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Papa fala aos jovens sobre família, vocação, trabalho e missão

Visita a Assis, sexta-feira, 4 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal e Rodrigo Santos / Da Redação

Em sua visita a Assis, Francisco encontrou-se com jovens e respondeu seus questionamentos

Cerca de 12 mil jovens acolheram o Papa Francisco nesta sexta-feira, 4, na Praça da Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis, Itália. Em um clima de grande festa, a juventude acolheu o primeiro pontífice a assumir o nome do santo italiano festejado hoje. Na ocasião, o Santo Padre respondeu quatro perguntas feitas pelos próprios jovens sobre vocação, família, trabalho e missão.

Na chegada ao local, o Papa esbanjou atenção e abraços para os jovens. Após percorrer, de papamóvel, a praça da Basílica de Santa Maria dos Anjos, entrou na Basílica. Depois da visita e a oração silenciosa na Porciúncula, o Santo Padre dirigiu-se aos jovens presentes.

Oito jovens representaram as oito dioceses úmbrias. A primeira pergunta foi de um casal jovem, questionando sobre o matrimônio. Francisco considerou que hoje em dia a base não é mais garantida pelas famílias e pela tradição social, mas sim pela valorização do indivíduo mais do que a família. Mas destacou que o Espírito Santo sempre tem respostas aos novos tempos, como os novos cursos de preparação para noivos e os grupos de jovens casais nas paróquias.

“Então, gostaria de dizer para vocês não terem medo de dar passos definitivos na vida como é o matrimônio: aprofundem o amor de vocês, respeitando o tempo e as expressões de cada um, rezem, se preparem bem, mas tenham também confiança de que o Senhor não deixa vocês sozinhos!”.

Em outra pergunta, os jovens indagaram como podem reconhecer o chamado de Deus, em especial ao celibato e à vida consagrada. O Papa indicou então dois caminhos essenciais: rezar e caminhar na Igreja, mantendo uma relação familiar com o Senhor.

“Deus nos surpreende sempre! É Deus que chama; porém é importante ter uma relação cotidiana com Ele, escutá-Lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com Ele, aproximar-se dos Sacramentos”.

Com relação às outras duas perguntas, Francisco respondeu-as a partir da palavra “Evangelho”. As perguntas foram sobre o compromisso social, neste período de crise que ameaça a esperança, e sobre a evangelização, levar Jesus aos outros.

“O Evangelho, esta mensagem de salvação, tem duas destinações que estão ligadas: a primeira, suscitar a fé, e esta é a evangelização; a segunda, transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus, e esta é a animação cristã da sociedade. Mas não são duas coisas separadas, são uma única missão: levar o Evangelho, com o testemunho da nossa vida transformar o mundo! Este é o caminho!

 

RESPOSTA DO PAPA ÀS PERGUNTAS DOS JOVENS
Visita Pastoral a Assis
Encontro com os jovens da Úmbria na Praça da Basílica de Santa Maria dos Anjos
Sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Boletim da Santa Sé Tradução: Rodrigo Santos

Queridos jovens da Úmbria,  Boa tarde!

Obrigado por terem vindo, obrigado por esta festa! E obrigado pelas perguntas, muito importantes.

Fico contente que a primeira pergunta tenha sido de um casal jovem. Um belo testemunho! Dois jovens que escolheram, decidiram, com alegria e coragem formar uma família. Sim, porque é verdade mesmo, é preciso coragem para formar uma família!

Sim, é preciso ter coragem, é preciso ter coragem para formar uma família!

E a pergunta de vocês, jovens casados, se une à pergunta sobre a vocação. O que é o matrimônio? É uma verdadeira e própria vocação, como o são o sacerdócio e a vida religiosa. Dois cristãos que se casam reconheceram na própria história de amor o chamado do Senhor, a vocação a formar a partir dos dois, homem e mulher, uma só carne, uma só vida. E o Sacramento do matrimônio envolve este amor com a graça de Deus, o enraíza no próprio Deus. Com este dom, com a certeza deste chamado, é possível partir seguros, não se tem medo de nada, pode se enfrentar tudo, juntos!

Pensemos em nossos pais, nossos avós ou bisavós: se casaram em condições muito mais pobres do que as nossas, alguns em tempo de guerra, ou de pós-guerra; alguns são emigrados, como os meus pais. Onde encontravam a força? A encontravam na certeza de que o Senhor estava com eles, que a família é abençoada por Deus com o Sacramento do matrimônio, e que abençoada é a missão de colocar no mundo os filhos e educá-los. Com estas certezas superaram também as provações mais duras. Eram certezas simples, mas verdadeiras, formavam colunas que sustentavam o amor deles.

Não foi fácil a vida deles. Eles tinham problemas, tantos problemas, mas estas certezas simples os ajudavam a seguir adiante. E conseguiram formar uma bela família, a dar vida, conseguiram criar os filhos.

Queridos amigos, é preciso esta base moral e espiritual para construir bem, de maneira sólida! Hoje, esta base não é mais garantida pelas famílias e pela tradição social. Ao contrário, a sociedade em que vocês nasceram privilegia os direitos individuais mais do que a família, estes direitos individuais, as relações que duram para que não surjam dificuldades, e por isso às vezes fala de relações do casal, da família e do matrimônio de modo superficial e equívoco. Bastaria olhar certos programas televisivos!

E podemos ver estes valores… Quantas vezes os párocos – eu também ouvi isso algumas vezes-, quando chega um casal que quer se casar e diz “nos amamos muito mas ficaremos juntos até que o amor acabe”. Isso é egoísmo. Quando não sinto, corto o matrimônio, e esqueço daquilo que é uma só carne, que não pode separar-se, é arriscado casar-se. O egoísmo nos ameaça. Dentro de nós temos a possibilidade de uma dupla personalidade: uma que diz o outro e outra que diz eu, meu, comigo… é egoísmo sempre, que não sabe se abrir aos outros.

A outra dificuldade é esta cultura do provisório, de não buscar nada que seja definitivo, mas o provisório, o amor enquanto dura.

Uma vez eu ouvi um seminarista muito bom que dizia: “quero ser padre por dez anos, depois vejamos”. Essa é a cultura do provisório. Mas Jesus não nos salvou de maneira provisória, nos salvou definitivamente.

Mas, o Espírito Santo suscita sempre respostas novas às novas exigências! E assim, se multiplicaram na Igreja os caminhos para os noivos, os cursos de preparação para o Matrimônio, os grupos de jovens casais nas paróquias, os movimentos familiares… São uma riqueza imensa! São pontos de referência para todos: jovens em busca, casais em crise, pais em dificuldade com os filhos e vice-versa. Mas nos ajudam todos. E há ainda as diferentes formas de acolhimento como: adoção temporária, adoção, abrigos para menores de vários tipos… A fantasia [me permita a palavra] do Espírito Santo é infinita, mas é também muito concreta! Então, gostaria de dizer para vocês não terem medo de dar passos definitivos. Não tenham medo.

Quantas vezes ouço mães que me dizem “tenho um filho de 30 anos anos que não se decide, não se casa. Ele namora, mas não casa”. Então eu digo, “senhora, não passe mais as camisas dele”. Não tenham medo de dar passos definitivos como o é o matrimônio: aprofundem o amor de vocês, respeitando o tempo e as expressões de cada um, rezem, se preparem bem, mas tenham também confiança de que o Senhor não deixa vocês sozinhos! Façam com que Ele entre na casa de vocês como alguém da família, Ele sempre sustentará vocês.

