Com a Palavra

A preciosa Bênção dos Pais

A importância da bênção dos pais na vida dos filhos  

Quando eu era criança, estava acostumado a pedir a bênção aos meus pais – a qualquer hora que saísse ou chegasse em casa, – naquele apressado “Bença, pai!”, “Bença, mãe!”, tão apressado que quase não ouvia a resposta. Todos nós, quando crianças, estávamos tão acostumados a pedir a bênção dos pais que, quando saíamos sem ela, parecia-nos que faltava algo à nossa segurança ou ao sucesso de nossos planos… Ao menos quatro vezes por dia eu e meus oito irmãos pedíamos a bênção a nossos pais: ao acordar, ao irmos para a escola, ao voltar da escola, e ao se deitar.

Hoje, passados os anos, tenho profunda consciência da importância da bênção dos pais na vida dos filhos. É a Sagrada Escritura que nos alerta da necessidade dessa bênção. Toda a Bíblia está repleta de passagens indicando a importância que Deus dá aos pais na vida dos filhos. Os pais são os cooperadores de Deus na criação dos filhos e, dessa forma, são também um canal aberto para que a bênção divina chegue aos filhos.

O livro do Deuteronômio registra o quarto mandamento: “Honra teu pai e tua mãe, como te mandou o Senhor, para que se prolonguem teus dias e prosperes na terra que te deu o Senhor teu Deus” (Dt 5,16). Desta forma, Deus promete vida longa e prosperidade àqueles que honram os pais. São Paulo disse que esse é “o primeiro mandamento acompanhado de uma promessa de Deus” ( Ef 6,2).

Os livros dos Provérbios e do Eclesiástico estão cheios de versículos que trazem a marca da presença dos pais. Eis um deles: “A bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (Eclo 3,11). Esse versículo mostra que a bênção dos pais (e também a maldição!) não é simplesmente uma tradição do passado ou mera formalidade social. Muito mais do que isso, a Escritura nos assegura que a bênção dos pais é algo eficaz e real, isto é, um meio que Deus escolheu para agraciar os filhos. Deus quis outorgar aos pais o direito e o poder de fazer a Sua bênção chegar aos filhos. É a forma que Deus usou para deixar clara a importância dos pais. Analisemos estas passagens marcantes:

“Ouvi, meus filhos, os conselhos de vosso pai, segui-os de tal modo que sejais salvos. Pois Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles.

Quem honra sua mãe é semelhante àquele que acumula um tesouro. Quem honra seu pai achará alegria em seus filhos, será ouvido no dia da oração. Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência, a fim de que ele te dê sua bênção, e que esta permaneça em ti até o teu último dia. Pois um homem adquire glória com a honra de seu pai, e um pai sem honra é a vergonha do filho. Como é infame aquele que abandona seu pai, como é amaldiçoado por Deus aquele que irrita sua mãe!” (Eclo 3, 2-3.5-6.9-10.13.18).

Todos esses versículos do capítulo 3 do Eclesiástico mostram claramente a grande importância que Deus dá aos pais na vida dos filhos e, de modo especial, à bênção paterna e materna. Infelizmente, muitos pais parece que já não sentem a prerrogativa que Deus lhes deu para educar formar e abençoar os filhos. Muito já não acreditam no poder da bênção paterna e nem mesmo ensinam os filhos a pedi-la.

Os pais têm uma missão sagrada na terra, pois deles dependem a geração e a educação dos filhos de Deus. Eles são os primeiros mensageiros de Deus na vida dos filhos, sobre os quais têm o poder de atrair as dádivas de Deus. Não importa qual seja a idade do filho, ele sempre deve pedir a bênção de seus pais. E também não importa se o velho pai é um doutor ou um analfabeto, o filho não deve perder a oportunidade de ser abençoado por ele, se possível todos os dias, mesmo já adulto.

Se você ainda tem seus pais (ou apenas um deles) não perca a oportunidade que Deus lhe dá de beijar-lhes as mãos e pedir-lhes a bênção, para que Deus abençoe você, guiando seus passos e protegendo sua vida. Importa jamais nos esquecermos de que enquanto “a bênção paterna fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (Eclo 3,11).

Prof. Felipe Aquino

Órfão de pais vivos

A solidão é fera, a solidão devora

Era uma vez, uma casa cheia de gente. Tinha pai, mãe, filhos, avô e avó. O silêncio nunca estava nessa casa, pois o papagaio não parava de falar. Era uma mistura de família italiana com brasileira. A mesa sempre farta, tom de voz alto, música, então, não faltava nos almoços de domingo. Mas havia algo interessante no dia dia dessas pessoas: elas não conversavam sobre a vida delas.

Eles resolviam problemas, providenciavam o alimento, a roupa e o remédio, mas não promoviam o bate-papo ao redor da mesa; muito menos a escuta de suas dores e aflições, nem mesmo de suas experiências de sucesso. Não havia tempo! E essa casa, tão cheia, foi se esvaziando, sem que a música deixasse de ser tocada aos domingos ou que alguns de seus membros saíssem de lá.

Os relacionamentos foram morrendo e as pessoas de dentro foram substituídas pelas pessoas de fora, novos amigos e colegas. Tudo era só aparência. Todos juntos e separados ao mesmo tempo.

Essa realidade tem invadido os lares, sendo justificada por vários motivos: por causa dos novos arranjos familiares, pela utilização abusiva da tecnologia, pelas saídas constantes dos pais para trabalhar, para servir a Igreja ou, simplesmente, por não saberem promover momentos de convivência dentro de casa. Os discursos comuns – a vida é dura, não há dinheiro mais para nada, todos vivem cansados – têm ocupado o lugar da esperança, do “apesar de tudo, vale a pena”, das gargalhadas e da boas convivências.

Os filhos, por sua vez, são fechados em seu mundo; mas como não nasceram para viver sozinhos, buscam sair da solidão antecipando a fase do namoro, assistindo a filmes até altas horas da noite, querendo passar dias na casa dos amigos, não se desgarrando dos seus celulares. Aliás, temos de reconhecer que não se desgarrar dos Facebook ou da internet, por exemplo, não está sendo uma atitude apenas da juventude, mas da maioria das pessoas que já descobriram que estão vivendo sós e precisam se relacionar. Diante dessa necessidade, o virtual se torna próximo, e é muito difícil mudar essa realidade.

