Homilia da Semana

Oração para o tempo da Quaresma

Pe. Fernando José Carneiro Cardoso

Senhor Jesus, vossa Igreja, ao instituir o tempo quaresmal como preparação para a solene Páscoa anual, nele inseriu a prática do jejum e da mortificação. Confesso que estas duas práticas, embora as tenha conhecido desde minha infância, jamais foram por mim assimiladas. Além do mais, foram freqüentemente deformadas. Privar-me de um chocolate ou refrigerante; sofrer paciente o calor e abster-me de água gelada; abandonar determinado programa de TV; encurtar conversas ao telefone… Francamente, Senhor, que tem a ver tudo isso com a vida cristã? Necessitais de estômagos semi-vazios, ou de renúncias minuciosas? Em que Senhor, essas mortificações me aproximam de Vós? Necessitais de pequenos cortes e sofrimentos adicionais que me imponho a mim mesmo? Sois deveras contrário à alegria e ao bem estar? E há mais: não me podem estas práticas conduzir ao envaidecimento? Não existe o perigo de me alçarem ao pináculo de mim mesmo e, no final desta Quaresma, sentir-me em paz comigo, avançando pretensões descabidas diante de Vós? Não pode a prática do ascetismo (que palavra tão fora de época!) transformar-me num ser soberbo e credor perante Vós? E tudo isso se passará apenas entre nós dois? Não é essa relação intimista, da qual outros estão excluídos, justamente criticada por todos os que descobrem o valor comunitário da Quaresma?… Ou então, Senhor, – e esta é outra possibilidade bem real – transtornei ou falsificaram para mim antigos mestres e pregadores o que, lido à luz do Vosso Evangelho, recobra significado novo e singular? Sim, Senhor, esta é a verdade. Vós dissestes que, enquanto vossos discípulos desfrutavam de Vossa companhia, não deviam jejuar. A presença do esposo e sua natural alegria excluem a tristeza! Mas, acrescentastes: “dias virão em que o esposo lhe será tirado; então naquele dia jejuarão”. Ah Senhor, compreendo agora que o genuíno jejum cristão está relacionado com Vossa partida e Vossa ausência. Compreendo, Senhor, que ele se relaciona com Vossa Paixão dolorosa. À Vossa luz compreendo que o jejum, assim intuído, recobra sentido. Será mesmo normal a uma vida cristã digna desse adjetivo. Afinal, se não me privo de nada neste mundo; se satisfaço todas as exigências de meu corpo e de minha psicologia; se busco a felicidade imediata para todos os reclamos da carne; se insisto em viver comodamente e sem nenhuma privação, posso afirmar que meu Esposo, o Encanto dos meus olhos, está ausente? Ausência não sentida e percebida, Senhor, continua a ser porventura ausência? Se neste mundo me satisfaço sempre, sem jamais dizer “não” a qualquer veleidade ou capricho, posso dizer que sinto de fato Vossa ausência e que nada Vos substitui? Posso afirmar que tenho fome e sede de Vós? Sim, Senhor, agora sei o que é jejuar: jejuar é dizer, “não” a mim mesmo; e isto não só com palavras, mas também com o corpo, expressão externa de minha pessoa. Compreendo também que neste mundo nada me poderá jamais satisfazer, sem Vossa presença. Noto, contudo, frequente dissociação entre a palavra e a prática concreta, pois se me comporto aqui como aquele que sempre possuiu o que deseja, haverá ainda lugar para o Acabamento futuro que sois apenas Vós? Vós ordenais que eu exprima não só com a mente, mas também com o corpo o período do tempo inacabado vivido no exílio deste mundo, longe da visão reservada à Pátria. Vistas as coisas desse modo, entendo, Senhor que se minha vida cristã não é piedosa ilusão acrescida de devoções adicionais e periféricas, haverá sempre necessidades de se jejuar. E não apenas jejum de alimentos (que no mundo pós-cristão em que vivo, recebe o nome moderno e elegante de dieta), mas ainda jejum dos olhares, jejum das palavras (ah, o silêncio é para o espírito o que o sono é para o corpo!) jejum dos ouvidos; sobretudo jejum do consumismo grotesco e vulgar; jejum, finalmente, de meus pecados, com os quais prolongo as atrocidades que vos infringiram vossos inimigos! Não é desejo meu, Senhor, que meus jejuns se restrinjam ao âmbito estreito de nossas relações pessoais. Decididamente não quero ser um cristão e católico intimista e egoísta. O que subtraio a mim neste tempo quaresmal posso reciclar e reverter em benefício de meus irmãos. E não só o dinheiro, mas também o tempo o carinho, a solidariedade, a paciência, o perdão. Senhor, se me concederdes a graça de jejuar nesta Quaresma, concedei-me ainda outra graça: não me envaidecer e não me sentir superior aos demais. Pelo contrário, o que vos suplico é para mim uma graça à primeira vista antipática: um sentimento de confusão e de vergonha. Sim, sem nenhum masoquismo: confusão e vergonha ao comparar o que por Vós suporto no período de vossa ausência sentida em minha vida neste mundo à vista de Vosso Corpo por mim pendente na Cruz… Honestamente, Senhor, que vos tenho eu na realidade oferecido em troca do quanto por mim sofrestes? Vós nada para Vós reservastes ao Vos doardes a mim. E eu Vos dou apenas migalhas que sobram de minha abundância… Concedei-me ao menos isto, meu Senhor Crucificado: que a prática renovada de meu jejum quaresmal me conduza para mais perto de Vós, que de tudo Vos despojastes por mim! Que, no final desta Quaresma, diga eu também, e não apenas com as palavras do Salmista, mas com toda verdade de meu ser que é espírito e corpo também. “Só em Deus encontra serenidade a minha alma”!

 

Oração Quaresmal atribuída a Santo Agostinho

Senhor, na Vossa presença expomos as nossas faltas e simultaneamente as feridas que por causa delas recebemos. Se medirmos o mal que fizemos, é bem pouco o que sofremos e muito maior o que merecemos. Mais grave o mal que cometemos, incomparavelmente inferior ao que suportamos. Sentimos que é dura a pena do pecado, mas depomos a obstinação de pecar. A nossa fraqueza geme esmagada sob o peso dos castigos com que nos punis justamente, e a nossa maldade não quer se desfazer dos seus caprichos. O espírito anda atormentado, mas a cerviz não se verga. A nossa vida suspira no meio das dores e não nos corrigimos. Se contemporizardes conosco, não nos emendamos, e se tirais de nós vingança, gritamos que não podemos. Se nos castigais, sabemos declarar que somos réus, mas se afastais por um pouco a Vossa ira, esquecemos logo o que deploramos. Se levantardes a mão, logo prometemos a emenda, se retirais a espada, já nos esquecemos da promessa. Se nos feris, gritamos que nos perdoeis, se nos perdoais logo entramos de Vos provocar. Aqui estamos, Senhor, culpados que se confessam réus nesta Quaresma; não ignoramos que não nos perdoais, merecemos a morte. Pai onipotente, o que sem merecimento algum de nossa parte Vos pedimos, Vós que nos tirastes do nada. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

Oração, jejum e esmola na Quaresma

O caminho de regresso a Deus que representa o tempo de Quaresma iniciado pela Igreja na Quarta-feira de Cinzas tem na oração, no jejum e na esmola três pontos de apoio fundamentais. O contexto atual reclama mais que nunca viver a Quaresma como um caminho de regresso profundo desde o coração da vida a Deus. Cenários internacionais de conflito e de violência impõem a necessidade de redescobrir o caminho da paz como via de diálogo e de justiça, algo que «passa através da conversão do coração de cada um de nós. Também, a sociedade secularizada do Ocidente evidencia a necessidade de redescobrir os horizontes de esperança, algo que só o Deus vivo pode dar. Por isto é importante voltar a Deus seguindo a Jesus, caminho, verdade e vida. Para isso a Quaresma recorda três meios: a oração, o jejum e a esmola.

Para o cristão – orar significa deixar-se amar pelo Pai, pôr-se em atitude de escuta, de docilidade interior e apresentar-lhe tudo o que somos, nossas expectativas e esperanças; é viver a oração como um sacrifício de louvor e de intercessão. A oração também «significa unir-nos a Jesus, na Igreja e seu corpo na história e abrir-nos ao sopro do Espírito Santo, que faz novas todas as coisas»; em resumo, a oração na Trindade é a que devemos descobrir cada vez mais.

Por outro lado, o jejum  na grande tradição espiritual, tem um sentido escatológico, como quando se espera um momento importante; é como passar a um segundo plano a necessidade física de alimentar-se ao estar nutrido por este desejo e esta espera. Na tradição cristã, o jejum representa, sobretudo, a dimensão da espera do Senhor  e a abertura do coração, despojando-se de tudo o que é obstáculo ao dom de sua vinda. No tempo quaresmal  o jejum representa ser peregrinos para o grande dom da Páscoa e, portanto, redescobrir a necessidade e o desejo de Deus como alma profunda de nossa existência, dispondo-nos a estar vazios de nós mesmos para estarmos repletos d’Ele.

Por sua parte, longe de ser só um gesto de dar, a esmola é uma atitude de coração: é um coração humilde, arrependido, misericordioso, compassivo, que busca reproduzir nas relações com os demais a experiência de misericórdia que cada um de nós vive na relação com Deus. Por isso a esmola é atenção, é concretizar, é discernimento, é dom: todas elas dimensões que foram experimentadas pelo fiel quando contempla o amor de Deus que lhe acolhe e lhe perdoa.

Este é o convite para esta Quaresma: redescobrir o valor do sacrifício; um pequeno sacrifício, um gesto de amor, possivelmente humilde, escondido, mas autêntico, que custe algo e que seja feito por louvor e amor a Deus e por alguém que sofra e tenha necessidade. De fato, sem sacrifício não há amor, assim como sem amor o sacrifício seria simplesmente constrição exterior. O sacrifício é oferecimento de amor. E não devemos esquecer o grande exemplo que nos deu Jesus e lembre-se que tanto amou Deus o mundo que não se reservou o seu próprio Filho, mas que o entregou por todos nós.

“Jejum das palavras supérfluas é um bom propósito para esta quaresma”.
“A quaresma é um momento privilegiado de busca de sentido através da mudança de estilo e ritmo de vida diário, porque não há nenhuma profissão nem vocação que não possa ser transformada”.
“O tempo quaresmal pode se converter em um momento para tratar de «calar ou falar de outra maneira”.
“Falar menos e gozar do silêncio, oferece a possibilidade de abrir-se à vida interior”.

 

Por que sou católico – G. K. Chesterton

A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro. Para falar da Igreja Católica eu poderia preencher todo o meu espaço com sentenças separadas, todas começando com as palavras “é a única que…”

Como, por exemplo, a Igreja Católica (1) é a única que previne um pecado de se tornar um segredo. (4) É a única que fala como um mensageiro que se recusa a alterar a verdadeira Mensagem. (6) É a única grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis…

Ou posso tratar o assunto de forma pessoal e descrever minha própria conversão; acontece que tenho uma forte impressão de que esse método faz a coisa parecer muito menor do que realmente é. Homens muito mais importantes, em muito maior número, se converteram a religiões muito piores. Preferiria tentar dizer, aqui, coisas a respeito da Igreja Católica que não se podem dizer mesmo sobre suas mais respeitáveis rivais. Em resumo, diria apenas que a Igreja Católica é católica. Preferiria tentar sugerir que ela não é somente maior do que eu, mas maior que qualquer coisa no mundo; que ela é realmente maior que o mundo. Mas, como neste pequeno espaço disponho apenas de uma pequena seção, abordarei sua função como guardiã da Verdade.

Outro dia, um conhecido escritor, muito bem informado em outros assuntos, disse que a Igreja Católica é uma eterna inimiga das novas idéias. Provavelmente não ocorreu a ele que sua própria observação não é exatamente uma nova idéia. É uma daquelas noções que os católicos têm de refutar continuamente, porque é uma idéia muito antiga. Na realidade, aqueles que reclamam que o catolicismo não diz nada novo, raramente pensam que seja necessário dizer alguma coisa nova sobre o catolicismo. De fato, o estudo real da História mostrará que isso é curiosamente contrário aos fatos. Na medida em que as idéias são realmente idéias, e na medida em que tais idéias são novas, os católicos têm sofrido continuamente por apoiarem-nas quando elas são realmente novas; quando elas eram muito novas para encontrar alguém que as apoiasse. O católico foi não só o pioneiro na área, mas o único; e até hoje não houve ninguém que compreendesse o que se tinha descoberto lá.

Assim, por exemplo, quase duzentos anos antes da Declaração de Independência e da Revolução Francesa, numa era devotada ao orgulho e ao louvor aos príncipes, o Cardeal Bellarmine e Suarez, o Espanhol, formularam lucidamente toda a teoria da democracia real. Mas naquela era do Direito Divino, eles somente produziram a impressão de serem jesuítas sofisticados e sanguinários, se insinuando com adagas para assassinarem os reis. Então, novamente, os casuístas das escolas católicas disseram tudo o que pode ser dito e que constam de nossas peças e romances atuais, duzentos anos antes de eles serem escritos. Eles disseram que há sim problemas de conduta moral, mas eles tiveram a infelicidade de dizê-lo muito cedo, cedo de dois séculos. Num tempo de extraordinário fanatismo e de uma vituperação livre e fácil, eles foram simplesmente chamados de mentirosos e trapaceiros por terem sido psicólogos antes da psicologia se tornar moda.

Seria fácil dar inúmeros outros exemplos, e citar o caso de idéias que são ainda muito novas para serem compreendidas. Há passagens da Encíclica do Papa Leão sobre o trabalho [Rerum Novarum, 1891] que somente agora estão começando a ser usadas como sugestões para movimentos sociais muito mais novos do que o socialismo. E quando o Sr. Belloc escreveu a respeito do Estado Servil, ele estava apresentando uma teoria econômica tão original que quase ninguém ainda percebeu do que se trata. E então, quando os católicos apresentam objeções, seu protesto será facilmente explicado pelo conhecido fato de que católicos nunca se preocupam com idéias novas.

Contudo, o homem que fez essa observação sobre os católicos quis dizer algo; e é justo fazê-lo compreender muito mais claramente o que ele próprio disse. O que ele quis dizer é que, no mundo moderno, a Igreja Católica é, de fato, uma inimiga de muitas modas influentes; muitas delas ainda se dizem novas, apesar de algumas delas começarem a se tornar um pouco decadentes. Em outras palavras, na medida em que diz que a Igreja frequentemente ataca o que o mundo, em cada era, apóia, ele está perfeitamente certo. A Igreja sempre se coloca contra a moda passageira do mundo; e ela tem experiência suficiente para saber quão rapidamente as modas passam. Mas para entender exatamente o que está envolvido, é necessário tomarmos um ponto de vista mais amplo e considerar a natureza última das idéias em questão, considerar, por assim dizer, a idéia da idéia.

Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres. A verdade sobre a atitude católica frente à heresia, ou como alguns diriam, frente à liberdade, pode ser mais bem expressa utilizando-se a metáfora de um mapa. A Igreja Católica possui uma espécie de mapa da mente que parece um labirinto, mas que é, de fato, um guia para o labirinto. Ele foi compilado a partir de um conhecimento que, mesmo se considerado humano, não tem nenhum paralelo humano.

Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.

Nesse mapa da mente, os erros são marcados como exceções. A maior parte dele consiste de playgrounds e alegres campos de caça, onde a mente pode ter tanta liberdade quanto queira; sem se esquecer de inúmeros campos de batalha intelectual em que a batalha está eternamente aberta e indefinida. Mas o mapa definitivamente se responsabiliza por fazer certas estradas se dirigirem ao nada ou à destruição, a um muro ou ao precipício. Assim, ele evita que os homens percam repetidamente seu tempo ou suas vidas em caminhos sabidamente fúteis ou desastrosos, e que podem atrair viajantes novamente no futuro. A Igreja se faz responsável por alertar seu povo contra eles; e disso a questão real depende. Ela dogmaticamente defende a humanidade de seus piores inimigos, daqueles grisalhos, horríveis e devoradores monstros dos velhos erros.

Agora, todas essas falsas questões têm uma maneira de parecer novas em folha, especialmente para uma geração nova em folha. Suas primeiras afirmações soam inofensivas e plausíveis. Darei apenas dois exemplos. Soa inofensivo dizer, como muitos dos modernos dizem: “As ações só são erradas se são más para a sociedade.” Siga essa sugestão e, cedo ou tarde, você terá a desumanidade de uma colméia ou de uma cidade pagã, o estabelecimento da escravidão como o meio mais barato ou mais direto de produção, a tortura dos escravos pois, afinal, o indivíduo não é nada para o Estado, a declaração de que um homem inocente deve morrer pelo povo, como fizeram os assassinos de Cristo.

Então, talvez, voltaremos às definições da Igreja Católica e descobriremos que a Igreja, ao mesmo tempo que diz que é nossa tarefa trabalhar para a sociedade, também diz outras coisas que proíbem a injustiça individual. Ou novamente, soa muito piedoso dizer, “Nosso conflito moral deve terminar com a vitória do espiritual sobre o material.” Siga essa sugestão e você terminará com a loucura dos maniqueus, dizendo que um suicídio é bom porque é um sacrifício, que a perversão sexual é boa porque não produz vida, que o demônio fez o sol e a lua porque eles são materiais. Então, você pode começar a adivinhar a razão de o cristianismo insistir que há espíritos maus e bons; e que a matéria também pode ser sagrada, como na Encarnação ou na Missa, no sacramento do casamento e na ressurreição da carne.

Não há nenhuma outra mente institucional no mundo que está pronta a evitar que as mentes errem. O policial chega tarde, quando ele tentar evitar que os homens cometam erros. O médico chega tarde, pois ele apenas chega para examinar o louco, não para aconselhar o homem são a como não enlouquecer. E todas as outras seitas e escolas são inadequadas a esse propósito. E isso não é porque elas possam não conter uma verdade, mas precisamente porque cada uma delas contém uma verdade; e estão contentes por conter uma verdade. Nenhuma delas pretende conter a verdade. A Igreja não está simplesmente armada contra as heresias do passado ou mesmo do presente, mas igualmente contra aquelas do futuro, que podem estar em exata oposição com as do presente. O catolicismo não é ritualismo; ele poderá estar lutando, no futuro, contra algum tipo de exagero ritualístico supersticioso e idólatra. O catolicismo não é ascetismo; ele, repetidamente no passado, reprimiu os exageros fanáticos e cruéis do ascetismo. O catolicismo não é mero misticismo; ele está agora mesmo defendendo a razão humana contra o mero misticismo dos pragmatistas.

Assim, quando o mundo era puritano, no século XVII, a Igreja era acusada de exagerar a caridade a ponto da sofisticação, por fazer tudo fácil pela negligência confessional. Agora que o mundo não é puritano, mas pagão, é a Igreja que está protestando contra a negligência da vestimenta e das maneiras pagãs. Ela está fazendo o que os puritanos desejariam fazer, quando isso fosse realmente desejável. Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo; e, nesse sentido, todos os católicos serão ainda puritanos quando todos os puritanos forem pagãos.

Assim, por exemplo, o catolicismo, num sentido pouco compreendido, fica fora de uma briga como aquela do darwinismo em Dayton. Ele fica fora porque permanece, em tudo, em torno dela, como uma casa que abarca duas peças de mobília que não combinam. Não é nada sectário dizer que ele está antes, depois e além de todas as coisas, em todas as direções. Ele é imparcial na briga entre fundamentalistas e a teoria da Origem das Espécies, porque ele se funda numa origem anterior àquela Origem; porque ele é mais fundamental que o Fundamentalismo. Ele sabe de onde veio a Bíblia. Ele também sabe aonde vão as teorias da Evolução. Ele sabe que houve muitos outros evangelhos além dos Quatro Evangelhos e que eles foram eliminados somente pela autoridade da Igreja Católica. Ele sabe que há muitas outras teorias da evolução além da de Darwin; e que a última será muito provavelmente eliminada pela ciência mais recente. Ele não aceita, convencionalmente, as conclusões da ciência, pela simples razão de que a ciência ainda não chegou a uma conclusão. Concluir é se calar; e o homem de ciência dificilmente se calará. Ele não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer.

A própria controvérsia fundamentalista se destrói a si mesma. A Bíblia por si mesma não pode ser a base do acordo quando ela é a causa do desacordo; não pode ser a base comum dos cristãos quando alguns a tomam alegoricamente e outros literalmente. O católico se refere a algo que pode dizer alguma coisa, para a mente viva, consistente e contínua da qual tenho falado; a mais alta consciência do homem guiado por Deus.

Cresce a cada momento, para nós, a necessidade moral por tal mente imortal. Devemos ter alguma coisa que suportará os quatro cantos do mundo, enquanto fazemos nossos experimentos sociais ou construímos nossas Utopias. Por exemplo, devemos ter um acordo final, pelo menos em nome do truísmo da irmandade dos homens, que resista a alguma reação da brutalidade humana. Nada é mais provável, no momento presente, que a corrupção do governo representativo solte os ricos de todas as amarras e que eles pisoteiem todas as tradições com o mero orgulho pagão. Devemos ter todos os truísmos, em todos os lugares, reconhecidos como verdadeiros. Devemos evitar a mera reação e a temerosa repetição de velhos erros. Devemos fazer o mundo intelectual seguro para a democracia. Mas na condição da moderna anarquia mental, nem um nem outro ideal está seguro. Tal como os protestantes recorreram à Bíblia contra os padres e não perceberam que a Bíblia também podia ser questionada, assim também os republicanos recorreram ao povo contra os reis e não perceberam que o povo também podia ser desafiado. Não há fim para a dissolução das idéias, para a destruição de todos os testes da verdade, situação tornada possível desde que os homens abandonaram a tentativa de manter uma Verdade central e civilizada, de conter todas as verdades e identificar e refutar todos os erros. Desde então, cada grupo tem tomado uma verdade por vez e gastado tempo em torná-la uma mentira. Não temos tido nada, exceto movimentos; ou em outras palavras, monomanias. Mas a Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo.

CHESTERTON, G.K. Por que sou católico. Chesterton Brasil.
[Traduzido por Antonio Emilia Angueth de Araujo].
Disponivel em: http://www.chestertonbrasil.org/

1º Domingo da Quaresma – Ano B

Por Pe. Fernando José Cardoso

Gênesis 9, 8-15; 1 Pedro 3, 18-22; Marcos 1, 12-15

COM JESUS NO DESERTO

Concentremo-nos na frase inicial do Evangelho: «O Espírito impulsionou Jesus ao deserto». Contém um chamado importante no início da Quaresma.

Jesus acabava de receber, no Jordão, a investidura messiânica para levar a boa nova aos pobres, curar os corações afligidos, pregar o reino. Mas não se apressa a fazer nenhuma destas coisas. Ao contrário, obedecendo a um impulso do Espírito Santo, retira-se ao deserto, onde permanece quarenta dias, jejuando, orando, meditando, lutando. Tudo isto em profunda solidão e silêncio.

Há na história legiões de homens e mulheres que elegeram imitar este Jesus que se retira ao deserto. No Oriente, começando por Santo Antonio Abade, retiravam-se aos desertos do Egito ou da Palestina, no Ocidente, onde não havia deserto de areia, retiravam-se a lugares solitários, montes e vales remotos. Mas o convite a seguir Jesus no deserto dirige-se a todos. Os monges e os ermitãos elegeram um espaço de deserto; nós devemos eleger ao menos um tempo de deserto.

Passar um tempo de deserto significa fazer um pouco de vazio e de silêncio em torno a nós, reencontrar o caminho de nosso coração, subtrair-se do alvoroço e dos chamados exteriores para entrar em contato com as fontes mais profundas de nosso ser.