A família é a vocação que Deus escreveu na natureza do homem e da mulher, mas há uma outra vocação complementar ao matrimônio: o chamado ao celibato e à virgindade pelo Reino dos céus. É a vocação que o próprio Jesus viveu. Como reconhecê-la? Como segui-la? É a terceira pergunta que vocês me fizeram.

Alguns de vocês pode perguntar: “como esse bispo é bom, acabaram de perguntar e já tem as respostas escritas”. É que eu já respondi uns dias atrás…

E respondo para vocês com dois elementos essenciais: rezar e caminhar na Igreja. Estas duas coisas devem seguir juntas, são interligadas. Na origem de cada vocação à vida consagrada existe sempre uma experiência forte de Deus, uma experiência que não se esquece, que se recorda por toda a vida! Foi o que aconteceu com Francisco. E isso nós não podemos calcular ou programar. Deus nos surpreende sempre! É Deus que chama; porém é importante ter uma relação cotidiana com Ele, escutá-Lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com Ele, aproximar-se dos Sacramentos. Ter esta relação familiar com o Senhor é como ter aberta a janela da nossa vida para que Ele nos faça ouvir sua voz, o que Ele quer de nós. Seria belo ouvir vocês, ouvir os padres aqui presentes, as freiras… Seria belíssimo, porque cada história é única, mas todas partem de um encontro que ilumina no profundo, que toca o coração e envolve toda a pessoa: afeto, intelecto, sentidos, tudo.

A relação com Deus não diz respeito somente a uma parte de nós mesmos, diz respeito a tudo. É um amor tão grande, tão belo, tão verdadeiro, que merece tudo e merece toda a nossa confiança. E uma coisa gostaria de dizer com força, especialmente hoje: a virgindade pelo Reino de Deus não é um “não”, é um “sim”! Certo, comporta a renúncia a um elo conjugal e uma própria família, mas na base está o “sim”, como resposta ao “sim” total de Cristo para conosco, e este “sim” os torna fecundos.

Mas, aqui em Assis não há necessidade de palavras! Aqui tem Francisco, tem Clara, eles falam! O carisma deles continua a falar a tantos jovens no mundo inteiro: rapazes e moças que deixam tudo para seguir Jesus no caminho do Evangelho.

E isso, Evangelho. Gostaria de tomar a palavra “Evangelho” para responder outras duas perguntas que vocês me fizeram, a segunda e a quarta. Uma diz respeito ao compromisso social, neste período de crise que ameaça a esperança; e a outra diz respeito à evangelização, o levar o anúncio de Jesus aos outros. Vocês me perguntaram: o que podemos fazer? Qual pode ser nossa contribuição?

Aqui em Assis, aqui perto da Porciúncula, parece que podemos ouvir a voz de são Francisco que nos repete: “Evangelho, Evangelho!”. O diz também a mim, melhor, primeiro a mim: Papa Francisco, seja servidor do Evangelho!

Se eu não consigo ser um servidor do Evangelho, a minha vida não vale nada. Mas, o Evangelho, queridos amigos, não diz respeito somente à religião, diz respeito ao homem, todo o homem, e diz respeito ao mundo, à sociedade, à civilização humana. O Evangelho é a mensagem de salvação de Deus pela humanidade. Mas quando dizemos “mensagem de esperança”, não é um modo de dizer, não são simples palavras ou palavras vazias como existem tantas hoje! A humanidade precisa ser salva verdadeiramente! O vemos todos os dias quando folheamos o jornal, o ouvimos nas notícias na televisão; mas o vemos também ao nosso redor, nas pessoas, nas situações…; nós o vemos em nós mesmos! Cada um de nós precisa da salvação! Sozinhos não conseguimos. Salvação do que? Do mal. O mal opera, faz seu trabalho. Mas o mal não é invencível e o cristão não se rende diante do mal. E vocês jovens, querem se render ao mal, às injustiças, às dificuldades?

Querem ou não?

O nosso segredo é que Deus é maior que o mal: E isso é verdade: Deus é maior que o mal. Deus é amor infinito, misericórdia sem limites, e este Amor venceu o amor pela raiz na morte e a ressurreição de Cristo. Este é o Evangelho, a Boa Notícia: o amor de Deus venceu! Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou. Com Ele nós podemos lutar contra o mal e vencê-lo todos os dias. Cremos nisto ou não?  SIM!

Mas este sim deve ser levado na vida. Se eu creio que Jesus venceu o mal e me salva, devo seguir o caminho de Jesus durante toda a vida.

Então, o Evangelho, esta mensagem de salvação, tem duas destinações que estão ligadas: a primeira, suscitar a fé, e esta é a evangelização; a segunda, transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus, e esta é a animação cristã da sociedade. Mas não são duas coisas separadas, são uma única missão: levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida transforma o mundo! Este é o caminho! Levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida  Olhemos para Francisco: ele fez todas estas duas coisas, com a força do único Evangelho. Francisco fez crescer a fé, renovou a Igreja; e ao mesmo tempo renovou a sociedade, a tornou mais fraterna, mas sempre com o Evangelho.

Sabem o que uma vez Francisco disse aos seus irmãos. Preguem sempre o Evangelho e se for necessário, também com palavras. Mas, como é possível pregar o Evangelho sem palavras: sim com o testemunho, primeiro o testemunho.

Jovens da Úmbria: façam assim vocês também! Hoje, em nome de são Francisco, digo para vocês: ouro e prata não tenho para lhes dar, mas algo muito mais precioso, o Evangelho de Jesus. Vão com coragem! Com o Evangelho no coração e nas mãos, sejam testemunhas da fé com a vida de vocês.

Levem Cristo à casa de vocês. Acolham e testemunhem nos pobres. Jovens deem à Úmbria uma mensagem de paz e esperança. Vocês podem fazer isso.

Filhos são alegria da família e da sociedade

Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Nas catequeses sobre família, Francisco refletiu hoje sobre os filhos, um presente que revela a dimensão mais gratuita do amor. Sociedades sem filhos são deprimidas, disse ele

Francisco exalta importância dos filhos, presente de Deus / Foto: Reprodução CTV

Seguindo o ciclo de catequeses sobre família, o Papa Francisco refletiu, nesta quarta-feira, 11, sobre os filhos. O Santo Padre já havia falado das mães e dos pais, e hoje ofereceu uma reflexão sobre o grande dom que os filhos são para a família e para a sociedade como um todo.

“Os filhos são a alegria da família e da sociedade, não um problema de biologia reprodutiva, um modo de se realizar nem uma posse dos pais; os filhos são um dom, um presente”.

Segundo o Papa, ser filho, no projeto de Deus, é levar consigo a memória e a esperança de um amor que realizou a si mesmo dando a vida a outro ser humano. E cada filho é único para os pais. Como exemplo, recordou sua própria família: ele contou que sua mãe, quando questionada sobre qual era seu filho preferido, dizia que seus cinco filhos eram como seus cinco dedos, qualquer um que lhe fosse tirado faria falta. “Os filhos são diferentes, mas são todos filhos”, explicou o Pontífice.

Francisco destacou ainda que é na profundidade do “ser filho” que se descobre a dimensão mais gratuita do amor, já que os filhos já são amados antes mesmo de nascerem.  Um exemplo disso é o gesto de tantas mulheres grávidas, na Praça de São Pedro, que pedem que o Papa abençoe a barriga delas.

Os filhos, por sua vez, ressaltou o Papa, precisam honrar o pai e a mãe, como ensina o quarto mandamento, que contém algo de sagrado, de divino e está na raiz de todo tipo de respeito entre os homens. “Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honra os pais, perde-se a própria honra”.

