Com a Palavra

Quando a vida se torna ficção

Quando alguém se torna incapaz de viver a realidade de suas dores

Há muitos filmes de ficção que parecem nascidos de fatos verídicos. Quando terminamos de assistir a determinados filmes, chegamos mesmo a duvidar que tal história nunca tenha existido. Os papéis foram tão bem interpretados, a música casava-se perfeitamente com as cenas, a iluminação e as paisagens onde ocorreram as filmagens chegavam a beirar a perfeição. Cada gesto e expressão facial dos atores expressavam uma verdade que poderia enganar a pessoa mais esperta.

Essa realidade dos filmes de ficção é vivenciada por muitas pessoas que criam para si mesmas verdadeiros roteiros de um mundo que não existe. Nessa trama que compõe o roteiro de suas vidas, as pessoas ganhariam facilmente o Oscar de melhores atores e atrizes.

É complexo definirmos quando começa o processo de criação de um roteiro de ficção na vida. Geralmente, ele é desenvolvido a partir de uma grande dor ou de uma perda. Interessante notarmos que os grandes roteiros de ficção começam, justamente, a partir de um acontecimento marcante na vida.

Quando a pessoa se torna incapaz de viver a realidade de suas dores e traumas, ela cria um mecanismo que irá desenvolver em seu sistema psicológico realidades ficcionais. Criam para si um papel que não existe na realidade. Interpretam de maneira tão sofisticada aquilo que acreditam que é preciso muita perspicácia para descobrir onde termina a verdade e onde começa a ficção.

É preciso cuidado nestes papéis que vamos assumindo ao longo do nosso roteiro existencial. Alguns atores acreditam que não são amados e vivem em um mundo que não tem mais sentido para eles. Perderam o roteiro principal da vida, no qual foram criados para amar e serem amados. Assumiram um personagem que não representa a verdadeira realidade da vida.

Somos protagonistas do mundo que criamos para nós mesmos. Nas tramas da vida, o melhor Oscar que podemos receber é o de sermos protagonistas do amor.

Padre Flávio Sobreiro

A música vai além daquilo que ouvimos

A influência da música no processo de desenvolvimento infantil

A música está presente em todas as culturas e pode ser utilizada como fator determinante em vários aspectos como o desenvolvimento motor, o linguístico, o afetivo e o aspecto cognitivo de todos os indivíduos, estabelecendo também vínculos afetivos que permanecerão para sempre.

Em condições normais, os órgãos responsáveis pela audição do ser humano começam a se desenvolver no período de gestação, por isso a estimulação auditiva na infância tem papel fundamental.

Sabe-se que os bebês reagem a sons ainda no útero materno, e sabe-se também que a música, desde que bem escolhida, pode acalmar os recém-nascidos, gerando um aprendizado intrauterino. É muito importante que a criança, desde pequena, seja habituada a se expressar musicalmente, pois esta não é apenas uma boa influência na vida dela, representa também uma fonte de equilíbrio, facilidade e aprendizado para ela. Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, confirmam que a influência da música, no desenvolvimento da criança, é incontestável; algumas delas demonstram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

A família é a primeira instituição de iniciação musical do indivíduo. Vale salientar que os hábitos familiares determinarão os hábitos das crianças, já que estas são formadas cognitivamente em um processo que envolve a imitação da atitude daqueles que estão a seu redor. Dar maior ou menor importância a determinadas práticas culturais, assistir a determinados programas televisivos, escutar alguns repertórios musicais específicos serão, por conseguinte, atitudes reproduzidas pelos seus filhos.

A musicalização é um processo de construção do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade, do senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, da memória, da concentração, da atenção, do respeito ao próximo, da socialização e da afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal.

Essa musicalização possibilita várias aquisições, pois, além de transformar as crianças em indivíduos que usam os sons musicais, promovem o desenvolvimento infantil de forma saudável e prazerosa. Contribui também para o desenvolvimento das habilidades musicais, pode auxiliar no desenvolvimento do cérebro infantil e no aprimoramento de habilidades motoras e da linguagem, bem como colabora com os aspectos culturais e sociais, no desenvolvimento e aperfeiçoamento da socialização, no processo de alfabetização. A música favorece o aspecto cognitivo, a capacidade inventiva, a expressividade, a coordenação motora fina; assim como a percepção sonora, a percepção espacial, o raciocínio lógico e matemático, a estética e muito mais.

O aprendizado musical não tem idade. Se todas as crianças tivessem a oportunidade de ter o contato com a música, seria algo extraordinário! Sabemos que existem muitos conteúdos e materiais didáticos para que os pequenos se desenvolvam musicalmente, a questão é como aplicá-los de forma eficaz, pois é uma fase crítica, em que etapas não podem ser queimadas, mas devem ser respeitadas.

Vale ressaltar a importância não apenas da música tocada em um aparelho, mas também o contato estabelecido entre a mãe/pai e a criança. Assim, cantar, murmurar ou assoviar fornecem elementos sonoros e também afetivos, através da intensidade do som, inflexão da voz, entonação, contato de olho e contato corporal, que serão importantes para a evolução da criança no sentido auditivo, linguístico, emocional e cognitivo.

A música também apresenta influência negativa na vida da criança. Somos bombardeados, atualmente, com a massificação dos ritmos e a proliferação de letras que vulgarizam mulheres e homens, expressam, de forma subliminar ou explícita, o apelo sexual. Isso tem sido uma preocupação constante e atual no que diz respeito à influência negativa de algumas músicas no desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Vale ressaltar que criança precisa ser criança, viver essa etapa; portanto, a música infantil deve estar inserida no contexto e na vivência dela de forma positiva, estimulada por pais e também professores nas escolas, principalmente até os 6 anos de idade. Muitas vezes, a criança não tem noção do sentido da letra musical, mas a reproduz pela imitação; por isso os pais precisam estar atentos ao que ela está ouvindo.

Vale pontualizar alguns tópicos relevantes que podem ser transmitidos implicitamente e de forma negativa, os quais estão bem enraizados em algumas músicas como: malícia, perda da inocência, erotização, apelo sexual e agressividade. Isso ratifica a banalização ocorrida no mundo moderno e nos faz identificar uma perda de valores,  os quais devem ser resgatados urgentemente, por isso, pais, fiquem atentos. Uma vez que a criança absorve esses estímulos, acaba imitando-os e grava, em seus órgãos físicos, o comportamento transmitido implicita ou explicitamente por determinadas músicas. Uma vez que nossas crianças vivenciem essas experiências e o cérebro delas entenda que isso é normal, que é praticável, vão imitar, vão fazer igual e vão repetir um comportamento transmitido por tais músicas.

Enfim, a música é um instrumento facilitador no processo de ensino aprendizagem. Portanto, deve ser possibilitado e incentivado o seu uso em casa, nas escolas e em ambientes sociais, mas de forma sadia e equilibrada, sempre com a supervisão dos pais.

