Postagens por origy-psn

A moralidade é ouro

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

A sociedade está povoada de notícias que comprovam o quanto a corrupção e a desonestidade estão corroendo relações, provocando prejuízos irreversíveis na vida de cidadãos e de famílias, com sérios comprometimentos sociopolíticos. A confiança que se deposita em pessoas, no exercício de suas responsabilidades funcionais e ofícios, está e certamente continuará sendo abalada. O mesmo ocorre também na relação com as instituições, que têm tarefas de proteção aos direitos e à integridade de todos, constituídas para proteger o bem público, garantir a ordem e a justiça. Quando menos se espera, estouram aqui e ali acontecimentos que provocam decepção e generalizam a insegurança. Não se esperam conivências interesseiras dos que têm tarefa de garantir a justiça. Conveniências que comprometem a vida de jovens e de outros que têm seus sonhos inviabilizados de maneira irreversível.
As providências que governos, instituições e outras instâncias da sociedade precisam e devem tomar diante de fatos graves no tecido social e cultural, não podem retardar mais a consideração da moralidade como ouro na história de todos. Esse cenário, com suas violências, desmandos, corrupções, tráficos e outras condutas imorais, é origem de tudo o que esgarça o tecido moral da cidadania. Valor que é a base para vencer seduções e ter força para permanecer do lado do bem, com gosto pela justiça e fecundo espírito de solidariedade. É imprescindível redobrar a atenção quanto à moralidade que baliza a vida de cada indivíduo e regula suas relações. É urgente e necessário avaliar o quanto o relativismo tem emoldurado critérios na emissão de juízos, na formatação de discernimentos, trazendo direções equivocadas e prejudiciais nas escolhas, tanto no âmbito privado quanto no exercício da profissão, da política e de outras ocupações na sociedade.
É preciso diagnosticar esses pontos críticos na moralidade sustentadora da conduta cidadã e honesta. Não se pode desconsiderar a gravidade da situação vivida neste tempo de avanços e conquistas – marcado pela “démarche” (disposição para resolver assuntos ou tomar decisões) – imposta pela falta de moralidade pública, profissional e individual. Jesus, em Seus preciosos ensinamentos para bem formar os discípulos, não deixava de advertir e indicar critérios para comprovar os comprometimentos da moralidade. Ele dizia que “o irmão entregará o irmão à morte, o pai entregará o filho; os filhos ficarão contra os pais e os matarão”, convidando-os para não se escandalizarem e a permanecerem firmes diante do caos provocado pela imoralidade. A decomposição das relações familiares configura o paradigma da perda da moralidade, considerando a família com seu insubstituível papel de formadora de consciência.
Com a família, o conjunto das instituições educativas, religiosas e outras prestadoras de serviços à sociedade, é preciso fortalecer o coro de vozes, como o fez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quanto à necessidade de incluir na pauta da sociedade a compreensão da moralidade como um tesouro do qual não se pode abrir mão. Sua ausência significa a produção de perdas irreparáveis, de vidas, de credibilidade e de conquistas e avanços de todo tipo, pelos inevitáveis comprometimentos advindos de uma cultura permissiva e cega a valores balizadores da vida cidadã. Nesse âmbito, é preciso retomar a tematização da responsabilidade dos meios de comunicação – também sublinha a CNBB. A apurada qualidade técnica e os admiráveis recursos da mídia, em particular da televisão, lamentavelmente, estão a serviço de programas que atentam contra a dignidade humana. Não se pode simplesmente ajuizar que os cidadãos são livres para escolher o que é de baixo nível moral. É melhor não produzi-los. Então, é preciso combatê-los, investindo na formação da consciência moral, com uma consistência tal que se rejeite, com lealdade, os fascínios da celebridade fugaz, o gosto mórbido pelo dinheiro e pelo poder, e substituí-los pelo apreço ao bem, à verdade; criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto.
As culturas e as sociedades não podem prescindir de investimentos, abordagens e compreensões da consciência na sua insubstituível e específica função de discernimento e juízo moral. É urgente superar considerações de que tratar e investir na moralidade é um viés antigo, e até superado. A liberdade e a autonomia que caracterizam a sociedade contemporânea não podem prescindir do exercício dos valores morais sob pena de continuarmos a fabricar o precioso tempo do Terceiro Milênio como um tempo de abominação da desolação.

Solenidade da Santa Mãe de Deus

Por Mons. Inácio José Schuster

1º de janeiro, ano novo, oitava do Natal. Primeira Leitura tirada do Livro dos Números:

“O Senhor disse a Moisés, ‘Fala a Aarão e a seus filhos e dize-lhes: assim bendireis os israelitas e lhes direis: o Senhor te abençoe e te proteja, o Senhor faça brilhar sua face sobre ti e te seja favorável, o Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz”.

Com esse augúrio, retirado da Palavra de Deus, nós iniciamos um novo ano, 2017. Que o Senhor te abençoe e te proteja! Poderíamos transmitir augúrio mais adequado? Que o Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja propício durante todos os 365 dias deste ano. Que o Senhor te conceda a paz!

Hoje trocamos augúrios e nos cumprimentamos. Cada um de nós deseja a seu irmão, parente, amigo ou conhecido, a paz, a felicidade, a tranqüilidade. Mas é Deus quem pode verdadeiramente conceder-nos estes dons.

Este ano que se inicia é um livro; ele está apenas começando. Quantas coisas acontecerão? Acontecerão por certo, assim esperamos e desejamos, coisas boas. Pode ser que aconteçam coisas não boas também. O livro está em branco. Nós, juntamente com Deus, iremos escrever este livro, cada dia uma página e, quando completar 365 páginas nós o terminaremos.

Será uma tragédia? Será um romance? Será uma maravilha? Será algo surpreendente para nós e para outros? Que é que sabemos de tudo isto neste dia 1º de janeiro, quando desejamos a outros e a nós mesmo feliz ano novo? De qualquer maneira, nós colocamos este ano de 2017 aos pés de Jesus Cristo, o Senhor da História, o Senhor de todos os tempos, o Senhor da nossa vida também!
Nós colocamos este ano sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.  É exatamente sob este título que nós a saudamos neste dia, a ela consagrado: Mãe de Deus. Nós lhe pedimos humildemente que nos acompanhe nos nossos mistérios gozosos, luminosos, gloriosos, mas, sobretudo, se algum mistério doloroso tiver que ser trilhado por nós este ano. Cheios de confiança colocamos 2017 em Suas mãos e disso não nos esqueceremos em nenhum destes dias.

De qualquer maneira sabemos que Deus não abandona aquele que nele coloca a sua esperança. Deus não retirará as nossas dificuldades e os nossos sofrimentos, mas promete-nos, neste dia 1º de janeiro, entrar conosco em tudo, até mesmo nos piores momentos que poderiam sobrevir. Ele fará com que até o mal se transforme em bem para nós.

Com esta segurança e, sobretudo com esta confiança: Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo a você e a todos os seus.

Em Belém, pátria de Davi, pastor depois rei, nasceu Jesus, Bom Pastor e Rei Messias: há uma harmonia e correspondência da mesma forma que na vocação dos primeiros apóstolos, pescadores, se tornam “pescadores de homens”. Eles passam a noite, significando, por assim dizer, a antítese em relação à Luz que brilha nas trevas, característica do Natal. Passam a noite velando pelo rebanho, o que nos faz lembrar a recomendação de Jesus aos seus discípulos, para que permaneçam na atitude espiritual de quem vigia, na expectativa do seu retorno. As parábolas do administrador e das dez virgens prudentes nos exortam a esta atitude.

A aparição dos anjos, que os tranqüiliza: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova”, faz com que eles entrevejam a glória de Deus, vindo do mais alto do céu sobre a terra pela Encarnação do Seu Filho unigênito. E esta glória do Senhor os envolveu, glória que significa o esplendor interior e o esplendor que brilha e ilumina todos eles. Como a Primeira Aliança se concretizou pela entrada de Moisés na Glória de Deus se manifestando sobre o Sinai, a nova Aliança, que é o próprio Jesus, faz também entrar nesta mesma Glória os pastores, primeiros fiéis e anunciadores do Evangelho.

Eles encontraram Maria e José e o Menino “posto numa manjedoura”. E eles saem a proclamar o que tinham visto e ouvido. Eles fazem conhecer o que o Senhor lhes tinha feito conhecer: identidade entre a Revelação recebida e o que eles transmitem, como testemunhas oculares. Eles se atem ao essencial, o Menino, que o anjo tinha saudado com o tríplice nome divino de Salvador, Messias e Senhor. Maria, a mãe de Jesus, “conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”. De fato, diz Orígenes, “sem Deus a casa não é construída, mas também não sem a cooperação dos homens”. Maria é toda acolhida do dom de Deus, envolta em sua Glória, é a testemunha fiel. Pela sua vida melhor que qualquer outra pessoa ela comunica o que o Senhor lhe fez conhecer. É ela a Mãe do filho de Deus, Jesus.

“Mãe Santíssima, rogai por nós para que sejamos fiéis testemunhas do Evangelho e de Jesus em todos os momentos de nossa vida. Protegei-nos e guardai-nos do pecado e de todo mal”.

