Com a Palavra

Conectados vivemos melhor?

Será que é mais cômodo viver apenas no mundo virtual?

Que tal um dia com o celular desligado, sem abrir os e-mails, sem entrar nas Redes Sociais? E quem sabe ainda desligar a TV, o rádio, passar longe do computador e ignorar o tablet?

Para os dias atuais, esse é um desafio quase impossível de se cumprir. O “desconectar” até soa como estar “fora do mundo”, desatualizado. A palavra “conectar” significa ligar, unir – o que, ironicamente, pouco tem acontecido com as pessoas. A linguagem informatizada tomou conta do nosso cotidiano e foi adentrando, pouco a pouco, em nosso vocabulário. No entanto, essa “conexão” está longe de existir; ao menos na vida real.

Hoje podemos nos “conectar” com pessoas que estão do outro lado do mundo, falar e até ver, em tempo real, alguém que está num fuso horário oposto ao nosso. Mas é muito comum passarmos pelas pessoas e nem sequer olharmos em seus olhos. Pouco percebermos as necessidades de quem está ao nosso lado, em nossa casa, em nosso trabalho ou em nosso convívio diário. Quantas vezes nem mesmo cumprimentamos as pessoas ao lado das quais passamos!

Conhecemos todos os novos aplicativos para celulares e não mais conhecemos a pessoa com quem nos casamos, nem os nossos filhos ou nossos irmãos, e nem mesmo nossos pais. Sabemos dos mais diversos lançamentos da era digital e nem percebemos que os nossos relacionamentos estão se dissolvendo, enquanto despendemos demasiado tempo nas Redes Sociais. Passamos o dia entretidos com as multifuncionalidades oferecidas pelo touch screen dos games ou dos tablets, e nem nos lembramos de tocar com delicadeza e amor o rosto de quem amamos. E ainda nos arrogamos o privilégio de nos denominarmos de “a geração conectada”.

Sem dúvida alguma, os avanços tecnológicos trouxeram grandes contribuições para a nossa vida, facilitaram em muito nosso trabalho e nos abriram inúmeras possibilidades. São incontáveis os benefícios que eles geraram. Contudo, o problema está no que fazemos com eles.

Fomos nos tornando escravos da tecnologia. Muitos de nós não conseguimos mais “nos desconectar”; temos a necessidade de estar sempre “on-line”. O vício pela conectividade cresceu tanto que, atualmente, já existe clínicas de recuperação para dependentes digitais. Enquanto isso, os “relacionamentos reais” estão definhando. Pessoas sob o mesmo teto estão tornando-se estranhas umas às outras e, em contrapartida, o número de “amigos” nas Redes Sociais chega aos milhares. Tornou-se mais cômodo “conhecer” alguém por intermédio de seu perfil na rede do que gastar tempo com essa pessoa, olhando em seus olhos, tocando em seu ombro e dizendo -lhe: “Conte comigo!”.

Mas como resolver esse problema? É preciso abandonar a vida digital? Não. E isso nem seria possível, uma vez que temos necessidade da tecnologia praticamente para tudo o que fazemos. O segredo está no equilíbrio. Não se pode se desprender totalmente da tecnologia, nem se deixar subjugar por ela. É preciso ter nas mãos o poder da decisão: “Eu escolho me conectar” e “Eu escolho me desconectar!”.

Conectados vivemos melhor, sim; mas desde que isso passe pela nossa liberdade de escolha.

Viviane Eloy
Missionária Canção Nova
13/06/2012

Temos direito à vida

A vida humana é sagrada, pois tem como origem a ação criadora de Deus

A lei brasileira permite o uso, para pesquisa e terapia, de células-tronco obtidas de embriões humanos de até cinco dias, que sejam sobras do processo de fertilização in vitro, inviáveis para implantação ou congelados por mais de três anos com o consentimento dos genitores. Todavia, ainda que a lei aprove, esta prática é um atentado contra a vida humana.

Em primeiro lugar, a destruição do blastocisto, embrião na segunda semana de gestação, para a obtenção de células-tronco, é um atentado contra a vida, porque esta é inviolável, ainda que em sua fase inicial de formação. Esta prática é eticamente incorreta, porque é um desrespeito contra a dignidade humana. Uma vida, ainda que em sua fase inicial, não pode ser usada para pesquisas e/ou terapias. Ainda que o fim dessas pesquisas seja para o bem da humanidade, não se pode dispor de um meio mau para chegar a esse fim. Além da questão ética, há também implicações do ponto de vista religioso a respeito do uso de células tronco embrionárias para pesquisas e terapias.

Segundo a Carta Encíclica Evangelium Vitae, do Papa João Paulo II, o quinto mandamento da Lei é lembrado, em primeiro lugar, por Jesus ao jovem rico: “Não matarás; não cometerás adultério; não roubarás…” (Mt 19, 18). Segundo o Pontífice, o mandamento de Deus não pode ser desvinculado do seu amor, que é sempre um dom para a alegria do homem. Este constitui um aspecto essencial e um elemento inalienável do Evangelho, uma boa e feliz notícia.

O Evangelho da vida é um grande dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma exigente tarefa para o homem. “Aquele suscita assombro e gratidão na pessoa livre e pede para ser acolhido, guardado e valorizado com vivo sentimento de responsabilidade: dando-lhe a vida, Deus exige do homem que a ame, respeite e promova. Deste modo, o dom faz-se mandamento, e o mandamento é em si mesmo um dom”. O homem tem o dever de amar, respeitar e promover a vida, por isso a destruição do embrião para a obter células-tronco é pecado grave contra Deus e Sua Lei.