Ouvir música não deve ser uma atividade imposta, mas realizada com prazer, pois somente assim os benefícios serão obtidos de forma natural, como sempre deve ocorrer na relação entre pais/filhos ou aluno/professor.

Edvoneide Andraide
Missionária da Comunidade Canção Nova

Santa Cecília, padroeira dos músicos – 22 de Novembro

Conheça a vida de Santa Cecília, a padroeira dos músicos

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus.

Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar filosofia, o Evangelho e a música, principalmente a sacra.

Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da corte para ser esposa de Cristo pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de ideia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza, mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas.

O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto, a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos: ela, em sua casa; os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio; por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam e exigiu que abandonassem a religião sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa.

Então, foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires, sepultadas lá, foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas, no terreno do seu antigo palácio, foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da Missa e, desde o século XV, é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir Santa Cecília.

Santa Cecília, padroeira dos músicos: Rogai por nós!

 

Conheça a história da santa que se tornou padroeira da música 
http://noticias.cancaonova.com/brasil/conheca-a-historia-da-santa-que-se-tornou-padroeira-da-musica/

Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir santa Cecília.

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. E constatou-se, então, que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se que o corpo permanecia da mesma forma.

A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

 

SANTA CECÍLIA
Santa Cecília, nobre, esposa, virgem e mártir. Uma donzela frágil que a fortaleza de sua Fé fez abalar os poderosos do Império Romano e cujo sangue, foi  verdadeiramente, ” semente de novos cristãos”.
http://www.arautos.org/especial/21116/Santa-Cecilia.html

Almáquio é um prefeito poderoso da Roma antiga. Mas, ele está inseguro, tem dúvidas…

– Como executar essa jovem cristã? Ela não pode morrer pela espada… Seria perigoso. Será que…

De repente, bruscamente, o prefeito ordena que a jovem seja levada até o palácio imperial. Ele decidiu:

– Cecilia será morta no calidário. Ela será colocada numa sala asfixiante, totalmente fechada, abafada com vapores quentes e pestilentos.

Cecília foi deixada lá, sozinha. Em seu rosto, porém, não se via marcas de abatimento e tristeza. Parecia ter a alma cheia de alegria. Pedia, continuamente, que Deus a levasse logo para o Céu. A tal ponto Cecília tinha seu pensamento posto em Deus que nem percebeu que seu suplício já tinha sido iniciado.

Ela foi castigada no calidário ao longo de um dia e uma noite. Tudo isso foi inútil. Quando os carrascos abriram a câmara de tortura com a certeza de poderem retirar de seu interior o cadáver de Cecília, encontraram-na ajoelhada, sorridente e circundada de ar puro e fresco. Cheios de temor, apavorados, eles correram até Almáquio para contar-lhe o que acontecera.

Ouvindo a narração dos algozes, o prefeito ficou hirto, petrificado. Tomado de ódio e furor insano, ordenou que um guarda decapitasse imediatamente a jovem, na mesma sala em que estava sendo torturada.

Cecília sorriu de alegria quando apareceu diante dela o novo carrasco. Ajoelhou-se e espontaneamente apresentou o pescoço a ele. Era uma audácia. Uma tão inesperada ousadia que o homem sentiu-se abalado e faltou-lhe coragem para executar a sentença. Para não parecer fraco, conteve seu medo e, desesperadamente, por três vezes, golpeou o pescoço da valente virgem cristã. Cecília caiu. Seus braços estavam cruzados sobre o peito. Sua cabeça, inexplicavelmente, continuava unida ao corpo.

A lei romana proibia insistir no suplício depois do terceiro golpe. Sem saber o que fazer, o carrasco jogou a espada no chão e fugiu apavorado. A multidão que aguardava os acontecimentos do lado de fora da sala de suplicio avançou porta adentro afim de venerar aquela que seria a mais nova mártir cristã.

Todos ficaram pasmos: Cecília ainda vivia! Estava caída sobre seu lado direito e seu pescoço apresentava um ferimento profundo de onde ainda corria sangue. As donzelas mais íntimas da Santa, com todo respeito, colheram em panos de linho branco o sangue escorrido. Outros cristãos apressaram-se para comunicar o fato ao Papa. Inúmeras dificuldades fizeram com que o Sumo Pontífice Urbano só pudesse chegar ali depois de três dias.

Continuando na mesma posição, Cecília aproveitava o tempo de vida que tinha para anunciar e testemunhar a verdade do Evangelho para os que dela se aproximavam. Vários pagãos foram tocados pela graça e se converteram.

Finalmente o Papa Urbano chegou trazendo para a mártir os últimos confortos e os sacramentos da Igreja Católica. Não dá para descrever o fervor de Cecília ao receber a Unção dos enfermos e comungar pela última vez! Ela que amava tanto a Jesus e que a Ele entregara sua vida, contemplava e adorava o Salvador em seu coração. A determinado momento fez um sinal pedindo ao Pontífice que se aproximasse dela e disse-lhe:

– Santo Padre, peço poder manifestar minha última vontade: Desejo que minha casa se transforme em um templo do Deus verdadeiro…

Ela já não tinha mais forças para falar. Voltou-se, então, para os que lá estavam e mostrou-lhes o polegar de uma mão e três dedos da outra. Foi o último gesto de sua vida. Com ele Cecília confessava publicamente sua Fé: Deus é Uno e Trino. Creio na Unidade e Trindade de Deus. Ainda tentou envolver-se com suas vestes, estendeu os braços junto ao corpo, inclinou a cabeça e expirou. O corpo de Cecília foi piedosamente depositado em um caixão e conduzido até a catacumba de São Calixto. O próprio Pontífice Urbano colocou o esquife junto ao túmulo dos Papas e fechou-o com uma pedra de mármore. Era o ano 232.

Afinal, quem era Cecília?

Uma virgem e mártir que tem sua festa celebrada pela Igreja no dia 22 de novembro e que nasceu no início do século III. Seus pais eram cristãos e pertenciam a uma das mais gloriosas e ilustres famílias da Romanas.

Ainda criança ela foi entregue a uma dama de companhia que também era cristã. Esse foi, certamente, um ato inspirado por Deus. Foi essa boa aia quem esforçou-se ao máximo para que a menina conhecesse e amasse Nosso Senhor Jesus Cristo e pudesse assim caminhar no amor e prática das virtudes cristãs.

Cecília sempre mostrou boa educação e boa formação nas coisas do mundo. Mais que isso, graças à educação que a aia lhe deu, a vida de Cecília tornou-se exemplo da formação cristã que se deve dar a uma pessoa.

Bem cedo Cecília cultivou o gosto pela contemplação das belezas naturais criadas por Deus e colocadas pelo Criador à disposição dos homens. Na contemplação do belo das criaturas, ela encontrou um modo de conhecer Deus. Maravilhada, a menina exclamava:

– Oh! Quão grande e bom é o Senhor! Quero amá-lo sempre. Quero amá-lo, muito!…

A aia de Cecília conhecia as Sagradas Escrituras e lhe contava fatos da História Sagrada. O que mais agradava Cecília eram os trechos sobre a vida de Jesus. A descrição dos padecimentos de Nosso Senhor em sua Paixão, sua morte na Cruz, levavam a atenta ouvinte a apiedar-se do Divino Salvador. Seu coração enchia-se de amor para com Ele e em seu espírito crescia a intenção de não ofender a Deus e consagrar a Ele toda sua vida.

