa Fé.

 

SOU CATÓLICO E NÃO DESISTO NUNCA!
Padre Bantu Mendonça

Neste 10º domingo do Tempo Comum, vemos que a multidão procura Jesus para tocá-Lo e ser curada das suas enfermidades; ela compreende e reconhece n’Ele um poder sobrenatural. Porém, os parentes de Jesus foram segurá-Lo, porque diziam: “Enlouqueceu”. Os familiares temem que esta maneira de agir possa comprometer o nome da família, então decidem tomar o controle da situação.
Vendo a atitude dos parentes d’Ele, podemos nos perguntar: “Quantas vezes somos chamados de loucos?”. Principalmente as pessoas que assumem uma proposta de vida radical, deixando tudo para seguir Cristo mais de perto, como consagrados, casais comprometidos com as pastorais nas capelas, nas paróquias e na diocese, entre tantas outras pessoas que dedicam sua vida para que haja esperança na comunidade. São os nossos próprios parentes que, às vezes, nos acusam de loucos, de “beatos e beatas” da sacristia.
Jesus está dentro da casa. A multidão e Seus parentes estão do lado de fora e ao Seu redor, ouvindo-O. Estão reunidos os discípulos em torno de Jesus, como também as multidões, pessoas do povo capazes de deixar tudo para segui-Lo. São os aleijados, coxos, pobres, doentes que estão “como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34).
“Participar da casa” é estar presente no banquete da vida, aproximar-se do outro como espaço de diálogo e compreensão. Mas para entrar na casa é preciso romper com o sistema de opressão que há em nossa sociedade, à medida em que faço do outro instrumento da minha vontade e o coloco em disputa com os demais. A casa é o lugar apropriado para desenhar a proposta que Jesus deseja anunciar e promover o sistema de relação social.
Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa (cf. Mc 6, 4). As pessoas capazes de compreender a missão de Jesus são aquelas que fazem uma experiência com Ele. Os mais próximos se afastam diante da missão de Jesus, enquanto os mais distantes se aproximam d’Ele e de Sua missão.
“Aproximar-se da missão” é se encontrar dentro da casa e reconhecer em Jesus a presença do Reino de Deus. É preciso compreender os gestos e não ter o coração endurecido. Os que estão fora da casa são os adversários, os que querem interromper a missão, concordando com uma ideologia que domina as pessoas e que controla o sistema opressor.
Estar na casa é o principal foco e eixo de partida. Jesus se sente próximo e familiar a todos que se deixam envolver por Seu projeto. O grau de parentesco é como um título para que se possa fazer parte da nova comunidade, a qual requer fidelidade acima de tudo. Jesus se recusa a aceitar quem não aceita Sua missão.
É preciso ser obediente a Deus, estar sentado à Sua volta e atentar-se aos Seus ensinamentos. É a unidade em Jesus que se deve fazer evidente numa opção de vida, na instauração de uma família, como também na vida. Viver a vida com adesão ao projeto de Deus e na construção de um mundo novo, no qual a esperança nos mova para frente para podermos chegar à terra onde jorra leite e mel. Falem o que quiserem falar, mas nós precisamos dizer: “Sou católico e não desisto nunca!”.
A oração que devemos rezar é: “Ó Deus, assim como nos enviaste o Vosso Filho que se fez louco por amor à Vossa vontade, assim fazei de nós loucos. Loucos para aceitar qualquer tipo de trabalho e ir a qualquer lugar, sempre num sentido de vida simples, humilde, amando e promovendo a paz, a justiça, a restauração e a reconciliação entre as famílias”.
Essa pequena oração retrata a opção de vida por Jesus, a quem Sua própria parentela chamou de louco ao tenta impedi-Lo de prosseguir com Sua missão, quando julga que Ele está fora de si devido à multidão que O acompanha. Este aglomeramento da multidão suscita uma preocupação dos parentes e a intervenção destes pode ser motivada pela atividade de Jesus e Seu modo de se comportar, que fugia aos esquemas dos moldes comuns. “Ele fala com autoridade”, ou ainda, “nunca alguém falou como este homem fala”.

 

“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem”(Sl 26,1-2).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).

Neste domingo nós nos colocaremos diante dos verdadeiros irmãos e os adversários de Nosso Senhor Jesus Cristo. O pecado de Adão e a ameaça à serpente nos é anunciado na Primeira Leitura(Gn 3,9-16). “Adão” significa “o Homem”. O pecado de Adão e de o todos nós é: o orgulho de querer ser igual a Deus, querer ser seu próprio Deus. O resultado do “abrir os olhos”(Gn 3,5.7) não é o que o homem procurou, ou seja, ser igual a Deus, mas apenas a consciência de sua nudez e desproteção: medo perante Deus. Porém, Deus não rejeita ao homem, mas apenas à serpente. A descendência humana há de esmagar a serpente, ou seja, o demônio: prefiguração de que Jesus vence o pecado.

Caros irmãos,
O Evangelho deste domingo(Mc 3,20-35) nos apresenta Jesus e Beelzebul; adversários e irmãos de Jesus. Depois de que os escribas decidiram matar Jesus, este, em meio a uma intensa atividade messiânica, constituiu um discipulado, os doze, não, porém, entre seus irmãos de sangue; pois estes o acham extravagante, enquanto Jesus recusa suas prerrogativas parentais apontando como sua verdadeira família os fazedores da vontade do Pai. No meio do episódio dos parentes é inserida uma discussão com os escribas. Ao mesmo tempo que mostra a incompatibilidade de Jesus com as autoridades religiosas, esta inserção sugere, também, o quanto Jesus se afastou do “senso comum” de seus parentes, que não o entendem. A discussão trata do seguinte: Quando Jesus expulsa demônios, os escribas acusam-no de exorcizar pela própria força do demônio. A resposta de Jesus é significativa: 1. Um reino ou uma casa dividida contra si mesma, não fica em pé; 2. Para penetrar numa casa, o saqueador – Jesus – deve amarrar o valentão lá dentro – o demônio. 3. Quem não quer entender isso, a saber, que Jesus age com autoridade de Deus vencer o demônio, blasfema contra o Espírito de Deus, que age em Cristo de modo visível.