João Paulo II afirma que o homem é rei e senhor não apenas das coisas, mas também, e em primeiro lugar, de si mesmo e da vida que lhe é dada. O gênero humano pode transmitir a vida por meio da geração cumprida no amor e no respeito do desígnio de Deus. Porém, o seu domínio não é absoluto, mas um reflexo concreto do domínio único e infinito de Deus. Por isso, o homem deve viver esse domínio com sabedoria e amor, participando da sabedoria e do amor de Deus, o qual é tão grande que não pode ser medido (cf. EV 52). O homem não é senhor absoluto e árbitro incontestável, mas ministro do desígnio de Deus. A vida é confiada ao homem como um tesouro que não pode desprezar, como um talento que deve fazer render, pois dele terá de prestar contas ao seu Senhor (cf. Mt 25, 14-30; Lc 19, 12-27).

A vida humana é sagrada, pois tem como origem a ação criadora de Deus e mantém para sempre uma relação especial com o Criador, seu único fim. “Só Deus é Senhor da vida, desde o princípio até ao fim: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de destruir diretamente um ser humano inocente” (EV 53). Somente Deus é o Senhor absoluto da vida do homem, formado à Sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26-28), por isso, não podemos manipular a vida.

A vida humana possui um caráter sagrado e inviolável, no qual se reflete a própria inviolabilidade do Criador. Por isso, Deus se fará juiz severo de qualquer violação do mandamento “não matarás”, colocado na base de toda a convivência social. Deus é o defensor do inocente (cf. Gn 4, 9-15; Is 41, 14; Jr 50, 34; Sal 19 18, 15), que não Se alegra com a perdição dos vivos (cf. Sb 1, 13). Com a perdição, somente satanás pode se alegrar. Foi pela inveja do homem que a morte entrou no mundo (cf. Sb 2, 24). O demônio é assassino desde o princípio e também mentiroso e pai da mentira (cf. Jo 8, 44).

Enganando o homem, satanás levou-o ao pecado e à morte, que lhe foram apresentados como objetivos e frutos de vida (cf. EV 52). Não nos enganemos, pois tais pesquisas com células-tronco embrionárias podem ser apresentados da mesma forma, como objetivos e frutos de vida, mas na verdade fazem parte da cultura de morte, que se espalha pelo mundo. Protejamos estas vidas contra qualquer tipo de manipulação, pois nos lembra o Beato João Paulo II, o ser humano tem direito à vida desde a concepção até o momento da morte natural (cf. Exortação Apostólica Christifideles laici, 38).

Natalino Ueda – Comunidade Canção Nova

A Lamparina do Sacrário

Há 138 anos a chama que jamais se extingue…
Por Mons. Inácio José Schuster

Tomemos a lamparina que continuamente arde próximo ao sacrário. Quantos pensamentos salutares ao espírito este singelo objeto pode nos prestar?

Momentos após expirar no madeiro, Nosso Senhor Jesus Cristo recebia de Longino o derradeiro golpe de lança. E muitos autores cristãos referem, em comentários que ricamente mesclam elevado estudo teológico com a mais fina poesia, que desse lado transpassado do Deus morto, donde verteu sangue e água, nasceu também a Santa Igreja Católica.

Em seus séculos de existência, essa Igreja imortal foi crescendo em sabedoria e santidade. E tudo o que ela foi destilando nessa tão longa caminhada têm em sua raiz última valores infinitos, pois que é oriundo daquele Sangue infinitamente precioso derramado na Cruz.

Cada costume, cada gesto na liturgia, cada trecho de melodia sacra e cada peça sobre o altar são carregados de significados santos e profundos. Pode-se dizer, sem temor de exagero, que em nossa santa religião não há uma pedra, por menor que seja, a qual ao ser movida não revele por trás de si um tesouro sobrenatural.

Tomemos, por exemplo, a lamparina que continuamente arde próxima ao sacrário. É um objeto singelo, no entanto poderá inspirar salutares pensamentos proveitosos ao espírito.

A pequena chama pode bem ser comparada a tantas almas contemplativas, as quais felizmente sempre houve. Enquanto a cidade e o mundo ardem em agitação febril, buscando um sem-fim de realizações terrenas, lá estão elas, revezando-se diante de Deus, de maneira a nunca interromper sua adoração. Não é um pensamento confortador? Quer seja dia, quer noite, sempre haverá um coração cristão postado diante do tabernáculo, à semelhança do persistente lume.

Em sentido bem diferente, a pequena e coruscante labareda também nos pode lembrar a alma do cristão comum. E de qual maneira? Poderíamos imaginá-lo assim:

Há dias em que uma igreja vive o esplendor das cerimônias litúrgicas. Repleta de fiéis, vibra e rejubila ao som do órgão e ao colorido cortejo dos paramentos, enquanto dezenas de círios festivos rebrilham sobre os altares. Estes seriam, para a alma, os momentos de alegria, de consolação espiritual e abundância de favores divinos. No entanto, há também os momentos em que essa mesma igreja está quase vazia. Pode ser um dia não festivo, naquelas semanas mortas do ano. Não há música nem cores vibrantes. E das velas desfeitas, já não restam mais que poças de cera ressecada, sobre melancólicos altares desnudos. Assim figuramos o que seriam para a alma os dias difíceis, de prova e aridez, nos quais o próprio Deus parece ter-se ausentado. Neste clima sombrio, olhemos, entretanto, ao lado do sacrário, e lá estará a pequenina chama a bruxulear, talvez a única luz dentro de toda a igreja.

