Com a Palavra

Tempo Comum: Ritmo «tranqüilo» do Ano Litúrgico

Fala o Pe. Juan Javier Flores, reitor do Pontifício Instituto Litúrgico (PIL)
ROMA, segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Estamos recomeçando o tempo comum, liturgicamente falando.

É um tempo «menor»? Não se trata de um tempo fraco com relação aos demais tempos fortes, já que conta com os domingos que são a celebração semanal da Páscoa, que está na origem própria do ano litúrgico. Em si este tempo não tem nada que o torne inferior aos demais. O tempo comum não tem como objeto a celebração particular de um mistério preciso da vida de Cristo, mas a totalidade do mistério visto mais em seu conjunto que em algum mistério particular. São 33 ou 34 semanas que se situam depois da festa do Batismo do Senhor e continuam até a solenidade de Pentecostes. Não são semanas completas, pois a algumas falta o domingo ou alguns dias, como nos dias que seguem a Quarta-Feira de Cinzas.

Há formulários específicos para os dias feriais – não festivos – do tempo comum? Na liturgia atual deste tempo não se previram formulários específicos para os dias feriais, porém — aqui está a grande novidade — se preparou um duplo lecionário que enriquece notavelmente a celebração diária. As grandes pautas da espiritualidade do tempo comum estão marcadas pelo duplo lecionário ferial: o lecionário da Eucaristia e o lecionário bíblico bienal do ofício de leituras, ao que se acrescenta outro lecionário bíblico patrístico. Os dias do tempo comum têm uma distribuição própria de leituras em um ciclo de dois anos, mas o Evangelho é sempre o mesmo, pelo que é a primeira leitura a que oferece um ciclo diferente para cada ano. Os evangelhos diários estão divididos dessa forma: O evangelho de Marcos, desde a semana I à IX. O evangelho de Mateus, desde a semana X à XXI. O evangelho de Lucas, desde a semana XXII à XXXIV. O evangelho de João, no entanto, é lido durante todo o tempo pascal, a partir da quinta semana da Quaresma. Constitui um conjunto de cinco domingos, desde o 17º até o 21º no ciclo B do tempo comum. Trata-se de uma ocasião privilegiada para uma catequese sobre a Eucaristia, ambientada na adesão a Jesus na fé.

O tempo comum faz parte do ano litúrgico. Como podemos definir o ano litúrgico? O ano litúrgico pode ser descrito como o conjunto das celebrações com as quais a Igreja vive anualmente o mistério de Cristo. Assim expressa o Concílio Vaticano II em sua constituição de liturgia, n. 102: «a Santa Mãe Igreja considera dever seu celebrar com uma sagrada recordação, em dias determinados através do ano, a obra salvífica de seu divino Esposo», de modo que ao longo de um ano possamos percorrer os momentos cumes da história da salvação, introduzindo-nos nele. O ano litúrgico é, portanto, o ano do Senhor, do Kyrios glorioso, do Cristo ressuscitado presente no meio de sua Igreja com a longa história que o precede e o acompanha. Revivemos a aliança, a eleição do povo santo e a plenitude dos tempos messiânicos. Ao longo do ciclo anual, vamos repassando todo o mistério de Jesus Cristo, desde a encarnação até a espera de sua segunda vinda no final dos tempos, culminando este percurso na celebração mais importante do ano, isto é, na memória de seu Mistério Pascal. O ano litúrgico, em seus diversos momentos, não celebra outra coisa senão a plenitude desse mistério tem seu centro na Páscoa anual, tudo brota dela e tudo tende a ela.

A Páscoa é sempre o ponto culminante? Os documentos que acompanharam a reforma litúrgica insistem de modo muito especial nesta centralidade pascoal; daí se desprende a necessidade de destacar plenamente o mistério pascoal de Cristo na reforma do ano litúrgico, segundo as normas dadas pelo Concílio, tanto no que referente à ordenação do Próprio do tempo e dos santos, como à revisão do Calendário romano. A contínua celebração pascoal se constituiria, por isso, em ponto de partida de toda reforma do ano litúrgico. A constituição conciliar sobre a liturgia e os documentos posteriores é clara e rotunda, não existe mais que um ciclo, que é o pascoal, ainda que junto a ele se situem outros ciclos colaterais. A Páscoa de Cristo se encontra no centro da ação litúrgica; daí que toda espiritualidade cristã deva ser uma espiritualidade polarizada pelo fato divino da salvação, pelo mistério pascal vivido por Cristo e celebrado memorialmente pela Igreja.

Há espiritualidades específicas para cada tempo litúrgico? Sim. Os grandes tempos do ano litúrgico podemos dividi-los segundo a tonalidade do próprio tempo litúrgico, sempre partindo da unicidade da celebração da Páscoa, buscando a totalidade na simplicidade do mistério, ou seja, «o todo no fragmento»: Advento: uma espiritualidade escatológica; Natal: uma espiritualidade esponsal; Epifania: uma espiritualidade real; Quaresma: uma espiritualidade de conversão e penitência; Tríduo Pascal: imitar sacramentalmente o mistério pascoal de Cristo; Páscoa: uma espiritualidade pentecostal; e o tempo Comum: o ritmo tranqüilo do ano litúrgico.

Sábado ou Domingo?