Prezados irmãos,
Devemos ter claro a pessoa e a missão de Jesus. Jesus não faz a sua reunião numa sinagoga. Ele se reúne com os seus em uma casa. Jesus veio para a multidão que está como “rebanho de ovelhas sem pastor”(Mc 6,34), que Jesus, auxiliado pelos Apóstolos, deverá transformar em novo povo eleito, em nova família de Deus, em nova comunidade de santos. Não será o laço de parentesco, não será o sangue de raça que decidirá a entrada ou não entrada na nova família. Entrarão, na nova família, os que estão dispostos a “cumprir a vontade de Deus”.
A lição do Evangelho deste domingo é fácil. Todos nós experimentamos a fragmentação entre tempo de graça e tempo de maldade. Todos nós temos esta experiência. Muitos procuram explicações para o pecado, que marca profundamente a criatura humana. O Magistério da Igreja nos ensina que: “Sem o conhecimento que a Revelação nos dá de Deus não se pode reconhecer com clareza o pecado, sendo-se tentado a explicá-lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada”(Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 387).
O homem de dupla face: que São Paulo chama de carne/espírito, está presente  no Evangelho deste domingo. A luta entre o bem e o mal, que acompanha o ser humano desde o paraíso terrestre. A maior expressão do mal é o próprio demônio. Negar que Jesus tenha o poder de perdoar pecados, de expulsar os demônios e de vencer as forças do mal, negar-lhe o seu poder divino e redentor, opor-se à sua obra salvadora é “blasfemar contra o Espírito Santo”.

Caros fiéis,
Os fariseus ensinavam que no mundo havia dois espíritos em luta para governá-lo: um o espírito do bem – que é Deus – e o outro o espírito do mal – o dem6onio – e que o espírito do  mal estaria governando. Mas chegaria um tempo em que o espírito do bem haveria de vencer e libertaria o mundo do mal. Assim o lindo e poético texto de Isaías: “Israel, meu eleito, derramarei água no solo árido e torrentes na terra seca; derramarei o meu espírito sobre a tua descendência e a minha bênção sobre a sua prole… e então um dirá: Eu pertenço ao Senhor; e o outro tatuará no braço: Sou do Senhor!”(Is 44,2-5). O resultado do Espírito era a certeza da pertença e a fidelidade a toda prova ao Senhor.
O sonho do povo de Israel realiza-se: aí estava Jesus de Nazaré. Ele começara a sua vida pública exatamente com estas palavras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, ele me ungiu para evangelizar os pobres e anunciar a libertação”(Lc 4,18). Seus gestos, seus sinais, suas palavras e doutrina se orientavam nessa direção. Curava os enfermos atacados pelas piores doenças, perdoava os pecados, expulsava os demônios. Essas obras “do espírito”os fariseus viam com os próprios olhos. Em vez de se abrirem à novidade divina, em vez de verem que era chegada a plenitude dos tempos, jogavam-lhe na cara que ele fazia essas obras pela força dos demônios. Aliás, como as obras de Jesus eram grandes, diziam que era pela força do chefe de todos os demônios que ele agia. Ao chefe dos demônios os fariseus chamavam com o nome de um deus cananeu: Belzebu, que significa o “deus do esterco”. Um ataque, portanto, violento e baixo a Jesus e as suas obras. Equiparar Deus ao Demônio é blasfêmia, porque atenta contra a santidade divina. A essa blasfêmia Jesus chama de “blasfêmia contra o Espírito Santo”.
Jesus nos chama a fazer parte da nova família de Deus, que ele mesmo fundou, não ligada pelos laços familiares, por maiores que fossem, que daria direito à pertença. Fazem parte da família de Deus, quem faz a vontade de Deus.

Caros fiéis,
São Paulo(2Cor 4,13-5,1) mostra a perspectiva escatológica do apostolado. Continuando o tema do dom passado, este trecho mostra a força do Espírito da fé, a força carismática, leva o apóstolo a testemunhar a sua fé, sustentada pela esperança do encontro escatológico com Cristo.
A existência cristã começa com a vitória radical sobre o mal e sobre satanás, no batismo. A vitória de Cristo pelos sacramentos nos anima sempre, em nossa vida, a ser toda a vida, como a de Cristo, de uma luta, um duelo com o mal e as potências do maligno.
Cristo vence o pecado! Cristo vence o demônio! Cristo inaugura um novo tempo da graça e da salvação. Assim vivamos a nossa vida renunciando sempre o pecado, fugindo as tentações do demônio, e procurando a via ordinária da santidade que brota do Redentor!

 

 

São José de Anchieta – Apóstolo do Brasil – 09 de Junho

José de Anchieta é o terceiro Santo do Brasil

“Anchieta é considerado um ícone da evangelização. Canonizar Anchieta significa declarar que a ação dos primeiros missionários estava correta, mesmo com alguns enganos”, afirma o padre jesuíta Cesar Augusto dos Santos, vice-postulador (espécie de advogado da causa) da canonização de José de Anchieta e responsável pelo Programa Brasileiro na Rádio Vaticano, emissora radiofônica da Santa Sé, na Cidade do Vaticano. O padre José de Anchieta (1534/1597), um dos fundadores da cidade de São Paulo e conhecido como “apóstolo do Brasil”, será canonizado em Roma, conforme anunciado por alguns setores da Igreja no Brasil, após pedido da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O papa Francisco dispensou a comprovação de um milagre para a canonização do padre Anchieta. “Na história da Igreja, houve muitos casos semelhantes. Mesmo porque a exigência de comprovação de milagres é relativamente recente”, explica o padre Cesar Augusto. Segundo ele, “a questão é provar os milagres por causa da falta de documentação. No caso de Anchieta, as principais dificuldades para conhecer a fundo sua vida e distinguir fatos reais de fantasiosos, foram a perda de documentação e o contato pessoal com os grandes conhecedores, pois já haviam morrido. Para levantar informações que comprovassem a santidade de Anchieta, o vice-postulador Cesar Augusto foi buscar apoio científico fazendo mestrado em História do Brasil Colonial, além de viajar algumas vezes às Ilhas Canárias, Coimbra, Roma e cidade de Anchieta (ES), além de uma série de visitas à biblioteca do Pateo do Collegio (centro de SP). “Pesquisei em muitos livros e até músicas ajudaram, como ‘Sinfonia 10 – Ameríndia, de Villa Lobos.” O resultado desse trabalho de padre Cesar Augusto e demais postuladores jesuítas, entregue ao Vaticano, é uma ampla documentação sobre a vida de Anchieta, com 488 páginas, onde há o registro de 5350 pessoas que alcançaram graças rezando ao beato. “Podemos assegurar, com nomes e endereços, que Anchieta tem mais de 50 devotos e multiplicadores de sua causa em cada Estado”, diz o padre. Segundo Cesar Augusto, há registros de 35 paróquias dedicadas à Anchieta, e 1154 divulgadores (que rezam e propagam a sua fé em Anchieta, por meio de grupos de oração). No entanto, conforme explica o vice-postulador, milagres atribuídos a Anchieta são muitos: “Temos as curas de doenças e as ações sobre a natureza”. À Anchieta também foram atribuídos os poderes de levitação, a bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) e de falar com animais. “Um dos mais sensacionais relatos do poder sobrenatural do padre é o ocorrido em uma de suas viagens de catequese (1575). Para proteger seus irmãos do sol, o jesuíta teria pedido ajuda aos pássaros guarás-vermelho, que se juntaram em uma nuvem sobre a canoa dos missionários”. Para o vice-postulador da Causa, o que fez José de Anchieta ser merecedor da canonização foi a sua humildade, seu testemunho de fé inabalável em Deus, a esperança e a caridade. “Para a Companhia de Jesus, tornar Anchieta santo significa que os primeiros passos da Ordem Religiosa foram acertados e produziram testemunhas fortíssimas do amor de Deus, conforme queria Inácio de Loyola, fundador da Ordem”. Ao longo da história da Igreja Católica, 150 jesuítas já foram beatificados e cerca de 50 canonizados. Anchieta é o terceiro santo considerado brasileiro, depois de Madre Paulina (em 2002) e Frei Galvão (em 2007). “Na verdade, ele é reconhecido como o santo de três pátrias, Espanha, onde nasceu; Portugal, onde viveu e entrou para a Companhia de Jesus, e Brasil, onde viveu, evangelizou e fez o seu apostolado”, afirma Cesar Augusto. Anchieta é ainda o primeiro a ser canonizado em 2014 e o segundo jesuíta a ser canonizado pelo Papa Francisco (antes dele, foi o francês Pedro Fabro). O Papa Francisco assinou o decreto de canonização de Anchieta em seu escritório no Palácio Apostólico e no dia 24 de Abril celebrará missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma. Na mesma data, o papa também declarou santos dois missionários franceses que viveram no Canadá, o bispo François Monseigneur de Laval (1623-1708) e a freira Marie de L’Incarnation (1599-1672). “O papa canonizou, em uma só ação, os evangelizadores da América. Laval e L’Incarnation são os da América do Norte e Anchieta, da América do Sul”, explica o padre Cesar Augusto. Após a celebração em Roma, houve comemorações na Espanha, Portugal e no Brasil, nas cidades de Vitória/ES (onde Anchieta foi sepultado) e Anchieta/ES (Reritiba, nome na época, onde faleceu), Aparecida/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e outras cidades. Em São Paulo, capital, badalaram os sinos das 300 igrejas da arquidiocese, no momento de sua canonização em Roma. Os templos que levam o nome de Anchieta, como Igreja José de Anchieta (SP/SP) e o Santuário de José de Anchieta (Anchieta/ES), deverão mudaram para São José de Anchieta ou Santo Anchieta.