A minúscula chama da lamparina seria, neste caso, bem o símbolo da fé no espírito cristão. Quando tudo parece imerso em trevas, todos os esforços se revelam inúteis e o mar das provações ameaça submergir a pobre alma, a luz da fé, por menor que seja, traz em si aquela força e aquela esperança, que são o elo sobrenatural que liga o homem ao seu Criador. Tudo pode ser restaurado.

Cada centelha de fé – ainda que muito pequena – que arde no fundo de um coração batizado, é como uma lamparina a arder diante de Deus. Jamais devemos permitir que ela se apague. Nela está a semente da Glória, da felicidade celeste, da Luz eterna que jamais se extinguirá.

Senhor, fazei que eu seja aquela luz,
humilde mas constante, a pequenina luz,

junto ao Vosso Sacrário,
que não fraqueja nem um só instante.

Que nunca se me acabe, ó meu Senhor,
o azeite da minha adoração por Vós.

E que por Vossa graça eu ilumine tudo em meu redor,
procurando que com a minha luz
não deixe sentir sós os que,
fiéis, buscam o Vosso amor.

Eu sei que, na aparência da humildade,
não tem medida o que agora Vos peço:

Graça maior que estar ao Vosso lado
não tem comparação e não tem preço.

Por isso, ó Deus do infinito amor,
ouvi minha alma, sempre,

sempre a rezar, sem que,
por um momento, desfaleça.

Para que, ao fim deste agreste caminho,
possa olhar Vosso rosto e nele me reconheça.

Nele reconheça a humilde centelha de Vós em mim, Senhor,
desde que me criastes, e que,

apesar das minhas muitas faltas sempre,
como meu Pai, me perdoastes por Vosso amor.

A primeira vitória de um homem é nascer

O homem tem o valor que dá a si próprio

Havia, na Índia, um sábio que era assiduamente procurado. Certa vez, um jovem ousado quis testar a sabedoria do velho sábio. Pegou um passarinho vivo, escondeu-o atrás do corpo e apresentou-se diante do homem de cabelos brancos.

– O senhor é sábio mesmo?

– Dizem que eu sou.

– Então, me responda: o que eu tenho em minhas mãos?

– Deve ser um pássaro; jovens como você gostam muito de caçar os pássaros.

– É verdade, o senhor acertou, parece que é sábio mesmo. Mas me diga: o pássaro está vivo ou está morto?

O sábio agora estava numa situação difícil. Se ele dissesse que o passarinho estava morto, o jovem o soltaria a voar; se dissesse que estava vivo, o jovem o mataria em suas mãos sem que o sábio o notasse. Uma cilada de mestre!

– Então, senhor sábio, o passarinho está vivo ou está morto? Responda-me. O senhor não é sábio?

O velho abaixou a cabeça e pensou um pouco. Depois, respondeu ao jovem:

– Depende de você!

Pensativo e cabisbaixo, o jovem foi se afastando e, ao longe, olhando para o velho, soltou o passarinho.

Cada um de nós tem esse passarinho dentro de si. Podemos matá-lo ou deixá-lo viver, depende de nós e de ninguém mais, pois recebemos o dom mais precioso deste mundo que é a liberdade.

Esse pássaro de ouro, que é sua vida, criada à imagem e semelhança de Deus, está em nossas mãos.

A vida é sua e de mais ninguém. É o único dom que, de fato, é inteiramente seu. O resto é seu, mas está fora de você.

A primeira vitória de um homem foi ter nascido. Cada pessoa é uma palavra de Deus que não se repete. A verdadeira medida do homem está não no que ele possui, mas no que ele é.

Tagore, prêmio Nobel de literatura em 1913, disse que “cada criança, ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu ainda a esperança nos homens”.

O homem tem o valor que dá a si próprio.

(Extraído do livro “Para ser feliz” escrito pelo Professor Felipe Aquino)
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Cristão não precisa de horóscopo, deve ser aberto às surpresas de Deus

Segunda-feira, 26 de junho de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa falou de algumas características do cristão, enfatizando o caminhar rumo às surpresas de Deus

O Papa Francisco celebrou nesta segunda-feira, 26, a Missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Ele destacou que o verdadeiro cristão não é aquele que se instala e fica parado, mas que confia em Deus e se deixa guiar num caminho aberto às surpresas do Senhor.

Citando a Primeira Leitura, extraída do Livro do Gêneses, Francisco refletiu sobre Abraão, pois nele há o estilo da vida cristã, baseado em três dimensões: o despojamento, a promessa e a benção. “O Senhor exorta Abraão a sair de seu país, de sua pátria, da casa de seu pai”, recordou o Papa.

“O ser cristão tem sempre esta dimensão do despojamento que encontra a sua plenitude no despojamento de Jesus na Cruz. Sempre há um vai, um deixa, para dar o primeiro passo: ‘Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai’. Se fizermos memória, veremos que nos Evangelhos a vocação dos discípulos é um ‘vai’, ‘deixa’ e ‘vem’. Também nos profetas, não é? Pensemos a Eliseu, trabalhando a terra: ‘Deixa e vem’.”

“Os cristãos”, acrescentou o Papa, “devem ter a capacidade de serem despojados, caso contrário não são cristãos autênticos, como não são aqueles que não se deixam despojar e crucificar com Jesus. Abraão obedeceu pela fé, partindo para a terra a ser recebida como herança, mas sem saber o destino preciso.

Horóscopos não

“O cristão não tem um horóscopo para ver o futuro. Não procura a necromante que tem a esfera de cristal, para que leia a sua mão. Não, não. Não sabe aonde vai. Deve ser guiado. Esta é a primeira dimensão de nossa vida cristã: o despojamento. Mas, por que o despojamento? Para uma ascese parada? Não, não! Para ir em direção a uma promessa. Esta é a segunda. Somos homens e mulheres que caminham para uma promessa, para um encontro, para algo, uma terra, diz a Abraão, que devemos receber como herança”.

