Santos e Santas do Céu e da terra

SÃO FELIPE NÉRI (1515-1595)

Felipe nasceu em Florença, na Itália, em 1515. Jovem ainda, foi morar com um tio negociante, que colocou diante de seus olhos a proposta de assumir os empreendimentos, mas acolheu as proposta do Senhor que eram bem outras.

Ao ir para Roma estudou Filosofia e Teologia, sem pensar no sacerdócio. Homem de caridade vendeu sua biblioteca e deu tudo aos pobres; visitava as catacumbas tinha devoção aos mártires e tudo fazia para ganhar os jovens para Deus, já que era afável, modesto e alegre, por isso fundou ainda como leigo, a irmandade da Santíssima Trindade.

São Felipe Néri que muito acolhia em Roma peregrinos, foi dócil em acolher o chamado ao sacerdócio que despertou-o para as missões nas Índias, porém seu bispo lhe esclareceu que sua Índia era Roma.

Felipe Néri para ajudar os necessitados pedia esmolas nas estradas. Um dia, um indivíduo sentindo-se importunado, deu-lhe um soco. Felipe disse: “Este é para mim, agora dê-me algum dinheiro para os meus meninos”.

Como santo da jovialidade, simplicidade infantil e confiança na Divina Providência, Felipe fundou a Congregação do Oratório; foi vítima de calúnias; esquivou-se de ser cardeal, mas não da salvação das almas e do seu lema: “Pecados e melancolia estejam longe de minha casa”. Felipe Néri tornou-se conhecido como o “santo da alegria”, pois encantou a Igreja com seu jeito criativo, alegre e otimista de viver o Evangelho. Felipe Néri faleceu em 1595, com 80 anos.

PENSAMENTOS DE SÃO FELIPE NÉRI

“Guarde-se o moço da luxúria e o velho da avareza: e ambos serão Santos”.

“Os que desejam avançar no caminho de Deus, sujeitem-se a um sábio confessor e obedeçam-lhe como a Deus”.

“Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco”.

“Quanto de amor pomos nas criaturas, tanto tiramos de Deus”.

“Não tardes em bem obrar; porque a morte não tarda em vir”.

“A tentação revelada ao diretor espiritual já é vencida pela metade”.

“Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer por amor de Cristo”.

“Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus”.

“Neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é um inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam o paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno”.

“É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições”.

“Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmos nem tempo nem espaço”.

“A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio, para se conservar a pureza”.

“Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia”.

“Com a oração pedimos mais graças a Deus; mas na Santa Missa obrigamos a Deus a no-las dar”.

“Então, caro amigos, quando é que começaremos a amar a Deus?”

 

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO (1696-1787)

Afonso de Ligório nasceu em 1696 em Nápoles, na Itália. Com 12 anos ingressou na Faculdade de Direito. Com 16 anos recebe a toga. Afonso foi um advogado exemplar, nunca perdeu uma causa.

Em 1723, depois de 10 anos de advocacia acontece a “grande conversão” de Afonso. Num processo fraudulento e iníquo Afonso é vencido, perde a causa. Afonso sai do tribunal e diz-se a si mesmo: “Mundo, agora te conheço… Tribunais, adeus!”. Em seguida entra no seminário. Santo Afonso Maria de Ligório colocou todos os seus dons a serviço do Reino dos Céus, por isso, como sacerdote, desenvolveu várias missões entre os mendigos da periferia de Nápoles e camponeses; isto até contagiar vários e fundar a Congregação do Santíssimo Redentor, ou Redentoristas. Depois de percorrer várias cidades e vilas do sul da Itália, convertendo pecadores, reformando costumes e santificando as famílias, Santo Afonso de Ligório, com 60 anos, foi eleito bispo e assim pastoreou com prudência e santidade o povo de Deus, mesmo com a realidade de ter perdido a amizade do Papa e sido expulso de sua fundação.

Afonso escreveu muitos livros famosos da literatura católica: “Prática do Amor a Jesus Cristo”, “As Glórias de Maria”, “Visitas ao Santíssimo Sacramento”, sua grande obra teológica “Teologia Moral”, e muitas outras obras cheia de sabedoria e santidade. Santo Afonso morreu em 1787 com 90 anos de idade. Santo Afonso é Doutor da Igreja e patrono dos confessores e moralistas.

PENSAMENTOS DE SANTO AFONSO

“Toda a nossa perfeição consiste em amar o nosso Deus amabilíssimo, e toda essa perfeição no amor a Deus está na união da nossa vontade à sua santíssima vontade”

“Se queremos luz, Ele veio para iluminar-nos. Se necessitamos força, Ele veio para fortalecer-nos. Se buscamos perdão, Ele veio precisamente reconciliar-nos. Se queremos amor, Ele veio inflamar-nos. E para presentear-nos esses dons, apresentou-se a nós como humildade e como ternura, para mostrar-se mais amável, afastar todo temor, e conquistar para si nosso amor”

“Jesus quis nascer pequenino não só para ganhar de nós essa forma de amizade a que chamamos estima, mas também um amor de ternura”

“Quando te sentires triste, invoca Jesus, e ele te confortará. Se a maldade te arrasta, chama-o e ele virá em tua ajuda. Se te encontras apático na fé, conta-lhe e ele te devolverá o fervor. Se te ataca a desconfiança, seu nome te dará esperança. E se desejas terminar a vida com a graça de seu nome nos lábios, acostuma-te a pronuncia-lo desde agora”

