Nossa Senhora das Dores

NOSSA SENHORA DAS DORES

Havia duas festas das Dores de Maria. Uma que foi instituída em Colônia, durante o século XV, por um piedoso arcebispo, Tierri de Meurs, a fim de reparar os ultrajes praticados pelos Hussitas contra as imagens da Santíssima Virgem, era celebrada na sexta-feira da semana da Paixão, semana imediatamente anterior à Semana Santa. Mais tarde, o Papa Bento XIII decretou que ela fosse inscrita no catálogo das festas litúrgicas, para todo o mundo católico, sob o título de Festa das Sete Dores.

Porém, esta festa vem de mais longe. Conta uma antiga tradição que na terrível manhã de Sexta-Feira Santa, Maria, apartada do seu divino Filho por causa do tumulto da cidade, O voltara a encontrar na encosta do Calvário, coberto de sangue e pó, coroada a fronte de espinhos e acabrunhado ao peso da cruz, lúgubre instrumento do seu suplício. Ao vê-Lo em tão lastimoso estado, o coração da Virgem partiu-se de dor; desfaleceu como Jesus no Jardim das Oliveiras e caiu por terra sob o peso dum espasmo doloroso e terrível, do qual se libertou para ir ao calvário dizer generosamente, como o Salvador: Levantai-vos e vamo-nos daqui – Surgite, eamus hinc!

Este fato da vida de Nossa Senhora foi honrado por uma festa, conhecida com diversos nomes: Nossa Senhora da Piedade, A Compaixão de Nossa Senhora e, depois, sobretudo com o decreto de Bento XIII, Nossa Senhora das Dores. Esta última designação deriva do fato de nesta solenidade se comemorar, não só a aflição particular a que nos vimos referindo, mas também todos os tormentos de Maria, os quais se englobam em sete principais, a saber:

1 – A profecia de Simeão.

2 – A perseguição de Herodes e a fugida da Sagrada Família, para o Egito.

3 – A perda do Menino Jesus no Templo de Jerusalém.

4 – O encontro desta Mãe admirável com o seu Filho, carregado com a cruz, no
caminho para o Calvário.

5 – A crucifixão de Nosso Senhor.

6 – Jesus descido da cruz e colocado no regaço de sua Mãe.

7 – A sepultura de Jesus, ficando sua Mãe em triste solidão.

Fundou-se uma Ordem religiosa, a dos Servos de Maria que teve por fim primacial honrar as Dores desta divina Mãe. Os sete fundadores tomaram sobre si este encargo, honrando cada um uma dor em especial; e para tomar mais sensível a sua devoção, representaram a Virgem na atitude de dor, tendo o coração trespassado por sete espadas.

A segunda festa da compaixão ou das Dores de Maria tem origem mais recente. Instituiu-a Pio VII, em 1814; fixou-a no terceiro domingo de Setembro. Atualmente, celebra-se a 15 de Setembro.

Estabeleceu esta festa em memória das dores imensas em que estivera submersa a sua alma, quando, numa perseguição sem exemplo nos anais eclesiásticos, fora arrancado de Roma, sua capital, pelo poderoso Imperador Napoleão, internado em Fontainebleau e separado de algum modo da Igreja que já não podia governar livremente.

Se a autorização eclesiástica excita os nossos espíritos e corações a venerar as Dores de Nossa Senhora, é que esta devoção é gratíssima a Maria, segura nas suas bases e fecunda nos seus frutos de salvação. Com efeito, segundo um célebre panegirista das glórias de Maria, Marchêre, Nosso Senhor prometera à Santíssima Virgem, segundo uma revelação feita por S. João Evangelista, para aqueles que desejarem compartilhar as Dores de sua Mãe: uma contrição perfeita dos seus pecados antes de morrer, uma proteção especial na hora precisa do trespasse, a assistência particular da Rainha dos Céus nos seus derradeiros instantes. Santa Brigida conta, nas suas revelações, que numa visão, havidaem Santa Maria Maior, em Roma, lhe foi mostrado quão grande apreço o céu ligava à meditação das Dores de Maria.

Contribuiu muito para aumentar a devoção a Nossa Senhora das Dores, na América Latina, o que sucedeu no Colégio de S. Gabriel, dirigido pelos Jesuítas, na cidade de Quito, capital do Equador.

Na parede do refeitório dos alunos internos estava afixada uma estampa de papel com a figura de Nossa Senhora das Dores, que tem sobre o peito o coração transpassado por sete espadas; na mão esquerda segura os três cravos da crucifixão; com a direita aperta contra o peito a coroa de espinhos. O rosto é muito expressivo e manifesta dor profunda; duas lágrimas deslizam pelas faces; dos olhos irradia uma inefável doçura com uma aparência de tristeza, bondade e carinho. Parece que fala das suas grandes dores e profundas amarguras.

A 20 de Abril de 1906, às oito horas da noite, os alunos internos, em número de uns trinta, o seu Prefeito, o Padre Roesch, e o Irmão Alberdi, contemplam este prodígio, que dura um quarto de hora. O quadro ilumina-se e a Senhora abre e fecha os olhos, repetidas vezes.
Eis o testemunho do sacerdote acima mencionado:

«Em frente da imagem, rodeado pelos rapazes, cravei nela os meus olhos, sem pestanejar, e notei que a Virgem Santíssima fechava as pálpebras lentamente. Não acreditando no que sucedia afastei-me do lugar… Voltei de novo ao posto que ocupava anteriormente: senti então como que um frio que me gelava o corpo. Sem poder duvidar, vi que a estampa fechava e abria efetivamente os olhos. Quando isto sucedia, todos os alunos que presenciavam o fato, exclamavam a uma só voz: “Agora fecha; agora abre; agora é o esquerdo…” O fato repetiu-se várias vezes e durou 15 minutos».

Por ordem do Arcebispo de Quito, foi feito um Inquérito Canônico, sendo concordes os testemunhos de todos quantos contemplaram este prodígio.

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