Santas Missões Populares – Introdução

INTRODUÇÃO

As Santas Missões Populares estão de volta, porque nossas comunidades precisam da graça de Deus, do cuidado dos missionários e das missionárias e da palavra do Evangelho para firmar e fortalecer sua fé e tomar consciência da vocação missionária de todos.

            O Conselho Missionário Nacional – COMINA, em sua Assembléia comemorativa de 25 anos, realizada de 6 a 9 de novembro de 1997, na Carta Mensagem, assim se expressou: “É preciso tornar as missões populares, em sua perspectiva de animação e evangelização inculturada, um projeto a ser difundido. Estas missões populares, dentro da mística da nova evangelização, não só criam novo ardor nos missionários, como abrem horizontes mais abrangentes para a evangelização, proporcionando o protagonismo dos leigos – adultos, jovens e crianças”.

            É no contexto do Projeto de Evangelização “Rumo ao Novo Milênio” que este Livro, Santas Missões Populares, é oferecido às nossas comunidades. Este tema dá seguimento à proposta das etapas nestes anos em preparação ao Grande Jubileu. A formação de evangelizadores (1997), que foi abordada através do Livro, BOA NOVA JÁ CHEGOU!, continua na proposta das SANTAS MISSÕES POPULARES e terá seu ponto culminante, em 1999, com a MISSÃO ALÉM- FRONTEIRAS.

            Este subsídio, substitui o Texto-Base do Mês Missionário, pois deseja-se que a reflexão missionária ultrapasse o período do Outubro Missionário, podendo ser usado durante todo o ano ou na época que parecer mais oportuno à comunidade. São três capítulos e anexos, que abordam:

  • Santas Missões Populares: Objetivos e método.
  • O Planejamento.
  • Espiritualidade das Santas Missões Populares.
  • Anexos.

Cada uma destas partes pode ser tema de um dia inteiro de estudo, encontros, retiros… e o conteúdo poderá ser apresentado também em cursos intensivos, ou cursos de duração e periodicidade variadas.

      São sugeridas dinâmicas ao longo do texto e apresentamos alguns cantos inspirados também na Campanha Missionária de 1998: “Ele vos ensinará toda a verdade”. São apenas sugestões. Outros podem ser usados e de outras formas e critérios de quem estiver coordenando os trabalhos. A criatividade de cada um indicará outros caminhos para que este subsídio possa ajudar às nossas comunidades a serem cada vez mais decididamente missionárias, pelo testemunho, serviço, diálogo e anúncio, fazendo irmãos e formando comunidades.

      Este Texto foi elaborado pelas Equipes do Projeto de Evangelização “Rumo ao Novo Milênio, das Pontifícias Obras Missionárias, da Dimensão Missionária da CNBB e de missionários das Santas Missões Populares do norte e ao sul do país, do leste ao oeste.

      As muitas e variadas experiências realizadas e em andamento nos alegram e enchem-nos de esperança. Enquanto hipotecamos nosso apoio, queremos somar forças. São por isso bem-vindas todas as colaborações, sugestões e, principalmente, os relatos de experiências de Santas Missões Populares. Os endereços para esta comunhão e partilha são os das Pontifícias Obras Missionárias e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília – DF, Brasil.

Dinâmicas para a Acolhida, Integração Grupal

            Algumas dinâmicas que podem ser usadas no início do encontro para integração dos participantes, “quebra gêlo”, apresentação dos grupos… Quanto mais acontecer “comunidade” mais facilmente os cristãos conseguem testemunhar o anúncio da Boa Nova.

1ª. O sonho

         O animador(a) acolhe os participantes partilhando a alegria de iniciar um curso ou uma série de encontros sobre Santas Missões Populares. Convida todos a cantar: “Eu quero ver acontecer” ou outro. Distribui folhas de papel. Uma árvore ou galho é colocado no centro.

1º Passo: Motivar o grupo para sonhar com as Santas Missões Populares. Cada participante, em alguns minutos de silêncio, sonha e expressa este sonho através de um símbolo colado ou desenhado nas folhas de papel distribuídas previamente.

         2º Passo: Em grupos (3 ou 4 pessoas), partilham seus sonhos e escolhem uma música que expresse os sonhos do grupo.

            3º Passo: Plenário. Cada grupo é convidado a dizer e colocar na árvore os “seus sonhos” e apresentar cada membro: nome e de onde vieram para construir a árvore dos sonhos das Santas Missões Populares. Ao final canta-se o mesmo canto inicial.

2ª. Apresentação – Expectativas

            1º Passo: Os participantes são convidados a escolher 2 ou 3 pessoas desconhecidas para um cochicho. Cada uma deve dizer seu nome, onde mora, o que faz e uma expectativa do encontro, ou seja, por que estão vindo.

         2º Passo: Após cinco minutos, todos voltam ao plenário. Cada grupo vai apresentar os companheiros(as) e suas expectativas. Entre um e outro grupo pode-se cantar algum refrão conhecido ou canto de boas-vindas.

3ª. Crachás

            Distribuir entre os participantes faixas de papel para serem penduradas no pescoço ou crachás grandes. Em cada faixa ou crachá a pessoa escreve o nome de uma personalidade bíblica ou de um missionário(a) conhecido de qualquer Igreja cristã. O nome deverá ser escolhido pela afinidade ou admiração. Assim identificados, as pessoas passeiam pela sala, se encontram e conversam sobre o nome escolhido. O animador(a) convida todos ao plenário. Um companheiro(a)apresenta aquele escolhido. Ao final, todos os nomes são colocados num mural ou num lugar bem visível para deixar visível o nome das pessoas e se ter uma idéia do tipo de missionário(a) que cada um traz no coração.

4ª. Sugestão para avaliação e recapitulação

            Será interessante e proveitoso fazer no final de cada encontro um resumo do que foi mais importante. Dizer o que ficou do encontro anterior, os aspectos mais importantes e algum ponto que precise ser melhorado. Uma pessoa começa e convida outra a se expressar. Este exercício pode ser feito também no início do outro encontro. Será muito útil para se perceber como vão sendo assimilados os assuntos, sem ser preciso fazer uma avaliação formal. O fato de um companheiro(a) escolher outro para falar pode facilitar a comunicação com todos, inclusive com os mais tímidos. Algum dia o grupo pode utilizar bonecos, tipo fantoches, para fazer a síntese do encontro. Os bonecos farão o comentário do que foi apresentado, em forma de conversa.

Observação: Outras dinâmicas podem ser utilizadas para facilitar o conhecimento e  a integração do grupo

CAPÍTULO I

AS SANTAS MISSÕES POPULARES: OBJETIVOS E MÉTODO

Por que, de novo, as Santas Missões Populares?

         Há alguns anos, em vários pontos do País, especialmente no Norte e no Nordeste, mas também no Sul ou no Oeste, as nossas comunidades sentem desejo de realizar experiências semelhantes às Santas Missões Populares (SMP). E já contamos com inúmeras experiências, as mais variadas, de missões realizadas nos centros e periferias das cidades e em áreas rurais.

         Não foi apenas desejo de um ou de outro. Foram várias comunidades e muitos missionários que reconheceram nisso um apelo de Deus, uma necessidade para a Igreja e um meio de se responder aos sinais dos tempos.

         Em nosso País, há dois ou três séculos atrás, as Santas Missões Populares, sobretudo no interior, eram necessárias para avivar a fé do povo. Este vivia isolado e sofria a tentação de esfriar sua vida cristã e de perder de vista as grandes verdades da fé, que davam sentido à sua vida e orientavam a sua caminhada.

         Hoje, ainda persistem algumas situações parecidas com as de ontem. Em geral, porém, a situação mudou. As pessoas, mesmo tendo muitas informações, vivendo em contato com o mundo inteiro, através da televisão e outros meios de comunicação, permanecem isoladas. O que escutam e vêem, o mais das vezes, é um incentivo a pensar em si mesmas, a desejar um pouco de tudo – principalmente os bens materiais, o bem-estar, “a felicidade de ter” isto ou aquilo – e a se esquecer dos outros, talvez até de Deus. Alguns dizem que nunca houve tanta informação como hoje e tão pouca comunicação entre as pessoas.

         É verdade que, em geral, os problemas da vida, as mudanças forçadas de moradia, de emprego, de vizinhança, as doenças e os sofrimentos levam muita gente de volta para Deus. Mas aí também o relacionamento se desgasta: muitos pedem tudo a Deus e, ao mesmo tempo, não estão lá dispostos a buscar a sua vontade! Parece que não vão muito além do “é dando que se recebe”. Dão a Deus para receber de volta, se possível, com vantagem, ou em dobro.

         Jesus frequentes vezes comparou a fé com a planta. Ela deve ser semeada, regada, protegida contra pássaros e ervas daninhas; deve receber adubo, sol e chuva, para crescer e dar fruto.

O que são as Santas Missões Populares?

É um jeito, uma iniciativa que uma comunidade toma para firmar e fortalecer sua própria fé e, também, uma maneira de se conscientizar do chamado para sair e evangelizar. É Deus que, para fazer crescer, manda sol e chuva. Os missionários e as missionárias são os que regam, adubam, protegem, cuidam. E, afinal, é a própria planta (a comunidade de fé) que deve crescer, dar fruto e espalhar novas sementes.

Santas: Porque é a mesma missão de Jesus, o Cristo, o Santo, o Consagrado, o Ungido pelo Espírito Santo. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para envangelizar os pobres; enviou-me para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4,18-19). Santas porque são um tempo de graça, “tempo favorável por excelência, o dia da salvação” (2Cor 6,2).

Missões: Porque é um tempo de andar, de sair, de ser enviado, não para transmitir um conhecimento doutrinário-teórico sobre Deus. É, sim, um tempo especial da graça de testemunhar a experiência pessoal, íntima, filial de Deus. Como Jesus que “exultou de alegria sob a ação do Espírito Santo e disse: Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Lc 10,21).

Porque missão não é, primeiramente, algo que se possui ou tarefa a realizar, mas é vida, experiência de Deus, que é vida vivida em comunhão. Missão é viver em comunhão. A Missão é necessária porque há ainda muitas pessoas excluídas do Banquete do Reino de Deus, da Festa (cf. Lc 14,15-24).

Populares: Porque elas acontecem no meio do povo, com o povo e a partir dos anseios e clamores do povo, sobretudo dos excluídos e marginalizados, que lutam por mais vida, dignidade, fé, esperança e vida de comunhão.

Porque Jesus assim fez: “Percorria todas as cidades e povoados ensinando nas sinagogas e pregando o Evangelho do Reino, enquanto curava toda sorte de doenças e enfermidades. Ao ver a multidão teve compaixão… Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie operários” (Mt 9,35-38).

Populares porque o povo, homens e mulheres, jovens e crianças, é convidado a ser o sujeito histórico desta mesma missão. Populares porque todos são convidados à conversão de vida e para a transformação segundo as opções de Jesus no Sermão da Montanha: “Felizes, bem-aventurados… porque vosso é o Reino de Deus” (Lc. 6,20s).

         As Santas Missões Populares inspiram-se, sobretudo, no ministério de Jesus na Galiléia, tanto nos conteúdos e na pedagogia como nas atitudes.

         As Santas Missões Populares voltam de novo, porque nossas comunidades precisam da graça de Deus, do cuidado dos missionários, da palavra do Evangelho e da retomada da opção cristã pelo povo face a tantas dificuldades no mundo de hoje.

O Jubileu

O fato de voltar não é uma novidade. Já na Bíblia, nos livros mais antigos, Deus falava a seu povo da necessidade de deixar descansar a terra, pelo menos uma vez a cada sete anos, e de renovar a vida de toda a comunidade, voltando ao que Deus tinha estabelecido de início, uma vez a cada sete vezes sete (= 49) anos. Daí que o ano “cinqüenta” passava a ser ano do jubileu. Nesse ano se devolvia a terra à família a que pertencia no início da história do povo de Deus. Eram libertados todos aqueles que tinham virado escravos, perdendo a própria liberdade (cf. Lv 25, 1-17). O próprio Jesus, quando quis explicar sua missão aos habitantes de Nazaré, usou esta comparação: “Eu vim, guiado pelo Espírito de Deus, para proclamar o ano do jubileu, o ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19).

         Há um programa mais bonito, neste final de século, para as nossas comunidades cristãs, do que este? Nossa missão é continuar o programa de Jesus. Estamos dispostos a anunciar que Deus perdoa todas as dívidas para com Ele? Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para acolher e conquistar o Dom da liberdade e da alegria para nós e para nossos irmãos?

Como fazer?

         Há muitos modos de realizar as Santas Missões Populares. A novidade não é celebrá-las. A novidade é celebrá-las de forma nova, de tal modo que realmente correspondam às necessidades de cada comunidade hoje. Aliás, também Jesus insistia sobre isto: “o que acabastes de ouvir está se realizando hoje” (Lc 4, 21).

Por serem diversas as situações, cada comunidade deverá procurar realizar as Santas Missões conforme suas necessidades e objetivos, seus recursos, sua criatividade, na docilidade ao que o Espírito de Deus lhe soprar

         Os objetivos, a espiritualidade e o método conservam o mesmo fundamento.  A partir da experiência das comunidades, vamos apresentar o que nos parece essencial e básico sobre os objetivos e método, planejamento, espiritualidade e sugestões.

DINÂMICA

Cochicho a dois: Recordar e contar experiências vividas de Santas Missões Populares, destacando aspectos que marcaram nossa vida cristã e a de nossa comunidade.

(O animador, animadora anota as palavras chaves que serão retomadas no decorrer dos demais encontros).

1)    Objetivos

            Em todo o projeto ou atividade, o mais importante é definir com clareza os objetivos, ou seja, onde se quer chegar.

As Santas Missões Populares têm o objetivo primeiro de pôr em prática a vontade de Deus, que se expressa hoje pela palavra de Jesus e pelos  acontecimentos da vida. Fundamental é a docilidade ao Espírito, que precede nosso agir e nos ajuda a compreender o que o Pai quer para o nosso bem, que tenhamos “vida em plenitude” (Jo 10,10). Essa intenção fundamental se traduz num caminho que cada um de nós deve percorrer e partilhar com os outros:

1º) Experimentar a presença de Deus na própria vida; valorizar o dom da vida que recebeu; dar sentido às suas experiências;

2º) Voltar-se para Jesus, para nele descobrir o verdadeiro rosto de Deus, Pai e Mãe que nos ama; para aprender a olhar a vida e as pessoas com o olhar de Jesus; para acolher os outros como Ele acolhia; para seguir o seu caminho;

3º) Renovar a vida da comunidade cristã:

-         aproximando-a do seu ideal de viver como as comunidades dos apóstolos (cf. At 2, 42-47; Rm 12, 1-21);

-         corrigindo seus defeitos e infidelidades (cf. 1 Cor 11, 17-34);

-         tornando-a um lugar de referência para a vida das pessoas, reconhecido como a “carta de Deus” enviada à humanidade (cf. 2 Cor 3, 3) e como um lugar onde o próprio Deus está e se deixa encontrar (cf. 1 Cor 14, 25).

4º) Enviar missionários para encontrar os irmãos que vivem no mundo, empenhados no trabalho e na edificação da cidade terrestre, tarefas que Deus abençoa, mas que, tantas vezes, são perturbadas pelo egoísmo e injustiça, gerando a opressão dos fracos ou, sempre mais freqüentemente hoje, a exclusão dos pobres.

5º) Testemunhar a solidariedade com todos, procurando servir aos que necessitam e trazendo para a comunidade cristã as interrogações, os anseios e os ideais de quem luta por um mundo mais justo e fraterno.

6º) Anunciar, com alegria, a Boa Nova de Jesus que liberta, educa e traz felicidade.

         A compreensão deste objetivo e dos que a comunidade se propõe e destes passos, sua mística e espiritualidade é tão importante que dedicamos todo o capítulo III deste livro. Esclarecemos, porém, desde já, que os objetivos das Santas Missões Populares não constituem algo paralelo aos objetivos da ação pastoral e evangelizadora da Igreja. As Missões procuram viver de modo mais intenso e renovado esses mesmos objetivos. Elas devem ser assumidas por toda a comunidade eclesial.

DINÂMICAS:
  1. Em pequenos grupos, escrever, em poucas palavras, os objetivos das Santas Missões Populares. Colocar num papelógrafo e afixar no quadro. A assembléia discute, questiona e complementa.
  2. Dramatizar alguns dos objetivos das Santas Missões Populares.
  3. Reler o Objetivo Geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil

2) Método

         Método é o caminho para chegar aos objetivos propostos. A Igreja se inspira no método de Jesus[1], que foi enviado, como missionário, pelo Pai. E Ele foi ao encontro dos que o procuravam, de quem estava disperso, desorientado, sem saber a quem procurar, “como ovelhas sem pastor” (cf. Mc 6, 34). Dirigiu-se, também, “a outros lugares” (Mt 1,38).

         Nossas Santas Missões Populares têm o mesmo objetivo: ir ao encontro dos irmãos e irmãs, sem distinção entre os que freqüentam a Igreja e os que não a procuram, os que estão perto ou longe. Como Jesus, vamos ao encontro de todos para partilhar a Boa Nova e demonstrar que Deus ama cada um, como filho e filha, independentemente dele estar em sua casa ou dela tenha se afastado (cf. Lc 15,11-32). Deus – dizia Jesus – manda sol e chuva “tanto para os bons quanto para os maus” (cf. Mt 5,45). Quem é mesmo bom ou mau, só Deus sabe: só ele lê o íntimo dos corações (cf. Mt 6,4.6.8.18).

         Jesus vai ao encontro de cada pessoa e procura levar cada uma à fé, isto é, à descoberta do amor de Deus para com ela própria e à confiança neste amor. Jesus faz isto pela atitude de acolhida a cada pessoa e pelo diálogo com ela.

         Vamos considerar, como exemplo, o método, o caminho utilizado por Jesus no diálogo com a Samaritana. O evangelista João conta este caso como modelo da atitude de Jesus para com o povo, mesmo aquele povo que está afastado do Deus verdadeiro e o trai buscando ídolos diferentes (os “cinco maridos” da Samaritana). O relato de João (cap. 4) é um exemplo de como se pode chegar, por Jesus, à fé no Deus que nos ama.

         O diálogo com a mulher da Samaria começa com um pedido que valoriza o que ela tem: a água. Mas logo passa a mostrar que, na busca da água, tanto Jesus como a Samaritana procuram algo mais. De fato, nosso desejo é infinito e nosso coração continua inquieto até que não encontre definitivamente o Infinito, o Absoluto, o que é Tudo, o que podemos desejar e amar: Deus. Para chegar lá, porém, é necessário ir além dos nossos projetos imediatos, do que amamos  que são pálidas imagens d’Aquele que procuramos. A Samaritana, que tinha trocado cinco maridos (ou o povo da Samaria que tinha adorado cinco ídolos diferentes), é o retrato da humanidade de hoje, de todos nós, que procuramos tantas coisas – talvez bonitas, mas pequenas e passageiras – e nos deixamos distrair ou enganar por elas.

         A Samaritana é também um exemplo de quem, sentindo-se compreendido por Jesus, decide abandonar seus ídolos e abrir o coração ao Deus verdadeiro, que desejava, talvez sem percebê-lo com clareza. “Ele me disse tudo o que eu fiz (e procurei)”, diz ela aos seus conterrâneos, para descrever sua descoberta e sua mudança de vida. Pois, agora, para ela começa uma VIDA NOVA.

         Jesus descreveu esta mudança numa parábola muito simples. “O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo. Um homem o acha e o torna a esconder e, na sua alegria, vai e vende tudo o que possui e compra aquele campo” (Mt 13, 44).

         O que Jesus quis dizer com isso? A descoberta do Deus verdadeiro – ou de quem Deus é realmente – é para Jesus uma alegria muito grande, semelhante àquela de quem descobre e adquire um tesouro[2].

         O método das missões é um caminho para cada um descobrir uma maneira nova de VIVER, a partir da descoberta do Deus verdadeiro, que nos ama. Certamente a maioria das pessoas ainda não descobriu isto. Mas mesmo aqueles que já descobriram o Deus de Jesus, nem sempre perceberam todas as conseqüências disso para a sua vida. Não descobriram plenamente a felicidade do encontro com o Deus que nos ama.

         Então as Santas Missões Populares, a partir dessa descoberta, querem ajudar a ver mais longe e a experimentar a VIDA NOVA que Jesus nos trouxe.

         Isto será feito numa caminhada em grupo ou na comunidade, em que cada um poderá partilhar com os outros suas descobertas, enxergar melhor as novas perspectivas de vida e deixar transbordar sua alegria, de modo que também outros – que não participam do grupo ou da comunidade – possam encontrar Jesus e, com Ele, o amor de Deus.

DINÂMICAS:

O animador, animadora motiva o grupo a realizar alguma destas atividades ou as distribui nos diferentes grupos.

  1. Quais os passos de Jesus para ajudar a Samaritana a se converter?
  2. Encenar o encontro de Jesus com a Samaritana.
  3. Encenar a Parábola do tesouro escondido.
  4. Refletir como as Santas Missões Populares podem ajudar na descoberta de uma VIDA NOVA.

CAPÍTULO II

O PLANEJAMENTO

         Planejamento é a atividade conjunta de preparação para se atingir os objetivos por meio de métodos adequados.

Uma estória:

Certa vez, dois homens chegaram a uma ilha. Eles tinham ouvido dizer que durante a guerra, alguns soldados, utilizando um caminhão do exército, tinham enterrado um fabuloso tesouro no fim de uma das diversas estradas dessa ilha. Ambos decidiram que seria ótimo achar esse tesouro. Mas cada um decidiu isso individualmente, sem nada falar um com o outro. O primeiro pegou uma pá e correu a ilha toda, cavando e procurando em todos os lugares possíveis. Ele explorou embaixo das pedras, cavou junto aos troncos das árvores e até nos gramados tentou a sorte. Cavou muito sem achar nada.

         O segundo sentou-se e pensou que, primeiro, deveria conhecer todas as estradas da ilha. Resolveu, então, fazer um mapa. Com este mapa ele tinha todas as possibilidades de chegar ao tesouro. Analisou, em seguida, as possibilidades eliminando as estradas muito estreitas para a bitola de um caminhão; eliminou, também, as que tinham gargantas com rochas que se projetavam sobre o caminhão não permitindo sua passagem. Depois, inspecionou as possibilidades restantes e eliminou as estradas que terminavam com extensas áreas de granito, onde os homens não poderiam ter cavado. Ficou, então, apenas com duas estradas possíveis. Primeiro criou todas as possibilidades. Depois eliminou todas as que não preenchiam os requisitos básicos.

         Cavou no fim da primeira estrada e não achou o desejado tesouro, que foi encontrado no fim da segunda estrada. Enquanto isso seu amigo… estava pulando de um lugar para outro na ilha, tentando, aqui e acolá, freneticamente, encontrar a solução de seu problema.

O que essa estória de Bernardo S. Berson nos diz sobre objetivos, método e planejamento e como aplicá-los à Santas Missões Populares?

         Para realizar as Santas Missões Populares, é preciso que um grupo ou equipe de cristãos, convencidos de que vale a pena ser missionário[3], as organize. Elas necessitam ser organizadas conjuntamente numa diocese ou numa paróquia. Damos, como sugestão, aqui o planejamento realizado por uma comunidade.

Planejar é preciso

O plano poderia prever quatro etapas, precedidas por uma fase inicial em que se amadurece a decisão de organizar a missão e se preparam os missionários[4]. Nessa fase inicial de preparação, o grupo que assume a responsabilidade de promover as Santas Missões Populares se reúne, com o apoio e aprovação da direção da comunidade (Conselho Comunitário, pároco, bispo…). Pois as Santas Missões Populares devem mobilizar toda a comunidade e se tornar o eixo de toda a ação pastoral e evangelizadora. É desejável que todas as pastorais, associações e movimentos se envolvam na realização das Missões.

         A equipe ou comissão de coordenação deve, primeiramente, estudar este livro ou outro semelhante e, se puder, convidar alguém que já fez a experiência das Santas Missões Populares em outra paróquia ou comunidade para ouvi-lo e questioná-lo. Tomada a decisão, a equipe estabelece objetivos e traça um primeiro esboço do seu plano de ação, incluindo as quatro etapas[5]. É muito importante desenvolver um plano de divulgação das Santas Missões Populares em todos os meios e ambientes (Rádios, folhetos, autdoors, slogans, faixas, TV, Boletins, imprensa….).

         O plano de ação deve ser flexível, não muito detalhado, porque a cada etapa será avaliado e redefinido, com base no levantamento dos anseios do povo e de suas expectativas ou necessidades. A fase inicial também não deve ser apressada. Somente quando o grupo responsável está firmemente convencido por meio de encontros de formação e de espiritualidade, parte para a ação. E a primeira coisa que deve fazer é convidar e preparar os missionários, adultos, jovens e crianças. São estas pessoas que vão realizar as visitas, na primeira etapa das Missões e, depois, com a ajuda de outros, continuam todo o trabalho, até o fim. Esta fase de preparação pode durar dois ou três meses, conforme a disponibilidade de tempo do grupo e sua capacidade de assimilar os objetivos, o método, a mística e a espiritualidade das Santas Missões Populares.

Primeira e Segunda Etapas

         A primeira etapa consiste nas visitas que os missionários irão fazendo, de preferência, dois a dois, como Jesus enviou seus discípulos[6]. Eles visitarão pessoas e famílias, possivelmente todas as da comunidade ou do bairro envolvido, anunciando as Santas Missões Populares e perguntando às pessoas se estão dispostas a participar de alguns encontros de grupo, em preparação às mesmas Missões. Estes grupos encontrar-se-ão para buscar no Evangelho de Jesus uma luz para a sua vida e compreender melhor o amor de Deus para conosco e suas exigências. Estas reuniões poderão ter como tema as experiências religiosas do grupo ou seguir um subsídio, que oferece trechos do Evangelho para iluminar a reflexão (cf. Anexo 3: Ao encontro com o Jesus vivo).

         A primeira etapa pode durar três meses. Nela os missionários devem anotar os principais problemas humanos que vão emergindo, para levá-los em conta nas etapas seguintes.

Na segunda etapa, os missionários devem reunir-se para colocar em comum a experiência que fizeram, resolver dúvidas e dificuldades, começar a planejar a terceira e a quarta etapas.

         Este planejamento pode ser dividido em duas partes:

1ª) Um grupo de missionários e de missionárias prepara a terceira etapa, inclusive seu anúncio e divulgação. É bom que se faça uma nova visita a todas as casas, para convidar, pessoalmente, a todos a participar das grandes celebrações da Reconciliação e Vida Nova.

É importante levar um folheto com data e local destas celebrações e deixar na casa uma mensagem. De acordo com a necessidade, realizar uma bênção: da casa, da família, das crianças, dos doentes, das plantações…

2ª) Outro grupo de missionários e de missionárias prepara a quarta etapa. Este trabalho é mais exigente! Trata-se de compreender, a partir das visitas feitas, o que as pessoas estão esperando e necessitando. Os anseios e as necessidades se colocam em diversos planos. Algumas comunidades terão necessidades materiais (limpeza do bairro, construção de salão comunitário ou de casas, consertos de ruas e esgotos etc.). Outros sentem a falta de uma melhor organização da vida espiritual (grupos de oração, liturgia…).

         Trata-se de organizar grupos dispostos a fazer gratuitamente, em mutirão, estes trabalhos ou serviços. Outras pessoas estão querendo uma ajuda espiritual: grupo ou escola de oração, círculos bíblicos ou grupos de reflexão do Evangelho, rezas, equipes litúrgicas. Outros grupos podem refletir sobre o Evangelho do domingo e participar do projeto de evangelização “Rumo ao Novo Milênio”, usando o subsídio “Vivendo o Evangelho do domingo” (ou outros). Outros, ainda, estão dispostos a visitar e assistir regularmente doentes, idosos, famílias necessitadas, crianças… Os missionários devem escolher as tarefas mais urgentes e para as quais esperam reunir pessoas dispostas a se comprometer. O compromisso será assumido diante da comunidade na terceira etapa e cumprido ao longo da quarta etapa (que durará um ano).

Como é a Terceira Etapa?

         A terceira etapa é o momento central da Missão. É o momento mais parecido com as tradicionais Missões Populares.

         É uma etapa curta e intensa, em que se proclama o “Ano da graça” do Senhor, e celebra-se o perdão dos pecados, a libertação de nossas escravidões, a reconciliação com Deus e os irmãos.

         É o momento maior da explicitação do Senhor Jesus, Revelador do Pai, o Deus de Jesus que se manifestou a Israel e está presente em todos os povos ao longo da história.

         Jesus Salvador. Jesus torna-se o portador junto do Pai do clamor de todos por amor, verdade e justiça. Só através de Jesus, pode morrer em nós o pecado, marca de perturbação ou de ruptura da comunhão entre nós, com Deus e com a natureza.

         Jesus Libertador. Nos constitui construtores, com Ele, de um mundo novo, de uma sociedade livre, na verdade, no amor e na justiça do Reino. Jesus quer contar conosco. Envia-nos a todas as nações para fazer irmãos e formar comunidades (Mt 28,18-20).

         A terceira etapa é, também, um momento de festa marcante, que não deve ser esquecido tão cedo. E é um tempo, também, de assumir o compromisso de viver uma VIDA NOVA de confiança em Deus e de fraternidade e solidariedade.

As Santas Missões Populares nas diversas realidades

         Dependendo do lugar e das suas tradições, haverá muitos modos de celebrar esta terceira etapa. O povo gosta de festejar e inaugurar uma época nova em sua vida.

-    No interior rural, a festa pode durar uma semana (numa data em que os trabalhos agrícolas estejam menos pesados e o povo possa se reunir com mais freqüência). Cada dia pode ter – pela manhã e à noite – uma caminhada, reflexão e uma celebração, sempre ao redor de um tema que se quer salientar: a reconciliação entre as pessoas, a libertação dos vícios pessoais, a expressão da solidariedade, o louvor e a ação de graças a Deus, pelas maravilhas operadas, os compromissos a serem assumidos… As celebrações serão ricas em gestos, símbolos e encenações. Poderá haver barraquinhas e folguedos, e outros momentos de confraternização. Pode haver uma peregrinação ou caminhada ou celebração mais solene no fim, etc.

-    Nas periferias urbanas, onde o povo trabalha durante a semana toda, a festa pode ser distribuída em vários fins de semana: um pode ser marcado pela celebração da Reconciliação, uma caminhada ou uma peregrinação a um santuário; outro pode ser mais festivo, com festa(s) de rua, barraquinhas e uma celebração mais alegre e caprichada no domingo, de louvor e ação de graças ao Deus que nos ama; outro pode ser o fim de semana em que cada um assume seu compromisso para o ano, integrando-se num grupo de oração, de reflexão sobre o Evangelho, de “mutirão voluntário” para prestar serviços aos mais fracos (doentes, idosos, pobres, crianças abandonadas…) ou construir obras para a comunidade (salão comunitário, casas, conserto de rua e de esgotos…). Pode-se colocar a “primeira pedra” destas obras, se for possível.

-           Nos centros e bairros urbanos ou de classe média, também, a terceira etapa será distribuída em vários momentos e será realizada dentro do estilo que os habitantes do bairro preferem. Não faltarão momentos de reconciliação (por exemplo, num retiro ou numa vigília de algumas horas na igreja paroquial, ou em outros locais, talvez no sábado), momentos de oração e confraternização e momentos de compromisso (como o de participar de grupos ou de encontros espirituais periódicos ou de engajamento em atividades de solidariedade).

É importante envolver as escolas, universidade e profissionais liberais no processo das Santas Missões Populares, em todas as etapas. Certamente estes ambientes exigirão da Equipe Coordenadora novas estratégias e métodos apropriados a estas categorias, em suas diferentes situações culturais.

Algumas experiências têm demonstrado que também nesses meios as SMP despertaram missionários e missionárias que se organizaram e continuam atuando na realidade onde vivem e trabalham.

Também as experiências de “Missão Jovem”, espalhadas em todo o Brasil, comprovam a força profética e evangelizadora no meio juvenil.

         Pode-se pensar num símbolo forte para o final das Santas Missões Populares.

         Costumava-se, em outros tempos, no final das Santas Missões, plantar um grande cruzeiro, com uma placa que lembrava o acontecimento e o ano deste acontecimento.

         Agora, como várias comunidades vêm fazendo, a celebração das Missões pode ser lembrada com obras e placas que assinalam as realizações de solidariedade, fruto das Santas Missões Populares: a construção do salão comunitário, a reforma da “casa da farinha”, a construção de casas para os sem-teto ou de um posto de saúde. Em outros casos, lembrar-se-á a fundação de grupos de oração, círculos bíblicos, grupos de reflexão e serviços: Comissões de Justiça e Paz, Direitos Humanos, Comitês contra a violência e as drogas, Grupos de Jovens, de Terceira idade, de Apoio a aidéticos e deficientes e dependentes químicos, Grupos de Infância Missionária etc.

         A terceira etapa é o momento do compromisso de fazer do ano que começa um ano de transformação da realidade, marcada pelo pecado (injustiça, ódio, falta de misericórdia e de solidariedade…), numa VIDA NOVA, banhada na graça de Deus, carregada dos frutos de justiça, amor, bondade, solidariedade, paz.

Como realizar a Quarta Etapa?

         A quarta etapa, Ano de Vida Nova, terá mais ou menos a duração de um ano. Será concluída, inclusive, com a celebração solene do aniversário das Santas Missões Populares. Ela é a colocação em prática do que as Santas Missões Populares significaram na sua preparação e realização.

         É um ano em que as pessoas – todas – devem experimentar o amor de Deus, o perdão, a reconciliação, e se sentirem mais felizes. É um “ano da graça” mais alegre e abençoado que os outros[7]. É um ano em que as pessoas devem melhorar seu relacionamento com os outros e, por isso, reconciliar-se, superando realmente desavenças, cuidando com mais amor do seu próximo, criando novos relacionamentos que enriqueçam espiritualmente as pessoas. É um ano em que as pessoas, dentro de suas possibilidades, procuram crescer na experiência de Deus, na fidelidade ao Evangelho e na solidariedade ativa com os outros (capacidade de partilhar e doar, de ajudar e servir). Os missionários, as missionárias e as comunidades devem promover ou organizar oportunidades para tudo isso, sempre com a preocupação de responder às necessidades de cada um ou dos grupos que se constituem por afinidade conforme indicações feitas.

         Haverá também pessoas que não poderão ou terão dificuldades de assumir compromissos ou participar de grupos. Ao longo do ano, os missionários deverão – discretamente – visitá-los ou convidá-los para algum encontro ou celebração que avive a memória das Santas Missões Populares, e lhes faça sentir que, mesmo afastados, a comunidade eclesial não deixa de considerá-los irmãos, de rezar por eles, de estimulá-los a manter a alegria de viver a esperança e a confiança no amor de Deus para com todos, sem exceção.

         Os missionários também terão a responsabilidade de se solidarizar com as pessoas que, na sociedade, lutam pela justiça e pelos direitos humanos, procurando apoiá-los, na medida do possível. Terão especial e preferencial cuidado para com as pessoas mais carentes, os marginalizados, os excluídos.

         Não esqueçamos que o Espírito de Deus não age só na comunidade eclesial ou pelos sacramentos. Ele está no coração de todos, mesmo daqueles que, por diversos motivos, não se aproximam de nossa comunidade. Deus sabe a hora em que isso poderá acontecer. O próprio Jesus mostrou que não só os judeus piedosos tinham fé e amor, mas também os publicanos (cf. Lc 18, 9-14), os samaritanos (cf. Jo 4, 1-42; Lc 10, 25-37) e os pagãos (cf. Mt 8, 5-13; Lc 7, 1-10; Jo 4, 43-54). O missionário se alegra quando encontra sinais da presença do Espírito onde não esperava, pois “o Espírito sopra onde quer” (Jo 3, 8).

Sugestões de Atividades:

  1. Promover um grande encontro para que as pessoas possam testemunhar suas realizações, avanços, conquistas, desafios, atendendo e valorizando as pequenas iniciativas de serviço e de solidariedade previstas e programadas no final da terceira etapa. (cf. “Perseverança confiante”, no livro “Boa Nova já chegou!” p. 24).
  2. Oportunizar momentos de oração, onde as pessoas possam testemunhar e louvar a Deus pelo crescimento espiritual e comunitário e pelos compromissos segundo os objetivos das Santas Missões Populares.
  3. Divulgar, através de Boletim, folhetos, programas de rádio… os frutos das Santas Missões Populares.
  4. Como as Santas Missões estão suscitando e formando novas vocações missionárias?

QUADRO – RESUMO

DO PLANEJAMENTO DAS SANTAS MISSÕES POPULARES

1. PREPARAÇÃO
  • Decisão de realizar e organizar as Santas Missões Populares.
  • Constituição da equipe de coordenação e de outros grupos de trabalho / formação.
  • Discussão, definição de objetivos e elaboração das linhas gerais do plano de ação.
  • Formação dos elementos da Equipe de coordenação e dos grupos de trabalho.
  • Equipe de divulgação e plano de divulgação.
  • Convite e preparação dos missionários e missionárias, adultos, jovens e crianças.

Tanto tempo quanto necessário.

2 ou 3 meses

2. REALIZAÇÃO

Primeira etapa:

  • Visitas às pessoas, famílias… e proposta de 4 encontros sobre o tema: “Ao Encontro com o Jesus vivo”.

3 ou 4 meses

Segunda etapa:

  • Avaliação das visitas e levantamento das necessidades da comunidade.
  • Planejamento da Terceira e quarta etapas, com a formação de grupos de serviços.
  • Visita às famílias para convidá-las para as celebrações da terceira etapa

2 ou 3 meses

Terceira etapa:

 

  • Ter presente as diversas realidades (urbano, periferia, rural) e ambientes (Escolas, Universidades, profissionais liberais…)
  • Celebrações de Reconciliação, Louvor…
  • Confraternizações, Compromissos e proclamação do Senhor Jesus.

Uma semana intensiva ou 3 a 4 fins de semana

Quarta etapa: “Ano da Graça”

 

  • Grupos de solidariedade.
  • Mutirões para realizar obras comunitárias.
  • Grupos de oração, círculos bíblicos, grupos de reflexão, PRNM…
  • Grupos/pessoas que visitam regularmente doentes, idosos, carentes.
  • Visitas dos missionários às pessoas que não participam dos grupos.
  • Celebração do primeiro aniversário das Santas Missões Populares.

Um ano; termina com a celebração do 1º aniversário das Santas Missões Populares

CAPÍTULO III

A ESPIRITUALIDADE DAS SANTAS MISSÕES POPULARES

Sem a mística, as Santas Missões Populares correm o risco de serem reduzidas a uma técnica ou estratégias pastorais. Ainda que o abandono de muitos irmãos e irmãs de nossa Igreja nos entristeça, devemos vencer toda e qualquer tentação de proselitismo. Esta atitude contraria não só o espírito das Santas Missões Populares, como também o do Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil “Rumo ao Novo Milênio” que contempla o ecumenismo e o diálogo inter-religioso e, sobretudo, do próprio Evangelho.

Este capítulo quer ser uma oportunidade para as comunidades e os missionários refletirem sobre a mística do projeto das Santas Missões Populares. Apresenta quatro passos distintos, mas profundamente entrelaçados, que servirão como um roteiro espiritual àqueles que, com audácia evangélica, assumem o desafio de anunciar e testemunhar a Boa Nova.

Dinâmicas para introduzir o tema

1ª. Duplas e Quartetos

O animador(a) solicita que todos os membros do grupo se observem atentamente durante um minuto, sem conversar. Solicita que cada um forme dupla com uma pessoa que lhe inspire confiança. Durante cinco ou seis minutos cada um fala sobre si, respondendo da forma mais abrangente possível as afirmações da folha anexa:

  • O acontecimento mais feliz de minha vida foi….
  • Minha decisão mais importante foi quando…
  • A coisa que mais me magoa é ….
  • O que mais gosto em mim é ….
  • Um pessoa que me marcou muito foi ….
  • Minha maior devoção é … Por quê? …
  • Minha primeira lembrança da Bíblia foi …
  • Tive uma forte experiência da Eucaristia…
  • O trabalho apostólico que mais gosto de realizar é …

Após esta apresentação, o animador(a) reúne cada duas duplas formando quartetos. Os quartetos podem ser constituídos pelo animador(a) ou formar-se espontaneamente. Formados os quartetos, o elemento “A” de uma das duplas apresenta a pessoa “B”, e este o “A”. Isso feito, a outra dupla procede da mesma forma, apresentando-se também.

Concluídas as apresentações, todos voltam aos seus lugares. O animador(a) convida a quem quiser, espontaneamente, responder às questões:

  • Quais os sentimentos que vivenciamos no grupo?
  • O que descobrimos de “novo” com a partilha de nossas vidas?
  • O que aprendemos com este exercício ou dinâmica?

2ª. Chamados por Deus

Escrever numa faixa ou cartaz: “Não fostes vós que me escolheste…”

O animador(a) orienta os participantes a formar grupos de 5 ou 6 pessoas para expressar os momentos da própria vida em que se sentiram chamados, amados e escolhidos por Deus.

Em plenário os grupos relatam suas experiências.

3ª. Experiências de Deus

Em pequenos grupos, compartilhar as experiências de Deus que mais marcaram a vida dos participantes.

Se o grupo for muito grande o animador(a) chama um grupo para se  apresentar. Este grupo escolhe outro  para  que  possa  se  apresentar  também.  Se  houver  tempo  suficiente,  todos os grupos se apresentam.

4ª. A luz da fé

         Toma-se um vidro transparente com tampa. Abre-se e coloca-se, dentro dele, uma vela acesa. Fecha-se o vidro e presta-se atenção ao que acontece.

         (Questionar a assembléia ou grupo e comentar, uma pergunta após a outra).

1)    O que aconteceu?

2)    Por que a vela se apagou?

3)    Que comparação podemos fazer com essa dinâmica e nossa vivência de fé?

4)    Qual a mensagem (lição) que podemos tirar para nossa vida?

5ª. Cristãos e a Comunidade

(Distribuir com antecedência, várias velas apagadas para a assembléia. Convida-se três pessoas que serão os artistas e representam três tipos de cristãos).

O animador(a) motiva a assembléia para prestar atenção no que vai acontecer e sentir em qual das cenas cada um se identifica mais. Os artistas fazem uma cena após a outra.

O primeiro personagem, necessita agir de tal forma que choque a assembléia.

1ª Cena: Sai um personagem de um lugar onde o povo não enxerga. Vem com a vela acesa, pode cantarolar uma música profana. Chega em frente à assembléia, olha para a vela com ironia e diz em tom forte: “Essa vela eu recebi no batismo, mas não tem sentido para minha vida… Não quero saber de Jesus Cristo, isso para mim é alguém ultrapassado, também, não quero saber de comunidade, oração, grupos, Igreja, etc. (Pode dizer essas palavras ou outras que representam rejeição da fé).

Após terminar a fala, joga a vela com toda a força no chão e se coloca em um lugar solitário. (Representa a pessoa revoltada. Aquela que não quer nada com Jesus, com a fé. Recebeu a luz, mas deixou-a apagar-se).

2ª Cena: Vem outro personagem com a vela acesa. Mostra a vela para a comunidade e vira-se de costas para o público. Vai em frente a um Santo ou Santa, fica segurando sua vela acesa. (Representa a fé individualista. Eu e meu Deus. Reza em casa, não precisa de comunidade).

3ª Cena: Chega em frente à assembléia o terceiro personagem, com a vela acesa. Olha para sua vela e, em silêncio, distribui a luz às pessoas que estão com as velas nas mãos. Essa pessoa se coloca no meio do povo. (Representa a pessoa aberta, que reparte sua luz, é presença viva na comunidade).

O coordenador questiona a assembléia sobre o que aconteceu e desafia a todos para o compromisso de recuperar os que estão revoltados, afastados, os que estão vivendo no individualismo, etc

6ª. Encenação

Encenar uma visita às famílias em preparação às Santas Missões Populares, no interior (rural), numa periferia urbana, bairro central, escola, casa de comércio, bar… Os grupos são sorteados. A apresentação pode ser de maneira criativa.

         Em todas as dinâmicas ou exercícios, o animador(a) ficará atento a todas as respostas, principalmente àquelas onde aparecem as questões do sentido da vida, das experiências profundas e do exercício do respeito e escuta pois “escutar é uma busca para encontrar o tesouro da pessoa verdadeira, que se revela verbalmente e não verbalmente”.

1. Descobrir o sentido da vida

1) Vivências e experiências. O Espírito Santo nos precede em todo e qualquer empreendimento evangelizador. Esta convicção nos motiva a irmos ao encontro das pessoas onde elas estão, mergulhadas no seu dia-a-dia, no seu fazer diário e aí, nas experiências humanas, descobrirmos a ação maravilhosa e misteriosa do Espírito.

Antes de mais nada, cabe uma palavra sobre a diferença entre experiências e vivências. Todos têm vivências; uns em grau mais forte, outros mais ameno. As vivências da dor e da alegria, das vitórias e dos fracassos estão presentes na vida de cada um. Porém, nem todos conseguem transformar estas vivências em verdadeiras experiências. Isto é, experiência é uma vivência refletida, assimilada. Ora, nem todos se dão conta da profundidade do momento e dos acontecimentos nos quais estão envolvidos. Isto poderá emergir do exercício de contar sua própria vida, de falar de suas vivências, transformando-as em fecundas experiências. Quando alguém relata uma experiência, no mínimo já passou pelo processo de seleção, consciente ou não, de um fato significativo de sua vida, que está disposto a contar. É importante facilitar a visualização deste evento no contexto maior da vida. O profeta compara a sua vida a um tecido que o tecelão ia tecendo (“Como um tecelão, eu trançava o fio de minha vida; agora, me cortaram os fios” Is 38,12). O tecido de nossa vida é, de fato, constituído de um fio condutor que nem sempre é fácil detectá-lo. Ele não é claro para todos. O relato das  experiências poderá ajudar a quem o faz a descobrir a trama que dá sentido total à sua vida.

Vivemos num mundo de constantes e profundas mudanças, que tornam a nossa existência por demais fragmentada e dificultam, cada vez mais, o acesso ao sentido mais profundo de nossa vida. A complexidade em que estamos mergulhados faz com que uma parcela significativa da humanidade não consiga perceber o sentido real de sua vida e se perca em vivências desconexas, desarticuladas. Há pessoas que buscam um horizonte que dê sentido à sua existência. Outras, no entanto, vão vivendo a cotidianidade de forma fragmentada, ao sabor do que o próximo dia lhe reserva, sem nenhuma reflexão existencial, sem projetos a longo prazo. A mentalidade pragmática hodierna não favorece o espírito reflexivo, nem tampouco produz satisfações existenciais profundas, capazes de dar sentido à vida. Porém, é possível partir dos fatos mais significativos da existência de alguém para ajudá-lo a acercar-se do contexto maior de sua vida.

Aquilo que compõe o conjunto da existência humana, ou seja, alegrias e tristezas, vitórias e fracassos, esperanças e angústias, dúvidas e certezas serão o primeiro conteúdo de uma missão que pretende ajudar as pessoas a adquirirem convicções profundas sobre o valor e o sentido da vida. Em outras palavras, a ação evangelizadora precisa partir dos sentimentos e emoções, desejos e anseios das pessoas, para que a Boa Nova lhes fale verdadeiramente ao coração. Este encontrar-se com as pessoas e suas vivências deverá favorecer-lhes a possibilidade de releitura das próprias experiências e será o primeiro passo de qualquer projeto missionário. Isto implica na consciência de que não levamos a Boa Nova no bolso, mas a vemos emergir onde as pessoas realizam suas vivências, no mais comum do agir diário. É admitir o protagonismo do Espírito na missão, que não submete sua presença e ação às nossas categorias, nem as reduz a eventos puramente individuais. Atua na sociedade e no coração da história, com a liberdade que o caracteriza, soprando onde quer (Jo 3,8) e quando quer.

2) Mística: o sentido da vida. Viver sem convicções pode tornar a pessoa vulnerável demais e presa fácil das ondas passageiras. Como já dissemos, o primeiro passo da missão é escutar e perscrutar as experiências das pessoas para acercar-se das suas motivações e perceber se estas são frutos de convicções profundas, capazes de lhes dar um rumo na vida. O valor de uma convicção tem a ver com o projeto de vida traçado, com a globalidade da existência de alguém. Aqui estamos tratando da mística que nos sustenta na luta e dá sentido à nossa existência.

Partindo do sentido grego da palavra mística-mistério (=guardar um segredo), mística significa o caminho para se chegar à descoberta do Grande Mistério que dá sentido à vida humana. O apóstolo Paulo diz: “a mim, o menor de todos, foi dada a graça de anunciar o grande Mistério (segredo) que estava escondido e que se deve revelar: Jesus Cristo. Ele abriu o reino e a salvação a toda a humanidade – judeus e gentios” (Ef 3,4-9; Cl 1,26; Rm 16,25-26).

Mística é o processo pelo qual, por Jesus Cristo, o Revelador do Mistério de Deus, entramos na intimidade de Deus e com Deus. E no Deus de Jesus Cristo encontramos a força para nossa vida cristãos, de seguidores de Jesus.  “Para mim o viver é Cristo”, confessa São Paulo (Fl 1,21).

Mística é esta força que nos envolve por inteiro e dá sabor ao nosso existir ao nosso ser cristão e ao nosso agir. Mística não a vemos, não a apalpamos, mas é ela que nos caracteriza e nos torna seres distintos uns dos outros. Ela se refere aos nossos sentimentos mais profundos, aos nossos anseios, às nossas alegrias e motivações. Numa palavra, mística trata dos nossos desejos. Assim sendo, não é possível começar um processo missionário que pretenda impregnar as pessoas das convicções mais profundas sobre o existir sem referência aos seus desejos, seus anseios, suas alegrias e opções. Tudo isso emerge do conjunto das experiências que compõem o dia-a-dia das pessoas. Trabalhar no campo da mística tem a ver com o sentido global que direciona a vida de alguém. O que pode provocar a mudança de rumo de alguém? Qual a força que pode alterar os projetos pessoais em vista de um outro projeto maior, mais global? Que tesouro pode provocar a venda de todo o resto para comprá-lo? (cf. Mt 13, 44-46).

A experiência cristã registra uma lista imensa de pessoas que deram esse passo significativo na vida. Pessoas que deram um giro de 180 graus na direção de sua caminhada. As Santas Missões Populares querem criar espaços para que um número significativo de irmãos e irmãs possam dar um salto qualitativo na sua vida. Para o missionário, a mística cristã tem a ver com a pessoa de Jesus Cristo. Trata-se de uma experiência profunda, existencial, envolvente com a Pessoa e o Projeto de Jesus Cristo.

3) A visita e o exercício da escuta. Tudo o que foi dito tem no exercício de escuta o seu ponto de partida. Como entranhar-se nas experiências dos outros sem abrir espaço e criar condições favoráveis para que falem? Devemos ouvir o que eles têm a dizer de suas vidas, não o que gostaríamos que dissessem. Ouvir na gratuidade, sem cobranças de nenhuma ordem. É preciso evitar toda e qualquer tentação de querer dar receitas, conselhos. O importante, neste momento, está na atenção total na escuta. Ouvir bem o que os outros têm a nos dizer não é atitude tão natural que dispense esforço. Devemos ter consciência de que, pelo simples fato de pertencermos a uma instituição conhecida, já carregamos conosco uma certa imagem e somos identificados com um corpo doutrinal. Isso, em si mesmo, não é bom nem mau. Pode, porém, influenciar o outro na escolha da experiência que ele nos relata.

Daqui decorre a necessidade de uma postura de total abertura e acolhida da vida e das experiências de quem a gente visita. No momento da visita, o mais importante é a pessoa que nos recebe, não as nossas notícias e o que a gente gostaria de dizer. Ouvir, ouvir e ouvir, evitando qualquer intervenção no relato. (cf. Boa Nova já chegou! Decálogo do Missionário, p. 26).

A tradição bíblica conferiu à atitude da escuta uma importância singular, muito superior à capacidade de falar. “Quem responde antes de ouvir, passa por tolo e se cobre de confusão” (Pr 18,13). Salienta a primazia do ouvir em relação às possíveis respostas: “Escuta com ternura o que te dizem a fim de compreenderes e darás então uma resposta sábia e apropriada” (Eclo 5,13). Jesus, também, nos seus ensinamentos, mostrava a importância de ter ouvidos para ouvir (cf. Mt 11,15; 13,15-16). É, sem dúvida, mais importante ouvir com atenção, com carinho, que se adiantar em dar conselhos e apresentar soluções.  Propomos, portanto, que a primeira etapa da missão seja toda ela dedicada a ouvir, a escutar a cada um, a perscrutar a realidade que vai ser missionada.

Neste contexto, a visita será o ponto-chave do processo missionário. “Visita” no sentido mais profundo. Ir à casa de alguém implica estar disposto a colocar-se no campo próprio do outro. É aceitar a condição de ser recebido ou não. Nas atuais condições sociais em que vivemos, sobretudo nas grandes cidades, a visita deixou de ser uma conseqüência natural da proximidade, da vizinhança. Tornou-se mais exigente e ficou mais evidente o seu autêntico significado. Revela a disposição de ir ao encontro de alguém, de sua história. Significa interessar-se pelo outro. E a Bíblia confere à visita uma importância mais contundente. Deus toma a iniciativa de visitar seu povo para o libertar (Ex 3,7-20). Visita sua gente e permanece no seu meio (Sf 3,12-15). E através de seu Filho, concretiza a grande visita: encarna-se e “arma sua tenda” no meio do seu povo (cf. Jo 1,14). Jesus vem para ouvir, escutar e perscrutar a realidade do povo. Passa a maior parte de sua vida na escuta. E sua missão inclui inúmeras visitas. Para curar (cf. Mc 4, 4-38), provocar mudanças (cf. Lc 19, 2-10), levar a misericórdia do Pai ou apenas descansar na casa de amigos (cf. Lc 10,38).

A casa torna-se um lugar propício da missão; é o lugar onde o outro realiza suas experiências mais pessoais, mais íntimas. É o lugar da “revelação”, do esclarecimento das experiências que os discípulos não sabem entender (cf. Mc 4,10.34; 7,17; 10,10; 14,17ss.). Partir da realidade existencial daqueles aos quais pretende explicitar o sentido mais profundo de sua vida, está na raiz da prática de Jesus. Ele sabia ir ao encontro das pessoas e lhes falava a partir das suas buscas mais profundas.

4) Jesus, o visitador do povo. Na prática de Jesus descobrimos o profundo significado de suas visitas. Em todas as casas em que entrava, provocava mudanças, alterava o rumo das coisas. Em companhia de alguns discípulos, em casa de Simão e André, curou-lhes a sogra e esta passou a servi-los (cf. Mc 1,29-31). Sua visita era garantia de continuidade da alegria do povo (cf. Jo 2,1-12), mas também servia para corrigir posturas e atitudes daqueles que eram visitados. A maneira, porém, de Jesus corrigir a mentalidade das pessoas era toda especial. Vejamos sua visita à casa de um fariseu. Primeiramente, aceitou o convite para a refeição. Na cultura de Jesus, sentar-se à mesa com alguém era mostrar-se disposto a cultivar amizade, significava um gesto de confiança. Essa foi a primeira disposição de Jesus. Porém, diante da desconfiança do fariseu, contou-lhe uma parábola que lhe tornava possível perceber os próprios equívocos (Lc 7, 36-50). Usava uma linguagem simples, em forma de parábolas, que não faz saber, mas faz descobrir (cf. Mc 4,33). Mais elucidativa ainda é a sua visita à casa de Zaqueu. Provocou uma radical mudança na sua vida e explicitou o sentido mais amplo e profundo de sua visita: “hoje a salvação entrou nesta casa” (cf. Lc 19, 1-10).

Enfim, visita e escuta constituem as duas primeiras atitudes dos missionários que, em nome de Jesus, sairão ao encontro das pessoas a serem missionadas e de sua realidade. Procurarão, primeiro, detectar os sinais da Boa Nova já presentes na experiência do povo.

O grupo é convidado a fazer uma recapitulação deste tema, servindo da dinâmica nº 4 da página …….. (ou outra).

2. Seguir a Jesus e fazer seguidores

1) Caminhar na estrada de Jesus. O missionário que realizou bem a experiência da visita e da escuta está apto a confrontar sua prática com a de Jesus. Pode verificar se seus sentimentos são os mesmos dele. “Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor” (Mc 6,34). Na humildade de quem se descobre incapaz de dar respostas a todas as inquietações do povo visitado, o missionário é convidado a pôr-se a caminho com aquele que ajudará a carregar o fardo e abrir novas portas. É no contato com a realidade do outro que o missionário vai se fazendo seguidor de Jesus e suscitando nos outros o desejo de também seguir àquele que o conforta. A convicção presente na missão cristã é a de que o encontro com Jesus, a partir das experiências do dia-a-dia, dará àquele que o encontra o sentido mais profundo de sua existência.

É importante ressaltar que seguir é diferente de imitar o que se fazia em tempos idos. Seguir implica saber recriar, nas condições de hoje, a prática de Jesus. Os problemas que emergem do exercício da escuta, das visitas realizadas, certamente têm contornos diferentes daqueles das ovelhas sem pastor do tempo de Jesus. Exigem respostas novas da parte do missionário. A prática de Jesus, porém,  é inspiradora para a nossa. Escutar, visitar, compadecer-se, curar, ter misericórdia, amar e entregar a própria vida em favor dos outros constituem-se num conjunto de atitudes que marcam a prática de Jesus e têm um valor permanente na vida de quem quer fazer-se seguidor de Jesus.

Anunciar Jesus e sua prática deverá ser uma decorrência natural daquele que quer ajudar a alguém a encontrar o sentido para sua existência. Porém, não será a atitude primeira. Pôr-se a caminho com o outro, a partir de suas experiências, ajudando-o a descobrir o sentido de sua vida, possibilitando-lhe a elaboração das perguntas que orientam o seu viver, deve vir antes de qualquer exigência, deve ser uma atitude despojada de qualquer cobrança.

A revelação de Jesus como Caminho, Verdade e Vida deverá brotar desta postura de gratuidade do missionário. Em outras palavras, a maneira de viver a mística cristã deverá ser convincente, a ponto de arrastar até incrédulos ao seguimento de Jesus. “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35). A atitude amorosa de escutar o outro, de interessar-se por ele, poderá ser reveladora do amor maior de Deus por todas as suas criaturas.

2) A mística cristã nos leva à solidariedade e ao compromisso. Na primeira etapa da missão, a escuta e a visita são fundamentais e deverão ser elementos facilitadores para a revelação do amor misericordioso de Deus. As experiências humanas ganharão novo sentido, novo significado, se forem lidas na ótica do grande mistério do amor de Deus para conosco. Trata-se de refazer a experiência e de descobrir que a força, que nos move a amar, a fazer o bem, a viver em solidariedade com os irmãos e irmãs, chama-se Jesus. Nele somos chamados a vivenciar a experiência de sermos filhos do Deus misericordioso que liberta de todas as amarras, que nos impedem de amar os outros gratuitamente, como Ele nos ama. O que importa é garantir o anúncio do núcleo essencial da fé. “Em outras palavras, anunciar Jesus Cristo, não como uma doutrina, mas como uma pessoa, através da qual o mistério de Deus se torna próximo de nós” (Boa Nova já chegou!, p. 11). A certeza do anunciador é que a mensagem cristã, quando bem passada através do testemunho, do diálogo, do serviço e do anúncio, é capaz de sensibilizar as pessoas para a solidariedade e o compromisso.

Desta etapa da missão deverão surgir inúmeros grupos, de acordo com o carisma de cada um, para o atendimento das diversas realidades a serem evangelizadas e que emergiram das visitas e das escutas da primeira etapa. Aos primeiros missionários serão agregados novas lideranças que aceitaram o seguimento e perceberam que é na caminhada com os irmãos – no fazer-se solidário com os que sofrem, andam desorientados e precisam de um sentido na vida – que encontrarão o sentido para a sua existência.

3) A irrupção do Espírito Santo. Na vivência religiosa do povo, Jesus aparece como aquele que entra nas casas, ampara seus moradores, torna a casa abençoada, faz refeição com eles. Da mesma fama gozam os santos. Porém, tanto Jesus quanto os santos, na maioria das vezes, são apresentados pela espiritualidade tradicional, como aqueles que nos aproximam de um Deus que está longe e não do Deus de Jesus Cristo. É por isso que muitos não conseguem perceber que Deus está próximo. As Santas Missões Populares poderão constituir-se num momento forte de valorização da religiosidade popular e de possíveis correções de equívocos que nela também estão presentes. Importante, porém, é partir dos valores aí contidos e que tanto têm ajudado o povo a vivenciar sua religião. Nada impede, por outro lado, ajudar o povo a construir uma nova prioridade na sua expressão de fé e substituir o velho retrato que tem de Jesus.[8]

Conhecemos, hoje, a irrupção do Espírito Santo na vida e na religiosidade do povo. Esse novo Pentecostes poderá colaborar imensamente para o reconhecimento da atualidade e urgência do seguimento de Jesus. Pela ação do Espírito, temos a presença dinâmica e transformadora de Jesus na história. É o Espírito que nos mantém abertos ao novo e nos esclarece o caminho a seguir.

3. Comunidade e Missão

1) É a comunidade que envia. Não há autêntica missão sem o envio por parte de uma comunidade concreta. Em outras palavras, ninguém pode atribuir-se o título de missionário, se a comunidade não o envia. Aquele que vai à procura do irmão através da visita e da escuta; aquele que anuncia Jesus como o sentido autêntico da vida dos homens e das mulheres, não o faz em nome próprio. Ele vive a experiência do confronto de sua fé com outros irmãos e irmãs, que também descobriram em Jesus o sentido último de sua existência. A vida comunitária tem se constituído no espaço de verificação da autenticidade da experiência cristã. É na comunidade, também, que o cristão encontra apoio, segurança e coragem para recomeçar sempre a aventura do seguimento de Jesus.

Para que a comunidade cumpra sua função de ponto de apoio aos missionários, precisa ser calorosa, vibrante, em uma palavra, profundamente evangélica. A experiência da comunhão com os irmãos deve favorecer ao missionário, à missionária a radicalidade no seguimento de Jesus. Porém, o missionário(a) deverá ser aberto o suficiente para perceber que não é necessário arrastar para a comunidade todos os que por ele forem visitados. O mundo a ser evangelizado conhece inúmeras formas de vivência da fé e de seguimento de Jesus. O episódio do batismo de João pode nos abrir pistas neste sentido. Aqueles que vinham até João, buscando o batismo e perguntando-lhe: “Que devemos fazer?”, recebiam indicações de como viver sua nova condição nos seus próprios ambientes. A multidão, os publicanos e os soldados encontraram respostas adequadas à sua condição existencial (cf. Lc 3,10-14). É importante acolher e respeitar estas formas. Mas a comunidade seguirá sendo o espaço privilegiado da vivência do amor a Deus e da comunhão entre irmãos.

2) É a comunidade que acolhe. As comunidades, por sua vez, deverão trabalhar fortemente a dimensão da acolhida. Cada pessoa contatada pelas etapas missionárias anteriores deverá encontrar na comunidade uma razão convincente para dar continuidade ao seguimento recém-iniciado. Nossas comunidades precisarão abrir-se para as realidades novas que vão surgindo no processo missionário. Cientes de que não terão respostas para tudo, abrir-se-ão para fazer a caminhada com os que as procuram. Estarão dispostas para a busca conjunta de soluções que, no princípio, não são sequer vislumbradas. A comunidade garante a perseverança na missão e mantém viva, através da oração, da celebração eucarística e constante preocupação de garantir o direito comum, a chama da utopia da sociedade sem necessitados ou excluídos.

É preciso um esforço real da comunidade para superar a mentalidade de grupo fechado, de grupo que se considera mais puro e superior aos outros. Importa vencer a mentalidade de competição e de prestígio reinante na sociedade e presente, também, na Igreja. É necessário afastar toda e qualquer atitude que marginaliza os pobres ou os que são hoje considerados impuros. Uma comunidade missionária supera toda e qualquer tentação de se deixar seduzir pela ideologia dominante da busca do poder.

3) Comunidades missionárias. A grande tarefa daqueles que acreditam na força das comunidades será assumir, com alegria, o desafio da missão que Jesus mesmo deixou para os seus seguidores e constituir verdadeiras comunidades missionárias. “Jesus enumera os pontos principais que devem caracterizar a missão de uma comunidade cristã (Mc 1,16-45):

-         Congregar as pessoas em torno a Jesus e entre si: “sigam-me” (Mc 1,16-20), criando comunidade;

-         Despertar consciência crítica no povo frente à realidade: “ficavam animados com seu ensinamento” (Mc 1, 21-22);

-         Combater o poder do mal, expulsá-lo e, assim, libertar as pessoas. “Ele manda nos espíritos maus e eles obedecem” (Mc 1, 23-28);

-         Restaurar e salvar a vida do povo para o serviço: “a febre deixou a mulher e ela começou a serví-los”; “e curou muitas pessoas de vários tipos de doença”  (Mc 1, 29-34);

-         Permanecer unido à raiz que é o Pai, através da oração: “foi rezar num lugar deserto” (Mc 1, 35);

-         Manter a consciência da missão e não se fechar nos resultados obtidos: “Vamos para outros lugares, às aldeias da redondeza” (Mc 1, 36-39);

-         Libertar e reintegrar os marginalizados na convivência: “o homem começou a pregar muito e a espalhar a notícia” (Mc 1, 40-45). (C. Mesters. Caminhamos na Estrada de Jesus, p. …… ).

DINÂMICA:

Escolher uma das citações evangélicas para dramatizá-la e trazer para a realidade de hoje.

4) O Jubileu na Igreja. A Igreja poderá dar provas concretas de que quer cruzar os umbrais do novo Milênio, resgatando as esperanças de inúmeros irmãos e irmãs excluídos e sedentos de compreensão. Nesta ordem de coisas, poder-se-ia sugerir uma ampla revisão da maneira como a instituição vem tratando o direito das pessoas a terem acesso à Palavra e à Eucaristia. Por que não agir, com coragem, para atuar efetivamente o mandato do Senhor (cf. Lc 22,19)?

Se houver uma autêntica vontade de mudança, as pessoas que encontraram o sentido para sua vida, através das Santas Missões Populares, terão ânimo e apoio para a vivência do Evangelho, com tudo isso que implica. Neste sentido, poderá ter um significado forte o aprofundamento sistemático da leitura da Palavra de Deus. O método da leitura orante poderá transformar-se num instrumento valioso de aproximação cada vez maior da vivência daquilo que Deus realmente quer para todos. As liturgias poderão articular-se melhor com as experiências pelas quais passa o povo no dia-a-dia. A busca constante por maior formação teológica e bíblica poderá também caracterizar a postura de quem quer investir no protagonismo laical.

Outro ponto concreto de esforço que a Igreja poderá fazer para bem celebrar o Jubileu está na flexibilização e abertura das estruturas, que facilitem o acesso à participação dos leigos e leigas na vida e nas decisões da Igreja. As mais variadas formas de solidariedade, quer sejam as vinculadas às comunidades ou às instituições que defendem os direitos humanos, deverão ser incentivadas cada vez com maior empenho. É preciso, ainda, descobrir formas de dar apoio e suporte aos cristãos que se engajam na transformação das realidades temporais.

Essas são algumas sugestões para que a Igreja encare o Grande Jubileu como um tempo favorável para uma reação positiva frente ao marasmo atual e à sua falta de elã, que tem levado tantos cristãos a buscarem alimento para sua fé em outras searas. Mais Evangelho, menos estruturas. Mais mística, menos legalismo!

Atividades:

Formar grupos e escolher uma das atividades seguintes para trabalhar e, em seguida, apresentar em plenário.

1. Apresentar ações concretas para desenvolver a dimensão da acolhida na comunidade.

2. Escolher passagens bíblicas (do Antigo e do Novo Testamento) sobre a visita de Deus à humanidade.

3. Destacar os aspectos calorosos, vibrantes e evangélicos da própria comunidade.

4. Elaborar um pequeno projeto para vivenciar as sugestões apresentadas no Texto ou outras.

5. Preparar uma celebração penitencial da falta de missionariedade e vibração evangélica da comunidade.

4. Ser cristão no mundo

1) A missão no dia-a-dia. O grande desafio está na continuidade da missão. As Santas Missões Populares não têm a intenção de trazer todo mundo para dentro da Igreja. Ela é fermento, sinal e instrumento de salvação e de unidade. O projeto missionário tem claro que é na sociedade, com toda sua complexidade, que o fermento do Evangelho deverá levedar e propiciar o surgimento de estruturas de solidariedade e relações de comunhão.

As pessoas missionadas deverão ter resgatado, juntamente com o sentido da vida, a vontade de participar, nos mais variados níveis, da luta pela construção de uma sociedade onde a ética e a justiça sejam respeitadas. Porém, nem todos participarão da mesma maneira e nas mesmas instâncias. Uns se convencerão da necessidade de um engajamento mais sistemático e profundo. Transformar-se-ão em missionários no sentido permanente, repetindo todo o processo das Santas Missões Populares: visitando e escutando outras pessoas; convencendo-as da beleza do seguimento de Jesus; apontando a comunidade e outras instâncias de solidariedade como maneiras privilegiadas de garantir a perseverança quotidiana na construção de novas formas de vida e solidariedade, contra toda a opressão, exploração e exclusão.

O renascer das utopias, que enfrentam os problemas do desemprego e da sociedade pensada para poucos, poderá ser um fruto eficaz do processo missionário. A mensagem cristã tem uma forte carga utópica. Ela poderá ser um alento para os excluídos, transformando-os em verdadeiros sujeitos da ação missionária. Fé e resistência eles já provaram que as têm!

2) A necessidade do testemunho. Fundamental, porém, será o testemunho daqueles que encontraram o sentido para sua vida. Nada mais convincente do que o testemunho de quem encontrou em Jesus a razão de sua existência. Este testemunho deverá estar marcado pela disposição do serviço incondicional em favor daqueles que ainda andam sem rumo, sem sentido.

O processo missionário terá sempre presente, ao longo de sua realização:

a)     partir das experiências concretas do povo;

b)    ater-se ao núcleo essencial da fé – a pessoa de Jesus Cristo, morto e ressuscitado;

c)     ativar os grandes ideais do povo que andam adormecidos, porém não mortos;

d)    despertar para a solidariedade e o compromisso.

Processo marcado pelo forte apelo do testemunho daqueles que já estão convictos de que Jesus Cristo, morto e ressuscitado, constitui-se no maior exemplo a seguir. Estes são os chamados a se entregarem totalmente para garantir a todos uma existência digna e autêntica.

3) Viver no clima do Jubileu. As Santas Missões Populares poderão conectar-se com toda a programação própria para a celebração do Grande Jubileu. Mais do que tempo de celebrações gigantescas, a memória dos dois mil anos da encarnação de Jesus Cristo poderá despertar em toda a humanidade as utopias por um novo Milênio, “farei novas todas as coisas” (Apc 21,5). A exemplo do jubileu bíblico, pode-se buscar novas formas de resgate de todas as dívidas (Lv 25). Ampliar os esforços para se pôr um basta nesta forma de organizar a sociedade, que aumenta o espírito de competição e reduz as pessoas a vendedoras e consumidoras. Esta ordem de coisas tem sido fonte da exclusão de parcela significativa da humanidade. Faz-se urgente criar espaços onde seja possível a busca de maneiras novas de viver, que  ponham um fim nesta espiral desenfreada que vem gerando ricos cada vez mais ricos, às custas de pobres cada vez mais pobres. Jubileu para a Igreja deverá significar momento de graça para ativar as utopias cristãs da nova sociedade, onde os poderosos são tirados dos seus tronos e os pobres e famintos saciados da sua fome (cf. Lc 1, 52-53). A Igreja, ao longo dos últimos anos, tem dado um grande testemunho de serviço aos mais pobres e de defesa inconteste dos direitos humanos bem como de abertura missionária, superando todas as fronteiras, tanto as geográficas como as culturais e religiosas. O Grande Jubileu deverá constituir-se num motivo ainda mais forte para a renovação de seus compromissos de servir à humanidade e de comunhão eclesial na evangelização aqui e além-fronteiras. O episcopado nacional acreditou no método simples, pé-no-chão e persistente, contido no Projeto de Evangelização “Rumo ao Novo Milênio”. Cabe, agora, não deixarmos apagar a mecha que ainda fumega.

Para partilhar:

O que o Projeto Rumo ao Novo Milênio  tem suscitado de novo em sua comunidade?

ANEXO 1: Plano para as crianças e jovens

Onde a experiência das Santas Missões Populares já aconteceu, a presença de crianças e de jovens como missionários foi um ponto bastante positivo e, em alguns lugares, chegou mesmo a caracterizar o projeto. Portanto, é bom, desde o princípio, levá-los em conta na preparação das Santas Missões Populares. É o que também estão nos mostrando os participantes dos Encontros de Formação para Animadores da Infância Missionária (EFAIMs) e o serviço junto às crianças da Infância Missionária.

A inclusão de crianças tem demonstrado seus frutos através dos Grupos de Infância Missionária, que tão bem exercem seu protagonismo como, também, sabem se entrosar no trabalho com os adultos.

Faz-se, então, necessário buscar e contar com a presença dos jovens e crianças. As crianças com seu espírito missionário e os jovens, com a experiência da missão jovem, vêm tornando-se realidade e enriquecimento pastoral, em várias partes do país.

Como já sabemos, crianças evangelizam crianças e jovens evangelizam jovens, através de sua própria cultura, espiritualidade e metodologias adequadas. Portanto, há que somar forças e não deixar perder este potencial.

         Na preparação e capacitação de missionários(as) principalmente dos jovens e crianças, é possível se utilizar dos seguintes livros: “Missão jovem, um jeito novo de Evangelizar” e “Infância Missionária – Diretrizes e Orientações”[9].

Na preparação própria com as crianças e jovens, além de uma adaptação das orientações que são dadas aos adultos, será bom contar com os seguintes elementos:

- partir da experiência de vida que as crianças e jovens já têm acumulada (Infância Missionária, Missão Jovem e outros movimentos);

- leitura da Bíblia na ótica das crianças;

- realizar a preparação das crianças no mesmo dia da preparação dos adultos, em salas diferentes, mas que favoreça um entrosamento entre todos os envolvidos nas Santas Missões Populares;

- cuidar para que o convite não incorra na discriminação de crianças, mas acreditar no seu protagonismo e potencialidades, respeitando a faixa etária, servindo-se de dinâmicas apropriadas.

- integrar crianças e jovens nas visitas às famílias e em outros serviços das Santas Missões Populares, ou mesmo programar visitas às crianças e aos jovens: crianças visitam crianças e jovens visitam jovens.

ANEXO 2: Roteiro para as visitas às famílias nas Santas Missões Populares

         A visita dos missionários e missionárias às famílias, nas Santas Missões Populares, fundamenta-se nas visitas que Deus fez a seu povo no Antigo Testamento e, em Jesus, o Filho de Deus, que ergueu sua tenda no meio de nós, “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).

         A visita é uma questão de amor. Quem ama de verdade toma a iniciativa missionária e vai. Vai visitar, partilhar a alegria de sua fé. Vai viver a vida de comunhão, de fraternidade numa comunidade de irmãos.

         Visitar as famílias é continuar o projeto de Deus. É colocar o humano em contato com o divino e vice-versa, vivendo a relação de comunhão à imagem da Trindade Santa.

         Deus sempre toma a iniciativa e vem ao encontro das pessoas, visitando suas criaturas:

         Adão e Eva ouvem os passos de Javé que passeava no Jardim. Javé chamou Adão: “Onde está?” (cf. Gn 3,8-9).

         Abraão é visitado por três pessoas, Mensageiros de Deus. Abraão acolhe-os, familiarmente, em sua casa, e é agraciado e abençoado em toda a sua posteridade (cf. Gn 18,1-15).

         Deus visita Sara e cumpre a promessa feita a Abraão. Ela concebe e dá à luz um filho a Abraão já velho, Isaac (cf. Gn 21,1-3).

         Moisés, através da visita de Deus, recebe a missão de formar o povo libertando-o da escravidão (cf. Ex 3,7-20). O povo é visitado por Deus, une-se e busca a libertação (Ex 27-31). Deus, novamente, manifesta-se e resgata a vida dos pequenos do povo (cf. 1Rs 17,7-24).

         Samuel, em sonho, recebe o chamado de Deus, desperta sua vocação e responde prontamente: “Fala, Senhor, que teu servo escuta” (1Sm 3,1-10).

         recebe a visita de Javé e é agraciado com paz e bênção em toda a sua descendência (cf. Jó 5,24-25).

         Os Profetas, por meio de variadas circunstâncias, percebem a presença de Deus em suas vidas que os chama e os envia a profetizar, denunciando as injustiças e as infidelidades ao projeto de Deus e anunciam a esperança messiânica e a fidelidade de Deus (cf. Jer 1,4-10; Is 6,1s; Am 3,13-15; 6,1-7; 9,11-15).

         O Anjo do Senhor apareceu a Zacarias e anunciou-lhe o nascimento de João Batista (cf. Lc 1,8-18).

         Maria recebe a visita do Anjo Gabriel, que lhe anuncia a escolha de Deus para ser a Mãe de Jesus. O Filho de Deus encarna-se em seu seio e vem morar no meio de nós (cf. Lc 1,26-35).

         Isabel é visitada por Maria. Alegria, serviço, ternura e comunhão são expressões da presença de Deus neste encontro (cf. Lc 2,11s).

         Os Anjos, na noite de Natal, anunciam aos pastores a alegre notícia do nascimento de Jesus, o Salvador. Os pastores “combinaram entre si: vamos a Belém ver o que o Senhor nos revelou”. Foram e encontraram Maria e José e o Menino recém-nascido. “Voltaram glorificando e louvando a Deus por tudo o que haviam visto e ouvido” (Lc 2,8-18).

         Jesus é visitado pelos Reis Magos, que o adoraram, oferecendo-lhe presentes e manifestaram a presença da salvação para todos os povos, raças e nações (cf. Mt 2,7-12).

Aos doze anos, Jesus vai ao templo, em Jerusalém, sinal de sua maioridade e comunhão com a comunidade, manifestando a vontade do Pai (cf. Lc 2,22-24).

O povo acorre (visita) a João, no Rio Jordão, para receber o batismo de conversão (cf. Lc 3,3).

Jesus também vai a João para ser batizado. O Espírito Santo desce sobre Jesus, iniciando sua missão (cf. Mt 3,13-15).

João Batista recebe, na prisão, os discípulos e os envia a Jesus. Jesus testemunha a fidelidade de João e convoca os ouvintes à conversão e à prática da justiça, a exemplo de João (cf. Lc 18,20).

Zaqueu recebe a visita de Jesus em sua casa, converte-se, muda  de vida e a “salvação entra nesta sua casa” (Lc 19,1-10).

A sogra de Pedro é visitada por Jesus, recebe a graça da cura e começa a servir (cf. Mc 1,29-31).

A casa de Marta, Maria e Lázaro é, para Jesus, lugar de descanso, de amizade e de comunhão (cf. Jo 12,2).

A visita é sempre uma oportunidade de escutar o que os outros têm a dizer como forma de construir a verdadeira partilha (cf. Lc 24,13-33).

O Apóstolo Paulo faz uma experiência tão forte e profunda da presença de Jesus em sua vida, que chega a expressar: “Fui conquistado por Jesus Cristo!” (Fl 3,3-12).

A visita é sempre um ir à casa dos irmãos e irmãs em nome de Deus (cf. Mt 26,17-19) com amor, carinho e afeto. É buscar juntos uma maneira nova de ser, viver e conviver. São Paulo, pela visita de Ananias, recupera a vista e descobre um novo objetivo em sua vida (cf. At 9,10-19).

Todas as pessoas tocadas pelo Senhor abrem as portas de suas casas, a exemplo de Lídia, negociante de púrpura da cidade de Tiatira, que convidou Paulo e seus companheiros a hospedarem-se na sua casa, em Filipos. “E forçou-os a aceitar” (At 16,14-15).

As visitas às famílias serão realizadas com maior sucesso se forem precedidas de alguns encontros com os visitadores e com eles forem trabalhados os aspectos que as envolvem. Mas como todo o projeto das Santas Missões Populares, as visitas não poderão ser reduzidas à mera técnica. Faz-se necessário dar aos visitadores uma forte motivação bíblico-teológica. Em outras palavras, é preciso refletir com eles a espiritualidade que envolve o fato de adentrar a casa de alguém para levar-lhe a paz de Jesus. Conforme a comunidade, as visitas poderão ser precedidas, por exemplo, de um retiro espiritual. Antes da missão, a oração!

Vamos apresentar alguns aspectos importantes a levar em conta nas visitas.

1) Objetivo das visitas:

-       perscrutar os sinais do Espírito presentes na realidade a ser visitada;

-       criar condições para que as pessoas se manifestem, revelando suas vidas e, assim, promover os valores que estão nas pessoas;

-       valorizar a cultura dos diferentes grupos detectados nas visitas;

-       viver, na doação de si mesmo e na gratuidade evangélica, o autêntico espírito missionário;

-       conhecer a realidade das famílias e instituições;

-       ouvir as necessidades e esperanças das pessoas;

-       levar o Evangelho, com destaque ao serviço e à prática da misericórdia;

-       colocar a serviço das pessoas o que a comunidade tem para oferecer;

-       criar laços de amizade, canal de futuros engajamentos evangelizadores;

-       criar clima de união entre os moradores de uma rua, prédio, quadra, vila;

-       lançar as sementes de futuros grupos de reflexão, círculos bíblicos;

-       descobrir novas lideranças, despertar vocações.

2) Postura dos visitadores:

-       na medida do possível, entrar em todas as casas onde houver acolhimento;

-       observar bem o ambiente para saber como agir;

-       em caso de situações mais difíceis (doença, fome, conflitos …), fazer o que estiver ao alcance e tentar envolver também os vizinhos, criando assim uma corrente de solidariedade;

-       se encontrar casas fechadas, voltar depois ou deixar o recado com os vizinhos;

-       entrar nos bares, lojas, escritórios, bancos… se houver condições, dando uma mensagem ou, pelo menos, abrir o convite para os encontros, orações, celebrações;

-       entrar nas casas de pessoas de outras igrejas ou grupos religiosos, se houver condições favoráveis e acolhimento, procurando sempre evitar conflitos desnecessários;

-       nunca perder de vista que os missionários são mensageiros da paz, da justiça e testemunhas do amor de Jesus;

-       criar atitudes de diálogo, de entrosamento, de solidariedade;

-       onde for possível, ler um trecho da Bíblia, entoar um canto, fazer uma oração, dar uma bênção…

-       se a comunidade julgar conveniente, os visitadores poderão ter alguma identificação: camiseta, cruz, terço, Bíblia. Não se esquecer, porém, que o que mais identifica um visitador cristão é a sua atitude.

3) Quem deve fazer as visitas missionárias?

-       todas as pessoas (velhos, adultos, jovens e crianças) motivadas e preparadas para este ministério das visitas missionárias, mesmo que já atuem em outras pastorais ou movimentos e queiram ampliar sua ação;

-       os agentes de pastoral, inclusive os padres, religiosos e religiosas que se preparam para esse ministério.

4) Algumas qualidades essenciais dos visitadores, que poderão ser trabalhadas durante os encontros de preparação

-       conhecer os trabalhos e os recursos da diocese, paróquia e comunidade que poderão ser apresentados aos visitados;

-       conhecer os fundamentos bíblicos das visitas;

-       ser discreto e ter capacidade para manter a mais completa discrição sobre o que ficar sabendo nas visitas;

-       ter o mínimo de perspicácia para perceber quando está ajudando e quando está se tornando inoportuno;

-       saber respeitar as diferenças;

-       saber escutar com paciência as críticas e esclarecer os possíveis mal-entendidos;

-       ouvir mais que falar;

-       ser simples e claro;

-       adaptar-se aos horários das pessoas.

5) O quê e a quem devemos visitar?

-       a todas as famílias e instituições como escolas, fábricas, sociedades de amigos do bairro, igrejas de outras confissões, hospitais, centros comerciais, mercados…

-       de modo preferencial, a todos os que passam por momentos difíceis como os doentes, os desempregados, os enlutados, os que vivem solitários, os portadores de HIV, as pessoas que estão na prostituição, os marginalizados, os presos, os sofredores de rua…

-       as famílias que estão vivendo momentos importantes como espera e o nascimento de um bebê ou celebram bodas, noivados, casa nova…

6) Lembrança da visita. A comunidade poderá preparar um folder, cartão, cartazete, um sinal sensível, contendo:

-       o endereço da comunidade e os horários de celebrações e outras funções comunitárias;

-       uma relação de programas católicos nas rádios e TVs;

-       uma relação de revistas e jornais católicos;

-       oração pelas famílias;

-       se a família manifestar-se favorável, os visitadores poderão benzer a casa e as pessoas, deixando uma lembrança.

7) Pós-visita

Os visitadores poderão preeencher uma ficha resumo (nunca durante a visita) com atenção aos seguintes pontos:

-       nome e endereço das pessoas que se dispõem a novos contatos e colaborar diretamente;

-       necessidades manifestas pelas pessoas visitadas;

-       expectativas das pessoas visitadas em relação ao bairro, à comunidade e à religião;

-       partilhar em grupo ou comunidade as experiências das visitas, sem nunca entrar em detalhes sobre a vida dos visitados, dando atenção aos seguintes pontos:

-       dados positivos percebidos;

-       o que deu certo e o que não foi tão bom;

-       o que se pode fazer para melhorar.

(cf. Pe. Luís Mosconi, “Santas Missões Populares” e Região Episcopal Lapa, da Arquidiocese de São Paulo, “Visitas Missionárias”).

ANEXO 3: Sugestões para os encontros da primeira etapa

Ao encontro com o Jesus vivo

Os Encontros e as Celebrações, em preparação às Santas Missões Populares, são momentos fortes e fecundos de experiências de Deus, de oração, de reflexão, de vida e comunhão e de compromisso de evangelização.

Sugerem-se, primeiramente, Roteiros e Dinâmicas e, em seguida, os Temas de quatro encontros, para a primeira etapa das Santas Missões Populares.

1) Roteiros e Dinâmicas

1º. Acolhida

Seja sempre alegre, demonstrando a felicidade de quem está com Deus. “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).

Cantos e mensagens contribuem para criar o clima de oração e de reflexão que leve a compromissos.

2º. Motivação: (Conforme o tema e objetivos).

As Santas Missões Populares são um tempo privilegiado de encontro pessoal e comunitário com Jesus, o Missionário do Pai.

O serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho vivenciados e partilhados, fortalecem a vida espiritual e a comunhão entre todos, na comunidade e além-fronteiras.

3º. Momento de oração

As Santas Missões Populares são um tempo de graça. Necessitamos da força de Deus por meio da oração. Após uns instantes de silêncio, fazer orações, as que todos nós rezamos e outras espontâneas. Os símbolos e os gestos (dar as mãos, ajoelhar…) sempre ajudam a rezar melhor.

Outras sugestões para oração:

  • Criar momentos especiais da oração, tais como: Terço Missionário, Via-sacra, adoração, procissões…
  • Momentos penitenciais e de louvação;
  • Unir as capelinhas e os Santos padroeiros das famílias e devoções particulares…
  • Realizar um momento de prece e renovação da fé.

4º. Escutar, meditar e partilhar a Palavra de Deus, conforme os quatro temas

  • Fazer a intronização solene da Bíblia com flores, velas, fitas ou lenços das cores dos Continentes, globo, algo típico da região, instrumentos musicais, cantos…
  • Criar um espaço sagrado…
  • Passar a Bíblia de mão em mão e fazer gestos significativos (beijar, tocar…).
  • Preparar bem as leituras para serem bem entendidas por todos. Se necessário, ler mais que uma vez. Repetir frases significativas.
  • Se o texto bíblico for apropriado, fazer encenação.
  • Dar tempo para reflexão e partilha da Palavra de Deus e, principalmente, das experiências pessoais.
  • Perguntas diretas e simples ajudam aprofundar o assunto e garantir o que é mais importante.

5º. Compromisso

A Palavra de Deus suscita compromissos e a graça do Espírito Santo dá forças para concretizá-los.

Exemplificando:

  • Rezar o terço, fazer outras orações e sacrifícios em favor das Santas Missões Populares.
  • Convidar mais pessoas (vizinhos, amigos…) para participar dos Encontros e Celebrações.
  • Rezar pelos indiferentes, afastados…
  • Apoiar e organizar grupos de Infância Missionária e Jovens Missionários.
  • Elaborar faixas, cartazes, cartões, folhetos…, para motivar a participação.
  • Ver as necessidades da comunidade e outras situações que precisam do nosso apoio.
  • Atenção às notícias… promessas políticas…
  • Momentos de convivência e confraternização…

6º. Organização

  • Combinar local e horário dos encontros…
  • Programar as atividades e os serviços, distribuindo tarefas.
  • Os avisos são sempre importantes para a vida dos grupos.
  • Fazer uma breve avaliação do encontro e pedir sugestões.
  • Agradecer a participação de todos e motivar para participar sempre…
  • Concluir os encontros com uma Celebração entre todos os Grupos da comunidade, assumir compromissos comunitários, confraternização, festa…

7º. Oração, Cantos e Bênção final

(Usar criatividade; cantar com gestos; fazer a imposição das mãos, virar-se em direção à sua casa; estender as mãos em direção aos pontos cardeais…).

8º. Abraço da paz

(Celebrar a amizade, a fraternidade, a missão…. Sentir que somos irmãos e irmãs de verdade…).

2) Temas

1º. Jesus encontra o povo

Pode-se ler Mc 1,21-39, ressaltando alguns aspectos: Jesus atrai as pessoas, até o ponto que deixam tudo para segui-lo (v. 16-20); ensina de forma convincente e desperta a consciência crítica no povo (v. 21-22); tem poder para combater o mal, expulsar espíritos imundos e libertar as pessoas (v. 23-28); devolve a saúde a uma mulher do povo, que se põe a serviço dos irmãos (v. 29-34); reza e mostra qual é a raiz de sua ação: união com Deus Pai (v. 35); Jesus não se prende ao sucesso obtido, mas retorna à sua missão, indo mais longe; Ele se sente enviado a todos e cuida especialmente de libertar e reintegrar na vida comunitária os marginalizados (v. 40-45).

Ou pode-se ler Mc 3,1-12, ressaltando que Jesus coloca o bem da pessoa humana, a vida, acima da lei (que é feita para o bem dos seres humanos, não para impedi-los!). Entristece-se com a dureza de coração dos que deveriam ser os mestres da religião, mas se dedica com generosidade incansável ao serviço dos que sofrem.

2º. Jesus revela o Pai

Jesus não age por si mesmo, mas é movido pelo Espírito de Deus e para revelar à humanidade o amor do Pai (Deus) para com seus filhos e filhas. Jesus não exclui ninguém e se aproxima dos que os “homem de bem” chamam “pecadores”. Diante do escândalo de uns, Jesus se explica com uma parábola, a dos dois irmãos (Lc 15,11-32 – Seria um erro ver nesta parábola só o “filho pródigo”). O pai ama os dois filhos: o que foi embora e volta arrependido e o que ficou em casa, servindo. Quando o filho volta, o pai não exige prestação de contas, nem presta atenção às desculpas, mas manifesta antes de tudo sua alegria, porque reencontrou o filho que estava perdido. O outro filho, “certinho”, aparentemente obediente e cumpridor do dever, revela-se, no fim, sem coração e sem amor. Mas não é assim o Pai, isto é, Deus, que “nos amou quando ainda éramos pecadores” (Rm 5, 8-10).

3º. Jesus “mata” a sede e traz a luz

O evangelista João apresenta Jesus, através dos grandes símbolos da vida, como Aquele que corresponde aos anseios humanos: Ele é a água  que “mata” a sede, o pão  que alimenta, a luz  que permite encontrar a verdade, o poder que devolve a vida

Pode-se escolher o episódio da Samaritana (Jo 4, 1-42) ou o relato da cura do cego (Jo 9, 1-41). Em ambos os relatos, o evangelista ressalta o diálogo, como meio que permite à pessoa (a Samaritana, o cego)  descobrir, progressivamente, o caminho para o encontro com Deus, libertando-se das ilusões, dos ídolos e enganos que lhe impediam o encontro coma verdadeira vida e a luz. O diálogo com a Samaritana ressalta mais o caminho da fé e da busca do Deus verdadeiro, abrindo uma perspectiva acima das disputas entre judeus e samaritanos. A cura do cego é interessante também pela discussão sobre a origem do mal (a cegueira), que os judeus atribuem a um pecado dos pais ou da própria criança (!), enquanto Jesus nega radicalmente a teoria (difundida, também, no catolicismo popular e no espiritismo) da doença como castigo de Deus.

4º. A salvação entra nesta casa

Lucas (19,1-10)  relata o encontro de Jesus com Zaqueu, “chefe dos publicanos” (ou cobradores de impostos). Neste relato é notável, primeiramente, o fato de Jesus se aproximar de alguém que é tido publicamente como um pecador e anunciar sua visita à casa como a chegada da salvação. Em segundo lugar, Zaqueu, reagindo ao encontro com Cristo, promete dividir seu patrimônio com os pobres para reparar eventuais injustiças. Zaqueu continua sua vida na comunidade, na sua profissão, vivendo honestamente, em meio a situações marcadas pelo pecado, porque a “salvação entrou nesta casa”.


[1] Cf. No livro Boa Nova já chegou! p. 39-43, sobre a “pedagogia de Jesus”.

[2] Importa compreender o ensinamento das parábolas. São comparações! Jesus não manda ninguém procurar moedas escondidas no campo ou jogar na loteria. Só manda apostar na busca de Deus.

[3] Como explicamos no livro “Boa Nova já chegou!” (cf. P. 11-12), ninguém pode ser missionário se ele mesmo não fez a experiência de se sentir amado e perdoado por Deus. “Ninguém dá o que não tem”, diz a sabedoria do povo. Ser missionário é comunicar essa experiência.

[4] Cf. o quadro resumo do Plano no final desse capítulo.

[5] Um planejamento específico pode ser feito para envolver as crianças e os jovens (cf. Anexo 1).

[6] Cf. Anexo 2: Roteiro para as Visitas às Famílias.

[7]  Sobre a alegria na experiência de Deus, cf. Boa Nova já chegou! pp. 18-19.

[8] Por exemplo: contar o caso daquele que foi buscar um amigo na estação e só tinha dele uma velha fotografia. Desceu todo mundo do ônibus, inclusive o seu amigo. Ele não o reconheceu, pois confiou demais na velha fotografia.

[9] – VVAA. Missão Jovem: um jeito jovem de evangelizar. 9º Caderno de Estudos da Pastoral da Juventude do Brasil.  São Paulo, 1996.

    – Pontifícias Obras Missionárias. Infância Missionária – Diretrizes e Orientações. Brasília, 1997.

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