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A Primeira Comunhão é a “Festa da fé”

Bento XVI exortava os sacerdotes, catequistas e famílias a “prepararem bem” as crianças para o sacramento

Lucas Marcolivio  

CIDADE ‘DO VATICANO, domingo, 22 de abril, 2012 (ZENIT.org) – No terceiro domingo da Páscoa, no Regina Caeli, o Papa Bento XVI deu uma breve catequese sobre a realidade de Jesus ressuscitado e verdadeiramente presente entre os homens.

Referindo-se ao Evangelho do dia, em que os discípulos, primeiramente confundem o Ressuscitado com um fantasma (cf. Lc 24,36), o Papa citou Romano Guardini, que definiu a ressurreição como uma realidade “não compreensível”, mas ao mesmo tempo real enquanto “corpórea”. “O Senhor mudou”, escreveu o teólogo ítalo-alemão.

Em face de uma ressurreição que não apagou as marcas da crucificação, Jesus está vivo e encarnado, ao ponto de comer normalmente o peixe assado oferecido a ele (cf. Lc 24, 42-43). O peixe assado, de acordo com São Gregório Magno, não é nada mais que o símbolo ardente da “paixão de Jesus, Mediador entre Deus e os homens”.

São esses “sinais muito realistas”, que ajudam os discípulos a superarem a “dúvida inicial” sobre a Ressurreição, assim, finalmente, compreendem as profecias do Antigo Testamento (cf. Lc 24, 44).

Cristo está presente entre nós, também na Eucaristia, como foi testemunhado pelos discípulos de Emaús que o reconhecem “no partir do pão” (cf. Lc 24, 35). Como afirma São Tomás de Aquino, citado pelo Papa, “deve ser reconhecido de acordo com a fé católica, que Cristo está presente neste Sacramento … porque a divindade nunca deixou o corpo que assumiu”.

Pouco antes da oração mariana, Bento XVI exortou os párocos, pais e catequistas a “prepararem bem” os filhos para o sacramento da Primeira Comunhão, que geralmente é realizada durante a época da Páscoa.

A Primeira Comunhão é, de fato, uma “festa da fé “que deve ser preparada “com grande fervor, mas também com sobriedade”. Trata-se de um dia que “permanece na memória como o primeiro momento em que… você entende a importância do encontro pessoal com Jesus (Sacramentum Caritatis, 19)”.

Após o Regina Caeli, o Santo Padre recordou o dia da Universidade do Sagrado Coração, que é comemorado hoje, e cujo tema é o futuro do país no coração da juventude. “É importante que os jovens sejam formados nos valores, bem como no conhecimento científico e técnico – disse o Papa -. Por isso o padre Gemelli fundou a Universidade Católica, a qual espero estar a par com os tempos, mas sempre fiel às suas origens”.

Santa Teresinha e a Eucaristia

http://www.oocities.org/heartland/flats/9292/Espiritualidade/Eucaristia/Eucaristia.htm

Teresinha sabia de cor o catecismo de sua época que trazia a pergunta: “Para que Jesus Cristo instituiu a Eucaristia”? E ela prontamente respondia: “primeiro, para continuar em nós o sacrifício oferecido na cruz; segundo, para permanecer corporalmente entre nós; terceiro, para ser alimento de nossas almas”. São estes os três aspectos do mistério eucarístico que a Igreja vem ensinando tradicionalmente: a missa, a presença real e a comunhão sacramental.

Pela definição do catecismo, Teresa tinha uma idéia clara do que é a missa: a missa é um sacrifício. Alude a esta realidade em duas poesias, uma dedicada expressamente à Eucaristia e outra escrita em louvor de Santa Cecília.

Na primeira canta: Derramaste teu sangue, mistério supremo! E segues para mim vivendo no altar.

Na outra é mais explícita: Em seu imenso amor se imola no altar O Verbo, Filho de Deus e Filho de Maria.

Seu apreço pela missa aumentará, sem dúvida, depois de ter lido no livro “Imitação de Cristo” (que aprenderá de cor) o seguinte comentário de Lamennais: “A missa, entre todas as ações do cristianismo, é a que mais glorifica a Deus e mais útil para a salvação dos homens”.

Está fora de discussão a grande estima de Teresa pelo sacrifício eucarístico. Seus pais iam cotidianamente à igreja para participar da Missa. Teresinha, ainda bem pequena, não quer privar-se de sua missa e espera o regresso de sua irmã Celina que lhe trará o pão bento da igreja: comê-lo com devoção representa “sua missa”.

O exemplo de seu pai Louis Martin é notável neste particular. Gravemente enferma aos 10 anos, observa que ele, para obter a cura de sua filhinha, encomenda uma novena de missas ao santuário parisiense de Nossa Senhora das Vitórias. Mais tarde, quando se curar, ela mandará celebrar missas pela conversão de Pranzini, seu primeiro filho espiritual. Seu amor pela missa jamais se esgotará. Por ocasião de sua tomada de véu manifestará sua alegria – e o agradece efusivamente – porque celebrou-se uma missa em sua intenção. E da mesma forma agirá quando, pouco antes de morrer, a Madre Priora encomendará missas para obter-lhe a cura.

O fervor com que Teresa participa da missa é tal que alguns dos acontecimentos espirituais mais importantes de sua vida giram em torno dela. Associa o fato de sua conversão à celebração da missa, pois ao contá-la, escreve: voltávamos da missa da meia-noite.

Tempos depois sentirá o forte chamado ao apostolado à vista de uma mão ensanguentada de Jesus crucificado. Isto ocorre ao final de uma missa da qual participara na catedral de São Pedro, no momento em que fechava o devocionário pelo qual acompanhara a celebração. Também sua inspiração para oferecer-se a si mesma como vítima de holocausto ao amor misericordioso a toma durante a missa da festa da Santíssima Trindade, no dia 9 de junho de 1895.

À questão: “Como Cristo se faz presente em nossos altares”?, eis a resposta de Teresa: “pelas palavras que o sacerdote pronuncia”. Não lhe falaram sobre a “epiclese”, isto é, o momento da atuação do Espírito Santo na consagração. Por isso ela escreve esta notável passagem: “Qual não é vossa humildade, ó divino Rei da Glória, submetendo-vos a todos os vossos sacerdotes, sem fazer qualquer distinção entre aqueles que vos amam e os que são – infelizmente! – mornos ou frios no vosso serviço… Vós desceis do céu a seu chamado; quer adiantem, quer atrasem a hora do Santo Sacrifício, estais sempre pronto…” (Or 20).

