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Sobre missa de cura, exorcismos e libertações

Pe. Marcélo Tenorio
http://www.perfeitadevocao.org/site/TradicaoCatolica.php?id=267

I – Apresentação

Têm sido disseminadas nos meios católicos as famosas orações e Missas de “Cura e Libertação”.

Essa prática, estranha à teologia do Aquinate, quer no âmbito privado ou na da Sagrada Liturgia da Missa, tem gerado confusão, perplexidade e, em muitos casos, escândalos entre os fiéis que não reconhecem nesta forma “nova” de culto, a sua identidade católica.

O presente artigo já estava pronto quando chegou em minhas mãos um católico, lúcido, oportuno e eficaz pronunciamento episcopal dos bispos de Medellim e Puebla condenando essas missas ditas de Cura e Libertação, porque “apresentam  aspectos e procedimentos que não estão de acordo com a doutrina, a liturgia e a prática pastoral da Igreja.”[i]

Continua o documento episcopal:

“Com o ambíguo nome de ‘Missa de Cura’ (pois em todas as missas a Palavra e o Corpo de Cristo podem nos curar) se designa uma certa maneira de manipular a celebração desse Sacramento, com interesses diversos que vão desde as melhores intenções até a simonia [n.d.r.: venda de bens espirituais]. É necessário evitar que este tipo de celebração se preste à exploração da emotividade, da necessidade de cura e da visão fantasiosa que algumas pessoas podem ter. Acima de tudo, nunca se pode aceitar que se faça negócio com o sofrimento das pessoas.”[ii]

“[…] Junto com as erroneamente chamadas “Missa de cura” também são promovidos exorcismos, unções, orações de libertação e outras práticas que alteram gravemente o sentido da vida sacramental da Igreja. Na realidade, através da catequese e de celebrações dignas, devemos procurar que tanto a Eucaristia como os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, instituídos por nosso Senhor Jesus Cristo, ajudem com a graça de Deus às pessoas que precisam de auxílio espiritual.”[iii]

As Missas e Orações de Cura e Libertação, quase sempre têm inclusos outros “fenômenos” carismáticos, tais como oração em línguas estranhas, revelações e o mais que estranho repouso no espírito.

Quanto à “oração em línguas” e a catolicidade da RCC, já nos detivemos aqui em nosso blog.[iv] Agora queremos discorrer sobre a missa e oração de cura e Libertação: sua origem, teologia, como também sobre os demais carismas que “auxiliam” e aparecem presentes nessa prática.

II – Pronunciamento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé

Antes de tudo é importante relembrar o que a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé ensinou e legislou sobre o assunto, pela  pena do então Cardeal Ratzinger, hoje Sua Santidade, o Papa, no documento intitulado “Instrução sobre as Orações para alcançar de Deus a Cura.”[v]   Fala o ex Santo Ofício:

“O anseio de felicidade, profundamente radicado no coração humano, esteve sempre associado ao desejo de se libertar da doença e de compreender o seu sentido, quando se a experimenta. Trata-se de um fenômeno humano que, interessando de uma maneira ou de outra todas as pessoas, encontra na Igreja particular ressonância. Esta, de facto, vê a doença como meio de união com Cristo e de purificação espiritual e, para os que lidam com a pessoa doente, como uma ocasião de praticar a caridade. Não é só isso porém; como os demais sofrimentos humanos, a doença constitui um momento privilegiado de oração, seja para pedir a graça de a receber com espírito de fé e de aceitação da vontade de Deus, seja também para implorar a cura.”

Fica claro que a Santa Igreja ensina ser o momento de enfermidade como rico e propício ao crescimento da alma levando-a a uma maior união com Deus e favorecendo a compreensão em relação à vida e à existência nesse mundo.

A Graça de Deus tanto está para os que sofrem, como para aqueles que cuidam com generosidade dos enfermos, e também para aqueles que se edificam com o testemunho de resignação de tantos que, no momento da dor, unem-se à paixão de Nosso Senhor e, por ela, conseguem a sua própria salvação.

Também são católicas as intercessões para se pedir a cura, segundo a vontade de Deus, dos que sofrem. Assim fundamentou-se a Igreja e sustentou a devoção aos santos, recorrendo à sua valiosa ajuda.

É importante perceber que se por um lado a Sagrada Congregação atesta a catolicidade e, portanto, legitimidade das orações que suplicam a Deus pela cura física, de outro mostra-se preocupada com essa forma “diferente” de se rogar  a cura, justamente por  ela conter maneiras estranhas à doutrina de sempre da Igreja, como atestaram os bispos mexicanos, acima.

Vejamos o que nos diz o documento da “Doutrina da Fé”:

“A oração que implora o restabelecimento da saúde é, pois, uma experiência presente em todas as épocas da Igreja e naturalmente nos dias de hoje.”

Entretanto, em seguida, pondera:

“Mas o que constitui um fenômeno sob certos aspectos novo é o multiplicar-se de reuniões de oração, por vezes associadas a celebrações litúrgicas, com o fim de alcançar de Deus a cura. Em certos casos, que não são poucos, apregoa-se a existência de curas alcançadas, criando assim a expectativa que o fenômeno se repita noutras reuniões do gênero. Em tal contexto, faz-se por vezes apelo a um suposto carisma de cura.”

Logo de início o presente documento nos traz luzes importantes para a compreensão do problema. Expomo-las aqui de maneira simples e pontual.

1. Nada é pacífico, nem conhecido, pois se assim o fosse a Sagrada Congregação não emitiria um documento de tamanha importância sobre o assunto, nem tampouco analisaria a questão, visto que sendo católica a prática, bastaria uma nota desta mesma Congregação autenticando a forma e fundamentando-se no Magistério Perene da Igreja.

2. O assunto é tratado como “fenômeno” e como “novo”. É claríssimo que por “fenômeno” não se compreende uma intervenção sobrenatural de Deus, já que o termo é bem usado em várias ciências, sobretudo na sociologia e antropologia hodiernas. Quanto ao “novo”, quer indicar justamente algo desconhecido à Igreja (o que já deveria ser motivo, mais que suficiente, às indagações e suspeitas de um fiel atento à doutrina apostólica). Algo “desconhecido” quanto prática religiosa eclesial, mas não quanto à forma protestante pentecostal, já conhecidas por seu subjetivismo nocivo à fé.

III – A condenação das novidades e o afastamento da Teologia de Santo Tomás  

Vários Papas condenaram as “novidades” que muitos tentaram introduzir no seio da Igreja. Assim o grande Papa Pio XII, logo após a II Guerra Mundial expressa-se preocupado:

“[…] Nós assinalamos, não sem preocupação nem sem temor, que alguns são excessivamente ávidos de novidade e se transviam fora dos caminhos da sã doutrina e da prudência. Porque, querendo e desejando renovar a santa Liturgia, eles promovem, muitas vezes, a intervenção de princípios que, em teoria ou na prática, comprometem esta santa causa e, às vezes até as mancham com erros que afetam a fé católica e a doutrina ascética. A pureza da fé e da moral deve ser a regra principal desta ciência sagrada que é preciso conformar em todos os pontos aos mais sábios ensinamentos da Igreja. É, portanto, Nosso dever louvar e aprovar tudo aquilo que é bom e conter ou censurar tudo aquilo que se desvia do caminho justo e verdadeiro…” [vi]

E ainda:

“[…] Existem hoje alguns [entre os doutores católicos], assim como nos tempos apostólicos, que se apegam mais do que convém às “novidades” no temor de passar por ignorantes de tudo o que arrasta um século de progressos científicos: constata-se, então, que eles, na sua pretensão de se subtrair da direção do Magistério sagrado, se vêm em grande perigo de se afastar pouco a pouco da verdade divinamente revelada e de induzir outros a irem com eles ao erro. – As “novas opiniões”, quer se inspirem elas em desejo condenável de “novidades”, quer em qualquer louvável razão […]”[vii]   Aqui o Papa constata o centro e a causa da crise: o abandono da teologia oficial da Igreja, isto é, a teologia de Santo Tomás!