Vida e obra de Anchieta

Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas. Foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo. Historiador, gramático, poeta e teatrólogo, redigia seus textos, tanto em prosa quanto em verso, em quatro línguas, português, castelhano, latim e tupi. Foi autor da primeira gramática brasileira, “A Arte da Gramática da Lingua Mais Usada na Costa do Brasil”, que sistematizou a língua tupi. O movimento de catequese influenciou seu teatro e sua poesia, deixando contribuições em poesias em verso alexandrino, como “Poema à Virgem” (com 4172 versos) e em outras obras   Sua vasta obra foi integralmente publicada no Brasil na segunda metade do século XX. A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo País inaugurando missões, com aulas de catequese, gramática e conhecimentos gerais. Os alunos eram os índios, os colonos e, por vezes, até os padres. Essas viagens foram essenciais para a consolidação do cristianismo e do sistema do ensino no País. Além de São Paulo, o padre também esteve no Rio de Janeiro, Espirito Santo e em cidades do Nordeste. Ensinar preceitos cristãos utilizando características locais, como celebrações musicadas ao ritmo de tambores, em aulas ao ar livre, era uma das peculariedades de Anchieta. Outra dádiva de sua personalidade: além de educar e catequizar, o jesuíta também defendia os indígenas dos abusos dos colonizadores portugueses, que queriam escravizá-los e tomar suas mulheres e filhos. Mais tarde, com a chegada dos chamados negros da Guiné, Anchieta também tomou sobre si o cuidado deles se preocupando com o modo deles viverem e com sua cura pastoral. Os inacianos, a começar pelo padre Manuel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuíta no Brasil (fundada em março de 1549), se opunham ferrenhamente à escravização dos índios pelos portugueses. Em maio de 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta se ofereceu como refém na aldeia de Iperoig (onde moravam os chefes da aldeia dos índios Tamoios), enquanto Nobrega partiu para São Vicente, negociar a paz. Durante o cativeiro na praia, Anchieta sofreu a tentação da quebra da castidade. Era comum aos índios oferecerem mulheres aos prisioneiros, antes de sua morte. Nesse momento, o jesuíta fez uma promessa a Nossa Senhora: escreveria o mais belo poema já feito em sua homenagem, se conseguisse sair casto do cativeiro. Como prova da fé, começou a escrever os versos na areia da praia e assim surgiu o “Poema à Virgem”. Após cinco meses de confinamento, Anchieta foi libertado. Sem ter cedido à tentação. Anchieta nasceu em 19 de março de 1534. Era parente de Santo Inácio de Loyola (fundador da Companhia de Jesus). Ingressou para a Companhia em 1551. Sua vida agitada e a entrega total aos compromissos religiosos comprometeram a sua saúde. Reclamava constantemente de dores na coluna e nas articulações. Padre Anchieta veio ao Brasil, obedecendo ao conselho dos médicos da época. Em 1566, aos 32 anos de idade, foi ordenado sacerdote. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (atual Anchieta), no Espirito Santo. De 1570 a 1573, dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587, a seu pedido. Antes, porém, teve de dirigir o Colégio dos Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessa função e retirou-se para Reritiba, onde faleceu em 9 de junho 1597. Logo depois de sua morte, foi cercado por uma multidão de índios, que levou o corpo em procissão silenciosa até a cidade de Vitoria, onde foi sepultado. Entre as imagens existentes de Anchieta, está uma imponente estátua de bronze, que retrata o padre caminhando para Portugal, do artista brasileiro Bruno Giorgi, na cidade de San Cristóbal de Laguna (Espanha) ─ um presente do Governo do Brasil para a cidade natal do Santo. Há ainda uma pintura de Anchieta fundando a cidade de São Paulo, na Basílica de Nossa Senhora da Candelária, santuário da padroeira das Ilhas Canárias, na Espanha.

