Geração Big Brother

Padre Léo, SCJ / Trecho do livro: Saborear a Vida

Na medida em que acredita que existem soluções fáceis e rápidas para os problemas, o ser humano vai se acomodando e não se prepara mais para a batalha da vida. Torna-se um ser humano enfraquecido. Apequenado. Que não acredita mais na capacidade de auto-superação.
Quanto menos luta menos a pessoa tem vontade de lutar. Apequenado, o ser humano moderno é alguém vazio, sem conteúdo e sem ideal, dominado pelos ídolos do ter, do poder e do prazer. É o ser humano big brother, capaz de fazer de tudo para conseguir sucesso e poder gozar a vida sem limites, sem restrições.
Quando uma pessoa causa problemas ao homem big brother, ele aprende a eliminar a pessoa e não os problemas. Se o outro é obstáculo para meus sonhos, devo dar um jeito de tirá-lo do meu caminho. Não importa que instrumentais eu vou usar. O importante é eliminar a concorrência.
O big brother é um individuo que só pensa em si, não tem referenciais e vive mergulhado num vazio ético. Ele é capaz de fazer sacrifícios horríveis, até comer coisa estragada, desde que seja em função de um objetivo claro e definido: poder ir eliminando todas as pessoas, até chegar ao topo, e saborear a vitória.
Essa pessoa pode até conseguir algum dinheiro, mas não é uma pessoa feliz. Se a felicidade tivesse relação direta com o dinheiro, jamais encontraríamos um rico infeliz. E é praticamente o contrário. Nunca conheci uma família rica que fosse verdadeiramente feliz. No máximo, consegue esconder suas frustrações e problemas.
Para se dar bem nessa geração big brother é preciso ser muito prático, ter coragem para fazer qualquer coisa, ser relativamente bem informado, não se prender aos valores humanos, ser capaz de se interessar por tudo, mas sempre de modo superficial. Além disso, é preciso ser alguém que tenha a cara de pau suficiente para ser trivial e frívolo, para aceitar tudo. A permissividade é uma das suas marcas registradas. Temos assim uma pessoa com fraqueza de pensamentos, sem nenhuma firmeza em suas convicções e completamente indiferente aos problemas das outras pessoas.
A cultura big brother se faz de pessoas lights. Infelizmente, para ser feliz nessa cultura a pessoa precisa pautar sua vida pela mediocridade. Do mesmo jeito que a pessoa come sem correr nenhum risco de engordar, já que o alimento é mágico, a pessoa vai vivendo de modo superficial e medíocre.
Essa cultura gera uma pessoa fria, sem fé verdadeira e sem convicções profundas. É uma pessoa que muda de opinião, conforme muda o vento, já que vive para agradar os outros e para se satisfazer com o outro.
A pessoa big brother vive de modismos. É uma pessoa descartável. Do mesmo jeito que os canais de televisão dão um jeito de descartar as pessoas que não atingem determinados índices de audiência, a pessoa big brother também elimina quem não satisfaz seus interesses imediatos. Nesse sentido é importante eliminar os vínculos, os valores que me prendem às pessoas. Igreja e família são dois grandes obstáculos na vida do ser humano light.
Quem não têm referenciais, acaba também perdendo seu objetivo, sua meta de vida. A pessoa passa a viver unicamente para si mesma e para o seu prazer. Quanto mais irrestrito, melhor.
O big brother vive em busca do prazer. O prazer está acima de tudo e de todos. Sem nenhuma restrição, a qualquer preço. Para se viver bem, deve-se evitar a luta e, especialmente, o sofrimento.
A única coisa que vale é o prazer, não importa seu preço. Não se questiona se é um prazer lícito, salutar, abençoado por Deus. O prazer tem um valor em si mesmo. Para consegui-lo vale qualquer caminho. Ele é o bem maior, diante do qual tudo e todos devem ser sacrificados.
Como a pessoa vive para o prazer, sem limites, quanto mais possui coisas, mais se sente feliz, porque o ter virou sinônimo de liberdade. Quanto mais tenho, mais livre sou. Faço o que quero, quando e como quero. Só é livre quem tem bens materiais em abundância, de preferência, da última moda.
Por isso essa pessoa light não pode criar vínculos com nada e nem com ninguém, pois o consumismo se fundamenta na capacidade de substituir. O melhor é sempre o novo. Ninguém troca algo que tem valor afetivo. Então, o melhor é não se apegar às coisas. O melhor é sempre aquilo que ainda não tenho. Minha felicidade está escondida naquilo que não possuo.
Para sustentar e solidificar tudo isso é preciso viver a doutrina prática do materialismo, onde o valor da pessoa está naquilo que tem. Mas não se trata de simplesmente possuir um bem que satisfaça minhas necessidades fundamentais de moradia e locomoção, por exemplo.
Nesse materialismo a pessoa nunca poderá se contentar com o que tem. É preciso sempre querer algo novo. Não se trata mais de suprir uma necessidade, mas de criar novas e até falsas necessidades, que possam nutrir o consumismo. Se a liberdade da pessoa é definida a partir do que possui, ser livre é possuir cada vez mais. Também aqui não existe uma preocupação com os aspectos éticos. Tudo é permitido. Importa ter cada vez mais.
Nada é proibido ou imoral. O importante é não ser descoberto. Não interessa os meios que uso para adquirir as coisas, interessa é possuí-las conforme manda a moda.

