Com a Palavra

O Cristão e a superstição

É possível ser Cristão e acreditar na superstição?
http://berakash.blogspot.com.br/2013/05/o-cristao-e-supersticao-e-possivel-ser.html

Por volta de 1910, a Encyclopedia Britannica afirmou que o futuro traria “uma civilização isenta da última sombra de superstição”.
Tal declaração originou-se pelo fato de a ciência e a civilização exporem a insensatez de crenças ou conceitos aceitos cegamente durante os séculos passados.
Esta exposição do erro faria com que muitas pessoas se tornassem menos supersticiosas. Diante desse fato, esperava-se um futuro onde as crenças supersticiosas ficassem no passado, na Idade Média, embora, evidentemente, as práticas supersticiosas sejam anteriores ao próprio Cristianismo.
Ao contrário do que muitos intelectuais esperavam, a superstição não findou com o avanço da tecnologia nem com o avanço das ciências físicas.
Muitos achavam que o homem moderno não mais difundiria estórias como as da cegonha, fadas etc.; que aposentaria suas patas de coelho, figas, fitas vermelhas, ferraduras, arrudas ou as imagens de buda; que o mês de agosto deixaria de ser azarado (como se Deus não tivesse poder nesse mês); criam que até o temido “mau-olhado” ficaria cego.
Contudo, para a decepção geral desses otimistas tem ocorrido o inverso. Milhares de pessoas “intelectualizadas” se envolvem com alguma forma de superstição.
Por exemplo, o jornal O Estado de São Paulo (14 de fevereiro de 1993) publicou a uma matéria sobre operadores de bolsa de valores que não tomam uma decisão sem antes realizarem alguma prática supersticiosa. Há o caso de Herald McCardell, 42 anos, que “não dá um passo sem antes segurar um pequeno saco de pano. Dentro dele, há de tudo: dente de leite de um dos dois filhos, uma moeda inglesa dada pelo pai, um pedaço de espinha de peixe. (…) Alguns operadores especiais chegam ao requinte de não se sentar em cadeiras de colegas comprovadamente “azarados”. (…)
Outros andam somente com uma única gravata para dar sorte ou nem lavam a camisa que usam quando um negócio lucrativo é fechado.” Vê-se, pois, que a superstição atinge a todas as camadas sociais.
Outro engano era achar que superstições eram coisas de terceiro mundo, de países subdesenvolvidos:
Porém, o jornal O Globo (19 de novembro de 1987) trouxe a seguinte notícia:
“Japonesas lançam uma nova moda. Moças usam esparadrapo no braço esquerdo para atrair o rapaz que amam. (…) Esta simpatia funciona da seguinte forma: a moça deve escrever o nome do rapaz de quem gosta no braço esquerdo e cobri-lo com esparadrapo durante três dias. Ao fim de uma semana, o “milagre” acontece e o rapaz visado começa a sentir pela moça mais do que amizade”.
Assim, nem o avanço tecnológico foi capaz de deter a superstição.
Os grandes jornais — que são formadores de opinião — trazem todos os dias uma sessão de horóscopos, sem se falar dos programas de rádio e de televisão que dão ampla cobertura à indústria do irracional.
Pessoas moldam suas vidas por aquilo que os “astros” supostamente dizem ou deixam de dizer. As pessoas anseiam por coisas que determinem o rumo de suas vidas.
Essa é a razão da proliferação de disques-0900. Tem de tudo: disque-tarô, disque-búzios, disque-anjo, e até os que oferecem o “serviço completo”, como o brasileiro Omar Cardoso Filho e o porto-riquenho Walter Mercado, que apresentam tudo em matéria de artes divinatórias, um mercado mais do que lucrativo.

Superstição – o que é?
Talvez alguém esteja se perguntando: “Afinal de contas, que é superstição?” Como ponto de partida, tomemos duas definições do Aurélio:
“Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice; apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa”.

O QUE DIZ O SAGRADO MAGISTÉRIO SOBRE A SUPERSTIÇÃO?
CIC- 2110 “Não terás outros deuses diante de mim”- O primeiro mandamento proíbe prestar honra a outros afora o único Senhor que se revelou a seu povo. Proscreve a superstição e a irreligião. A superstição representa de certo modo um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por deficiência à virtude da religião.
CIC- 2111 A SUPERSTIÇÃO A superstição é o desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Pode afetar também o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, por exemplo, quando atribuímos uma importância de alguma maneira mágica a certas práticas, em si mesmas legítimas ou necessárias. Atribuir eficácia exclusivamente à materialidade das orações ou dos sinais sacramentais, sem levar em conta as disposições interiores que elas exigem, é cair na superstição.
CIC- 2138 A superstição é um desvio do culto que rendemos ao verdadeiro Deus. Ela se mostra particularmente na idolatria, assim como nas diferentes formas de adivinhação e de magia.
Essas definições mostram um elemento fundamental envolvido em quase todas as práticas supersticiosas: a emoção do indivíduo. Declarou o doutor Edward Hornick (professor de psiquiatria em Nova Iorque):
“As superstições estão entre os melhores sustentáculos contra a dúvida, a ansiedade a insegurança da vida”.
Assim, podemos afirmar que a superstição seria uma tentativa do desejo humano de solucionar seus problemas, através de práticas que possam manipular forças sobrenaturais para o seu próprio proveito.
A idéia inclui fazer com que Deus, os anjos ou até mesmo demônios possam estar ao seu serviço. Eles seriam uma espécie de gênio-da-lâmpada-de-Aladim.
Percebemos que o foco  da questão está no fato de a pessoa achar que ela mesma poderá resolver todos os seus problemas, independente de Deus.
“Na proporção em que o homem se desvia do Deus verdadeiro, ele se inclinará à superstição”.
A superstição é a fé desviada de seu curso natural, Deus. A raiz da superstição está no fato de o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, feito para sua glória, recorrer a objetos e fórmulas aparentemente mágicas a fim de resolver seus próprios problemas, sem levar em conta seu Criador.
Tal desejo de independência de Deus é um pecado, um desvio da verdadeira fé, que é direcionada para coisas, como rezas, talismãs, cristais, pêndulos, pirâmides etc.
A Bíblia e o magistério da Igreja têm muito a dizer sobre essa questão:
“A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detém a verdade pela justiça, porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis, porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si, pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, me lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém” (Romanos 1, 18-25).

Por que a Superstição é tão sedutora?
Várias coisas tornam a superstição altamente sedutora. A principal, sem sombra de dúvidas, é a curiosidade, sobretudo em relação ao que o futuro reserva.
Isso mostra que as pessoas estão em busca de segurança, devido ao medo em relação ao porvir. Aproveitando-se dessa situação, a mais destacada das práticas supersticiosas, a astrologia, tenta fornecer as respostas a curto, médio e longo prazos. Porém, se alguém fizer uma busca pelos jornais, revistas, rádios e televisões buscando orientação dos astros, e resolvesse compará-las, certamente encontraria, no mínimo, respostas de duplo sentido e conflitantes entre si, revelando, portanto, que é a interpretação subjetiva do astrólogo que determina o provável futuro.
Será esta a maneira correta de saber o que o futura trará? Vale a pena traçar o rumo de sua vida baseado em interpretações particulares? E onde fica Deus nessa história? Em quem devemos confiar: no Criador infalível ou em seres humanos falíveis?
Uma outra razão que leva alguém a se aproximar das superstições é a necessidade de proteção contra possíveis “forças ocultas” que possam trazer perigos à sua vida.
Assim, o excesso de credulidade leva pessoas a temerem o mau-olhado, a macumba, a feitiçaria etc. E para combater tais malefícios (que em si já são supersticiosos), as pessoas se entregam a outras práticas da mesma natureza. Esse ciclo vicioso faz do indivíduo uma presa fácil da superstição.
Além de proteção pessoal, há os que “acendem uma vela para Deus e outra para o Diabo”, buscando dominar outros; sua sede de poder irá envolvê-los não com Deus, mas com os poderes das trevas, o mundo de Satanás, fazendo aliança com as trevas.
Enganam-se ao achar que podem controlar os demônios, ao contrário, são estes que controlam os desavisados e sedentos de poder.
Jesus chamou o Diabo de “o pai da mentira” (João 8, 44). Por que fazer aliança com quem não é confiável? Na intenção de dominar, não subjugados.
Para finalizar (embora esses tópicos não tenham esgotado o tema), vale a pena lembrar que a humanidade jura poder conquistar a divindade ou tornar-se um deus.
Isso leva muitos ao submundo do ocultismo, do esoterismo, achando que estes lhes conferirão a fórmula da divindade.
Esquecem-se, contudo, de duas verdades fundamentais:
1)- Só existe um único Deus,uno e trino e que é  oniciente, onipotente, onipresente, fiel, justo e verdadeiro.
2)- Você não é Ele! E nem poderá ser. Há um grande abismo que separa o Criador da criatura, o Infinito do finito, o Absoluto do relativo.