Processo de canonização de padre Anchieta

1597 – José de Anchieta morre, aos 63 anos, em Reritiba, Espírito Santo.
1617 – Os jesuítas brasileiros oficializam junto à Companhia de Jesus, em Roma, o pedido de canonização do padre.
1634 – As regras de canonização são mudadas pelo papa Urbano VIII (1623-1644). Passa a ser necessário esperar 50 anos da morte do candidato a santo para o Vaticano começar a examinar os processos.
1649 – O episcopado brasileiro retoma os pedidos de canonização – 52 anos após a morte de Anchieta.
1652 – Anchieta é declarado servo de Deus pelo papa Inocêncio X (1644-1655).
1668 – A causa é interrompida pela Companhia de Jesus, por falta de recursos.
1736 – Anchieta teve declaradas as Virtudes Heroicas pelo papa Clemente XII (1730-1740).
1773 – Processo de canonização é interrompido, após o papa Clemente XIV (1769-1774) decretar a supressão da Companhia de Jesus. 1980 – Anchieta é beatificado pelo papa João Paulo II (1978-2005) – a última etapa que antecede a canonização.
2013 – A CNBB pede ao papa Francisco a canonização de Anchieta.
2014 – O Vaticano confirma que Anchieta será declarado santo, mesmo sem a comprovação de um milagre.

Fonte: Assessoria de Imprensa/Companhia de Jesus

 

COMPAIXÃO E PRANTO DA VIRGEM NA MORTE DO FILHO
Poema a Virgem – Padre José de Anchieta  
Escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba

Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?  Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?  Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,  Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,  Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?  Em qualquer parte que olha, vê JESUS,  Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,  Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.  Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,  Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado  O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.  Vê como diante Caifás, em humildes meneios,  Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso  Que arranca Tua barba com golpes violento.  Olha com que chicote o carrasco sombrio  Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,  E o sangue corre pela Face pura e bela.  Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido  Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho  As inocentes mãos atravessadas por cravos.  Olha como na Cruz o algoz cruel prega  Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,  Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais)  Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto  Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama  Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.  Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,  Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus  Procura o Coração da MÃE DE DEUS.  Um e outro deixaram sinais bem marcados  Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,  Ela o solo regou com lágrimas tremendas.  A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,  Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação  É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,  Ao menos chorarás lastimando a injúria,  Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?  Que região te guardou a prantear tal morte?  Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?  Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,  Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,  No lugar da alegria, segura uma dor cruel,  Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,  Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre  Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,  E prefere a magia do nascer à força da morte,  Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,  Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!  O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,  Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas  ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;  Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;  Efetivamente, uma vida em vós era duas!  (Natureza Humana e Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais  Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,  Feito em pedaços pela morte cruel que suportou  Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,  A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.  Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,  Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?  Porque não foste arrastada em morte parecida?  E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,  Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida  Suportar, aguentando se não com um amor imenso;  Se não Te alentar a força do nascimento Divino  Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,  Já te assalta no mar onda maior e cruel.  Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:  Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,  Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,  Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,  Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!  Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!  Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias  Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.  ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,  E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,  A dor mudou para o fundo do Teu Coração.  Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,  Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,  Que imensamente nos faz amar o Amor!  Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,  Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,  Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!  Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!  Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,  E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!  Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,  Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,  Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.  Prova do novo amor que nos conduz a união!  (Amai uns aos outros como EU vos amo) Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:  TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!  Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:  A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,  Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!  Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,  Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,  Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.  Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,  Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,  Este será meu repouso, a minha casa preferida.  No sangue jorrado redimi meus delitos,  E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto  (Céu)  que é morada de todos,  Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

 

Anchieta e Nossa Senhora

O Pe. José de Anchieta grande devoto da Virgem Maria escreveu várias poesias sobre a Mãe de Deus e nossa. Além do famoso Poema da Virgem Maria Mãe de Deus, uma infinidade de versos saíram de seu coração e de sua pena em louvor à Nossa Senhora. Pe. Anchieta escreveu em várias línguas: tupi, português, espanhol e latim. Hoje, nesta festa de Nossa Senhora, vamos recordar a poesia “EVA JANDÉ SY YPÝ” que como perceberam foi escrita na língua Tupi e em português recebeu o título: “DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA”.

No “Auto de Guaraparim”, escrito em 1564 para a inauguração da Aldeia de Guaraparim, o mais expressivo auto escrito em tupi, o Beato Anchieta, no 4º Ato, ou seja, na despedida, faz comparação entre Eva, a mulher que iniciou o pecado no mundo com sua desobediência e Maria que foi isenta dele pelos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador.

Eva, nossa mãe primeira, apaixonou-se, sem conto, por essa fruta fagueira, à voz da cobra matreira, colhendo, comendo, e pronto! Ao marido ela em seguida a fruta induz a engolir. Por sua esposa querida, ele em comer não duvida, antes de a morte nos vir. A todos, quais suas preias, nos apanhou o diabo. Com suas ações alheias, de toda a gente deu cabo, sempre, em folganças feias. Não chega a Santa Maria o pecado original. Em sua virtuosa via, calcando o demo, fazia desaparecer o mal. Do mau a fronte ela pisa, muito sem força o deixando. Nossa alma assim se harmoniza, e a lei de Deus autoriza, o amor de demo afastando. Pois fez bem Nosso Senhor em guardar Santa Maria, para ao demo medo impor. À mãe de Deus nosso amor, por ela nossa folia! Corretos hábitos tendo, nossa alma se alegrará. Porque sem brigas vivendo, Jesus nos visitará, nos vendo e sempre revendo. Tendo seu filho consigo, Tupansy, Santa Maria, assusta nosso inimigo, sempre nos traz seu abrigo, e do demo nos desvia. Atenção! se em nosso peito Santa Maria levamos, na ânsia do viver perfeito, amando-a em fundo respeito, ao gozo de Deus nós vamos.

Fonte: Rádio Vaticano, 09/12/2010

Imaculado Coração de Maria

Por Pe. Fernando José Cardoso

Após a celebração, ontem do Sagrado Coração de Jesus, celebramos hoje o Imaculado Coração de Maria. Nós, porém, faremos a leitura seqüencial da Segunda Carta aos Coríntios. São Paulo continua entusiasmado: o Amor de Cristo nos constrange, um só morreu por todos, assim todos devem se considerar mortos. O pensamento de Paulo provém de seu coração. Contemplando a morte de Cristo e se apropriando pessoalmente dela, ele afirma de si mesmo e aos Coríntios, sua comunidade, que nós também devemos morrer para Jesus, vivendo inteiramente dedicados a Ele até a morte. Continua: se outrora conhecemos alguém segundo a carne, agora nós não conhecemos mais a ninguém segundo a carne. Esta é uma expressão que tem sua dificuldade: conhecer alguém segundo a carne significa conhecê-la, durante sua vida terrestre, mais ainda para Paulo, significa conhecer alguém com sua fraqueza e no seu afastamento de Deus. Se conhecemos no passado alguém segundo a carne, prossegue agora não temos mais nenhum conhecimento carnal. A todos conhecemos em sua relação com Cristo. Nós poderíamos aplicar esse texto para nós. Somos criaturas novas depois do nosso batismo. Se houve um tempo em minha vida em que vivi segundo a carne e este tempo pode ter sido para diversos de nós, mesmo após o batismo uma vida afastada de Deus, agora não vivemos mais segundo a carne, não desejamos mais o afastamento, a distancia e, sobretudo os contrastes entre nós e Deus. Desejamos ser em Jesus Cristo, novas criaturas, em quem o Pai possa com prazer se compraz como com Jesus. Nós gostaríamos de elevar a Deus uma prece de arrependimento, por todas as vezes que vivemos segundo a carne, após o nosso batismo. E uma prece de súplica para que isso não se repita nunca mais em nossas vidas. Vivamos a vida do Ressuscitado em nós.

