Com a Palavra

Tudo para a glória de Deus

Como fazer a vontade de Deus no trabalho?

A profissão de cada um é um meio para se fazer a vontade de Deus no dia a dia. Viver mal a profissão, trabalhar mal, sem competência e bom desempenho é uma forma de desobedecer à vontade de Deus. O trabalho foi colocado em nossa vida, por Deus, como “um meio de santificação”. Depois que o homem pecou no paraíso e perdeu o “estado de justiça” e “santidade” originais, Deus Pai fez do trabalho um meio de redenção para o homem.

“Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti. Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás a erva dos campos. Com suor do teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado” (Gen 3,17-19).Mais do que um castigo para o homem, o trabalho foi inserido na sua vida para a sua redenção. Por causa do pecado ele agora é acompanhado do “suor”, mas este sofrimento Deus o fez matéria-prima de salvação.

Sem o trabalho do homem não há o pão e o vinho que, na Mesa Eucarística, se transformam no Corpo e no Sangue de Cristo. Sem o trabalho do homem não teríamos o pão de cada dia na mesa, a roupa, a casa, o transporte, o remédio, a cultura, entre outros. Tudo que chega a nós é fruto do trabalho de alguém; é por isso que o labor é santo e nos santifica quando realizado com fé, conforme a vontade de Deus.

São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, durante a celebração de uma Santa Missa, no campus da grande universidade de Navarra, na Espanha, fez uma histórica homilia, como título “Amar o Mundo Apaixonadamente”. Ele fundou a prelazia para difundir a santidade no trabalho profissional e nas atividades diárias. Na homilia, ele falava da necessidade de “materializar a vida espiritual”. O objetivo era combater a perigosa tentação do cristão de “levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas”.

Santo Escrivá, um santo dos nossos dias, canonizado em 2002 por João Paulo II, olhava a vida com grande otimismo e considerava o trabalho e as relações humanas com alegria e dizia que: “O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus”. “Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus”.

Na verdade, somente com essa ótica podemos entender plenamente o mundo com os olhos de Deus. Nem o marxismo cultural, materialista e ateu, nem o consumismo desenfreado de nossos dias, nem o hedonismo, que busca o prazer como fim, podem dar ao homem moderno a felicidade e a verdadeira paz.

Qualquer que seja o trabalho, sendo honesto, é belo aos olhos de Deus Pai, porque com ele estamos “cooperando com Deus na obra da criação”. Não importa se o trabalho consiste nos simples afazeres de uma doméstica ou nas complicadas tarefas de um cirurgião que salva uma vida, tudo é importante diante do Senhor. O que mais importa é a intensidade do amor com que cada trabalho é realizado. Ele se tornará eterno na vida futura.

São Josemaría Escrivá falava da necessidade de o Cristianismo ser encarnado na vida cotidiana. “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens. Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor. Servi ao Senhor Jesus Cristo” (Col 3,13).

Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como o “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça como se o próprio Jesus fosse vesti-las. Se você cozinha, faça a comida como se o Senhor fosse comê-la. Se você é um pintor de paredes, pinte a casa como se ela fosse a morada do Senhor. Se você varre a rua, limpe-a como se o Senhor fosse passar por ela… Se você é um aluno, estude a lição como se o professor fosse o Senhor Deus.

É isso que São Paulo quer nos ensinar quando diz que “tudo deve ser feito de bom coração, como para o Senhor, e não para os homens”. É claro que com essa “nova ótica”, você vai trabalhar da melhor maneira possível, com todo o talento, cuidado, dedicação, competência, honestidade, pontualidade… perfeição, porque o fará para Deus. Isso santifica. Isso muda a nossa vida; e é a vontade de Deus. Isso o fará feliz. Quando trabalhamos assim, toda a vida se torna “sagrada”, pois é vivida plenamente para Deus.

É importante também notar o que São Paulo diz a seguir: “Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor”. Que “herança” é essa? É a vida eterna, o céu, o prêmio, por você ter sido “fiel no pouco”. Isso mostra que cada minuto do nosso labor aqui na terra, vivido por amor a Deus, com “reta intenção” de agradá-Lo, se transforma em semente de eternidade.

