Com a Palavra

Santíssima Trindade

Só existe um Deus, mas nEle há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Deus se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Foi Nosso Senhor Jesus Cristo quem nos revelou este mistério. Ele falou do Pai, do Espírito Santo e d’Ele mesmo como Deus. Logo, não é uma verdade inventada pela Igreja, mas revelada por Jesus. Não a podemos compreender, porque o Mistério de Deus não cabe em nossa cabeça, mas é a verdade revelada.

Santo Agostinho (†430) dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47).

Só existe um Deus, mas n’Ele há três Pessoas divinas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Não pode haver mais que um Deus, pois este é absoluto. Se houvesse dois deuses, um deles seria menor que o outro, e Deus não pode ser menor que outro, pois não seria Deus.

A Trindade é Una. “Não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: “A Trindade consubstancial” (II Conc. Constantinopla, DS 421). “O Pai é aquilo que é o Filho, o Filho é aquilo que é o Pai, o Espírito Santo é aquilo que são o Pai e o Filho, isto é, um só Deus por natureza” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). “Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina” (IV Conc. Latrão, em 1215, DS 804).

A Profissão de Fé do Papa Dâmaso diz: “Deus é único, mas não solitário” (Fides Damasi, DS 71). “Pai”, “Filho”, “Espírito Santo” não são simplesmente nomes que designam modalidades do ser divino, pois são realmente distintos entre si: “Aquele que é Pai não é o Filho, e aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é aquele que é o Pai ou o Filho” (XI Conc. Toledo, em 675, DS 530). São distintos entre si por suas relações de origem: “É o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede” (IV Conc. Latrão, e, 1215, DS 804).

A Igreja ensina que as Pessoas divinas são relativas umas às outras. Por não dividir a unidade divina, a distinção real das Pessoas entre si reside unicamente nas relações que as referem umas às outras:   “Nos nomes relativos das Pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo aos dois; quando se fala destas três Pessoas, considerando as relações, crê-se todavia em uma só natureza ou substância” (XI Conc. Toledo, DS 675). “Tudo é uno [n’Eles] lá onde não se encontra a oposição de relação” (Conc. Florença, em 1442, DS 1330). “Por causa desta unidade, o Pai está todo inteiro no Filho, todo inteiro no Espírito Santo; o Filho está todo inteiro no Pai, todo inteiro no Espírito Santo; o Espírito Santo, todo inteiro no Pai, todo inteiro no Filho” (Conc. Florença, em 1442, DS 1331).

Aos Catecúmenos de Constantinopla, S. Gregório Nazianzeno (330-379), “o Teólogo”, explicava:

“Antes de todas as coisas, conservai-me este bem depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe […]. A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em si mesmo é Deus todo inteiro […]. Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em Seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim (Or. 40,41).

O primeiro Catecismo, chamado “Didaqué”, do ano 90 dizia:

“No que diz respeito ao Batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente. Se não houver água corrente, batizai em outra água; se não puder batizar em água fria, façais com água quente. Na falta de uma ou outra, derramai três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Didaqué 7,1-3).

São Clemente de Roma, Papa no ano 96, ensinava: “Um Deus, um Cristo, um Espírito de graça” (Carta aos Coríntios 46,6). “Como Deus vive, assim vive o Senhor e o Espírito Santo” (Carta aos Coríntios 58,2).

Santo Inácio, bispo de Antioquia (†107), mártir em Roma, afirmava: “Vós sois as pedras do templo do Pai, elevado para o alto pelo guindaste de Jesus Cristo, que é a sua cruz, com o Espírito Santo como corda” (Carta aos Efésios 9,1).

“Procurai manter-vos firmes nos ensinamentos do Senhor e dos Apóstolos, para que prospere tudo o que fizerdes na carne e no espírito, na fé e no amor, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, unidos ao vosso digníssimo bispo e à preciosa coroa espiritual formada pelos vossos presbíteros e diáconos segundo Deus. Sejam submissos ao bispo e também uns aos outros, assim como Jesus Cristo se submeteu, na carne, ao Pai, e os apóstolos se submeteram a Cristo, ao Pai e ao Espírito, a fim de que haja união, tanto física como espiritual” (Carta aos Magnésios 13,1-2).

São Justino, mártir no ano 151, escreveu essas palavras ao imperador romano Antonino Pio: “Os que são batizados por nós são levados para um lugar onde haja água e são regenerados da mesma forma como nós o fomos. É em nome do Pai de todos e Senhor Deus, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, e do Espírito Santo que recebem a loção na água. Este rito foi-nos entregue pelos apóstolos” (I Apologia 61).

São Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de S. João evangelista, mártir no ano 156, declarou: “Eu te louvo, Deus da Verdade, te bendigo, te glorifico por teu Filho Jesus Cristo, nosso eterno e Sumo Sacerdote no céu; por Ele, com Ele e o Espírito Santo, glória seja dada a ti, agora e nos séculos futuros! Amém” (Martírio de Policarpo 14,1-3).

Teófilo de Antioquia, ano 181, confirmou: “Igualmente os três dias que precedem a criação dos luzeiros são símbolo da Trindade: de Deus [=Pai], de seu Verbo [=Filho] e de sua Sabedoria [=Espírito Santo]” (Segundo Livro a Autólico 15,3).

S. Irineu de Lião, ano 189, afirmou: “Com efeito, a Igreja espalhada pelo mundo inteiro até os confins da terra recebeu dos apóstolos e seus discípulos a fé em um só Deus, Pai onipotente, que fez o céu e a terra, o mar e tudo quanto nele existe; em um só Jesus Cristo, Filho de Deus, encarnado para nossa salvação; e no Espírito Santo que, pelos profetas, anunciou a economia de Deus […]” (Contra as Heresias I,10,1).

“Já temos mostrado que o Verbo, isto é, o Filho esteve sempre com o Pai. Mas também a Sabedoria, o Espírito estava igualmente junto d’Ele antes de toda a criação” (Contra as Heresias IV,20,4).

Tertuliano, escritor romano cristão, no ano 210: “Foi estabelecida a lei de batizar e prescrita a fórmula: ‘Ide, ensinai os povos batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo'” (Do Batismo 13).

E o Concílio de Nicéia, ano 325, confirmou toda essa verdade:

“Cremos […] em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido do Pai como Unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não feito, consubstancial com o Pai, por quem foi feito tudo que há no céu e na terra. […] Cremos no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai, com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, o qual falou pelos Profetas” (Credo de Nicéia).

Prof. Felipe Aquino
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Catolicismo questionável

O casal questionou minha fala. Disse que eu não entendia de catequese e tirava a fé do povo. Os dois eram adeptos de anjos que voam ao redor do altar durante a Missa, de velas do tamanho do crente, de repetições no número exato, porque senão não funciona, de imagens de São Miguel com espada luminosa na mão e de Nossa Senhora com uma espada. Falava de Armageddon e de batalha final; garantiu que o anticristo já está neste mundo e governando as nações; afirmava que o código de barra é coisa do demônio, que há doenças que o demônio joga nas pessoas para afastá-las de Deus. Mais ainda! Afirmava que, na comunhão, você recebe também o sangue de Maria, porque ela e Jesus têm o mesmo DNA. Eram adeptos das cerimônias de quebras de maldições por causa da árvore genealógica.

Sou de outra formação catequética e de outra mística. Tive outros professores nenhum deles condenado pela Santa Sé.  Meu catolicismo vai em outra direção. Ela cometeu o erro de me perguntar quem era eu para me opor a uma devoção de milhões de católicos. Que autoridade eu tinha!