 

Nesta única cena que os Evangelhos nos transmitiram da adolescência de Jesus, são destacados três elementos importantes: O retorno a Nazaré, a meditação de Maria e o crescimento de Jesus. Começa com a subida a Jerusalém e termina com a descida para Nazaré, conferindo um alcance pascal a todo este acontecimento. Aliás, nesta passagem temos, de modo alternado, os verbos “procurar” e “encontrar”. Procurando-o entre os parentes e conhecidos não o encontram; voltam a Jerusalém para procurá-lo e o encontram no Templo. Eis um dos temas que está muito presente na vida espiritual e ao longo do Evangelho. E isto após três dias, em que se acumulou a inquietude dos pais, levando-nos a ver nesta alusão uma indicação do tempo que Jesus permaneceu no sepulcro e, portanto, nos faz lembrar a Sua Ressurreição. Jesus é encontrado no Templo, onde “todos o ouviam” e eram interrogados por Ele. A este respeito, comenta Orígenes (253): “Ele interrogava os doutores, não era para aprender deles alguma coisa, mas porque interrogando-os, Ele os formava”. Método empregado pelo Senhor, diversas outras ocasiões, em sua vida pública. Diante da angústia de Maria, a resposta de Jesus: ”Não sabíeis que eu tenho de estar na casa do meu PaI?”, nos leva a pensar no Templo, a Casa de Deus. Mas também nos conduz a compreender as relações de intimidade únicas, trinitárias, entre Ele e o Pai. Maria, “sua mãe, guardava tudo isso em seu íntimo”. Esta expressão “tudo isso”, rhemata em grego, refere-se não só às palavras do v.49, mas ao conjunto das palavras e o acontecimento recordados nestes dois capítulos. Maria se manifesta assim unida intimamente ao seu Filho, desdobrando e como que atualizando o “fiat” dado por ela a Deus. Coloquemo-nos assim nesta dinâmica espiritual do procurar e encontrar e, com Maria, guardemos as palavras de Jesus em nosso coração para que cresça sempre mais a nossa união íntima com Ele.

 

CORAÇÃO DE MARIA INSPIRADOR DA MISSÃO

‘Maria quando Jesus morreu, aos pés da cruz Ele a entregou para toda Igreja como Mãe. E Ela assumiu com muito empenho e zelo esta missão de ser Mãe da Igreja. Tanto é que quando o Espírito de Deus veio sobre os primeiros cristãos, lá estava também a Mãe de Jesus, como vai nos dizer os Atos dos Apóstolos. Estava lá Maria testemunhando com as primeiras comunidades que Jesus Cristo não estava morto, mas Ele estava Vivo, e cheios do Espírito Santo a comunidade era convidada a proclamar esta verdade a todas as pessoas’.

O que Maria ensina?
Escuta
“Conservava todas estas recordações e as meditava no coração” (Lc 2, 19). Deus fala pelas Escrituras, pelos acontecimentos, pela Igreja… De muitas maneiras Ele se comunica, mas para ouvi-Lo é preciso estar atento, com os ouvidos e coração abertos. Maria escuta a vontade de Deus através do anjo, de sua prima Isabel, dos pastores, de Simeão, do ministério de seu Filho, de sua oração pessoal… Conserva estas mensagens e medita no coração, e vai compreendendo o plano de Deus aos poucos.

Obediência
“Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Maria devia ter seus planos: casar-se, ter filhos… Como qualquer jovem de sua idade, no seu tempo. Deus lhe pede muito mais, pede a ela toda sua vida. Abandona sua vontade para se abrir inteiramente à vontade do Pai. Por quantos percalços passa: gravidez antes de coabitar com seu esposo; fuga para o Egito; volta para Nazaré; a vida pública de seu Filho que culmina na crucifixão…

Virgindade e Pureza
“Creio em Jesus Cristo… nasceu da Vigem Maria…” O símbolo apostólico professa a virgindade de Maria antes e depois do parto. Mais que uma questão fisiológica a virgindade de Maria Santíssima remete a uma reflexão profunda da vida em Deus. Maria entrega-se por inteira ao projeto de Deus, sem divisões, sem concessões.

Atenção e serviço ao próximo
Com os olhos postos em seus filhos e em suas necessidades, como em Caná da Galiléia, Maria ajuda a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os discípulos de seu Filho (Documento de Aparecida). Maria educa, ensina, prepara para a missão… Como ela mesma fez e continua fazendo. Grávida, faz uma longa caminhada até a casa de sua prima Isabel, de idade avançada e também grávida, para servi-la como era o costume. Nas Bodas de Caná preocupa-se com o vinho que está no fim. Como Mãe está sempre atenta às necessidades de seus Filhos, especialmente ocupada em levar seu filho nos braços e apresentá-Lo ao mundo.

E a missão continua…
Depois da Ascensão, Maria está com os apóstolos no cenáculo, em Pentecostes. E em toda história da Igreja Maria se faz presente. Os títulos que Maria recebeu em muitos lugares atestam a sua presença e a piedade do povo que a reconhece como mãe: Guadalupe, Lourdes, Fátima, Aparecida, para citar alguns. Tantos lugares, uma missão: levar seus Filhos a Jesus.

“O verdadeiro devoto não é o que reza, mas o que imita”.

Dividido entre os apelos do mundo e a vocação à santidade, o fiel encontra na imitação de Maria o caminho seguro do seguimento de Jesus. Maria é modelo e exemplo de amor incondicional, traduzido na fidelidade ao projeto do Pai e no serviço aos irmãos.

