Os tratamentos holísticos e homeopáticos… o que a Igreja diz?

Por Pe. Inácio José Schuster

É um paliativo para enganar os trouxas.

Indiquemos cinco notas distintivas do Movimento da Nova Era:

1. Holismo ou organicidade do universo
A física clássica de Newton tinha o universo na conta de imensa máquina, cujos elementos se mantêm em equilíbrio mediante interação constante. Ora, a Nova Era adota o modelo holístico, mais recente: o universo não constaria de partículas, mas de ondas de energia que constituem um todo (holon, em grego), como uma rede de ligações e de interdependências; quanto mais alguém aprofunda a realidade, dizem os holistas, tanto mais faz a experiência da unidade do todo. O homem seria parte desse todo, participando da vida orgânica do conjunto, sem poder sair dele como observador neutro ou sujeito independente. Em conseqüência, a Nova Era afirma que Deus e o mundo, o espírito e a matéria são uma imensa vibração energética onde todas as diferenças são apenas aparentes, e não reais.

2. Tônica nas religiões orientais
Embora seja sincretista, o Movimento da Nova Era prefere as teses das religiões orientais (que geralmente são panteístas) aos artigos da fé cristã. Isso bem se entende, visto que o cristianismo afirma a transcendência de Deus; Ele entra em diálogo com o homem, mas não é o homem. O cristianismo possui um credo definido, evitando o sincretismo religioso.
A Nova Era incita seus adeptos a fazerem experiências “transpessoais”, segundo as quais o eu se dilata, de modo a se sentir uma coisa só com a energia cósmica; tais experiências possibilitariam ao homem entrar em contato com pessoas muito distantes, até com defuntos e seres extraterrestres. Tais experiências podem ser estimuladas pelo uso de drogas e pelo incentivo direto do cérebro (biofeedback).
Também são estimulantes das experiências mística da Nova Era a música, a dança e as artes em geral.

3. O channeling e o esoterismo gnóstico
Channeling (de channel, canal, em inglês) é a forma mais recente de espiritismo: o médium faz as vezes de channel: recebe mensagens não de defuntos, mas sim de entidades superiores (A divindade? Cristo? Fadas? O inconsciente coletivo?).
Com essa concepção se combinam resquícios do gnosticismo dos primeiros séculos: o homem possui uma centelha da divindade, que o torna familiar ao Todo Divino (que é o universo).

4. Terapêtica
O Movimento da Nova Era se dedica também ao tratamento das doenças do corpo e da alma, não mediante a medicina convencional, mas através do enfoque holístico, que recorre às terapias ´´suaves´´, como são a homeopatia e a acupuntura.

5. Otimismo
A perspectiva da Nova Era, de paz e felicidade, substitui a mentalidade derrotista de grande parte da humanidade contemporânea; daí o sucesso do movimento. Pode´se dizer que a expectativa de Nova Era corresponde à de um reino milenar de Cristo (milenarismo), apregoada por algumas correntes cristãs de nossos dias.
O Movimento da Nova Era fala do retorno de Cristo, tal como é anunciado pelo livro O Retorno de Cristo (1948), da sra. Alice Bailey, teosofista e ocultista inglesa que teria recebido revelações de um mestre desencarnado dito “o Tibetano”. O Cristo da Nova Era, porém, não é o do Evangelho; é o Cristo dito “cósmico, o Cristo Energia, o Espírito Crístico Universal”…

Conclusão
Deve-se dizer que a mensagem do Movimento da Nova Era é, de ponta a ponta, contrária à mensagem cristã. Nega a transcendência de Deus, a distinção entre espírito e matéria, a existência do pecado, a divindade de Jesus Cristo, Deus feito homem… Cai no relativismo religioso, fazendo da religião uma atitude sentimental e cega, e não a adesão à verdade; ora, a perda de identidade da religião vem a ser o fim da mesma!

