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O Matrimônio

Beleza do sacramento

Quarta-feira, 29 de abril de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Reunido com fiéis na Praça São Pedro, Francisco refletiu sobre o casamento, que hoje em dia é uma realidade distante ou inexistente para muitos jovens

Francisco fala do matrimônio cristão e destaca a família como obra-prima da sociedade / Foto: Reprodução CTV

A catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 29, foi dedicada ao matrimônio. O Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a família e, desta vez, concentrou-se no casamento, refletindo, por exemplo, sobre a realidade dos jovens que não querem se casar.

Francisco mencionou que o primeiro dos sinais prodigiosos de Jesus foi realizado no contexto do matrimônio: o milagre do vinho nas bodas de Caná. “Assim, Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!”.

Desta época até hoje, muita coisa mudou, disse o Papa, mas esse sinal de Cristo contém uma mensagem sempre válida. O Pontífice reconheceu que os jovens não querem se casar, que em muitos países aumenta o número de separações e diminui o número de filhos. Essas são as primeiras e mais importantes vítimas de uma separação, destacou o Papa, e isso pode ter reflexos futuros.

“Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura”.

Essa realidade dos jovens que não querem se casar constitui, segundo o Santo Padre, uma das preocupações dos tempos atuais. Ele lembrou que é importante tentar entender o porquê dos jovens agirem assim, de não terem confiança na família.

Para o Papa, as dificuldades financeiras não são o único motivo. Há quem cite como provável causa a emancipação da mulher, mas isso não é um argumento válido, segundo o Pontífice, mas sim uma forma de machismo que sempre quer dominar a mulher.

Na verdade, Francisco disse que quase todos os homens e mulheres gostariam de ter um casamento sólido, mas muitos têm medo de errar e, mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental. “Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família”.

“Os cristãos, quando se casam ‘no Senhor’, são transformados em sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam somente para si: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade, de toda a sociedade”, concluiu Francisco, anunciado que, na catequese da próxima semana, dará continuidade à reflexão sobre a beleza da vocação do matrimônio cristão.

Milagre do Casamento

Por Mons. Inácio José Schuster

A Bíblia narra um milagre extraordinário, operado por Jesus Cristo, nosso Senhor. É o relato de como um casamento foi tocado pelo poder de Deus, e de como o seu casamento poderá ser tocado também!

Observemos o relato bíblico: ‘Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três medidas. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele’ (Jo 2, 1-11).

Este foi o primeiro milagre que Jesus realizou, e não é em vão que tenha acontecido justamente num casamento! As Escrituras dão testemunho através disto, mostrando-nos que antes de Jesus realizar qualquer outro milagre de cura, libertação, etc. está interessado em agir nos casamentos. A família tem prioridade no plano de Deus, pois Ele não a criou para o fracasso, e sim para ser bem sucedida. Percebemos também que o milagre ocorrido deu-se em torno de haver ou não VINHO, que na Bíblia é uma figura de alegria (Sl 104, 15).

Nos casamentos, o que vemos e ouvimos é que o vinho sempre acaba. Pessoas que viviam embriagadas de amor pelo cônjuge, assistem perplexos seus sentimentos desaparecerem. O matrimônio, de maneira geral está falido, pois o vinho sempre acaba. Mas quando Jesus está presente aí é que se estabelece a diferença! Milagres acontecem e ele traz vinho novo aonde já não mais existia. Mas perceba que o milagre aconteceu porque Jesus estava lá. Ele e seus discípulos foram convidados para simplesmente estarem nas bodas; não receberam um chamado de última hora só porque os noivos precisavam de um milagre. Ele havia sido chamado para estar junto… E porque estava presente, operou o milagre!

De maneira semelhante, se você quer um casamento que dure, que sobreviva à falta do vinho (alegria), convide o Senhor Jesus para estar presente. Não espere a crise chegar, cultive sempre a presença dele por meio de oração e leitura da Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. E não apenas leia, mas pratique a Palavra, pois o milagre acontece aonde há obediência; foi dito aos serventes que fizessem tudo o que Jesus mandasse, e porque fizeram sem questionar se era racional ou não, receberam o milagre.

Podemos observar ainda algumas figuras neste texto:
– O NÚMERO 6 – Havia seis talhas. Na Bíblia, este número sempre fala de algo que é humano. É chamado número de homem (Ap 13, 18). Portanto, percebemos que o milagre não depende só de Deus, mas há uma participação e um fator humano ligado a este milagre no casamento.
– AS TALHAS – O significado espiritual destas talhas está apontando para a parte que nos toca no que tange a receber o milagre de Deus. O seis fala do homem, e aqui entendemos nossa participação no milagre. As talhas eram o recipiente para o vinho que o Senhor Jesus transformaria. Normalmente eram pedras talhadas, cavadas. Isto sugere o quão duro somos no que tange aos relacionamentos e o quanto precisamos ser trabalhados por Deus em nossa forma de ser e agir no matrimônio. Quanto mais cavados nos deixamos ser pelo agir de Deus, maior será nosso potencial para receber o vinho. Uma pedra pouco cavada, comporta pouco vinho, mas uma pedra bem trabalhada comporta mais vinho!
– A ÁGUA – Era a matéria prima necessária para que o milagre pudesse acontecer. Não havia água nas talhas, Jesus foi quem mandou enchê-las. A água simboliza a Palavra e também o Espírito Santo. Nos lares onde o vinho chega a acabar, e todo o prazer do relacionamento desaparece, temos percebido que além dos erros cometidos na esfera natural, havia também falta de água; não havia o cultivo diário da presença de Deus por sua Palavra (lida e praticada) e a presença viva de seu Espírito. Creio ser esta a chave do milagre.