“De fato, ó dor, os “amadores de novidades” passam naturalmente do desdém pela teologia escolástica à falta de atenção, até ao desprezo pelo próprio Magistério da Igreja que, com toda a sua autoridade, aprova inteiramente essa teologia”.[viii]

Se na época de Pio XII já se via claramente uma fumaça sombria a se aproximar da Igreja, conclui-se que, à  época do Concílio Vaticano II e ao que se seguiu depois dele, a barca de Pedro tenha imergido em nuvens densas, por vezes escuras de uma desorientação quase geral que levou o próprio Papa Paulo VI a declarar, após o encerramento do Concílio: “esperávamos uma primavera e eis que veio uma tempestade!”

Aqui as “novidades” das mais variadas entraram pela porta da frente. E foram tantas!

Todavia, se hoje nos encontramos diante dessa novidade carismática e neo-pentecostal (e aqui está o motivo pelo que se separa da Sã Doutrina) é devido, sobretudo, ao abandono da teologia escolástica, como muito bem reconheceu o Santo Padre Pio XII.

IV – O Fenômeno “Carismático”

O fenômeno “carismático” teve seu início em meios católicos logo após o encerramento do Vaticano II. A origem de tudo encontra-se no protestantismo pentecostal. Sua fonte é a heresia luterana da supremacia do subjetivismo sobre a razão teológica. Para Lutero o conceito de fé deveria ser mudado, visto que para ele tratava-se de algo “experiencial”, empírico, livre de qualquer autoridade religiosa, pois que Deus revelar-se-ia no mais íntimo do coração do homem.

Nesse espírito, nada católico, aconteceu o início daquilo que mais tarde viria a ser chamada de “renovação carismática”, noutros países “renovação no espírito”.

Aliás, quanto à origem da RCC, temos duas: a mais conhecida e difundida nos livros e formações do movimento, é a chamada “Experiência de Duquesne”, onde fica clara a adesão de dois professores universitários à heresia protestante. A versão nova (talvez numa tentativa de deixar mais “católica” sua origem) é a inclusão da Beata Helena Guerra na história, já que, sendo devota do Espírito Santo, teria influenciado o Papa Leão XIII a pedir sobre a Igreja um “novo pentecostes”. Como não houve eco nos demais graus da hierarquia, o Espírito Santo teria passado direto, indo derramar-se sobre os protestantes… Aqui se vê claramente uma loucura sem medida, para não dizer uma grossa heresia, como se Deus pudesse derramar suas graças sobre o erro, na divisão e na apostasia.

Ora, vamos aos fatos: Em agosto de 1966 esses dois professores encontraram-se com Ralph Martin e Steve Clark na Convenção Nacional dos Cursilhos e receberam destes cópias dos livros “A cruz e o punhal” e “Eles falam em outras línguas”, que tratam da experiência pentecostal. Impressionados com tudo aquilo, procuraram um ministro da igreja episcopal que os conduziu a uma paroquiana sua chamada de Flo Dodge. Esta paroquiana, com seu grupo carismático fez com que eles recebessem o “batismo no Espírito Santo”.

Aqui vale uma rápida reflexão: o que levou dois católicos e cursilhistas a procurarem práticas estranhas às suas, comungando de doutrinas protestantes?  Por que se dirigiram a um “ministro” herético? Considero aqui duas coisas importantes: a busca do experiencial e a leitura de livros que não expressam a nossa fé. Novamente volta à pauta o desejo pelas “novidades” e agora, num mundo aberto às novas práticas, onde o homem é colocado ao centro, nada melhor que uma doutrina que valorize o sentir, o perceber e o viver do homem. E a isso se encaixam, como uma luva, o sentimentalismo e subjetivismo protestantes.

O resto da história já é conhecido. Animados pelo espírito protestante com sua teologia, misturados com neo-pentecostalismos e, maravilhados com os “carismas” que eram “derramados”, num primeiro momento, já em Duquesne, num retiro, rejeitada a programação já pronta, resolvem pregar essas novidades aos demais e, pela “imposição de mãos”, receberam o chamado “batismo no Espírito Santo”. Em pouco tempo isso cresceu. Muitos aderiram e, desgraçadamente, já se viam padres envolvidos…

V – A apostasia passa pela curiosidade – S. Pio X  

A curiosidade não freada, diz o Papa São Pio X, é suficiente para entender e explicar todos os erros, pois para ele a curiosidade é a mesma coisa que o espírito de novidade. Em nome da novidade muitos católicos mergulharam no erro por darem-se às leituras protestantes e a teólogos modernistas, além dos filósofos modernos. A apostasia passa pela curiosidade.

Já o mesmo papa, percebendo as manobras modernistas e como estavam presentes na Igreja, no início do século XX, escreveu a importante encíclica Pascendi Dominici Gregis, condenando explicitamente os erros do modernismo:

“[…] Por força desta doutrina, a razão humana fica inteiramente reduzida à consideração dos fenômenos, isto é,  só das coisas perceptíveis e pelo modo como são perceptíveis; nem tem ela direito nem aptidão para transpor estes limites…” [ix]

Sendo verdade que a RCC difundira na Igreja tais formas protestantes através de suas práticas, seminários e livros, também é verdade que hoje são largamente usadas com ou sem o aval do mesmo movimento, que de certa forma, perdeu o controle sobre isso por motivos diversos. Não é difícil encontrar leigos, religiosos e até sacerdotes que, usando o “jeito carismático” em suas práticas, não o fazem em nome do movimento, mas em seu próprio, de forma que músicas, maneiras, aeróbicas, estilos que antes pertenciam somente à RCC, hoje são disseminados  em todos os ambientes que valorizam o sentimento e buscam a primazia dos afetos, em sua grande maioria. Na verdade é a aplicação da filosofia fenomenológica que teve como patriarca Kant (com seu sistema anti-intelectual), e depois Husserl e Max Scheller.

O objeto da metafísica clássica é o ser. Já a fenomenologia centraliza-se na manifestação dos fenômenos, nas vivências e nas experiências.

VI – As orações de cura e libertação: uma análise

É nítida a diferença entre a oração que roga a Deus a cura e as formas carismáticas encontradas hoje. O próprio documento da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé nos aponta diferenciais.