Lembrei-lhe que tinha sido ordenado por um bispo e aceito por meus superiores e inúmeros bispos. Nenhum deles me censurou por minha pregação. Além disso, dou aulas de comunicação católica há quase 30 anos.

Se o padre preferido deles é fiel ao catecismo, eu também sou.

Disse mais: – “Eu é que pergunto quem são vocês” Estou aqui há 40 anos e vocês só apareceram agora; posso provar tudo o que digo no Catecismo da Igreja, no Concílio Vaticano II, os Documentos e Encíclicas dos Papas. Posso provar que a catequese e a teologia católica evoluem; que há práticas que não se assume mais diante das novas realidades da evangelização.

Citei doze ou quinze documentos atuais da Igreja, desfilando um após o outro, entre encíclicas e textos com aprovação do Vaticano. Perguntei se tinham lido. Não tinham. Usaram a autoridade de menos de três milhões de católicos, contra a prática de seguramente cento e vinte milhões apenas no Brasil, e de um bilhão e duzentos milhões de católicos no mundo que não seguem tais práticas.

Da parte de alguns católicos, houve um claro retorno as orações do século XII, do século XIII e até a vestimenta daquele tempo. Retornaram àquelas práticas e vestes como a dizer que a Igreja de hoje com suas práticas e vestes não tem o conteúdo e a força da Igreja de oito, nove ou doze séculos atrás. Alguns sacerdotes foram buscar essas orações lá longe no tempo, quando havia tantas a se orar aqui, agora.

Possuem tal direito? Aparentemente sim, porque, se seus bispos aceitam é porque entendem que eles têm esse direito. Mas também eu tenho, como professor de comunicação e de catequese, o mesmo direito que eles, de lembrar que há práticas que um católico não é obrigado a seguir e das quais ele pode discordar em virtude dos documentos da Igreja de hoje.

Nunca me verão divulgando uma imagem de Nossa Senhora com a espada na mão e certamente não divulgaria imagens de São Miguel não com espada. Usaria uma outra, com a mão apontando na direção de Deus e perguntando quem é como Deus: Mi-ca-el. Entre orações que falam com demônio e orações que falam com Deus e pedem a Ele que nos livre do maligno e das malícias, eu prefiro a oração que fala com Deus.

Quanto à quebra de maldição, jamais faria, porque, não acredito que Deus se vingue até a quarta geração. O que foi dito no Antigo Testamento, valia lá; depois disso veio Jesus e vale o que Ele disse: – “Tende confiança, eu venci o mundo”. E vale também o que disse São Paulo aos Filipenses, aos Gálatas e aos Colossenses a respeito do poder Salvador do sangue de Cristo, que pagou pelos nossos pecados antecipadamente e nos remiu com seu sangue; e salvou a todos de uma vez por todas ao morrer por todos. Não acredito que alguém tenha que pagar pelo seu bisavô ou tetravô por causa da árvore genealógica. Cada qual responde pelos próprios pecados e isto está no Catecismo da Igreja.

O casal deve ter achado que eu sou um padre estranho; mas poderiam ter se olhado no espelho e percebido que estranho são eles; estão pregando doutrinas alheias ao Catecismo e aos documentos da Igreja.

José Fernandes de Oliveira (Padre Zezinho scj)
Sacerdote católico, educador e pregador
Dehoniano, missionário

O Espírito Santo é Mestre de vida interior

Recorda-nos as palavras de Jesus, e leva-nos a falar aos outros: Papa na Missa de Pentecostes

Decorre neste momento, a partir das 10 horas, na basílica de São Pedro, a Missa do Pentecostes, presidida pelo Papa Francisco, que, na homilia, comelou por sublinhar que a efusão do Espírito Santo não ficou confinada àquele dia, em Jerusalém, mas é um evento que continua a renovar-se. Cristo glorificado continua a manter a sua promessa enviando sobre a Igreja o Espírito vivificante que nos ensina, nos recorda, nos leva a falar.

Ensina, recorda, leva a falar: estas as três acções do Espírito Santo desenvolvidas pelo Papa na homilia desta missa e por ele recapitulados no final, nos seguintes termos: “o Espírito Santo ensina-nos o caminho; recorda-nos e explica-nos as palavras de Jesus; faz-nos rezar e chamar Pai a Deus, leva-nos a aos homens no diálogo fraterno e na profecia”.

Antes de mais, o Espírito ensina o caminho, é Mestre de vida: “O Espírito Santo ensina-nos, é o Mestre interior. Guia-nos pelo justo caminho, através das situações da vida. Ensina-nos o caminho.

Nos primeiros tempos da Igreja – recordou o Papa – o Cristianismo era chamado “a Via”, o caminho, que é Jesus. Mais do que mestre de doutrina, o Espírito é um mestre de vida. Por outro lado, o Espírito Santo recorda-nos tudo o que Jesus disse. É a memória viva da Igreja.

Não é só uma questão mental, de palavras a fixar. É um aspecto essencial da presença de Cristo em nós e na Igreja. O Espírito de verdade e caridade faz-nos entrar cada vez mais plenamente no sentido das suas palavras.

Um cristão sem memória não é um verdadeiro cristão, é um prisioneiro do momento, que não sabe… viver a sua história como história de salvação… Com a ajuda do Espírito Santo, podemos interpretar as inspirações interiores e os acontecimentos da vida à luz das palavras de Jesus”.

 

Sair e anunciar
No Regina Coeli, Papa fala sobre festa de Pentecostes  
Domingo, 8 de junho de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco destacou que a Igreja que nasce em Pentecostes não é elemento decorativo, mas chamada a sair e anunciar Cristo

No Regina Coeli deste domingo, 8, Papa Francisco falou sobre a festa de Pentecostes, celebrada pela Igreja hoje. Ele destacou que este é um acontecimento que marca o nascimento da Igreja e seu caráter de sair e ir ao encontro das pessoas, não ficar fechada em si mesma. Francisco explicou que a festa de Pentecostes comemora a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo. Um elemento fundamental dessa festa, segundo ele, é a surpresa. “A Igreja que nasce em Pentecostes é uma comunidade que suscita estupor porque, com a força que vem de Deus, anuncia a mensagem nova – a Ressurreição de Cristo – com uma linguagem nova – aquela universal do amor”. Os discípulos foram revestidos de poder do alto e começaram a falar com coragem e a liberdade do Espírito Santo. A Igreja, disse Francisco, é chamada a ser sempre assim, capaz de surpreender anunciando a todos que Jesus Cristo venceu a morte. “Justamente para essa missão Jesus ressuscitado deu o seu Espírito à Igreja. Uma Igreja que não tem a capacidade de surpreender é uma Igreja fraca”. O Santo Padre destacou outro aspecto da celebração de Pentecostes: a confusão. Ele explicou que, naquela época, alguém teria preferido que os discípulos de Jesus permanecessem fechados em casa para não criar desordem, mas em vez disso, Jesus os envia ao mundo. “A Igreja de Pentecostes é uma Igreja que não se resigna a ser inócua, elemento decorativo. É uma Igreja que não hesita em ir para fora, ao encontro das pessoas, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada, embora essa mensagem perturbe e inquiete as consciências”. Concluindo suas reflexões, o Santo Padre convidou todos a se dirigirem a Maria para que ela interceda por uma renovada efusão do Espírito de Deus sobre a Igreja e o mundo.