 

TERAPIAS ALTERNATIVAS OU MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA?
Uma análise das pseudoterapias “New Age”
Por Álvaro Farías Díaz*

MADRI, sexta-feira, 27 de maio de 2011 (ZENIT.org) – Publicamos, a seguir, o artigo de Álvaro Farías Díaz, psicólogo pela Universidade do Uruguai “Dámaso A. Larrañaga”, membro da Rede Ibero-americana de Estudo das Seitas (RIES) e diretor do Serviço de Estudo e Assessoria em Seitas do Uruguai (SEAS)

Poderíamos nos perguntar por que têm tanto êxito filmes como “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis”, ou livros como “O alquimista”… Por que florescem, cada dia mais, as expressões do pensamento imaginário ou mágico? Por que, ainda que a modernidade o considerava moribundo, Deus continua resistindo tão bem? Como evoluíram as religiões históricas, em contato com as novas crenças e as novas formas de espiritualidade marcadas com o selo do individualismo e do pragmatismo? E, no final das contas, como compreender esta exuberância de crenças e práticas que está diante dos nossos olhos, essa religiosidade flutuante, “a la carte”, que se desenvolve dentro da nossa sociedade?
Vemos hoje como os homens e mulheres da nossa cultura, afetados pelos transtornos do humor, são medicados com a mesma gama de medicamentos frente a qualquer coisa. Por um lado, confiam na medicina científica e, por outro, aspiram a uma terapia que, reconhecendo sua identidade, dê lugar à palavra.
Como diz Elisabeth Roudinesco, “assistimos, nas sociedades ocidentais, a um crescimento inacreditável do mundinho dos curandeiros, dos feiticeiros, dos videntes e dos magnetizadores. Frente ao cientificismo erigido em religião e diante das ciências cognitivas, que valorizam o homem-máquina em detrimento do homem desejante, vemos florescer, em contrapartida, toda sorte de práticas, ora surgidas da pré-história do freudismo, ora de uma concepção ocultista do corpo e da mente: magnetismo, sofrologia, naturopatia, iridologia, auriculoterapia, energética transpessoal, sugestologia, mediunidade, etc. Ao contrário do que se poderia supor, essas práticas seduzem mais a classe média – funcionários, profissionais liberais e executivos – do que os meios populares”.

As pseudoterapias Nova Era
O termo “Nova Era” abrange um conglomerado de ideias que torna difícil sua concreção: alguns sustentam que é uma nova forma de enfrentar a vida e de expressá-la, enquanto outros afirmam que é um sincretismo tão grande, que o único que pretende é confundir e recolher o fruto de tal confusão.
Nosso momento atual dista muito de desconhecer o fascínio pelo sagrado, que irrompe por caminhos que pareciam já pouco transitados ou reservados aos marginalizados da religião. Quem se surpreende ainda diante de certos programas de televisão, certos programas de rádio, certos avisos em jornais e revistas nos quais aparecem “ofertas religiosas” misturadas com “ciência”: radiestesia, controle mental, reiki, budismo, meditação transcendental, viagens astrais, Jesus cósmico, igrejas neopentecostais, grupos gnósticos etc.? Mas o que está acontecendo realmente? As tentativas de explicação são variadas.
A Nova Era tem suas raízes na tentativa de encontrar pontos de contato entre ciência e religião, entre a razão e a magia, entre o Oriente e o Ocidente. Pretende-se criar um novo paradigma. Trata-se de uma fuga do tradicional rumo ao alternativo.
É preciso esclarecer o que, na Nova Era, se entende por “Deus”. Deus seria a “energia” que, em um determinado momento, desceu sobre Jesus Cristo, Buda, Maomé, e mais perto na história, sobre o conde Saint Germain. Os adeptos da Nova Era interpretam a crucifixão, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo dentro de um contexto esotérico, como um símbolo da libertação da energia crística e sua difusão em forma de gás vivificador do céu novo e da terra nova, manifestação esta que chegará a todo o seu esplendor quando ocorrer o advento da “Nova Era” ou da “Era de Aquário”. O Cristo interior é a “faísca” interior, desprendida da energia ou Cristo cósmico. Qualquer um pode chegar a ser “Cristo” e para isso é preciso recorrer às técnicas da Nova Era e, sobretudo, provocar estados alterados de consciência (transes místicos, fenômenos de channeling, etc.), ao mesmo tempo em que é preciso conectar-se com a ecologia, conduto da energia cósmica.
O maior problema com tudo isso é a utilização perversa destas crenças e técnicas. Cada um é livre para pensar e acreditar no que lhe parecer mais oportuno. O ruim é quando, sem aviso prévio, vão lhe introduzindo crenças que não compartilhava em primeira instância, aproveitando circunstâncias pouco éticas através de um processo de manipulação psicológica.
Na maioria destes casos, não há, à frente deste tipo de ofertas terapêuticas, um profissional idôneo, isto é, um psicólogo ou psicoterapeuta formado para o exercício de tal função. Quando há, dão-se fenômenos de intromissão profissional e abuso terapêutico.
A clínica com pacientes que viveram este tipo de experiências e com seus familiares nos mostra que esses “terapeutas” acabam sendo verdadeiros manipuladores, já que, com sua forma de agir, denotam um desconhecimento da ética profissional, transgredindo seus limites; fazem mau uso das técnicas psicoterapêuticas e levam a cabo uma manipulação da relação terapêutica para seu benefício pessoal.
Há muito por fazer. Por tudo o que foi exposto anteriormente, parece-nos suficientemente clara a necessidade e a oportunidade de pesquisar sobre o tema das seitas e grupos manipulativos, assim como sobre os processos sociais e psicológicos da própria manipulação psicológica, tanto aqui no Uruguai como no resto do mundo.