“O amor sempre tende para a união. Por isso Cristo quis que o recebêssemos como alimento (na Eucaristia), pois as pessoas que mais intensamente se amam desejam estar juntas até fundir-se em uma só”

“Tão necessária para a vida do espírito como a oração é a leitura espiritual, por que ela nos enche de bons sentimentos e nos introduz no diálogo com Deus”

“Quereis o amor? Pedi-o”

“O Senhor é pródigo em distribuir seus dons, mas sobretudo é pródigo em dar o amor a quem o procura, por que este amor é o que Ele, mais do que tudo, exige de nós”

“Toda a santidade e toda a perfeição de uma pessoa consiste em amar a Jesus Cristo, nosso maior bem, nosso Salvador”

“Todas as coisas deste mundo acabam, os prazeres e os sofrimentos; mas a eternidade nunca tem fim”

“Feliz de quem pode dizer de coração: Jesus, eu quero só a vós e nada mais”

“Perdido Deus, tudo está perdido”

“Só o pecado se deve temer”

“Quem nada deseja neste mundo, é senhor do mundo inteiro”

“Senhor, fazei-me conhecer o que desejais de mim, pois eu quero fazer tudo”

“Ama a Jesus Cristo de todo coração quem lhe diz de verdade, como disse São Paulo: ‘Senhor, que quereis que eu faça?'”

“Estejamos certos de que, querendo o que Deus quer, estamos querendo o nosso maior bem”

“É coisa certa, Deus não quer senão o que é melhor para nós”

“Eis, em resumo, onde está toda a santidade: ‘Senhor, que quereis que eu faça?'”

“É preciso amar a Deus como ele quer, e não como nós queremos”

“Muitas pessoas desejam chegar à união com Deus, mas não querem as dificuldades que Deus permite”

“Quem deseja que Deus seja todo seu, deve dar-se totalmente a Ele”

“É um grande erro dizer como alguns dizem: Deus não quer que todos sejam santos. São Paulo ensina: ‘Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação'”

“Deus quer todos santos, cada um no seu estado de vida: o religioso como religioso, o leigo como leigo, o sacerdote como sacerdote, o casado como casado, o negociante como negociante, o soldado como soldado, e assim em todos os estados de vida”

“Jesus Cristo, sendo Deus, merece todo o nosso amor. Ele nos amou de tal modo que nos colocou, por assim dizer, na necessidade de amá-lo ao menos por gratidão por tudo que fez e padeceu por nós. Muito nos amou para muito ser amado por nós”

“Pela culpa estávamos mortos para a vida da graça, e com sua morte Jesus devolveu-nos à vida. Éramos miseráveis, disformes e abomináveis; mas Deus, por meio de Jesus, tornou-se agradáveis e queridos a seus divinos olhos… O Eterno Pai, dando-nos Jesus Cristo, cumulou-nos de todos os dons, não desta terra, mas espirituais e da alma.”

“Eis qual deve ser o único fim de todos os nossos pensamentos, ações, desejos e orações: dar-vos gosto, Senhor! Eis nossa única via para a perfeição: seguir vossa vontade”

“Após a graça do batismo e de uma boa morte, não há graça maior que a de um bom retiro”

“No mundo há ao mesmo tempo muitos padres e poucos padres; há muitos de nome, mas poucos em realidade. O mundo está cheio de padres, mas há poucos que procuram verdadeiramente sê-lo por seu trabalho, isto é, que cumprem o dever e as obrigações de um padre para salvar as almas”

“Será que Deus, talvez, não mereça todo nosso amor? Ele nos amou desde a eternidade. Óh meu filho, nos diz, eu te amei com um amor eterno. Pensa que fui o primeiro a te amar. Tu não eras ainda deste mundo, o próprio mundo não existia, e eu já te amava. Desde que sou Deus, eu te amo; desde que me amei, eu te amei também”

“Ao ler os êxtases e os arroubos de uma Santa Teresa de Ávila, de um São Felipe Neri, de outros santos ainda, certas almas de oração se põem a desejar estas comunicações sobrenaturais. Tais desejos devem ser afastados, porque são contrários à humildade. Se queremos tornar-nos santos, devemos aspirar à união verdadeira com Deus, isto é, à união total de nossa vontade com a de Deus”

“Deus quer que sejamos todos salvos; a condenação eterna é reservada aos obstinados e só a eles”

“Jesus Cristo, só por ser Deus, merece todo nosso amor. Mas, pelo amor de que nos deu prova, quis pôr-nos numa espécie de necessidade de amá-lo, ao menos por gratidão por tantos benefícios e sofrimentos. Ele nos amou muito para que muito o amemos”

“O Verbo eterno de Deus se fez homem; de grande se fez pequeno; de senhor, escravo; de inocente, culpável; de poderoso, fraco; de todo para si, todo para todos; de bem-aventurado, sofredor; de rico, pobre; de altíssimo, humilhado”

“Que se faz diante do Santo Sacramento? Perguntai antes o que não se faz. Ama-se, louva-se, agradece-se, implora-se. Que faz o pobre junto do rico? O doente junto ao médico? O homem sedento diante de uma fonte límpida? O faminto diante de uma mesa lautamente posta?””As orações dos santos são como redomas de ouro, cheias de suave perfume e muito agradáveis a Deus”.