Pelo seu modo de agir se colhe um luminoso e um grandíssimo grau de humildade, que contrasta com a nossa soberba. Ela nos ensina que a humildade é a virtude necessária per percorrer o caminho da fé. Além disso, sendo ela uma criatura idêntica a nós fora que no pecado, conhece bem a natureza, os desejos, as fraquezas e as misérias humanas; por isso quem se não Ela nos poder revelar inteiramente quem é Jesus? Muitas vezes pegamos do Evangelho os ensinamentos do Mestre, mas o lado humano sobrepõe o lado espiritual e caímos no desespero e abandonamos o caminho. É nesse momento que virá em nossa ajuda a Estrela da Manhã que nos pegará pela mão e nos encaminhará ao amor de Jesus. Então, devemos aprender a amá-La para podermos entregar-nos a Ela como uma doce mãe. E Ela suplicará ao seu Filho, a fim de que nos de em abundância perdão e força. Somente um Deus extraordinariamente bom poderia nos dar este caminho que, através de Maria, nos fará chegar felizes a Jesus.

 

CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

Ó coração Imaculado de Maria, repleto de bondade, mostrai-nos o vosso amor. A chama do vosso Coração, ó Maria, desça sobre todos os homens! Nós vos amamos infinitamente! Imprimi no nosso coração o verdadeiro amor, para que sintamos o desejo de Vos buscar incessantemente. Ó Maria, vós que tendes um Coração suave e humilde, lembrai-vos de nós quando cairmos no pecado. Vós sabeis que todos os homens pecam. Concedei que, por meio do vosso materno e Imaculado Coração, sejam curados de toda doença espiritual. Fazei que possamos sempre contemplar a bondade do vosso materno Coração e convertamo-nos por meio da chama do vosso Coração. Amém.

 

Ladainha do Imaculado Coração de Maria

Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, olhai-nos.
Cristo, escutai-nos
Deus Pai celestial, Tem misericórdia de nós.
Deus Filho Redentor do mundo, Tem misericórdia de nós.
Deus Espírito Santo, Tem misericórdia de nós.
Santa Trindade, um só Deus, Tem misericórdia de nós.
Santa Maria, Coração Imaculado de Maria, rogai por nós*
Coração de Maria, cheio de graça, *
Coração de Maria, vaso do amor mais puro, *
Coração de Maria, consagrado íntegro a Deus, *
Coração de Maria, preservado de todo pecado, *
Coração de Maria, morada da Santíssima Trindade, *
Coração de Maria, delícia do Pai na Criação, *
Coração de Maria, instrumento do Filho na Redenção, *
Coração de Maria, a esposa do Espírito Santo, *
Coração de Maria, abismo e prodígio de humildade, *
Coração de Maria, medianeiro de todas as graças, *
Coração de Maria, batendo em uníssono com o Coração de Jesus, *
Coração de Maria, gozando sempre da visão beatífica, *
Coração de Maria, holocausto do amor divino, *
Coração de Maria, advogado ante a justiça divina, *
Coração de Maria, transpassado por uma espada, *
Coração de Maria, Coroado de espinhos por nossos pecados, *
Coração de Maria, agonizando na paixão de teu Filho, *
Coração de Maria, exultando na ressurreição de teu Filho, *
Coração de Maria, triunfando eternamente com Jesus, *
Coração de Maria, fortaleza dos cristãos, *
Coração de Maria, refúgio dos perseguidos, *
Coração de Maria, esperança dos pecadores, *
Coração de Maria, consulente dos moribundos, *
Coração de Maria, alívio dos que sofrem, *
Coração de Maria, laço de união com Cristo, *
Coração de Maria, caminho seguro ao Céu, *
Coração de Maria, prenda de paz e santidade, *
Coração de Maria, vencedora das heresias, *
Coração de Maria, da Rainha dos Céus e Terra, *
Coração de Maria, da Mãe de Deus e da Igreja, *
Coração de Maria, que por fim triunfarás, *
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Escutai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tiras o pecado do mundo, Tem misericórdia de nós.
Rogai por nós Santa Mãe de Deus,
Para que sejamos dignos de alcançar as promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Oremos: Vós que nos tens preparado no Coração Imaculado de Maria uma digna morada de teu Filho Jesus Cristo, concedei-nos a graça de viver sempre conforme a sua vontade e de cumprir seus desejos. Por Cristo teu Filho, Nosso Senhor. Amém.

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, 08/6/2018, a Igreja celebra a SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS.

Hoje celebramos com toda a Igreja a solenidade do coração de Jesus. Na Antiguidade, o coração foi sempre considerado a parte central do ser humano. No coração residiam, na concepção dos antigos, todos os afetos, todos os desejos e todas as decisões. Trata-se de um órgão no qual a vida intelectual, e sobretudo afetiva, vem, quase que fisicamente, representada. E assim, nós hoje contemplamos o coração de Cristo. Que significa isto? Contemplamos, no Homem Jesus, a plenitude da Divindade e contemplamos, no coração humano de Cristo, o amor que Deus nos tem demonstrado, de maneira sensível, de maneira humana, à nós e à Igreja. Na verdade, a celebração do coração de Jesus é a contemplação do amor divino e humano que Jesus Cristo tem para com a Igreja, e para com cada um de nós que somos seus membros. Tudo em nossas relações com Cristo está permeado de amor; Ele nos amou por primeiro, e nos amou gratuitamente. Seu amor é um amor criativo, é um amor não merecido por nós, é um amor imotivado, porque Jesus não detecta nenhuma amabilidade em nós, que não seja, em nós, por Ele mesmo colocada. Tratamos de um amor tão apaixonante quanto desinteressado. Ninguém, absolutamente ninguém nos amou como Jesus nos ama; nem o marido mais tenro, nem a esposa mais dedicada, nem o filho mais afeiçoado. Ninguém, absolutamente, amou-nos com o amor humano e Divino, que hoje queremos contemplar no coração de Cristo. A solenidade de hoje presta-se muito mais à contemplação do que propriamente ao culto, embora o culto seja aprovado pela Igreja, e perfeitamente aceito. É melhor, no entanto, no dia de hoje, buscarmos um espaço mais ou menos grande de silêncio, para deixar que a contemplação do amor de Deus em Cristo para conosco penetre, como chuva fecunda, nosso próprio coração e Deus nos dê hoje, por graça, a capacidade de compreender como somos por Ele amados, em Seu próprio Filho, Jesus Cristo.

