São Francisco Xavier – 03 de Dezembro

Nasceu Francisco no castelo de Xavier em terça-feira santa, 7 de Abril de 1506. A infância e primeira juventude passaram para ele entre os duros azares da guerra, que lhe ensinaram nobreza e valentia e, com as suas tristes conseqüências de lágrimas e pobreza, lhe endureceram o corpo e o acostumaram às privações da vida. Não lhe sorria a carreira das armas, depois dos duros reveses sofridos pelo pai e pelos irmãos. Preferiu a carreira das letras ao exército e, foi Paris no fim do Verão de 1525. Lá o esperava Deus. Inácio de Loyola, que se tinha posto também a caminho de Paris para estudar, soube ganhar o coração dele. «Francisco, que te aproveita ganhar o mundo inteiro, se vens a perder a tua alma?» Esta sentença do Evangelho, repetida dia após dia, fixou-se bem fundo no espírito de Xavier. No Verão de 1533 era ele humilde discípulo de Inácio. Pouco depois, fazia os exercícios espirituais e, diante da figura amável de Cristo Rei, ficava para sempre definida a orientação da sua vida. A 15 de Agosto de 1534 pronunciava os seus primeiros votos e alistava-se debaixo das bandeiras do exército missionário, que havia de capitanear. Dom João III, rei de Portugal, desejava enviar às suas recém-conquistadas possessões da Índia alguns Padres da Companhia de Jesus. Simão Rodrigues e Bobadilla foram os designados no princípio. Mas Bobadilla caiu doente. Não havia em Roma mais jesuítas senão Jayo, destinado para outra missão em Bagnorea, e Francisco Xavier. Curta foi a ordem de Inácio: «Deus quer servir-se de vós, irmão Mestre Francisco. Esta é a vossa empresa, a vós toca esta missão. – Eis-me aqui, padre, estou disposto». No dia seguinte seguiam para Portugal, no séqüito do embaixador dom Pedro de Mascarenhas, Xavier e Simão Rodrigues. Depois de magnífico trabalho dos dois em Lisboa, que lhes mereceu o cognome de «apóstolos», Xavier deixou a Europa, em 7 de Abril de 1541, para ser Apóstolo mais longe. Nos treze meses que durou a viagem, Xavier, que levava a nomeação de Legado Pontifício, transformou-se em enfermeiro da pobre tripulação atacada pela peste. Chegou mesmo a lavar no convés a sua roupa e a dos doentes. No dia 6 de Maio de 1542 desembarcou em Goa e a 2 de Dezembro de 1552 morreu em Sanchão, às portas da China. Dez anos e sete meses tinha durado o seu aposto lado prodigioso. Logo que pôs os pés em Goa, visitou o Arcebispo, apresentou-lhe os poderes que trazia como Legado Pontifício, mas prometeu que os não usaria sem o beneplácito do Prelado. Os cinco primeiros meses passou-os na capital da Índia Portuguesa: confessava, pregava, visitava os doentes no hospital e percorria as ruas com uma campainha, chamando as crianças para a doutrina. Por Outubro de 1542 embarcou para a costa da Pescaria, onde o esperavam 20.000 Paravás, que não tinham senão o batismo e o nome de cristãos. Num mês batizou mais de 10.000. Passado um ano, voltou a Goa, aceitou o Colégio de São Paulo para a formação do clero indígena; e partiu de novo para a costa da Pescaria e avançou até às regiões do Maduré. Percorreu o reino de Travancor e regressou à Pescaria. Falou com o vice-rei D. João de Castro e, no ano de 1545, evangelizou as ilhas de Ceilão e Manor. A 25 de Maio desembarcava em Malaca, porta do mundo oriental malaio, que se abria aos seus olhos: as inexploradas ilhas de Samatra e Java, Macasar, do outro lado de Boméu e, mais para Oriente, nas últimas regiões descobertas, Ambóino e Banda, a famosa terra da noz moscada e, mais para Norte, Temate nas Molucas, as terras do cravo aromático. Sonhos de Apóstolo que se converteram em realidade entre os anos de 1546 e 1548. Em Julho de 1547 estava de novo em Malaca. Em fIns do mesmo ano trava conhecimento providencial com um japonês chamado Angero e forma o plano de evangelizar o Japão. A20 de Março de 1548 está em Goa para ordenar o governo