Sociedade sem filhos

O Pontífice mencionou ainda, na catequese, a realidade de pais que não querem ter filhos. Segundo ele, uma sociedade que não quer ser rodeada pelos filhos, porque os considera um peso ou uma preocupação, é deprimida.

Ele citou, por exemplo, a realidade da Europa, onde a taxa de nascimento não chega a 1%. Nesse contexto, citou a encíclica Humanae vitae, de Paulo VI, que dizia que ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Mas não os ter é uma escolha egoísta. “A vida rejuvenesce e conquista energia multiplicando-se”, disse Francisco.

No fim das reflexões, Francisco expressou sua satisfação ao ver tantos pais e mães levantando seus filhos na Praça de São Pedro para que sejam abençoados. Trata-se de um gesto quase divino, disse o Papa. “Obrigado por fazerem isso!”, conclui.
CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre as figuras da mãe e do pai, nestas catequeses sobre família gostaria de falar do filho, ou melhor, dos filhos. Inspiro-me em uma bela imagem de Isaías. Escreve o profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará” (60,4-5a). É uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação, quando o povo hebreu se encontrava distante da pátria.

De fato, há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. Devemos pensar bem nisto. Há uma ligação estreita entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais… Não. Os filhos são um dom, são um presente: entendem? Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é si mesmo, é diferente, é diverso. Permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: “Mas eu tenho cinco filhos”. Quando lhe perguntavam: “Qual é o teu preferido”, ela respondia: “Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão”. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos.

Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho! Não porque pensa como eu, ou encarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.

Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegarem. Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor; são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo! Ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir.

Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante. Podemos aprender a boa relação entre as gerações com o nosso Pai Celeste, que deixa cada um de nós livre mas não nos deixa sozinhos nunca. E se erramos, Ele continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante.

Os filhos, por sua parte, não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra.

O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos! – para honrar o pai e a mãe (cfr Es 20, 12). Este mandamento vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens. E na formulação bíblica deste quarto mandamento, acrescenta-se: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A ligação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história realmente humana. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece! Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons. A agradável experiência da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é preciso o nosso reconhecimento. Tantos de vocês aqui presentes têm filhos e todos somos filhos. Façamos uma coisa, um minuto de silêncio. Cada um de nós pense no seu coração nos próprios filhos – se tem – pense em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e agradeçamos a Deus pelo dom da vida. Em silêncio, aqueles que têm filhos pensem neles e todos nós pensemos nos nossos pais (silêncio). O Senhor abençoe os nossos pais e abençoe os vossos filhos.

Jesus, o Filho eterno, feito filho no tempo, ajude-nos a encontrar o caminho de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria. E vos digo: quão belo é quando passo em meio a vocês e vejo os pais e as mães que levantam seus filhos para serem abençoados; isto é um gesto quase divino. Obrigado porque o fazem!

 

Os filhos são a alegria da família, não um “problema”, afirma o Papa Francisco na catequese de hoje
VATICANO, 11 Fev. 15 (ACI/EWTN Noticias) .-
“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível”, portanto, “não ter filhos é uma escolha egoísta” e um sintoma de “uma sociedade deprimida”, advertiu nesta quarta-feira o Papa Francisco durante a Audiência Geral ao continuar a sua catequese sobre a família, na qual também recordou o dever de honrar os pais.

O Papa disse que “a alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais”.

“Não, não!”, exclamou o Pontífice. “Os filhos são um dom, são um presente: entendem?” comentou entre os aplausos dos presentes, na Praça São Pedro nesta quarta-feira, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, à qual assistiram fiéis da Espanha, Colômbia, Argentina, México e outros países latino-americanos.

“Uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida”, assinalou.

“Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável”.

“Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece!”, expressou.

Por outro lado, “uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos”.

Durante a catequese, o Papa tomou “uma bela imagem de Isaías” para refletir sobre os filhos, usando as palavras do profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará”.

Esta “é uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação”, indicou o Papa.

Assim, “há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações” algo que “devemos pensar bem”, acrescentou depois Francisco.

“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo”.

O Papa destacou que “para os pais cada filho é si mesmo, é diferente” e contou uma lembrança de família: “permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: ‘Mas eu tenho cinco filhos’. Quando lhe perguntavam: ‘Qual é o teu preferido’, ela respondia: ‘Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão’. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos”.

O Papa destacou também que “um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho!”, voltou a exclamar.

“Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade”.

E “daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender”.

O Papa explicou também que “são amados antes de chegarem”. “Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor”.

Sobre o mesmo tema, comentou que “são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo!”.

Portanto, “ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir”.

Sobre a atualidade, disse que “hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante”.

Entretanto, Deus “continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante”.

Por sua parte, os filhos “não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra”.

Sobre este quarto mandamento de honrar os pais, Francisco assinalou que “vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens”.

“Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons”.

Depois destas palavras, Francisco pediu um minuto de silêncio para que cada um pensasse nos seus próprios filhos e pais, agradecendo a Deus pelo dom da vida”.

“No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria”.

Papa aos membros de Vida Consagrada: fidelidade à vocação

Papa Francisco e o Cardeal João Braz de Aviz, na audiência à plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada – AP
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (28/01/2017), no Vaticano, recebendo na Sala Clementina, cerca de 100 participantes na Plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Em seu pronunciamento, o Papa expressou sua satisfação em receber os membros da Congregação que, nestes dias, em sua plenária, refletiram sobre o tema da “fidelidade e dos abandonos”:

“O tema que escolheram é importante. Podemos dizer que, neste momento, a fidelidade é colocada à prova: é o que demonstram as estatísticas que examinaram. Encontramo-nos diante de certa “hemorragia” que enfraquece a vida consagrada e a própria vida da Igreja. Os abandonos na vida consagrada nos preocupam muito. É verdade que alguns a deixam por um gesto de coerência, porque reconhecem, depois de um sério discernimento, que nunca teve vocação; outros, com o passar do tempo, faltam de fidelidade, muitas vezes a apenas alguns anos da sua profissão perpétua”.

Aqui, o Papa perguntou: o que aconteceu? Como vocês destacaram no seu encontro, são muitos os fatores que condicionam a fidelidade nesse tempo de mudança de época em que se torna difícil assumir compromissos sérios e definitivos. Neste sentido, Francisco destacou alguns desses fatores:

“O primeiro fator que não ajuda a manter a fidelidade é o contexto social e cultural em que vivemos. De fato, vivemos imersos na chamada “cultura do fragmento”, do  “provisório”, que pode levar a viver “à la carte” e ser escravo da moda. Esta cultura leva à necessidade de se manter sempre abertas as “portas laterais” para outras possibilidades, alimenta o consumismo e esquece a beleza de uma vida simples e austera, provocando muitas vezes um grande vazio existencial”.

Vivemos em uma sociedade onde as regras econômicas substituem as leis morais, ditam e impõem seus próprios sistemas de referência em detrimento dos valores da vida; uma sociedade onde a ditadura do dinheiro e do lucro defende sua visão de existência. Em tal situação, disse o Pontífice, é preciso primeiro deixar-se evangelizar e, depois, comprometer-se com a evangelização. Assim, apresentou outros fatores ao contexto sócio-cultural:

“Um deles é o mundo da juventude, um mundo complexo, rico e desafiador. Não faltam jovens generosos, solidários e comprometidos em nível religioso e social; jovens que buscam uma vida espiritual, que têm fome de algo diferente do que o mundo oferece. Mas, mesmo entre esses jovens, há muitas vítimas da lógica do mundanismo, como a busca do sucesso a qualquer preço, o dinheiro e o prazer fáceis”.