No entanto, enfatizou Francisco, Abraão não edifica uma casa, mas levanta uma tenda, indicando que está a caminho e confia em Deus, portanto, constrói um altar para adorar ao Senhor. Então, continuar a caminhar é estar sempre em caminho.

“O caminho começa todos os dias na parte da manhã; o caminho de confiar no Senhor, o caminho aberto às surpresas do Senhor, muitas vezes não boas, muitas vezes feias – pensemos em uma doença, uma morte – mas aberto, pois eu sei que Tu me irás conduzir a um lugar seguro, a um terra que preparaste para mim; isto é, o homem em caminho, o homem que vive em uma tenda, uma tenda espiritual. Nossa alma, quando se ajeita muito, se ajeita demais, perde essa dimensão de ir em direção da promessa e em vez de caminhar em direção da promessa, carrega a promessa e possui a promessa. E não deve ser assim, isso não é realmente cristão”.

A outra característica elencada pelo Papa é a benção, isto é, o cristão é um homem, uma mulher que abençoa, que fala bem de Deus e fala bem dos outros e que é abençoado por Deus e pelos outros para ir para frente. Este é o esquema da vida cristã, disse o Papa, porque todo mundo, também” os leigos, devem abençoar os outros, falar bem dos outros e falar bem a Deus dos outros.

“Muitas vezes – acrescentou o Pontífice – estamos acostumados a não falar bem do próximo, quando ‘a língua se move um pouco como quer’, em vez de seguir o mandamento que Deus confia ao nosso pai Abraão, como síntese da vida: de caminhar, deixando-se despojar pelo Senhor e confiando em suas promessas, para sermos irrepreensíveis”. Enfim, concluiu Francisco, a vida cristã é “tão simples”.

A importante missão de educar para a vida

“Diante dos filhos os pais não podem ser super-heróis, que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de serem perdoados”.

Os pais e professores são agentes determinantes na educação da criança e do adolescente. Especialmente os pais têm uma responsabilidade especial nisso. Para que a criança seja amanhã um adulto equilibrado em todas as suas dimensões humanas: física, psicológica, afetiva, sexual, moral, profissional, familiar, etc., ela precisa ter recebido dos pais uma boa “herança” de amor, segurança, carinho e firme correção dos seus erros.

Mas para que os pais possam cumprir bem esta sagrada missão precisam, antes de tudo, saber “conquistar” os filhos; não com dinheiro demais, roupa da moda, tênis de marca, etc., mas com aquilo que eles são para os filhos; isto é, seu bom exemplo, carinho, atenção, tempo gasto com os filhos… O filho precisa ter “orgulho” do seu pai, ter “admiração” pela sua mãe, ter prazer de estar com eles, “ser seus amigos”, partilhar a vida e os problemas, tristezas e alegrias com eles. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correções com facilidade.

Se não conquistarmos os nossos filhos, com amor, carinho e correção sadia, eles poderão ir buscar isto nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência… fora de casa.

Sobretudo é primordial o respeito para com o filho; levá-lo a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas, etc. Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos, e nunca afastá-los. Acolha-os em sua casa. Deixe que o seu filho traga os seus amigos para a sua casa; então, você os poderá conhecer e evitar as más companhias para eles.

Diante dos filhos os pais não podem ser super-heróis, que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de serem perdoados.

O educador francês André Bergè, diz que “os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos”. Parafraseando-o podemos dizer também que “as virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos”. Isto faz crescer a responsabilidade dos pais.

É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem humilhá-los. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo, ofendê-lo na frente dos seus amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais. Há pais que gritam com seus filhos e os ofendem e magoam na frente de outras pessoas; ora, esta criança ficará com ódio deste pai.

São Paulo diz aos pais cristãos: “Pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e correção do Senhor” (Ef 6,4).

O livro do Eclesiástico diz que: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (Eclo 30,7).  A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela, e que todos devem servi-la.

Podemos e precisamos corrigir os filhos, em todas as idades, sem traumatizá-los. Não é raro eu ver alguns pais tomando tapas de crianças com 1 ou 2 anos, sem fazer nada… Hoje em dia é difícil ouvir alguém dizer não para os filhos. Ora, é precisa dizer: “Você não pode bater no seu amiguinho”. “Não vai assistir a uma novela feita para adultos”. “Não vai fumar maconha”. “Não, você não vai passar a madrugada na rua”. “Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação”. “Não, essas pessoas não são companhias pra você”. “Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate”. “Não, aqui não é lugar para você ficar”. “Não, você não vai faltar na escola sem estar doente”. “Não, essa conversa não é pra você se meter”. “Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque”. Quem mais usou o Não em seus sagrados Mandamentos, foi Deus, para nos guiar.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons justos e necessários NÃOS, crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro Não que a vida dá se revoltam. Alguém muito sábio disse que se não educarmos a criança, teremos de castigar o adulto.

Prof. Felipe Aquino

 

Educação
Cinco passos para incentivar a independência dos filhos
Independência dos filhos: como a estimular?

Diante de notícias em jornais e na televisão sobre adolescentes envolvidos com situações de infrações e aumento de reincidências, de filhos que matam pais ou irmãos por motivos considerados, muitas vezes, inexplicáveis, uma pergunta se faz necessária: onde isso tudo começa?