Não se nega a eficácia da oração:

“As curas ligadas aos lugares de oração (nos santuários, junto de relíquias de mártires ou de outros santos, etc.) são abundantemente testemunhadas ao longo da história da Igreja. Na antiguidade e na idade média, contribuíram para concentrar as peregrinações em determinados santuários, que se tornaram famosos também por essa razão, como o de São Martinho de Tours ou a catedral de Santiago de Compostela e tantos outros. O mesmo acontece na atualidade, como, por exemplo, há mais de um século com Lourdes. Estas curas não comportam um «carisma de cura», porque não estão ligadas a um eventual detentor de tal carisma, mas há que tê-las em conta ao procurar ajuizar, sob o ponto de vista doutrinal, as referidas reuniões de oração.”

Primeiro ponto: Não há alguém, ou pessoas legitimadas com o carisma das curas, diferente dos ambientes “carismáticos” nos quais há sempre alguém que possui esse “poder” (que impõe as mãos, que reza, que intercede). Nas missas ditas “de cura e libertação”, sempre é o padre o protagonista, aquele “detêm” tal carisma, pode até ser auxiliado, mas é ele quem o possui. Assim também é no grupo de oração: há pessoas -ou pessoa- especificamente com esse “dom”. Tanto é verdade que é comum uma multidão acorrer a certas igrejas, abandonando sua paróquia, por causa da presença de certas pessoas (sacerdote ou não) consideradas pelos fiéis como “ungidas”. Logo, a eficácia da cura não se encontra na Missa e nos sacramentos por si mesmos, como ensina a teologia católica, mas no condutor ou pretenso “detentor” do pseudo poder.

Não é estranho que nesses ambientes surja um clima de fanatismo e supervalorização do mediador. Nas procissões com o Santíssimo Sacramento (dentro ou fora da missa), quem já não presenciou o padre com uma mão no ostensório e a outra no fiel, como se não bastasse Jesus mesmo ali presente? Num famoso programa de televisão, num desses momentos de “cura”, o sacerdote com uma mão no Santíssimo, a outra no microfone, despreocupava-se com o ostensório para procurar a posição melhor da câmera. Sobre o uso da exposição do Santíssimo Sacramento, ou procissão sem o fim para o qual reza a norma, que é a adoração, a Santa Igreja considera ilegítimo, como está abaixo, no Documento do Cardeal Ratzinger:

“[…]Também estas celebrações são legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de facto, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental”».   Nesses encontros o mediador é preponderante. Ele “realiza” curas e também as proclama com o anúncio solene do que ali está sendo realizado ao seu comando:

“Nesse momento Jesus está curando alguém que se encontrava…” “O Senhor me mostra, me revela, uma mãe aqui…”

É bem verdade que muitos santos tiveram o dom da ciência,  e sabiam  o que se encontrava no interior das almas. Padre Pio, por exemplo, era capaz de perceber toda a vida das pessoas que o procuravam. Entretanto numa vida profundamente humilde, sempre se deu por nada e jamais pediu a Deus as tantas graças nele derramadas, pelo contrário, tinha em conta o que fala a Imitação de Cristo:” Aquele que bem se conhece tem-se por vil e não se compraz nos louvores humanos.” ( I C, Cap. II,1).

É comum na RCC acontecerem os seminários de dons, onde, após rápida explicação sobre os carismas, todos são levados a pedir a Deus os dons carismáticos de revelações, curas, libertação  milagres e outros. Os que “sentem, no coração”, que foram agraciados, já podem servir à comunidade e, se forem bons em pregação e muitos confirmarem os “toques de Deus” através deles, então a fama se espalha, todos os procuram e, assim nascem os “novos ungidos”.

Sobre esta questão a Sagrada Congregação reprova e considera arbitrária a ideia de que o carisma de cura pertence a um grupo ou a pessoa. “Por conseguinte, nas reuniões de oração organizadas com o intuito de implorar curas, seria completamente arbitrário atribuir um «carisma de cura» a uma categoria de participantes, por exemplo, aos dirigentes do grupo. Dever-se-ia confiar apenas na vontade totalmente livre do Espírito Santo, que dá a alguns um especial carisma de cura para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Há que recordar, por outro lado, que nem as orações mais intensas alcançam a cura de todas as doenças. Assim São Paulo tem de aprender do Senhor que «basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder» (2 Cor 12,9) e que os sofrimentos que se têm de suportar podem ter o mesmo sentido do «completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja» (Col 1,24)”.   Na conclusão do presente documento encontramos as disposições disciplinares, que valem a pena ser lidas para o nosso conhecimento e também para perceber a distância daquilo que a Igreja ensina com aquilo que se faz hoje “ao Deus-dará!”

Art. 3  – § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27).

Aqui verificamos que há orações prescritas e que se encontram no ritual da Igreja Romana, excluindo-se a possibilidade de improvisos e a mistura com outras orações e formas, ou seja, a criatividade…

§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada (grifo do original).
§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo (grifo nosso).

Art. 7  – § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas” (grifo nosso).

Logo, não pode existir uma “Missa de Cura e Libertação”, com elementos estranhos à sagrada liturgia, mas sim a “Missa pelos Enfermos”, já prescrita no missal, sem alterações, nem criatividades.

Art. 8  – § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32) § 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas. § 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

Art. 10  – A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.

Como vemos, essas normas estão longe de serem cumpridas  pela RCC e a desobediência à voz da Igreja continua na ordem do dia. Mas, se não há obediência, como pode haver “intervenções sobrenaturais de Deus” em tais momentos? O principal critério para se discernir as ações do bom ou mau espírito, como ensina Sto. Inácio , é justamente a obediência que permeia toda a ação.

Não são poucas as pessoas que me procuram extremamente confusas pelo que foi por elas visto nesses momentos de oração, sobretudo perplexas com o que lá assistiram e tendo sua fé abalada até às bases.

Músicas emotivas que se repetem, gerando um clima propício ao sentimentalismo, embaladas por cantorias em línguas estranhas, enquanto pseudo exorcismos vão sendo realizados, numerosas pseudo curas e, o mais esperado é justamente, o “passeio com o Santíssimo Sacramento”. Aquele que dirige a oração convida a todos para colocarem fotos de entes queridos, já trazidas para esse fim, para tocarem no ostensório. Assim começa o “esfrega-esfrega” na custódia (como se Jesus não fosse onipresente), desrespeitando blasfemando o Santíssimo Sacramento. Mas não fica só nisso! Ainda com o Santíssimo, as pessoas são convidadas a se aproximarem e, ao simples toque no ostensório, puft! Repousam no “espírito”! Caem no chão! Ficam lá em “êxtase”. E a palavra é mesmo essa: “Êxtase”.

No livro chamado “O Repouso no Espírito”, o padre jesuíta Robert DeGrandis, compara esse “fenômeno” ao êxtase dos santos, como Santa Teresa d´Avila e outros místicos.

Ora, ensina a teologia mística que são três as vias de elevação da alma a Deus e que é somente na última via, a “unitiva”, que a alma começa a gozar dos enlaces do Amado.

Aqui se dão os êxtases e das revelações à alma dos segredos de Deus. Todavia nem todas as almas santas que atingiram o cume das virtudes e da santidade (próprias desta última via) passavam por tais experiências. A própria Teresinha do Menino Jesus, no auge de sua santidade, encontrava-se em profunda aridez, a ponto de dizer: “Amo-te, mesmo que me seja negado o paraíso”.