Família: Lugar da bênção de Deus

A família, muitas e muitas vezes, não está sendo lugar de bênção. É triste dizer que a família tem sido, muitas e muitas vezes, o lugar da desgraça, da angústia, da falta de amor. E por quê? Quantas e quantas pessoas, na rua são alegres e felizes, mas quando chegam em casa perdem a alegria. Por isso as famílias se tornam lugar de mágoa, de ressentimento, de tristeza, de angústia.
Quando falta Deus na família, falta absolutamente tudo. Observe os grandes ídolos do mundo moderno, cantores, artistas famosos, de vez em quando eles deixam vir à tona  a maior de suas carências. E qual é? A família. A falta desse amor por quê? Porque a família não está sendo lugar de bênção.
Para ser lugar de bênção de Deus, muitas vezes não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer cada dia pequenas coisas, de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.
Cl 3, 12-17: 2 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Entranhada misericórdia, doçura… Doçura no falar, no toque, no olhar… Humildade! Marido não tem de ser mais que a mulher, e a mulher não de ser mais que o marido.
São diferentes na função, mas iguaizinhos em dignidade. Humildade é fazer o outro se sentir mais importante. Isso é amor! Amor que não tem humildade não é amor. Humildade, doçura, bondade, paciência. O ser humano é fraco, é limitado. Custa  a crescer, e cresce com o tempo.
Bondade, doçura, paciência. ‘Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente’. O que é suportar? Uma mesa com a perna quebrada precisa de um suporte. Suportar é segurar a fraqueza do outro. Mas suportar é também pegar uma alavanca, um suporte, para ajudar a movimentar algo pesado. Suportar é estender o braço na hora que o outro demonstra sua fraqueza. A mulher precisa ser suporte para o marido. O marido precisa ser suporte para a mulher. O casal precisa ser suporte para os filhos. A família precisa ser suporte para a sociedade.
Suportar é ter a capacidade de se sacrificar, de sofrer calado muitas vezes por causa do outro. Na hora que o outro levanta a voz, eu abaixo a minha. Não é criar pessoas perfeitas, isso não existe! Mas é saber suportar o outro. Na hora da fraqueza do outro, eu vou ser força para ele. O marido não pode chorar no ombro da mulher infelizmente chora no balcão do boteco. Ele chora no colo de uma prostituta.
Essa é a  diferença! Então o marido tem de ser o suporte da esposa, tem de ser o ombro para ela chorar no momento de fraqueza. Não precisa falar nada. É só chegar e dar um abraço. Quantos e quantos casais precisam descobrir que não é uma relação sexual, como o mundo mostra que precisa ter; que muito mais importante,  prazeroso e santo, muitas e muitas vezes, é uma leve passada de mão no cabelo, um aperto de mão, um beijo na testa. Eis o que importa! Mais que suportar, como São Paulo diz, é preciso perdoar mutuamente. ‘Ah, eu amava muito aquela pessoa, até que ela fez isso comigo, aí acabou!’ Nunca amou! A palavra perdoar já traz em si mesma a palavra amar, porque perdoar é per+doar, doar é dar-se. Então, o sinônimo mais perfeito de amar é doar.
Perdoar é amar por inteiro. E dar-se de novo, como Deus se dá a nós. É saber que nós  não somos perfeitos. Sabe qual é o grande segredo para perdoar? É começar a cada dia como novo que é, é não levar dia velho para dia novo. Deus não leva. Quando chega o final do dia, Ele pega o rascunho do dia e joga fora. E chega outro dia… Deus acredita muito em nós! Ele diz que hoje vai dar certo, prepara aquele dia como se fosse o ontem, o anteontem. Perdoar é dar-se. Perdoar é amar de novo, é amar por completo. Perdoar é curar o outro. Uma das grandes missões do matrimônio cristão é curar o outro. Marido, você foi escolhido de Deus e por Deus, para curar sua esposa. Quantas pessoas têm uma doença e vem me pedir para fazer uma oração. Eu tenho feito a seguinte pergunta para muitas delas: A senhora já pediu a seu marido para impor as mãos sobre a senhora e orar? Infelizmente, na grande maioria das vezes nem a mulher reza pelo marido nem o marido pela mulher.
Que tristeza! Vivem juntos. Dormem juntos. Ficam nus um diante do outro, mas não têm coragem de se abençoarem mutuamente. Não rezam um pelo outro. Marido! A sua mão tem dom de cura para sua mulher. Mulher! A sua mão tem dom de cura para seus filhos. Filhos! Vocês têm dom de cura para seus pais.
Além de rezar uns pelos outros, a família precisa ser laboratório de perdão mútuo. Perdoar é não ficar olhando para trás.´

Trecho retirado do livro ´Famílias Restauradas´, de Padre Léo.

Natal, Sagrada Família, Ano Novo

10 Verdades sobre o Natal
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/12/28/10-verdades-sobre-o-natal/

1- O Papai Noel é um mito, Jesus é uma realidade! Papai Noel é um deleite, Jesus um Sacrifício.

2- A nossa expectativa em esperar o Natal é a mesma de toda a humanidade de todos os tempos a espera de que o Filho de Deus viesse a nós, em nossa natureza, para de novo ligar o Céu com a Terra.

3- O Natal nos lembra que estamos mergulhados no amor de Deus e não damos conta disso.

4- “Estarias morto para sempre, se Ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado”. Santo Agostinho

5- “O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali”. Dom Fernando Rifan

6- “O Natal é o terreno seguro e sempre fecundo, onde brota a esperança da humanidade”. São João Paulo II

7- “Se não tens nem incenso nem ouro para oferecer a Jesus, oferece-Lhe a mirra do teu sofrimento!” São Pio de Pietrelcina

8- Deus se fez homem e nasceu entre nós de maneira humilde e silenciosa, para dizer a cada pessoa de maneira muito concreta: “Eu te amo!”

9- Depois que o Verbo se fez Homem, assumiu nossas dores e sepultou a nossa morte, com a Sua morte, ninguém mais pode duvidar do Amor de Deus.

10- “És Maria, a beleza e o esplendor da terra, és o protótipo da santa Igreja. Por uma mulher, veio a morte, por outra mulher a Vida.” Santo Agostinho

 

NATAL
+ Eurico dos Santos Veloso

O ano litúrgico é composto de dois ciclos. Os ciclos do Natal e Páscoa. A Festa do Natal esta inserida no ciclo do Natal e sendo assim esta é a segunda festa mais importante do ano litúrgico, visto que a primeira festa mais importante é a Festa da Páscoa (ressurreição). O Natal é a festa da alegria, esperança e luz, que é celebrada todos os anos no final do ano civil e inicio do ano litúrgico para revigorar em cada filho e filha de Deus o valor pela própria vida com base nos ensinamentos divinos. O nascimento do menino Jesus ou a vinda do Messias foi predito pelos profetas do antigo testamento. O Filho de Deus era esperado como Aquele que libertaria os pequeninos dos poderes tirânicos dos grandes imperadores da época, mas que para a surpresa de muitos e desapontamento de outros se mostrou um Rei compassivo com uma nova forma de justiça diferente da justiça humana aplicada naquele contexto. A Justiça Divina desenvolvida na figura humano do Cristo igualou todas as raças. Esta Justiça vinda do alto ofereceu maior unidade no povo de Deus, diferente da justiça humana que é uma justiça distributiva dada somente a quem “merece” ou à aqueles que agradavam aos poderes.
O Cristo Rei do Universo vai nascer novamente, mesmo que esteja sufocado com uma contínua preocupação das pessoas com o aspecto material, uma situação que acaba por si mesma colocando em outro plano o que deveria ser primordial. Uma procura continua em comprar e em consumir o que acaba mudando totalmente o sentido natalino. Um Deus tão bondoso que quer se doar aos seus, acaba sendo esquecido e simplesmente o mercado coloca outra figura em seu lugar. Alguns personagens que o mercado usa para colocar no lugar Daquele que deveria ser rememorado vêm destruir não somente o valor da festa de Cristo, mas também valores familiares dando méritos a um ser fictício.
A Encarnação do Verbo é o Supremo ato de amor de Deus que assume a condição humana em sua totalidade. O nascimento do menino Jesus assume não somente a sua corporeidade individual, mas também a condição corpórea de toda a humanidade, integrada em todos os valores de dignidade, justiça e verdade. Todas estas nuâncias são revestidas do amor Divino. “Deus é amor e aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus, nele” (1Jo 4,16). A encarnação do Filho de Deus é a revelação da presença real amorosa, terna, vivificante e eterna de Deus entre homens e mulheres.  O prólogo do evangelho de João apresenta a origem Divina de Jesus como a Palavra eterna que procede de Deus, fazendo-se carne, morando entre nós, e, por Graça, nos tornam filhos etenos na eternidade de Deus.
É verdade: no estábulo de Belém, na fragilidade de uma criança, se contempla a revelação de Deus na história da humanidade, onde apareceu a grande luz que o mundo esperou. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza, para nos conduzir pelo caminho do amor. Esta luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo dos séculos, envolveu homens e mulheres, cercou-os de luz, onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade, a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes e a graça do perdão. A partir de Belém, um rastro de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Olhando os Santos se vê esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino!
Celebrar o Natal é fazer memória dos fatos libertadores realizados por Deus por meio do seu Filho Jesus, que com sua luz, trouxe a salvação a toda humanidade, fazendo-a brilhar para extinguir as trevas e as incertezas humanas.
Exultem todos no Senhor: nascera o salvador do mundo. Do céu desce a verdadeira paz e felicidade. Na fragilidade da criança contempla-se a revelação de Deus na história da humanidade. Deus se encarna no humano para nos tornar divinos. Naquela manjedoura do presépio, a divindade de uma criança sinaliza-nos de que a salvação é uma realidade para os pobres e oprimidos, pois a graça de Deus traz essa salvação para cada um de seus filhos. Por meio do Menino Jesus, Deus entra na história da humanidade para fazer parte dela, uma vez que Jesus é o Senhor e o Sujeito da história Um Menino que se deixa conhecer pelas vias expressas do coração.
Portanto, acolhamos o Natal de Jesus, festa de alegria, esperança e luz. Este acontecimento é capaz de renovar a nossa vida em nosso itinerário humano nos dias de hoje. Que o encontro com o Menino Jesus nos transforme em pessoas que não pensem somente em si mesmas, mas que se abram às expectativas e às necessidades dos irmãos. “Natal é a presença salvífica de Deus no mundo. Com o nascimento da criança ou menino de Deus renasce a unidade nas famílias que formam o povo de Deus.

