Com a Palavra

O matrimônio do cristão

Os casais devem se amar como Cristo ama Sua Igreja

A diferença é brutal. Pelos anos 70, qualquer paróquia de médio porte alcançava um patamar de 500 casamentos por ano. Hoje, a média se concentra ao redor de uma centena anual, no máximo. Durante décadas, nós criticamos o luxo e a ostentação nas celebrações matrimoniais (todas querendo imitar a riqueza da família real inglesa).

O motivo dessas observações era que tais exageros envergonhavam os pobres que, por essa razão, preferiam não casar na Igreja. Analisando as eventuais razões que levaram a essa amnésia da graça sacramental de Cristo, poderíamos facilmente detectar as seguintes: laicização da vida religiosa. Trata-se de um problema de fé. Um dos noivos, ou os dois, não descobrem sentido no ato religioso.

Assim se ouve um vago propósito de “casarem-se mais tarde”. Mas, de momento, quando muito, casam-se só no civil. Outro motivo é o de deixar uma porta aberta para um eventual novo casamento. Como o casamento religioso tem uma força moral enorme para selar uma “aliança eterna”, então, para descomplicar uma eventual nova experiência, evita-se a celebração religiosa que poderia exigir grandes manobras burocráticas. “O que Deus uniu, o homem não separe” (Mt 19,6).

A nossa juventude católica, que não se une pelo sacramento do matrimônio, precisa crescer na fé. Deve saber que a cerimônia religiosa pode ser um momento de grande graça de fidelidade e de amor que o Cristo quer conceder aos noivos. Não casar pode ser sinal de perder uma grande bênção do Pai Criador. E por outra, não querer se vincular pelos laços sagrados do matrimônio, pode significar que a confiança recíproca ainda não atingiu a maturidade. Devem prolongar o tempo de conhecimento recíproco, e só depois “ajuntar os trapos”.

Mas devem se casar na Igreja para terem aquela bênção especial, que os faça acreditar na sua sublime missão de participar da obra da criação. Para o mundo inteiro, aqueles que “casam no Senhor” são praticantes do amor que Cristo tem pela Sua Igreja. E tem uma garantia de Cristo: “O Senhor é fiel, Ele haverá de vos dar forças e vos preservar do mal”  (2Tes 3,3).

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj

Maria, mãe da Igreja e da nossa fé

Catequese para a família, semana de 6 a 12 de outubro de 2013
http://www.zenit.org/pt/articles/maria-mae-da-igreja-e-da-nossa-fe

Nesta semana, Nossa Senhora nos incentiva a crescer na fé de forma ativa, mediante a oração e o testemunho.

Começamos esta segunda-feira, dia 7, com a memória de Nossa Senhora, a Virgem do Rosário, e terminamos, no sábado, com a festa de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e de Nossa Senhora do Pilar, na Espanha: uma semana muito mariana, em que podemos percorrer com os nossos dedos e com o nosso coração as contas do rosário ou a coroa mariana, contemplando, com os olhos da Nossa Mãe, ao lado dela e sob a sua orientação, cada palavra e gesto dos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Finalizamos a semana, no sábado, dia 12, com a festa dupla da padroeira do Brasil e da “Virgen del Pilar”. A história de Nossa Senhora Aparecida todos nós já conhecemos. A da Virgem do Pilar remonta à venerada tradição espanhola segundo a qual Maria apareceu para o apóstolo São Tiago em Saragoça, na Espanha, em cima de uma coluna ou pilar, como sinal visível da sua presença para incentivá-lo a evangelizar.

No último dia 2 de outubro, na Basílica do Pilar, o sacristão encarregado de fechar o acesso à área do altar maior e do coro adiantou o horário em alguns minutos, perto das duas horas da tarde, porque tinha outras tarefas a realizar. Assim, o acesso ficou interditado ao público alguns minutos antes do horário habitual e não havia fiéis naquela área às duas da tarde [período do dia que equivale, na Espanha, mais ou menos ao nosso meio-dia: é o horário de fechamento temporário para o almoço]. Pois bem: nada menos que uma bomba de fabricação caseira explodiu exatamente naquela hora, exatamente naquela área. A bomba tinha sido colocada embaixo de um banco aveludado, usado em cerimônias oficiais na basílica. O banco saltou em pedaços que arderam em chamas. Houve apenas uma pessoa ferida de leve: a onda expansiva da explosão afetou os tímpanos de uma mulher. Será que a Virgem Maria teve alguma coisa a ver com essa coincidência do fechamento da igreja com alguns minutos de antecedência?

Com o título duplo desta reflexão, “Mãe da Igreja e mãe da nossa fé”, termina a mais recente encíclica papal, a Lumen fidei. Com a mesma oração e intenções, com sentimentos de gratidão à mãe que tanto vela por nós, seus filhos, finalizemos:

“Mãe, ajudai a nossa fé!

Abri o nosso ouvido à Palavra, para que reconheçamos a voz de Deus e o seu chamado.

Avivai em nós o desejo de seguir os seus passos, deixando a nossa terra e confiando em sua promessa.

Ajudai-nos a acolher o seu amor, para podermos tocá-lo na fé.

Ajudai-nos a confiar plenamente nele, a crer no seu amor, em especial nos momentos de tribulação e de cruz, quando a nossa fé é chamada a crescer e a amadurecer.

Semeai em nossa fé a alegria do Ressuscitado.

Recordai-nos que aquele que crê não está sozinho nunca.

Ensinai-nos a olhar com os olhos de Jesus, para que ele seja a luz em nosso caminho.

E que esta luz da fé cresça continuamente em nós, até que chegue o dia sem ocaso, que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor”.

Razões para entender a indissolubilidade do matrimônio

Família

Há muitas razões para se entender a indissolubilidade do matrimônio

Jesus deixou bem claro que o casamento é uma realidade para toda a vida. Os fariseus perguntaram a Ele sobre o que Moisés tinha determinado, isto é, a possibilidade do divórcio: “É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?” (Mt 19,3).

O Senhor lhes deu uma resposta enfática: “Não lestes que o Criador, no princípio, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”. Jesus deixou claro: “Por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no princípio não foi assim”. E, por isso, Ele disse: “Eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério” (Mt 19,3-10).

Jesus enfatizou que “no princípio não era assim”, ou seja, “no coração de Deus”, quando Ele criou o homem e a mulher, estabeleceu o casamento para sempre. “Sereis uma só carne” (Gen 2,23). Carne na Bíblia quer dizer natureza humana.

Há muitas razões para se entender a indissolubilidade do matrimônio. São Paulo compara o casamento com a união de Cristo com Sua Esposa, a Igreja. “Maridos, amai as vossas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Ora, então o casamento é sinal da união eterna de Jesus com a Igreja, e de maneira indissolúvel. Ele não se separa da Igreja, e nem a Igreja d’Ele. O Senhor derramou Seu sangue por amor à Igreja, e Seus mártires fizeram o mesmo por amor a Ele.

A marca do verdadeiro amor é a indissolubilidade, pois amar é decidir fazer o outro feliz sempre. Isso não tem limite de tempo. Um amor provisório não é amor. Amar é comprometer-se com a felicidade do outro para sempre: na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-o e respeitando-o todos os dias da sua vida.

O casamento é a base da família, e esta é a base da sociedade. Se o casamento se dissolver, a família se dissolverá e a sociedade perecerá. O Papa João Paulo II usou palavras muito fortes para explicar isso. Ele disse que “a família é insubstituível”, que ela é “o santuário da vida”, um “patrimônio da humanidade”. Ela é a “Igreja doméstica”. Da importância da família se entende a importância da indissolubilidade matrimonial.

O casamento faz surgir uma prole: filhos, netos, bisnetos… É desta união permanente que surge a beleza de uma família, berço da vida. É triste quando se quebra o vínculo da unidade pela separação do casal. Por isso, é necessário que os casamentos sejam bem preparados, de modo que não haja casamentos que mais tarde um Tribunal da Igreja possa declarar que foi nulo. E, infelizmente, isso tem acontecido e muito, porque falta uma boa preparação para os casamentos. Muitos se casam sem maturidade, sem saber profundamente o que significa “amar”, dar a vida pelo outro e pela família.