Algumas seitas ensinam que o Dia do Senhor é o sábado e não o Domingo. São chamadas sabatistas.

Eles se baseiam no Antigo Testamento e assim mesmo interpretam as passagens bíblicas de forma errada. Eles só decoram bem os versículos bíblicos. Mas de que adianta decorar versículos se o principal, que é entendê-los e vivê-los, lhe faltam?

Jesus é o Senhor do Sábado e trabalhou no Sábado, realizando milagres e de propósito para libertar os judeus do formalismo sabático.

Leia-se Marcos 3, 1-6;  Mateus 12, 1-8;  Marcos 2, 24-28;  Lucas 6, 5-11;  Lucas 13, 14-16;  Lucas 14, 1-6;  João 5, 10-11;  João 7, 23; João 9, 16.

Importante Colossenses 2, 16-17: “a ostentar a palavra da vida, dessa forma, no dia de Cristo, sentirei alegria em não ter corrido em vão, em não ter  trabalhado em vão. Ainda que tenha de derramar o meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu me alegro e vos felicito”.

Domingo é o Dia do Senhor: “No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manha cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro” (João 20, 1).

“No primeiro dia da semana, muito cedo, dirigiram-se ao sepulcro com os aromas que haviam preparado. Acharam a pedra removida longe da abertura do sepulcro. Entraram, mas não encontraram o corpo do Senhor Jesus” (Lucas 24, 1-3).

“Chegando ao dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar” (Atos 2, 1) / Pentecostes ocorre no domingo.

“Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na paciência em união com Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta” (Apocalipse 1, 9-10).

A História registra que os católicos sempre guardaram o Domingo como o Dia do Senhor. Há registros exatos dessa prática no ano 70 da nossa era.

NO SÁBADO – A SANTA MISSA TEM O MESMO VALOR LITÚRGICO DO QUE A DE DOMINGO

Muitos católicos ainda hoje, dizem que as Missas celebradas no sábado a noite, não tem valor  litúrgico. Enganam-se todos eles, pois na época de Cristo o domingo começava ao por do sol no dia de sábado.

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: O mandamento da Igreja determina e especifica a lei do Senhor. “Aos domingos e nos outros dias de festas de preceito, os fiéis têm a obrigação de participar da Missa”… “Satisfaz ao preceito de participar da Missa quem assiste à Missa celebrada segundo o rito católico no próprio dia de festa ou à tarde do dia anterior” (CIC 2180).

Assim sendo: Se for utilizado os ritos do domingo, a missa do sábado a noite, satisfaz e se dá o valor a Santa Missa.

As Pedras Grandes e o Vaso – (Vida e Conhecimento)

Um professor de Ciências de um colégio queria demonstrar um conceito aos seus alunos.

Pegou um vaso de boca larga e colocou algumas pedras dentro.

Então perguntou a classe:

– Está cheio?

Unanimemente responderam:

– Sim! O professor então pegou um balde de pedregulhos e virou dentro do vaso. Os pequenos pedregulhos se alojaram nos espaços entre as rochas grandes.

Então perguntou aos alunos:

– E agora, está cheio?

Desta vez alguns estavam hesitantes, mas a maioria respondeu:

– Sim!

O professor então levantou uma lata de areia e começou a derramar areia dentro do vaso.

A areia então preencheu os espaços entre os pedregulhos. Pela terceira vez o professor perguntou:

– Então, está cheio?

Agora a maioria dos alunos estava receosa, mas novamente muitos responderam:

– Sim! O professor então mandou buscar um jarro de água e jogou-a dentro do vaso.

A água saturou a areia.

Neste ponto, o professor perguntou para a classe:

– Qual o objetivo desta demonstração? Um jovem e brilhante aluno levantou a mão e respondeu: 

Não importa quanto a ‘agenda’ da vida de alguém esteja cheia, ele sempre conseguirá ‘espremer’ dentro mais coisas!

– Não, respondeu o professor, o ponto é o seguinte: A menos que você coloque as pedras em primeiro lugar dentro do vaso, nunca mais as conseguirá colocar lá dentro. As pedras grandes são as coisas importantes de sua vida: seu relacionamento com Deus, sua família, seus amigos, seu crescimento pessoal e profissional.

Se você preencher sua vida somente com coisas pequenas, como demonstrei com os pedregulhos, com a areia e a água, as coisas realmente importantes nunca terão tempo, nem espaço em suas vidas.

 

A MISSA DE DOMINGO E SUA OBRIGAÇÃO
http://www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5850-leitor-pergunta-sobre-a-missa-de-domingo-e-sua-obrigacao

Uma pessoa poderia trocar o dia de ir à Missa efetivamente, ou somente em casos de impossibilidade de se ir no fim de semana? Por exemplo, ao invés de ir à Missa aos sábados ou domingos, ela decidiria escolher um outro dia, ir sempre às segundas-feiras por exemplo, e sendo que em casa no domingo leria o evangelho do domingo estaria assim pecando de acordo com os mandamentos da Igreja? A Missa do domingo é mais importante que a Missa durante a semana? Poderá ela ser condenada se fizer isso? É um assunto sagrado e em se tratando disso não pode existir dúvida alguma.

1) A Missa é celebrada todos os dias, e em todos tem o mesmo valor intrínseco. Daí que não há maior santificação em quem assiste neste ou naquele dia.