 

REGINA COELI

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! A festa de Pentecostes comemora a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo. Como a Páscoa, é um evento que aconteceu durante a pré-existente festa judaica, e que leva a uma realização surpreendente. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve os sinais e os frutos daquela extraordinária efusão: o vento forte e as chamas de fogo; o medo desaparece e dá lugar à coragem; as línguas se soltam e todos entendem o anúncio. Onde chega o Espírito de Deus, tudo renasce e se transfigura. O evento de Pentecostes marca o nascimento da Igreja e a sua manifestação pública; e nos surpreendem dois aspectos: é uma Igreja que surpreende e desordena. Um elemento fundamental de Pentecostes é a surpresa. O nosso Deus é o Deus das surpresas, sabemos disso. Ninguém esperava mais nada dos discípulos: depois da morte de Jesus, eram um grupo insignificante, derrotados órfãos de seu Mestre. Em vez disso, se verifica um evento inesperado que desperta admiração: as pessoas ficam perturbadas porque cada uma ouvia os discípulos falarem em sua própria língua, contando as grandes obras de Deus (cfr. At 2, 6-7.11). A Igreja que nasce em Pentecostes é uma comunidade que causa admiração porque, com a força que vem de Deus, anuncia uma mensagem nova – a Ressurreição de Cristo – com uma linguagem nova – aquela universal do amor. Um anúncio novo: Cristo está vivo, ressuscitou; uma linguagem nova: a linguagem do amor. Os discípulos são revestidos de poder do alto e falam com coragem – poucos minutos antes estavam todos covardes, mas agora falam com coragem e franqueza, com a liberdade do Espírito Santo. Assim é chamada a ser sempre a Igreja: capaz de surpreender anunciando a todos que Jesus Cristo venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que sua paciência está sempre ali nos esperando para nos curar, para nos perdoar. Justamente para esta missão Jesus ressuscitado doou o seu Espírito à Igreja. Atenção: se a Igreja está viva, deve sempre surpreender. É próprio da Igreja viva surpreender. Uma Igreja que não tem a capacidade de surpreender é uma Igreja fraca, doente, moribunda e precisa ser internada na unidade de terapia intensiva, o quanto antes! Alguém, em Jerusalém, teria preferido que os discípulos de Jesus, bloqueados pelo medo, permanecessem fechados em casa para não criar desordem. Também hoje tantos querem isso dos cristãos. Em vez disso, o Senhor ressuscitado leva-os ao mundo: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20, 21). A Igreja de Pentecostes é uma Igreja que não se resigna em ser inócua, tão “destilada”. Não, não se resigna a isto! Não quer ser um elemento decorativo. É uma Igreja que não hesita em ir para fora, ao encontro do povo, para anunciar a mensagem que lhe foi confiada, mesmo se aquela mensagem perturba ou inquieta as consciências, mesmo se aquela mensagem leva, talvez, problemas e também, às vezes, nos leva ao martírio. Essa nasce una e universal, com uma identidade precisa, mas aberta, uma Igreja que abraça o mundo, mas não o captura; deixa-o livre, mas o abraça como a colunata desta Praça: dois braços que se abrem para acolher, mas não se fecham para segurar. Nós cristãos somos livres e a Igreja nos quer livres! Dirijamo-nos à Virgem Maria, que naquela manhã de Pentecostes estava no Cenáculo, e a Mãe estava com os filhos. Nela a força do Espírito Santo realizou realmente “coisas grandes” (Lc 1, 49). Ela mesma o havia dito. Ela, Mãe do Redentor e Mãe da Igreja, obtenha com a sua intercessão uma renovada efusão do Espírito de Deus sobre a Igreja e sobre o mundo.

O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais

Segunda-feira, 9 de maio de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia o Papa Francisco refletiu sobre a presença do Espírito Santo e afirmou que Ele liberta todos da condição de órfão

“O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais”, disse o Papa na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, 9. Francisco dirigiu ainda um pensamento especial às religiosas vicentinas que trabalham na Casa Santa Marta, no dia da festa litúrgica da fundadora da Companhia, Santa Luísa de Marillac.

O Pontífice exortou os fiéis a se deixarem guiar pelo Espírito Santo, que ensina o caminho da verdade. ‘Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo’, disse o Papa comentando o diálogo entre Paulo e alguns discípulos, em Éfeso, para se deter na presença do Espírito Santo na vida dos cristãos.

“Também hoje acontece como aconteceu aos discípulos que, mesmo crendo em Jesus, não sabiam quem era o Espírito Santo”, frisou Francisco, acrescentando que muitas pessoas dizem que aprenderam no catecismo que o Espírito Santo está na Trindade e não sabem mais nada além disso.

Não mais órfãos

“O Espírito Santo é aquele que move a Igreja. É aquele que trabalha na Igreja, em nossos corações. Ele faz de cada cristão uma pessoa diferente da outra, e de todos juntos faz a unidade. O Espírito Santo é aquele que leva adiante, escancara as portas e convida a testemunhar Jesus.”

Francisco observa que no inicio da missa, os fiéis ouviram: receberão o Espírito Santo e serão minhas testemunhas no mundo. “O Espírito Santo é aquele que nos impulsiona a louvar a Deus, nos induz a rezar. Ele reza, em nós. O Espírito Santo é aquele que está em nós e nos ensina a olhar para o Pai e dizer-lhe: Pai. Ele nos liberta da condição de órfão para a qual o espírito do mundo quer nos conduzir.”

“O Espírito Santo é o protagonista da Igreja viva. É aquele que trabalha na Igreja”, frisou ainda Francisco. “Porém, quando não vivemos isso, quando não estamos à altura dessa missão do Espírito Santo, a fé corre o risco de se reduzir a uma moral ou uma ética”.

“Não devemos nos deter em cumprir os mandamentos e nada mais. Isso pode ser feito, isso não; até aqui sim, até lá não! Dali se chega à casuística e a uma moral fria”.

Não tornar o Espírito Santo “prisioneiro de luxo”

O Santo Padre reiterou dizendo que a vida cristã não é uma ética: é um encontro com Jesus Cristo e é o próprio Espírito Santo que leva a este encontro com Jesus Cristo.

“Mas nós, em nossas vidas, temos em nossos corações o Espírito Santo como um ‘prisioneiro de luxo’: não deixamos que ele nos impulsione, não deixamos que nos movimente. Ele faz tudo, sabe tudo, sabe nos lembrar o que Jesus disse, sabe nos explicar as coisas de Jesus. Somente uma coisa o Espírito Santo não sabe fazer: ‘cristãos de salão’. Ele não sabe fazer ‘cristãos virtuais’. Ele faz cristãos reais, Ele assume a vida real como ela é, com a profecia de ler os sinais dos tempos e assim nos levar avante. É o maior prisioneiro do nosso coração. Nós dizemos: é a terceira Pessoa da Trindade e acabamos ali.”

Refletir sobre o que o Espírito Santo faz em nossas vidas

Esta semana, acrescentou o Papa, será de reflexão sobre o que o Espírito Santo faz em “nossa” vida e perguntar-se se ele “nos” ensinou o caminho da liberdade.

“O Espírito Santo, que habita em mim, pede-me para sair: tenho medo? Como é a minha coragem, que o Espírito Santo me dá para sair de mim mesmo, para dar testemunho de Jesus?”continuou Francisco, e disse ainda: “Como está a minha paciência nas provações? Porque o Espírito Santo também dá a paciência.”

O Papa convida todos a pensar nesta semana de preparação para a Festa de Pentecostes se realmente acredita no Espírito Santo ou é apenas uma palavra.

“Procuremos falar com ele e dizer: “Eu sei que estás no meu coração, que estás no coração da Igreja, que levas adiante a Igreja, que fazes a unidade entre nós, mas diferentes entre nós, na diversidade de todos nós”, disse Francisco.

