Com a Palavra

A Escatologia errônea das seitas

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Ao passar dos séculos, diversas civilizações e muitos indivíduos quiseram julgar, interpretar e catalogar a data especifica do fim dos tempos. Os maias, civilização indígena da América Central, por exemplo, antes mesmo de Cristianismo chegar as Américas, fizeram uma previsão do fim. Ao que constam, várias seitas e hereges tentaram ao longo dos anos preverem quando seria e se daria o advento de Cristo, mas falharam.
Não é um típico fenômeno de nossa época, existirem estes grupos. Se estudarmos de forma exegética as Sagradas Escrituras perceberemos que já na segunda epístola de Paulo aos Tessalonicenses (3, 10-12). Registra-se a existência de pessoas desordeiras que davam ouvidos à aqueles que diziam que o fim estava próximo e por isso deixaram seus afazeres civis esperando o retorno de Jesus Cristo. Entretanto, São Paulo os corrige duramente dizendo que se não trabalhassem não teriam também o direito de comer.
Não só foram estes como demonstrado contextualmente nas Escrituras há cerca de mil e novecentos anos atrás, nos últimos 50 anos cresceram os grupos sectários e seitas “cristãs” que disseminam de forma literal e como eminente a volta de Jesus.
Na edição de 15 de novembro de 1984, as Testemunhas de Jeová publicaram seu material “A Sentinela” dizendo que a geração de 1914 não passaria. Diz ainda tal material que ao menos parte dessa geração viveria o bastante para ver a concretização de todas as profecias de Jesus.
Mas não foram somente as TJ que quiseram predizer o que nem Jesus sabe (cf. Mt 24, 36). Os adventistas também quiseram marcar a volta de Cristo para o ano de 1843. Nos dias atuais, os adventistas dizem que o fim será “em breve”.
Curioso é o arranjo dessas seitas. Os adventistas, por exemplo, não parecem, ao menos em princípio, ter um estudo profundamente exegético e escatológico das Sagradas Escrituras. Seus teólogos inventaram que o Papa seria a besta do apocalipse, mas não conseguiram provar com sólidos argumentos esta falácia. Exemplo é o suposto titulo que assimilam como nome de cargo “Vigário do Filho de Deus”, os adventistas concluem que a soma dessa frase em latim (Vicarivs Filli Dei) resulta em no total de 666, o número da besta. Entretanto, a soma correta resulta em 664 e não em 666.
Outro problema para esta compreensão é o fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego, e não em latim; seria mais lógico que a soma resultasse 666 em grego ou hebraico, que era a língua dos judeus, mas jamais em latim [pois os autores desconheciam primariamente e língua latina]. Existe outro problema que reside no fato de que o Papa, ao que consta, jamais foi chamado canonicamente de “Vigário do Filho de Deus”, mas sim de Vigário de Cristo como é comumente utilizado. A exegese católica sugerem que a besta como narrada pelo Apocalipse tenha sido um imperador romano, como César Nero, perseguidor de cristãos, mas o significado real é incerto.
Os adventistas por várias vezes também foram acusados de plágios e mentirosos dentre eles, ex-membros da seita. Além de tudo isso, os adventistas demonstram um apego exagerado à lei dos judeus. Essa lei consistia em uma série de dietas alimentares, hábitos de lavar as mãos, guardar o sábado, circuncidar os fiéis e vários outros preceitos. A lei antiga foi, todavia, abolida por Jesus no Novo Testamento da Bíblia, especificamente “levada a perfeição” (cf. Lc 6, 5; Gl 4, 4-5; Rm 10, 4; Gl 4, 10-11, Gl 5, 4; Mt 15, 1-11; At 15, 1-30).
O Senhor Jesus ensinou-nos que toda a planta que o Pai não plantou será arrancada pela raiz (cf. Mt 15, 13) e certamente, essa é uma planta, assim como outros que o Pai não plantou. São Paulo também alerta que a lei é o ministério da morte e que o ministério de Cristo é algo muito superior a lei (cf. II Cor 3, 7-8).
Há muitos equívocos vindos das “hermenêuticas” destas seitas como as Testemunhas de Jeová, que por sua vez condenam a doação de sangue, a política e a submissão ao estado. Ora, a submissão ao estado é claramente recomendada por São Paulo (cf. Rm 13, 1-7). Essas duas seitas teimaram, conforme já visto, em prever o fim dos tempos e têm várias outras similaridades. As TJ têm, entretanto, um ponto extremamente diferente, pois negam a divindade de Cristo, o que é dito as claras São João (cf. Jo 1, 1-18).
Para a exacerbada preocupação dessas duas seitas com os “tempos do Fim”, entretanto, Jesus deixa uma mensagem reveladora. Que segundo a qual ninguém siga as pessoas que pregam que o fim está próximo (cf. Lc 21, 8).
Essas duas seitas, todavia, fazem mais que pregar o fim dos tempos. Pregam com terror que são as únicas igrejas de Cristo, ameaçando as pessoas a uma destruição eterna se não as seguirem, tendo em vista que nem uma e nem outra acreditam na existência do inferno.
Jesus disse que não devemos nos preocupar com o fim dos dias. Antes é melhor preocupar com o nosso fim, praticando o amor, que é a maior das virtudes (cf. 1Cor 13). É triste ver como comunidades e movimentos que intitulam-se cristãos possuem essa filosofia terrorista e pregação do medo, aspecto principal do fundamentalismo religioso, ameaçam as pessoas e defendem que apenas 144.000 pessoas serão salvas como dizem as TJs ou que são a igreja remanescente do Apocalipse, como afirmam ser os Adventistas, mas parece que seus adeptos pelo Mundo superam os dados de 144.000.
Que possamos tratar no amor de Deus, estes homens e mulheres que não alcançaram a verdade plenamente. Rezemos para aprender a cumprir nosso dever em viver os ensinamentos contidos nos Evangelhos e não a usá-los com a finalidade de ameaças, sim com apego a verdade. O senhor não veio para condenar, mas para salvar os que estavam perdidos (cf. Lc 19, 10).
Por fim não podemos usar o Evangelho para pregar um Reino de Deus através do medo e condenação como fazem os fundamentalistas, que possamos junto aos nossos pastores na fé proclamar o evangelho unidos a única e verdadeira Igreja fundada por Cristo e entregue a Pedro (cf. Mt 16, 18). É desta forma incoerente crer nos adventistas e nas testemunhas de Jeová, bem como outros grupos, para tributarmos confiança a estas fundações humanas e falhas, deveríamos pensar que Jesus tardou mais de 1800 anos para fundar sua Igreja, o que significa um erro crasso. Na concepção ideológica dessas comunidades, isso significa automaticamente que por mais de 1800 anos as almas se perderam, já que ninguém se salvará fora delas. Não é isso, entretanto, que Jesus pregou, fundando sobre São Pedro a sua única Igreja, que se manterá até “o fim do mundo” (cf. Mt 28, 20).

Notas: TJ; siglas que significam abreviadamente “Testemunhas de Jeová”

Referências: EX TESTEMUNHAS DE JEOVA. 1914 A geração que não passará, profetizou a Torre. Disponível em: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=46&t=3700 Acesso em: 14 novembro 2010.
DE CASTRO, F. C. O Apocalipse hoje. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1989, p. 123-132.
REA, P. W. T. A mentira branca. Edições eletrônicas. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/3288026/A-Mentira-Branca-Walter-T-Rea Acesso em: 14 novembro 2010.
ARAÚJO, U. T. A Igreja de vidro. Edições eletrônicas, disponível em: http://www.veritatis.com.br/ebooks/a_igreja_vidro.pdf Acesso em: 14 novembro de 2010.
DE MELO, F. R. Religião e religiões: perguntas que muita gente faz. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1997, p. 79-83; 85-90.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/

 

Dobrar Deus? “Orações todo-poderosas”

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Em síntese: Não há orações todo-poderosas, como por vezes se diz na linguagem popular. Desde toda a eternidade, Deus já decretou que Ele quer dar, e a sua vontade é imutável. Rezamos então não para o dobrar Deus, mas para colaborar com Ele, visto que, ao decretar dar-nos algo, Ele o fez incluindo a nossa oração: Ele quer dar, mas quer que o peçamos.

Encontram-se por vezes nas Igrejas folhas de papel portadoras de orações “todo-poderosas”, desde que a maneira de proceder ali indicada seja fielmente cumprida. Passamos a analisar essa temática.

1. Análise de exemplares

Apresentaremos três modelos de oração dita infalível:

1.1. Oração das 13 almas

“Oh! minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas, a vós peço pelo amor de Deus, atendei o meu pedido. Minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas, a vós peço pelo sangue que Jesus derramou, atendei o meu pedido, pelas gotas de suor que Jesus derramou do seu sagrado corpo, atendei o meu pedido. Meu Senhor Jesus Cristo, que a vossa proteção me cubra, vossos braços me guardem no vosso coração e me protejam com os vossos olhos, Oh! Deus de bondade, vós sois meu advogado na vida e na morte, peço-vos que atendei os meus pedidos e me livrai dos males e dai-me sorte na vida. Segui meus inimigos que os olhos do mal não me vejam, cortai as forças dos meus inimigos. Minhas 13 almas benditas, sabidas e entendidas se me fizerem alcançar esta graça, ficarei devota de vós e mandarei imprimir 200 desta oração mandando também rezar uma missa.

Reza-se 13 Pai Nossos e 13 Ave Marias, 13 dias.”

Pergunta-se: quem são essas treze almas? Já o número 13 é suspeito por estar muito ligado à superstição.

O pedido insistente de defesa contra os inimigos é uma das linhas- mestras das religiões afro-brasileiras, que atribuem todos os males a espíritos superiores que se encostam no ser humano. – Tal oração será uma adaptação da mentalidade umbandista à linguagem cristã?

Essas 13 almas benditas, sabidas e entendidas são tão poderosas quanto Deus é?

1.2 Novena Milagrosa das Sandálias de Santo Antônio

“Reze durante Novembro terça-feira, com uma vela acesa sobre esta sola de sandália cinco Pai Nosso, cinco Ave-Maria, cinco Glória ao Pai. Quando acabar de Rezar, apague a vela e guarde para as outras terça- feira. Na última terça-feira, deixe que ela se queime até o fim. Faça dois pedidos difíceis de serem realizados e um pedido para sua melhoria geral.