É importante se deixar ser trabalhado (o que é diferente de ser manipulado pelo cônjuge) na forma de se relacionar, mas se estas talhas não forem cheias da presença de Deus o vinho não aparecerá! Vale também ressaltar que quanto mais água aqueles servos colocassem nas talhas, mais vinho haveria; ou seja, o milagre de Deus em nosso casamento esta diretamente relacionado com o investimento que fazemos em cultivar Sua presença.

Finalizando, quero chamar sua atenção para a qualidade do milagre. Jesus deu o que havia de melhor em matéria de vinho, a ponto de o mestre-sala se impressionar e comentar que normalmente se bebe o melhor vinho e, depois de o terem desfrutado, oferece-se o inferior. Assim é com a maioria dos relacionamentos conjugais; bebem o melhor vinho nos primeiros anos, depois a qualidade cai e assim é até que acabe. Mas quando Deus faz um milagre, o que se experimenta é algo inédito, muito superior a tudo o que já se experimentou até então. Deus nos dá o melhor, sempre!

Deixe Deus ser não apenas o Criador do matrimônio, mas aquele que oferece toda manutenção necessária. Quando isto acontece, não somente somos beneficiados com um lar melhor, mas Deus recebe a honra e glória devidas. O vinho dos lares cristãos deve ser o da mais alta qualidade… Se você reconhece que o vinho acabou (ou está quase acabando) em seu matrimônio, creia na vontade de Deus de agir nos casamentos. Renove o convite ao Senhor Jesus para estar em seu lar, pratique estes princípios espirituais e seja feliz como o Pai Celestial sempre quis que cada casal fosse!

Santo Evangelho (Jo 16, 16-20)

6ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 25/05/2017

Primeira Leitura (At 18,1-8)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, e sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3E, como tinham a mesma profissão – eram fabricantes de tendas – Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos. 4Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias. 6Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. 7Então, saindo dali, Paulo foi para casa de um pagão, um certo Tício Justo, adorador do Deus único, que morava ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 97)

— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

Evangelho (Jo 16,16-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”. 18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’ 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Maria Madalena de Pazzi, entrou para a Ordem Carmelita 

Abandonou tudo, os bens e projetos para consagrar-se totalmente a Deus

Nasceu no ano de 1566 em Florença, na Itália, e pertenceu a uma nobre família.

Ela muito cedo se viu chamada à vida religiosa e queria consagrar-se totalmente. Abandonou tudo: os bens e os projetos. Entrou para a Ordem Carmelita e ali viveu por 25 anos. Uma aventura espiritual mística que resultou em uma grande obra com suas experiências carismáticas.

Todos os santos foram carismáticos. E a nossa Igreja é carismática, pois ela é marcada pelas manifestações do Espírito Santo. Precisamos aprender com os santos a sermos dóceis ao Espírito Santo. Ela sofreu muito. Amou a cruz de cada dia. Santa Maria sofreu com várias enfermidades até que entrou no Céu, com 41 anos. Seu lema foi: “Padecer, Senhor, e não morrer!”

Santa Maria Madalena de Pazzi, rogai por nós!

2017- Junho

Informativo_Junho_2017

Catequese: Jesus nos oferece a “terapia da esperança”

Quarta-feira, 24 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Cerca de 20 mil pessoas estiveram com o Papa na Catequese desta quarta-feira

A terapia da esperança: foi o que propôs o Papa Francisco aos cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça S. Pedro na Audiência Geral desta quarta-feira, 24.

Em sua catequese, o Pontífice comentou a experiência dos dois discípulos de Emaús, de que fala o Evangelho de Lucas. Dois homens caminhavam desiludidos após a morte de Jesus. Caminhavam tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham depositado em Jesus, sendo a cruz erguida no Calvário o sinal mais eloquente da derrota que não tinham previsto.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece casual. Caminham pensativos e um desconhecido se aproxima: é Cristo, que então começa a sua “terapia da esperança”. “Quem a faz? Jesus. Antes de tudo, pergunta e escuta, pois o nosso Deus não é um Deus intrometido”, disse o Papa.

Mesmo conhecendo o motivo da desilusão, deixa que falem de sua amargura. O resultado é uma confissão que mais se parece com um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas…»

“Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências existem na vida de cada pessoa! No fundo, somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes nos encontramos a um passo da felicidade e ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, lhes restitui a esperança.”

A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados, não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham.

Com os dois discípulos, Jesus repete o gesto fulcral da Eucaristia: tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, o entregou. Neste gesto está também o significado de como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus nos toma, pronuncia a bênção, e espedaça a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e a oferece aos outros, a todos.

O encontro de Jesus com os dois discípulos é rápido. Mas nele está todo o destino da Igreja. Nos fala que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, isto é, na rua. E ali encontra as pessoas, com suas esperanças e suas desilusões. A Igreja oferece escuta a todos, para depois oferecer a Palavra de vida. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.

“Todos na nossa vida tivemos momentos difíceis, momentos em que caminhávamos tristes, desiludidos, sem horizonte, somente com um muro diante de nós. Jesus sempre está do nosso lado, para nos dar esperança,. Para nos aquecer o coração. Ele nos diz: vai avante, estou com você, prossiga.”

O segredo do caminho que conduz a Emaús está aqui: apesar das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados por Deus; Ele jamais deixará de nos querer bem.

“Deus caminhará conosco sempre, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, nos momentos mais duros, de derrota. Ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança, prossigamos com esta esperança, porque Ele está do nosso lado caminhando conosco, sempre!”