Ao concluir, o Pontífice orienta para “falarmos todas essas coisas e pedir a graça de aprender, mas praticamente na minha vida, o que Ele faz. É a graça da docilidade para com Ele: ser dócil ao Espírito Santo. Esta semana vamos fazer isso: pensemos no Espírito Santo, e falemos com ele”.

Espírito Santo nos impulsiona a chamar Deus de Pai

Quarta-feira, 23 de maio de 2012 / Nicole Melhado / Da Redação 

Junto aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração  

Nesta quarta-feira, 23, o Papa Bento XVI continuou o ciclo de Catequeses sobre a oração. Aos peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Santo Padre ressaltou que o Espírito Santo “nos ensina a nos dirigir a Deus como filhos, chamando-O de ‘Abbá, Pai’” com a simplicidade, o respeito, a confiança e o afeto de um filho por seus pais.

“Queridos irmãos e irmãs, o Espírito Santo nos ensina a tratar Deus, na oração, com os termos afetuosos de ‘Abbá, Pai!’, como fez Jesus. São Paulo, tanto na carta aos Gálatas como na carta aos Romanos, afirma que é o Espírito que clama em nós ‘Abbá, Pai!’”, ressaltou o Pontífice.

Bento XVI enfatiza ainda que a Igreja acolheu esta invocação, que é repetida na oração do “Pai-Nosso” e “poder chamar Deus de Pai é um dom inestimável”. Ele não é somente o Criador, explica o Papa, mas é quem conhece cada um pelo nome, Aquele que cuida e ama todos imensamente, como ninguém no mundo é capaz de amar.

“Hoje muitos não se dão conta da grandeza e da consolação profunda contidas na palavra ‘Pai’, dita por nós a Deus na oração. O Espírito Santo ilumina o nosso espírito, unindo-nos à relação filial de Jesus com o Pai. Realmente, sempre que clamamos ‘Abbá, Pai!’, fazemos isso movidos pelo Espírito, com Cristo e em Cristo, e sempre em união com toda a Igreja”, afirma o Papa.

Talvez o homem de hoje, ressaltou o Pontífice, não perceba a beleza, a grandeza e a consolação profunda contida na palavra “pai”, porque a própria figura paterna não seja suficientemente presente e, muitas vezes, suficientemente positiva na vida cotidiana.

“A ausência do Pai, o fato de um pai não ser presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, torna-se difícil entender na sua profundidade o que quer dizer que Deus é Pai para nós”, salienta.

Na oração, explica ainda Bento XVI, entramos numa relação de intimidade e familiaridade com um Deus pessoal, que quis nos fazer participantes da plenitude da vida, que nunca nos abandona. Na oração, não somente nos dirigimos a Deus, mas entramos numa relação recíproca com Ele. Uma relação em que nunca estamos sós: Cristo nos acompanha pessoalmente, e também a comunidade cristã, com toda a diversidade e a riqueza dos seus carismas, como família dos filhos de Deus.

No final da catequese, o Santo Padre saudou os fiéis e grupos de peregrinos nos vários idiomas, entre eles, os brasileiros.   “Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem-vindos! Saúdo de modo particular os brasileiros do Rio de Janeiro, do Rio Grande de Sul, bem como as Irmãs Franciscanas de São José. Com a proximidade da solenidade de Pentecostes, procurai, a exemplo de Nossa Senhora, estar abertos à ação do Espírito Santo na vossa oração, de tal modo que o vosso pensar e agir se conformem sempre mais com os do seu Filho Jesus Cristo. De coração vos abençôo a vós e às vossas famílias!”, disse o Papa em português.

 

Catequese Bento XVI – Oração Cartas de Paulo (2)  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)

Queridos irmãos e irmãs.

Quarta-feira passada mostrei como São Paulo diz que o Espírito Santo é o grande mestre da oração e nos ensina a nos dirigirmos a Deus com os termos afetuosos de filhos, chamando-o de “Abbá, Pai”. Assim fez Jesus: também no momento mais dramático da sua vida terrena, Ele não perdeu a confiança no Pai e sempre o invocou com a intimidade do Filho Amado. No Getsêmani, quando sente a angústia da morte, a sua oração é: “Abbá! Pai! Tudo é possível a ti: afasta de mim este cálice! Mas, não se faça aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Mc 14,36).

Desde os primeiros passos do seu caminho, a Igreja acolheu esta invocação e a fez própria, sobretudo na oração do Pai Nosso, na qual dizemos todos os dias: “Pai, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6, 9-10). Nas cartas de São Paulo a encontramos duas vezes. O apóstolo se dirige aos Gálatas com estas palavras: “E pelo fato de serdes filhos de Deus é a prova que Ele mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, o qual grita em nós: “Abbá! Pai!” (Gal 4,6). E no centro desse canto ao Espírito que está no capítulo oitavo da carta aos Romanos, São Paulo afirma: “E vós não recebestes um espírito de escravos para cair no medo, mas recebestes o Espírito que vos torna filhos adotivos, por meio do qual gritamos: “Abbá, Pai!” (Rom 8,15). O cristianismo não é uma religião do medo, mas da confiança e do amor do Pai que nos ama. Essas duas grandes afirmações nos falam do envio e do acolhimento dado ao Espírito Santo, o dom do Ressuscitado, que nos torna filhos em Cristo, o Filho Unigênito, e nos coloca em uma relação filial com Deus, relação de profunda confiança, como aquela das crianças; uma relação filial análoga àquela de Jesus, mesmo essa sendo de origem e teor diferentes: Jesus é o Filho eterno de Deus que se fez carne, por outro lado, nós, nos tornamos filhos nele, no tempo, mediante a fé e os Sacramentos do Batismo e do Crisma; graças a esses dois Sacramentos, mergulhamos no Mistério Pascal de Cristo. O Espírito Santo é o dom precioso e necessário que nos torna filhos de Deus, que realiza aquela adoção filial a qual somos chamados, todos os seres humanos, para que, como retrata a benção divina da Carta aos Efésios, Deus, em Cristo, “nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante dele na caridade, predestinando-nos a sermos para Ele filhos adotivos mediante Jesus Cristo” (Ef 1,4).

Talvez o homem de hoje não perceba a beleza, a grandeza, e a consolação profunda contidas na palavra “pai” com a qual podemos nos dirigir a Deus na oração, por causa da figura paterna que geralmente não é suficientemente presente, ou suficientemente positiva na vida cotidiana, nos tempos de hoje. A essência do pai, o problema de um pai não presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, se torna difícil entender na sua profundidade o que significa dizer que Deus é Pai para nós. A partir do próprio Jesus, do seu relacionamento filial com Deus, podemos aprender o que significa exatamente o “pai”, qual é a verdadeira natureza do Pai que está nos céus. Críticos da religião disseram que falar do “Pai”, de Deus, seria uma projeção dos nossos pais ao céu. Mas, é verdade o contrário: no Evangelho, Cristo nos mostra quem é o pai e como é um verdadeiro pai, para que possamos intuir a verdadeira paternidade, aprender também a verdadeira paternidade. Pensemos nas palavras de Jesus no sermão da montanha onde diz: “amais os vossos inimigos e orais por aqueles que vos perseguem, para que sejais filhos do Pai vosso que está nos céus” (Mt 5,44-45). É exatamente no amor de Jesus, o Filho Unigênito – que é ampliado pelo dom de si mesmo na cruz –  que se é revelada a nós a verdadeira natureza do pai: “Ele é Amor, e também nós, na nossa oração de filhos, entramos nesse circuito de amor, amor de Deus que purifica os nosso desejos, as nossas atitudes marcadas pelo fechamento, autossuficiência, do egoísmo típico do homem velho.