A cada terça-feira, distribua três cópias desta novena. Se não tiver ninguém para quem dar as cópias, deixe-as em uma igreja junto a uma imagem de Santo Antônio. Esta novena é infalível. Quem não tem fé vai comover-se.”

Superstição é atribuir efeito maravilhoso a causas que a lógica e o bom senso não justificam. Donde a pergunta: Por que a sandália do Santo? Por que durante o mês de novembro?

Quem prometeu infalibilidade a tal prática? Certamente não o próprio Deus; nem Santo Antônio obteria isto de Deus.

1.3 Pedido Especial

“Oh, Mãe querida Nossa Senhora Aparecida

Oh, Santa Rita de Cássia.

Oh, meu Glorioso São Judas, protetor das Causas impossíveis,

Santo Expedito, o Santo da última hora.

Santa Edwiges, a Santa dos necessitados.

Vós, que conheceis meu coração angustiado,

Intercedei junto ao Pai por mim (pedir a graça).

Eu vos glorifico e vos louvo sempre.

Curvar-me-ei diante de vós… Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

Confio em Deus com todas as minhas forças, e peço que ilumine o meu caminho e a minha vida. Amém.

Atenção: rezar por três dias. Faça 25 cópias, e deixe na igreja, para sua propagação. Observe o que acontecerá no quarto dia. Sua graça será alcançada por mais difícil que seja.”

Esta oração começa por invocar seis Santos, nivelando de certo modo a virgem Ssma.com Santo Expedito, cuja existência é posta em dúvida.

Pergunta-se de novo: quem garante a eficácia de tal prece? Não é o próprio Deus; o único Onipotente. Ninguém pode garantir a ocorrência de um evento livre senão o próprio Deus.

Dizemos então que tais concepções dependem de uma mentalidade da mágica ultrapassada pela lógica e a mentalidade científica: Deus é imutável e não pode ser dobrado pela vontade humana nem a troco dos mais requintados artifícios. Indaga-se então:

2. Por que devemos orar?

Se Deus não modifica seus desígnios quando o homem lhe pede algo muito razoável e santo, por que oramos?

Respondemos: Deus decretou irrevogavelmente dar-nos o que nos convém, incluindo nesse desígnio a colaboração do homem pela oração. Oramos não para que Deus faça a nossa vontade, mas para que nós façamos a vontade dele à semelhança do que Jesus fez quando disse: “Que este cálice passe sem que eu o beba; faça-se, porém, a tua vontade e não a minha” (Mc 14, 36).

S. Agostinho comenta os fatos:

“Vós tratais o homem como um doente a restabelecer; dais-lhe quando julgais oportuno que ele receba; e dais-lhe segundo a sua necessidade. Por vezes, exprimimos a Deus um desejo que Ele não escuta; Ele sabe a hora em que convém dar-nos, porque vela sobre nós.

Porque digo eu isto, meus irmãos? Porque acontece, por vezes, que alguém não é ouvido quando pede coisas perfeitamente legítimas, ao passo que Deus pode escutar um pedido injusto, para castigo de quem pede. Quando pedires uma coisa perfeitamente justa e não fores escutado, não percas a coragem, não percas o ardor; fixa os olhos no alimento que Deus dá em tempo oportuno.

Quando Deus recusa dar, não dá para que o seu dom não se torne para nós um prejuízo. Paulo não fazia uma súplica injustificada quando pedia a Deus que o libertasse do espinho na sua carne, esse anjo de Satanás que o esbofeteava. Pediu e não recebeu. Era tempo de provar a sua fraqueza e não de lhe dar alimento: Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a minha força se manifesta.

O diabo pediu a Deus para pôr Jó à prova, e foi-lhe concedido. Meditai bem nisto, meus irmãos, porque é um grande mistério que devemos conhecer, recordar, ter sempre presente no espírito e nunca esquecer, porque nesta vida nunca nos faltarão provações.

Que direi? Há de comparar-se o Apóstolo ao diabo? O Apóstolo reza e não recebe; o diabo pede e obtém. Mas o diabo obtém para sua perda, enquanto Paulo não recebe para poder progredir na perfeição. O próprio Jó foi curado a seu tempo. Mais depressa foi escutado o demônio para tentar a Jó, do que Jó para lhe ser restituída a saúde. Deus difere, para pôr à prova. Aprendei a não murmurar contra Deus, e quando não fordes atendidos, não cesseis de dizer: todos os dias Vos bendirei”.

Mentalidade bem diferente daquela que nos passa no “Orações todo- poderosas”. É Deus quem governa e rege, e não os homens.

APÊNDICE

À guisa de complemento, segue-se uma notícia de ação-oração mágica, colhida em VEJA, edição de 13/02/2008:

Há vinte dias, um vereador da cidade gaúcha de Pelotas protagonizou uma sessão de exorcismo na tribuna da Câmara de Vereadores local. Cláudio Insaurriaga, um político do PV que usa a alcunha de Cururu, disse à repórter Mariana Amaro que o objetivo do ritual era anular um feitiço vodu feito contra cinco de seus colegas.

Veja – O que o motivou a fazer o exorcismo?

Cururu – Encontraram um caixão com sete bonecos. Cinco estavam espetados com alfinetes e tinham as fotos dos membros da mesa diretora. Os dois outros representavam os mandantes que estavam de um lado do caixão rindo da desgraça dos outros. Ai, disseram que eu devia fazer um desmanche.

Veja – Tinha de ser na tribuna da Câmara?

Cururu – O desmanche devia ser feito no lugar mais nobre da Casa. Por isso, eu me inscrevi para falar e usei a tribuna para o exorcismo.

Veja – Como foi o ritual?

Cururu – Tirei os alfinetes dos bonecos para libertar os vereadores da magia negra. Depois, decapitei os bonecos dos autores. Usei até uma imagem do diabo.

Veja – O senhor já tinha feito isso antes?

Cururu – Não. Segui minha intuição e conselhos de religiosos. Usei uma mesa de amuletos para exorcizar a maldade e vesti trajes apropriados.

Veja – Apropriados…

Cururu – Uma bata branca, uma coroa de espinhos e um crucifixo. Não frequento igreja, mas sou cristão. Pela Constituição, tenho o direito de me vestir à semelhança de Cristo. Não me importo com o que meus adversários dizem.

Veja – O que eles dizem?

Cururu – Que quero aparecer.

Pergunta-se qual a filosofia suposta por esse ritual?

Supõe-se que o inimigo esteja presente ao boneco que o representa, de modo que os danos causados ao boneco recaem sobre o adversário.

Supõe-se outrossim que o diabo seja auxiliar dessa prática de “carrego” como de “descarrego”.

Supõe-se ainda que, além do diabo, haja entidades superiores ao mago que colaboram com ele mediante a observância de roupagem correspondente.

Ora tais premissas carecem de toda base racional e científica; são crendices do homem primitivo, que até hoje subsistem ao lado da tecnologia moderna. O homem sente-se sempre pequeno e ameaçado pelos desafios da vida e, na falta da fé correta, imagina o seu panteon e a ele recorre. Falta-lhe a instrução religiosa…

Jurar a Deus – A promessa e…

… o poder dos Sacramentos

Por Pe. Inácio José Schuster

Os Sacramentos da Igreja são as maiores fontes de poder, de vida e de possessão. São os juramentos da aliança que introduzem a gente na família de Deus. É o meio ordinário pelo qual Deus dirige o curso de cada vida humana, e também da história do mundo. São os Sacramentos na Igreja, o que são em minha vida, e o que pretendeu originalmente Jesus que fossem. Os Sacramentos da iniciação cristã são o Batismo, a Eucaristia e a Confirmação. Os sacramentos de cura são a Penitência e a Unção dos enfermos. Os sacramentos do serviço, da vocação são o Matrimônio e as sagradas Ordens (diaconado, presbiterado e episcopado). No Oriente, a Confirmação muitas vezes se chama “Crismação”. No Ocidente, a Penitência às vezes se chama “Confissão” ou “Reconciliação”.

O que é um Sacramento
Os velhos catecismos o definiram como “sinal externo instituído por Cristo para dar a graça”, e tal definição ainda é válida. Mas Cristo mesmo estava construindo sobre algo quando estabeleceu os Sacramentos. Estava construindo sobre os rituais da aliança do antigo Israel. Os atos essenciais do povo escolhido eram a adoração, e também os atos de pertença à família de Deus. Os rituais da aliança estabeleciam tanto a incorporação a essa família (pense-se na circuncisão) ou a restauração quando a união se quebrava (pense-se nas oferendas pelo pecado no Antigo Testamento). As alianças implicam quase sempre um juramento, pelo menos implícito. Incluíam muitas vezes um sacrifício, e também uma comida sagrada. A palavra sacramento fez originalmente a conexão para os cristãos. Vem da palavra latina sacramentum, que significa “juramento”.

Diferenças entre uma aliança e um contrato
Um contrato intercambia mercadorias e serviços; uma aliança intercambia pessoas. Um contrato diz “isto é teu, e isso é meu”; uma aliança diz “sou teu, e tu és meu”. Uma aliança forma uma família. O matrimônio e a adoção são relações de aliança. A intenção de Jesus era construir sobre a idéia do Antigo Testamento da aliança. De fato, Ele indicou isto explicitamente quando estabeleceu o sacramento da Eucaristia na Última Ceia. Quando abençoou o cálice, chamou a seu conteúdo “o sangue da aliança.” Mais adiante no Novo Testamento, a Carta aos Hebreus utiliza o termo “nova aliança” para descrever a Redenção conseguida por Jesus Cristo. A Carta aos Hebreus tem grande interesse em demonstrar a relação entre os rituais da antiga Aliança e os sacramentos da nova Aliança. A diferença é grande. Os Sacramentos são rituais da aliança. Significa que nossa salvação não é simplesmente um decreto da sala do tribunal de um juiz. É o princípio da vida numa família. Agora somos filhos de Deus. Incorporados a Cristo pelo Batismo, nós já – agora – participamos na vida eterna da Trindade, uma vida que esperamos conhecer com maior plenitude no céu. Todas as alianças do antigo testamento se referiam à pertença à família de Deus e gozar da vida que acompanha a essa herança: viver na paz, em meio da abundância, na terra prometida. Jesus veio não para abolir essa aliança senão para construí-lo nela e aperfeiçoá-la. Sabemos agora que nossa terra prometida é maior que qualquer parcela da terra. É o céu.