Há casamentos que duram 50, 60, 65 anos… Uma vez li essa história:

“Um famoso professor se encontrou com um grupo de jovens que falava contra o casamento. Argumentavam que o que mantém um casal é o romantismo e que é preferível acabar com a relação quando esse se apaga, em vez de se submeter à triste monotonia do matrimônio.

O mestre disse que respeitava a opinião deles, mas lhes contou a seguinte história: “Meus pais viveram 55 anos casados. Numa manhã, minha mãe descia as escadas para preparar o café e sofreu um enfarto. Meu pai correu até ela, levantou-a como pôde e quase se arrastando a levou até à caminhonete. Dirigiu a toda velocidade até o hospital, mas quando chegou, infelizmente ela já estava morta. Durante o velório, meu pai não falou. Ficava o tempo todo olhando para o nada. Quase não chorou. Eu e meus irmãos tentamos, em vão, quebrar a nostalgia recordando momentos engraçados.

Na hora do sepultamento, papai, já mais calmo, passou a mão sobre o caixão e falou com sentida emoção: “Meus filhos, foram 55 bons anos. Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do que é compartilhar a vida com alguém por tanto tempo“. Ele fez uma pausa, enxugou as lágrimas e continuou: “Ela e eu estivemos juntos em muitas crises. Mudei de emprego, renovamos toda a mobília quando vendemos a casa e mudamos de cidade. Compartilhamos a alegria de ver nossos filhos concluírem a faculdade, choramos um ao lado do outro quando entes queridos partiam. Oramos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, trocamos abraços em cada Natal e perdoamos nossos erros. Filhos, agora ela se foi, eu estou contente. E vocês sabem por quê? Porque ela se foi antes de mim e não teve de viver a agonia e a dor de me enterrar, de ficar só depois da minha partida. Sou eu que vou passar por essa situação, e agradeço a Deus por isso. Eu a amo tanto que não gostaria que sofresse assim”.

Quando meu pai terminou de falar, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e ele nos consolou dizendo: “Está tudo bem, meus filhos, podemos ir para casa”.

Esse foi um bom dia. E, por fim, o professor concluiu: “Naquele dia, entendi o que é o verdadeiro amor. Ele está muito além do romantismo, e não tem muito a ver com o erotismo, mas se vincula ao trabalho e ao cuidado a que se professam duas pessoas realmente comprometidas”.

Quando o mestre terminou de falar, os jovens universitários não puderam argumentar, pois esse tipo de amor era algo que não conheciam. O verdadeiro amor se revela nos pequenos gestos, no dia a dia e por todos os dias. O verdadeiro amor não é egoísta, não é presunçoso nem alimenta o desejo de posse sobre a pessoa amada.

“Quem caminha sozinho pode até chegar mais rápido, mas aquele que vai acompanhado com certeza chegará mais longe.” “A paciência pode ser amarga, mas seus frutos são doces.”

Prof. Felipe Aquino, é viúvo, pai de 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Site do Professor: http://www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

O Matrimônio na História da Humanidade

Reflexões de Mons. Vitaliano Mattioli (nasceu em Roma em 1938, realizou estudos clássicos, filosóficos e jurídicos. Foi professor na Universidade Urbaniana e no Pontifício Instituto S. Apollinare em Roma e Redator da revista “Palestra del Clero”. Atualmente é missionário Fidei Donum na diocese de Crato, no Brasil)

O Estado vem depois da família. É o conjunto das famílias que constitui o Estado. Por isso o Estado não tem o poder de colocar as mãos em características fundamentais do instituto familiar, mas somente providenciar que a família sobreviva como instituição natural da sociedade. Vejamos, por exemplo, como em todas as culturas encontramos disposições em defesa da família como sociedade natural fundada sobre o matrimônio. Façamos um percurso histórico.
No Código de Hamurabe (1750, mais o menos, a.C.)  está escrito: “Se um homem  se casou com uma mulher, mas não concluiu o contrato com ela, esta mulher não pode ser acreditada como esposa legítima” (n. 128);  Se uma mulher casada é  surpreendida na cama com um outro homem, todos os dois devem ser amarrados e afogados” (n. 129). Já no V sec. a.C. os textos confucianos  nos falam da família como fundamento do Estado. Se a família não  vive conforme as virtudes, também o Estado não pode está bem. Para formar uma família virtuosa, a pessoa  deve esforçar-se para ser perfeita antes de casar-se. Na sociedade da antiga Índia, conforme a descrição do Kamasutra, o Tratado sobre o amor, descrito por Mallanaga Vatsyayana (III Sec. d.C.), o casamento é algo sagrado, é uma obrigação religiosa que envolve a comunidade. As famílias estão comprometidas no casamento dos filhos. Isto porque o casamento não é um fato privado. As leis do Manu (não tem uma data certa; mais ou menos entre o sec. II a.C. e o sec. II d.C.). No cap  terceiro  faz a lista  de oito modalidades para casar uma mulher e dos impedimentos. Na antiga Grécia, já antes de Homero, o matrimônio era considerado o fundamento da sociedade. A família por meio do  casamento, era a condição indispensável para a propagação da espécie humana. A família, nos antigos poemas, é apresentada com grande estima. Também nos tempos antigos, o casamento não tinha  uma legislação bem marcada, porém já aparece como um fato social; tem algumas cerimônias públicas e condições para que fosse um casamento reconhecido. Parece que a primeira forma legal específica foi introduzida pelo legislador Solon (Sec VI a.C.) que evidenciou as condições para que um casamento fosse reconhecido legitimo. Péricles (451 a.C.)  pusera outras condições. O casamento tinha um caráter sagrado. Terminada a festa do casamento, os casais agradeciam aos deuses, oferecendo um sacrifício, especialmente a Eros e Afrodite. O último ato consistia no registro do casamento no livro chamado fratria, junto a duas testemunhas. A seguir, veremos como no Império Romano, pátria do Direito, o Matrimônio era uma instituição muito valorizada.