2) Todavia, o III Mandamento obriga à santificação do Dia do Senhor, o Domingo, e o modo principal de santificarmos o Domingo é pela assistência à Santa Missa. Assim, ir à Missa em qualquer dia é devoção, mas aos Domingos, além disso, é obrigação.

3) Por questões pastorais, a lei da Igreja autorizou que a Missa Dominical possa ser antecipada para o sábado anterior, à hora canônica de Vésperas ou após. Daí que o cumprimento do preceito de assistir Missa aos Domingos não se faz pela Missa de sábado, mas só pela Missa de Domingo (incluindo a Missa de Domingo antecipada para o sábado). A Missa da liturgia própria de sábado não supre o preceito.

4) Os mandamentos obrigam ao possível. Não sendo possível assistir à Missa no Domingo (ou no sábado com a de Domingo antecipada), o fiel não é obrigado. Nem precisa tentar suprir em outro dia. Claro, estamos falando de real impossibilidade (igreja muito longe, falta de sacerdote etc). Não podendo ir à Missa Dominical (com real impossibilidade, frisamos!), simplesmente o fiel está escusado.

5) Claro que sempre se pode ir à Missa nos outros dias, mas isso não supre a falta de Domingo. Se ele não foi porque não quis, não há nenhum outro dia “a escolha”. Se ele não foi porque REALMENTE não pôde, não precisa de outro dia “a escolha”.

6) Quando se está escusado de ir à Missa Dominical pela real impossibilidade, o fiel deve santificar o Domingo pela abstenção dos trabalhos não essenciais (o que já é pedido mesmo que ele vá à Missa), e com outras formas de devoção (rezar o terço, se não reza durante a semana; ler o Evangelho; ler a liturgia da Missa, com a coleta, kyrie, glória etc).

7) A Missa de Domingo, em si, não é mais importante do que a da semana, pois todas são o mesmo, único e suficiente sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, oferecido na Cruz do Calvário ao Pai, por nossos pecados, tornado real e substancialmente presente. Todavia, pelo mandamento divino e pela ressurreição do Senhor ter se dado no Domingo, há uma obrigação de assistir tal Missa, ao passo que as demais são meramente recomendadas.

8) Deixar a Missa Dominical sem real impossibilidade ou grave motivo é pecado mortal.

Leia em http://www.veritatis.com.br/article/35 a Carta Apostólica Dies Domini, de São João Paulo II, sobre o Domingo.

Participar da Missa inteira aos Domingos e Dias Santos

… e abster-se de trabalho
Pe. Inácio José Schuster

O 1º Mandamento da Igreja Católica fala de participar da Missa inteira. O que significa Missa inteira? Alguns sacerdotes afirmam que é a partir da Liturgia da Palavra, outros que é a partir do Ato Penitencial, outros ainda desde o Sinal da Cruz.

Para responder a pergunta recorreremos ao Missal: Reunido o povo, enquanto entra o sacerdote com o diácono e os ministros, inicia-se o cântico de entrada. A finalidade deste cântico é dar início à celebração, favorecer a união dos fiéis reunidos e introduzi-los no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e ao mesmo tempo acompanhar a procissão de entrada do sacerdote e dos ministros (IGMR, n. 39).

A segunda parte da frase define os dias que o católico tem o dever de participar da Missa, que são os dias de preceito e o domingo – Dia do Senhor. Os dias santos de guarda são aqueles dias, nos quais celebramos alguma solenidade católica que não coincide com o domingo, mas tem o mesmo valor deste. Esses dias são: Santa Maria Mãe de Deus, Epifania, São José, Ascensão de Jesus, Corpus Christi, São Pedro e São Paulo, Assunção de Maria, Todos os Santos, Imaculada Conceição e Natal.

No entanto, o Brasil recebeu uma dispensa para alguns desses dias e outras solenidades foram transferidas para o domingo, de modo que só celebramos como preceito os dias de Santa Maria Mãe de Deus (01/01), Corpus Christi (quinta-feira posterior à Solenidade da Santíssima Trindade), Imaculada Conceição (08/12) e Natal (25/12). Advirto, ainda, que Quarta-feira de Cinzas, Quinta-feira Santa e Sexta-feira Santa não estão entre esses dias. Todos aqueles dias são celebrados desde o dia anterior à tarde. Por isso, mesmo que a liturgia não seja aquela cujo preceito se celebra, essa Missa cumpre o dever cristão; realiza a “desobriga”, na linguagem popular antiga.

O último elemento, poucas vezes citado, é que o católico deve abster-se de alguns trabalhos nesse dia. Não significa fazer absolutamente nada, como pensam os judeus, mas dedicar o dia ao Senhor “se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias” (CIC, n. 2042). Logo, se o trabalho prejudica o cumprimento do preceito, deve-se procurar outro meio de arrecadar o justo salário.

Tecnicamente, quem chega atrasado nessas Missas não deve comungar, e se saiu antes do término, está impedido da comunhão, até que se confesse. A comunhão, neste caso, não é um mérito ou congratulação por ter participado da Missa. O problema do recebimento da Eucaristia, aqui, insere-se no fato de cometer um pecado grave, devido descumprimento de uma lei canônica. Existem duas possibilidades de o fiel que chegou atrasado poder comungar. A primeira é que ele pode se comprometer a ir à Missa ainda naquele dia (ou no dia seguinte, se for Missa vespertina – celebrada no dia anterior) e, assim, cumprirá o preceito.