Em um ambiente no qual só fala em problemas, sempre haverá alguém de “saco cheio” de ouvi-los; consequentemente, essa pessoa “pegará o seu banquinho e sairá de mansinho”. Assim, vão se formando os “órfãos” dentro de casa, dentro das comunidades e até nos locais de trabalho. Aprender a conviver, a dialogar, a promover momentos prazerosos e lúdicos, aprender a partilhar problemas e expressar afeto positivo, quer seja com palavras, quer seja com toques físicos, ouvir e dar conselhos, são habilidades que precisam ser praticadas frequentemente, com disponibilidade, paciência, amor e respeito. Tudo isso para que se torne um comportamento duradouro, intenso e necessário entre os familiares.

Orfandade em casa. Você já havia pensando nesse comportamento? Conhece alguém que se sinta assim? E em sua vida, já viveu experiências parecidas com o que está sendo abordado? O que você fez ou tem feito para não se sentir órfão dentro da sua própria casa? Pensemos juntos: dentro de uma casa há tantas pessoas! Gente graúda e gente miúda.

Imaginemos, então, o filho, gente miúda vivendo solidão. Que tipo de apoio precisará receber dos pais e dos familiares quando constatado o estado de orfandade na vida dele? Talvez, não seja preciso constatar, mas perceber os sinais. Ainda há pouco, eu estava atendendo uma cliente, para a entrega de um relatório, e ela me disse: “Ai, doutora, a minha filha está naquela fase que se isola”. Eu lhe perguntei: “Que fase é essa?”. Com o tom mais baixo, ela respondeu: “Adolescência!”.

Expliquei para ela que a adolescência não acontece da noite para o dia. Nós não vivemos para esperar o dia em que a adolescência ou a velhice vão chegar. Nós vivemos um processo chamado “desenvolvimento”. Ela concluiu: “Na verdade, há muito tempo que a minha filha vem se isolando”. É necessário que nós assumamos um espaço na sociedade, enlaçando as pessoas da melhor forma possível. Enlaçar é o mesmo que cativar e se deixar ser cativado. É esse o instrumento para enfrentar o mundo contemporâneo e suas astúcias, é esse o instrumento do encontro, e a nossa família precisa querer fazer uso dele.

Decidir contra tudo o que nos leva ao estado de orfandade, de desencontro consigo e com o outro é permitir-se adentrar em seu próprio casulo, atrás das curas mais profundas, do perdão mais distante; enfim, ir em busca da vida. O ambiente, quando afetado pelo nosso comportamento, devolve-nos as consequências; uma delas é a necessidade ardente de solução. Assim como nós, o ambiente em que vivemos também não quer se sentir órfão, mas conviver conosco. Trata-se de uma atitude madura e consciente do que queremos de nós mesmos e do outro que está à nossa volta. Portanto, no mundo atual, todos correm o risco de se sentirem órfãos dentro da sua própria casa. Os pais devem conversar com os filhos, colocar-se à disposição deles para escutar suas insatisfações, dar-lhes oportunidade de expor sua opinião sobre a sua casa, a rotina da família, entre outras coisas. Sugerir a eles que brinquem, se divirtam, produzam autoestima. Os pais devem planejar, juntamente com seus rebentos, meios de diminuir os momentos em que estes se sentem sós; identificar em que contexto nasceu a solidão e realizar o que foi planejado.

Caso os pais ou os idosos também estejam vivendo essa realidade na família, o procedimento deverá ser o mesmo. Colocar as cartas na mesa. É preciso sair desse ciclo de solidão, o qual se abre e se fecha enquanto não for enfrentado e curado. Às vezes, a solidão é desencadeada ao ouvir uma música, lembra-se de épocas festivas, um excesso de reforço negativo, punições descabidas, extinções de situações agradáveis com pessoas queridas.

“A solidão é fera, a solidão devora. É amiga das horas, prima-irmã do tempo e faz nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso no meu coração.” (Alceu Valença)

Judinara Braz
Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing  
Psicóloga – Abordagem Análise do Comportamento  
Autora do Livro Sala de Aula, a vida como ela é  
Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA)

Ser Família é uma Bênção de Deus, mas também é uma luta

Por Pe. Inácio José Schuster

Um auxílio contra nós

Que bom estarmos aqui e termos este tempo para ouvir a Palavra de Deus. Porque ela não somente explica, mas revela; ela faz. Então quando a gente pronuncia a Palavra de Deus nas nossas famílias, ela está fazendo, e refazendo todas as coisas. Que Deus nos dê o conhecimento daquilo que ele sonhou para a família. Existe uma concepção de que a família é uma instituição humana, ou seja, criada pelo homem. E, portanto o homem tem o direito de modificá-la, de mudá-la como quiser. Faz algum tempo que alguns pensadores estão incutindo essa mentalidade na sociedade.

Parece que o casamento é uma instituição burguesa, onde a gente se junta, arruma um companheiro, mas estamos abertos a outros relacionamentos. Isso pode soar um pouco estranho, pode não ser tão comum de você ver ou ouvir falar, mas é o que está acontecendo na nossa sociedade. E isso não está assim por acaso. Não é por acaso que vivemos essa “desagregação” da família. Existem verdadeiros “engenheiros” que trabalham para instaurar esta visão e família. E eles fazem isso porque partem do pressuposto de que a família é uma instituição humana. Vejam: o homem pretendendo tomar o lugar de Deus.

Para nós não é assim! Nós cremos que a família é criação Divina e não apenas invenção humana. E, portanto, nós, seres humanos, não temos o poder e o direito de alterar a configuração da família. Nós precisamos antes de tudo compreender o sonho de Deus para nós e obedecer aquilo que o Senhor nos pede. É de Deus que vem a família, que vem essa realidade que nós conhecemos, mas que está sendo atacada pela sociedade moderna. Este ataque contra a família não é apenas ataque humano, mas também demoníaco. Esses “engenheiros” que eu citei antes também são “inspirados” por satanás. Porque satanás sabe que a família é o berço da santidade. E ele não nos quer santos. Pelo contrário, ele nos quer mais egoístas, mais individualistas, porque ele sabe que é o nosso egoísmo que vai nos levar para o inferno.

Ser família é uma bênção de Deus, mas também é uma luta. Não pense que ser família é fácil, não é. Ela é a nossa escola de santidade, para que nós sejamos treinados para o céu, onde é nosso lugar. Nós, pecadores, precisamos da família para lembrar-nos do nosso egoísmo, porque na família somos constantemente desafiados a sair de nós mesmos para sermos uma família de verdade, para ser para os outros. A primeira palavra que eu gostaria de colocar está em Gênesis capítulo 2, onde Deus fala sobre dignidade do homem e da mulher. A partir do versículo 23 Adão vê a mulher pela primeira vez e então produz a primeira poesia da história da salvação: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos, carne da minha carne. Ela será chamada humana, mulher, porque do homem foi tirada!”.

O homem foi incumbido de dar nome a todos os animais. E ele vai fazendo isso começa a falar, a dizer os nomes, e falando (interessante isso) ele se descobre sozinho necessitado de companhia. É quando falamos que descobrimos a nossa solidão. No versículo 18: “E o senhor Deus disse: não é bom que o homem esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda”. Esta é a tradução da CNBB. Qualquer tradução que você procurar, este texto está mal traduzido. E por que isso? Porque o original, em hebraico, não dá para traduzir. Lá está escrito (ao pé da letra): “um auxílio que lhe seja contrário”. A mulher é uma ajuda ao homem, e vice versa. Ou seja, o homem e a mulher não são iguais (a não ser em dignidade). É importante que não nos deixemos iludir pela ideologia moderna que quer desconsiderar os gêneros diferentes entre homem e mulher.

O Feminismo quer que as mulheres pensem que são iguais aos homens, quando na verdade não são. E é essa falta de identidade que está atrapalhando tudo. Porque essa diferença vai santificando um e outro. É quando não compreendemos a profunda diferença que existe entre homem e mulher que começam os grandes problemas que nossas famílias enfrentam hoje. Não podemos querer que homens e mulheres sejam iguais. Porque eles foram criados diferentes por Deus. Deus quis assim! E não aceitar essa diferença é não aceitar o plano de Deus, é não respeitar aquilo que o Senhor pensou. Com isso não estou desprezando nem um, e nem outro. São diferentes, mas de igual dignidade: “Osso dos meus ossos, carne da minha carne!”. Gostaria de falar a respeito do comportamento da mulher e do homem. Existem vários estudos que mostram as diferenças entre os cérebros de um e de outro. Por exemplo, a questão da sexualidade, sexo.

Os cientistas não estão ainda de pleno acordo, mas sabem que existe uma diferença no hipotálamo de um e de outro. E no dia-a-dia nós notamos essa diferença. O sexo é muito mais importante para o homem do que para a mulher. E você homem, precisa entender isso. Precisa entender que para a sua esposa, o sexo não tem a mesma importância que tem para você. No matrimônio o homem deve ir se adaptando à sua esposa, e por sua vez, a esposa ao seu marido. Sempre existe um incômodo dentro de ambos, porque lá no fundo, um precisa sempre ir cedendo ao outro, para irem se adaptando. Os dois têm que ceder. Outro detalhe: a área do cérebro que lida com a organização das coisas, funciona melhor no homem do que na mulher. Já a parte do cérebro que lida com o comportamento, com o relacionamento com as pessoas, funciona melhor nas mulheres. Isso acontece porque os hormônios sexuais (diferentes entre os dois) vão influenciando no funcionamento do cérebro.

Quem tem filhos pode perceber isso, principalmente se tem filhos do sexo masculino e do sexo feminino. O comportamento de ambos é muito diferente. Por exemplo: quem ensinou para a menina que ela gosta de boneca? Isso não é só cultural. Se você der bonecos para o menino, ele vai organizar tudo, um atrás do outro, depois vai passar com o carrinho em cima deles. Provavelmente ele vai desmontar tudo, querer ver como funciona, etc. Isso porque o homem é melhor para organizar coisas. Já a menina não vai tratar a boneca como “coisa”, mas sim como pessoa. Ela vai olhar para a boneca e achar que ela está com frio, com fome, com sono, etc. De uma forma geral, o homem tem habilidade para lidar com coisas. Para eles isso é muito mais fácil do que administrar sentimentos, ou a relação com alguma pessoa. Por isso muitas vezes se o filho está dando trabalho, o homem pede para a mãe resolver. Porque a administração de pessoas funciona muito melhor para a mulher do que para o homem. Isto tudo é uma riqueza! Deus nos criou para que houvesse essa complementaridade. Isso é querido por Deus! Entenda isso, e veja como Deus vê!

Lá nos EUA, por exemplo, as feministas querem que as mulheres tenham a mesma “liberdade sexual” que os homens. – Aqui não estou defendendo nada, nem dizendo que está certo a liberdade sexual para o homem, estou apenas narrando o que acontece lá -. Elas querem que as mulheres possam fazer sexo sem compromisso, com uns e outros, sem envolvimento… mas, com o passar do tempo essas mulheres, apesar de não perceberem, vão se tornando vazias. Porque é da natureza da mulher querer o compromisso, querer esse envolvimento, esse comprometimento. Já com o homem não é assim. Se não existisse a mulher, os homens cedo ou tarde iriam tratar as pessoas como coisas. O homem é simples para resolver as coisas. Ele é prático, e com isso ajuda a mulher a ser mais objetiva. Essa é a riqueza do homem, essa objetividade que ele traz em seu ser.

Se você der algo para um homem fazer, ele vai lá e faz. Se for a mulher a ir lá e fazer, ela vai ficar “sapateando”, pensando “e se isso… e se aquilo… mas será que…” e de certo modo vai demorar bem mais para realizar. E essa objetividade do homem por vezes irrita a mulher. Essa praticidade parece agressão para elas. E por sua vez, quando as mulheres ficam dando muitas voltas, complicando as coisas, o homem se sente incomodado. Não estou dizendo que seja sempre assim. Existem mulheres muito práticas e boas administradoras, assim como existem homens que são bons psicólogos. O que eu estou dizendo é que em linhas gerais ambos são diferentes e funcionam de forma diferente. E se nós não nos dermos conta disso, vamos continuar nos machucando uns aos outros sem saber o que está acontecendo.

Os homens precisam mais das mulheres para não continuar pisando nos sentimentos das pessoas. E as mulheres precisam mais dos homens para serem mais objetivas e práticas nas coisas que fazem. Como homem eu preciso me dar conta de que as mulheres têm riquezas que eu não tenho, e também fragilidades que eu não tenho. Eu preciso ir aprendendo a me adaptar, aprendendo a lidar com essa diferença, deixando-me enriquecer com o que as mulheres podem contribuir.

Deus fez essas duas realidades, homem e mulher, de forma diferente e complementar. E se em nossas famílias não nos dermos conta disso, vamos continuar nos machucando e nos ferindo, e acabando com as nossas famílias. O movimento feminista mundial está dando passos hoje na direção do lesbianismo. Existe uma propaganda inteira em prol disso. “Amar a mulher enquanto mulher!”, “Procure alguém que seja igual a você!”, isso tudo é propaganda aberta em prol do lesbianismo.