A aia ensinou-lhe a amar o próximo por amor de Deus. Por isso em sua alma floresceu um grande amor aos pobres. Neles ela via a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo sofredor, pobre e necessitado. Ela abrandava os sofrimentos e acalmava as dores dos servos, escravos e mendigos. Junto com a ajuda material, ela lhes ensinava a prática da vida e da piedade cristãs. Assim transformou-se numa verdadeira apostola do Evangelho.

O encontro com Jesus

O amor a Jesus Sacramentado germinou e cresceu no coração de Cecília. O mundo com suas ilusões e fantasias não a atraia. Ela tinha um único desejo: unir-se a Jesus sacramentado!

Ela desafogava seu coração estando recolhida, longe dos atrativos mundanos. A oração era o modo que ela tinha de falar com Jesus. Orando ela exprimia seu desejo de recebê-Lo e fazer d’Ele seu alimento espiritual, sua força na caminhada. Jesus ouviu as preces de Cecília.

Ela assistia nas catacumbas de Roma os divinos mistérios. O Pontífice Urbano, tendo nas mãos o Pão Eucarístico, aproxima-se dela. Cecília ajoelha-se aos pés do Papa e recebe pela primeira vez a Santa Comunhão. Nessa hora, adorando Jesus em seu coração, a jovem renovou o propósito de consagrar-se ao serviço de Deus e tornar-se para sempre sua esposa. Cecília sempre teve o desejo de oferecer sua virgindade a Deus. Ocultamente ela procurou o Santo Pontífice e, depois de lhe contar que desde criança havia se consagrado a Jesus, suplicou-lhe que aceitasse seu voto de virgindade.

Sua pouca idade e o fato de ser filha única de nobres e ricos senhores, levou o Pontífice Urbano a dar-lhe, prudencialmente, uma resposta negativa. Cecília não se rendeu, conservando-se firme em seu desejo. Sua sinceridade levou o Pontífice a dar-lhe consentimento. Para evitar qualquer oposição por parte dos parentes, a cerimonia de recepção de seus votos não foi pública.

Orfandade, Sofrimento e Proteção Angélica

Para Cecília não faltaram dores, sofrimentos e cruzes. A morte dos pais foi uma de suas grandes dores. Sobretudo por causa das consequências que ausência deles lhes trouxe. Mas ela aceitou esses padecimentos com grande resignação.

Após a morte dos pais Cecília ficou sob a tutela de um parente que era pagão. Ele acreditava que lhe oferecendo distrações e divertimentos mundanos diminuiria o sofrimento da jovem. Mas, isso não agradava e nem trazia alegria a Cecília que amava a pureza, a solidão e a prece. Ela fugia dos insistentes convites que lhe eram feitos, pois, temia que as distrações da frívola juventude romana, muitas vezes pecaminosas, prejudicassem sua alma inocente.

Para que não caísse nas ciladas aprontadas por seu tutor e para ter forças na luta contra o demônio que a tentava, ela fazia jejuns e penitências e trazia sempre sobre seu peito os Santos Evangelhos.

Mesmo com o perigo de ser presa, frequentava as catacumbas e lá encontrava paz. Muitas vezes, em companhia da aia, nelas passava a noite inteira, assistia ao serviço divino e rezava fervorosamente a Maria, Rainha das Virgens, a quem pedia o amor de Jesus, único Senhor de seu coração. Cecília foi favorecida por Deus com a presença de um Anjo que a defendia dos perigos e que frequentemente aparecia e lhe orientava.

Valeriano

Cecília foi obrigada a estar em uma das festas realizadas por seu tutor. Ali estava Valeriano, um dos mais nobres e elegantes jovens de Roma, cuja família se vangloriava de ter antiga ligação com a família da jovem. A beleza, a modéstia, bem como a postura e pureza de Cecília não passaram desapercebidas por ele.

Valeriano, que não conhecia o segredo da modéstia cristã da virgem que se havia prometido como esposa a seu Deus, encantou-se com Cecília. Apaixonou-se por ela e quis, o quanto antes, tê-la como sua esposa.

Cecília disse não a Valeriano: desejava somente ser esposa de Cristo! Foi por prudencia que, junto com a negativa do casamento, ela não se declarou cristã. Essa declaração poderia custar-lhe a vida. Ocultamente, Cecília procurou Santo Pontífice e narrou-lhe o que estava acontecendo e reafirmou que preferia a morte a faltar o juramento de amor que havia feito a Jesus. Urbano, procurou consolá-la dizendo-lhe:

– Tem confiança, minha filha, se teu celeste Esposo te quiser em seu serviço, ninguém vai tirar-te d’Ele. As orações desta noite serão para que o Senhor nos ilumine. Fica em paz. Deixemos as decisões para depois da celebração dos divinos mistérios. Terminados os ritos sagrados, todos os fiéis deixaram as catacumbas. Só Cecília ficou lá. Urbano chamou-a e, com afeto paternal, disse:

– Filha, sê forte e perseverante. Se fores obrigada pelas circunstancias a unir-se a Valeriano, inclina a cabeça e adora os desígnios insondáveis da Divina Providência. Deus terá sobre ti outro desígnio: a conversão de Valeriano a nossa santa religião. Para a proteção de tua virgindade, confia Naquele que, por amor desta virtude, quis nascer de uma Mãe Virgem. A Ele nada é impossível. Vai em paz, confia em Sua bondade e sê prudente.

O consentimento

Passaram-se alguns dias e Cecília não conseguiu fugir de uma nova conversa com seu tutor sobre o pedido de Valeriano. No início da conversa, Cecília demonstrou uma recusa total ao casamento. Os parentes não desistiram de seus propósitos e começaram com as ameaças. Foi então que Cecília, lembrou-se dos conselhos do Pontífice Urbano e aceitou casar-se.

Sabendo disso, Valeriano foi imediatamente ao palácio para ter pessoalmente a confirmação e poder combinar o dia da cerimônia. Nos meses que precederam a celebração do matrimônio, Cecília conservou-se, quase sempre, retirada. Saía só para ir nos bairros populares para socorrer os pobres, seus mais queridos amigos. Passava noites inteiras em oração e penitência. Pedia a proteção e a graça que lhe eram necessárias e que estava certa de alcançar, pois já havia começado a ter uma grande paz de alma com a presença constante de seu Anjo da Guarda.

As bodas

Chegou, afinal, o dia em que os dois jovens se uniriam em matrimonio. O palácio onde morava a jovem católica era um formigar de escravos e donzelas, um fervilhar de ricos e nobres, de amigos e parentes, que iam prestar homenagens e oferecer tributos à presumida felicidade de Cecília.