 

CATEQUESE

A Esperança cristã – 23. Emaús, o caminho da Esperança

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Hoje gostaria de me deter sobre a experiência dos dois discípulos de Emaús, dos quais fala o Evangelho de Lucas (cfr. 24,13-35). Imaginemos a cena: dois homens caminham decepcionados, tristes, convencidos a deixar pra traz a amargura de uma situação que não acabou bem.

Antes daquela Páscoa eram cheios de entusiasmo: convencidos de que aqueles dias seriam decisivos para aquilo que aguardavam e para a esperança de todo o povo. Jesus, a quem tinham confiado a sua vida, parecia ter chegado a batalha decisiva: agora teria mostrado a sua potência, após um longo período de preparação e escondimento. Era isso o que eles esperavam. E não foi assim.

Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora estava em pedaços. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de um fracasso que não poderiam prever. Se verdadeiramente aquele Jesus era segundo o coração de Deus, deveriam concluir que Deus era inerme, indefeso nas mãos dos violentos, incapaz de opor resistência ao mal.

Assim, naquela manhã de domingo, estes dois foram à Jerusalém. Nos olhos têm ainda os acontecimentos da paixão, a morte de Jesus; e no ânimo o penoso angustiar-se sobre aqueles acontecimentos, durante o forçado repouso de sábado. Aquela festa de Páscoa, que deveria entoar o canto da libertação, ao invés de disso transformou-se no dia mais doloroso da vida deles.

Deixam Jerusalém para ir para outro lugar, um vilarejo tranquilo. Têm o aspecto de pessoas que querem remover uma recordação que queima. Estão, portanto, na estrada, e caminham tristes. Este cenário – a estrada – já era importante na narração evangélica; agora se tornará sempre mais importante, do momento em que se começa a contar a história da Igreja.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece simplesmente coincidência: se assemelha a tantos encontros que acontecem na vida. Os dois discípulos caminham pensativos e um desconhecido os alcança. É Jesus; mas os olhos deles não são capazes de reconhecê-Lo. Então Jesus começa a sua “terapia da esperança”. O que acontece nessa estrada é uma terapia da esperança. Quem a faz? Jesus.

Antes de tudo, pergunta e escuta: o nosso Deus não é um Deus invasivo. Mesmo se já conhece o motivo da desilusão daqueles dois, deixa a eles o tempo para poder medir a profundidade da própria amargura. Então surge uma confissão que é um “refrão” da existência humana: “Nós esperávamos, mas… Nós esperávamos, mas…” (v. 21). Quanta tristeza, quanta derrota, quantos fracassos existem na vida de cada pessoa ! No fundo somos todos um pouco como aqueles dois discípulos.

Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade, e depois nos vemos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas que perderam a confiança que caminham com a cabeça baixa. E caminhando com eles, de modo discreto, consegue fazer retornar a esperança.

Jesus fala a eles, antes de tudo, através das Escrituras. Quem toma nas mãos o livro de Deus não encontrará histórias de heroísmo fácil, grandes campanhas de conquista. A verdadeira esperança não é nunca a pouco preço: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre, talvez não seja nem mesmo esperança. A Deus não agrada ser amado como se amaria um condutor que leva a vitória o seu povo destruindo no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma luz discreta que arde no dia de frio e de vento, e mesmo que pareça frágil a sua presença neste mundo, Ele escolheu o lugar que todos desdenhamos.

Depois Jesus repete aos dois discípulos o gesto central de cada Eucaristia: toma o pão, o abençoa, o parte e o dá. Nesta série de gestos, não está contida toda a história de Jesus? E não há, em cada Eucaristia, também um sinal de que coisa deve ser a Igreja? Jesus nos toma, nos abençoa, “parte” a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e oferece aos outros, a oferece a todos.

É um encontro rápido o de Jesus com os dois discípulos de Emaús. Mas nisso está todo o destino da Igreja. Nos diz que a comunidade cristã não está fechada em uma cidadela fortificada, mas caminha em seu ambiente mais vital, vale dizer, a estrada. E ali encontra as pessoas, com as suas esperanças e suas desilusões, as vezes muito pesadas. A Igreja escuta a história de todos, como emergem do baú da consciência pessoal; para depois oferecer a Palavra de Vida, o testemunho do amor, amor fiel até o fim. E então, o coração das pessoas volta a arder de esperança.

Todos nós, na nossa vida, tivemos momentos difíceis, escuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, somente com uma parede diante. E Jesus está sempre ao nosso lado para nos dar a esperança, para aquecer o coração e dizer: Vá em frente, eu estou contigo. Vá em frente”.

O segredo da estrada que conduz a Emaús está todo aqui: mesmo diante das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos amar. Deus caminhará sempre conosco, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, também nos momentos mais feios, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Caminhamos adiante com esta esperança ! Porque Ele está conosco e caminha conosco, sempre!

Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro

Ele assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus

“Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher” (cf. Gal 4,4). Assim se cumpre a promessa de um Salvador, que Deus fez a Adão e Eva ao serem expulsos do Paraíso: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15). Este versículo do Gênesis é conhecido por “Proto-Evangelho”, pois constitui o primeiro anúncio da Boa Nova da salvação. Tradicionalmente, tem-se interpretado que a mulher a que se refere é tanto Eva, em sentido imediato, como Maria em sentido pleno; e que a descendência da mulher refere-se tanto à humanidade como a Cristo.

Desde então, até o momento em que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Deus foi preparando a humanidade para que pudesse acolher, frutuosamente, a seu Filho Unigênito. Deus escolheu para si o povo israelita, estabeleceu com ele uma aliança e o formou progressivamente, intervindo em sua história, manifestando-lhe Seus desígnios por meio dos patriarcas e dos profetas, santificando-o para si. Tudo isso, como preparação e figura daquela nova e perfeita aliança que havia de concluir-se em Cristo e daquela plena e definitiva revelação que devia ser efetuada pelo próprio Verbo encarnado.