interior da Ordem e a 15 de Agosto de 1549 desembarca no Japão. Lá Xavier faz-se como criança e começa de novo a aprender a falar, a sentar-se no chão e a comer com pauzinhos. Traduz as principais verdades da religião e ensina-as ao povo. Mas a sua pronúncia é incorreta e excita o riso nos ouvintes. O seu calvário foi a viagem à capital de então, Meaco. Quinhentos quilômetros a pé e descalço, por caminhos intransitáveis e cobertos de neve, com a troça e o apedrejamento da rapaziada, ardendo com febre e agarrado por vezes à cauda dum cavalo para conseguir andar. E no fim encontrou a indiferença e o nada na corte, tendo de voltar desapontado, sem conseguir a entrevista com o Imperador. Desta vez tinha-o prejudicado a sua pobreza e humildade. Compreendeu que tinha de revestir-se de autoridade e fausto exterior, para ser bem recebido entre os Japoneses. E assim, diante do rei de Bungo, apresentou-se como Legado Pontifício, servido por pagens, escoltado por nobres portugueses e carregado de valiosos presentes. O rei concedeu-lhe a ambicionada liberdade para pregar dentro dos seus domínios. Firando, Facata, Amangúchi e Funai são outros tantos centros da primeira evangelização nipônica. Ao regressar em 1551 ficava solidamente plantada a Igreja com um grupo de 2000 fiéis em cinco cristandades. Ainda lhe ficava um sonho, aquele que devia ser o último do seu coração de Apóstolo. Amarga luta teve de sustentar em Malaca contra a posição de Álvaro de Ataíde, até alcançar partir na nau «Santa Cruz», para a ilha de Sanchão. Ali, diante da costa da China, vendo morrerem as suas esperanças de penetrar em tão enorme império e atravessá-lo até chegar à Europa e recrutar apóstolos na Sorbona (Universidade de Paris) e voltar como chefe duma legião, enganado pelo chinês que se comprometera a introduzi-lo secretamente em Cantão, abandonado por todos numa pobre choça da ilha deserta, morre consumido pela febre, com os olhos fixos na messe e o nome de Jesus nos lábios. Estava ao seu lado, em Sanchão, apenas o jovem chinês António, que lhe pusera nas mãos o Crucifixo. Era na madrugada de sábado, 3 de Dezembro de 1552. Algumas semanas depois, vieram de Goa buscar o corpo, que encontraram perfeitamente incorrupto. Levaram-no e jaz em Goa, em esplêndida uma, venerado tanto por católicos como por hindus. Um braço foi-lhe cortado e levado para a igreja do Gesú, em Roma. Dizem que foi desse corte que resultou ir secando a quase totalidade do corpo, como se vê hoje. O apostolado de são Francisco Xavier não se explica pelas suas qualidades puramente humanas. Temos de subir às alturas da graça, que se dá sem limites a quem se entrega docilmente. E a vastidão dos seus espantosos itinerários foi o aproveitamento, para o seu zelo ardentíssimo, das condições criadas, apesar de todos os defeitos, pelos descobrimentos e conquistas de Portugal. Possuiu num grau singular o dom da profecia. Os milagres eram nele coisa freqüente. Vinte ressurreições foram referidas, em público consistório, diante de Gregório XV. Mas não faltam grandes devotos seus que não aceitam hoje a verdade histórica de tanta ressurreição! Quantas almas converteu? Na bula de canonização diz-se que batizou muitas centenas de milhares. Ele próprio escreveu: «É tão grande a multidão dos que se convertem à nossa fé, que muitas vezes acontece cansarem-se os braços de tanto batizar, e há dias em que batizo um lugar inteiro». Já em 1621 foi designado como patrono do reino de Navarra, o que foi ratificado pelas cortes de Espanha três anos depois. Bento XIV, em 1749, declarou-o patrono de todas as missões do Oriente. Em 1909, São Pio X escolheu-o como «celestial patrono da Congregação e da Obra da Propagação da Fé». Agora reparte ele com Santa Teresa do Menino Jesus esse mesmo padroado universal. E o papa Pio XII nomeou, em 1952, São Francisco Xavier padroeiro do Turismo.