Quando termina a missa o Cristo não desaparece sob as espécies. Prossegue sua presença sacramental em nossos sacrários. Este é outro aspecto da Eucaristia que ela viveu intensamente.

A presença real
Teresa aprendeu que Jesus está presente em nossos altares. Diariamente fazia com seu papai a visita ao Santíssimo Sacramento, cada dia visitando uma nova igreja. Seu pai tem tanta fé na presença real que, frequentemente, ele chora emocionado de joelhos ante o sacrário. Este fato deixa Teresa impressionada e jamais o esquecerá. Gostava de “jogar flores aos passos de Deus” durante as procissões do Santíssimo. Por ocasião da festa de Corpus Christi, vai com suas companheiras ao monte do colégio interno que frequenta para colher abundantes flores que, no dia da festa, jogará quando passar a custódia. E ela se rejubila quando as rosas desfolhadas tocam a custódia que o sacerdote leva na procissão.

Isto tudo ocorre antes que ela se torne religiosa. No Carmelo sua devoção eucarística irá aumentar. Logo que ingressou no convento é conduzida ao coro, que – ela afirma – estava na penumbra pela presença do Santíssimo Sacramento exposto. E completa dizendo que declarara aos pés de Jesus Hóstia aquilo que viera fazer no Carmelo. Ao lado de Jesus Hóstia, junto ao sacrário, fará sua morada com muita frequência nos anos seguintes. Sua célebre poesia “Viver de amor” brotará de seu coração através de um impulso, durante os longos momentos de adoração do Santíssimo Sacramento exposto durante os três dias que reparam os excessos carnavalescos, antes do início da quaresma. Escreve o poema exatamente no dia 26 de fevereiro de 1895 (Poesias 17).

À Celina, que lhe escreve dando notícia – escandalizada – do abandono em que se encontra o sacrário de certo lugar recentemente visitado, Teresa responde: “Façamos de nosso coração um pequeno tabernáculo onde Jesus possa se esconder” (Cartas 108). Estimula, sempre que pode, a oração das pessoas diante do sacrário. Um grande número de suas poesias referem-se a este tema.

Além do mais, depois de permanecer algumas horas em adoração ante o Santíssimo exposto na vigília eucarística da Quinta-feira Santa, recebe o “primeiro anúncio da vinda do Esposo”, isto é, recebe um sinal de sua morte próxima com a primeira hemoptise. E há um gesto que ela fazia ocultamente e que talvez, em sua ingenuidade, resuma a excepcional piedade eucarística de Santa Teresinha: quando sabia não estar sendo observada ela se aproximava do sacrário e, tocando a pequena porta suavemente, perguntava: “Jesus, estás aí? Diga-me”.

A Comunhão
Sua primeira comunhão Teresa a chama de “primeiro beijo de Jesus em minha alma”. A página em que descreve esta experiência é realmente antológica. Só por isto nossa santa deveria ser proclamada pela Igreja como padroeira das crianças que fazem a primeira comunhão. Naquele dia ela recebe a graça de sua vocação religiosa. Depois deste dia suspira “pelo momento em que poderia recebê-lo pela segunda vez”.

Como àquela época não se permitia a comunhão diária, obteve permissão para fazer sua segunda comunhão na primavera. Nesse dia suas lágrimas escorreram novamente “com uma doçura inefável”. A partir deste dia seu desejo “de receber a Deus se fez cada vez maior” e obteve permissão para fazê-lo nas festas principais. No dia de sua Crisma tem “a felicidade de unir-se novamente a Jesus”. Ela ressalta em seus escritos que os dias mais importantes de sua vida são aqueles em que se lhe permitem comungar. Este desejo de comungar frequentemente vai acompanhá-la durante toda a vida. Há dois momentos muito significativos a este respeito: pouco depois do caso Pranzini, o confessor permite-lhe comungar quatro dias na semana e uma quinta vez quando ocorrer uma festa. Recordando este fato, escreve Teresa que seus olhos derramaram lágrimas muito doces, pois ela nunca se atrevera a pedir isto ao confessor.

Quando já religiosa a gripe se abate sobre a comunidade e só ela ficou de pé, recebe permissão para comungar diariamente. É o melhor presente que poderia receber: a comunhão diária.

Teresa suspirou a vida inteira para comungar diariamente. No dia 12 de junho de 1897 acontecia uma celebração de primeira comunhão na igreja de São Tiago. Ela encontrava-se muito enferma. Na véspera comenta, angustiada: “Amanhã não comungarei! E tantas meninas receberão a Deus”! Pouco antes de morrer profetizará que o Papa autorizaria a comunhão diária. Conta-se que o Papa Pio X, após ler uma carta de Teresa escrita a sua prima Maria sobre a sagrada comunhão, exclamou: “Oportuníssimo! Isto é oportuníssimo”. E por inspiração de Teresa assinaria o decreto sobre a comunhão diária.

Sua grande fé na presença de Jesus nas espécies eucarísticas motivava-lhe o desejo de ser sacerdote: “com que amor dar-te-ia às almas!”, exclama no Manuscrito B. E esta mesma fé a coloca diante da Virgem Maria para suplicar-lhe que ensine aos sacerdotes a tratar Jesus com a mesma delicadeza com que ela O envolvera nas fraldas. Essa mesma fé a impele a olhar atenciosamente o fundo do cálice, porque ela – Teresa – ali se refletia, precisamente onde estivera o Corpo e o Sangue de Cristo. Da mesma fora invejará os objetos que estão em contato com as espécies sacramentais. Sentir-se-á feliz por ser sacristã para poder ter um contato mais estreito com a Eucaristia. Igualmente está tão convencida da eficácia da comunhão que sua última comunhão nesta vida será oferecida pela conversão de um famoso apóstata, Jacinto Loyson.

