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Papa Francisco: a Igreja cresce no silêncio, sem dar espetáculo

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Em homilia, Papa falou sobre a Igreja e a chegada do Reino de Deus

Papa Francisco, durante a Missa na Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15./ Foto: Vatican Media

A Igreja cresce “na simplicidade, no silêncio, no louvor, no sacrifício eucarístico, na comunidade fraterna, onde todos amam e não se prejudicam”. Foi o que disse o Papa Francisco ao celebrar a Missa na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15.

Comentando o episódio do Evangelho do dia, de Lucas (Lc 17,20-25), o Pontífice reiterou que “o Reino de Deus” não é um espetáculo e cresce no silêncio.

As boas obras não fazem notícia

A Igreja, portanto, se manifesta “na Eucaristia e nas boas obras”, mesmo que aparentemente não “são notícia”. A Esposa de Cristo tem um temperamento silencioso, gera frutos “sem fazer barulho”, sem “tocar a trombeta como os fariseus”.

O Senhor nos explicou como cresce a Igreja com a parábola do semeador. O semeador semeia e a semente cresce de dia, de noite… – Deus provoca o crescimento – e depois se veem os frutos. Mas isto é importante: primeiro, a Igreja cresce em silêncio, escondida; é o estilo eclesial. E como se manifesta na Igreja? Através dos frutos das boas obras, para que as pessoas vejam e glorifiquem o Pai que está no céu – afirma Jesus – e na celebração – o louvor e o sacrifício do Senhor – isto é, na Eucaristia. Ali se manifesta a Igreja; na Eucaristia e nas boas obras.

A tentação da sedução

“A Igreja cresce por testemunho, por oração, por atração do Espírito que está dentro – insistiu o Papa na homilia – não pelos eventos”. Certamente que eles ajudam, mas “o crescimento da Igreja, que dá fruto, é em silêncio, escondido com as boas obras e a celebração da Páscoa do Senhor, o louvor de Deus”.

O Senhor nos ajuda a não cair na tentação da sedução. “Gostaríamos que a Igreja fosse mais visível; o que podemos fazer para que seja vista?” Eh! E normalmente se cai numa Igreja dos eventos que não é capaz de crescer em silêncio com as boas obras, escondido.

O espírito do mundo não tolera o martírio

Num mundo onde com frequência se cede à tentação de fazer espetáculo, da mundanidade, do aparecer, Francisco recordou que também Jesus ficou lisonjeado por essas fragilidades, mas Ele escolheu “o caminho da pregação, da oração, das boas obras”, “da cruz” e “do sofrimento”.

A Cruz e o sofrimento. A Igreja cresce também com o sangue dos mártires, homens e mulheres que dão a vida. Hoje existem muitos. Curioso: não são notícia. O mundo esconde isso. O espírito do mundo não tolera o martírio, o esconde.

Dom Henrique rebate ministro Barroso: não cabe ao STF querer legislar sobre o aborto

https://www.acidigital.com/noticias/dom-henrique-rebate-ministro-barroso-nao-cabe-ao-stf-querer-legislar-sobre-o-aborto-76210

Dom Henrique Soares da Costa / Foto: Facebook Dom Henrique Soares da Costa

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Nov. 18 / 11:46 am (ACI).- Na segunda-feira, 12 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso defendeu que o debate sobre o aborto deve ser feito nesta Corte Suprema, ao que o Bispo de Palmares (PE), Dom Henrique Soares da Costa, rebateu indicando que não cabe a esta instância judicial “querer legislar”.

O ministro Barroso participou do I Congresso Internacional de Direito e Gênero, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, tendo se pronunciado no painel sobre Direitos Reprodutivos.

Nesta ocasião, o ministro do STF defendeu que a questão do aborto se trata de debate sobre direitos fundamentais da mulher. “Nenhuma emenda constitucional pode impedir o desfrute de um direito fundamental porque, no caso brasileiro, seria violação de cláusula pétrea. Os direitos fundamentais têm aplicabilidade direta e imediata e, quando eles entram em rota de colisão, é o Poder Judiciário que deve dirimir a questão”, afirmou.

Para ele, em relação a este tema do aborto, uma das colisões de direitos fundamentais se dá entre o da mulher e, “para quem acha que existe vida desde o momento da concepção, também os direitos fundamentais do feto”.

“Estão em jogo direitos fundamentais da mulher e do feto. Resta fazer uma ponderação de qual deve prevalecer. Esse é um papel típico do judiciário. A característica dos direitos fundamentais é que independem de legislador e da aprovação da maioria. A autonomia individual da mulher é um direito fundamental em jogo”, expressou.

O ministro ainda afirmou que “a mulher não é um útero a serviço da sociedade. Se os homens engravidassem, esse problema já teria sido resolvido. O ponto é que a criminalização se tornou uma má política”.

Frente a tais comentários de Barroso, Dom Henrique Soares fez uma publicação em sua página no Facebook intitulada “Suprema leviandade”. Conforme manifestou o Bispo de Palmares, “é impressionante como um juiz da Suprema Corte da República pode ter uma visão tão míope e um pensamento tão raso e cínico num tema moralmente tão relevante”.

“Direito fundamental da mulher não tem nada a ver com assassinato de embriões! Para o Excelentíssimo togado, qual o estatuto do embrião? Qual o direito do ser humano no ventre materno? Qual seria o direito do feto?”, questionou.

Nesse sentido, ressaltou que “é preciso que o Supremo cumpra a Constituição e deixe de lado a impostura de querer legislar”. “Esperamos que a próxima legislatura, na Câmara e no Senado, ponha fim a isto”, expressou.

Além disso, indicou “o Povo deve sempre recordar que os ministros do Supremo podem sofrer impeachment, quando não são dignos da função ou, exorbitam nas suas atribuições constitucionais”.

“O Povo poderia pressionar o Congresso no sentido de uma limpeza de alguns senhores que se colocam acima da Constituição, dos demais Poderes da República e do Povo brasileiro…”, completou.

A questão do aborto no STF

Esta não foi a primeira vez que o ministro Luís Roberto Barroso se manifestou sobre o aborto. O magistrado já havia demonstrado posição semelhante em 2016, quando a maioria da primeira Turma do STF declarou que o aborto até o terceiro mês de gestação não é crime.

A decisão se deu quando os ministros analisavam o pedido de habeas corpus cinco funcionários de uma clínica clandestina de aborto de Duque de Caxias (RJ). Na ocasião, votaram no sentido de não considerar o aborto um crime os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Edson Fachin.

Em seu voto, Barroso declarou que os artigos do Código Penal que criminalizam o aborto nos três primeiros meses de gestação violam os direitos fundamentais da mulher, entre os quais listou: autonomia da mulher, integridade física e psíquica, direitos sexuais e reprodutivos e igualdade de gênero.

Para o ministro, “na medida em que é a mulher que suporta o ônus integral da gravidez, e que o homem não engravida, somente haverá igualdade plena se a ela for reconhecido o direito de decidir acerca da sua manutenção ou não”.

Recentemente, a questão do aborto voltou à pauta do Supremo, devido à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442/2017 (ADPF 442), apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Esta ADPF 442 questiona os artigos 124 e 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade. Assim, propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Em agosto deste ano, a questão foi tema de uma audiência pública no STF, convocada pela ministra Rosa Weber, relatora do caso.

Diante disso, movimentos pró-vida e diversos Bispos alertaram nos últimos meses sobre tentativas de aprovar pela via do STF a prática do aborto no Brasil, no que denunciaram como um ativismo do judiciário.

Em uma nota publicada em julho deste ano, às vésperas da audiência pública no STF, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Comissão Nacional da Pastoral Familiar assinalaram que “cabe, de fato, ao Congresso Nacional colocar limites a toda e qualquer espécie de ativismo judiciário”.