A segunda possibilidade é que o motivo do seu atraso é justificável. As justificativas podem ser motivos de doença, imprevistos etc. O critério para juízo, todavia, sempre será a consciência do fiel. Nas Missas feriais (durante a semana) não acontece a mesma coisa, pois o mandamento não as contempla. Embora haja quem proíba um fiel comungar quando chega atrasado à Missa, este não está impedido da mesma, pois não há pecado e nem haveria sacrilégio. Pensemos, para auxiliar, nas distribuições antes da Missa: entre os ritos aprovados da Igreja, tem um que só contém o rito da comunhão.

Quem busca a comunhão semanal deseja crescer na intimidade com Deus e receber maior número de graças. Porém, receberá graças muito maiores se participar inteiramente da Missa e com melhor preparação, sem atrasos indevidos. Preparemo-nos melhor para a Santa Missa, chegando mais cedo, rezando em silêncio e lendo anteriormente as leituras que serão proclamadas. Pois, seria muito triste se alguém procurasse uma ou outra atitude simplesmente por ser pecado ou norma. Estas posturas servem para nos ajudar a não desviar do foco que é Jesus, mas se o amamos verdadeiramente, devemos buscar dar-lhe sempre mais.

“Missa inteira” indica a presença corporal e a atenção; esta presença deve ser contínua, quer dizer, que dure do princípio ao fim da Missa, de sorte que não cumpriria o preceito aquele que omitir alguma parte “notável” da Missa. Dito de modo mais particular: 1) Não cumpre o preceito quem omite a consagração (por exemplo saindo fora) ainda que esteja presente todo o tempo antes e o todo tempo depois da consagração. 2) O que chega depois do ofertório. 3) O que chega na leitura do Evangelho, sai e volta imediatamente depois da comunhão. Nos casos anteriores, evidentemente, estou me referindo a uma ausência da Missa sem causa justificada; não é o caso dos enfermos que por um motivo ou outro devem sair da igreja por razão de sua enfermidade, ou os pais que o tem de fazer por seus filhos, etc. O que temos que meditar mais é o motivo pelo qual não se participou da Missa. Pode ser que a negligência pela qual se chegue tarde implique numa pouca valorização do Santo Sacrifício da Missa.

AO TERMINAR A MISSA, QUANDO É QUE POSSO SAIR?

* RITO FINAL
Conhecido como o Rito da Bênção, é o desfecho da Santa Eucaristia. Após os comunicados e avisos importantes a serem apresentados à comunidade é uma boa prática que a Equipe de Liturgia indique à Assembléia o compromisso da semana, baseada na liturgia que acaba de ser desenvolvida. Ao dar a bênção, o celebrante traça uma cruz sobre a Assembléia, e todos podem inclinar a cabeça. Existem outras fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com a festa litúrgica. Eis, por exemplo, a bênção que o Missal Romano traz para o primeiro dia do ano:

CEL: Que Deus todo poderoso, fonte e origem de toda a bênção, vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano!
ASS: Amém!
CEL: Que vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança e perseverantes até o fim na caridade!
ASS: Amém!
CEL: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vossos dias, atenda sempre vossas preces e vos conduza à vida eterna!
ASS: Amém!
CEL: A bênção de Deus todo poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre!
ASS: Amém!

O celebrante pode também abençoar com outras palavras, de acordo com as circunstancias. Os franciscanos, por exemplo, utilizam muito a oração conforme Nm 6, 22-27, que diz: “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno; o Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz”. Cada fiel deve se colocar pessoalmente sob aquela bênção, como seu nome e sua vida. Não saia da igreja antes da bênção final.

A Missa termina com a bênção e em seguida vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa. E desejável também que a Assembléia só saia da igreja após a retirada do celebrante, acólitos e ministros. Exercite também o espírito de comunidade, conversando mais com seus irmãos. Ao chegar em casa, dê um abraço em todas as pessoas da sua família, saudando com “A Paz e Cristo”; mostre que você está em estado de graça, pois acaba de vir da Santa Eucaristia, que representa um encontro com o Senhor e com os irmãos em Cristo.

Fontes Bibliográficas: Missal Romano, co edição de Edições Paulinas e Editora Vozes, 1991
A Missa Parte por Parte, Padre Luiz Cechinato, Editora Vozes, 1993
Liturgia da Missa (Opúsculo), Edições Paulinas, 1979

A nossa roupa de domingo

www.osaopaulo.org.br/colunas/a-nossa-roupa-de-domingo

Sempre me comoveu participar de Missas e celebrações em paróquias de pequenas cidades e vilarejos. É muito bonito ver como as pessoas têm especial cuidado com sua arrumação pessoal e com seu modo de se vestir para a Missa. O decoro e a elegância com que se apresentam, aquela “roupa de domingo“, que não é luxuosa, mas que se vê que foi cuidadosamente escolhida, refletem a piedade e sensibilidade da sua alma. Essa atitude me faz pensar que a aparência exterior é uma maneira de expressar o amor que temos dentro do coração.

A preparação para a Santa Missa é, antes de tudo, uma atitude interior: a disposição de oferecer a Deus tudo o que somos e temos, e de perdoar nossos irmãos antes de apresentarmos nossa oferta. No entanto, também a nossa atitude exterior é importante para um digno culto a Deus e se manifesta, entre outros aspectos, por meio da nossa postura e do nosso modo de vestir.

A vestimenta é uma forma de nos comunicar. Quando vamos visitar uma pessoa muito importante ou por quem temos um grande apreço, gastamos tempo para nos preparar, pois estar bem arrumados é uma forma de prestigiá-la. A ninguém ocorre pensar em ir a um casamento ou a uma festa com trajes esportivos. Na Missa, nosso anfitrião é o próprio Deus, o que faz dela o acontecimento mais importante da nossa semana.

Por isso, muito me entristece ver as pessoas chegando para a Missa direto do parque, do churrasco ou da praia, vestidas como se a celebração eucarística fosse apenas uma parte a mais de sua rotina de domingo, um compromisso pouco importante. A Missa torna presente o mesmo sacrifício da Cruz e cada um de nós está ali como a Virgem Maria, o Apóstolo João ou as Santas Mulheres, acompanhando Jesus no Calvário.

No Evangelho de São Marcos (Mc 14, 3-9), lemos que Jesus não censurou a mulher por derramar sobre seus pés um perfume de grande preço. Pelo contrário, demonstrou gratidão pelo gesto de amor que teve para com Ele. Imagino como alegra o coração de Deus quando damos generosamente a Ele o que temos de melhor, não o que nos sobra. Por isso, fazer da Missa o centro do nosso domingo, preparando a nossa alma e o nosso corpo adequadamente para esse momento tão sublime, é a melhor forma de demonstrar nosso amor a Deus.

Mesmo sendo profissional da área, não pretendo dar exemplos concretos, pois não se trata de um editorial de moda. Cada um, a seu modo e sem perder seu estilo pessoal, pode pensar como se apresentar de maneira mais especial para a Missa. Como cristã, gostaria apenas de propor uma reflexão: como podemos demonstrar externamente mais reverência a Jesus Eucarístico, retribuindo-Lhe o Amor com que se entrega a cada um de nós todos os domingos na Santa Missa?

Quais são os efeitos e os benefícios da adoração?

Eucaristia

Estar em adoração, diante do Santíssimo Sacramento, é uma oportunidade espiritual que modifica nossa vida e nosso coração

Em uma entrevista concedida ao padre Antônio Spadaro, SJ, o Papa Francisco assim se expressou sobre seus momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento: “O que verdadeiramente prefiro é a adoração vespertina, mesmo quando me distraio e penso em outra coisa ou mesmo quando adormeço rezando. Assim, à tarde, entre as sete e as oito horas, estou diante do Santíssimo durante uma hora”. Estar diante do Santíssimo para o Papa Francisco é importante dentro dos seus momentos diários de oração. E para nós? Como vivemos os momentos de adoração em nossa vida? Quais efeitos e benefícios ela tem para nossa vida?

Estar diante do Jesus, presente no Santíssimo Sacramento do Altar, é uma graça, um momento profundo de encontro e intimidade com o próprio Deus. Em seu infinito amor por todos nós, Cristo continua presente na Eucaristia, atualizando em nossa vida Seu mistério de amor, doação e entrega.

Estar em adoração diante do Santíssimo Sacramento é uma oportunidade espiritual para modificarmos nossa vida e o nosso coração. Esses momentos devem ser vividos com intensidade e profundidade. O silêncio ajuda. Calarmos as vozes internas para ouvirmos a voz divina. No silêncio, Cristo nos fala ao coração. É preciso silenciarmos para ouvi-Lo. No barulho e na agitação, torna-se fundamental o exercício do calar-se para poder ouvir a voz do Senhor. Aprender a cultivar momentos de silêncio é um desafio para o nosso tempo, no qual vivemos interligados 24 horas por dia.

O primeiro efeito e benefício da adoração é o silêncio que começamos a cultivar em nossa vida. Na simplicidade da Eucaristia, o próprio Cristo nos ensina a silenciar para que a Sua presença seja completa em nós. Silenciar diante do Mistério Eucarístico para silenciarmos também diante dos mistérios da vida. Silenciar as palavras para nos silenciarmos diante dos julgamentos alheios que fazemos ao longo do dia. Silenciar o coração para silenciarmos nossa própria agitação. Silenciar para ouvir com mais profundidade a voz d’Aquele que nos fala ao coração.

Na adoração, entramos em profundo contato com o amor de Cristo por cada um de nós. Esse mesmo amor que contemplamos somos convidados a levar aos nossos irmãos e irmãs. Nossos momentos de adoração estão profundamente enraizados com o cotidiano de nossa vida. Diante do Senhor, levamos aquilo que somos: nossas fragilidades e potências, nossas dores e alegrias, nossos pecados e nossa santidade. Não nos despedimos do que somos para estar diante do Senhor, mas nos apresentamos na condição que nos encontramos para sairmos transformados desse encontro de amor e paz.

Transformados para transformar! Amados para amar! Eis o maior efeito e benefício da adoração em nossa vida! Uma vez iluminados por Cristo, somos chamados a ser, no mundo, um sinal dessa mesma luz. Iluminarmos tantas situações de trevas presentes na vida, na família, na sociedade, no trabalho, na comunidade… Nossa adoração não deve ser individualista e egoísta, mas feita de momentos de profunda comunhão com todos os nossos irmãos e irmãs em Cristo Jesus.

Na Escola de Adoração, aprendemos a cultivar uma vida interior que germina do mistério de amor de um Deus que vem ao nosso encontro para nos fazer pessoas novas para um mundo novo.

Padre Flávio Sobreiro

“Durante o momento de Adoração não se toca no Ostensório”

“DURANTE O MOMENTO DE ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO, OS FIÉIS NÃO DEVEM TOCAR O OSTENSÓRIO”.

Quando Jesus era vivo, as pessoas tentavam ser curadas apenas tocando nas vestes dele. Não podemos fazer isso hoje? Aquele que tem muita fé, não poderia ser curado?
A pergunta responde por ela mesma. No tempo em que Jesus estava na terra (porque Jesus ainda está vivo), uma mulher (cf. Lc 8, 43) ficou curada não porque tocou em Jesus, mas porque tinha fé. De igual modo, não precisamos tocar em Jesus, mas crer Nele. Nosso Senhor nunca disse que deveríamos tocá-lo para ficarmos curados, mas sim, que se crermos Nele, jamais morreremos (cf. Jo 11, 26). Nós poderíamos citar diversas teologias e regras litúrgicas que mostrassem que não é certo tocar no Santíssimo. Porém, vemos aqui que a questão é outra. Quem tem muita fé, confia em Deus e Nele espera. Se nós cremos que ficaremos curados de nossos males porque tocamos no ostensório ou nas vestes do Papa ou fomos até Jerusalém, a nossa fé é vã. A nossa fé só não é vã se cremos que Cristo ressuscitou (cf. 1Cor 15, 14).

Podemos tocar na hóstia ou no ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento?
Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Sacramento da Eucaristia (Ecclesia de Eucharistia, 17/4/2003). Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor. A pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo, e se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do Sacramento. Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na Sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o Autor da bênção. E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do Mistério Eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros.

Mons. Inácio José Schuster
Vigário Geral da Diocese de Novo Hamburgo

Junho, o mês do Sagrado Coração de Jesus

O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus

Vitaliano Mattioli

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e aflitos, e eu vos darei descanso” (Mt 11, 28).

Jesus pronunciou estas palavras no segundo ano da sua atividade apostólica. Depois do discurso na sinagoga de Cafarnaum sobre a instituição da Eucaristia, Jesus, num momento de profundo lirismo, nos abriu o seu coração indicando-o como nosso refúgio. Este coração foi aberto logo depois da sua morte: “Um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança” (Jo 19, 34) para nos convidar a entrar e saborear as doçuras da ternura de Jesus. A devoção ao Sagrado Coração é muito antiga; iniciou desde o século XII. O mês de junho é dedicado a este Sagrado Coração porque neste mês se celebra a festa do Coração de Jesus (neste ano é o dia 7). Esta festa já se celebrava em várias dioceses do mundo (p.ex. na França desde o ano 1672). O Papa Pio IX a estendeu para toda a Igreja no dia 23 de agosto do ano 1856. Esta celebração é importante: conduz à essência do cristianismo, à pessoa de Jesus manifestado no mistério mais íntimo do seu ser. O coração na antiguidade foi sempre considerado como o centro vivo da pessoa, a sede dos sentimentos, dos afetos, do carinho. A Sagrada Escritura usou este símbolo para expressar o amor de Deus. Deus tem um coração grande: “Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor” (Jr 31, 3); “Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por meio dele” (1Jo 4, 8-9). Assim Jesus se transforma em sinal, revelação, a presença entre nós do amor de Deus. Deus, enviando o seu Filho, materializou este seu amor. Jesus se apresenta como a “imagem (visível) do Deus invisível” (Cl 1, 15): “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 18). Se o coração de Jesus é a manifestação do coração de Deus, para compreender Deus a única solução é entrar neste coração aberto de Jesus para descobrir a ternura de Deus Pai. Este é o convite que nos já apresentou Santo Agostinho: “A entrada é acessível: Cristo é a porta. Também pra você foi aberta a porta quando o lado de Jesus foi aberto com uma lança… Daqui escolhe para donde você possa entrar” (Discurso 311, 3,3). A ferida era a porta, agora aberta, o coração a meta, o santuário recôndito donde encontrar o amor e, por consequência, oferecer-se a ele. Se os Padres da Igreja (Justino, Ireneu, Cipriano, Ambrósio, Agostinho) nos apresentaram o coração de Jesus como a sede da ternura e do carinho de Deus Pai, Orígenes e outros teólogos (especialmente Pedro Damião e Pedro Canísio) nos apresentaram o mesmo Coração como a fonte da verdade e o santuário da eterna sabedoria. Não por nada Jesus no Oriente é chamado de Sofía, isto é ‘a sabedoria eterna de Deus’. Aproveitando o simbolismo do coração a intenção é prestar o culto à pessoa mesma de Cristo. São João Eudes (1601-1680) foi o primeiro apóstolo do culto aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. O convite de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e aflitos, e eu vos darei descanso” manifesta todos os sentimentos de Jesus para conosco. Jesus compreende a nossa fraqueza e nos convida a entrar no seu coração, isto é, a recorrer a Ele, fonte de misericórdia, para encontrar um refúgio tranquilo e seguro. A religião se transforma em um ato de amor, num abandono confiado na ternura de Jesus-Deus. Assim a devoção ao Sagrado Coração de Jesus se manifesta como a raiz e o fundamento das outras devoções. Jesus nos convida a permanecer no seu amor: “Permanecei em mim… Permanecei no meu amor” (Jo 15, 4 e 9). Deste modo os dois corações: o nosso e o de Jesus se encontram e o nosso é transformado no coração de Jesus. Para celebrar o centenário desta festa, o Papa Pio XII escreveu uma Carta Encíclica, Haurietis Aquas (Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus, 15 de maio de 1956). Nesta o Papa diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transformaram profundamente os indivíduos, as famílias, as nações e o mundo inteiro, encontramos um remédio eficaz no culto augustíssimo do Coração de Jesus, para satisfazer as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano” (n. 70). O mesmo Pio XII encorajou a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus. Em um discurso aos esposos (5 de junho de 1940), Ele assim falou: “Nas revelações plenas de amor… Nosso Senhor prometeu que ‘onde quer que a imagem deste Coração for exposta para ser honrada, ela ali atrairá toda sorte de bênçãos’. Confiantes na palavra divina, vós podeis portanto conservar em vossa moradia a imagem do Sagrado Coração com as honras que a Ele são devidas… Cumpre portanto que a imagem do Coração seja exposta e honrada na vossa casa. Exposta e honrada: isto quer dizer que esta imagem não deve somente velar sobre vosso repouso, em um quarto privado, mas ter tida lealmente em honra… Em uma palavra, o Sagrado Coração é honrado devidamente em uma casa, quando aí é por todos e por cada um reconhecido como Rei de amor; o que se exprime dizendo que a família foi a Ele consagrada. O Coração de Jesus se empenhou em cumular de graças especiais aqueles que em total modo se derem a Ele. Mas quem se consagra deve também cumprir as obrigações que derivam de tal ato. Longe portanto dela tudo o que contristaria o Sagrado Coração: prazeres perigosos, infidelidades, intemperança, revistas, a licença com a lei moral, qualquer forma de injustiça”. Assim o culto ao Sagrado Coração de Jesus se transforma em uma bênção para as famílias.

Eucaristia, manjar de vida

Ela nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo

É muito belo, meus irmãos, passar de uma festa para outra, de uma oração para outra, de uma solenidade para outra. Aproxima-se o tempo que nos traz um novo início e o anúncio da Santa Páscoa, na qual o Senhor foi imolado.

Do Seu alimento nos sustentamos como de um manjar de vida, e a nossa alma delicia-se com o Sangue precioso de Cristo como numa fonte. Contudo, temos sempre sede desse Sangue, sempre O desejamos ardentemente, mas o nosso Salvador está perto daqueles que têm sede, e na Sua bondade, convida todos os corações sedentos para o grande dia da festa, dizendo: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (Jo 7,37).

Sempre que nos aproximamos d’Ele para beber, Ele nos mata a sede; sempre que pedimos, podemos nos aproximar do Senhor. A graça é própria desta celebração festiva, não se limita apenas a um determinado momento; nem seus raios fulgurantes conhecem ocaso, mas estão sempre prontos para iluminar as almas de todos que o desejam. Exerce contínua influência sobre aqueles que já foram iluminados e se debruçam, dia e noite, sobre a Sagrada Escritura. Estes são como aquele homem que o Salmo proclama feliz quando afirma: “Feliz aquele homem que não anda conforme o conselho dos perversos; não entra no caminho dos malvados nem junto aos zombadores vai sentar-se; mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar” (Sl 1,1-2).

Por outro lado, amados irmãos, o Deus que, desde o princípio, instituiu esta festa para nós, concede-nos a graça de celebrá-la cada ano. Ele que, para nossa salvação, entregou à morte Seu próprio Filho, pelo mesmo motivo nos proporciona esta santa solenidade que não tem igual no decurso do ano.

Esta festa nos sustenta no meio das aflições que encontramos neste mundo. Por ela, Deus nos concede a alegria da salvação e nos faz amigos uns dos outros. Conduz-nos a uma única assembleia, unindo espiritualmente a todos em todo lugar, concedendo-nos orar em comum e render comuns ações de graças, como deve-se fazer em toda festividade. É este um milagre de sua bondade: congrega, nesta festa, os que estão longe e reúne, na unidade da fé, os que, porventura, encontram-se fisicamente afastados.

Santo Atanásio, Bispo – Século IV
(Trecho extraído do livro “Alimento Sólido” de Prof. Felipe Aquino)

Aspecto Social da Eucaristia

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho 

Há uma responsabilidade muito grande daquele que se aproxima da Comunhão eucarística. Jesus, com efeito, se intitulou o Pão da Vida, (Jo 6,48), mas vida em todo o sentido: daquele que O recebe e da vida social com os irmãos. Há em toda refeição um aspecto comunitário de suma importância. Na mesa da Eucaristia Jesus se une a cada um de maneira reduplicada, ou seja, como ele o declarou: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Reúne, entretanto, nele todos os que o comungam. É o que, magnificamente, São Paulo escreveu: “Porque ainda que sendo muitos, um só povo e um só corpo somos, pois todos participamos de um só pão” (1 Cor 10,17) .

Deste modo, a Eucaristia é sinal vivo de unidade e amor que estreita o cristão com Cristo e com os irmãos. É, assim, penhor da graça que cada um necessita para que este amor seja forte, sincero, iluminando todos os atos do epígono do Redentor. Através da Eucaristia, Jesus, o Pão da Vida, deseja que todos formem um povo sempre agradável ao Pai numa dileção mútua fruto da convicção na veracidade das palavras do Mestre divino: “ Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. (Mt 25,40). Fortalecido pela energia espiritual da união com o Salvador, o batizado é capaz então de superar todas as rusgas no trato com o seu semelhante.

Como é triste, por vezes, se escutar de pais: quanto mais meu filho ou minha filha comunga mas intolerável se comporta em casa. É lamentável ouvir de esposos: quanto mais minha mulher ou meu marido comungam, mais agressivo se mostra. Tal contra testemunho é sumamente deletério. Com efeito, a Eucaristia é fonte da prática de todas as virtudes, sobretudo da caridade, da paciência, da humildade. Quem não age de acordo com Cristo recebido na comunhão demonstra não compreender a dimensão deste grande sacramento.

Adite-se que outro aspecto social da Eucaristia é que este sacramento é penhor da ventura perene no céu: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54). Portanto, é arras de uma existência comunitária na Casa do Pai por toda a eternidade. A Comunhão é já uma parte do banquete de Cristo no Reino dos Céus do qual participarão todos os eleitos. Eis por que são milhares os que se santificam à luz desta concepção da comunhão maior envolvendo a todos os membros do Corpo Místico. Nem se deve esquecer que a Eucaristia é um memorial do que ocorreu no Calvário e Jesus morreu para todos: “Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha” (1 Cor 11,26).

Da mesa eucarística o cristão deve sair forte como um leão que vencerá todas as tentações do Maligno e manso como um cordeiro que tratará a todos com mansidão e doçura, mormente os que vivem sobre o mesmo teto ou convivem nos mesmos labores. Tolerância sobretudo com os que, consciente ou inconscientemente, vivem a irritar os outros. Cumpre, sempre, porém, ter alma eucarística e sem cessar dizer a Jesus: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” (Jo 6,34) Ele, de fato, asseverou: “Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6,35).

Deste modo, se continua a viver como os primeiros cristãos que “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Agiam assim não, porém, sem prolongar no dia a dia o sentido da Comunhão: “Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração” (At 2,46).

O Sacramento da Eucaristia e os casados em segunda união

As normas jurídicas visam a libertar o fiel de uma vivência malsã da religião
Por Edson Sampel

É mansa e pacífica entre os bispos a interpretação da Familiaris Consortio no sentido de que os divorciados não podem receber a sagrada eucaristia. De fato, a exortação apostólica de João Paulo II é claríssima: “A Igreja (…) reafirma sua práxis, fundamentada na sagrada escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união” (n. 84d). O código canônico também determina essa proibição (cânon 915). O direito eclesial prescreve que todo fiel tem a obrigação de receber a sagrada comunhão ao menos uma vez por ano, preferencialmente no tempo pascal (cânon 920). Note-se que a lei na Igreja tem cunho preponderantemente pastoral. Assim, o direito canônico não é um jugo a mais nos ombros do indivíduo; pelo contrário, as normas jurídicas visam a libertar o fiel de uma vivência malsã da religião. Desta feita, ninguém dirá que fulano é um mau católico, porque vai à missa todo domingo, mas comunga apenas uma vez por ano! O dever jurídico é a comunhão anual, por ocasião da Páscoa.  Neste aspecto, penso eu, já se vislumbra o alvorecer de uma esperança enorme para os casados em segunda união, com a majoração do tempo para a tomada de algumas providências, como, por exemplo, a consulta a um tribunal eclesiástico. Quero, entretanto, deixar bem claro que, em não havendo obstáculo, todo fiel tem o direito de comungar nas missas dominicais, ou quotidianamente. É mesmo salutar que o faça, contanto que regularmente compareça ao confessionário. O sacramento da eucaristia é sem dúvida o maior dom que Deus nos ofertou. Por outro lado, é imperioso que não se caia numa vivência supersticiosa da religião, o que sucederia se acreditássemos que quanto mais vezes sicrano comungar mais santo ele será ou mais protegido ele estará. Quem trouxe bastante luz para obviar este problema foi o então cardeal Ratzinger, hoje nosso amantíssimo Bento XVI. Em 1985, numa célebre entrevista concedida ao jornalista italiano Messori, Ratzinger falava da nuança sacrifical da missa, que se encontra, segundo ele, um tanto quanto ofuscada. Com efeito, a missa não é só banquete, quando se manduca ou se come a hóstia consagrada; a missa é igualmente sacrifício. Explicava o eminente prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: “Devemos reaver a consciência de que a eucaristia não é privada de valor se não se recebe a comunhão: nesta percepção, problemas dramaticamente urgentes, como a admissão ao sacramento dos divorciados casados novamente, podem perder muito de seu peso opressivo” (“A fé em crise?”, p. 99). A santíssima eucaristia é decerto o centro da comunidade paroquial (cânon 528 § 2). Contudo, é mister compreender este sacramento corretamente, nas suas dimensões de banquete fraterno e de sacrifício do corpo e do sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano. Professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT).

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