 

EM JESUS ENCONTRAMOS O VERDADEIRO DESCANSO
Padre Bantu Mendonça

Na primeira parte do Evangelho de hoje, temos uma breve oração de louvor de Jesus com a afirmação da união de conhecimento entre o Filho e o Pai. Cristo dá testemunho do Pai diante de todos. A vontade do Pai é que todos O acolham. Contudo, surge uma separação entre os “sábios e entendidos” e os “pequeninos”. Os sábios e entendidos são os autossuficientes das elites judaicas e os poderosos das cidades nos dias atuais. Estes estão bem instalados em seus privilégios e não querem mudanças. Os pequeninos são os pobres bem-aventurados, privados e carentes, em busca do socorro de Deus e ansiosos pela mudança do sistema de opressão. Completando a oração, Jesus afirma a Sua união de conhecimento com o Pai, que é a fonte da Sua revelação ao mundo. Em Deus, conhecer e amar são atitudes inseparáveis. A experiência missionária confirma que os pobres estão mais disponíveis para acolher as propostas do Reino para a transformação do mundo. Por isso, Jesus agradece a Deus, Seu Pai: “Ó Pai, Senhor do céu e da terra, eu te agradeço porque tens mostrado às pessoas sem instrução aquilo que escondeste dos sábios e dos instruídos! Sim, ó Pai, tu tiveste prazer em fazer isso”. Depois da Sua ação de graças com alegria, sabendo Jesus que o ser humano precisa de descanso, de repouso para repor as energias – necessita de descanso físico e também de descanso espiritual – nos convida: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde­ de coração, e vós encon­trareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Neste Evangelho, Jesus vem ao encontro da necessidade de descanso espiritual. Ele diz a cada um de nós: “Vinde, aprendei e encontrareis descanso”. Quando Jesus diz isso, Ele não não quer simplesmente mostrar “pena” ou compaixão humanas. O que Ele quer é mostrar-nos o Seu Pai. O que Jesus diz, então, é que a simples confiança n’Ele e a natural vivência nos parâmetros da Sua Lei – a Palavra de Deus – são fardos leves e gratificantes. Pela confiança n’Ele encontraremos a Deus e n’Ele descansaremos. O Senhor convida a todos que estão cansados e desorientados com as opções e soluções que o mundo oferece e que não dão verdadeiro alívio ou descanso. Mas, principalmente, Jesus convida a todos que sentem o peso do pecado sobre a sua vida, com todas as consequências que ele traz sobre cada um. O pecado nos causa sofrimento físico, culpa e cansaço mental. E tudo isso enche o nosso coração de medo, autopiedade, intranquilidade e desespero. Quantas noites não passamos aflitos por causa dos problemas da vida, quantas vezes não estamos desanimados, lutando com os sentimentos de culpa ou medo e contra a nossa vontade pecadora! Nessas horas, Jesus vem e nos diz: “Vinde a mim todos vós que estais cansados de lutar. Desabafai comigo os vossos problemas, dores, medos e erros. Eu farei cada carga vossa mais leve e trarei paz a vossas almas”. São palavras de amor, carinho e compaixão que Jesus dirige a cada um de nós. Por isso, meu irmão, se você está triste, desanimado, cansado da vida, com os seus problemas, tristezas e desânimo, com os seus desejos, planos e objetivos corra para Jesus e entregue a Ele toda a sua vida e, com ela, tudo o que lhe perturba. Vá a Jesus pela fé, crendo n’Ele como o seu Salvador pessoal e como o Senhor da sua vida. Aprenda com a Sua Palavra, que nos mostra como viver uma vida feliz e que tem sentido e direção, e você encontrará alívio e descanso, pois o que Ele quer para mim e para você é o verdadeiro descanso nesta vida. E descanso eterno com Ele no céu.

 

“Pôs-se Jesus a dizer: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelastes aos pequeninos”. Os termos “céu e terra” – observa Santo Agostinho – designam toda a criação. Certamente o orgulho intelectual, frieza de coração e o fanatismo fecham o homem para as coisas de Deus e de seu Reino. O orgulho, aliás, é a raiz de todos os vícios e exerce grande influência sobre nós, impelindo-nos ao pecado. Jesus contrasta o orgulho com a atitude de uma criança em sua simplicidade e humildade. O simples de coração vê sem pretensões, reconhece sua dependência de Deus e nele confia. As vocações de Davi e de Jeremias são dois exemplos, entre tantos outros, da predileção de Deus pelos pequenos e simples ou, ainda, dos que normalmente estavam excluídos da herança eterna. Deus se opõe aos orgulhosos e dá sua graça aos humildes. “Fazer-se conhecer pelos simples – considera Teodoro de Eracléia – evidencia a graça de Deus”. Jesus rende graças ao Pai, porque diz ele: “Escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” e, mais adiante, acrescenta: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. O verbo conhecer tem aqui toda a sua força e deve ser entendido como exprimindo a comunhão tanto no pensar como no querer. A filiação de Jesus, não é um simples título, mas uma intimidade, uma comunhão total e perfeita com o Pai. E é nesta intimidade que os simples e pequeninos são introduzidos. O Evangelho de hoje nos convida a abrirmos o coração para Jesus, que, no dizer de São Gregório de Nazianzo, “se faz pobre; suporta a pobreza de minha carne para que eu alcance os tesouros de sua divindade. Ele tudo tem, de tudo se despoja; por um breve tempo se despoja mesmo de sua glória para que eu possa participar de sua plenitude”. Eis a maior riqueza que Jesus nos comunica, fazermos parte da glória, da vida íntima do Pai.

“Deus concedei-me a simplicidade de uma criança e a pureza da fé para poder contemplar vossa face e participar de vosso amor todo misericordioso. Removei toda dúvida, medo e orgulho do meu coração e dos meus pensamentos, para que eu possa receber vossa palavra com confiança e humilde submissão”.

 

Ano B – A celebração como tal não é antiga no calendário litúrgico, porém o que se celebra faz parte do centro do mistério cristão, porque nós nos centralizamos hoje no amor de Jesus Cristo, simbolicamente representado no seu Coração Divino-humano. Lemos uma parábola de Lucas contida no capítulo 15, versículos 3 a 7. “Se alguém de vós tiver uma ovelha perdida, não deixará por acaso, as noventa e nove no rebanho para ir ao encalço daquela que se havia perdido? Pois Eu vos afirmo: haverá mais alegria no céu por um só pecador que faça penitência, que por noventa e nove justos que não necessitem de penitência”. É bem o coração de Cristo que fala através desta parábola. Na verdade nenhum pastor de seu tempo e do nosso também, se importaria com a perda de uma ovelha sobre cem. De resto seria falta de responsabilidade ou imprudência, deixar noventa e nove ovelhas no redil e ir às montanhas e vales, buscar aquela que se havia perdido. Poderia ser facilmente substituída por outra. No entanto, Jesus deixa sorrateiramente o real e passa a afirmar que o coração do Pai e o Seu próprio coração são diferentes de nossos corações. Para Jesus Cristo, cada um de nós é uma pessoa única, inigualável, eternamente pensada e querida no seio da Trindade. Para cada pessoa individualmente considerada, Jesus estaria disposto a realizar novamente a sua Paixão caso fosse necessário. Ela, de resto, vem atualizada cada vez que nós participamos do sacrifício da Eucaristia. Em cada missa, cada um de nós se percebe objeto do inteiro Amor de Cristo. Pois Cristo, no ato de sua morte e sua ressurreição, na Sua maior intimidade se entrega a cada um de nós, como se nós fossemos únicos para Ele. É claro, não se deve levar ninguém, ao individualismo dentro da Igreja. Nós somos comunitários, mas dentro da comunidade, ou de um único redil, cada um de nós conta e é amado infinitamente por Jesus Cristo. Hoje celebramos e contemplamos maravilhados este Amor.