Na sociedade romana, Roma é a pátria do direito. A legislação romana sobre o casamento é muito importante porque passou depois para o direito canônico. A mesma palavra “matrimônio” foi formada pelo direito romano. Matrimônio deriva do latim matris munus (ou munium) para evidenciar o papel importante da mulher na família; cônjuge (coniugium) “quia mulier com viro quasi uno iugo astringitur” (o homem e a mulher estão unidos no mesmo compromisso); connubio (connubium) da nubere, velar, pelo costume de pôr um véu (flammeum) sobre a cabeça da mulher. Para os romanos o matrimônio (sempre monogâmico; nunca foi admitida a poligamia, somente tolerada) era a convivência de um homem com uma mulher com a vontade de serem marido e mulher (affectio maritalis = carinho conjugal), que se devia manifestar com uma cerimônia pública. Este elemento distinguia o casamento da união livre.
No período antigo não existia o divórcio. A intenção de viverem juntos devia ser permanente, isto é, no momento do casamento as pessoas tinham que exprimir a vontade de permanecerem juntas por toda a vida. Ainda que também podia ser que no tempo esta vontade acabasse. A família era natural. Para o historiador Musonio Rufo (I sec. d.C.) existia somente a família legítima (união de um homem com uma mulher) abençoada por Júpiter. O casamento homossexual não era permitido. O imperador Nero casou-se por duas vezes na forma homossexual. Porém nunca o direito romano reconheceu o casamento homossexual. Assim se encontra em Tacito, Suetonio, Dione Cassio. Cicero definiu o matrimônio: “Prima societas in ipso coniugio est…; id autem est principium urbis et quasi seminarium rei publicae” (De Officiis, I, 17, 54; O casamento é a primeira sociedade…; por isso é o primeiro princípio da cidade e o viveiro do Estado). A definição clássica do matrimônio é aquela do jurista Erennio Modestino (m. 244 d.C.): “Nuptiae sunt coniunctio maris et feminae et consortium omnis vitae, divini et humani iuris communicatio” (Dig. 23,2,1) (União de um homem com uma mulher, uma comunhão por toda a vida, com a aceitação de tudo o que é exigido pelo direito humano e divino). Com as palavras Coniunctio maris et feminae Modestino entendia a união sexual. Poucos anos antes, Ulpiano com esta coniunctio entendia o matrimônio mesmo, conteúdo no direito natural. Ele dizia que pela validade do matrimônio não precisa a união carnal, mas o consentimento (Digesto, 35,1,15). Segundo Ulpiano o consenso compreende a affectio maritalis, a vontade do marido de comportar-se com carinho e com respeito com a sua esposa. A outra está contida nas Institutiones de Justiniano: “Viri et mulieris coniunctio individuam consuetudinem vitae continens” (Inst., 1,9,1). Nestas palavras se encontram os elementos fundamentais. A vontade dos cônjuges é indispensável e ao menos na intenção deve ser perpétua. O matrimônio é percebido como algo de permanente: omnis vitae. O historiador Tacito escreve: Consortia rerum secundarum adversarumque (Anales, III, 34,8), no bom e no mau destino. Plutarco na obra Bruto põe na boca de Porcia, esposa de Bruto estas palavras: “Ó Bruto, eu me casei contigo para compartilhar a tua alegria e o teu sufrimento” (Bruto, 13). A diferença entre o casamento legítimo e a união livre era esta, portanto: a manifestação da vontade de viverem juntos por toda a vida. “Não é a união carnal, mas o consentimento, a vontade, que faz o matrimônio” (Digesto, 35,1,15). Por isso a autoridade do pai não podia intervir sobre a vontade dos filhos, isto é, o pai não podia obrigar os filhos a casar-se se eles não quisessem: “Non cogitur filius familiae uxorem ducere” (Dig. 23,2,21). Contrariamente às outras culturas antigas, no direito romano o casamento não era celebrado por etapas, mas somente com uma cerimônia, na qual se exprimia o consentimento. Nos primeiros séculos da história romana o matrimônio era indissolúvel. Somente depois, no período imperial foi admitido o divórcio. Já que a vontade é o elemento essencial para a validade do matrimônio, então, passou-se a pensar que este existe até o permanecer desta vontade. Se um dos dois não quiser mais viver com o outro, o casamento termina. Então, depois do divorcio pode-se novamente casar. A procriação é importante, mas o carinho (afeto) passa que é mais importante. Porém, a procriação é um elemento do matrimônio: se falta a capacidade física de procriar o casamento é inválido. Por isso é permitido somente depois da puberdade. É também proibido pelas pessoas já casadas. O matrimônio è monogâmico. A poligamia não tem lugar no direito romano. Pelos juristas não era possível compreendê-la. Para casar-se novamente, a primeira união deve ser desligada: “Neque eodem duobus nuptia esse potest neque idem duabus uxores habere (Gaio, Inst. 1,63; não é lícito ser casado duas vezes ao mesmo tempo, nem ter contemporaneamente duas mulheres). Era proibido o incesto, o casamento entre os primos, tio e sobrinha, tia e sobrinha. Tudo isto confirma que o matrimônio não era algo privado, mas uma realidade pública, social. É importante notar que a definição de Modestino nos fala do direito divino (divini iuris). Isto evidência uma relação do matrimônio com a divindade. Na cerimônia nupcial havia uma invocação à deusa Juno Pronuba, divindade que protegia as núpcias.
Quando a Igreja se preocupa com a família, não age fora do seu campo de ação. A Igreja faz parte da estrutura social e por isso tem o direito de exprimi a sua palavra sobre esta fundamental instituição. De fato, se a família cair, tudo vai cair. O fato é que o matrimônio leigo e família leiga (no senso de laicista) não existe. Têm uma profunda conotação religiosa, já reconhecida seja pelos gregos seja pelos romanos. Os gregos e depois os romanos estavam convencidos de que o matrimônio foi querido pelos deuses. Estes dois povos tiveram bem claro a existência da lei natural (lex naturalis) precedente às leis dos homens (lei positiva). Estavam convencidos de que existia um direito anterior, uma lei não escrita, precedente às leis formuladas pelos juristas. Pelos romanos já antes das doze Tábuas da Lei o matrimônio tinha uma conotação religiosa. A Igreja fez muitas intervenções sobre a família. Além do Concílio e muitos discursos dos Papas, as intervenções oficiais estão contidas nestes documentos: Leão XIII: Arcanum Divinae Sapientiae (10-2-1880); Pio XI: Casti Connubii (31-12-1930); João Paulo II: Familiaris Consortio (1981); Pontifício Conselho para a Família: Família, Matrimônio e “uniões de fato” (2000).

É a hora do Rosário

Nada é mais útil para o aperfeiçoamento da vida cristã

Desde os meus cinco anos de idade, no colo de minha mãe, aprendi a rezar o Terço e o Rosário (mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos) de Nossa Senhora. Todos os dias, às 18h, nossa família se reunia para a oração. Cada filho puxava um mistério. Graças a essa devoção a Maria, nunca presenciei, um dia sequer, de desespero, desânimo ou tragédia em nosso lar.

Aos 15 anos, saí de casa para continuar meus estudos, mas jamais consegui ficar sem rezar o Terço. Maria se faz presente nesta hora e ajoelha-se conosco para interceder a Deus por nós.

Hoje, mais do que nunca, reza-se o Terço, graças a Deus; e muitos são os que rezam o Rosário todos os dias. É a “corrente” com a qual Maria tem amarrado o seu inimigo, satanás.

Desde as aparições, em Fátima (1917), ela tem falado: “Não há problema de ordem espiritual ou material, pessoal, familiar, nacional ou internacional que não possa ser solucionado com a oração do Terço”.

Ao beato Alan de la Roche, Nossa Senhora prometeu: todos que rezarem o Terço terão:

1º – Sua proteção especialíssima na vida;

2º – Uma morte feliz;

3º – A salvação eterna da sua alma;

4º – A morte com a certeza dos sacramentos;

5º – A não flagelação pela miséria;

6º – A obtenção de tudo por meio do Rosário;

7º – A devoção do Rosário como sinal certo de salvação;

8º – O livramento do Purgatório no dia em que morrerem;

9º – Uma grande glória no Céu;

10º – Aos que propagarem a devoção do Rosário, promete socorrer em todas as suas necessidades.

São Domingos, por volta do ano mil, lutava sem sucesso contra os hereges do seu tempo: os cátaros, huguenotes e albigenses. Foi quando Nossa Senhora deu-lhe a “arma” do Rosário. Com ele, São Domingos conseguiu a conversão de mais de 100 mil hereges, conta a tradição.

Os Papas amaram o Rosário e tiveram grande devoção a ele. É a prova da sua importância. O beato João Paulo II disse: “O Terço é a minha oração predileta. A todos, exorto, cordialmente, que o rezem”.

Nesses tempos de violência e maldade, no qual o demônio, como nunca, investe contra a família e os filhos de Deus, é preciso refugiarmo-nos sob a proteção daquela que, desde os primórdios, recebeu de Deus o poder e a missão de esmagar-lhe a cabeça. O instrumento maior dessa devoção é o Rosário.

O grande valor do Rosário é o fato de ele ser “Cristocêntrico”, isto é, centrado em Cristo. Nos mistérios do Rosário, contemplamos, com devoção e afeto, a nossa redenção realizada por Jesus. Nada é mais útil para o aperfeiçoamento da vida cristã. Enquanto o rezamos, juntos com Maria, por Maria e em Maria, associamo-nos ao Mistério do amor de Jesus que se fez homem para nos salvar.

Aí está o seu profundo valor teológico. Muitos se enganam achando que o Rosário é apenas uma exaltação de Maria; não, é a exaltação de Jesus por Maria. Em cada Ave-Maria dizemos: “bendito é o FRUTO do vosso ventre”.

E esse fruto é Jesus.

(Extraído do livro “Entrai pela porta estreita”)
Felipe Aquino
[email protected]

O rosário: como rezá-lo bem

Uma oração que Nossa Senhora ama

Você reza o terço? Já viu imagens de Nossa Senhora representando-a tal como apareceu em Lourdes e em Fátima? Maria está com o terço na mão. Ela acompanhou silenciosamente, passando as contas, o terço que a menina Bernardete rezava na gruta de Lourdes. E, em Fátima, também com o terço na mão, a Santíssima Virgem pediu aos Três Pastorinhos que o rezassem todos os dias.