Alguns respondem que começa na vulnerabilidade das famílias; outros, no modelo de ensino das escolas ou numa sociedade onde predomina o ter e não o ser. Os estudiosos com uma visão sistêmica observam que todas essas causas impactam, pois vivemos um modelo dicotomizado, no qual, muitas vezes, essas instâncias não se falam adequadamente, não somam, mas dividem forças.

Por isso, cada dia mais se torna premente uma reflexão sobre os limites que são trabalhados pela família e pela escola. Muitas vezes, os pais terceirizam para escola uma postura de tornar as crianças independentes, desde o simples ato de tirar a chupeta, as fraldas, até mesmo lidar com sentimentos de decisões diante de situações da vida.

O primeiro passo é ajudar o filho a construir uma autoimagem boa e, acima de tudo, mostrar a ele que adquirir uma estima adequada ajuda no processo de decisões, facilita a independência, ajuda na hora de se posicionar contra coisas erradas oferecidas por outros. O ensino que é oferecido nas escolas complementa o adquirido no lar e, a partir dos relacionamentos entre familiares e colegas, podemos e devemos exercitar o nosso direito de escolhas.

Não existem fórmulas mágicas, mas um mapa que pode ajudar os pais.

O segundo passo é construir valores que forneçam balizamento no momento de decisão, pois a norma nós podemos burlar, mas é difícil lutar contra valores e crenças introjetadas, pois estas falam sempre mais alto que as nossas ações. E são mais difíceis de serem derrubadas quando confrontadas com as do mundo.

O terceiro passo é a atitude que a família tem com a criança, que deve ser de ensiná-la no lugar de fazer por ela. No entanto, é mais fácil amarrar o tênis do filho do que ensiná-lo a amarrar; porém, ao longo do tempo, isso o ajudará a ter independência física.

O quarto passo é o corte emocional que muitos pais têm com os filhos. Eles não querem que seus filhos cresçam e construam suas vidas, precisam de filhos infantilizados para se sentirem úteis.

O quinto passo é construir a independência emocional. Segundo Cury (2003): “Hoje, bons pais estão produzindo filhos ansiosos, alienados, autoritários, indisciplinados e angustiados”. Muitas vezes, a família, que deveria ser um espaço de aprendizado, torna-se um lugar de apelos para o consumo desenfreado, para a violência, para o sexo sem limites que, na ótica do autor, são “estímulos sedutores que se infiltram nas matrizes de sua memória (…). Os pais ensinam os filhos a serem solidários e a consumirem o necessário, mas o sistema ensina o individualismo a consumir sem necessidade”.

Não basta, então, ser bom pai, é preciso participar da construção emocional dos filhos, elogiar e criticar o comportamentos dos pequenos, como fortalecimento da formação deles. Lembrando que as ações dos adultos são as maiores fontes de aprendizado das crianças.

Nessa construção, existem pais autoritários com dificuldade de diálogo e demonstração de afeto. Estes se apegam às regras e não fazem um trabalho de troca de razões para tomar decisões, gerando crianças com alto grau de dependência e acostumadas a imposições paternas. Por outro lado, temos o inverso: pais muito tolerantes, afetivos e chegados ao diálogo, mas com dificuldade de colocar limites, chegando a ser permissivos diante de desejos e das condutas inadequadas dos filhos.

Portanto, se quisermos ter filhos com atitudes independentes, não devemos ser nem autoritários nem permissivos, mas democráticos, ou seja, demonstrar afeto e diálogo, mas com equilíbrio nas suas ações, estimulando a independência e reforçando valores. Pais democráticos fazem com que os filhos cumpram as regras de acordo com a idade de cada criança, mas demonstram flexibilidade quando é preciso voltar atrás.

Ângela Abdo
Coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais. Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

O Escapulário de Nossa Senhora não é um amuleto!