A alma da virgem estava longe dessas manifestações. Ela quase não percebia o que se passava em redor de si. Realizaram-se as cerimônias matrimoniais segundo o ritual da época. O passo estava dado. A virgem de Cristo tornara-se também esposa de Valeriano. Terminada a cerimônia, Cecília foi conduzida à sala do banquete. Foi recebida com clamorosos aplausos e cânticos. Cecília, porém, elevava a alma a Deus e repetia em seu coração:

– “Senhor, que sejam sempre imaculados meu corpo e meu coração; protege tua serva para que não seja confundida”.

Esposa Apóstolo

Terminado o suntuoso banquete, Cecília foi levada por algumas matronas à câmara nupcial. Ali ela deveria esperar Valeriano para a noite de núpcias. Apenas ele entrou no quarto correu para abraçá-la exclamando:

– Oh! dia feliz…. Cecília recuou um passo e disse:

– Não me toques, Valeriano. O jovem ficou atônito e despeitado com a repulsa.

– Não te ofendas, meu querido, mas escuta-me, pois que tenho a dizer-te um segredo…

– Não temas, Cecília, qualquer que seja ele, jamais ente humano o saberá.

– Para satisfazer meus parentes, fui obrigada a unir-me a ti. Serei a companheira mais fiel e amorosa de tua vida, mas teremos de viver como se fôssemos irmãos. E a razão é que, desde ainda criança consagrei meu corpo a alguém que não é deste mundo. Alguém que sempre me amou, e, para confirmar disso, mandou um Anjo para me guardar. Ora, se o Anjo vir que não me respeitas, ficará irado e vingar-se-á tremendamente.

Ouvindo estas palavras, Valeriano, agitado de violentas paixões, exclamou:

– Oh! Cecília, traíste-me. Não me amas e a outro estás ligada!

– Não querido, não me entendeste. Não te perturbes. Escuta e compreenderás. Amo-te e muito, com um amor que não acaba com morte. Um amor que durará e será mais sublime ainda na eternidade. Consagrei-me a alguém que não é um simples mortal. Consagrei-me a Deus que permitirá que eu viva sempre contigo nas condições que já te disse.

– Cecília, disse Valeriano, devo acreditar no que me contas? Se isso é verdade, por que esperastes este momento para dizer-me?

– Perdoa, Valeriano, se eu tivesse revelado meu segredo, nem tu nem meus parentes o acreditariam e considerando-me louca me teriam declarado a mais cruel das guerras.

– Mas qual é este Deus a quem te consagraste e que agora não quer legitimar nossa união? Se é um Deus verdadeiro, como rouba nossa felicidade?

– Deus não necessita de nós. Ele é infinitamente bem-aventurado e, se olha a nossa pequenez, é unicamente para o nosso bem, porque Ele nos ama. Ele nos criou, conserva-nos a vida e será, um dia, nosso Juiz. Este é o Deus dos cristãos.

– Deus dos cristãos? Você é cristã? Cristãos… esses seres desprezíveis, odiados por todos e contra os quais se tem desencadeado a ira de nossos Imperadores e do povo romano?

– De fato, são muitos os nossos inimigos… eles são pobres ignorantes e infelizes. Acredita, Valeriano, tudo quanto dizem a respeito dos cristãos é calunia!

– Nós, cristãos, não adoramos os falsos deuses. Deuses que só servem para enganar. Nós desprezamos todos os bens perecíveis, aspiramos ao Céu e nos entregamos à prática das mais altas virtudes.
Dito isso, ajoelhou e com os olhos levantados para o Céu exclamou:

– Ó Senhor! Até quando durará o reino do espírito do mal? Até quando os homens caminharão entre as trevas do erro, na mentira e na falsidade? – Dizendo essas palavras, seu rosto transfigurou-se. Uma luz sobrenatural a envolveu e sua alma imergiu-se em Deus. Valeriano, quase apavorado, ficou mudo contemplando o êxtase de sua esposa. Sua mente iluminada de dons sobrenaturais, começava a se abrir à verdade e quando Cecília recobrou os sentidos, viu junto a si o esposo, com os olhos cheios de lágrimas.

Olharam-se e os olhos da Santa leram o fundo do coração de Valeriano. Uma voz interior lhe assegurava que o esposo havia se convertido. Valeriano, envergonhado com o que havia pensado de sua esposa disse:

– Deus de Cecília, eu creio em ti, mas faze com que eu possa ver, ao menos um instante, o Anjo que mandaste para junto de tua e minha esposa. – Ouvindo estas palavras, Cecília exclamou:

– Ó Senhor, meu amado! Sê para sempre louvado e eternamente glorificado por teus Anjos! Donde me vem tantas graças? Sê bem vindo em tua serva que humildemente adora os desígnios misteriosos de tua providência! E voltando-se para Valeriano, disse:

– Agora, não percamos tempo. Verás meu Anjo, sim! Antes, porém, deves tornar-te digno disso pelo Batismo. Vai e procura na Via Ápia a aldeia de Triopio. Lá encontrarás alguns pobres. Diga a eles que vais em meu nome e que procuras pelo Pontífice Urbano. Serás, então, conduzido até Papa que te acolherá com grande afabilidade e te ensinará as verdades de nossa fé. Depois, volta e verás o Anjo de Deus que me acompanha.

Com um manto, Valeriano, cobriu as vestes nupciais que ainda usava e encaminhou-se para o lugar indicado. Enquanto podia vê-lo, Cecília acompanhou-o com o olhar. Depois retirou-se, continuando suas preces que deveriam levar seu jovem esposo à conversão.

Batismo nas Catacumbas

Chegando à aldeia de Triopio, Valeriano encontrou-se com os pobres indicados por Cecília. Eles o conduziram pelo labirinto das catacumbas até chegar ao lugar onde estava o santo Pontífice Urbano, que vivia escondido no Cemitério de São Calixto, junto aos sepulcros dos mártires, depois de escapar da perseguição movida contra ele por causa de sua fé católica. Valeriano foi recebido por Urbano que, juntando as mãos, assim rezou:

– Senhor, meu Jesus Cristo, tu que inspiras as castas resoluções, recebe agora o fruto da semente divina plantada no coração de Cecília!

Por ela, seu esposo Valeriano tornou-se teu servo e abriu os olhos à verdade divina. Agora, ele te reconhece por seu Criador e renuncia, para sempre, o demônio, suas pompas e suas obras. Ele tem firme propósito de Vos adorar e Vos servir por toda a vida. Está pronto a defender com o próprio sangue a Fé que professa. Depois de assim rezar, começou a instruir o jovem catecúmeno sobre os principais mistérios da Fé: a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Enquanto Urbano falava dos augustos mistérios, subitamente, apareceu uma luz brilhante junto deles. No meio dela estava a figura de um respeitável ancião que trazia nas mãos um livro escrito com letras de ouro. Era o Apóstolo São Paulo que dizia a Valeriano:

– Lê e crê. Só então merecerás ser purificado nas águas do batismo e, então, contemplar o Anjo de que te falou Cecília. – Valeriano leu:

– Um só Senhor, uma só fé, um só Deus, Pai de todos, superior a todos, que está em todas as coisas, especialmente em todos nós.