Felipe Aquino
[email protected] 

Testemunhar a fé

Ela nos reveste da graça de Deus

Quem é que nunca passou por tribulações e perseguições e diante destas realidades teve sua fé balanceada? Se você não passou por estes momentos prepare seu coração e sua alma, pois não há como fugir, mais cedo ou mais tarde eles virão. Porém,embora passemos por tribulações em nossa vida, estes são os momentos propícios para colocarmos nossa fé em prática.

Colocar a fé em prática, refire-se ao testemunho de vivência do Evangelho que cada um de nos precisamos oferecer ao mundo. E ao longo do nosso dia temos muitas oportunidades de vivermos conforme a vontade de Deus, quer seja mediante uma injustiça, traição, perseguição, se colocamos nossa fé em Cristo Jesus, nada será capaz de nos abalar. É engano pensarmos que existe um cristianismo sem o caminho da cruz.

Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24). Aqueles cristãos que possuem a consciência na fé que a dor faz parte da vida humana saberá enfrentar os sofrimentos e ao mesmo tempo serem felizes.

Estamos a poucos dias do início do Ano da Fé – dia 11 de outubro, proclamado pelo Papa Bento XVI, com esta motivação, nosso querido Papa deseja que nossa fé seja embasada e firme em Cristo, aquele que morreu, ressuscitou e esta em meio a nós. Afirma o Santo Padre na Carta Apostólica Porta Fidei: “A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de facto, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou.” “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6).

Não percamos a oportunidade de em cada situação adversa testemunhar nossa fé. As graças de Deus para nós neste tempo é que vivamos com esperança. Esperança que nasce da certeza da fé. A fé nos reveste da graça de Deus. A fé vivenciada nas dificuldades nos fortalece a não ficarmos centrados em nós mesmos, mas buscarmos o Senhor.

Sejamos humildes em reconhecermos que não temos capacidade de resolver nenhum problema sozinhos. Mas com o Senhor tudo podemos. Desta forma, que ao longo da nossa jornada e principalmente neste Ano da Fé, possamos ser animadores uns dos outros, por meio do nosso testemunho de fé.

Adailton Batista
http://blog.cancaonova.com/metanoia
03/10/2012

Acolher a Palavra de Deus

Como a Palavra de Deus se torna vida em nós?

Como acolher a Palavra de Deus? Como viver uma vida nova? Estas são questões fundamentais para todos os cristãos, pois a Palavra de Deus se fez carne em Jesus Cristo, para que por Ele tenhamos a vida. Somente em Jesus temos uma vida nova, segundo o Espírito; mas como acolher essa vida em nós?

Jesus nos fala, neste versículo do Evangelho de João (cf. Jo 6, 63), sobre uma realidade fundamental de nossa fé. A Sua Palavra é para nós espírito e vida, porém, não uma vida no sentido da carne, da existência biológica, mas a vida segundo o Espírito. Existe um dinamismo para que a Palavra de Deus realize a Sua obra em nós. Esta se realiza segundo o dom do Espírito Santo, que é concedido pelo Pai aos que creem. Temos de acolher os textos bíblicos com o dom da fé que já foi infundido em nós pelo Senhor, para nos encontrar com Cristo, Palavra eterna do Pai.

Tal dinamismo da ação divina aconteceu de forma única na anunciação da encarnação do Verbo, quando o Anjo apareceu a Virgem Maria e lhe revelou o desígnio divino a seu respeito. Ele anunciou que ela seria Mãe do Filho de Deus e que Ele se chamaria Jesus (cf. Lc 1,31-32). Nossa Senhora tinha fé, mas não compreendeu completamente o anúncio do Anjo. Mesmo assim, ela acolheu o desígnio salvífico do Senhor para si, mas também para toda a humanidade. Quando ela acolheu a Palavra, o Verbo de Deus, o Pai enviou o Seu Espírito e esse Verbo se faz carne no ventre de Maria.

O primeiro passo para acolher a Palavra é acreditar, ter fé e acolher o desígnio de Deus a nosso respeito. Ainda que não saibamos como serão todas as coisas, assim como aconteceu com a Virgem Maria, acolhamos Jesus Cristo em nossas vidas. Quando O acolhemos, o Espírito nos dá a vida; não segundo a carne, mas a vida segundo o Espírito. Essa é a vida do próprio Cristo, que é gerada em nós, no ventre de Maria, pela ação do Espírito Santo.