 

São Francisco Xavier: fogo devorador de um coração missionário
A paixão que sentia pela salvação das almas o levava a exigir punição exemplar para quem merecia

A fortaleza medieval de Javier nunca teve destacada importância, nem na paz nem na guerra; Mas não há quem não tenha ouvido falar o seu nome, devido ao grande missionário jesuíta São Francisco Xavier, que ali nasceu.

Em 1520, quando Francisco tinha 14 anos — nascera em 1506 — seus irmãos participaram do cerco de Pamplona, entre cujos defensores se encontrava Iñigo de Loyola, depois Santo Inácio.

Alguns anos mais tarde, em 1525, afastou-se de casa para estudar em Paris, onde sua residência era o colégio Santa Bárbara, ao que parece uma instituição destinada à hospedagem de estudantes espanhóis e portugueses.

Em 1529, Iñigo, que tinha ido a Paris estudar humanidades e procurar companheiros para a obra que pretendia fundar, também se tornou hóspede do Santa Bárbara. Francisco, como estudante mais antigo, foi indicado para orientar o novo hóspede nos passos iniciais de seus estudos. Porém, como nutria grande antipatia por Iñigo, Francisco passou essa tarefa a Pedro Fabro, que a aceitou com muito gosto e dela tirou grande proveito para sua alma. Francisco procurava de todos os modos afastar-se de Inácio, a quem considerava ridículo, zombando com sarcasmos de seus esforços para trazer as almas a Deus. Inácio já havia percebido grandes qualidades em Francisco, e procurou exercer alguma influência sobre ele. Por mais de dois anos seus esforços não obtiveram qualquer resultado.

A submissão completa de Francisco à direção de Inácio só se deu em setembro de 1534, mês que Francisco dedicou a um retiro segundo os Exercícios Espirituais que Inácio havia escrito. Nunca tal obra mostrou com maior eficácia seu poder de transformar um homem, como durante aquele mês em que Francisco lutava na solidão, entre anjos e demônios. Nem o próprio Inácio, que o visitou e aconselhou durante todo o tempo, era capaz de dominar por completo o fogo devorador que a meditação havia acendido em seu coração ardente de espanhol.

Foi, até o fim de sua vida, um homem apaixonado, capaz de iras santas sem deixar de ser um dos mais generosos. No fundo de seu coração era ainda um homem da Idade Média, que não media esforços para obedecer a Deus. Em certa ocasião, estourou um vaso sangüíneo seu, devido à energia com que rechaçou uma tentação.

Rumo ao Oriente

Apesar de demonstrar muito desejo de ir para o Oriente, só empreendeu a viagem porque um dos dois escolhidos adoeceu. Certo dia Santo Inácio o chamou e comunicou-lhe que, por ordem do Papa, dois religiosos da Companhia de Jesus deveriam ir à Índia. Como um não podia ir por estar enfermo, acrescentou sem rodeios, como é corrente entre dois espanhóis: “Esta é vossa empresa!”. “Pois eis-me aqui!”, respondeu Francisco. E calmamente começou a remendar uma velha calça e uma miserável batina.

Duas mil léguas de viagem o esperavam. Na primeira parte do trajeto, foi até Lisboa, cidade que palmilhou de um extremo a outro, praticando a caridade. A pedido do Infante D. Henrique, visitava e assistia os presos da Inquisição. Esta Inquisição portuguesa foi estabelecida no país pelo Rei D. João III, sendo seu Grande Inquisidor o Infante D. Henrique.

A respeito dessas visitas, Francisco escreveu a Inácio, em 22 de outubro de 1540:

“O infante D. Henrique, Grande Inquisidor deste reino, irmão do rei, nos recomendou várias vezes que déssemos assistência aos presos da Inquisição. Assim, nós os visitamos todos os dias e os ajudamos a conhecer a mercê que Nosso Senhor lhes faz ao detê-los lá. Fazemos pregações todos os dias …. muitos nos dizem que Deus Nosso Senhor lhes fez grande mercê ao fazê-los conhecer muitas coisas necessárias para a salvação de suas almas”.

Apesar de seu terno coração, e de sua compaixão para com seus semelhantes, Francisco considerava justas as sentenças da Inquisição e admitia a pena da fogueira como punição de heresia. O fato de que homens como ele e Santo Inácio — o qual já fora vítima da Inquisição — não vissem injustiça no procedimento dos tribunais é um argumento que não pode ser desprezado pelos que buscam a verdade histórica, e não a lenda.

Três oceanos e um ano de viagem — durante a qual todos o tinham já por santo — ainda faltavam para chegar ao destino!

Como votava pouca simpatia pelos mouros, e tendo visto a grande cruz colocada pelos portugueses em Melinde, comentou em uma carta: “Deus Nosso Senhor sabe quanta consolação recebemos, conhecendo quão grande é a virtude da Cruz, vendo-a assim só e com tanta vitória entre tanta mouraria”. Era um homem capaz de todas as temeridades para salvar um cristão, mas quando se tratava de um empedernido infiel, parecia outro.

A voz lhe faltava, de tanto repetir o Credo

Nunca se mostrou mais heróico do que nas peregrinações efetuadas de vila em vila na Indonésia. No verão, era como caminhar sobre brasas, e na época das chuvas, no meio da lama; quando o vento do Indico soprava, enchia tudo de areia e pó; respirava-se pó, comia-se pó; o pó invadia tudo. Apesar de ser conhecida a quantidade de insetos que infestavam a Indonésia, não aparece em nenhuma carta sua o zumbido deles! Seu travesseiro era uma pedra, e só em Deus esperava.

Francisco Xavier era um homem que não conhecia o medo. Caminhava dezenas de milhas para um lado, centenas para outro, no meio de animais e homens selvagens, bem como de enfermidades. Ele mesmo relata que achava bárbara aquela gente ainda sujeita ao canibalismo. Havia ilha onde um de seus habitantes, quando queria dar uma grande festa, pedia a um vizinho seu o pai para ser comido, prometendo entregar-lhe o seu quando envelhecesse!

Único homem branco naquele mar de areia e sol, era incansável em sua faina apostólica. Muitas vezes, quase não podia mover o braço, devido ao grande número de batismos que conferia, e faltava-lhe a voz de tanto repetir o Credo e os Mandamentos.

Em um mês batizou mais de 10.000 pessoas. Para isso, juntava todos os homens e meninos; depois, mandava-os embora e chamava as mulheres e filhas. Após os batismos, determinava que se derrubassem as casas onde havia ídolos, quebrando-os em muitíssimos pedaços. Causava-lhe grande consolação ver os ídolos serem destruídos pelas mãos dos que foram idólatras. Xavier andava de lugar em lugar, transformando idólatras em cristãos.

Majestade, enviai a Inquisição

A sua extrema bondade tinha como auxiliar uma grande vigilância, e por isso recomendava que se vigiasse muito os Padres do rito católico oriental malabar, para que não se condenassem e nem levassem outros à perdição. E se fossem vistos fazendo o mal, recomendava que se os repreendesse e castigasse, pois é um grande pecado não dar castigo a quem merece, especialmente aos que com sua vida escandalizam a muitos.

Sugeriu ao Rei de Portugal, para o bem espiritual dos cristãos da Índia: “É [necessário] que mande Vossa Alteza a Santa Inquisição, porque há muitos [cristãos] que vivem a lei mosaica e a seita mourisca sem nenhum temor de Deus nem vergonha do mundo. Como são muitos e espalhados pelas fortalezas, é necessário a Santa Inquisição e muitos pregadores. Provenha Vossa Alteza a seus leais e fiéis vassalos da Índia de coisas tão necessárias”. Isto porque, no seu entender, a heresia é a mais espantosa das calamidades, porque leva à ruína das almas.

Para evitar escândalos, dava conselhos preciosos aos jesuítas que ia deixando pelo caminho: “Deveis estar de sobreaviso em relação a todas as pessoas com que conversais espiritualmente, tanto com os muito amigos como com os pouco e com os outros, como se eles, algum dia, se tornassem seus inimigos. Usai dessa prudência sobre este mundo mau, e sempre andareis senhores de si e alegrareis mais a Deus”.

