Cinco tipos de católicos

CINCO TIPOS DE CATÓLICOS

Autor Victoriano Pascual / José Mª de Miguel González

Por ocasião da grande celebração do Dia Mundial da juventude, que teve lugar em Sydney -Austrália-(de 15 a 20 de julho de 2008), um político australiano explicou a Bento XVI, os tipos mais freqüentes de católicos. O político se chama Jhon Herron e na atualidade é o presidente do Conselho Nacional sobre as drogas, mas antes tinha sido ministro nacional de Assuntos Aborígenes e Embaixador de seu país na Irlanda e ante a Santa Sé. Vale a pena repassar a tipologia dos católicos que o senador australiano traçou ante o Papa, porque sem dúvida não desenha só os católicos daquela imensa nação, mas também os de nosso próprio país.

CATÓLICOS ESPORÁDICOS

São aqueles que de vez em quando se lembram que o são e visitam uma igreja, especialmente quando tem algum problema. Evidentemente, não vão para dar graças a Deus, mas para pedir-lhe ajuda, bem para si ou para os seus, que passam por um mau momento. É uma maneira de entender a religião como analgésico para tirar dores de cabeça ou como um negócio mercantil. Tu me ajudas e eu te pago (com uma doação ou uma promessa). A esta espécie pertencem os católicos que se qualificam a si mesmos como não praticantes, mas se é preciso ir a um funeral ou a uma boda vão sem nenhum problema (ainda que já são muitos os que sentem alergia ao espaço sagrado e preferem permanecer fora no átrio da igreja).

CATÓLICOS NOMINAIS

Talvez, é o tipo mais espalhado, pelo menos entre nós. São aqueles que um dia foram batizados, quer dizer, inscritos no livro de batismo da correspondente paróquia, e, para efeitos de contagem se contabilizam como católicos, mas nem se sentem nem atuam como católicos. Sua pertença à Igreja é puramente nominal, sem incidência prática alguma. Muitos deles fizeram ou a primeira comunhão e com ela se despediram dela até, quem sabe, a celebração do Matrimônio. Normalmente, os cristãos nominais, recebem cristã sepultura, quer dizer, se lhes faz um solene funeral, ainda que não tenham passado nunca ou quase nunca pela igreja.

CATÓLICOS ANTICATÓLICOS

Destes há muitos por aí, disse o Senador ao Papa. São os que foram batizados como católicos, e ao melhor durante uns anos atuaram como católicos sinceros, mas um bom dia deixaram de sê-lo e se converteram em inimigos acérrimos de todo o católico e, especialmente, de quem está a frente da Igreja, começando pelo Papa, seguindo pelos Bispos e continuando com os curas, frades e monjas. O anticlericalismo é uma enfermidade que ataca especialmente aos que um dia foram católicos, mas por diversas razões perderam a fé, passaram a uma seita, ou se identificaram com uma ideologia ou um partido que prega valores contrários ao Evangelho e consideram à Igreja um obstáculo o impedimento para levar a cabo seu programa. Alguns destes católicos anticatólicos justificam seu comportamento, sempre anti-hierárquico, assegurando que querem purificar a Igreja de todas suas infidelidades e colocá-la à altura dos tempos, já que a consideram muito atrasada. A Igreja que eles têm em sua mente se separou do Evangelho ou o traiu, portanto opor-se a esta Igreja romana e vaticanista, é lutar por uma Igreja verdadeiramente evangélica. Os católicos anticatólicos mais ativos nestas lides, procedem, como é natural das filas dos católicos, ou seja, dos que estiveram antes dentro da instituição que agora repudiam, como sacerdotes, teólogos, religiosos, religiosas. Contudo ainda ficam combatentes dentro da mesma instituição que são, sem dúvida, os que mais dano fazem.

CATÓLICOS DE BUFFET

Quem são estes? O político australiano os descreve assim: buscam motivos daqui e de lá e deixam o que não gostam. Que traduzido significa: são os católicos que com os artigos da fé e da Moral fazem um pandemônio. Crêem umas coisas e outras não, segundo lhes parece. O mesmo dizem que crêem em Deus e não na vida eterna nem na ressurreição dos mortos, ou que existe Deus mas ou o inferno, ou que eles se arrumam com Deus diretamente e por isso não necessitam ir os domingos a missa. Do conjunto da fé tomam aquilo que mais lhe convém e lhes parece mais razoável e do resto não querem nem ouvir falar. Mas ainda é mais problemático em relação com a moral, quer dizer, com o que é preciso praticar. Alguns afirmam que o mais importante é trabalhar pelos pobres e comprometer-se com os mais necessitados, mas a moral familiar, econômica ou política é coisa de cada um e aí não tem nada que dizer a Igreja. Assim, dos dez mandamentos se escolhem uns e se deixam outros, ao gosto do consumidor.

CATÓLICOS PRATICANTES

Estes não são só os que vão a Missa todos os domingos, mas os que se esforçam por levar à prática os valores fundamentais do Evangelho. Certamente, a prática dominical é sumamente importante porque a Igreja se edifica sobre a Eucaristia e sem Eucaristia não é possível manter viva a fé, porque esta se alimenta da Palavra de Deus e do Corpo Eucarístico de Cristo. Mas limitar-se a ir à missa e descuidar a prática da caridade é reduzir a fé a um rito, quando a fé cristã é uma vida. Ou seja, a fé tem que iluminar e animar toda a vida cristã. Um católico praticante é muito mais que um católico que vai a Missa, ainda que sem ir a Missa dificilmente se pode praticar o demais, ou seja os valores evangélicos. Não cabe dúvida de que este político australiano Jhon Herron desenhou bem os distintos tipos de católicos. Eu, sem ter ouvido nunca antes falar dele, penso que pertencer ao último tipo, ao dos católicos praticantes. Pois não em vão é o Presidente do Congresso Nacional sobre Drogas, e foi Ministro de Assuntos Aborígenes. Duas encomendas que requerem uma grande sensibilidade evangélica e muito amor ao ser humano, imagem de Deus e redimido por Cristo, para cumpri-las com entusiasmo e eficácia.

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