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A MORALIDADE É OURO
É preciso criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte 28/02/2011

A sociedade está povoada de notícias que comprovam o quanto a corrupção e a desonestidade estão corroendo relações, provocando prejuízos irreversíveis na vida de cidadãos e de famílias, com sérios comprometimentos sociopolíticos. A confiança que se deposita em pessoas, no exercício de suas responsabilidades funcionais e ofícios, está e certamente continuará sendo abalada. O mesmo ocorre também na relação com as instituições, que têm tarefas de proteção aos direitos e à integridade de todos, constituídas para proteger o bem público, garantir a ordem e a justiça. Quando menos se espera, estouram aqui e ali acontecimentos que provocam decepção e generalizam a insegurança. Não se esperam conivências interesseiras dos que têm tarefa de garantir a justiça. Conveniências que comprometem a vida de jovens e de outros que têm seus sonhos inviabilizados de maneira irreversível.
As providências que governos, instituições e outras instâncias da sociedade precisam e devem tomar diante de fatos graves no tecido social e cultural, não podem retardar mais a consideração da moralidade como ouro na história de todos. Esse cenário, com suas violências, desmandos, corrupções, tráficos e outras condutas imorais, é origem de tudo o que esgarça o tecido moral da cidadania. Valor que é a base para vencer seduções e ter força para permanecer do lado do bem, com gosto pela justiça e fecundo espírito de solidariedade. É imprescindível redobrar a atenção quanto à moralidade que baliza a vida de cada indivíduo e regula suas relações. É urgente e necessário avaliar o quanto o relativismo tem emoldurado critérios na emissão de juízos, na formatação de discernimentos, trazendo direções equivocadas e prejudiciais nas escolhas, tanto no âmbito privado quanto no exercício da profissão, da política e de outras ocupações na sociedade.
É preciso diagnosticar esses pontos críticos na moralidade sustentadora da conduta cidadã e honesta. Não se pode desconsiderar a gravidade da situação vivida neste tempo de avanços e conquistas – marcado pela “démarche” (disposição para resolver assuntos ou tomar decisões) – imposta pela falta de moralidade pública, profissional e individual. Jesus, em Seus preciosos ensinamentos para bem formar os discípulos, não deixava de advertir e indicar critérios para comprovar os comprometimentos da moralidade. Ele dizia que “o irmão entregará o irmão à morte, o pai entregará o filho; os filhos ficarão contra os pais e os matarão”, convidando-os para não se escandalizarem e a permanecerem firmes diante do caos provocado pela imoralidade. A decomposição das relações familiares configura o paradigma da perda da moralidade, considerando a família com seu insubstituível papel de formadora de consciência.
Com a família, o conjunto das instituições educativas, religiosas e outras prestadoras de serviços à sociedade, é preciso fortalecer o coro de vozes, como o fez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quanto à necessidade de incluir na pauta da sociedade a compreensão da moralidade como um tesouro do qual não se pode abrir mão. Sua ausência significa a produção de perdas irreparáveis, de vidas, de credibilidade e de conquistas e avanços de todo tipo, pelos inevitáveis comprometimentos advindos de uma cultura permissiva e cega a valores balizadores da vida cidadã. Nesse âmbito, é preciso retomar a tematização da responsabilidade dos meios de comunicação – também sublinha a CNBB. A apurada qualidade técnica e os admiráveis recursos da mídia, em particular da televisão, lamentavelmente, estão a serviço de programas que atentam contra a dignidade humana. Não se pode simplesmente ajuizar que os cidadãos são livres para escolher o que é de baixo nível moral. É melhor não produzi-los. Então, é preciso combatê-los, investindo na formação da consciência moral, com uma consistência tal que se rejeite, com lealdade, os fascínios da celebridade fugaz, o gosto mórbido pelo dinheiro e pelo poder, e substituí-los pelo apreço ao bem, à verdade; criar o gosto pela transparência e pelo que é honesto.
As culturas e as sociedades não podem prescindir de investimentos, abordagens e compreensões da consciência na sua insubstituível e específica função de discernimento e juízo moral. É urgente superar considerações de que tratar e investir na moralidade é um viés antigo, e até superado. A liberdade e a autonomia que caracterizam a sociedade contemporânea não podem prescindir do exercício dos valores morais sob pena de continuarmos a fabricar o precioso tempo do Terceiro Milênio como um tempo de abominação da desolação.