O papel que desempenharam os juramentos nos rituais antigos da Aliança 
Os velhos rituais da Aliança incluíram quase sempre juramentos, explícita o implicitamente. Quando alguém faz um juramento, invoca o nome de Deus, e assim é como acede ao poder de Deus. Mas também se submete a seu juízo: há bênçãos sobre o cumprimento do juramento, e maldições se ela rompe o juramento. Quando uma testemunha num julgamento põe sua mão na Bíblia, está assumindo sobre si todas as bênçãos que se encontram nesse livro se diz a verdade, e todos os castigos que se encontram nesse livro se mente. É por isso que termina o juramento dizendo “assim me ajude Deus”.

Relação dos juramentos com os Sacramentos
Quando fazemos um juramento, realmente necessitamos a ajuda de Deus. Às vezes os juramentos da antiga aliança eram tácitos, ou atuados melhor que falados. Abraão partiu os corpos dos animais do sacrifício e caminhou entre suas entranhas divididas. Com efeito, ele estava dizendo: “se não sou fiel à aliança, posso sofrer o mesmo destino que estes animais”. Às vezes, entretanto, os termos da aliança eram explícitos, como quando Deus disse aos israelitas: “chamo ao céu e a terra para que testemunhem contra vós hoje, te coloco diante vida e morte, bênção e maldição; portanto escolhe a vida, para que vivas tu e tua descendência… para que possas morar na terra que o Senhor prometeu a teus pais” (Deuteronômio 30, 19-20). Isto é um juramento formal clássico, chamando ao céu para atestar, e invocando bênçãos e maldições. Estas idéias continuam na Igreja de Jesus Cristo. Os primeiros cristãos entendiam os sacramentos como ações da Aliança, e inclusive como juramentos da Aliança. São Paulo entendia certamente assim os Sacramentos. Ele advertiu aos Coríntios que “quem come e bebe o corpo sem discernir, come e bebe seu próprio juízo. Esta é a causa de que muitos de vós sois débeis e enfermos, e alguns morreram” (1Cor 11, 29-30). É preciso recordar que cada juramento invocava maldições que só se poderiam fazer cumprir mediante atos de Deus. Quem não cumpria suas promessas poderia esperar que Deus os visitasse com os severos juízos que eles mesmos haviam invocado. A enfermidade e a morte são exemplos clássicos dos castigos divinos invocados nos convênios antigos.

Mas quando os católicos fazem juramentos na Missa ou noutros Sacramentos…
A maioria das vezes aparece de modo implícito. Igual que os juramentos antigos, nossos juramentos são muitas vezes gestos não verbais. Recorda a Abraão caminhando entre os animais separados? Enquanto sinal ou símbolo há pouca diferença com o sacerdote que levanta o pão e o vinho eucarístico em vasos separados. Essa ação simboliza a separação do corpo e do sangue de Cristo no ato que traçamos em nossos próprios corpos ao princípio da Missa, o sinal da cruz. Esse sinal, como a palavra “amém”, é uma fórmula antiga de juramento. Quando celebramos os Sacramentos, somos selo e renovação de nossa aliança com Jesus Cristo. E essa ação tem consequências. As consequências são impressionantes. Os cristãos não podem retratar-se dos Sacramentos. As consequências disso são muito piores, e eternas. Jesus mesmo nos adverte disto. Do Batismo, Ele disse, “a menos que um nasça da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5). Da Eucaristia, disse, “a menos que comais da carne do Filho do homem e bebais seu sangue, não tereis a vida em vós” (Jo 6, 53). Essa expressão ao menos que aparece clara e alta para nós. Estas idéias eram tão importantes para a gente antiga. Hoje, muitos cristãos que se julgam “modernos” não são conscientes delas, porque vivemos numa sociedade que pensa pouco em que os juramentos podem ser rompidos. Não faz muitos anos que acusaram crivelmente a um presidente de uma grande nação de perjúrio, de que mentiu estando baixo juramento. Quantos homens e mulheres violaram escandalosamente seus juramentos no trabalho ou seus compromissos matrimoniais? Esta situação ocorre desde faz muito pouco na história. É uma amostra da carência de uma cultura de fé no poder de Deus de atuar através de nossos juramentos. George Washington disse que uma nação fica ligada por seus juramentos. Não muito antes disso, Miguel de Cervantes considerava que os juramentos tinham tão grande alcance que duvidou em colocá-los em lábios de seus personagens de ficção. O filósofo John Locke disse que os ateus não deveriam ser funcionários, porque seus juramentos são feitos sem sentido. Necessitamos recuperar-nos – e não me refiro só aos católicos – mas, sobretudo temos necessidade de recuperar o sentido da sacralidade dos juramentos. Uma forma de fazer isto é a recuperação do sentido dos juramentos mais sagrados, os Sacramentos. Uma restauração geral dos juramentos seculares conduzirá também aos não católicos a um apreço dos Sacramentos. A Eucaristia é definida pela maioria dos Padres da Igreja, dos Papas e dos estudiosos como o Sacramento mais importante de todos. O segundo Sacramento é o Batismo, porque faz possível o resto de Sacramentos. O Batismo é o ritual da Aliança pela qual nascemos na família de Deus. Os demais Sacramentos renovam, restauram e intensificam a união da Aliança. Em jurar a Deus, por exemplo, no Sacramento do Matrimônio, vemos também que a união é, ao longo da Bíblia, sempre o sinal favorito do Deus da Aliança. A idéia no coração de jurar a Deus é uma idéia bíblica, e a Bíblia é o patrimônio comum de todos os cristãos.

“O que é um juramento? Palavras ditas a Deus! Quando um homem faz um juramento, está consigo mesmo nas mãos como água. Se abrir os dedos, não se encontrará mais”.
Santo Tomás Moro

Geração Big Brother

Padre Léo, SCJ / Trecho do livro: Saborear a Vida

Na medida em que acredita que existem soluções fáceis e rápidas para os problemas, o ser humano vai se acomodando e não se prepara mais para a batalha da vida. Torna-se um ser humano enfraquecido. Apequenado. Que não acredita mais na capacidade de auto-superação.
Quanto menos luta menos a pessoa tem vontade de lutar. Apequenado, o ser humano moderno é alguém vazio, sem conteúdo e sem ideal, dominado pelos ídolos do ter, do poder e do prazer. É o ser humano big brother, capaz de fazer de tudo para conseguir sucesso e poder gozar a vida sem limites, sem restrições.
Quando uma pessoa causa problemas ao homem big brother, ele aprende a eliminar a pessoa e não os problemas. Se o outro é obstáculo para meus sonhos, devo dar um jeito de tirá-lo do meu caminho. Não importa que instrumentais eu vou usar. O importante é eliminar a concorrência.
O big brother é um individuo que só pensa em si, não tem referenciais e vive mergulhado num vazio ético. Ele é capaz de fazer sacrifícios horríveis, até comer coisa estragada, desde que seja em função de um objetivo claro e definido: poder ir eliminando todas as pessoas, até chegar ao topo, e saborear a vitória.
Essa pessoa pode até conseguir algum dinheiro, mas não é uma pessoa feliz. Se a felicidade tivesse relação direta com o dinheiro, jamais encontraríamos um rico infeliz. E é praticamente o contrário. Nunca conheci uma família rica que fosse verdadeiramente feliz. No máximo, consegue esconder suas frustrações e problemas.
Para se dar bem nessa geração big brother é preciso ser muito prático, ter coragem para fazer qualquer coisa, ser relativamente bem informado, não se prender aos valores humanos, ser capaz de se interessar por tudo, mas sempre de modo superficial. Além disso, é preciso ser alguém que tenha a cara de pau suficiente para ser trivial e frívolo, para aceitar tudo. A permissividade é uma das suas marcas registradas. Temos assim uma pessoa com fraqueza de pensamentos, sem nenhuma firmeza em suas convicções e completamente indiferente aos problemas das outras pessoas.
A cultura big brother se faz de pessoas lights. Infelizmente, para ser feliz nessa cultura a pessoa precisa pautar sua vida pela mediocridade. Do mesmo jeito que a pessoa come sem correr nenhum risco de engordar, já que o alimento é mágico, a pessoa vai vivendo de modo superficial e medíocre.
Essa cultura gera uma pessoa fria, sem fé verdadeira e sem convicções profundas. É uma pessoa que muda de opinião, conforme muda o vento, já que vive para agradar os outros e para se satisfazer com o outro.
A pessoa big brother vive de modismos. É uma pessoa descartável. Do mesmo jeito que os canais de televisão dão um jeito de descartar as pessoas que não atingem determinados índices de audiência, a pessoa big brother também elimina quem não satisfaz seus interesses imediatos. Nesse sentido é importante eliminar os vínculos, os valores que me prendem às pessoas. Igreja e família são dois grandes obstáculos na vida do ser humano light.
Quem não têm referenciais, acaba também perdendo seu objetivo, sua meta de vida. A pessoa passa a viver unicamente para si mesma e para o seu prazer. Quanto mais irrestrito, melhor.
O big brother vive em busca do prazer. O prazer está acima de tudo e de todos. Sem nenhuma restrição, a qualquer preço. Para se viver bem, deve-se evitar a luta e, especialmente, o sofrimento.
A única coisa que vale é o prazer, não importa seu preço. Não se questiona se é um prazer lícito, salutar, abençoado por Deus. O prazer tem um valor em si mesmo. Para consegui-lo vale qualquer caminho. Ele é o bem maior, diante do qual tudo e todos devem ser sacrificados.
Como a pessoa vive para o prazer, sem limites, quanto mais possui coisas, mais se sente feliz, porque o ter virou sinônimo de liberdade. Quanto mais tenho, mais livre sou. Faço o que quero, quando e como quero. Só é livre quem tem bens materiais em abundância, de preferência, da última moda.
Por isso essa pessoa light não pode criar vínculos com nada e nem com ninguém, pois o consumismo se fundamenta na capacidade de substituir. O melhor é sempre o novo. Ninguém troca algo que tem valor afetivo. Então, o melhor é não se apegar às coisas. O melhor é sempre aquilo que ainda não tenho. Minha felicidade está escondida naquilo que não possuo.
Para sustentar e solidificar tudo isso é preciso viver a doutrina prática do materialismo, onde o valor da pessoa está naquilo que tem. Mas não se trata de simplesmente possuir um bem que satisfaça minhas necessidades fundamentais de moradia e locomoção, por exemplo.
Nesse materialismo a pessoa nunca poderá se contentar com o que tem. É preciso sempre querer algo novo. Não se trata mais de suprir uma necessidade, mas de criar novas e até falsas necessidades, que possam nutrir o consumismo. Se a liberdade da pessoa é definida a partir do que possui, ser livre é possuir cada vez mais. Também aqui não existe uma preocupação com os aspectos éticos. Tudo é permitido. Importa ter cada vez mais.
Nada é proibido ou imoral. O importante é não ser descoberto. Não interessa os meios que uso para adquirir as coisas, interessa é possuí-las conforme manda a moda.

