Com a Palavra

Retirando os excessos da vida

Tudo o que é demais faz mal

Muitos de nós já nos pegamos fazendo algo por excesso: comer, beber, jogar, limpar, comprar, amar, depender afetivamente de alguém, mentir, ter ciúme… É um impulso quase incontrolável, no qual as pessoas se precipitam e, muitas vezes, têm dificuldade para planejar qualquer tipo de tarefa ou mesmo planejar a parada dessa compulsão.

Quantas vezes vemos pessoas, cujo “hábito” é comprar para ter cada vez mais, pois nunca se satisfazem com o que possuem? Tal “hábito” passa a movimentar nosso sentido de felicidade: tendo isso ou tendo aquilo, jogando determinado jogo, comendo isso ou aquilo, seremos mais felizes e preencheremos o “vazio” que há em nós.

As causas do comportamento compulsivo podem ser as mais variadas: predisposição, hábitos aprendidos, histórico familiar (que também é aprendido), razões biológicas. Ao percebermos que algo “é demais”, que passa dos limites do normal e saudável, decidimos parar. O ato de parar pode acontecer naturalmente para muitas pessoas, mas para outras isso não acontece. Ou seja, o comportamento, chamado de compulsivo ou aditivo, continua acontecendo paralelo à ansiedade que a pessoa vivencia.

Geralmente, são hábitos pouco saudáveis ou inadequados, repetidos muitas vezes, por isso levam às consequências negativas como o uso de álcool, de drogas em geral, ao hábito de comer exageradamente, gastar fora do controle, fugir do contato social, praticar esportes excessivamente, lavar as mãos de forma exagerada (até mesmo chegando a se ferir), participar de jogos de azar. Há também os que se viciam nas relações virtuais, no excesso do uso de remédios ou de idas a médicos em busca de uma doença. Tais atitudes são feitas quase que automaticamente, e quem as pratica não percebe ou nota prejuízos num primeiro momento.

Ter um comportamento compulsivo acontece por hábitos aprendidos e seguidos de alguma gratificação emocional, de algum alívio da angústia ou da ansiedade que a pessoa sente, ou seja, ela faz alguma coisa e recebe outra em troca. Com os prejuízos que essa pessoa pode ter em seus relacionamentos, no trabalho, na saúde ou mesmo quando os demais indicam que ela tem esse distúrbio, ela passa a se observar mais detalhadamente. Aquilo que, num primeiro momento, era fonte de prazer e gratificação, posteriormente passa a dar uma sensação negativa, pois a pessoa cede em fazer aquilo.

Se por trás dessa compulsão existe um descompasso, um desequilíbrio, é importante canalizar essa energia, que antes ia para os excessos em outras atividades, e buscar “retirar” o foco do comportamento que acarreta prejuízo para a pessoa.

Vale lembrar que todos nós temos rotinas e hábitos, e isso é muito saudável; fica apenas a atenção para aquilo que é excessivo! Como dizem, de forma popular, “tudo o que é demais faz mal”. Então, se você identifica alguns excessos em sua vida, procure analisar os afetos que lhe faltam e como você tem canalizado suas forças, se tem buscado o ter ou o fazer em troca do ser.

Elaine Ribeiro
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A multiplicação prodigiosa

Por Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

Entre as mensagens que a prodigiosa multiplicação dos pães oferece não se pode deixar de admirar a imensa munificência de Cristo diante da perplexidade dos Seus discípulos a lhe dizerem num lugar deserto: “Despede as multidões para que possam ir aos povoados comprar comida” (Mt 14, 13-21). Eles tinham apenas cinco pães e dois peixes, mas ali estava o poderoso Filho de Deus, que possuía um coração transbordante de amor e que se compadeceu de quantos tinham vindo a Ele.
O evangelista detalhou que eram mais ou menos cinco mil homens sem contar mulheres e crianças. O pouco que havia não inquietava o Mestre. O que contava a Seus olhos era Sua intenção sincera de realizar um ato de generosidade. Ele ensina, com isso, que se deve fazer o bem ainda que as dificuldades sejam enormes, deixando-nos o recado de que nunca o nosso pão é tão pequenino que não o possamos repartir com o próximo em necessidade. O que conta diante de Deus é a reta intenção de ajudar o irmão em todas as circunstâncias. O amor aos outros é indissociável do amor de Deus, pois os dois mandamentos são o vértice e a chave da Lei.
Dirá São João: “Quem não ama seu irmão a quem vê não poderia amar Deus a quem não vê”. São Paulo mostrará aos Gálatas que “toda a lei compendia-se nestas simples palavras: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5, 14). Trata-se da obra única e multiforme de toda fé viva. Portanto, no fundo, só há um só amor. Este, porém, se manifesta na doação. Lembrava, com razão: “O espírito enriquece com o que recebe; o coração, com o que dá”, afirma Victor Hugo. Entretanto, cumpre observar que o amor do próximo é essencialmente religioso, não é uma simples filantropia. Com efeito, o modelo é o próprio amor de Deus. Além disto, sua fonte é a obra divina no interior de cada um.
Não poderemos ser misericordiosos com o Pai celeste se o Senhor não no-lo ensinar, como mostrou São Paulo aos Tessalonicenses: “Quanto à caridade fraterna, não precisais que eu vos escreva, pois vós mesmos aprendestes de Deus a amar-vos uns aos outros” (Tl 4, 9).
Foi o que ele frisou também aos Romanos: “O amor de Deus se encontra largamente difundido nos nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5, 5). O fundamento de tudo isso é que o próprio Deus nos toma por filhos, como ensinou São João: “O amor vem de Deus e todo aquele que ama é gerado por Deus e conhece a Deus {…] porque Deus é amor” (1Jo 44, 7-8). Amando os nossos irmãos amamos o próprio Senhor como está no relato do Juízo universal: “Na verdade vos digo que tudo que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25, 40).
É de se notar ainda como base do magno ensinamento de Jesus, quando multiplicou os pães, o fato de formarmos o Corpo de Cristo e, por isso, o que se passa com o próximo não pode ser indiferente ao verdadeiro cristão. Aí está a razão pela qual Cristo fez do preceito do amor o Seu sublime testamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34).
Tão grande dileção não permitiria que Ele despedisse a multidão faminta e, ao mesmo tempo, deixasse de oferecer tão inefável lição. Ele desejava deixar claro que Seu amor continuaria a se exprimir por meio da caridade que os discípulos mostrassem entre si. Amando como Cristo os cristãos viveriam uma realidade divina e eterna.
A fraternidade deveria ser uma comunhão total na qual cada um se engajaria com toda sua capacidade de amor e de fé. Trata-se de um amor exigente e concreto.Tocante o desejo que Jesus expressou ao Pai: “Que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles” (Jo 17, 26). A generosidade seria inclusive a carteira de identidade do batizado: “Nisto todos vos reconhecerá como meus discípulos: no amor que tiverdes uns para com os outros” (Jo 13, 35).
A essência desta dileção é a doação. Foi o que o apóstolo dos gentios compreendeu e pôde proclamar: “Fiz-me tudo para todos para a todos salvar” (1Cor 9, 22).
O coração do cristão deve ser como a Hóstia Consagrada, que é outro Pão multiplicado maravilhosamente por Jesus, no qual cada parcela infinitésima em que fosse dividido seria capaz de conter, vivo e perfeito, o tesouro do amor do Coração d´Aquele que se apiedou da multidão lá no deserto.

Advento, tempo de faxina interior

Estamos no tempo do cuidado na vida espiritual

As estações da natureza nos ensinam a reconciliar em nosso coração o tempo dos mistérios que abraçam nossa fé. Advento é o tempo da espera. Ainda não é Natal, mas antecipa a alegria desta festa. Viver cada tempo litúrgico com o coração é um jeito nobre de não adiantar um tempo que ainda não chegou. Na sobriedade que este tempo litúrgico exige, vamos tecendo a colcha das alegrias do Cristo que vem ao nosso encontro.

Esperar é uma alegria antecipada de algo que ainda não chegou. A mulher grávida vive na alma a felicidade antecipada pela vida que, em seu ventre, vai sendo gerada no tempo que lhe cabe. A natureza cumpre o ritual das estações para que cada tempo seja único. Os casais apaixonados esperam o momento do encontro. As famílias organizam a casa no cuidado da espera dos parentes que vão chegar. Esperar é uma metáfora do cotidiano da vida. No contexto do Advento, a espera ganha tonalidades alegres e sóbrias.

Casa mal arrumada não é adequada para acolher os amigos e familiares que irão chegar. Jardim sujo não pode se tornar um canteiro para novas sementes. Esperar é também tempo de cuidado, tempo de organização. No tempo da espera, o tempo do cuidado na vida espiritual. Chegando ao final de mais um ano, muitos corações se encontram totalmente bagunçados. Raivas armazenadas nos potes da prepotência, mágoas guardadas nas gavetas do rancor, amizades sendo consumidas pelo micro-ondas da inveja, tristezas crescendo no jardim da infelicidade, violência sendo gerada no silêncio do coração.

Enquanto as lojas fazem o balanço, somos convidados a fazer o balanço de nossa situação emocional. No balancete da vida, o amor deve sempre ser o saldo positivo que nos impulsiona a sermos mais humanos a cada dia.

Casa mal arrumada não é local adequado para receber quem nos visita. Coração bagunçado dificilmente tem espaço para acolher quem chega. Neste tempo do advento, a faxina da espera deve remover as teias de aranha dos sentimentos que estacionaram em nossa alma. O pó que asfixia o amor deve ser varrido. Tempo novo exige um coração novo.

Jesus, com Seu amor sem limites, adentrava o coração de cada pessoa e fazia uma faxina de amor, abria as janelas da vida que impediam cada pessoa de ver a luz de um novo tempo chegar, devolvia às flores já secas pelas dores e tristezas as alegrias da ressurreição, semeava nos sertões sem vida as sementes do amor e da paz.

No Advento da Vida, as estações do coração se tornam tempo propício para limpar os quartos da alma à espera do Cristo que vem. Se o jardim do coração estiver sendo cuidado, as sementes da esperança irão germinar no tempo que lhes cabe e o Amor irá nascer nas alegrias da chegada.

Padre Flávio Sobreiro

Ele veio para o que era seu…

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1, 8)

Nas quatro semanas do Advento a Igreja nos leva a meditar e preparar o coração para celebrar as duas Vindas de Jesus Cristo. As cores e símbolos da liturgia nos ajudam nisso. A Coroa do Advento com as quatro velas que vão sendo acendidas uma a cada semana nos preparam e ensinam.

A vela vermelha significa a Fé que o Menino traz ao mundo; a certeza de que Deus está conosco, armou a sua tenda entre nós; “revestido de nossa fragilidade, Ele veio uma primeira vez para realizar o seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”, diz um dos Prefácios do Advento.

A vela branca a simboliza Paz; este Menino é o “Príncipe da Paz”, disse o profeta Isaias (11,1s). Quando o Seu Reino for implantado, “a justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi.  A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar.” (Is 11, 5-8).

A vela roxa (quase rosa) simboliza a alegria do Menino que chega para salvar. É a alegria mitigada pela cuidadosa vigilância do tempo da espera.

A vela verde traz a simbologia da Esperança que o Deus Menino traz a todos os homens de todos os tempos e todos os lugares. “Sem Deus não há esperança”, disse há pouco o Papa Bento XVI na encíclia “Spe Salvi (Salvos pela Esperança); e “sem esperança não há vida”, concluiu o Pontífice. É esta esperança  de uma vida feliz aqui e no Céu que o grande Menino veio anunciar com sua meiga e frágil presença na manjedoura de Belém.

A primeira vinda de Cristo mostra todo o amor de Deus por nós. Ninguém mais tem o direito de duvidar desse Amor. Ele deixou a glória do Céu, dignou-se assumir a nossa frágil humanidade, para nos levar de volta para o Céu; Ele aceitou viver a nossa vida, derramar as nossas lágrimas, comer nosso pão de cada dia… e, por amor puro a cada um de nós dar um mergulho nas sombras da morte para destruí-la.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1s).

O amor de Deus não é o amor de novelas, com músicas românticas e palavras sensuais; é amor que se revela por fatos, atos, renúncia, sofrimento…  É amor que gera a vida.

São João apresenta o Menino que vai chegar: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam… Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. A Luz de Cristo resplandeceu nas trevas mas essas não a compreederam; as trevas fogem da luz, tem medo dela, porque a luz revela o erro. Quem faz o mal, pratica o crime, busca a calada da noite para que a luz não o denuncie. Por isso Jesus foi logo perseguido pelo cruel tirano Herodes Magno.

Disse a Lumen gentium que “só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem”; Ele é “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”; é por isso que o Papa João Paulo II disse em sua primeira encíclica “Redemptor Hominis” que: “ o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”.

Sem Jesus Cristo o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor e das estrelas… é um coitado e um perdido como muitos filósofos ateus que se debateram em meio de suas trevas e acabaram arrastando muitos outros consigo para uma vida vazia e triste. Não foi à toa que muitos jovens suicidaram-se lendo o “Werther” de Goethe e a “Comédia Humana” de Balzac. Depois de ler “A Nova Heloisa” de Jean Jacques Rosseau uma jovem estourou os miolos em uma praça de Genebra e vários jovens se enforcaram em Moscou depois de ler “Os sete que se enforcaram” de Leonid Andreiv”. Só Jesus Cristo “é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Um dia Karl Wusmann, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo… e viveu. (J. Mohana, Sofrer e Amar).

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.”

O Natal nos traz esta certeza e esta enorme alegria: somos filhos amados de Deus; que nos fez para Ele, por amor. Ele fez para nós as estrelas, o cosmos, as pedras , os rios, as montanhas, os animais, os peixes das águas e os pássaros do Céu,  o doce fruto da terra, o perfume das flores, a harmonia das cores e o mar que murmura o Seu Nome a cantar… Obrigado Senhor!

Prof. Felipe Aquino

As velas do advento

Pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

ROMA, sexta-feira, 30 de novembro de 2012 (ZENIT.org) – Um leitor de língua inglesa enviou a seguinte pergunta ao padre Edward McNamara: Existe uma ordem estabelecida quanto à vela a ser acesa na segunda semana do advento? Alguns membros da comissão litúrgica disseram que é a vela à direita da primeira vela acesa (no sentido anti-horário), outros disseram que é a vela à esquerda (no sentido horário). Eu sei que na terceira semana é acesa a vela rosa (D.C., San José, Califórnia, EUA).

McNamara deu a seguinte resposta: Não consta que haja uma ordem estabelecida, nem oficial nem tradicionalmente, a não ser, justamente, que a vela rosa deve ser acesa no terceiro domingo (Gaudete) do advento. As outras três velas são geralmente na cor roxa, embora possam ser também brancas. Entre os protestantes, quatro velas vermelhas são o mais comum, com a adição ocasional de uma vela branca no centro para representar Cristo. Em algumas regiões de países como a Itália e o Brasil, são usadas às vezes velas de quatro cores diferentes, que são iluminadas a partir da mais escura até a mais clara, para indicar a iluminação progressiva do mundo com a vinda de Cristo. Embora não haja nenhuma ordem estabelecida relativamente à primeira e à segunda vela, a tradição mantém a ordem em que elas vão sendo acesas. Em outras palavras, chegando-se ao quarto domingo, é acesa primeiro a vela da primeira semana, depois a da segunda semana, depois a vela rosa e, finalmente, a vela restante. Esta ordem deve ser mantida toda vez que as velas são acesas ao longo das quatro semanas.

Mais discutidas, por outro lado, são as origens da coroa do advento. Alguns as colocam nos primórdios da tradição escandinava pré-cristã. Outros argumentam que é um produto da Idade Média ou do luteranismo do século XVI. Um pesquisador propôs que as origens da versão moderna da coroa do advento estão na cidade alemã de Hamburgo, onde teria surgido em 1839 pela iniciativa do pastor protestante Johann Hinrich Wichern (1808-1881). O costume da coroa se espalhou a seguir pelas outras igrejas, incluindo a católica, e por outros países, como os Estados Unidos da década de 30 do século passado. Esta versão não é impossível: uma tradição como esta, sem documentos oficiais que comprovem o seu nascimento, pode parecer antiga depois de apenas três gerações. Com exceção da América do Norte, o costume da coroa do advento é relativamente novo e se espalhou por alguns países da América Latina e pela Itália somente nos últimos 20 anos. Seja qual for a verdade, a coroa é um símbolo que a maioria das denominações cristãs pode compartilhar e apreciar.

O simbolismo da coroa do advento é muito bonito. O círculo da coroa, sem começo nem fim, e feito sempre de verde, representa a eternidade e a vida eterna encontrada em Cristo. As quatro velas representam as quatro semanas do advento, e seu acendimento progressivo expressa a expectativa e a esperança da vinda do Messias. Existem várias maneiras de interpretar as quatro semanas. Por exemplo, a primeira semana evoca os patriarcas e a virtude da esperança. A segunda recorda os profetas e a paz. A terceira representa João Batista e a alegria, e a quarta e última semana traz a figura de Maria e a virtude do amor. Se houver uma quinta vela (branca, ao centro), ela representa Cristo, a luz do mundo, e é acesa na vigília de Natal ou no dia de Natal. Outras formas de interpretar as quatro semanas e velas são possíveis, desde que respeitem o caráter litúrgico do período.

Advento do Salvador

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

O Tempo do Advento chegou e somos convidados a iniciar a preparação da vinda do Salvador no seu Natal. Estamos sempre ligados à eternidade. Nascemos para viver sempre. Enquanto vivemos na terra, cada ano somos convidados a repassar toda a história da salvação através da Liturgia que se torna um sacramento de nossa fé.
Na verdade, a Palavra de Deus proclamada e explicada em nossas celebrações ilumina nosso caminho e a Eucaristia nos alimenta com o corpo e o sangue do Senhor sacrificado por nós na cruz.
Advento significa: ele virá. Revivemos a história da humanidade. A promessa do salvador foi feita ainda na manhã do pecado, como assinala o Livro do Genesis.
A história narrada na Bíblia abre-se com a sofrida pergunta de Deus Pai: “Adão, onde estás?” (Gênesis 3, 9) e se conclui com a trepidante prece da Igreja que, voltando-se a Cristo seu Esposo, invoca: “Vem!” (Apocalipse 22,7). Entre os dois extremos se desenrola o longo caminho da humanidade que toma progressivamente consciência do amor de Deus.
Demorou, no entanto, o inicio da realização do desígnio de Deus. Cerca de mil e quinhentos anos antes de Cristo, Deus chamou um homem, Abraão, que se tornou o pai do povo de Deus, não só do povo de Israel mas também de todos os que acreditaram em Deus. Abraão viveu profundamente a fé na Palavra de Deus, e com ele, começou a esperança da humanidade de um tempo novo, baseado na busca da verdade, da justiça, da fraternidade.
A primeira etapa da pergunta ´quem é Deus´ abarca todo o Antigo Testamento, pondo em evidência a procura incansável do homem por parte de Deus. Ele chama cada pessoa: Abraão, Isaac, Jacó; adota um inteiro povo que se revela incapaz de lhe ser fiel. Deus envia profetas para que denunciem com palavras e a vida as incoerências do povo e o ajudem a reencontrar os esplêndidos horizontes que Deus reserva aos seus.
Na segunda etapa, o “onde estás?” de Deus encontra a sua expressão mais radical na vida de Jesus de Nazaré. Nele é Deus mesmo que se inclina sobre o homem alquebrado nas suas misérias. Como um servo, Jesus se despoja de tudo, sobe despojado sobre a cruz. Lá, no Gólgota, Deus totalmente desarmado reabraça a humanidade condividindo com ela a força da ressurreição.
A terceira etapa é, enfim, atravessada pela trepidação da humanidade renovada. Ela vive do amor de Deus e o comunica ao mundo. Paulo, Pedro, Tiago, João com seus escritos, não fizeram outra coisa que exprimir o eco de uma boa notícia que vence qualquer obstáculo para atingir todos os povos da terra. A história da salvação entrelaça, sobre esse fundo, páginas sofridas e luminosas, personagens exemplares e abjetas, o amor e o ódio, a paixão e ternura de um Deus que sem trégua procura o homem.
Inicialmente, o homem bíblico pensa Deus segundo categorias antropomórficas. Imagens de Deus artesão modelando Adão com o barro; de Deus guerreiro “que combate a favor de seu povo”; de Deus ciumento, pronto a reprimir toda infidelidade; de Deus terrível que dita leis desde um turbilhão de fogo. A paz mesma, o bem estar, a vitória sobre inimigos são interpretados como prêmio à fidelidade para com a aliança; as deportações e as destruições tornam-se fruto da infidelidade e da desordem moral.
Deus é o Pai que forma seus filhos. É o anúncio dos profetas a lançar novas luzes sobre a compreensão do rosto de Deus: ele é o amante apaixonado, o esposo ferido, a mãe que nutre, o pai que educa, o pastor que conduz, o vaso que plasma, o  vinhateiro paciente. Lidas e meditadas à luz da experiência histórica vivida pelo povo, essas imagens revelam Deus em caminho com o seu povo, com o vulto coberto de pó e as sandálias rotas.
No tempo do Advento recordamos que o Senhor já veio. Recordar significa colocar de novo no coração, recordamos o Senhor nascido em Belém para nós. Mas o Advento nos faz também esperar sua vinda futura. Jesus nos disse que virá no fim dos tempos. Reunirá os seus discípulos no seu reino, reino de viventes porque ele venceu a morte e entregará o seu Reino ao Pai, para sempre.
Nossa história se coloca entre as duas vindas do Senhor. Há lugar para o Senhor? Tempo de fé e de esperança.

Advento

Meditando a chegada de Cristo, devemos buscar o arrependimento dos nossos pecados e preparar o nosso coração 

O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento; um tempo de preparação para a Festa do Natal de Jesus. Este foi o maior acontecimento da História: o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Dignou-se a assumir a nossa humanidade, sem deixar de ser Deus. Esse acontecimento precisa ser preparado e celebrado a cada ano. Nessas quatro semanas de preparação, somos convidados a esperar Jesus que vem no Natal e que vem no final dos tempos. Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia nos convida a vigiar e esperar a vinda gloriosa do Salvador.

Um dia, o Senhor voltará para colocar um fim na História humana, mas o nosso encontro com Ele também está marcado para logo após a morte. Nas duas últimas semanas, lembrando a espera dos profetas e da Virgem Maria, nós nos preparamos mais especialmente para celebrar o nascimento de Jesus em Belém. Os Profetas anunciaram esse acontecimento com riqueza de detalhes: nascerá da tribo de Judá, em Belém, a cidade de Davi; seu Reino não terá fim… A Santíssima Virgem Maria O esperou com zelo materno e O preparou para a missão terrena. Para nos ajudar nesta preparação usa-se a Coroa do Advento, composta por 4 velas nos seus cantos – presas aos ramos formando um círculo. A cada domingo acende-se uma delas. As velas representam as várias etapas da salvação.

Começa-se no 1º Domingo, acendendo apenas uma vela e à medida que vão passando os domingos, vamos acendendo as outras velas, até chegar o 4º Domingo, quando todas devem estar acesas. As velas acesas simbolizam nossa fé e nossa alegria. Elas são acesas em honra do Deus que vem a nós. Deus, a grande Luz, “a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”, está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz.

No lº Domingo, há o perdão oferecido a Adão e Eva. Eles morreram na terra, mas viverão em Deus por Jesus Cristo. Sendo Deus, Jesus fez-se filho de Adão para salvar o seu pai terreno. Meditando sobre a chegada de Cristo, que veio no Natal e que vai voltar no final da História, devemos buscar o arrependimento dos nossos pecados e preparar o nosso coração para o encontro com o Senhor. Para isso, nada melhor que uma confissão bem feita. Até quando adiaremos a nossa profunda e sincera conversão para Deus?

No 2º Domingo, meditamos a fé dos Patriarcas. Eles acreditaram no dom da Terra Prometida. Pela fé, superaram todos os obstáculos e tomaram posse das promessas de Deus. É uma oportunidade de meditarmos em nossa fé; nossa opção religiosa por Jesus Cristo; nosso amor e compromisso com a Santa Igreja Católica – instituída por Ele para levar a salvação a todos os homens de todos os tempos. Qual tem sido o meu papel e o meu lugar na Igreja? Tenho sido o missionário que Jesus espera de todo batizado para salvar o mundo?

No 3º Domingo, meditamos a alegria do rei Davi. Ele celebrou a aliança e sua perpetuidade. Davi é o rei imagem de Jesus, unificou o povo judeu sob seu reinado, como Cristo unificará o mundo todo sob seu comando. Cristo é Rei e veio para reinar; mas o Seu Reino não é deste mundo; não se confunde com o “Reino do homem”; o Reino de Cristo começa neste mundo, mas se perpetua na eternidade, na qual devemos ter os olhos fixos, sem tirar os pés da terra.

No 4º Domingo, contemplamos o ensinamento dos Profetas: Eles anunciaram um Reino de paz e de justiça com a vinda do Messias. O Profeta Isaías apresenta o Senhor como o Deus Forte, o Conselheiro Admirável, o Príncipe da Paz. No Reino d’Ele acabarão a guerra e o sofrimento; o boi comerá palha ao lado do leão; a criança de peito poderá colocar a mão na toca da serpente sem mal algum. É o Reino de Deus que o Menino nascido em Belém vem trazer: Reino de Paz, Verdade, Justiça, Liberdade, Amor e Santidade. A Coroa do Advento é o primeiro anúncio do Natal. Ela é da cor verde, que simboliza a esperança e a vida, enfeitada com uma fita vermelha, simbolizando o amor de Deus que nos envolve e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.

O Tempo do Advento deve ser uma boa preparação para o Natal, deve ser marcado pela conversão de vida – algo fundamental para todo cristão. É um processo de vital importância no relacionamento do homem com Deus. O grande inimigo disso é a soberba, pois quem se julga justo e mais sábio do que Deus nunca se converterá. Quem se acha sem pecado, não é capaz de perdoar ao próximo, nem pede perdão a Deus. Deus – ensinam os Profetas – não quer a morte do pecador, mas que este se converta e viva. Jesus quer o mesmo: “Eu vim para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Por isso Ele chamou os pecadores à conversão: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus” (Mt 4,17); “convertei-vos e crede no Evangelho” ( Mc 1,15). Natal do Senhor, este é o tempo favorável; este é o dia da salvação!

Prof. Felipe Aquino
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A Palavra de Deus tem uma força libertadora

A Palavra de Deus, contida na Bíblia, não é apenas uma descrição da história do povo do passado. Ela não é também como um museu sem vida, desarticulada da realidade dos novos tempos. É palavra inspirada, de iniciativa divina, que falava no Antigo Testamento, mas também tem sua força de atuação no cotidiano da nossa vida moderna. É sempre atual e passível de interpretação.

É importante, agora, escutar e dar atenção ao que ela apresenta como itinerário para a vida de cada pessoa. Deve ser lida, conhecida, refletida, meditada, contemplada e colocada na prática do nosso agir. Não podemos buscar, na Bíblia, apenas informações frias, mas nos formar na justiça e na prática da fé.

Muitos leem a Sagrada Escritura somente por curiosidade, sem levar em conta que seu objetivo é de nos reforçar na prática cristã e no discipulado, no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. Portanto, ter intimidade com a Palavra, vendo nela uma força provocadora de ações novas de vida e de transformação da realidade.

A nossa história de vida deve estar constantemente recomeçando. Isto significa que situações melhores na convivência são possíveis de acontecer. Uma luz para isto pode ser encontrada na Palavra Divina, a qual mostra os condicionamentos do ser humano, como também sua capacidade de estar sempre se revitalizando.

A Palavra tem em nós uma força libertadora. E, se liberta, deve transformar. Ela nos faz conquistar o que seja melhor, uma felicidade duradoura, que só é capaz passando por enfrentamentos de verdade e de justiça. Não pode ser palavra que leve ao intimismo, ao tomar a letra pela letra nem ao fundamentalismo.

Viver a Palavra de Deus é anunciar um caminho de libertação, de superação de todos os vícios e práticas que não condizem com o bem das pessoas. É ir ao encontro daqueles que passam por grandes necessitados, tendo isto como opção de vida pelos mais pobres e sofredores, daqueles que vivem na espera das migalhas que sobrem das mesas fartas de muitos irmãos.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Deus nos deu o Céu como penhor da eternidade

Pelo Espírito Santo

Sexta-feira, 17 de outubro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano  

Santo Padre ressaltou que a identidade cristã é a força do Espírito Santo, mas há o risco de tornarmos essa identidade “opaca” e hipócrita

Pelo Espírito Santo, Deus deu aos cristãos o Céu como “penhor” da eternidade. Mas esse dom, às vezes, é negligenciado por uma vida “opaca” e hipócrita. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na homilia da Missa desta sexta-feira, 17, na Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Francisco definiu o Espírito Santo como o “selo” de luz com o qual Deus deu “o Céu em mãos” aos cristãos, que, muitas vezes, se esquivam dessa luz por uma vida de penumbra e, pior ainda, por uma luz simulada, que brilha na hipocrisia.

A homilia seguiu passo por passo as palavras de São Paulo, na Primeira Leitura, explicando aos cristãos de Éfeso que, por terem acreditado no Evangelho, receberam “o selo do Espírito Santo”. Com esse dom, afirmou o Papa, Deus não somente escolheu o homem, mas lhe deu um estilo, um modo de viver que não é somente um elenco de hábitos, é mais do que isso: é uma identidade.

“A nossa identidade é justamente esse selo, essa força do Espírito Santo que todos nós recebemos no batismo. E o Espírito Santo selou o nosso coração, mais do que isso, Ele caminha conosco. Esse Espírito que foi prometido – Jesus o prometeu – não somente nos dá a identidade, mas também o penhor de nossa herança. Com Ele começa o céu. Nós estamos vivendo esse céu, essa eternidade, porque fomos selados pelo Espírito Santo, que justamente é o início do céu, é o penhor, e o temos em mãos.”

Mas ter o céu como penhor de eternidade não evita que os cristãos deslizem em, pelo menos, um par de tentações, ressaltou o Papa. Primeiro, há o risco de tornar a identidade “opaca”. “É o Cristianismo morno. É Cristianismo, sim; vai à Missa aos domingos, sim; mas na sua vida não se vê a identidade. Vive como um pagão, mas é um cristão. É morno, torna opaca a nossa identidade”. Depois, há o risco da hipocrisia.

“E o outro pecado, aquele do qual Jesus falava aos discípulos e ouvimos: ‘Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia’. ‘Fazer de conta: eu faço de conta que sou cristão, mas não o sou’. Não sou transparente, digo uma coisa – ‘sim, sou cristão’–, mas faço outra que não é cristã”.

O Papa destacou, por fim, que uma vida cristã vivida segundo aquela identidade criada pelo Espírito Santo traz outros dons.

“Amor, alegria, paz, magnanimidade, benevolência, bondade, brandura, autodomínio. E esse é o nosso caminho em direção ao céu, é a nossa estrada, do céu que já começa aqui. Porque temos essa identidade cristã, somos todos selados pelo Espírito Santo. Peçamos ao Senhor a graça de estarmos atentos a esse selo, a essa nossa identidade cristã, que não somente é prometida, mas já a temos em mãos como penhor”.

Estamos aqui para estarmos na eternidade

O eterno conselho de Deus

“Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20,27).

O eterno conselho de Deus abrange os planos de Seu coração desde a eternidade. Ele os revelou no Novo Testamento mediante os escritos dos apóstolos; e nós, crentes, estamos incluídos nesse projeto. Na epístola aos Efésios, São Paulo fala das quatro dimensões desse conselho, pois deseja que possamos “perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” desses planos (cf. Ef 3,18).

A largura. Em virtude da obra de redenção realizada por Seu Filho, Deus quer salvar todos os seres humanos de todos os povos, tribos, línguas e classes sociais para fazer deles Seus filhos amados, a fim de que estejam para sempre em Sua casa.

O comprimento. O conselho da graça de Deus é eterno assim como Ele mesmo é eterno. Seus projetos duram por toda a eternidade. Nós, que cremos no Senhor e Salvador Jesus Cristo e pertencemos à Sua Igreja, estaremos eternamente na casa do Pai.

A altura. Isso nos fala da elevada posição em que fomos colocados como crentes. Individualmente fomos feitos filhos de Deus; e como conjunto formamos a Igreja de Deus, intimamente unida ao Senhor Jesus: somos Seu corpo no mundo e seremos Sua esposa no Céu.

A profundidade. Temos de lembrar o quão baixo o Senhor Jesus teve de descer para nos salvar e conseguir que o conselho de Deus se tornasse realidade. Ele teve de se fazer homem e, como tal, assumir nosso lugar no juízo divino. Depois teve de penetrar nas profundezas da morte e do inferno. Mas Ele triunfou sobre tudo isso e venceu todas essas coisas.

É incompreensível o pensamento de que Deus nos amou com tamanho amor que nos incluiu em Seus maravilhosos e eternos projetos! Em parte, entendemos Seu amor eterno tão somente pela Sua infinita misericórdia.

Durante milhares de anos a humanidade acreditou ocupar o centro do Universo. A lua, o sol, os planetas e estrelas estavam em esferas que orbitavam nosso mundo. Era a concepção aristotélica do cosmo, refinada por Ptolomeu, que só começou a mudar a partir do século XVI, quando o astrônomo polonês Nicolau Copérnico propôs que era o sol que, na verdade, ocupava o centro de nosso sistema. Hoje, sabemos que a Terra orbita uma estrela ordinária no braço de uma galáxia com bilhões de astros semelhantes, e que a nossa própria Via Láctea é apenas uma entre as bilhões de galáxias existentes.

Todo este conhecimento, porém, ainda não é capaz de responder à pergunta que o próprio Aristóteles já se fazia há milhares de anos: “Por que estamos aqui?”. O Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho de Hipona dizia: “Não existe nada que não deva sua existência ao Deus Criador”. Estamos aqui para estarmos na eternidade. O sentido da nossa existência é o gozo sem fim com o Bom Deus.

Padre Inácio José do Vale
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