http://www.carmelitas.org.br

Muitas pessoas usam o escapulário ou outros objetos de devoção sem saber o seu verdadeiro significado, pior ainda quando usam como um amuleto, algo mágico que dá sorte, que livra de mau olhado ou coisa semelhante. Como se o verdadeiro sentido não viesse do coração daquele que usa tal objeto, que conhecendo o seu verdadeiro significado o usa para sinalizar algo que esta no seu intimo, sua fé, seus propósitos, sua conversão, a quem pertence. Muitos usam cruzes, medalhinhas, terços e grande numero usam o escapulário de Nossa Senhora do Carmo; como modismo, porque todo mundo esta usando ou aquele artista usou na novela.
Qual o verdadeiro significado do Escapulário?
O Escapulário ou Bentinho do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração à Santíssima Virgem Maria, por meio da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal. O escapulário do Carmo é um sacramental. No dizer do Vaticano II, “um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja” (SC 60). “A devoção do Escapulário do Carmo fez descer sobre o mundo copiosa chuva de graças espirituais e temporais” (Pio XII, 06/8/1950). A devoção ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo teve início com a visão de São Simão Stock. Segundo a tradição, a Ordem do Carmo atravessava uma fase difícil entre os anos 1230-1250. Recém-chegada à Europa como nômade, expulsa pelos mulçumanos do Monte Carmelo, ela atravessava um período crítico. Os frades carmelitas encontravam forte resistência de outras ordens religiosas para sua inserção. Eram hostilizados e até satirizados por sua maneira de vestir. O futuro da Ordem era dirigida por Simão Stock, homem de fé e grande devoto de Nossa Senhora.
Nesta aflitiva situação ele compôs uma oração, que repetia constantemente:
Flor do Carmelo, Videira florescente,
Esplendor do Céu,
Mãe sempre Virgem e Singular,
Aos Carmelitas daí privilégios
Ó Estrela do Mar.
Ao pedir “privilégios” o santo monge buscava junto à Mãe do Céu, sinais evidentes de proteção à Ordem a Ela dedicada. No dia 16 de julho de 1251, enquanto o piedoso Simão rezava esta oração, a Virgem apareceu. Tomando o escapulário nas mãos disse: “Filho caríssimo, recebe este Escapulário, sinal especial de minha confraternidade. Eis o sinal da salvação! Salvação dos perigos. Quem morrer revestido com ele, não padecerá do fogo do eterno”. O escapulário era um avental usado pelos monges durante o trabalho para não sujar a túnica. Colocado sobre as escápulas (ombros), o escapulário é uma peça do hábito que ainda hoje todo carmelita usa. Com o tempo, estabeleceu-se um escapulário reduzido para ser dado aos fiéis leigos. Dessa forma, quem o usasse poderia participar da espiritualidade do Carmelo e das grandes graças que a ele estão ligadas; entre outras o privilégio sabatino: em sua bula chamada Sabatina, o Papa João XXII afirma que aqueles que usarem o escapulário serão depressa libertados das penas do purgatório no sábado que se seguir a sua morte. As vantagens do privilégio sabatino foram ainda confirmadas pela Sagrada Congregação das Indulgências, em 14 de julho de 1908. O escapulário é feito de dois quadradinhos de tecido marrom unidos por cordões, tendo de um lado a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e de outro o Coração de Jesus, ou o brasão da Ordem do Carmo. É uma miniatura do hábito carmelita, por isso é uma veste. Quem se reveste do escapulário passa fazer parte da família carmelita e se consagra a Nossa Senhora. Assim, o escapulário é um sinal visível da nossa aliança com Maria. É importante destacar algumas atitudes que devem ser assumidas por quem se reveste deste sinal mariano:
• Colocar Deus em 1º lugar na sua vida e buscar sempre realizar a vontade D’ele.
• Escutar a Palavra de Deus na Bíblia e praticá-la na vida.
• Buscar a comunhão com Deus através da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que nos ama.
• Abrir-se ao sofrimento do próximo, solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando solucioná-las.
• Participar com freqüência dos sacramentos da Igreja, Eucaristia e Confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo em sua vida.
O escapulário não é sinal de proteção mágica: não é amuleto. Não é garantia automática de salvação. Não nos dispensa de viver as exigências da vida cristã. A imposição do Escapulário do Carmo é feita uma única vez para toda a vida, por um religioso carmelita ou por um sacerdote que siga o rito estabelecido pela Igreja. A benção é dada à pessoa para que ela seja digna de vesti-lo, e não ao escapulário. O escapulário gasto pode ser substituído por outro ou por uma medalha.

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DO CARMO
Santíssima Virgem Maria, Esplendor e Glória do Carmelo, olhais com especial ternura os que se revestem do vosso Santo Escapulário. Cobri-me com o manto da vossa maternal proteção, pois a Vós me consagro hoje e para sempre. Fortalecei a minha fraqueza com o vosso poder. Iluminai a escuridão do meu espírito com a vossa sabedoria. Aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Adornai a minha alma com muitas graças e virtudes. Assisti-me na vida, consolai-me na morte com a vossa presença e apresentai-me à Santíssima Trindade como vosso filho dedicado, para que eu possa louvar-Vos por toda a eternidade. Amém.
Nossa Senhora do Carmo rogai por nós!

Nossa Senhora do Carmo

Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas.
O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251.
Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas.
O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, 16 de Julho, celebra a Igreja a festa de Nossa Senhora do Monte Camelo, comumente conhecida como Nossa Senhora do Carmo. A Virgem Maria é conhecida na Sagrada Escritura como “aquela que recebia a Palavra de Deus”, não apenas na Escritura, mas em colóquio com seu próprio Filho e a meditava em seu coração.  Os primeiros carmelitas que resolveram viver uma vida contemplativa no alto do Monte Carmelo tomaram-na como sua padroeira, mãe e mestra na vida espiritual.  De Maria nós conhecemos pouquíssimo; no entanto, existem silêncios que são muito mais eloqüentes do que livros inteiros.  Maria meditava silenciosamente, ruminava diariamente a palavra de Deus e é isto que desejam fazer na Igreja os carmelitas e as carmelitas. Este estilo de vida todo contemplativo, debruçado sobre a Palavra de Deus, a partir da qual se faz o que hoje, após o Concilio Vaticano II e a constituição Dei Verbum chama-se lectio divina, é o que a Igreja espera que esta família carmelitana ofereça aos seus irmãos na fé. A Igreja católica tem necessidade urgente de viver o primado da escuta da Palavra sobre suas múltiplas atividades.  Infelizmente nossas paróquias muitas vezes pecam por excesso de atividades, relegando em segundo plano a vida espiritual – entendendo-se por vida espiritual a vida sob a guia e a iluminação do Espírito Santo. A Virgem Maria do Monte Carmelo, hoje por todos nós invocada, gostaria de abrir nossos corações – é esta a graça que ela impetra a seu Filho, para que entendamos a Sagrada Escritura, para que descubramos em nossas vidas, ainda que ativas, uma veia contemplativa. Como os carmelitas e as carmelitas na Igreja, ofereçamos o primado de nossas existências concretas e diárias à Palavra com a qual queremos abrir nosso dia, inaugurar nossa jornada e diante da qual queremos oferecer o melhor de nós mesmos. A Virgem do Carmelo nos conduza nesta aventura através das noites escuras aos dias luminosos da contemplação de Deus, através da escuta de Sua mensagem.

 

Quem são meus familiares?
*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. Paulus: 2000.

O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus cercado pela multidão, que O comprime, pois deseja escutar Sua Palavra; o povo quer escutar a Palavra do Senhor, pois num primeiro momento, recebe o convite de um Jesus tomado de misericórdia, compaixão e amor por cada um deles. Primeiro Cristo ama, depois fala ao coração do povo sedento. Nosso Senhor Jesus Cristo ama, e porque ama, fala aos corações dessas pessoas na certeza de que uma resposta será necessária por parte do povo. A única resposta cabível frente a uma proposta de amor é retribuirmos com amor, pois amor com amor se paga. O maior gesto de amor, neste caso, é colocarmos esta palavra na vida, em prática. Os familiares de Jesus estão ali; eles desejam falar com Ele, porque têm algo muito importante para comunicar-Lhe. Num primeiro momento, parece que o Senhor responde com grosseria ao aviso que dão a Ele sobre Seus familiares que querem falar com Ele. Não, não é isso, Jesus aproveita a ocasião para educar aqueles que ali estão e mostrar que seus familiares são mais que familiares, ou seja, são íntimos d’Ele. Há uma grande diferença entre familiaridade e intimidade; intimidade requer familiaridade; mas familiaridade não requer intimidade. Infelizmente. Basta olharmos para a maioria das famílias hoje em dia. Quantas famílias que vivem sob a casa da estranheza; ou seja, não há intimidade, são estranhos, não se conhecem. Par dizer que, para sermos da família de Jesus, é fundamental que haja intimidade com Ele; esta intimidade será fruto de uma profunda experiência com a Sua Palavra; será fruto de corações que estarão sempre próximos, num constante colóquio de amor entre pessoas que se amam: Jesus e eu; eu e Jesus. Não basta acreditar – satanás também acredita em Deus. Não basta termos os sacramentos, pois o que salva não são eles; os sacramentos são meios de salvação. O que salva é a vivência destes sacramentos. Da mesma forma, não basta ser da família de Jesus; é preciso ser íntimo e obediente à  Palavra d’Ele. A familiaridade verdadeira será conseqüência disso. Mas saibamos de uma realidade fundamental para que esta maravilha aconteça na nossa vida e, conseqüentemente, também haja a felicidade e a salvação: não existe Jesus Cristo sem a Sua Igreja e não existe Igreja sem Jesus Cristo. Estas obediências e estes seguimentos ao Senhor, sem obediência e seguimento da Igreja, é tudo, menos obediência e seguimento verdadeiro. “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, diz o Senhor. Que vontade é esta? Amor e obediência a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

Qual o verdadeiro significado do Escapulário?

Nossa Senhora

Muitas pessoas utilizam o escapulário por modismo ou simplesmente porque outros o usam, mas qual é o verdadeiro significado dele?

Muitas pessoas usam o escapulário ou outros objetos de devoção sem saber o seu verdadeiro significado, pior ainda quando o usam como um amuleto, algo mágico que “dá sorte”, que livra de “mau olhado” ou coisa semelhante. Como se o verdadeiro sentido não viesse do coração daquele que usa tal objeto, o qual, conhecendo o seu verdadeiro significado, o usa para sinalizar algo que está em seu íntimo, em sua fé, em seus propósitos e em sua conversão. Muitos usam cruzes, medalhinhas, terços e vários escapulários de Nossa Senhora do Carmo como modismo, porque todo mundo está usando ou aquele artista usou na novela. Mas qual o verdadeiro significado do escapulário?

O escapulário ou bentinho do Carmo é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração a Santíssima Virgem Maria, por meio da inscrição na Ordem Carmelita, na esperança de sua proteção maternal. O escapulário do Carmo é um sacramental. No dizer do Vaticano II, “um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja”. (SC 60)

“A devoção do escapulário do Carmo fez descer sobre o mundo copiosa chuva de graças espirituais e temporais”. (Pio XII, 6/8/50).

A devoção ao escapulário de Nossa Senhora do Carmo teve início com a visão de São Simão Stock. Segundo a tradição, a Ordem do Carmo atravessava uma fase difícil entre os anos 1230-1250. Recém-chegada à Europa como nômade, expulsa pelos muçulmanos do Monte Carmelo, a Ordem atravessava um período crítico. Os frades carmelitas encontravam forte resistência de outras ordens religiosas para sua inserção. Eram hostilizados e até satirizados por sua maneira de se vestir. O futuro dos carmelitas era dirigido por Simão Stock, homem de fé e grande devoto de Nossa Senhora.

O escapulário era um avental usado pelos monges durante o trabalho para não sujar a túnica. Colocado sobre as escápulas (ombros), o escapulário é uma peça do hábito que ainda hoje todo carmelita usa. Com o tempo, estabeleceu-se um escapulário reduzido para ser dado aos fiéis leigos. Dessa forma, quem o usasse poderia participar da espiritualidade do Carmelo e das grandes graças que a ele estão ligadas; entre outras o privilégio sabatino. Em sua bula chamada Sabatina, o Papa João XXII afirma que aqueles que usarem o escapulário serão depressa libertados das penas do purgatório no sábado que se seguir a sua morte. As vantagens do privilégio sabatino foram ainda confirmadas pela Sagrada Congregação das Indulgências, em 14 de julho de 1908.

O escapulário é feito de dois quadradinhos de tecido marrom unidos por cordões, tendo de um lado a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e de outro o Coração de Jesus, ou o brasão da Ordem do Carmo. É uma miniatura do hábito carmelita, por isso é uma veste. Quem se reveste do escapulário passa a fazer parte da família carmelita e se consagra a Nossa Senhora. Assim, o escapulário é um sinal visível da nossa aliança com Maria. É importante destacar algumas atitudes que devem ser assumidas por quem se reveste desse sinal mariano:

• Colocar Deus em primeiro lugar na sua vida e buscar sempre realizar a vontade d’Ele.

• Escutar a Palavra de Deus na Bíblia e praticá-la na vida.

• Buscar a comunhão com Deus por meio da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que nos ama.

• Abrir-se ao sofrimento do próximo, solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando solucioná-las.

• Participar com frequência dos sacramentos da Igreja, da Eucaristia e da confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo em sua vida.

Eu fui revestido com o escapulário, no dia 16 de julho de 1996, quando estava no noviciado da Canção Nova. Nesse dia, consagrei minha afetividade e sexualidade aos cuidados da Virgem Maria, que pode contar sempre com os meus esforços e abertura de coração para ser digno de receber as graças dessa santa devoção.

Referência: Província Carmelitana

Buscando o equilíbrio emocional

Responder com amor nas situações mais adversas

Talvez um dos maiores desafios do mundo moderno esteja em adquirirmos o equilíbrio das emoções. Absorvemos muitas informações, o tempo todo nos deparamos com desafios cada vez maiores e a exigência por resultados é sempre mais intensa.

Tudo isso exige do corpo e da mente respostas rápidas. Mas como fica o terreno das nossas emoções? Basta nos observarmos no trânsito, à espera do elevador – quando apertamos o botão de chamada várias vezes, como se isso fosse apressá-lo – ou em casa, quando temos algo mais sério a resolver, para avaliarmos como estamos nessa área da nossa vida.

Muitos não conseguem se controlar emocionalmente. Não nos bastará ser inteligentes, eficientes e práticos se não empregarmos bem todas essas qualidades. E todos esses dons passam pela prova dos sentimentos. Muitas vezes, a pessoa é ótima na área profissional, mas não consegue interagir com os (as) colegas de trabalho, com seu cônjuge, ou não sabe equilibrar seus gastos, tem alto grau de irritabilidade, pânico diante de situações simples ou sofre de euforia por uma perspectiva de algo bom. Faz de sua vida um horror, mesmo sendo competente profissionalmente.

Jesus detinha o domínio de Sua sensibilidade, pois, conviveu com o traidor d’Ele, dizia verdades aos fariseus, convivia com os pecadores e pessoas consideradas indignas pela sociedade, e até passou no meio de uma multidão que estava revoltada com Ele: “Levantaram-se e lançaram-no fora da cidade; e conduziram-no até o alto do monte sobre o qual estava construída a sua cidade, e queriam precipitá-lo dali abaixo. Ele, porém, passou por entre eles e retirou-se” (Lc 4, 29-30).

Mas o Senhor também se preocupava em ensinar os Seus. Um dia, num barco em meio à tempestade, Jesus foi acordado por Seus apóstolos, com a seguinte frase: “Senhor, salva-nos, nós perecemos!”. E Jesus perguntou: “Por que este medo, gente de pouca fé?” (Lc 8, 25-26). Controlou o vento e a tempestade, e mostrou que a fé é mais importante.

Deus nos dá a graça, mas adquirir o equilíbrio das emoções é algo gradual, vai acontecendo na dinâmica do dia a dia, conforme isso nos vai sendo exigido nos eventos, e conta com a nossa decisão.

Antes de Jesus desempenhar Seu ministério público, houve situações em que nem Ele, nem o exemplo de Seus pais, demonstraram desacertos na sensibilidade. Quando menino “Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). Isso já aponta coerência, obediência e acerto no emocional e no todo de uma criança.

Também quando, aos doze anos, Ele se perdeu no Templo: as reações explicitadas no encontro denotam uma incrível lucidez da Sagrada Família, não exigindo resposta além do normal, nem pesadas consequências. José e Maria não entenderam o dizer de seu Filho, mas enxergaram que era algo maior do que poderiam adentrar. José nem se pronunciou, ainda que, como chefe da família, e pela tradição judaica, ele deveria intervir, ainda mais no Templo diante dos magistrados. Não o fez, pois sabia que Maria participava mais profundamente daquele mistério.

A resposta dada aos pais mostra um Jesus que não se apavorou nem o fez de propósito, pois, após a explicação d’Ele, o evangelista anota que: “lhes era submisso” (cf. Lc 2, 51). Então, como pode alguém que é obediente, sabendo que Seus pais partiriam, ter ficado em Jerusalém por algum capricho?

Da mesma forma, Sua Mãe, Maria, agia conforme a necessidade da situação ou era prontamente solícita, mostrando uma grande capacidade emocional: “foi às pressas” (cf. Lc 1, 39), ou contemplava o mistério, ainda que não o entendesse: “guardava todas estas coisas no seu coração” (cf. Lc 2, 19. 51).

Para agirmos como pede a Palavra de Deus nas situações frustrantes: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (cf. Ef 4, 26), nos é necessário esse equilíbrio interior, que começa na decisão de querer responder com coerência e, acima de tudo, com amor nas situações mais adversas.

É um processo, mas este se inicia quando encontramos dentro de nós não a força ainda, mas sim a vontade de buscar uma “zona de conforto”, mesmo em meio ao caos.

Quantas vezes nos arrependemos de ter feito algo na hora da raiva e depois verificamos que a gravidade do fato nem era tão grandiosa. Como é fácil perder a visão total dos acontecimentos quando agimos pelo impulso e isolamos o fator razão na nossa tomada de decisão!

Pense nisso! Conte “até três”, pare, olhe, esteja atento, e isso mesmo para algo bom. Em cada fato pode estar algo além do que nossa limitada imaginação esteja mostrando.

Deus o abençoe!

Sandro Ap. Arquejada

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