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A IGREJA CATÓLICA É A IGREJA PRIMITIVA 
http://blog.cancaonova.com/dominusvobiscum/2008/10/11/a-igreja-catolica-e-a-igreja-primitiva/

É comum ouvirmos protestantes dizerem: “Eu sou cristão”; ou também: “Agora sou cristão”. A verdade é que a maioria dessas novas igrejas não têm mais que 50, 100 ou 200 anos de fundação. O verdadeiro e pleno Cristianismo possui mais de 2.000 anos e encontra-se precisamente na Igreja Católica, fundada por Cristo. Estudemos a Palavra de Deus para conhecer as raízes do Catolicismo no Cristianismo primitivo.

RAÍZES BÍBLICAS DO CRISTIANISMO
1. Herdeiros do Povo de Deus – Denomina-se “Cristianismo” à religião em conjunto que foi fundada por Cristo Jesus, “pedra angular de toda a sua doutrina” (1Coríntios 3, 10-11; 1Pedro 2, 4.6-8). Esta religião herdou do povo judeu a fé em um único e verdadeiro Deus (Êxodo 20, 2-3), que teve sua origem na “santa aliança” celebrada entre Javé e o patriarca Abraão (Gênesis 12, 1-2), convertendo o povo de Israel em uma “nação santa e reino de sacerdotes” (Êxodo 19, 5-6).

2. Da Antiga à Nova Aliança – No entanto, “quando se cumpriu o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher, submetido à lei de Moisés” (Gálatas 4, 4). Ele é o “grande sumo sacerdote” (Hebreus 4, 14), que estabeleceu um “novo pacto” (Hebreus 8, 6) por sua morte salvadora na cruz (Efésios 2, 16; Colossenses 1, 20), dando origem ao “verdadeiro Povo de Deus” (Gálatas 6, 16). Conseqüentemente, “já não importa ser judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, porque, unidos a Cristo Jesus, todos vocês são um só. E se são de Cristo, são descendentes de Abraão e herdeiros da promessa que Deus lhes fez” (Gálatas 3, 28-29).