SAGRADA FAMÍLIA

Depois de contemplarmos o presépio vivendo ainda a oitava do Santo Natal a Igreja, peregrina e santa, nos convida a refletir sobre a realidade da família de Deus, que é a realidade de nossas famílias hoje.
A Sagrada Família passou por alegrias, dificuldades e, também, por grandes sofrimentos. Após o episódio do Templo, em que aparece no meio dos doutores da lei, os pais de Jesus reconheceram a sua missão específica. Eles não põem nenhuma objeção à vontade do Pai. Nesta família reinou a caridade e a ajuda entre todos, a chamada ajuda mútua, os elementos fundamentais da vivência familiar.
Porque celebrar a família de Deus? Tudo isso para sublinhar que Jesus teve um ambiente histórico e social. Ele teve necessidade de afeto e de cuidados como qualquer outra criança. Isso tudo ilumina nosso itinerário cristão para que os cristãos mirem na Sagrada Família para que, seguindo seus exemplos, possamos crer no Filho de Deus, o Cristo Redentor da Humanidade.
A Sagrada Família foi uma família do cotidiano. Foi uma família de pessoas normais. Maria e José procuravam com sofreguidão por Jesus: aqui está a humanidade da sagrada família que sofre e quer proteger o seu Filho. Este gesto demonstra bem o fio condutor do novo Testamento: a criatura humana é um ser à procura de Deus, que parece estar despreocupado conosco.
Todos temos essa experiência. Se Maria e José, que conviviam fisicamente com Ele, devem sair à sua procura, quanto mais os que como nós só podem viver com Ele pela fé. Mas, depois do desencontro, Jesus volta com seus pais para a sua casa. A obediência de Jesus é maior do que a obediência ao pai e a mãe terrenos; ela se prende à vontade do Pai do Céu. Enfim, o testemunho do Cristo e de seus pais demonstra, também, o imenso resplendor que pode atingir uma vida familiar comum, vivenciada em Deus, na simplicidade e num grande amor compartilhado entre todos.
Que as nossas famílias se espelhem na vida da Sagrada Família e que todos nós possamos valorizar a vida familiar, na graça, na paz e na oração que ilumina a família, nossa Igreja Doméstica.

ANO NOVO
+ Dom Paulo Mendes Peixoto
Ainda em clima de natal, mas com gosto de ano novo, iniciamos o 2016 celebrando o Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal. A presença de Jesus Cristo, nascido de Maria, é a causa principal e motivadora de paz para todo o ano.
É fundamental, no primeiro dia, evocar a bênção de Deus, já que Ele é “o Senhor que salva”. Assim faz “brilhar sua face” sobre o povo e sobre a humanidade. Em Israel, no início do ano, o sacerdote dava a bênção sobre povo.
Pedir a bênção é querer a paz para a natureza e para o ser humano. Para quem a deseja, Deus deixa brilhar “a luz de sua face”. Só Ele pode abençoar, mas isto acontece também através de todos nós quando nos colocamos como seus verdadeiros instrumentos.
O ano novo deve ser tempo de liberdade, de superação de toda lei que massacra e causa escravidão. Não podemos colocar jugos, pesos sobre os ombros dos outros em nome de certos conceitos. As bênçãos de Deus nos tornam livres e irmãos de Jesus Cristo.
Recebemos um nome, que nos identifica e nos dá a dignidade de humanos. Ele é a nossa referência o ano todo, formando um caminho de responsabilidade. As atitudes sejam de pastores, que cuidam das ovelhas e são preocupados com o bem da humanidade.
Com um nome, com aquilo que nos dá cidadania, somos inseridos na sociedade humana tendo direitos e deveres, cidadãos de uma comunidade política na realização do bem comum. Que esta tarefa não seja traída neste novo ano!
De uma forma ou de outra, pertencemos a uma comunidade de pessoas, onde somos referência de identidade. Quem não pertence a nada não representa ninguém. A perda de identidade fragiliza os compromissos com o bem comum.
Que neste novo ano todas as nossas tradições, culturas, estruturas políticas, sociais e religiosas nos levem por um caminho de vida sadia, fraterna, justa e honesta. Que consigamos superar o mundo de corrupção tão nefasto para o nosso país.

Histórias e contos de Natal

Nenhum conto pode competir com o que escreveu Charles Dickens em 1844, Conto de Natal.
Através dos sonhos que sobressaltam ao rico avarento Mr Scrooge, Dickens sabe evocar todas as nostalgias do Natal. E mostra que o principal calor desses dias nasce do carinho nos lares. Boa pregação e mensagem para as festas. Poucos o terão lido e quase todos o terão visto em alguma das múltiplas versões cinematográficas. Porque é uma das histórias que mais vezes foi levada ao cinema. A primeira foi em 1913.
Desde então, se rodou de todas as maneiras possíveis, inclusive em desenhos animados (Murakami) e com fantoches (e Michel Caine). Mas a versão mais famosa é a de Brian Desmond Hust (1951), com um impressionante Alistair Sin como Mr Scrooge. Ano após ano, volta à tela, o inesquecível filme de Frank Capra, Que belo é viver. No fundo, é uma releitura da história de Dickens. Com James Stewart a ponto de suicidar! se, um simpático anjo não lhe fizesse pensar no que teria passado se não tivesse vivido. Ninguém está sobrando no mundo. Também é uma boa mensagem de Natal.
Algo tem o Natal quando suas histórias e contos podem dizer-nos simplesmente coisas tão importantes. Como se estivessem dirigidas a crianças, são recordadas aos grandes. Já as sabemos, mas, em outras circunstâncias, nos dá pudor dizê-las. Quiçá porque são enormemente bonitas, simples e ternas. Em outras épocas do ano, preferimos linguagens abstratas, que sempre são menos ternas que os contos. Provavelmente é uma maneira de resistir-se a reconhecer que, no fundo, seguimos sendo crianças. Porque aspiramos ao mesmo que elas: um pouco de carinho, um pouco de proteção, um pouco de festa e tempo para brincar. O mundo dos grandes, com suas seriedades e preocupações, é só para as horas de trabalho. Mas a felicidade tem que ver com o que ingenuamente desejam as crianças. Não há outra fórmula: “Se não vos fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus…”.
O Natal, por ser para as crianças, é tempo de histórias e contos. E, desde que existe a Internet, podem ser encontrados milhares na rede. Para todos os gostos. Também há contos horrorosos, desesperançados e pós-modernos. Querem ser contos para os grandes e, por isso mesmo, perderam o Norte, e não sabem aonde vão. Pelo contrário, me aconselharam o conto que publicou faz poucos anos Enrique Monasterio, A Manjedoura que Deus colocou. Começa de uma maneira preciosa: “No princípio Deus quis colocar um Presépio e criou o universo para enfeitar a manjedoura”. Explica que o Natal “não é um aniversário, nem uma recordação; muito menos é um sentimento; é o dia em que Deus coloca uma manjedoura em cada alma”. E com essa inspiração constrói seu relato. Estupendo.
Mas a principal história do Natal não é um conto nem uma recreação literária. É a recordação do Nascimento de Jesus, o Filho de Deus que nasceu de Maria naquela noite, santa desde então.
Por isso, antes que um conto, no Natal é preciso recomendar os começos do Evangelho de São Lucas e de São Mateus. Na Alemanha, existe o entranhável costume de ler em família, em voz alta, junto a Manjedoura, o capítulo 2 de São Lucas, na mesma noite de Natal. Ali aparecem Maria e José, e nos é contado que não encontraram lugar na pousada, e que tiveram que buscar um presépio. E se recorda a imensa alegria dos anjos e seu anúncio aos pastores. Com essa mensagem de Deus, que sempre é oportuna para os homens que devemos ser crianças: “Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens que ama o Senhor”.