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A MORALIDADE É OURO
É preciso criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte 28/02/2011

A sociedade está povoada de notícias que comprovam o quanto a corrupção e a desonestidade estão corroendo relações, provocando prejuízos irreversíveis na vida de cidadãos e de famílias, com sérios comprometimentos sociopolíticos. A confiança que se deposita em pessoas, no exercício de suas responsabilidades funcionais e ofícios, está e certamente continuará sendo abalada. O mesmo ocorre também na relação com as instituições, que têm tarefas de proteção aos direitos e à integridade de todos, constituídas para proteger o bem público, garantir a ordem e a justiça. Quando menos se espera, estouram aqui e ali acontecimentos que provocam decepção e generalizam a insegurança. Não se esperam conivências interesseiras dos que têm tarefa de garantir a justiça. Conveniências que comprometem a vida de jovens e de outros que têm seus sonhos inviabilizados de maneira irreversível.
As providências que governos, instituições e outras instâncias da sociedade precisam e devem tomar diante de fatos graves no tecido social e cultural, não podem retardar mais a consideração da moralidade como ouro na história de todos. Esse cenário, com suas violências, desmandos, corrupções, tráficos e outras condutas imorais, é origem de tudo o que esgarça o tecido moral da cidadania. Valor que é a base para vencer seduções e ter força para permanecer do lado do bem, com gosto pela justiça e fecundo espírito de solidariedade. É imprescindível redobrar a atenção quanto à moralidade que baliza a vida de cada indivíduo e regula suas relações. É urgente e necessário avaliar o quanto o relativismo tem emoldurado critérios na emissão de juízos, na formatação de discernimentos, trazendo direções equivocadas e prejudiciais nas escolhas, tanto no âmbito privado quanto no exercício da profissão, da política e de outras ocupações na sociedade.
É preciso diagnosticar esses pontos críticos na moralidade sustentadora da conduta cidadã e honesta. Não se pode desconsiderar a gravidade da situação vivida neste tempo de avanços e conquistas – marcado pela “démarche” (disposição para resolver assuntos ou tomar decisões) – imposta pela falta de moralidade pública, profissional e individual. Jesus, em Seus preciosos ensinamentos para bem formar os discípulos, não deixava de advertir e indicar critérios para comprovar os comprometimentos da moralidade. Ele dizia que “o irmão entregará o irmão à morte, o pai entregará o filho; os filhos ficarão contra os pais e os matarão”, convidando-os para não se escandalizarem e a permanecerem firmes diante do caos provocado pela imoralidade. A decomposição das relações familiares configura o paradigma da perda da moralidade, considerando a família com seu insubstituível papel de formadora de consciência.
Com a família, o conjunto das instituições educativas, religiosas e outras prestadoras de serviços à sociedade, é preciso fortalecer o coro de vozes, como o fez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quanto à necessidade de incluir na pauta da sociedade a compreensão da moralidade como um tesouro do qual não se pode abrir mão. Sua ausência significa a produção de perdas irreparáveis, de vidas, de credibilidade e de conquistas e avanços de todo tipo, pelos inevitáveis comprometimentos advindos de uma cultura permissiva e cega a valores balizadores da vida cidadã. Nesse âmbito, é preciso retomar a tematização da responsabilidade dos meios de comunicação – também sublinha a CNBB. A apurada qualidade técnica e os admiráveis recursos da mídia, em particular da televisão, lamentavelmente, estão a serviço de programas que atentam contra a dignidade humana. Não se pode simplesmente ajuizar que os cidadãos são livres para escolher o que é de baixo nível moral. É melhor não produzi-los. Então, é preciso combatê-los, investindo na formação da consciência moral, com uma consistência tal que se rejeite, com lealdade, os fascínios da celebridade fugaz, o gosto mórbido pelo dinheiro e pelo poder, e substituí-los pelo apreço ao bem, à verdade; criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto.
As culturas e as sociedades não podem prescindir de investimentos, abordagens e compreensões da consciência na sua insubstituível e específica função de discernimento e juízo moral. É urgente superar considerações de que tratar e investir na moralidade é um viés antigo, e até superado. A liberdade e a autonomia que caracterizam a sociedade contemporânea não podem prescindir do exercício dos valores morais sob pena de continuarmos a fabricar o precioso tempo do Terceiro Milênio como um tempo de abominação da desolação.

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A IGREJA CATÓLICA É A IGREJA PRIMITIVA 
http://blog.cancaonova.com/dominusvobiscum/2008/10/11/a-igreja-catolica-e-a-igreja-primitiva/

É comum ouvirmos protestantes dizerem: “Eu sou cristão”; ou também: “Agora sou cristão”. A verdade é que a maioria dessas novas igrejas não têm mais que 50, 100 ou 200 anos de fundação. O verdadeiro e pleno Cristianismo possui mais de 2.000 anos e encontra-se precisamente na Igreja Católica, fundada por Cristo. Estudemos a Palavra de Deus para conhecer as raízes do Catolicismo no Cristianismo primitivo.

RAÍZES BÍBLICAS DO CRISTIANISMO
1. Herdeiros do Povo de Deus – Denomina-se “Cristianismo” à religião em conjunto que foi fundada por Cristo Jesus, “pedra angular de toda a sua doutrina” (1Coríntios 3, 10-11; 1Pedro 2, 4.6-8). Esta religião herdou do povo judeu a fé em um único e verdadeiro Deus (Êxodo 20, 2-3), que teve sua origem na “santa aliança” celebrada entre Javé e o patriarca Abraão (Gênesis 12, 1-2), convertendo o povo de Israel em uma “nação santa e reino de sacerdotes” (Êxodo 19, 5-6).

2. Da Antiga à Nova Aliança – No entanto, “quando se cumpriu o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher, submetido à lei de Moisés” (Gálatas 4, 4). Ele é o “grande sumo sacerdote” (Hebreus 4, 14), que estabeleceu um “novo pacto” (Hebreus 8, 6) por sua morte salvadora na cruz (Efésios 2, 16; Colossenses 1, 20), dando origem ao “verdadeiro Povo de Deus” (Gálatas 6, 16). Conseqüentemente, “já não importa ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, porque, unidos a Cristo Jesus, todos vocês são um só. E se são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros da promessa que Deus lhes fez” (Gálatas 3, 28-29).

3. O Cristianismo durante os Primeiros Anos – A Igreja de Cristo foi vista, pelo menos durante os seus primeiros dez anos, como uma “nova seita” saída do Judaísmo (Atos 28, 22); porém, na realidade, era um “novo caminho” (Atos 24, 14), já que estava centrada em Jesus Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6). E os homens e mulheres que se atreviam a segui-Lo eram perseguidos, condenados à morte, capturados e encarcerados (Atos 22, 4). Não obstante, eles estavam unidos em um mesmo amor (Colossenses 3, 14), uma vida segundo os ensinamentos do “sermão da montanha”, para alcançar o “reino dos céus” (Mateus 5, 3-12).
No tocante ao termo “cristão” com que são identificados os discípulos de Cristo, começou a ser empregado na província romana de Antioquia – atual Antakya, na Turquia (Atos 11, 26). Este nome foi aceito por todos aqueles que suportavam os sofrimentos de sua fé (1Pedro 4, 16), convertendo-se assim em autênticos soldados de Cristo (2Timóteo 2, 3).

4. Meu nome é “Cristão”; meu apelido é “Católico” – O Cristianismo esteve conformado em sua alvorada histórica pelo Catolicismo, que possui Jesus como Cabeça (Colossenses 1, 18; Efésios 5, 23), ao fundar sua congregação sobre o apóstolo Pedro, a pedra (João 1, 42; Mateus 16, 16-18; Lucas 22, 32; João 21, 15-17). A palavra grega “Igreja” significa assembléia de fiéis (1Coríntios 1, 2), “católica” significa universal (Apocalipse 7, 9) e foi usada pela primeira vez por Santo Inácio de Antioquia, no início do século II de nossa Era. Ela é “a família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é coluna e fundamento da verdade” (1Timóteo 3, 15).

5. Da Igreja de Cristo às “igrejas” e seitas – Quantas vezes nos temos perguntado, diante da grande avalanche de igrejas cristãs: “Qual delas é a verdadeira?” A esse respeito, ensinava São Cipriano no século II que: “ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja Católica por Mãe”.
O cardeal John Henry Newman [ex-protestante] acrescentava que “para conhecer a história do Cristianismo, é necessário deixar de ser protestante”. Por essa razão, nós católicos afirmamos que a nossa religião não foi fundada por nenhum homem, como ocorreu com todas as demais denominações cristãs, que muitas vezes, como “lobos devoradores”, querem destruir a Igreja (Atos 20, 29-30). Ao contrário, [a Igreja Católica] tem suas origens em Jesus Cristo, que é a “rocha firme” (Mateus 7, 24-25) e, portanto, ninguém pode construir sobre outro fundamento (1Coríntios 3, 9-11). A existência da Igreja Católica e seu impacto têm sido muito profundos: nos referimos a uma instituição que sobrevive há mais tempo que qualquer império na História da civilização. Ela já dura três vezes mais que o Império Romano e duas vezes mais que a dinastia na China.

6. Uma Igreja Visível – A Igreja Católica é vista teologicamente como o “corpo místico” de Cristo (Efésios 1, 23), sem “mancha nem pecado” (Efésios 5, 27), como “a esposa do Cordeiro” (Apocalipse 21, 9; 22, 17), a quem o Senhor não deixa de cuidar (Efésios 5, 29). A Sua intenção era que existisse “um só rebanho e um só Pastor” (João 10, 16), sendo Ele “o grande pastor das ovelhas” (Hebreus 13, 20), chamado “o Bom Pastor” (João 10, 11), que vela permanentemente por elas (1Pedro 2, 25). Para cumprir esta santa tarefa, o Filho de Deus elegeu doze Apóstolos (=enviados) (Mateus 10, 2-4; João 20, 21), dando-lhes plena autoridade para governar a sua Igreja, encabeçada pelo apóstolo Pedro (Mateus 16, 19; 18, 18; 19, 28; Efésios 2, 20), com cinco grandes missões:
[1] pregar o Evangelho (Mateus 28, 20) e orar;
[2] batizar (Mateus 28, 19; Marcos 16, 15-16);
[3] celebrar a Eucaristia (Lucas 22, 19);
[4] perdoar os pecados (João 20, 23; Lucas 24, 47);
[5] e realizar sinais milagrosos em seu nome (Mateus 10, 1; Marcos 16, 17-18), como Pedro curou com a sua sombra (Atos 5,15) e Paulo com sua roupa (Atos 19, 11-12).
Do mesmo modo, o Santo de Deus, antes de regressar ao céu, prometeu enviar aos seus amigos a ajuda do Espírito Santo, para que lhes recordasse tudo o que Ele havia lhes dito (João 14, 26; 16, 13), tornando-se visivelmente presente na festa de Pentecostes (Atos 2, 1-4.33) e muitas outras vezes com a colaboração dos anjos do céu (Atos 5, 17-20; 8, 26; 10, 3-8.22; 12, 7-11; 27, 23-24).

7. Uma Igreja com Hierarquia – Os Apóstolos, conforme iam expandindo a “Boa Nova” nos templos e nas casas (Atos 5, 42), nomearam, por sua vez, bispos (pastores), presbíteros (anciãos) e diáconos (servidores), por intermédio da oração, do jejum e da imposição das mãos (Atos 13, 3; 14, 23; 1Timóteo 4, 14; 2Timóteo 1, 6), rito sagrado esse que foi mantido até os nossos dias pela hierarquia eclesiástica católica. Prova disso foi a escolha de Matias pelos onze Apóstolos, para que viesse a ocupar o lugar de Judas (Atos 1, 15-26); e também as nomeações de novos bispos promovidas por Paulo (como Tito em Creta e Timóteo em Éfeso), e Barnabé na Ásia Menor, para que cuidassem da “Igreja” ou do “Rebanho” de Deus (Atos 20, 28; Hebreus 13, 7.17) e se dedicassem a “pregar e ensinar” (1Timóteo 5, 17). A esses novos bispos foi transmitido o legado de ordenar presbíteros (Tito 1, 5), que davam a conhecer a sã doutrina (1Coríntios 4, 1; 2Timóteo 2, 2; Tito 1, 9) e curavam os doentes por meio da oração e da imposição do óleo (Tiago 5, 14; Marcos 6, 13). Também por solicitude dos Apóstolos, a comunidade de Jerusalém nomeou sete diáconos que se encarregaram do cuidado material dos fiéis (Atos 6, 2-6). Um deles, Estêvão, foi o primeiro mártir (=testemunha) do Cristianismo (Atos 7, 59-60). Entre os Apóstolos, profetas, pastores e mestres haviam diferentes dons e qualidades (Atos 13, 1; Romanos 12, 6-8; 1Coríntios 12, 27-31; Efésios 4, 11).
Tamanho foi o êxito, que em pouco tempo “as igrejas se afirmavam na fé e o número de crentes aumentava a cada dia” (Atos 16, 5; 9,31), possuindo como dirigentes, em cada lugar, os Apóstolos, bispos e diáconos (Atos 15, 4; Filipenses 1, 1); todos eles com os fiéis em geral conformavam as “igrejas de Deus” (2Tessalonicenses 1, 4), chamadas também de “igrejas de Cristo” (Romanos 16, 16), “povo santo” (Atos 9, 13) ou “povo de Deus” (Apocalipse 5, 8; 8, 3; 19, 8), “casa de Deus” (Hebreus 3, 6) ou “família de Deus” (Efésios 2,19). Do mesmo modo, os príncipes dos Apóstolos, Pedro e Paulo, com suas cartas pastorais manifestavam como deveria ser a vida exemplar e reta dos bispos (1Pedro 5, 1-4; 1Timóteo 3, 1-7; 4, 17), presbíteros (Tito 1, 6-9), diáconos (1Timóteo 3, 8-13) e de todos os fiéis cristãos (Romanos 12, 9-21; 13, 1-14; 14, 1-23; 15, 1-6).
Particularmente é conhecida uma carta de Santo Inácio de Antioquia, redigida nos primeiros anos do século II, em que diz que cada comunidade de crentes contava com um único bispo, assistido pelos presbíteros e diáconos. Conservam-se também as listas dos bispos católicos das principais igrejas: Roma, Jerusalém, Antioquia, Alexandria, todas as quais remontam aos próprios Apóstolos.

8. A Igreja Cristã foi Perseguida: Todos os Fiéis eram Católicos. Todos! – Por outro lado, à medida que se cumpriam as palavras do Apóstolo dos Gentios, que assinalavam Cristo como “o salvador da Igreja” (Efésios 5, 23), o diabo, como “leão rugente”, provocava perseguições aos crentes em todo o mundo (1Pedro 5, 8-9). O próprio Mestre Divino já assim havia profetizado (João 15, 20). Os primeiros cristãos suportavam com grande paciência diversas penas (2Coríntios 6, 4-5), convertendo-se em verdadeiras “testemunhas de Jesus” (Apocalipse 17, 6), para estar com Ele em sua glória (Romanos 8, 17).
Neste ponto, nossa Igreja é a que ofereceu mais mártires no Cristianismo: estima-se que, em vinte séculos, foram 40 milhões entre papas, bispos, sacerdotes, religiosos, monges, missionários, catequistas, neocatecúmenos, seculares, meninos e meninas. Apenas no século XX, 27 milhões morreram em razão de sua fé em perseguições religiosas promovidas na Espanha, no México, na Alemanha nazista, na ex-União Soviética, na China comunista, nas guerras civis de alguns países da África etc. Eles são “os que lavaram suas roupas e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7, 14), estão “vestidos de branco e portando folhas de palma em suas mãos” (Apocalipse 7, 9). Por isso, Santo Agostinho dizia que “a Igreja Católica segue peregrinando entre as perseguições dos homens e os consolos de Deus”.
Se vieres a fazer uma pesquisa em qualquer biblioteca sobre as perseguições promovidas no Império Romano para verificar quem foi martirizado, encontrarás os nomes dos grandes mártires católicos, os quais ainda hoje recordamos e amamos como santos, por terem dado as suas vidas pelo Evangelho. Inclusive quando atualmente festejamos o Dia dos Namorados, que trata do amor e da amizade, isto encontra-se em estreita relação com São Valentino, um mártir católico do início do século IV. TODOS ELES ERAM CATÓLICOS E ANTERIORES À LIBERDADE DE CULTO AUTORIZADA POR CONSTANTINO.
O Cristianismo primitivo é o Catolicismo (se algum leitor discordar ou não crer nisto, pedimos para que investigue e nos envie um único nome de qualquer mártir dos primeiros séculos que tenha sido protestante ou evangélico. Embora nunca nos tenham enviado nada – pois jamais existiu – o autor continua aguardando com paciência).

9. A Igreja Católica expandiu o Cristianismo para todo o Mundo – Esta tarefa evangelizadora que se cumpre desde a ordem emanada pelo próprio Senhor Jesus, de dar a conhecer sua mensagem até os confins da terra (Atos 1, 8), é testemunhada na História com a conversão do grande Império dos Césares, a partir de Constantino no século IV. Posteriormente, missionários e monges católicos fizeram o mesmo com as tribos bárbaras dos godos, vikings, francos, germanos entre outras. A partir do século XVI o Catolicismo se estendeu pela América, Índia, China, Japão e África, graças à pregação de valentes sacerdotes e religiosos franciscanos, dominicanos, jesuítas, mercedários e agostinianos. Igualmente, outro sinal distintivo foi a atenção dada aos órfãos e viúvas (Tiago 1, 27); nas igrejas, aos domingos, era recolhida uma oferta voluntária para tal fim (1Coríntios 16, 1-2). Esta característica bíblica continua presente na Igreja Católica de nossos dias, responsável por uma imensa quantidade de hospitais, dispensários, leprosários, centros de saúde, asilos, orfanatos, creches, escolas, oficinas de capacitação, restaurantes populares para adultos e crianças, bancos de alimentação para pobres, centros de reabilitação para dependentes químicos em geral, aidéticos, entre outros. Obedece assim ao mandamento do apóstolo Tiago: “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 14-18).
Hoje em dia é comum ouvirmos muitos grupos afirmarem que eles são a verdadeira Igreja de Cristo, portadores do verdadeiro Cristianismo; porém, a pergunta é bem simples: se eles são os verdadeiros cristãos, POR QUE NENHUM DELES VIERAM ORIGINARIAMENTE EVANGELIZAR A AMÉRICA E OUTROS CONTINENTES?
A resposta é rápida: NÃO VIERAM PORQUE NÃO EXISTIAM.

10. A Igreja de Cristo: a Católica, desde o Princípio tem um Rosto Divino e Humano – Devemos reconhecer a Igreja de Cristo em sua parte humana, que cumpre a parábola do “joio entre o trigo” (Mateus 13, 24-30) através dos tempos. De fato, o papa João Paulo II declarou humildemente que no Catolicismo tem existido “luzes e sombras”. No entanto, o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mateus 16, 18), pois o Messias sempre estará com os seus (Mateus 28, 20; 1Coríntios 5, 4), segundo ainda a sentença do mestre da Lei, Gamaliel (Atos 5, 38-39), já que existe uma íntima união entre Deus, a Igreja e Cristo Jesus “por todos os séculos, agora e para sempre” (Efésios 3, 21).
Que Deus continue te abençoando e dai graças a Deus se fores católico. Luta para ter uma relação pessoal com Jesus Cristo e testemunha com a tua vida que Ele está vivo. Se não sois católico e desejas ser 100% cristão, saiba que as portas da Igreja Católica estão abertas para ti. Te aguardamos!

Autor do Texto: Guido Rojas
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte original: http://www.defiendetufe.org
Fonte em Português: http://www.veritatis.com.br/article/4163

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RELIGIOSIDADE ESCLARECIDA
Côn. Vidigal / Mariana (MG), 28/10/2005
Em nossos dias, infelizmente, muitos católicos se deixam levar por uma série de superstições, influenciados pelos meios de comunicação social, inclusive pelas perniciosas novelas. O descontrole psicológico, a falta de dinheiro e outros fatores, aliados a uma profunda ignorância religiosa fazem pessoas ir às cartomantes, aos terreiros de macumba, aos benzedores. Alguns gastam até somas vultosas na busca da sorte e só aumentam as desgraças. Adite-se que idéias negativas passam a povoar a mente daqueles que se entregam a práticas que só contribuem para fazer crescer a insegurança interior. Nunca é racional alimentar preconceitos e presságios infundados hauridos de circunstâncias fortuitas.
É preciso obedecer aos preceitos bíblicos. Está claramente no Livro do Deuteronômio: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus” (Dt 18, 10-13).
Adivinhação pela invocação dos espíritos é abertamente condenada no Livro Santo. A Lei proíbe de maneira veemente a necromancia. Esta era praticada em Israel (2Rs 21, 6; Is 8, 19), não obstante vetada por Deus (Lv 19, 31; 20, 6. 27; Dt 18, 11; 1Sm 28, 9). No caso de Saul, Deus permitiu a manifestação da alma de Samuel, donde o espanto da mulher (1Sm 28, 9. 1Sm 27, 3.7.8.12.15.17), mas lemos no livro do Eclesiástico: “Depois disso Samuel morreu e apareceu ao rei (Saul) e predisse-lhe o fim de sua vida” (Ecl 46, 23).
Os católicos devem, também, tomar cuidado para não transformarem objetos religiosos em amuletos. Uma atitude é trazer, por exemplo, a Medalha Milagrosa como sinal da proteção da Mãe de Jesus, outra é pensar que tal fato em si vai ocasionar boa sorte. Trata-se de posicionamento que pode até alienar e conduzir a não se tomar os cuidados necessários para o progresso na vida e a prudência em todas as ações. As imagens dos santos devem ser, sobretudo, um lembrete de como aquele discípulo de Jesus viveu sua doutrina e tanto se santificou no serviço do próximo e um convite da procura da santidade pessoal.
Cumpre não penetrar no terreno mágico-religioso, prestando-se um culto indevido a Deus ou uma veneração imprópria aos santos. Aí se incluem as vãs promessas, transformando-se o momento sagrado da oração num comércio espúrio entre a terra e o céu.
Jesus recomendou a oração: “Pedi e recebereis, buscai e achareis” (Mt 7, 7) e na Bíblia vemos o poder de intercessão dos justos diante de Deus, como aconteceu com Jó, Moisés e tantos outros personagens tementes a Deus. Cumpre ao cristão se colocar em condições para receber os dons celestes, purificando-se de suas faltas e dispondo-se a cumprir fielmente com seus deveres de estado e a respeitar integralmente os mandamentos divinos. Há de se ter em conta também que, muitas vezes, Deus que é infinitamente sábio e bom ao invés de dar determinado favor que não seria útil a quem o suplica para si ou para os outros, entretanto dará graça muito maior condizente à salvação própria e alheia.
Não basta implorar a Santa Edwiges para que ela ajude a pagar as dívidas, se o fiel não se dispõe a não gastar no futuro menos do que tem. Cumpre pedir emprego, mas cada um tem que se habilitar num esforço persistente para ser um profissional competente. Enfim, é necessário, realmente, abolir qualquer tipo de anemia espiritual ou crendice. É um absurdo, por exemplo, como está em certas estampas de alguns santos populares que se faça a promessa de imprimir um milheiro daquelas preces caso a graça seja obtida. Verifica-se um comércio condenável, pois o que a gráfica quer é lucrar com a boa fé daqueles que se deixam engodar com tais insinuações.
É louvável que se traga respeitosamente consigo o crucifixo, mas muito melhor é ter Cristo fixo no coração, nas palavras, nas obras.
É preciso que se afastem as observâncias vãs na vida diária para que se pratique um cristianismo esclarecido que leve, de fato, à vivência plena do Evangelho e à imitação constante das virtudes de Maria, dos santos e dos anjos obedientes a Deus.

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REFRIGÉRIO NAS AGRURAS
Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba, MG, 05/10/2010

Com muita razão o cristianismo foi considerado uma religião que derrubou mitos dos povos antigos. Nada estranho que alguns escritores o tenham acusado de ‘ateísmo”. Tudo o que os pagãos achavam “bonito”, “confortador”, mas não era verdadeiro, os cristãos desmitizaram. Assim, achar que uma determinada fonte de água, estava cercada de mistério e de   força oculta, a ponto de chamá-la “água santa”, foi abertamente desmentido pelos seguidores de Cristo. Para eles só havia um ser verdadeiramente santo na natureza: era o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. Então, acreditar nas histórias fantasiosas dos deuses, era incompatível com a verdade.”Não seguimos fábulas habilmente inventadas”  (2Pd 1, 16). Para as crianças nós continuamos, nos dias atuais, a contar histórias de fadas, cheias de mentirinhas inocentes. Até as criancinhas sabem que essas histórias não são reais. Mas a humanidade persiste em contá-las porque ensinam que o mal é punido e o bem triunfa sobre o mal. Até aí concordamos, e dizemos com os italianos: meno male.
Mas algumas histórias mirabolantes das novelas, exibidas hoje em dia na televisão, são um “aggiornamento” de mitos, não tão inocentes. Outrora eram afagados pelos pagãos. São os adultos contando estórias confortadoras, como se verdades fossem. Falam de aparições de pessoas falecidas, de consultas aos mortos, e quejandos. Uma vez que Deus não nos revela como estão os falecidos (eles estão em outra dimensão), então tentamos enganar o Poderoso, invocando (por fora), seus espíritos. Esse é um ato particularmente detestado pelas Escrituras Sagradas, por serem um ato de magia. Os atos mágicos representam uma vontade de possuir forças secretas para superar a dureza da vida. Essas consultas podem trazer um conforto para os familiares, mas são irreais. Jesus era um homem absolutamente realista, sem fantasias, e nada visionário. Ele nos chamou à realidade da vida, e nos convocou para a coragem. Quis incutir em nós uma  esperança sem desfalecimento. Ele ainda hoje diz a todos os sofredores: “Coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). O nosso caminho é esse.

Paciência e perseverança

É pela vossa perseverança que ganhareis a vida

Parte da fortaleza é a virtude da paciência, que Joseph Ratzinger descreveu como “a forma cotidiana do amor”. A razão pela qual o Cristianismo deu tradicionalmente a essa virtude uma importância notável, pode deduzir-se de umas palavras de Santo Agostinho, em seu tratado sobre a paciência, descreve como “um dom tão grande de Deus que deve ser proclamada como uma marca do Senhor que habita em nós”.

A paciência é, pois, uma característica do Deus da história da salvação, como ensinava Bento XVI no início de seu pontificado: “Este é o diferencial de Deus: Ele é o amor. Quantas vezes desejaríamos que o Senhor se mostrasse mais forte! Que atuasse duramente, derrotasse o mal e criasse um mundo melhor! Todas as ideologias do poder se justificam assim, justificam a destruição do que se opusesse ao progresso e à libertação da humanidade. Nós sofremos pela paciência de Deus. E, não obstante, todos necessitamos dela. O Deus, que se fez cordeiro, disse-nos que o mundo se salva pelo Crucificado e não pelos crucificadores. O mundo é redimido pela paciência do Senhor e destruído pela impaciência dos homens”.

Muitas implicações práticas podem ser extraídas desta consideração. A paciência nos conduz a saber sofrer em silêncio, a suportar as contrariedades que emergem do cansaço, do caráter alheio, das injustiças etc. A serenidade de ânimo torna possível que procuremos nos fazer tudo para todos, acomodando-nos aos demais, levando conosco nosso próprio ambiente de Cristo. Por isso mesmo o cristão procura não pôr em perigo sua fé e sua vocação por uma concepção equivocada da caridade, sabendo que – utilizando uma expressão coloquial – pode chegar até às portas do inferno, porém não entrar, porque ali não se pode amar a Deus. Deste modo, cumprem-se as Palavras de Jesus: “é pela vossa paciência que alcançareis a vossa salvação” (Lc 21,19).

A paciência está em estreita correspondência com a perseverança. Esta costuma ser definida como a persistência no exercício de obras virtuosas apesar da dificuldade e do cansaço derivado de sua demora no tempo. Mais precisamente, costuma-se falar de constância quando se trata de vencer a tentação de abandonar o esforço perante o aparecimento de um obstáculo concreto.

Não se trata somente de uma qualidade humana, necessária para alcançar objetivos mais ou menos ambiciosos; a perseverança, a imitação de Cristo, que foi obediente ao desígnio do Pai até o final, é necessária para a salvação segundo as palavras evangélicas: “Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10,22). Entende-se, então, a verdade da afirmação de São Josemaria: “Começar é de todos; perseverar, de santos” (Caminho, n. 983). Daí o amor deste santo sacerdote pelo trabalho bem acabado, que descrevia como um saber colocar as “últimas pedras” em cada trabalho realizado.

“Toda fidelidade deve passar pela prova mais exigente: o tempo […]. É fácil ser coerente por um dia ou por alguns dias […]. Só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda vida” (João Paulo II, Homilia na Catedral Metropolitana, México, 26 de janeiro de 1979). Estas palavras do servo de Deus João Paulo II nos ajudam a compreender a perseverança sob uma luz mais profunda, não como mero persistir, mas antes de tudo como autêntica coerência de vida; uma fidelidade que acaba por merecer o louvor do Senhor, da parábola dos talentos, a qual se pode considerar como uma fórmula evangélica de canonização: “Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-se com teu senhor” (Mt 25, 23).

Santi S.
http://www.opusdei.org.br

Sexo no namoro

Namoro / reportagens
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“O sexo no namoro é uma mentira, porque ele divide o corpo e a alma. A pessoa sempre se pergunta: ‘Será que ele(a) me ama ou está usando o meu corpo?’”, afirma padre Paulo Ricardo em entrevista ao “Destrave” sobre este tema, que, quase sempre, é tratado com superficialidade e descrença, até mesmo por pessoas que se dizem cristãs.

O valor da espera  

A mídia secular tem batido forte na Igreja Católica como se a questão da castidade fosse algo ultrapassado, da “Idade Média”, porque não corresponde aos moldes da sociedade moderna. No entanto, a questão do sexo antes do casamento não deve ser olhada apenas como uma questão de pecado (espiritual), mas sob a ótica do valor da pessoa, da sua dignidade como ser humano.

Destrave: O sexo no namoro é apenas questão de “pecado”? O que a Igreja diz sobre este assunto?  
Padre Paulo: este é um conceito que as pessoas precisam aprender a reelaborar: “O que é pecado?” As pessoas pensam que pecado é uma coisa boa, gostosa, legal, mas que Deus a proibiu porque Ele é “chato”. Com se Ele fosse um “estraga-prazeres” que acordou mal-humorado e disse: “Quer saber? Vou proibir um bando de coisas para aquele povo lá na terra!”. Não é nada disso! As pessoas precisam entender que a coisa é pecado porque ela nos destrói. O veneno é mortal porque ele é mortífero. O sexo fora do matrimônio faz mal não porque a Igreja proíbe. Não vai acontecer, mas vamos supor que a Igreja dissesse: “Gente, tá liberado. Todo o mundo agora fazendo sexo!”. Ainda assim estaria fazendo mal porque Deus fez o sexo para quando há compromisso.

As pessoas precisam aprender que o sexo diz para a outro: “Eu me entrego inteiro a você de corpo e alma”. Se o sexo diz isso, que sentido tem eu ter uma relação sexual com a pessoa e depois me levantar e ir para minha casa? Há então aí uma divisão de corpo e alma, e, quando há divisão de corpo e alma nós damos o nome a isso de morte.

Nós temos visto que o sexo no namoro em vez de solidificar a relação, ele a abala, porque fica sempre aquela pergunta: “Será que a pessoa me ama ou está usando o meu corpo?” E aqui é importante os jovens saberem que estas verdades, sobre as quais a Igreja prega, eles não precisam encontrá-las no Catecismo da Igreja Católica ou na Bíblia (elas estão escritas lá também), mas a verdade que a Igreja prega pode ser enxergada em seu interior.   Se você fizer um pacto de sinceridade com você mesmo, vai perceber que, depois que os hormônios e a excitação abaixam, fica sempre o vazio.

Destrave: Nós vemos as pessoas dizendo que “se há amor é o que importa”. O que há de verdadeiro ou falso nessa afirmação?
Padre Paulo: pense que o amor é uma aliança, um juramento “estilo militar”, uma aliança de sangue por meio da qual sou capaz de dizer à outra pessoa: “Eu derramo o meu sangue por você, mas não traio esta aliança!”. E foi isso que Deus fez conosco. Na cruz Jesus fez conosco uma aliança de sangue, foi fiel até o fim. Quando falamos de amor conjugal estamos falando de uma aliança que tem o nome de “matrimônio”. Daí, sim, o sexo ganha um sentido completo de doação e entrega de corpo e alma, porque a pessoa está ligada à outra por meio de um sacramento. Fora disso estamos falando de puro prazer, egoísmo, e não pode haver amor nisso. Pelo contrário, o sexo fora desta aliança de amor, que se chama “matrimônio”, está dividindo a personalidade da pessoa, é é claro que isso não faz bem a ninguém.

As exéquias eclesiásticas

A Igreja proíbe que os corpos sejam cremados?

Iniciando o mês de novembro, tradicionalmente dedicado às orações pelos nossos irmãos defuntos, trazemos à tona algumas questões acerca das exéquias eclesiásticas, isto é, do culto celebrado segundo as leis litúrgicas correspondentes – previstas no Ritual de Exéquias – pelo qual a Igreja suplica ajuda espiritual aos falecidos, honra seus corpos, e, ao mesmo tempo, proporciona aos vivos o consolo da esperança (cf. c. 1176 §2). Tal oração da Igreja fundamenta-se em nossa fé na existência do purgatório, na ressurreição da carne e no sentido pascal da morte para o cristão.

Com exceção dos casos que veremos a seguir, os fiéis têm o direito de receber as exéquias eclesiásticas conforme o Direito, e, portanto, os pastores possuem o dever de prover esse direito aos fiéis.

Quanto ao modo de proceder com os corpos das pessoas falecidas, a Igreja recomenda, com insistência, que seja conservado o costume de sepultá-los, porém não proíbe a cremação, desde que esta não tenha sido escolhida conforme motivos contrários à fé cristã (cf. c. 1180 §3).

Como norma geral, as exéquias devem ser celebradas no próprio território da paróquia do fiel falecido, e pelo próprio pároco, já que essa é uma das principais funções das quais está encarregado (cf. c. 530, 5º). No entanto, existem muitas exceções a esta norma. Para citar algumas delas: é permitido a qualquer fiel ou aos responsáveis pelas exéquias do falecido escolher outra igreja para o funeral, com o consentimento de quem está à frente desta, e avisando-se ao pároco do próprio falecido; caso a morte tiver ocorrido fora do território da paróquia, as exéquias podem ocorrer na igreja paroquial do lugar de falecimento. Com relação ao cemitério, não sendo proibido pelo direito, é lícito a todos escolher o cemitério para sua própria sepultura (cf. c. 1180 §2).

Prevê-se também que, em cada paróquia, exista um livro de óbitos, de acordo com o direito particular, para as anotações dos falecimentos (cf. cc. 535 e 1182). Dado o elevado número de pessoas que habitam o território de cada paróquia, como é o caso das paróquias de nossa arquidiocese, pode perceber-se a dificuldade prática de realização desta norma.

As exéquias eclesiásticas podem ser concedidas, além de todos os fiéis católicos, aos catecúmenos, e, com a licença do Ordinário local, às crianças cujos pais pretendiam batizá-las e morreram antes do Batismo; inclusive aos cristãos pertencentes a comunidades eclesiais não católicas, exceto se constar sua vontade contrária e contanto que não seja possível a presença do seu ministro próprio (cf. c. 1183).

Respeitando a decisão da pessoa falecida, caso antes da morte não tenham dado sinal de arrependimento, devem ser privados das exéquias eclesiásticas os apóstatas, hereges e cismáticos notórios; os que tiverem escolhido a cremação de seu corpo por motivos contrários à fé cristã; e os pecadores manifestos aos quais não se possa conceder as exéquias sem escândalo público dos fiéis. Em caso de dúvida, o Ordinário local deve ser consultado para dar o seu parecer (cf. c. 1184).

Padre Demétrio Gomes
@pedemetrio

As intenções de Missa

Por Mons. Inácio José Schuster

Está bem difundido nas comunidades o costume de anunciar, antes do início da Missa, as intenções pelas quais será celebrada a Eucaristia.

1. O costume de “mandar celebrar Missa”

As pessoas procuram o sacerdote ou vão até a secretaria da igreja e solicitam que a Missa de um determinado dia, no horário estabelecido, seja aplicada numa determinada intenção: por alma de um falecido, ou em ação de graças por um aniversariante, ou pelo sucesso de uma operação… e assim por diante. O fiel que “manda” celebrar a Missa oferece uma “espórtula”, ou seja, contribui com um valor em dinheiro que caberá ao sacerdote pela prestação dos serviços religiosos. Atualmente, mais comum a Missa com intenções coletivas, ou seja, várias pessoas encomendam suas intenções, e contribuem com quanto quiserem. A soma dos valores recebidos constituirão a “espórtula” daquela Missa.

2. O que significa tudo isso? Como é que nosso povo entende esses procedimentos?

Entende que a Missa, que o sacrifício de Jesus na cruz, tem um valor espiritual infinito. Portanto, aplicar a Missa por um falecido, por um doente ou em ação de graças é encomendar a oração mais poderosa que se pode oferecer. A “espórtula” não pode ser entendida como “pagamento”, pois o valor da Missa é infinito, não tem preço! A contribuição seria então uma taxa para o sustento do sacerdote, para cobrir as despesas de funcionamento da igreja e dos serviços religiosos. Todo mundo sabe que é assim que funciona em nossas paróquias, em nossas igrejas. Em princípio, tal costume não merece objeção. Porém, com frequência, acontecem desvios. Há pessoas que “encomendam” a Missa, mas, não se envolvem, não se interessam pessoalmente pela celebração; imaginam que sua própria participação na oração não é nem mesmo necessária, pois o efeito do sacramento depende apenas do ministro ordenado. Se foi registrada a intenção, se foi dada a contribuição “devida”, o efeito seria automático.

3. Qual a maneira correta de colocar as intenções?

Claro que a Eucaristia só pode ser celebrada por um sacerdote. Mas cada membro da assembléia pode e deve participar ativamente na Missa. A intenção que foi encomendada deve estar, em primeiro lugar, dentro do nosso próprio coração. Mais importante e mais relevante que a leitura da lista de intenções antes do início da Missa, muitas vezes extensa e monótona, é estar consciente de que podemos nos unir com Jesus que se oferece no sacrifício do altar, colocando mentalmente nossas intenções. Interessante é que há momentos específicos para isso na própria estrutura da celebração:

– quando chegamos à igreja e, em silêncio, nos colocamos diante do sacrário, fazendo já nossas intenções;

– quando o sacerdote, depois do Ato Penitencial ou do Glória diz “oremos”, antes da primeira oração da Missa;

– durante as preces dos fiéis (pena que em muitos lugares não se reserva um tempinho em silêncio para que cada um reze por suas intenções particulares);

– durante a grande Oração Eucarística, quando se reza pela Igreja, pelo Papa, pelo bispo… é o momento de rezar pelos vivos. É mais um momento para colocar, em silêncio, nossas intenções particulares;

– ainda durante a grande Oração Eucarística, quando se reza pelos que já deixaram esta vida (momento de silêncio). É o momento de rezar, no silêncio do coração, pelos nossos falecidos;

– quando se reza pela paz, outro momento privilegiado para colocarmos nossas intenções, agradecer ou pedir pelos que sofrem ou necessitam de uma graça especial;

– na hora da comunhão, estando com Ele dentro do coração. É hora de lhe falar sobre as nossas intenções, na intimidade e na profundeza da fé.

Pare um pouquinho para pensar… Será que a gente não desperdiça essas excelentes oportunidades de colocar bem dentro do Coração de Jesus as nossas intenções, aquelas que de fato podem brotar do nosso próprio coração.

“Mandar celebrar Missa”, o que relativamente é muito fácil, e depois não participar devidamente e conscientemente da Eucaristia acaba sendo um aberrante contrassenso. Você não acha? Em cada comunidade, o costume é diferente. Normalmente, as intenções, por falecidos e outras, são lidas antes da Missa. A leitura deve começar com antecedência suficiente para não atrasar o horário do início da celebração.