“As almas fortes e desejosas de Deus não lhe pedem senão luz para discernir a sua vontade e força para a cumprir perfeitamente”.

“Quem reza se salva, quem não reza se condena. Todos os santos se salvaram e se santificaram pela oração”

“Não se chega a Deus, senão por Jesus Cristo, e não se chega a Jesus Cristo senão por meio de Maria”.

“A oração é o grande meio para alcançarmos de Deus a salvação e todas as graças que desejamos”

“Devemos rezar para saber o que Deus quer de nós e lhe pedir sua ajuda para cumprir a sua vontade”

“Quanto maior é o amor de alguém a Jesus Cristo, tanto mais firme e viva é a sua fé”

“Sem oração não há vitória”

“A caridade é aquele tesouro infinito que nos faz amigos de Deus”.

“Da oração depende a nossa mudança de vida, o vencer das tentações; dela depende conseguirmos o amor de Deus, a perfeição, a perseverança e a salvação eterna”

“Em vão se esforça o homem em se fazer santo, se Deus não o amparar com o seu poder”.

“Pela oração podemos desarmar todas as ciladas do demônio”.

“É no sofrer e no abraçar com alegria as coisas desagradáveis e contrárias ao nosso amor próprio que se conhece quem ama de verdade a Jesus Cristo”.

“Os santos consideram como presentes as doenças e dores que Deus lhes manda”.

“O verdadeiro amor consiste em nos conformarmos em tudo, com a vontade de Deus, em renunciar a nós mesmos e em preferir o que mais agrada a Deus, somente por que Ele o merece”.

“Fazer o que Deus quer e querer o que Deus faz”.

“Desde que foi feita Mãe de Deus, Maria adquiriu uma certa jurisdição sobre todas as graças que nos são dispensadas”.

“Se estivermos unidos à vontade divina em todas as tribulações, é certo, vamos nos tornar santos e seremos os mais felizes do mundo”.

“Não se preocupe em fazer muitas coisas, mas procura realizar perfeitamente aquilo que ache ser da vontade de Deus”.

“Não podemos ter maior garantia de agradarmos a Deus, do que aceitando de boa vontade as cruzes mandadas por Ele”.

“Todos os sofrimentos vêm das mãos de Deus, diretamente ou indiretamente através dos homens”.

“No céu, a alma, vendo a Deus, não pode deixar de amá-lo com todas as suas forças”.”O amor é como um laço de ouro que une os corações de quem ama e de quem é amado”.

“Quem não tem Deus, não tem nada; quem tem Deus, tem tudo”.

“Deus não criou os homens para o inferno onde o odeiam, mas para o céu onde o amam”.

“O Senhor quer mais o nosso proveito do que a nossa satisfação”.

“Eu desejaria que todos os pregadores nada recomendassem tanto aos seus ouvintes como a oração”.

“Devemos rezar para saber o que Deus quer de nós e lhe pedir sua ajuda para cumprir a sua vontade”.

“Quem quer ser santo, não precisa fazer uma promessa, mas deve procurar cada dia dar alguns passos no caminho da santificação”.

“Não se pode fazer nada mais agradável a Jesus Cristo do que recebê-lo muitas vezes na Eucaristia”.

“É Deus quem dá as graças, mas é pelas mãos de Maria que Ele as dá”.

“Quem ama Jesus Cristo de coração, nunca está de mau humor”.

“Não se chega a Deus, senão por Jesus Cristo, e não se chega a Jesus Cristo senão por meio de Maria”.

“Deus quer que passe pelas mãos de Maria todas as graças que nos dispensa”.

“As orações de Maria são mais poderosas diante de Deus, do que as de todo paraíso”.

“Por mais carregado que esteja a alma de pecados, Deus não pode desprezar um coração que se humilha”

“Quando Deus não nos atende é para o nosso maior bem”

“Quanto maior é o amor de alguém a Jesus Cristo, tanto mais firme e viva é a sua fé”

“‘Pobres de espírito’ quer dizer: não só são pobres das coisas da terra, mas também não as cobiçam”

“É nos sofrer e no abraçar com alegria as coisas desagradáveis e contrárias ao nosso amor próprio que se conhece quem ama de verdade a Jesus Cristo”.

“Para sofrer com paciência todas as dores, todos os desprezos e todas as contrariedades, requer-se a oração mais do que qualquer consideração”.

“Quisera ser como a abelha que pousa na flor de cada livro, até tirar dele todo proveito. Quero que a leitura me abra sempre à oração e quero dizer-te sempre: ‘Fala, Senhor, que teu servo escuta’.”

“O povo cristão olha-me como ministro de sua reconciliação com Deus: devo guardar-me sempre amante de Deus e na sua amizade.”

“Não basta fazer boas obras, é preciso fazê-las bem.”

“Fortes na fé, alegres na esperança, fervorosos na caridade, inflamados no zelo, humildes e sempre dados à oração.”

“Dá-me, Senhor, a graça de te amar com todo o meu ser.”

“Eis-me aqui, Senhor! Muito tempo resisti à vossa graça. Fazei de mim o que vos aprouver.”

“Quem ama a Deus encontrará alegria em tudo, quem não ama a Deus não encontrará alegria em nada.”