 

Tratamentos alternativos e alternativas perigosas
Por Márcio Souza

“As emoções negativas são a causa primária de muitas doenças. Se intensas, podem distorcer a manifestação dos ideais de força, sabedoria e beleza, preexistentes na natureza humana”.

É com esse enunciado que começa determinado artigo incentivando o uso dos Florais de Bach, considerado um regulador das vibrações que nos equilibram com a natureza. Muitos cristãos têm indagado se devemos ou não substituir ou adicionar os tratamentos alternativos aos cuidados alopáticos (Alopatia: Sistema terapêutico que consiste em tratar as doenças por meios contrários a elas, procurando conhecer suas causas e combatê-las).

Primeiramente, devemos distinguir os tratamentos alternativos das alternativas espiritualmente perigosas, muito em moda hoje em dia. A maioria dessas alternativas, bastante veiculadas pela mídia, está altamente comprometida com a holística.

Ao falarmos em qualquer tipo de tratamento, não podemos nos esquecer de que, seja qual for ele, a automedicação não é aconselhada. É muito comum encontrarmos por aí consultores sem nenhuma formação ou habilitação profissional atuando como conselheiros ou terapeutas. O que pode ser benéfico para uma pessoa poderá ser inócua ou até mesmo nociva para outra. Portanto, o cristão que deseja tratar-se através do naturalismo deve primeiro verificar a fidelidade do proposto pelo medicamento. Também se faz necessário conhecer as credenciais dos consultores naturalistas.

Tratamentos alternativos reconhecidos

Alguns tratamentos são plenamente reconhecidos pelos órgãos governamentais de saúde. Outros, portanto, ainda estão sendo pesquisados. A AMHB (Associação Médica Homeopática Brasileira) lançou um informativo sobre a aceitação e o uso do público brasileiro dos tratamentos alternativos. O mesmo documento alerta quanto à carência de profissionais formados nessa área. Alguns dos tratamentos alternativos reconhecidos são: a homeopatia, a fitoterapia, a naturopatia, a quiropatia e a acupuntura. Contudo, verificamos que existe a tendência para a administração holística de tais tratamentos. É neste ponto que esbarramos com conceitos que nós, os cristãos, não aceitamos.

As terapias alternativas apresentaram um grande crescimento a partir da década de 70. Desde então têm-se popularizado. O primeiro gráfico demonstra o resultado de uma pesquisa feita entre mil entrevistados. A porcentagem daqueles que conhecem e usam medicações alternativas tem aumentado cerca de 2% a 3% ao ano.

Na pesquisa feita entre os usuários das terapêuticas alternativas encontra-se um demonstrativo sobre os ramos terapêuticos mais utilizados (veja gráfico acima). Cerca de mil pessoas foram questionadas a respeito da forma alternativa de sua opção. Resultado: 56,2% usam a homeopatia; 26,2% a fitoterapia e 17,6% a acupuntura. Novas formas de tratamentos estão sendo descobertas. A disputa entre o sistema alopático e o homeopático demonstra que o naturalismo vem ganhando espaço.