Gostaria de concentrar-me sobre a paternidade de Deus, para que possamos fazer com que o nosso coração seja abrasado por esta profunda realidade que Jesus Cristo nos fez conhecer plenamente e para que a nossa oração seja nutrida. Podemos dizer, portanto, que em Deus, o ser Pai tem duas dimensões. Antes de tudo, Deus é nosso Pai, porque é nosso Criador. Cada um de nós, todo homem e toda mulher é um milagre de Deus, é desejado por Ele e é conhecido pessoalmente por Ele. Quando no livro do Gênesis se diz que o ser humano é criado à imagem de Deus (CFR 1,27), se deseja exprimir exatamente esta realidade: Deus é nosso Pai, para Ele não somos anônimos, impessoais, mas temos um nome. E uma palavra nos Salmos, me toca sempre quando a rezo: “As tuas mãos me plasmaram”, diz o salmista (Sal 119,73). Cada um de nós, pode dizer, nesta bela imagem da relação pessoal com Deus: “As tuas mãos me plasmaram. Pensaste em mim, me criaste, me quiseste”. Mas isso ainda não basta. O Espírito de Cristo nos abre a uma segunda dimensão da paternidade de Deus, além da criação, porque Jesus é o Filho em sentido pleno, consubstancial ao Pai, como professamos no Creio. Se tornando um ser humano como nós, com a encarnação, a morte e a ressurreição, Jesus, por sua vez, nos acolhe na sua humanidade e no próprio ser Filho, assim, também nós podemos entrar na sua específica pertença a Deus. Certamente o nosso ser filhos não tem a plenitude do ser Filho de Jesus: nós devemos nos tornar sempre mais, ao longo do caminho de toda a nossa existência cristã, crescendo no seguimento de Cristo, na comunhão com Ele para entrar sempre mais intimamente na relação de amor com Deus Pai, que sustenta nossa vida. E é essa a realidade fundamental que nos vem aberta quando nos abrimos ao Espírito Santo e Ele nos faz dirigir a Deus dizendo-lhe “Abbá”, Pai! Entramos realmente além da criação na adoção com Jesus; estamos realmente unidos em Deus, e filhos em um modo novo, em uma dimensão nova.

Mas gostaria agora de retornar aos dois trechos de São Paulo nos quais estamos considerando a ação do Espírito Santo na nossa oração; também aqui são dois passos que se correspondem, mas contém uma definição diferente. Na carta aos Gálatas, de fato, o apóstolo afirma que o Espírito grita em nós “Abbá!Pai!”; já na carta aos Romanos diz que somos nós a gritar “Abbá!Pai!”. E São Paulo quer nos fazer compreender que a oração cristã não é nunca, não acontece nunca em sentido único de nós a Deus, não é somente um “agir nosso”, mas é expressão de uma relação recíproca na qual Deus age primeiro: é o Espírito Santo que grita em nós, e nós podemos gritar para que o impulso venha do Espírito Santo. Nós não poderíamos rezar se não fosse inscrito na profundidade do nosso ser o desejo de Deus, o ser filhos de Deus. Desde quando passou a existir, o homo sapiens está sempre à procura de Deus, à procura de falar com Deus, porque Deus inscreveu-se nos nossos corações. Portanto, a primeira iniciativa vem de Deus, e com o Batismo, Ele de novo age em nós, o Espírito Santo age em nós; é o primeiro iniciador da oração para que possamos depois realmente falar com Deus e dizer “Abbá” a Deus. Portanto, a sua presença abre a nossa oração e a nossa vida, abre os horizontes da Trindade e da Igreja.

Além disso, compreendemos – este é um segundo ponto – que a oração do Espírito de Cristo em nós e a nossa nele, não é somente um ato individual, mas um ato de toda a Igreja. No rezar se abre o nosso coração, entramos em comunhão não somente com Deus, mas exatamente com todos os filhos de Deus, para que sejamos uma coisa só. Quando nos dirigimos ao Pai na nossa morada interior, no silêncio e no recolhimento, não estamos nunca sozinhos. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, somos parte de uma grande sinfonia que  a comunidade cristã, espalhada em todas as partes da terra e em todos os tempos, eleva a Deus; claro, os músicos e os instrumentos são diferentes –  e isso é um elemento de riqueza – , mas a melodia de louvor é única e em harmonia. Todas as vezes, então, que gritamos e dizemos: “Abbá!Pai!” é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração que sustenta a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja. Isso também se reflete na riqueza dos carismas, dos ministérios, das tarefas que realizamos na comunidade. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Existem diversos carismas, mas somente um é o Espírito; existem diversos ministérios, mas um só é o Senhor; existem diversas atividades, mas um só é o Deus que age em todos nós” (I Cor 12,4-6). A oração guiada pelo Espírito Santo, que nos faz dizer: “Abbá! Pai” com Cristo e em Cristo, nos insere no único grande mosaico da família de Deus no qual cada um tem um lugar importante e um papel importante, em profunda unidade com o todo.

Uma última reflexão: nós aprendemos a gritar “Abbá, Pai” também com Maria, a Mãe do Filho de Deus. O cumprimento da plenitude dos tempos, do qual fala São Paulo na Carta aos Gálatas (cfr 4,4), acontece no momento do sim de Maria, da sua adesão plena à vontade de Deus: “eis, sou a serva do Senhor” (Lc 1,38).

Queridos irmãos e irmãs, aprendemos a provar na nossa oração a beleza de sermos amigos, filhos de Deus, de poder invocá-lo com a confiança de uma criança que se dirige aos pais que a amam. Abramos a nossa oração à ação do Espírito Santo para que nós gritemos a Deus “Abbá! Pai” e para que a nossa oração transforme, converta constantemente o nosso pensar, o nosso agir para torná-lo sempre mais conforme àquele do Filho Unigênito, Jesus Cristo. Obrigado.

O silêncio de Maria depois do Pentecostes

O intrigante silêncio da Virgem Maria depois do Pentecostes e a missão da Mãe de Jesus na Igreja

Depois do Pentecostes, o silêncio da Santíssima Virgem Maria é, a princípio, quase incompreensível, pois a Mãe de Jesus esteve presente, nos atestam a Palavra de Deus e a Tradição, nos três momentos constitutivos do mistério de Cristo e da Igreja: a Encarnação no Verbo, o Mistério Pascal e o Pentecostes1. No Cenáculo, Nossa Senhora está presente juntamente com algumas mulheres, mas, num plano superior, não somente em relação a elas, mas também aos apóstolos. A Virgem Maria está presente como “Mãe de Jesus”2! Isso significa que “o Espírito Santo, que está por vir, é ‘o Espírito do seu Filho’! Entre ela e o Paráclito há uma ligação objetiva e indestrutível, que é o próprio Jesus que juntos geraram”3. No Calvário, Maria está aos pés da cruz de Jesus como Mãe da Igreja; no Cenáculo, ela se mostra como madrinha: “uma batizada pelo Espírito que, agora, apresenta a Igreja para o batismo do Espírito. Se os batizados são adultos, a madrinha assiste-os na preparação; é o que Maria fez com os apóstolos e faz conosco”4. Mas, depois do Pentecostes, quando os apóstolos e os discípulos de Jesus foram batizados pelo Espírito Santo, a Mãe de Cristo desaparece, no mais profundo silêncio. Como entender esse silêncio de Maria na Palavra de Deus depois do Pentecostes?

