Os Sinos

OS SINOS: A VOZ DE DEUS EM NOSSA CONSCIÊNCIA
Mons. Inácio José Schuster

Os três sinos de nossa igreja Matriz sempre despertaram a curiosidade de muitas pessoas, mesmo aquelas que não professam a nossa fé. Por isso foram automatizados em junho de 2011. Repicam em Hamburgo Velho desde o dia 29 de março de 1896, quando foram consagrados pelo Sr. Bispo Diocesano Dom Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, depois de presenteados pela Sra. Helena Kroeff Sisterhen. Nesta cerimônia foram padrinhos o Sr. Hugo Kroeff e a Sra. Ida Kroeff, o Sr. João Senger e a Sra. Guilhermina Altmayer Friedrich.

Eles são um sinal (daí a origem do nome em latim “signum”) e são feitos de bronze – uma liga de 4 partes de cobre e uma de estanho, adicionando também uma dosagem de ouro ou de prata e outros componentes, para otimizar sua sonoridade, segundo fórmulas secretas guardadas sob sete chaves e passadas de geração a geração pelas famílias construtoras, em geral italianas, alemãs e portuguesas.

Os primeiros a utilizá-los foram os mosteiros beneditinos para convocar os monges às orações das horas, na Itália, nas Gálias e Inglaterra, ou mesmo um santo, São Paolino de Nola que anteriormente já os tinha usado em sua catedral, em meados do século quinto, ou seja, em 431. No século VIII, o Papa Estevão II fez construir uma torre na antiga Basílica de São Pedro, nela colocando três sinos. No século IX apareceram em todas as catedrais e nas igrejas paroquiais.

Os sinos como “res sacrae”, instrumentos diretamente ligados ao culto costumam ser “batizados”, como se diz, ou melhor, recebem uma benção própria, reservada ao Bispo.

Costumam homenagear determinados santos cujos nomes são gravados em alto relevo em sua forma cônica. Em nosso campanário, o sino grande em honra da Padroeira Nossa Senhora da Piedade (STA MATER ISTUD AGAS CRUCIFIXI FIGI PLAGAS CORDI MEO VALIDE. P. ANT WEBER S.J. HAMBURGER BERG BRASILIEN Nº 2177 / Santa Mãe, para que faças isso, fixa as chagas do Crucifixo no meu coração, com força / do hino do séc. XIII, Stabat Mater, sobre o sofrimento de Maria Santíssima), o sino médio em honra dos Apóstolos, de modo especial São Tiago Maior (APOSTOLORUM GLORIAM TELLUS ET ASTRA CONCINUNT. O.P.N. STE. JACOBE CEW. VON WW HELENA KRÖFF Nº 2176 / A Terra e as estrelas cantam juntos a glória dos Apóstolos / Rogai por nós, São Tiago) e o sino pequeno em honra da Cruz Redentora, sinal distintivo de nossa fé, quando nos persignamos (PER SIGNUM CRUCIS DE INIMICIS NOSTRIS LIBERA NOS DEUS NOSTER. CEW. VON WW HELENA KRÖFF Nº 2175 / Pelo sinal da santa cruz, livrai-nos, Deus nosso Senhor, dos nossos inimigos).

Vejamos algumas inscrições existentes em velhos e venerados sinos, testemunhas da história, de acontecimentos felizes, de desgraças e calamidades de suas comunidades ou aldeias: “Vox mea, vox vitae, voco vos ad sacra, venite” (A minha é a voz da vida que vos convida ao culto divino), ou, outra mais completa: “Laudo Deum verum” (Louvo o Deus verdadeiro), “Plebem voco” (Convido o povo), “Congrego clerum” (Reúno o clero), “Defunctos ploro” (Choro os mortos), “Nimbum fugo” (Afugento os temporais), “Festa decoro” (Solenizo as festas). Há outra inscrição muito bela: “Funera plango” (Choro os funerais), “Fulmina franfo” (Elimino os raios), “Sabbata pango” (Alegro os feriados), “Excito lentos” (Acordo os preguiçosos), “Dissipo ventos” (Afasto os vendavais), “Paco cruentos” (Pacifico os violentos).

Os sinos gozavam de grande prestígio em outras épocas, eram queridos do povo e exerciam até mesmo funções sociais importantíssimas para as suas comunidades. De acordo com o seu toque, conhecido de antemão pelo povo, os sinos alertavam para os incêndios, a proximidade dos vendavais, ou então a morte e o sepultamento de pessoa da comunidade (comum toque lento e espaçoso).

Os sinos eram, portanto uma forma perfeita de comunicação em tempos passados e o relógio comunitário. Durante o dia, às 6 horas, ao meio dia e às 18 horas, recordavam ao povo à hora da oração do “Ângelus”, ou das Ave-Marias.

Ecoando pelos vales, pelas planícies e colinas traziam sempre mensagem de fé e de serenidade. Durante o tempo do advento e particularmente na quaresma os sinos emudeciam, e o povo sentia a sua falta.

No Natal, à Missa da meia-noite e na solene Vigília da Páscoa, porém, eles se libertavam do longo silêncio penitencial, atingiam o máximo de esplendor e de brilho com o bimbalhar festivo que inundava de alegria os corações de todos.

Hoje parece que os sinos não têm mais voz e vez. Nas grandes cidades as torres que são seu habitat natural vivem asfixiadas entre gigantescos arranha-céus e a sua voz suplantada pela parafernália dos motores e buzinas.

A tecnologia moderna subiu até as torres e aboliu todo esforço humano na arte de tocar sinos. Os sinos hoje são eletrônicos e ainda mais, programados. Mesmo com as igrejas fechadas e sem presença humana, eles tocam como se mãos invisíveis de anjos os acionassem docemente, enquanto os homens modernos, sempre estressados, se agitam…

Amemos os nossos sinos. Eles são os amigos que nos convidam a caminhar em nossa fé. Mensageiros celestes que nos convocam à oração, nos alertam para o horário, nos comovem, nos alegram e nos enternecem. O Senhor Jesus afirmou: meus discípulos ouvem a minha voz. Não será também a Sua a voz dos sinos?

Os Três Sinos – maiores detalhes

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