Qual a eficiência de tais tratamentos? Um grupo de usuários de diversos ramos da terapêutica alternativa apresentou suas conclusões. Cerca de 92% informaram que estavam otimistas, ou pelo menos satisfeitos, com a eficácia dos tratamentos alternativos. Um dos motivos mais apreciados pelos usuários é a quase inexistente agressividade desses tratamentos. Apenas 1,4% registrou que eles não foram eficazes e outro grupo de 1,4% informou que o tratamento foi negativo.

O uso de plantas medicinais conta, ainda que com restrições, com o apoio científico. Como tais plantas são selecionadas e que critério é usado? Inicialmente, a sabedoria popular é a responsável pela sugestão de uso de diversas plantas e pela maneira como devem ser utilizadas. Às vezes, a mesma planta é citada para algumas doenças ou para todas. Excluindo os excessos, podemos encontrar muitas utilizações realmente eficazes. Em 1982, a CEME (antiga Central de Medicamentos) implantou um programa para pesquisar as plantas de uso popular em solo brasileiro. Objetivo? Estudar possíveis substâncias ativas que servissem para preparados fitoterápicos científicos. Novamente, a sabedoria popular, o receituário do povo, foi o cabedal para selecionar as plantas e ervas candidatas.

O primeiro passo da pesquisa foi nominar corretamente as plantas com seu nome latino, para que não ocorresse o costumeiro erro de se dar o mesmo nome a plantas diferentes, ou nomes diferentes a plantas iguais, dependendo da região e do nome popular a elas atribuídos. O segundo passo foi verificar se tais plantas atuariam realmente nos males que o receituário popular apregoava. Os resultados positivos foram surpreendentes. Hoje, diversas indústrias farmacêuticas têm oferecido produtos exclusivamente bulados nestas ervas.

Alternativas perigosas

O cristão deve tomar sua decisão pessoal quanto aos ramos mencionados acima. Contudo, quando algo mais está envolvido, o que deve ser feito? Existem muitos remédios aparentes, representativos. Conseqüentemente, não são reconhecidos pelos órgãos competentes de saúde. Observe o parecer técnico do Ministério da Saúde (Vigilância Sanitária) sobre as essências florais:

Parecer técnico do Ministério da Saúde (Vigilância Sanitária) sobre as essências florais

Respondendo ofício nº 01/98, referente a essências vibracionais, informo que as essências florais, tais como apresentadas pelos Sindicatos e Associações Produtoras, não constituem matéria submetida ao regime de vigilância sanitária, a teor da Lei nº 6360, de 23.09.76 e seus regulamentos, não se tratando de medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. Tal fato não exime, no entanto, a responsabilidade das empresas pela produção e comercialização dessas substâncias dentro dos padrões de qualidade adequados ao consumo da população. Neste sentido, na comercialização e venda dessas substâncias não podem ser apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas, induzindo o consumidor ao erro ou à confusão (Brasília, 23 de outubro de 1998. Ofício SVS/GABIN/ Nº 479/98).

O Ministério da Saúde não reconheceu as essências vibracionais como medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. E alertou que às suas apresentações (ou seja, seus rótulos e propagandas) não fossem atribuídas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas.

Se tais essências não ocupam espaço farmacêutico ou homeopático, como elas devem ser consideradas pelos cristãos? Devemos, então, antes de mais nada, verificar a origem da eficácia atribuída aos florais.

Muitas alternativas estão sendo acopladas aos tratamentos alternativos. Qual é a bula dessas alternativas? Em muitos segmentos encontramos a visão holística. Devemos nos lembrar, portanto, que a visão holística pode ser encontrada nos tratamentos legítimos. Nestes casos, é bom excluir o elemento holístico. Isso não afetará o tratamento. Por outro lado, se o tratamento tiver apenas representação das perspectivas holísticas, ele deve ser totalmente rejeitado.