Para entender o silêncio de Nossa Senhora não podemos partir da Palavra de Deus, pois não há nenhuma fonte escrita que nos dê informações a respeito dela. Porém, por indução, a partir dos frutos e das realizações que a Palavra produziu na Igreja, podemos extrair da experiência dos santos algo que diz respeito à vida interior da Mãe da Igreja, pois há leis e elementos constantes no campo da vida espiritual e da santidade dela. Por isso, a partir da experiência dos santos e das santas, que deixaram suas famílias, seus trabalhos e seus bens para se dedicarem inteiramente a Deus, numa vida silenciosa e escondida, podemos compreender melhor o silêncio de Maria depois do Pentecostes, que marca o início da missão da Igreja.

A Virgem Maria “foi a primeira monja da Igreja. Depois de Pentecostes, é como se ela tivesse entrado para uma clausura”5. A vida de Nossa Senhora, agora, “está escondida com Cristo em Deus”6. Da mesma forma que na vida dos santos, o silêncio de Maria é o argumento mais seguro e eloquente de todos. “Maria inaugurou, na Igreja, aquela segunda alma ou vocação, que é a alma escondida e orante, ao lado da alma apostólica e ativa”7. Os apóstolos, depois de receber o Espírito Santo, vão logo às praças para pregar8, fundam e dirigem igrejas9, enfrentam processos10 e convocam um Concílio11. Mas a respeito de Maria nada se fala, pois ela permanece unida em oração com as mulheres no Cenáculo. Dessa forma, o silêncio dela nos mostra que, na Igreja, o serviço na construção do Reino dos Céus não é tudo, são indispensáveis as almas orantes que o sustentam.

Nossa Senhora é o “protótipo e o modelo acabado”12 da Igreja. A Mãe de Deus é imagem da Igreja “enquanto arquétipo, isto é, enquanto ‘ideia’ realizada de forma perfeita e inigualável”13. Para compreender esse carisma de Maria, voltemo-nos à experiência de Santa Teresinha do Menino Jesus, na descoberta de sua vocação na Igreja. Depois de ler a descrição dos carismas feita por São Paulo, Teresinha “teria desejado ser apóstolo, sacerdote, mártir… […] Esses desejos tinham-se tornado para ela um verdadeiro martírio, até que, um dia, eis a descoberta: o Corpo de Cristo tem um coração que move todos os membros e sem o qual tudo pararia. E no auge da alegria, exclamou: ‘No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor e assim serei tudo!’14” Naque dia, Santa Teresinha descobriu a vocação de Maria: ser, na Igreja, o coração que ama, o coração que ninguém vê, mas que tudo move; sem ele, todo o seu corpo pararia.

Assim, a presença da Virgem Maria na Igreja foi, e continua sendo, presença orante e silenciosa, escondida aos olhos dos homens. Essa é a vocação dos religiosos e religiosas, que também diz respeito à vocação dos leigos e leigas na Igreja. Essa vocação ao silêncio, ao escondimento e à oração foi revelada a Santa Faustina, em um momento de oração, pela própria Mãe de Jesus: “Vossa vida deve ser semelhante a minha: silenciosa e oculta, continuamente unida a Deus, em súplica pela humanidade e a preparar o mundo para a segunda vinda de Deus”15. Acolhamos essas palavras de Nossa Senhora e procuremos vivê-la com uma vida silenciosa e oculta, continuamente unida a Deus, em oração suplicante pela salvação da humanidade, preparando o mundo para a segunda vinda de Jesus Cristo. Essa é a vocação de Maria e a nossa vocação, a vocação da Igreja: no silêncio, no escondimento e na oração, ser o coração que ama e que tudo move, para preparar um povo bem disposto para a vinda de Cristo e para o Reino dos Céus. Nossa Senhora, Mãe da Igreja, rogai por nós!

1Cf. Lc 1, 26-38; Jo 19, 25-27; At 1, 14.
2At 1, 14.
3CANTALAMESSA, Raniero. Maria, um espelho para a Igreja. Aparecida: Santuário, 1992, p. 129.
4Idem, p. 130.
5Idem, ibidem.
6Cl 3, 3.
7CANTALAMESSA, Raniero. Op. cit. Aparecida: Santuário, 1992, p. 131.
8Cf. At 2, 14-36; 5, 12-16; 9, 26-30.
9Cf. At 6, 1-7; 9, 19b-25; 11, 19-26.
10Cf. At 4, 1-22; 5, 17-42; 7, 1-60.
11Cf. At 15, 4-21.
12CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium. São Paulo: Paulus, 1997, 53.
13RATZINGER, Cardeal Joseph; BALTHASAR, Hans Urs Von. Maria, Primeira Igreja. Coimbra: Coimbra, 1997, p. 143.
14CANTALAMESSA, Raniero. Op. cit. Aparecida: Santuário, 1992, p. 131.
15SANTA MARIA FAUSTINA KOWALSKA. Diário: a Misericórdia Divina na minha alma. Curitiba: Brasileira, 1995, 625.

Natalino Ueda

Creio no Espírito Santo

A Missão do Espírito Santo

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade coopera com o Pai e o Filho desde o início do desígnio de nossa salvação até sua consumação, mas, nos “últimos tempos” – inaugurados com a Encarnação redentora do Filho –, o Espírito se revelou e nos foi dado, foi reconhecido e acolhido como Pessoa (cfr. Catecismo, 686).

Por obra do Espírito, o Filho de Deus se fez Carne nas entranhas puríssimas da Virgem Maria. O Espírito O ungiu desde o início; por isso, Jesus Cristo é o Messias desde o início de Sua humanidade, isto é, desde Sua própria Encarnação (cf. Lc 1,35). Jesus Cristo revela o Espírito com Seus ensinamentos, cumprindo a promessa feita aos patriarcas (cf. Lc 4, 18s), e o comunica à Igreja nascente, exalando o Seu alento sobre os apóstolos, depois de Sua Ressurreição (cf. Compêndio, 143).

No dia de Pentecostes, o Espírito foi enviado para permanecer, desde então, na Igreja, Corpo místico de Cristo, vivificando-a e guiando-a com Seus dons e com a Sua presença. Por isso se diz também que a Igreja é Templo do Espírito Santo, e que Este é como a alma da Igreja.

No dia de Pentecostes, o Espírito desceu sobre os apóstolos e os primeiros discípulos, mostrando, com sinais externos, a vivificação da Igreja fundada por Cristo. “A missão de Cristo e do Espírito se converte na missão da Igreja, enviada para anunciar e difundir o mistério da comunhão trinitária” (Compêndio,144). O Paráclito faz o mundo entrar nos “últimos tempos”, no tempo da Igreja.

A animação da Igreja pelo Espírito Santo garante que se aprofunde, conserve-se, sempre vivo e sem perda, tudo o que Cristo disse e ensinou nos dias em que viveu na Terra, até Sua ascensão; além disso, pela celebração-administração dos sacramentos, o Espírito santifica a Igreja e os fiéis, fazendo com que ela continue sempre a levar as almas a Deus.

“A missão do Filho e a do Espírito Santo são inseparáveis, porque, na Trindade indivisível, o Filho e o Espírito são distintos, mas inseparáveis. Com efeito, desde o princípio até o fim dos tempos, quando Deus envia Seu Filho, envia também Seu Espírito, que nos une a Cristo na fé, a fim de que possamos, como filhos adotivos, chamar a Deus de ‘Pai’ (Rm 8, 15). O Espírito é invisível, mas nós o conhecemos por meio de Sua ação, quando nos revela o Verbo e quando atua na Igreja” (Compêndio, 137).