Conheço pessoas que “repousaram no espírito” nessas orações e missas e que dizem ter “experimentado” uma alegria profunda, mas vivem privadas da graça santificante por se encontrarem em pecado mortal por ato, ou por situação assumida, como adultério (segunda união), vida íntima no namoro, etc. Não é pequeno o número de pessoas que dizem ter passado por essas “experiências”, mas que ou jamais se aproximaram do sacramento da confissão (penhor de toda cura) ou que já estão distante dele por anos e anos.

Um padre carismático escrevia que o que acontece é simples: pela experiência “pessoal com Deus”, a pessoa é elevada já, pelo o que se chama de “batismo no Espírito” à última via do caminho espiritual, à via unitiva! Isso é tão absurdo: de uma gravidade e heresia sem tamanho, que nem vale a pena discorrer!

Os carismas como são aplicados nessas orações ou missas, ou ensinados pela RCC, sobretudo o chamado “repouso no Espírito”, não possuem nenhum respaldo no magistério da Igreja, quer ordinário ou extraordinário. Não existe nenhum documento da Santa Sé que autentique ou endosse como católicas essas estranhas práticas que nunca fizeram parte do comum da Santa Igreja. Todos os carismas, inclusive o dom das línguas, foram objetivamente ensinados e explicados pelos padres e doutores, sobretudo Sto. Tomás de Aquino, a quem devemos dar total e pronto acatamento.

 

A Santa Sé se pronuncia:
DANÇAS, MÚSICAS E APLAUSOS NA MISSA
Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Cidade do Vaticano – O clero, em todos os níveis, deve obedecer ao Papa: é a parte central da mensagem do Mons. Albert Malcolm Ranjith Patabendige, Secretário da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, entrevistado exclusivamente pelo site “Petrus”.

Mons. Albert Ranjith Patabendige, Indiano, é o Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Foi entrevistado pelo repórter Bruno Volpe, que publicou o teor da entrevista no site Petrus (http//www.papanews.it). Dessa entrevista vão, a seguir, publicados alguns dos tópicos mais salientes:

Excelência, que acolhida teve o Motu Proprio de Bento XVI que liberou a Santa Missa conforme o rito tridentino? Alguns, no seio da própria Igreja, viraram o nariz…

Mons. Ranjith: “Houve reações positivas e, é inútil negar, criticas e oposições também de parte de teólogos, liturgicistas, sacerdotes, Bispos e até de Cardeais. Francamente, não compreendo estas formas de afastamento e – por que não? – de rebelião contra o Papa. Convido a todos, particularmente os Pastores, a obedecer ao Papa, que é o sucessor de Pedro. Os bispos, em especial, juraram fidelidade ao Pontífice: sejam coerentes e fiéis ao seu compromisso”.

Segundo o senhor, a que se devem estas manifestações contrárias ao Motu Proprio?

Mons. Ranjith: “Como o senhor sabe, em algumas dioceses foram publicados documentos interpretativos que visam inexplicavelmente limitar o Motu Proprio do Papa. Por trás destas ações se escondem, por um lado, preconceitos do tipo ideológico e, por outro lado, o orgulho, um dos pecados mais graves. Repito: convido a todos a obedecer ao Papa. Se o Santo Padre julgou como seu dever promulgar o Motu Proprio, é porque ele teve os seus motivos com os quais eu concordo plenamente”.

A liberação do rito tridentino determinada por Bento XVI surgiu como um justo remédio a tantos abusos litúrgicos tristemente registrados depois do Concilio Vaticano II com o ‘Novus Ordo” (1)…

(1) …Novus Ordo é o rito posterior ao Concilio do Vaticano II

Mons. Ranjith: “Veja, eu não quero criticar o ‘Novo Ordo’. Mas, me vem de rir quando ouço dizer, até por amigos, que numa paróquia um sacerdote é Santo pela sua homilia, ou como fala. A Santa Missa é sacrifício, dom, mistério, independentemente do sacerdote que a celebra. É importante, melhor, fundamental, que o sacerdote se coloque de lado: o protagonista da Missa é Cristo. Não entendo, portanto, celebrações eucarísticas transformadas em espetáculo com danças, músicas ou aplausos, como muito frequentemente ocorre com o Novo Ordo”.

Monsenhor Patabendige, a Sua Congregação muitas vezes já denunciou estes abusos litúrgicos…

Mons. Ranjith: “Verdade. Há muitos documentos nessa linha que, infelizmente, ficaram letra morta, terminando em gavetas poeirentas, ou, pior ainda, no cesto de lixo”.

Um outro ponto: muitas vezes se ouvem homílias longuíssimas…

Mons. Ranjith: “Também isto é um abuso. Sou contra danças e aplausos no decorrer das missas, que não são um circo nem um estádio. Em relação às homílias, estas devem se referir, como salientou o Papa, exclusivamente ao aspecto catequético, evitando sociologismos e falatórios inúteis. Por exemplo, é comum sacerdotes tocarem na política porque não prepararam bem a homilia que, pelo contrário, deve ser escrupulosamente estudada. Uma homilia excessivamente longa é sinônimo de pouca preparação: o tempo ideal de uma pregação deve ser de 10 minutos, no máximo 15. Deve-se lembrar que o momento culminante da celebração é o mistério Eucarístico, sem com isto querer diminuir a liturgia da Palavra, mas salientar como deve ser aplicada uma correta liturgia”.

Voltando ao Motu Proprio, alguns criticam o emprego do latim durante a Missa…

Mons. Ranjith: “O rito tridentino faz parte da tradição da Igreja. O Papa oportunamente já explicou as razões deste seu ato, um ato de liberdade e de justiça com os tradicionalistas. Quanto ao latim, gostaria de salientar que nunca foi abolido, e é mais uma garantia da universalidade da Igreja. Mas eu repito: convido os sacerdotes, Bispos e Cardeais à obediência, deixando de lado todo tipo de orgulho ou preconceito”.

Sem comentários…

A objeção de consciência: autoridades, normas e liberdade

Tem se tornado tema frequente, nos últimos tempos, a questão da “objeção de consciência”, isto é, o direito, e até mesmo o dever, de não cumprir uma determinada ordem proferida por uma autoridade, porque esta ofenderia aquilo que nos diz a nossa consciência. Essa questão tem maior importância quando nos deparamos com determinadas propostas de lei que ofendem aquilo que é natural para a pessoa humana e, de modo especial, para a família. Para simplificar essa questão, recheada de significados técnicos, organizamos uma série de artigos que pretendem lançar luz sobre o assunto.

As perguntas que podemos fazer são: podemos nos opor às normas das autoridades? Em que circunstâncias? Isso pode ser feito em nome da consciência? E o que seria a consciência? Antes de respondê-las, todavia, convém estabelecer alguns pontos não menos importantes: por que devemos nos submeter às normas provenientes das autoridades – quer sejam elas morais (por exemplo, os filhos obedecerem os pais), religiosas (as normas da Igreja) ou jurídicas (o Direito)? Afinal, isso não ofenderia a nossa liberdade?

Começando pela questão da liberdade, lembro-me de uma observação do professor Luis Fernando Barzotto, a qual me fez notar aspectos importantes de uma conhecida fábula escrita pelo grego Esopo: “A Rã e o Escorpião”. Segundo essa história, o escorpião, pretendendo atravessar um rio e não sabendo nadar, pediu que a rã o levasse em suas costas. A rã, por sua vez, negou-se prontamente, alegando que ele era um predador da sua espécie e que era seu costume ferroar – e matar! – as rãs. Diante dessa negativa, o escorpião apresentou uma objeção invencível: disse à rã que, se ele a ferroasse, ela morreria e, por consequência, ele também morreria, porque, afinal de contas, não sabia nadar.

Nessas circunstâncias, a rã concordou em lhe oferecer ajuda. No entanto, no meio do rio, a rã sentiu uma profunda ferroada e, desde logo, percebeu que aquilo lhe tiraria a vida. Indignada, questionou o escorpião, perguntando-lhe se ele sabia o que tinha feito, pois, dessa forma, os dois iriam morrer. O escorpião simplesmente respondeu: “Essa é a minha natureza!”.

Esopo pretendia indicar, com essa fábula, uma diferença fundamental entre a natureza humana e aquela dos animais: o escorpião, mesmo sendo ajudado e destruindo a própria vida, não era capaz de contrariar suas inclinações naturais, os seus instintos. Os gregos, representados por Esopo, perceberam que os homens são diferentes, pois, mesmo que sejamos inclinados a determinados comportamentos (em virtude das condições biológicas, sociais etc), podemos nos afastar desses comportamentos em busca de um bem maior a ser realizado. Exemplo típico é a fidelidade matrimonial, pela qual nos afastamos de condicionamentos biológicos para buscar um bem maior: a família.

A liberdade, portanto, não está em seguir os nossos “instintos”, mas em nos afastarmos deles em busca de bens realmente humanos. A partir dessa concepção, a autoridade e as suas normas ganham outros contornos. Uma criança, deixada à própria sorte, sem uma família para educá-la, tenderá a satisfazer seus desejos (nem sempre bons) e se tornará “mimada”, incapaz de conviver com os outros e de superar os desafios que a vida lhe apresentará. As normas emitidas por seus pais, contrariando esses desejos, vão, no fundo, libertando a criança de seus “instintos” para que ela amadureça e se torne uma pessoa em sua plenitude, isto é, livre.

Em princípio, portanto, as normas e as autoridades – também as religiosas e as jurídicas – têm como objetivo justamente garantir a nossa liberdade, indicando-nos comportamentos que nos afastam de nossas más inclinações para que tenhamos condutas adequadas à nossa condição humana. No entanto, o que ocorre quando a normas – e as autoridades – não têm esse objetivo? Essa e outras perguntas é o que veremos nos próximos artigos.

Evandro Gussi
http://www.evandrogussi.com.br/

“Liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Na Missa em São Pedro, para a abertura do Sínodo, o Papa Francisco invoca para os Padres sinodais “liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Com a Missa concelebrada neste domingo de manhã, na basílica de São Pedro, pelo Papa Francisco, com os Padres sinodais, foi inaugurada a III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, que decorrerá no Vaticano ao longo de duas semanas, tendo como tema “Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização”.

Na homilia, comentando as Leituras deste domingo, Papa Francisco observou que a vinha do Senhor é o “sonho” de Deus, o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultar cuida da videira, com todos os cuidados… O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

E contudo, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços”. E no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses. Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente – advertiu o Papa. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar.

Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo.

No caso desta assembleia sinodal – recordou o Papa – o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. Contudo, a nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Para cultivar e guardar bem a vinha – sublinhou Papa Francisco, a concluir a homilia, dirigindo-se aos “Irmãos sinodais” – é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus.

A primeira intenção da Oração dos Fiéis, em chinês, invocou de Deus, para os Padres Sinodais o dom da paz: “Que a paz de Deus, que vai para além de toda a inteligência, conserve os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. Em português, rezou-se pelos povos em guerra… Em swahili, língua africana, rezou-se por todas as famílias – Para que a consolação do Espírito Santo as apoie nas dificuldades da vida quotidiana e as ajude as não se angustiarem em nenhum caso.

Eis o texto integral da homilia pronunciada pelo Papa:

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados! O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça. Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência. Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu. A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4). Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. A nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Irmãos, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).

Onomástico Papa Francisco: “É São Jorge moderno”

Monsenhor Karcher segurou o microfone na noite da eleição do cardeal Bergoglio – ANSA
23/04/2015

Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja recorda neste sábado (23/04), São Jorge e celebra, portanto, o onomástico de Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

A Rádio Vaticano entrevistou o sacerdote argentino Mons. Guillermo Karcher, membro do cerimonial pontifício e um dos colaboradores mais estreitos do Papa, que o conhece há mais de vinte anos.

Mons. Karcher: “Pensar hoje, neste onosmástico, no Santo do Papa, sendo o seu nome de Batismo Jorge, é bonito, porque quando penso nele e o vejo agir, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito realmente cristão. Nele vejo Cristo que semeia o bem, para combater o mal. Nisso ele é um exemplo, pois o fazia já em Buenos Aires e continua fazendo agora com aquela simplicidade que o caracteriza, que é tão forte, tão importante neste momento do mundo em que é necessária a presença do bem.”

Na Argentina, como cardeal, Francisco se apresentava como padre, como Pe. Jorge. Agora que é Papa, é forte esta dimensão da paternidade sacerdotal?

Mons. Karcher: “Sim, é verdade, mesmo porque ele é um jesuíta, é um padre e continua sendo. Me comove sempre todas às quartas-feiras, quando chegam os argentinos e muitos chamam o Papa Francisco de Padre, Pe. Jorge, Jorge. Realmente se nota a familiaridade, essa amizade que ele semeou durante anos em Buenos Aires, quando caminhava pelas estradas da cidade e ia visitar os lugares mais pobres da periferia da capital argentina. Eles continuam sentido ele próximo e o Papa se alegra e retribui com um sorriso, com um abraço, com um olhar paterno esta saudação que sai do coração das pessoas.”

Francisco tem um grande afeto e imensa popularidade, mas obviamente não faltam as críticas também do mundo católico. O senhor já viu o Papa triste por causa disso?

Mons. Karcher: “Não. São poucas as vezes que alguém faz um comentário assim. Ele sorri e diz: ‘Tudo bem. É melhor, pois assim conhecemos as pessoas’. Ele tem essa liberdade de espírito e essa força interior. Eu penso que seja um ungido pelo Espírito. Leva adiante o ministério confiado a ele pela Igreja para o bem da Igreja e do mundo, e o faz com serenidade e certeza de ânimo.”

O mundo é atraído pela espontaneidade de Francisco, mas no íntimo o Santo Padre é um homem de grande intensidade espiritual, imerso na oração. O senhor pode nos dizer alguma coisa sobre isso?

Mons. Karcher: “Sim, é uma pessoa que modelou, digo isso e reitero sempre, uma forte espiritualidade, porque é um homem de oração, um homem de Deus. Todos os dias ele dedica duas horas, pela manhã quando se levanta, à oração e reflexão. Depois vejo, como membro do cerimonial pontifício, a diferença que existe entre a sacristia antes e depois e a missa antes e depois. Explico melhor: ele é uma pessoa que gosta de cumprimentar todos os seminaristas, os ministrantes, e o faz, como o vemos na Praça São Pedro, com muito afeto. Depois que veste os paramentos litúrgicos, ele muda: vemos ele entrar na basílica ou se dirigir ao altar na praça como um homem de oração, homem concentrado no que está para celebrar, o mistério eucarístico. O mesmo acontece quando sai da nave central da basílica, quando todos chamam por ele: Francisco! Viva! Queremos bem a você! Ele, porém, vai em direção à sacristia. Isso é um exemplo também para o sacerdote, no sentido que nós estamos com o povo, mas quando devemos estar com Deus, estamos com Deus.”

Essas palavras são parecidas com as que o Cardeal Dziwisz disse como secretário de João Paulo II…

Mons. Karcher: “Sim. Posso dar testemunho também de João Paulo II, tendo sido membro ajudante do cerimonial pontifício, naquele tempo. Eles têm em comum essa presença de Deus, que se torna forte no momento oportuno.”

O senhor estava junto ao Papa Francisco na noite da eleição, segurava o microfone no qual Francisco falou pela primeira vez Urbi et Orbi. O que deseja ao seu bispo na festa de seu onomástico?

Mons. Karcher: “Que continue sendo si mesmo, com a sua coerência e transparência. Que continue assim, porque está fazendo tanto bem. Desejo que São Jorge o proteja e que ele continue lutando para o bem, semeando o bem como está fazendo agora.” (MJ)

São Jorge é santo mesmo?

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/04/23/sao-jorge-e-santo-mesmo/

Recebi um  e-mail de uma pessoa me perguntando:

“São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”

A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e  sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.

São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.

São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.

O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.

A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.

Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e  atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Continua a narração dizendo que  o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei  lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.

É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.

Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.

Segundo a tradição São Jorge foi condenado  à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia  que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua  coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.

Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (João 10,1-10)

4ª Semana da Páscoa – Segunda-feira 23/04/2018 

Primeira Leitura (At 11,1-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1os apóstolos e os irmãos, que viviam na Judeia, souberam que também os pagãos haviam acolhido a Palavra de Deus. 2Quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis de origem judaica começaram a discutir com ele, dizendo: 3“Tu entraste na casa de pagãos e comeste com eles!” 4Então, Pedro começou a contar-lhes, ponto por ponto, o que havia acontecido: 5“Eu estava na cidade de Jope e, ao fazer oração, entrei em êxtase e tive a seguinte visão: Vi uma coisa parecida com uma grande toalha que, sustentada pelas quatro pontas, descia do céu e chegava até junto de mim. 6Olhei atentamente e vi dentro dela quadrúpedes da terra, animais selvagens, répteis e aves do céu. 7Depois ouvi uma voz que me dizia: Levanta-te, Pedro, mata e come’. 8Eu respondi: ‘De modo nenhum, Senhor! porque jamais entrou coisa profana e impura na minha boca’. 9A voz me disse pela segunda vez: ‘Não chames impuro o que Deus purificou’. 10Isso se repetiu por três vezes. Depois a coisa foi novamente levantada para o céu. 11Nesse momento, três homens se apresentaram na casa em que nos encontrávamos. Tinham sido enviados de Cesareia à minha procura. 12O Espírito me disse que eu fosse com eles sem hesitar. Os seis irmãos que estão aqui me acompanharam e nós entramos na casa daquele homem. 13Então ele nos contou que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa e dizer: ‘Manda alguém a Jope para chamar Simão, conhecido como Pedro. 14Ele te falará de acontecimentos que trazem a salvação para ti e para toda a tua família’. 15Logo que comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, da mesma forma que desceu sobre nós no princípio. 16Então eu me lembrei do que o Senhor havia dito: ‘João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo’. 17Deus concedeu a eles o mesmo dom que deu a nós que acreditamos no Senhor Jesus Cristo. Quem seria eu para me opor à ação de Deus?” 18Ao ouvirem isso, os fiéis de origem judaica se acalmaram e glorificaram a Deus, dizendo: “Também aos pagãos Deus concedeu a conversão que leva para a vida!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 41)

— Minha alma suspira por vós, ó meu Deus.
— Minha alma suspira por vós, ó meu Deus.

— Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus!

— A minh’alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?

— Enviai vossa luz, vossa verdade: elas serão o meu guia; que me levem ao vosso Monte santo, até vossa morada!

— Então irei aos altares do Senhor, Deus da minha alegria. Vosso louvor cantarei, ao som da harpa, meu Senhor e meu Deus!

 

Evangelho (Jo 10,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Jorge, viveu o bom combate da fé

São Jorge, foi um homem que, em nome de Jesus Cristo, pelo poder da Cruz, viveu o bom combate da fé

Conhecido como ‘o grande mártir’, foi martirizado no ano 303. A seu respeito contou-se muitas histórias. Fundamentos históricos temos poucos, mas o suficiente para podermos perceber que ele existiu, e que vale à pena pedir sua intercessão e imitá-lo.

Pertenceu a um grupo de militares do imperador romano Diocleciano, que perseguia os cristãos. Jorge então renunciou a tudo para viver apenas sob o comando de nosso Senhor, e viver o Santo Evangelho.

São Jorge não queria estar a serviço de um império perseguidor e opressor dos cristãos, que era contra o amor e a verdade. Foi perseguido, preso e ameaçado. Tudo isso com o objetivo de fazê-lo renunciar ao seu amor por Jesus Cristo. São Jorge, por fim, renunciou à própria vida e acabou sendo martirizado.

Uma história nos ajuda a compreender a sua imagem, onde normalmente o vemos sobre um cavalo branco, com uma lança, vencendo um dragão:

“Num lugar existia um dragão que oprimia um povo. Ora eram dados animais a esse dragão, e ora jovens. E a filha do rei foi sorteada. Nessa hora apareceu Jorge, cristão, que se compadeceu e foi enfrentar aquele dragão. Fez o sinal da cruz e ao combater o dragão, venceu-o com uma lança. Recebeu muitos bens como recompensa, o qual distribuiu aos pobres.”

Verdade ou não, o mais importante é o que esta história comunica: Jorge foi um homem que, em nome de Jesus Cristo, pelo poder da Cruz, viveu o bom combate da fé. Se compadeceu do povo porque foi um verdadeiro cristão. Isto é o essencial.

Ele viveu sob o senhorio de Cristo e testemunhou o amor a Deus e ao próximo. Que Ele interceda para que sejamos verdadeiros guerreiros do amor.

São Jorge, rogai por nós!

Santo Evangelho (João 10,11-18)

4º Domingo da Páscoa – 22/04/2018 

Primeira Leitura (At 4,8-12)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, 8Pedro, cheio do Espírito Santo, disse: “Chefes do povo e anciãos: 9hoje estamos sendo interrogados por termos feito o bem a um enfermo e pelo modo como foi curado. 10Ficai, pois, sabendo todos vós e todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, — aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou dos mortos — que este homem está curado, diante de vós. 11Jesus é a pedra que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular. 12Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117)

— A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora a pedra angular.
— A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora a pedra angular.

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!”/ É melhor buscar refúgio no Senhor,/ do que pôr no ser humano a esperança;/ é melhor buscar refúgio no Senhor,/ do que contar com os poderosos deste mundo!

— Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes/ e vos tornastes para mim o salvador!/ A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora a pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso;/ que maravilhas ele fez a nossos olhos!

— Bendito seja, em nome do Senhor,/ aquele que em seus átrios vai entrando!/ Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço!/ Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!/ Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!/ “Eterna é a sua misericórdia!”

 

Segunda Leitura (1Jo 3,1-2)
Leitura da Primeira Carta de São João:

Caríssimos: 1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 10,11-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus: 11“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas.  12O mercenário, que não é pastor e não é dono das ovelhas, vê o lobo chegar, abandona as ovelhas e foge, e o lobo as ataca e dispersa. 13Pois ele é apenas um mercenário que não se importa com as ovellhas. 14Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, 15assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai. Eu dou minha vida pelas ovelhas. 16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: também a elas devo conduzir; elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. 17É por isso que meu Pai me ama, porque dou a minha vida, para depois recebê-la novamente. 18Ninguém tira a minha vida, eu a dou por mim mesmo; tenho poder de entregá-la e tenho poder de recebê-la novamente; esta é a ordem que recebi de meu Pai”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Maria Egipcíaca, se comprometeu a um caminho de conversão

Santa Maria Egipcíaca, recorreu a Virgem Maria, e em oração se comprometeu a um caminho de conversão

Nasceu no Egito no século V, e com apenas 12 anos tomou a decisão de sair de casa, em busca dos prazeres da vida. Providencialmente, conheceu um grupo de cristãos peregrinos que ia para o Santo Sepulcro, e os acompanhou, apenas movida pelo interesse no passeio.

Por três vezes quis entrar na Igreja, mas não conseguiu. E uma voz interior lhe fez perceber o quanto ela era escrava do pecado. Ela recorreu a Virgem Maria, representada numa imagem que ali estava, e em oração se comprometeu a um caminho de conversão. Ingressou na Igreja e saiu de seu sepulcro.

Com a graça do Senhor ela pôde se arrepender e se propor a um caminho de purificação.

Ela foi levada ao deserto de Judá, onde ficou por quarenta anos, e nas tentações recorria sempre a Virgem Maria. Perto de seu falecimento, padre Zózimo foi passar seus últimos dias também nesse deserto e a conheceu, levou-lhe a comunhão e ela faleceu numa sexta-feira. O padre ao encontrar seu corpo, enterrou-a como a santa havia pedido em um recado.

Santa Maria Egipcíaca, rogai por nós!

O Papa Bom: traços da personalidade de João XXIII

Simplicidade, caridade e bondade estão entre as características marcantes de João XXIII, que ficou conhecido como o “Papa Bom”

“Agora, mais do que nunca, reconheço-me indigno e humilde: servo de Deus e servo dos servos de Deus. A minha família é todo o mundo.”

Essas afirmações de João XXIII, no livro ‘Diário da alma’, indicam os caminhos de sua personalidade que guiariam seu pontificado.

A bondade foi um aspecto importante de sua personalidade. O bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, recorda essa característica marcante do Papa Roncalli, inclusive como fator da compreensão da sacralidade da vida.

“O Papa Bom nos mostrou como é bom se relacionar de forma cordial e bondosa com as pessoas partindo dessa visão da fé. (…)  A bondade que imanava da figura tão paternal, acolhedora e simpática de João XXIII é que dá à vida humana o reconhecimento de que ela é uma vida sagrada”.

Suas marcas mais evidentes foram a humildade, a simplicidade, a piedade, a obediência, a diligência, o bom humor, a vida de oração e a confiança em Deus. Roncalli era o Papa de todos, com um coração universal que abraçava todos os povos, fossem eles católicos, ortodoxos ou muçulmanos.

Antes mesmo de ser Papa, durante a Primeira Guerra Mundial, alistou-se no exército como sargento nos serviços de saúde, e era encarregado de cuidar dos feridos que voltavam da guerra. Esta foi uma oportunidade de demonstrar caridade e piedade para com o próximo.

O servo de Deus procurava viver com humildade seu ministério e não se exaltar em sua vida eclesiástica como afirma em seu livro ‘Diário da alma’: “Nunca direi uma palavra nem darei um passo, afastando como tentação qualquer pensamento que, de algum modo, se oriente para que os meus superiores me confiem cargos ou postos de maior distinção”. Humildade essa que abriu caminhos por onde passava e que, aliada à sua simplicidade, ajudou-o a resolver situações delicadas.

“Minha missão na Grécia é muito difícil, por isso a amo mais ainda. Confiaram-na a mim, portanto, é uma questão de obediência”. Toda vida do futuro santo pautava-se na santa obediência, independente da situação em que se encontrava.

Ângelo era um homem dinâmico, que se empenhava na salvação das almas. Referindo-se à missão de salvar almas na Grécia e na Turquia, chegou a afirmar: “Confesso que não sofreria se a confiassem a outro, mas, enquanto for minha, quero honrá-la custe o que custar.”

Os reflexos da personalidade acolhedora e universal do Papa Bom marcariam para sempre a história da Igreja. Ele mesmo aprovou, durante o Concílio Vaticano II, as celebrações da Santa Missa na língua própria de cada país, abrindo-se, assim, as portas para maior participação do povo de Deus.

Na época em que foi anunciada a canonização de João XXIII, o presidente da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno, falou da simplicidade e bondade de João XXIII e sua inspiração para a convocação do Concílio.

“O Papa conhecido como ‘Papa bondoso’, era simples, um pastor que realmente teve essa grande inspiração de realizar o Concílio, que deu os rumos para a Igreja”.

A fortaleza do Pastor

O Senhor conhece Suas ovelhas

Os Bispos do Brasil, reunidos recentemente em Assembleia, mais uma vez se debruçaram sobre o valor infinito da Palavra de Deus, desejando transmiti-la sempre e com crescente profundidade ao povo de Deus. A Palavra de Deus é fonte inesgotável de vida para toda a humanidade. Como sempre faz, a Igreja quer empreender de novo, com crescente zelo, o anúncio da Palavra, que tem seu lugar privilegiado, para animar a vida de todos e o serviço apostólico a ela confiado. A chave que abre a porta da Sagrada Escritura é Nosso Senhor Jesus Cristo, com Sua Morte e Ressurreição, o mistério pascal que celebramos nos tempos correntes. Amar e conhecer a Cristo é nosso dever, nossa honra e nossa alegria, deixando-nos provocar por Ele!

A presença de Jesus suscitou e suscitará sempre interrogações e muita perplexidade. Nós o sabemos verdadeiro Deus e verdadeiro homem e podemos encontrar, além da graça redentora que só pode chegar por intermédio d’Aquele que é Caminho, Verdade e Vida, a referência de valores a serem assumidos para uma vida plenamente humana e digna. A Igreja nos convida a olhar sempre para o Senhor, seguindo-O de perto para fazer tudo o que Ele nos disser!

Aproximemo-nos do Cristo Ressscitado e da riqueza de Sua personalidade. Em Nazaré, onde Jesus fora criado, as pessoas se interrogam a respeito d’Ele: “De onde lhe vêm essa sabedoria?” (Mt 13, 54). Noutra ocasião, “surgiu uma divisão entre o povo por causa dele. Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos. Os guardas então voltaram aos sumos sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: Por que não o trouxestes? Responderam: Ninguém jamais falou como este homem” (Jo 7,43-46). Suas palavras, mais doces do que o mel, atraem as pessoas, mesmo quem tem a tarefa de prendê-Lo. Tantas vezes quantas forem lidas, acolhidas e vividas, nelas se encontra a vida eterna. Seu som se espalha e ecoa por todo o universo.

Se buscarmos outro valor, como a beleza, aqui está: “Tu és o mais belo entre os filhos dos homens, sobre teus lábios difunde-se a graça (Sl 144,3)”. “A Igreja lê o salmo cento e quarenta e quatro como a representação poético-profética do relacionamento esponsal entre Cristo e a Igreja.  Reconhece Cristo como o mais  belo entre os homens; a graça sobre os lábios indica a beleza interior da sua palavra, a glória do seu anúncio. Assim, não é apenas a beleza exterior da aparição do Redentor a ser glorificada: nele aparece muito mais a beleza da Verdade, a beleza do próprio Deus que nos atrai a si e ao mesmo tempo nos causa a ferida do Amor, a santa paixão (“Eros”) que nos faz ir ao encontro, junto e com a Igreja-Esposa, ao Amor que nos chama” (“Beleza de Cristo”, Joseph Ratzinger/ Bento XVI).

Na festa do Bom Pastor, celebrada pela Igreja no Quarto Domingo da Páscoa, é possível descortinar algumas características da personalidade de Jesus (cf. Jo 10,1-18). O Evangelho de São João apresenta três belíssimas parábolas, que vieram a ser consideradas como “Parábola do Bom Pastor”, no quadro do difícil confronto de Jesus com adversários ferrenhos que O pressionavam. De fato, as palavras do Senhor “causaram nova divisão entre os judeus” (Jo 10,19).

A imagem utilizada por Jesus é a do pastor de ovelhas, rica de significado para o ambiente em que se encontrava, mas ainda atual em nossos dias. Ele é a porta das ovelhas: “quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem” (Cf. Jo 10,7-9). Portas abertas, clareza para expressar as coisas, nada de complicações! Todos se impressionam com gente assim e se sentem atraídos!

“Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem” (Jo 10,15). Ele conhece cada uma das ovelhas pelo nome (cf. Jo 10,3), é capaz de estabelecer relacionamento pessoal, não apenas com a massa! Todos são importantes para Ele e suas necessidades ressoam em Seu coração. “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11). Bondade e entrega de vida. Só quem é plenamente realizado e feliz pode chegar a tais alturas, pois é Aquele que veio “para que tenham vida, e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10). Jesus Cristo, acolhido e amado, oferece tudo o que as pessoas de qualquer tempo procuram.

Jesus olha longe, num grande horizonte aberto: “Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 15,16). Portas e janelas abertas, os confins da terra. O universo inteiro, sem fechamentos e exclusivismos!

N’Ele, Nosso Senhor Jesus Cristo, está nossa vida e nossa missão. Hoje é o nosso tempo para conhecer Sua voz e seguir Aquele que vai à nossa frente (cf. Jo 10,4). Entretanto, sendo limitados, parece-nos muito alto o ideal: dar a vida, conhecer pelo nome, dar exemplo, ir à frente dos outros, abrir-se para todos, enfim, acolher e espelhar a beleza e a bondade do Pastor! Sabendo disso, a Igreja nos leva a pedir com confiança: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”. Assim seja!

Dom Alberto Taveira Corrêa

A consagração a Deus e à liberdade

Nossa vida está escondida no Cristo Senhor

No capítulo quinto do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina alguns motivos para nos consagrar a Nossa Senhora. O sexto motivo apresentado pelo Santo para escolher a consagração total a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria é que “esta prática de devoção dá uma grande liberdade interior àqueles que a observam fielmente” (TVD 169). Tal liberdade interior é própria dos filhos de Deus: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Pela consagração, segundo o método de São Luís, “nos tornamos escravos de Jesus Cristo” (cf. TVD 169), porém, isto não nos tira a liberdade. Ao contrário, ao fazer-nos escravos de amor da Virgem Maria, Jesus nos recompensa com graças. O Senhor “tira da alma todo escrúpulo e temor servil, que só servem para a estreitá-la, escravizá-la e confundi-la” (TVD 169). Ele tira de nós toda a dúvida ou inquietação espiritual que nos impede do crescimento na graça e na liberdade de espírito.

Cristo também tira de nós o temor servil, o medo de servir alguém, dando nos a liberdade e a clareza de espírito para as coisas de Deus. Montfort diz que a consagração total “dilata o coração para uma santa confiança em Deus, fazendo-o ver n’Ele seu Pai” (TVD 169), ou seja, consagrando-nos inteiramente a Jesus, somos tomados por uma fé inabalável em Deus, nosso Pai. Além disso, São Luís Maria ensina que, por esta devoção, Jesus nos concede um amor terno e filial para com Deus.

Para exemplificar sua doutrina sobre a liberdade de espírito, São Luís cita como exemplo a história da vida de Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina do convento de Langeac, em Auvergne, que faleceu nesse mesmo local em odor de santidade em 1634. Ela não tinha mais de sete anos quando já sofria de grandes penas do espírito. “Foi então que ouviu uma voz dizer-lhe que, se desejava ser livre de todas as suas penas e protegida contra todos os seus inimigos, deveria tornar-se o mais depressa possível escrava de Jesus e de sua Santa Mãe” (TVD 170). Rapidamente, consagrou-se inteiramente como escrava a Jesus e à Sua Santa Mãe, embora não conhecesse esta devoção. Como sinal de sua consagração, cingiu-se com cadeia de ferro sobre os rins e usou-a até a morte.

Depois da consagração, cessaram todas as suas penas e escrúpulos. Madre Inês ficou em tanta paz e liberdade de coração que ensinou esta prática a várias pessoas, que fizeram grandes progressos espirituais. Entre estas pessoas, estava o padre Olier, fundador do Seminário de São Sulpício e a outros sacerdotes e membros do clero. Certo dia, “apareceu-lhe a Santíssima Virgem e pôs-lhe ao pescoço uma cadeia de ouro, testemunhando-lhe assim a alegria que sentia por ela se ter feito escrava sua e de seu Filho. Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, disse-lhe: Felizes os fiéis escravos da Rainha do Céu, porque gozarão a verdadeira liberdade: Ó Mãe, servir-Vos é a liberdade!” (TVD 170).

Assim, São Luís Maria prova que a devoção que ensina não é apenas uma teoria, mas é uma prática comprovada pela história. Além deste testemunho, hoje temos conhecimento de muitas outras pessoas que se consagraram a Virgem Maria e experimentaram a mesma liberdade de espírito para lançar-se nos mais altos desafios da vida espiritual e temporal. Um dos mais célebres e conhecidos é o saudoso Papa São João Paulo II, o qual teve sua vida marcada pela consagração total a Nossa Senhora. Sigamos os passos do “João de Deus” e nos consagremos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Sua Mãe Santíssima e experimentemos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

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