“Onde há mentira, não pode haver amor”, afirma Papa

Quarta-feira, 14 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Francisco deu continuidade às catequeses sobre os 10 mandamentos, falando sobre o oitavo: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”

“Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”. A catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 14, foi dedicada ao oitavo mandamento. Aos milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro, o Pontífice explicou o significado profundo da verdade e afirmou que o oitavo mandamento ensina que não se pode falsificar a verdade nas relações com os outros.

“Viver de comunicações não autênticas é grave, porque impede as relações e, portanto, o amor. Onde há mentira, não pode haver amor. E quando falamos de comunicação entre as pessoas não entendemos somente as palavras, mas também os gestos, as atitudes e até mesmo os silêncios e as ausências. Uma pessoa fala com tudo aquilo que é e o que faz. Todos nós vivemos comunicando e estamos continuamente num frágil equilíbrio entre a verdade e a mentira”, afirmou.

Francisco perguntou aos presentes o significado de dizer a verdade, e respondeu: “É algo que vai além do nosso ponto de vista ou a revelação de fatos pessoais ou reservados. É um modo de manifestar o amor”. O Papa afirmou que as fofocas matam, e dedicou esta constatação ao apóstolo Tiago.

“Os fofoqueiros são pessoas que matam os outros porque a língua mata como uma faca. Fiquem atentos. O fofoqueiro é um terrorista, porque com a sua língua lança a bomba e vai embora e esta bomba destrói a fama dos outros. Fofocar é matar, não esqueçam”, alertou o Pontífice. Francisco prosseguiu explicando que as palavras ‘não levantarás falso testemunho contra teu próximo’, pertencem à linguagem jurídica. Segundo o Santo Padre, os Evangelhos culminam com a narração do processo, da execução da sentença contra Jesus e sua consequência inaudita.

O Pontífice recordou que Jesus, quando interrogado por Pilatos, disse que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. “A verdade, portanto, encontra sua plena realização na própria pessoa de Jesus, no seu modo de viver e de morrer, fruto da sua relação com o Pai. E esta existência como filho de Deus, Jesus a doa também a nós. Em cada ato, o homem afirma ou nega esta verdade. Eu sou uma testemunha da verdade ou sou um mentiroso fantasiado de verdadeiro? Cada um se questione”, recomendou o Papa.

A verdade não se limita a discursos, mas é um modo de existir, de viver, frisou o Papa, que continuou afirmando que a verdade é a revelação maravilhosa de Deus, do seu rosto de Pai, do seu amor sem limites. “Esta verdade corresponde à razão humana, mas a supera infinitamente”, sublinhou. Francisco então concluiu: “Não levantar falso testemunho quer dizer viver como filhos de Deus, que jamais desmente a si mesmo, jamais mente, deixando emergir em cada ato a grande verdade: que Deus é Pai e é possível confiar Nele. Eu confio em Deus, esta é a grande verdade. E dessa nossa confiança em Deus Pai, de que Ele nos ama, nasce a minha verdade e o ser verdadeiro e não mentiroso”.

Papa em homilia: o bispo é um servidor, não um príncipe

Segunda-feira, 12 de novembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
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Na homilia desta manhã, Papa Francisco traçou perfil do bispo: humilde, piedoso e não príncipe

Papa Francisco em Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Em sua homilia na Missa desta segunda-feira, 12, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco traçou o perfil do bispo: humilde, piedoso e não príncipe. A reflexão foi conduzida a partir da Carta de São Paulo apóstolo a Tito, no dia em que a Igreja faz memória de São Josafá, bispo e mártir.

Fervor e desordem foram as duas palavras que o Pontífice usou para contar como nasceu a Igreja, recordando também as “coisas admiráveis” realizadas. “Sempre há confusão, afirmou, a força do Espírito, desordem, mas não devemos nos assustar” porque “é um belo sinal”.

“A Igreja jamais nasceu completamente ordenada, tudo certo, sem problemas, sem confusão, jamais. Sempre nasceu assim. E esta confusão, esta desordem, deve ser organizada. É verdade, porque as coisas devem ser colocadas no lugar; pensemos, por exemplo, no primeiro Concílio de Jerusalém: havia a luta entre os judaizantes e os não judaizantes… Mas pensemos bem: fazem o concílio e colocam as coisas no lugar”.

Bispo é um administrador de Deus e não dos bens

Por isso, destacou o Papa, Paulo deixa Tito em Creta para colocar ordem, recordando-lhe que a “primeira coisa é a fé”. Ao mesmo tempo, oferece critério e instruções sobre a figura do bispo como “administrador de Deus”.

“A definição que dá de um bispo é um ‘administrador de Deus’, não dos bens, do poder, dos acordos, não: de Deus. Sempre deve corrigir a si mesmo e perguntar-se: ‘Eu sou administrador de Deus ou sou um negociante?’. O bispo é administrador de Deus. Deve ser irrepreensível: esta palavra é a mesma que Deus pediu a Abraão: ‘Anda na minha presença e sê perfeito’. É a palavra fundamental, de um líder”.

Francisco recordou ainda como deve ser bispo. Nem arrogante nem soberbo, nem irascível nem dado ao vinho, um dos vícios mais comuns no tempo de Paulo, nem cobiçoso nem apegado ao dinheiro. Seria “uma calamidade para a Igreja um bispo do gênero”, que tivesse mesmo que um só desses defeitos, disse ainda o Papa. Já as peculiaridades do servidor de Deus são: hospitaleiro, amante do bem, ponderado, justo, santo, dono de si, fiel à palavra digna de fé que lhe foi ensinada.

“Assim é o bispo. Este é o perfil do bispo. E quando se fazem as pesquisas a eleição dos bispos, seria belo fazer essas perguntas no início, não?, para saber se é possível ir avante com outras investigações. Mas, sobretudo, se vê que o bispo deve ser humilde, manso, servidor, não príncipe. Esta é a palavra de Deus. ‘Ah sim padre, isso é verdade, depois do Concílio Vaticano II isso deve ser feito…’ – ‘Não, depois de Paulo!’. Esta não é uma novidade pós-conciliar. Isso é desde o início, quando a Igreja percebeu que deveria colocar em ordem com bispos do gênero”.

“Na Igreja, concluiu o Papa, não se pode colocar em ordem sem esta atitude dos bispos”. O que conta diante de Deus não é ser simpático, pregar o bem, mas a humildade e o serviço. Recordando a memória de São Josafá, bispo e mártir, Francisco pede orações para que os bispos “sejam assim, sejamos assim, como Paulo nos pede para ser”.

“Despojar-se do supérfluo para ir ao que realmente importa”, diz Papa

Domingo, 11 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Antes da tradicional oração do Ângelus deste domingo, 11, Francisco propôs uma reflexão inspirada no Evangelho de São Marcos

Papa Francisco durante reflexão do Ângelus deste domingo, 11/ Foto: Vatican Media

Neste 32° Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco propôs uma reflexão inspirada no Evangelho de São Marcos 12, 38-44. O texto encerra a série de ensinamentos dados por Jesus no templo de Jerusalém e ressalta duas figuras opostas: o escriba e a viúva. Segundo o Santo Padre, o escriba é o oposto da viúva, pois representa as pessoas importantes, ricas e influentes, já a viúva representa os últimos, os pobres, os fracos.

O julgamento firme de Jesus em relação aos escribas não diz respeito a toda a categoria, comentou o Pontífice, que afirmou se referir àqueles que se vangloriam da própria condição social, com o título ‘rabi’, ou seja, mestre, gostam de ser reverenciados e ocupar os primeiros lugares.

“O que é pior é que a sua ostentação é sobretudo de natureza religiosa, porque eles fazem longas orações para serem vistos e se servem de Deus para se credenciarem como defensores de sua lei. E essa atitude de superioridade e de vaidade os leva ao desprezo daqueles que contam pouco ou se encontram em uma posição econômica desvantajosa, como o caso das viúvas”, refletiu o Papa.

Segundo Francisco, no Evangelho, Jesus desmascara esse mecanismo e denuncia a opressão dos fracos feita instrumentalmente, com base em motivações religiosas, dizendo claramente que Deus está do lado dos últimos. De acordo com o Santo Padre, para fixar bem esta lição na mente dos discípulos, Jesus ofereceu a eles um exemplo vivo, uma pobre viúva, cuja posição social era irrelevante, porque não tinha um marido que pudesse defender os seus direitos, e que por isso tornou-se presa fácil de um credor que perseguia os mais fracos para que pagassem a ele.

“Essa mulher, que vai depositar somente duas moedinhas no tesouro do templo, tudo o que lhe restava, e faz a sua oferta procurando passar despercebida, quase envergonhando-se. Mas, precisamente nesta humildade, ela realiza um ato carregado de grande significado religioso e espiritual. Aquele gesto repleto de sacrifício não escapa ao olhar de Jesus, que de fato vê nele o dom total de si a quem deseja educar seus discípulos”, observou o Pontífice.

O Papa frisou que o ensinamento que Jesus oferece neste texto é o de ajudar homens e mulheres a recuperar o que é essencial na vida em um concreto e cotidiano relacionamento com Deus. “Irmãs e irmãs, as medidas do Senhor são diferentes das nossas. Ele pesa as pessoas e suas ações de maneira diferente. Deus não mede a quantidade, mas a qualidade, perscruta o coração e olha para a pureza das intenções”, afirmou.

Para Francisco, o significado humano de ‘dar’ a Deus na oração e aos outros na caridade deve sempre fugir do ritualismo e formalismo, bem como da lógica do cálculo, e ser uma expressão de gratuidade, como fez Jesus. “Nos salvou gratuitamente; não nos fez pagar a redenção. Nos salvou gratuitamente. E nós devemos fazer as coisas como expressão de gratuidade”, frisou.

De acordo com o Pontífice, Jesus indica a pobre e generosa viúva como modelo de vida cristã a ser imitada. “Dela não sabemos o nome, mas conhecemos o coração – a encontraremos no Céu e iremos saudá-la, certamente; e é isso que conta diante de Deus. Quando somos tentados pelo desejo de aparecer e de contabilizar os nossos gestos de altruísmo, quando estamos muito interessados no olhar dos outros e – permitam-me a palavra – quando fazemos ‘os pavões’, pensemos nessa mulher. Nos fará bem, nos ajudará a nos despojarmos do supérfluo para ir ao que realmente importa e a permanecermos humildes”, concluiu Francisco, que rogou antes da oração do Ângelus de hoje:

“Que a Virgem Maria, mulher pobre que se entregou totalmente a Deus, sustente-nos no propósito de dar ao Senhor e aos irmãos não algo de nós mesmos, mas nós mesmos, em uma oferta humilde e generosa”.

Geração Big Brother

Padre Léo, SCJ / Trecho do livro: Saborear a Vida

Na medida em que acredita que existem soluções fáceis e rápidas para os problemas, o ser humano vai se acomodando e não se prepara mais para a batalha da vida. Torna-se um ser humano enfraquecido. Apequenado. Que não acredita mais na capacidade de auto-superação.
Quanto menos luta menos a pessoa tem vontade de lutar. Apequenado, o ser humano moderno é alguém vazio, sem conteúdo e sem ideal, dominado pelos ídolos do ter, do poder e do prazer. É o ser humano big brother, capaz de fazer de tudo para conseguir sucesso e poder gozar a vida sem limites, sem restrições.
Quando uma pessoa causa problemas ao homem big brother, ele aprende a eliminar a pessoa e não os problemas. Se o outro é obstáculo para meus sonhos, devo dar um jeito de tirá-lo do meu caminho. Não importa que instrumentais eu vou usar. O importante é eliminar a concorrência.
O big brother é um individuo que só pensa em si, não tem referenciais e vive mergulhado num vazio ético. Ele é capaz de fazer sacrifícios horríveis, até comer coisa estragada, desde que seja em função de um objetivo claro e definido: poder ir eliminando todas as pessoas, até chegar ao topo, e saborear a vitória.
Essa pessoa pode até conseguir algum dinheiro, mas não é uma pessoa feliz. Se a felicidade tivesse relação direta com o dinheiro, jamais encontraríamos um rico infeliz. E é praticamente o contrário. Nunca conheci uma família rica que fosse verdadeiramente feliz. No máximo, consegue esconder suas frustrações e problemas.
Para se dar bem nessa geração big brother é preciso ser muito prático, ter coragem para fazer qualquer coisa, ser relativamente bem informado, não se prender aos valores humanos, ser capaz de se interessar por tudo, mas sempre de modo superficial. Além disso, é preciso ser alguém que tenha a cara de pau suficiente para ser trivial e frívolo, para aceitar tudo. A permissividade é uma das suas marcas registradas. Temos assim uma pessoa com fraqueza de pensamentos, sem nenhuma firmeza em suas convicções e completamente indiferente aos problemas das outras pessoas.
A cultura big brother se faz de pessoas lights. Infelizmente, para ser feliz nessa cultura a pessoa precisa pautar sua vida pela mediocridade. Do mesmo jeito que a pessoa come sem correr nenhum risco de engordar, já que o alimento é mágico, a pessoa vai vivendo de modo superficial e medíocre.
Essa cultura gera uma pessoa fria, sem fé verdadeira e sem convicções profundas. É uma pessoa que muda de opinião, conforme muda o vento, já que vive para agradar os outros e para se satisfazer com o outro.
A pessoa big brother vive de modismos. É uma pessoa descartável. Do mesmo jeito que os canais de televisão dão um jeito de descartar as pessoas que não atingem determinados índices de audiência, a pessoa big brother também elimina quem não satisfaz seus interesses imediatos. Nesse sentido é importante eliminar os vínculos, os valores que me prendem às pessoas. Igreja e família são dois grandes obstáculos na vida do ser humano light.
Quem não têm referenciais, acaba também perdendo seu objetivo, sua meta de vida. A pessoa passa a viver unicamente para si mesma e para o seu prazer. Quanto mais irrestrito, melhor.
O big brother vive em busca do prazer. O prazer está acima de tudo e de todos. Sem nenhuma restrição, a qualquer preço. Para se viver bem, deve-se evitar a luta e, especialmente, o sofrimento.
A única coisa que vale é o prazer, não importa seu preço. Não se questiona se é um prazer lícito, salutar, abençoado por Deus. O prazer tem um valor em si mesmo. Para consegui-lo vale qualquer caminho. Ele é o bem maior, diante do qual tudo e todos devem ser sacrificados.
Como a pessoa vive para o prazer, sem limites, quanto mais possui coisas, mais se sente feliz, porque o ter virou sinônimo de liberdade. Quanto mais tenho, mais livre sou. Faço o que quero, quando e como quero. Só é livre quem tem bens materiais em abundância, de preferência, da última moda.
Por isso essa pessoa light não pode criar vínculos com nada e nem com ninguém, pois o consumismo se fundamenta na capacidade de substituir. O melhor é sempre o novo. Ninguém troca algo que tem valor afetivo. Então, o melhor é não se apegar às coisas. O melhor é sempre aquilo que ainda não tenho. Minha felicidade está escondida naquilo que não possuo.
Para sustentar e solidificar tudo isso é preciso viver a doutrina prática do materialismo, onde o valor da pessoa está naquilo que tem. Mas não se trata de simplesmente possuir um bem que satisfaça minhas necessidades fundamentais de moradia e locomoção, por exemplo.
Nesse materialismo a pessoa nunca poderá se contentar com o que tem. É preciso sempre querer algo novo. Não se trata mais de suprir uma necessidade, mas de criar novas e até falsas necessidades, que possam nutrir o consumismo. Se a liberdade da pessoa é definida a partir do que possui, ser livre é possuir cada vez mais. Também aqui não existe uma preocupação com os aspectos éticos. Tudo é permitido. Importa ter cada vez mais.
Nada é proibido ou imoral. O importante é não ser descoberto. Não interessa os meios que uso para adquirir as coisas, interessa é possuí-las conforme manda a moda.

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A MORALIDADE É OURO
É preciso criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte 28/02/2011

A sociedade está povoada de notícias que comprovam o quanto a corrupção e a desonestidade estão corroendo relações, provocando prejuízos irreversíveis na vida de cidadãos e de famílias, com sérios comprometimentos sociopolíticos. A confiança que se deposita em pessoas, no exercício de suas responsabilidades funcionais e ofícios, está e certamente continuará sendo abalada. O mesmo ocorre também na relação com as instituições, que têm tarefas de proteção aos direitos e à integridade de todos, constituídas para proteger o bem público, garantir a ordem e a justiça. Quando menos se espera, estouram aqui e ali acontecimentos que provocam decepção e generalizam a insegurança. Não se esperam conivências interesseiras dos que têm tarefa de garantir a justiça. Conveniências que comprometem a vida de jovens e de outros que têm seus sonhos inviabilizados de maneira irreversível.
As providências que governos, instituições e outras instâncias da sociedade precisam e devem tomar diante de fatos graves no tecido social e cultural, não podem retardar mais a consideração da moralidade como ouro na história de todos. Esse cenário, com suas violências, desmandos, corrupções, tráficos e outras condutas imorais, é origem de tudo o que esgarça o tecido moral da cidadania. Valor que é a base para vencer seduções e ter força para permanecer do lado do bem, com gosto pela justiça e fecundo espírito de solidariedade. É imprescindível redobrar a atenção quanto à moralidade que baliza a vida de cada indivíduo e regula suas relações. É urgente e necessário avaliar o quanto o relativismo tem emoldurado critérios na emissão de juízos, na formatação de discernimentos, trazendo direções equivocadas e prejudiciais nas escolhas, tanto no âmbito privado quanto no exercício da profissão, da política e de outras ocupações na sociedade.
É preciso diagnosticar esses pontos críticos na moralidade sustentadora da conduta cidadã e honesta. Não se pode desconsiderar a gravidade da situação vivida neste tempo de avanços e conquistas – marcado pela “démarche” (disposição para resolver assuntos ou tomar decisões) – imposta pela falta de moralidade pública, profissional e individual. Jesus, em Seus preciosos ensinamentos para bem formar os discípulos, não deixava de advertir e indicar critérios para comprovar os comprometimentos da moralidade. Ele dizia que “o irmão entregará o irmão à morte, o pai entregará o filho; os filhos ficarão contra os pais e os matarão”, convidando-os para não se escandalizarem e a permanecerem firmes diante do caos provocado pela imoralidade. A decomposição das relações familiares configura o paradigma da perda da moralidade, considerando a família com seu insubstituível papel de formadora de consciência.
Com a família, o conjunto das instituições educativas, religiosas e outras prestadoras de serviços à sociedade, é preciso fortalecer o coro de vozes, como o fez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quanto à necessidade de incluir na pauta da sociedade a compreensão da moralidade como um tesouro do qual não se pode abrir mão. Sua ausência significa a produção de perdas irreparáveis, de vidas, de credibilidade e de conquistas e avanços de todo tipo, pelos inevitáveis comprometimentos advindos de uma cultura permissiva e cega a valores balizadores da vida cidadã. Nesse âmbito, é preciso retomar a tematização da responsabilidade dos meios de comunicação – também sublinha a CNBB. A apurada qualidade técnica e os admiráveis recursos da mídia, em particular da televisão, lamentavelmente, estão a serviço de programas que atentam contra a dignidade humana. Não se pode simplesmente ajuizar que os cidadãos são livres para escolher o que é de baixo nível moral. É melhor não produzi-los. Então, é preciso combatê-los, investindo na formação da consciência moral, com uma consistência tal que se rejeite, com lealdade, os fascínios da celebridade fugaz, o gosto mórbido pelo dinheiro e pelo poder, e substituí-los pelo apreço ao bem, à verdade; criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto.
As culturas e as sociedades não podem prescindir de investimentos, abordagens e compreensões da consciência na sua insubstituível e específica função de discernimento e juízo moral. É urgente superar considerações de que tratar e investir na moralidade é um viés antigo, e até superado. A liberdade e a autonomia que caracterizam a sociedade contemporânea não podem prescindir do exercício dos valores morais sob pena de continuarmos a fabricar o precioso tempo do Terceiro Milênio como um tempo de abominação da desolação.

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A IGREJA CATÓLICA É A IGREJA PRIMITIVA 
http://blog.cancaonova.com/dominusvobiscum/2008/10/11/a-igreja-catolica-e-a-igreja-primitiva/

É comum ouvirmos protestantes dizerem: “Eu sou cristão”; ou também: “Agora sou cristão”. A verdade é que a maioria dessas novas igrejas não têm mais que 50, 100 ou 200 anos de fundação. O verdadeiro e pleno Cristianismo possui mais de 2.000 anos e encontra-se precisamente na Igreja Católica, fundada por Cristo. Estudemos a Palavra de Deus para conhecer as raízes do Catolicismo no Cristianismo primitivo.

RAÍZES BÍBLICAS DO CRISTIANISMO
1. Herdeiros do Povo de Deus – Denomina-se “Cristianismo” à religião em conjunto que foi fundada por Cristo Jesus, “pedra angular de toda a sua doutrina” (1Coríntios 3, 10-11; 1Pedro 2, 4.6-8). Esta religião herdou do povo judeu a fé em um único e verdadeiro Deus (Êxodo 20, 2-3), que teve sua origem na “santa aliança” celebrada entre Javé e o patriarca Abraão (Gênesis 12, 1-2), convertendo o povo de Israel em uma “nação santa e reino de sacerdotes” (Êxodo 19, 5-6).

2. Da Antiga à Nova Aliança – No entanto, “quando se cumpriu o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher, submetido à lei de Moisés” (Gálatas 4, 4). Ele é o “grande sumo sacerdote” (Hebreus 4, 14), que estabeleceu um “novo pacto” (Hebreus 8, 6) por sua morte salvadora na cruz (Efésios 2, 16; Colossenses 1, 20), dando origem ao “verdadeiro Povo de Deus” (Gálatas 6, 16). Conseqüentemente, “já não importa ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, porque, unidos a Cristo Jesus, todos vocês são um só. E se são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros da promessa que Deus lhes fez” (Gálatas 3, 28-29).

3. O Cristianismo durante os Primeiros Anos – A Igreja de Cristo foi vista, pelo menos durante os seus primeiros dez anos, como uma “nova seita” saída do Judaísmo (Atos 28, 22); porém, na realidade, era um “novo caminho” (Atos 24, 14), já que estava centrada em Jesus Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6). E os homens e mulheres que se atreviam a segui-Lo eram perseguidos, condenados à morte, capturados e encarcerados (Atos 22, 4). Não obstante, eles estavam unidos em um mesmo amor (Colossenses 3, 14), uma vida segundo os ensinamentos do “sermão da montanha”, para alcançar o “reino dos céus” (Mateus 5, 3-12).
No tocante ao termo “cristão” com que são identificados os discípulos de Cristo, começou a ser empregado na província romana de Antioquia – atual Antakya, na Turquia (Atos 11, 26). Este nome foi aceito por todos aqueles que suportavam os sofrimentos de sua fé (1Pedro 4, 16), convertendo-se assim em autênticos soldados de Cristo (2Timóteo 2, 3).

4. Meu nome é “Cristão”; meu apelido é “Católico” – O Cristianismo esteve conformado em sua alvorada histórica pelo Catolicismo, que possui Jesus como Cabeça (Colossenses 1, 18; Efésios 5, 23), ao fundar sua congregação sobre o apóstolo Pedro, a pedra (João 1, 42; Mateus 16, 16-18; Lucas 22, 32; João 21, 15-17). A palavra grega “Igreja” significa assembléia de fiéis (1Coríntios 1, 2), “católica” significa universal (Apocalipse 7, 9) e foi usada pela primeira vez por Santo Inácio de Antioquia, no início do século II de nossa Era. Ela é “a família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é coluna e fundamento da verdade” (1Timóteo 3, 15).

5. Da Igreja de Cristo às “igrejas” e seitas – Quantas vezes nos temos perguntado, diante da grande avalanche de igrejas cristãs: “Qual delas é a verdadeira?” A esse respeito, ensinava São Cipriano no século II que: “ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja Católica por Mãe”.
O cardeal John Henry Newman [ex-protestante] acrescentava que “para conhecer a história do Cristianismo, é necessário deixar de ser protestante”. Por essa razão, nós católicos afirmamos que a nossa religião não foi fundada por nenhum homem, como ocorreu com todas as demais denominações cristãs, que muitas vezes, como “lobos devoradores”, querem destruir a Igreja (Atos 20, 29-30). Ao contrário, [a Igreja Católica] tem suas origens em Jesus Cristo, que é a “rocha firme” (Mateus 7, 24-25) e, portanto, ninguém pode construir sobre outro fundamento (1Coríntios 3, 9-11). A existência da Igreja Católica e seu impacto têm sido muito profundos: nos referimos a uma instituição que sobrevive há mais tempo que qualquer império na História da civilização. Ela já dura três vezes mais que o Império Romano e duas vezes mais que a dinastia na China.

6. Uma Igreja Visível – A Igreja Católica é vista teologicamente como o “corpo místico” de Cristo (Efésios 1, 23), sem “mancha nem pecado” (Efésios 5, 27), como “a esposa do Cordeiro” (Apocalipse 21, 9; 22, 17), a quem o Senhor não deixa de cuidar (Efésios 5, 29). A Sua intenção era que existisse “um só rebanho e um só Pastor” (João 10, 16), sendo Ele “o grande pastor das ovelhas” (Hebreus 13, 20), chamado “o Bom Pastor” (João 10, 11), que vela permanentemente por elas (1Pedro 2, 25). Para cumprir esta santa tarefa, o Filho de Deus elegeu doze Apóstolos (=enviados) (Mateus 10, 2-4; João 20, 21), dando-lhes plena autoridade para governar a sua Igreja, encabeçada pelo apóstolo Pedro (Mateus 16, 19; 18, 18; 19, 28; Efésios 2, 20), com cinco grandes missões:
[1] pregar o Evangelho (Mateus 28, 20) e orar;
[2] batizar (Mateus 28, 19; Marcos 16, 15-16);
[3] celebrar a Eucaristia (Lucas 22, 19);
[4] perdoar os pecados (João 20, 23; Lucas 24, 47);
[5] e realizar sinais milagrosos em seu nome (Mateus 10, 1; Marcos 16, 17-18), como Pedro curou com a sua sombra (Atos 5,15) e Paulo com sua roupa (Atos 19, 11-12).
Do mesmo modo, o Santo de Deus, antes de regressar ao céu, prometeu enviar aos seus amigos a ajuda do Espírito Santo, para que lhes recordasse tudo o que Ele havia lhes dito (João 14, 26; 16, 13), tornando-se visivelmente presente na festa de Pentecostes (Atos 2, 1-4.33) e muitas outras vezes com a colaboração dos anjos do céu (Atos 5, 17-20; 8, 26; 10, 3-8.22; 12, 7-11; 27, 23-24).

7. Uma Igreja com Hierarquia – Os Apóstolos, conforme iam expandindo a “Boa Nova” nos templos e nas casas (Atos 5, 42), nomearam, por sua vez, bispos (pastores), presbíteros (anciãos) e diáconos (servidores), por intermédio da oração, do jejum e da imposição das mãos (Atos 13, 3; 14, 23; 1Timóteo 4, 14; 2Timóteo 1, 6), rito sagrado esse que foi mantido até os nossos dias pela hierarquia eclesiástica católica. Prova disso foi a escolha de Matias pelos onze Apóstolos, para que viesse a ocupar o lugar de Judas (Atos 1, 15-26); e também as nomeações de novos bispos promovidas por Paulo (como Tito em Creta e Timóteo em Éfeso), e Barnabé na Ásia Menor, para que cuidassem da “Igreja” ou do “Rebanho” de Deus (Atos 20, 28; Hebreus 13, 7.17) e se dedicassem a “pregar e ensinar” (1Timóteo 5, 17). A esses novos bispos foi transmitido o legado de ordenar presbíteros (Tito 1, 5), que davam a conhecer a sã doutrina (1Coríntios 4, 1; 2Timóteo 2, 2; Tito 1, 9) e curavam os doentes por meio da oração e da imposição do óleo (Tiago 5, 14; Marcos 6, 13). Também por solicitude dos Apóstolos, a comunidade de Jerusalém nomeou sete diáconos que se encarregaram do cuidado material dos fiéis (Atos 6, 2-6). Um deles, Estêvão, foi o primeiro mártir (=testemunha) do Cristianismo (Atos 7, 59-60). Entre os Apóstolos, profetas, pastores e mestres haviam diferentes dons e qualidades (Atos 13, 1; Romanos 12, 6-8; 1Coríntios 12, 27-31; Efésios 4, 11).
Tamanho foi o êxito, que em pouco tempo “as igrejas se afirmavam na fé e o número de crentes aumentava a cada dia” (Atos 16, 5; 9,31), possuindo como dirigentes, em cada lugar, os Apóstolos, bispos e diáconos (Atos 15, 4; Filipenses 1, 1); todos eles com os fiéis em geral conformavam as “igrejas de Deus” (2Tessalonicenses 1, 4), chamadas também de “igrejas de Cristo” (Romanos 16, 16), “povo santo” (Atos 9, 13) ou “povo de Deus” (Apocalipse 5, 8; 8, 3; 19, 8), “casa de Deus” (Hebreus 3, 6) ou “família de Deus” (Efésios 2,19). Do mesmo modo, os príncipes dos Apóstolos, Pedro e Paulo, com suas cartas pastorais manifestavam como deveria ser a vida exemplar e reta dos bispos (1Pedro 5, 1-4; 1Timóteo 3, 1-7; 4, 17), presbíteros (Tito 1, 6-9), diáconos (1Timóteo 3, 8-13) e de todos os fiéis cristãos (Romanos 12, 9-21; 13, 1-14; 14, 1-23; 15, 1-6).
Particularmente é conhecida uma carta de Santo Inácio de Antioquia, redigida nos primeiros anos do século II, em que diz que cada comunidade de crentes contava com um único bispo, assistido pelos presbíteros e diáconos. Conservam-se também as listas dos bispos católicos das principais igrejas: Roma, Jerusalém, Antioquia, Alexandria, todas as quais remontam aos próprios Apóstolos.

8. A Igreja Cristã foi Perseguida: Todos os Fiéis eram Católicos. Todos! – Por outro lado, à medida que se cumpriam as palavras do Apóstolo dos Gentios, que assinalavam Cristo como “o salvador da Igreja” (Efésios 5, 23), o diabo, como “leão rugente”, provocava perseguições aos crentes em todo o mundo (1Pedro 5, 8-9). O próprio Mestre Divino já assim havia profetizado (João 15, 20). Os primeiros cristãos suportavam com grande paciência diversas penas (2Coríntios 6, 4-5), convertendo-se em verdadeiras “testemunhas de Jesus” (Apocalipse 17, 6), para estar com Ele em sua glória (Romanos 8, 17).
Neste ponto, nossa Igreja é a que ofereceu mais mártires no Cristianismo: estima-se que, em vinte séculos, foram 40 milhões entre papas, bispos, sacerdotes, religiosos, monges, missionários, catequistas, neocatecúmenos, seculares, meninos e meninas. Apenas no século XX, 27 milhões morreram em razão de sua fé em perseguições religiosas promovidas na Espanha, no México, na Alemanha nazista, na ex-União Soviética, na China comunista, nas guerras civis de alguns países da África etc. Eles são “os que lavaram suas roupas e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7, 14), estão “vestidos de branco e portando folhas de palma em suas mãos” (Apocalipse 7, 9). Por isso, Santo Agostinho dizia que “a Igreja Católica segue peregrinando entre as perseguições dos homens e os consolos de Deus”.
Se vieres a fazer uma pesquisa em qualquer biblioteca sobre as perseguições promovidas no Império Romano para verificar quem foi martirizado, encontrarás os nomes dos grandes mártires católicos, os quais ainda hoje recordamos e amamos como santos, por terem dado as suas vidas pelo Evangelho. Inclusive quando atualmente festejamos o Dia dos Namorados, que trata do amor e da amizade, isto encontra-se em estreita relação com São Valentino, um mártir católico do início do século IV. TODOS ELES ERAM CATÓLICOS E ANTERIORES À LIBERDADE DE CULTO AUTORIZADA POR CONSTANTINO.
O Cristianismo primitivo é o Catolicismo (se algum leitor discordar ou não crer nisto, pedimos para que investigue e nos envie um único nome de qualquer mártir dos primeiros séculos que tenha sido protestante ou evangélico. Embora nunca nos tenham enviado nada – pois jamais existiu – o autor continua aguardando com paciência).

9. A Igreja Católica expandiu o Cristianismo para todo o Mundo – Esta tarefa evangelizadora que se cumpre desde a ordem emanada pelo próprio Senhor Jesus, de dar a conhecer sua mensagem até os confins da terra (Atos 1, 8), é testemunhada na História com a conversão do grande Império dos Césares, a partir de Constantino no século IV. Posteriormente, missionários e monges católicos fizeram o mesmo com as tribos bárbaras dos godos, vikings, francos, germanos entre outras. A partir do século XVI o Catolicismo se estendeu pela América, Índia, China, Japão e África, graças à pregação de valentes sacerdotes e religiosos franciscanos, dominicanos, jesuítas, mercedários e agostinianos. Igualmente, outro sinal distintivo foi a atenção dada aos órfãos e viúvas (Tiago 1, 27); nas igrejas, aos domingos, era recolhida uma oferta voluntária para tal fim (1Coríntios 16, 1-2). Esta característica bíblica continua presente na Igreja Católica de nossos dias, responsável por uma imensa quantidade de hospitais, dispensários, leprosários, centros de saúde, asilos, orfanatos, creches, escolas, oficinas de capacitação, restaurantes populares para adultos e crianças, bancos de alimentação para pobres, centros de reabilitação para dependentes químicos em geral, aidéticos, entre outros. Obedece assim ao mandamento do apóstolo Tiago: “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 14-18).
Hoje em dia é comum ouvirmos muitos grupos afirmarem que eles são a verdadeira Igreja de Cristo, portadores do verdadeiro Cristianismo; porém, a pergunta é bem simples: se eles são os verdadeiros cristãos, POR QUE NENHUM DELES VIERAM ORIGINARIAMENTE EVANGELIZAR A AMÉRICA E OUTROS CONTINENTES?
A resposta é rápida: NÃO VIERAM PORQUE NÃO EXISTIAM.

10. A Igreja de Cristo: a Católica, desde o Princípio tem um Rosto Divino e Humano – Devemos reconhecer a Igreja de Cristo em sua parte humana, que cumpre a parábola do “joio entre o trigo” (Mateus 13, 24-30) através dos tempos. De fato, o papa João Paulo II declarou humildemente que no Catolicismo tem existido “luzes e sombras”. No entanto, o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mateus 16, 18), pois o Messias sempre estará com os seus (Mateus 28, 20; 1Coríntios 5, 4), segundo ainda a sentença do mestre da Lei, Gamaliel (Atos 5, 38-39), já que existe uma íntima união entre Deus, a Igreja e Cristo Jesus “por todos os séculos, agora e para sempre” (Efésios 3, 21).
Que Deus continue te abençoando e dai graças a Deus se fores católico. Luta para ter uma relação pessoal com Jesus Cristo e testemunha com a tua vida que Ele está vivo. Se não sois católico e desejas ser 100% cristão, saiba que as portas da Igreja Católica estão abertas para ti. Te aguardamos!

Autor do Texto: Guido Rojas
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte original: http://www.defiendetufe.org
Fonte em Português: http://www.veritatis.com.br/article/4163

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RELIGIOSIDADE ESCLARECIDA
Côn. Vidigal / Mariana (MG), 28/10/2005
Em nossos dias, infelizmente, muitos católicos se deixam levar por uma série de superstições, influenciados pelos meios de comunicação social, inclusive pelas perniciosas novelas. O descontrole psicológico, a falta de dinheiro e outros fatores, aliados a uma profunda ignorância religiosa fazem pessoas ir às cartomantes, aos terreiros de macumba, aos benzedores. Alguns gastam até somas vultosas na busca da sorte e só aumentam as desgraças. Adite-se que idéias negativas passam a povoar a mente daqueles que se entregam a práticas que só contribuem para fazer crescer a insegurança interior. Nunca é racional alimentar preconceitos e presságios infundados hauridos de circunstâncias fortuitas.
É preciso obedecer aos preceitos bíblicos. Está claramente no Livro do Deuteronômio: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus” (Dt 18, 10-13).
Adivinhação pela invocação dos espíritos é abertamente condenada no Livro Santo. A Lei proíbe de maneira veemente a necromancia. Esta era praticada em Israel (2Rs 21, 6; Is 8, 19), não obstante vetada por Deus (Lv 19, 31; 20, 6. 27; Dt 18, 11; 1Sm 28, 9). No caso de Saul, Deus permitiu a manifestação da alma de Samuel, donde o espanto da mulher (1Sm 28, 9. 1Sm 27, 3.7.8.12.15.17), mas lemos no livro do Eclesiástico: “Depois disso Samuel morreu e apareceu ao rei (Saul) e predisse-lhe o fim de sua vida” (Ecl 46, 23).
Os católicos devem, também, tomar cuidado para não transformarem objetos religiosos em amuletos. Uma atitude é trazer, por exemplo, a Medalha Milagrosa como sinal da proteção da Mãe de Jesus, outra é pensar que tal fato em si vai ocasionar boa sorte. Trata-se de posicionamento que pode até alienar e conduzir a não se tomar os cuidados necessários para o progresso na vida e a prudência em todas as ações. As imagens dos santos devem ser, sobretudo, um lembrete de como aquele discípulo de Jesus viveu sua doutrina e tanto se santificou no serviço do próximo e um convite da procura da santidade pessoal.
Cumpre não penetrar no terreno mágico-religioso, prestando-se um culto indevido a Deus ou uma veneração imprópria aos santos. Aí se incluem as vãs promessas, transformando-se o momento sagrado da oração num comércio espúrio entre a terra e o céu.
Jesus recomendou a oração: “Pedi e recebereis, buscai e achareis” (Mt 7, 7) e na Bíblia vemos o poder de intercessão dos justos diante de Deus, como aconteceu com Jó, Moisés e tantos outros personagens tementes a Deus. Cumpre ao cristão se colocar em condições para receber os dons celestes, purificando-se de suas faltas e dispondo-se a cumprir fielmente com seus deveres de estado e a respeitar integralmente os mandamentos divinos. Há de se ter em conta também que, muitas vezes, Deus que é infinitamente sábio e bom ao invés de dar determinado favor que não seria útil a quem o suplica para si ou para os outros, entretanto dará graça muito maior condizente à salvação própria e alheia.
Não basta implorar a Santa Edwiges para que ela ajude a pagar as dívidas, se o fiel não se dispõe a não gastar no futuro menos do que tem. Cumpre pedir emprego, mas cada um tem que se habilitar num esforço persistente para ser um profissional competente. Enfim, é necessário, realmente, abolir qualquer tipo de anemia espiritual ou crendice. É um absurdo, por exemplo, como está em certas estampas de alguns santos populares que se faça a promessa de imprimir um milheiro daquelas preces caso a graça seja obtida. Verifica-se um comércio condenável, pois o que a gráfica quer é lucrar com a boa fé daqueles que se deixam engodar com tais insinuações.
É louvável que se traga respeitosamente consigo o crucifixo, mas muito melhor é ter Cristo fixo no coração, nas palavras, nas obras.
É preciso que se afastem as observâncias vãs na vida diária para que se pratique um cristianismo esclarecido que leve, de fato, à vivência plena do Evangelho e à imitação constante das virtudes de Maria, dos santos e dos anjos obedientes a Deus.

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REFRIGÉRIO NAS AGRURAS
Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba, MG, 05/10/2010

Com muita razão o cristianismo foi considerado uma religião que derrubou mitos dos povos antigos. Nada estranho que alguns escritores o tenham acusado de ‘ateísmo”. Tudo o que os pagãos achavam “bonito”, “confortador”, mas não era verdadeiro, os cristãos desmitizaram. Assim, achar que uma determinada fonte de água, estava cercada de mistério e de   força oculta, a ponto de chamá-la “água santa”, foi abertamente desmentido pelos seguidores de Cristo. Para eles só havia um ser verdadeiramente santo na natureza: era o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. Então, acreditar nas histórias fantasiosas dos deuses, era incompatível com a verdade.”Não seguimos fábulas habilmente inventadas”  (2Pd 1, 16). Para as crianças nós continuamos, nos dias atuais, a contar histórias de fadas, cheias de mentirinhas inocentes. Até as criancinhas sabem que essas histórias não são reais. Mas a humanidade persiste em contá-las porque ensinam que o mal é punido e o bem triunfa sobre o mal. Até aí concordamos, e dizemos com os italianos: meno male.
Mas algumas histórias mirabolantes das novelas, exibidas hoje em dia na televisão, são um “aggiornamento” de mitos, não tão inocentes. Outrora eram afagados pelos pagãos. São os adultos contando estórias confortadoras, como se verdades fossem. Falam de aparições de pessoas falecidas, de consultas aos mortos, e quejandos. Uma vez que Deus não nos revela como estão os falecidos (eles estão em outra dimensão), então tentamos enganar o Poderoso, invocando (por fora), seus espíritos. Esse é um ato particularmente detestado pelas Escrituras Sagradas, por serem um ato de magia. Os atos mágicos representam uma vontade de possuir forças secretas para superar a dureza da vida. Essas consultas podem trazer um conforto para os familiares, mas são irreais. Jesus era um homem absolutamente realista, sem fantasias, e nada visionário. Ele nos chamou à realidade da vida, e nos convocou para a coragem. Quis incutir em nós uma  esperança sem desfalecimento. Ele ainda hoje diz a todos os sofredores: “Coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). O nosso caminho é esse.

Papa convida a refletir sobre zelo e respeito à Igreja

Tentação da mundanidade

Sexta-feira, 9 de novembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-convida-refletir-sobre-zelo-e-respeito-igreja/

Nossas igrejas são realmente casa de Deus, casa de oração, ou se parecem com os mercados?, questionou o Papa na Missa de hoje

Papa Francisco em Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Na Missa desta sexta-feira, 9, na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, extraído de João, explicando as motivações que levam à agressividade de Jesus, que expulsa violentamente os mercantes do Templo. O Filho de Deus é impulsionado pelo amor, “pelo zelo” que sente pela casa do Senhor, “convertida num mercado”.

Entrando no templo, onde se vendiam bois, ovelhas e pombas, na presença dos cambistas, Jesus reconhece que aquele lugar era povoado por idólatras, homens prontos a servir ao “dinheiro” ao invés de “Deus”. “Por trás do dinheiro há o ídolo”, destacou Francisco, os ídolos são sempre de ouro. E os ídolos escravizam.

“Isso nos chama a atenção e nos faz pensar em como nós tratamos os nossos templos, as nossas igrejas; se realmente são casa de Deus, casa de oração, de encontro com o Senhor; se os sacerdotes favorecem isso. Ou se parecem com os mercados. Eu sei… algumas vezes eu vi – não aqui em Roma, mas em outro lugar – vi uma lista de preços. “Mas como pagar pelos Sacramentos?”. “Não, é uma oferta”. Mas se querem dar uma oferta – e devem dá-la – que a coloquem na caixa das ofertas, escondido, que ninguém veja quanto está dando. Também hoje existe este perigo: “Mas devemos manter a Igreja. Sim, sim, sim, realmente.” Que os fiéis a mantenham, mas na caixa das ofertas, não com uma lista de preços”.

Que as igrejas não se tornem mercado

O Papa Francisco advertiu também para a tentação da mundanidade. “Pensemos em algumas celebrações de algum Sacramento talvez, ou comemorativas, onde você vai e vê: não sabe se é um local de culto, a casa de Deus ou um salão social. Algumas celebrações que escorregam para a mundanidade. É verdade que as celebrações têm que ser bonitas – bonitas –, mas não mundanas, porque a mundanidade depende do deus dinheiro. É uma idolatria também. Isso nos faz pensar, e também no que diz respeito a nós: como é o nosso zelo pelas nossas igrejas, o respeito que nós temos ali quando entramos”.

O Pontífice refletiu depois sobre a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, esclarecendo que também o coração de cada um representa “um templo: templo de Deus”. Assim, cada um deveria interrogar o próprio coração para verificar se é “mundano e idolatra”.

“Eu não pergunto qual é o seu pecado, o meu pecado. Pergunto se existe dentro de você um ídolo, se há o senhor dinheiro. Porque quando existe o pecado há o Senhor Deus misericordioso que perdoa se você vai até Ele. Mas se há o outro senhor – o deus dinheiro – você é um idólatra, isto é, um corrupto: não mais um pecador, mas um corrupto. O cerne da corrupção é justamente uma idolatria: é ter vendido a alma ao deus dinheiro, ao deus poder. É um idólatra”.

Crisma é a marca que nos une a Cristo

http://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/crisma-e-a-marca-que-nos-une-a-cristo

Milhares de fiéis e peregrinos participaram na manhã desta quarta-feira, 30 de maio, da Audiência Geral na Praça São Pedro. O Papa prosseguiu sua série de catequeses sobre a Crisma, falando desta vez do selo do Espírito.

O Santo Padre explicou que antes de receber a unção espiritual que confirma e reforça a graça do Batismo, o crismando é chamado a renovar as promessas que um dia foram feitas em seu nome pelos respectivos pais e padrinhos. Agora, é o próprio fiel a professar a fé da Igreja, pronto a responder às perguntas que lhe faz o Bispo, em particular que está disposto a crer no Espírito Santo. “O único Espírito distribui os múltiplos dons que enriquecem a única Igreja: é Autor da diversidade, mas ao mesmo tempo o Criador da unidade”, recorda o Papa.

Francisco também detalhou que o sacramento da Confirmação ou Crisma realiza-se com a imposição das mãos do Bispo sobre os crismandos, enquanto suplica ao Pai do Céu que infunda neles o Espírito Paráclito. A este gesto bíblico, para melhor expressar a efusão do Espírito, logo se acrescentou a unção do óleo perfumado, chamado crisma, que é usado ainda hoje seja no Oriente, seja no Ocidente.

O óleo, acrescentou o Papa, é substância terapêutica e cosmética, que entra nos tecidos do corpo, cura as feridas e perfuma os membros. Depois da imposição das mãos, a fronte de cada um é ungida seguida destas palavras: Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus.

Assim, ao receber na fronte o sinal da cruz com o óleo perfumado do crisma, o crismando recebe uma marca espiritual indelével, o caráter, que o configura mais perfeitamente a Cristo e lhe dá a graça de espargir entre os homens o bom perfume de Cristo.“O Espírito é um dom imerecido”, concluiu Francisco, a ser acolhido com gratidão, fazendo espaço à sua criatividade inesgotável.

Durante as saudações em várias línguas, houve a apresentação de atletas coreanos de taekwondo, que sob as notas da Ave Maria de Schubert simbolizavam a união dos dois países.

Francisco também recordou que amanhã concluímos o mês mariano. “Que a Mãe de Deus seja o refúgio nos momentos felizes, assim como nos momentos mais difíceis, e seja a guia de suas famílias, para que se tornem um lar de oração, de recíproca compreensão e de dom”.

“O testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer”, afirma Papa

Quinta-feira, 8 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/o-testemunho-e-o-que-atrai-e-faz-igreja-crescer-afirma-papa/

Na homilia desta quinta-feira, 8, Francisco destacou três palavras: testemunho, murmuração e pergunta

Papa Francisco durante celebração desta quinta-feira, 8/ Foto: Vatican Media

O Papa Francisco celebrou a missa, nesta quinta-feira, 8, na Casa Santa Marta, e em sua homilia destacou três palavras: testemunho, murmuração e pergunta. A reflexão se desenvolveu a partir do Evangelho de Lucas, da liturgia do dia: “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus”, resumiu Francisco, que destacou a fala dos fariseus: “Este homem [Jesus] acolhe os pecadores e faz refeição com eles”.

O Pontífice iniciou a homilia citando Jesus e seu testemunho sobre uma novidade para aquele tempo. “Encontrar os pecadores tornava a pessoa impura, assim como tocar um leproso. Por isso, os doutores da lei se distanciavam”, comentou. Francisco observou que nunca na história, o testemunho foi algo confortável para as testemunhas, que muitas vezes pagam com o martírio, para os poderosos.

“Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser. Romper para melhorar, para mudar. Por isso, a Igreja vai adiante para testemunhar. O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer. Jesus testemunha. É algo novo, mas não muito novo, porque a misericórdia de Deus existe desde o Antigo Testamento. Os doutores da lei nunca entenderam isso: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifícios’. Eles liam, mas não entendiam o significado da misericórdia. Jesus com sua maneira de agir, proclama essa misericórdia com o testemunho”, sublinhou o Santo Padre.

O testemunho de Jesus provocou murmuração, apontou o Pontífice, que destacou a negativa postura dos fariseus, escribas, e doutores da lei, que criticavam Jesus por acolher os pecadores e fazer refeição com eles, ao invés de o verem como um homem bom, por buscar converter os pecadores. “Um comportamento que consiste em fazer sempre um comentário negativo para destruir o testemunho”, afirmou.

Segundo o Pontífice, o pecado da murmuração é cotidiano, tanto no pequeno quanto no grande, e surge quando as pessoas não gostam disso e daquilo, e, ao invés de dialogar, tentam resolver uma situação conflituosa, murmurando escondido, sempre em voz baixa, por falta de coragem para falar claramente.

“Assim, acontece também nas pequenas sociedades, nas paróquias. Quanto se murmura nas paróquias? Por muitas coisas”, disse o Papa, evidenciando que o “não gostar” de algo ou alguém, desencadeia a falação. “Isso é feio. Quando um governo não é honesto, procura sujar os adversários com a murmuração. Que seja difamação, calúnia, procura sempre. Vocês conhecem bem os governos ditadores, pois viveram isso. O que faz um governo ditador? Primeiro, toma os meios de comunicação com uma lei e dali começa a murmurar, a menosprezar todos aqueles que são um perigo para o governo. O murmúrio é o nosso pão cotidiano no âmbito pessoal, familiar, paroquial, diocesano, social”.

De acordo com o Pontífice Jesus, ao invés de condenar pela murmuração, faz uma pergunta: “Usa o mesmo método que eles usam, ou seja, o de fazer perguntas. Eles fazem perguntas para colocar Jesus em dificuldade, com má intenção, para fazê-lo cair: por exemplo, com uma pergunta sobre os impostos a serem pagos ao império ou sobre repudiar a própria esposa. Jesus usa o mesmo método, mas depois vemos a diferença. Jesus lhes diz: Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?”.

O Santo Padre recordou que, ao invés de entenderem, os fariseus fizeram cálculos e afirmara: “Eu tenho 99, uma se perdeu, está chegando o pôr do sol. Começa a escurecer: ‘Deixemos pra lá aquela perdida e entre perdas e ganhos teremos lucro. Salvemos estas’”. O Papa apontou a resposta como uma lógica farisaica, de escolha contrária a de Jesus. .

“Eles escolhem o contrário de Jesus. Por isso, não conversam com os pecadores, com os publicanos, não vão até eles porque: ‘É melhor não se sujar com essa gente, é um risco. Conservemos os nossos’. Jesus é inteligente em lhes faz essa pergunta: entra na sua casuística, mas os deixa numa posição diferente em relação àquela justa. ‘Qual de vocês? Ninguém diz: ‘Sim, é verdade’, mas todos: ‘Não, não o farei’. Por isso, são incapazes de perdoar, de serem misericordiosos, de receber”, explicou Francisco.

Por fim, o Papa recordou mais uma vez as três palavras de sua reflexão: “testemunho”, que provoca e faz a Igreja crescer, “murmuração”, que é como uma guarda interior para que o testemunho não penetre, e “a pergunta” de Jesus. O Papa também recordou as palavras alegria e festa: “Todos aqueles que seguem o caminho dos doutores da lei não conhecem a alegria do Evangelho”, sublinhou o Pontífice, que concluiu com a seguinte frase: “Que o Senhor nos faça entender essa lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo”.

Papa na catequese: a vida não é tempo para possuir, mas para amar

Sétimo Mandamento: não furtar

Quarta-feira, 7 de novembro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-na-catequese-vida-nao-e-tempo-para-possuir-mas-para-amar/

Reflexão do Papa na catequese de hoje foi sobre o sétimo Mandamento – “não furtar”

Papa segue no ciclo de reflexões sobre os Mandamentos / Foto: Arquivo – Canção Nova Roma

Na catequese desta quarta-feira, 7, o Papa Francisco dedicou sua reflexão ao sétimo Mandamento: “não furtar”.

O Santo Padre fez uma leitura mais ampla desta Palavra, focalizando o tema da propriedade dos bens à luz da sabedoria cristã. Ele lembrou que na Doutrina Social da Igreja fala-se do destino universal dos bens; como diz o Catecismo, Deus confiou a terra e os seus recursos à gestão comum da humanidade.

“O mundo é rico de recursos para assegurar a todos os bens primários. Ainda assim muitos vivem em uma escandalosa indigência e os recursos, usados sem critério, vão se deteriorando. Mas o mundo é um só! A humanidade é uma só! A riqueza do mundo hoje está nas mãos da minoria, de poucos, e a pobreza, aliás, a miséria e o sofrimento, de tantos, da maioria”.

Francisco advertiu que, se há fome, não é por falta de comida; o que falta é uma visão empreendedora que garanta uma produção adequada e uma distribuição justa. O Papa lembrou ainda o que diz o Catecismo: que o homem deve considerar as coisas que possui não somente como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não somente a ele, mas também aos outros. “Toda riqueza, para ser boa, deve ter uma dimensão social”.

Nesta perspectiva, aparece o significado positivo e amplo do mandamento “não roubar”. Como se lê no Catecismo, a propriedade de um bem faz daquele que o possui um administrador da Providência. “Ninguém é dono absoluto dos bens: é um administrador dos bens. A posse é uma responsabilidade”, disse.

“Aquilo que possuo realmente é aquilo que eu sei doar. (…) Se eu sei doar, sou aberto, então sou rico não somente daquilo que eu possuo, mas também da generosidade. De fato, se não consigo doar algo é porque aquela coisa me possui, tem poder sobre mim e sou escravo. A posse dos bens é uma ocasião para multiplicar com criatividade e usá-los com generosidade, e assim crescer na caridade e na liberdade”.

O próprio Cristo, lembrou o Papa, mesmo sendo Deus, esvaziou a si mesmo e enriqueceu o homem com a sua pobreza. “O que nos faz ricos não são os bens, mas o amor (…) ‘Não roubar’ quer dizer: ame com os seus bens, aproveite dos seus meios para amar como pode. Porque a vida não é tempo para possuir, mas para amar”.

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