3. O Cristianismo durante os Primeiros Anos – A Igreja de Cristo foi vista, pelo menos durante os seus primeiros dez anos, como uma “nova seita” saída do Judaísmo (Atos 28, 22); porém, na realidade, era um “novo caminho” (Atos 24, 14), já que estava centrada em Jesus Cristo, que é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14, 6). E os homens e mulheres que se atreviam a segui-Lo eram perseguidos, condenados à morte, capturados e encarcerados (Atos 22, 4). Não obstante, eles estavam unidos em um mesmo amor (Colossenses 3, 14), uma vida segundo os ensinamentos do “sermão da montanha”, para alcançar o “reino dos céus” (Mateus 5, 3-12).
No tocante ao termo “cristão” com que são identificados os discípulos de Cristo, começou a ser empregado na província romana de Antioquia – atual Antakya, na Turquia (Atos 11, 26). Este nome foi aceito por todos aqueles que suportavam os sofrimentos de sua fé (1Pedro 4, 16), convertendo-se assim em autênticos soldados de Cristo (2Timóteo 2, 3).

4. Meu nome é “Cristão”; meu apelido é “Católico” – O Cristianismo esteve conformado em sua alvorada histórica pelo Catolicismo, que possui Jesus como Cabeça (Colossenses 1, 18; Efésios 5, 23), ao fundar sua congregação sobre o apóstolo Pedro, a pedra (João 1, 42; Mateus 16, 16-18; Lucas 22, 32; João 21, 15-17). A palavra grega “Igreja” significa assembléia de fiéis (1Coríntios 1, 2), “católica” significa universal (Apocalipse 7, 9) e foi usada pela primeira vez por Santo Inácio de Antioquia, no início do século II de nossa Era. Ela é “a família de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, a qual é coluna e fundamento da verdade” (1Timóteo 3, 15).

5. Da Igreja de Cristo às “igrejas” e seitas – Quantas vezes nos temos perguntado, diante da grande avalanche de igrejas cristãs: “Qual delas é a verdadeira?” A esse respeito, ensinava São Cipriano no século II que: “ninguém pode ter a Deus por Pai se não tiver a Igreja Católica por Mãe”.
O cardeal John Henry Newman [ex-protestante] acrescentava que “para conhecer a história do Cristianismo, é necessário deixar de ser protestante”. Por essa razão, nós católicos afirmamos que a nossa religião não foi fundada por nenhum homem, como ocorreu com todas as demais denominações cristãs, que muitas vezes, como “lobos devoradores”, querem destruir a Igreja (Atos 20, 29-30). Ao contrário, [a Igreja Católica] tem suas origens em Jesus Cristo, que é a “rocha firme” (Mateus 7, 24-25) e, portanto, ninguém pode construir sobre outro fundamento (1Coríntios 3, 9-11). A existência da Igreja Católica e seu impacto têm sido muito profundos: nos referimos a uma instituição que sobrevive há mais tempo que qualquer império na História da civilização. Ela já dura três vezes mais que o Império Romano e duas vezes mais que a dinastia na China.

6. Uma Igreja Visível – A Igreja Católica é vista teologicamente como o “corpo místico” de Cristo (Efésios 1, 23), sem “mancha nem pecado” (Efésios 5, 27), como “a esposa do Cordeiro” (Apocalipse 21, 9; 22, 17), a quem o Senhor não deixa de cuidar (Efésios 5, 29). A Sua intenção era que existisse “um só rebanho e um só Pastor” (João 10, 16), sendo Ele “o grande pastor das ovelhas” (Hebreus 13, 20), chamado “o Bom Pastor” (João 10, 11), que vela permanentemente por elas (1Pedro 2, 25). Para cumprir esta santa tarefa, o Filho de Deus elegeu doze Apóstolos (=enviados) (Mateus 10, 2-4; João 20, 21), dando-lhes plena autoridade para governar a sua Igreja, encabeçada pelo apóstolo Pedro (Mateus 16, 19; 18, 18; 19, 28; Efésios 2, 20), com cinco grandes missões:
[1] pregar o Evangelho (Mateus 28, 20) e orar;
[2] batizar (Mateus 28, 19; Marcos 16, 15-16);
[3] celebrar a Eucaristia (Lucas 22, 19);
[4] perdoar os pecados (João 20, 23; Lucas 24, 47);
[5] e realizar sinais milagrosos em seu nome (Mateus 10, 1; Marcos 16, 17-18), como Pedro curou com a sua sombra (Atos 5,15) e Paulo com sua roupa (Atos 19, 11-12).
Do mesmo modo, o Santo de Deus, antes de regressar ao céu, prometeu enviar aos seus amigos a ajuda do Espírito Santo, para que lhes recordasse tudo o que Ele havia lhes dito (João 14, 26; 16, 13), tornando-se visivelmente presente na festa de Pentecostes (Atos 2, 1-4.33) e muitas outras vezes com a colaboração dos anjos do céu (Atos 5, 17-20; 8, 26; 10, 3-8.22; 12, 7-11; 27, 23-24).