Bem vivida, a Quaresma é uma espécie de cura de desintoxicação da alma. De fato, não existe somente a contaminação de óxido de carbono, existe também a contaminação acústica e luminosa. Todos estamos um pouco ébrios de compaixão e de exterioridade. O homem envia suas sondas até a periferia do sistema solar, mas ignora, na maioria das vezes, o que existe em seu próprio coração. Evadir-se, distrair-se, divertir-se: são palavras que indicam sair de si mesmo, subtrair-se da realidade.

Há espetáculos «de evasão» (a TV os propina em avalanche), literatura «de evasão». São chamados, significativamente, “fiction”, ficção. Preferimos viver na ficção que na realidade. Hoje se fala muito de «alienígenas», mas alienígenas, ou alienados, estamos já por nossa conta em nosso próprio planeta, sem necessidade de que venham outros de fora.

Os jovens são os mais expostos a esta embriaguez de estrondo. «Que aumente o trabalho destes homens –dizia dos hebreus o faraó a seus ministros– para que estejam ocupados nele, de forma que não prestem ouvido às palavras de Moisés e não pensem em subtrair-se da escravidão» (Ex 5, 9). Os «faraós» de hoje dizem, de modo implícito, mas não menos imperativo: «Que aumente o alvoroço sobre estes jovens, que os aturda, para que não pensem, não decidam por sua conta, mas que sigam a moda, comprem o que nós queremos, consumam os produtos que nós mandarmos».

O que fazer? Ao não podermos ir ao deserto, há que fazer um pouco de deserto dentro de nós. São Francisco de Assis nos dá, a esse respeito, uma sugestão prática. «Temos –dizia– um eremitério sempre conosco; ali aonde vamos, e cada vez que quisermos, podemos encerrar-nos nele como ermitãos. O eremitério é nosso corpo e a alma é o ermitão que habita dentro!». Neste eremitério «portátil» podemos entrar, sem saltar à vista de ninguém, até enquanto viajamos de ônibus. Tudo consiste em saber «voltar a entrar em si mesmo» a cada tanto.

Que o Espírito que «impulsionou Jesus ao deserto» conduza-nos também, auxilie-nos na luta contra o mal e nos prepare para celebrar a Páscoa renovados no espírito!

 

COM CRISTO, NADA E NEM NINGUÉM PODE NOS ATINGIR… se nós não desejarmos.
Jesus, o único Senhor, liberta-nos de Satanás, pois o venceu.

Mateus (4, 1-11): Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. E depois de fazer um jejum de quarenta dias e quarenta noites, ao final sentiu fome. E, aproximando-se o tentador, disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diga a estas pedras que se transformem em pães». Mas ele respondeu: «Está escrito: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”». (…) Por fim, o diabo o deixou, e os anjos aproximaram-se para servi-lo.

Hoje o demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade, e inquietam muito. Nosso mundo tecnológico e industrializado pulula de magos, bruxos, ocultismo, espiritismo, horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos e também de autênticas seitas satânicas.

Expulsado pela porta, o diabo voltou a entrar pela janela. Ou seja, expulso da fé, regressou com a superstição.

O episódio das tentações de Jesus no deserto ajuda-nos a pôr um pouco de clareza. Antes de tudo, existe o demônio?

A palavra demônio indica verdadeiramente uma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é um símbolo, um modo de falar para indicar a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva, etc?

Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio entendido no primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe e Dostoiévski, tomaram muito a sério a existência de Satanás.

Charles Baudelaire, que não era certamente de uma raça de santos, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer que não existe». A prova principal da existência do demônio nos Evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de obsessos, porque ao interpretar estes fatos podem ter influído as crenças sobre a origem das enfermidades.

A prova verdadeira está nos santos! E Jesus, que é tentado no deserto pelo demônio, é a confirmação evidente disso. A prova são também os muitos santos que lutaram na vida com o príncipe das trevas. Não são uns «dons Quixote», que lutaram contra moinhos de vento. Ao contrário, são homens muito concretos e de psicologia sã.

Se muitos pensam ser absurdo crer no demônio é porque se baseiam em livros, passam a vida nas bibliotecas ou no escritório, enquanto que ao demônio não interessa os livros, mas as pessoas, especialmente os santos. Que pode saber de Satanás quem nunca teve de ver com a realidade de Satanás, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre Satanás?

Esses tratam habitualmente o tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas é uma falsa segurança. Como quem se gaba de não ter medo algum do leão, aduzindo como prova o fato de que o viu muitas vezes pintado ou fotografado e nunca se atemorizou.

Por outro lado, é normal e coerente que quem não crê no diabo não creia em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo! O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é, contudo que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois príncipes iguais e contrários.

Jesus é o único Senhor; Satanás não é senão uma criatura «deixada a perder». Se lhe é concedido poder sobre os homens é para que os homens tenham a possibilidade de fazer livremente uma eleição e também para que não «se ensoberbeçam», crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de nenhum redentor.

«O velho Satanás está louco», diz um canto espiritual negro. «Disparou um tiro para destruir minha alma, mas errou a pontaria e destruiu ao contrário meu pecado». Com Cristo, não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode nos fazer mal, se nós mesmos não o desejarmos.

Satanás, dizia um antigo Padre da Igreja, após a vinda de Cristo, é como um cão amarrado: pode ladrar o quanto quiser; mas se não formos nós a aproximar dele, não poderá morder.

Jesus no deserto se libertou de Satanás para livrar-nos de Satanás! É a alegre notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal.

Original italiano publicado por «Famiglia Cristiana».

 

QUARESMA: O TEMPO DO CORAÇÃO
Evangelho do primeiro domingo da quaresma

Gen 9,8-15
Deus disse a Noé e aos seus filhos: Eis que estabeleço a minha aliança covosco e com os vossos descendentes depois de vós, com todo ser vivente que está convosco, aves, gado e animais selvagens, com todos os animais que saíram da arca, com todos os animais da terra. Estabeleço a minha aliança convosco: nenhuma outra carne será destruída pelas águas do dilúvio, nem o dilúvio devastará mais a terra.

I Pd 3,18-22
Amados, Cristo morreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito.

Mc 1,12-15
Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto e ele ali permaneceu durante quarenta dias, tentado por satanás. Vivia em meio às feras e os anjos o serviam. Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho.

Movido internamente pelo mesmo Espírito que conduziu Jesus, o crente batizado permanece quarenta dias no deserto com o Senhor, para se preparar para o dom da alegria pascal. Profundamente necessitado de silêncio e de serenidade, ele anseia por uma Palavra verdadeira, que o reencaminhe rumo à harmonia consigo mesmo e com os outros e o faça amar a vida juntamente com eles, na certeza consoladora de que, para além da morte, contemplará o esplendor da face do Cristo Ressuscitado durante toda a eternidade: Ele é “o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22, 13). Ele é a realização pessoal da aliança que Deus fez com o homem, graças à qual toda pessoa é criada “à imagem e semelhança de Deus” (Gen 1, 27).

A quaresma não é apenas um tempo do calendário, mas o tempo do coração, “o tempo completo” (Mc 1, 15), como Jesus proclama hoje. É o “kairós”, o tempo pessoal e definitivo da abundância da vida (Jo 10, 10), o tempo da alegria inalienável e própria de Jesus, que vem da auto-realização no amor e na obediência à vontade do Pai . “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

É o anúncio de um caminho em direção à meta mais desejável que existe: a felicidade duradoura nesta vida, que se tornará bem-aventurança eterna na outra. Que o tempo esteja completo é coisa cujo significado se assemelha ao anúncio do nascimento: nasce algo que já se trazia por dentro, e, se o acolhemos como um dom de amor a ser cuidado o tempo todo, a nossa vida não conhecerá mais a tristeza da solidão.

“A alegria é o sinal infalível da presença de Deus”, afirmava Leon Bloy, querendo dizer que a sua fonte, que jorra sem parar no profundo do coração, é o encontro diário com o Senhor Jesus. Temos aqui um testemunho importante sobre isto: um doente terminal de aids, na Casa Dom da Paz, das Missionárias da Caridade, pediu o batismo. Quando o padre pediu dele uma expressão de fé, o doente murmurou: “O que eu sei é que eu sou infeliz, e que as irmãs são muito felizes, mesmo quando eu as insulto e cuspo nelas. Ontem eu finalmente perguntei o motivo dessa felicidade. Elas me responderam: Jesus. Eu quero esse Jesus, para ser feliz também” (Cardeal Timothy Dolan, Homilia na Jornada de Oração pelo colégio cardinalício, 17 de fevereiro de 2012).

O ser humano é concebido como um ser-para-a-alegria, e isso fica provado quando vemos que todas as crianças são espontaneamente felizes diante da face da mãe. Eu poderia dizer que isso acontece por causa do fato ontológico de que elas já conhecem a face da mãe há nove meses, porque Deus Pai-Mãe, que em Cristo “os escolheu antes da criação do mundo” (Ef 1, 4), olha para elas desde a concepção com o seu rosto inefável de amor radiante, e nunca voltará o olhar para nenhum outro lugar até que o vejamos diretamente “como ele é” (1 João 3, 2): “alegria completa na tua presença, doçura sem fim à tua direita” (Salmo 16, 11).

Pe. Angelo del Favero

 

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

“Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias” (Sl 90,15s)

Meus queridos irmãos,
Vivemos o primeiro Domingo da Quaresma. Santa Quaresma! Tempo de perdoar e de amar. Amar como Jesus nos amou, entregando-se à tirania de seus algozes, submetendo-se a humilhações e ao Lenho da Cruz para a salvação da humanidade. Refletimos hoje sobre a conversão, linha mestra deste tempo admirável que é a Santa Quaresma. A Restauração da humanidade é feita em Cristo pelo batismo. O mal tem muitas faces, mas uma coerência inferior faz pensar num ser pessoal, embora não identificável no mundo material. Chama-se Satanás, ou seja, adversário, ou ainda diabo, o destruidor. O diabo está presente desde o início da humanidade. Parece, às vezes, que Deus “solta as forças do mal”, por exemplo, quando ele permitiu que Satanás provasse o justo Jô. As águas do dilúvio representavam, para os nossos antepassados, um desencadeamento das forças do mal sobre a criação, o mundo dos homens. Deus soltou Leviatã, o demônio das águas. Mas quem tem a última palavra, a palavra final, na criação é o amor misericordioso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus não quer destruir o homem, por isso, imporá limites a Leviatã. Não mais voltará a destruir a terra, conforme nos ensina a primeira Leitura. Ao final do dilúvio, Deus repete o dia da criação, em que Ele venceu o caos original, separou as águas de cima e as águas de baixo e deu um lugar especial para o homem habitar. É uma nova criação que se realiza a partir do dilúvio, seguida por um pacto de proteção. O belo arco-íris que alegra generosamente todos os viventes, especialmente os homens, no fim do temporal, é o sinal natural da aliança entre Deus e os homens. Oito pessoas foram preservadas, na arca de Noé. Elas serão, graças à aliança entre Deus e os homens, o início de uma nova humanidade.

Caros irmãos,
A Primeira Leitura(Gn 9,8-15) nos apresenta o Dilúvio e a aliança com a humanidade. O dilúvio é o símbolo do juízo de Deus sobre este mundo. Mas repousa sobre este, também, a sua misericórdia, simbolizada pelo arco-íris. Deus faz uma aliança com Noé e a sua descendência, isto é, a humanidade inteira. Apesar do mal, Deus não voltará a destruir a humanidade. É significativo que esta mensagem foi codificada no tempo do declínio do Reino de Judá. A fidelidade de Deus dura para sempre.

Irmãos e irmãs,
O primeiro domingo da Santa Quaresma tem um Evangelho(cf. Mc 1,12-15) muito especial: aquela passagem que relata o episódio das tentações de Jesus, antes de começar a sua vida pública para pregar o Evangelho. Pode ser uma contradição para a compreensão humana pensar que o Filho de Deus passe por tentações. Tentação é sempre ligada a pecado e como Jesus na tem pecado, achamos impossível ele ser tentado. Entretanto, até para os santos a tentação é colocada para que sejam aprimoradas a nossa confiança e a nossa perseverança em seguir Jesus Cristo. O centro do Evangelho de hoje são os homens e as mulheres redimidos por Jesus que restaura a humanidade pela sua morte e ressurreição. Todos os homens permanecem em constante tentação: este é o retrato dos humanos. No deserto, onde se passo o relato do Evangelho deste dia, há o símbolo da natureza violentada, calcinada, amaldiçoada. Até a natureza deve receber o Messias que vem reconduzir as criaturas ao sentido que tinham na criação: obras boas saídas das mãos poderosas de Deus. Para elas, Jesus traz a boa nova. O extremo mais longe é o diabo. O mais perto são os anjos, querubins e serafins. Entre os dois acontece a nossa vida. Entre os dois se põe Nosso Senhor Jesus Cristo, participando da sorte humana, dos animais e das plantas. O mais beneficiado é o homem e a mulher.

Meus irmãos,
Jesus exclama que “o tempo já se cumpriu”. Isso significa não o fim do mundo, mas a inauguração de um novo tempo de graça e de paz: o TEMPO DA SALVAÇÃO, momento da graça redentora. Terminamos o momento de espera; começa-se o tempo de certeza, que não dispensa o esforço, a conversão, a emenda de vida. Esse “hoje da salvação” não é o tempo histórico de Jesus, mas sim o dia de hoje, o tempo de cada um de nós, o hoje de cada um dos viventes. Contudo, é necessário refletir ainda sobre o DESERTO. Todos os profetas se preparavam no deserto. O deserto passou a ser o lugar onde se pode encontrar Deus e tomar grandes decisões. E em Marcos, especialmente, é o lugar onde a gente se encontra com Deus. Compreende-se, então, que Marcos faça Jesus – mais santo que o profeta Elias, legislador maior do que Moisés, o Messias esperado – como que nascer do deserto e vir do deserto para começar a pregação do Evangelho. O DESERTO, entretanto, é um lugar inóspito, símbolo de maldição, lugar de feras e demônios. E é nesse local que o demônio vai tentar Jesus. Nós, homens e mulheres, à imagem e semelhança de Deus, estamos sempre ameaçados pelo demônio que quer que nós vivamos no mundo do pecado e da maldição. E geralmente, quando atravessamos os desertos de nossa existência, ele investe contra nós, tirando-nos a paz de espírito, a tranqüilidade de consciência, a comunhão com Jesus Cristo. Por isso, a grande mensagem de hoje é a volta do cristão para Deus, a volta do vivente – homem e mulher – para Deus. Isso, porém, só acontecerá com a nossa conversão e mudança de vida. A Santa Igreja nos apresenta a Quaresma santa, tempo de conversão, de mudança de vida e de amor em abundância. Santa Quaresma é retorno para Deus, equilíbrio interior, vitória sobre as tentações do maligno. Confirma-o a Sagrada Liturgia, ao entoar o cântico que dá o colorido deste tempo: “Este é o tempo propício” (2Cor 6,2). Jesus veio da terra dos pagãos. Israel esperava um messias triunfalista, chefe militar, mas veio um filho de carpinteiro, nascido na mais pérfida cidade de seu tempo. Isso nos leva a concluir que não importa qual a nossa origem ou a nossa condição social ou econômica. O importante é o nosso batismo. Pelo batismo, tornamo-nos cristãos e aí não tem diferença: todos somos cidadãos do céu. Neste sentido, anima a celebração de hoje o espírito de confiança, acreditando que poderemos vencer o pecado e a tentação pela graça de Deus: “Ele guia ao bom caminho os pecadores; aos humildes conduz até o fim em seu amor”. Por esta razão, todos os batizados devem renovar, na celebração da Páscoa, o compromisso de seu batismo: um compromisso de coerência de vida, de anúncio do Evangelho e de engajamento na nova Evangelização, superando todas as exclusões, como dos idosos, lutando ainda para que todos tenham “o pão de trigo e o pão da palavra”, palavra que liberta e salva!

Caros irmãos,
A Segunda Leitura(cf. 1Pd 3,18-22) nos apresenta o Dilúvio e o batismo. A Primeira Carta de Pedro caracteriza-se por seu teor de catequese batismal. O batismo inclui a transmissão do credo. Cristo morreu e desceu aos ínferos, ressuscitou, foi exaltado ao lado de Deus, julgará vivos e mortos. Jesus tendo trilhado o nosso caminho até a morte, nós podemos seguir seu caminho à vida. O batismo, antítipo do dilúvio, purifica a consciência e nos orienta para onde Cristo nos precedeu.

Meus irmãos,
Conversão e batismo constituem as duas linhas mestras da Quaresma. Pelo batismo, o ser humano mergulha, por sua vez, na morte e ressurreição do Senhor Jesus. Este mergulho nas águas da vida do batismo em Cristo exige, no entanto, a conversão, o compromisso solene de uma boa consciência para com Deus. Conversão, fé na boa-nova do Cristo e compromisso de vida nova constituem as linhas-força desta Quaresma que se inicia. Que todos nós possamos viver intensamente este tempo de penitência, de jejum, de conversão e de oração. Que a palavra divina seja sempre a santa referência fundamental a orientar a vida cristã nas horas de provações e de dúvidas. Amém!

 

JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

Antigamente, a Quaresma era o período durante o qual, através da penitencia e da provação, os catecúmenos se preparavam para receber o batismo na noite de Páscoa ou àqueles que tinham cometidos pecados graves e públicos se preparavam para retornar ao seio da sua comunidade cristã, chamavam-se de “penitentes”.

A Liturgia sempre coloca Jesus no Evangelho do Primeiro Domingo da Quaresma vencendo as tentações do Demônio (cf. Mc 1, 12-15; mais detalhista é o Evangelho de Mt 4, 1-11). O Nosso Senhor e Mestre não só vence, mas nos dá as dicas para vencer também o nosso inimigo e as tentações pequenas e grandes que enfrentamos todos os dias. O objetivo desta reflexão de hoje será avaliar a nossa defesa e aumentar as nossas resistências frente às tentações e celebrar a vitória com o Senhor Jesus. JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

O Senhor derrotou o inimigo através da Docilidade ao Espírito Santo, pois “no deserto, ele era guiado pelo Espírito”, da Palavra: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem”; da Oração: “Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus”; do Jejum: “Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome”, e pela Adoração: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”. Exercendo Sua autoridade que vinha de uma vida coerente e santa. Isso fica bem claro na leitura deste Evangelho.

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

Jesus Cristo dando inicio a caminhada do Novo povo de Deus se dirige ao deserto como lugar de encontro com Deus, lugar de recolhimento, onde Ele se revela, onde se escuta Sua Palavra. E diferente do antigo povo da Aliança que sucumbe a tentação, se revolta, tem saudade das cebolas do Egito, onde eles tinham o que comer, mas eram escravos. Jesus vence a tentação, vence o demônio pela oração, pelo jejum através da Palavra e da Obediência ao Pai.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e, por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

No pórtico da Quaresma recém-começada, encontramos Jesus tentado pelo diabo. A Bíblia tem vários nomes para este personagem, mas em todos subjaz a mesma incumbência da sua missão: o que separa o que arranca; diabo, dia-bolus: o que divide. O demônio – no meio do mundo que o ignora e o torna frívolo – está mais presente que nunca: nos medos, nos dramas, nas mentiras e nos vazios do homem pós-moderno, aparentemente descontraído, brincalhão e divertido.

Com Jesus, como com todos, o diabo procurará fazer uma única tentação, ainda que com diversos matizes: romper a comunhão com Deus Pai. Para este fim, todos os meios serão aptos, desde citar a própria Bíblia até fantasiar-se de anjo da luz. As três tentações de Jesus são um exemplo muito atual: da tua fome, converte as pedras em pão; das tuas aspirações, torna-te dono de tudo; da tua condição de filho de Deus, coloca a tua proteção à prova. Em outras palavras: o dia-bolus buscará conduzir Jesus por um caminho no qual Deus ou é banal e supérfluo, ou é inútil e nocivo.

Prescindir de Deus porque eu reduzo minhas necessidades a um pão que eu mesmo posso fabricar, como se fosse minha própria mágica (1ª tentação). Prescindir de Deus modificando seu plano sobre mim, incluindo aspirações de domínio que não têm a ver com a missão que Ele me confiou (2ª tentação). Prescindir de Deus banalizando sua providência, fazendo dela um capricho ou uma diversão (3ª tentação).

Isso se torna atual se formos traduzindo, com nomes e cores, quais são as tentações reais (!) que separam – cada um e todos juntos – de Deus e, portanto, dos outros também. A tentação do deus-ter (em todas as suas manifestações de preocupação pelo dinheiro, pela acumulação, pelas “devoções” a loterias e jogos, pelo consumismo). A tentação do deus-poder (com todo o leque de pretensões de ascensão, que confundem o serviço aos demais com o servir-se dos demais, para os próprios interesses e controles). A tentação do deus-prazer (com tantas, tão infelizes e, sobretudo tão desumanizadoras formas de praticar o hedonismo, tentando censurar inutilmente nossa limitação e finitude).

Quem duvida de que existem mil diabos, que nos encantam e seduzem a partir da chantagem das suas condições e, apresentando tudo como fácil e atrativo, nos separam de Deus, dos demais e de nós mesmos?

Jesus venceu o diabo. A Quaresma é um tempo para voltarmos ao Senhor, unindo novamente tudo que o tentador separou. “Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a abstinência quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a Páscoa definitiva” (Prefácio do 1° Domingo da Quaresma).

Oremos: Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar o Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda Palavra que sai de vossa boca para vencer ao pecado, a nós mesmos e ao diabo. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.  Diretor Espiritual e Formador do Pré-discípulado.   http://www.faceboock.com/padreluizinho

Jejum e penitência quaresmal

JEJUM DA LÍNGUA: UMA PENITÊNCIA EFICAZ E NECESSÁRIA
Padre Carlos Victal

“A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor”.
Atuante no ministério de evangelização infanto-juvenil e ministro do culto religioso, padre Carlos Alberto Victal, missionário da Comunidade Canção Nova há mais de 13 anos, fala sobre a vivência das crianças durante a Quaresma e explica a importância do jejum para a disciplina, a santificação e a proximidade com Deus. O sacerdote também esclarece o significado das práticas de penitência e esmola nesse tempo forte de oração. O consagrado esclarece que o jejum não é feito apenas ao deixarmos de comer ou beber algo de que se gostamos, apontando-nos outras formas de praticá-lo, como o “jejum da língua”.

O senhor trabalha com evangelização infantil. Como a vivência da Quaresma é ensinada às crianças? As crianças assimilam de um modo muito bonito esse tempo litúrgico que a Igreja oferece a todos, sem exceção. Quando falamos que esse tempo é de penitência, de jejum, de busca da confissão e de muita oração, é interessante que mesmo as crianças que ainda nem fizeram primeira comunhão reconhecem os seus pecados – desobediências, rebeldias, brigas um com o outro, xingatório – e querem confessar-se. Outro dia, na Santa Missa, falando do tempo de jejum e das tentações, eu perguntava para elas: “Quem se comprometeu com Deus a fazer, nestes 40 dias, uma penitência, um jejum?” Muitas levantaram as mãos. Eu resolvi ir mais a fundo com elas e perguntei a algumas: “O que você está oferecendo para Deus nestes dias?”. A primeira respondeu que estava oferecendo 40 dias sem o computador. Já o segundo ofereceu o refrigerante. Então, eu o instiguei: “Você já pensou que, quando houver uma festinha de aniversário, todo mundo vai tomar refrigerante e você não vai poder tomá-lo, porque o ofereceu a Deus? Aí, o ‘chifronildo’ [inimigo de Deus] vai tentar fazer você beber só um golinho, mas você vai dizer para ele: ‘Eu não vou beber, eu sou de Deus, eu ofereço isso para Deus'”. Então, o jejum é algo que oferecemos a Deus para a nossa purificação e para a purificação da nossa família, do nosso povo, da sociedade.