A composição desses florais não representa riscos aos usuários, geralmente é feita de água mineral, conhaque de uvas, arbustos ou árvores silvestres. Administrados em doses pequenas, cerca de quatro gotas, não fazem mal, mas também não são eficazes, conforme parecer do Ministério da Saúde: não podem ser apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas, induzindo o consumidor ao erro ou à confusão. Se as composições desses florais são ineficazes, por que devemos considerá-los?

Tratamentos holísticos

Entramos, agora, em uma nova modalidade: os tratamentos holísticos. A visão desse tratamento é alcançar o homem como um todo: espírito, alma e corpo. É a sua espiritualização. A medicina moderna tem dado um salto de fé no escuro em direção ao misticismo. De fato, a nova preocupação da medicina com o espírito do homem surgiu através da surpreendente transformação da sociedade ocidental. Essa mudança ocorreu quando os ocidentais decidiram aceitar o misticismo oriental.

Muitas pessoas, por usarem palavras como Deus, Cristo, espírito e alma são consideradas simpáticas ao cristianismo. Todavia, não devemos nos confundir. Obviamente que alma, espírito, Deus e Cristo não são termos científicos ou medicinais, mas, sim, religiosos. Aqueles que lançam mão de tais palavras certamente têm o seu próprio conceito a respeito do significado delas, e isso refletirá no seu modo de vida.

Ficaremos estarrecidos se voltarmos nossa atenção para os conceitos defendidos pelos profissionais holísticos. Por exemplo, o psicólogo Jack Gibb foi bem claro ao dizer: A pressuposição absoluta que muitos de nós estamos adotando no Movimento de Saúde Holística é que todas as coisas necessárias à criação da minha vida se acham em mim… Eu creio que sou Deus, e creio que você também é… 1

O conceito holístico poderia ser expresso assim: a visão de que o todo não se explica fora de suas partes e estas não podem ser compreendidas fora do todo. A visão holística tem integrado áreas do conhecimento de forma abrangente, ultrapassando as fronteiras religiosas. Absorvem conceitos de todas as religiões e cultos, buscando a verdade em sua essência. O homem deve ser tratado como um todo, nele mesmo e através da natureza. Logo, o bem-estar espiritual do homem depende de seu equilíbrio com a natureza.

A cor, a forma e o aroma das flores veiculam o espírito da natureza. Esse dom, alegam, pode ser adquirido pela absorção de algumas gotas do florais. São dezenas de essências florais. E cada uma delas é aplicada conforme suas atribuições. Ao escolher aquela que corresponde à sua necessidade espiritual, o usuário alcançará o reequilíbrio emocional. Tais conceitos afirmam que estamos em um universo onde as forças impessoais estão em constante luta. Trata-se do bem e do mal, da luz e das trevas. Longe de qualquer vitória entre essas forças, os adeptos do conceito holístico afirmam que precisamos equilibrá-las, pois elas são essenciais ao universo.

Tais conceitos estão longe do que a Palavra de Deus ensina. Os tratamentos representativos estão impregnados pela filosofia ocultista. Conseqüentemente, esses conceitos afetam a comunhão com Deus. Em virtude desses tratamentos, o ocultismo está se popularizando cada vez mais. Como servos de Cristo, devemos discernir entre o natural e o místico. E, para isso, não podemos nos deixar enganar pelas aparências.

Talvez alguém seja realmente curada ao fazer uso de algumas raízes ou folhas. Erram, portanto, quando adicionam misticismo ao elemento natural. Como cristãos, o que devemos fazer a respeito? Excluir o místico e usufruir apenas do natural. Um exemplo do que estamos falando é o uso da folha de arruda atrás da orelha, simpatia atribuída ao natural, o que significa adesão ao misticismo idólatra. O servo de Deus deve rejeitar isso.