Ainda que Deus tenha preparado a vinda do Salvador, principalmente mediante a eleição do povo de Israel, isto não significa que abandonasse os demais povos, os “gentios”, pois nunca deixou de dar testemunho de si mesmo (cfr. Atos 14,16-17). A Providência divina fez com que os gentios tivessem uma consciência mais ou menos explícita, da necessidade da salvação, e até nos últimos rincões da Terra se conservava o desejo de serem redimidos.

A Encarnação tem sua origem no amor de Deus pelos homens: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco, em que Deus enviou ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por meio dEle” (1Jo 4,9). A Encarnação é a demonstração por excelência do amor do Pai para com os homens, já que nela é o próprio Senhor que se entrega aos homens, fazendo-se participante da natureza humana na unidade da pessoa.

Após a queda de Adão e Eva no Paraíso, a Encarnação tem uma finalidade salvadora e redentora, como professamos no Credo: “por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Cristo afirmou de Si mesmo que o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 19; cf. Mt 18,11) e que “Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,17).

A Encarnação não só manifesta o infinito amor de Deus aos homens, Sua infinita misericórdia, Sua justiça, Seu poder, mas também a coerência do plano divino da salvação. A profunda sabedoria divina consiste na forma segundo o qual Deus decidiu salvar o homem, isto é, do modo como convém à natureza, que é precisamente mediante a Encarnação do Verbo.

Jesus Cristo, o Verbo encarnado, “não é um mito nem uma ideia abstrata qualquer. É um Homem que viveu em um contexto concreto e que morreu depois de ter levado Sua própria existência dentro da evolução da história. A investigação histórica sobre Ele é, pois, uma exigência da fé cristã” .

A existência de Jesus é um fato provado pela ciência histórica, sobretudo mediante a análise do Novo Testamento, cujo valor histórico está fora de dúvida. Há outros testemunhos antigos não cristãos, pagãos e judeus sobre a existência de Jesus. Precisamente por isto, não são aceitáveis as posições de quem contrapõe um Jesus histórico ao Jesus da fé e defendem a hipótese de que quase tudo o que o Novo Testamento diz acerca de Cristo seria uma interpretação de fé que fizeram os Seus discípulos, mas não Sua autêntica figura histórica, que ainda permaneceria oculta para nós.

Essas posturas, as quais encerram um forte preconceito contra o sobrenatural, não levam em conta que a investigação histórica contemporânea concorda em afirmar que a apresentação feita pelo Cristianismo primitivo de Jesus baseia-se em fatos autênticos sucedidos realmente.

José Antonio Riestra
http://www.opusdei.org.br

A criação do mundo e o pecado original

Quarta-feira, 06 de fevereiro de 2013, André Alves / Da Redação

“A vida surge, o mundo existe, porque tudo obedece à Palavra divina”, diz Bento XVI  

O Papa Bento XVI continuou nesta quarta-feira, 6, as catequeses sobre a Profissão de Fé católica – o Credo. Ele abordou nesta seção, a temática da criação de Deus, a imagem do jardim do Éden, as figuras de Adão e Eva e a realidade do pecado original, citados no livro do Gênesis.

O Santo Padre ressaltou no início, a qualificação que o Credo faz de Deus como “Pai Onipotente” e “Criador do céu e da terra”, frase mencionada no livro da criação. O Papa afirma que Deus é a origem de todas as coisas e na beleza da criação se desdobra a sua onipotência de Pai que ama. A fé, diz o Pontífice, é a base para o reconhecimento de que o mundo foi criado pela palavra de Deus.

“O crente pode ler o grande livro da natureza e entender sua linguagem (cfr Sal 19,2-5); mas é necessária a Palavra de revelação, que suscita a fé, para que o homem possa chegar à plena consciência da realidade de Deus como Criador e Pai”, explicou.

Ao citar o livro que trata da criação, o Gênesis, Bento XVI, interpreta, a partir da revelação bíblica, que o primeiro pensamento de Deus ao criar o mundo era encontrar um amor que respondesse ao seu amor. O segundo pensamento era criar um mundo material onde colocar este amor, estas criaturas que em liberdade lhe responderiam.

“Mas a nossa pergunta hoje é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação?” Questionou o Pontífice. Segundo ele, a Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; quer, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. E afirma: “a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional ou as nossas necessidades, mas a razão e o amor e a liberdade.”

Bento XVI prosseguiu a catequese refletindo sobre a imagem do barro no livro que relata a criação. “Isto significa que não somos Deus, não nos fizemos por nós mesmos, somos terra; mas significa também que viemos da terra boa, por obra do Criador bom.” E segundo o Papa, o jardim do Éden diz que a realidade em que Deus colocou o ser humano não é uma floresta selvagem, mas lugar que protege, alimente e sustenta.

“O homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como dom do Criador, sinal de sua vontade salvífica, dom a cultivar e proteger, de fazer crescer e desenvolver no respeito, na harmonia, seguindo os ritmos e a lógica, segundo o desígnio de Deus (cfr Gen 2,8-15)”, salientou.

Em seguida, o Santo Padre explicou a figura da serpente como sendo o sinal da tentação que objetiva levar o homem a romper a relação com Deus, colocando no seu coração a dúvida e inimizade com o Criador.