Além do jejum, a esmola e a penitência também são práticas que devem ser observadas durante a Quaresma. Qual o significado de cada uma delas? A esmola é o sentido da caridade. Quando alguém pede esmola, está com as mãos estendidas, necessitado de ajuda. E ajudar o outro é amá-lo. Não importa o nome, se é gordo ou magro, se é barbudo ou cabeludo, mas alguém com a mão estendida está precisando de auxílio. É assim também que nós fazemos com Deus: levantamos nossas mãos para o alto e pedimos ajuda a Ele. Na nossa pobreza, na nossa limitação, precisamos do socorro do Senhor. Esmola não é apenas no sentido de dar coisas, mas também de se dar para o outro, seja por meio de um sorriso ou um abraço. Quantas pessoas carentes de um abraço, porque estão feridas na sua afetividade paternal e maternal, que se sentem carentes do amor do pai e da mãe! A penitência é a mortificação, é morrer para si por causa do Senhor. Jesus se sacrificou, morreu por nós e penitenciou-se em nosso favor. A penitência nos leva a morrer um pouco no “eu”, na vontade própria, no egoísmo; principalmente no mundo de hoje, no qual o “eu” tem gritado muito e já não temos o sentido do “nosso”. Quando nós rezamos a oração que o Senhor nos ensinou, sempre dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”, porque Deus partilha tudo o que Ele tem com todos os filhos d’Ele. A penitência nos ajuda a ter uma profunda conversão, por meio da qual nos colocamos na presença de Deus e isso nos leva a uma disciplina de equilíbrio no comer, no beber, no vestir, no modo de ser, de falar, de agir e nos impulsos.

Qual a melhor maneira de fazê-las? Há muitas maneiras de ser viver a penitência e o jejum. O próprio monsenhor Jonas nos apresenta um livro chamado Práticas de Jejum, no qual ele nos dá opções para jejuar. É uma maneira de me abster de alguma coisa de que eu gosto e oferecê-la para Deus. A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor. Uma outra maneira é que façamos também um retiro para nos aproximarmos mais de Deus.

Quando se fala em jejum, logo se pensa em deixar de comer ou beber algo de que se gosta. Há algum outro tipo de jejum? Eu vejo que uma das práticas mais eficazes de jejum, nos dias de hoje, é o “jejum da língua”. Quantas pessoas falando mal umas das outras, murmurando. Se faz um sol quente, dizem que não aguentam mais e reclamam; se chove, reclamam porque não podem sair de casa. Então, precisamos reter a língua e, ao virmos algo errado, em vez de murmurar, rezarmos para que Deus solucione aquilo. Há também o “jejum da fofoca”, que tem “matado” tanta gente; o “jejum do olhar”, pois Deus nos deu os olhos para os abrirmos e fecharmos, nos deu o pescoço flexível para que possamos olhar de um lado e de outro. Então, se o nosso olhar nos leva à malícia, ao pecado ou a um julgamento, não devemos olhar, mas virar nosso rosto para o outro lado. São pequenas práticas que nos ajudam a nos disciplinarmos no modo de ser cristãos.

Qual o significado da cor roxa na Quaresma? A cor roxa é, justamente, o sentido da penitência. Os padres, por exemplo, quando vão confessar os fiéis, colocam uma estola roxa que simboliza a conversão, a mudança de vida, a penitência. Por isso, as toalhas do altar também são roxas. Da mesma forma, nos funerais, usa-se a cor roxa, porque clamamos a misericórdia, o perdão e a conversão para a alma e suplicamos que Deus a salve.

Cobrir as imagens dos santos com tecidos roxos durante esses dias é prática comum nas igrejas católicas. Por que esse hábito? Elas são cobertas para mostrar o sentido de ausência, de vazio. Isso, geralmente, ocorre na Semana Santa, porque temos um Deus que se esvaziou de si mesmo e morreu por nós. Esse vazio é para mostrar que o único centro da vida de toda a humanidade passa a ser Jesus, o Grande Intercessor, Aquele que dá a vida por todos nós.

 

A PENITÊNCIA DA QUARESMA
Prof. Felipe Aquino

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13, 3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2Cor 5,  20);  “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49, 8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para se deixar o pecado e voltar para Deus. E para isto fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feitar para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20, 22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão, a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo o que Jesus recomendou no Sermão da Montanha (Mt 6, 1-8), “o jejum, a esmola e a oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje.
Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma. Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm com objetivo livrar-nos do pecado.
O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas, (gula, ira, inveja, soberba, ganância. luxúria, preguiça), não dominem a nossa vida e a nossa conduta. A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18, 1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26, 41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7, 7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (1Ts 5, 17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9). “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3, 33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29, 15).
Então, cada um deve fazer ma Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver  a TV, deixar de ir a uma festa, uma diversão, não comer uma comida que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Missa durante da semana…
Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria. A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

 

TODOS PODEM FAZER JEJUM  

Todos podem fazer jejum. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. Todos podem jejuar sem que isso lhes faça mal; pelo contrário, lhes faça bem. Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Imaginam que jejuar seja uma coisa muito difícil e dolorosa que elas não conseguirão fazer.

Existem várias modalidades de jejum (Jejum da Igreja, Jejum a pão e água, Jejum à base de líquidos, Jejum completo).

Vou apresentar-lhes o Jejum da Igreja. Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa. Alguém poderia pensar que esse seja um jejum relaxado ou que nem seja realmente jejum, porque ele é muito fácil. Mas não é bem assim.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo pelo qual é prescrito a toda a Igreja. O básico desse tipo de jejum é que você tome café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição. Você escolhe essa refeição – almoço ou jantar -, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho.

A outra refeição, aquela que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades. Dessa maneira, por exemplo, se você escolher o almoço para fazer a refeição completa, no jantar faça um lanche que lhe dê condições de passar o resto da noite sem fome.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Em suas aparições em Medjugorje, a própria Nossa Senhora o repetiu várias vezes. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer. O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, é você não comer nada além dessas três refeições.

O que interessa é cortar de vez o hábito de “beliscar”, de abrir a geladeira várias vezes ao dia para comer “uma coisinha”. Evitar completamente, nesse dia, as balas, os doces, os chocolates e os biscoitos. Deixar de lado os refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos. Para quem é indisciplinado – e muitos de nós o somos -, isso é jejum, e dos “bravos”!

Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como “a gente” se disciplina; como refreia a gula! E é essa a finalidade do jejum. Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram o jejum. Se for necessário leite para tomar os medicamentos, o jejum também não é quebrado, pois a disciplina fica mantida.

Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios – e tomá-los corretamente.

(Trecho extraído do livro “Práticas de Jejum” de monsenhor Jonas Abib)

 

FONTES DA ABSTINÊNCIA DE CARNE
Por Rafael Vitola Brodbeck

Onde poderemos encontrar na Bíblia ou em outros escritos da tradição cristã, que não devemos comer carne no período Quaresmal. E o por quê de só consumir peixes?

1) A lei da Igreja:
Em sentido amplo, a expressão “jejum” abarca muitos significados: o jejum em sentido estrito e também a abstinência. Quando a Igreja fala em abstinência, em sua lei, refere-se à abstinência de carne, mas pode ser proveitosa qualquer outra abstinência. Já os nossos irmãos de rito oriental, pertençam ou não à Igreja Católica, utilizam o termo “jejum” com o mesmo significado de abstinência. Aqui falaremos, de acordo com a lei vigente entre os de rito ocidental, coerentemente aos nossos costumes e tradições. Daí que jejum é a renúncia ao alimento, e abstinência a renúncia à carne.
Há, inclusive, vários tipos de jejum: a pão e água, completo, a base de líquidos etc. A Igreja, entretanto, quando obriga ao jejum, é bem menos severa. É verdade que qualquer um desses jejuns pode ser feito, a critério de um seguro e prudente diretor espiritual ou confessor. A obrigação, contudo, é da observância do mínimo estipulado pela Igreja, em sua sabedoria, o chamado “jejum eclesiástico” ou “jejum da Igreja”. É a ele que estamos, pois obrigados.
Em que consiste esse jejum? Segundo o douto canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, “trata-se de não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes pro dia” (comentário ao cân. 1252, Código de Direito Canônico).
Pode ser feito esse jejum em qualquer dia, exceto em solenidades e nos Domingos. O mesmo vale para os outros jejuns.
Ainda que facultativamente, o jejum possa ser adotado em qualquer dia, a Igreja obriga o fiel novamente ao mínimo. Recomenda que se faça muitas vezes ao ano, especialmente durante o Advento e, ainda mais, na Quaresma. Daí que a atitude de muitos católicos de jejuar durante os quarenta dias desse tempo litúrgico, se feita com prudência e afastada toda a vaidade espiritual, é louvável. Igualmente louvável a conduta dos que, sentindo que mínimo estipulado pela Igreja, o jejum eclesiástico, não é suficiente para sua própria condição espiritual pessoal, adotam jejum mais severo, sempre, anote-se, com a anuência de um diretor espiritual prudente, douto, piedoso e provado.
O fiel, mesmo que possa jejuar em outros dias, e de vários modos, é obrigado ao jejum eclesiástico (embora possa fazer outro, mais severo, lembre-se), na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Eis os únicos dias, na Igreja Latina, a que estamos obrigados a jejuar. E com o jejum eclesiástico, o mínimo.
Por abstinência, de outra sorte, entende-se comumente a renúncia à carne. Também pode ser feita a qualquer tempo, exceto em solenidades e nos Domingos. Claro, há institutos religiosos severíssimos, aprovados pela suprema autoridade da Igreja, nos quais seus membros fazem votos de perpetuamente não ingerir carne. Também o simples fiel pode fazê-lo, não tratando-se, porém, de abstinência propriamente dita, mas de um voto que implica em uma mortificação.
A abstinência periódica, da qual estamos tratando e que é objeto da consulta, também é alvo da legislação canônica. Consiste em não ingerir carne ou alimento preparado à base de carne de animais de sangue quente (incluindo, evidentemente, o caldo de carne). O fiel é convidado a fazer abstinência sempre que desejar, especialmente durante o Advento e, especialmente, na Quaresma, como foi dito na explicação para o jejum. Contudo, existem dias obrigatórios para essa abstinência, além dessa faculdade do fiel de observá-la sempre.
“cân. 1251 – Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Então, como exposto, estão obrigados os fiéis ao jejum (eclesiástico, segundo as explicações do Pe. Hortal, SJ, tradicionais na Igreja e que estavam dispostas no anterior Código de 1917 explicitamente, valendo como norma consuetudinária) na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa da Paixão. E obrigados à abstinência em todas as sextas-feiras do ano, desde que nelas não caia alguma solenidade (não basta ser festa ou memória; é preciso ser solenidade, o maior grau dentre as festividades do atual Calendário Litúrgico Romano e Universal e dos calendários particulares dos institutos e dioceses). Mesmo que não obrigados, podem os fiéis jejuar e abster-se de carne em outros dias.
Há um ponto, entretanto, a ser considerado. O dispositivo do cânon citado refere-se a normatização da conferência episcopal. É ela, pois, competente, para legislar diferentemente no que toca à abstinência das sextas-feiras do ano. Nunca em relação ao jejum ou à abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-Feira Santa.
No Brasil, a CNBB, por delegação expressa, pois da Santa Sé mediante o cânon aludido, concedeu a faculdade ao fiel de, nas sextas-feiras do ano, inclusive durante a Quaresma, substituir a abstinência de carne por “alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade” (Legislação Complementar da CNBB).
Assim, salvo a abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (que devem ser observadas juntamente com o jejum: não basta “não comer carne”, é preciso comer só uma refeição completa!), as demais, no Brasil, podem ser substituídas por outro tipo de mortificação ou penitência: renúncia a outro alimento, determinadas orações, atos de piedade ou caridade etc.

2) A abstinência de carne na Bíblia e na Tradição:
Como falamos, “jejum” em sentido amplo é gênero, do qual “abstinência” é espécie. Todas as referências bíblicas do jejum encaixam-se perfeitamente para a abstinência. Renunciar ao alimento, em si, ou a um alimento específico: ambos são, genericamente, jejuns. A sabedoria da Igreja intuiu, entretanto, que, dentre os alimentos a renunciar, a carne seria o mais adequado à nossa mentalidade, visto que é geralmente a parte nobre de nossas refeições. Também nela há um sentido místico, pois ela se identifica com o Verbo que “Se fez carne” e sofreu “na carne” por nossa salvação. Abster-se de carne implica em uma renúncia a um prato dos principais de nossa alimentação, e também em um lembrar-se sempre da santíssima carne de Jesus Cristo que por nós padeceu.
Existem muitas referências patrísticas ao jejum como um todo, no qual inclui-se, implicitamente, a abstinência de carne (bem como outras abstinências espirituais e corporais: de refrigerante, de álcool, de televisão, dos sentidos etc). São Leão Magno, Santo Agostinho, São Basílio de Cesaréia e São João Crisóstomo falam muito no jejum. Na Didaqué há também referências ao jejum e que englobam, claro, toda abstinência, principalmente de carne, pelo sentido espiritual que tem.
Não é a Bíblia ou a Tradição, todavia, que nos diz que não devemos comer carne em alguns dias especiais. Até porque esses dias foram fixados pela Igreja posteriormente. Deixar de comer carne não é uma doutrina, mas uma disciplina. Não pertence ao direito divino, mas ao direito humano eclesiástico. O que não significa que possamos deixar de obedecer, uma vez que estamos obrigados à observância da Lei da Igreja e não somente da Lei de Deus, por sermos súditos de sua autoridade, o Papa e os Bispos. Como lei humana que é, o Papa pode mudá-la a qualquer tempo. Não a obedecemos por estar na Bíblia, na Tradição ou por ser uma doutrina (até porque ela não é), e sim por assim ordenar a autoridade da Igreja.
Por outro lado, não se trata de um “comer peixe”. Quem não quiser, não precisa comer peixe ou outro alimento de que não goste. A Igreja nunca mandou que se comesse peixe, mas que se deixasse de comer carne.

Quarta-feira de Cinzas – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste dia, cada um de nós recebe um pouquinho de cinzas sobre a fronte ou a cabeça, enquanto o sacerdote pronuncia as palavras do livro do Gênesis: “… lembra-te homem que és pó e ao pó voltarás”.

Sim, “és pó e ao pó voltarás”, mesmo que sejas um homem importante, mesmo que sejas uma excelência, mesmo que sejas alguém de quem outros se aproximam muito dificultosamente, chegará um dia e não se sabe quando, neste dia tu receberás a todos indistintamente, todos te poderão visitar, sem mesmo marcar o dia e a hora desta visita, sem nenhum protocolo, estarás no cemitério católico Leão XIII, estarás no cemitério do Jardim da Memória, ou quem sabe no Municipal.

Sim verdadeiramente o homem é pó da terra, vejam: nós somos 60% de água, 39% de matérias orgânicas e 1% de sais minerais. Não há do que se envaidecer sumamente, não é verdade?

No entanto quando a Igreja inicia a Quaresma, não quer humilhar o ser humano, não quer humilhar cada homem e cada mulher, se como ponto de partida, cada um de nós é cinza e um dia estará encerrado em uma caixinha de ossos, que com o tempo, também desaparecerão.

É bem verdade que este é o ponto de partida, mas o ponto de chegada para nós que possuímos fé, é a experiência luminosa da Páscoa e da Ressurreição.

O homem é apenas cinzas. É um pouco do pó da terra, não do que se orgulhar, uma vez mais, é bom repetir, basta uma pequenina pedrinha inoportuna, para enviá-lo prontamente ao outro mundo. E, no entanto, este homem, pó da terra colado a este planeta terra, deve ser preciosíssimo aos olhos de Deus, que por causa desde pozinho, Ele também se fez pozinho a fim de se assemelhar em tudo a cada um de nós e nos conduzir ao reino de sua bem-aventurança eterna.

Diz um Salmo caríssimos irmãos e irmãs, que a morte é o pastor que conduz cada ser mortal à sua última morada, o túmulo do cemitério. Mas neste dia, nós dizemos a cada homem e a cada mulher, que o Senhor é o pastor que nos conduz. O pastor que nos conduz não ao cemitério, mas o pastor que nos conduz para as relvas verdejantes e os prados eternos.

Basta que nesta Quaresma, que hoje se inicia, este pó da terra que sou eu, este pó da terra que é você, se deixe modelar nas mãos do grande oleiro que é o Senhor de todos nós. Sim, Ele é capaz de transformar este pó da terra numa pedra preciosa para si. Ele é capaz de transformar este pó da terra num diamante, que vale a pena conservar por toda a eternidade.

Assim é o homem caríssimos irmãos, grande e pequeno, fraco e poderoso, numa palavra pecador e um pequeno Deus. Deixemo-nos tocar por Deus neste tempo que nada tem de tristeza. Deixemo-nos tocar neste tempo que é sim, uma primavera do espírito. Nós sabemos que os muçulmanos se alegram durante alguns dias de seu Hamadam, e realizam uma grande festa a seu término.

A Quaresma caríssimos irmãos, tem uma certa analogia distante com Hamadam dos muçulmanos. Entremos neste tempo com o coração alegre, porque Deus esta presente de maneira especial na vida de cada uma de nós. Sim, Ele deseja modelar-nos para que nós nos contemplemos numa nova luz, diferentes de como éramos, bem mais atraentes, bem mais luminosos, bem mais alegres e perfeitos.

Todo alpinista, quando inicia o seu grande desafio, a escalada de uma montanha, não mede seus esforços. Ele prevê de certa maneira a alegria de chegar ao final da competição.

Nós também, ao final desta Quaresma, estaremos no topo daquela grande montanha quando contemplaremos Jesus transfigurado e ressuscitado na glória que Deus lhe reservou.

E contemplaremos também, com os olhos da esperança, a glória que está reservada a todos aqueles que caminham hoje, com Cristo, na direção do calvário. Olhos fixos, porém no dia da sua própria ressurreição.

 

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

CONVERSÃO E PENITÊNCIA
– Fomentar a conversão do coração, especialmente durante este tempo.
– Obras de penitência: o jejum, a mortificação, a esmola…
– A Quaresma, um tempo para nos aproximarmos mais de Deus.

I. COMEÇA A QUARESMA, tempo de penitência e de renovação interior para prepararmos a Páscoa do Senhor1. A liturgia da Igreja convida-nos com insistência a purificar a nossa alma e a recomeçar novamente. Diz o Senhor Todo-Poderoso: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração, com jejum, lágrimas e gemidos de luto. Rasgai os vossos corações, não as vossas vestes; convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque ele é compassivo e misericordioso…2, lemos na primeira leitura da Missa de hoje. E quando o sacerdote impuser as cinzas sobre as nossas cabeças, recordar-nos-á as palavras do Gênesis, depois do pecado original: “Memento homo, quia pulvis es…” Lembra-te, ó homem, de que és pó e em pó te hás de tornar3. “Memento homo…” Lembra-te… E, não obstante, às vezes esquecemos que sem o Senhor não somos nada. “Sem Deus, nada resta da grandeza do homem senão este montinho de pó sobre um prato, numa ponta do altar, nesta Quarta-feira de Cinzas, com o qual a Igreja nos deposita na testa como que a nossa própria substância”4. O Senhor quer que nos desapeguemos das coisas da terra para que possamos dirigir-nos a Ele, e que nos afastemos do pecado, que envelhece e mata, e retornemos à fonte da Vida e da alegria: “O próprio Jesus Cristo é a graça mais sublime de toda a Quaresma. É Ele quem se apresenta diante de nós na simplicidade admirável do Evangelho”5. Dirigir o coração a Deus, converter-se, significa estarmos dispostos a empregar todos os meios para viver como Ele espera que vivamos, a não tentar servir a dois senhores6, a afastar da vida qualquer pecado deliberado. Jesus procura em nós um coração contrito, conhecedor das suas faltas e pecados e disposto a eliminá-los. Então lembrar-vos-eis do vosso proceder perverso e dos vossos dias que não foram bons…7. O Senhor deseja uma dor sincera dos pecados, que se manifestará antes de mais nada na Confissão sacramental: “Converter-se quer dizer para nós procurar novamente o perdão e a força de Deus no sacramento da reconciliação e assim recomeçar sempre, avançar diariamente”8. Para fomentar em nós a contrição, a liturgia de hoje propõe-nos o salmo com que o rei David manifestou o seu arrependimento, o mesmo com que tantos santos suplicaram o perdão de Deus. Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E, segundo a imensidão da vossa misericórdia, apagai a minha iniqüidade, dizemos a Jesus com o profeta real. Lavai-me totalmente da minha falta e purificai-me do meu pecado. Eu reconheço a minha iniqüidade e tenho sempre diante de mim o meu pecado. Somente contra Vós pequei. Ó meu Deus, criai em mim um coração puro e renovai-me o espírito de firmeza. Não me expulseis para longe do vosso rosto, não me priveis do vosso santo espírito. Restituí-me a alegria da salvação e sustentai-me com uma vontade generosa. Senhor, abri os meus lábios a fim de que a minha boca anuncie os vossos louvores9. O Senhor nos atenderá se no dia de hoje repetirmos de todo o coração, como uma jaculatória:Ó meu Deus, criai em mim um coração puro e renovai-me o espírito de firmeza.

II. O SENHOR também nos pede hoje um sacrifício um pouco especial: a abstinência e, além dela, o jejum, pois o jejum “fortifica o espírito, mortificando a carne e a sua sensualidade; eleva a alma a Deus; abate a concupiscência, dando forças para vencer e amortecer as suas paixões, e prepara o coração para que não procure outra coisa senão agradar a Deus em tudo”10. Além destas manifestações de penitência (a abstinência de carne a partir dos 14 anos e o jejum entre os 18 e os 59 completos), que nos aproximam do Senhor e dão à alma uma alegria especial, a Igreja pede-nos também que pratiquemos a esmola que, oferecida com um coração misericordioso, deseja levar um pouco de consolo aos que passam por privações ou contribuir conforme as possibilidades de cada um para uma obra apostólica em bem das almas. “Todos os cristãos podem praticar a esmola, não só os ricos e abastados, mas mesmo os de posição média e ainda os pobres; deste modo, embora sejam desiguais pela sua capacidade de dar esmola, são semelhantes no amor e afeto com que a praticam”11. O desprendimento das coisas materiais, a mortificação e a abstinência purificam os nossos pecados e ajudam-nos a encontrar o Senhor. Porque “quem procura a Deus querendo continuar com os seus gostos, procura-o de noite e, de noite, não o encontrará”12. A fonte desta mortificação está principalmente no trabalho diário: nos pormenores de ordem, na pontualidade com que começamos as nossas tarefas, na intensidade com que as realizamos; na convivência com os colegas, que nos deparará ocasiões de mortificar o nosso egoísmo e de contribuir para criar um clima mais agradável à nossa volta. “Mortificações que não mortifiquem os outros, que nos tornem mais delicados, mais compreensivos, mais abertos a todos. Não seremos mortificados se formos suscetíveis, se estivermos preocupados apenas com os nossos egoísmos, se esmagarmos os outros, se não nos soubermos privar do supérfluo e, às vezes, do necessário; se nos entristecermos quando as coisas não correm como tínhamos previsto. Pelo contrário, seremos mortificados se nos soubermos fazer tudo para todos, para salvar a todos (I Cor IX, 22)”13. Cada um de nós deve preparar um plano concreto de pequenos sacrifícios para oferecer ao Senhor diariamente nesta Quaresma.