Por fim, ama tanto a comunhão que, pouco antes de sua morte, ante uma pergunta das religiosas, sentencia: “Morrer de amor depois da comunhão é demasiada formosura para mim; as almas pequenas não poderão imitar isso”.

Ela que já sofrera da “doença do escrúpulo” pela qual as pessoas se afastam da Eucaristia por qualquer pecado venial, não hesitou em afirmar: “Quando o demônio consegue afastar uma pessoa da santa comunhão, ele já ganhou tudo… E Jesus chora!” (Carta 92).

Teresa é uma das almas mais eucarísticas da Igreja. Apesar de seu amor a Jesus Eucaristia, foi privada de recebê-los nos últimos meses de sua vida. Mas não se deixou abater. Para ela “tudo é graça”. Na verdade, seu grande sonho era ir mais além do que a comunhão na terra:

“Que será quando recebermos a comunhão na morada eterna do Rei dos céus?… Então, não veremos mais terminar nossa alegria!” (MA 60r).

Fonte: “Diccionario de Santa Teresa de Lisieux”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, 1997.
Verbetes: “Eucaristía” e “Comunión”. 
Tradução livre e resumida do original espanhol, não autorizada, para uso interno. 

Como superar a depressão?

A fé dá sentido a nossa existência

Hoje, há uma forte tendência ao aparecimento da depressão. Muitos são os fatores que causam esta patologia. Em qualquer caso, faz-se necessária uma ajuda terapêutica. Em muitos casos, é necessária a ajuda de medicamentos. Depressão é um sintoma do nosso tempo. Pode ser que ela sempre tenha existido em outros tempos, contudo, recebia outros nomes e outros diagnósticos.

Não cabe aqui apresentarmos um relato clínico da depressão. Esta tarefa cabe a um profissional da área médica. Contudo, gostaria de conversar com você sobre a depressão a partir de uma perspectiva espiritual. É preciso que fique claro que não pretendo dizer ou afirmar que a causa do processo depressivo seja a área espiritual, mas a espiritualidade pode colaborar no processo de tratamento do depressivo.

Somos um todo. Sabemos que o ser humano não é visto mais como um ser fragmentado. Tudo aquilo que vivenciamos produz em nosso ser uma resposta positiva ou negativa. Neste totalitário que somos, a espiritualidade está inserida. E a maneira como a vivenciamos afeta todo o nosso ser e, consequentemente, nossa vida.

A fé dá sentido à nossa existência. Hoje, o ser humano tem sede de uma vivência espiritual profunda em sua vida. Na maioria dos casos, quando alguém diz que está com depressão e é questionado sobre a sua vivência espiritual, esta pessoa diz: “Não tenho nenhuma vivência espiritual”, “Não participo de nenhuma Igreja”, “Faz muito tempo que não faço orações”, “Não tenho nenhum relacionamento com Deus”. Essas respostas são seguidas das seguintes afirmações: “Estou sentido um vazio em meu coração”, “Minha vida não tem sentido”, “Não consigo sentir Deus perto de mim”, “Ninguém gosta de mim”, “Queria morrer, porque não faria falta para ninguém”. Outras afirmações ainda presentes: “Não consigo me amar”, “Não deveria ter nascido”.

Não quero afirmar que essas respostas e afirmações de quem passa por um momento depressivo seja a causa da depressão. A raiz pode estar em outros setores da vida, os quais podemos comentar em outra ocasião.

Esse vazio interior, alegado por um grande número de pessoas depressivas, pode ser desencadeado por inúmeros fatores. Do ponto de vista espiritual, o vazio interior pode ser ocasionado pela falta da presença de Deus. E quando me refiro a essa “falta”, não estou afirmando que o Senhor não esteja junto da pessoa. Deus está sempre conosco, mas nós estamos sempre com Ele? Esta é uma grande questão espiritual que necessita de uma resposta clara e verdadeira de quem enfrenta um quadro depressivo.

A oração abre nossa alma para percebermos a presença de Deus em nossa vida. A participação na vida de comunidade nos coloca em contato com outras pessoas que se unem para juntos alimentar-se do Pão da Palavra e da Eucaristia. A Eucaristia, o próprio Cristo, devolve-nos o sentido da vida. O relacionamento com o Senhor só é despertado em nós quando tomamos consciência de que somente Ele pode preencher o vazio que carregamos em nosso coração. Santo Agostinho já afirmava: “Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti”.

Superar o processo depressivo depende, em grande parte, da pessoa que sofre essa patologia. No entanto, a espiritualidade é uma forte aliada neste processo de superação. Afinal, no todo que somos Cristo está presente.

Padre Flávio Sobreiro

Encontro do Papa com as crianças da Primeira Comunhão

ENCONTRO DE CATEQUESE E ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI COM AS CRIANÇAS DA PRIMEIRA COMUNHÃO
Praça de São Pedro
Sábado, 15 de Outubro de 2005

Andrea: “Caro Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?”.
Antes de tudo, gostaria de dizer obrigado por esta festa da fé que me ofereceis, pela vossa presença e alegria. Agradeço e saúdo o abraço que tive de um de vós, um abraço que simbolicamente vale para vós todos, naturalmente. Quanto à pergunta, recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim. E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim. E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: “Gostaria de estar sempre contigo” e pedi-lhe: “Mas, sobretudo permanece comigo”. E assim fui em frente na minha vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos. Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna boa.

Livia: “Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos”.
Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado “mortal”, isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto. O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.

Andrea: “A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não o vejo!”.
Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais. Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc… Assim também não vemos, por exemplo, a corrente elétrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes. Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A eletricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante. Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc… Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem.

Giulia: “Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto, mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?”.
Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer. Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida. Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade. Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: “Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família”.

Alessandro: “Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?”.
Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas. E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida. Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva. Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão. É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade.

Anna: “Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: “Eu sou o pão da vida”?”.
Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento. E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude. E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se. E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente. Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.

Adriano: “Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado”.
Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediatamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus. Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração. Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, adorar é dizer: “Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo”. Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: “Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo”.

Santo Evangelho (Lucas 12,8-12)

28ª Semana Comum – Sábado 20/10/2018 

Primeira Leitura (Ef 1,15-23)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos, 15desde que soube da vossa fé no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos, 16não cesso de dar graças a vosso respeito, quando me lembro de vós em minhas orações. 17Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19 e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 8,2-3a.4-7)

— Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.
— Vós destes o domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— Ó Senhor nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Desdobrastes nos céus vossa glória com grandeza, esplendor, majestade. O perfeito louvor vos é dado pelos lábios dos mais pequeninos.

— Contemplando estes céus que plasmastes e formastes com dedos de artista; vendo a lua e estrelas brilhantes, perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”

— Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhes pusestes.

 

Evangelho (Lc 12,8-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 8“Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, o Filho do Homem também dará testemunho dele diante dos anjos de Deus. 9Mas aquele que me renegar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. 10Todo aquele que disser alguma coisa contra o Filho do Homem será perdoado. Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. 11Quando vos conduzirem diante das sinagogas, magistrados e autoridades, não fiqueis preocupados como ou com que vos defendereis, ou com o que direis. 12Pois, nessa hora, o Espírito Santo vos ensinará o que deveis dizer”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pedro de Alcântara, um dos grandes místicos espanhóis

São Pedro de Alcântara, era sempre de oração e jejum, grande pregador

“Aqueles que são de Cristo crucificaram a própria carne com os seus vícios e concupiscências” (Gal 5,24)

Esta Palavra do Senhor se aplica muito bem a São Pedro de Alcântara, o qual lembramos hoje, pois soube vencer o corpo do pecado através de muita oração e mortificações. Pedro nasceu em Alcântara, na Espanha, em 1499.

Menino simples, orante e de bom comportamento, estudou na universidade ainda novo, mas soube, igualmente, destacar-se no cultivo das virtudes cristãs, até que, obediente ao Mestre, o casto e caridoso jovem entrou para a Ordem de São Francisco, embora seu pai quisesse para ele o Direito. Pedro foi ordenado sacerdote e tornou-se modelo de perfeição monástica e ocupante de altos cargos, o qual administrou até chegar, com vinte anos, a superior do convento e, mais tarde, eleito provincial da Ordem.

Franciscano de espírito e convicção, era sempre de oração e jejum, poucas horas de sono, hábito surrado, grande pregador e companheiro das viagens. Como provincial, visitou todos os conventos da sua jurisdição, promovendo uma reforma de acordo com a regra primeira de São Francisco, da qual era testemunho vivo. Conhecido, sem desejar, em toda a Europa, foi conselheiro do imperador Carlos V e do rei João III, além de amigo dos santos e diretor espiritual de Santa Teresa de Ávila; esta, sobre ele, atestou depois da morte do santo: “Pedro viveu e morreu como um santo e, por sua intercessão, conseguiu muitas graças de Deus”.

Considerado um dos grandes místicos espanhóis do séc. XVI e dos que levaram a austeridade até um grau sobre-humano, entrou no Céu com 63 anos, em 1562, após sofrer muito e receber os últimos Sinais do Amor (Sacramentos), que o preparou para um lindo encontro com Cristo.

São Pedro de Alcântara, rogai por nós!

Ide por todo o mundo

Anunciar o Evangelho nunca é uma ofensa

Estamos terminando o mês de outubro, mês das missões. Os cristãos sempre tiveram consciência que Cristo os empenham numa missão que deverá durar até o fim dos tempos: anunciar Jesus como Senhor e Salvador e propor a todos os povos a conversão ao Evangelho, recebendo o Batismo e ingressando na Igreja de Cristo.

É interessante como esta ideia, tão simples, tão fundamental e presente no Novo Testamento, hoje parece estranha e impertinente a muitos cristãos, que pensam que anunciar o Evangelho e desejar que outros povos e pessoas se convertam ao Cristo seria um desrespeito a outras religiões e uma prepotência inaceitável da parte dos cristãos. Pensam, estes cristãos, que se todas as religiões são boas, para que converter seus adeptos? Pensam também que Cristo é o principal revelador do Pai, mas não é o único: nas outras religiões, também há uma revelação de Deus e nenhuma crença pode pensar que é a única que revela a verdade.

Segundo esta tese, Buda, Maomé, Confúcio e outros mestres religiosos são também reveladores de Deus… Assim, vai morrendo o ardor missionário em muitos irmãos nossos, num flagrante desrespeito à ordem tão clara e direta do Senhor e dos Apóstolos: “Ide, proclamai, ensinai, fazei discípulos!” – Seguindo o raciocínio desses cristãos cristãos, nós, brasileiros, seríamos hoje ainda adeptos da religião dos índios e dos africanos….

Em dois importantes documentos atuais o Magistério da Igreja rebate e desaprova totalmente esta visão: a Encíclica Redemptoris Missio (RM), do Santo Padre João Paulo II, e a Declaração Dominus Iesus (DI), da Congregação para a Doutrina da Fé. A convicção da Igreja é a seguinte:

(1) “Cristo é o único salvador de todos, o único capaz de revelar e de conduzir a Deus… A salvação só pode vir de Jesus Cristo. Os homens somente poderão entrar em comunhão com Deus por meio de Cristo, e sob a ação do Espírito. Se não excluem mediações participadas de diversos tipos e ordem, todavia elas recebem significado e valor unicamente de Cristo, e não podem ser entendidas como paralelas ou complementares desta” (RM 5).

A ideia é clara: somente em Cristo há salvação e os não-cristãos podem até salvar-se, mas porque Cristo morreu por todos, por toda a humanidade. Todo aquele que siga retamente sua consciência, de certo modo está dizendo “sim” a Cristo, Verbo do Pai. Nenhum fundador de religião pode ser colocado no mesmo nível de Cristo. Se algo de bom tais mestres ensinaram, foi sob a ação do Espírito de Cristo, que enche a face da terra. No entanto, são fragmentos de verdade, ordenados à plenitude que somente em Cristo se realiza! 

(2) Também é errado afirmar: “Tudo bem, o Filho de Deus, Verbo eterno, é a verdade plena. Mas Jesus, Verbo feito homem, encarnado, não poderia ser revelador de toda a verdade, pois é apenas um ser histórico, preso no tempo, no espaço, numa cultura particular. Assim, o cristianismo, ligado ao Jesus da história, não pode pensar que tem a plenitude da revelação. Ora, o Papa previne: “É contrário à fé cristã introduzir qualquer separação entre o Verbo divino e Jesus Cristo. O Verbo, que no princípio estava com Deus, é o mesmo que se fez carne” (RM 6). Em outras palavras: o Verbo eterno, único e completo revelador do Pai, é Jesus de Nazaré. O Verbo e Filho eterno encarnou-se pessoalmente em Jesus! Portanto, no Filho feito homem está a plenitude da verdade e da vida!

(3) Além do mais, anunciar a verdade de Jesus não desrespeita a religião de ninguém: “O anúncio e o testemunho de Cristo, quando feitos no respeito das consciências, não violam a liberdade” (RM 7). A fé não deve nunca ser imposta, mas deve ser sempre proposta com coragem, convicção e honestidade. Nós cremos que Jesus é o único Salvador da humanidade e seria uma traição calar isto. A Igreja tem o dever de servir a humanidade anunciando integral e lealmente o Evangelho, com toda a sua radicalidade.

A missão será sempre uma urgência e uma missão permanentes da Igreja: não é propaganda, mas missão e serviço que nascem do próprio mandato de Cristo. Terminemos com as palavras do próprio Papa:

“Por quê a missão? Porque para nós foi-nos dada esta graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo (Ef 3,8). A Igreja, e nela cada cristão, não pode esconder nem guardar para si esta novidade e riqueza, recebida da bondade divina para ser comunicada a todos os homens. Aqueles que estão incorporados na Igreja católica devem sentir-se privilegiados, e, por isso mesmo, mais comprometidos a testemunhar a fé e a vida cristã como serviço aos irmãos e resposta devida a Deus…” (RM 11).

Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

Creio na remissão dos pecados

A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus

São Paulo VI afirmou na sua Profissão de Fé: “Cremos que Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Sacrifício da Cruz, nos remiu do pecado original e de todos os pecados pessoais cometidos por cada um de nós; de sorte que se impõe como verdadeira a sentença do apóstolo: “onde abundou o delito, superabundou a graça” (cf. Rm 5,20).

“Cremos professando num só batismo, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, para a remissão dos pecados. O batismo deve ser administrado também às crianças que não tenham podido cometer por si mesmas pecado algum; de modo que, tendo nascido com a privação da graça sobrenatural, renasçam da água e do Espírito Santo para a vida divina em Jesus Cristo” (n.17).

Cristo deu aos apóstolos o Seu poder divino de perdoar os pecados ao lhes dar o Espírito em Sua primeira aparição a eles, no cenáculo, no domingo da Ressurreição. Jesus estava ansioso para distribuir, por meio dos apóstolos e da Igreja, o perdão dos pecados da humanidade que ele tinha conquistado com Sua Paixão, Morte e Ressurreição gloriosa. Cristo quis que o perdão fosse ministrado a cada pecador arrependido que confessasse seus pecados à Igreja, por meio dos Seus ministros ordenados.

“Recebei o Espírito Santo Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20,22-23). Jesus ligou o perdão dos pecados à fé e ao Batismo. O Batismo é o primeiro e o principal sacramento para o perdão dos pecados: une-nos a Cristo morto e ressuscitado nos dá  o Espírito Santo.

“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo” (Mc 16,15.16). O Batismo é o primeiro e principal sacramento do perdão dos pecados, porque nos une a Cristo morto por nossos pecados, ressuscitado para nossa justificação, para que “também vivamos vida nova” (Rm 6,4). Pelo Batismo nós somos inseridos na Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. O nosso Catecismo ensina o poder e a força salvadora do Batismo:

“No momento em que fazemos nossa primeira profissão de fé, recebendo o santo Batismo que nos purifica, o perdão que recebemos é tão pleno e tão completo que não nos resta absolutamente nada a apagar, seja do pecado original, seja dos pecados cometidos por nossa própria vontade, nem nenhuma pena a sofrer para expiá-los. (…) Contudo, a graça do Batismo não livra ninguém de todas as fraquezas da natureza. Pelo contrário, ainda temos de combater os movimentos da concupiscência, que não cessam de arrastar-nos para o mal” (978).

Deus sabe que por causa do pecado original, o combate contra a inclinação para o mal, a concupiscência da carne, é dura, e quem seria bastante forte e vigilante para nunca pecar? Era então necessário que a  Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, e também era preciso que o Batismo não fosse o único meio para se entrar no Reino dos Céus. Era preciso que ela fosse capaz de perdoar as faltas dos seus filhos arrependidos, ainda que tivessem pecado até o último instante de sua vida; já ensinava o Catecismo Romano.

Por isso Cristo instituiu o Sacramento da Penitência ou Confissão. É por este sacramento que o batizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja após o pecado. Os Padres da Igreja chamavam a Penitência de “um Batismo laborioso”. O sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram depois do Batismo, assim como o Batismo é necessário para os que ainda não foram regenerados.

Santo Agostinho disse que: “A Igreja recebeu as chaves do Reino dos Céus para que se opere nela a remissão dos pecados pelo sangue de Cristo e pela ação do Espírito Santo É nesta Igreja que a alma revive, ela que estava morta pelos pecados, a fim de viver com Cristo, cuja graça nos salvou” (Sermão 214, 11). O Catecismo da Igreja diz algo muito importante: “Não há  pecado algum, por mais grave que seja, que a Santa Igreja não possa perdoar. “Não existe ninguém, por mau e culpado que seja, que não deva esperar com segurança a seu perdão, desde que seu arrependimento seja sincero.” Cristo que morreu por todos os homens, quer que, em sua Igreja, as portas do perdão estejam sempre abertas a todo aquele que recua do pecado” (§982).

Então, nenhum pecador pode se desesperar ou desanimar da Salvação; seria falta de fé. Basta uma gota do preciosíssimo Sangue de Cristo para perdoar todos os nossos pecados, no entanto, Ele derramou todo o seu Sangue por nós. Só não pode ser perdoado o pecador de que tiver o coração endurecido e não corresponder à graça de Deus, fechando-se para o arrependimento; é o pecado contra o Espírito Santo. Neste caso, a falta do perdão não acontece por falta de misericórdia de Deus, mas por ação do pecador que rejeita o perdão de Deus.

Felipe Aquino
[email protected]

Santo Evangelho (Lc 12, 1-7)

28ª Semana Tempo Comum – Sexta-feira 19/10/2018   

Primeira Leitura (Ef 1,11-14)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos, 11em Cristo nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a ser, para o louvor de sua glória, os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo. 13Nele também vós ouvistes a palavra da verdade, o Evangelho que vos salva. Nele, ainda, acreditastes e fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo, 14o que é o penhor da nossa herança para a redenção do povo que ele adquiriu, para o louvor da sua glória.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 32)

— Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
— Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!  

— Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. Dai graças ao Senhor ao som da harpa, na lira de dez cordas celebrai-o!

— Pois reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.

— Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação que escolheu por sua herança! Dos altos céus o Senhor olha e observa; ele se inclina para olhar todos os homens.

 

Evangelho (Lc 12,1-7)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a Vós Senhor!

Naquele tempo, 1milhares de pessoas se reuniram, a ponto de uns pisarem os outros. Jesus começou a falar, primeiro a seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 2Não há nada de escondido que não venha a ser revelado, e não há nada de oculto que não venha a ser conhecido. 3Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados. 4Pois bem, meus amigos, eu vos digo: não tenhais medo daqueles que matam o corpo, não podendo fazer mais do que isto. 5Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei. 6Não se vendem cinco pardais por uma pequena quantia? No entanto, nenhum deles é esquecido por Deus. 7Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Paulo da Cruz, profundo devoto da Sagrada Paixão

São Paulo da Cruz, não abandonou o hábito preto, a cruz branca e as duras penitências

Nasceu em Ovada (Itália) em 1694, de piedosos pais, que muito educaram o filho no Cristianismo. Foi o segundo de 16 filhos. Quando jovem de oração e contemplativo, fez uma aliança com colegas, a fim de meditarem a Paixão e morte de Jesus.

De início, trabalhou com o pai e não sentia o chamado ao sacerdócio, mas, ao apostolado. Aos 19 anos, ouvido uma exortação do pároco, sentiu-se profundamente comovido e resolveu entregar-se inteiramente ao serviço de Deus. Assim, partilhou com um Bispo, o impulso de propagar a devoção à Paixão e morte daquele que morreu por amor à humanidade e salvação de cada um.

Enviado pelo Bispo, tornou-se instrumento de conversão para milhares, até que o Bispo ordenou-o sacerdote e, mais tarde, o Papa deu a licença para aceitar candidatos em seu Noviciado.

Nasceu desta maneira a Congregação dos Padres Passionistas, com a finalidade de firmar nos corações dos fiéis um grande amor à Paixão e morte de Nosso Senhor, através das missões populares. Além da Congregação dos Passionistas, fundou também um instituto feminino de estrita clausura: as Irmãs Passionistas.

Profundo devoto da Sagrada Paixão, o fundador São Paulo da Cruz desde que começou o apostolado sozinho não abandonou o hábito preto, a cruz branca e as duras penitências, como se alimentar de pão e água e dormir no chão. Depois de muito evangelizar (também através de seus muitos escritos) e alcançar milagres para o povo, associou-se à Cruz e à Nossa Senhora das Dores, para entrar como vitorioso no Céu em 1775, somando 81 anos de idade. O Papa Pio IX canonizou-o em 1867. O seu corpo venera-se na basílica dos santos João e Paulo.

São Paulo da Cruz, rogai por nós!

Depressão, e agora?

Não se desespere. Tem jeito!

Hoje em dia, já não é tão difícil falar sobre depressão; afinal, ela já foi classificada como “o mal do século”. Ainda há muito preconceito quando se fala nela.

Muitas pessoas acham que depressão é doença “de quem não tem o que fazer”, de pessoas fracas, que não rezam nem lutam, mas isso não é verdade. Depressão é uma doença e, com certeza, todos os que sofrem desse mal não gostariam de estar nesta situação.

Assumir a depressão chega a ser humilhante, pois, além de tudo, é preciso consultar um psiquiatra; daí, outro preconceito: psiquiatra é “médico de louco”. Eu costumo dizer que, na verdade, é para não ficar louco!

O maior risco da depressão é camuflá-la. Quanto mais tempo demoramos para buscar ajuda, mais sofrimento enfrentamos. Partilho aqui, com vocês, a minha experiência:

Há vários anos, quando partilhava minha vida com Irmã Lucimar, em Londrina (PR), percebi que seu semblante mudou, e ela me disse: “Carla, eu tenho a impressão de que você está depressiva, mas não posso afirmar, porque somente um psiquiatra pode dar o diagnóstico correto”. Pronto. Meu mundo caiu! Como assim? Logo eu? Uma missionária da Comunidade Canção Nova, há tantos anos, poderia estar com depressão?

Assim que o choque passou, comecei a me analisar. Tenho pai e mãe depressivos, então, seria difícil fugir desta realidade. Chegando a Cachoeira Paulista (SP), procurei um psiquiatra que, a princípio, diagnosticou uma bipolaridade. Iniciei o tratamento com medicação, mas logo ele foi interrompido, pois engravidei da Sofia. Mais uma vez, meu mundo caiu! Como conduzir uma gravidez, aos 38 anos, depressiva e sem medicação?

Foi aí que Deus me mostrou Sua grandiosidade. Foi à melhor gravidez que vivi, sem nenhum problema! A Sofia nasceu, no final das 40 semanas de gestação, de parto normal.

Passado um tempo, resolvi retomar o tratamento, mas quis trocar de médico, uma vez que não me via bipolar, pois não sentia os picos de euforia. Busquei outro profissional  e ele me diagnosticou com “distimia” (depressão crônica, de intensidade moderada); ela não tem cura, mas é controlável.

Hoje, esta é a minha realidade. Sei da enfermidade e faço tratamento com medicação e psicoterapia; além de me esforçar para fazer uma atividade física, o que acho muito difícil. É preciso um esforço sobrenatural, mas consigo conviver bem, no dia a dia, e ter mais qualidade de vida: pessoal, familiar, comunitária e profissional.

Há dias em que dá aquela tristeza da alma, vontade de não fazer nada, mas sei o quanto ists não me fará bem e dou uma resposta diferente. Há dias também que necessitamos fazer algo diferente, algo só nosso, sair sozinha, comer algo que tem vontade, etc. Não é feio ter desejos e necessidades, muito menos pensar em nós de vez em quando. Pelo contrário, nos faz bem.

Não posso deixar de relatar aqui a colaboração da família e dos amigos mais próximos. O que mais nos faz bem é sermos acolhidos naquilo que estamos vivendo, sabermos que não somos peso, e que todos, a seu modo, preocupam-se e querem nos ajudar.

Por isso, se você, hoje, descobriu ou foi diagnosticada (o) com depressão, não se desespere! É possível conviver com ela, basta buscar ajuda profissional apropriada.

Tem jeito! Mas do jeito de Deus; não do meu!

Carla Astuti – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/temjeito/

Vós sois os prediletos de Jesus – Primeira Comunhão

FESTIVIDADE LITÚRGICA DO CORPO DE DEUS
HOMILIA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II ÀS CRIANÇAS DA PRIMEIRA COMUNHÃO
Quinta-feira, 14 de Junho de 1979

Caríssimos Meninos e Meninas! É grande a minha alegria ao ver-vos aqui, tão numerosos e tão cheios de fervor, para celebrardes com o Papa a Solenidade litúrgica do Corpo e do Sangue do Senhor! Saúdo a todos e cada um de vós em particular, com a mais profunda ternura, e agradeço-vos de coração terdes vindo renovar a vossa Santa Comunhão com o Papa e pelo Papa; e do mesmo modo agradeço aos vossos Párocos, sempre dinâmicos e zelosos, e aos vossos pais e parentes, que vos prepararam e acompanharam. Tenho ainda nos olhos o espetáculo impressionante das imensas multidões encontradas na minha viagem à Polônia; e eis agora o espetáculo das Crianças de Roma, eis a vossa maravilhosa inocência, os vossos olhos cintilantes e os vossos sorrisos irrequietos!
Vós sois os prediletos de Jesus: Deixai vir a Mim os pequeninos! —  dizia o Divino Mestre — não os impeçais (Lc 18, 16). Vós sois também os meus prediletos! Queridos meninos e meninas! Preparastes-vos para a vossa Primeira Comunhão com muito empenho e muita deligência, e o vosso primeiro encontro com Jesus foi um momento de intensa comoção e de profunda felicidade. Recordai-vos para sempre deste dia abençoado da Primeira Comunhão! Recordai-vos para sempre do vosso fervor e da vossa alegria puríssima! Agora também viestes aqui, para renovar o vosso encontro com Jesus.
Não podíeis fazer-me uma oferta mais bela nem mais preciosa! Muitos meninos já tinham expresso o desejo de receber a Primeira Comunhão das mãos do Papa. Certamente seria para mim grande consolação pastoral dar Jesus pela primeira vez aos meninos e às meninas de Roma. Mas isto não é possível; e depois é melhor cada menino receber a sua Primeira Comunhão na própria Paróquia, do próprio Pároco. Mas pelo menos é-me possível hoje dar a Sagrada Comunhão a uma representação vossa, tendo presente no meu amor todos os outros, neste vasto e magnífico Cenáculo! E é esta, para mim e para vós, uma alegria imensa que não esqueceremos nunca mais.
Ao mesmo tempo, quero deixar-vos alguns pensamentos, que vos possam servir para manterdes sempre límpida a vossa fé, fervoroso o vosso amor a Jesus Eucarístico, e inocente a vossa vida.

1. Jesus está presente conosco.
Eis o primeiro pensamento. Jesus ressuscitou e subiu ao céu; mas quis ficar conosco e para nós, em todos os lugares da terra. A Eucaristia é realmente uma invenção divina! Antes de morrer na Cruz, oferecendo a sua vida ao Pai em sacrifício de adoração e de amor, Jesus instituiu a Eucaristia, transformando o pão e o vinho na sua mesma Pessoa e dando aos Apóstolos e aos seus sucessores, os Bispos e os Sacerdotes, o poder de O tornarem presente na Santa Missa. Jesus, por conseguinte, quis ficar conosco para sempre! Jesus quis unir-se intimamente a nós na Sagrada Comunhão, para nos mostrar o seu amor direta e pessoalmente. Cada um pode dizer: “Jesus ama-me! Eu amo a Jesus”; Santa Teresa do Menino Jesus, recordando o dia da sua Primeira Comunhão, escrevia: “Oh, como foi doce o primeiro beijo que Jesus deu à minha alma!… Foi beijo de amor, sentia-me amada e dizia por minha vez: ‘amo-vos, ofereço-me a vós para sempre’… Teresa tinha desaparecido como gota de água que se perde no meio do oceano. Ficava só Jesus: o mestre, o Rei” (Teresa de Lisieux, Storia di un’anima: Ediz, Queriniana, 1974, Man. A, Cap. IV, pág. 75). E pôs-se a chorar de alegria e consolação, entre o espanto das companheiras. Jesus está presente na Eucaristia para ser encontrado, amado, recebido e consolado. Onde quer que esteja um sacerdote, ali está presente Jesus, porque a missão e a grandeza do Sacerdote é precisamente a celebração da Santa Missa. Jesus está presente nas grandes cidades e nas pequenas povoações, nas igrejas de montanha a nas longínquas cabanas da África e da Ásia, nos hospitais e nas prisões; até nos campos de concentração estava presente Jesus Eucarístico! Queridos meninos! Recebei Jesus com frequência! Permanecei n’Ele; deixai-vos transformar por Ele!

2. Jesus é o vosso maior amigo.
Eis o segundo pensamento. Não o esqueçais nunca! Jesus quer ser o nosso amigo mais íntimo, o nosso companheiro de caminho. Sem dúvida tereis muitos amigos; mas não podeis estar sempre com eles e nem sempre eles vos podem ajudar, ouvir e confortar. Jesus, pelo contrário, é o amigo que não vos abandona nunca; Jesus conhece-vos um por um, pessoalmente; conhece o vosso nome, segue-vos, acompanha-vos, caminha convosco todos os dias; participa nas vossas alegrias e conforta-vos nos momentos de aflição e de tristeza. Jesus é o amigo de que não podemos prescindir, uma vez que o encontramos e compreendemos que nos ama e quer o nosso amor. Com Ele podeis falar, abrir-vos; a Ele podeis dirigir-vos com afeto e confiança. Jesus morreu nada menos que na Cruz por amor de nós! Fazei um pacto de amizade com Jesus e não o interrompais nunca! Em todas as situações da vossa vida, dirigi-vos ao Amigo Divino, presente em nós com a sua “Graça”, presente conosco e em nós na Eucaristia. E sede também os mensageiros e as testemunhas alegres do Amigo Jesus nas vossas famílias, entre os vossos colegas, nos lugares dos vossos divertimentos e das vossas férias, nesta sociedade moderna, muitas vezes tão triste e insatisfeita.

3. Jesus espera-nos!
Eis o último pensamento. A vida, longa ou breve, é uma viagem para o Paraíso: é lá a nossa Pátria, é lá a nossa verdadeira casa; é lá o nosso encontro! Jesus espera-nos no Paraíso! Não esqueçais nunca esta verdade suprema e confortante. E que é a Sagrada Comunhão senão um Paraíso antecipado? De fato, na Eucaristia é o próprio Jesus que nos espera e encontrá-lo-emos um dia face a face no Céu. Recebei Jesus com frequência, para nunca esquecerdes o Paraíso, para estardes sempre a caminho da casa do Pai Celeste, para saboreardes já um pouco o Paraíso! Isto tinha-o compreendido Domingos Sávio, que aos sete anos conseguiu licença de receber a Primeira Comunhão, e naquele dia escreveu os seus propósitos: “Primeiro: confessar-me-ei com muita frequência e farei a Comunhão todas as vezes que o confessor me der licença. Segundo: quero santificar os dias festivos. Terceiro: os meus amigos serão Jesus e Maria. Quarto: a morte, mas não pecados”. Isto que o pequeno Domingos escrevia há tantos anos (em 1849); vale ainda agora e valerá para sempre.

Caríssimos, concluo dizendo-vos, meninos e meninas, mantende-vos dignos de Jesus que recebeis! Sede inocentes e generosos! Empenhai-vos em tornar a vida bela a todos, com obediência, com gentileza, com boa educação! O segredo da alegria é a bondade! E a vós, pais e parentes, digo com ansiedade e confiança: amai os vossos meninos e meninas, respeitai-os, edificai-os! Sede dignos da sua inocência e do mistério encerrado na sua alma, criada diretamente por Deus! Eles têm necessidade de amor, de delicadeza, de bom exemplo e de maturidade! Não os descureis. Não os atraiçoeis! Confio todos vós a Maria Santíssima, a nossa Mãe do céu, a Estrela do mar da nossa vida: implorai-a todos os dias, vós, meninos e meninas! Dai-Lhe, a Maria Santíssima; a vossa mão para que vos conduza a receber santamente Jesus. E dirijamos também um pensamento de afeto e de solidariedade a todas as crianças que sofrem; a todas as crianças que não podem receber Jesus porque não O conhecem, a todos os pais que foram dolorosamente privados dos seus filhos ou estão desiludidos e amargurados nas suas expectativas. No vosso encontro com Jesus rezai por todos, recomendai todos, invocai graças e auxílios para todos! E pedi também por mim, vós que sois os meus prediletos!
© Copyright 1979 – Libreria Editrice Vaticana

 

“A primeira comunhão das crianças é um incentivo para que elas se tornem verdadeiras discípulas de Jesus Cristo e continuem esse processo da fé, com a crisma e a catequese permanente, onde elas possam realmente aprofundar sua fé”.
A “Eucaristia é fundamental para a família”, porque é o “alimento para nossa caminhada”. “Nós somos seres fracos, limitados e precisamos de alguma coisa que nos sustente, e a Eucaristia é justamente isso. Além da Eucaristia ser sempre vivida em comunidade, e é muito importante que as crianças sejam inseridas numa comunidade, sejam acolhidas e possam ser também protagonistas da fé no meio das outras crianças”.
Pergunta às crianças: se quando elas se confessaram sentiram alegria no coração? E agradeceu a Deus porque as crianças tiveram pais que as ajudaram a entender que Jesus é importante em suas vidas e é o nosso Salvador. Agradeceu ainda porque elas foram batizadas e, naquele dia, aconteceu a graça mais importante para nas suas vidas: “Jesus as tornou filhas de Deus. Nós entramos numa família que tem um Pai que é o melhor pai de todos, que nos fez descobrir que temos muitos irmãos e irmãs”.
“Vocês que receberam esse cuidado de Jesus pensem que têm muitas outras crianças que estão esperando para conhecer Jesus, e que as crianças sabem falar de Jesus para outras crianças”. O tempo foi passando e vocês encontraram na Igreja um padre que é como um pai que cuida de nós assim como o pastor cuida de uma ovelhinha, e conheceram os catequistas que as ajudaram a conhecer Jesus. “Hoje, Jesus dá a vocês o maior presente da vida, desde o batismo. Ele não queria ficar longe de nós. Jesus veio ao mundo, se fez criança, foi crescendo como cada um de nós, morou na sua família e depois quis ser pregado na cruz, morreu e ressuscitou, mas Ele não queria voltar para o céu sem ficar no meio de nós. Então, o que Ele criou para nós é o que vocês vão receber hoje, pela primeira vez: ‘o corpo e o sangue de Jesus na Eucaristia'”.
Quando comemos uma comida ela se transforma na gente, nos deixa mais fortes, mas com a Eucaristia acontece o contrário. “Quando nos alimentamos de Jesus, nós nos transformamos n’Ele. Se, a partir de hoje, vocês sempre comungarem bem preparados, vocês irão crescendo e ficando com o ‘rosto de Jesus’, com o ‘jeito de Jesus’, vão viver a vida inteira com Jesus dentro da gente”. “Comungando Jesus vocês serão felizes, vão ter muita força para amar seu pai e sua mãe, os catequistas, os professores, os colegas, forças para viver uma vida diferente. A comunhão nos faz viver bem unidos”.
Uma pequena oração pelas crianças: “Hoje toda Igreja diz com vocês – ‘Fica conosco, Jesus!’. Senhor, não saia mais do coração de nossas crianças, que eles não sejam atraídas por coisas que não prestam, mas permaneçam sempre contigo”.

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