– Crês em tudo isto? Perguntou o Apóstolo.

– Sim, creio! , Responde Valeriano.

Após essa profissão de fé, Paulo desapareceu. Urbano tomou a água e derramando-a sobre a cabeça do neófito, dizendo:

– Valeriano, eu te batizo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vestindo-o depois com uma túnica branca, despediu-se dizendo:

– Vai e mostra-te a Cecília, que completará a obra por Deus reservada para ti.

A Promessa do Anjo

Valeriano partiu com a alma serena e a paz no coração. Chegando em casa, encontrou Cecília de joelhos, em oração.

Junto dela estava o Anjo do Senhor. Tinha nas mãos duas coroas de rosas e lírios. O Anjo que guardava a virgem colocou as sobre as cabeças dos esposos e lhes disse:

– Conservai essas coroas com a pureza de vossos corações e santidade de vossos corpos. Tu, Valeriano, por teres compreendido as puras aspirações de Cecília, serás ouvido, qualquer que seja a graça que pedires a Deus.

– Oh! Anjo bendito, um só será meu pedido: suplicar a Cristo que salve também meu irmão e nos torne ambos perfeitos cristãos e que confessemos seu Santo nome.

– Não só teu irmão vai converter-se, como também ambos, junto com Cecília, serão martirizados e acolhidos no Céu.

* * *

Livres da escravidão dos sentidos, Cecília e Valeriano inflamaram-se no amor de Deus. O vínculo que os ligava era fonte de entusiasmo para muitos de sua estirpe. Tibúrcio, fruto do apostolado de Cecília floresceu e tornou-se exemplo de vida para os seus companheiros de corte. Tais exemplos ainda gerariam muitos outros filhos para a Igreja Católica nascente. Muitas almas ainda foram por isso atraídas para Jesus Cristo.

Tal testemunho de Fé e apostolado não poderia deixar de ser notado pelo ódio dos pagãos que se encontravam petrificados no mal. Sobre Cecília, Valério e Tibúrcio, logo caíram o ódio e a perseguição dos pagãos. Foram terríveis. Confirmaram, porém, o que já lhes tinha sido predito: os três receberiam a palma do martírio e logo voariam para Deus.

Esta é a história de Cecília, nobre, esposa, virgem e mártir. Uma donzela frágil que a fortaleza de sua Fé fez abalar os poderosos do Império Romano e cujo sangue,  foi verdadeiramente, “semente de novos cristãos”. (Adaptações do Livro Santa Cecília, Virgem e Mártir, Saverio M. Vanzo, S.S.P. – Mir Editora Brasil 2001,pp. 15 à 76)

Sua timeline posta do que está cheio seu coração

Muito se falou da “era da imagem” e de sua exaustiva preocupação com a estética, com as formas, os brilhos e as luzes. Muita gente foi atrás dessa busca por uma imagem perfeita e uma forma agradável para os olhos de terceiros. Muita gente se perdeu na luta frenética para ter a “imagem mais atraente”, mais desejada e cobiçada.

Embora não tenhamos saído da “era da imagem”, já começamos a viver o drama de outra era: “a era da exposição”, a necessidade obsessiva de ser notado (a), a compulsão por “likes” e “compartilhamentos” daquilo que foi exposto. E que angústia quando aparece um “nada” de visualizações naquilo que colocamos na internet para ser notado e compartilhado! Pode até parecer piegas, mas as pessoas esqueceram que temos uma imagem a nos comparar, pois somos a imagem perfeita de Deus, e Ele nos nota, Ele nos vê. Somos imagens d’Ele! O Senhor nos “curte” e quer “compartilhar” conosco Sua vida, que é verdadeira, e não uma ficção barata de seriado com roteiros confusos. Tem gente que esquece isso tudo e fica mendigando um “like” numa foto sensual que colocou de si mesma na rede.

Cresce, a cada dia, o número de fotos sensuais nas redes de relacionamentos. Há uma confusão entre o que é público e o que deve ser privado. As pessoas colocam “suas belezas” nas redes e transformam histórias lindas em um the end triste e vazio. Em busca de um desejo insaciável de ser notada, tem gente que está se “vendendo” em busca de atenção e reconhecimento.

Mas o que move esse desejo de ser notado? O que está por trás de alguém que se expõe de tal maneira? O que rola nessa mente e nesse coração?

Não tenho receio de dizer que é o desejo de escutar: “ Como você é bom! Como você é belo! Como você é…” No entanto, mesmo escutando (ou lendo) tudo isso, por que ainda permanece esse desejo e se tem, cada vez mais, necessidade dele? Resposta simples: na era da exposição, a insegurança é o maior sintoma; a dúvida e a incerteza de ser quem é continua no coração daquele que não foi conquistado pelo amor de Deus. Na foto sensual de alguém na internet ou no vídeo obsceno que foi postado, está mais que uma opção pelo pecado, há um coração querendo aprovação e uma alma ferida querendo cura!

Se pornografia era algo comprado na banca de revistas da esquina ou alugado numa locadora – escolhido num sala onde havia o escrito “proibido para menores de 18” -, hoje, basta passar 10 minutos no mundo virtual e haverá centenas de estímulos para acessar algo que fere a imagem do corpo e da sexualidade.

O pior é quando você tem, na timeline de seu Facebook, uma avalanche de fotos e vídeos de pessoas desejosas de “likes”, as quais, infelizmente, ficaram apenas com o corpo para ser exposto, tentando um pouco de atenção!

É momento de “expor” os valores e a verdadeira beleza de alguém que foi conquistado pelo amor de Deus. A cada foto postada ou vídeo enviado deve haver uma boa pergunta: “Qual a minha necessidade por trás dessa foto e desse vídeo?”.

Sua timeline fala daquilo que o seu coração está cheio!

Tamu junto!

Adriano Gonçalves
[email protected]

A beleza do Cristianismo

Ele não é apenas belo em si, também é produtor de beleza

O filósofo espanhol Julián Marías, ao comentar sobre as perseguições antigas e presentes ao Cristianismo, afirmou que não se compreende a hostilidade contra algo que é admirável. Assim, o ódio anticristão seria intrinsecamente irracional. Efetivamente, o que há de mais belo, neste mundo, do que o Cristianismo? Uma Virgem concebe e dá à luz um Menino. Este Menino é o próprio Deus feito homem, andando no mundo e vivendo a vida dos homens, com suas dores e alegrias; o Verbo Criador, sem nada perder de Sua divindade, assume a natureza humana de Sua criatura. «Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos, a liberdade, aos tristes, a alegria» (Oração Eucarística n. 4).

Filho eterno de Deus Pai, consubstancial com o Pai e o Espírito Santo na mesma e única essência divina, doou-se totalmente para a salvação da humanidade e o reparo do pecado do homem. «Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que crê n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16). Este Deus feito homem deixou-se crucificar pelos homens e, ao terceiro dia, ressuscitou dos mortos, vencendo a morte e nos dando a vida. Após a Ressurreição, apareceu aos discípulos e subiu aos céus, «não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade» (prefácio da Ascensão). Pois, então, existe história mais bonita que esta?

Uma história sublime e, ao mesmo tempo, tão simples, que não encontra emulação em página alguma da literatura humana. Podem convocar todos os críticos literários do mundo, nenhum deles, honestamente, poderá apontar narrativa mais bela que o Evangelho. Nada do que a criatividade humana soube escrever pode ousar comparar-se. Esta é uma das provas da autoria divina dos Evangelhos: aquilo não pode ser obra humana, pois nada do que o homem produziu se lhe compara. Só o mesmo Deus poderia compor história tão bela, capaz de comover os homens de todos os tempos e de todos os lugares. Ademais, as narrativas que o homem criou foram inventadas pela imaginação e produzidas com papel e tinta, enquanto Deus fala nos fatos: antes de ser escrita nos livros, a narrativa evangélica foi representada diante dos homens por personagens de carne e osso, mediante fatos reais.

Se o Evangelho, centro da Sagrada Escritura, resplandece por sua sublime beleza, nem por isso o restante da Sacra Página encontra-se privado de encanto e ornamento. Vejam só a história de Abraão e de Sara, de Isaac e de Rebeca, e de Jacó que «sete anos de pastor serviu Labão, pai de Raquel, serrana bela» (Camões). A história de José, vendido por seus irmãos e, depois, salvando os mesmos irmãos que o tinham entregue, numa figura do Messias que viria. A singela história de fé de Tobias e a luta heroica dos macabeus. E, no Novo Testamento, a conversão de São Paulo no caminho de Damasco: o perseguidor que se torna o apóstolo dos gentios, pregando o Verbo entre os surdos e os descrentes. Entre tantos outros episódios que poderiam ser citados. Porém, de fato, o que pode haver de mais belo do que Deus assumindo a nossa própria natureza? «O Verbo se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). Este é o mistério da Encarnação do Verbo Divino; é, em certo sentido, a diferença específica do Cristianismo. Em nenhuma outra religião o Deus único e Criador de todas as coisas assumiu a natureza humana, tornando-se «em tudo à nossa semelhança, exceto no pecado» (cf. Hb 4,15), tomando para si um corpo e uma alma de homem. Ainda não contente, quis esse Deus ser mesmo nosso alimento na Eucaristia, em que Ele está substancialmente presente em Sua divindade e humanidade.

O Cristianismo não é apenas belo em si, como também é produtor de beleza. Por séculos, a verdade cristã inspirou os maiores artistas e promoveu a produção de inúmeras obras artísticas que enriqueceram a civilização não apenas nas letras, como em cada uma das belas artes. Diante dos magníficos tesouros artísticos produzidos e inspirados pelo Cristianismo, o que uma doutrina como o ateísmo teria a oferecer de semelhante? Será que a negação de Deus pode ser suficiente para inspirar um artista a produzir coisas belas?

Rodrigo R. Pedroso

Panteísmo

Por Quadrante
http://www.quadrante.com.br/Pages/servicos02.asp?id=262&categoria=Doutrina

“Deus está em todas as coisas”. Pode um católico concordar com tal afirmação. De que maneira está Deus presente na sua obra? Embora muitos não o percebam, o panteísmo é um pressuposto de muitas das religiões que estão de moda: o espiritismo, o budismo, o hinduísmo, etc.

A palavra “panteísmo” foi cunhada pelo filósofo inglês John Toland (1660-1722) em 1705. Significa a doutrina segundo a qual Deus é o Hen kai Pan, o “Um e o Todo” da filosofia grega. Deus seria a única realidade existente, da qual o mundo, espiritual e material, se teria originado por emanação.

A “substância divina” seria impessoal, neutra, sempre em via de evolução no decorrer da história, concebida geralmente como uma “energia”, “força” ou “destino” cegos; em cada indivíduo humano ela estaria paulatinamente tomando consciência de si mesma, até chegar à plenitude ou à perfeição. O homem seria, assim, uma manifestação da divindade, manifestação identificada com a divindade. O panteísmo se tem apresentado sob as mais diversas modalidades ao longo da História.

O hinduísmo e o budismo são panteístas, como o era o antigo paganismo grego e, no fundo, a maior parte das religiões politeístas. Também diversos filósofos antigos e modernos se têm comprazido em formulá-lo de diversas maneiras: “tudo é Deus e Deus é tudo”, ou “Deus é a alma do mundo” ou “o princípio imanente que dá subsistência ao mundo”. Qualquer dessas fórmulas implica que Deus é identificado, totalmente ou em parte, com a natureza posta em evolução.

O panteísmo tem estado em voga nas correntes filosóficas e religiosas mais recentes; vem a ser uma forma de religiosidade que não “incomoda” o homem. Com efeito, o panteísmo ou monismo, fazendo coincidir Deus com a natureza, emancipa o homem de qualquer força superior, pois o próprio homem vem a ser uma centelha ou uma parcela da divindade.

Em conseqüência, o homem pode conceber a sua religião segundo o seu bel-prazer imaginativo e subjetivo, como se vê na corrente da Nova Era. O Manual informativo do membro da Sociedade Teosofista do Brasil afirma, por exemplo, que o homem é “o seu próprio legislador absoluto, o seu próprio dispensador de glória e obscuridade, o que por si mesmo decreta a sua vida, recompensa ou castigo” (São Paulo, 1951, pág. 22).

Notemos que falar de um “Deus pessoal”, como o faz o cristianismo, não significa que Deus esteja dotado de um semblante humano, longa cabeleireira e barbas, mas é um puro Espírito, com inteligência e vontade perfeitíssimas. Ora, é ilógico identificar o homem – contingente e volúvel como é – com a própria divindade, que por definição é o contrário do contingente e volúvel.

Deus é essencialmente distinto do homem, do mundo e das realidades visíveis, pois Ele é absoluto e eterno, ao passo que as criaturas sensíveis são relativas, transitórias e temporárias. O infinito não resulta das realidades finitas postas em evolução, nem devemos imaginar que o eterno seja a soma de numerosíssimas parcelas de tempo. Não é difícil perceber que o panteísmo contraria não somente a fé católica, mas também o bom senso e a sã razão.

Com efeito, Deus não pode (nem parcialmente) identificar-se com o mundo, pois, por definição, é o Absoluto, Necessário, Ilimitado, ao passo que o mundo é relativo, contingente e limitado em suas perfeições. Ora, o mesmo sujeito jamais será, simultaneamente e sob o mesmo ponto de vista, Absoluto e relativo, pois esses predicados se excluem mutuamente. Ademais, não pode haver evolução ou progresso em Deus, pois toda evolução diz ou aquisição ou perda de perfeição; em qualquer caso, implica imperfeição, o que é absurdo em Deus.

A hipótese de um Deus ou de uma substância divina em evolução tenta explicar o mundo não por um ser absoluto, mas por um “tornar-se” absoluto; ora, o “tornar-se” absoluto é contraditório em si, pois “tornar-se” significa uma ausência que se encontra à busca da plenitude, ao passo que o Absoluto diz perfeição plena.

Mas não se pode entender o panteísmo como a afirmação de que Deus está presente em todas as coisas como a alma o está no corpo? Deus está efetivamente presente em todas as coisas pelo fato de tê-las criado e de conservá-las na existência; por um ato contínuo, sustenta cada criatura no ser, impedindo que recaia no nada do qual foi tirada pelo ato criador. Esta é uma verdade que a fé católica professa. Mas essa presença não é identificação nem imanência, tal como num quadro o pintor está presente em cada parte, sem se identificar nem com qualquer dessas partes, nem com o conjunto.

Fontes principais
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997

Manuel Guerra Gomez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993

Sexo no namoro

Namoro / reportagens

“O sexo no namoro é uma mentira, porque ele divide o corpo e a alma”  

A mídia secular tem batido forte na Igreja Católica como se a questão da castidade fosse algo ultrapassado, da “Idade Média”, porque não corresponde aos moldes da sociedade moderna. No entanto, a questão do sexo antes do casamento não deve ser olhada apenas como uma questão de pecado, mas sob a ótica do valor da pessoa, da sua dignidade como ser humano.

A pessoa sempre se pergunta: ‘Será que ele(a) me ama ou está usando o meu corpo?’”, afirma padre Paulo Ricardo em entrevista ao “Destrave” sobre este tema, que, quase sempre, é tratado com superficialidade e descrença, até mesmo por pessoas que se dizem cristãs.

Destrave: padre Paulo, o sexo no namoro é apenas questão de “pecado”? O que a Igreja diz sobre este assunto?
Padre Paulo: este é um conceito que as pessoas precisam aprender a reelaborar: “O que é pecado?” As pessoas pensam que pecado é uma coisa boa, gostosa, legal, mas que Deus a proibiu porque Ele é “chato”. Com se Ele fosse um “estraga-prazeres” que acordou mal-humorado e disse: “Quer saber? Vou proibir um bando de coisas para aquele povo lá na terra!”. Não é nada disso! As pessoas precisam entender que a coisa é pecado porque ela nos destrói. O veneno é mortal porque ele é mortífero. O sexo fora do matrimônio faz mal não porque a Igreja proíbe. Não vai acontecer, mas vamos supor que a Igreja dissesse: “Gente, tá liberado. Todo o mundo agora fazendo sexo!”. Ainda assim estaria fazendo mal porque Deus fez o sexo para quando há compromisso.

As pessoas precisam aprender que o sexo diz para a outro: “Eu me entrego inteiro a você de corpo e alma”. Se o sexo diz isso, que sentido tem eu ter uma relação sexual com a pessoa e depois me levantar e ir para minha casa? Há então aí uma divisão de corpo e alma, e, quando há divisão de corpo e alma nós damos o nome a isso de morte.

Nós temos visto que o sexo no namoro em vez de solidificar a relação, ele a abala, porque fica sempre aquela pergunta: “Será que a pessoa me ama ou está usando o meu corpo?” E aqui é importante os jovens saberem que estas verdades, sobre as quais a Igreja prega, eles não precisam encontrá-las no Catecismo da Igreja Católica ou na Bíblia (elas estão escritas lá também), mas a verdade que a Igreja prega pode ser enxergada em seu interior.

O valor da espera  
Se você fizer um pacto de sinceridade com você mesmo, vai perceber que, depois que os hormônios e a excitação abaixam, fica sempre o vazio.

Destrave: nós vemos as pessoas dizendo que “se há amor é o que importa”. O que há de verdadeiro ou falso nessa afirmação?
Padre Paulo: pense que o amor é uma aliança, um juramento “estilo militar”, uma aliança de sangue por meio da qual sou capaz de dizer à outra pessoa: “Eu derramo o meu sangue por você, mas não traio esta aliança!”. E foi isso que Deus fez conosco. Na cruz Jesus fez conosco uma aliança de sangue, foi fiel até o fim. Quando falamos de amor conjugal estamos falando de uma aliança que tem o nome de “matrimônio”. Daí, sim, o sexo ganha um sentido completo de doação e entrega de corpo e alma, porque a pessoa está ligada à outra por meio de um sacramento. Fora disso estamos falando de puro prazer, egoísmo, e não pode haver amor nisso. Pelo contrário, o sexo fora desta aliança de amor, que se chama “matrimônio”, está dividindo a personalidade da pessoa, é é claro que isso não faz bem a ninguém.

Quando Jesus voltará?

Parusia

A volta de Jesus é um evento que temos a nossa frente e pelo qual devemos esperar.

Muitas previsões sobre o fim do mundo vieram e se foram. Esses prenúncios são perturbadores e frequentemente amedrontam as pessoas. No entanto, a Bíblia Sagrada refere-se a uma época chamada de “o Dia do Senhor” quando Ele retornará. Vai acontecer, mas apenas Deus sabe o momento.

É um dia pelo qual os seguidores de Jesus Cristo podem aguardar ansiosamente. À luz deste tempo porvir, o apóstolo São Pedro nos diz como o cristão pode viver com um propósito jubiloso (2 Pd 3,10-18). Podemos olhar para o alto vivendo vidas que honrem a Cristo (v.11). Podemos olhar para o interior, esforçando-nos para estar em paz com Deus (v. 14). E podemos olhar para fora, estando alertas para não sermos levados pela influência errada de outros (v. 17).

Como fazemos isso? Crescendo “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo…” (v.18). Quando crescemos em caráter, por meio de Sua Palavra escrita, começamos a nos relacionar mais de perto com Jesus, a Palavra Viva. O Espírito Santo toma a Palavra de Deus e guia-nos na maneira de viver.

O dia do Senhor não deveria ser um dia de pavor para os seguidores de Jesus. Nosso Rei voltará para acertar todas as coisas e para governar eternamente. Esperamos por este momento com grande expectativa. Esta é nossa “bendita esperança” (Tito 2,13).

Está profetizado que, quanto mais nos aproximarmos do fim dos tempos, mais as pessoas perderão a esperança de que a volta de Jesus pode acontecer. É um evento que temos a nossa frente e pelo qual devemos esperar a qualquer momento. Mas a verdade continua imutável, quer as pessoas a defendam ou não.

Muitas passagens bíblicas nos ensinam que devemos estar sempre preparados para a volta do Senhor. Leiamos apenas estes versículos: “…a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm 13,11). “Vai alta à noite, e vem chegando o dia…” (Rm 13,12). “Perto está o Senhor” (Fp 4,5). “Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará” (Hb 10,37). “…pois a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5,8). “eis que o juiz está ás portas” (Tg 5,9). “Ora, o fim de todas as coisas está próximo” (1 Pd 4,7).