III. NÃO PODEMOS DEIXAR passar este dia sem fomentar na alma um desejo profundo e eficaz de voltar uma vez mais para Deus, como o filho pródigo, a fim de estarmos mais perto dEle. São Paulo, na segunda leitura da Missa, diz que este é um tempo excelente que devemos aproveitar para nos convertermos: Nós vos exortamos a não receber a graça de Deus em vão […]. Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação14. E o Senhor nos repete a cada um, na intimidade do coração: Convertei-vos. Voltai-vos para mim de todo o coração. Abre-se agora um tempo em que este recomeçar em Cristo se irá apoiar numa particular graça de Deus, própria do tempo litúrgico que começamos. Por isso, a mensagem da Quaresma está repassada de alegria e de esperança, ainda que seja uma mensagem de penitência e mortificação. “Quando algum de nós reconhece estar triste, deve pensar: é que não estou suficientemente perto de Cristo. E o mesmo deve pensar quando reconhece em si uma clara tendência para o mau humor, para a irritação. E não deve pretender jogar a culpa nas coisas que tem à sua volta, pois seria um erro e uma maneira de se desorientar na procura da causa dos seus estados de ânimo”15. Às vezes, certa apatia ou tristeza espiritual pode ser motivada pelo cansaço, pela doença…, mas com muito mais freqüência procede da falta de generosidade em corresponder ao que o Senhor nos pede, do pouco esforço em mortificar os sentidos, da falta de preocupação pelos outros. Em resumo, de um estado de tibieza. Em Cristo encontramos sempre o remédio para uma possível tibieza e as forças para vencer defeitos que de outro modo seriam insuperáveis. Quando alguém diz: “Sou irremediavelmente preguiçoso, não sou tenaz, não consigo terminar as coisas que começo, deveria pensar (hoje): Não estou tão perto de Cristo como deveria. “Por isso, aquilo que cada um de nós possa reconhecer na sua vida como defeito, como doença, deveria ser imediatamente referido a este exame íntimo e direto: Não sou perseverante? Não estou perto de Cristo. Não sinto alegria? Não estou perto de Cristo. Vou deixar de pensar que a culpa é do trabalho, que a culpa é da família, dos pais ou dos filhos… Não. A culpa íntima é do fato de eu não estar perto de Cristo. E Cristo me está dizendo: Volta. Voltai-vos para mim de todo o coração. “[…] Tempo para que cada um se sinta urgido por Jesus Cristo. Para que os que alguma vez se sentiram inclinados a adiar esta decisão saibam que chegou o momento. Para que os que estão dominados pelo pessimismo, pensando que os seus defeitos não têm remédio, saibam que chegou o momento. Começa a Quaresma; vamos encará-la como um tempo de mudança e de esperança”16.

(1) Cfr. Conc. Vat. II, Const. Sacrossanctum Concilium, 109; (2) Joel 2, 12; (3) Gên 3, 19; (4) J. Leclercq, Siguiendo el año litúrgico, Madrid, 1957, pág. 117; (5) João Paulo II, Homilia da Quarta-feira de Cinzas, 28-II-1979; (6) cfr. Mt 6, 24; (7) Ez 36, 31-32; (8) João Paulo II, Carta Novo incipiente, 8-IV-1979; (9) Sl 50, 3-6.12-14.17; (10) São Francisco de Sales, Sermão sobre o jejum; (11) São Leão Magno,Liturgia das Horas. Segunda leitura da quinta-feira depois das Cinzas; (12) São João da Cruz, Cântico espiritual, 3, 3; (13) Josemaría Escrivá,É Cristo que passa, 3ª ed., Quadrante, São Paulo, n. 9; (14) 2 Cor 5, 20;Segunda leitura da Missa da Quarta-feira de Cinzas; (15) A. M. García Dorronsoro, Tiempo para creer, pág. 118; (16) ib.

 

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Hoje iniciamos a caminhada espiritual que nos conduzirá à festa anual da Páscoa: os cristãos professam a fé em Jesus Cristo que por nós morreu e ressuscitou. É cheio de simbolismo o rito das cinzas. Já era uma forma de penitência muito usada no Povo da Antiga Aliança. É curioso saber que as cinzas que hoje impomos sobre a cabeça, são provenientes dos ramos utilizados no Domingo da Paixão, do ano passado, lembrando a glória de Jesus entrando triunfalmente em Jerusalém. A Liturgia faz-nos um forte apelo! «Arrependei-vos e acreditai no Evangelho!» ou ainda «lembra-te que és pó e ao pó da terra hás de voltar.» As cinzas fazem-nos pensar na caducidade da nossa vida terrena. As cinzas fazem-nos pensar que precisamos de nos arrepender dos nossos pecados.

Esmola, oração, jejum
«Quando deres esmola!»
A nossa sociedade dá muito apreço a certos valores, como por exemplo, a solidariedade. Nas grandes catástrofes, as pessoas gostam de socorrer os habitantes das áreas afetadas. Mas há outros gestos de amor fraterno mais escondidos e que espiritualmente têm um valor evangélico elogiado por Jesus. As obras de misericórdia fazem parte do caminho de perfeição indicado por Jesus nas bem-aventuranças! Não socorremos os pobres para que o mundo nos estime e elogie publicamente, mas porque pela fé reconhecemos nos irmãos o próprio Deus. «O Pai vê o que fazemos no segredo e recompensará a nossa generosidade!»

«Quando rezardes»
A oração é a força que vence a Deus. Jesus também orou. O Evangelho mostra-nos muitas vezes Jesus orando no silêncio da noite, na solidão do deserto. Somos convidados a uma oração humilde, confiante, mais intensa. A nossa intimidade com Deus é favorecida pelo silêncio, pela privacidade. «Entra no teu quarto, fecha a porta e Deus Pai te dará a recompensa.»

«Quando jejuardes»
O jejum é uma terapia e uma fonte de cura. Espiritualmente a força do jejum é descrita pela Bíblia. Lembremos a grande cidade de Nínive, que Deus não destruiu, porque os seus habitantes jejuaram! Jesus também jejuou, santificando deste modo a nossa observância quaresmal. Também neste caso, nada de ostentação exterior! «Não desfigurar o rosto! Não apresentar um ar sombrio!» Pelo contrário, «perfuma a cabeça! O Pai sabe tudo e dar-te-á a recompensa!»

Alegria, irmãos! Pratiquemos jubilosamente estes três meios de penitência que o Evangelho ensina!
Resgatemos os nossos pecados com obras de misericórdia!
Rezemos por toda a humanidade!
Perfumemos a vida espiritual com a virtude da temperança!
Resumindo: reparte pelos pobres a tua renúncia quaresmal e Deus Pai te recompensará na Ressurreição dos justos!

Fala o Santo Padre
«Se a carne tem como destino o pó, o espírito é feito para a imortalidade.»
1. «Tocai a trombeta em Sião, ordenai um jejum. Convocai a assembleia, reuni o povo. Determinai uma santa assembleia» (Jl 2, 15-16).
Estas palavras do profeta Joel esclarecem a dimensão comunitária da penitência. Sem dúvida, o arrependimento não pode partir senão do coração que, segundo a antropologia bíblica, é a sede das profundas intenções do homem. Porém, os atos penitenciais devem ser vividos também juntamente com os membros da comunidade.
Especialmente nos momentos difíceis, a seguir a uma desventura ou a um perigo, a Palavra de Deus, pela boca dos profetas, costumava convocar os fiéis para uma mobilização penitencial: todos estão convocados, sem qualquer exceção, desde os idosos até às crianças; todos unidos, para implorar de Deus a misericórdia e o perdão (cf. Jl 2, 16-18).
2. A Comunidade cristã escuta este forte convite à conversão, no momento em que se prepara para empreender o itinerário quaresmal, que começa com o antigo rito da imposição das cinzas.
Sem dúvida este gesto, que alguns poderiam considerar de outros tempos, está em contraste com a mentalidade do homem moderno, mas isto leva-nos a aprofundar o seu sentido, descobrindo a sua singular força de impacto.
Impondo as cinzas sobre a cabeça dos fiéis, o celebrante repete: «Recorda-te que tu és pó, e em pó te hás de tornar». Voltar a ser pó é a sorte que, aparentemente, irmana homens e animais. Porém, o ser humano não é apenas carne, mas também espírito; se a carne tem como destino o pó, o espírito é feito para a imortalidade. Além disso, o crente sabe que Cristo ressuscitou, derrotando a morte também no seu corpo. Ele caminha na esperança, rumo a esta perspectiva.
3. Portanto, receber as cinzas sobre a cabeça significa reconhecer-se como criatura, feita de terra e destinada para a terra (cf. Gn 3, 19); significa, ao mesmo tempo, proclamar-se pecador, necessitado do perdão de Deus, para poder dar nova vida à esperança do encontro definitivo com Cristo, na glória e na paz do Céu.
Esta perspectiva de alegria compromete os cristãos a fazer todo o possível para antecipar no tempo presente um pouco da paz futura. Isto pressupõe a purificação do coração e o fortalecimento da comunhão com Deus e os irmãos. Esta é a finalidade da oração e do jejum para os quais, diante das ameaças da guerra que incumbem sobre o mundo, convidei os fiéis. Com a oração, pomo-nos totalmente nas mãos de Deus e somente dele esperamos a paz autêntica. Com o jejum, preparamos o coração para receber do Senhor a paz, dom por excelência e sinal privilegiado da vinda do seu Reino.
4. Porém, a oração e o jejum devem ser acompanhados de obras de justiça; a conversão deve traduzir-se em acolhimento e solidariedade. A este propósito, o antigo Profeta admoesta: «O jejum que aprecio é este (…): abrir as prisões injustas, desatar os nós do jugo, deixar ir livres os oprimidos, quebrar toda a espécie de jugo» (Is 58, 6).
Não haverá paz na terra, enquanto perdurarem as opressões dos povos, as injustiças sociais e os desequilíbrios econômicos ainda hoje existentes. Mas para as grandes e desejáveis mudanças estruturais, não são suficientes iniciativas e intervenções exteriores; exige-se sobretudo a conversão do coração de todos ao amor.
5. «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração» (Jl 2, 12). Poderíamos dizer que a mensagem da celebração de hoje se concentra nesta profunda exortação de Deus à conversão do coração.
Este convite é repetido pelo apóstolo Paulo, na segunda Leitura: «Suplicamo-vos, pois, em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus… Este é o tempo favorável; este é o dia da salvação» (2 Cor 5, 20; 6, 2).
Caros Irmãos e Irmãs, eis o momento favorável para revermos a nossa atitude em relação a Deus e aos irmãos. Eis o dia da salvação, em que devemos examinar profundamente os critérios que nos orientam na nossa conduta quotidiana.
Senhor, ajudai-nos a voltar com todo o nosso coração para Vós, Caminho que conduz para a salvação, Verdade que liberta e Vida que não conhece a morte.
João Paulo II, Roma, 5 de Março de 2003

 

QUARTA-FEIRA DE CINZAS – Ano B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG.

“Ó Deus, vós tendes compaixão de todos e nada do que criastes desprezais: perdoais nossos pecados pela penitência porque sois o Senhor nosso Deus” (Sb 11, 24s.27).

Iniciamos com a Quarta-Feira de Cinzas um tempo muito especial na vida da Igreja Católica. A Igreja quer santificar o tempo e neste sentido nos convida a viver um momento de retiro espiritual: a SANTA QUARESMA. Na Santa Quaresma tudo nos leva a pensar no tripé de conduta de vida: a penitência, percorrendo estes quarenta dias preparando-nos para a Páscoa, quando então celebraremos o mistério da morte e ressurreição de Nosso Senhor, centro da nossa fé, dedicando maior atenção para a ORAÇÃO, AO JEJUM e à RECONCILIAÇÃO com Deus e com os nossos semelhantes.

Meus irmãos,
As cinzas que serão impostas no dia de hoje são o principal símbolo litúrgico do início da Santa Quaresma, tanto que dão o nome ao dia e ao sagrado ofício litúrgico. As cinzas representam a pequenez do homem. Abraão ao falar com o Senhor, no Antigo Testamento, intercedendo por Sodoma, considera-se uma nulidade diante de Deus e, por isso mesmo, considera uma ousadia fazer um pedido: “Sou bem atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gn 18,27). Por isso, ao recebermos as cinzas na Liturgia hodierna vamos pensar em duas atitudes fundamentais da vida cristã: ARREPENDIMENTO e PENITÊNCIA, PURIFICAÇÃO e RESSURREIÇÃO. Receber as cinzas é um compromisso de conversão: o abandono do pecado, de penitência pública, pedindo perdão a Deus pelos nossos pecados, purificando de nossas faltas e ressurgindo para uma vida nova, a vida da graça e da amizade com Deus, para viver nos quarenta dias do tempo quaresmal uma permanente e contínua vontade de retorno à vida da graça e mudança de vida, atendendo a própria oração de imposição de cinzas: “Convertei-vos e credes no Evangelho”.

Irmãos caríssimos,
Quaresma é tempo de oração, de penitência, de jejum e de abstinência de carne, tudo isso em função de ser a morte e a ressurreição de Jesus o centro da celebração de nossa fé. Por isso, para fazer penitência e se converter, é preciso muita humildade, muita disposição de mudança e muita persistência. A penitência começa conosco mesmos, dentro de nossas pequenas e grandes limitações, procurando corrigir nossos desvios e pecados e buscando lucrar a graça santificante de Deus. O orgulhoso é incapaz de fazer penitência, pois ela pressupõe humildade, o reconhecimento da pequenez de nossa natureza humana diante do Criador, diante do próprio mistério da criação.

Irmãos e Irmãs,
A Sagrada Liturgia insiste na autenticidade da penitência: rasgar o coração, não apenas as vestes. “Agora – diz o Senhor -, voltai para mim com todo o vosso coração com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar do castigo” (Joel 2,12-13). Além disso, a Liturgia insiste no caráter interior do jejum, juntamente com as outras “boas obras”, a esmola e a oração. A Primeira Leitura de hoje é uma exortação à penitência, ao jejum e a súplica. Penitência significa volta para Deus, por isso nós somos convocados pelo escritor sagrado: “rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”(cf. Jl 2,13). Esta nota sagrada nos convida a entrar em espírito penitencial, de mudança de vida, de hábitos, para a procura da via ordinária da santidade. Na Segunda carta de São Paulo aos Coríntios(2Cor 5,20-6,2), o Apóstolo proclama o novo tempo de reconciliação com Deus, com vistas à iminência da Parusia: “Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5, 20b-21). São Paulo nos exorta a valorizar a reconciliação, aproveitando o sacramento da penitencia oferecido por Cristo, que assumiu o nosso pecado, e a não deixar passar a oportunidade, já que este é o tempo oportuno e favorável, para a mudança de vida e a busca do rosto de Deus.

Caros irmãos,
O Evangelho deste dia(Mt 6,1-6.16-18) nos apresenta a esmola, o jejum e a oração como o triple fundamental para se viver bem o tempo favorável da Quaresma. Jesus nos apresenta estas três boas obras, que devem ser feitas em seu valor intrínseco, que só Deus vê, e não para serem vistos pelos homens e pelas mulheres. O verme da vaidade, que incita o orgulho e à hipocrisia, tira à justiça cristã da generosidade, da gratuidade, a sua pureza virginal que busca a Deus unicamente. O olhar do homem deturpa tudo o que toca; é de um ardil sutil e fatal; pode haver uma tendência a praticar a justiça “só para ser visto pelos homens”. As pessoas que fazem o pela de dar esmola, apenas para aparecer, que reza, que jejua, no palco de nossa ilimitada vaidade apenas e, secretamente não procura a justiça, mas ao egoísmo é réu da sua própria condenação. Jesus é claro no dia de hoje: o jejum, a esmola e a oração são agradáveis a Deus somente quando Ele vê: “Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”(cf. Mt 6,6)

Caros irmãos,
Na Quaresma somos chamados a contemplação do rosto do Senhor: rosto que na Quaresma se apresenta como “rosto sofredor”. Na Liturgia, nas Stationes quaresmais, e também na piedosa prática da Via Crucis, a oração contemplativa leva a unir-nos ao mistério d’Aquele que, mesmo não tendo conhecido o pecado, Deus identificou-O com o pecado em nosso favor (cf. 2 Cor 5, 21). Na escola dos Santos, cada batizado é chamado a seguir cada vez mais de perto Jesus que, subindo a Jerusalém e prevendo a sua paixão, confia aos discípulos: “Tenho de receber um batismo” (Lc 12, 50). O caminho quaresmal torna-se para nós, desta forma, seguimento dócil do Filho de Deus, que se fez Servo obediente. O caminho para o qual a Quaresma nos convida realiza-se, em primeiro lugar, na oração: as comunidades cristãs devem tornar-se, nestas semanas, autênticas “escolas de oração”. Depois, outro objetivo privilegiado é a aproximação dos fiéis ao Sacramento da reconciliação, para que cada um possa voltar a “descobrir Cristo como mysterium pietatis, no qual Deus nos mostra o seu coração compassivo e nos reconcilia plenamente Consigo” (Novo millennio ineunte, 37). A experiência da misericórdia de Deus, além disso, não pode deixar de suscitar o empenho da caridade, estimulando a comunidade cristã a “apostar na caridade” (cf. Novo millennio ineunte, IV). Na escola de Cristo, ela compreende melhor a exigente opção preferencial pelos pobres, opção que se for vivida “é dado testemunho do estilo do amor de Deus, da sua providência, da sua misericórdia” (ibid.).

Meus Irmãos,
A celebração de hoje tem outro significado muito importante: louvar e agradecer ao Senhor pela sua abundante misericórdia: “Lembra-te de que és pó e ao pó tornarás”. Perante a grandiosidade de Deus nós somos um “verme”, o menor, o mais ínfimo de todos os servidores. Por isso, Deus nos ama com profundidade e derrama sobre nós a sua misericórdia e a sua paz. Mesmo sendo pó, Deus sempre se lembrará de nós e cumprirá a Sua promessa de conceder o Reino das Bem-aventuranças. Fazer penitência não é ficar triste, mas, pelo contrário, é ficar alegre e feliz. “Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos” (Sl 50), rezamos no Salmo Responsorial desta celebração. É o canto da humildade clamando a misericórdia do Deus da Vida, sempre pronto a nos acolher, santos pela sua graça e pobres pecadores pelas nossas misérias, e nos coloca dentro da economia de sua Salvação. Nesse contexto de penitência e conversão, devemos perceber a misericórdia de Deus que confia com abundância na capacidade do homem de assimilar o Reino de Deus. Desta forma, a Liturgia de hoje nos ensina que penitência é um reflexo de reparação depois de uma falta. Sentimos a insuficiência do homem natural que somos. Tratamos de reparar isso, mas sabemos que o único que pode reparar mesmo é Deus. Por isso, a melhor penitência é: abrir espaço para Deus. Abrindo espaço para Deus, caminharemos quarenta dias, para vê-lo em toda a sua majestade, o SENHOR RESSUSCITADO QUE NA CRUZ MORREU PARA QUE RESSUSCITEMOS COM ELE. AMÉM!

 

ORAÇÃO QUARESMAL atribuída a Santo Agostinho

Senhor, na Vossa presença expomos as nossas faltas e simultaneamente as feridas que por causa delas recebemos. Se medirmos o mal que fizemos, é bem pouco o que sofremos e muito maior o que merecemos.

Mais grave o mal que cometemos, incomparavelmente inferior ao que suportamos. Sentimos que é dura a pena do pecado, mas depomos a obstinação de pecar. A nossa fraqueza geme esmagada sob o peso dos castigos com que nos punis justamente, e a nossa maldade não quer se desfazer dos seus caprichos.

O espírito anda atormentado, mas a cerviz não se verga. A nossa vida suspira no meio das dores e não nos corrigimos. Se contemporizardes conosco, não nos emendamos, e se tirais de nós vingança, gritamos que não podemos. Se nos castigais, sabemos declarar que somos réus, mas se afastais por um pouco a Vossa ira, esquecemos logo o que deploramos. Se levantardes a mão, logo prometemos a emenda, se retirais a espada, já nos esquecemos da promessa. Se nos feris, gritamos que nos perdoeis, se nos perdoais logo entramos de Vos provocar.

Aqui estamos Senhor, culpados que se confessam réus nesta Quaresma; não ignoramos que não nos perdoais, merecemos a morte. Pai onipotente, o que sem merecimento algum de nossa parte Vos pedimos, Vós que nos tirastes do nada. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

 

NORMAS PARA O JEJUM E A ABSTINÊNCIA
Publicada por Rafael Vitola Brodbeck

Chegou a Quaresma. Iniciamos o tempo forte da Igreja para combater, em nós, a influência do demônio, do mundo e da carne. E um dos métodos, que nos vem da Bíblia, e é atestado pela unânime tradição católica, é o jejum, em sentido amplo. Esse jejum abarca o jejum em sentido estrito, e as várias formas de abstinência.

Para melhor realizarmos o propósito que o Senhor tem para as nossas almas, a Igreja dá normas simples e mínimas para que os fiéis iniciemos a luta espiritual.

Conforme o Código de 1983, eis as normas:

Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (embora, pela tradição, se possa beber algo sem açúcar). Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.

Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seu caldo de carne. Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.

Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Sextas-feiras das Têmporas: jejum e abstinência recomendados.

Dias assinalados pelo calendário antigo como Quartas-feiras das Têmporas e Sábados das Têmporas: jejum e abstinência parcial recomendados.

Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades: abstinência obrigatória, mas não o jejum. Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).

 

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/lent/documents/papa-francesco_20171101_messaggio-quaresima2018.html

«Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24, 12)

Amados irmãos e irmãs!

Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão»,[1] que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.

Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).

Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.

Os falsos profetas

Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?

Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!

Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.

Um coração frio

Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo;[2] habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?

O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n’Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos.[3] Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.

A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.

E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.[4]

Que fazer?

Se porventura detetamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.

Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos,[5] para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.

A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?[6]

Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.

Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!

O fogo da Páscoa

Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.

Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.

Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito»,[7] para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.

Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.

Vaticano, 1 de Novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos

Francisco

[1] Missal Romano, I Domingo da Quaresma, Oração Coleta.

[2] «Imperador do reino em dor tamanho / saía a meio peito ao gelo baço» (Inferno XXXIV, 28-29).

[3] «É curioso, mas muitas vezes temos medo da consolação, medo de ser consolados. Aliás, sentimo-nos mais seguros na tristeza e na desolação. Sabeis porquê? Porque, na tristeza, quase nos sentimos protagonistas; enquanto, na consolação, o protagonista é o Espírito Santo» (Angelus, 7/XII/2014).

[4] Nn. 76-109.

[5] Cf. Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 33.

[6] Cf. Pio XII, Carta enc. Fidei donum, III.

[7] Missal Romano, Vigília Pascal, Lucernário.

Retiro de carnaval

Sex

LEVE UMA VIDA SANTA
Padre José Augusto

Quero lhes fazer um pedido: sejam santos, lutem pela santidade. A única coisa que Deus quer de nós é a santidade, pois é por meio dela que estaremos com Ele na eternidade. Não tenham vergonha de Jesus Cristo, porque se isso ocorrer, o Senhor também terá vergonha de você. Não há motivos para termos vergonha de Cristo. É ilógico termos vergonha de quem que deu a vida por nós! No dia a dia, numa conversa na faculdade, não tenha vergonha de se dizer cristão, de dizer que vai à Missa, que participa de grupos de jovens. Estamos numa sociedade secularizada que está se esquecendo de Jesus Cristo, pois os filmes, as novelas, os jornais e livros não falam mais do Senhor. A intenção é abafar, fazer com que o nome de Cristo seja esquecido totalmente. Mas se, junto dessa sociedade, nós também nos calarmos, ficarmos frios e nos esquivarmos do Senhor, Deus realmente será esquecido. Daí, eu lhes pergunto: “Quem irá nos salvar?”.
A segunda condição para você ser santo é amar mais o céu do que a terra. Nós estamos no mundo, mas precisamos saber que Jesus veio do céu. Nós fomos criados do nada, depois gerados no ventre de nossa mãe. No entanto, agora estamos caminhando em direção ao céu. Nós estamos neste mundo apenas de passagem. Quando vocês passarem a amar mais o céu, serão mais santos. Desejem ter uma vida santa para um dia estarem com Deus. Aspirem a eternidade. O Evangelho de hoje nos diz: “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perde a própria vida?” (Marcos 8, 36). Amar a Deus sobre todas as coisas, ser somente d’Ele, fazer tudo por Ele; tudo por Jesus. Não estou falando de uma fantasia, de um super-herói, mas de uma realidade, que é Jesus Cristo, pois Ele morreu por nós, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e está sentado ao lado do Pai. Essa é a minha fé, essa é a fé da Igreja. Esse é o grito que a humanidade precisa ouvir. No entanto, querem abafá-la de nós, mas isso não irá acontecer, porque somos de Cristo. No Evangelho, Jesus diz: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Marcos 8, 34).
Você, que é seguidor de Nosso Senhor, o que Ele tem lhe pedido para renunciar? Estou junto com você nesse processo de renúncia. Eu não nego que sou seguidor de Jesus; há 26 anos eu O sigo, mas ainda há muita coisa que eu preciso abdicar. Há coisas neste mundo que não são fáceis de serem renunciadas. Não pensem que isso é feito num piscar de olhos. Se você sabe disso, empenhe-se cem vezes mais do que já tem feito, pois pode ser isso que o impeça de entrar no céu. Peça ao Senhor que lhe dê força, que lhe dê a graça de ser melhor cada vez mais. Precisamos ser melhores. Rezem pelo amor de Deus, rezem por vocês. Uma vida santa é um contínuo questionamento para sabermos quem somos. “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Romanos 12, 2). Neste mundo secularizado, procure ver o que é bom e o que agrada a Deus. O Evangelho é Palavra de salvação, por isso precisa ser pronunciado.

 

Sab

É PRECISO VIVER NA VONTADE DE DEUS
Padre Roger Luís

Deus nos convida neste carnaval para nos retirarmos para Ele revelar Sua vontade para a nossa vida. O apóstolo Paulo diz que Deus preparou para aqueles que O ama, nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem ninguém sentiu. Escolher passar o carnaval na Canção Nova é prova de amor, Deus reservou graças para você neste carnaval. Às vezes ficamos esperando e não damos nenhum passo para nossa felicidade.
“Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” “E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos. Os três discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que antes deve vir Elias?” Jesus respondeu: “De fato, antes vem Elias, para pôr tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, que o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado? Eu, porém, vos digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele”.
Ser discípulo de quem faz milagre é fácil, mas é difícil ser discípulo daquele que vai até a cruz, e que nos promete a cruz em nossas vidas. Deus coloca os discípulos no Monte Tabor eles experimentarem um pouco do céu. A Canção Nova tem tentado ser um Monte Tabor para que quando descermos para a nossa realidade, lembremos que existe um céu e que vale a pena perseverar. Não desista quando a cruz pesar, lembre que vale a pena deixar a droga, vale a pena renunciar o sexo antes do casamento. Tudo isso vale a pena por causa do céu. Que nos momentos da cruz em nossa vida, lembremos que há um céu para nós. Você é convidado fazer a vontade de Deus, estar na vontade de Deus nos realiza até na dor.

 

UM CORAÇÃO PURO E DECIDIDO
Dunga

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, renova em mim um espírito resoluto” (Salmo 51,12). Buscar a Deus já é uma tremenda decisão da parte de cada um de nós. Muitos vem até a Canção Nova motivados por amigos, ou por diversos problemas na sua vida, são muitas motivações que te trouxeram aqui neste retiro, mas tenha a certeza absoluta que Deus está olhando para você sorrindo, Ele está feliz em te ver aqui, por você ter optado por estar aqui e rezar. Quem toma uma decisão está praticamente resolvendo um problema, e quem demora muito para tomar uma decisão, está praticamente arrumando um problema.
Lembra da Palavra: “se fôsseis morno Deus te vomitaria?” – o morno cria problema para si próprio. Ele vai retardando a decisão. Quem dá vida a minha alma é o Espírito, isso diz o salmista, renova em mim um espírito resoluto, uma alma decidida, pura, resoluta, com personalidade.
Você diz assim: “eu resolvo amanhã”, mas o amanhã não existe, o único dia que existe é o hoje. Para se fazer o papel, a matéria prima é o eucalipto, que passa por todo um processo até se tornar branco. Se nós comparássemos este processo com cada um de nós, iríamos perceber como Deus tem trabalhado em nós com sua misericórdia infinita. Muitas vezes no auge do nosso pecado, ficamos cansados, porque o pecado nos cansa, até o prazer do corpo tem fim, mesmo o prazer da comida dura rápido, o corpo não aguenta tanto tempo no pecado. Você não pode dormir mais de 8 horas, que seu corpo já começa a reclamar, você começa a ter dores no corpo, dores de cabeça. Se o processo da madeira para fazer o papel é duro, para que se torne um papel branco, imagine cumprir esta palavra: ”criai em mim um coração puro”, pensa no trabalho de Deus para tornar este coração puro, vai dar trabalho, é isso mesmo que você quer ?
A cada passo que você dá em direção a Deus, as impurezas do seu coração vão saindo. Aquele pensamento em que você se deleitava nele, hoje você pede a Deus que ele saia. Você pediu um coração puro e você o terá, você verá que seus atos vão mudar, a natureza vai continuar a pedir para atender os desejos da carne, mas o seu interior vai querer viver na santidade. Como foi difícil você chegar até aqui arrastando estas tralhas que você trouxe, eu não sei o que é, pode ser o homem velho, o pecado, seus problemas. É muito esforço que você está fazendo de carregar tudo isso, eu nem desconfio que peso é esse que você carrega, mas o Espírito Santo já está trabalhando em você. Você precisa cortar a corda que está te amarrando em todo este peso, você precisa tomar esta decisão. Você não pode viver de ressentimento, viver de novo aqueles sentimentos que tanto te fizeram mal, isso vai acabando com você. Você vai ao médico e não encontra nada em você, mas você está sofrendo por causa do seu desejo de vingança, do seu ressentimento. Você se confessou, mas você não assumiu que Deus já te perdoou. A decisão que você está tomando de vir para cá é fácil, mas a decisão de cortar tudo aquilo que te prende é muito mais difícil.
Quando você tomar a decisão, você entrará num novo tempo, você vai ver a graça de Deus acontecer na sua vida. Jesus na Palavra se encontrou com aqueles dez leprosos, e você pode considerar que aqueles dez leprosos é a sua casa, aqueles que moram com você. Jesus os ouvia gritar: ”Jesus, mestre tem compaixão de nós”. A sua casa precisa gritar essa frase. Jesus não curou os leprosos imediatamente, mas Ele disse para os leprosos se apresentarem ao sacerdote, e no caminho a cada passo as feridas iam embora e eles iam vendo um no outro a cura realizada por Jesus. Você eu temos uma vida inteira para vermos um no outro a cura de Deus nos irmãos, nos da nossa casa.

 

LIBERTOS DAS AMARRADAS DO PASSADO
Márcio Mendes

Você é um homem de Deus, você é uma mulher de Deus. Quando estamos em Deus queremos descobrir o que Deus tem para nós. Se você busca a Deus, você nunca ficará perdido. Você pode dizer que houve momentos na sua vida que você ficou perdido, mas Deus te encontrou.
“Desde o princípio Deus criou o ser humano e o entregou às mãos do seu arbítrio, * { e o deixou em poder da sua concupiscência. }15.Acrescentou-lhe seus mandamentos e preceitos e a inteligência, para fazer o que lhe é agradável.16.Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás.17.Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão.18.Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir.19.A Sabedoria do Senhor é imensa, Ele é forte e poderoso e tudo vê * { continuamente. }20.Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem; Ele conhece todas as obras do ser humano.21.Não mandou ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença para pecar” (Eclesiástico 15, 14-21).
Toda transformação na vida da gente tem que partir da verdade. A verdade é o ponto de partida para a transformação, para a vida nova. Quando você busca o Senhor Ele ilumina seu caminho, e a sabedoria passa a te visitar de maneira nova. Quem busca o Senhor nunca fica perdido, Deus mostra por onde caminhar. Existe um caminho infalível para a felicidade. Quando a pessoa coloca em prática a Palavra de Deus, a pessoa é resguardada pela Palavra. O caminho infalível para a felicidade, é colocar em prática a Palavra de Deus. Não adianta saber, é preciso querer fazer a coisa certa. A pergunta que deve acompanhar você que veio até aqui é: “Estou fazendo a coisa certa? Nesta minha vida tão curta eu estou sendo agradável àquele que me criou?” Peça a Deus o que você quiser, mas saiba que quem manda na sua vida é Deus, pelo contrário, você será o deus e não Ele. É Deus quem governa a nossa vida, basta nos lembrarmos disso para que nossos fardos se tornem mais leves. Você já parou para pensar que talvez você seja o grande meio para salvar as pessoas que convivem com você? É nossa missão.
Imagine se você estivesse nesse mundo só para se realizar e ser feliz, sua vida seria um fracasso. Quanta coisa difícil você já experimentou e teve que superar, quem quer só se realizar, diminui muito o que é a vida. Os grandes homens descobriram que o sentido da vida é servir a Deus e por causa de Deus servir aos outros. Quantas pessoas você conhece que se tornaram infelizes porque a vida delas era se preocupar consigo. Quanta gente você conhece que se tornaram infelizes porque se fecharam em seu passado, vivem dos restos que não voltam mais, estão presas nas lembranças e não conseguem avançar. São João da Cruz diz: “não importa se o passarinho está amarrado com uma corrente de aço ou um barbante, ele nunca vai voar”. Essas coisas que no seu passado foram românticas e bonitas, e quando você se lembra te prende ao passado, não irão voltar. Às vezes as pessoas fazem de tudo para avançar, mas a vida delas não deslancha. Por que é que não deslancha? Porque o coração está amarrado a um fato que ela não se liberta, não avança.
Você precisa se desamarrar do passado que te prende na tristeza. Deus não te fez triste, a tua tristeza não é agradável a Deus. Existe um remédio para a tristeza, ela precisa ser lavada com o perdão. Você não é, nunca foi e nunca será uma pessoa triste porque Deus não te fez triste, você pode está triste, mas se você lavar o seu passado com o perdão você ficará livre da tristeza. Você não pode deixar que a paixão vivida no passado te impeça de viver um novo amor. Quantas mulheres não se realizaram afetivamente porque ficaram presas a um amor ilusório. Quantos homens casaram com uma mulher, com o coração preso a outra; não deixe que uma paixão do passado continue destruindo seu relacionamento.

 

O DESEJO DE SER FELIZ
Adriano Gonçalves

Estou muito feliz de está aqui, e mais feliz ainda de saber que você escolheu nestes dias de carnaval viver uma experiência com Deus. Tenho certeza que estes dias serão dias de felicidades. Quero convidar vocês a tirarem uma foto da pessoa que está do seu lado, para registrar este momento de felicidade. A sua alegria aqui é grande, mas será maior ainda quando vocês voltarem para casa, porque estes dias vocês terá um tratamento de “beleza” com Jesus, pois tenho certeza todos viverão uma experiência com Jesus. Porém, a maior felicidade deste mundo, ainda não se pode comparar com a alegria que nos espera no céu. O que poderia fazer você mais feliz? Ganhar na loteria? Perder alguns quilos? Encontrar a pessoa amada e ouvir ela dizendo que te ama? Sinceramente você acha que tudo isso é capaz de lhe dar a felicidade?
Pesquisadores americanos da Universidade de Harvard, foram pesquisar a razão da felicidade, e divulgaram o resultado no ano passado, descobriram que a felicidade não está nas coisas, conquistas, mas sim dentro do coração. E para alcançá-la são necessários dois pontos: Fortes laços afetivos, e um sentido para a vida, ou seja, busca a Deus. Nos cristão já entendemos isso há muito tempo, Jesus nos ensinou dois mandamentos que resumem toda a pesquisa dos cientistas, a ordem de amar a Deus e ao próximo. Se vivemos isso, nós doando a Deus e aos outros, certamente seremos felizes. Recentemente li um testemunho de um homem que perdeu tudo na vida após um acidente, uma queda, ficou cego por alguns dias, mudou de profissão, foi abandonado por seus amigos, preso em virtude de suas novas ideias e valores, apanhou muito, como se não bastasse o navio no qual ele viajava afundou, mas suportou tudo isso com alegria, e na cadeia escreveu uma carta aos seus amigos, dizendo o seguinte: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças”. Este homem foi São Paulo, a carta se encontra em Filipenses 4, 4-6.
O Apóstolo Paulo, mesmo em meio a muitos sofrimentos descobriu o segredo da felicidade na alegria de servir ao Senhor. Meus irmãos, é a busca pela felicidade que move o mundo, as indústrias já descobriram que o homem deseja incansavelmente ser feliz, por isso querem colocar nos produtos, nas coisas a felicidade, porém ela está dentro de nós, de forma alguma podemos encontrá-la nas coisas, mas sim dentro do nosso coração. Quando buscamos a felicidade fora caímos em um abismo e jamais seremos saciados, por isso, não podemos projetar nossa capacidade de sermos felizes nas coisas. Basta olhar para galera que está no carnaval enchendo a cara, fantasiados, entendemos que eles estão buscando a felicidade nestas coisas, porém, estão jamais serão verdadeiramente saciados, procuram a felicidade fora de Deus, longe da voz do seu coração.
No carnaval cristão não há fantasias, máscaras, porque assumimos que somos filhos de Deus, e entendemos que nossa felicidade está nele, e o buscamos em sua morada dentro de nós. Meus irmãos, nestes dias iremos encontrar verdadeiramente nossa felicidade, pois em nosso coração pulsa está vontade, e aqui, independente de tudo o que vivemos até agora, inclusive nossos pecados, hoje Deus nos dá uma oportunidade única, no lugar certo, nos dias certos, para encontramos a felicidade que tem um nome: Jesus!
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 33 nos ensina que o desejo de felicidade foi colocado pelo próprio Deus no coração do homem. Esta felicidade ela tem um nome, tem um rosto, Jesus de Nazaré, conforme afirmou Papa Bento XVI. Meus irmãos agora é o momento de ser feliz, você nasceu para ser feliz, neste carnaval, o maior evento é você, seu encontro com a verdadeira felicidade, Jesus. Por isso lhe convido a dá uma chance a Ele, e certamente Jesus te encontrará, e você será feliz. Porém, você é livre, há em suas mãos está bela oportunidade de ser feliz. Tenho certeza que a alegria fruto do Espírito Santo vai te envolver nestes dias, e assim você produzira sementes para a eternidade. Saiba que a força do Senhor é a nossa alegria, Ele mesmo promete a plenitude da alegria.
Você nasceu para ter um sorriso largo, uma felicidade do céu, pois a força do Senhor é a sua alegria. Então lhe digo coragem, assuma o Senhor em sua vida hoje, pois Ele quer lhe dá a felicidade verdadeira. Assim, não nos resta outra coisa a não ser cantarmos a música: Santos ou Nada! Cantemos com todo o nosso coração desejando a santidade, na alegria, na certeza que Ele não nos tira nada, nos dá tudo, que é a verdadeira felicidade. Ou Santos ou Nada! Santos queremos ser!

 

Dom

ADESÃO A FILIAÇÃO DIVINA
Padre Fabrício Andrade

É Deus que confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo. A liturgia de hoje nos convida a tomarmos uma decisão, a configurar a nossa vida com a de Cristo Jesus, para assim, testemunhá-lo com autenticidade. Adesão é consentir, tomar parte, é Deus quem nos confirma, em nossa adesão e ela requer uma mudança de vida. Porque, quando tomamos uma decisão, esta vai configurando nossa vida! Hoje é dia de decisão. Precisamos dar uma resposta a Deus.
As leituras de hoje, Deus mesmo vem nos advertir: Pare de ficar lembrando das coisas do passado, Deus hoje quer atualizar em você a sua filiação divina (Isaías 43, 25): Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados”. Deus que tomou a iniciativa de escolher você, Ele é sempre fiel. E quantas e quantas vezes nós vacilamos em nossa fé e nos afastamos de Deus, e pouco a pouco fomos nos desconfigurando, paralisando no processo de conversão e espiritual. Hoje, precisamos fazer um exame de consciência, para tomarmos uma decisão madura.
O evangelho diz que hoje é o tempo favorável. Jesus estava cercado por uma multidão, e anunciava-lhes a Palavra de Deus, e é o que nós estamos experimentando nesse carnaval, uma grande multidão, onde o centro deste carnaval é Jesus Cristo. Levaram para Jesus um paralítico, carregado por quatro homens, vou parar por aqui, porque, esse é o detalhe mais importante deste evangelho, e muita gente deve ter perdido este detalhe. Por isso, eu quero chamar a sua atenção, porque muitas vezes o mundo não nos deixa entender as palavras escritas no evangelho, aqui no evangelho diz que havia quatro homens e um paralitico, e é isso que o mundo quer fazer conosco, nos rotular, veja, eram cinco homens, porque o paralítico era um homem, mas o que mais chamou a atenção deles foi o seu “rótulo” de paralítico… hoje o mundo quer nos rotular pelo nosso pecado, como por exemplo: a pessoa que roubou é um ladrão, a pessoa que matou alguém é um assassino, a pessoa que faz o uso de drogas é um drogado ou viciado.
Mas hoje Deus vem nos mostrar que o pecado e o erro não tem o poder de transformar a nossa identidade. O evangelista narra do começo ao fim esta passagem usando o rótulo daquele como um paralítico. Mas a principal característica deste evangelho foi o encontro do paralítico com Jesus. Jesus vê a fé daqueles homens, assim como também nós precisamos ter fé para ultrapassar as nossas paralisias, aqueles amigos do paralítico, não desistiram diante dos obstáculos, nem mesmo uma multidão, mas persistiram para levá-lo até Jesus. Veja, Jesus estava pregando em uma casa e de repente, o centro atenção daqueles que ali estavam, passa a ser o paralítico, onde muitas vezes em nossa vida colocamos no centro de nossa vida a nossa paralisia, diz o evangelista que Jesus fala com o paralítico, que neste texto todo era citado como paralítico, Jesus diz: “Filho, seus pecados estão perdoados”.
Jesus inicia um processo de cura daquele homem, através do resgate de sua identidade de filho de Deus. Quantas e quantas vezes rotulamos as pessoas, e esquecemos que por detrás dos rótulos existe uma pessoa. Jesus está nos ensinando a não olharmos para os rótulos, pecados e misérias das pessoas, mais nos incentiva a olhamos primeiramente para a pessoa.
Na segunda leitura (2Cor 1, 22)Deus mesmo nos fala: “Foi ele que nos marcou com o seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito derramado em nossos corações”. Ninguém tem a coragem de pedir perdão se não se reconhece como filho de Deus, mas quando nós nos esquecemos desta condição, de que fomos feito as imagem e semelhança de Deus, começa em nossa vida um verdadeiro baile de máscaras. O mundo quer que esqueçamos que somos filhos de Deus. O filho que esquece que tem Pai transforma a sua própria vida em baile a fantasia, quando eu esqueço que eu sou um filho de Deus eu me empresto, desgasto o meu corpo, o alugo o tempo inteiro para o pecado.
Todo pecado dos mais graves aos mais leves que seja, são precedidos pela falta da experiência de Deus. Quando nós perdemos a referência de Deus, perdemos tudo. Passamos querer naturalizar as nossas fantasias em realidade. Quando nós perdemos a referência de Deus, transforma mentira em verdade.
O que a liturgia está nos mostrando é que não podemos perder a nossa referência, somos filhos de Deus. Em Romanos 8, 19 diz: “De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; pois sua criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. O mundo está querendo mascarar os filhos de Deus, para que esta manifestação dos filhos de Deus não aconteça.
O carnaval do mundo nos fala que nos podemos ser o que queremos, podemos realizar as nossas fantasias, pois são só quatro dias, mas depois do carnaval nos tornamos um nada. O paralitico do evangelho de hoje entrou naquela casa como um nada, ele nem era contado com o número dos homens presentes, e saiu de lá como um filho de Deus. “Quem esquece que é filho de Deus se transforma num filho de qualquer uma”.
O evangelho começou com um paralítico, hoje somos nós estes paralíticos e estamos em muitos aqui, só que o centro da nossa atenção não é a nossa paralisia, e sim o ser filho de Deus, A filiação divina desmorona a nossa fantasia, E Jesus continua falar com o paralítico: “Levanta-te,” nesta ordem Jesus toca na realidade dele naquele momento, “toma a tua cama,” imagine o sofrimento daquele homem, quanto que ele sofreu naquela cama, e Jesus mandou ele tomar aquele cama, justamente para lembrá-lo do seu passado, da sua história, e como ele chegou diante de Jesus, mas a ultima ordem de Jesus é espetacular: “vai para tua casa!” e a mais bonita, porque Jesus não estava apenas curando aquele homem, Ele estava pensando na família e no futuro daquele homem, Quando um homem lembra que é um filho de Deus o mundo não consegue fantasiá-lo de outra coisa.
Hoje nós somos convidados a temos uma atitude, que ira mostrar a nossa adesão à filiação divina, vou-lhe fazer uma pergunta e a sua resposta precisa ser decisiva, a partir da liturgia de hoje, o que você é paralitico ou filho de Deus? Quando a proposta do pecado chegar até você, você também convidado a proclamar que você é filho de Deus!

 

A ESCOLHA ENTRE DUAS ESTRADAS
Ricardo Sá: Eu sei que Nossa Senhora está aqui para trabalhar em seu coração como você nunca tinha percebido. Nossa Senhora revelou para nós que precisamos fixar nossos olhos em Jesus. Sou eu quem escolho ter Jesus por perto, pois eu quero e eu acolho Jesus na minha vida. “Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão” (Eclesiástico 15, 17-16).
Eliana Sá: Durante a oração da manhã foi pedido para aqueles que não oravam em língua que levantassem o braço, Deus quer dar este dom a você hoje, Ele quer dar este dom que é o menor de todos, é com este auxílio do céu que vamos aprender a decidir entre o bem e o mau.
Ricardo: Queremos seguir em frente sabendo que precisamos escolher novamente a cada dia. As suas lágrimas vão te levar para o céu, suas dores, seus pés ensanguentados vão te levar para o céu. É preciso renunciar a si mesmo a cada dia. O que ninguém vê em você, mas que faz de você um cristão de verdade, tenha a certeza que Jesus vê.
Eliana: Não perca tempo com aquilo que é passageiro, não perca tempo com novelas. Eu me preocupo muito com o que as novelas fazem nas nossas famílias. Os cristãos não podem dar IBOPE para as novelas. As novelas podem ter bons atores, podem até parecer um cinema, mas só tem feito mau às nossas famílias. O bem e o mau estão a sua frente, só Deus te dá forças para escolher o bem. O que você tem escolhido? O caminho fácil ou o caminho estreito, cheio de espinhos e de pedras? Nós tropeçamos tentando acertar, e isso acontece mesmo, caímos por cima das pedras, dos espinhos, mas no final desta estrada, diz Santa Faustina, há um jardim de felicidades.

 

DECOLAR COM O AUXÍLIO DA GRAÇA
Padre Roger Luís

“Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse:26.“Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo.27.Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo.28.De fato, se algum de vós quer construir uma torre, não se senta primeiro para calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?29.Caso contrário, ele vai pôr o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a zombar:30.‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar! ’31.Ou ainda: um rei que sai à guerra contra um outro não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil?32.Se ele vê que não pode, envia uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, para negociar as condições de paz.33.Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!34.“O sal é bom. Mas se até o sal perder o sabor, com que se há de salgar?35.Não serve nem para a terra, nem para o esterco, mas só para ser jogado fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Lucas 14, 25-35).
É preciso entender esse ensinamento de Jesus sobre a renúncia. Você é capaz de dar passos decididos no seguimento de Cristo porque você é do céu, e Deus te faz capaz. Nós precisamos ser realistas, é fácil renunciar as coisas desse mundo? Não. É bonito ver a revelação de Deus que não nos engana, que fala que nós teremos uma cruz, mas é de Deus que recebemos essa força para renunciar as coisas velhas. Para preparar essa pregação eu precisei olhar para as minhas fraquezas, pois eu não estou pronto. Mas eu posso dizer é possível viver o discipulado de Jesus Cristo aqui nesta terra. Deus te trouxe aqui para te dar uma vida nova, para transformar você em um homem novo.
Vale a pena seguir Jesus, existe uma graça atual, que atua hoje e nos faz capaz de dar os passos na radicalidade do Evangelho e renunciar aquilo que não é de Deus, é graça eficiente. Eu vivia nas baladas, até que um dia eu fui batizado no Espírito Santo, e a graça eficiente começou atuar na minha vida. E depois quando eu ouvi uma pregação do Monsenhor Jonas Abib eu mudei de vida. “Se alguém está em Cristo é criatura nova, passou o que era velho. Tudo se fez novo” (conforme II Cor 5,17). Eu aprendi com Padre Paulo Ricardo que nós que já experimentamos um dia a conversão, temos uma segunda “decolagem”, segunda conversão. Você não pode voltar atrás na sua conversão. “De fato, se, pelo conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, escaparam uma vez da contaminação do mundo, mas novamente se deixam enredar e por ela são dominados, no fim estão piores que no começo” (II Pedro 2, 20).
Não podemos voltar atrás na nossa decisão por Deus. Precisamos da segunda conversão, e que passo devemos dar? É hora da segunda “decolagem” que é aquela da virtude teologal da caridade e do amor, é amar a Deus com toda a força e com todo coração. Foi essa decisão que os santos tomaram, que Madre Teresa de Calcutá tomou. Aqui recebemos uma graça santificante que confirma nossa decisão, mas é preciso tomar uma decisão. A primeira decisão Deus já tomou por você e Ele nunca vai voltar a atrás, e você? Será que não chegou a hora?
Peça ao Senhor a graça de tomar a decisão para a segunda “decolagem”, essa segunda “decolagem” é quando não temos mais vergonha do que as pessoas falam de nós por sermos radicais, o importante é o que Deus pensa de mim. Deus pensa em céu, vida eterna, salvação. “O que esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça” (II Pedro 3, 13). Leia II Pedro 3, 1-13. Eu não sei qual é o seu pecado, sua fraqueza, eu sei que céus novos e uma terra nova vão se realizar, e Deus não quer perder você.

 

A SANTIDADE ESTÁ A CAMINHO
Eugênio Jorge

Meus irmãos, amar, seguir, adorar, entregar a Jesus é fruto de uma decisão, nesta tarde somos convidados a buscar dentro do nosso coração a motivação para glorificarmos a Deus, porque ninguém pode impedir-nos de tomarmos a decisão pelo Senhor. Quando queremos, ninguém tem o poder de nos deter, então vamos obedecer, amar, adorar a Deus de verdade nesta tarde. Hoje eu lhe convido a adorá-lo com toda a sua vida. Quantos de vocês querem adorar a Deus de verdade hoje? Sei que muitos estão unidos a nós em todo o mundo com o desejo verdadeiro de adorar a Deus. Então levante a sua voz, e solte o seu louvor a Deus. Deus quer estabelecer conosco uma relação, sua essência é salvar. Ele deseja amar e salvar a todos nós.
Então diga no íntimo do seu coração: Salva-me Senhor, ama-me Senhor, perdoa-me, cura-me, lava-me, sonda o meu coração e livra-me das minhas lepras, dos meus pecados, dos pesos que carrego sobre mim, visita Senhor o meu coração, as áreas escondidas e salva-me. Há 28 anos atrás quando compus a canção: “A Ele a Glória”. A canção que diz: “Alfa, Ômega, Princípio e Fim, sim Ele É, sim Ele É…” Não imagina que uma frase desta música, teria a força de guiar toda a minha vida, quando canto: “A Ele o Domínio, Ele é meu Senhor”. Tenho certeza que Ele é o meu Senhor, o Deus da minha vida. Mas não é nada fácil ainda hoje estou aqui neste vale de lágrimas lutando para que Deus dite as coisas para que eu obedeça, pois infelizmente fomos marcados pelo pecado, e há um homem novo que luta pela santidade, mas há o pecado que nos ronda quer roubar de mim a capacidade de servir a Deus.
Descobrir há muito tempo que Jesus quer ser o meu Senhor, não porque Ele quer prevalecer apenas sobre mim, mas porque Ele quer me fazer feliz, e felicidade é obedecer ao Senhor. Agora é a hora de decidirmos pela santidade. E cantar com coragem que Ele é meu Senhor! Imagine que você ganhou o direito de sacar dos bancos o maior valor possível, e assim você entra no cofre do banco, abre-o e vê um monte de notas novas de 100,00 reais, porém no canto do cofre há um pequeno pacote de notas de 1,00 real, e você pega apenas um nota de 1,00 real. Sai do banco, devolve as chaves e com apenas 1,00 real. De quem é a “culpa” por você não ficar rico? É apenas sua. Mas no Reino dos Céus, Deus abre para nós todas as portas, para desfrutarmos da riqueza de graça. Com ele somos ricos, por isso meu irmão tome posse da graça de Deus em sua vida, não viva na miséria Ele quer nos dá tudo, todas as suas bênçãos.
Desperta povo de Deus, porque Deus está gritando! Estamos vivendo um tempo de sonolência, são tantas vozes, correrias, informações, etc, que nos envolvem, colocando-nos em uma situação de paralisia, ficamos presos em uma teia de aranha, parados, incapazes de viver a Palavra de Deus, e por fim, esquecemos que somos filhos de Deus, e deixamos de viver a sua vontade. Desperta meu irmão, porque Deus está chamando você! Não fica parado, vem para fora, e volta a vida! Se você ofendeu alguém, se pisou na bola, volte, peça perdão e recomece a vida! Pois onde quer que você esteja o amor de Deus pode nos salvar! Isso aconteceu comigo, eu era sambista e em 1979 o Senhor veio a meu encontro, e desde daquele tempo é ele que vem conduzindo a minha vida.
Hoje é o tempo de você tomar uma decisão, e proclamar que Ele é o seu Senhor! Deus quer de nós a santidade e são de pequenos gestos que vivemos na santidade. Meu irmão, a santidade está a caminho, assuma que Ele é o seu Senhor! Então cante comigo: “A Ele a Glória. Alfa, Ômega, Princípio e Fim, sim Ele É, sim Ele É… A Ele o Domínio, Ele é meu Senhor”.

 

Seg

ONDE ESTÁ DEUS?
Padre Reinaldo Cazumbá

Onde está Deus? Ora ou outra, diante dos sofrimentos, decepções, fazemos a nós mesmos esta pergunta. Somos um povo que gosta de viver o toque, a sensibilidade, e compreender. Quero conduzir você a uma maturidade espiritual na fé. Mas por que em nós surge esta pergunta, se não sentimos Deus, não tocamos e não vemos mudança na nossa vida? Se não sinto Deus, se não tenho relação com Ele, se não tenho resposta, se o Senhor não corresponde ao que espero, a minha tendência é sempre de querer abandoná-Lo.
”Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, o quilate de vossa fé, que tem mais valor que o ouro testado no fogo, alcançará louvor, honra e glória, no dia da revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1, 6-7).
Precisamos descobrir o novo de Deus na nossa vida espiritual, precisamos buscar, pois o Senhor vai agir no momento oportuno.
“Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar” (Cântico do Cânticos 3, 1).
O sofrimento gera fé. Muitas vezes, sucumbimos ao sofrimento por não entender o seu significado. Veja a vida dos santos, nós não somos 100% na vida de oração, a nossa vida é feita de altos e baixos, existem vezes em que procuramos Deus, mas em outras não. No entanto, o sofrimento não deve nos afastar de Deus.
Como rezar diante de uma secura espiritual? De uma frieza espiritual? Como sair desta situação? Como se libertar de seus pecados e entrar num relacionamento com Deus?
Agarre-se a Deus se você está sofrendo! A secura espiritual, que é esta privação do sentimental, na qual você não sente mais nada, deve ser vista como um momento propício para um relacionamento com Deus Pai. Muitas vezes, seu corpo não quer permanecer, mas a sua razão vai fazê-lo permanecer. É preciso servir a Deus mesmo sem gosto, é preciso ter perseverança. Eu sei quem é Deus, por isso eu vou. Não se preenche vazio com vazio. Não adianta você tentar preencher com outra coisa o que somente Deus pode preencher.
O deserto é lugar de encontro com o Senhor, a tendência deste lugar é de haver tentações, purificações, assim como há o risco de construir falsos deuses. O deserto é uma etapa na nossa vida espiritual na qual nós precisamos caminhar somente com o Senhor. Deserto é o lugar onde temos sede de Deus, mas não nos saciamos, no entanto, não é um tempo eterno na nossa vida. Mesmo que eu não sinta Deus eu quero permanecer n’Ele.
”Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te deminha boca” (Ap 3, 15-16).
Tibieza nos leva ao pecado, e se você não tem vontade de confessar os pecados capitais talvez seja porque já tenha se tornado uma pessoa tíbia. Para o tíbio sair da tibieza ele precisa se converter, ele precisa da parusia, do fervor, da disposição para com o Senhor. Ele só consegue essa mudança pelo batismo no Espírito Santo, sem Ele não funciona. Somente com a busca de santidade seremos cristãos que não se deixam se abalar por nada, pois somos de Deus e devemos permanecer n’Ele.

 

PEREGRINO DE DEUS RUMO AO CÉU
Padre Wagner Ferreira

O céu é a vida de Deus, por isso nós podemos afirmar que, mesmo sabendo que devemos experimentar essa vida de forma plena, aquele que cultiva a comunhão com Deus sabe onde está seu destino.
Santo Agostinho nos diz que o coração humano só encontra a sua plenitude no louvor de Deus, porque o Senhor nos fez para Ele e nosso coração não descansará enquanto não repousar n’Ele.
Deus nos criou, por isso, nossa origem e nosso destino é o próprio Pai. Nós somos peregrinos de Deus, trazendo no coração um desejo de realização, mas jamais esquecendo que nosso verdadeiro repouso só será alcançado por intermédio da comunhão eterna com Nosso Senhor.
O Pai nos dá a graça de saborearmos o céu em vida, pois aqueles que, pela fé, cultivam a união com Deus, já saboreiam o céu.
Quem já fez uma experiência concreta de felicidade e realizações? Se a experiência que você fez aqui valeu a pena, não se empolgue ainda, porque a experiência feita no céu será muito melhor.
Nós precisamos orientar nossa vida para a glória de Deus. E, dessa forma, Jesus nos ensina que devemos viver como bem- aventurados.
O bem-aventurado tem Deus como sua riqueza, ele não coloca a esperança da sua felicidade no poder ou no dinheiro. Os pobres de espírito cultivam a humildade, como pessoas que colocam em Deus a sua confiança e o sonho de suas realizações.
O sofrimento é próprio do cristão, mas é preciso passar pela experiência da dor agarrados a Deus. É claro que Nosso Senhor não quer masoquismo da nossa parte, mas devemos buscar, inclusive com ajuda da ciência, os auxílios necessários para nossa cura e restauração.
A fidelidade a Cristo nos leva a compartilhar o mistério do Seu sofrimento. Peça a graça de permanecer fiel ao Senhor na hora da dor e do sofrimento, pois bem -aventurados os que choram, pois serão consolados.
Existem pessoas que, mesmo em meio às tormentas e tribulações, conseguem seguir calmas. Essa é a mansidão de quem se deixa conduzir pela Palavra de Jesus. Aquele que experimenta a mansidão de Deus, mesmo em meio às tribulações e tempestades, consegue se decidir pela verdade do Pai.
O cristão que busca a justiça será recompensado com a eternidade; assim como todo aquele que não se compromete com o suborno e falsas promessas o será. Os misericordiosos são aqueles que, pela sua vida, testemunham o amor de Deus.
Os bem-aventurados conseguem compreender as limitações humanas e se compadecem do outro procurando proporcionar a reconciliação. Assim como o puro de coração que não deixa que as impurezas entrem em sua vida.
Feliz daquele que é capaz de superar as tentações, pois dele será o Reino dos Céus. O céu começa aqui, então tome posse do seu lugar no céu, como um peregrino de Deus. Seja manso, humilde, justo e paciente; dessa forma será recompensado com a eternidade ao lado do Pai.

 

CONSTRUIR A QUALIDADE DE VIDA
Padre Adriano Zandoná

Meus irmãos e irmãs, vocês são corajosos se desfazendo deste feriado para estar na presença do Senhor. Meu coração se alegra ainda mais por dirigir estas palavras a heróis e heroínas que escolheram a melhor parte – o Senhor! Eu me sinto muito pequeno em dirigir hoje a Palavra de Deus a vocês, por recordar que, no Carnaval do ano passado, eu estava sentado no presbitério como diácono, aprendendo a dar os primeiros passos no ministério, e hoje estou aqui, presidindo a Eucaristia e partilhando com vocês a Palavra de Deus.
Nestes dias estamos reunidos com o único propósito de louvar a Deus por intermédio de um sacrifício de louvor, e o louvor que o Senhor deseja de nós é o sacrifício de nossas vidas, e, assim, na doação de nossa vida, nos transformamos à imagem de Cristo. Meu irmão, para fazer da própria vida um louvor é preciso seguir um itinerário concreto.
Na primeira leitura São Tiago nos apresenta a sabedoria como uma realidade que possibilita fazer da nossa vida um sacrifício de louvor. Construindo, dessa forma, uma qualidade de vida. Esta qualidade de vida não está nas coisas externas apenas, mas antes e acima de tudo ela começa dentro de nós, a partir da forma na qual organizamos as coisas em nós. A sabedoria é a qualidade que acrescenta o sabor à vida humana, sem ela a vida fica sem “sal”.
Segundo São Tiago, a sabedoria é um elemento necessário em nosso itinerário de vida. Mas esta realidade é construída na humildade, no perdão, não na esperteza e no orgulho. Quantos lares não possuem harmonia, as pessoas se suportam. Muitos estão sofrendo, doentes porque gastam a sua vida não na verdadeira sabedoria, são escravos da inveja, da concorrência, faltando-lhes a verdadeira sabedoria. A sabedoria proposta por São Tiago nos ensina a perdoar. O perdão nos proporciona a aquisição de qualidade de vida para nós mesmos.
A Palavra nos diz que a Lei do Senhor Deus é um conforto para a alma, e este caminho é feito no saber perder para ganhar em Deus, quando obedecemos a Ele fazemos o bem em primeiro lugar para nós mesmos. Este conforto para a alma é a qualidade de vida, que está dentro, na alma. Quando vivemos os preceitos do Senhor nossa alma se abre para receber o sopro de Deus, e assim, alcançamos a verdadeira qualidade de vida.
O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus que expulsou o demônio de um menino e afirmou que alguns tipos de demônio somente serão vencidos pela oração. Este ensinamento de Jesus nos apresenta a oração como um elemento essencial para que construamos a qualidade de vida por meio da intimidade com Deus. Sabemos que viver as realidades do dia a dia não é fácil, estamos em uma sociedade sensualizada e sensualizante, todos os dias temos um “leão” para matar. Como São Paulo nos ensina: fazemos o mal que não queremos. Vivemos em um campo de tensão, e como gerir tudo isso?
Jesus nos ensina a oração como o meio para administrarmos tudo o que está desordenado em nós. Não tenha medo de rezar, de entregar tudo para Deus, principalmente os jovens: não tenham vergonha de ser de Deus e testemunhar o Evangelho em todas as suas realidades. Não tenham medo de falar da Palavra de Deus! Jesus está chamando vocês hoje para que sejam somente d’Ele. Então sonhem com a santidade e não tenham medo dela, pois o Senhor quer vocês por inteiro. Eu sinto que muitos dos jovens aqui hoje estão sendo chamados por Jesus para uma vocação especial, não fechem os ouvidos a Ele!
Então, meus irmãos, antes de tudo, é necessário que vocês se ajoelhem diante de Jesus Cristo e se prostrem, pois quem não se prostra diante de Jesus, se prostra diante da vida. Quem não gerir a sua vida, acabará sendo possuído por ela. Deixemos, portanto, de ser “moles”, e construamos a verdadeira qualidade de vida, que se dá em um relacionamento verdadeiro com Jesus.
Convido todos os jovens a se levantarem. Vamos rezar por vocês suplicando que sejam batizados no Espírito Santo, a fim de que tenham uma vida de sabedoria e santidade. Louvado seja Deus!

 

Ter

FEITOS PARA A FELICIDADE ETERNA
Felipe Aquino

“De que me vale viver bem nesta vida se eu não puder viver para sempre?” (Santo Agostinho).
De que vale ganhar o mundo inteiro se viermos a perder a vida eterna?
Jesus disse claramente a Pilatos que o Reino d’Ele não era deste mundo, e vocês vão entender por que esta frase mudou a história do mundo. Durante o Império de Nero, quando os cristãos eram perseguidos e mortos, queimados e degolados, eles entregavam a vida para não negar Jesus Cristo. Os cristãos morriam na certeza absoluta de que eles iriam ressuscitar em Deus.
Uma rica moça chamada Perpétua, que morava na cidade de Cartago, foi presa, pois era cristã, foi levada a uma masmorra fedida, suja, num calor sufocante, e estava prestes a dar à luz, no oitavo mês de gravidez. Certo dia, na cadeia, seu pai foi lhe suplicar  que queimasse incenso aos ídolos para que sua vida fosse poupada, mas ela não aceitou e, na véspera de ser morta, ela deu à luz na cadeia. Quando sofria as dores do parto na masmorra o guarda lhe disse que ela iria sofrer ainda mais no dia seguinte, dia de sua morte. Essa santa respondeu-lhe que chorava, sim, naquele momento do parto, e disse que ali era ela mesma quem sofria, mas no dia seguinte, quando seria lançada aos animais, ela não iria gritar, pois já não era mais ela quem sofreria, mas o próprio Cristo que sofreria nela e, assim, foi o que aconteceu. Perpétua foi jogada aos animais e, mesmo toda machucada, ela não morria; foi preciso um guarda ir até ela e perfurar seu pescoço com uma lança.
Quem vive os Mandamentos de Deus não peca e agrada o coração de Deus. Se você quer viver para ser como Deus o criou, então viva os Dez Mandamentos. O domingo pertence ao Senhor e não a você. Não podemos paganizar esse dia [domingo]. Domingo significa dominus, isto é, do Senhor, é o Dia do Senhor. Um dos Dez Mandamentos é o: “Honra teu pai e tua mãe”, cuide deles, principalmente na velhice, não os jogue num asilo, dê a eles uma morte digna. Se você quer honrá-los, coloque uma coroa neles, cuide deles.
Eu peço a Deus que o braço da Sua justiça não pese sobre nós, pois eu nunca vi tanta podridão como nos tempos em que estamos vivendo! Quanto cristão que comunga e que reza, mas que só pensa em trapacear o outro, em levar vantagem, quer vender o carro para o outro porque o motor está fundindo, para que o outro  seja prejudicado no lugar dele.
São Tiago diz: o homem que domina a sua língua é um homem perfeito, com a sua língua, com um comentário, você incendeia a vida de uma comunidade. Nossas palavras devem ser somente para santificar e para salvar.
Não podemos nem beber um copo d’água sem louvar o Senhor, pois tudo o que temos vem de Deus. Obrigado, Senhor, por tudo! Temos que passar o dia no louvor a Deus Pai. Nós não temos o nosso ser sem Deus, então nós só temos que louvá-Lo. Servir a Deus nesta vida é a coisa mais bonita que existe. Tudo o que vocês fizerem façam-no para a glória de Deus Pai, não para os homens, para o Senhor. Se você é professor e vai dar uma aula, dê essa aula como se Jesus fosse o aluno; se você é médico aja como se Jesus fosse o seu paciente, e assim por diante. Isso mudará a sua vida. Seja um marido, uma esposa, uma mãe em nome de Jesus, por causa de Jesus e Deus lhe dará a herança que Ele prometeu.
Quando temos de buscar o céu nós não temos de desprezar a terra. Jesus nos mandou fazer render os talentos, e todos nós temos talentos, nós fomos criados à imagem de Deus. O talento que você tem eu não tenho e vice-versa e isso faz que eu precise de você e você de mim. Você precisa dos outros para tudo, então saiba amá-los e respeitá-los, e louvar a Deus por ele. Dê graças a Deus pelo dom que o o outro tem, o dom dele vai beneficiar você.
Meus irmãos, esta é a nossa alegria: Amar, louvar, servir e abraçar este Deus pela eternidade!

 

VIDA BOA
Diácono Nelsinho Corrêa

Quando uma mulher está grávida, tudo que ela faz é pensando no bebê, e o que ela prepara para chegada da criança se chama enxoval. Deus também preparou um grande “enxoval” para nós. Sabe qual é esse enxoval? É a natureza. O Altíssimo, ao criar as montanhas, já pensava em você, Ele fazia as estrelas e a lua e já pensava em você. Deus criou a natureza para o homem ser feliz.
Quando você acorda mal-humorado, os passarinhos já de madrugada estavam cantando, declarando o amor de Deus por você. A natureza é um presente do Senhor para mim e para você.
Deus Pai o criou à Sua imagem e semelhança. O Senhor não o criou para a depressão, Ele o criou para a felicidade, o criou para ter uma vida boa e não uma vida ruim. No paraíso o homem e a mulher, Adão e Eva, tinham uma vida boa, até que um dia eles comeram do fruto que não era para ser comido, pois achavam que lhes faltava alguma coisa, e cometeram o pecado do orgulho. O início do pecado do homem é o orgulho, ele quis ser mais que Deus.
No paraíso o homem estava unido a Deus e, ao pecar, ele rompeu com o Senhor. Se unido a Deus ele tinha alegria, sem Deus ele passou a ter tristeza. Se unido a Deus o homem tinha vida, sem Deus ele passou a ter a morte.
Deus não nos criou para a tristeza, mas para sermos felizes e, mesmo assim, o homem quer negar ao Senhor. Mesmo com o pecado original, o Senhor não nos abandonou, Ele nos deu Jesus. E criou o homem para ser feliz, por isso Ele enviou Jesus ao mundo.
Ser rico ou ser pobre não é pecado; o pecado é ser apegado às coisas.
Deus Pai nos criou para uma vida boa, mas nós estamos sempre reclamando, nós estragamos nossa vida com a reclamação. O Senhor não tem culpa do seu sofrimento; é você quem procura a encrenca. Nós nos expomos ao ridículo quando abandonamos Deus.
Vida boa é estar com Deus!