7. Uma Igreja com Hierarquia – Os Apóstolos, conforme iam expandindo a “Boa Nova” nos templos e nas casas (Atos 5, 42), nomearam, por sua vez, bispos (pastores), presbíteros (anciãos) e diáconos (servidores), por intermédio da oração, do jejum e da imposição das mãos (Atos 13, 3; 14, 23; 1Timóteo 4, 14; 2Timóteo 1, 6), rito sagrado esse que foi mantido até os nossos dias pela hierarquia eclesiástica católica. Prova disso foi a escolha de Matias pelos onze Apóstolos, para que viesse a ocupar o lugar de Judas (Atos 1, 15-26); e também as nomeações de novos bispos promovidas por Paulo (como Tito em Creta e Timóteo em Éfeso), e Barnabé na Ásia Menor, para que cuidassem da “Igreja” ou do “Rebanho” de Deus (Atos 20, 28; Hebreus 13, 7.17) e se dedicassem a “pregar e ensinar” (1Timóteo 5, 17). A esses novos bispos foi transmitido o legado de ordenar presbíteros (Tito 1, 5), que davam a conhecer a sã doutrina (1Coríntios 4, 1; 2Timóteo 2, 2; Tito 1, 9) e curavam os doentes por meio da oração e da imposição do óleo (Tiago 5, 14; Marcos 6, 13). Também por solicitude dos Apóstolos, a comunidade de Jerusalém nomeou sete diáconos que se encarregaram do cuidado material dos fiéis (Atos 6, 2-6). Um deles, Estêvão, foi o primeiro mártir (=testemunha) do Cristianismo (Atos 7, 59-60). Entre os Apóstolos, profetas, pastores e mestres haviam diferentes dons e qualidades (Atos 13, 1; Romanos 12, 6-8; 1Coríntios 12, 27-31; Efésios 4, 11).
Tamanho foi o êxito, que em pouco tempo “as igrejas se afirmavam na fé e o número de crentes aumentava a cada dia” (Atos 16, 5; 9,31), possuindo como dirigentes, em cada lugar, os Apóstolos, bispos e diáconos (Atos 15, 4; Filipenses 1, 1); todos eles com os fiéis em geral conformavam as “igrejas de Deus” (2Tessalonicenses 1, 4), chamadas também de “igrejas de Cristo” (Romanos 16, 16), “povo santo” (Atos 9, 13) ou “povo de Deus” (Apocalipse 5, 8; 8, 3; 19, 8), “casa de Deus” (Hebreus 3, 6) ou “família de Deus” (Efésios 2,19). Do mesmo modo, os príncipes dos Apóstolos, Pedro e Paulo, com suas cartas pastorais manifestavam como deveria ser a vida exemplar e reta dos bispos (1Pedro 5, 1-4; 1Timóteo 3, 1-7; 4, 17), presbíteros (Tito 1, 6-9), diáconos (1Timóteo 3, 8-13) e de todos os fiéis cristãos (Romanos 12, 9-21; 13, 1-14; 14, 1-23; 15, 1-6).
Particularmente é conhecida uma carta de Santo Inácio de Antioquia, redigida nos primeiros anos do século II, em que diz que cada comunidade de crentes contava com um único bispo, assistido pelos presbíteros e diáconos. Conservam-se também as listas dos bispos católicos das principais igrejas: Roma, Jerusalém, Antioquia, Alexandria, todas as quais remontam aos próprios Apóstolos.

8. A Igreja Cristã foi Perseguida: Todos os Fiéis eram Católicos. Todos! – Por outro lado, à medida que se cumpriam as palavras do Apóstolo dos Gentios, que assinalavam Cristo como “o salvador da Igreja” (Efésios 5, 23), o diabo, como “leão rugente”, provocava perseguições aos crentes em todo o mundo (1Pedro 5, 8-9). O próprio Mestre Divino já assim havia profetizado (João 15, 20). Os primeiros cristãos suportavam com grande paciência diversas penas (2Coríntios 6, 4-5), convertendo-se em verdadeiras “testemunhas de Jesus” (Apocalipse 17, 6), para estar com Ele em sua glória (Romanos 8, 17).
Neste ponto, nossa Igreja é a que ofereceu mais mártires no Cristianismo: estima-se que, em vinte séculos, foram 40 milhões entre papas, bispos, sacerdotes, religiosos, monges, missionários, catequistas, neocatecúmenos, seculares, meninos e meninas. Apenas no século XX, 27 milhões morreram em razão de sua fé em perseguições religiosas promovidas na Espanha, no México, na Alemanha nazista, na ex-União Soviética, na China comunista, nas guerras civis de alguns países da África etc. Eles são “os que lavaram suas roupas e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7, 14), estão “vestidos de branco e portando folhas de palma em suas mãos” (Apocalipse 7, 9). Por isso, Santo Agostinho dizia que “a Igreja Católica segue peregrinando entre as perseguições dos homens e os consolos de Deus”.
Se vieres a fazer uma pesquisa em qualquer biblioteca sobre as perseguições promovidas no Império Romano para verificar quem foi martirizado, encontrarás os nomes dos grandes mártires católicos, os quais ainda hoje recordamos e amamos como santos, por terem dado as suas vidas pelo Evangelho. Inclusive quando atualmente festejamos o Dia dos Namorados, que trata do amor e da amizade, isto encontra-se em estreita relação com São Valentino, um mártir católico do início do século IV. TODOS ELES ERAM CATÓLICOS E ANTERIORES À LIBERDADE DE CULTO AUTORIZADA POR CONSTANTINO.
O Cristianismo primitivo é o Catolicismo (se algum leitor discordar ou não crer nisto, pedimos para que investigue e nos envie um único nome de qualquer mártir dos primeiros séculos que tenha sido protestante ou evangélico. Embora nunca nos tenham enviado nada – pois jamais existiu – o autor continua aguardando com paciência).

9. A Igreja Católica expandiu o Cristianismo para todo o Mundo – Esta tarefa evangelizadora que se cumpre desde a ordem emanada pelo próprio Senhor Jesus, de dar a conhecer sua mensagem até os confins da terra (Atos 1, 8), é testemunhada na História com a conversão do grande Império dos Césares, a partir de Constantino no século IV. Posteriormente, missionários e monges católicos fizeram o mesmo com as tribos bárbaras dos godos, vikings, francos, germanos entre outras. A partir do século XVI o Catolicismo se estendeu pela América, Índia, China, Japão e África, graças à pregação de valentes sacerdotes e religiosos franciscanos, dominicanos, jesuítas, mercedários e agostinianos. Igualmente, outro sinal distintivo foi a atenção dada aos órfãos e viúvas (Tiago 1, 27); nas igrejas, aos domingos, era recolhida uma oferta voluntária para tal fim (1Coríntios 16, 1-2). Esta característica bíblica continua presente na Igreja Católica de nossos dias, responsável por uma imensa quantidade de hospitais, dispensários, leprosários, centros de saúde, asilos, orfanatos, creches, escolas, oficinas de capacitação, restaurantes populares para adultos e crianças, bancos de alimentação para pobres, centros de reabilitação para dependentes químicos em geral, aidéticos, entre outros. Obedece assim ao mandamento do apóstolo Tiago: “a fé sem obras é morta” (Tiago 2, 14-18).
Hoje em dia é comum ouvirmos muitos grupos afirmarem que eles são a verdadeira Igreja de Cristo, portadores do verdadeiro Cristianismo; porém, a pergunta é bem simples: se eles são os verdadeiros cristãos, POR QUE NENHUM DELES VIERAM ORIGINARIAMENTE EVANGELIZAR A AMÉRICA E OUTROS CONTINENTES?
A resposta é rápida: NÃO VIERAM PORQUE NÃO EXISTIAM.

10. A Igreja de Cristo: a Católica, desde o Princípio tem um Rosto Divino e Humano – Devemos reconhecer a Igreja de Cristo em sua parte humana, que cumpre a parábola do “joio entre o trigo” (Mateus 13, 24-30) através dos tempos. De fato, o papa João Paulo II declarou humildemente que no Catolicismo tem existido “luzes e sombras”. No entanto, o poder do inferno nunca poderá vencê-la (Mateus 16, 18), pois o Messias sempre estará com os seus (Mateus 28, 20; 1Coríntios 5, 4), segundo ainda a sentença do mestre da Lei, Gamaliel (Atos 5, 38-39), já que existe uma íntima união entre Deus, a Igreja e Cristo Jesus “por todos os séculos, agora e para sempre” (Efésios 3, 21).
Que Deus continue te abençoando e dai graças a Deus se fores católico. Luta para ter uma relação pessoal com Jesus Cristo e testemunha com a tua vida que Ele está vivo. Se não sois católico e desejas ser 100% cristão, saiba que as portas da Igreja Católica estão abertas para ti. Te aguardamos!

Autor do Texto: Guido Rojas
Tradução: Carlos Martins Nabeto
Fonte original: http://www.defiendetufe.org
Fonte em Português: http://www.veritatis.com.br/article/4163

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RELIGIOSIDADE ESCLARECIDA
Côn. Vidigal / Mariana (MG), 28/10/2005
Em nossos dias, infelizmente, muitos católicos se deixam levar por uma série de superstições, influenciados pelos meios de comunicação social, inclusive pelas perniciosas novelas. O descontrole psicológico, a falta de dinheiro e outros fatores, aliados a uma profunda ignorância religiosa fazem pessoas ir às cartomantes, aos terreiros de macumba, aos benzedores. Alguns gastam até somas vultosas na busca da sorte e só aumentam as desgraças. Adite-se que idéias negativas passam a povoar a mente daqueles que se entregam a práticas que só contribuem para fazer crescer a insegurança interior. Nunca é racional alimentar preconceitos e presságios infundados hauridos de circunstâncias fortuitas.
É preciso obedecer aos preceitos bíblicos. Está claramente no Livro do Deuteronômio: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações. Serás inteiramente do Senhor, teu Deus” (Dt 18, 10-13).
Adivinhação pela invocação dos espíritos é abertamente condenada no Livro Santo. A Lei proíbe de maneira veemente a necromancia. Esta era praticada em Israel (2Rs 21, 6; Is 8, 19), não obstante vetada por Deus (Lv 19, 31; 20, 6. 27; Dt 18, 11; 1Sm 28, 9). No caso de Saul, Deus permitiu a manifestação da alma de Samuel, donde o espanto da mulher (1Sm 28, 9. 1Sm 27, 3.7.8.12.15.17), mas lemos no livro do Eclesiástico: “Depois disso Samuel morreu e apareceu ao rei (Saul) e predisse-lhe o fim de sua vida” (Ecl 46, 23).
Os católicos devem, também, tomar cuidado para não transformarem objetos religiosos em amuletos. Uma atitude é trazer, por exemplo, a Medalha Milagrosa como sinal da proteção da Mãe de Jesus, outra é pensar que tal fato em si vai ocasionar boa sorte. Trata-se de posicionamento que pode até alienar e conduzir a não se tomar os cuidados necessários para o progresso na vida e a prudência em todas as ações. As imagens dos santos devem ser, sobretudo, um lembrete de como aquele discípulo de Jesus viveu sua doutrina e tanto se santificou no serviço do próximo e um convite da procura da santidade pessoal.
Cumpre não penetrar no terreno mágico-religioso, prestando-se um culto indevido a Deus ou uma veneração imprópria aos santos. Aí se incluem as vãs promessas, transformando-se o momento sagrado da oração num comércio espúrio entre a terra e o céu.
Jesus recomendou a oração: “Pedi e recebereis, buscai e achareis” (Mt 7, 7) e na Bíblia vemos o poder de intercessão dos justos diante de Deus, como aconteceu com Jó, Moisés e tantos outros personagens tementes a Deus. Cumpre ao cristão se colocar em condições para receber os dons celestes, purificando-se de suas faltas e dispondo-se a cumprir fielmente com seus deveres de estado e a respeitar integralmente os mandamentos divinos. Há de se ter em conta também que, muitas vezes, Deus que é infinitamente sábio e bom ao invés de dar determinado favor que não seria útil a quem o suplica para si ou para os outros, entretanto dará graça muito maior condizente à salvação própria e alheia.
Não basta implorar a Santa Edwiges para que ela ajude a pagar as dívidas, se o fiel não se dispõe a não gastar no futuro menos do que tem. Cumpre pedir emprego, mas cada um tem que se habilitar num esforço persistente para ser um profissional competente. Enfim, é necessário, realmente, abolir qualquer tipo de anemia espiritual ou crendice. É um absurdo, por exemplo, como está em certas estampas de alguns santos populares que se faça a promessa de imprimir um milheiro daquelas preces caso a graça seja obtida. Verifica-se um comércio condenável, pois o que a gráfica quer é lucrar com a boa fé daqueles que se deixam engodar com tais insinuações.
É louvável que se traga respeitosamente consigo o crucifixo, mas muito melhor é ter Cristo fixo no coração, nas palavras, nas obras.
É preciso que se afastem as observâncias vãs na vida diária para que se pratique um cristianismo esclarecido que leve, de fato, à vivência plena do Evangelho e à imitação constante das virtudes de Maria, dos santos e dos anjos obedientes a Deus.