“Toda Santidade consiste em amar a Deus e todo o amor a Deus consiste em fazer a sua vontade.”

“Tu, Senhor, és o tesouro de todo pobre… ”

“É preciso deixar tudo para ganhar tudo. ”

“Bem sei, Deus meu, que só tu satisfazes as ânsias de meu coração, por isso meu desejo é agradar-te. Meu afã e minha alegria estão em conformar minha vontade com a tua. Que maior dignidade posso ansiar que identificar-me inteiramente com o que te agrada? Renuncio a tudo contanto que me aceites consagrado a teu amor. Essa será minha paz e minha alegria”.

 

SÃO PAULO DA CRUZ (1694-1775)

São Paulo da Cruz, apóstolo do Crucificado, foi um grande místico e diretor de almas. Seu magistério espiritual é valido ainda hoje porque baseado na insondável sabedoria da Cruz.

Paulo Danei Massari nasceu em Ovada, Itália, em 3 de Janeiro de 1694. Grande valente foi São Paulo da Cruz. Nasceu de piedosos pais, que muito educaram o filho no cristianismo. Quando jovem de oração e contemplativo, fez uma aliança com colegas, a fim de meditarem a paixão e morte de Jesus.

De início, trabalhou com o pai e não sentia o chamado ao sacerdócio, mas, ao apostolado. Assim, partilhou com um Bispo, o impulso de propagar a devoção à Paixão e morte Daquele que morreu por amor à humanidade e salvação de cada um.

Enviado pelo Bispo, tronou-se instrumento de conversão para milhares, até que o Bispo ordenou-o sacerdote e mais tarde, o papa deu a licença para aceitar candidatos em seu noviciado.

Nasceu desta maneira, a congregação dos padres Passionistas, com a finalidade de firmar nos corações dos fiéis um grande amor à Paixão e morte de Nosso Senhor, através das missões populares.

Profundo devoto da sagrada paixão, o fundador São Paulo da Cruz desde que começou o apostolado sozinho não abandonou o hábito preto, a cruz branca e as duras penitências, como se alimentar de pão e água e dormir no chão. Depois de muito evangelizar e alcançar milagres para o povo, associou-se à cruz e à Nossa Senhora das Dores, para entrar como vitorioso no céu em 1775, quando tinha 81 anos de idade.

PENSAMENTOS DE SÃO PAULO DA CRUZ

“A alegria está no interior e não na agitação externa”.

“Oração de 24 horas diárias, isto é, fazei todas as ações com o coração e a mente elevados a Deus”

“Recomendo muito a oração para o cristão, não longa, mas segundo o permite o estado de vida”

“É melhor dizer bem poucas orações, do que muitas e com pouca devoção”

“Para fazer bem a oração e tirar fruto é necessária a divina presença”

“Não é necessário filosofar nem refletir sobre si mesmos, mas sim, agir com simplicidade”.

“Aceitar o trabalho não como necessidade humana, mas como dádiva do Criador, faz-nos chegar mais brevemente à perfeição”.

“Toda a santidade resume-se nestas palavras: Pai meu, faça-se a vossa vontade”.

“As obras importantes devem nascer da oração”.

“Eis as fontes da caridade fraterna: a Paixão de Jesus e a Comunhão”.

“Se não pode fazer muita oração devido o trabalho, procure cumpri-lo bem e com pureza de intenção”.

“A salvação eterna esta nas mãos do Pai Celeste, não em nossas mãos, por isso, nada há que temer”.

“A nobreza das pessoas não deve impedir-nos de avisá-las com caridade e discrição”.

“Reflita bem antes de agir, assim tudo sairá melhor”.

“O mérito e a perfeição consistem em carregar a cruz que Deus quer e não a que nós queremos”.

“Nunca me sinto contente como quando penso no presente ou tocado de sofrimento, então digo: Quero amar a Deus nesse momento como se fosse o ultimo de minha vida, com alegria, sem pensar no futuro”.

“A Paixão de Jesus Cristo é a porta que dá acesso as pastagens deliciosas do espírito”.

“Caminhai na fé. Muito me agradam as almas que caminham em pura fé e vivem abandonadas nas mãos de Deus”.

“Não nos assustem as dificuldades, as faltas diárias e fraquezas, porque elas são o trono da misericórdia divina”.

“Meditai com freqüência nas dores da divina Mãe, Maria. Elas são inseparáveis das de seu divino Filho”.

“Logo que se conhece a vontade de Deus deve-se acatá-la com prontidão”.

“O amor tudo ensina, pois a dolorosíssima Paixão é obra de infinito amor”.

“A fé nos diz que nosso coração é um santuário, é templo vivo de Deus. Nele reside a santíssima Trindade”.

“Que vosso coração seja tabernáculo vivo de Jesus”.

“Ficai contentes no Lado amoroso de Jesus, na paz, ainda que acabasse o mundo todo”.

“Cumpri vossos deveres, lançando com freqüência vosso espírito no mar imenso do divino amor”.

“Para fazer bem a oração e tirar fruto é necessária a divina presença”.

“Deus nos concede grande honra ao convidar-nos a percorrer o mesmo caminho de seu divino Filho”.

“É preciso manter o coração sempre tranqüilo porque o demônio pesca em água turva”.

“A alma não deve repousar no dom, mas no Doador”.