JESUS VEM ME VISITAR!
Imagine que um amigo lhe telefona agora e avisa que daqui a 30 minutos Jesus virá visitá-lo.
Desligando o telefone você olha ao seu redor e vê que a faxina não foi feita, não há nada especial na geladeira ou na despensa para servir e corre para varrer rapidinho a sala, arruma umas almofadas no sofá para que Jesus se sinta mais confortável e coloca uma Bíblia estrategicamente aberta na mesa de centro.
Esconde os cigarros, os cinzeiros sujos, as bebidas alcoólicas, as revistas impróprias, CDs de rock pesado, forró duplo sentido, os livros de bruxas e Harry Potter dos seus filhos adolescentes, DVDs inadequados a uma casa cristã, o buda de gesso, os livros de Kardec, Paulo Coelho e esoterismo que estão na estante, e de repente bate o desespero.
É tanta coisa para esconder de Jesus que nem dará tempo tentar, e o pior, ainda preciso tomar um banho, pentear os cabelos e vestir uma roupa apropriada para a ocasião! Mas que roupa deveria vestir?
O desespero se instala!
O celular toca. É seu amigo novamente, agora avisando que Maria Santíssima virá com seu Filho Jesus e trarão também alguns anjos da corte celeste.
E agora? Como receberei o céu em minha casa no meio daquele caos? Sento-me exausto e choro. Choro e esqueço do relógio. Minha vida passa por meus pensamentos com um filme. A cada erro que relembro ter cometido, é como se uma espada penetrasse o meu coração por ter ofendido à Deus. Enquanto aquele choro sincero lava a minha alma esqueço da hora e me assusto com a campainha que toca. Vou cabisbaixo abrir a porta, como olharei para Jesus, Maria e seus anjos, todo desgrenhado, olhos inchados, suado e infeliz?
Ao me deparar com o Rei dos reis na minha porta, meu impulso é jogar-me ao chão. O impacto da Sua presença me paralisa. Passado o choque, mãos fortes e amorosas, mãos paternais me ajudam a levantar, e uma voz cálida e trovejante me transpassa a alma ferida. Aqueles olhos profundos, de uma santidade e misericórdia jamais descritíveis, me olham com um misto de piedade e alegria. Esqueço de quem sou e me entrego a um abraço longo, onde todo um passado equivocado é trocado por uma nova vida de certezas.
Já refeito, olho para a doce Mãe ali na porta da minha casa esperando ser acolhida, e então os convido:
Meu Senhor e minha Mãe, não tenho nada para ofertar-lhes, minha casa está despreparada assim como está também o meu coração, mas, vejo todo o amor do mundo em vossos olhos e seria uma imensa honra recebê-los. Se ainda quiserem, por favor, podem entrar!
Estamos no advento. Todos os anos nós cristãos deveríamos aproveitar este período para refazer nosso relacionamento com Deus e nos preparar dignamente para recebê-lo, não somente no natal, mas, em qualquer dia, todos os dias!
Quando Jesus veio pela primeira vez muitos O rejeitaram e nossos pecados O rejeitam até hoje.
Ele vem pela segunda e definitiva vez. A hora e o dia não sabemos, mas, estejamos prontos para que não sejamos surpreendidos de mãos e corações vazios.
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação” (Lc 21, 25-28).
“Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do homem” (Lc 21, 34-36).
“Eis que Estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei Eu com ele, e ele Comigo” (Ap 3, 20).
“Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos a nossa morada” (Jo 14, 23).

Natal

Em dezembro de 2008 foi publicada na Zero Hora esta charge: “Existe um homem que não vai descansar enquanto não matar Jesus e o verdadeiro sentido do Natal que ele representa. Herodes? Não papai Noel”. E hoje ao ler a Zero Hora vejo estampada na contra capa a imagem: Maria de braços abertos e Papai Noel descendo da Catedral de Pedra (veja anexo).
Diz a reportagem: “Em vez de trenó, rapel. Foi descendo pelas paredes da Catedral de Pedra, em Canela, que Papai Noel abriu oficialmente a programação natalina na cidade da Serra. E mais: “fazendo rapel, o bom velhinho, acompanhado de oito gnomos, desceu os 65 metros da fachada da torre do prédio”. Talvez seja bom saber o que são gnomos.
Segundo a WIKIPÉDIA– a enciclopédia livre…
“Os gnomos são espíritos de pequena estatura amplamente conhecidos e descritos entre os seres elementais da terra. A origem das lendas dos gnomos terá muito provavelmente sido no oriente e influenciado de forma decisiva a cultura antiga da Escandinávia.
Com a evolução dos contos, o gnomo tornou-se na imaginação popular um anão, senão um ser muito pequeno com poucos centímetros de altura. É comum serem representados como seres mágicos não só protetores da natureza e dos seus segredos como dos jardins, aparecendo como ornamento. Usam barretes vermelhos e barbas brancas, trajando por vezes túnicas azuis ou de cores suaves. Na mitologia nórdica, os gnomos confundem-se com a tradição dos anões, pelo que não é invulgar associá-los a seres que habitam as cavernas ou grutas escuras e não suportam a luz do sol. No conceito geral, têm a capacidade de penetrar em todos os poros de terra e até de se introduzirem nas raízes das montanhas, explorando os mais ricos minérios ocultos e trabalhando-os com intenso e delicado labor. Como são difíceis de ver, simbolizam o ser invisível que através do inconsciente ou da imaginação e visão onírica tornam visíveis os objetos e materiais desejados pela cobiça humana. São os guardiões de tesouros íntimos da humanidade. Por vezes um gnomo capturado pode conceder desejos a um humano que o capture, mas a maioria das vezes o desejo realizado pode acabar por se tornar uma maldição. Tal atitude deve-se ao fato que um gnomo castiga com ardis o ser que odeia e, por isso, na imaginação popular da cultura européia mediterrânea o gnomo é feio, disforme e malicioso”.
O segundo domingo do advento nos interpelou a “preparar o caminho do Senhor” (e não do Papai Noel) e esta preparação não só passa pelo coração (conversão para o perdão dos pecados) mas pelo testemunho de João passa também pelo jeito de comer e vestir (João vestia pele de camelo e comia mel do campo e gafanhotos (frutas do lokustbaum ).
Eu me pergunto: até que ponto estamos colaborando para matar Jesus e o verdadeiro espírito do Natal que ele representa, dando espaço para Papai Noel e os gnomos descerem das fachadas das nossas Igrejas? Estaremos ajudando a promover o consumismo do Natal e nos esquecendo que precisamos nos preparar para receber o Senhor e o novo que Ele nos traz? É neste espírito que mergulha a nossa evangelização? Nossas santas missões vão descer das fachadas de nossas igrejas e trazer um novo espírito que animem nossos cristãos a vivencia do Evangelho ou de nossas fachadas apenas vão continuar a descer o papai Noel e seus gnomos?
Os milhares de turistas voltam para casa do Natal Luz, do Sonho de Natal, do Natal dos Anjos (e de tantos outros que se criaram apenas com fins comerciais) convertidos para viverem o verdadeiro espírito do Natal? Ou tudo não passa de fachada? Se a nossa evangelização não atinge o centro do espírito do Natal o que restará no futuro para nosso povo? Jesus? Papai Noel?
Vamos pensar nesta charge, feita por um jornalista, mas que reflete o que estamos vivendo no momento presente…
Pe. Paulo Wendling

Símbolos Natalinos

Por Ir. M. Crisóstoma Stoffel (CSC)

Diante dos símbolos de Natal, surgem duas dificuldades que necessitamos superar. A primeira é a comercialização e secularização da Festa de Natal. A segunda, reside no uso dos símbolos de Natal que encontram sua origem nórdica da festa e da maioria de seus símbolos.

A data do nascimento de Jesus Cristo foi fixada no dia 25 de dezembro no hemisfério norte. É o início do inverno. Nessa data celebrava-se em Roma a festa do deus sol invicto. O dia começava a vencer a noite, a luz dissipava as trevas. Ora, Jesus foi visto como o Sol nascente do Alto, como Luz do mundo. A festa cristã do Natal veio, pois, substituir a festa do deus sol invicto, sendo que Jesus é o verdadeiro Sol.

Compreende-se, então, que a maioria dos símbolos de Natal esteja ligada a estes dois aspectos: a vida que resiste no inverno, simbolizada pelo verde, e a luz. Trata-se da festa da vida.

Mesmo assim, podemos e devemos encontrar neles um sentido cristão, pois apontam para algo que vai além do nosso horizonte de compreensão. Os símbolos de Natal querem conter, ocultar, revelar e comunicar o mistério do Natal, o Cristo que continua nascendo hoje.

coroa de Advento simboliza Jesus, o Rei. Os elementos principais são o verde e a luz. Trata-se de uma coroa, em geral de ramos de abeto ou cipreste, enfeitada por 4 velas e, eventualmente uma fita vermelha. As velas são progressivamente acesas nos 4 domingos do Advento.

A coroa simboliza o triunfo e a recompensa pela vitória conquistada. O círculo quer simbolizar o tempo, desde a criação do mundo até o fim dos tempos e as velas, a luz do mundo iluminando sucessivamente a história. A 1ª vela da coroa do advento representa o tempo da criação; a 2ª vela, a ação libertadora de Deus, na história do povo de Deus, no Antigo Testamento; a 3ª vela, a encarnação do próprio Deus na história, em Jesus Cristo; a 4ª vela simboliza Jesus Cristo presente na história da Igreja e da humanidade até o fim dos tempos.  A fita vermelha é expressão do amor de Deus para com a humanidade, e o verde, que não se desfaz, e a luz, expressa pelas velas, representam a vida de Deus na história da humanidade. As 4 semanas do Advento representam as diversas manifestações de Deus na história, preparando sua vinda nas comemorações do Natal.

Os presentes de Natal figuram o presente máximo, o dom de Deus, que é seu Filho e que nos foi dado como Irmão primogênito. A troca de presentes, também, está relacionada aos reis magos que trouxeram presentes para o menino Jesus (Mt 2,11).

O presente leva a pessoa a tornar-se simbolicamente presente na vida do outro, através de um gesto de bondade, de partilha, dando algo de si mesma. Por isso, o presente vale pelo seu significado. É símbolo: contém e expressa a presença de alguém na vida da outra pessoa.

O presente, como símbolo de Natal, reside em Deus, que se faz presente na vida da humanidade, através de seu Filho, Jesus Cristo.

Árvore de Natal. A primeira referência de uma árvore de Natal é do século XVI, na Alemanha, onde as famílias ricas e pobres decoravam árvores com papéis coloridos, frutas e doces. Ela também é originária do hemisfério norte, onde se celebra o Natal no inverno. Com a colonização alemã este costume se espalhou pelo mundo. As árvores eram enfeitadas no Natal para simbolizar a entrada da primavera, tempo das flores.