 

“Filho, dá-me teu coração”, faz-nos dizer o ofício divino de hoje. Nós desejamos hoje renovar a entrega de todo o nosso coração, quem sabe após lho ter roubado inúmeras vezes. Os escribas e fariseus se sentiram muito ofendidos porque Jesus os associava aos pecadores e os tratava gentilmente. Os fariseus tinham estabelecido regras rigorosas sobre como manterem -se distantes dos pecadores, pois caso contrário incorreriam em impurezas legais. Eles não lhes emprestavam dinheiro nem lhes pediam algo, não lhes davam uma filha em casamento, nem os convidavam como hóspedes. Eles se escandalizavam do modo como Jesus os acolhia, chegando mesmo a “comer com eles”. Jesus lhes responde contando uma parábola tirada da vida cotidiana. O tema de Deus como pastor do seu povo é bastante familiar a todos os judeus. No relato da ovelha perdida os verbos “buscar-encontrar” revelam, antes de tudo, a iniciativa do Pastor, constituindo um convite para todos os pastores da comunidade cristã. Fala de seu ministério junto aos “pequenos”. O Senhor não quer que nenhum deles se perca. Acolher ou escandalizar um único dentre eles tem importância aos olhos do Pai, porque Ele tem para com o menor dentre eles um amor salvador: chama cada um de nós “por seu nome” próprio, insubstituível. Tal idéia não conduz a um individualismo, mas muito pelo contrário, trata-se de reconduzir ao redil comum. A dor e a ansiedade do pastor e da dona de casa se transformam em alegria quando eles encontram a ovelha ou a dracma perdidas. Ambos procuram até terem encontrado o que tinham perdido e participam o contentamento com toda a comunidade. A novidade no ensinamento de Jesus era sua insistência de que os pecadores devem ser buscados e não meramente censurados ou lamentados. Deus não se regozija com a perda deles, mas deseja que sejam salvos e reconciliados com Ele. A mesma idéia é encontrada no Evangelho de São João, em que o Bom Pastor vela para que nenhum de seus discípulos se perca. Santo Efrém vê nestas palavras a atitude de Jesus que “vê os pecadores e os chama, e os faz sentarem-se ao seu lado, Espetáculo admirável: os anjos temem, por causa de sua grandeza, e os pecadores comem e bebem com Ele”. “Senhor, que vossa luz dissipe a escuridão de forma que aquele que se perdeu possa ser encontrado e restaurado. Que vossa luz brilhe através de mim para que outros possam ver vossa verdade e amor e encontrem esperança e paz em vós”.

Santa Margarida Maria Alacoque
Margarida Maria Alacoque (Verosvres, 22 de julho de 1647 – Paray-le-Monial, 17 de outubro de 1690) foi uma monja e mística católica francesa. Aos 23 anos, entrou na comunidade de Paray-le-Monial. Junto a Jean Eudes, é recordada principalmente por ter siso, coadjuvada pelo jesuíta Claude La Colombière, a iniciadora do culto ao Sagrado Coração de Jesus, cujos primeiros sinais datam de 1200-1300.
Margarida nasceu no dia da festa de Maria Madalena filha do tabelião Claude Alacoque e de Fhiliberte Lamyn, também filha de tabelião. Margarida tinha quatro irmãos, dois dos quais, de saúde frágil, morreram com cerca de vinte anos, Chrysostome, o mais velho, assumiu o papel de pai quando ele morrer, assim que Margarida tinha apenas oito anos, e o outro irmão tornou-se padre em Bois Sainte-Marie. Desde pequena, teve formação cristã, como muitos de seus coetâneos, mas viu na vida de devoção um estilo condizente à sua natureza. Aos oito anos, morreu o pai, e a mãe a enviou a um colégio das Clarissas. A vida religiosa a atraia e ela amava imitar as outras religiosas e sentia nascer em si um desejo sempre mais forte de solidão e de oração. Mais tarde, em 1669, quando tinha 22 anos, recebeu o Crisma, ocasião em que fez acrescentar a seu nome o nome de Maria.
Enfim, Margherita-Maria se decidiu a entrar em um mosteiro, embora a família a obrigasse a se casar. Ele mesma, no início, tentou ir ao encontro das expectativas de sua família, mas sem êxito. Ao tomar a decisão de se fazer religiosa, e diante da necessidade de prover a uma dote, necessária para ingressar no mosteiro, seus familiares escolheram seja a ordem com o mosteiro, optando pela ordem religiosa das Ursulinas. Margarida-Maria julgava mais condizente para si a ordem da Visitação, e enfim, conseguiu alcançar seu intento.

A Vigente de Paray-Le-Monial
Foi no mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, localidade entre Dijon e Lyon, que Margarida-Maria, após alguns anos de vida monástica, revelou-se vigente, e começou a ter as revelações de Jesus conhecidas entre os cristãos como “as grandes revelações do Sagrado Coração”. Em sua vida, foi muito provada por incompreensões, sobretudo por parte de seu ambiente monástico, e ela tinha muitas dificuldades em avaliar claramente estas visões: estava cheia de dúvidas e incompreensões e as maldades de que foi vítima não lhe ajudaram certamente a avaliar claramente suas revelações.

A Mensagem do Sagrado Coração a Margarida Maria (1675)
“Eis este Coração, que tanto amou os homens, que nunca se poupou, até consumir-se na tentativa de testemunhar-lhes o seu amor. Como reconhecimento, recebo da maior parte dos homens apenas ingratidões, irreverências e sacrilégios, junto ao desprezo e a frieza. Mas o que me parece mais doloroso é que, a tratar-me assim, sejam os corações que me foram consagrados. Por isso, pelo que na primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento, seja dedicada uma festa especial para honrar o meu Coração. Naquele dia, te comungarás e tributarás uma emenda de honra, para reparar as indignidades que recebeu durante o período em que foi exposto nos altares. Te prometo também que meu Coração também se dilatará e derramará abundantes influxos de seu divino amor sobre aqueles que tributarão esta honra e farão com que seja tributada”.
As promessas feitas por Nosso Senhor a Santa Margarida para as pessoas devotas a seu Sagrado Coração; a comunhão reparadora das nove primeiras sextas-feiras.

Fonte: Agência Fides

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