Em Maria, a humanidade abre-se realmente a Deus

Sábado, 08 de dezembro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

‘Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção, resposta’, destacou Bento XVI antes de rezar o Angelus junto com os fiéis na Praça São Pedro  

Neste sábado, 8, dia em que a Igreja celebra a Festa da Imaculada Conceição, o Papa Bento XVI uniu-se aos fiéis na Praça São Pedro para rezar o Angelus. Em suas palavras antes da oração mariana, o Santo Padre destacou que, em Maria, a humanidade e a história abrem-se realmente para Deus.

“Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção, resposta (…) Em Maria a humanidade, a história se abrem realmente a Deus, acolhem a sua graça, estão dispostas a fazer a sua vontade”, disse.

Bento XVI também enfatizou que a luz que emana de Maria ajuda os fiéis a compreender o verdadeiro sentido do pecado original. Ele explicou que em Maria está plenamente viva a relação com Deus que o pecado rompe. “Maria é livre do pecado porque é toda de Deus, totalmente esvaziada por Ele. É cheia de sua Graça, do seu Amor”.

O Santo Padre disse ainda que a doutrina da Imaculada Conceição de Maria exprime a certeza de fé de que as promessas de Deus não falham. “A Imaculada está a demonstrar que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma fé verdadeira e boa”.

Por fim, o Pontífice confirmou sua ida hoje à tarde, como de costume, à Praça de Espanha, para a homenagem a Maria Imaculada. “Sigamos o exemplo da Mãe de Deus, para que também em nós a graça do Senhor encontre resposta em uma fé genuína e fecunda”, concluiu.

 

Angelus – Festa da Imaculada Conceição – 08/12/2012  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

A todos vós, boa festa da Maria Imaculada! Neste Ano da Fé, gostaria de salientar que Maria é a Imaculada por um dom gratuito da graça de Deus, que encontrou, porém, nela perfeita disponibilidade e colaboração. Neste sentido ela é “bem aventurada” porque “acreditou” (Lc 1,45), porque teve uma fé forte em Deus. Maria representa aquele “resto de Israel”, aquela raiz santa que os profetas anunciaram. Nela encontram acolhimento as promessas da antiga Aliança. Em Maria a Palavra de Deus encontra escuta, recepção, resposta, encontra aquele ‘sim’ que a permite tomar carne e vir habitar em meio a nós. Em Maria a humanidade, a história se abrem realmente a Deus, acolhem a sua graça, estão dispostas a fazer a sua vontade. Maria é expressão genuína da Graça. Ela representa o novo Israel, que as Escrituras do Antigo Testamento descrevem com o símbolo da esposa. E São Paulo retoma esta linguagem na Carta aos Efésios lá onde fala do matrimônio e diz que “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível” (5,25-27). Os Padres da Igreja desenvolveram esta imagem e assim a doutrina da Imaculada nasceu primeiro em referência à Igreja virgem-mãe, e depois a Maria. Assim escreve poeticamente Efrem o Sírio: “Como os corpos pecaram e morreram, e a terra, sua mãe, é maldita, (cfr Gen 3,17-19),  assim por causa deste corpo que é a Igreja incorruptível, sua terra é bendita desde o início. Esta terra é o corpo de Maria, templo no qual uma semente foi colocada” (Diatessaron 4, 15: SC 121, 102).

A luz que emana da figura de Maria nos ajuda também a compreender o verdadeiro sentido do pecado original. Em Maria, de fato, é plenamente viva e operante aquela relação com Deus que o pecado rompe. Nela não tem alguma oposição entre Deus e o seu ser: tem plena comunhão, plena concordância. Tem um “sim” recíproco, entre Deus e ela e ela e Deus. Maria é livre do pecado porque é toda de Deus, totalmente esvaziada por Ele. É cheia de sua Graça, do seu Amor.

Em conclusão, a doutrina da Imaculada Conceição de Maria exprime a certeza de fé que as promessas de Deus foram realizadas: que a sua aliança não falha, mas produziu uma raiz santa, da qual brotou o Fruto bendito de todo o universo, Jesus, o Salvador. A Imaculada está a demonstrar que a Graça é capaz de suscitar uma resposta, que a fidelidade de Deus sabe gerar uma fé verdadeira e boa.

Queridos amigos, esta tarde, como é de costume, vou para a Praça de Espanha, para a homenagem a Maria Imaculada. Sigamos o exemplo da Mãe de Deus, para que também em nós a graça do Senhor encontre resposta em uma fé genuína e fecunda.

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