 

ALINHADOS PELA FORÇA DO ESPÍRITO
Padre Fabrício Andrade

Nós não poderíamos encerrar este acampamento sem o desafio de levar um pouco do que você experimentou aqui até a sua casa. O desafio de agora é experimentar a grandiosidade do Salmo 96, 1-12:
“Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, terra inteira. Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, anunciai dia após dia a sua salvação. Entre os povos narrai a sua glória, entre todas as nações dizei seus prodígios. Pois o SENHOR é grande e digno de todo louvor, terrível acima de todos os deuses. Todos os deuses das nações são um nada, mas o SENHOR fez os céus. Majestade e beleza estão à sua frente, poder e esplendor moram no seu santuário. Dai ao SENHOR, ó famílias dos povos, dai ao SENHOR glória e poder, dai ao SENHOR a glória do seu nome. Trazei oferta e entrai nos seus átrios, adorai o SENHOR na sua santa aparição. Tremei diante dele, terra inteira. Dizei entre os povos: “O SENHOR reina!” Ele sustenta o mundo para que não vacile; julga as nações com retidão”.
No fim deste acampamento, somos enviados a cantar uma “canção nova”. Vocês precisam sustentar esse cântico novo em seu dia a dia, agora é a hora de anunciar a todas as nações o que experimentaram aqui. Vocês são hoje os apóstolos do cântico novo. Um homem e uma mulher renovados não cantam um cântico velho. Se, em seu dia a dia, você não atualizar a sua experiência com Deus, você correrá o risco de ficar uma “pessoa velha”.
E para que o cântico novo seja atualizado em nós diariamente, precisamos estar “alinhados” e encontrar a harmonia entre o que sentimos, falamos e pensamos.
Assim como o carro precisa estar bem alinhado e balanceado, porque se ele não estiver nessa condição, acontecerá um desgaste maior em um lado do pneu do que do outro e poderá até provocar um acidente. Da mesma forma, o homem novo precisa estar equilibrado, “alinhado” entre a sua cabeça, sua boca e o seu coração.
Hoje a Palavra de Deus quer nos alinhar, porque se estamos desalinhados, desequilibrados, a probabilidade de um “acidente” é muito grande, principalmente na parte afetiva.
Precisamos nos deixarmos ser “alinhados” por Deus, assim como o carro precisa ser ser alinhado pelo mecânico.
Vou apresentar para você duas rédeas que vão ajudá-lo a refrear a sua boca, a começar da sua língua. Acompanhe comigo: Carta de São Tiago 1, 26: “Se alguém julga ser religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: a sua religiosidade é vazia.” Se a nossa língua não está em sintonia com a nossa cabeça e com o nosso coração, corremos o risco de estragar tudo com a nossa amargura, murmuração e reclamação. Por isso, precisamos colocar freios em nossa língua. Quantas vezes você falou uma bobagem, porque não pensou e logo falou e estragou tudo.
A língua desenfreada gera desordem e confusão, o “homem novo” tem sua língua em harmonia com o coração.
Leia comigo o Salmo 32, 9 e descubra o que a língua pode fazer: “Não sejas como o cavalo ou o jumento sem inteligência; se avanças para dominá-los com freio e rédea, de ti não se aproximam”.
Por isso é preciso usar a inteligência para colocar rédeas na língua.
É pelo louvor que vamos alinhar a cabeça, a língua e o coração.
Precisamos colocar duas rédeas: uma em nossa língua, como vimos, e outra em nosso coração, ou seja, em nossos sentimentos.
Vamos entender a importância delas [rédeas] em nosso coração: “Disse o SENHOR: “Esse povo me procura só de palavra, honra-me apenas com a boca, enquanto o coração está longe de mim. Seu temor para comigo é feito de obrigações tradicionais e rotineiras” (Isaías 29, 13). Se a boca não estiver em sintonia com o coração, correremos o risco de nos aproximarmos do Senhor só com a boca e não com o coração, correremos o risco de esvaziar a nossa espiritualidade. É por intermédio do Espírito Santo de Deus que seremos “alinhados” e encontraremos o equilíbrio entre o que pensamos, sentimos e como agimos.
A evangelização dos nossos sentimentos é necessária para o “homem novo” vir à tona e cantar o cântico novo.
Outra rédea de que precisamos é a da cabeça, porque, muitas vezes, falamos sem pensar e causamos um desastre.
“Por isso, aprontai a vossa mente, sede sóbrios e colocai toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida no dia da revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não moldeis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo de vossa ignorância” (I Pedro 1, 13-14).
A ignorância é falta de conhecimento, por isso a Palavra nos aconselha: “não moldeis a vossa vida segundo as vossas paixões de antigamente” (ou de quatro dias atrás).
São Paulo diz, em sua Carta aos Efésios 4, 22-24: “Precisais deixar a vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras. Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade”. É necessária a conversão do nosso coração e também da nossa mente.
Nessas passagens bíblicas está o segredo do “alinhamento” da nossa cabeça, coração e língua.
O “homem novo” é imagem e semelhança de Deus.
Acabaram-se os desfiles próprios do Carnaval e agora chegou a nossa vez de nos apresentarmos para este mundo vestidos como “homens novos”, criados à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade.
Precisamos investir nessa “fantasia”! Irmãos, acabou o Carnaval e começa agora a nossa missão.
Mais do que falar, é preciso purificar a nossa cabeça, pensamentos e o coração. Você já parou para pensar que todos as vezes em que fazemos o sinal da cruz abençoamos nossa cabeça, nosso corpo e nosso coração, que está no “eixo” do nosso corpo. São Paulo continua nos exortando em Efésios 1, 11-14: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança. Nele, também vós ouvistes a palavra da verdade, a Boa Nova da vossa salvação. Nele acreditastes e recebestes a marca do Espírito Santo prometido, que é a garantia da nossa herança, até o resgate completo e definitivo, para louvor da sua glória”.

 

DISCÍPULOS FORMADOS PARA SERVIR
Padre Donizete Heleno

Meus irmãos e irmãs, em breve vamos retornar as nossas casas, na força e no poder do Espírito Santo. Gostaria que você pegasse comigo o Evangelho de hoje que se encontra em São Marcos 9, 30-37. Nesta leitura vimos Jesus deixando a Galileia, que significa o seu lugar familiar, para se dirigir a Jerusalém. Estamos aqui como Jesus em um lugar de conforto, familiar, e logo iremos voltar para a nossa Jerusalém.
Você sabe o que Jesus iria encontrar em Jerusalém? Iria encontrar a sua cruz, mas principalmente a vontade de Deus. Logo retornaremos para a nossa Jerusalém, que é nosso trabalho, família, e lá não encontraremos apenas nossa cruz, mas principalmente a vontade de Deus para nós. Este carnaval foi portanto o lugar onde Jesus nos falou ao coração, assim como aos discípulos, conforme a narrativa de São Marcos, no qual Jesus revelou a eles que iria sofrer, morrer, mas ressuscitaria ao terceiro dia.
Quando Jesus anunciou sua paixão, revelando o projeto de Deus em sua vida, muitos de seus discípulos reagiram contrariamente, alguns queriam sentar ao lado do Senhor na glória, alcançando alguns privilégios, outros, não queriam que ele sofresse, inclusive Pedro, este por sinal foi repreendido duramente pelo Senhor, com a frase: Afasta-te de mim satanás!
O Evangelho de Marcos narra três anúncios da paixão, a liturgia de hoje afirma que os discípulos não entendiam a palavra, e tinham medo de perguntar. Entendemos neste ensinamento de Jesus que o Filho do homem será entregue, morto e ressuscitado no terceiro dia. O autor sagrado usa todos os verbos na voz passiva, que é aquela no qual o sujeito sofre a “ação” do verbo. Jesus entregou a sua vida nas mãos dos homens, o entregou em nossas mãos.
O mistério que hoje celebramos é esta entrega de amor no qual Deus nos oferece seu Filho, não há nada mais precioso que o amor do Pai por mim e por você, é um escândalo de amor. Você pode mudar o rumo da sua vida se assumir este escândalo de amor, do Senhor que dá a vida por nós.
A narrativa de hoje diz que Jesus entrou em casa (Mc 9, 32) em Cafarnaum, quer dizer, que Ele entrou na intimidade, e falou coisas preciosas. Como seria bom se nossas casas fossem um lugar de intimidade com o Senhor, infelizmente transformamos suas casas em verdadeiros cassinos, bares, e o pior em motéis domésticos, permitindo que seus filhos mantém relações sexuais em casa, dando a desculpa que é mais seguro, alimentando assim o pecado em casa.
Jesus está em casa, e Ele quer transformar a sua casa em céu, onde a vontade Dele acontece, e eu creio que o Senhor transformará a sua casa, e reinará se você abrir as portas, seu coração para que Ele tome posse da sua intimidade. O Senhor corrige seus discípulos em casa, e em sua pedagogia orienta-os a vontade de Deus. E neste ambiente de intimidade Ele quer tomar posse de sua vida.
Na continuação do capítulo 9 do Evangelho de São Marcos, os discípulos estão discutindo quem é o maior, estão ambicionados por cargos, enquanto Jesus anunciava sua paixão, eles queriam saber quem era o maior. Ora, autoridade quer dizer serviço, nos precisamos compreender isso, que a vontade de Deus em nossa vida é que sejamos servos. Entendemos assim, que a mentalidade dos discípulos destoava do pensamento de Jesus, do projeto de Deus para eles.
Infelizmente em nossa casa não é diferente, muitos católicos estão dando ibope para programas de TV no qual a mentalidade é eliminar o outro, este pensamento diabólico sorrateiramente vai entrando em nossa vida, nos ensinamento a eliminar o outro para sermos felizes.
Não tenha medo de assumir uma postura de cristão de verdade, de abraçar o projeto de Deus, este que Jesus ensinou-nos na intimidade, dentro de casa aos discípulos, que iria morrer, e ressuscitar no terceiro dia. Caso contrário você discutirá no caminho como os discípulos, cheio de vaidade, murmuração, querendo eliminar e humilhando os outros.
Meus irmãos, o ensinamento de Jesus é para sermos melhores, a partir da humildade, de sermos como crianças, e nas Sagradas Escrituras o termo original referente a criança quer dizer trabalhador que não recebe salário, ou seja servos, sem remuneração, Ele sentou-se para ensinar-nos a sermos servos humildes, e desta forma Ele verdadeiramente se torna o centro de nossa vida, e nós operários de sua obra.
O Senhor hoje nos chama e nos envia para voltarmos para nossa casa com humildade, aceitando o projeto Dele, servindo os irmãos por causa do Reino de Deus. Sabemos que nosso coração não está pronto, em nós ainda há o orgulho, não entendemos que os discípulos devem se colocar a serviço, ainda queremos méritos e cargos.
Por isso vamos pedir a Jesus, aquele que tem um coração humilde e simples, que nos dê um coração como o Dele, e assim Ele se torne o centro da nossa vida. Pois fomos muitos amados nestes dias, Jesus nos falou através de tantas pregações, orações, deu inclusive na Santa Missa o seu Corpo e Sangue por nós. Supliquemos a Ele, que nos ensine hoje o caminho para a nossa Jerusalém, e que neste retorno para casa verdadeiramente sejamos propriedades do Senhor, assim Ele será o centro da nossa vida.
Cantemos: “Lava, purifica e restaura-me de novo, será o nosso Deus e nós seremos o teu povo, derrama sobre nós a água do amor, Espírito de Deus, nosso Senhor. Jesus manda teu Espírito para transformar meu coração, Jesus manda teu Espírito para transformar meu coração”.
Meus irmãos, vocês levarão Deus para a sua família, para sua casa, para a sua Jerusalém, se vocês verdadeiramente aprender com Ele a humildade para serem servos um dos outros, em todos os lugares, na paróquia, no trabalho, na família, esta é a vontade de Deus para nós.
Voltemos para a casa, para nossa Jerusalém, livres de toda a disputa, e assim encontraremos a vontade de Deus em nossa vida.
Deus nos abençoe.

Sagrada Face de Jesus – terça-feira de carnaval

SAGRADA FACE DE JESUS
Olhar de Jesus
Este Olhar não incomoda nem assusta
É um chamado ao Amor, a cada criatura
Só o Meu olhar te ensinará a amar
E isto, ninguém no mundo poderá te dar
Olha-me com alegria e amor, proteger-te-ei de cada dor
Não adormece sem antes bem fixar o teu olhar no Meu
Falar-te-ão, Meus olhos, de um Amor perfeito e profundo
Fixa bem teu olhar no Meu e afasta-te do mundo…
Quero sussurrar ao teu coração tantas belas coisas em um único segundo
Fixando, profundamente, teu olhar no Meu
Encontrarás Amor, Perdão e Paz
Ao sair de casa, leva o Meu Olhar Bendito
Proteger-te-ei até que retornes ao lar
Não esqueças, em teu labor cotidiano, sê feliz e orgulhoso deste Olhar
Assim que tiveres guardado Meu Olhar em teu coração
Darás a teus irmãos, Amor, Perdão e Paz
Meu filho predileto, então, serás e teu coração encontrará a perfeição.

Ramalhete espiritual
“A Vossa Face Senhor, procuro e A procuro sem parar! Não quero outra coisa, Senhor, senão a Vossa Face, para que Vos possa amar como desejo, porque não encontro o que seja mais precioso” (Santo Agostinho; Enarret. IN PS 26.)
“Vossa Face é minha Pátria, meu reino de amor” (Santa Teresinha).
“Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!” – PS. 8 (Indulgenciada pelo Papa Pio IX em 11/12/1876).
“Senhor, permanecei conosco!” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, em 26/11/1959).
“Pai eterno, eu Vos ofereço a adorável Face do Vosso Filho muito amado pela honra e glória do Vosso Nome e pela salvação da alma de … (aqui diga o nome). Amém”.
“Mãe Santíssima, medianeira de todas as graças, oferece por nós ao Pai Eterno a Sagrada Face de teu Filho, alcançando-nos paz, liberdade da fé e o triunfo da verdade” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Agnelo Rossi, em 18/11/1966).

DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Dia de devoção da Sagrada Face: toda terça-feira
Festa da Sagrada Face: terça-feira de Carnaval

“Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas (Nosso Senhor a Beata Irmã Maria Pierina, 1945, em Milão).
Muitas vezes durante o dia, troque um olhar com Ele!
Todas as noites, reze 3 vezes o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória, contemplando Sua Divina Face.
Sobre a propagação da Devoção à Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto, particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos, como a todos os Eclesiásticos, e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores.
Neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face.

PROMESSAS AOS DEVOTOS DA SAGRADA FACE feitas a Santa Matilde e Santa Gertrudes sobre esta devoção:
“Eu garantirei aos devotos, contrição tão perfeita que seus pecados serão transformados diante de Mim em jóias de precioso ouro. Nenhum deles será afastado de Mim. Na oferenda de Minha Face ao Pai, eles terão acalmado Sua cólera e eles vão adquirir como com moeda celestial, o perdão por seus pecados. Eu abrirei Minha boca para pedir ao Pai para garantir todas as preces que eles Me apresentarem. Vou iluminá-los com Minha luz, e vou consumi-los com Meu amor. Eu lhes darei frutos de boas obras. Eles vão, como a piedosa Verônica, enxugar a Minha adorável Face ultrajada pelo pecado, e Eu vou imprimir Minha Divina Fisionomia em suas almas. Em suas mortes, vou renovar neles a imagem de Deus, apagada pelo pecado. Semelhante à Minha Face, eles brilharão mais do que muitos outros na vida eterna e o brilho da Minha Face vai enchê-los de prazer”.

LADAINHA DA SAGRADA FACE
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sagrada Face do Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
Sagrada Face, espelho da majestade divina, tende piedade de nós.
Sagrada Face do nosso Salvador, tende piedade de nós.
Sagrada Face, inundada de suor e sangue, tende piedade de nós.
Sagrada Face, humilhada pelo beijo do traidor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, barbaramente contundida por bofetões, tende piedade de nós.
Sagrada Face, acumulada de ignomínias e insultos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta dum véu e cinicamente ludibriada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, atormentada por febre e sede, tende piedade de nós.
Sagrada Face, no julgamento, perante a multidão amotinada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, banhada de lágrimas de dor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, impressa na toalha de Verônica, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta de blasfêmias horrendas, tende piedade de nós.
Sagrada Face, ao morrer na Cruz, inclinada para nós, tende piedade de nós.
Sagrada Face, desfigurada por feridas e golpes, tende piedade de nós.
Sagrada Face, revelada milagrosamente no Santo Sudário, tende piedade de nós.
Sagrada Face, glorificada pela ressurreição, tende piedade de nós.
Sagrada Face, alegria de todos os anjos e santos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, por cuja veneração alcançamos auxílio nas angústias, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.

Oração de Amor e Adoração
“Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos amo.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos rendo graças.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Por todas as chagas que sofrestes por amor, eu vos adoro, Jesus” (de Nossa Senhora a uma piedosa confidente).

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE pelo Bispo Auxiliar Dom Sebastião Roque Rabelo Mendes, Diretor Arquidiocesano do Apostolado da Sagrada Face da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG.
* A origem da devoção à Sagrada Face de Jesus. Não podemos dizer que o Apostolado da Sagrada Face está ligado à Verônica, nem talvez ao Santo Sudário. Entretanto tem um pouco de influência.
A Sagrada Face é uma expressão muito Bíblica. Está muito ligada à Paixão de Jesus. Nos Salmos, sempre falamos que queremos ver a Face de Deus. Mas com a vinda de Jesus à terra, sobretudo no Monte Tabor, Jesus se transfigurou: seu rosto ficou cheio de luz, um rosto que reflete a divindade, e ao mesmo tempo a humanidade.
Podemos imaginar o rosto de Jesus, alegre, confiante. Mas a devoção à Sagrada Face, é a Face ensangüentada do Cristo, é a Face do Horto das Oliveiras, que todos os quatro Evangelistas falam, é a Paixão de Jesus, da sua dor que Ele teve lá na sua agonia. Depois de coroado de espinhos, crucificado e morto, é colocado no sepulcro.
O Santo Sudário é um pouco ligado à devoção, mas, fundamentalmente, se não houvesse nada do Santo Sudário, nem de Verônica, nós teríamos este culto à Sagrada Face. O Santo Sudário ajuda um pouco. Verônica que nem está na Bíblia também ajuda. Mas, independente do Santo Sudário e da Verônica, é um culto muito profundo, muito humano, muito divino sobre a Sagrada Face.
No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do grande Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.
Todos os dias às 15h, os membros do apostolado se reúnem ou em casa, com as famílias, ou na Igreja para lembrar a hora em que Jesus morreu e de um modo especial nas terças-feiras.
A espiritualidade do Apostolado da Sagrada Face é viver os ensinamentos de Jesus, meditar o Evangelho e tirar dali, o modo de viver que Jesus nos ensinou; É também contemplar a Face de Jesus na Cruz, no Calvário, no Horto das Oliveiras, e contemplar a Face do Cristo no rosto dos nossos irmãos, principalmente dos mais sofridos, marginalizados, dos abandonados, das crianças, sobretudo os doentes, daqueles que não tem voz nem vez.
É viver o Evangelho de Mateus, cap.25, 35-36 colocando-o em prática.
Que todos nós tenhamos esta devoção à Sagrada Face unida à Eucaristia, pois é na Hóstia Consagrada que contemplamos fielmente o Cristo.
A segunda carta de São Paulo aos Coríntios, cap, 4 vers.3 ,4,6 fala: “Se nosso Evangelho ainda está encoberto é para os que se perdem que ele permanece velado, para os infiéis, nos quais o deus deste século obscureceu os espíritos, a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho da glória de Cristo o qual é a imagem de Deus”.
O deus deste século é claro que é o inimigo de Deus. Ele faz com que os espíritos fiquem embotados a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho. Porque Deus que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz!” Ele mesmo reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo. Dissemos “não” aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, nos recomendamos diante de Deus à consciência de cada homem.

REVELAÇÕES
Segundo as últimas revelações à Beata Irmã Maria Pierina Micheli, na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é talvez esta a verdadeira devoção a Meu Coração?”
O Papa Pio XII na sua Encíclica HAURETIS AQUAS: “É na Face que se revela o Coração”.
“Vossa Face é minha pátria, meu reino de amor” (Santa Terezinha do Menino Jesus).
“Espírito de Santidade, sopro divino que agita o universo, vinde e renovai a face da terra. Suscitai, nos cristãos, o desejo da unidade plena, para serem, no mundo, sinal e instrumento eficaz da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Oração do Papa João Paulo II o missionário da paz, testemunho de Deus vivo, no 2º ano de preparação para o grande jubileu 2000, ano dedicado ao Espírito Santo).
“Que não seja derramado uma só lágrima na face de um irmão, sem que não se encontre um apóstolo da Sagrada Face para enxugá-la” (Apelo do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo de Belo Horizonte aos Apóstolos da Sagrada Face em 01-10-1998).
“Senhor, fazei brilhar sobre o Mundo a Luz da Vossa Face e seremos salvos”. Glória ao Pai.

SANTA TERESINHA E A SAGRADA FACE
Na terça-feira de carnaval, muitas igrejas celebram a festa da Sagrada Face de Jesus. Devoção calcada nas Sagradas Escrituras, inspirada especialmente nos salmos e nos cânticos do “Servo Sofredor”,  encontrou,  no decorrer da história, vários homens e mulheres, místicos conhecidos ou menos conhecidos, que se encarregaram de propagá-la.
A “Sagrada Face” ou “Santa Face” (para ser mais fiel ao termo francês), foi objeto de especial afeição por parte de santa Teresinha.
Vejamos porque a Sagrada Face participa ativamente do “corpus” da espiritualidade de nossa padroeira. Entender o amor de Teresa à Sagrada Face poderá nos ajudar a enriquecer nossa compreensão da caminhada teresiana, a passos largos, rumo  à  santidade.
As famílias Martin e Guérin (tios de Santa Teresinha) nutriam uma grande devoção à Santa Face de Jesus, incentivados pelo “santo homem de Tours”, o Sr. Dupont e pela espiritualidade de Irmã Maria de São Pedro e da Santa Face, carmelita na mesma cidade de Tours, na França (1816-1848).
O Sr. Isodore Guérin, tio de nossa santa, ao ler a vida do famoso homem de Tours, tornou-se devoto da Santa Face e, por seu intermédio, foi instalado um quadro da Sagrada Face em uma das capelas laterais da catedral de São Pedro, em Lisieux. Teresinha amava muito este quadro. No coro do Carmelo havia também um quadro da Sagrada Face e nossa padroeira fará dela uma reprodução que será colocada no cortinado do seu leito de enfermo para, assim, contemplar com amor a Face querida do seu Bem-Amado (CA 5.8.9).
Aos 12 anos, Teresa se inscreve na Confraria reparadora de Tours (26.04.1885). A partir de 19.01.1889, data de sua tomada  do hábito, Irmã Teresa do Menino Jesus completará seu nome religioso, passando a assinar “da Santa Face”. Deu tanta importância este acréscimo, que ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada face”, ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus da Santa Face”.
No segundo modo de assinar, ela retira a preposição, talvez para ressaltar sua íntima ligação com a Sagrada Face. Provavelmente queira também mostrar o profundo nexo que une o mistério da Encarnação (Belém) ao da Paixão e Morte (Calvário), único e arrebatador mistério da bondade misericordiosa do Senhor.
Aos diversos sofrimentos próprios à vida religiosa, vividos por Teresa desde os 15 anos, deve-se acrescentar os advindos pela enfermidade mental de seu pai. Em 12.02.1889, o Sr. Martin precisa ser hospitalizado. Nesta situação de dor, Teresa escreve à sua irmã Celina: “Jesus arde em amor por nós… Olhe sua face adorável!… Olhe estes olhos fechados e abaixados!… Olhe essas chagas… Olhe Jesus na sua Face. Lá você verá como ele nos ama” (Carta 87).
Encontraremos diversos comentários sobre a Santa Face em outras cartas: “Sim, a face de Jesus é luminosa, mas se em meio às feridas e às lágrimas ela já é tão bela, como não o será quando a virmos no céu?… Oh, o céu, o céu! (Carta 95).
“Seu rosto estava escondido!… Ele o está ainda hoje, pois quem é que compreende as lágrimas de Jesus?” (Carta 105).
“Jesus me pegou pela mão, fez-me entrar em um subterrâneo onde não faz frio nem calor, onde o sol não brilha, e que não é visitado nem pela chuva nem pelo vento; um subterrâneo onde não vejo nada senão uma luz meio apagada, o brilho que espalham ao seu redor os olhos da Face de meu Noivo!…” (Carta 110).
“Após ter sorrido para Jesus no meio das lágrimas, você gozará dos raios de sua Face divina… ” (Carta 149).
Em 1895, evocando seus anos de sofrimento, assim resumirá suas intuições: “A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas… Até então não sentira a profundidade dos tesouros escondidos da santa Face… Aquele cujo reino não é deste mundo me mostrou que a verdadeira sabedoria consiste em “querer ser ignorada e tida por nada” – em “por sua alegria no desprezo de si mesmo”… Ah, como o de Jesus, eu queria que “Meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que na terra ninguém me reconhecesse” (MA 77v).
Celina (Irmã Genoveva), a respeito do amor de Teresa à Sagrada Face, escreveu: “Esta devoção foi o coroamento e o pleno desabrochar de seu amor pela sagrada Humanidade de Jesus. A Santa Face era o espelho no qual contemplava a Alma e o Coração de seu Amado, em que ela o contemplava em sua inteireza” (Conselhos e Lembranças).
A Santa Face não foi para Teresa uma simples devoção privada: encontra-se no coração de sua Cristologia, de seu amor apaixonado pelo Jesus escondido. Contudo sabia que o Desfigurado seria um dia Transfigurado em sua Ressurreição. No Processo Informativo Ordinário, Irmã Maria do Sagrado Coração irá afirmar: “Desde muito tempo, ela tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus e à Sagrada Face, mas esta última devoção se desenvolveu, sobretudo no Carmelo” (PO 250).
Fontes: “Santa Teresa de Lisieux, Diccionario”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, pp. 604-605.
“Dicionário de Santa Teresinha”, Pedro Teixeira Cavalcante, Ed. Paulus, 1997, p. 224