A árvore de Natal representa a vida, uma nova etapa, tempos de colheita de bons frutos. Por esta razão, neste século, o pinheiro foi eleito a arvore do Natal, pois é a única árvore que não perde folhas em nenhuma estação do ano, estando sempre verde, sempre viva.  Há toda uma simbologia bíblica da árvore, do Paraíso à Cruz, intimamente ligada a Cristo, que bem pode ser restaurada e relembrada. Ela tem um profundo sentido, sobretudo quando a família se reúne em torno dela para comemorar o aparecimento da Vida e da Luz do mundo através da leitura da Palavra de Deus, da oração, do canto e da confraternização pela troca de presentes.

As velas simbolizam a luz que veio ao mundo com o nascimento de Jesus, como lemos no profeta (Is 9,1): “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso”. As velas, agora substituídas por lâmpadas ou pisca-piscas, são um importante símbolo do Nascimento de Jesus, que é a Luz do mundo. Uma vela acesa além de simbolizar a Luz de Jesus, é um convite para que todos se tornem luz, alegria e felicidade para os outros. Isso exige, a exemplo de Cristo, a doação de si mesmo, como a vela que se consome ao iluminar.

A origem dos Cartões de Natal se deve a um jornal de Barcelona que, em 1831, inaugurou o uso da litografia no jornal, imprimindo um cartão para desejar um Feliz Natal a seus leitores. Este costume espalhou-se com rapidez, usando litografias onde deixavam um espaço para escrever algumas palavras. Em 1970, a introdução da cor nesta técnica revolucionou este tipo de Cartão de Natal. Por outro lado, costuma atribuir-se ao inglês Henry Cole a confecção do primeiro cartão, em 1843, com os dizeres: “Feliz Natal e próspero ano novo”.

estrela aponta para o Messias, descendente do rei Davi. Evoca o astro luminoso que conduziu os Magos até Jesus, Luz do mundo. A estrela tem 4 pontas e uma cauda luminosa; as 4 pontas representam os quatro pontos cardeais, de onde vem as pessoas para adorar a grande luz, que é o Filho de Deus. A estrela referencia Jesus, chamado: “a brilhante Estrela da Manhã” (Ap. 22,16). A estrela é colocada na ponta da árvore de Natal, saudando a todos com a luz que ilumina toda escuridão, até o fim dos tempos.

Anjo é o mensageiro de Deus na história da salvação. É o sinal de que “os céus se abriram e Deus visitou seu povo” (Mt 2,2). O anjo esteve presente no anúncio da Encarnação do Filho de Deus a Maria, explica para José o mistério da Encarnação virginal e volta para anunciar o seu nascimento ao pastores.

Feita a experiência do Natal do Senhor, cada pessoa é chamada a exercer a função de mensageiro da glória de Deus, da paz e da alegria. Assim o mistério do Natal está acontecendo hoje.

Os sinos são símbolos de júbilo e alegria pelas festas de Natal. Com elas se enfeita não só a árvore de Natal, mas também as portas das casas. Várias canções de Natal falam dos sinos como manifestação desta alegria natalina.

Noite Feliz, é uma das canções mais populares da noite de Natal. Foi escrita pelo padre Joseph Mohr e musicada por Franz Gruber em 1818, na cidade de Oberndorg, Áustria, tendo sido executada pela primeira vez na Missa do Galo desse ano na paróquia São Nicolau. Tem versões em, pelo menos, 45 línguas.

presépio é o mais completo símbolo de Natal. A tradição católica diz que o presépio surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de forma mais realista possível. Com a permissão do Papa, Tomás de Celano, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal.  O sucesso dessa representação foi tanta que rapidamente se estendeu pela Itália e por toda a Europa, e, no Brasil, difundiu-se pela iniciativa do frade franciscano Gaspar de Santo Agostinho. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos. A simbologia indica a centralidade do Mistério: o nascimento do Salvador, feito homem.

Ceia do Natal quer significar que a nossa verdadeira vida é Jesus, o Filho de Deus, que estamos festejando. É o momento em que a família se reúne para celebrar o Natal. Na Ceia, costuma-se colocar no centro, uma vela acesa, para simbolizar o Cristo que nos une em volta de si e que é a nossa Luz. Seu nascimento é motivo de grande alegria, para todas as pessoas de boa vontade, conforme o anúncio e cântico dos anjos.

Todas as comemorações do Natal recebem seu verdadeiro significado somente através da ceia Eucarística, ou Ceia do Senhor, ou Missa do Galo. Ela constitui o ponto culminante da festa do Natal e dará sentido a todos os outros símbolos. Nela o Cristo Jesus nasce na comunidade humana através do encontro em assembleia, através da palavra, através da presença sacramental. Deus preparou uma Ceia para a humanidade, onde ele mesmo é o alimento. É a Ceia do Senhor. Na ceia eucarística os cristãos participam da plenitude da Vida que nasce.

Por que 25 de dezembro?

Dom Murilo S.R. Krieger, scj
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil

Se procurarmos no Evangelho indicação sobre o dia do nascimento de Jesus, nada encontraremos. Na visão dos apóstolos e evangelistas, não se tratava de um fato digno de registro; no centro de sua pregação estava a ressurreição do Senhor. A preocupação que tinham, ao falar dele a quem não o conhecia, era clara: apresentar uma pessoa viva, não alguém do passado. É o que notamos, por exemplo, nos dez discursos querigmáticos (querigma: primeiro anúncio; apresentação das verdades centrais do cristianismo) que encontramos nos Atos dos Apóstolos. A idéia fundamental desses discursos é a mesma: “A este Jesus, Deus o ressuscitou; disso todos nós somos testemunhas” (At 2, 32).

Voltemos ao Natal. No tempo do Papa Júlio I, que dirigiu a Igreja do ano 337 a 352, é que foi introduzida essa solenidade no calendário da Igreja. Até então celebrava-se apenas a festa da Epifania – isto é, a manifestação do Senhor aos povos pagãos, representados pelos magos do Oriente. Ficava assim claro que Jesus era o Salvador de todos os povos, e não apenas de um só povo. Por que, então, 25 de dezembro como data do Natal?

O Império Romano havia decidido que todos os povos deveriam comemorar a festa do “sol invicto”, o renascimento do sol invencível. Era invencível uma vez que caía (morria) de noite e renascia a cada manhã, eternamente. Esse renascimento diário era celebrado no dia 25 de dezembro. O sol era também símbolo da verdade e da justiça, igualmente consideradas invencíveis uma vez que, por mais que muitos tentassem destruí-las, sempre renasciam vitoriosas. O sol, considerado um deus, era uma luz poderosa, que iluminava o mundo inteiro. Igualmente a verdade e a justiça eram luzes poderosas para todos os povos.

Em vez de simplesmente combater essa festa pagã, os cristãos passaram a apresentar Jesus Cristo, nascido em Belém, como o verdadeiro sol, já que nos veio trazer a verdade e a justiça. Também ele passou pela morte, mas dela ressurgiu, mostrando que era invencível. Seu nascimento – isto é, seu natal –, já que não se sabia em que dia havia ocorrido, passou a ser celebrado no dia do sol invicto.

A tradição – louvável tradição! – dos presépios é posterior: na noite de Natal de 1223, em Greccio – Itália, São Francisco de Assis fez o primeiro presépio. Ele maravilha-se que Jesus, o Filho de Deus, havia-se encarnado para que pudéssemos conhecer o rosto de Deus. Com Jesus, passamos a ter em nosso meio um Deus que “trabalhou com mãos humanas, pensou com inteligência humana, agiu com vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado” (GS, 22). Como não representar, então, seu nascimento, ocorrido numa gruta de Belém? Ao longo dos tempos e dos lugares, cada povo foi deixando suas próprias marcas nos presépios. Os presépios que vemos pela cidade de Salvador (que seja, um dia, a cidade “do” Salvador!), em parte fruto da iniciativa do projeto: “Salvador, cidade natal do Brasil”, é uma prova disso. Por sinal, não deixa de ser significativo que tal iniciativa tenha tido tanta acolhida na cidade que se identifica com o nome de Jesus. Afinal, o anúncio dos anjos em Belém, foi claro: “Eu vos anuncio uma grande alegria…: nasceu para vós o Salvador!” (Lc 2, 10).

O nascimento de Jesus é o fato central da história da humanidade; tanto assim que contamos os anos a partir desse acontecimento. Na proximidade do Natal, caminhemos ao encontro do Menino que nos é dado, para contemplá-lo e lhe dizer: “Vimos te adorar, Menino Jesus. Estamos maravilhados diante da grandeza e da simplicidade do teu amor! Tu agora estás conosco para sempre! Tu, pobre, frágil, pequeno… para nós, para mim! Em ti resplende a divindade e a paz. Tu nos ofereces a vida da graça. Teu sorriso volta-se para os pequenos, pobres e simples. Por isso, depositamos a teus pés nossas orações, nossa vida e tudo o que somos e temos. Olha com especial carinho, contudo, para todos aqueles que não te conhecem e, por não te conhecerem, não te amam. Amém!”