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REFRIGÉRIO NAS AGRURAS
Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba, MG, 05/10/2010

Com muita razão o cristianismo foi considerado uma religião que derrubou mitos dos povos antigos. Nada estranho que alguns escritores o tenham acusado de ‘ateísmo”. Tudo o que os pagãos achavam “bonito”, “confortador”, mas não era verdadeiro, os cristãos desmitizaram. Assim, achar que uma determinada fonte de água, estava cercada de mistério e de   força oculta, a ponto de chamá-la “água santa”, foi abertamente desmentido pelos seguidores de Cristo. Para eles só havia um ser verdadeiramente santo na natureza: era o homem, criado à imagem e semelhança de Deus. Então, acreditar nas histórias fantasiosas dos deuses, era incompatível com a verdade.”Não seguimos fábulas habilmente inventadas”  (2Pd 1, 16). Para as crianças nós continuamos, nos dias atuais, a contar histórias de fadas, cheias de mentirinhas inocentes. Até as criancinhas sabem que essas histórias não são reais. Mas a humanidade persiste em contá-las porque ensinam que o mal é punido e o bem triunfa sobre o mal. Até aí concordamos, e dizemos com os italianos: meno male.
Mas algumas histórias mirabolantes das novelas, exibidas hoje em dia na televisão, são um “aggiornamento” de mitos, não tão inocentes. Outrora eram afagados pelos pagãos. São os adultos contando estórias confortadoras, como se verdades fossem. Falam de aparições de pessoas falecidas, de consultas aos mortos, e quejandos. Uma vez que Deus não nos revela como estão os falecidos (eles estão em outra dimensão), então tentamos enganar o Poderoso, invocando (por fora), seus espíritos. Esse é um ato particularmente detestado pelas Escrituras Sagradas, por serem um ato de magia. Os atos mágicos representam uma vontade de possuir forças secretas para superar a dureza da vida. Essas consultas podem trazer um conforto para os familiares, mas são irreais. Jesus era um homem absolutamente realista, sem fantasias, e nada visionário. Ele nos chamou à realidade da vida, e nos convocou para a coragem. Quis incutir em nós uma  esperança sem desfalecimento. Ele ainda hoje diz a todos os sofredores: “Coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). O nosso caminho é esse.

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