TERÇO DA SAGRADA FACE
Oferecimento
Ó Sagrada Face adorável
Espelho de sofrimento
Emblema Santo de dor
Pelos tormentos atrozes
Sofridos em vossa cruz
Aceitai as nossas dores
Para vos consolar, Jesus!
SOBRE A CRUZ, rezar (Creio, Pai Nosso, Ave Maria)
SOBRE O PAI NOSSO, rezar: Ó Jesus Cristo, fazei resplandecer a vossa face sobre nós.
Resposta: Permanecei Conosco Senhor!
NAS PRIMEIRAS AVE MARIAS, rezar: Sagrada Face de Jesus suavizai a nossa Cruz.
NAS OUTRAS AVE MARIAS, rezar: Senhor Jesus Cristo mostrai-nos a Vossa Sagrada Face e seremos salvos.
BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O CULTO DA SAGRADA FACE
Esta salutar devoção que se diria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte imprimindo sua Efígie Sagrada no Santo Sudário, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável, seja em virtude da decisiva importância que a Divina Face teve na vida de Santa Terezinha, ou pelos surpreendentes estudos da figura de Jesus na toalha mortuária de Turim, ou ainda por causa das recentes revelações à Beata Irmã M. Pierina de Micheli (+1945), privilegiada mensageira da Sagrada Face dos dias Atuais.
É como um sopro divino que passa sobre o mundo para combater os estragos das imagens sedutoras e preservar a humanidade dos castigos da justiça do alto. As consoladoras promessas de Nosso Senhor confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face. E além de tudo: a contemplação do divino Rosto é o meio mais fácil e eficaz de conhecer a Nosso Senhor e merecer, como que de imediato o seu amor. Sim, basta CONTEMPLÁ-LO.
Observou a este respeito a Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente ao seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
É o que quer dizer também o Papa Pio XII na sua Encíclica Haurietis Aquas: “É na Sagrada Face que se revela o Coração”.
Quanto a propagação, escreveu no dia 4 de junho de 1906 o Cardeal Gennari em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, referindo-a Sagrada Face da autoria da Madre Genoveva, irmã de Santa Terezinha: “O Santo Padre Deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda a propagação de seu culto particularmente aos Exmos. Senhores Bispos, bem como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornarem seus propagadores”.
E neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face” (Oss. Rom. 8-V-1930). Poderia esta devoção ter encontrado uma recomendação mais autêntica e abençoada? Propaguemos, pois, a imagem adorável do Nosso Salvador! Que cada família a possua! Zelemos por sua devoção nas terças feiras! Distribuamos conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça feira de carnaval, preparando-a por uma piedosa novena! Não há dúvida: a vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, Divina Fonte da verdadeira Paz e Liberdade.

NOVENA À SAGRADA FACE
Essa edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nesses últimos tempos um desenvolvimento considerável. As consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
Observou a esse respeito Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente a Seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
Zelemos por Sua devoção nas terças-feiras! Distribuamos, conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça-feira de Carnaval, preparando-nos por uma piedosa novena! Não há dúvida: à vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, divina fonte da verdadeira paz!

ORAÇÃO PREPARATÓRIA PARA TODOS OS DIAS
Senhor, procuro Vossa Face! Não me afasteis para longe dela por causa de meus pecados; não desvieis de mim Vosso Santo Espírito. Fazei brilhar sobre mim a luz da Vossa Face, instruí-me no caminho dos Vossos mandamentos. Eterno Pai, contemplai a Face de Vosso Filho e por seus infinitos merecimentos concedei-me um ardente desejo de reparar as injúrias feitas à Vossa Divina Majestade e a graça que desejo alcançar nessa novena. Assim seja.

19/02 – Primeiro dia
Oração: Oh! Amorosíssimo Jesus! Vossa palavra e a expressão de Vossa Face abrasada em amor, nos revelam, no Cenáculo, a veemência com que Vosso coração desejava a hora de dar-nos a Eucaristia! Inflamai meu coração de amor por esse sacramento adorável, visitando-o e recebendo-o freqüentemente com a pureza dos anjos. Consideração: Se Jesus me ama, se Sua Face me procura, o que me detém?… Que me pede Jesus, senão amor e confiança?… Negar-lhe-ei?…
Virtude a praticar: Desprendei-vos, pelo menos de coração, de todas as coisas da terra. Seja Jesus vosso tesouro. Oração final para todos os dias: Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, nós Vos suplicamos que, venerando a Face Santíssima de Vosso Filho, desfigurada na Paixão por causa de nossos pecados, mereçamos contemplá-la eternamente no resplendor da glória celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

20/02 – Segundo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh, Vítima Divina, meu doce Jesus! Face adorável, banhada em suor de sangue no Getsêmani, descobre-me a grandeza de Vossas dores e a gravidade dos meus pecados. Dai-me a mim e a todos os pecadores um sincero arrependimento com firmíssimo propósito de nunca mais pecar.
Consideração: Por toda a parte onde se mostrou sobre a terra, a Sagrada Face de Jesus abençoou, perdoou, curou e fez o bem…Jesus dirige o mundo com Seu olhar! Eu O invoco, porque não serei atendido?…
Virtude a praticar: Sede dócil às inspirações da graça. O olhar de Jesus que vos solicita é uma graça; entregai-vos a sua celeste influência.
Oração final sempre como no primeiro dia

21/02 – Terceiro dia
Oração: Oh! Meu amabilíssimo Jesus! Vossa Face augusta e serena teve uma expressão de dor imensa ao receber o beijo do traidor. Dai-me a graça, eu vos suplico, de participar de Vossa íntima aflição pelos sacrilégios que cometem os que Vos recebem em pecado mortal no Sacramento de amor, desagravando assim, a traição de Judas.
Consideração: Sim, eu sei, meu Redentor está vivo. Esta mesma Face que eu contemplo, hoje tão amargurada pela traição de um apóstolo infiel, hei de contemplar um dia radiante de graça e de esplendores. E, se eu for fiel, assim a contemplarei por toda a eternidade. Meu bom Jesus, mostrai-me Vossa Face.
Virtude a praticar: Fidelidade em observar os mandamentos divinos: “Falai, Senhor, Vosso servo Vos escuta”.
Oração final como no primeiro dia

22/02 – Quarto dia
Oração: Oh! Meu dulcíssimo Jesus! Vossa Face de infinita bondade é objeto do mais vil insulto pela cruel mão de um servo em casa de Anás. Assim Vos tratam, meu doce Salvador, porque aborrecem Vossas palavras de justiça e de caridade sem limites. Não permitais que eu jamais me vingue de meus inimigos, mas que os perdoe sempre e de todo o coração.
Consideração: Devo oferecer-me inteiramente a Deus, para fazer só sua adorável vontade; farei esse oferecimento em união com Jesus orando, a Face contra a terra, no Jardim das Oliveiras.
Virtude a praticar: Fazei penitência; praticai a contrição de vossos pecados alheios; aceitai, em espírito de expiação, as penas e amarguras que Deus aprouver enviar-vos.
Oração final como no primeiro dia

23/02 – Quinto dia
Oração: Oh! Meu pacientíssimo Jesus! Na noite tenebrosa de Vossa Paixão, Vossa Face sacrosanta tornou-se semelhante à de um leproso! Desprezos, escarros, bofetadas e injúrias sem número, desfiguram Vosso formoso semblante! Perdoai, Senhor, Vosso povo ingrato que com suas blasfêmias e crimes de toda espécie, renovam tão horríveis afrontas à Vossa Face augusta e venerada! Perdoai, Senhor!
Consideração: Jesus tem os olhos cerrados para não ver meus pecados… Continuarei nas minhas iniqüidades?… Até quando afrontarei essa Face que pacientemente sofre e me espera?… Até quando?… Até quando?… Não a consolarei com a minha entrega total?
Virtude a praticar: Tende a coragem da fé, não temais o olhar e as palavras dos homens, quando se tratar de um dever a cumprir ou de uma falta a evitar.
Oração final como no primeiro dia

24/02 Sexto dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Soberano Rei e Salvador! A majestosa dignidade de Vossa Face, vilipendiada e coroada de espinhos, proclamou solenemente Vossa realeza sobre as nações, confirmadas pela profética voz de Pilatos diante do povo judeu, ao dizer: “Eis o vosso Rei”. Concedei-me, ó Rei da Glória, um ardoroso zelo para propagar Vosso Reino, ainda que seja à custa de minha vida.
Consideração: Acabrunhado sob o peso de minhas iniqüidades, que farei diante de meu divino Rei? Por que hesitas, minha alma…Não é Ele teu Salvador?… Por acaso sua Face não te contempla com doçura e amor? Cheia de confiança, prosta-te aos pés de Jesus, dizendo-lhe de todo coração: “Meu Senhor e meu Rei! Eis aqui minha alma e meu corpo: eu me ponho, inteiramente sob o império de Vossa Face ultrajada”. Reinai sobre mim para sempre!
Virtude a praticar: Fazer morrer em vós, pela mortificação, todos os desejos e movimentos aviltantes que poderiam ofender a Sagrada Face e renovar as suas dores.
Oração final como no primeiro dia

25/02 – Sétimo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu querido e generosíssimo Jesus! Vossa Face de Deus-Homem se iluminou, subitamente, com os esplendores de um santo gozo, ao estreitar em Vossos braços a suspirada cruz! Dai-me coragem para tomar a minha cruz e seguir-vos com ânimo constante e generoso até o fim de minha vida.
Consideração: Se amo e me compadeço verdadeiramente dos ultrajes pela Face adorável de meu Salvador, devo amar meus irmãos desgarrados e pedir a Deus que os converta.
Virtude a praticar: Que o zelo de reparação vos inflame! Exercei-o por meio de comunhões, orações, palavras e exemplos, enfim, por todos os meios que a vista do mal cometido deve inspirar-vos.
Oração final como no primeiro dia

26/02 – Oitavo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu terníssimo Jesus! Qual não deve ter sido a expressão de doçura de Vossa Face, quando Verônica se aproximou de Vós para enxugá-la! Com que amorosa gratidão a contemplastes e qual não foi o seu assombro ao achar impressa em seu véu a Vossa Face desfigurada, mas cheia de amor!… Fazei que eu contemple, meu amado Redentor, Vossa Paixão com tanto amor e ternura que os traços da Vossa Face fiquem gravados em meu coração.
Consideração: Meditando no amor de Deus por mim, amor estampado em Sua Face retalhada e amortecida, ainda terei dificuldade em esquecer os males que me causaram, de perdoar os que me ofenderam, de qualquer maneira, de amar sinceramente meu próximo e pedir a salvação para todos os homens?…
Virtude a praticar: Suportar pacientemente as injúrias e as friezas de vosso próximo, aceitai o que elas têm de penoso para o coração, em espírito de reparação, por tudo o que Jesus sofreu em Sua Face adorável.
Oração final como no primeiro dia

27/02 – Nono dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu Santíssimo e amado Jesus! Vossa Face de Reparador divino, coberta pelas sombras da morte, aplacou as justiças do Eterno Pai, e Vossas últimas palavras foram penhor seguro de eterna felicidade. Que minha vida e minha morte sejam uma contínua reparação unida à Vossa e à de Vossa Mãe Santíssima, a quem invocarei sempre com o nome da Mãe.
Consideração: Quando irei e aparecerei diante da Face de meu Deus? Quando o verei face a face?…
Virtude a praticar: “Quem me contempla me consola! Se alguém contemplar a minha Face Eu derramarei meu amor nos corações e por meio de minha Face se obterá a salvação de muitos pecadores!” Almas generosas, procurai e contemplai sempre a adorável Face de Jesus!
Oração final como no primeiro dia

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Esta edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável.
Seja em virtude da decisiva importância que a Divina FACE teve na vida de Santa Teresinha, ou dos surpreendentes estudos da figura de JESUS na toalha mortuária de Turim, como ainda por causa das recentes revelações a Irmã M. Pierina de Michele (+1945), a privilegiada mensageira da SAGRADA FACE.
Irmã M. Pierina de Michele tomou o hábito das Filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de Maio de 1914. Alma ardente de amor a JESUS e às almas, entregou-se desde logo incondicionalmente ao Esposo Divino, e Ele a fez objeto de suas complacências. Desde criança, praticava atos de reparação, os quais, aos poucos, levaram-na a uma imolação completa de si mesma. Por isso não é de admirar, que, quando menina de doze anos apenas na Sexta-feira Santa, na Igreja de São Pedro em Milão, ouvi-se uma voz bem clara a dizer-lhe: “ninguém me dá um beijo de amor na FACE, para reparar o beijo de Judas”.
Quando noviça ainda, obteve a licença de fazer adoração noturna, e quando na noite de Quinta-feira Santa estava rezando diante do crucificado, escutou as palavras “Beija-me!” Irmã Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentira viva a FACE DE JESUS.
A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre superiora ali a encontrou, já era de manha. O coração abalado com o sofrimento de JESUS, sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na SAGRADA FACE e continua a receber cada dia no SANTÍSSIMO SACRAMENTO. Em 1919, Irmã Pierina é transferida para a Casa-Mãe em Buenos Aires. Ali no dia 12 de Abril de 1920, quando durante uma oração se queixava de suas aflições, JESUS se lhe manifestou ensangüentado, e com ternura e dor ao mesmo tempo lhe disse: “E EU, que é que fiz!” (para sofrer tanto). “Destas palavras eu nunca me esquecerei”, escreveu Irmã Pierina em seu diário.
Mas agora compreendia a Devoção à SAGRADA FACE, que daí em diante se tornou seu livro de meditação. Em 1921, voltou pra Milão, onde continuo a intensificar seu amor a JESUS. Eleita logo depois superiora da Casa de Milão, não tardou a ser nomeada superiora regional da Itália.
Mas apesar de seus muitos trabalhos, não deixou de ser Apóstola da Devoção à SAGRADA FACE, tanto entre suas irmãs como entre as pessoas conhecidas; contudo, procurando sempre ocultar seus privilégios divinos, dos quais as próprias irmãs de hábito, raríssimas vezes, foram testemunhas.
Irmã M. Pierina, um dia, até pediu a JESUS que sua vida passasse desapercebida; pedido que lhe foi concedido. Com o passar dos anos, JESUS se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensangüentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
Durante a oração noturna da primeira Sexta-feira da quaresma em 1936, JESUS, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua FACE coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que MINHA FACE, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração seja mais honrado. QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”.
Na terça-feira daquele ano, JESUS tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar a MINHA FACE, derramarei o Meu Amor nos corações, e por meio de MINHA SAGRADA FACE obter-se-á a salvação de muitas almas”. Beata Irmã M. Pierina faleceu, unindo-se Àquele que amou tanto, em 26 de julho de 1945.
Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral; foi uma passagem de amor como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: “tenho sentido uma imensa necessidade de viver sempre mais unida a JESUS, de amá-lo intensamente, para que minha morte seja uma passagem de amor ao meu JESUS”.

Fazer o bem a quem sofre

Solidariedade

Sexta-feira, 29 de janeiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

“O importante é caminhar ao lado do homem que sofre. Talvez, mais do que da cura, ele precise da nossa presença”, declarou o presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral Saúde

O Vaticano apresentou nesta quinta-feira, 28, a XXIV Jornada Mundial do Enfermo que será celebrada de forma solene em Nazaré, na Terra Santa, no dia 11 de fevereiro.

“Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: Fazei o que Ele vos disser” é o tema da Mensagem do Papa para a ocasião. O Dia Mundial do Enfermo é celebrado de forma solene  a cada três anos.

O evento foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, Dom Zygmunt Zimowski, com a participação de Monsenhor Jean-Marie Musivi Mupendawatu e Padre Augusto Chendi, membros do dicastério vaticano, e do secretário geral da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, Padre Pietro Felet.

Na mensagem, divulgada em setembro do ano passado, o Papa explica que este Dia Mundial do Enfermo se inscreve muito bem no Jubileu extraordinário da Misericórdia. Daí, ter sido escolhida Nazaré, na Galileia, onde Jesus fez o primeiro milagre por intercessão da Mãe e também realizou muitas curas, sinal da proximidade aos doentes e aos que sofrem.

“A grave enfermidade coloca sempre a existência humana em crise e traz consigo interrogações que escavam sempre em profundidade”, diz o Papa na mensagem, que destaca porém, que se a fé em Deus é colocada à prova, ao mesmo tempo revela toda a sua potência positiva. Diante disso, o Arcebispo Zimowski explicou na coletiva, que o Dia Mundial do Enfermo encontra a sua razão de ser.

“Fazer o bem a quem sofre e fazer do próprio sofrimento um bem, ou seja, sensibilizar os doentes, para oferecer seus sofrimentos em favor dos outros, em favor da Igreja.”

O arcebispo destacou que por vezes, o fato de não poder curar, de não poder ajudar como Jesus, nos intimida, e orientou que cada pessoa busque superar isso. “O importante é caminhar ao lado do homem que sofre. Talvez, mais do que da cura, ele precise da nossa presença, do homem, do coração humano repleto de misericórdia e da solidariedade humana.”

Vocação

Para o arcebispo é importante apoiar a “bonita tradição”, de que a obra do médico e do enfermeiro é vista não somente como uma profissão, mas também como um serviço, uma vocação. “O cuidado para com os menores e os anciãos, o cuidado para com os doentes mentais constituem, mais do que em qualquer outro âmbito da vida social, a medida da cultura da sociedade e do Estado.”

Indulgência

Por sua vez, Padre Chendi recordou a graça concedida pelo Papa Francisco da indulgência plenária e parcial para quem, segundo diferentes modalidades, de 7 a 13 de fevereiro, participar das intenções do dia Mundial do Enfermo.

Evento

Muitos eventos estão programados para esses dias na Terra Santa, não somente em Nazaré, mas também em Belém e Ramallah, para ir ao encontro das exigências dos peregrinos e dos fiéis residentes, alguns dos quais impedidos de ir e vir por parte autoridades, explicou o padre.

 

Mensagem do Papa Francisco para o XXIV Dia Mundial do Enfermo
Terça-feira, 15 de setembro de 2015

Amados irmãos e irmãs!

A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos cuidam de vós.

Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido – Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (4, 18-19).

A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido…

Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue pela Mãe, Maria, perita deste caminho.

Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da alegria da festa. Maria dá-Se conta da dificuldade, de certa maneira assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-Se a Jesus e apresenta-Lhe o problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2, 3). E quando Jesus Lhe faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-Se (cf. v. 4), Maria diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho, um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento podemos tirar, para a Jornada Mundial do Doente, do mistério das bodas de Caná?

O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos, as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança, fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2 Cor 1, 3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos.

Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos de doenças, enfermidades e espíritos malignos, dará vista aos cegos, fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos, ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc 7, 21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria – sugerido pelo Espírito Santo ao seu coração materno – fez revelar-se não só o poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia.

Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis, porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt 11, 4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles, algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo que o Pai nunca nega a quantos Lho pedem com confiança.

No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são chamados «serventes» e que d’Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Naturalmente, o milagre dá-se por obra de Cristo; contudo Ele quer servir-Se da ajuda humana para realizar o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas vasilhas. Mas quer valer-Se da colaboração humana e pede aos serventes que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mc 10, 45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente: enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2, 7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos.

Nesta Jornada Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d’Ele e nossa, que nos conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e, concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se o Mestre (cf. Lc 9, 23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido.

Se soubermos seguir a voz d’Aquela que recomenda, a nós também, «fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa vida em vinho apreciado. Assim, esta Jornada Mundial do Doente, celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para superar qualquer barreira e divisão.

Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio: Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito Santo, tornando-se instrumento de encontro com o mundo muçulmano.

A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados, desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia. «A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid., 24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos. Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente com as alegrias e consolações, dirigindo-Lhe a nossa oração para que Ela pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Setembro – Memória de Nossa Senhora das Dores – do ano 2015.

FRANCISCUS

Mensagem do Papa para Dia Mundial do Enfermo 2018

Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa enfatiza serviço da Igreja aos doentes e pede a intercessão de Maria por todos os enfermos

O Vaticano publicou nesta segunda-feira, 11, a mensagem do Papa Francisco para o próximo Dia Mundial do Enfermo, que será celebrado em 11 de fevereiro de 2018. No texto, Francisco reafirma o serviço da Igreja aos doentes e destaca o exemplo de Maria no cuidado para com essas pessoas.

A mensagem traz como tema as palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27). São Palavras que deram origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade, explica Francisco na mensagem.

Segundo o Papa, a vocação materna da Igreja para com os necessitados e doentes concretizou-se em uma série de iniciativas em favor dos enfermos e constitui uma história de dedicação que não deve ser esquecida.

“A imagem da Igreja como ‘hospital de campo’, acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população”.

O Santo Padre destaca ainda no texto o trabalho da Pastoral da Saúde como necessário e essencial e recorda a ternura e perseverança de tantas famílias ao acompanhar seus doentes. Segundo o Papa, os cuidados por parte da família são testemunho de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados.

“Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um”.

Francisco concluiu a mensagem confiando a Maria todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. “A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas”.

 

Mensagem do Papa Francisco para o 26º Dia Mundial do Enfermo (11 de fevereiro de 2018)

Mater Ecclesiae: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!”
E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua»
(Jo 19, 26-27)

Queridos irmãos e irmãs!

O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf. Lc 9, 2-6, Mt 10, 1-8; Mc 6, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.

Este ano, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).

1. Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.

Em primeiro lugar, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspetos materiais como os espirituais da sua educação.

O sofrimento indescritível da cruz trespassa a alma de Maria (cf. Lc 2, 35), mas não a paralisa. Pelo contrário, lá começa para Ela um novo caminho de doação, como Mãe do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação. Os Atos dos Apóstolos, ao descrever a grande efusão do Espírito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria começou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que não mais terá fim.

2. O discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.

3. João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus.

4. Esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos países onde existem sistemas de saúde pública suficientes, o trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de fornecer cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados da saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como «hospital de campo», acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.

5. A memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse serviço. Mas é preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade até ao sacrifício total de muitos fundadores de institutos ao serviço dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos séculos; o empenho na pesquisa científica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis. Esta herança do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais católicos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contrário, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orientações devem ser assumidas também pelos cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho.

6. Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (…) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18). Nos Atos dos Apóstolos, lemos a descrição das curas realizadas por Pedro (cf. At 3, 4-8) e por Paulo (cf. At 14, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um.

7. A Maria, Mãe da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos. A Igreja sabe que precisa duma graça especial para conseguir fazer frente ao seu serviço evangélico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa súplica insistente elevada à Mãe do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a vocação ao serviço da vida e da saúde. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.

Vaticano, 26 de novembro –
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – de 2017.

FRANCISCO

 

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