1 The Journal of Holistic Health, 1977, Jack Gibb, Psycho-Sociological Aspects of Holistic Health. p. 44.

Um exemplo de tratamento representativo da visão holística são os florais de Bach. O próprio dr. Bach disse: A ação destes remédios consiste em elevar nossas vibrações e abrir nossos canais para a recepção do ‘eu espiritual’, inundar nossa natureza com a virtude particular de que precisamos e em expurgar de nós o erro que causa o mal (…). Eles curam, não combatendo a doença, mas inundando nosso corpo com as sublimes vibrações de nossa Natureza Superior, em cuja presença a enfermidade se dissolve como a neve à luz do sol. Não existe cura autêntica, a menos que exista uma mudança de perspectiva, uma serenidade mental e uma felicidade interna. Informações que vêm na bula de alguns florais de Bach.
O dr. Edward Bach nasceu em 24 de setembro de 1886, em Mesely, um vilarejo próximo de Birmingham, Inglaterra. Aos 17 anos alistou-se no corpo de Cavalaria de Worcestershire, onde começou a interessar-se por tratamentos alternativos.

 

O Santo Ofício publicou um documento em 26 de março de 1942 no qual proíbe a Radiestesia aos clérigos, ou seja, o uso de “varinha mágica” para adivinhar circunstâncias a respeito das pessoas (como, por exemplo, se está doente) e determina graves penas para aqueles religiosos que reincidirem no fato. Abaixo transcrevemos o documento, pois pensamos que talvez possa ser útil para combater este erro difundido em sua diocese e para orientar os fiéis.

Santo Ofício, 26 de Março de 1942.

A Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício, maduramente considerados os danos que se seguem para a religião e verdadeira piedade das consultas de Radiestesia feitas por clérigos para adivinhar circunstâncias das pessoas e sucessos, e tendo sobretudo em conta o estabelecido nos cânones 138 e 139, a fim de apartar os clérigos e religiosos daquelas coisas que desdizem de seu ofício e dignidade ou que possam diminuir sua autoridade, estabelece as seguintes normas, sem pretender com este decreto tocar as questões científicas sobre Radiestesia.

A saber: ordena aos Ordinários locais e aos Superiores religiosos que proíbam aos seus clérigos e religiosos proceder a investigações radiestésicas tocantes às consultas acima mencionadas.

Aos mesmos Ordinários e Superiores religiosos pertence adicionar sanções penais e esta proibição, se for necessário.

E se algum clérigo ou religioso reincidir na transgressão desta proibição ou der lugar a graves inconvenientes ou a escândalos, os Superiores denunciarão o fato a este Santo Supremo Tribunal.

 

FLORAIS DE BACH
Pe. Alberto Gambarini, Católico pode ou não pode? Por quê? (2ª Parte). Ed. Ágape