Disseminam hoje por aí um pensamento de que não é preciso a mulher buscar um homem. Ora, para quê buscar um homem se ele é bruto, se ele vai machucar a mulher? Nossas meninas devem ser advertidas de que isso não está certo. Porque a grandeza está na diferença! Não estou defendendo a brutalidade do homem, estou apenas explicando as diferenças. Os homens também têm que mudar, e estão mudando, mas o que não dá é para a mulher de hoje ficar buscando alguém que lhe seja igual. Como eu já disse, homens e mulheres vão sempre se sentir incomodados um com o outro, pois são diferentes, porém são complementares. Um deve ir em direção ao outro, e ambos devem ceder; é esse movimento de um para o outro que nos tira do nosso egoísmo. O homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem. Isso é o plano de Deus!

A primeira obediência que nós devemos a Deus é aceitar que Ele criou homens e mulheres diferentes. Criou “um contra o outro”, de forma complementar o outro. Precisamos aprender a entender a beleza deste projeto do Senhor. A família é a criação Divina que nos tira de nosso egoísmo. Essa história que corre por aí, essa “engenharia social” que quer famílias mais “abertas”, onde se não der certo com esse ou com aquela, então se pode trocar de companheiro(a) até acharmos um(a) que nos agrade, é uma verdadeira fábrica de egoísmo.

Seja fiel a Deus! Seja fiel ao projeto de Deus! E não queira inventar a família, pois ela não é projeto humano. Eu creio em Deus, no Deus que criou a família. Por isso eu creio na família! A família não é o paraíso aqui na terra, não é aquele sonho encantado, onde não existe o sofrimento. Ela é aquele grupo de pessoas que eu amo, aqueles que não arredam o pé do meu lado, que não me abandonam, e que me tiram do meu egoísmo, que me fazem crescer.

A graça da família

Os casais cristãos têm algo a mostrar

“Pela fé, embora Sara fosse estéril e ele mesmo já tivesse passado da idade, Abraão tornou-se capaz de ter descendência, porque considerou fidedigno o autor da promessa. E assim, de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão comparável às estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia na praia do mar” (Hb 11,11-12).

Abraão é considerado o “Pai da Fé” pelas três grandes religiões monoteístas, o Cristianismo, o Judaísmo e o Islamismo. Para elas, a experiência da presença de Deus tem sua fonte no alto, é revelação, cuja iniciativa é do próprio Senhor. A fé, certeza a respeito daquilo que não se vê (Hb 11,1), introduz nas realidades humanas um horizonte aberto de proporções inimagináveis. Abraão se encontra presente, quando apostou tudo em Deus, na multidão dos homens e mulheres que, nas sucessivas gerações, volta seus olhos para o alto e para frente.

A graça da paternidade e da maternidade, experimentada por Abraão e Sara, há de ser posta em relevo em nosso tempo, pois, de fato, “os filhos são herança do Senhor, é graça sua o fruto do ventre” (Sl 127, 3). Queremos oferecer, como profecia de um futuro digno para a humanidade, o presente de famílias cristãs consistentes. A contribuição genuína dos cristãos, neste campo, é a família una, fiel e fecunda. Graça e desafio! Aceitar formar famílias segundo esta proposta é antes de tudo uma vocação a ser descoberta e alimentada. Homem e mulher, pois assim foi criado o ser humano (Gn 1,27), são tocados pelo amor de Deus para serem seus sinais. A resposta, desafio a ser assumido, é construída durante a vida toda.

O coração humano não foi feito para ser dividido em vários amores. Corpo e alma, com todas as suas potencialidades, doados como sinal do amor de Cristo e da Igreja chama-se “sacramento” do matrimônio! Descobrir a pessoa à qual será entregue a própria vida, não como um título de propriedade a ser adquirido, é a grandeza do casamento cristão. Trata-se de uma forma de consagração a Deus! Acreditar que os dois, unidos diante do Senhor, mostram o próprio Deus às outras pessoas e ao mundo. Nosso mundo clama por testemunhas consistentes de tais valores. Os casais cristãos descubram de novo a beleza do que receberam do Senhor e assumiram como vocação.

Com certa frequência aparecem estatísticas sobre a fidelidade e a infidelidade entre os casais. Parece uma propaganda das aventuras infelizmente existentes, que podem suscitar justamente uma banalização de uma das graças do matrimônio cristão. Desejo homenagear os casais que não submetem sua própria intimidade a perguntas que os expõem na praça pública. Sintam-se reconhecidos todos os casais fiéis, e são muito mais do que se divulga! Saibam que a Igreja faz festa com eles por conservarem, no verdadeiro tabernáculo que é sua vida conjugal, o tesouro da fidelidade, prometido com plena liberdade quando seu amor se tornou sacramento. Não fica esquecido pelo Senhor o dom de suas vidas!

Por falar em exposição, sim, os casais cristãos têm algo a mostrar! Trata-se dos filhos, testemunhas da fecundidade do amor verdadeiro. Já se disse que o amor conjugal não é olhar um para outro a vida inteira, mas olharem os dois numa mesma direção! Olhar para o alto, participar da graça criadora de Deus, gerar filhos para a Igreja e para o mundo! É dignidade a ser sonhada e construída pelo homem e a mulher que se unem no sacramento do matrimônio. É graça a ser pedida pelos que se preparam ao casamento.

Tudo isso encontra seu sentido na fé, fundamento de realidades humanas assumidas nesta terra, como pessoas que veem o invisível. Há muita gente pronta para descrever os problemas das famílias. A nós, na Igreja, cabe a tarefa de proclamar um verdadeiro evangelho da família, reconhecida como Boa Nova para o nosso tempo.

Daí, nasce o convite aos jovens vocacionados ao matrimônio, para que empreendam um caminho de discernimento e preparação correspondentes à grandeza do sacramento que desejam abraçar. Entrem na escola do amor verdadeiro, treinem a capacidade de escuta e acolhimento, exercitem a saída de si mesmos para dar espaço à outra pessoa. Peçam a Deus a graça de descobrirem a quem deverão entregar totalmente suas vidas. Sejam anunciadores de novas famílias, renovadas no Espírito Santo.

Aos casais cristãos, chegue o convite da Igreja a edificarem cada dia seus lares sobre o fundamento da fé, de modo a transmitirem valores consistentes aos filhos e os testemunharem à sociedade. Deus lhes confiou muito! A evangelização de seus filhos começou quando estes foram gerados no amor, deixando neles uma marca indelével. Continuou quando vocês lhes ensinaram os rudimentos da fé cristã. Benditas foram as orações que lhes foram ensinadas! Deem graças ao Senhor, porque vocês os apresentaram à Igreja para os sacramentos, quando os encaminharam à catequese. Aliás, vocês foram os primeiros catequistas! Deus lhes pague e confirme sua vocação na transmissão e educação da fé cristã na família, como quer celebrar a Semana Nacional da Família. Deus seja louvado pelos valores cristãos que existem em nossas famílias, santuários da fé e da vida!

Com as famílias e pelas famílias, rezamos confiantes no dia dos pais: “Deus eterno e todo-poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos, cada vez mais, um coração de filhos para alcançarmos um dia a herança que prometestes. Amém!”

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Família: Lugar da bênção de Deus

A família, muitas e muitas vezes, não está sendo lugar de bênção. É triste dizer que a família tem sido, muitas e muitas vezes, o lugar da desgraça, da angústia, da falta de amor. E por quê? Quantas e quantas pessoas, na rua são alegres e felizes, mas quando chegam em casa perdem a alegria. Por isso as famílias se tornam lugar de mágoa, de ressentimento, de tristeza, de angústia.
Quando falta Deus na família, falta absolutamente tudo. Observe os grandes ídolos do mundo moderno, cantores, artistas famosos, de vez em quando eles deixam vir à tona  a maior de suas carências. E qual é? A família. A falta desse amor por quê? Porque a família não está sendo lugar de bênção.
Para ser lugar de bênção de Deus, muitas vezes não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer cada dia pequenas coisas, de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.
Cl 3, 12-17: 2 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Entranhada misericórdia, doçura… Doçura no falar, no toque, no olhar… Humildade! Marido não tem de ser mais que a mulher, e a mulher não de ser mais que o marido.
São diferentes na função, mas iguaizinhos em dignidade. Humildade é fazer o outro se sentir mais importante. Isso é amor! Amor que não tem humildade não é amor. Humildade, doçura, bondade, paciência. O ser humano é fraco, é limitado. Custa  a crescer, e cresce com o tempo.
Bondade, doçura, paciência. ‘Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente’. O que é suportar? Uma mesa com a perna quebrada precisa de um suporte. Suportar é segurar a fraqueza do outro. Mas suportar é também pegar uma alavanca, um suporte, para ajudar a movimentar algo pesado. Suportar é estender o braço na hora que o outro demonstra sua fraqueza. A mulher precisa ser suporte para o marido. O marido precisa ser suporte para a mulher. O casal precisa ser suporte para os filhos. A família precisa ser suporte para a sociedade.
Suportar é ter a capacidade de se sacrificar, de sofrer calado muitas vezes por causa do outro. Na hora que o outro levanta a voz, eu abaixo a minha. Não é criar pessoas perfeitas, isso não existe! Mas é saber suportar o outro. Na hora da fraqueza do outro, eu vou ser força para ele. O marido não pode chorar no ombro da mulher infelizmente chora no balcão do boteco. Ele chora no colo de uma prostituta.
Essa é a  diferença! Então o marido tem de ser o suporte da esposa, tem de ser o ombro para ela chorar no momento de fraqueza. Não precisa falar nada. É só chegar e dar um abraço. Quantos e quantos casais precisam descobrir que não é uma relação sexual, como o mundo mostra que precisa ter; que muito mais importante,  prazeroso e santo, muitas e muitas vezes, é uma leve passada de mão no cabelo, um aperto de mão, um beijo na testa. Eis o que importa! Mais que suportar, como São Paulo diz, é preciso perdoar mutuamente. ‘Ah, eu amava muito aquela pessoa, até que ela fez isso comigo, aí acabou!’ Nunca amou! A palavra perdoar já traz em si mesma a palavra amar, porque perdoar é per+doar, doar é dar-se. Então, o sinônimo mais perfeito de amar é doar.
Perdoar é amar por inteiro. E dar-se de novo, como Deus se dá a nós. É saber que nós  não somos perfeitos. Sabe qual é o grande segredo para perdoar? É começar a cada dia como novo que é, é não levar dia velho para dia novo. Deus não leva. Quando chega o final do dia, Ele pega o rascunho do dia e joga fora. E chega outro dia… Deus acredita muito em nós! Ele diz que hoje vai dar certo, prepara aquele dia como se fosse o ontem, o anteontem. Perdoar é dar-se. Perdoar é amar de novo, é amar por completo. Perdoar é curar o outro. Uma das grandes missões do matrimônio cristão é curar o outro. Marido, você foi escolhido de Deus e por Deus, para curar sua esposa. Quantas pessoas têm uma doença e vem me pedir para fazer uma oração. Eu tenho feito a seguinte pergunta para muitas delas: A senhora já pediu a seu marido para impor as mãos sobre a senhora e orar? Infelizmente, na grande maioria das vezes nem a mulher reza pelo marido nem o marido pela mulher.
Que tristeza! Vivem juntos. Dormem juntos. Ficam nus um diante do outro, mas não têm coragem de se abençoarem mutuamente. Não rezam um pelo outro. Marido! A sua mão tem dom de cura para sua mulher. Mulher! A sua mão tem dom de cura para seus filhos. Filhos! Vocês têm dom de cura para seus pais.
Além de rezar uns pelos outros, a família precisa ser laboratório de perdão mútuo. Perdoar é não ficar olhando para trás.´

Trecho retirado do livro ´Famílias Restauradas´, de Padre Léo.

Trate todos os filhos com igual afeto

Crie fortes laços de união entre eles

A criança e o jovem facilmente percebem quando um irmão é mais bem tratado ou desejado do que ele, e isso os ofende. Por isso, os pais têm de tomar todo o cuidado para que isso não ocorra.

Os filhos são todos diferentes e precisam ser tratados de maneira diferente, mas não se pode dar menos carinho e atenção a um deles. Isso pode acontecer, por exemplo, quando um dos filhos, por razões de saúde, precisa de mais atenção. Neste caso, os outros filhos têm de ser preparados para que também eles façam algo mais pelo mais fraco. Isso os ajudará a superar um possível ciúme devido ao tratamento especial dado ao mais fraco.

É muito importante os pais saberem criar fortes laços de união entre os filhos; ensinando-os a serem responsáveis uns pels outros desde pequenos; mais tarde, eles se ajudarão mutuamente. Lembro-me de meu pai sempre nos dizendo: “quem estiver bem na vida ajude o irmão que precisar”. E não se pode permitir que cresça entre os irmãos qualquer sentimento de ciúme, rancor, inimizade etc. Quando os pais notarem que algo desse tipo complica o relacionamento de dois irmãos, é preciso, logo, com sabedoria, aproximá-los e dissipar todo problema.

Da mesma forma, quando a mãe espera o segundo filho, saiba valorizar, diante do primeiro, a beleza de logo ter um irmãozinho para brincar, correr, conversar; isso evitará o ciúme.

Há adultos que carregam, pela vida toda, o fato de terem sido preteridos no lar. Lembro-me que minha mãe era muito cuidadosa ao dividir o saco de balas que meu pai, de vez em quando, trazia para os nove filhos. Eram nove montinhos de balas todos iguais. A justiça deve ser cultivada no lar desde a infância dos filhos para que eles logo assimilem essa importante lição.

Quando dois filhos forem dividir alguma coisa, faça com que um divida, mas seja o outro a escolher a sua parte em primeiro lugar. Um reparte e o outro escolhe, assim haverá justiça.

(Extraído do livro “Educar pela conquista e pela fé”)
Felipe Aquino
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Pai Nosso: a oração dos filhos

Jesus Cristo nos ensina a nos dirigirmos a Deus como Pai

Com o Pai Nosso, Jesus Cristo nos ensina a nos dirigirmos a Deus como Pai: “Orar ao Pai é entrar em Seu mistério, tal como Ele é, e tal como o Filho no-lo revelou: “A expressão Deus Pai nunca fora revelada a ninguém. Quando o próprio Moisés perguntou a Deus quem Ele era, ouviu outro nome. A nós este nome foi revelado no Filho, pois este nome novo implica o novo do Pai” (Tertuliano, De oratione, 3)» (Catecismo, 2779).

Ao ensinar o Pai Nosso, Jesus revela também a Seus discípulos que eles foram feitos partícipes de Sua condição de Filho. Mediante a revelação desta oração, os discípulos descobrem uma especial participação deles na filiação divina, da qual São João dirá no prólogo de seu Evangelho: “A quantos acolheram-No (isto é, a quantos acolheram ao Verbo feito carne), Jesus deu o poder de chegar a ser filhos de Deus” (Jo 1,12). Por isso, com razão, rezam segundo seu ensino: Pai Nosso”.

Jesus Cristo sempre distingue entre “meu Pai” e “vosso Pai” (cf. Jo 20,17). De fato, quando Ele reza, nunca diz Pai Nosso. Isto mostra que Sua relação com Deus é totalmente singular. Com a oração do Pai-Nosso, Jesus quer fazer conscientes Seus discípulos de sua condição de filhos de Deus, indicando, ao mesmo tempo, a diferença que há entre Sua filiação natural e nossa filiação divina adotiva, recebida como dom gratuito de Deus. 

A oração do cristão é a oração de um filho de Deus  que se dirige a seu Pai com confiança filial, a qual “se expressa nas liturgias de Oriente e de Ocidente com a bela palavra, tipicamente cristã: ‘parrhesia’, simplicidade sem rodeios, confiança filial, segurança alegre, audácia humilde, certeza de ser amado (cfr. Ef 3, 12; Hb 3, 6; 4, 16; 10, 19; 1 Jo 2, 28; 3, 21; 5, 14)” (Catecismo, 2778). O vocábulo “parrhesia” indica, originalmente, o privilégio da liberdade de palavra do cidadão grego nas assembleias populares, e foi adotado pelos padres da Igreja para expressar o comportamento filial do cristão ante seu Deus. Ao chamar Deus como ‘Pai Nosso’, reconhecemos que a filiação divina nos une a Cristo, “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8, 29), por meio de uma verdadeira fraternidade sobrenatural. A Igreja é esta nova comunhão divina e dos homens (cf. Catecismo, 2790).

Por isso, a santidade cristã, ainda sendo pessoal e individual, nunca é individualista ou egocêntrica: “Se rezamos verdadeiramente ao nosso Pai, saímos do individualismo, pois o amor que acolhemos nos liberta. O adjetivo ‘nosso’, no começo da oração do Senhor, bem como o ‘nós’ dos quatro últimos pedidos, não exclui ninguém. Para que se diga em verdade (cfr. Mt 5, 23-24; 6, 14-16), devemos superar nossas divisões e oposições” (Catecismo, 2792).

A fraternidade, que estabelece a filiação divina, estende-se também a todos os homens, porque, em verdadeiro modo, todos são filhos de Deus —criaturas suas— e estão chamados à santidade: “Na terra, há apenas uma raça: a dos filhos de Deus”. Por isso, o cristão tem de se sentir solidário na tarefa de conduzir toda a humanidade para Deus.

A filiação divina nos impulsiona ao apostolado, uma manifestação necessária de filiação e fraternidade: “Pense nos demais —antes que nada, nos que estão a Seu lado— como nos que são filhos de Deus, com toda a dignidade desse título maravilhoso”.

Temos de nos portar como filhos de Deus com os filhos d’Ele: o nosso tem de ser um amor sacrificado, diário, feito de mil detalhes de entendimento, de sacrifício silencioso, de entrega que não se nota.

Manuel Belda
http://www.opusdei.org.b

Ainda não descobri a minha vocação. O que eu faço?

Aprendi que Deus não nos chama uma vez só

Vivemos num tempo em que a infância dura menos e a juventude dura mais. No meio deste caminho, a idade das mudanças e indecisões – a adolescência – parece nunca ter fim. Existem crianças que aos 10 anos (às vezes menos) têm sua sexualidade acordada e vivida como se fossem adolescentes em tempos de crises e descobertas. Isso que deveria ser uma rápida e incômoda transição acaba se prolongando por muitos anos. Encontrei um “jovem” de 35 anos que tinha todos os ares de adolescente e me confidenciou: “Ainda não descobri a minha vocação. O que eu faço?”.

Existe uma tirania da nossa “modernidade líquida, relativista e subjetivista” que ilude nossa juventude vendendo a liberdade ao preço da solidão. O resultado é o estresse, a depressão e uma incrível indecisão. O que fazer da sua vida? Qual a sua vocação? Neste momento, temos que colocar alguns pingos nos “is” e deixar claros alguns conceitos para que essa ponte quebrada seja atravessada com segurança.

É preciso dizer que a vocação, antes de se ser uma resposta, uma opção, é um chamado de Deus. E Ele chama a todos indistintamente para a “vida”. Sobre esta vocação, não precisamos ter qualquer dúvida. Um dia fomos chamados a ser quem somos e onde somos. Não escolhemos nossos pais. Não escolhemos nossa cor, cultura, origem, povo, raça e nação. Quando tomamos consciência da vida, já estávamos aí. Essa vocação de raiz não exige nenhum discernimento. Exige aceitação, cultivo e gratidão.

Depois, fomos chamados à vida cristã. Quem foi batizado na infância teve o sacramento do Crisma para confirmar a sua decisão de pertencer ao povo de Deus na Igreja Católica. Aqui, já é preciso discernimento. Não basta receber a fé dos pais. É preciso fazer a sua própria experiência de fé. Hoje em dia, quem nasce católico só permanecerá católico se se converter a partir de uma experiência pessoal de Deus na Igreja Católica. Mas ainda aqui, nesse nível, não me parece que as pessoas tenham muitos problemas vocacionais. O problema vem quando é necessário escolher o seu estado de vida dentro da comunidade cristã.

No Cristianismo católico ocidental, temos três estados de vida. O cristão pode ser um fiel leigo, um religioso(a) consagrado(a) ou um ministro ordenado (diácono ou sacerdote). São estes os três estados de vida. Muitos jovens cristãos católicos entram em crise na hora de discernir sua vocação ao estado de vida.

Devo dizer que basicamente todo cristão é leigo, pois esta palavra significa “povo de Deus” (laós em grego). Então, a coisa fica mais fácil. Todos nós somos povo de Deus. A menos que o próprio Deus nos chame para uma “consagração” ou nos dê uma “ordem”. Aprendi que Deus não nos chama uma vez só. Ele é insistente com os que escolhe. Mas se você estiver em dúvida, vou lhe dar uma dica prática. Se acha que está ouvindo a voz de Deus para ser padre, entre para um seminário. Não significa que será sacerdote, mas ali terá as condições de ouvir melhor o chamado. Apenas 5% dos que entram para o seminário ficam padres. Os outros percebem que o chamado era outro. Mas não ficam mais na dúvida. A mesma coisa em relação à vida consagrada. Tenha coragem de entrar em um processo de discernimento. Em questão de vocação, a pior coisa é ficar parado. Dê um passo sem medo que seja o errado. Se for sincero, Deus o colocará no rumo certo.

Agora, o conselho contrário. Mesmo que sinta um certo chamado à vida consagrada ou sacerdotal, não dê esse passo por falta de opção. Todos os que Jesus chamou estavam ocupados e deixaram tudo para segui-Lo. Mesmo que você tenha namorado(a) e um ótimo emprego, isso será apenas uma confirmação vocacional se você deixar tudo para seguir o Senhor. Desocupados ficarão sempre na incerteza ou na indecisão. Quem deixa tudo para seguir o Mestre tem o sinal da confirmação vocacional em seu coração.

Padre Joãozinho, SCJ
http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/

As exigências do Pai Nosso

Crer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes!

Sabemos que esta é a “Oração perfeita”, pois saiu do coração de Jesus quando um dos discípulos pediu-lhe que os ensinassem a rezar (Lc 11,1). São sete pedidos perfeitos ao Pai. Saudamos a Deus como Pai – uma ousadia de amor – e lhe fazemos três pedidos para a Sua Glória e realização de Sua santa vontade, e mais quatro pedidos para nossas necessidades.

O Pai Nosso é o resumo de todo o Evangelho, como disse Santo Agostinho, “Percorrei todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na Oração do Senhor”.

No Sermão da Montanha e no Pai Nosso a Igreja ensina que o Espírito Santo dá forma nova aos nossos desejos, o que anima a nossa vida. De um lado Jesus nos ensina uma “vida nova”, por palavras, e por outro lado nos ensina a pedi-la ao Pai na oração, para a podermos viver.

É a oração dos filhos de Deus, que deve ser rezada com o coração, na intimidade com o Pai, para que se torne em nós “espírito e vida”. Isto é possível porque o Pai enviou aos nossos corações o Espírito do Seu Filho que clama em nós Abba, Pai. (Gal 4,6), e nos fez seus filhos adotivos em Jesus Cristo.

De pecadores que somos, mas perdoados em Cristo, podemos levantar os olhos para o Pai e dizer “Pai Nosso”.

Crer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes:

1 – Conhecer a majestade e a grandeza de Deus. “Deus é grande demais para que o possamos conhecer”(Jó 36,26). Santa Joana D`Arc disse, “Deus deve ser o primeiro a ser servido”.

2 – Viver em ação de graças. Tudo o que somos e possuímos vem Dele. “Que é que possuis que não tenhas recebido?”(1Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que Ele me fez?”(Sl 116,12).

3 – Confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo”(Mt 6,33).

4 – Conversão continua e vida nova. Desejo e vontade de assemelhar-se a Ele, pois fomos criados a sua semelhança.

5 – Se comportar como filho e não como mercenário que age por interesse ou escravo que obedece por temor.

6 – Contemplar sem cessar a beleza do Pai e deixá-la impregnar a alma.cpa_como_fazer_a_vontade_de_deus

7 – Cultivar um coração de criança, humilde e confiante no Pai, pois é aos pequeninos que Ele se revela.

8 – Conversar com Deus como seu próprio Pai, familiarmente, com ternura e piedade.

9 – Ter a esperança de alcançar o que lhe pede na oração. Como Ele pode nos recusar alguma coisa se nos aceitou adotar como filhos.

10 – Conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, todos criados a imagem e semelhança de Deus (Gen 1,27).

11 – Desapegar-se das coisas que nos desviam Dele. “Meu Senhor e meu Deus, tirai de mim tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me inteiramente a vós.” (S. Nicolau de Flue).

O Pai nos ama tanto que não nos quer perder de forma alguma para os deuses falsos que querem lhe roubar a glória e o nosso coração. Por isso o Pai nos corrige com “correção paterna”(cf. Hb 12,4s). Nem sempre entendemos os seus mistérios, mas Ele sabe o que precisamos e conduz a nossa vida com amor.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja disse, `Tudo procede do amor, tudo está ordenado a salvação do homem, Deus não faz nada que não seja para esta finalidade”.

Prof. Felipe Aquino

As nove virtudes do homem que agrada o coração de Deus

Masculinidade

São José será nossa fonte inspiradora para refletirmos sobre as nove virtudes que agradam o coração de Deus

Jesus Cristo é o Homem perfeito. Mas seu pai adotivo, José, foi quem O inseriu nos ofícios e dinâmicas deste mundo. Sem dúvida, Cristo nasceu com todo potencial, mas Deus Pai providenciou que José fosse o escolhido para ensinar ao Menino Jesus o que é ser homem. A masculinidade é aprendida, passada de geração em geração, nisso o menino ou o jovem tem de se esforçar, lutar para ser virtuoso. Por isso, São José será aqui nosso modelo e fonte inspiradora das nove virtudes do homem que agrada o coração de Deus.

1 – Casto
São José é conhecido na tradição da Igreja como modelo de castidade. Essa virtude dá ao homem o domínio de si mesmo e, portanto, liberdade interior. O homem de Deus precisa se exercitar na pureza para aprender a não ser arrastado por seus impulsos e assim conseguir optar por escolhas grandiosas.

2 – Honrado
Pela forma como se referem a Jesus, “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13, 55), nos dá a entender que a profissão de seu pai seria a referência de José na cidade onde moravam. Daí, podemos também supor que era fácil encontrá-los em Nazaré, sua oficina e sua casa, pois não precisavam se esquivar de ninguém. José tinha um bom nome, honrava seus prazos e sua palavra. O homem, segundo o coração de Deus, é honrado. Se ele promete, cumpre. Se errou, assume. Seu nome e sua reputação são como que a assinatura de sua pessoa como um todo, sua palavra é sempre de honestidade.

3 – Trabalhador  
A mesma citação – “o filho do carpinteiro” (cf. Mt 13,55) – pode designar uma pessoa que é conhecida pelo seu ofício; trata-se, portanto, de um ótimo profissional. José era um trabalhador talentoso. O ser masculino tem uma inclinação natural a ter, no trabalho, também um sentido existencial. A impressão de que sua profissão é extensão dele mesmo.

Frequentemente, nas obras de artes – esculturas e pinturas –, vemos uma mulher posando (parada e expondo sua beleza) e os homens quase sempre em posição de movimento, fazendo algo. Não imaginamos um homem sem o trabalho!

4 – Lutador
Olhe o esforço de São José nos primeiros anos de vida do Menino Jesus para preservar a vida do Filho de Deus e Sua Mãe Maria. José renunciou a tudo o que já tinha para preservar os seus. O homem de Deus é um lutador. O Senhor convida Seus profetas, na Sagrada Escritura, e, constantemente, os coloca em luta contra um inimigo público, contra forças espirituais; Ele os ensina a batalhar por sua família, pelo seu povo e pela causa do Reino de Deus.

5 – Fiel  
Sem dúvida, o fato de Maria, enquanto noiva de São José, ter ficado grávida, significou para ele uma grande prova. Papa Francisco disse a esse respeito: “Uma prova parecida com aquela do sacrifício de Abraão”, em ambos os casos, Deus “encontrou a fé que buscava e abriu um caminho de amor e felicidade” (22/12/2013). Um homem deve ser fiel, primeiramente a Deus, depois a sua mulher e família. As tentações passam, a fidelidade torna o homem forte de espírito. Seja fiel até o fim!

6 – Cavalheiro
Difícil não imaginar José como um cavalheiro. Mas alguns fatos podem nos fazer supor isso de forma um pouco mais concreta. Por exemplo, quando Jesus aos doze anos se perde no templo, é Maria quem indaga Jesus na frente dos homens magistrados, numa sociedade que não contava mulheres e crianças. Por que não foi José quem o fez? Talvez, porque a Mãe participasse de forma mais intensa do ministério de Cristo, e José entendeu isso.

O homem de Deus é cavalheiro, porque associa sua força e propensão a ter atitude com sensibilidade e percepção. É atento e gentil sempre, mesmo em meio à crise, e não só na hora que quer conquistar uma mulher.

7 – Magnânimo
“José, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente” (Mt 1, 19). Este versículo demonstra a essência do coração do esposo de Maria. Ao saber da gravidez de sua noiva, José, num primeiro momento, deve ter imaginado que ela o tivesse traído, e a lei dos judeus condenava à morte a mulher que assim procedesse. Entretanto, mesmo sentindo-se injustiçado, a intenção desse homem de Deus revela sua disposição em garantir a vida da pessoa que ele amava e de uma criança inocente, e para ele isso significaria renunciar à sua carpintaria (seu sustento), sua casa (o “desposado” cuidava de construir e mobiliar o futuro lar), seu bom nome, sua reputação na cidade e, quem sabe, assim comprometer seu futuro.

Magnanimidade é bondade de coração, mas está além disso, é indulgência com nobreza. É compadecer-se do outro até em suas entranhas. É ser fiel, dar perdão, assumir a miséria do outro e fazer o bem mesmo quando se recebe um mal. É ter amor para oferecer mesmo quando a outra pessoa não o merece. O homem magnânimo é um gigante interiormente, ele doa de si não somente o que possui – seus talentos, dons materiais  e espirituais –, mas se entrega por  inteiro, até sua própria vida se preciso.

Imagine Maria, sabendo de seu esposo que ele teve a intenção de renunciar tudo em sua vida por causa de amor por ela! Imagine o olhar de amor que ela direcionou a ele! Que linda prova de amor José deu a Maria!

Faço aqui uma observação: Em minha juventude, conheci rapazes que tinham dinheiro, carro, eram “boa pinta” e bem populares entre as meninas. Contudo, das pessoas da minha geração, percebo que as mulheres que estão realmente felizes hoje são aquelas que se casaram com os homens que, desde aquela época, demonstravam ter um coração bom. Toda mulher merece ter um homem bom ao seu lado; no fundo, é o que elas esperam. O homem de coração magnânimo é um sinal e um reflexo de Deus nesta terra.

8 – Servo
São José escolheu ser servo, primeiramente de Deus. Por meio dos sonhos que tinha (e sonhos são coisas corriqueiras), ele entendeu que ali estavam as ordens do Senhor, e que era necessário cumpri-las. José não ficou questionando se aquilo era fruto de sua emoção causada pelos fatos que estavam acontecendo. Em tudo José foi obediente a Deus.

Também foi o servo de sua família. A Bíblia diz, “mas a cultura judia coloca o homem como chefe de sua família” (cf. Ef 5, 23). O pai terreno de Jesus fez de sua autoridade um serviço para os seus. Não usurpou dessa sua posição para obter direitos e favores dos membros de sua família. Pelo contrário, sacrificou-se, renunciou de si em favor de sua esposa e seu filho.

O homem segundo o coração de Deus entende que toda e qualquer autoridade nesse mundo deve ser vista como uma responsabilidade de amar e edificar aqueles que estão sob seus cuidados, seja família, subordinados no trabalho ou o povo do Senhor. Mas, acima de tudo, está a vontade de Deus.

9 – Justo
Todas as virtudes acima podem ser vistas como desdobramentos desta última. A Palavra define José como Justo (cf. Mt 1, 19). O significado bíblico dessa palavra se refere àquele que cumpre e pratica a Lei, tanto no termo jurídico – a pessoa que é idônea perante suas obrigações civis –, mas também a Lei do Senhor. José era irrepreensível quanto ao cumprimento dos preceitos e ritos religiosos, mas os fazia por um ardente amor ao Senhor, e não por prestígio entre os homens.

O homem precisa encantar-se com a Palavra e a Lei eterna do Altíssimo, pois, se ele dá a Deus o que é de Deus, não lhe será pesado dar a César o que pertence a César. Ser justo é ser santo. O homem que agrada a Deus busca constantemente a santidade.

Peçamos a intercessão de São José, pois o mundo está precisando cada vez mais de homens que tenham a coragem de entregar a vida deles a Deus, deixarem-se ser conduzidos por Ele e, dessa forma, trazerem um pouco da alegria do céu para viver já aqui nesta terra.

São José, rogai por nós!

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.

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