Advento do Salvador

Cardeal Geraldo Majella Agnelo

O Tempo do Advento chegou e somos convidados a iniciar a preparação da vinda do Salvador no seu Natal. Estamos sempre ligados à eternidade. Nascemos para viver sempre. Enquanto vivemos na terra, cada ano somos convidados a repassar toda a história da salvação através da Liturgia que se torna um sacramento de nossa fé.
Na verdade, a Palavra de Deus proclamada e explicada em nossas celebrações ilumina nosso caminho e a Eucaristia nos alimenta com o corpo e o sangue do Senhor sacrificado por nós na cruz.
Advento significa: ele virá. Revivemos a história da humanidade. A promessa do salvador foi feita ainda na manhã do pecado, como assinala o Livro do Genesis.
A história narrada na Bíblia abre-se com a sofrida pergunta de Deus Pai: “Adão, onde estás?” (Gênesis 3, 9) e se conclui com a trepidante prece da Igreja que, voltando-se a Cristo seu Esposo, invoca: “Vem!” (Apocalipse 22,7). Entre os dois extremos se desenrola o longo caminho da humanidade que toma progressivamente consciência do amor de Deus.
Demorou, no entanto, o inicio da realização do desígnio de Deus. Cerca de mil e quinhentos anos antes de Cristo, Deus chamou um homem, Abraão, que se tornou o pai do povo de Deus, não só do povo de Israel mas também de todos os que acreditaram em Deus. Abraão viveu profundamente a fé na Palavra de Deus, e com ele, começou a esperança da humanidade de um tempo novo, baseado na busca da verdade, da justiça, da fraternidade.
A primeira etapa da pergunta ´quem é Deus´ abarca todo o Antigo Testamento, pondo em evidência a procura incansável do homem por parte de Deus. Ele chama cada pessoa: Abraão, Isaac, Jacó; adota um inteiro povo que se revela incapaz de lhe ser fiel. Deus envia profetas para que denunciem com palavras e a vida as incoerências do povo e o ajudem a reencontrar os esplêndidos horizontes que Deus reserva aos seus.
Na segunda etapa, o “onde estás?” de Deus encontra a sua expressão mais radical na vida de Jesus de Nazaré. Nele é Deus mesmo que se inclina sobre o homem alquebrado nas suas misérias. Como um servo, Jesus se despoja de tudo, sobe despojado sobre a cruz. Lá, no Gólgota, Deus totalmente desarmado reabraça a humanidade condividindo com ela a força da ressurreição.
A terceira etapa é, enfim, atravessada pela trepidação da humanidade renovada. Ela vive do amor de Deus e o comunica ao mundo. Paulo, Pedro, Tiago, João com seus escritos, não fizeram outra coisa que exprimir o eco de uma boa notícia que vence qualquer obstáculo para atingir todos os povos da terra. A história da salvação entrelaça, sobre esse fundo, páginas sofridas e luminosas, personagens exemplares e abjetas, o amor e o ódio, a paixão e ternura de um Deus que sem trégua procura o homem.
Inicialmente, o homem bíblico pensa Deus segundo categorias antropomórficas. Imagens de Deus artesão modelando Adão com o barro; de Deus guerreiro “que combate a favor de seu povo”; de Deus ciumento, pronto a reprimir toda infidelidade; de Deus terrível que dita leis desde um turbilhão de fogo. A paz mesma, o bem estar, a vitória sobre inimigos são interpretados como prêmio à fidelidade para com a aliança; as deportações e as destruições tornam-se fruto da infidelidade e da desordem moral.
Deus é o Pai que forma seus filhos. É o anúncio dos profetas a lançar novas luzes sobre a compreensão do rosto de Deus: ele é o amante apaixonado, o esposo ferido, a mãe que nutre, o pai que educa, o pastor que conduz, o vaso que plasma, o  vinhateiro paciente. Lidas e meditadas à luz da experiência histórica vivida pelo povo, essas imagens revelam Deus em caminho com o seu povo, com o vulto coberto de pó e as sandálias rotas.
No tempo do Advento recordamos que o Senhor já veio. Recordar significa colocar de novo no coração, recordamos o Senhor nascido em Belém para nós. Mas o Advento nos faz também esperar sua vinda futura. Jesus nos disse que virá no fim dos tempos. Reunirá os seus discípulos no seu reino, reino de viventes porque ele venceu a morte e entregará o seu Reino ao Pai, para sempre.
Nossa história se coloca entre as duas vindas do Senhor. Há lugar para o Senhor? Tempo de fé e de esperança.

Halloween é absolutamente anticristã

Igreja na Espanha anima as crianças a trocarem as bruxas por fantasias de Santos (L’Osservatore Romano)

A Conferência Episcopal Espanhola animou as crianças a se fantasiarem de santos ao invés de vestir-se de bruxas ou caveiras a noite de Halloween –véspera do Dia de Todos os Santos– para que isso seja “estímulo” para seguir com sua vida cristã.
Assim o indicou à Europa Press o secretário técnico da Comissão Episcopal de Liturgia, o padre Juan María Canals Casas, que se uniu à proposta feita pela Conferência Episcopal Britânica para a vigília da festividade que sugeriu realizar atividades divertidas para as crianças e fantasiar-se de santos como São Jorge, São Francisco, Santa Luzia ou Santa Maria.
“Essa nota da Inglaterra me parece perfeita, em vez de vestir-se de caveira ou de outras coisas, pois vestir-se do que é a festa de Todos os Santos”, particularizou o padre Canales, ao mesmo tempo em que advertiu que todo o resto é “pagão”.

Canals considera que é necessário “cristianizar totalmente” o Dia de Todos os Santos, e acredita que esta sugestão pode ajudar a recuperar a celebração da festa “como estava no princípio” e não com os elementos que se introduziram posteriormente.
Além disso, afirmou que disfarçar-se com trajes relacionados com o terror “não tem nenhum sentido” pois, a seu parecer, “não é pedagógico para as crianças” já que “não o fazem com um sentido religioso, de rezar pelos mortos, mas profano”.
Na mesma linha, a Conferência Episcopal Britânica publicou um comunicado no qual anima todos os cristãos a acenderem uma luz em sua janela no dia 31 de outubro, noite de Halloween para mostrar que são seguidores de Jesus Cristo, e reivindicar o sentido religioso da festa, uma iniciativa que denominaram ‘Night of light’.
Entre outras propostas, a Igreja de Reino Unido sugere fazer vigília, ir a Missa, levar um objeto de cor branca, e no caso dos menores, fantasiar-se de Santos, fabricar velas, cozinhar biscoitos ou organizar jogos, conforme assinalado na página Web ‘nightoflight.org’.
O Bispo da diocese de Arundel e Brighton e chefe do departamento de Evangelização e Catequese, Dom Kieran Conry, destacou que Halloween é agora “a maior festa comercial depois do Natal” e que “é hora de recordar aos cristãos seu verdadeiro significado”. Nesta linha, a Conferência Episcopal Britânica explica que Halloween vem de ‘All Hallows Eve’ que quer dizer ‘Véspera de Todos os Santos’

Aí está a invasão publicitária, como em todos os anos nesta época: abóboras, disfarces de bruxas, de fantasmas, de esqueletos, diabos e de morte. E com nomes sugestivos: “Filha das trevas”, “A morte branca”, “Emissário da morte”, “Fantasma do Inferno”.
Para as carteiras menos recheadas, também há forquilhas, cornos e caveiras luminosas e também perucas de lobisomen e dentes de vampiro. Basta entrar nos supermercados e centros comerciais e até mesmo nas lojas de bairro que adultos, crianças e jovens têm uma panóplia para celebrar o Halloween.
A festa das bruxas, que se celebra na noite de 31 de Outubro, coincide com a véspera de todos os santos. Todos os anos a Santa Sé alerta para o carácter pagão do Halloween que “tem um pano de fundo de ocultismo e é absolutamente anticristã” (L’Osservatore Romano). Alguns bispos na Europa alertam os pais para esta onda de paganismo e apresentam alternativas curiosas: as Holywins – que brinca com as palavras “Santo” e “Vencer” – lançada pela diocese de Paris para juntar os jovens e crianças na noite de 31 de Outubro.
Também os bispos do Reino Unido deixam um apelo para que as crianças se disfarcem de santos, em vez de bruxos e diabos, porque a palavra Halloween deriva da expressão inglesa “All Hallow’s Eve”, ou seja “Véspera de Todos os Santos”.
Que bom seria se os portugueses encontrassem alternativas para testemunhar a fé e a esperança cristã diante da morte, em vez de celebrarem o Dia das Bruxas.

CELEBRAR OU NÃO CELEBRAR HALLOWEEN?
Entrevista com Paolo Gulisano, autor de um livro sobre o tema
ROMA, segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Grandes abóboras vazias iluminadas em seu interior, como se fossem caveiras, esqueletos e sombrias figuras encapuzadas, risadas assustadoras e um estribilho obsessivo; doce ou brincadeira? Tudo isso é Halloween, uma moda, uma festa, um novo costume que se impôs nos últimos anos, graças, em parte, à persuasão do cinema e da televisão.
A festa de Halloween se introduziu inclusive nas escolas de países nos quais há apenas alguns anos se desconhecia a existência da festa: em muitos centros escolares, desde a escola primária à superior, os professores organizam a festa junto aos alunos, com jogos e desenhos.
O tema de Halloween foi abordado em todos seus aspectos pelo escritor italiano Paolo Gulisano, autor de numerosos ensaios sobre literatura de fantasia e sobre a cultura anglo-saxônica. Junto à pesquisadora irlandesa, residente nos Estados Unidos, Brid O’Neill, publicou nestes dias em italiano um livro titulado «A noite das abóboras» («La notte delle zucche», editora Ancora).
Para aprofundar no significado da festa de Halloween, Zenit entrevistou Paolo Guiliano.

Em alguns setores, ante a expansão de Halloween, começou a manifestar-se uma certa preocupação. O que você pensa ao respeito?
É verdade. Há quem vê no Halloween um retorno a formas de «paganismo» e quem, ao contrário, vê um rito folclórico e de consumismo, uma espécie de inócuo carnaval fora de temporada. O fato é que ninguém recorda, não só entre as crianças e jovens e no âmbito mediático popular, a festividade cristã que Halloween está suplantando, Todos os Santos. Em 1º de novembro se confundiu com a comemoração dos Fiéis Defuntos, que cai na realidade no dia seguinte.

