O caminho de fé e caridade traçado pelo Batismo

Angelus, domingo, 12 de janeiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco destacou necessidade de um “suplemento” de caridade e amor fraterno

No Angelus deste domingo, 12, Papa Francisco pediu a intercessão de Maria para que cada um possa seguir o caminho da fé e da caridade, um percurso traçado pelo Batismo. Trata-se de se deixar invadir pelo amor de Deus para ver “céus abertos”, uma invocação muito presente no tempo do Advento.

“Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuro, sem esperança. Em vez disso, celebrando o Natal, a fé mais uma vez nos deu a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus”, disse.

A partir do Evangelho do dia, Francisco afirmou que, com o nascimento de Jesus, os céus se abrem e Deus dá em Cristo a garantia de um amor indestrutível. E como o Verbo se fez carne, é possível ver os céus abertos. Cada um dos homens pode fazer isso se se deixar invadir pelo amor de Deus, que é doado pela primeira vez no Batismo.

O Papa lembrou ainda que, quando Jesus recebeu o Batismo, Deus fez ouvir a sua voz, que reconhecia Cristo como o Seu Filho, enviado para partilhar a condição humana. Isso porque partilhar é o verdadeiro modo de amar.

“Não parece que no nosso tempo nos seja necessário um suplemento de partilha fraterna e de amor? Não parece que todos temos necessidade de um suplemento de caridade?”, questionou o Papa, dizendo que não se trata de uma ajuda sem envolvimento, mas de uma caridade que partilha, que cuida do sofrimento do irmão.

“Peçamos à Virgem Santa para nos apoiar com a sua intercessão no nosso empenho de seguir Cristo no caminho da fé e da caridade, o caminho traçado pelo nosso Batismo”, concluiu.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje é a festa do Batismo do Senhor. Nesta manhã, batizei 32 crianças. Agradeço convosco ao Senhor por estas novas criaturas e por cada vida nova. Eu gosto de batizar crianças. Eu gosto tanto! Cada criança que nasce é um dom de alegria e de esperança, e cada criança que é batizada é um prodígio da fé e uma festa para a família de Deus.

O Evangelho de hoje enfatiza que, quando Jesus recebeu o Batismo por João no Rio Jordão, “se abrem para ele os céus” (Mt 3, 16). Isto realiza as profecias. De fato, há uma invocação que a liturgia nos faz repetir no tempo do Advento: “Se rasgásseis os céus, se descêsseis” (Is 63, 19). Se os céus permanecem fechados, o nosso horizonte nesta vida terrena é escuridão, sem esperança. Em vez disso, celebrando o Natal, a fé mais uma vez nos deu a certeza de que os céus se rasgaram com a vinda de Jesus. E no dia do batismo de Cristo ainda contemplamos os céus abertos. A manifestação do Filho de Deus sobre a terra marca o início do grande tempo da misericórdia, depois que o pecado tinha fechado os céus elevando uma barreira entre o ser humano e o seu Criador. Com o nascimento de Jesus, os céus se abrem! Deus nos dá em Cristo a garantia de um amor indestrutível. Uma vez que o Verbo se fez carne é possível ver os céus abertos. Foi possível para os pastores de Belém, para os Magos do Oriente, para o Batista, para os apóstolos de Jesus, para Santo Estêvão, o primeiro mártir, que exclamou: “Contemplo os céus abertos!” (At 7, 56). E é possível também para cada um de nós, se nos deixamos invadir pelo amor de Deus, que nos vem dado pela primeira vez no Batismo por meio do Espírito Santo. Deixemo-nos invadir pelo amor de Deus! Este é o grande tempo da misericórdia! Não se esqueçam disso: este é o grande tempo da misericórdia!

Quando Jesus recebeu o batismo de penitência de João o Batista, solidarizando com o povo penitente – Ele sem pecado e não necessitado de conversão – , Deus Pai fez ouvir a sua voz do céu: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (v. 17) Jesus recebe a aprovação do Pai celeste, que o enviou propriamente para aceitar partilhar a nossa condição, a nossa pobreza. Partilhar é o verdadeiro modo de amar. Jesus não se dissocia de nós, considera-nos irmãos e partilha conosco. E assim nos torna filhos, junto com Ele, de Deus Pai. Esta é a revelação e a fonte do verdadeiro amor. E este é o grande tempo da misericórdia!

Não parece que no nosso tempo nos seja necessário um suplemento de partilha fraterna e de amor? Não parece que todos temos necessidade de um suplemento de caridade? Não aquela que se contenta com a ajuda de improviso, que não envolve, não coloca em jogo, mas aquela caridade que partilha, que cuida da necessidade e do sofrimento do irmão. Que sabor conquista a vida quando se deixa inundar pelo amor de Deus!

Peçamos à Virgem Santa para nos apoiar com a sua intercessão no nosso empenho de seguir Cristo no caminho da fé e da caridade, o caminho traçado pelo nosso Batismo.

 

A fé é a herança mais bela, diz Papa na festa do Batismo do Senhor
Missa na Capela Sistina, domingo, 12 de janeiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Em breve homilia, Francisco destacou a necessidade de transmitir a fé às crianças
Na festa do Batismo do Senhor, Francisco batizou 32 crianças / Foto: Arquivo-Reprodução CTV

Na manhã deste domingo, 12, Papa Francisco celebrou a Missa na Capela Sistina, no Vaticano, na Festa do Batismo do Senhor. Na ocasião, em que batizou 32 crianças, o Santo Padre destacou a transmissão da fé, dizendo que esta é a mais bela herança que se pode deixar a uma criança.

Francisco lembrou que hoje os pais batizam seus filhos, mas daqui a alguns anos estes terão outra criança para batizar. Trata-se de uma sequência, em que os pais são transmissores da fé.

“Vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a mais bela herança que vocês deixarão para elas: a fé! Somente isto”.

O Santo Padre prosseguiu pedindo que os presentes levassem para casa hoje este pensamento acerca da necessidade de ser transmissor de fé e o modo de fazê-lo.

“E agora, com esta consciência de ser aqueles que transmitem a fé, continuemos a cerimônia do Batismo”, disse Francisco, que em seguida batizou as 32 crianças presentes.

 

HOMILIA

Jesus não tinha necessidade de ser batizado, mas os primeiros teólogos dizem que, com o seu corpo, com a sua divindade, no Batismo abençoou todas as águas, para que as águas tivessem o poder de dar o Batismo. E depois, antes de subir ao Céu, Jesus nos disse para ir a todo o mundo e batizar. E daquele dia até o dia de hoje, esta foi uma sequência ininterrupta: batizavam-se os filhos e os filhos depois aos filhos, aos filhos… E hoje também esta sequência prossegue. Estas crianças são o elo de uma sequência.

Vocês pais têm um menino ou uma menina para batizar, mas depois de alguns anos serão eles que terão uma criança para batizar ou um netinho… É assim a sequência da fé! O que quer dizer isto? Eu gostaria de dizer-vos somente isso: vocês são aqueles que transmitem a fé; vocês têm o dever de transmitir a fé a estas crianças. É a mais bela herança que vocês deixarão para elas: a fé! Somente isto. Hoje levem para casa este pensamento. Nós devemos ser aqueles que transmitem (transmissores) a fé. E pensem nisto. Pensem sempre como transmitir a fé às crianças.

Hoje canta o coro, mas o coro mais belo é este das crianças, que fazem barulho… Algumas choram, porque não estão confortáveis ou porque têm fome: se têm fome, mamães dêem a elas de comer! Tranquilas, hein! Porque elas são aqui as protagonistas. E agora, com esta consciência de ser aqueles que transmitem a fé, continuemos a cerimônia do Batismo.

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