Essa lógica, advertiu o Papa, atrai muitos jovens, mas nosso compromisso é estar ao lado deles para contagiá-los com a alegria do Evangelho e de pertença a Cristo. Essa cultura deve ser evangelizada. Aqui, indicou um terceiro fator condicionante, que vem da própria vida consagrada, onde, além de uma grande santidade não faltam situações de contra testemunho que tornam difícil a fidelidade:

“Tais situações, entre outras, são: a rotina, o cansaço, o peso de gestão das estruturas, as divisões internas, a sede de poder… Se a vida consagrada quiser manter a sua missão profética e o seu encanto, continuando a ser escola de lealdade para os próximos e os distantes, deverá manter o frescor e a novidade da centralidade de Jesus, a atração pela espiritualidade e da força da missão, mostrar a beleza do seguimento de Cristo e irradiar esperança e alegria”.

Outro aspecto ao qual a vida consagrada deverá prestar especial atenção é a “vida fraterna comunitária”, que deve ser alimentada pela oração comum, a leitura da palavra, a participação ativa nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, o diálogo fraterno, a comunicação sincera entre os seus membros, a correção fraterna, a misericórdia para com o irmão ou a irmã que peca, a partilha das responsabilidades. A seguir, o Santo Padre recordou a importância da vocação:

“A vocação, como a própria fé, é um tesouro que trazemos em vasos de barro, que nunca deve ser roubado ou perder a sua beleza. A vocação é um dom que recebemos do Senhor, que fixou seu olhar sobre nós e nos amou, chamando-nos a segui-lo mediante a vida consagrada, como também uma responsabilidade para quem a recebeu”. 

Falando de lealdade e de abandono, disse ainda Francisco, “devemos dar muita importância ao acompanhamento. A vida consagrada deve investir na preparação de assistentes qualificados para este ministério. E concluiu dizendo que “muitas vocações se perdem por falta de bons líderes. Todas as pessoas consagradas precisam ser acompanhados em nível humano, espiritual e profissional. Aqui entra o discernimento que exige muita sensibilidade espiritual. (MT)

Quem Planta Amor, Colhe o Céu!

Não sei se você já fez uma experiência super interessante que é plantar um feijãozinho e acompanhar todas as suas fases de crescimento… se ainda não fez, te convido a plantar um hoje. Toda semente carrega dentro dela uma vida, que se plantada e cuidada produz um fruto… e no caso do feijão, com certeza dará feijão… assim, se plantar maçã, você não terá como colher mamão. Se você olhar dentro da vagem que nasce deste feijãozinho, encontrará vários feijões. Tem um ditado popular muito verdadeiro que diz o seguinte: O QUE VOCÊ PLANTA, VOCÊ COLHE.

Conta uma história que todas as atitudes de amor que temos aqui na Terra, como ajudar as pessoas que precisam de nós, ajudar os nossos pais a cuidar da casa, cuidar das pessoas que são mais velhas e precisam de nós, ajudar nossos amigos na escola, ajudar nossos irmãos, enfim fazermos o bem… é como se fôssemos ajuntando tijolinhos no céu e quando chegar o nosso dia de ir pra lá, com o tanto de tijolos que tivermos mandado, é que será construída a nossa casa no céu, onde moraremos para sempre. Que tamanho será a sua casa, heim???

Portanto, quem planta AMOR, vai colher amor e ainda vai ganhar uma enorme casa no céu. E quanto mais amarmos, mais perto vamos estar de Jesus e também de Nossa Senhora.

Por falar em Nossa Senhora, imagina só como deve ser lindo o palácio de amor em que ela mora, bem no coração de Deus, isto tudo pelo quanto ela amou e nos ensinou a amar.

Para termos uma idéia do tanto que ela plantou amor, quando chegou o dia dela ir pro céu, os anjos vieram buscá-la.

Hoje Deus preparou algo muito especial para nós. Ele quer nos falar um pouco de sua mãe: Maria Santíssima.

Você assistiu o filme “Maria, mãe de Jesus”? Pois ele mostra um pouco do que Maria viveu e como viveu.

Era uma mulher simples, atenciosa, amorosa, gostava de ajudar as pessoas, era boa filha, e o mais importante, era alguém que rezava e conhecia bem a Palavra de Deus.

Foi a escolhida por Deus Pai, para gerar, cuidar e educar seu filho Jesus, juntamente com José. Maria ficou grávida pela ação do Espírito Santo, após nove meses Jesus nasceu num estábulo, pois não havia lugar para abrigá-los naquela cidade de Belém onde estavam.

Que mulher corajosa não!? Ter seu filho junto com os animais (burrinhos, bois, vaquinhas e etc), mas estava feliz, pois seu filhinho nasceu forte e bonito e era aquecido pelo bafo destes animais.

Voltando alguns dias depois para casa em Nazaré, foi cuidando de Jesus, dando banho, papinha e mama. Conversava com o seu filho, brincava com ele, viu seus primeiros passinhos e escutou suas primeiras palavras.

Maria era feliz!

Com o tempo, Jesus foi crescendo, passou pela adolescência e se tornou adulto. José o ensinou o oficio de carpinteiro e sua mãe o ensinou tudo sobre Deus e sua palavra. Rezavam juntos todos os dias e Jesus foi crescendo cheio de graça e sabedoria.

Maria participou dia-a-dia da vida de seu filho, cozinhando para ele, lavando suas roupas, indo a festas juntos, ensinando a ler e escrever, conhecia suas amigos, iam à Sinagoga (templo = Igreja) rezar e ouvir a Palavra de Deus. Ela sempre foi muito presente na vida de Jesus, renunciava muitas coisas para estar junto dele e servi-lo.

Aos 30 anos, Jesus começou a sair para as cidades vizinhas e povoados distantes, para levar o amor de Deus e mostrar a todos como era viver bem, deixando os pecados de lado, mudando de atitude, ensinando-os a rezar e a ter uma vida nova.

Nessa época Maria não ia junto, mas ficava em oração por toda obra evangelizadora realizada por Jesus e seus discípulos.

Sofreu muito quando o seu filho foi perseguido, bateram nele com chicotes, coroaram-no com espinhos e o levaram para ser crucificado.

Caminhou com Ele até o Calvário e viu o seu Jesus morrer na cruz. Seu coração estava esmagado pela dor do sofrimento.

Quando desceram Jesus da cruz, segurou-o em seus braços pela última vez. As lágrimas escorriam no seu rosto vendo seu filho morto e humilhado injustamente. Mas, mesmo assim seu coração estava cheio de esperança, pois sabia que não terminava ali aquela dor.

Depois presenciou Jesus ressuscitado: que alegria!!!

Maria viveu a sua vida toda santamente, sem reclamar, murmurar, acusar ou julgar quem quer que seja.

E você reclama? Murmura? Acusa os outros? Faz julgamentos?

Maria serviu toda a sua vida, rezou o tempo todo, estava sempre atenta em tudo e guardava tudo no seu coração.

Você ajuda a quem precisa, a qualquer hora? Reza sempre? Fica sempre atento a tudo que acontece para saber o que pode fazer? E ao invés de brigar, falar mal, julgar, guarda tudo em seu coração?

Pois bem, foi por tudo o que ela viveu, como aceitou e acolheu tudo, que recebeu uma grande graça, uma grande bênção, um grande presente de Deus: FOI LEVADA AOS CÉUS DE CORPO E ALMA. O que significa isso?

Você já rezou o terço? Nos “Mistérios Gloriosos” contemplamos a “Assunção de Nossa Senhora ao céu”. É justamente isto: Maria não morreu, foi levada ao céu de corpo e alma. Fico imaginando Jesus vindo buscá-la e juntamente com os anjos levando-a para o céu.

É um mistério lindo, que também nós viveremos um dia, quando Jesus vier em glória.

Se já tivermos morrido, ressuscitaremos e se estivermos ainda vivos veremos com nossos olhos o que Nossa Senhora já viu, a glória de Deus e conheceremos o céu. Você quer esse presente?

Ah! Mas vai depender também de você, das suas atitudes, da sua maneira de amar, de ajudar os outros, de rezar e querer cada vez mais conhecer as coisas de Deus.

Se você tiver dificuldade, pense em como foi a vida de Maria e peça que ela te ensine.

Experimente, vale a pena!!!

Que Maria, Mãe de Jesus e nossa interceda por você e por mim.

Amém!!!

Fonte: Denize Simões Ferreira – Diocese de Franca  

 

MANUAL DE PSICOLOGIA DE MARIA MÃE DE JESUS

Há sete manifestações verbais de Maria nas Escrituras.

Inicia-se com sua primeira resposta/pergunta  -“MAS COMO ISTO PODE SER?” Segue-se por – “FAÇA-SE A SUA VONTADE”. Continua com a terceira (implícita) de sua SAUDAÇÃO À ISABEL. Em resposta ela rejubila com o – MAGNIFICAT. Continuamos – “POR QUE NOS FEZ ISTO?” – “ELES NÃO TÊM MAIS VINHO”.

Pontua-se com – “FAÇAM TUDO O QUE ELE VOS DISSER”.

MAS COMO? – Maria nos faz perceber que sempre existem dúvidas, dificuldades, incertezas, não conhecimentos. Em outras palavras, conflitos.  Nessas primeiras palavras, anuvia suas dúvidas sem querer provas, ou sorrindo incrédula. No caso, ela pensou que ela não sabia como, mas Ele saberia. Nas grandes dificuldades que enfrentamos como pais e mães quase nos afogamos exatamente nas dúvidas, incerteza, temores. Hoje em dia nas opções de valores para os filhos quando uma sociedade insiste em mostrar um lado inverso, chefiado por um outro deus qualquer é pergunta constante em todos os dias – “Mas como?”.

Ela não fica quieta, aguardando toda a comunicação do anjo Gabriel de olhos baixos e sem ousar se manifestar. Não, ela não se cala. Ela ousa e se manifesta. Uma característica de personalidade para os participativos que não temem uma atitude de iniciativa. Dá continuidade àquela conversa e a um novo rumo para a humanidade, demonstrando não haver impossibilidades superiores.

O fato psicológico, deste momento de Maria, fica por conta de ela questionar, querer entender, descobrir, saber o que aceitar. Todos estes raciocínios, referentes a atitude crítica, muitas vezes vitais. Podemos invocar por ela, nestes momentos em que senso crítico é necessidade.

Como num diálogo o anjo Gabriel retoma a palavra que agora era dele e a informa que o Espírito Santo estará com ela e que o poder do Altíssimo lhe cobrirá com sua sombra.

Ela é consciente de que GRANDES COISAS se reservam realmente para aqueles que abrem a porta ao Seu chamado. É a segunda manifestação de Maria. – “SOU A SERVA DO SENHOR, FAÇA-SE O QUE ELE DIZ SER PARA MIM”.

Este foi o SIM. Sim para Deus e para todos nós.

Como fator psicológico, desta passagem bíblica, fica o que a psicologia mais gosta – tomar consciência, vivenciar, tornar-se presente no que é preciso e válido.   A terceira manifestação nos vem implícita pela saudação de Maria a sua prima Isabel, que com sua resposta de alegria ouve a continuidade do quarto momento de pronunciamento de Maria. “MINHA ALMA GLORIFICA AO SENHOR, MEU ESPÍRITO EXULTA DE ALEGRIA EM DEUS MEU SALVADOR, PORQUE OLHOU PARA SUA POBRE SERVA”. É muito importante reavivar esta capacidade de auxílio, altruísmo, extroversão em ir alem de si mesma. Muitas famílias são marcadas pelo egoísmo, constante de ser apenas elas, serem ‘centros egocêntricos’ do mundo, não se ensinando a colaboração, a ajuda nas dificuldades de outras pessoas e a abrir espaços necessários. Há todo um fator psicológico em partilhar, cooperar e conviver. Ainda pelo Magnificat ela demonstra uma maravilhosa auto-estima – “O Senhor fez em mim maravilhas…”

Hoje em dia acha-se que as características da auto-estima estão voltadas para se defender do que se acha que é baixa-estima, muito questionável principalmente em relação à educação de filhos. Fica tudo invertido e auto-estima merece outro conceito. Vale analisar toda esta passagem completa, pois toda a maravilha do MAGNIFICAT nos mostra o poder, a bondade a misericórdia de Deus acompanhando um bom princípio de auto-estima.

…E assim Jesus nasce e vai crescendo acompanhado por Maria. Poderíamos dizer que os dois crescem se acompanhando. Mãe também deve estar em constante crescimento para si mesmo e para seus filhos. – Mãe em crescimento. Mulher em crescimento. Crescer positivo, não imitando ou paralisando-se aos filhos mesmos ou querendo fazer suas coisas. Crescer para o mundo, com suas novidades, com suas ameaças, com suas atitudes. Tomar parte do mundo, pois ninguém faz se não é. Mãe não é só para prover recursos materiais e necessários, mas também inserir seu filho com elementos positivos neste mundo que aí está. Maria estava presente nas Bodas de Cana, ela estava presente aos pés da cruz.

No quinto momento o pronunciamento de Maria é a pergunta aflita feita a seu Filho com 12 anos de idade: -“POR QUE VOCÊ FEZ ISTO?”.

Na resposta que Ele estava se ocupando das coisas de seu Pai ela guardou em seu coração, mesmo que não a compreendesse bem.

Esta pergunta é constantemente feita pelos pais, sempre. Sabe-se bem o que é um momento torturante. É momento de apelos, orações, ameaças, temores fortes. Mas temos que corresponder às situações para poder encaminha-las para o lado positivo. Não ter receio de perguntar. Esta atitude é muitas vezes bem difícil. Saber respeitar, reorientar, acompanhar os filhos.

…E Ele e sua mãe continuavam em seus crescimentos.

E foram a uma festa de casamento.

No sexto momento ela fala diretamente com seu Filho, adulto, ao perceber que havia algo faltando. Ela avisa a seu Filho – “ELES NÃO TÊM MAIS VINHO”. Ele respondeu que não era ainda a hora dEle, mas ela insiste, pois ela sabe que sempre Ele lhe atende. E seu sétimo e último pronunciamento firme, seguro – “FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER” – parece um legado constante para o que devemos fazer.

Reler os evangelhos e buscar inspiração nos valores que passamos para nossos filhos. Na cruz Jesus apresenta Maria e João como mãe e filho. Jesus também diz, em outro momento, que seriam seus irmãos todos aqueles que ouvissem a palavra do Pai. Mas, pensamos que neste momento das Bodas de Cana é a própria Maria quem assume a maternidade de todos nós.

Este foi o primeiro milagre da vida pública de Jesus. Ele é introduzido na vida pública pelas palavras e, novamente, iniciativa de Maria, a mesma que lhe dá a vida física. Ele até titubeia a respeito de não ser sua hora, mas ela é firme, consciente e clara.

Desde o reencontro aos doze anos, para chegar neste ápice das bodas de Cana que não limitou negativamente seu filho, muitos usariam a palavra castração. Respeitou suas necessidades para Sua missão. Acompanhou seu desenvolvimento intelectual (sabe-se que Ele era conhecedor das Escrituras) e o “lançou” na vida pública.

Não deve ter sido nada fácil, embora sublime, ser mãe do Jesus humano. Mas ela, que desde a Anunciação percebemos não ser cabisbaixa demonstra acreditar na sua positiva autoridade. Autoridade dizendo (à humanidade) para fazermos tudo o que Ele nos dissesse. O que implicitamente era uma afirmação (ordem!) para que Ele fizesse o que era necessário.

Ela sempre pensa no bem dos outros, presta atenção aos que os rodeiam e esse desenvolvimento social é crescente desde o Jesus bebê convivendo com pastores, magos e homens de todas as classes e diferenças.

A maior psicologia de Maria é descobrir que nas fraquezas, nos sofrimentos, nas incertezas há toda a contrapartida da força, da transformação.

De fato Maria é um belo exemplo psicológico a ser refletido.

É Mãe por inteiro, pois sofreu, alegrou-se, desenvolveu-se junto com seu Filho, a ponto de não se intrometer, mas o encaminhando sendo, até, um ponto de referência para sua vida pública, o seu ‘deixar o ninho’.

Um bom lembrete – somos todos irmãos de seu Filho.

Fonte: Maria Lúcia Pedroso Yoshida

Santo Evangelho (Mt 19, 13-15)

19ª Semana Comum – Sábado 18/08/2018 

Primeira Leitura (Ez 18,1-10.13b.30-32)
Leitura da Profecia de Eze­quiel.

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Que provérbio é esse que andais repetindo em Israel: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram embotados?’ 3Juro por minha vida —oráculo do Senhor Deus —, já não haverá quem repita esse provérbio em Israel. 4Todas as vidas me pertencem. Tanto a vida do pai como a vida do filho são minhas. Aquele que pecar é que deve morrer. 5Se um homem é justo e pratica o direito e a justiça, 6não participa de refeições rituais sobre os montes, não levanta os olhos para os ídolos da casa de Israel, não desonra a mulher do próximo, nem se aproxima da mulher menstruada; 7se não oprime ninguém, devolve o penhor devido, não pratica roubos, dá alimento ao faminto e cobre de vestes o que está nu; 8se não empresta com usura, nem cobra juros, afasta sua mão da injustiça, e julga imparcialmente entre homem e mulher; 9se vive conforme as minhas leis e guarda os meus preceitos, praticando-os fielmente, tal homem é justo e, com certeza, viverá —oráculo do Senhor Deus. 10Mas, se tiver um filho violento e assassino, que pratica uma dessas ações, 13btal filho de modo algum viverá. Porque fez todas essas coisas abomináveis, com certeza, morrerá; ele é responsável pela sua própria morte. 30Pois bem, vou julgar cada um de vós, ó casa de Israel, segundo a sua conduta — oráculo do Senhor Deus. Arrependei-vos, convertei-vos de todas as vossas transgressões, a fim de não terdes ocasião de cair em pecado. 31Afastai-vos de todos os pecados que praticais. Criai para vós um coração novo e um espírito novo. Por que haveis de morrer, ó casa de Israel? 32Pois eu não sinto prazer na morte de ninguém — oráculo do Senhor Deus. Convertei-vos e vivereis!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!
— Ó Senhor, criai em mim um coração que seja puro!

— Criai em mim, um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

— Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

Evangelho (Mt 19,13-15)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo +  segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13levaram crianças a Jesus, para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, as repreendiam. 14Então Jesus disse: “Deixai as crianças e não as proibais de vir a mim, porque delas é o Reino dos Céus”. 15E depois de impor as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Helena, dedicou-se ao Cristianismo

Santa Helena, dedicou-se ao Cristianismo no tempo da liberdade religiosa

Nascida no ano de 255 em Bitínia, de família plebeia, no tempo da juventude trabalhava numa pensão, até conhecer e casar-se com o oficial do exército romano, chamado Constâncio Cloro.

Fruto do casamento de Helena foi Constantino, o futuro Imperador, o qual tornou-se seu consolo quando Constâncio Cloro deixou-a para casar-se com a princesa Teodora e governar o Império Romano. Diante do falecimento do esposo, o filho que avançava na carreira militar substituiu o pai na função imperial, e devido a vitória alcançada nas portas de Roma, tornou-se Imperador.

Aconteceu que Helena converteu-se ao Cristianismo, ou ainda tenha sido convertida pelo filho que decidiu seguir Jesus e proclamar em 313 o Édito de Milão, o qual deu liberdade à religião cristã, isto depois de vencer uma terrível batalha a partir de uma visão da Cruz. Certeza é que no Império Romano a fervorosa e religiosa Santa Helena foi quem encontrou a Cruz de Jesus e ajudou a Igreja de Cristo, a qual saindo das catacumbas pôde evangelizar e com o auxílio de Santa Helena construir basílicas nos lugares santos.

Faleceu em 327 ou 328 em Nicomédia, pouco depois de sua visita à Terra Santa. Os seus restos foram transportados para Roma, onde se vê ainda agora, no Vaticano, o sarcófago de pórfiro que os inclui.

Santa Helena, rogai por nós!

Vida Consagrada

Somos Consagrados  

A vida religiosa deve ser constituída com base na coerência, no testemunho e no amor

Já estamos em bom caminho do ‘Ano da Vida Consagrada’, e todos nós cristãos somos chamados a refletir sobre esse tema tão importante para a vitalidade do Evangelho, da Igreja e da visibilidade mais plena de Jesus no meio de nós.

O consagrado não é uma pessoa extravagante no seu ser, no seu vestir, no seu comer nem em seu comportamento, mas é um simples cristão que, sentindo no seu coração uma fortíssima atração para a pessoa de Jesus, chamado pela força do Espírito Santo, decide seguir mais de perto Jesus de Nazaré. Uma vida que revela visivelmente o seu empenho de viver o Evangelho e ser, onde ele estiver, um sinal vivo do amor de Jesus. O religioso vive no mundo, mas não quer ser do mundo.

Ele, escutando a voz do Senhor, quer colocar em prática a palavra do Salvador de “não se deixar escravizar pelas coisas do mundo”, por isso vive o seu voto de pobreza, manifesta que a única riqueza é Cristo Jesus. Vive o seu empenho de celibato, dando a todos o testemunho de que há um amor maior e uma fecundidade espiritual, que gera alegria, filhos e filhas espirituais. E vivem o voto da escuta e da “obediência”, para ser livre de tudo e de todos e ir pela geografia do mundo anunciando o Senhor Jesus.

O Papa Francisco, proclamando este o ano da vida consagrada, quis dar a este pequeno número de homens e de mulheres o valor que eles têm: “ser fermento e luz na Igreja e no mundo”. Os consagrados na população católica são um pequeno número, fala-se de um milhão e meio. Pouca gente, mas um grupo chamado a ser presença de qualidade e de força evangelizadora. Em vários momentos, o Papa Francisco tem falado que a vida religiosa não deve ser “light”, mas sim uma vida de coerência, de testemunho e amor.

O povo de Deus não deve ser expectador diante dos consagrados, mas sim uma voz que questiona, exige, coloca em crise os mesmos consagrados. O grande risco da vida religiosa, hoje, é não ser sempre capaz de anunciar o Evangelho com credibilidade. Há uma vida religiosa “teórica” e uma “prática”. Há um divórcio entre as duas que o povo e o mundo não aceitam e faz bem não aceitar.

Sabemos que a vida consagrada é uma riqueza carismática que se expressa de várias formas. Gostaria de colocar em evidência que, quando falo de vida “consagrada ou religiosa”, não estou preocupado com a terminologia, pois entendo todos os que se doam totalmente a Deus, por meio dos três conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, e não me preocupo de falar com precisão de linguagem das várias formas de vida consagrada: vida eremítica, vida religiosa, consagração secular, novas formas de vida consagrada, consagração das virgens etc. Todos nós somos chamados a viver este ano como nosso ano da vida consagrada. O Papa não declarou o ano da vida religiosa, mas sim da vida consagrada, quer dizer de todos os consagrados e consagradas.

Numa série de reflexões, tentaremos aprofundar vários aspectos da vida consagrada. Quem sabe assim eu mesmo me converto e alguém, ao ler, possa se sentir mais apaixonado por esse tipo de vida evangélica, seguir Jesus com paixão e entusiasmo e ser no mundo um sinal concreto de sua presença.

Frei Patrício Sciadini, ocd.
Delegado Geral da Ordem Carmelita no Egito

Vida consagrada: religiosa fala de renúncias e escolha vocacional

Quinta-feira, 22 de agosto de 2013, André Alves / Da Redação, com colaboração de Jéssica Marçal

Mosteiro de São João
Comunidade monástica de São João (Ordem de São Bento)

Desde o último domingo, 18, a Igreja celebra uma semana dedicada à Vida Consagrada; àqueles que servem, em tempo integral, à causa do Reino de Deus. São monges e monjas, freis e freiras, homens e mulheres consagrados a Deus em institutos de vida religiosa.

Inclusa neste ambiente de entrega, está a Irmã Maria de Nazaré, 71 anos. Ela é uma das monjas do mosteiro beneditino São João, em Campos do Jordão, interior paulista, e há dez anos ingressou na Ordem Religiosa de São Bento.

Como a maioria das pessoas que assumem a vida consagrada, Irmã Maria também fez renúncias ao responder ao chamado de Deus. Segundo ela, do ponto de vista humano, a principal renúncia foi a do convívio familiar. No entanto, explica que, chegando ao mosteiro, entendeu que não houve um abandono da família, mas uma presença diferenciada.

“Nós, como intercessoras aqui no Mosteiro, entendemos que trazemos todos os homens, todas as famílias, todas as circunstâncias e oferecemos a Deus a cada dia e pedimos por eles. Então, eles estão muito próximos de nós”, disse.

Apesar de ter deixado a família, a religiosa considera que a principal renúncia foi a da própria vontade. Segundo ela, é necessário ao vocacionado entrar numa atmosfera de despojamento; deixar tudo, inclusive as certezas humanas. “A gente tem que se esvaziar e se tornar discípulo”, diz a religiosa. “Para ser discípulo não é possível vir com a taça cheia porque você não vai conseguir aprender como se dá a caminhada dentro da vida monástica”, afirmou.

Irmã Maria viveu no Rio de Janeiro durante muitos anos, em meio a uma vida ativa e com trabalhos pastorais. Para ela, ter deixado tudo isso, a família, os projetos e até sonhos pessoais foi uma atitude certa. “Certíssima! Demorei muito tempo para entender que o trabalho que fazia tinha essa conotação de serviço e que este seria feito de uma outra forma e até com mais qualidade num mosteiro. No meu caso foi certíssima, e eu dou graças a Deus pela minha vocação”.

Para Irmã Maria, ser consagrada a Deus significa viver a vida cristã em sua plenitude e radicalidade, sem negar nada a Cristo. Representa também a alegria de ter ouvido o chamado de Deus e respondido “sim”, o que para ela é motivo de profunda gratidão.

“Nós devemos rezar agradecendo esse chamado. Rezar com um espírito de gratidão por Ele [Cristo] ter nos escolhido e chamado para viver a vida cristã na sua plenitude dentro de um mosteiro”.

O chamado à vida consagrada não foi exclusividade da Irmã Maria de Nazaré; outros familiares também aceitaram o apelo de Cristo e entregaram sua vida. Segundo a Irmã, na família do pai, há três sacerdotes e uma religiosa da Congregação das Irmãs Filhas de Santana, falecida com 65 anos de vida consagrada. Na linha materna, Irmã Maria é a primeira vocação religiosa.

A vocação à vida consagrada

Sinal e profecia para a comunidade e o mundo

A vida consagrada diz respeito a toda a Igreja; não é uma realidade isolada e marginal. A vida religiosa está colocada no próprio coração da Igreja. Ela é um elemento decisivo para a sua missão, já que exprime a íntima natureza da vocação cristã e a tensão da Igreja-Esposa para a união com o único Esposo. A vida consagrada faz parte da vida, santidade e missão da Igreja.

A profissão dos conselhos evangélicos coloca os consagrados como sinal e profecia para a comunidade dos irmãos e irmãs e para o mundo. A missão profética da vida consagrada vê-se provocada por três desafios principais lançados à própria Igreja, e esses desafios tocam diretamente os conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, estimulando a Igreja, e de modo particular as pessoas consagradas, a pôr em evidência e testemunhar o seu significado antropológico profundo. Na verdade, a opção por esses conselhos, longe de constituir um empobrecimento de valores autenticamente humanos, revela-se antes como uma transfiguração dos mesmos. A profissão de castidade, pobreza e obediência torna-se uma admoestação a que não se subestimem as feridas causadas pelo pecado original, e, embora afirmando o valor dos bens criados, relativiza-os pelo simples fato de apontar Deus como o bem absoluto.

Ainda ecoam fortes as admoestações recentes do Papa Francisco aos religiosos e religiosas acerca da sua missão no mundo. “Desculpem-me se falo assim, mas é importante esta maternidade da vida consagrada, esta fecundidade! Que esta alegria da fecundidade espiritual anime vossa existência, e sejam mães como a figura da Mãe Maria e da Mãe Igreja”, afirmou. “Mas, por favor, (que seja) uma castidade fecunda, uma castidade que gere filhos espirituais na Igreja. A consagrada é mãe, deve ser mãe, não uma ‘solteirona’, acrescentou.

Sim, o Papa Francisco nos anima a sermos fecundos na missão, no anúncio, no testemunho do Evangelho. Nosso Senhor Jesus Cristo nos disse: “Não tenham medo” (Mt 28,5). Como às mulheres na manhã da Ressurreição, nos é repetido: “Por que buscam entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24,5). Os sinais da vitória de Cristo Ressuscitado nos estimulam enquanto suplicamos a graça da conversão e mantemos viva a esperança que não defrauda.

O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, os sofrimentos pelos quais passamos, as incompreensões que muitas vezes são impostas em nossas caminhadas, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas todo o amor recebido do Pai, graças a Jesus Cristo, pela unção do Espírito Santo. Esta prioridade fundamental é a que tem presidido todos os nossos trabalhos que oferecemos a Deus, à nossa Igreja, a nosso povo, a cada um dos homens e mulheres a quem somos enviados, enquanto elevamos ao Espírito Santo nossa súplica para que redescubramos a beleza e a alegria de ser cristãos. Aqui está o desafio fundamental que contrapomos: mostrar a capacidade da Igreja de promover e formar discípulos que respondam à vocação recebida e comuniquem em todas as partes, transbordando de gratidão e alegria, o dom do encontro com Jesus Cristo, o Redentor. Não temos outro tesouro a não ser este.

Não temos outra felicidade nem outra prioridade que não seja sermos instrumentos do Espírito de Deus na Igreja, para que Jesus Cristo seja encontrado, seguido, amado, adorado, anunciado e comunicado a todos, não obstante todas as dificuldades e resistências. Este é o melhor serviço – seu serviço, querido religioso, querida religiosa, a quem quero agradecer o seu delicado e dedicado serviço, Deus seja louvado! – que a Igreja tem que oferecer às pessoas e nações.

Dom Orani João Tempesta, O. Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

As duas dimensões da família

O casal que reza junto não se separa diante das dificuldades

São Paulo diz que os maridos devem amar as suas esposas. Você está disposto a amar a sua esposa a ponto de se entregar por ela?  É dogma de fé que a Igreja é santa, nunca podemos dizer que a instituição criada por Cristo tem pecado, pois os pecados são dos filhos dela [Igreja], os pecados são nossos. E por que a Igreja é santa? Porque Cristo entregou-se por ela na cruz, para que ela fosse sem mácula.

Pela mentira o demônio quer destruir os casamentos, quando se mente para o marido ou para a esposa, você está dando ocasião para o maligno.  A porta por onde o demônio entra tem nome, se chama pecado, por isso o casal não pode pecar.

Quando o casal está unido no amor de Deus, ninguém o separa. O amor é que une o casal, São Paulo diz que o amor é paciente, é bondoso, não busca os próprios interesses, não acaba nunca, só o amor faz com que perdoemos uns aos outros até mesmo quando um errou com o outro.

É preciso que nos alimentemos do amor de Deus. E isso vai acontecer onde? Na Igreja, na Eucaristia, na oração, pois o casal que reza junto não se separa diante das dificuldades, pois tem forças para superar todos os problemas.

A família tem duas dimensões: a primeira dimensão é o “casal” e a segunda, são os “filhos”. A família é sagrada, ela não foi instituída por homem, por um papa, mas por Deus. Deus Pai quis dar uma ajuda adequada ao homem, por isso, deu-lhe a mulher como vemos no livro do Gênesis. A mulher foi a última criação do Senhor, foi o ápice da criação.

O Todo-Poderoso quis que, na raiz da família, houvesse uma aliança e por essa razão os casais hoje trazem uma aliança em suas mãos. O Papa São João Paulo II pedia: “casais cristãos sejam para o mundo um sinal do amor de Deus”, de forma que – quando os demais (casais) virem superando os problemas existentes no mundo – possam ver o amor de Deus.

O Criador deseja que, através do sacramento do matrimônio, homem e mulher sejam uma só carne, que sejam um só coração, uma só alma, um só espírito. Infelizmente, existem pessoas que estão casadas há anos, porém, ainda não parecem estar casadas.

Falo também aos jovens: se você brincar com seu namoro, você já está destruindo seu casamento, pois ele [namoro] é o alicerce para um casamento, é a preparação, a parte mais demorada, mais difícil. O Papa lá em Sidney, na Austrália, pede ao jovens que aceitem o desafio de viver na castidade, pois um casal só pode se unir e ter uma relação sexual após o casamento, que é o tempo propício para isso.

Jovens cristãos, está na hora de dar uma lição ao mundo. Na África, onde a AIDS mais acontece, em Uganda eles conseguiram baixar de 26% para 5% a contaminação da população do país, pois o presidente católico fez uma campanha para que vivessem o sexo somente no casamento, tantos os jovens como os casais já casados.

Hoje estão colocando máquinas de camisinha nas escolas para que os jovens as usem; porém, eu digo: ensine seu filho a não fazer isso, pois eles devem aprender que seus corpos são um templo santo e não podem viver como o mundo ensina.

O remédio não é empurrar os jovens para o sexo fácil, mas sim, viver a castidade!

Prof. Felipe Aquino

Orçamento familiar: um papo para todos!

Cuidado com o dinheiro que ‘escorre pelo ralo’

Começo de ano, sempre há muitas contas para pagar: despesas com a escola, com o carro, com as festas do fim de ano e tudo o que é típico desta época. Problemas à vista? Não, caso você decida organizar suas finanças.

A melhor situação, nesse caso, quando falamos do orçamento familiar, é tratar do assunto em família. Em muitas casas, apenas o marido é responsável por trazer a renda para casa. Em outras, marido e mulher. Mas e os filhos? Onde entram nessa história? Entram exatamente na necessidade de participarem da vida financeira da família, ou seja, desde pequenos, eles podem aprender a poupar, especialmente, saber usar bem o dinheiro.

Alguns passos são importantes para resolver questões financeiras em sua família. Vamos a eles:

1) A família precisa estar envolvida: saber o que gastar, como gastar, quais as prioridades (por exemplo, quitar um carro, uma casa, pagar dívidas pendentes, economizar nos gastos dos passeios, optar por passeios mais baratos ou gratuitos ou mesmo privar-se de algumas coisas faz parte do que chamamos de educação financeira). Ao colocar a família participando, o assunto se torna mais coletivo e compromete a todos em busca de um objetivo comum.

2) O que tenho para pagar? Muitas vezes, as famílias estão com dívidas que são três, quatro ou mais vezes o valor do salário mensal. Logo, há muito mais gastos do que dinheiro para receber. Equilibrar essas despesas é muito importante. Você sabe o que tem para pagar? Tem ideia de quanto gasta no mês? Acha que as suas dívidas estão um pouco exageradas? Coloque tudo no papel. Na internet, você pode encontrar muitos modelos de planilhas ou aplicativos para seu celular, que ajudam você, de forma simples, a controlar tudo isso.

3) Procure eliminar as dívidas: avalie o que tem juros mais altos, se existem contas que podem ser negociadas, procure comprar à vista e pedir desconto (as lojas têm concedido descontos de até 10 ou 12 % quando se opta pelo pagamento à vista em dinheiro ou cartão de débito). Tem pago apenas o mínimo da fatura do cartão de crédito? Procure fazer um esforço, pois os juros são altíssimos e, quando acumulados, aumentam muito seu débito.

4) Faça uma reserva financeira: faça o propósito de guardar parte do seu salário por mês. Assim, você se previne para situações de risco ou mesmo emergências em saúde ou desemprego.

5) Cuidado com o dinheiro que “escorre pelo ralo”: pequenas despesas, presentes, aquele jantar extra, aquela compra que você caracteriza como “eu mereço, porque…..” podem desequilibrar seu orçamento. É claro que podemos ter tais atitudes, mas se já existe um desequilíbrio nas suas contas, vale a pena pensar num presente alternativo, em algo que você sabe fazer ou evitar tais despesas para uma tranquilidade posterior.

6) Não encare isso como um sofrimento: estudos revelam que 15% dos trabalhadores sofrem estresse por problemas na forma de usar seu dinheiro. Logo, se há estresse nesta área, é porque as finanças não foram bem trabalhadas, e os problemas tendem a aumentar. Se houver um sacrifício, hoje, haverá paz amanhã, e isso, certamente, valerá muito a pena.

Que essas dicas possam ajudar você e sua família. Tenha tranquilidade para falar sobre esse assunto com a sua família. Vamos conversar mais sobre isso?

Elaine Ribeiro
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Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp

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