Segundo o Papa, a serpente levanta a suspeita de que a aliança com Deus seja como uma prisão que une, que priva da liberdade e das coisas mais belas e preciosas da vida. A serpente, como sinal da tentação, leva o homem a não aceitar os seus limites de criatura e a pensar a dependência do amor criador de Deus, como um fardo do qual deve se libertar.

Por fim, o Santo Padre, comentando a realidade do pecado original, afirmou que “o pecado gera pecado e todos os pecados da história estão ligados entre si.” Segundo ele, o pecado significa perturbar ou destruir a relação com Deus e sua  essência está em colocar-se no lugar de Deus.

Bento XVI encerrou dizendo que viver de fé significa ao homem reconhecer a grandeza de Deus, a pequenez humana e a sua condição de criatura. A fé ilumina o mistério do mal e traz a “certeza de que é bom ser um homem”.

 

Catequese de Bento XVI: reflexão sobre o Credo 06/02/2013  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

O Credo, que inicia qualificando Deus como “Pai Onipotente”, como meditamos na semana passada,  acrescenta que Ele é o “Criador do céu e da terra”, e remete assim à afirmação com a qual inicia a Bíblia. No primeiro versículo da Sagrada Escritura, de fato, se lê: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gen 1,1): é Deus a origem de todas as coisas e na beleza da criação se desdobra a sua onipotência de Pai que ama.

Deus se manifesta como Pai na criação, enquanto origem da vida, e ao criar, mostra a sua onipotência. As imagens usadas pela Sagrada Escritura a este respeito são muito sugestivas (cfr Is 40,12; 45,18; 48,13; Sal 104,2.5; 135,7; Pr 8, 27-29; Gb 38–39). Ele, como um Pai bom e poderoso, cuida daquilo que criou com um amor e uma fidelidade que não são nunca menores, dizem repetidamente os Salmos (cfr Sal 57,11; 108,5; 36,6). Assim, a criação torna-se lugar no qual conhecer e reconhecer o poder do Senhor e a sua bondade, e torna-se apelo à fé de nós crentes para que proclamemos Deus como Criador. “Pela fé, – escreve o autor da Carta aos Hebreus – reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível” (11, 3). A fé implica, portanto, saber reconhecer o invisível identificando o traço no mundo visível. O crente pode ler o grande livro da natureza e entender sua linguagem (cfr Sal 19,2-5); mas é necessária a Palavra de revelação, que suscita a fé, para que o homem possa chegar à plena consciência da realidade de Deus como Criador e Pai. É no livro da Sagrada Escritura que a inteligência humana pode encontrar, à luz da fé, a chave de interpretação para compreender o mundo. Em particular, ocupa um lugar especial o primeiro capítulo do Gênesis, com a solene apresentação da obra criadora divina que se desdobra ao longo de sete dias: em seis dias Deus cumpre a criação e no sétimo dia, o sábado, cessa todas as atividades e descansa. Dia de liberdade para tudo, dia da comunhão com Deus. E assim, com esta imagem, o livro do Gênesis nos indica que o primeiro pensamento de Deus era encontrar um amor que responda ao seu amor. O segundo pensamento é criar um mundo material onde colocar este amor, estas criaturas que em liberdade lhe respondam. Tal estrutura, portanto, faz com que o texto seja marcado por algumas repetições significativas. Por seis vezes, por exemplo, aparece repetida a frase: “Deus viu que era coisa boa” vv. 4.10.12.18.21.25), para concluir, a sétima vez, depois da criação do homem: “Deus viu o quanto havia feito, e de fato, era coisa muito boa” (v. 31). Tudo aquilo que Deus cria é belo e bom, cheio de sabedoria e de amor; a ação criadora de Deus traz ordem, harmonia, doa beleza. No relato de Gênesis, então, emerge que o Senhor cria com a sua palavra: por dez vezes se lê no texto a expressão “Deus disse” (vv. 3.6.9.11.14.20.24.26.28.29). É a palavra, o Logos de Deus que é a origem da realidade do mundo dizendo: “Deus disse”, foi assim, enfatiza o poder eficaz da Palavra divina. Assim canta o Salmista: “Da palavra do Senhor foram feitos os céus, do sopro de sua boca cada ordem …, porque ele falou, tudo foi criado, ordenou e tudo foi cumprido” (33, 6. 9). A vida surge, o mundo existe, porque tudo obedece à Palavra divina.

Mas a nossa pergunta hoje é: na época da ciência e da técnica, ainda tem sentido falar de criação? Como devemos compreender as narrações de Gênesis? A Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; quer, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. A verdade fundamental que os relatos de Gênesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças entre conflitantes, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus que continua a sustentar o universo. Isso é um desígnio sobre o mundo que nasce desta Razão, do Espírito criador. Acreditar que na base de tudo esteja isto, ilumina cada aspecto da existência e dá coragem para enfrentar com confiança e com esperança a aventura da vida.  Depois, a escritura nos diz que a origem do ser, do mundo, a nossa origem não é o irracional ou as nossas necessidades, mas a razão e o amor e a liberdade. Disto a alternativa: ou prioridade do irracional, da necessidade, ou prioridade da razão, da liberdade, do amor. Nós acreditamos nesta última posição.

Mas gostaria de dizer uma palavra também sobre aquilo que é o ápice de toda a criação: o homem e a mulher, o ser humano, o único “capaz de conhecer e de amar o seu Criador” (Const. past. Gaudium et spes, 12). O Salmista, olhando para o céu, pergunta-se: “Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes: ‘que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles?” (8,4-5). O ser humano, criado com amor por Deus, é coisa bem pequena diante da imensidade do universo; às vezes, olhando fascinados para a enorme extensão do firmamento, também nós percebemos a nossa limitação. O ser humano é habitado por este paradoxo: a nossa pequenez e a nossa fragilidade convivem com a grandeza disso que o amor eterno de Deus quis para ele.

Os relatos da criação no Livro do Gênesis nos introduzem também neste misterioso âmbito, ajudando-nos a conhecer o projeto de Deus para o homem. Antes de tudo afirmam que Deus formou o homem com o barro da terra (cfr Gen 2,7). Isto significa que não somos Deus, não nos fizemos por nós mesmos, somos terra; mas significa também que viemos da terra boa, por obra do Criador bom. A isto chega outra realidade fundamental: todos os seres humanos são pó, para além das distinções feitas por cultura e história, para além de qualquer diferença social; somos uma única humanidade formada com o único fundamento de Deus. Aparece-vos, pois, um segundo elemento: o ser humano tem origem porque Deus inspira-lhe o sopro de vida no corpo modelado pela terra (cfr Gen 2,7). O ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus (cfr Gen 1,26-27). Todos, então, trazemos em nós o sopro vital de Deus e cada vida humana – noz diz a Bíblia – está sob a particular proteção de Deus. Esta é a razão mais profunda da inviolabilidade da dignidade humana contra toda tentação de avaliar a pessoa segundo critérios utilitaristas e de poder. O ser à imagem e semelhança de Deus indica, então, que o homem não é fechado em si mesmo, mas tem uma referência essencial em Deus.

Nos primeiros capítulos do Livro de Gênesis encontramos duas imagens significativas: o jardim com a árvore do conhecimento do bem e do mal e a serpente (cfr 2,15-17; 3,1-5). O jardim nos diz que a realidade em que Deus colocou o ser humano não é uma floresta selvagem, mas lugar que protege, alimente e sustenta; e o homem deve reconhecer o mundo não como propriedade a ser saqueada e explorada, mas como dom do Criador, sinal de sua vontade salvífica, dom a cultivar e proteger, de fazer crescer e desenvolver no respeito, na harmonia, seguindo os ritmos e a lógica, segundo o desígnio de Deus (cfr Gen 2,8-15). Depois, a serpente é uma figura que deriva dos cultos orientais de fertilidade, que apelavam a Israel e constituíam uma constante tentação de abandonar a misteriosa aliança com Deus. À luz disto, a Sagrada Escritura apresenta a tentação por que passa Adão e Eva como o núcleo da tentação e do pecado. O que diz de fato a serpente? Não nega Deus, mas insinua uma pergunta sutil: “É verdade o que Deus disse ‘Não devem comer do fruto de toda árvore do jardim’? (Gen 3, 1). Deste modo, a serpente levanta a suspeita de que a aliança com Deus seja como uma prisão que une, que priva da liberdade e das coisas mais belas e preciosas da vida. A tentação torna-se construir sozinho o mundo no qual viver, não aceitar os limites do ser criatura, os limites do bem e do mal, da moralidade; a dependência do amor criador de Deus é visto como um fardo do qual libertar-se. Este é sempre o núcleo da tentação. Mas quando se distorce a relação com Deus, com uma mentira, colocando em seu lugar, todos os outros relacionamentos são alterados. Então o outro transforma-se um rival, uma ameaça: Adão, depois de ter cedido à tentação, acusa imediatamente Eva (cfr Gen 3,12); os dois se escondem da vista daquele Deus com o qual conversavam em amizade (cfr 3,8-10); o mundo não é mais o jardim no qual viver com harmonia, mas um lugar para desfrutar e no qual se escondem armadilhas (cfr 3,14-19); a inveja e o ódio contra a outro entram no coração do homem: a exemplo de Caim que mata o próprio irmão Abel (cfr 4,3-9). Indo contra o seu criador, na verdade o homem vai contra si mesmo, renega a sua origem e também a sua verdade; e o mal entra no mundo, com a sua penosa prisão de dor e de morte. E assim tudo quanto Deus havia criado era bom, na verdade, muito bom, depois desta livre decisão do homem pela mentira contra a verdade, o mal entra no mundo.

Dos relatos da criação, gostaria de evidenciar um último ensinamento: o pecado gera pecado e todos os pecados da história estão ligados entre si. Este aspecto nos impele a falar sobre o que é o chamado “pecado original”. Qual é o significado desta realidade, difícil de compreender? Gostaria de citar somente alguns elementos. Antes de tudo, devemos considerar que nenhum homem é fechado em si mesmo, nenhum pode viver sozinho, por si só; nós recebemos a vida do outro e não somente no momento do nascimento, mas a cada dia. O ser humano é relacional: eu sou eu mesmo somente no tu e através do tu, na relação do amor com o Tu de Deus e o tu dos outros. Bem, o pecado é perturbar ou destruir a relação com Deus, esta é a sua essência: destruir a relação com Deus, a relação fundamental, colocar-se no lugar de Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma que com o primeiro pecado o homem “fez a escolha de si mesmo contra Deus, contra as exigências da própria condição de criatura e consequentemente contra o próprio bem” (n. 398). Perturbada a relação fundamental, são comprometidos ou destruídos também os outros pólos da relação, o pecado arruína as relações, assim arruína tudo, porque nós somos relações. Ora, se a estrutura relacional da humanidade é perturbada desde o início, cada homem entra em um mundo marcado por esta perturbação das relações, entra em um mundo perturbado pelo pecado, do qual é marcado pessoalmente; o pecado inicial ataca e fere a natureza humana (cfr Catechismo della Chiesa Cattolica, 404-406). E o homem sozinho não pode sair desta situação, não pode redimir-se sozinho; somente o próprio Criador pode restabelecer as relações certas. Somente se Aquele do qual nós fomos desviados vem a nós e nos toma pela mão com amor, as relações corretas podem ser retomadas. Isso acontece em Jesus Cristo, que cumpre exatamente o percurso inverso daquele de Adão, como descreve o hino do segundo capítulo da Carta de São Paulo aos Filipenses (2,5-11): enquanto Adão não reconhece o seu ser criatura e quer colocar-se no lugar de Deus, Jesus, o Filho de Deus, está em uma relação filial perfeita com o Pai, reduz-se, transforma-se servo, percorre o caminho do amor humilhando-se até a morte de cruz, para reordenar a relação com Deus. A Cruz de Cristo transforma-se assim na nova árvore da vida.

Queridos irmãos e irmãs, viver de fé quer dizer reconhecer a grandeza de Deus e aceitar a nossa pequenez, a nossa condição de criatura deixando que o Senhor a transborde com o seu amor e assim cresça a nossa verdadeira grandeza. O mal, com a sua carga de dor e sofrimento, é um mistério que vem iluminado pela luz da fé, que nos dá a certeza de poder ser libertos: a certeza de que é bom ser um homem.

Santo Evangelho (Jo 16, 12-15)

6ª Semana da Páscoa – Quarta-feira 24/05/2017

Primeira Leitura (At 17,15.22–18,1)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 17,15os que conduziram Paulo levaram-no até Atenas. De lá, voltando, transmitiram a Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível. E partiram. 22De pé, no meio do Areópago, Paulo disse: “Homens atenienses, em tudo eu vejo que vós sois extremamente religiosos. 23Com efeito, passando e observando os vossos lugares de culto, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido’. Pois bem, esse Deus que vós adorais sem conhecer é exatamente aquele que eu vos anuncio. 24O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, ele não habita em santuários feitos por mãos humanas. 25Também não é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa; pois é ele que dá a todos vida, respiração e tudo o mais. 26De um só homem ele fez toda a raça humana para habitar sobre a face da terra, tendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites de sua habitação. 27Assim fez, para que buscassem a Deus e para ver se o descobririam, ainda que às apalpadelas. Ele não está longe de cada um de nós, 28pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dentre vossos poetas: ‘Somos da raça do próprio Deus’. 29Sendo, portanto, da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante a ouro, prata ou pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. 30Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora anuncia aos homens que todos e em todo lugar se arrependam, 31pois ele estabeleceu um dia em que irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou, diante de todos, oferecendo uma garantia, ao ressuscitá-lo dos mortos”. 32Quando ouviram falar da ressurreição dos mortos, alguns caçoavam, e outros diziam: “Nós te ouviremos falar disso em outra ocasião”. 33Assim Paulo saiu do meio deles. 34Alguns, porém, uniram-se a ele e abraçaram a fé. Entre eles estava também Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles. 18,1Paulo deixou Atenas e foi para Corinto.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 148)

— Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.
— Da vossa glória estão cheios o céu e a terra.

— Louvai o Senhor Deus nos altos céus, louvai-o no excelso firmamento! Louvai-o, anjos seus, todos louvai-o, louvai-o, legiões celestiais!

— Reis da terra, povos todos, bendizei-o, e vós, príncipes e todos os juízes; e vós, jovens, e vós, moças e rapazes, anciãos e criancinhas, bendizei-o!

— Louvem o nome do Senhor, louvem-no todos, porque somente o seu nome é excelso! A majestade e esplendor de sua glória ultrapassam em grandeza o céu e a terra.

— Ele exaltou seu povo eleito em poderio; ele é o motivo de louvor para os seus santos. É um hino para os filhos de Israel, este povo que ele ama e lhe pertence.

 

Evangelho (Jo 16,12-15)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora. 13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. 14Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. 15Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse que o que ele receberá e vos anunciará, é meu”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Vicente de Lérins, um grande pensador, teólogo e místico 

Foi um homem doutorado na graça, defensor da verdade e que se consumiu pelo Evangelho

Nascido no norte da França, São Vicente de Lérins, viveu sua juventude em busca das vaidades do mundo e tornou-se militar.

Vicente ao encontrar-se com Deus e se converter, foi se tornando cada vez mais obediente à Palavra do Senhor. Amou a Palavra de Deus.

Entrou para a vida monástica, tornando-se um exemplo de monge. Aprofundou-se nos mistérios de Deus, tornando-se um grande pensador, teólogo e místico. Combateu muitas heresias no século V. Eleito Abade, o Mosteiro de Lérins tornou-se um lugar de forte formação para santos e bispos da Igreja.

São Vicente foi um homem doutorado na graça, defensor da verdade e que se consumiu pelo Evangelho.

São Vicente de Lérins, rogai por nós!

Papa: converter-se é passar da vida morna ao anúncio de Jesus

Terça-feira, 23 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia na Casa Santa Marta, Papa Francisco lembrou que o consagrado é perseguido por dizer a verdade

Muitas pessoas consagradas foram perseguidas por terem denunciado atitudes de mundanidade: o espírito mau prefere uma Igreja sem risco e morna. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, nesta terça-feira, 23.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos, que narra Paulo e Silas em Filipos. Uma escrava que tinha um espírito de adivinhação começou a segui-los e, gritando, os indicou como “servos de Deus”. Era um louvor, mas Paulo, sabendo que esta mulher estava possuída por um espírito maligno, um dia o expulsou. Paulo – notou o Papa – entendeu que “aquele não era o caminho da conversão daquela cidade, porque tudo permanecia tranquilo”. Todos aceitavam a doutrina, mas não havia conversões.

Muitos consagrados perseguidos por terem dito a verdade

Isto se repete na história da salvação: quando o povo de Deus estava tranquilo, não arriscava ou servia – não “digo aos ídolos” – mas “à mundanidade”, explica Francisco. Então o Senhor enviava os profetas que eram perseguidos “porque incomodavam”, como ocorreu com Paulo: ele entendeu o engano e mandou embora esse espírito que, apesar de dizer a verdade – isto é, que ele e Silas eram homens de Deus – no entanto, era “um espírito de torpor, que tornava a igreja morna”. “Na Igreja – afirma – quando alguém denuncia tantos modos de mundanidade é encarado com olhos tortos, não deve ser assim, melhor que se distancie”:

“Eu lembro na minha terra, tantos, tantos homens e mulheres, consagrados bons, não ideólogos, mas que diziam: ‘Não, a Igreja de Jesus…’ – ‘Ele é comunista, fora!’, e os expulsavam, os perseguiam. Pensemos no beato Romero, não?, o que aconteceu por dizer a verdade. E muitos, muitos na história da Igreja, também aqui na Europa. Por quê? Porque o espírito maligno prefere uma Igreja tranquila sem riscos, uma Igreja dos negócios, uma Igreja cômoda, na comodidade do torpor, morna”.

No capítulo 16, se fala ainda dos patrões dessa escrava, que ficaram bravos com ela porque não podiam mais ganhar dinheiro às suas custas por ter perdido o poder de adivinhação. O Papa destacou que “o espírito maligno sempre entra pelo bolso”. “Quando a Igreja está morna, tranquila, toda organizada, não existem problemas, mas olhem onde há negócios”, afirmou Francisco.

Mas além do dinheiro, há outra palavra ressaltado pelo Pontífice, que é a “alegria”. Paulo e Silas são arrastados pelos patrões da escrava diante dos juízes, que ordenaram que fossem açoitados e levados à prisão. O carcereiro os leva para a parte mais escondida da prisão. Paulo e Silas cantavam. Por volta da meia-noite, há um forte tremor de terremoto e todas as portas da prisão se abrem. O carcereiro está para se matar antes que fosse assassinado por ter deixado os prisioneiros escaparem, mas Paulo o exorta a não se machucar, porque – disse – “estamos todos aqui”. Então o carcereiro pede explicações e se converte. Lava as feridas deles, é batizado e fica cheio de alegria”:

“E este é o caminho da nossa conversão diária: passar de um estado de vida mundano, tranquilo, sem riscos, católico, sim, sim, mas assim, morno, a um estado de vida de verdadeiro anúncio de Jesus Cristo, à alegria do anúncio de Cristo. Passar de uma religiosidade que olha demasiado para os lucros para uma religiosidade de fé e de proclamação: ‘Jesus é o Senhor’”.

Este é o milagre que o Espírito Santo faz. O Papa exortou então a ler o capítulo 16 dos Atos para ver como o Senhor “com os seus mártires” leva a Igreja para frente:

“Uma Igreja sem mártires não dá nenhuma confiança; uma Igreja que não se arrisca provoca desconfiança; uma Igreja que tem medo de anunciar Jesus Cristo e afugentar os demônios, os ídolos, o outro senhor, que é o dinheiro, não é a Igreja de Jesus. Na oração pedimos a graça e também agradecemos o Senhor pela renovada juventude que nos dá com Jesus e pedimos a graça que ele mantenha esta renovada juventude. Esta Igreja de Filipos foi renovada e tornou-se uma Igreja jovem. Que todos nós tenhamos isso: uma renovada juventude, uma conversão do modo de viver morno ao anúncio alegre que Jesus é o Senhor”.

Trate todos os filhos com igual afeto

Crie fortes laços de união entre eles

A criança e o jovem facilmente percebem quando um irmão é mais bem tratado ou desejado do que ele, e isso os ofende. Por isso, os pais têm de tomar todo o cuidado para que isso não ocorra.

Os filhos são todos diferentes e precisam ser tratados de maneira diferente, mas não se pode dar menos carinho e atenção a um deles. Isso pode acontecer, por exemplo, quando um dos filhos, por razões de saúde, precisa de mais atenção. Neste caso, os outros filhos têm de ser preparados para que também eles façam algo mais pelo mais fraco. Isso os ajudará a superar um possível ciúme devido ao tratamento especial dado ao mais fraco.

É muito importante os pais saberem criar fortes laços de união entre os filhos; ensinando-os a serem responsáveis uns pels outros desde pequenos; mais tarde, eles se ajudarão mutuamente. Lembro-me de meu pai sempre nos dizendo: “quem estiver bem na vida ajude o irmão que precisar”. E não se pode permitir que cresça entre os irmãos qualquer sentimento de ciúme, rancor, inimizade etc. Quando os pais notarem que algo desse tipo complica o relacionamento de dois irmãos, é preciso, logo, com sabedoria, aproximá-los e dissipar todo problema.

Da mesma forma, quando a mãe espera o segundo filho, saiba valorizar, diante do primeiro, a beleza de logo ter um irmãozinho para brincar, correr, conversar; isso evitará o ciúme.

Há adultos que carregam, pela vida toda, o fato de terem sido preteridos no lar. Lembro-me que minha mãe era muito cuidadosa ao dividir o saco de balas que meu pai, de vez em quando, trazia para os nove filhos. Eram nove montinhos de balas todos iguais. A justiça deve ser cultivada no lar desde a infância dos filhos para que eles logo assimilem essa importante lição.

Quando dois filhos forem dividir alguma coisa, faça com que um divida, mas seja o outro a escolher a sua parte em primeiro lugar. Um reparte e o outro escolhe, assim haverá justiça.

(Extraído do livro “Educar pela conquista e pela fé”)
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

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