O segundo passo é este que acabamos de mencionar, ou seja, acolher Nossa Senhora em nossas vidas. Foi Maria quem gerou o Verbo de Deus e é ela quem vai gerar a Palavra em nós. É a Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, quem vai gerar a carne de Jesus Cristo em nós. Esta é a vida que o Pai quer nos dar, a vida de Seu Filho Jesus Cristo, que se realiza em nós pelo Espírito Santo.

A Palavra de Deus se realiza em nós do mesmo modo que aconteceu na Encarnação de Jesus, ou seja, no ventre da Virgem Maria. Por isso, nos unamos a Nossa Senhora em oração, como os discípulos e apóstolos de Jesus depois da Sua Ascensão (cf. At 1,14), para que aconteça um novo Pentecostes em nossas vidas (cf. At 2,1-13). Foi a partir do Pentecostes que a Palavra recebida pelos apóstolos e discípulos tornou-se vida e, pela força do Espírito Santo, eles puderam anunciar, com intrepidez, a Boa Nova da salvação em Jesus Cristo.

Natalino Ueda – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/tododemaria
10/09/2012

Desceu à mansão dos mortos

É na esperança que fomos Salvos!

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech. , 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu  pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:

“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas”. (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pag. 12(240).

Felipe Aquino
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Vocação: um desafio, uma conquista

Descubra a sua e, certamente, encontrará prazer em realizá-la

Conhecemos muitas pessoas que dizem amar sua profissão, seu trabalho e que, até mesmo, o faria sem remuneração. O prazer no cumprimento daquilo que nos identifica sobrepuja qualquer outra necessidade aparente.

Certamente, muitos de nós já ouvimos perguntas como: “O que você vai ser quando crescer?”, “O que você fará após o colegial?”, “Que profissão você seguirá?”. Numa pergunta simples está contido, implicitamente, o desafio de perceber, por meio das nossas habilidades, as leves indicações que demonstrarão nossa simpatia por determinada atividade. Embalados por esta simpatia, somos atraídos em assumir o que, possivelmente, deveremos abraçar como vocação.

Qual seria a incógnita que decifraria os resultados da certeza de nossa vocação? Se esta fosse um organismo vivo, qual seria o código genético que a comporia?  A partir desse momento, assumimos atitudes que auxiliarão na concretização da vivência daquilo que acreditamos ser nosso chamado, ainda que em estágio embrionário.

O contato com pessoas que já têm definidas suas vocações é muito importante para aqueles que ainda vivem seu estado de discernimento. Ao contrário do que poderíamos pensar, uma pessoa que se diz realizada em sua vocação não está isenta de dificuldades e provações; contudo, sente-se investida de uma força que sempre a impulsionará a continuar com alegria na sua caminhada para as novas descobertas.

Para cada um há um chamado que ressoa desde o princípio em nossa alma, um chamado específico para a realização de uma missão também específica. Interessante considerarmos que para determinada missão ninguém poderá nos substituir para o seu cumprimento plenamente, pois, da mesma maneira que eu não teria o zelo de um jardineiro vocacionado ao seu jardim, outros não teriam o mesmo zelo para com aquilo que a você foi reservado como missão.

Incrustada na rocha dos nossos desafios, está a joia da nossa vocação. A cada novo desafio, a cada conquista, fundamenta-se em nosso ser a certeza de que, realmente, estamos lapidando uma pedra de valor ímpar. A dedicação e a persistência, no desejo de levar a cabo o que sentimos, revigora nossas forças.

Deus abençoe sua vocação!

Dado Moura
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Padeceu sob Pôncio Pilatos

Foi crucificado, morto e sepultado

Na Profissão de Fé do Papa Paulo VI, ele disse: “Cremos que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo sacrifício da cruz, nos remiu do pecado original e de todos os pecados pessoais cometidos por cada um de nós; de sorte que se impõe como verdadeira a sentença do apóstolo: ‘onde abundou o delito, superabundou a graça'” (cf. Rm 5,20) (n.17).