Todos esses versículos parecem ter sido escritos para despertar em nós a convicção de que a vinda do Senhor Jesus é iminente. É um evento que temos a nossa frente e pelo qual devemos esperar. Nessa espera devemos ser diligentes na obra do Senhor e realizar fielmente nosso trabalho como mordomos seus.

O grande evangelista R. A. Torrey declarou: “A iminente volta do nosso Senhor é o grande argumento da Bíblia em favor de uma vida pura, abnegada, consagrada, afastada do mundo e ativa no serviço para Ele. Em muitas das nossas pregações instamos com as pessoas para que elas vivam uma vida santa e trabalhem diligentemente, porque a morte pode nos surpreender rapidamente, mas a Bíblia não argumenta dessa forma. Ela sempre diz apenas: Cristo voltará; estejam preparados para quando ele vier. Nossa responsabilidade está claramente delineada na Palavra de Deus. Nosso corpo deve estar cingido e nossas candeias acesas. Devemos ser como servos que esperam pelo seu Senhor” (Qv. Lucas 12,35-36).

Padre Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

O valor de um bom livro às mãos

Nos livros aprende-se a fugir do mal sem o experimentar.  

Um livro Aberto, é um cérebro que fala; fechado, é um amigo que espera; esquecido, uma alma que perdoa; destruído, um coração que chora.   Uma boa leitura dispensa com grandes vantagens a companhia de pessoas frívolas, vazias e que tomam o nosso tempo sem enriquecer a nossa vida.

A cultura nos ajuda a ser felizes; o saber não é um substituto, um passatempo; é a chave da vida. Não se pode enterrar o grande talento da inteligência. Alguém disse que os analfabetos não são os que não sabem ler, mas os que sabem ler e não leem. A fé e a cultura são duas irmãs que devem caminhar juntas e que estão destinadas a se apoiarem mutuamente.

Mas é preciso ler com reflexão, meditação, oração; pois, ler sem refletir, é como comer sem digerir. Os bons livros são como que o que o sol e a chuva da primavera que fazem brotar as sementes que dormiam no frio do inverno. A leitura nos mantém jovens, não importa a nossa idade.

No túmulo de Tomás de Kempis, na Holanda, o autor da “Imitação de Cristo”, está escrito: “Procurei em toda parte a paz e a tranquilidade e só as encontrei sentado num rincão agradável, tendo um livro nas mãos”.

Erasmo de Rotterdam (†1536), teólogo e humanista, dizia que “quando ganho algum dinheiro, compro livros; e se me sobrar algo, compro comida e roupa”. No seu tempo os livros eram caríssimos; a imprensa estava apenas começando.

Os livros são as ferramentas dos sábios. Uma casa cheia de livros é como um jardim cheio de flores. A sabedoria de um homem está escondida em seus conhecimentos.

Além de tudo isso, o livro é um companheiro que você leva para todo lugar: o seu quarto, o seu escritório, a sala, o ônibus, a sala de espera do consultório do médico, a igreja, a praça, a praia…

Prof. Felipe Aquino

O perigo das meias verdades

Uma meia verdade é pior que uma mentira
Prof. Felipe Aquino / [email protected]

À medida que cresce na mídia a tendência do “politicamente correto”, que, na versão católica do Papa Bento XVI, pode-se traduzir como “ditadura do relativismo”, alguns católicos, líderes e, às vezes, pregadores parecem ter medo de assumir a verdade integral pregada pela Igreja. Nota-se certo receio de “ir contra a corrente”, contra a vontade da maioria, esquecendo-se de que Jesus é “sinal de contradição”, e que por isso foi perseguido e crucificado, para não deixar de dar testemunho da verdade que salva. A verdade não depende da maioria, mas de si mesma.

A verdade é fundamental; por isso o Papa tem sido seu paladino incansável. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que o que salva é a verdade: “Com efeito, ‘Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade’ (1Tm 2, 4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade” (CIC § 851). Sem a verdade não há salvação. Jesus disse diante de Pilatos que veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” (cf. Jo 18, 37) e aceitou morrer para testemunhá-la. E deixou claro que “a verdade vos libertará”. Assim, a verdade não pode ser passada “pela metade”, pois se torna perigosa mentira. Sabemos que uma meia verdade é pior que uma mentira.

Não podemos pregar o Evangelho pela metade, deixando de mostrar especialmente aquilo que visa destruir o pecado e levar o pecador à conversão. Por exemplo, a frase “Não podemos comer comida estragada”, está correta e é muito importante; mas, se eu disser só a metade da frase: “Não podemos comer comida”, muitos vão morrer de fome. Entendeu por que a meia verdade é pior do que uma mentira? “Mutatis mutandis” (mudando o que deve ser mudado), noto que alguns ensinam a fé católica em meias verdades. Como? Ao apresentarem uma questão, expõem apenas uma parte da verdade sobre o assunto, deixando de falar do pecado e das exigências de conversão.

Por essa razão, não podemos, por exemplo, dizer apenas, aos casais de segunda união, que eles não devem se afastar da Igreja e que não podem ser discriminados, etc., sem lhes dizer também que a situação deles não é lícita diante do Evangelho e que não podem receber os sacramentos. Da mesma forma, é claro que temos de acolher, respeitar e não discriminar os homossexuais, e amá-los como verdadeiros irmãos, mas não podemos deixar de lhes dizer que o Catecismo da Igreja Católica considera a prática homossexual (não a tendência) como “depravação grave” (CIC § 2357), tendo em vista que “a tradição sempre declarou que ‘os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados’. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados” (idem).

Quando se fala aos jovens sobre masturbação e fornicação (sexo realizado por pessoas não casadas), alguns tendem a minimizar a gravidade desses pecados, e alguns até têm a coragem de dizer que não são pecados, quando o Catecismo diz o contrário: “Entre os pecados gravemente contrários à castidade é preciso citar a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais” (CIC § 2396). Santo Agostinho dizia: “Não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade sem caridade”.

Como declarou o Papa emérito Bento XVI, na “Caritas in veritate”, “caridade sem verdade é sentimentalismo”. Jesus perdoou a mulher adúltera e a salvou da morte, mas não deixou de mostrar a ela o seu grave pecado: “Vá e não peques mais”. Sem mostrar o pecado ao pecador ele não pode se libertar da morte espiritual.

O profeta Ezequiel, em dois capítulos (3, 18 e 33) também chama a atenção para a necessidade de se corrigir o pecador: “Se digo ao malévolo que ele vai morrer, e tu não o prevines e não lhe falas para pô-lo de sobreaviso devido ao seu péssimo proceder, de modo que ele possa viver, ele há de perecer por causa de seu delito, mas é a ti que pedirei conta do seu sangue. Contudo, se depois de advertido por ti, não se corrigir da malícia e perversidade, ele perecerá por causa de seu pecado, enquanto tu hás de salvar a tua vida” (Ez 3, 18-19). “Se eu disser ao pecador que ele deve morrer, e tu não o avisares para pô-lo de guarda contra seu proceder nefasto, ele perecerá por causa de seu pecado, mas a ti pedirei conta do seu sangue” (Ez 33, 8).

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