Em 1º de maio de 2002, a revista Veja publicou uma reportagem em que apresentava uma estatística preocupante sobre as chamadas terapias alternativas: “Estima-se que 4 milhões de brasileiros lancem mão de alguma forma de terapia alternativa para tratar doenças. A Associação Brasileira de Medicina Complementar calcula que existam cerca de 50 mil terapeutas alternativos em atividade no país. É um filão que cresce em torno de 20% ao ano em todo o mundo. No Brasil, presume-se que o mercado de terapias alternativas movimente aproximadamente 500 milhões de dólares anualmente. Ainda uma migalha em comparação ao que ocorre nos Estados Unidos, onde perto de 60 milhões de pessoas engrossam um mercado de 30 bilhões de dólares. No Brasil, há três vezes mais massagistas, que garantem dar fim a dores de coluna, que ortopedistas. Existe quase o mesmo número de terapeutas florais e de cardiologistas. E os cerca de 1.300 indologistas, indivíduos que dizem diagnosticar qualquer doença pela análise da íris, somam quase a metade dos nefrologistas brasileiros”.
Boa parte das terapias alternativas tem algum envolvimento com doutrinas esotéricas ou ocultas e é um dos instrumentos para divulgar a chamada filosofia da Nova Era. Destacam-se os chamados florais de Bach, que prometem a cura para os problemas emocionais e, como consequência, devolvem a saúde do corpo.
Qual a origem dos florais de Bach?
Os florais de Bach foram “descobertos” por um médico inglês chamado Edward Bach. Ele teria encontrado 38 essências florais com propriedades curativas. Essas essências cobririam todos os aspectos da natureza humana e todos os estados mentais negativos que acompanham as enfermidades. Para o Dr. Bach as flores possuem alma, e a sua força vital pode ser transferida para a água. Sendo ingeridas trariam benefícios para o ser humano. Conforme afirma em seus livros, seguiu uma “inspiração” para preparar seus florais a partir da essência das pétalas de rosas, misturadas em água e álcool.
Os cristãos e os florais de Bach
Na bula de alguns florais de Bach existe a seguinte informação:
“A ação destes remédios consiste em elevar nossas vibrações e abrir nossos canais para a recepção do ‘eu espiritual’, inundar nossa natureza com a virtude particular de que precisamos e expurgar de nós o erro que causa o mal (…). Eles curam, não combatendo a doença, mas inundando nosso corpo com as sublimes vibrações de nossa Natureza Superior, em cuja presença a enfermidade se dissolve como a neve à luz do sol. Não existe cura autêntica, a menos que exista uma mudança de perspectiva, uma serenidade mental e uma felicidade interna”. Aí fica evidente que se atribui um poder espiritual às essências das flores, pois transmitiriam uma espécie de energia divina para seus consumidores.
Estamos diante de um tratamento de origem panteísta – crença de que tudo é deus e deus é tudo; por essa linha de pensamento a natureza se identifica com Deus. Para a revelação bíblica, Deus não se confunde com a natureza e tampouco é uma simples energia maior. Deus é pessoa, Criador do homem e de toda a criação. No livro do Gênesis está escrito que da Palavra de Deus tudo começou a ser criado: “Deus disse…” (Gn 1, 3ss). Somente Ele tem o poder de tocar no mais íntimo do ser humano e elevar os seus sentimentos: “Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo: ele é minha salvação e meu Deus” (Sl 41, 12).
No livro Nova Era: um perigo para os católicos, o autor Ralfh Rath dá uma orientação importante: “Uma pergunta se impõe: pode um cristão recorrer à medicina alternativa? A resposta é sim, se não há poder panteísta ou oculto, sendo utilizado para a cura. De outro modo, o cristão corre o risco de perder a fé no verdadeiro Deus ou de colocar-se sob a influência de espíritos demoníacos” .
Qual a posição da classe médica e de outros órgãos?
Em setembro de 1998, o Conselho Federal de Medicina, o órgão oficial que regulamenta e fiscaliza o exercício profissional da medicina no Brasil, proibiu a prática das chamadas medicinas alternativas que não têm fundamentação científica para os procedimentos e resultados que divulga. Por essa decisão o uso no tratamento de coisas como os florais de Bach fere o Código de Ética Médica e mancha a dignidade da categoria que tem, por obrigação moral, utilizar todos os meios científicos em favor da saúde dos pacientes.
Também é digno de nota o parecer do Ministério da Saúde sobre as chamadas essências florais: “Respondendo ofício n. 01/98, referente a essências vibracionais, informo que as essências florais, tais como apresentadas pelos Sindicatos e Associações Produtoras, não constituem matéria submetida ao regime de vigilância sanitária, a teor da Lei n° 6360, de 23.09.1976 e seus regulamentos, não se tratando de medicamentos, drogas ou insumos farmacêuticos. Tal fato não exime, no entanto, a responsabilidade das empresas pela produção e comercialização dessas substâncias dentro dos padrões de qualidade adequados ao consumo da população. Neste sentido, na comercialização e venda dessas substâncias não podem ser apresentadas indicações terapêuticas com finalidades preventivas ou curativas, induzindo o consumidor ao erro ou à confusão” (Brasília, 23 de outubro de 1998. Ofício SVS/GABIN/N°479/98).
O professor Renato Zamora Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma:
“Os terapeutas florais estão convencidos de que a consciência humana, por meio dos comportamentos do indivíduo, é a causa de todas as doenças. Seria muito bom, caso fosse verdade, já que bastaria um comportamento correto para garantir saúde e longevidade. Pena que a vida real não é assim. Você gostaria de tentar curar uma infecção bacteriana sem antibióticos e com uma revisão da consciência?”
“Não existe nenhuma pesquisa científica, com os mínimos padrões de qualidade, que mostre qualquer efeito destas flores dissolvidas em água”.
“A principal causa de seu sucesso é a crença dos usuários de que vão melhorar com o suposto medicamento”.

Nenhum comentário ainda

Comentários desativados

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda