Irmãs de Santa Catarina, V.M.

A Congregação das Irmãs de Santa Catarina V.M. foi fundada, em 1571, por Regina Protmann, nascida em 1552, em Braunsberg, na Alemanha, atualmente, Polônia (Braniewo). Foi a primeira Congregação feminina de vida ativa, cuja constituição foi aprovada pelo Bispo Cromer, em 1583, e obteve aprovação Papal em 1602. Aos 19 anos, movida pela Graça, deixa a casa paterna e, com duas companheiras, entrega-se a Deus, numa vida de oração e de penitência. Por sua missão profética, rompe com as estruturas da Vida Religiosa da época, colocando-se ao serviço das necessidades urgentes da Igreja. Busca servir ao outro, fazendo-o crescer na fé e no conhecimento de Deus. Dedica-se aos pobres e necessitados, visita e assiste os enfermos, educa e instrui as crianças, principalmente as meninas, zela pelo altar e pela arrumação das igrejas. Tem grande amor à Igreja Paroquial, consagrada a Santa Catarina de Alexandria, tomando-a por padroeira de sua congregação. A obra de Regina floresce através dos séculos e, aos 16 de junho de 1897, chegam ao Brasil as primeiras Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braunsberg. Dão início aos trabalhos apostólicos, fundando uma escola em Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. Em 1898, vieram a Porto Alegre, a pedido do Dr. Josetti, que intermediado pelo Padre Mentz S.J, pediu às Irmãs para que além da área educacional, também atuassem na saúde. Instalaram-se na Casa de Saúde Bela Vista, que não ofereceu condições de sobrevivência para as Irmãs. Como a comunidade católica de Hamburgerberg (Novo Hamburgo) aspirava à fundação de uma escola dirigida por religiosas vieram aqui a convite do Pe. Norberto Bloes, a 27 de junho de 1900, as Irmãs Julita Schwark e Valentina Thiel. Empreenderam, nessa localidade, a obra pioneira da Congregação, fundando humilde escola paroquial, origem do atual Colégio Santa Catarina. Estava lançada a semente de uma árvore frondosa que vem estendendo seus ramos acolhedores a diversas localidades brasileiras. Foi exatamente nas cidades-sedes das suas províncias brasileiras que foram lançados os fundamentos sólidos do apostolado segundo o Carisma da Bem-aventurada Regina: Petrópolis-RJ e Novo Hamburgo-RS. Nós, Irmãs de Santa Catarina V.M., procuramos viver o ideal de nossa admirável Fundadora, através de uma vida de íntima união com Deus, buscando servir aos irmãos nas áreas da saúde, educação, serviço social e pastoral, atendendo às necessidades da região e da Igreja particular onde estamos inseridas. A Bem-aventurada Regina Protmann foi Beatificada no dia 13 de junho de 1999 e no ano de 2002, comemoramos 450 anos de seu nascimento e 400 anos de aprovação eclesial da nossa constituição. “COMO DEUS QUER” “AGORA SEI QUE DEUS, O SENHOR, ME AMA” (Bem-aventurada Regina Protmann).

O testemunho de Santa Catarina Virgem e Mártir

BEATA REGINA PROTMANN (1552-1613)

Beata Regina Protmann (1552-1613), fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria.

Nasceu numa família burguesa católica, em Braniewo, na região de Warmia, no período em que a região passava sob a influência do protestantismo. Aos 19 anos de idade experimentou uma viragem existencial, assistindo os doentes da sua cidade.

Em 1571 fundou, com a ajuda dos jesuítas, a sua Congregação de tipo contemplativo-ativo para a assistência aos doentes e necessitados, o que constituiu para o seu tempo uma novidade, pois naquela época só existiam conventos de clausura. A Congregação recebeu a aprovação pontifícia em 1662, difundindo-se na Polônia e na Lituânia e, depois, também na Finlândia, Rússia, Inglaterra, Brasil, Alemanha, Itália e Togo.

O carisma da fundadora tem inspirado o trabalho das suas filhas espirituais que, de modo especial, se dedicam à obra assistencial dos doentes.


VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À POLÔNIA

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE O RITO DE BEATIFICAÇÃO

Varsóvia, 13 de Junho de 1999

«Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7).

A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: «Como Deus quiser» tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado.


ESPIRITUALIDADE DAS IRMÃS DE SANTA CATARINA

Ir. Veronice Weber – Pertencente à Congregação das Irmãs de Santa Catarina,V.M., a Autora tem especialização em Formação para a Vida Religiosa e em Música. O texto aqui apresentado é uma contribuição dada no Simpósio de Espiritualidade Franciscana, realizado na Estef, de 28 de setembro a 01 de outubro de 2010. Cadernos da ESTEF 45 (2010-2) 51-54 / Endereço da Autora: [email protected]

Resumo: Resume a história da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, virgem e mártir, e de seu carisma. Fundada em 1571 por Regina Protmann, na Prússia Oriental, é uma das primeiras tentativas bem-sucedidas de organização feminina da vida religiosa ativa.

Palavras-chaves: Beguinas, Espiritualidade, mística esponsal, núcleo fundante, vida contemplativa, vida ativa.

A Congregação das Irmãs de Santa Catarina foi fundada por Regina Protmann, nascida em 1552, em Braunsberg, Prússia Oriental, hoje Braniewo, Polônia.

Foi uma das primeiras congregações de vida religiosa da diaconia – serviço da caridade, contemplativa e ativa. A congregação foi fundada em 1571, sendo aprovada a primeira constituição em 1583, pelo Bispo Martinho Cromer, diocese do Ermland, e a aprovação papal em 1602, pelo Núncio Apostólico Cláudio Rangoni, na Lituânia.

O contexto eclesial da época da fundação é marcado por forte crise. Há confusão religiosa, divisão do cristianismo, expansão do protestantismo, reforma e contrarreforma. Regina Protmann vive de 1552 a 1613, época da Reforma, incluindo o Concílio de Trento (1545 a 1563), grande marco da restauração católica.

Muitas dioceses se extinguiram, aderindo ao protestantismo. A diocese do Ermland foi uma das únicas da região a permanecer católica. A partir de 1565, a diocese, especificamente Braunsberg, recebia padres jesuítas.

A espiritualidade na época da Reforma se caracteriza pelo esforço na busca de um cristianismo equilibrado entre teocentrismo e antropocentrismo; época de santidade fundada no ideal de perfeição e heroicidade; forte tendência individualista: a oração mental é o eixo da nova espiritualidade, e a oração particular, afetiva e contemplativa é sua nota essencial; há expansão mística; muitas práticas espirituais: mortificação, penitência, jejum e flagelação, orações unidas ao sacrifício e à ascese, obediência e pobreza.

A espiritualidade da Reforma é bíblica e patrística, buscando de diferentes modos aprofundar os mistérios de Cristo.

Mesmo sendo fortemente pessoal, a espiritualidade se abre ao apostólico-missionário e gira entre dois polos: vida contemplativa e vida ativa. Toda história da Reforma é uma luta contínua de equilíbrio entre duas forças íntimas e vitais de toda espiritualidade social e eclesial: contemplação e ação.

Situando a Vida Religiosa feminina no contexto eclesial da época, destacam-se experiências muito significativas.

Estava em gestação um novo tipo de Vida Religiosa feminina. Diante da inquietação com as pessoas necessitadas, há iniciativas de vida apostólica. Saúde, educação e o especial atendimento aos pobres são elementos fortes.

Em 1216 são aprovados pela Igreja os Beguinários, uma espécie de conventos nos quais mulheres piedosas viviam em comunidade, sob a direção de um sacerdote, monge ou frade da localidade.

Não faziam votos, mas uma promessa, após dois anos de noviciado, de viver a castidade e a obediência. As Beguinas, assim denominadas, dedicavam-se ao cuidado dos enfermos, ensinamento das crianças, assistência aos pobres e cultivo da piedade. Situavam-se num meio termo entre a vida laical e vida consagrada da época. Em Braunsberg, no tempo da fundação de Regina Protmann ainda havia algumas Beguinas, mas esse modo de vida foi se extinguindo.

Mesmo com o desabrochar da Vida Religiosa feminina ativa, em 1566, com a constituição Circa Pastoralis, de São Pio V, o despertar da mulher para o serviço apostólico sofre duro golpe. Na Igreja, ainda, o único lugar possível para a mulher não casada era o convento, com estrita clausura. A mulher consagrada é vista como esposa de Jesus Cristo, forçada a viver sua vida na clausura como única forma de fidelidade ao Senhor.

Além da visão da Igreja institucional, a vida consagrada feminina fora da clausura, em meio o povo, também era incabível para os familiares das jovens que desejassem seguir o novo modo de vida religiosa.

Em 1552, época de muitos conflitos, guerras, cisma da Igreja, tempo de Reforma e Contra-reforma, nasceu Regina Protmann. Seus pais, Peter Protmann e Regin Tingels, eram honestos e respeitados em Braunsberg e na diocese do Ermland.

Eram ricos, de antiga e honrada descendência. Sua família era profundamente cristã e engajada na Igreja local, dedicada à Santa Catarina de Alexandria.

Regina recebeu boa formação religiosa e esmerada educação, destacando-se nisso a atuação dos sacerdotes jesuítas.

Em sua juventude Regina era inclinada às vaidades. Sentia prazer na beleza de seu corpo, de suas vestes e de seus dons. Era pessoa determinada e muito inteligente.

Aos 19 anos, o brilho da graça divina começou a luzir no coração de Regina. Envolvida e tocada pelo amor gratuito de Deus, abandona totalmente as vaidades do mundo, deixando a casa paterna e rompendo com todas as seguranças humanas e naturais. Com duas companheiras, foi morar numa casa pobre, para abraçar uma vida de pobreza e de comunhão com seu Senhor e Deus.

Regina percebeu os apelos de Deus e respondeu a Ele com fidelidade. Sentiu-se inclinada à oração, para discernir e acolher o apelo que Deus lhe fazia. Agraciada por um profundo amor a Deus, fiel ao impulso do Espírito Santo, aberta aos sinais dos tempos, conheceu as necessidades da Igreja e do seu povo.

Ao ver a pobreza dos que estavam fora dos muros de Braunsberg, foi ao seu encontro. Transpôs a clausura, servindo com amor e desprendimento aos pobres, doentes e abandonados. Aceitou educar meninas em seu convento, elevando a dignidade da mulher pobre. Também zelou com amor pela casa de Deus, cuidando dos paramentos, toalhas e velas do altar da igreja Santa Catarina.

Regina não tinha pensado, a princípio, em fundar uma congregação religiosa, mas impelida pelo Espírito, conduzida pela graça de Deus, se tornou fundadora de um novo estilo de Vida Religiosa feminina, comunidade apostólica de vida contemplativa e ativa. Aos poucos, outras jovens se juntaram a Regina e suas companheiras. Cresciam no amor fraterno e na união. Eram “um só coração e uma só alma”.

A comunidade eclesial se fez sentir no momento de escolher o nome da Congregação. A Igreja de sua comunidade local era dedicada a Santa Catarina de Alexandria V.M., muito cultuada pelo povo de Braunsberg. Desde criança aprendeu a venerá-la. A santa da Igreja em que Regina fora batizada e alimentada em sua vida de fé, foi escolhida por Regina como protetora de suas Irmãs: Congregação das Irmãs de Santa Catarina, virgem e mártir.

A dimensão da mística esponsal e martirial de Santa Catarina de Alexandria, VM, marcou a espiritualidade de Regina.

A Bem-aventurada Regina Protmann, na Igreja e na sociedade de seu tempo, expressou o dom de seu carisma e espiritualidade de forma criativa e significativa transpondo a clausura e fundando uma comunidade apostólica de vida contemplativo-ativa, servindo os pobres, doentes e abandonados com amor e desprendimento, fundando escolas para meninas e elevando a dignidade da mulher, zelando com amor pela casa de Deus, vivendo em comunidade fraterna e tendo uma vida santa.

O núcleo fundante da congregação está na experiência de Regina, que buscou uma vida de profunda comunhão com Deus, seu Senhor, em aliança esponsal com Jesus Cristo, “seu amantíssimo Esposo”.

Sua espiritualidade cristocêntrica teve como alicerce a aliança esponsal com Jesus, seu “amantíssimo Esposo”; o extraordinário amor e comunhão com Jesus Eucarístico; o amor à Palavra de Deus, com acento particular no Mistério Pascal; o total abandono à vontade de Deus e a docilidade às moções do Espírito Santo, segundo o lema que adotou: “Como Deus Quer”.

As Irmãs de Santa Catarina, VM, a partir do núcleo fundante e espiritualidade de sua fundadora, propõem-se viver a espiritualidade congregacional com destaque na consagração, em profunda comunhão com Deus, na aliança esponsal com Jesus Cristo, Servo obediente; participação do Mistério Pascal, tendo a Eucaristia como fonte de vida, de doação e serviço oblativo; meditação da Palavra de Deus, particularmente a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo; vida ascética, na docilidade ao Espírito Santo, tornando visível o “Como Deus Quer”; obediência e abandono à vontade de Deus; vivência da caridade cristã na vida fraterna e apostólica; eclesialidade; amor traduzido em serviço: educação, saúde, inserção pastoral e social.

O Colégio Santa Catarina em Hamburgo Velho

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