As intenções não devem ser lidas depois do Hino de Louvor depois que o presidente diz “Oremos” (IGMR 32). Às vezes, é constrangedor dizer “quem encomendou” a Missa, porque parece comércio. Também é delicado o padre ressaltar alguma das intenções, deixando as outras de lado. Por isso, cada comunidade tem que analisar o procedimento com as intenções de Missa, bem como das espórtulas.

Todos os Párocos e Administradores estão obrigados a aplicar uma Santa Missa, pelos vivos e falecidos de sua Paróquia, aos Domingos e dias santos de guarda (cân. 534). Na igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade é aplicada a Santa Missa (“Pro populo”) de todos os domingos às 18h.

As intenções são feitas somente na Secretaria Paroquial, e pessoalmente, durante a semana. Antes das Missas não teremos mais ninguém à disposição. Devido a alguns abusos, não são mais aceitas as intenções pedidas por telefone e inclusive por e-mail.

Os santos escondidos no dia a dia dão esperança

Quinta-feira, 4 de dezembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano  

Santo Padre pede que fiéis não sejam cristãos de aparência, mas vivam a santidade na vida cotidiana, pois isso é motivo de esperança

Em homilia, Papa destaca exemplo de homens e mulheres que vivem a santidade no cotidiano / Foto: L’Osservatore Romano

Na Missa desta quinta-feira, 4, o Papa Francisco concentrou sua homilia nos “santos do dia a dia”. Ele recordou que há tantos santos escondidos, homens, mulheres, pais e mães de família, doentes, padres que colocam em prática todos os dias o amor de Jesus e isso dá esperança.

É verdadeiramente cristão quem coloca em prática a Palavra de Deus, não basta ter fé. Comentando o Evangelho que fala da casa construída sobre a rocha ou a areia, o Papa convidou a não ser “cristãos de aparência”, cristãos maquiados, porque com um pouco de chuva a maquiagem vai embora.

Francisco enfatizou que não basta pertencer a uma família muito católica, a uma associação ou ser um benfeitor se não se segue a vontade de Deus. Os cristãos de aparência construíram sua casa sobre a areia. Por outro lado, o Papa observou que há muitos santos no povo de Deus, não necessariamente canonizados, mas homens e mulheres que colocam em prática o amor de Jesus. Esses sim construíram a casa sobre a rocha que é Cristo.

“Pensemos nos menores, né? Nos doentes que oferecem os seus sofrimentos pela Igreja, pelos outros. Pensemos em tantos idosos sozinhos, que rezam e oferecem. Pensemos em tantas mães e pais que levam adiante com tanto cansaço sua família, a educação dos filhos, o trabalho cotidiano, os problemas, mas sempre com a esperança em Jesus. Não se vangloriam, mas fazem aquilo que podem”.

Francisco explicou que essas pessoas são os santos do cotidiano. Ele mencionou também o exemplo dos padres que não se fazem ver, mas trabalham em suas paróquias com amor. Eles não se aborrecem, não ficam entediados porque no seu fundamento está a rocha, que é Jesus.

É preciso pensar, disse o Papa, na santidade escondida que está presente na Igreja. Cristãos que pecam, mas se arrependem e pedem perdão. Já os soberbos, os vaidosos, os cristãos de aparência serão abatidos, humilhados, enquanto os humildes levam adiante a salvação colocando em prática a Palavra de Deus.

“Neste tempo de preparação ao Natal, peçamos ao Senhor para sermos fundados firmes na rocha que é Ele, a nossa esperança está Nele. Nós somos todos pecadores, somos frágeis, mas se colocamos a esperança Nele poderemos seguir adiante. E esta é a alegria de um cristão: saber que Nele há esperança, há o perdão, há a paz, há a alegria. E não colocar a nossa esperança em coisas que hoje são e amanhã não serão”.

 

A Comunhão dos Santos

Audiência geral, quarta-feira, 30 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal, Da Redação

Santo Padre disse que a Comunhão dos Santos é uma bela realidade de fé que mostra que o homem não está só

Na catequese desta quarta-feira, 30, Papa Francisco falou sobre a comunhão dos santos. Ele destacou que esta  realidade da fé recorda que o homem não está só, mas existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo.

O tema vem às vésperas da solenidade de Todos os Santos, celebrada nesta sexta-feira, 1º. Recordando o que diz o Catecismo da Igreja Católica, Francisco explicou que a comunhão dos santos entende-se de dois sentidos: comunhão nas coisas santas e a comunhão entre as pessoas santas. O Santo Padre concentrou-se neste segundo aspecto.

“Recorda-nos que não estamos sozinhos, mas existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo. Uma comunhão que nasce da fé”, disse.

Francisco lembrou que o Evangelho de João mostra que, desde o início, Jesus rezou ao Pai pela comunhão entre os discípulos. Nesse sentido, a Igreja é comunhão com Deus e esta relação entre Jesus e o Pai é a matriz do vínculo entre os cristãos.

“Se estamos intimamente inseridos nesta ‘matriz’, nesta fornalha ardente de amor que é a Trindade, então podemos nos tornar realmente um só coração e uma só alma entre nós, porque o amor de Deus queima os nossos egoísmos, os nossos preconceitos, as nossas divisões interiores e exteriores. O amor de Deus queima também os nossos pecados”.

O Papa explicou então que a experiência da comunhão fraterna conduz à comunhão com Deus. E por isso ele acrescentou que a fé precisa do apoio dos outros, especialmente nos momentos difíceis, nos quais é preciso confiar na ajuda de Deus e ter a coragem de abrir-se ao outro para pedir ajuda.

Um último aspecto abordado pelo Pontífice foi o fato de que a comunhão dos santos vai além da vida terrena, vai além da morte e dura para sempre. Graças ao Cristo Ressuscitado, disse, essa união entre os seres humanos, que nasce do Batismo, encontra sua plenitude na vida eterna.

E a comunhão entre terra e céu se realiza especialmente na oração de intercessão. “Sigamos adiante neste caminho com confiança e também com a ajuda dos irmãos e das irmãs que estão no Céu e rezam a Jesus por nós”.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de falar de uma realidade muito bela da nossa fé, ou seja, da “comunhão dos santos”. O Catecismo da Igreja Católica nos recorda que com esta expressão se entendem duas realidades: a comunhão nas coisas santas e a comunhão entre as pessoas santas (n. 948). Concentro-me no segundo significado: trata-se de uma verdade entre as mais consoladoras da nossa fé, pois nos recorda que não estamos sozinhos, mas existe uma comunhão de vida entre todos aqueles que pertencem a Cristo. Uma comunhão que nasce da fé; de fato, o termo “santos” refere-se àqueles que acreditam no Senhor Jesus e estão incorporados a Ele na Igreja mediante o Batismo. Por isto, os primeiros cristãos eram chamados também “os santos” (cfr At 9,13.32.41; Rm 8,27; 1 Cor 6,1).

1. O Evangelho de João mostra que, antes da sua Paixão, Jesus rezou ao Pai pela comunhão entre os discípulos, com estas palavras: “Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (17, 21). A Igreja, em sua verdade mais profunda, é comunhão com Deus, familiaridade com Deus, comunhão de amor com Cristo e com o Pai no Espírito Santo, que se prolonga em uma comunhão fraterna. Esta relação entre Jesus e o Pai é a “matriz” do vínculo entre nós cristãos: se estamos intimamente inseridos nesta “matriz”, nesta fornalha ardente de amor que é a Trindade, então podemos nos tornar verdadeiramente um só coração e uma só alma entre nós, porque o amor de Deus queima os nossos egoísmos, os nossos preconceitos, as nossas divisões interiores e exteriores. O amor de Deus queima também os nossos pecados

2. Se há este enraizamento na fonte do Amor, que é Deus, então se verifica também o movimento recíproco: dos irmãos a Deus; a experiência da comunhão fraterna me conduz à comunhão com Deus.  Estar unidos entre nós nos leva a estar unidos com Deus, leva-nos a esta ligação com Deus que é o nosso Pai. Este é o segundo aspecto da comunhão dos santos que gostaria de destacar: a nossa fé precisa do apoio dos outros, especialmente nos momentos difíceis. Se nós estamos unidos a fé se torna forte. Quanto é belo apoiar-nos uns aos outros na aventura maravilhosa da fé! Digo isto porque a tendência a se fechar no privado influenciou também o âmbito religioso, de forma que muitas vezes é difícil pedir a ajuda espiritual de quantos partilham conosco a experiência cristã. Quem de todos nós não experimentou inseguranças, perdas e ainda dúvidas no caminho da fé? Todos experimentamos isto, também eu: faz parte do caminho da fé, faz parte da nossa vida. Tudo isso não deve nos surpreender, porque somos seres humanos, marcados por fragilidades e limites; todos somos frágeis, todos temos limites. Todavia, nestes momentos de dificuldade é necessário confiar na ajuda de Deus, mediante a oração filial e, ao mesmo tempo, é importante encontrar a coragem e a humildade de abrir-se aos outros, para pedir ajuda, para pedir para nos darem uma mão. Quantas vezes fizemos isto e então saímos do problema e encontramos Deus uma outra vez! Nesta comunhão – comunhão quer dizer comum-união – somos uma grande família, onde todos os componentes se ajudam e se apoiam entre eles.

3. E chegamos a outro aspecto: a comunhão dos santos vai além da vida terrena, vai além da morte e dura para sempre. Esta união entre nós vai além e continua na outra vida; é uma união espiritual que nasce do Batismo e não vem separada da morte, mas, graças a Cristo ressuscitado, é destinada a encontrar a sua plenitude na vida eterna. Há um vínculo profundo e indissolúvel entre quantos são ainda peregrinos neste mundo – entre nós – e aqueles que atravessaram o limiar da morte para entrar na eternidade. Todos os batizados aqui na terra, as almas do Purgatório e todos os beatos que estão já no Paraíso formam uma só grande família. Esta comunhão entre terra e céu se realiza especialmente na oração de intercessão.

Queridos amigos, temos esta beleza! É uma realidade nossa, de todos, que nos faz irmãos, que nos acompanha no caminho da vida e nos faz encontrar-nos de novo no céu. Sigamos por este caminho com confiança, com alegria. Um cristão deve ser alegre, com a alegria de ter tantos irmãos batizados que caminham com ele; apoiado pela ajuda dos irmãos e das irmãs que fazem esta estrada para ir para o céu; e também com a ajuda dos irmãos e das irmãs que estão no céu e rezam a Jesus por nós. Avante por este caminho com alegria!

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