Miguel de Salis Amaral
http://www.opusdei.org.br

É o Espírito Santo quem nos faz reconhecer a Verdade

Catequese do Papa Francisco sobre a ação do Espírito Santo
Quarta-feira, 15 de maio  de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

“A Verdade é  um encontro com uma Pessoa”, explica Papa Francisco.

“O Espírito Santo, então, como Jesus promete, nos guia ‘a toda a verdade’”, destaca Papa.

Na Catequese desta quarta-feira, 15, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco falou sobre a ação do Espírito Santo na condução da Igreja e de cada pessoa rumo à Verdade.

O Santo Padre destacou que vivemos em uma época de muito ceticismo em relação à verdade, como afirmou, muitas vezes, o Papa emérito Bento XVI sobre o relativismo.

Existe realmente a verdade? Podemos conhecê-la? Questionou o Papa. E recordou a ocasião na qual Pôncio Pilatos questiona a Jesus sobre o que é a verdade (cf. Jo 18,37-38). Francisco explica que “Pilatos não consegue entender que a Verdade está diante dele, não consegue ver em Jesus a face da verdade, que é o rosto de Deus”.

De fato, explicou o Santo Padre, a verdade não se “agarra” como uma coisa, mas se encontra.  É um encontro com uma Pessoa. “E Jesus é a Verdade que, na plenitude dos tempos, “se fez carne” (Jo 1,1.14), veio a nós para que nós a conhecêssemos”.

Entretanto, destacou o Papa, é o Espírito Santo quem nos faz reconhecer a Verdade. “Jesus assegura aos discípulos que o Espírito Santo os ensinará todas as coisas , recordando-os de suas palavras (cf. Jo 14,26)”.

E complementou, “o Espírito Santo, então, como Jesus promete, nos guia “a toda a verdade” (Jo 16:13) nos leva não somente a encontrar Jesus, a plenitude da Verdade, mas também nos guia para ‘dentro’ da verdade” e afirmou: “Se Deus não nos ilumina interiormente, o nosso ser cristão será superficial”.

Por fim, Francisco convidou a todos a se questionarem se, neste Ano da Fé, realmente temos dado algum passo para conhecer mais a Cristo e as verdades da fé.

E indicou uma oração para ser rezada todos os dias:

“Espírito Santo faça com que meu coração seja aberto à Palavra de Deus, que meu coração esteja aberto ao bem, que o meu coração esteja aberto à beleza de Deus todos os dias”.

 

Catequese
Praça de São Pedro, Vaticano
Quarta-feira, 15 de maio de 2013
Boletim da Santa Sé (Tradução: Thaysi Santos)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, quero centrar-me na ação que o Espírito Santo realiza na condução da Igreja e de cada um de nós rumo à Verdade. Jesus disse aos discípulos: “O Espírito Santo ‘vos guiará à verdade’ (Jo 16, 13), sendo ele mesmo ‘o Espírito da verdade’” (cf. Jo 14, 17; 15, 26; 16, 13).

Vivemos em uma época na qual somos, cada vez mais, cético em relação à verdade. Bento XVI falou, muitas vezes, sobre o relativismo, a tendência de acreditar que não há nada de definitivo e pensar que a verdade vem pelo consentimento ou por aquilo que queremos.

Surge a pergunta: existe realmente a verdade? O que é a verdade? Podemos conhecê-la? Podemos encontrá-la? Aqui, vem-me à mente a pergunta do procurador romano Pôncio Pilatos, quando Jesus revela o sentido profundo de Sua missão: “O que é a verdade?” (Jo 18, 37.38). Pilatos não consegue entender que a Verdade está diante dele, não consegue ver em Jesus a face da verdade, que é o rosto de Deus. E Jesus, de fato, é a Verdade que, na plenitude dos tempos, “se fez carne” (Jo 1, 1.14), veio a nós para que nós a conhecêssemos. Ela não se agarra como uma coisa, mas se encontra. Não é uma posse, é um encontro com uma Pessoa.

Mas quem nos faz reconhecer que Jesus é a Verdadeira Palavra, o Filho unigênito de Deus Pai? São Paulo ensina que “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor!’ senão pelo Espírito Santo” (1Cor. 12,3). É Ele, o dom de Cristo ressuscitado, que nos faz reconhecer a verdade. Jesus o define como o Paráclito, que significa “aquele que vem em nosso auxílio”, que está do nosso lado para nos apoiar neste caminho de conhecimento, Na Última Ceia, Jesus assegura aos discípulos que o Espírito Santo os ensinará todas as coisas , recordando-os de Suas palavras (cf. Jo 14,26).

Qual é a ação do Espírito Santo em nossas vidas e na vida da Igreja para nos guiar à verdade? Antes de tudo, Ele recorda e marca, no coração dos que creem, as palavras que Jesus disse e, por meio destas, a lei de Deus – como haviam anunciado os profetas do Antigo Testamento. Está inscrito, em nosso coração e em nós; torna-se um princípio de avaliação nas escolhas e orientação nas ações do dia a dia; torna-se um princípio de vida. Realiza-se a grande profecia de Ezequiel: “Eu vos purificarei de todas as vossas imundícies e de todos os vossos ídolos, vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo… Porei o meu espírito dentro de vós e vos farei viver de acordo com as minhas leias, vos farei observar e colocar em prática os meus preceitos” (36, 25-27). De fato, é do nosso interior que nascem nossas ações: é o coração que precisa se converter a Deus e o Espírito Santo o transforma se nós nos abrimos a Ele.

O Espírito Santo, então, como Jesus promete, guia-nos “a toda a verdade” (Jo 16:13), leva-nos não somente a encontrar Jesus, a plenitude da Verdade, mas também nos guia para “dentro” dela, faz-nos entrar em comunhão mais profunda com Jesus, dando-nos a inteligência das coisas de Deus. E isso não podemos conseguir por conta própria. Se Deus não nos ilumina interiormente, o nosso ser cristão será superficial.

A Tradição da Igreja afirma que o Espírito da verdade age em nossos corações suscitando o “sentido da fé” (sensus fidei), por meio do qual, como afirma o Concílio Vaticano II, o povo de Deus, guiado pelo Magistério, infalivelmente adere à fé transmitida, aprofunda-se nela com um julgamento correto e a aplica mais plenamente na vida (cf. Constituição Dogmática Lumen Gentium, 12). Perguntemo-nos: “Estou aberto à ação do Espírito Santo? Peço para que Ele me traga luz, faça-me mais sensível às coisas de Deus? Esta é uma oração que devemos fazer todos os dias: “Espírito Santo, faça com que meu coração seja aberto à Palavra de Deus, que meu coração esteja aberto ao bem, à beleza de Deus todos os dias”. Gostaria de fazer uma pergunta a todos: “Quantos de vocês rezam todos os dias ao Espírito Santo?” Serão poucos, mas devemos cumprir esse desejo de Jesus e orar, todos os dias, ao Espírito de Deus para que Ele nos abra o coração a Jesus.

Pensemos em Maria, a qual “guardava todas as coisas, meditando-as em seu coração” (Lc 2, 19.51).  O acolhimento das palavras e das verdades da fé, para que se tornem vida, se realiza e cresce sob a ação do Espírito Santo. Neste sentido, devemos aprender de Maria, revivendo o seu ‘sim’,  a disponibilidade total em receber o Filho de Deus em sua vida, a qual, a partir daquele momento, é transformada. Por meio do Espírito Santo, o Pai e o Filho permanecem em nós e nós vivemos em Deus e para Deus. Mas a nossa vida é realmente animada pelo Senhor? Quantas coisas coloco em primeiro lugar em vez de Deus?