Mas o que significa Halloween?
O nome Halloween é a deformação americana do termo, no inglês da Irlanda, «All Howllows’ Eve»: Vigília de Todos os Santos. Esta antiqüíssima festa chegou aos Estados Unidos junto com os imigrantes irlandeses e lá se enraizou, para sofrer recentemente uma radical transformação. Das telas de Hollywood, a moda de Halloween chegou assim desde há alguns anos à velha Europa e a outras partes do mundo. Detrás de Halloween está uma das mais antigas festas sagradas do Ocidente: uma festa que atravessou os séculos, com usos e costumes que se foram redefinindo no tempo, mas que conservaram o mesmo significado. Suas origens, o significado dos símbolos, são, contudo, desconhecidos para a maioria.

Mas a festa se remonta ao paganismo dos celtas. Em 1º de novembro, era para eles o primeiro dia do ano, a festa na qual os espíritos buscavam corpos para reencarnar-se. A Igreja, na Idade Média, substituiria esta tradição pela festividade de Todos os Santos, que é seguida depois pelo dia dos Fiéis Defuntos.
Exato. Halloween não é mais que a última versão, secularizada, de uma ortodoxa festa católica, e em meu livro procurei explicar como pôde suceder que uma tradição plurissecular cristã tenha se convertido no atual carnaval de terror. Digamos antes de tudo, que a origem deste último fenômeno, Halloween, é completamente americana. Nesse país, ao que chegaram milhões de imigrantes irlandeses, com sua profunda devoção pelos santos, se tratava de um culto muito fastidioso para a cultura dominante, de caráter puritano. Deste modo, em sua atual versão secularizada, buscou-se descartar o sentido católico de Todos os Santos, mantendo em Halloween o aspecto lúgubre do mais além, com os fantasmas, os mortos que se levantam dos túmulos, as almas perdidas que atormentam aos que em vida lhes fizeram dano: um aspecto que se tenta exorcizar com as máscaras e as brincadeiras.
Obviamente, o velho continente não podia permanecer muito tempo sem adotar o novo «culto». De fato, vemos Halloween difundir-se cada vez mais entre nós com seu cortejo de artigos de consumo mais ou menos macabros — caveiras, esqueletos, bruxas — que não se propõe como uma forma de neopaganismo, nem como um culto esotérico, mas simplesmente como uma paródia da religiosidade cristã autêntica, com fins preferentemente consumistas: vender produtos de carnaval (o chamado mercado de Halloween), máscara, caveiras, abóboras, capas, gorros e outras coisas, além de espaços publicitários nos filmes de horror emitidos pelas emissoras de televisão. Halloween se propõe comercialmente como uma festa jovem, divertida, diferente, «transgressiva»; a pessoa se disfarça de fantasma, bruxa ou zumbi para ir a alguma festa…

Contudo, Halloween não pode ser considerado simplesmente como um fenômeno comercial ou como um segundo Carnaval…
Certamente. É importante conhecer e saber valorizar bem suas raízes culturais, e também as implicações esotéricas que se sobrepuseram ambiguamente a esta data. O dia 31 de outubro, com efeito, se converteu em uma data importante para o esoterismo, em cujos textos encontramos estas definições: «Volta do Grande Sabba [encontro entre as bruxas e Satanás, ndr.] quatro vezes ao ano… Halloween, que é talvez a festa mais querida»; «Samhain [festa celta de 1º de novembro, ndr.] é o dia mais mágico de todo o ano, ano novo de todo o mundo esotérico». O mundo do oculto a define assim: «é a festa mais importante para os seguidores de Satanás». A data de uma importante celebração de cultura celta antes e da cristã depois passou a fazer parte do calendário do ocultismo.

Então, o que se deve fazer no dia 31 de outubro?
Na minha opinião, pode-se e deve-se fazer festa. Em 1º de novembro, que foi o Ano Novo celta e depois Todos os Santos, é uma festividade extraordinária para os cristãos, e não vale a pena deixá-la nas mãos de charlatões e ocultistas. Não é preciso ter medo do Halloween «mal», e por isso é preciso conhecê-lo bem. Halloween, de qualquer forma, não pode ser ignorado, já faz parte já do cenário de nossos tempos. O que fazer, portanto?
Educadores e famílias deveriam mobilizar-se contra a falta de educação, de bom gosto, contra a profanação do mistério da morte e da vida após a morte, mas não é fácil ir contra a corrente, desafiar as modas que imperam em nossa sociedade.
Então, pode-se fazer festa em Halloween, recordando o que este dia significou durante séculos e o que continua testemunhando. Deve-se salvar Halloween, dando-lhe todo seu antigo significado, liberando esta festa da dimensão puramente consumista e comercial e, sobretudo, extirpando a pátina de ocultismo sombrio de que foi revestida.
Portanto, eu aconselharia organizar a festa e explicar claramente que se está festejando os mortos e os santos, de forma positiva e inclusive engraçada, para que as crianças sejam educadas em uma visão da morte como um acontecimento humano, natural, do qual não se deve ter medo.

 

HALLOWEEN 
A VOLTA AO PAGANISMO

O halloween tem uma origem pagã. Esta celebração se atribui a um povo que habitava nas Inglaterra: os celtas. Esta festa tinha como objetivo principal celebrar os mortos.
Acreditavam que na noite do dia 31 de outubro, o deus da morte permitia aos mortos voltar a terra para criar um ambiente de terror. A invasão dos romanos (46 a.C.) às ilhas britânicas deu como resultado a mistura dos costumes da cultura celta com os usos e costumes da Europa. Esta influência foi diminuindo com a pregação do evangelho, e desapareceu totalmente no final do II século do cristianismo.
Esta comemoração voltou aos poucos como uma festa para as crianças usarem fantasias de bruxas ou outros personagens maus. Para ganhar simpatia juntou-se o costume de distribuir doces. Pôr trás de algo aparentemente inofensivo existe toda uma trama para voltar a crenças pagãs.
Muitos grupos satanistas e ocultistas usam o dia 31 de outubro como a sua data mais importante. Chamam a este dia de ” Festival da morte”, e é reconhecido pôr todos os satanistas, ocultistas e adoradores do diabo como véspera do ano novo da bruxaria.
Anton LaVey, autor da ” Bíblia satânica ” e sumo sacerdote da igreja de satanás, diz que o dia mais importante para os seguidores o maligno é o halloween. LaVey diz que nesta noite os poderes satânicos ocultos e de bruxaria estão no seu nível de potência mais alto, e qualquer bruxo ou ocultista encontrará mais êxito no dia 31de outubro, porque satanás e seus poderes estão em seu ponto mais alto nesta noite. Estes seguidores do príncipe da mentira asseguram que durante a noite do halloween, os anjos decaídos, assim como toda a classe de espíritos malignos percorrem o mundo inteiro.
Também é um fato registrado e documentado que na noite do dia 31 de outubro na Irlanda, Estados Unidos e outros países se realizam missas negras, cultos espíritas e outras reuniões relacionadas com o mal e o ocultismo.
Estas poucas informações servem para mostrar o lado negativo do halloween. A mensagem de amor, paz, caridade e esperança de Jesus Cristo é completamente contrária às imagens sangrentas, que retratam bruxas, mortos saindo de túmulos, vampiros e outros monstros. Halloween é na verdade uma celebração da maldade.
“Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2Tm 4, 3-4).
Máscaras, disfarces, doces, maquiagem e demais artigos são um motor mais que suficiente para que alguns empresários fomentem o “consumo do terror”. Sem dúvida, o Halloween hoje é, sobretudo, um grande negócio.
Para promover ainda mais esse comércio, Hollywood não deixa por menos com a exibição de uma série de filmes, nos quais a violência gráfica e os assassinatos criam no espectador um estado mórbido de angústia e ansiedade.

Mundialmente conhecida a festa Halloween é uma festa da cultura americana
…Um mundo que abre espaço para o ilusionismo na mente, principalmente das crianças… celebrada também no Brasil, que importou o evento com todas suas características: bruxas, fadas, gnomos e anões que fazem parte de um mundo ilusório. Um mundo que abre espaço para o ilusionismo na mente, principalmente das crianças, causando nelas opressão, sustos, noites mal dormidas, pesadelos e ainda tira delas a sensibilidade espiritual.
Segundo a psicóloga Mara Silvia Martins Lourenço, “as experiências vivenciadas nestas festas deixam impressas marcas negativas no consciente e no inconsciente das pessoas, as imagens ficam gravadas na memória e durante o sono através dos sonhos, elas são liberadas provocando pesadelos, que nem sempre recordamos ao acordar, mas que provocam inquietação, irritabilidade e mal humor, tirando a paz interior,” assegura.