Os apóstolos deixaram claras as razões da morte de Jesus: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (cf. 1Cor 15,3). “Foi Ele quem nos amou e enviou Seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados” (cf. 1Jo 4,10). “Foi Deus que, em Cristo, reconciliou o mundo consigo” (cf. 2 Cor 5,19). Ele significou isso e o antecipou durante a Última Ceia: “Isto é meu corpo, que será dado por vós” (Lc 22,19). João Batista viu e mostrou, em Jesus, o “Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo 1,29). O Senhor é o Servo Sofredor que se deixa levar, silencioso, ao matadouro e carrega o pecado das multidões, é o verdadeiro Cordeiro Pascal.

São Pedro explicou o projeto divino de salvação: “Fostes resgatados da vida fútil que herdastes de vossos pais, pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeitos e sem mácula, conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado, no fim dos tempos, por causa de vós” (1Pd 1,18-20).

A Igreja ensina que “os pecados dos homens, depois do pecado original, são punidos com a morte” (cf. Rom 5,12; §602); então, por meio de Jesus, Seu Filho amado, Deus supre essa exigência: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus” (2Cor 5,21).

O Catecismo ensina que “nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condições de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de se oferecer em sacrifício por todos. A existência em Cristo da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao mesmo tempo, abraça todas as pessoas humanas, e que o constitui a cabeça de toda a humanidade, torna possível seu sacrifício redentor por todos” (§616).

Jesus assumiu livremente, morreu por nós, agiu de maneira soberana: “Ninguém me tira a vida, mas eu a dou livremente” (Jo 10,18). É “o amor até o fim” (cf. Jo 13,1) que confere o valor de redenção e reparação, de expiação e de satisfação ao sacrifício de Cristo. Ele mesmo vai ao encontro da morte; Seu desejo era fazer a vontade do Pai. “’Eis-me aqui… eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’. Graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do Corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas” (cf. Hb 10,5-10). “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar sua obra” (Jo 4,34). O sacrifício de Jesus “pelos pecados do mundo inteiro” (cf. 1Jo 2,2) é a expressão de sua comunhão de amor ao Pai: “O Pai me ama, porque dou a minha vida” (Jo 10,17). “O mundo saberá que amo o Pai e faço como Ele me ordenou” (cf. Jo 14,31).

A morte de Jesus faz parte do mistério do projeto de Deus, como explica São Pedro em Pentecostes: “Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus” (At 2,23); mas isto não quer dizer que os traidores de Jesus cumpriram, “na marra”, uma decisão de Deus. Não, todos agiram livremente e foram culpados. O Senhor estabelece Seu projeto eterno de salvação da humanidade, incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça. (cf. §600)

Cristo foi obediente ao Pai “até a morte de cruz” (Fl 2,8); assim realizou sua missão expiadora do Servo Sofredor que “justificará a muitos a levar sobre si as suas transgressões”, como profetizou Isaías. Mas, por que as autoridades crucificaram Jesus? Muitos atos e palavras d’Ele foram um sinal de contradição para as autoridades religiosas de Jerusalém, como tinha dito o velho Simeão (Lc 2, 34). Aos olhos de muitos parece que Jesus agia contra as instituições essenciais do povo judeu: a Lei de Moisés, o Templo e a fé no único Deus, Javé.

A morte de Jesus foi verdadeira. Como disse o profeta Isaias: “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8) e “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades, nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

A Igreja ensina que, durante a permanência de Cristo no túmulo, “Sua Pessoa Divina continuou a assumir tanto a Sua alma como o Seu corpo, embora separados entre si pela morte. Por isso o Corpo de Cristo morto “não viu a corrupção” (At 2,27) (Cat. §630). A Ressurreição de Jesus “no terceiro dia” (1 Cor 15,4; Lc 24,46) foi a prova disso, pois os judeus acreditavam que a corrupção do corpo começava a partir do quarto dia.

Felipe Aquino / [email protected]

Profissão: Pai

A transmissão da fé aos filhos

Dar exemplo, dedicar tempo, rezar… a transmissão da fé aos filhos é uma tarefa que exige empenho.

Quando se busca educar na fé, não se deve separar a semente da doutrina da semente da piedade; é preciso unir o conhecimento com a virtude, a inteligência com os afetos. Neste campo, mais que em muitos outros, os pais e educadores devem cuidar do crescimento harmonioso dos filhos. Não bastam umas quantas práticas de piedade com um verniz de doutrina, nem uma doutrina que fortaleça a convicção de dar o culto devido a Deus, de tratar-lhe, de viver as exigências da mensagem cristã, de fazer apostolado. É preciso que a doutrina se faça vida, que resulte em determinações, que não seja algo desligado do dia a dia, que se converta em compromisso, que leve a amar Cristo e os demais.