Tomara que algum dia você possa dizer, como o Papa São João Paulo II: «O Rosário é a minha oração predileta. Oração maravilhosa! Maravilhosa na simplicidade e na profundidade!». Mas, para isso, será preciso que comece a rezá-lo e, se já o reza com frequência, que aprenda a fazê-lo cada dia melhor. Vamos ver como podemos fazer isso.

Primeiro, vencer as dificuldades:

1) Uma primeira dificuldade: “Não sei rezar o terço”, “Não conheço os vinte ‘mistérios’ (ou seja, os cinco correspondentes a cada um dos quatro ‘terços’ que compõem o rosário), não os sei de cor”. Solução: comprar logo, ou pedir a alguma pessoa amiga, algum folheto ou livrinho de orações (há muitos!) que traga a explicação dessa oração: como rezá-lo, quais são os mistérios, que mistérios devem ser rezados nos diferentes dias da semana… É fácil. Pessoas simples aprenderam tudo isso em pouco tempo. Se você “quer”- se “quer” mesmo – não lhes ficará atrás.

Um esclarecimento: a pessoa que o reza sem conhecer ou lembrar os “mistérios” faz, mesmo assim, uma oração válida, ainda que, naturalmente, ele fique incompleto (mas é melhor rezá-lo incompleto do que não rezá-lo).

2) Segunda dificuldade: “Não tenho terço” (o instrumento, o terço material, com as contas, a cruzinha, etc.; ou então o terço em forma de anel, que se usa girando no dedo). Compre-o, que é baratíssimo, e, enquanto não o tiver, conte nos dedos. Mas tenha em conta que vale a pena usar o terço material: se o seu terço (de contas ou de anel) foi bento por um padre ou diácono, ao usá-lo para rezar você ganhará indulgências (Por sinal, você sabia que pode ganhar nada menos que a indulgência plenária – com as devidas condições -, quando o reza em família, ou comunitariamente, num grupo?).

3) Terceira dificuldade: “Não tenho tempo de rezar o terço”. Essa desculpa “não gruda”. O terço pode ser rezado, se for preciso, andando pela rua, fazendo exercício físico de corrida, indo de ônibus, metrô ou trem, guiando carro (melhor do que se irritar com o trânsito), na sala de espera do médico ou do laboratório, em casa, entre outros. E você pode rezá-lo sentado, andando, de joelhos e até deitado (se estiver doente ou em repouso forçado, etc.).

Por sinal, não sei se você sabe que, nas livrarias católicas, são vendidos CDs com o rosário e que também há arquivos em áudio para player portátil. Basta ligar o áudio e ir respondendo ou acompanhando o que ouve.

4) Finalmente, a dificuldade mais comum é a aparente monotonia. “Dizemos sempre a mesma coisa”. “A repetição de tantas Ave-Marias acaba ficando mecânica, cansativa, sem sentido”. “De que adianta fazer uma oração tão repetitiva, que fica rotineira, parece oração de papagaio…”?

Deus faça que, após tê-las lido e, sobretudo, depois de tentar aplicá-las, você dê a razão às palavras de São Josemaria: «Há monotonia porque falta Amor».

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/ 

Anular o voto é pecado?

Eleições

Anular o voto é pecado, é desprezar o direito sagrado de participar da vida pública.

Os últimos Papas têm insistido em que os católicos participem da vida pública, sobretudo da política, que é a ciência do “bem comum”, uma forma de fazer a caridade pública. Recentemente o Papa Francisco, ao falar sobre isso, declarou:

“Envolver-se na política é uma obrigação para o cristão. Nós não podemos fazer como Pilatos e lavar as mãos, não podemos. Temos de nos meter na política porque a política é uma das formas mais altas de caridade, porque busca o bem comum. Os leigos cristãos devem trabalhar na política. A política está muito suja, mas eu pergunto: está suja por quê? Por que os cristãos não se meteram nela com espírito evangélico? É a pergunta que faço. É fácil dizer que a culpa é dos outros… Mas, e eu, o que faço? Isso é um dever. Trabalhar para o bem comum é dever do cristão”.

Note que o Sumo Pontífice enfatizou que a política é uma das “formas mais altas de caridade”, porque é por ela que um país é governado, atendendo especialmente os mais necessitados. Contudo, se os homens e mulheres públicos forem desonestos ou despreparados, essa caridade não existirá. E a culpa, acima de tudo, é do próprio povo, porque é ele quem escolhe pelo voto seus governantes.

São aqueles que exercem cargos públicos, eleitos pelo povo, que empregam o dinheiro de todos, arrecadado por intermédio dos impostos, para cuidar do povo, especialmente os mais necessitados, investindo na saúde, no transporte público, na educação, nas moradias, no saneamento básico, no fornecimento de água, de energia, telefone, internet, entre outros.

Na sua Encíclica “Evangelii Gaudium”, em português “A Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco repetiu: “A política, tão denegrida, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum” (EG, 205).

O Papa Bento XVI afirmou o seguinte sobre esse tema: “Reitero a necessidade e urgência de formação evangélica e acompanhamento pastoral de uma nova geração de católicos envolvidos na política, que sejam coerentes com a fé professada, que tenham firmeza moral, capacidade de julgar, competência profissional e paixão pelo serviço ao bem comum” (Vaticano, 15/11/ 2008).

O Concílio Vaticano II também já tinha se pronunciado sobre isso: “Lembrem-se, portanto, todos os cidadãos ao mesmo tempo do direito e do dever de usar livremente seu voto para promover o bem comum. A Igreja considera digno de louvor e consideração o trabalho daqueles que se dedicam ao bem da coisa pública a serviço dos homens e assumem os trabalhos deste cargo” (Gaudium et Spes, 75).

E o nosso Catecismo da Igreja Católica, no número 899, repete: “A iniciativa dos cristãos leigos é particularmente necessária quando se trata de descobrir, de inventar meios para impregnar as realidades sociais, políticas e econômicas com as exigências da doutrina e da vida cristãs”.

Na “Christifidelis laici”, no número 42, São João Paulo II disse: “Para animar cristãmente a ordem temporal […], os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na «política», ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum”.

Infelizmente o demônio colocou na cabeça dos bons que a política é coisa de gente má; então, muitos maus a dominaram. É preciso acordar desse pesadelo. Os cristãos precisam ter uma participação ativa na política, não só como candidatos, como também na promoção dos bons políticos.

O povo precisa aprender a votar e a conhecer bem os candidatos. Alguns, no dia da eleição, pegam um papel de propaganda na rua e dão o seu voto a qualquer um. Pior ainda são os que anulam o voto ou votam em branco, jogando fora o direito e o dever sagrado de participar da vida da nação. E, ao agirem assim, acabam facilitando a eleição dos piores. Anular o voto é pecado, é desprezar o direito sagrado de participar da vida pública. O voto nulo ajuda o mau político a se eleger. Se não gostamos de nenhum candidato devemos votar no “menos ruim”, mas nunca em branco ou nulo, pois alguém será eleito.

Hoje com a internet, ficou mais fácil saber quem é político e quem é “politiqueiro”; quem quer trabalhar para o povo e quem quer trabalhar para si mesmo. Então, é fundamental que os cristãos informem seus irmãos e suas comunidades sobre quem não merece o voto deles.

Precisa ficar claro que a política é boa, o que não presta é a politicagem; e que o político é bom, o que não presta é o “politiqueiro”.

O pior problema hoje do nosso país é que grande parte da população é alienada da vida pública, não lê um jornal, uma boa revista sobre o assunto, limita-se a ver noticiários de televisão e se deixa, muitas vezes, enganar por um favor que recebe. São pessoas que votam com o estômago e não com a cabeça.

O voto é sagrado, é a arma da democracia se ele for dado com conhecimento de causa e com honestidade, sem se vender. Contudo, se não houver nada disso, a democracia ficará doente e poderá se tornar ditadura disfarçada.

O Brasil carece de uma reforma política séria, por meio da qual se implante, por exemplo, o voto distrital, se acabe com o tal “coeficiente eleitoral”, que faz com que muitos sejam eleitos com os votos de outros. Mas tudo isso só acontecerá quando houver uma mudança na qualidade dos nossos governantes.

Muitos que hoje são eleitos têm suas caríssimas campanhas políticas custeadas por grandes corporações: sindicatos, igrejas, cooperativas, empresários, entre outros. Depois de eleitos, vão trabalhar para o bem do povo? Não. Para o bem de quem os custeou. Desse modo, a política como caridade não existe e os lobbies a dominam. Então, é preciso termos governantes eleitos, de fato, pelo povo, conscientizado e não comprado com caros investimentos. Cabe a cada cristão se conscientizar a respeito disso e conscientizar seus irmãos para que não sejam manipulados, comprados e subjugados.

Prof. Felipe Aquino

A eficácia do Santo Rosário

A oração mais querida pela Mãe de Deus

Nossa Senhora teria ensinado o Santo Rosário a São Domingos de Gusmão, no século 12, que a pedido do papa Gregório IX devia combater os terríveis hereges cátaros na França. Com a oração do Rosário, S. Domingos teria convertido cerca de cem mil deles…

Há muito tempo os papas valorizam e recomendam vivamente a oração do Rosário, especialmente os últimos papas, sobretudo a partir das aparições de Lourdes (1858) e Fátima (1917). Em Fátima, Nossa Senhora disse aos pastorinhos que “não há problema de ordem pessoal, familiar e nacional que a oração do Terço não possa ajudar a resolver”.

Leão XIII (1878-1903), em tempos difíceis, dedicou ao Rosário 16 documentos: 11 encíclicas; 1 constituição apostólica; 3 cartas apostólicas, e outros. Paulo VI dedicou três documentos ao Rosário; a encíclica Mense (29 de Abril de 1965), recorda que “Maria é caminho para Cristo e isto significa que o recurso contínuo a ela exige que se procure nela, para ela e com ela, Cristo Salvador, ao qual nos devemos dirigir sempre”.

Em 10 out 2010, o Papa Bento XVI falou da importância da oração do Rosário: “a oração mais querida pela Mãe de Deus e que conduz diretamente a Cristo”. “O Rosário é a oração bíblica, totalmente tecida pela Sagrada Escritura. É uma oração do coração, em que a repetição da ‘Ave Maria’ orienta o pensamento e o afeto para Cristo. É oração que ajuda a meditar a Palavra de Deus e a assimilar a Comunhão eucarística, sob o modelo de Maria que guardava em seu coração tudo aquilo que Jesus fazia e dizia, e sua própria presença”.

Na carta apostólica de João Paulo II “Rosarium Virginis Mariae” ele declara: “Percorrer com Ela [Maria] as cenas do Rosário é como frequentar “escola” de Maria para ler Cristo, penetrar nos seus segredos, compreender a sua mensagem”. O Rosário pode promover o ecumenismo, afirmou o Papa.

Em 7 outubro de 2007, Bento XVI convidou a rezar o Rosário pela paz nas famílias e pela paz no mundo. «É a mensagem que a Virgem deixou em suas diferentes aparições».

«Penso, em particular – confessou desde a janela de seu apartamento –, nas de Fátima, ocorridas há 90 anos, aos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, nas quais se apresentou como “a Virgem do Rosário”, recomendou com insistência a oração do Rosário todos os dias, para alcançar o fim da guerra».

Em visita a Pompeia, em 18 out 2008, Bento XVI, disse do Rosário: «O Rosário é oração contemplativa, acessível a todos: grandes e pequenos, leigos e clérigos, cultos ou pouco instruídos». «O Rosário é “arma” espiritual na luta contra o mal, contra a violência, pela paz nos corações, nas famílias, na sociedade e no mundo».

Por estes motivos, disse João Paulo II, que “o Rosário é a minha oração predileta… Ao mesmo tempo o nosso coração pode encerrar nestas dezenas do Rosário todos os fatos que compõem a vida do indivíduo, da família, da nação, da Igreja e da humanidade. Vicissitudes pessoais e vicissitudes do próximo e, de modo particular, daqueles que estão mais próximos de nós, que nos são mais queridos. Assim a simples oração do Rosário bate o ritmo da vida humana”.

Felipe Aquino
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Por amor aos animais

Cresce a tendência a sua humanização
Por padre John Flynn, LC

ROMA, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).– No período que precede o dia de São Valentino, foi divulgada uma pesquisa surpreendente, segundo a qual um quinto dos adultos entrevistados afirmava preferir comemorar a data ao lado de seu animal de estimação ao invés de comemorá-la com seu parceiro.

Participaram da pesquisa 24.000 pessoas de 23 países, conforme referiu a Reuters em 8 de fevereiro. O estudo evidenciou diferenças mais pronunciadas entre as diferentes faixas etárias do que entre diferentes nacionalidades ou gêneros. Cerca de 25% dos entrevistados com menos de 35 anos afirmaram preferir seu animalzinho a seu par. Entre os adultos na faixa de 35 a 54 anos, apenas 18% sustentaram esta posição; 14% dos entrevistados com mais de 55 anos responderam da mesma forma.

Aqueles que disseram preferir um animal de estimação a uma pessoa pertenciam, de maneira geral, à categoria de menor renda.

Os resultados da pesquisa confirmam a crescente tendência à humanização dos animais. Em 23 de janeiro, um artigo do jornal britânico Telegraph tratava da retomada de uma antiga prática pagã – de sepultar pessoas junto aos seu animais de estimação. De acordo com o jornal, foi aprovado, em Lincolnshire, o último de uma série de cemitérios unificados para animais e seres humanos.

O artigo cita Penny Lally, administrador do “Woodland Burial Place” em Penwith. Lally declarou ao Telegraph ter sepultado mais de 30 pessoas juntamente aos seus animais de estimação, e que outros 120 sepultamentos já estariam agendados.

“Para muitas pessoas, o luto por seu animal de estimação não difere daquele vivenciado com a perda de um familiar, especialmente se considerarmos que os animais proporcionam uma vida mais estruturada para muitas pessoas que vivem sós”, observou Elaine Pendlebury, veterinária que atua na instituição de caridade PDSA.

A ideia de cemitérios conjuntos deriva do uso já difundido de cemitérios destinados a animais. Em 26 de outubro do ano passado, o Chicago Tribune pubicou um artigo no qual comentava que um dos cemitérios para animais mais antigo dos EUA, o Hindsdale Animal Cemetery, de Willowbrook, no Illinois, já contava com mais de 15.000 animais sepultados.

Como familiares

Segundo Micheal Schaffer, autor do livro “One Nation Under Dog”, as inscrições nas lápides têm mudado ao longo do tempo, refletindo a elevação, concedida aos animais, à condição de “plenos membros da família”.

“Ao se visitar os antigos cemitérios para animais, as inscrições que se encontram dirão coisas como ‘Aqui jaz Fido, servo fiel’, ou ainda ‘Aqui jaz Fido, o melhor amigo do homem’”, diz Schaffer. “Hoje, ao contrário, se lê: ‘Minha pequena menina’, ou “Sentimos sua falta, Mamãe e Papai’. As pessoas desenvolveram uma concepção a respeito dos próprios animais como se estes fossem seus filhos – um desenvolvimento um tanto dramático”.

Não se trata apenas de sentimentos. As pessoas estão dispostas a gastar somas cada vez maiores de dinheiro com os próprios animais. O artigo do Chicago Tribune conta o caso de um homem que gastou mais de 2.000 dólares no funeral de seu cachorro, após ter gasto mais de 7.000 dólares em tratamentos médicos na esperança de salvar sua vida.

De fato, as despesas com animais têm aumentado notavelmente nos últimos anos. Em 8 de fevereiro deste ano, o American Pet Products Manufacturers Association (APPA) divulgou seu último relatório anual, citando que as despesas com animais domésticos nos EUA aumentaram 5,4% no último ano, passando de  43,2 bilhões de dólares ao ano para mais de 45,5 bilhões de dólares em 2009. A indústria prevê que estas despesas ultrapassem os 47 bilhões de dólares em 2010.

A maior parte desta tendência deve-se ao aumento com despesas médico-veterinárias, que registraram um incremento de 8,5% ao longo do último ano. O relatório observa que os serviços médicos aplicados a animais domésticos incluem hoje tomografias computadorizadas, tratamentos de canal, remoção de tumores e antidepressivos.

O presidente da APPA, Bob Vetere, observou que com esta tendência de humanização dos animais, os padrões de qualidade de vida de homens e animais estão cada vez mais próximos, não apenas no campo da saúde, mas também da alimentação e do vestuário.

Um outro recente informe, publicado pelo Global Industry Analysts em 8 de fevereiro, examina o mercado de acessórios para animais de estimação. Calcula-se que este mercado movimentará, em nível mundial, algo em torno dos 17,2 bilhões de dólares em 2015.

“A humanização dos animais é o principal fator responsável pelo crescimento do mercado de acessórios para animais de ‘pets’, afirma o comunicado do Global Industry Analysts. “Os donos veem seus animais como seus mais fiéis companheiros, e demonstram a intenção de lhes dar tanto afeto quanto aos seus cônjuges e filhos”, acrescenta.

Pessoas?

Margaret Somerville, diretora do Center for Medicine, Ethics and Law da McGill University, no Canadá, abordou a questão da humanização dos animais domésticos em um artigo publicado na internet em 27 de janeiro.

Ela observa que alguns especialistas em ética defendem conferir aos animais o status de pessoa. Isto, entretanto, não seria desejável, uma vez que significaria abolir a ideia de que os seres humanos teriam algum valor especial, representando uma ameaça a seus direitos fundamentais.

“Em outras palava, se os animais se tornassem pessoas, as pessoas se tornariam animais”, observou Somerville – devemos, ao contrário, sustentar que a condição de pessoa é exclusiva dos seres humanos.

Esquecer Deus

A aparente contradição, evidenciada por Somerville, entre a perda do respeito pela vida humana e elevação dos animais a uma condição quase humana, apresenta um aspecto teológico de fundo.

Bento XVI fez uma breve referência ao tema numa audiência geral em 11 de janeiro de 2006. O contexto era o de um comentário ao Salmo 144.

No texto, lê-se: “Senhor, o que é o homem para que se manifeste a ele?… Grande felicidade para o homem, conhecer o próprio Criador. Nisto nos diferenciamos das feras e outros animais, porque sabemos que temos um Criador, enquanto eles não sabem”.

O Papa em seguida retomou um comentário sobre o Salmo feito por um dos Padres da Igreja, Orígenes: “Vale a pena medita sobre estas palavras de Orígenes, que vê a diferença fundamental entre o homem e os animais no fato de que o homem é capaz de conhecer a Deus, seu Criador, de que o homem é capaz da verdade, capaz de um conhecimento que se converte em amizade”, disse o Papa.

“É importante, em nosso tempo, que não nos esqueçamos de Deus, juntamente com todos os demais saberes que conquistamos, e que são tantos!”, observou. “Estes podem se tornar até perigosos, se nos falta o conhecimeto fundamental que confere significado e orientação a tudo: o conhecimento do Deus Criador”, concluiu. Efetivamente, uma das tendências de nossa sociedade moderna é a de, tendo perdido Deus de vista, desenvolver uma mentalidade que também perde de vista a dignidade da pessoa humana. Assim, há uma conexão entre a falta de respeito pela vida humana, cada vez mais considerada sob uma perspectiva utilitarista, e a humanização dos animais. Um passo a mais em direção ao retorno à cultura pagã.

 

DIREITOS HUMANOS  X  direitos dos animais
Peter Singer

Segundo a Folha de São Paulo (8/11/2011), para o filósofo Peter Singer trata-se de discriminação, preconceito e escravagismo julgar que um bicho é animal! Famoso por ser um defensor radical dos direitos animais, Singer diz que humanidade deve se “converter” ao vegetarianismo para que os animais sejam libertos da dor e da violência que sofrem.
Veja algumas “pérolas” retiradas de uma entrevista mais antiga (outubro de 2005) que o tal “filósofo” concedeu ao jornal O Estado de São Paulo:
• “Não faço distinção entre humano e não-humano, não discrimino. É melhor fazer experimentos científicos em humanos em coma irreversível do que com animais comuns que vão sofrer com isso. Também os embriões humanos podem ser usados para testes”.
• “O chimpanzé é um ser autoconsciente. Os chimpanzés são capazes de se reconhecer no espelho, eles demonstram pensamento e planejam o que fazem. […] Então é verdade: eu diria que os chimpanzés têm direitos que superam os de um feto humano. É claro que, normalmente, o feto é algo que a mulher ama e deseja, e por isso ele merece nossa proteção. Mas se a mulher não quer a gravidez, e você considera apenas os direitos do feto isoladamente, acho que ele não tem direito à vida, enquanto o chimpanzé tem”.
Como fiel ativista ecológico, Singer é favorável ao aborto, à eutanásia e ao infanticídio. A explicação é que, se um animal pode ser sacrificado por questões práticas, para acabar com alguma dor que esteja sofrendo ou que venha a sofrer, então pelo mesmo motivo devem se sacrificar pessoas também.

Comparar seres humanos com animais irracionais… Por Deus, o homem tem alma! Mas o leitor já percebeu que Singer é ateu, não é? Para conseguir os seus intuitos, ele não esconde seus desejos de silenciar a Igreja Católica: “Quanto mais conseguirmos enfraquecer a influência da Igreja, melhor a chance de vitória para os que defendem a eutanásia”. Comunismo, evolucionismo, ecologismo, vegetarianismo… O que há de comum entre estes “ismos”? Todas essas correntes ideológicas visam aproximar cada vez mais o homem da barbárie e do neo-paganismo, destruindo assim a dignidade do homem remido por Nosso Senhor Jesus Cristo na cruz. Dignidade esta que deperece na medida em que a Opinião Pública vai engolindo a influência de pessoas como Peter Singer.

 

O meio ambiente em si mesmo, tem mais valor que as PESSOAS?
Jonas 4, 9-11: “Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires por causa da aboboreira? E ele disse: Faço bem que me revolte até à morte. E disse o Senhor: Tiveste tu compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, que numa noite nasceu, e numa noite pereceu. E não hei eu de ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muito animais?”