Sair do negativo e entrar no positivo
Diante disso, muitos pais nessa época do ano encontram-se no dilema, de deixarem ou não seus filhos participarem das festas promovidas pela própria escola. O importante é que os pais não apenas proíbam as crianças a participar da festa, mas também tentem buscar elementos que ensinem o que simboliza a festa. Algumas escolas, felizmente, oferecem uma atividade alternativa e que clareiam justamente aquilo que precisa ser celebrado nesses dias. Para isso vamos conhecer o trabalho realizado pelo Instituto Canção Nova.
Interior do Estado de São Paulo, Cachoeira Paulista. O Instituto Canção Nova oferece todos os anos às crianças e as famílias uma opção diferente para a celebração da Festa do Haloween. Idéias criativas não faltam para dar as crianças um ensino positivo nesta data.
O Instituto tem como lema de trabalho: “Formar Homens Novos para um Mundo Novo”. Há seis anos desenvolve um trabalho de formação e educação didática e cultural. Atende 1.100 crianças e adolescentes, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Engloba um trabalho de educação integral, com apoio psicológico, atendimento social, escolinha de esportes, ações pastorais e de cidadania, como doações de cestas básicas para os alunos com pais de baixa renda.
Nesta época do ano em que a mentalidade do terror está a tona, a escola oferece uma festa …

Entrevista
No Instituto Canção Nova, os professores decidiram, este ano, além da Festa dos Santos, promover o concurso dos santos. Ao chegar na escola encontramos crianças e jovens animados e eufóricos. Rosane Aparecida Horácio, professora das terceira e quarta séries, explica nessa entrevista, sobre a nova atividade.
As crianças e os jovens aqui então em festa, qual o motivo dessa festa?
– O motivo dessa alegria hoje é o primeiro concurso de santos. Cada série, de uma forma muito especial, recebeu de presente um santo, os alunos de 5ª a 8ª, e o segundo grau. Cada série tinha como objetivo pesquisa a biografia, fazer uma caricatura, e um dos alunos deveria se caracterizar do santo. Uma equipe de quatro jurados está fazendo a escolha da melhor apresentação.
Qual o objetivo principal dessa atividade?
– É fazer com que os santos sejam conhecidos, na vida deles. Até porque muitos dos nossos alunos ainda não tiveram essa experiência, de conhecer um santo, de saber o que é ser santo, se é possível ser santo nos dias de hoje, se é possível viver a santidade de vida.
E uma das coisas que nós ensinamos aqui é que só se ama aquilo que se conhece, então eu vou amar os santos, a partir do momento em que eu conhecer a história deles, e a partir do momentos que eu reconhecer que os santos não nasceram santos, mas eles se tornaram santos no dia a dia, na fidelidade das pequenas coisas. .
Qual o desafio hoje, porque vemos atualmente na sociedade uma onda de consumismo do terror, como por exemplo, festas de Halloween?
– O desafio, de fato, é mostrar o outro lado para os alunos, para os jovens, para as crianças. Pois se o mundo hoje dá ênfase para aquilo que é o terror, para aquilo que é o negativo, bruxaria, terror, temos o desafio de mostrar para eles que eles não precisam ficar no que é negativo.
Ninguém foi feito para o negativismo, muito menos as crianças e os jovens, eles foram feitos e criados para o positivo, e para o céu. Se hoje se dá importância ao Halloween, se dá importância ao que é mais negativo, então veste e enfeita a escola toda de preto, imagens de terror, assustadoras. Não, a gente não precisa disto, pode-se fazer diferente, pode substituir o preto pelo branco, substituir o vestir de bruxa por um vestir de santo, um santo que fez de tudo para alcançar o céu.
E como que as crianças respondem a isso?
– Eu percebo que hoje, prá eles, é uma festa. O Instituto Canção Nova tem uma filosofia de vida, alguns alunos no início não entendiam, ficavam um pouco resistentes, como se vestir de santo fosse a coisa mais boba do mundo. Mas hoje, com as explicações, com a formação, eles se empenham , têm orgulho de dizer que representam um santo, correndo atrás prá arrumar o vestuário, prá desenhar as caricaturas, a vontade de querer fazer teatro, a alegria, o sorriso nos lábios. A gente percebe que quanto mais eles são formados, mais eles vão acolhendo e crescendo.
Você acredita que é possível, então, mudar essa mentalidade de consumir o terror e passar a celebrar os santos, também em outras escolas?
– Com certeza é possível. Só precisa do empenho de cada um, de cada educando e também da escola. A escola precisa querer ser positiva e se empenhar nisso, e o professor precisa motivar seus colegas e seus alunos. Todos saem beneficiados.
Uma mensagem final para este dia de festa:
– A mensagem que eu quero deixar é: não importa qual seja a sua idade. Lembrando o que Dom Bosco disse para Domingos Sávio, “não importa a idade para você ser santo, o que importa é que você hoje se decida pela santidade.” Então, para ser santo não precisa esperar prá chegar nos 50 anos não, você pode ser santo hoje, com a idade que você tem, procurando ser fiel nas pequenas coisas.

Curioso
A festa de Todos os Fiéis Defuntos foi instituída por São Odilon, monge beneditino em 31 de outubro do ano 998. Ao cumprir o milenário desta festividade, o Papa João Paulo II recordou que “São Odilon desejou exortar a seus monges a rezar de modo especial pelos defuntos. A partir do Abade começou a estender o costume de interceder solenemente pelos defuntos, e chegou a converter-se no que São Odilon chamou de Festa dos Mortos, prática ainda hoje em vigor na Igreja universal”.
“Ao rezar pelos mortos – diz o Santo Padre –, a Igreja contempla sobre tudo o mistério da Ressurreição de Cristo que por sua Cruz nos dá a salvação e a vida eterna. A Igreja espera na salvação eterna de todos seus filhos e de todos os homens”.
Depois de destacar a importância das orações pelos defuntos, o Pontífice afirma que as “orações de intercessão e de súplica que a Igreja não cessa de dirigir a Deus têm um grande valor. O Senhor sempre se comove pelas súplicas de seus filhos, porque é Deus de vivos. A Igreja acredita que as almas do purgatório “são ajudadas pela intercessão dos fiéis, e sobre tudo, pelo sacrifício proporcionado no altar”, assim como “pela caridade e outras obras de piedade”.
Por essa razão, o Papa pede aos católicos “para rezar com ardor pelos defuntos, por suas famílias e por todos nossos irmãos e irmãs que faleceram, para que recebam a remissão das penas devidas a seus pecados e escutem o chamado do Senhor”.

Trocas culturais
Além do aspecto religioso, outra reflexão pode ser feita diante desta Festa, que é a de proteger as crianças de uma absorção dos costumes norte-americanos e patrocinar um desprezo da cultura brasileira. É que a cultura norte-americana está cada vez mais presente na vida dos brasileiros, no entanto, é preciso estar atento aos exageros das chamadas trocas culturais.
Temos uma cultura muito rica no Brasil, não precisamos importar a festa do Halloween ou qualquer outra festividade seja de origem pagã ou não, não há necessidade disto. Vejamos uma coisa, dia 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro, por que será que as escolas ao invés de concentrarem seu esforços para celebrarem o Dia das Bruxas não investem em valorizar o livro. Ao invés de quererem ampliar o contato dos alunos com a cultura inglesa, não ampliam o contato com o livro, em si mesmo um universo que dá acesso a todas as culturas que o aluno queira conhecer.
Em uma enquete feita pela revista Escola em 2003, 78% dos que responderam (a maioria deles docentes) consideram errado comemorar o Dia das Bruxas nas escolas, uma vez que não pertence à nossa tradição popular e, além disso, muitas de nossas lendas e costumes podem e devem ser lembrados no lugar da tal festa, por mais divertida que seja e por mais lucrativa que venha a se tornar (nos EUA, o Halloween já se tornou o segundo maior evento em faturamento financeiro, perdendo apenas para o Natal).

Origem da Festa
A festa de Halloween teve seus primórdios nos celtas. Eles que trouxeram através dos irlandeses esta festa que na verdade tinha como objetivo celebrar a colheita. Mas por causa de um episódio nos Estados Unidos envolvendo as chamadas Bruxas de Salém, mulheres acusadas de bruxaria teriam sido enforcadas. Por causa disto, esta festa da colheita foi transformada na festa das bruxas.

Significado
Halloween significa “All hallow´s eve”, palavra que provém do inglês antigo, e que significa “véspera de todos os santos”, já que se refere de noite de 31 de outubro, véspera da Festa de Todos os Santos. Entretanto, o antigo costume anglo-saxão lhe roubou seu estrito sentido religioso para celebrar em seu lugar a noite do terror, das bruxas e dos fantasmas. Halloween marca um triste retorno ao antigo paganismo, tendência que se propagou também entre os povos hispanos.

Abóbora, guloseimas, disfarces…
A abóbora foi acrescentada depois e tem sua origem nos países escandinavos e em seguida retornou a Europa e ao resto da América graças à colonização cultural de seus meios de comunicação e os séries e filmes importados.

Sugestões para os pais de família
Organizar uma catequese com os meninos nos dias anteriores ao halloween, com o propósito de ensinar o porquê da festividade católica de Todos os Santos e os Fiéis Defuntos, fazendo ver a importância de celebrar nossos Santos, como modelos da fé, como verdadeiros seguidores de Cristo.
Nas catequeses e atividades prévias a estas datas, é boa idéia que nossos filhos convidem a seus amigos, para que se atenue o impacto de rechaço social e seus companheiros entendam por que não participam da mesma forma que todo mundo.
Explicar de maneira simples e clara, mas firme, quão negativo há no Halloween e a maneira em que se festeja. É necessário lhes explicar que Deus quer que sejamos bons e que não nos identifiquemos nem com as bruxas nem com os monstros, pois nós somos filhos de Deus.
Oferecer uma opção para seus filhos, pois certamente as crianças irão querer sair com seus amigos na noite do Halloween: As crianças podem disfarçar-se de anjos e preparar pequenas bolsas com doces, presentes ou cartões com mensagens e passar de casa em casa, e em lugar de fazer o “doces ou travessuras” ou de pedir doces, dar de presente aos lares que visitem e que expliquem que entregam doces porque a Igreja Católica terá muito em breve uma festa muito importante em que se celebra a todos aqueles que foram como nós deveríamos ser: os Santos.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda