Solenidade da Imaculada Conceição – 08 de Dezembro

Padre Wagner Augusto Portugal

“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias” (cf. Is 61, 10).

Meus queridos Irmãos,
Neste sábado celebramos uma festa muito cara a todo o povo cristão: a IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA. O que significa Imaculada Conceição? Maria foi agraciada por Deus, elevada para assumir com eficiência sua vocação. Nela não esteve presente o pecado original, porque o Espírito de Deus operou maravilhas em sua vida e permitiu que fosse diferente das dos outros seres humanos. Maria conceberá e dará à luz Jesus virginalmente, selando a aliança definitiva de Deus com a humanidade. O dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854.

Caros Irmãos, Celebramos a festa da Imaculada Conceição no tempo do Advento. Maria está à raiz do mistério pascal e é o fundamento do mistério da Encarnação. Celebramos hoje uma mulher concreta, Maria de Nazaré. Deus, a quem nada é impossível criou como quis sua própria Mãe, a criou imaculada e santíssima, prevendo a encarnação de seu Filho na terra. Quando o arcanjo Gabriel lhe trouxe o anúncio da maternidade do Filho de Deus, lhe disse que ela estava repleta da graça de Deus. E no momento que ela fez uma coisa só com o Filho de Deus em seu ventre, a plenitude da graça ultrapassou todos os limites imagináveis pela criatura humana. Desde sempre o fruto mais precioso da redenção de Cristo, Maria é na história da salvação a imagem ideal de todos os redimidos.

O que vem a ser o pecado original lembrado na liturgia de hoje, tendo em vista que NOSSA SENHORA FOI PRESERVADA DO MESMO? Pecado Original é o pecado quer significar o pecado cometido por aqueles que foram os protagonistas do mistério da criação. Pecado original foi o pecado cometido por Adão e por Eva na origem da humanidade. Ensina as Escrituras Sagradas que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e os constituiu na sua amizade. Com o tempo, gozando da amizade do Criador, as criaturas humanas desobedeceram a Deus, ou seja, quebraram aquele anelo que uniam a absoluta confiança que havia entre Criador e criatura. Isso foi o primeiro pecado, o chamado pecado original. Portanto é bom sabermos que o pecado original não é o pecado do sexo livre, aquele pecado do sexto mandamento da Lei de Deus. O pecado original é o pecado raiz de todos os pecados e desequilíbrios da criatura humana. Todos nós, indistintamente, somos implicados no pecado de Adão e de Eva. Entretanto, por causa de sua maternidade divina, Maria Santíssima foi preservada tanto do pecado original quanto das conseqüências daquele Pecado.

Por isso celebramos a festa de hoje, a festa da Imaculada Conceição desde a concepção e que a Virgem viveu toda a sua peregrinação neste mundo sem pecado. Mulher privilegiada, em vista dos méritos de seu Filho, o Salvador, o Redentor da humanidade. Ensina a Igreja, pela palavra proclamada por Pio IX que: “A Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original…” Maria é a nova Eva. Isso porque Deus não usou de Maria como um instrumento somente passivo, mas, sobretudo, porque Maria colaborou para a salvação humana com livre fé e obediência espontânea. Maria foi à criatura que forneceu a Jesus as possibilidades humanas, sendo dele a maior colaboradora na restauração da aliança com Deus. A iconografia da Virgem Imaculada lembra Maria com o pé calcando a cabeça da serpente. Isso lembra também Eva, que fez o contrário: ouviu a voz da serpente, que é o diabo e acreditou nela. Maria, calcando a cabeça do monstro do mal está nos lembrando que ela esteve acima do pecado, que ela é a vitoriosa com Jesus na história da redenção.

Caros irmãos, A Primeira Leitura (Gn 2, 9-15.20) demonstra a vitória sobre a serpente. Deus quer oferecer ao homem sua amizade, mas o homem prefere estar cheio de sua auto-suficiência: a história do pecado de Adão. Mas, ao mesmo tempo em que ele toma conhecimento de sua desgraça, a promessa de que ele calcará aos pés a serpente sedutora aparece-lhe como sinal da restauração da amizade com Deus. A Segunda Leitura (Ef 1, 3-6.11-12) nos introduz no plano de Deus para com os homens, destinados a serem imaculados. O começo de Efésios resume todo o agir de Deus na palavra “bênção”. Deus é sempre; seu amor para conosco, também, desde a eternidade. E Deus é, ao mesmo tempo, a nossa meta. Mas não a podemos alcançar por nossas próprias forças. Aí intervém a graça de Deus, dando-nos Cristo como Salvador e Cabeça; por ele também, nosso pecado é apagado; nele, temos esperança: Deus nos adotou como seus filhos. O Evangelho (Lc 1, 26-38) nos defrontamos com a Anunciação: “Encontraste graça junto a Deus”. Maria conclui e supera toda a série de eleitos de Deus. Ela é a plenitude de Jerusalém, em que o amor de predileção de Deus se plenifica. A mensagem a Maria, a respeito de Jesus, supera aquela a Zacarias, a respeito de João (Lc 1, 31-33). Jesus é filho da Virgem Maria, mas também presente de Deus à humanidade. Diferentemente de Zacarias, Maria responde, com a palavra ao mesmo tempo singela e grandiosa: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”.

Irmãos Caríssimos, Maria não é uma figura fora da humanidade. Ela encarna a criatura que Deus sempre quis, isto é, santa e em comunhão com ele. Por isso é modelo nosso: a contemplamos como um espelho daquilo que devemos, e que queremos ser. Ela é chamada de estrela da nova evangelização, mas não há entre nós e ela a lonjura de uma estrela. Porque, embora santíssima e imaculada, é carne de nossa carne, como carne de nossa carne é o seu Filho redentor, que quis conosco repartir sua privilegiada mãe. A Imaculada Conceição pode ser considerada como Maria do Advento, pois o Senhor vem para restaurar os seres humanos, assemelhando-os mais e mais ao ser humano ideado por Deus, realizado plenamente em MARIA. AJUDE-NOS A CONCEIÇÃO IMACULADA a santos e imaculados festejarmos o Natal do seu Filho. Amém!

 

IMACULADA CONCEIÇÃO

Ninguém pode dizer não ter existido, pelo menos desde o século XII, a crença explícita na conceição imaculada da Virgem. Existiu, espalhou-se gradualmente por toda a Igreja ocidental e assim se explica que, antes da definição dogmática, de tantas centenas de pastores, aparecesse apenas um ou outro que tenha posto em dúvida esta verdade.

Esta persuasão foi-se espalhando e radicando, para o que contribuiu não somente a singeleza dos rudes, mas também e, sobretudo a autoridade dos doutos, chegando um autor insuspeito a afirmar, no fim do século XVI, que mais de seis mil escritores a ela se referiram. Mas não foram somente os indivíduos; academias inteiras, como nos afirma Bartolomeu Medina, obrigaram-se por juramento a defender a Conceição Imaculada de Maria. E nós, portugueses, podemos afirmar com satisfação que também tivemos duas dessas academias cujos membros juravam a crença nesta verdade: eram as Universidades de Coimbra e Évora.

Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembléia dos doutores mais eminentes em teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem; João Duns Escoto foi o encarregado pelo superior de defender e sustentar aquela consoladora verdade. Duns Escoto, franciscano, implorou o auxílio de Maria que escutou as suas súplicas, assegurando-lhe a mais completa vitória. E foi tão agradável à Mãe de Deus a prece deste filho humilde que a imagem, diante da qual estava prostrado, se inclinou para ele e nesta posição se venerava ainda três séculos depois.

Venceu, e desde esse momento a Universidade de Paris, que lhe outorgou o título de Doutor subtil, determinou que de futuro se celebrasse em toda a França a festa da Imaculada Conceição e que não fosse admitido nas suas aulas aquele que se não obrigasse a defender que Maria, Mãe de Deus, foi concebida sem mácula do pecado original.

Desde então, a Imaculada resplandeceu no mundo católico com luz mais viva. E os argumentos de Duns Escoto são os mesmos com que os teólogos defendem e sustentam o dogma tão simpático, tão consolador, tão poético, da santidade original de Maria, são os mesmos que Pio IX, de santa e feliz memória, compendiou na sua admirável bula Ineffabilis Deus.

A isto juntemos a autoridade dos santos padres. Ouçamos Santo Agostinho com aquela eloqüência e sabedoria que de todos é bem conhecida: «A natureza humana, dizia ele, foi reparada em Jesus Cristo pelos mesmos graus pelos quais ela tinha perecido. Adão foi soberbo, humilde foi Jesus; por uma mulher veio a morte, por uma mulher veio a vida; por Eva a desgraça, por Maria a salvação; aquela corrompida seguiu o sedutor, esta íntegra deu à luz o Salvador. Aquela de bom grado recebeu e entregou ao esposo o veneno fornecido pela serpente, do qual resultou a morte de ambos; esta, pela graça divina que recebeu, deu origem à vida pela qual a carne morta pode ser ressuscitada».

Recordemos ainda os concílios: o Concílio de Éfeso, condenando a heresia de Nestório que ousou negar a maternidade divina de Maria, e o concílio de Trento, declarando que não era intenção sua compreender no decreto do pecado original a Bem-aventurada Virgem Maria, proclamam implicitamente a puríssima e imaculada conceição da Mãe de Deus. E se não a definiram expressamente, foi porque ainda não tinha soado a hora marcada nos insondáveis desígnios da Providência.

As declarações dogmáticas da Igreja não têm somente a sabedoria e a infalibilidade, têm também a oportunidade. Aparecem no mundo quando devem aparecer, brilham no mundo quando ele tem necessidade dos seus eternos esplendores, alumiam as consciências quando elas precisam da sua luz.

O concílio de Basiléia, celebrado em 1439, declarou que a doutrina sobre a Imaculada Conceição era pia, muito conforme com o culto eclesiástico, com a fé católica, com a reta razão e a Sagrada Escritura, e que por isso devia ser aprovada, seguida e abraçada por todos os católicos.

Temos ainda os pontífices: Sisto IV determinando que se celebrasse em todas as igrejas o oficio e missa da Puríssima Conceição, concedendo copiosas indulgências a todos os fiéis que assistissem e condenando como falsas e errôneas as afirmações dos que dissessem que os que crêem que Maria foi concebida sem pecado original são hereges ou pecam mortalmente.

Temos Paulo V, Gregório XIV, Alexandre VIII, Clemente IX, Clemente XIII, e uma longa série de pontífices venerandos que promoveram e enriqueceram com inúmeras graças a antiga devoção à pureza e santidade original da Virgem Santíssima.

É que eles reconheciam que, assim como as águas do rio Jordão se tinham detido para deixar passar ilesa a arca do Antigo Testamento onde se encerravam umas figuras, também as águas corruptoras do pecado original se haviam de deter para deixar passar imaculada a Arca do Novo Testamento onde se encerraria, durante nove meses, a realidade que eles reconheciam. A Filha do Eterno, a Mãe de Jesus, a Esposa e o Templo do Espírito Santo não podia sofrer as conseqüências da tentação da serpente maldita.

Este dogma constitui também uma glória para Maria, concebida sem pecado. Oh! Quem nos dera graça igual; este mundo, longe de ser um vale de lágrimas, seria um jardim de delícias onde poderíamos antegozar a felicidade eterna que com certeza nos esperava.

Quem nos dera graça igual! As flores seriam para nós mais lindas, uma vez que, não tendo a vista enuviada pelo fumo das paixões, somente veríamos nelas os reflexos da beleza de Deus. As águas seriam mais cristalinas para não macularem a quem Deus criou imaculado. As avezinhas do céu acercar-se-iam de nós como dum perfeito exemplar do seu Criador. Nem paixões que abrasam, nem vícios que degradam, nem tristezas que definham, nem desilusões que desesperam; nada disto poderia escurecer o sol brilhante da nossa existência. Mas essa felicidade foi perdida com a falta dos nossos primeiros pais. Só Maria a gozou.

Só vós e vossa Mãe, dizia santo Efrém ao Senhor, só vós estais puros a todos os respeitos, porque em vós, ó Senhor, não há mancha e em vossa Mãe não há mácula; Ela foi o santuário da inocência, inacessível ao pecado, o paraíso virginal donde devia surgir o novo Adão.

Ela calcou aos pés a serpente, por isso trouxe em seu seio a realização de todas as promessas da antiga aliança, a bênção encarnada em quem foram abençoadas todas as nações da terra. Ela foi a verdadeira arca da aliança que encerrou em si o Todo Poderoso.

Como à primeira Eva foi concedida a graça da santidade original e da justiça, assim em grau muito mais elevado a outorgou Deus à segunda Eva: a Maria. Santificados foram os profetas que receberam a inspiração do Senhor; santo foi João, o último e maior deles; Maria, porém, foi maior do que todos, porque foi Mãe do Senhor e por isso cheia de graça desde a sua Conceição.

Resplandece de luz ante os olhos do Pai, que nela mostrou quanto sabe amar e encher de graças. Resplandece de luz ante os olhos do Espírito Santo, que nela preparou a morada para o Verbo Divino. E se Este, o Criador, baixou do céu à terra na humilhação da criatura, de Maria, porque não havia de subir esta da terra ao céu, a primeira de todas as criaturas, a Mãe que lhe dera a humanidade?

Temos também o testemunho de Maria. Do alto das Rochas de Massabille, quando a Pastorinha de Lourdes lhe perguntou quem era, respondeu: Eu sou a Imaculada Conceição, e mandou-a dizer aos homens que viessem ali invocá-la sob esse título, pois desejava que as iras divinas se quebrassem de encontro àquelas pedras enegrecidas.

Ó Maria, vós ultrapassastes os esplendores de todas as ordens de anjos e eclipsastes o brilho dos Arcanjos, abaixo de vós ficam os tronos, sois superior aos domínios e principados, sois mais forte do que as potestades, mais pura do que as virtudes, assentais-vos acima dos Querubins.

Foi em 8 de Dezembro de 1854 que se realizou a festa desejada por ,tantos santos, solicitada por tantos séculos, intentada por tantos pontífices, mas que o Senhor, em sua infinita misericórdia, reservou para tempos mais recentes, como uma esperança, como um auxílio. Presidiu-a o chefe da Igreja católica, Pio IX.

Alegre, satisfeito como um pai carinhoso quando se vê cercado dos filhos queridos da sua alma, rodeado por 54 cardeais, um patriarca, 42 arcebispos, 100 bispos, 300 prelados inferiores, muitos milhares de sacerdotes e religiosos de todos os ritos, regiões, ordens e trajes, e por mais de 50.000 fiéis de todas as classes e nações, Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, na atitude própria de doutor supremo encarregado de interpretar a divina revelação e de pronunciar os oráculos da fé, principia com voz grave, sonora e majestosa, a leitura do decreto que define a Imaculada Conceição da Virgem.

Mas, ao chegar à passagem em que se referia à Imaculada Conceição, essa voz enternece-se, as lágrimas assomam-lhe aos olhos e quando pronuncia as palavras decisivas: «Definimos, decretamos e confirmamos», a emoção e o pranto embargam-lhe a palavra e vê-se obrigado a suspender, para enxugar as lágrimas que pelo rosto lhe deslizam. Eloqüência sublime, eloqüência dum grande pai, pregando bem alto este privilégio da melhor das mães. Contudo, fez um esforço supremo para dominar a emoção e continuou a leitura com a inteireza da voz e autoridade próprias do juiz da fé. Seu coração eleva-se aos lábios e conhece-se bem que falam ao mesmo tempo o pai da Cristandade, o filho afetuoso de Maria e o supremo pastor da Igreja, aliando, dum modo sublime, o oráculo do doutor da verdade com os sentimentos dum coração ternamente dedicado à Virgem.

Oh! Como tudo isto era belo e agradável ao Senhor, como era imponente aquela assembléia inumerável, em que batia um só coração para amar a Maria, em que falava uma só boca para saudar a Maria, coroada com o diadema da Imaculada Conceição. Terminada a leitura do decreto, Pio IX entoou o Te Deum que se repetiu em toda a basílica como hino infinito de ação de graças e de reconhecimento singular, imenso, universal, ao glorioso privilégio de Maria, como uma oração ardente, unânime, apaixonada mesmo Àquela a quem o anjo, 19 séculos antes, saudara, dizendo: Ave cheia de graça, e a quem os homens hoje saúdam dizendo: Ave-Maria, concebida sem pecado original.

 

Maria, estrela da primeira e da nova evangelização
A festa da Imaculada Conceição de Maria no Ano da Fé
Pe. Giuseppe Buono, PIME

ROMA, quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 (ZENIT.org) – Ao se aproximar a festa da Imaculada Conceição, neste Ano da Fé, queremos recordar algumas expressões do amor de Bento XVI e de João Paulo II por Nossa Senhora.

Bento XVI
O papa confiou a Maria o sucesso espiritual do Ano da Fé na carta apostólica Porta Fidei: “Confiamos este tempo de graça à Mãe de Deus, proclamada bendita porque acreditou (Lc 1, 45)” [1]. Ele já havia mencionado anteriormente a fé de Maria: “Pela fé, Maria acolheu as palavras do anjo e acreditou no anúncio de que seria a Mãe de Deus. Visitando Isabel, elevou seu hino de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que ele fez em quem nele confiou. Deu à luz, com alegria, o seu Filho único, mantendo intacta a sua virgindade” [2]. Sua contínua referência a Maria, Mãe da Igreja, é peculiar nos escritos de seu magistério. Em sua primeira encíclica, Deus caritas est, do natal de 2005, ele tece um elogio denso de teologia e de amor a Maria, em seu papel associado à obra redentora do Filho. “Entre os santos, sobressai Maria, a Mãe do Senhor e espelho de toda a santidade. No evangelho de Lucas, encontramo-la empenhada num serviço de caridade à prima Isabel, junto de quem permanece durante cerca de três meses (1, 56) para auxiliar na fase final da sua gravidez. ‘Magnificat anima mea Dominum’, proclama ela nessa visita: ‘a minh’alma engrandece o Senhor’ (1, 46). Ela expressa, assim, o seu programa de toda a vida: não colocar-se no centro, mas dar espaço para Deus tanto na oração quanto no serviço ao próximo: só então é que o mundo se tornará bom. Maria é grande, mas não quer aumentar a si mesma, e sim a Deus. Ela é humilde: não pretende ser nada mais do que a serva do Senhor (cf. Lc 1, 38.48). Ela sabe que contribui para a salvação do mundo não realizando uma obra sua, mas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus. É uma mulher de esperança: só porque ela crê nas promessas de Deus e porque espera a salvação de Israel é que o anjo pode visitá-la e chamá-la ao serviço decisivo daquelas promessas. Ela é uma mulher de fé: ‘Bem-aventurada és tu que acreditaste’, diz-lhe Isabel (cf. Lc 1, 45). O magnificat, retrato da sua alma, é tecido inteiramente de fios da Sagrada Escritura, revelando que na Palavra de Deus ela se sente em casa com toda a naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus se torna sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus. Revela-se ainda que os seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que a sua vontade é uma só com a vontade de Deus. Impregnada da Palavra de Deus, ela pode tornar-se a Mãe do Verbo Encarnado. Enfim, Maria é uma mulher que ama. Poderia ser diferente? Como crente, que, na fé, pensa com os pensamentos de Deus e deseja com a vontade de Deus, ela não pode não ser uma mulher que ama. Nós o sentimos em seus gestos silenciosos durante os evangelhos da infância. Na delicadeza com que ela reconhece a necessidade dos esposos de Caná e a expõe a Jesus. Na humildade com que ela se afasta durante o período da vida pública de Jesus, sabendo que o Filho deve fundar uma família nova e que a hora da Mãe chegará apenas na cruz, a verdadeira hora de Jesus (cf. Jo 2, 4; 13, 1). Então, quando os discípulos tiverem fugido, Maria permanecerá junto da cruz (cf. Jo 19, 25-27) e, mais tarde, na hora de Pentecostes, eles se reunirão junto a ela, na espera do o Espírito Santo! (Atos 1, 14) [3]. Em Loreto, na homilia da missa de 4 de outubro de 2012, véspera da abertura do Sínodo dos Bispos e do início do Ano da Fé, o papa afirmou: “Queridos irmãos e irmãs, nesta peregrinação que refaz o peregrinar do beato João XXIII, e que acontece, providencialmente, no dia de São Francisco de Assis, verdadeiro evangelho vivo, eu quero confiar à Santa Mãe de Deus todas as dificuldades do nosso mundo que está em busca de serenidade e de paz, bem como os problemas de tantas famílias que olham para o futuro com preocupação, os desejos dos jovens que se abrem para a vida, o sofrimento de quem espera gestos e escolhas de solidariedade e de amor. Eu gostaria de confiar à Mãe de Deus este tempo especial de graça para a Igreja, que se abre diante de nós. Maria, Mãe do sim, que ouviste Jesus, fala-nos dele, conta-nos da tua estrada para segui-lo na fé, ajuda-nos a proclamá-lo, para que cada homem aceite e se torne um lugar de habitação de Deus. Amém”. Na homilia da missa do último dia do ano de 2006, ele convidou: “Peçamos que a Mãe de Deus nos consiga o dom de uma fé madura: fé que gostaríamos que fosse o mais possível parecida com a dela. Uma fé clara, genuína, humilde e corajosa, cheia de esperança e de entusiasmo pelo Reino de Deus, uma fé desprovida de todo fatalismo e totalmente disposta a cooperar em obediência plena e alegre com a vontade divina, na certeza absoluta de que Deus não quer nada mais do que amor e vida, sempre e para todos. Alcança-nos, ó Maria, uma fé autêntica e pura!”
NOTAS
[1] Porta fidei, cit. 13.
[2] Ibid, 15.
[3] Idem, Deus Caritas Est, 41.
(Trad.ZENIT)

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