Contemplando seu rosto, enchia-me de alegria

Em 1547, escutou pela primeira vez notícias concretas do Japão quando conheceu os primeiros homens daquelas terras. “Fiquei completamente subjugado por ele”, disse o japonês Anjiró. “Eu sentia fortalecer-se minha alma cada vez que o olhava, e bastava contemplar seu rosto para me encher de consolo e alegria”.

Afinal chegou o dia de percorrer as três mil milhas para chegar ao Japão. O comandante do único barco que aceitou levá-lo era um pirata idólatra, apelidado Ladrão. Evidentemente não faltou o dia-a-dia daqueles mares: uma tormenta que durou três dias e três noites, como nunca se viu, fazendo muitos chorarem em vida suas mortes.

Seu sentido dos direitos supremos de Deus era tão agudo que nunca demonstrou a menor tolerância em relação à idolatria. Quando Ladrão morreu, comentou em uma carta: “Foi-nos bom em toda a viagem e nós não lhe pudemos ser bons, pois morreu em sua infidelidade; nem depois da morte podemos sê-lo, encomendando-o a Deus, por estar sua alma no inferno”.

Lá estava o missionário, nos ventos gelados de Kagoshima, no Japão, com uma batina de algodão, feita para o calor da Índia. Sua memória, apesar de ser excelente, levou 40 dias para decorar os Mandamentos na nova língua ensinada por Anjiró.

A caminho da China, sua última missão, precisou acalmar uma tempestade para seguir adiante. Mas antes de chegar ao destino a tempestade da vida o levou deste mundo.

No caixão, seu olhar parecia vivo

O amor que resplandecia em seus olhos negros, cheios de fogo, e queimava seus lábios, o levou deste mundo aos 46 anos. Foi uma morte pobre e humilde, como correspondia a um homem que imaginava que ninguém ia se lembrar dele. Doloroso paradoxo: graças a ele milhares de pessoas receberam, em sua última hora, os consolos da Igreja, o que não aconteceu com ele. Era 3 de dezembro de 1552.

A chegada do corpo incorrupto em Goa, um ano mais tarde, foi sob o toque festivo de todos os sinos, como se fazia com um grande príncipe ou conquistador. Durante quatro dias a multidão enchia a igreja para beijar seus pés imóveis, que tanto haviam ali caminhado. Seus olhos negros se mantinham como se estivessem vivos, com um olhar penetrante. Era uma tão grande maravilha, que o comissário da Companhia holandesa se converteu instantaneamente.

Foi canonizado em 12 de março de 1622, junto com Santo Inácio, Santa Teresa de Jesus, São Felipe Neri e Santo Isidoro de Madri. Um cortejo digno de sua epopéia missionária.

Fonte de referência: James Brodrick, SJ: San Francisco Javier (1506-1552) — Espasa-Calpe, Madrid, 1960.

 

Das cartas de São Francisco Xavier a Santo Inácio
(Cartas de 20 de Out. de 1542 e 15 de Janeiro de 1544: Epist. S. Francisci Xaverii aliaque eius scripta, ed. G. Schurhammer — I. Wicki, t. I: «Mon. Hist. Soc. Iesu» 67, Romae, 1944, pp. 147-148; 166-167)  

Ai de mim se não anunciar o Evangelho

«Viemos por povoações de cristãos, que se converteram há uns oito anos. Nestes sítios não vivem portugueses, por a terra ser muitíssimo estéril e extremamente pobre. Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga Missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo, o Pai-Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos. Quando eu chegava a estas povoações, baptizava todas as crianças por baptizar. Desta forma, baptizei uma grande multidão de meninos que não sabiam distinguir a mão direita da esquerda. Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber por que é deles o reino dos Céus. Como seria ímpio negar-me a pedido tão santo, comecei pela confissão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, e assim os fui ensinando. Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.

Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à Universidade de Paris, falando na Sorbona aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles! E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio dos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, eis-me aqui; que quereis que eu faça? Mandai-me para onde quiserdes; e se for preciso, até mesmo para a Índia».

Oração  
Senhor, que, pela pregação de São Francisco Xavier, chamastes muitos povos ao conhecimento do vosso nome, concedei a todos os cristãos o mesmo zelo pela propagação da fé, para que, em toda a terra, a santa Igreja se alegre com novos filhos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

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