Elemento insubstituível da educação é o exemplo concreto, o testemunho vivo dos pais: rezar com os filhos (ao levantar-se, ao deitar-se, ao abençoar os alimentos); dar a devida importância ao papel da fé no lar (prevendo a participação na Santa Missa durante as férias ou procurando lugares sadios – que não sejam dispersivos – para distrair-se) ; ensinar de forma natural a defender e transmitir sua fé, a difundir o amor a Jesus. “Assim, os pais infundem profundamente, no coração de seus filhos, deixando marcas que os acontecimentos posteriores da vida não conseguirão apagar”.

É necessário dedicar tempo aos filhos: o tempo é vida, e a vida – a de Cristo que vive no cristão – é o melhor que se lhes pode dar. Passear, organizar excursões, falar de suas preocupações, de seus conflitos. Na transmissão da fé, é preciso, sobretudo, “estar e rezar”; e se nos equivocarmos, pediremos perdão. Por outro lado, experimentar o perdão, o qual o leva a sentir que o amor que se lhes tem é incondicional.

Explica Bento XVI que os mais jovens, “desde que são pequenos, têm necessidade de Deus e capacidade de perceber Sua grandeza; sabem apreciar o valor da oração e dos ritos, assim como intuir a diferença entre o bem e o mal, acompanhando-os, portanto, na fé, desde a idade mais tenra”. Conseguir nos filhos a unidade no que se crê e o que se vive é um desafio que deve enfrentar evitando a improvisação, e com certa mentalidade profissional.

A educação na fé deve ser equilibrada e sistemática. Trata-se de transmitir uma mensagem de salvação, que afeta toda a pessoa e deve enraizar-se na cabeça e no coração de quem a recebe, ou seja, entre os quais mais queremos. Está em jogo a amizade que os filhos tenham com Jesus Cristo, tarefa que merece os melhores esforços. Deus conta com nosso interesse por fazer-lhes acessível à doutrina, para dar-lhes Sua graça e fixar-se em suas almas; por isso, o modo de comunicar não é algo acrescentado ou secundário à transmissão da fé, mas que pertence à sua dinâmica.

Para ser um bom médico não é suficiente atender os pacientes: há de estudar, ler, refletir, perguntar, investigar, assistir a congressos. Para sermos pais, temos de dedicar tempo e nos examinarmos sobre como melhorar no próprio trabalho educativo. Em nossa vida familiar saber é importante; o saber fazer é imprescindível e o querer fazer é determinante. Pode não ser fácil, porém convém sempre tirar alguns minutos do dia, ou umas horas nos períodos de férias, para dedicá-los à própria formação pedagógica.

Não faltam recursos que possam ajudar a este perfeccionismo: abundam os livros, vídeos e portais da internet bem orientados, nos quais os pais encontram ideias para educar melhor. Ademais, são especialmente eficazes os cursos de Orientação Familiar, que não só transmitem conhecimento ou técnicas, mas ajudam a percorrer o caminho da educação dos filhos e o da melhoria pessoal, matrimonial e familiar.

Conhecer com mais clareza as características próprias da idade dos filhos, assim como o ambiente no qual se movem seus iguais, forma parte do interesse normal por saber o que pensam, o que os move, o que os põe em dúvida. Em ultima análise, permita-se conhecê-los e isso facilitará educá-los de um modo mais consciente e responsável.

A. Aguiló
http://www.opusdei.org.br
10/08/2012

Carta aos pais

Reflexões espirituais de Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém do Pará

BELEM DO PARÁ, segunda-feira, 6 de agosto de 2012 (ZENIT.org) – Dirijo-me hoje, com grande alegria no coração, a todos os homens que receberam a graça da paternidade, participação misteriosa e sempre carregada de surpresas no ato criador de Deus. Com as mulheres, mães com as quais geraram vidas, vocês são indispensáveis à continuação da espécie humana sobre a terra, e mais ainda indispensáveis para serem imagens do Pai do Céu, a quem chamamos de “Pai nosso”. Em cada homem que se fez pai, quero saudar o exercício sadio da masculinidade, agradecendo-lhes pela vocação que Deus lhes confiou de serem personalidades carregadas de força e ao mesmo tempo de grande ternura.  A todos peço para valorizarem o dom de conquistarem sadiamente o maravilhoso mundo feminino, presente no recesso do lar que Deus lhes concedeu. Se casados há pouco ou muito tempo, não importa, suplico a Deus para todos os esposos a graça de redescobrirem o namoro permanente, feito de olhares e carinhos, surpresas e gestos gratuitos de atenção. A vocês foi entregue a tarefa de serem testemunhas do amor misericordioso do “Pai nosso”. Tomo a liberdade de entrar na casa daqueles homens que são pais, mas ainda não descobriram a beleza de um Sacramento feito para o homem e a mulher que se amam. De fato, o Matrimônio é graça de Deus, do mesmo modo que o Batismo, a Crisma, a Eucaristia e outros Sacramentos. Ele é um presente de Deus, não instituído para dar mais ou menos sorte a quem quer que seja, mas para transformar o casal que o recebe num sinal do amor de Cristo e da Igreja. Serve para que você, pai, aponte, com sua vida e seu amor, para aquele que, sendo “Pai nosso”, quer ser servido e amado por todos os homens e mulheres. Você é chamado a se casar na Igreja! Sei que há muitos pais que perderam filhos ou filhas e não os esqueço, como o “Pai nosso” não os esquece. Trata-se algo muito sério, pois relembro muitos homens aos quais me foi dada a graça de ajudar em momentos dolorosos. Quantas lágrimas correm de rostos enrijecidos pelas lutas da vida, quando o sofrimento bate à porta. Se palavras muitas vezes são insuficientes para consolá-los e às suas esposas e famílias, aceitem a presença da Igreja, que quer, mesmo no silêncio, dizer-lhes que não estão sós. Desfrutem a companhia da Comunidade católica, com a qual vocês, pais da terra, podem rezar o “Pai nosso”. Queridos pais, muitas vezes suas mãos calejadas, ou os rostos cansados, os passos corridos de quem vai para o trabalho, uniformes ou ternos, empregos formais ou não, foram usados como sinal do que vocês representam, a força de trabalho na sociedade. Ainda que tantas mulheres tenham trabalho, cargos e responsabilidades fora de casa, vocês são vistos como os provedores das famílias. E o provedor “providencia” e acaba muito parecido com aquele que é o Senhor da Providência, a quem pedimos o pão de cada dia, quando rezamos o “Pai nosso”. Em nome da Igreja, reconheço todo o bem que fazem, o valor de seus esforços, sua labuta, seu cansaço, seu desejo de melhores condições de vida para suas famílias. Dirijo-me agora aos pais que fazem muito e falam pouco, cuja dedicação e consciência são pouco conhecidas aos olhos humanos, mas patentes aos olhos de Deus. Vocês não são esquecidos por Deus nem pela Igreja. Desejo que Deus os faça superar a timidez e os ajude a se introduzirem mais e mais na vida das comunidades cristãs. Ajudem-nos a sermos bem realistas em nossas decisões. Ajudem seus filhos, sem se omitirem na hora da correção. Mostrem o rumo, pois esta é a graça própria da paternidade. Afinal de contas, o “Pai nosso” quis contar com vocês! Conheço também muitos homens que não experimentaram a fecundidade e por um motivo ou outro não tiveram filhos. Muitos de vocês deram um passo bonito, junto com suas esposas, assumindo filhos dos outros, através da adoção. Outros se tornaram pais de muitos outros, com sensibilidade social apurada, ajudando a quem precisa. Com todos estes homens, podemos dizer “Pai nosso”, porque na fecundidade do Pai do Céu cada um pode encontrar seu modo de fazer o bem e participar de seu amor infinito. Lanço agora meu olhar para os que ainda não são pais, mas querem sê-lo, os jovens ou adultos que se sentem chamados ao casamento e à fecundidade do matrimônio. Lembrem-se de que esta é uma vocação, um chamado, uma graça de Deus a ser acolhida e vivida com alegria. Não tenham medo das responsabilidades! Busquem o casamento e a família e não aventuras fortuitas. Saibam preparar-se bem para se realizarem na participação do mistério do “Pai nosso”. Enfim, há homens que foram chamados a outro tipo de paternidade, pois Deus lhes concedeu a graça de serem pais da grande família de seus filhos na Igreja. São tão importantes que nós os chamamos “padres”, mais fecundos do que qualquer pai de família. A eles agradeço por nos ensinarem a rezar o “Pai Nosso” e por gerarem os filhos de Deus pela Palavra e pelos Sacramentos. Com todos os pais no dia que lhes é dedicado, qualquer que seja sua idade ou situação, fazemos o que existe de melhor, rezando juntos: “Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o vosso nome, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

Pai Nosso: a oração dos filhos

Jesus Cristo nos ensina a nos dirigirmos a Deus como Pai

Com o Pai Nosso, Jesus Cristo nos ensina a nos dirigirmos a Deus como Pai: “Orar ao Pai é entrar em Seu mistério, tal como Ele é, e tal como o Filho no-lo revelou: “A expressão Deus Pai nunca fora revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem Ele era, ouviu outro nome. A nós este nome foi revelado no Filho, pois este nome novo implica o novo do Pai” (Tertuliano, De oratione, 3)» (Catecismo, 2779).

Ao ensinar o Pai Nosso, Jesus revela também a Seus discípulos que eles foram feitos partícipes de Sua condição de Filho. Mediante a revelação desta oração, os discípulos descobrem uma especial participação deles na filiação divina, da qual São João dirá no prólogo de seu Evangelho: “A quantos acolheram-No (isto é, a quantos acolheram ao Verbo feito carne), Jesus deu o poder de chegar a ser filhos de Deus” (Jo 1,12). Por isso, com razão, rezam segundo seu ensino: Pai Nosso”.

Jesus Cristo sempre distingue entre “meu Pai” e “vosso Pai” (cf. Jo 20,17). De fato, quando Ele reza, nunca diz Pai Nosso. Isto mostra que Sua relação com Deus é totalmente singular. Com a oração do Pai-Nosso, Jesus quer fazer conscientes Seus discípulos de sua condição de filhos de Deus, indicando, ao mesmo tempo, a diferença que há entre Sua filiação natural e nossa filiação divina adotiva, recebida como dom gratuito de Deus. 

A oração do cristão é a oração de um filho de Deus  que se dirige a seu Pai com confiança filial, a qual “se expressa nas liturgias de Oriente e de Ocidente com a bela palavra, tipicamente cristã: ‘parrhesia’, simplicidade sem rodeios, confiança filial, segurança alegre, audácia humilde, certeza de ser amado (cfr. Ef 3, 12; Hb 3, 6; 4, 16; 10, 19; 1 Jo 2, 28; 3, 21; 5, 14)” (Catecismo, 2778). O vocábulo “parrhesia” indica, originalmente, o privilégio da liberdade de palavra do cidadão grego nas assembleias populares, e foi adotado pelos padres da Igreja para expressar o comportamento filial do cristão ante seu Deus. Ao chamar Deus como ‘Pai Nosso’, reconhecemos que a filiação divina nos une a Cristo, “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29), por meio de uma verdadeira fraternidade sobrenatural. A Igreja é esta nova comunhão divina e dos homens (cf. Catecismo, 2790).

Por isso, a santidade cristã, ainda sendo pessoal e individual, nunca é individualista ou egocêntrica: “Se rezamos verdadeiramente ao nosso Pai, saímos do individualismo, pois o amor que acolhemos nos liberta. O adjetivo ‘nosso’, no começo da oração do Senhor, bem como o ‘nós’ dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que se diga em verdade (cfr. Mt 5, 23-24; 6, 14-16), devemos superar nossas divisões e oposições” (Catecismo, 2792).

A fraternidade, que estabelece a filiação divina, estende-se também a todos os homens, porque, em verdadeiro modo, todos são filhos de Deus —criaturas suas— e estão chamados à santidade: “Na terra, há apenas uma raça: a dos filhos de Deus”. Por isso, o cristão tem de se sentir solidário na tarefa de conduzir toda a humanidade para Deus.

A filiação divina nos impulsiona ao apostolado, uma manifestação necessária de filiação e fraternidade: “Pense nos demais —antes que nada, nos que estão a Seu lado— como nos que são filhos de Deus, com toda a dignidade desse título maravilhoso”.

Temos de nos portar como filhos de Deus com os filhos d’Ele: o nosso tem de ser um amor sacrificado, diário, feito de mil detalhes de entendimento, de sacrifício silencioso, de entrega que não se nota.

Manuel Belda
http://www.opusdei.org.br
02/08/2012

Filhos, uma bênção de Deus

“Não tenham medo da vida”, diz João Paulo II

Certa vez, o Papa Paulo VI disse a um grupo de casais: “A dualidade de sexos foi querida por Deus para que o homem e a mulher, juntos, fossem a imagem de Deus, e, como Ele, nascente da vida”. ”

A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”. (Cat.§ 2373)

Doando a vida, o casal humano se torna semelhante a Deus Criador. Pode haver missão mais nobre e digna do que esta na face da terra? Alguém disse certa vez, com muita razão, que “a primeira vitória de um homem foi ter nascido”.

Nada é tão grande e valioso neste mundo como o homem. Ensina a Igreja que “ele é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS 24). Por isso, o Catecismo da Igreja afirma que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC, 2378).

Será que acreditamos, de fato, nessas palavras da Igreja? Ou será que “escapamos pela tangente”, dando a “nossa” desculpa?   Lamentavelmente, estabeleceu-se entre nós católicos uma cultura “antinatalista”. Por incrível que pareça, “as preocupações da vida” (Lc 12,22;Mt 6,19) sufocaram o valor imenso da vida humana, levando as gerações à triste mentalidade de “quanto menos filhos melhor”. À luz do Cristianismo, é uma triste mentalidade, pois a Igreja sempre ensinou o valor incomensurável da vida.

O Salmo 126 diz com todas as letras: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu sua aljava…” (Sl 126,3-5). O amor é essencialmente dom. São Tomás de Aquino dizia que “o bem é difusivo” (Suma Teológica,I, q.5, a.4, ad1). Em outras palavras, ou o amor se doa ou, então, morre. Para o casal a maior doação é a vida do filho.

Santo Ireneu (†202) resumia, em poucas palavras, toda a grandeza do homem: “O homem vivo é a glória de Deus” (Contra as heresias IV, 20,7). Isto quer dizer que, com a criação do homem e da mulher à Sua imagem e semelhança, “Deus coroa e leva à perfeição a obra das Suas mãos” (Familiaris Consórtio, 28).

Assim, Ele nos chamou a participar do Seu poder de Criador e de Pai: “Deus os abençoou e lhes disse: “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra” (Gen 1,28).

Disse ainda o Papa João Paulo II: “A tarefa fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, na história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem. Fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos” (Familiaris Consortio, 28).

Todos esses ensinamentos nos levam ao que a Igreja afirma constantemente: “O amor conjugal deve ser plenamente humano, exclusivo e aberto à nova vida” (GS,50; HV,11; FC,29). A situação social e cultural dos nossos tempos, dificulta a compreensão dessa verdade. Vale a pena reler o que disse o Papa João Paulo II sobre isso:

“Alguns se perguntam se viver é bom ou se não teria sido melhor nem sequer ter nascido. Outros pensam que são os únicos destinatários da técnica e excluem os demais, impondo-lhes meios contraceptivos ou técnicas ainda piores.

“Nasceu, assim, uma mentalidade contra a vida (anti-life mentality), como emerge de muitas questões atuais. Pense-se, por exemplo, num certo pânico derivado dos estudos dos ecólogos e dos futurólogos sobre a demografia, que exageram, às vezes, o perigo do incremento demográfico para a qualidade da vida.

“Mas a Igreja crê, firmemente, que a vida humana, mesmo se débil e com sofrimento, é sempre um esplêndido dom do Deus da bondade. Contra o pessimismo e o egoísmo que obscurecem o mundo, a Igreja está do lado da vida” (Familiaris Consórtio, 30).

Muitos têm medo de não educar bem os filhos, pois eu lhes digo que, com Deus, é possível educá-los; basta que o casal se ame, crie um lar saudável e viva para os filhos com todas as suas forças e com toda dedicação. O resto, Deus e eles farão. Faça do seu filho um homem de bem; isto basta.

Felipe Aquino
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