Por que a Superstição é tão perigosa?
Toda e qualquer superstição é perigosa, pois desagrada a Deus. Isso não é mero passatempo inofensivo. Por vezes, o primeiro povo com quem Deus lidou, Israel, foi severamente punido pelo próprio Deus por se envolverem com práticas supersticiosas. E não foi por falta de avisos. Mesmo antes de entrarem na Terra Prometida, Deus lhes havia dito:
“Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos. Não se achará em ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o SENHOR teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o SENHOR teu Deus não permitiu tal coisa” (Deuteronômio 18, 9-14).
Algumas dessas práticas Supersticiosas podem parecer inocentes, mas não são:
Segundo a Bíblia o próprio Satanás, o príncipe dos demônios, transforma-se em “anjo de luz” (2ª Coríntios 11, 14-15). Por meio dessa sutil tática muitas pessoas são postas em contato com o poder das trevas sem o saber. A intenção de Satã não é apenas eliminar a fé das pessoas (é algo difícil até mesmo para ele); porém, ele tenta e continuará tentando para que as pessoas ponham sua fé em si mesmas ou em objetos, fórmulas mágicas, mandingas, feitiçarias, astrologia etc.
Em suma, a intenção do Diabo é que as pessoas se apoiem em tudo, menos em Deus e, mesmo que falem em Deus, não se submetam ao seu domínio exclusivo, não dêem importância à sua Palavra, a Bíblia, que deverá ser o guia completo para suas vidas e, sobretudo, não se sujeitem a Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo, pois somente ele é quem poderá satisfazer todos os anseios humanos de paz, alegria, segurança; somente ele poderá assegurar um futuro melhor, no céu, para todos aqueles que crerem nele, demonstrando isso por meio de suas vidas.
Até lá, é verdade, a vida não será necessariamente um mar de rosas, mas a Bíblia diz que Deus não nos abandonará em nenhum momento. Seja qual for a situação, Deus será sempre nosso socorro e auxílio. Diz a Bíblia:
“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (Salmo 46, 1).
Tudo isso revela o amor e o carinho desse Deus maravilhoso, que nenhuma prática supersticiosa poderá substituir.

Libertando-se da sedução da Superstição
Alguém talvez pergunte: “É possível libertar-me da sedução ou do poder da superstição?”
Claro que sim! Jesus mesmo garantiu:
“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. (…) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8, 32-36).
Aqueles que reconhecem a suficiência de Cristo abandonarão tais práticas antibíblicas que desagradam a Deus.
A Bíblia relata que certa vez um grupo de pessoas supersticiosas, envolvidas com artes mágicas, após entregarem suas vidas a Jesus Cristo, reuniram seus livros de fórmulas mágicas (que eram caríssimos) e os queimaram diante de todo o povo (Atos 19, 19).
Servir a Jesus Cristo implica em renunciar também às práticas supersticiosas. Você só tem a ganhar:
1)- Gato Preto ? O pobre teve culpa de ter nascido preto?
2)- Se horóscopos fosse importante Cristo teria ensinado ou não isto aos apóstolos ?
3)- Pirâmides ? – Ora as pirâmides são apenas túmulos de mortos.
4)- Pé de dinheiro, pé de pião ? etc…Vá estudar não…e num fique a esperar que uma plantação disto vai fazer você ficar rico e imune as tribulações da vida.
Acredite, nenhum mal poderá nos separar do amor de Deus. O apóstolo Paulo pergunta:
“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8, 31).
Assim, não há feitiço, macumba, vodu, ou seja, lá o que for, que nos fará dano algum. Deus é maior do que tudo isso. Entregue sua vida ao senhorio absoluto de Jesus, aquele que é o “caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6).
Estando nas mãos do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, você experimentará a força destas palavras:
“Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8, 38-39).
“LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”

Uma superstição moderna

A mídia nem sempre diz a verdade

Já é um lugar comum dizer que o homem moderno tem a mais entranhada desconfiança com relação às verdades escritas no Evangelho e aceita, com a mais passiva credulidade, o que vem publicado no jornal. Entretanto, ainda que tenha virado lugar comum tal julgamento, não deixa de ser salutar uma tentativa de aprofundá-lo, pois, muitas vezes, a verdade contida nos lugares comuns nos passa despercebida.

Se hoje tudo o que vem da Igreja é encarado, por pessoas supostamente cultas, com uma injustificada e preconceituosa suspeita, para o comum dos humanos as matérias dos jornais parecem caídas do céu. E com a maior “beatice” há quem tome pelos fatos mesmos aquilo que não passa de uma versão jornalística, construída sabe-se lá de que maneira e para atender a sabe-se lá quais interesses. Ainda que, no geral e na teoria, haja quem reclame da mídia, no particular e na prática é raríssimo encontrar quem veja as matérias jornalísticas com o indispensável olhar crítico. A “fetichização” do jornal é o resultado correspondente da alienação do leitor.

Esquece-se, ou melhor, oculta-se que o jornal é feito por homens, com seus defeitos, vícios e interesses; que o jornal é o produto de uma indústria que precisa dar lucro e está sujeita às mesmas contingências que outra empresa qualquer. Aliás, pouco se comenta sobre as dificuldades econômicas das empresas jornalísticas e como isso torna vulnerável a sua imparcialidade e capacidade de informação, sujeitando-as a pressões políticas e financeiras, dentro e fora do país.

É interessante notar que as matérias jornalísticas, salvo no que toca aos editoriais e artigos de opinião, são apresentadas num tom de absoluta neutralidade e impessoalidade, como se fossem os fatos a falar por si. Porém, tal linguagem, aparentemente neutra e impessoal, mascara sutil e insidiosamente a manipulação dos fatos na construção da versão. A ostensiva neutralidade da linguagem jornalística oculta que os fatos que viram notícia estão sujeitos a uma seleção prévia dos aspectos que devem ser publicados, a qual pode deformá-los seriamente. Além disso, a apresentação dos aspectos previamente selecionados dos fatos também pode carregar, embutida, uma interpretação feita a partir de pontos de vista que podem não ser os nossos e que servem a determinados interesses.

Caso exemplar é o da cobertura jornalística que a imprensa concede, no Brasil, à questão do aborto e de outras ligadas à defesa da vida humana, como a do emprego de células-tronco embrionárias. Apesar de ser a legalização do aborto repudiada por mais de dois terços da população brasileira, o viés abortista das matérias publicadas pela mídia secular é facilmente constatável por qualquer um que leia os jornais fazendo uso de suas prerrogativas de animal racional.

A posição pró-cultura da vida é relegada a poucos artigos de opinião, menos para causar verdadeiro impacto e mais para legitimar a aparente “imparcialidade” do órgão de imprensa, que supostamente permitiria a expressão do “outro lado” – enquanto o aborto é veiculado subliminarmente e sem contestação nas matérias aparentemente neutras do noticiário. Manifestações pró-cultura da vida, por exemplo, muitas vezes não são nem sequer noticiadas e, quando o são, procura-se minimizar a sua repercussão.

A questão mais específica do aborto em caso de anencefalia foi uma vergonha: aproveitando-se da natural dificuldade de uma questão que envolve complicados conhecimentos científicos, a mídia manipulou a massa a ponto de fazer crer que os bebês anencéfalos estariam em “morte cerebral” – quando, na verdade, apesar de privados de parte do cérebro, eles possuem tronco encefálico funcionando.

Tudo isso avulta a grande importância e responsabilidade dos órgãos de comunicação social católicos, como a Canção Nova. Neste sentido, não podemos deixar de citar um trecho da emblemática e pioneira Pastoral Coletiva dos Bispos do Brasil, de 19 de março de 1890: «Há, porém, uma forma de que quiséramos ver-vos revestir hoje mais particularmente o vosso amor para com a Igreja: quiséramos ver-vos todos empenhados na difusão da imprensa católica como um meio de atalhar quanto possível os estragos da imprensa ímpia».

Rodrigo R. Pedroso

Deus é Pai ou Mãe?

Por Mons. Inácio José Schuster

Deus é Pai. Não podemos chamar a Deus de “Mãe”. O chamamos “Pai”, não porque exista algum desprezo à feminilidade ou à maternidade, mas porque Jesus Cristo nos ordenou que lhe chamássemos “Pai” (cf. Mt 6, 9). Além disso, Jesus se referia a Ele como seu Pai e nosso Pai, e Ele mesmo o chamava assim (mais de 50 vezes no Evangelho Jesus se refere ao Pai ou a seu Pai). E, em um momento tão difícil como foi sua oração à noite antes de morrer, até o chamou: Abbá (Mc 14, 36), que tem em aramaico a conotação do trato carinhoso em diminutivo equivalente a “Papai” ou “Papaizinho”.

É certo que a palavra “Pai” é indicativa de algumas qualidades próprias dos pais naturais: proteção, atenção, liderança, força, segurança, estabilidade, diligência, etc. Mas algumas destas qualidades puderam caracterizar também à mãe. Igualmente as qualidades mais típicas da feminilidade e maternidade podem estar presentes nos pais: afeto, ternura, sensibilidade, cuidado, solicitude, dedicação, sacrifício, magnanimidade, etc.

Se observamos as parábolas mais eloquentes do amor paternal de Deus: a do filho pródigo (cf. Lc 15, 11-32) e a da ovelha perdida (Lc 15, 1-7), podemos ver no pai e no pastor traços paternais e também traços que costumamos assinalar às mães. Mas a verdade é que Deus está por cima dessas diferenciações. Tratar de enquadrar a Deus nesses termos terrenos e naturais é não nos darmos conta que Deus é muito mais que isso e que, por ser Quem é, supera infinitamente nossos conceitos limitados e nossa insuficiente terminologia humana. Alguns cristãos acreditam que estão descobrindo um conceito muito novo e de grande amplidão, porque incorpora uma visão feminista de Deus, e equivocadamente pretendem com esta “novela” elevar a dignidade da mulher.

Mas é preciso ter em conta que estes erros teológico-bíblicos não são originais. São trazidos do paganismo, do gnosticismo e da mal chamada “metafísica”. Lembramos que no paganismo, desde o começo as religiões pagãs em seus mitos sobre a criação degradam a ação criativa da divindade. Seitas modernas, como o Mormonismo, também caem nesta aberração. Para os metafísicos, seguidores de uma corrente de pensamento gnóstica e da new age, a criação dos seres humanos a imagem e semelhança de Deus se referiria, entre outras coisas, a que os seres humanos possuímos a masculinidade e a feminilidade. Conceito não só reducionista, mas abertamente equivocado e contrário à teologia bíblica e aos ensinamentos da Igreja.

Esclareçamos que quando a Bíblia diz que nós seres humanos fomos feitos a imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 26), não se refere a nossa natureza sexuada, como sugerem os pagãos e os gnósticos e “metafísicos”. Refere-se a que, sendo Deus espírito, nos deu um espírito semelhante ao seu o qual nos permite pensar, raciocinar, decidir e amar. Quer dizer, nossa alma nos assemelha a nosso Deus. A alma humana -entendimento e vontade- é nossa participação na natureza divina (cf. CIC #356), não só porque os seres humanos possuem entendimento e vontade, mas adicionalmente porque no uso reto e virtuoso dessas qualidades que constituem nossa alma, podemos participar na vida de Deus, ao optar por Ele e pelo que Ele deseja de nós.

ORAÇÃO
Pai amantíssimo, Papai Deus, cuja solicitude e ternura para com teus filhos faz que nos sintamos como criança protegida e segura, que nada necessita, porque tudo tem, graças te damos pela Tua infinita Bondade e Misericórdia e porque somos teus filhos. Amém.

 

O Pai e os pais 

Deus é comparado com muitas coisas na Bíblia: patrão, dono de plantação, pastor de ovelhas, luz, sol, fogo, etc. São metáforas, símbolos. No entanto, apesar de ser comparado com um pai, Deus é Pai em pessoa. Deus não é mãe mesmo quando é igual a uma mãe. Assim, não existe o Deus Pai, Mãe, Filho e Espírito Santo. Isto é uma ideia do politicamente correto, mas teologicamente errada. Da mesma forma, Deus não é Pai porque somos pais. Nós somos pais porque Ele é Pai. É uma questão de ordem na igreja e na família. Assim é preciso deixar Deus ser Pai. É preciso deixar o homem ser pai.

O psicanalista francês Charles Melman numa edição da Veja avisou: “Pela primeira vez na história a instituição familiar está desaparecendo e as consequências são imprevisíveis”. Segundo Melman, a ausência paterna no lar é a principal causa deste declínio. Para o psicanalista brasileiro Rubens de Aguiar Maciel, o pai é uma figura fundamental no papel e na sua função que tem para a personalidade da criança: “O papel de pai é mais normativo, tem a ver com as obrigações morais que ele deve ter diante de sua família. A função é algo mais profundo, diz respeito ao mundo interno da criança, à sua personalidade, seu lado emocional”.

Por isto os dados do Censo do IBGE 2010 preocupam quando afirmam que a quantidade de núcleos familiares no Brasil que seguem o modelo tradicional, pai mãe e filhos, representa menos da metade. Os números do Censo Escolar de 2009 já diziam que 5 milhões de estudantes não têm paternidade reconhecida na certidão de nascimento.

Evidentemente que não basta ser um pai presente. Têm pais que estão juntos e matam os filhos. Por isto a ordem do Pai dos pais: “Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados. Pelo contrário, vocês devem criá-los com a disciplina e os ensinamentos cristãos” (Efésios 6.4).

Marcos Schmidt, pastor luterano
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‘Deus não é homem, nem mulher’, diz Bento XVI
Papa analisa vida de Cristo em seu primeiro livro. Bento XVI convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real. “Deus não é mãe, na Bíblia mãe é uma imagem, mas não um título de Deus”, afirma o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, apresentado nesta sexta-feira (13) no Vaticano e com o qual convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real, que ele diz não ser um mito. Bento XVI faz essa afirmação em um dos capítulos de seu primeiro livro como Papa, no qual assinala que a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe existe, mas adverte que nem no Antigo nem no Novo Testamento Deus “jamais é invocado ou qualificado como mãe”. “Mãe na Bíblia é uma imagem, mas não um título de Deus”, especifica o Pontífice, acrescentando que “Deus não é nem homem, nem mulher, é Deus, criador do homem e da mulher. O Papa teólogo acrescenta que os cristãos rezam como Jesus ensinou, tendo como base a Sagrada Escritura (o Pai Nosso). Com esta apreciação, o Sumo Pontífice corrige seu antecessor João Paulo I, que em 10 de setembro de 1978 durante a oração do Angelus disse que Deus era “pai e mãe”. “Deus é pai, mais ainda, é mãe. Os filhos se por acaso estão doentes têm uma condição a mais para serem amados pela mãe e se nós estamos doentes de maldade, fora do caminho, temos um motivo a mais para sermos amados pelo Senhor”, disse naquela ocasião Albino Luciani, verdadeiro nome de João Paulo I.

 

Bento XVI afirma no seu livro que “Deus não é mãe”
Cidade do Vaticano, 13 abr (EFE).- “Deus não é mãe, na Bíblia mãe é uma imagem, mas não um título de Deus”, afirma o Papa Bento XVI em seu livro “Jesus de Nazaré”, apresentado hoje no Vaticano e com o qual convida o leitor a descobrir o chamado Jesus real, que ele diz não ser um mito. Bento XVI faz essa afirmação em um dos capítulos de seu primeiro livro como Papa, no qual assinala que a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe existe, mas adverte que nem no Antigo nem no Novo Testamento Deus “jamais é invocado ou qualificado como mãe”. “Mãe na Bíblia é uma imagem, mas não um título de Deus”, especifica o Pontífice, acrescentando que “Deus não é nem homem nem mulher, é Deus, criador do homem e da mulher. O Papa teólogo acrescenta que os cristãos rezam como Jesus ensinou, tendo como base a Sagrada Escritura (o Pai Nosso). Jesus nunca chamou Deus de mãe, sempre o chamou de Pai. Logo não se deve chamar Deus de mãe. Outra coisa interessante também é que os anjos são chamados com nomes masculinos e representados como figuras masculinas. Chamar a Deus de mãe traz em si uma concepção pagã. É a tal da Mãe natureza, mas que não tem nada a ver com a expressão “mãe terra” usada por São Francisco no cântico das criaturas. No entanto não tenho conhecimentos mais profundos desse assunto.

 

Sobre a concepção de um deus feminino
Wicca (religião pagã com práticas de magia).
O movimento Wicca
É o caso do poderoso movimento feminista — na realidade uma verdadeira seita satanista — que se apresenta a si mesmo como uma forma de continuação das bruxas e feiticeiras medievais. Trata-se do movimento Wicca palavra inglesa arcáica da qual deriva o moderno vocábulo witch, bruxa. A seita Wicca se define decididamente como pagã e se coloca conscientemente contra o Cristianismo. Venera a Grande Deusa donde provém toda a vida e para onde tudo retorna. Ao lado, ou antes, abaixo dessa Grande Deusa está o poderoso deus cornudo, derivado do princípio feminino, o qual dizem elas, na época de perseguição às bruxas, era identificado com demônio bíblico. Trata-se de um panteísmo de cunho feminino, e não é de admirar que a seita procure vinculações com o movimento feminista e se considere parte integrante e militante dele, por razões religioso-filosóficas.

 

Chamar a Deus de mãe
Wikipédia
Conceito de deusa mãe no paganismo

As religiões pagãs são, no ocidente, aquelas que mais focalizam os cultos em uma Deusa Mãe. Na religião Wicca acredita-se em uma força superior, a Grande Divindade, de onde tudo veio. Essa força superior é adorada sob a forma de duas divindades básicas: a Grande Mãe e o Deus Cornífero. Esse Casal Divino representa todos os demais deuses das diversas mitologias adotadas pelos wiccanos. Como algumas tradições wiccanas seguem uma infinidade de Deusas e Deuses, a crença pagã é que todas essas deusas e todos esses deuses são aspectos diferentes da Grande Deusa e do Grande Deus. Daí o ditado da Wicca que diz que “Todas as deusas são uma Deusa e todos os deuses são um Deus (Dualidade cósmica). A Deusa Mãe é a geratriz de Todo o Universo e de tudo o que ele contém, daí a frase: Tudo vem da Deusa e tudo para ela retorna. Uma conseqüência do culto à Deusa Mãe na Wicca é a super-valorização da natureza, justificada pela sua ligação à Terra, na forma de Gaia. Além da Terra, outro símbolo muito importante da Deusa é a Lua, onde se manifesta de três maneiras, na forma de Deusa Tríplice, sendo a Lua Cheia associada ao seu aspecto de Deusa Mãe. Uma questão que muitas vezes se levanta na Wicca é se A Deusa é mais importante do que O Deus. O que se pode dizer é que é uma discussão inócua. A Deusa e O Deus são de igual importância na Wicca. Embora pareça haver mais enfoque à Deusa, as duas divindades básicas da Wicca são complementares. Não há hierarquia entre elas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deusa_m%C3%A3e

Wicca é uma religião neopagã influenciada por crenças pré-cristãs e práticas da Europa ocidental que afirma a existência do poder sobrenatural (como a magia) e os princípios físicos e espirituais masculinos e femininos que inteiram a natureza, e que celebra os ciclos da vida e os festivais sazonais, conhecidos como Sabbats, os quais ocorrem, normalmente, oito vezes por ano. A Wicca é uma religião politeísta, de culto basicamente dualista, que crê tradicionalmente na Mãe Tríplice e no Deus Cornífero, ou religião matriarcal de adoração à Deusa mãe. Estas duas deidades são muitas vezes vistas como faces de uma divindade panteísta maior, ou que se manifestam como várias divindades politeístas.

 

O correto é chamar Deus de PAI e não de MÃE
Deus não tem sexo. Ele é representado como Pai (Vide a oração do “Pai Nosso”) e não como Mãe porque se Deus fosse “Mãe”, teríamos Sua substância uma vez que o filho nasce ligado à mãe pelo cordão umbilical. Ou seja: o filho recebe a substância da mãe para formar seu corpo. A consequência disso? A Gnose, que é uma mentira, seria verdadeira, ou seja, TERÍAMOS ESSÊNCIA DIVINA EM NOSSO SER. O que é falso. Não somos deuses em potencial.
FONTE: http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR

 

O Catecismo da Igreja Católica também diz algumas coisas sobre o porquê de Deus ser chamado de Pai.
II. A revelação de Deus como Trindade
O PAI REVELADO PELO FILHO
238. A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo (38). Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (Ex 4, 22). Também é chamado Pai do rei de Israel (39). E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa (40).
239. Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade (41), que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura A linguagem da fé vai, assim, alimentar-se na experiência humana dos progenitores, que são, de certo modo, os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência diz também que os progenitores humanos são falíveis e podem desfigurar a face da paternidade e da maternidade. Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas (42), sem deixar de ser de ambas a origem e a medida (43): ninguém é pai como Deus.
240. Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt 11, 27).
241. É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (Jo 1, 1), «a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Heb 1, 3).
242. Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecuménico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai (44), quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai» (45).
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2c1_198-421_po.html

 

Deus: Homem ou Mulher?
Por A Catequista em 19/04/2012
http://ocatequista.com.br/?p=5418

No imaginário geral, Deus Pai é um senhor sisudo de barba branca, bem parecido com Jesus, só que mais velho. Mas a verdade é que Ele não é mesmo assim. Bem, talvez até seja… mas não existem bases para afirmar que Ele tenha alguma forma humana, seja de homem ou de mulher. Ele é espírito, e não se enquadra dentro de nenhuma destas categorias biológicas. O Catecismo da Igreja Católica define muito bem essa questão: “Deus não é de modo algum à imagem do homem. Não é nem homem nem mulher. Deus é puro espírito, não havendo nele lugar para a diferença dos sexos” (CIC, 370). Ou seja, quando a Bíblia diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, não se refere à forma física, mas sim ao intelecto superior às demais criaturas, à capacidade moral que nenhum outro animal tem, ao dom da vida eterna, à capacidade de se relacionar de forma consciente e livre com Deus. Tanto isso é verdade que, logo após dizer “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, Deus determinou: “Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que se arrastem sobre a terra” (Gn 1, 26). É bem verdade que Deus Filho veio ao mundo como um Menino, porém, quanto a Deus Pai… “Ninguém jamais viu Deus” (João 1, 18). Se bem que teve um sujeito que passou bem perto disso: Moisés. Confiando na intimidade de que gozava com o Criador, o profeta ousou pedir que Deus se revelasse aos seus olhos. Deus não topou, mas ao menos lhe deu a imensa graça de vê-Lo de costas. Moisés disse: “Mostrai-me vossa glória”. E Deus respondeu: “Vou fazer passar diante de ti todo o meu esplendor (…). Mas, ajuntou o Senhor, não poderás ver a minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver. (…) Quando minha glória passar, te porei na fenda da rocha e te cobrirei com a mão, até que eu tenha passado. Retirarei depois a mão, e me verás por detrás. Quanto à minha face, ela não pode ser vista” (Êxodo 33, 18-23). Deus não é homem nem mulher, mas uma coisa é certa: Ele quis se revelar nas Escrituras por meio de uma personalidade masculina. É fácil perceber que a maioria esmagadora das referências do Antigo Testamento se refere ao Senhor como um ser masculino; ele sempre é chamado de “Senhor”, e jamais de “Senhora”. Sim, há as algumas passagens em que Deus se coloca em um contexto mais feminino (“Mas agora grito, como mulher nas dores do parto” – Is 43, 14), mas são bem raras. É importante notar que esta absoluta predominância do tratamento masculino a Deus nas Escrituras não é determinada simplesmente pelo contexto cultural do povo hebreu, ou seja, pelo patriarcalismo. Afinal, o próprio Cristo se referia ao Criador como Pai, e se dizia “Filho do Homem”. E, quando ensinou seus discípulos a rezar, disse: “Pai Nosso…”. Mas, para ajudar a embananar as coisas, certa vez o Papa João Paulo I declarou que Deus é pai, mas é mãe também (1). Neste sentido, Bento XVI parece discordar de João Paulo I. No seu livro “Jesus de Nazaré”, o Papa alemão observa que “Deus nunca é designado como mãe” na Bíblia, mas somente como pai. Ele também salienta que, “apesar de todas as imagens do amor materno, ‘mãe’ não é nenhum título divino, não é nenhuma alocução para Deus” (2). Certo, Deus se revelou na Bíblia por meio de uma personalidade masculina, mas por quê? Bento XVI explica que o Deus de Israel precisava mostrar a Sua total diferenciação das divindades maternas adoradas pelos povos que cercavam os israelitas: “…a imagem do pai era e é adequada para exprimir a alteridade entre Criador e criatura, a soberania do ato criador. Somente por meio da exclusão das divindades maternas podia o Antigo Testamento levar à maturidade a sua imagem de Deus, a pura transcendência de Deus”. (2) No livro, Ratzinger esclarece ainda que a sua tese não explica todo o mistério, e nem tampouco tem a pretensão de ser uma verdade absoluta. Bem, mas já nos ajuda a compreender algo do Ser de Deus Pai.

Notas: (1) Site do Vaticano. Papa João Paulo I – Angelus Domini. 10/09/1978 (2) Bento XVI, Papa, 1927 – Jesus de Nazaré : primeira parte : do batismo no Jordão à transfiguração / Joseph Ratzinger; São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 130-131

Motivações para um Ano Novo

Um ano novo traz novas esperanças. É um momento de reflexão, de olhar para o ano que passou e fazer uma avaliação sobre o que fizemos de bom…

Há um provérbio que diz que “um homem motivado vai a Lua, sem motivação não atravessa a rua!”.

Um ano novo traz novas esperanças. É um momento de reflexão, de olhar para o ano que passou e fazer uma avaliação sobre o que fizemos de bom, e manter para o novo ano; e o que fizemos de mal e que deve ser deixado ou corrigido. Agradecer as graças que recebemos de Deus e pedir perdão por nossos erros. Continuar a caminhada em busca da perfeição querida por Deus.

Precisamos ter metas pessoais para o novo ano, sem isso nada se realiza de bom. O objetivo geral deve ser amadurecer e crescer na fé, na espiritualidade, no amor às pessoas, no desapego das coisas transitórias; enfim, fazer a alma crescer. São Paulo nos lembra que “não importa que o corpo vá desfalecendo, desde que o espírito se renove…” E ele nos lembra ainda que “a nossa tribulação presente, momentânea e ligeira, nos prepara um peso eterno de glória sem medidas” (2 Cor 4,16).

Para isso, manter a luta constante contra os pecados, aproveitar melhor o tempo que Deus nos dá; melhorar a qualidade da oração e da meditação diária, receber bem os sacramentos, exercitar a paciência e não ficar murmurando nas contrariedades, viver na fé, confiando em Deus.  Não se deixar vencer pelo mau humor.

A escolha das metas, não muitas, deve ser feita em cima do exame do que não fizemos bem no ano que findou. O que eu preciso mudar? Ser bem objetivo e prático. Em seguida, perseguir essas metas com perseverança, pedindo a Deus a graça de cumpri-las, com calma e alegria, sabendo recomeçar se falhar, mas não desanimar e nem desistir. Santa Teresa de Jesus aconselhava: “Importa muito, em tudo, uma grande e muito determinada força de não parar até chegar à meta, venha o que vier, suceda o que suceder, custe o que custar, murmure quem murmurar”.

Alguém disse que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Se as nossas metas forem “pequenas”, o Ano será pequeno. Não podemos ter apenas como metas objetivos temporários: ganhar dinheiro, comprar um carro,  trocar os móveis, emagrecer, viajar mais, comer melhor, e assim por diante. Essas aspirações, se não forem tomadas como um fim, mas como um meio, não são erradas, mas insuficientes para satisfazer a nossa alma; pois ela tem sede do Infinito.

Deus tem planos para nós! E Ele mostra-nos a sua vontade em nossa vida diária, em cada acontecimento que nos envolve. Por meio deles, Deus nos corrige, purifica, ainda que muitas vezes sejam carregados de dor e de lágrimas. Isto não quer dizer que não somos felizes; ao contrário.

Jesus ensina como o cristão deve viver cada dia do ano: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33). Isto quer dizer, “Deus em primeiro lugar” no Ano Novo. “Amar a Deus sobre todas as coisas” é o Mandamento mais importante.

Então, é preciso “fazer a vontade de Deus” e aceitar o que Deus permite que ocorra em nossa vida neste Ano, sabendo viver cada acontecimento na fé. São Paulo diz que “o justo vive pela fé” (Rom 1,17), e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6).

Não se preocupe com o futuro, viva bem o presente, na comunhão permanente com Deus que habita em nossa alma. Não somos  dignos disso, mas Ele o quer assim. Tralhando com honestidade e competência, hoje, você prepara o seu futuro  e da sua família, sem estresse.

Uma orientação segura é esta que São Paulo nos deixou:

“Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, não para os homens, mas para o Senhor, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor!” (Col 3,23)

Faça tudo para o Senhor: a casa que você limpa, a roupa que você lava, o bebê que você alimenta, o marido que você consola, o doente que você opera… E terás um Ano Novo Feliz!

É isso que nós desejamos, neste Ano Novo da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Ano é Dele, pois Ele é o Senhor da História. Não tenha medo, Ele, ressuscitado caminhará conosco cada dia.

Prof. Felipe Aquino

Ano Novo, vida nova?

Reconheça seus limites e não se esqueça: sempre é tempo de recomeçar

Mais um ano novo se aproxima. Neste tempo, a esperança se renova e, com isto, fazemos uma série de promessas para nós mesmos; fazemos planos, determinamo-nos a fazer uma série de coisas como: perder peso, estudar, fazer exercício físico, etc. Porém, muitas vezes, só nos recordamos destas promessas quando chega o final do ano e paramos para fazer um balanço do que vivemos. Neste momento, algumas pessoas simplesmente dizem para si mesmas que “desta vez vai ser diferente”, e fazem novos planos. Outras, ao se depararem com seus planos não realizados, sentem-se fracassadas e frustradas.

Precisamos fazer uma boa análise do que vivemos no decorrer do ano, verificarmos quais as metas atingimos e o que faltou. Naquelas que não alcançamos, precisamos ter coragem para identificar o que realmente foi falha nossa, reconhecer os erros e os limites, e o que foi resultado de situações fora do nosso controle, como doenças por exemplo.

Naquilo que falhamos, o que realmente faltou? Muitas vezes, os planos que fazemos, no final do ano, são tomados no calor da emoção, movidos pelo impulso ou pela influência de amigos ou até da mídia, faltando um verdadeiro comprometimento interior, um planejamento. Planos ditos “da boca para fora” são repetidos ano após ano, sem chegar a nenhum resultado. Ficar se lamentando, reclamando de si mesmo e do mundo não leva a nada. É preciso uma atitude ativa e corajosa.

Convido você, então, para olhar para dentro de si e responder: o que realmente eu quero para 2018? Com o que realmente eu vou me comprometer? Mudança de vida exige comprometimento, exige renúncia e esforço. Metas e planos não são alcançados sem luta. Depois de responder esta pergunta, você precisa pensar: “Quais são os passos que preciso dar? Precisarei buscar ajuda de alguém ou de algum profissional?” Ou seja, se você quer chegar ao final do ano com seus planos realizados, é necessário planejar o que você vai fazer. Um cuidado que você precisa tomar é o de não se encher com muitos planos e metas, pois o risco de chegar ao final do ano e deparar-se com a mesma situação é grande.

Independente de qualquer coisa, saiba reconhecer os seus limites e falhas, e nunca se esqueça que sempre é tempo de recomeçar.

Que você tenha um 2018 feliz e abençoado.

Manuela Melo
[email protected]

Fim de ano

Tempo de gratidão

Há um clima diferente no ar. As despedidas do ano que termina e as expectativas para o ano vindouro nos contagiam. Seja pobre ou seja rico, adultos ou crianças, todos nós acabamos nos envolvendo nesta atmosfera de luz e festa. Parece que o amor e a paz, que emanam do presépio, atingem de cheio cada coração; até mesmo os mais fechados ou indiferentes à fé tornam-se generosos. Por isso, é uma época própria para confraternizações, revisão de vida, sonhos e esperança. É um tempo favorável ao amor, à partilha do que temos e, mais ainda, do que somos. Momento oportuno também para dar e receber o perdão, condição essencial para quem deseja um coração livre e, consequentemente, uma vida nova no ano que se aproxima.

É ainda época propícia para agradecermos a Deus por todos os benefícios que Ele nos concedeu durante o ano que termina; e apoiados nos sinais do Seu amor, é tempo de encontrarmos forças para acolhermos o ano novo cheios de esperança.

Agradecer é um gesto nobre e, cada vez mais, necessário em nossos dias. É de Deus que recebemos tudo que temos, desde a vida ao alimento, a saúde, a força e a inteligência para trabalhar; o ar que respiramos, o nascer e o por do sol, a beleza da natureza. Enfim, “em tudo isso há a mão de Deus”. Por isso, louvor e gratidão a Ele, Autor de todo bem!

Mas também é preciso agradecer às pessoas! Para sermos mais felizes, precisamos reconhecer quem realmente somos e isso nos leva a perceber que sozinhos dificilmente chegamos à realização, já que nossa vida está entrelaçada com a vida de milhares de pessoas por este mundo afora.

Portanto, neste clima de celebração, dar um abraço e olhar nos olhos daqueles que dedicam sua vida para nosso bem-estar, talvez tenha muito mais sentido do que enviar um cartão ou até mesmo um valioso presente.

Conheço uma senhora que, anos atrás, em um tempo como este, desabafou comigo: “Ganhei muitas coisas dos meus patrões neste fim de ano, cesta de Natal com vinho e panetone e até me deram um perfume. Mas de que adianta? Trabalhei até tarde, todos os dias, e eles nem me disseram obrigada; nem se quer me desejaram Feliz Ano Novo. Isso para mim seria mais importante do que presentes”.

Já faz um tempo que ouvi isso, mas até hoje me recordo do ar de tristeza que envolvia aquela senhora. Por isso, fiquemos atentos aos nossos gestos. Na verdade, o ser humano tem sede de amor, de reconhecimento, de afeto, de olhos nos olhos e palavras de incentivo; e isso não se compra com dinheiro, mas se dá, gratuitamente, e se transmite nos pequenos acontecimentos do dia a dia.

Que bom saber que o ano novo se aproxima e nos dá uma nova chance de acertar! Reconhecer nossos limites já é um bom começo de uma vida nova. Afinal, depois dos festejos, a vida nos desafia a seguir viagem e nossas escolhas serão determinantes. Quem deseja recomeçar com leveza e paz, por exemplo, deve ser mais humilde e deixar muito peso para trás de si mesmo, optando pela novidade de cada dia. O homem que não se renova, perde-se, infantiliza-se, sente-se pesado e se cansa com pouca coisa.

É claro que o passado tem seu valor, mas não podemos nos prender a ele. Se o que aconteceu foi bom, ótimo, lembremos com gratidão. Mas se não foi como desejávamos, devemos entregar nossas dores e decepções a Deus e não tentarmos carregá-las como se fossem um fardo em nossas costas.

Lembremo-nos que nossa vida não termina aqui. Nascemos para o alto e, neste mundo, tudo é passageiro. Portanto, entre um ano que termina e outro que começa, caminhar é preciso. Quando faltar forças, caminhe devagar, mas não pare. Por onde for, procure levar o essencial e mantenha seu olhar fixo na meta, lá no alto, mesmo que permaneça com os pés no chão.

Se achar necessário, pare um pouco e pense sobre sua vida. Não tenha medo de reconhecer os erros e acertos; acima de tudo, lute para dar a vitória ao amor. Só é feliz quem ama.

Deixe o ano que termina levar tudo que é dor, solidão, mágoa e ressentimento. Leve para o ano novo somente o que é bom, justo e nobre. Soluções, respostas, abraços, sorrisos, liberdade, justiça, amor, paz e esperança. Tenha certeza: o mundo será melhor com sua colaboração!

Se começar o ano com gratidão, confiança na misericórdia de Deus e cheio do Espírito Santo, com o coração livre de todo apego às coisas vans e dispostos a amar mais do que ser amado, certamente seu ano será sempre novo e sua vida será mais feliz de janeiro a dezembro.

Que assim seja! Uma feliz vida nova para todos nós!

Dijanira Silva
[email protected]

As 5 dicas para não cair na “deprê” de fim de ano

Não conseguir alcançar minhas metas

“Não consegui emagrecer os 5 kg que tinha como meta no início do ano”

“Não passei no mestrado, fiz toda papelada, segui a risca a ABNT e mesmo assim não rolou”

“Terminei o namoro de 5 anos”

“Não fiz a viagem que tinha planejado”

Fim do ano literalmente é um tempo onde querendo ou não somos submetidos a inúmeros “balanços” e “avaliações”. As lojas se fecham para balanço, as empresas para as “avaliações de desempenho”, os cursos universitários em seus processos de seleção de calouros, nas Tv’s temos inúmeras “retrospectivas” e até o Face e o instragram nos “convidam” a fazer nossa “retrospectiva” do ano que passou!

Meu caro não tem como fugir, o universo literalmente conspira “contra você” e parar um pouco e se perceber no que foi vivido se torna um fato que você precisa lidar. Ai você deve se perguntar: “ Mas porque ele começa este texto com situações de fracasso? Acontecimentos que com certeza não agrada quem os viveu na pele? Eu esperava as 5 dicas para viver bem o momento de fim de ano”

Sim, fiz de propósito pois o mal não está em nos avaliarmos ou fazermos nossos balanços mas está no como o fazemos. Pois a primeira ação que temos é de super valorizar o que não deu certo, infelizmente nosso cérebro tem uma atração pelo negativo. E com esta atração surgem sentimentos ( culpa, remorso, auto-condenação etc) que se não bem administrados podem nos paralisar e nos impedir de ter uma vida mais plena e feliz.

O fim do ano pode nos trazer sentimentos que beiram a um estado depressivo (lembrando que para se diagnosticar uma depressão o psiquiatra ou psicólogo precisa levar em conta várias coisas como o tempo de duração, frequência, gravidade do estado emocional) e nos deixa de fato sem muita vontade de viver o novo que virá!

Minha irmã por exemplo me disse recentemente: “ Poxa Adriano, minha vida profissional não foi muito bacana, tentei isso e aquilo e parece que nada deu certo”. Sim de fato é algo que angustia, mas ao mesmo tempo ela está começando um novo negócio que está mexendo com a cidade, já tem vários clientes e caminhando super bem. Ai eu disse a ela: “ Mas olha que bacana você está começando algo novo e promissor, as vezes aquilo que queria não estava nos planos de Deus, mas com sua garra isso que inicia agora pode estar, então se lance”

A situação que falei acima precisa ser um insigth para nós. Não podemos ficar neste estado depressivo que nos acusa a todo instante, nada de ficar com os olhos no que deu errado, ficar ruminando os acontecimentos e depois colocar para fora em amargura, azedume, auto-vitimismo isto não rola! Não nos faz bem!

Mas vamos lá a algumas dicas que podem nos ajudar neste momento de “New Year’s blues”, em inglês é este o termo utilizado ao se referir a tristeza que bate no final do ano.

* Pergunte “pra que eu?”, e não “Por que eu?”: O “porque eu” nos coloca em posição de ficar olhando para o próprio umbigo e assim temos uma visão limitada dos fatos e acontecimentos. O “para que” nos coloca em uma posição de olhar para situação e agirmos sobre elas, usá-las a nosso favor.

* Mudança em ação: Se ao fazermos o balanço e chegarmos a conclusão que precisamos mudar algo, faça primeiro um firme compromisso com você e suas potencialidades não paralise estabeleça metas.

* Seja específico: Quando fazemos uma revisão de vida olhamos de maneira global, mas seja especifico no que foi vivido e dê o peso certo a cada coisa. As vezes tivemos problemas financeiros, mas ai já dizemos: “ Estou fracassado” “Não tem mais jeito” calma… Não é bem assim. Peso certo, medida certa.

* Examine suas expectativas: São reais ou ilusórias? Seja sincero! As vezes o cara ganha o suficiente para comprar um carro popular e já coloca como meta comprar uma BMW zero KM. Me ajude ae né! Com isso não jogo água fria em você, mas é melhor dividir o objetivos em etapas do que dar um salto maior que a perna!

* Sonhe os sonhos de Deus: Tudo que falei acima só tem sentido se a primeira postura assumida for: “Isto está dentro da vontade de Deus para mim?” Cara sem isso te digo: Não rola! Não dá para ser plenamente feliz! Não que Deus queira manipular e fazer as coisas do jeito Dele, mas é por Ele te conhecer bem, sabe do que o seu coração realmente deseja!

Enfim, olhe para frente e para o que virá saiba o que não posso mudar, posso usar a meu favor para mudar minha maneira de encarar a vida, pois um novo tempo só está começando! Tamu junto!

Adriano Gonçalves
[email protected]

Solenidade da Santa Mãe de Deus

Por Mons. Inácio José Schuster

1º de janeiro, ano novo, oitava do Natal. Primeira Leitura tirada do Livro dos Números:

“O Senhor disse a Moisés, ‘Fala a Aarão e a seus filhos e dize-lhes: assim bendireis os israelitas e lhes direis: o Senhor te abençoe e te proteja, o Senhor faça brilhar sua face sobre ti e te seja favorável, o Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz”.

Com esse augúrio, retirado da Palavra de Deus, nós iniciamos um novo ano, 2017. Que o Senhor te abençoe e te proteja! Poderíamos transmitir augúrio mais adequado? Que o Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja propício durante todos os 365 dias deste ano. Que o Senhor te conceda a paz!

Hoje trocamos augúrios e nos cumprimentamos. Cada um de nós deseja a seu irmão, parente, amigo ou conhecido, a paz, a felicidade, a tranqüilidade. Mas é Deus quem pode verdadeiramente conceder-nos estes dons.

Este ano que se inicia é um livro; ele está apenas começando. Quantas coisas acontecerão? Acontecerão por certo, assim esperamos e desejamos, coisas boas. Pode ser que aconteçam coisas não boas também. O livro está em branco. Nós, juntamente com Deus, iremos escrever este livro, cada dia uma página e, quando completar 365 páginas nós o terminaremos.

Será uma tragédia? Será um romance? Será uma maravilha? Será algo surpreendente para nós e para outros? Que é que sabemos de tudo isto neste dia 1º de janeiro, quando desejamos a outros e a nós mesmo feliz ano novo? De qualquer maneira, nós colocamos este ano de 2017 aos pés de Jesus Cristo, o Senhor da História, o Senhor de todos os tempos, o Senhor da nossa vida também!
Nós colocamos este ano sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.  É exatamente sob este título que nós a saudamos neste dia, a ela consagrado: Mãe de Deus. Nós lhe pedimos humildemente que nos acompanhe nos nossos mistérios gozosos, luminosos, gloriosos, mas, sobretudo, se algum mistério doloroso tiver que ser trilhado por nós este ano. Cheios de confiança colocamos 2017 em Suas mãos e disso não nos esqueceremos em nenhum destes dias.

De qualquer maneira sabemos que Deus não abandona aquele que nele coloca a sua esperança. Deus não retirará as nossas dificuldades e os nossos sofrimentos, mas promete-nos, neste dia 1º de janeiro, entrar conosco em tudo, até mesmo nos piores momentos que poderiam sobrevir. Ele fará com que até o mal se transforme em bem para nós.

Com esta segurança e, sobretudo com esta confiança: Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo a você e a todos os seus.

Em Belém, pátria de Davi, pastor depois rei, nasceu Jesus, Bom Pastor e Rei Messias: há uma harmonia e correspondência da mesma forma que na vocação dos primeiros apóstolos, pescadores, se tornam “pescadores de homens”. Eles passam a noite, significando, por assim dizer, a antítese em relação à Luz que brilha nas trevas, característica do Natal. Passam a noite velando pelo rebanho, o que nos faz lembrar a recomendação de Jesus aos seus discípulos, para que permaneçam na atitude espiritual de quem vigia, na expectativa do seu retorno. As parábolas do administrador e das dez virgens prudentes nos exortam a esta atitude.

A aparição dos anjos, que os tranqüiliza: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova”, faz com que eles entrevejam a glória de Deus, vindo do mais alto do céu sobre a terra pela Encarnação do Seu Filho unigênito. E esta glória do Senhor os envolveu, glória que significa o esplendor interior e o esplendor que brilha e ilumina todos eles. Como a Primeira Aliança se concretizou pela entrada de Moisés na Glória de Deus se manifestando sobre o Sinai, a nova Aliança, que é o próprio Jesus, faz também entrar nesta mesma Glória os pastores, primeiros fiéis e anunciadores do Evangelho.

Eles encontraram Maria e José e o Menino “posto numa manjedoura”. E eles saem a proclamar o que tinham visto e ouvido. Eles fazem conhecer o que o Senhor lhes tinha feito conhecer: identidade entre a Revelação recebida e o que eles transmitem, como testemunhas oculares. Eles se atem ao essencial, o Menino, que o anjo tinha saudado com o tríplice nome divino de Salvador, Messias e Senhor. Maria, a mãe de Jesus, “conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”. De fato, diz Orígenes, “sem Deus a casa não é construída, mas também não sem a cooperação dos homens”. Maria é toda acolhida do dom de Deus, envolta em sua Glória, é a testemunha fiel. Pela sua vida melhor que qualquer outra pessoa ela comunica o que o Senhor lhe fez conhecer. É ela a Mãe do filho de Deus, Jesus.

“Mãe Santíssima, rogai por nós para que sejamos fiéis testemunhas do Evangelho e de Jesus em todos os momentos de nossa vida. Protegei-nos e guardai-nos do pecado e de todo mal”.

Ele veio para o que era seu…

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1, 8)

Nas quatro semanas do Advento a Igreja nos leva a meditar e preparar o coração para celebrar as duas Vindas de Jesus Cristo. As cores e símbolos da liturgia nos ajudam nisso. A Coroa do Advento com as quatro velas que vão sendo acendidas uma a cada semana nos preparam e ensinam.

A vela vermelha significa a Fé que o Menino traz ao mundo; a certeza de que Deus está conosco, armou a sua tenda entre nós; “revestido de nossa fragilidade, Ele veio uma primeira vez para realizar o seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”, diz um dos Prefácios do Advento.

A vela branca a simboliza Paz; este Menino é o “Príncipe da Paz”, disse o profeta Isaias (11,1s). Quando o Seu Reino for implantado, “a justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi.  A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar.” (Is 11, 5-8).

A vela roxa (quase rosa) simboliza a alegria do Menino que chega para salvar. É a alegria mitigada pela cuidadosa vigilância do tempo da espera.

A vela verde traz a simbologia da Esperança que o Deus Menino traz a todos os homens de todos os tempos e todos os lugares. “Sem Deus não há esperança”, disse há pouco o Papa Bento XVI na encíclia “Spe Salvi (Salvos pela Esperança); e “sem esperança não há vida”, concluiu o Pontífice. É esta esperança  de uma vida feliz aqui e no Céu que o grande Menino veio anunciar com sua meiga e frágil presença na manjedoura de Belém.

A primeira vinda de Cristo mostra todo o amor de Deus por nós. Ninguém mais tem o direito de duvidar desse Amor. Ele deixou a glória do Céu, dignou-se assumir a nossa frágil humanidade, para nos levar de volta para o Céu; Ele aceitou viver a nossa vida, derramar as nossas lágrimas, comer nosso pão de cada dia… e, por amor puro a cada um de nós dar um mergulho nas sombras da morte para destruí-la.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1s).

O amor de Deus não é o amor de novelas, com músicas românticas e palavras sensuais; é amor que se revela por fatos, atos, renúncia, sofrimento…  É amor que gera a vida.

São João apresenta o Menino que vai chegar: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam… Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. A Luz de Cristo resplandeceu nas trevas mas essas não a compreederam; as trevas fogem da luz, tem medo dela, porque a luz revela o erro. Quem faz o mal, pratica o crime, busca a calada da noite para que a luz não o denuncie. Por isso Jesus foi logo perseguido pelo cruel tirano Herodes Magno.

Disse a Lumen gentium que “só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem”; Ele é “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”; é por isso que o Papa João Paulo II disse em sua primeira encíclica “Redemptor Hominis” que: “ o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”.

Sem Jesus Cristo o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor e das estrelas… é um coitado e um perdido como muitos filósofos ateus que se debateram em meio de suas trevas e acabaram arrastando muitos outros consigo para uma vida vazia e triste. Não foi à toa que muitos jovens suicidaram-se lendo o “Werther” de Goethe e a “Comédia Humana” de Balzac. Depois de ler “A Nova Heloisa” de Jean Jacques Rosseau uma jovem estourou os miolos em uma praça de Genebra e vários jovens se enforcaram em Moscou depois de ler “Os sete que se enforcaram” de Leonid Andreiv”. Só Jesus Cristo “é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Um dia Karl Wusmann, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo… e viveu. (J. Mohana, Sofrer e Amar).

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.”

O Natal nos traz esta certeza e esta enorme alegria: somos filhos amados de Deus; que nos fez para Ele, por amor. Ele fez para nós as estrelas, o cosmos, as pedras , os rios, as montanhas, os animais, os peixes das águas e os pássaros do Céu,  o doce fruto da terra, o perfume das flores, a harmonia das cores e o mar que murmura o Seu Nome a cantar… Obrigado Senhor!

Prof. Felipe Aquino

Família: Lugar da bênção de Deus

A família, muitas e muitas vezes, não está sendo lugar de bênção. É triste dizer que a família tem sido, muitas e muitas vezes, o lugar da desgraça, da angústia, da falta de amor. E por quê? Quantas e quantas pessoas, na rua são alegres e felizes, mas quando chegam em casa perdem a alegria. Por isso as famílias se tornam lugar de mágoa, de ressentimento, de tristeza, de angústia.
Quando falta Deus na família, falta absolutamente tudo. Observe os grandes ídolos do mundo moderno, cantores, artistas famosos, de vez em quando eles deixam vir à tona  a maior de suas carências. E qual é? A família. A falta desse amor por quê? Porque a família não está sendo lugar de bênção.
Para ser lugar de bênção de Deus, muitas vezes não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer cada dia pequenas coisas, de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.
Cl 3, 12-17: 2 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Entranhada misericórdia, doçura… Doçura no falar, no toque, no olhar… Humildade! Marido não tem de ser mais que a mulher, e a mulher não de ser mais que o marido.
São diferentes na função, mas iguaizinhos em dignidade. Humildade é fazer o outro se sentir mais importante. Isso é amor! Amor que não tem humildade não é amor. Humildade, doçura, bondade, paciência. O ser humano é fraco, é limitado. Custa  a crescer, e cresce com o tempo.
Bondade, doçura, paciência. ‘Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente’. O que é suportar? Uma mesa com a perna quebrada precisa de um suporte. Suportar é segurar a fraqueza do outro. Mas suportar é também pegar uma alavanca, um suporte, para ajudar a movimentar algo pesado. Suportar é estender o braço na hora que o outro demonstra sua fraqueza. A mulher precisa ser suporte para o marido. O marido precisa ser suporte para a mulher. O casal precisa ser suporte para os filhos. A família precisa ser suporte para a sociedade.
Suportar é ter a capacidade de se sacrificar, de sofrer calado muitas vezes por causa do outro. Na hora que o outro levanta a voz, eu abaixo a minha. Não é criar pessoas perfeitas, isso não existe! Mas é saber suportar o outro. Na hora da fraqueza do outro, eu vou ser força para ele. O marido não pode chorar no ombro da mulher infelizmente chora no balcão do boteco. Ele chora no colo de uma prostituta.
Essa é a  diferença! Então o marido tem de ser o suporte da esposa, tem de ser o ombro para ela chorar no momento de fraqueza. Não precisa falar nada. É só chegar e dar um abraço. Quantos e quantos casais precisam descobrir que não é uma relação sexual, como o mundo mostra que precisa ter; que muito mais importante,  prazeroso e santo, muitas e muitas vezes, é uma leve passada de mão no cabelo, um aperto de mão, um beijo na testa. Eis o que importa! Mais que suportar, como São Paulo diz, é preciso perdoar mutuamente. ‘Ah, eu amava muito aquela pessoa, até que ela fez isso comigo, aí acabou!’ Nunca amou! A palavra perdoar já traz em si mesma a palavra amar, porque perdoar é per+doar, doar é dar-se. Então, o sinônimo mais perfeito de amar é doar.
Perdoar é amar por inteiro. E dar-se de novo, como Deus se dá a nós. É saber que nós  não somos perfeitos. Sabe qual é o grande segredo para perdoar? É começar a cada dia como novo que é, é não levar dia velho para dia novo. Deus não leva. Quando chega o final do dia, Ele pega o rascunho do dia e joga fora. E chega outro dia… Deus acredita muito em nós! Ele diz que hoje vai dar certo, prepara aquele dia como se fosse o ontem, o anteontem. Perdoar é dar-se. Perdoar é amar de novo, é amar por completo. Perdoar é curar o outro. Uma das grandes missões do matrimônio cristão é curar o outro. Marido, você foi escolhido de Deus e por Deus, para curar sua esposa. Quantas pessoas têm uma doença e vem me pedir para fazer uma oração. Eu tenho feito a seguinte pergunta para muitas delas: A senhora já pediu a seu marido para impor as mãos sobre a senhora e orar? Infelizmente, na grande maioria das vezes nem a mulher reza pelo marido nem o marido pela mulher.
Que tristeza! Vivem juntos. Dormem juntos. Ficam nus um diante do outro, mas não têm coragem de se abençoarem mutuamente. Não rezam um pelo outro. Marido! A sua mão tem dom de cura para sua mulher. Mulher! A sua mão tem dom de cura para seus filhos. Filhos! Vocês têm dom de cura para seus pais.
Além de rezar uns pelos outros, a família precisa ser laboratório de perdão mútuo. Perdoar é não ficar olhando para trás.´

Trecho retirado do livro ´Famílias Restauradas´, de Padre Léo.

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