Gostaria de tecer algumas reflexões sobre o extremismo de alguns membros do movimento ambientalista internacional, que no afã de protegerem ao meio ambiente e seus recursos, chegam às raias de idolatrar a natureza e, mais grave que isso, de forma consciente ou não, acabam colocando esta como mais importante do que os seres humanos.
Quem são os ambientalistas? São aqueles que trabalham para resolver os problemas ambientais. Procuram soluções para a poluição do ar, da água, o esgotamento das reservas naturais e também se preocupam com o crescimento constante da população, porque este fator traz consigo o aumento do consumo e também uma maior exploração dos recursos existentes no planeta. Os problemas que temos hoje no tocante à dilapidação desses recursos e à poluição do meio ambiente, envolvem e atraem ativistas que empregam tempo (muitas vezes de forma integral) e talentos para esta causa. Mas a questão é que muitos dos assim chamados ambientalistas tem como fundamento ideológico de suas ações os ensinos pagãos que levam ao endeusamento da Terra e da natureza. A personificação do planeta Terra é denominada de teoria Gaia. Gaia era na antiguidade, a deusa da terra na mitologia grega e romana, ou seja, a Mãe-Terra. Este termo na forma como é usado hoje pelos que adoram a natureza, tem a ver com uma cosmovisão oriental, panteísta, de que a terra seria uma deusa e portanto, passível de adoração. Vejam como este texto, extraído de uma publicação do Movimento da Nova Era, demonstra claramente o que estamos descrevendo aqui: “Uma necessidade interior chama claramente a nossa atenção neste momento do período evolutivo. O chamado é para servir o bem-estar do planeta vivo, Terra Gaia… O chamado é para fazer parte de uma consciência holística na qual todos os povos, todas as formas de vida, todos os tipos de manifestação universal são vistos como aspectos interdependentes de uma verdade única” (Barry McWaters, Conscious Evolution, Los Angeles: New Age Press, 1981).
Vejo uma grande contradição naqueles que se consideram intelectualizados demais para crer na Bíblia como sendo a infalível e eterna Palavra de Deus, porém facilmente aceitam o mito da terra personificada e endeusada. E nisso, atribuem tanto valor à natureza, como as florestas, os rios, o ar, o solo, as geleiras no Ártico e na Antártida, que argumentam fortemente contra o aumento da população mundial porque poderia gerar um esgotamento dos recursos e o incremento da poluição no mundo inteiro. E já se ouve de alguns setores do movimento ambientalista (muitos deles envolvidos fortemente com o ocultismo) de que é necessária a redução drástica da população no mundo para que este não venha a ser destruído em face do que possa ocorrer diante deste fato, segundo eles, calamitoso para o planeta em todos os sentidos. No que tange ao controle populacional, temos um exemplo de muitos anos com a experiência do governo chinês que instituiu, de forma obrigatória, a política do “filho único” para tentar frear a velocidade do aumento frenético de sua população. Também com o mesmo intuito, várias entidades nos demais países apoiam o aborto como outra solução para o “problema”. O ramo mais extremista dos defensores do meio ambiente já começa a considerar que pessoas idosas, doentes ou incapacitadas por problemas físicos e mentais são menos importantes que a natureza e seus recursos. A depreciação com os seres humanos certamente aumentará na mesma medida em que aumenta a idolatria para com este planeta e suas riquezas naturais.
E o que isto tudo tem a ver com o profeta Jonas, conforme o texto bíblico que inicia esta reflexão? Comissionado por Deus para ir e pregar uma mensagem de arrependimento, recusou-se e procurou fugir para um lugar distante, porém o Senhor de forma drástica fez com que o Seu servo fosse e pregasse naquela grande cidade. Assim, 120 mil pessoas se arrependeram com a mensagem e Deus mudou Seu plano de aniquilar aquele povo por causa de seus muitos pecados. Mas o profeta ficou desgostoso com a misericórdia divina demonstrada para com os inimigos de seu povo e desejou a morte. Cansado, assenta-se fora da cidade sob uma cabana que construíra para ver o que realmente Deus faria à Nínive (talvez esperando que Deus finalmente castigasse os ninivitas). Então, o Todo-Poderoso faz com que uma planta, uma aboboreira, crescesse em uma noite de tal forma que proporcionasse uma bela sombra sobre onde Jonas se encontrava de tal forma que o indignado profeta muito se alegrou. Mas, no dia seguinte, Deus envia um verme que ataca a planta e esta vem a morrer. Sem a sombra protetora daquele vegetal, o calor aumenta sobremaneira e  ele chega a desmaiar. Quando acorda, novamente tem desejos de morte. Deus interpela então seu rebelde profeta por causa do sentimento que alimentara por uma simples planta. O texto bíblico diz que ele sentira compaixão pela morte da mesma, compaixão esta que se transforma em ira por causa do calor que voltara a sentir. Aprendemos da passagem, que em verdade, o Senhor mostra a Jonas que ele sentira um sentimento que era ilícito, porque estava direcionado a um mero vegetal, enquanto que ao mesmo tempo, ele não demonstrara o mesmo sentimento pelas 120 mil pessoas que estavam ameaçadas de morrerem em face de seus pecados, e de fato morreriam, se Jonas não lhes fosse pregar o arrependimento como Deus Lhe ordenara. Aqui estabeleço o ponto de contato.
Os ambientalistas pagãos, rebeldes a Deus, que não aceitam um Deus pessoal, Deus este que é amoroso e que se preocupa com o bem estar de Sua criação, principalmente e acima de tudo com o homem, criado à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26) menosprezam as pessoas, mesmo alegando que querem proteger a natureza e seus recursos para o melhor usufruto da raça humana. Isto porque querem se  basear nas premissas do paganismo. Na verdade, estão em choque duas cosmovisões: a cosmovisão teísta, ocidental e judaico-cristã e a cosmovisão panteísta/monista, oriental e hinduísta-budista. E, orquestrando tudo isto está a velha serpente, Satanás, que deseja implementar uma cosmovisão que destrona Deus e Seus mandamentos, estabelecendo uma doutrinação nas mentes das pessoas, quer sejam governos, empresas, organizações não-governamentais e até mesmo as igrejas cristãs bem como a sociedade em geral para que seja considerada prioridade máxima a salvação do planeta Terra da destruição pela poluição, estabelecendo parâmetros de sustentabilidade, que obviamente contém muitas considerações úteis e válidas para o mundo e a sociedade humana, mas outras são francamente hostis à Deus e aos seres humanos que Ele criou. Satanás tem ódio da raça humana e deseja dominá-la e destruí-la. O vindouro Anticristo trabalhará exatamente com este intuito destruidor porque ele terá o poder do dragão, ou seja, Satanás (Ap 13.4) para inflingir sofrimento e destruição neste combalido planeta. Mas tudo isto acontecerá porque os homens têm pecado contra o Senhor e este já determinou um período na história futura para fazer recair a Sua ira sobre todo aquele que hoje recusa a oferta graciosa do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. É tempo pois de a Igreja do Senhor, do povo de Deus em todo o mundo, discernir plenamente a mensagem do ambientalismo pagão a fim de não cooperar naquilo que for francamente contrário aos mandamentos do Senhor, que manda amarmos ao próximo (Mc 12.31) sem fazer distinção de pessoas (Tg 2.1-9). Também é necessário entendermos que os cristãos devem ser os primeiros a defender a natureza, porque o uso equilibrado dos recursos naturais é dever de todos, porque todos são beneficiários deles. Mas não fazemos isto por causa de alguma ideia humanista e pagã de que a Terra é viva, de que ela é a Mãe-Gaia devendo ser respeitada e adorada, mesmo que isso custe a vida de outros seres humanos. Essa espiritualidade pagã é de inspiração diabólica. Mesmo quando alega amor aos seres humanos, porque não está fundamentada na verdade das Escrituras do AT e NT. Não reconhece a verdade suprema personificada em Jesus Cristo. Não reconhece o que a Bíblia ensina sobre o homem. E não aceita o ensino bíblico acerca da criação. Que possamos com a ajuda de Deus entender biblicamente os tempos que estamos vivendo. Pense nisso.

 

OS PERIGOS da humanização de animais
Tratar os animais de estimação como seres humanos pode trazer graves consequências
http://www.fiamfaam.br/momento/?pg=leitura&id=1558&cat=1

Roupas e coleiras de grife, SPA, tratamentos estéticos, massagem, ofurô. A princípio, apenas mimos para os animais de estimação. E tanto cuidado tem um preço: isso pode prejudicar os animais.

Tratar os animais como seres humanos pode trazer problemas e prejuízos psicológicos tanto para os donos quanto para seus bichinhos de estimação, de acordo com o médico veterinário Luiz Fernando Sabadine. “Quando ocorre a humanização dos animais de companhia, eles perdem a sua identidade e passam a sofrer das mesmas coisas que os humanos sofrem”, afirma.

O excesso de atenção é frequentemente tido como negativo. Muita gente, principalmente aposentados, pessoas solteiras ou casais sem filhos, tratam os animais como crianças. É o caso de Ana Cláudia Moreira, 37 anos, secretária. Casada há seis anos, Ana possui dois cães da raça Yorkshire. “Antes deles, até queria ter filhos. Mas desde que comprei meus cãezinhos, não penso mais. Eles me completam”, diz.

Antes de se mudarem para a atual residência, ela e o marido viviam numa casa com três quartos, sendo um especialmente decorado para os cachorros. A nova moradia foi reformada especialmente para eles. “Colocamos pisos rústicos na casa inteira, para evitar escorregões”, justifica Ana.

Apesar de enfrentar preconceito de algumas pessoas, devido aos cuidados excessivos que tem com os animais, Ana Cláudia não vê exageros. “Fiz até uma tatuagem nas costas com o nome deles, e se pudesse, faria muito mais”, completa.

Para a zootecnista Mariana Andrade, uma das coordenadoras do projeto “300 anjos, 300 corações”, que alimenta e cuida dos animais de um abrigo em São Paulo, não há mal nenhum no amor que os donos sentem pelos animais, porém, ela repudia os exageros. “Não sou contra o amor que um ser humano pode sentir por um animal, mas acho um exagero a ostentação”, diz.

Segundo a Associação de Produtos e Prestadores de Serviços ao Animal (Assofauna), o mercado de pet shops cresce cerca de 17% ao ano e fatura R$ 3 bilhões. No Brasil existem aproximadamente 25 milhões de cães, 11 milhões de gatos, 4 milhões de pássaros e 500 mil aquários. De olho nesse mercado, a pet shop de luxo Au Pet Store, em São Paulo, oferece serviços como academia e centro estético para animais. Segundo Alcides Diniz, empresário da loja, os gastos de cada cliente variam. “Um cliente gasta em média R$ 100 por animal, mas já vi gente gastar R$ 3 mil”, diz. Já no Cãotry Club, hotel especializado em cuidar de cachorros, há macas para massagem, piscina aquecida, esteira aquática e até mesmo SPA para emagrecimento dos bichos de estimação.

Com inúmeras opções para cuidar dos animais, eles podem começar a apresentar alteração comportamental. “Percebendo o exagero de cuidados, o animal começa a se comportar como uma criança: mimando demais, você perde o controle”, diz o veterinário Luiz Fernando Sabadine. Agressividade, hiperatividade, comportamento anti-social. Estes são alguns sintomas dos animais “mimados”. Na maioria das vezes, as coisas consideradas erradas são feitas pelo animal na tentativa de chamar a atenção. “Até levar uma bronca é visto como forma de ser lembrado”, considera.

O tratamento para curar desvios comportamentais provocados pelo mimo exagerado consiste basicamente na procura de um profissional especializado, como um zootecnista, e principalmente na mudança de atitude do proprietário em relação ao animal. O médico ressalta que a correção deve ser feita no momento da “travessura”: se feita tardiamente, pode até mesmo ter o efeito contrário, pois o animal não se lembrará por qual motivo está tomando a bronca. “Precisamos principalmente do apoio dos donos. Com a humanização, ele pode acabar transferindo problemas e traumas para o animal”, finaliza Sabadine.

O Rosário e os males do nosso tempo

O Santo Rosário da Virgem Maria: remédio para curar as feridas da sociedade, para os males do nosso tempo.

Na história Igreja, os fatos demonstram o quanto a oração do Santo Rosário é eficaz na defesa da fé e do povo cristão, na invocação do auxílio da Santíssima Virgem Maria para os males do nosso tempo e alcançar os favores divinos para nós e para a sociedade inteira. Conscientes desta maravilhosa eficácia, muitos Papas incentivaram o Povo de Deus a rezar o Rosário. Entre estes, destaca-se Leão XIII que, por sua fervorosa devoção mariana e estima pela “Coroa de Rosas” da Virgem Maria, ficou conhecido como “Papa do Rosário”1. No século XIX, tempo no qual nasceu o marxismo e o comunismo, que são dos grades males do nosso tempo, o Papa Leão XIII viu no Rosário um poderoso remédio contra os males de seu tempo. Hoje, vivemos as trágicas consequências desses males e, por isso, precisamos igualmente recorrer ao Santo Rosário e aos ensinamentos de Leão XIII.

Oração agradável a Virgem Maria, o Rosário de Nossa Senhora foi incentivado por grandes Papas, com palavras sábias e fervorosos louvores: “Urbano IV afirmou que ‘cada dia o povo cristão recebe novas graças por meio do Rosário’; Sixto IV proclamou que esta forma de oração ‘é oportuna, não só para promover a honra de Deus e da Virgem, mas também para afastar os perigos que o mundo nos prepara’; Leão X disse-a ‘instituída contra os heresiarcas e contra o serpear das heresias’; e Júlio III chamou-lhe ‘ornamento da Igreja de Roma’. Igualmente Pio V, falando desta oração, disse que, ‘ao difundir-se ela, os fiéis, inflamados por aquelas meditações e afervorados por aquelas preces, começaram de repente a transformar-se em outros homens; as trevas das heresias começaram dissipar-se, e mais clara começou a manifestar-se a luz da fé católica’. […] Gregório XIII declarou que ‘o Rosário foi instituído por S. Domingos para aplacar a ira de Deus e para obter a intercessão da bem-aventurada Virgem’”2.

Nos tempos difíceis que vivemos, estas palavras do Papa Leão XIII tornam-se mais que atuais: “julgamos assaz oportuno, nas presentes circunstâncias, ordenar solenes preces a fim de que a Virgem augusta, invocada por meio do santo Rosário, nos impetre de Jesus Cristo, seu Filho, auxílios iguais às necessidades”3. Hoje, como outrora, passamos por incessantes e graves lutas na Igreja e na sociedade. Como naquele tempo, “a moralidade pública e a própria fé – o maior dos bens e o fundamento de todas as outras virtudes – estão expostas a perigos sempre mais graves”4. Passamos igualmente por situações difíceis, por múltiplas angústias, mas, pela caridade que nos une tão estreitamente, as sofremos todos juntos. Destes, “o fato mais doloroso e mais triste de todos é que tantas almas, remidas pelo sangue de Cristo, como que arrebatadas pelo turbilhão desta época transviada, vão-se precipitando numa conduta sempre mais depravada, e se abismam na eterna ruína; por isto a necessidade do divino auxílio certamente não é menor hoje do que a que era sentida quando o grande Domingos, para curar as feridas da sociedade, introduziu a prática do Rosário mariano”5.

Iluminado por Deus, São Domingos “viu claramente que para os males do seu tempo não havia remédio mais eficaz do que reconduzir os homens a Cristo, que é ‘caminho, verdade e vida’6, mediante a frequente meditação da Redenção por Ele operada; e interpor junto a Deus a intercessão dessa Virgem a quem foi concedido ‘aniquilar todas as heresias’”7. Por este motivo, ele dispôs a prática do Rosário de modo que fossem sucessivamente recordados os mistérios da nossa salvação, e a este dever da meditação se entremeasse como que uma mística coroa de saudações angélicas, as Ave-Marias, intercaladas pela oração a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós, que procuramos um remédio para os diversos males que nos afligem, com o Papa Leão XIII, “não duvidamos de que a mesma oração, pelo santo Patriarca introduzida com tão notável vantagem para o mundo católico, tornar-se-á eficacíssima para aliviar também as calamidades dos nossos tempos”8.

Portanto, considerando todas estas razões, ouçamos o veemente apelo do Papa Leão XIII: “exortamos calorosamente todos os cristãos a praticarem, sem se cansar, o piedoso exercício do Rosário, publicamente, ou em particular, nas suas casas e famílias”9. Pois, como demonstra a história da Igreja, o Rosário da Virgem Maria é um extraordinário auxílio celeste contra todos os males. A eficácia do Rosário foi provada em tempos difíceis, de perseguição e de muito sofrimento, pelos quais muitos de nós, irmãos em Cristo, temos passado. Solidários com os sofrimentos de nossos irmãos na fé e de tantas outras pessoas que padecem pela miséria, pela fome, pelas drogas, pelas doenças, pela violência e tantos outros males, rezemos o Rosário, invocando com confiança o auxílio da Mãe de Deus. Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Referências:
1 PAPA JOÃO PAULO II. Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 8.
2 PAPA LEÃO XIII. Carta Encíclica Supremi Apostolatus Officio, 9.
3 Idem, 10.
4 Idem, 11.
5 Idem, ibidem.
6 Jo 14, 6.
7 PAPA LEÃO XIII. Op. cit., 11.
8 Idem, ibidem.
9 Idem, 12.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, missionário da Comunidade Canção Nova, formado em Filosofia e Teologia. Atualmente é produtor de conteúdo do portal cancaonova.com. Na consagração a Virgem Maria, segundo o Tratado de São Luís Maria, descobriu um caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é o seu maior apostolado.

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