Queridos irmãos e irmãs, precisamos nos deixar inundar pela luz do Espírito para que Ele nos introduza à Verdade de Deus, o único Senhor de nossa vida. Neste ‘Ano da Fé’, perguntemo-nos se, realmente, temos dado algum passo para conhecer mais Cristo e as verdades da fé, lendo e meditando as Escrituras, estudando o Catecismo, recorrendo, com frequência, aos sacramentos. Mas nos perguntemos também quais os passos temos dado para que a fé oriente a nossa existência. Não podemos ser cristãos de momento, só em certas ocasiões, em certas circunstâncias, em algumas escolhas. Devemos ser cristãos em todos os momentos! Totalmente! A verdade de Cristo, que o Espírito Santo nos ensina e nos revela, para sempre e totalmente, interessa para sempre à nossa vida diária.

Invoquemos, mais vezes, o Espírito Santo para que nos guie no caminho dos discípulos de Cristo. Invoquemos todos os dias. Faço-vos esta proposta: invoquemos todos os dias o Espírito Santo, assim Ele vai nos aproximar, cada vez mais, de Jesus Cristo.

Creio no Espírito Santo

A Missão do Espírito Santo

A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade coopera com o Pai e o Filho desde o início do desígnio de nossa salvação até sua consumação, mas, nos “últimos tempos” – inaugurados com a Encarnação redentora do Filho –, o Espírito se revelou e nos foi dado, foi reconhecido e acolhido como Pessoa (cfr. Catecismo, 686).

Por obra do Espírito, o Filho de Deus se fez Carne nas entranhas puríssimas da Virgem Maria. O Espírito O ungiu desde o início; por isso, Jesus Cristo é o Messias desde o início de Sua humanidade, isto é, desde Sua própria Encarnação (cf. Lc 1,35). Jesus Cristo revela o Espírito com Seus ensinamentos, cumprindo a promessa feita aos patriarcas (cf. Lc 4, 18s), e o comunica à Igreja nascente, exalando o Seu alento sobre os apóstolos, depois de Sua Ressurreição (cf. Compêndio, 143).

No dia de Pentecostes, o Espírito foi enviado para permanecer, desde então, na Igreja, Corpo místico de Cristo, vivificando-a e guiando-a com Seus dons e com a Sua presença. Por isso se diz também que a Igreja é Templo do Espírito Santo, e que Este é como a alma da Igreja.

No dia de Pentecostes, o Espírito desceu sobre os apóstolos e os primeiros discípulos, mostrando, com sinais externos, a vivificação da Igreja fundada por Cristo. “A missão de Cristo e do Espírito se converte na missão da Igreja, enviada para anunciar e difundir o mistério da comunhão trinitária” (Compêndio,144). O Paráclito faz o mundo entrar nos “últimos tempos”, no tempo da Igreja.

A animação da Igreja pelo Espírito Santo garante que se aprofunde, conserve-se, sempre vivo e sem perda, tudo o que Cristo disse e ensinou nos dias em que viveu na Terra, até Sua ascensão; além disso, pela celebração-administração dos sacramentos, o Espírito santifica a Igreja e os fiéis, fazendo com que ela continue sempre a levar as almas a Deus.

“A missão do Filho e a do Espírito Santo são inseparáveis, porque, na Trindade indivisível, o Filho e o Espírito são distintos, mas inseparáveis. Com efeito, desde o princípio até o fim dos tempos, quando Deus envia Seu Filho, envia também Seu Espírito, que nos une a Cristo na fé, a fim de que possamos, como filhos adotivos, chamar a Deus de ‘Pai’ (Rm 8, 15). O Espírito é invisível, mas nós o conhecemos por meio de Sua ação, quando nos revela o Verbo e quando atua na Igreja” (Compêndio, 137).

Miguel de Salis Amaral
http://www.opusdei.org.br

O Espírito Santo e seus Dons

O que podemos e devemos fazer para que o Espírito de Deus venha a nós e nos satisfaça com Seus dons? Quais devem ser nossas atividades e disposições interiores para atrair e receber ao Espírito Santo?

1- Uma primeira disposição: Deveríamos despertar ainda mais em nossos corações o desejo pelo Espírito Santo e Seus dons. É o mesmo desejo que tinham os apóstolos e a Santíssima Virgem quando estavam reunidos no cenáculo esperando o Espírito Santo prometido. É a súplica é: Vem, Espírito Santo! Esperamos-Te com ânsias, porque somos tão débeis, porque necessitamos Teu poder transformador.

Deveríamos despertar profundos afetos de ânsias para que Ele tome em Suas mãos nossa educação, nossa transformação em autênticos filhos de Deus, em homens simples com alma de criança. Por isso, temos que chegar a ser homens e mulheres que anelam pelo Espírito de Deus.

2- Uma segunda disposição: Devemos esforçar-nos mais para estar em silêncio, para estar sós e tranquilos interiormente. Trata-se de um isolamento e uma solidão repleta de Deus. As forças da alma devem estar concentradas não em nós, mas em Deus. Somente assim poderemos escutar o que o Espírito Santo nos sopra. Se ao nosso redor e, sobretudo, se em nosso interior, existe tanto ruído, tantas vozes alheias, tanto espírito mundano, então não poderemos escutá-Lo. E se não O escutamos, tampouco saberemos o que Ele deseja de nós e nos sugere. E assim nunca vamos perceber Sua presença em nossa alma nem vamos acreditar em Sua atuação e influência em nossa vida.

3- Outra disposição é a oração humilde. Diz o Padre: “Parece-me que chegou o momento em que iremos juntar as mãos e orar. Necessitamos muito mais de oração que de exercícios. Certamente, isso não quer dizer que devamos deixar de praticar o amor filial. Mas sabendo que só possuímos as velas e que é o Espírito Santo quem deve insuflá-las, nos sentimos em dependência total diante de Deus. Devemos cultivar, então, o heroísmo da oração humilde”. Havemos de ser mestres da oração e da humildade.

4- Uma última disposição que atrai o Espírito Santo é o espírito mariano. Sabemos que a Virgem Maria, no Dia de Pentecostes, encontrou-se no meio dos apóstolos. E não duvidamos que, sobretudo, por sua poderosa súplica maternal o Espírito Divino veio sobre cada um deles. E assim também nós devemos unir-nos a ela na espera do Espírito Santo de Deus.

Haveremos escutado alguma vez as palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort, que o padre-fundador repetia tantas vezes: O Espírito Santo quisera encontrar nas almas a Santíssima Virgem, quisera encontrar atitude e espírito marianos, quisera encontrar um amor profundo a ela. E quando Ele descobre numa alma a Maria, então não há alternativa que penetrar nesta alma com seus dons e realizar milagres de transformação.

E a causa disso? Como na Encarnação o Espírito Santo e a Virgem Santíssima colaboraram para que nascesse Jesus, assim o Espírito de Deus quer também hoje em dia cooperar com Maria, para que Cristo, o Filho do Pai, nasça e viva em cada alma. Por isso, não é casualidade que o Padre nos convida a ampliar nossa Aliança de Amor celebrando essa mesma Aliança também com o Espírito Santo. Então, Ele nos dará Seus dons, o dom da sabedoria, para que todos possamos conquistar o espírito filial.

Por Padre Nicolás Schwizer – Shoenstatt mov.apostólico
Fonte: Canção Nova

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