“Os dons de Deus causam: desapego de tudo, grande amor a cruz e ao sofrimento”.

“Na fronte dos pobres está escrito o nome de Jesus”.

“Olhai os pobres, trazem esculpido na fronte o nome de Jesus Cristo”.

“O verdadeiro obediente torna-se sempre mais apto para ajudar a santa Igreja”.

“A meditação da Paixão de Cristo é um bálsamo que suaviza todo o sofrimento”.

“O reino de Deus esta dentro de nos. Renovai esta verdade no estudo, no trabalho… e ao levantar”.

“O justo vive da fé, porque sua vida é Deus que ele encontra mesmo na obscuridade da fé, mas para a alma que ama torna-se mais clara que o dia”.

“A temperança e a sobriedade são como um jejum contínuo”.

“A humildade é o fundamento da fé”.

“A salvação eterna esta nas mãos do Pai Celeste, não em nossas mãos, por isso, nada há que temer”.

“Para a comunhão espiritual basta ter vivo desejo de ter Jesus Sacramentado no coração”.

“A nobreza das pessoas não deve impedir-nos de avisá-las com caridade e discrição”.

“A virtude praticada em momentos improvisos não engana”.

“Ficai preparados para a Comunhão, conservando o coração puro e guardando o silencio”.

“Socorrei os pobres; se não tiverdes meios, recomendai-os a Deus, o Pai de todas as criaturas”.

“A humildade não consiste em exterioridade (que poderia ser soberba), mas em uma atitude de coração”.

“Procurai agradar somente a Deus e deixai que os outros digam o que quiserem”.

“Passai cada dia como se fosse o ultimo de vossa vida”.

“Jamais vos faltarão cruzes e, quanto mais se progride no serviço de Deus, mais aumenta o sofrimento. Assim foi a vida de Cristo e será a dos seus servos”.

“A santidade consiste em estar totalmente unido a vontade de Deus”.

“Os desígnios do Senhor são altíssimos, profundos, mas ocultos: deixemo-nos guiar por Ele como crianças”.

“Faça freqüentes comunhões espirituais, também em casa, trabalhando, etc…”

“Reflita bem antes de agir, assim tudo sairá melhor”.

“O mérito e a perfeição consistem em carregar a cruz que Deus quer e não a que nós queremos”.

“Digam freqüentes orações jaculatórias. Em tempo de aridez ajudam a manter o recolhimento”.

“Na Paixão de Cristo não há engano. Quem se aconselha com o Crucificado jamais erra”.

“A virtude verdadeira se conhece nas ocasiões árduas”.

“O lugar não muda o espírito e não faz ninguém santo se não se aspira a santidade imitando o exemplo de Cristo”.

“Deus é amantíssimo da verdade pois Ele é a Verdade”.

“É bem ver se nosso coração deseja algo fora de Deus e se deseja alguma coisa como meio de unir-se a Ele”.

“Ter sempre em vista o exemplo de Jesus Padecente”.

“Não é a força de braços que se conquista a perfeição mas fazendo aquilo que se pode”.

“Não se adquire a virtude autentica e verdadeira senão por meio da tentação contrária”.

“Quem confia em si mesmo de não cair, já caiu por sua soberba”.

“Ame sempre mais a virtude básica que é a humildade de coração”.

“As vezes pedimos a Deus uma graça e, Ele no-la concede de modo diferente por ser mais proveitosa ao nosso bem”.

“Repetir mais vezes atos de aceitação a vontade de Deus”.

“O amor fala pouco e se expressa mais com o silencio. Uma palavra de amor basta”.

“É preciso animar e encorajar as almas e levá-las a confiar em Deus, caso contrario jamais crescerão na via da perfeição”.

“Os responsáveis pelo governo devem ser, para os súditos, modelos de virtude”.

“Aprendereis, na meditação diária da Paixão de Cristo, a caridade, a paciência e a mansidão com os outros”.

“Visitai mais vezes o SS. Sacramento e, se impedidos, visitai-o em espírito”.

“A pobreza é boa, mas a caridade é melhor”.

“Recomendo muito a oração para o cristão, não longa, mas segundo o permite o estado de vida”.

“Fazei as coisas em paz, sem pressa… Trabalhai, servi a todos, amando a Deus”.

“Quem mais cumpre o beneplácito divino é mais santo, porque fazer a vontade de Deus encerra o amor perfeito e no amor de Deus estão todas as virtudes”.

“A doença não impede a união com Deus, fá-la crescer”.

“Sede agradáveis com todos, vendo Jesus no próximo”.

“Aos pés do Crucificado aprende-se a verdadeira ciência dos santos”.

“Deus não quer que se faça o bem por constrangimento, mas por amor”.

“O serviço de Deus não requer boas palavras e bons desejos, mas obras eficazes, fervor e coragem”.

“Para receber tudo com resignação e sofrer com fortaleza, e necessária a santa oração”.

“Bom é o desejo de ser santo, mas para isso é preciso que o desejo seja seguido pelas virtudes, pedras fundamentais da santidade”.

“Nas necessidades, lançai-vos nos braços de Maria, recorrei a ela como Mãe de misericórdia com muita confiança”.

“A santa obediência da quietude e paz de consciência”.

“Devemos dar grande importância aos bons desejos, pois fazem parte do amor divino”.

“É boa a solidão do corpo, mas melhor é a da mente”.

“Se observardes, escutareis o sermão que vos fazem as flores, a vegetação e todo o criado, sentireis que vos falam do amor de Deus”.

“A caridade de muitos corações faz deles um só coração pela união em Deus e os torna dóceis, concordes e bem dispostos para conhecer a vontade divina”.

“Levar a cruz com tranqüilidade encontra-se a paz”.

“O pouco, repetido constantemente, conduz ao fim”.

“A verdadeira perfeição consiste: fazer o que Deus quer”.

“Ótima coisa é pensar na Paixão de Cristo e rezar sobre ela: assim, chega-se a união com Deus”.

“Conformar-se com os outros, praticam-se grandes atos de mortificação”.

“Deus às vezes faz-nos desejar grandes coisas, mas depois não quer a sua execução”.

“Ficai crucificados com Jesus, aproveitando as ocasiões para mortificar-vos por amor de Deus”.

“Humilde é quem teme muito de si e confia em Deus”.

“Quem se conhece e permanece no seu nada esta na verdade”.

“A Paixão do Redentor e meio eficacíssimo para destruir a inimizade e conduzir a alma a grande santidade”.

“As correções devem ser doces e breves, não importunas”.

“Ao cair em alguma falta, não vos perturbeis, pedi perdão a Deus e, com o propósito de emenda, segui alegres”.

“A paz não deve ser procurada na tranqüilidade que o amor próprio deseja”.

“A verdadeira vida apostólica consiste na ação pelas almas e na contínua oração”.

“E’ bom começar a oração pelo mistério da Paixão e depois, perder-se no mar da divindade”.

“O demônio sabe macaquear, apresentando o mal sob as aparências de bem”.

“Os defeitos são o trono da misericórdia de Deus”.

“Para viver vida feliz e santa na agitação do mundo, é preciso manter-se na divina presença”.

“A santa semente da educação cristã dos filhos produz bons frutos, porque Deus da eficácia às palavras dos pais”.

“A melancolia espiritual não traz a paz; a física, deve-se expulsa-la como o diabo”.

“Mortificação interna e externa, eis as asas que levam a Deus”.

“O mundo deve recordar a Paixão de Cristo, milagre dos milagres do amor de Deus”.

“O silêncio é a chave de ouro que guarda todas as virtudes”.

“Eis as fontes da caridade fraterna: a Paixão de Jesus e a Comunhão”.

“Meditar os mistérios da vida e morte de Jesus para seguir seus exemplos”.

“Não olhar a conduta dos outros senão para edificar-se; cuidar somente de si mesmo”.

“Trazer impressa no coração como selo de amor, a memória dos sofrimentos do Salvador”.

“E’ melhor dizer bem poucas orações, do que muitas e com pouca devoção”.

“Jamais alguém se arrependeu de ter empregado tempo para deliberar mas sim, quem agiu com precipitação”.

“E’ necessário procurar a perfeição, não ao nosso modo mas como é do agrado de Deus”.

“A mortificação interna vale mais que a externa”.

“Quem se conhece a si mesmo em profundidade, realmente è humilde de coração”.

“Quem não tem a Igreja por Mãe, não tem a Deus por Pai”.

“Supliquemos a Maria SS. que nos dê seus sentimentos, assim nos compadeceremos mais das dores de Seu Filho”.

“O Senhor fala ao coração, longe do barulho”.

“Aceitar o trabalho não como necessidade humana, mas como dádiva do Criador, faz-nos chegar mais brevemente à perfeição”.

“Trabalhar com as mãos e com o coração tratar com Deus”.

“Deixar-se penetrar pelo amor com que Jesus sofreu; mas o caminho mais breve e perder-se no mar destas penas, como disse o Profeta, “a Paixão de Jesus e um mar de amor e de dor”.

“É preciso propagar a Paixão de Cristo para que os homens aprendam a ciência do amor divino”.

“Quem é casado faça as obrigações do próprio estado com pontualidade, fique recolhido, ajude o próximo como pode, seguindo a prudência e a discrição”.

 

SANTA TERESA MARGARIDA REDI (1747-1770)

Ana Maria Redi nasceu na Itália, na cidade de Arezzo, na Toscana, da nobre família Redi, no dia 15 de julho de 1747. Seus pais foram Inácio Fernando Maria Redi e Maria Camila Bal-Lati. Tiveram 13 filhos, Ana Maria foi a segunda. Teve três irmãs religiosas e dois irmãos sacerdotes. Desde muito pequenina, Ana Maria gostava de colher flores para as oferecer a Jesus.

Na adolescência, procurava exercitar cada dia uma virtude. Na juventude, adorava rezar diante do sacrário, onde dizia palpitar não só o Amor, mas o Coração do Amor. Tinha 17 anos quando pensou ouvir uma voz que lhe dizia: «Sou Teresa de Jesus e quero-te entre as minhas filhas». Foi o seu chamamento ao Carmelo, à «Casa dos Anjos», como gostava de chamar aos conventos de carmelitas. Ana Maria Redi foi uma alma contemplativa desde menina. Freqüentemente enchia-se de entusiasmo e questionava: “diga-me, quem é esse Deus?” Ana Maria, como lírio imaculado, procurava os vales sorridentes do Carmo, onde entrou com 17 anos, no dia 1º de Setembro. No período de Postulando quis Deus conceder-lhe uma doença provocada por um tumor maligno que a fez sofrer muito. Uma vez restabelecida, iniciou o Noviciado, tomando o hábito do Carmo e mudando o seu nome pelo de Teresa Margarida do Coração de Jesus. Durante toda a sua vida viveu o lema: “Escondida com Cristo em Deus”. Mais que “Mestra” foi um contínuo e magnífico testemunho de vida espiritual. Foi Apóstola do Sagrado Coração e de Nossa Senhora do Carmo, a quem amou entranhadamente. Outro lema que lhe era muito caro, com fiel herdeira do espírito do Carmelo era “padecer e calar”. Teve uma particular experiência contemplativa, fundada na palavra do Apostolo São João: “Deus é Amor”. O mistério da Cruz e os espinhos que rodeavam o Coração de Cristo atraíam-na fazendo-a humilde, alegre e caridosa. No dizer das Irmãs, era um anjo do Céu no convento, em Florença. Viveu no amor e na imolação de si mesma e atingiu, rapidamente, a perfeição, no serviço constante e heróico de suas Irmãs. Conforme um de seus biógrafos, ela pertence a mais pura estirpe espiritual Sanjoanista. A chama obscura do amor infuso que abrasa, consume, ilumina e dirige toda a vida, fazendo-a tocar o centro da vida trinitária, de onde se abre o mais ardente apostolado contemplativo. Também foi uma grande mística que para tanto usou dois meios: uma vida de dura ascese e intensa caridade fraterna. Assimilou com perfeição os ensinamentos de Santa Margarida Maria Alacoque sobre o Sagrado Coração de Jesus e viveu-os de modo bem pessoal, até chegar à intimidade com a Santíssima Trindade. Soube cobrir com as cinzas da santa humildade seus dons naturais: nobreza, cultura e inteligência. Conservou no mais profundo silêncio as graças que recebia de Deus, dissimulando continuamente todo ato de virtude. Teresa Margarida encontrou na meditação da Paixão de Cristo e no seu Coração o segredo da sua pureza, simplicidade, amor e caridade.

No dia 4 de Março de 1770, pediu ao confessor que a ouvisse em confissão geral, pois queria, no dia seguinte, comungar tão preparada como se fosse a última vez. Assim foi, de fato; nesse dia, 5 de Março, depois de comungar fervorosamente, caiu doente. A doença degenerou em gangrena que lhe provocava dores horríveis e insuportáveis. O Crucifixo, que sempre teve nas mãos foi a sua força. Morreu dois dias depois da doença se ter declarado. Faleceu aos 23 anos, em Florença, no dia 7 de março de 1770. Expirou com a cabeça inclinada e abraçada ao seu crucifixo.

O Papa Pio XI a beatificou no dia 9 de junho de 1929 e a canonizou no dia 12 de março de 1934.

A seu respeito, disse o Papa Pio XII: “Santa Margarida, ardente do amor divino, mais se assemelhou a um anjo que uma criatura humana, podendo assim ajudar muitas almas a alcançar a virtude”.

PENSAMENTOS DE SANTA TERESA MARGARIDA REDI

“Jesus, Vós já sabeis que não ambiciono outra coisa, se não ser uma vítima do vosso Sagrado Coração, toda consumida em holocausto pelo fogo do vosso Santo Amor, e para isso Vosso coração deve ser o altar onde se realizará essa consumação de mim, em Vós. Oh! Meu Esposo Amado, Vós sereis o sacerdote que imolará esta vítima nos ardores do vosso Coração Santo”.

“Quanto mais pobre e miserável me vejo, mais rica e forte sou em Deus”.

“Vim ao Carmelo para vencer na corrida do amor”.

“Confia em Deus! Confia em Deus! Ele é tão bom, Ele deseja tanto o nosso bem! Ele jamais nos abandonará, não duvidemos disso”.

“Já vejo que tomais o caminho para o calvário… Eis a vossa esposa que prontamente vos segue… Se, meu Deus, outro desejo não tenho a não ser tronar-me uma perfeita cópia de Vós, e como a Vossa vida não foi senão uma vida escondida de humilhação, de amor, de sacrifício, assim, de agora em diante, deve ser a minha. Por isso: agora e para sempre pretendo encerrar-me no vosso Amabilíssimo Coração, como um Deserto…”

“Deus será tanto mais glorificado em sua misericórdia, quanto mais vil e desprezível sou em meu próprio nada, em meus pecados e em minhas fraquezas”.

“Quem mais recebe de Deus, muito mais é obrigado a corresponder”.

“Deus jamais falhará em dar-vos ajudas especialíssimas, pois ele não é escasso com aquele que o serve fielmente”.

“Recordemo-nos de que não obteremos nada na via da santidade senão combatendo”.

“Deus está sempre presente em nós e sempre pensa em nos beneficiar”.

“Se queremos ser santas, trabalhemos e soframos em silêncio, tendo sempre nossas almas em paz”.

“Que bela coisa pedir a quem tem tanta vontade de dar-nos!”

“Com nosso bom Papai, basta abrir a boca e mostrar-lhe simplesmente nosso desejo para sermos ouvidos!”

“De qualquer maneira que vão as coisas, tudo irá bem, já que o bom Deus dispõe sempre o melhor para nós”.

“Adoremos continuamente no segredo do coração a augustíssima Trindade, que aí habita”.

“Quando não se pode encontrar remédio para as coisas, as melhores coisas são o silêncio e a oração”.

 

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (350-407)

São João Crisóstomo nasceu em Antioquia no ano de 349. Sua mãe foi Santa Antusa. Depois de sua morte retirou-se para o deserto e aí permaneceu seis anos. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Fabiano de Antioquia. Era grande pregador, de grande cultura, de onde lhe foi dado o apelido de Crisóstomo (boca de ouro) pelos bizantinos. Substituiu o patriarca Netário na famosa cátedra de Constantinopla.

Seus Sermões “de fogo” combatiam os vícios e as friezas do povo e dos monges indolentes. Seus Sermões duravam horas inteiras. Foi deposto ilegalmente da cátedra e exilado com a cumplicidade da imperatriz Eudóxia, mas depois foi reconduzido pelo imperador Arcádio, sendo, mais tarde novamente exilado na Armênia. No seu último exílio às margens do Mar Negro, morreu no dia 14 de setembro de 407. São João Crisóstomo foi bispo e é Doutor da Igreja.

PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO CRISÓSTOMO

“O homem é mais precioso aos olhos de Deus do que a criação inteira: … é para ele que existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e é à salvação dele que Deus atribuiu tanta importância que nem sequer poupou seu Filho único em seu favor. Pois Deus não cessou de tudo empreender para fazer o homem subir até ele e fazê-lo sentar-se à sua direita”

“Não te afaste da Igreja: Nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”.

“Ó Filho Único e Verbo de Deus, sendo imortal, vos dignastes pela nossa salvação encarnar-vos da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, vós que sem mudança vos tornastes homem e fostes crucificado, ó Cristo Deus, que pela vossa morte esmagastes a morte, sois Um na Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!”

“Pedro, na verdade, ficou para nós como a pedra sólida sobre a qual se apoia a fé e sobre a qual está edificada a Igreja. Tendo confessado ser Cristo o Filho de Deus vivo, foi-lhe dado ouvir:

“Sobre esta pedra – a da sólida fé – edificarei a minha Igreja”(Mt 16,18). Tornou-se enfim Pedro o alicerce firmíssimo e fundamento da Casa de Deus, quando, após negar a Cristo e cair em si, foi buscado pelo Senhor e por ele honrado com as palavras: apascenta as minhas ovelhas”(Jo 21,15). Dizendo isto, o Senhor nos estimulou à conversão, e também a que de novo se edificasse solidamente sobre Pedro aquela fé, a de que ninguém perde a vida e a salvação, neste mundo, quando faz penitência sincera e se corrige de seus pecados”

“Tu vais participar da eucaristia? Então, não humilhes teu irmão. Não desprezes o faminto… Quê? Tu fazes memória de Cristo e desprezas o pobre? Tu não ficas horrorizado? Bebeste o Sangue do Senhor e não reconheces teu irmão? Ainda que o tenhas desconhecido antes, deves reconhecê-lo nesta mesa… Tu, que recebeste o pão da vida, não faças obra de morte”

“Tu, que revestes tua cama de prata e de ouro o teu cavalo, se te pedirem conta e explicações de tanta riqueza, que razão alegarás? Quando tu já estiverdes morto, as pessoas que passarem diante de teu palácio, vendo o tamanho e o luxo, dirão ao seu vizinho: ‘ao preço de quantas lágrimas foi edificado este palácio? De quantos órfãos deixados nus? De quantas viúvas injustiçadas? De quantos operários espoliados de seu salário?’ Sim, nem morto escaparás das acusações”

“A ajuda aos pobres é mais importante que o jejum e a virgindade, poisa braça o povo de Jesus Cristo”

“Onde existe a cólera aí não habita o Espírito Santo”

“Não é absurdo pores tanto cuidado nas coisas do corpo, a ponto de já desde muitos dias antes da festa preparares uma roupa belíssima, e te adornares e embelezares de todas as maneiras possíveis, e, no entanto, não tomares nenhum cuidado com a tua alma, abandonada, suja, esquálida, consumida de fome…?”

“A tua casa deve ser como uma igreja; põe-te de pé no meio da noite. Durante a noite, a alma é mais pura, mais leve. E se tens filhos, acorda-os e faze com que se unam a ti numa oração comum”

“Nada vale tanto como a oração. Ela torna possível aquilo que é impossível, fácil o que é difícil. É impossível que o homem que reza continue pecando”

“Nada te pode fazer tão imitador de Cristo como a preocupação pelos outros. Mesmo que jejues, mesmo que durmas no chão, mesmo que, por assim dizer, te mates, se não te preocupas com o próximo, pouca coisa fizeste, ainda distas muito da imagem do Senhor”.

“Como tu, rico, que acumulaste tua riqueza pisando sobre o pobre, ainda tens a coragem de entrar na Igreja?”

“Levemos-lhe socorro e celebremos a sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelos sacrifícios de seu pai (Jó 1,5), porque duvidar que as nossas oferendas em favor dos mortos lhes leva alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer as nossas orações por eles”

“Os Apóstolos instituíram a oração pelos mortos e esta lhes presta grande auxílio e real utilidade”

“Qual proveito pode ter Jesus, se o seu altar está coberto de vasos de ouro, enquanto ele próprio morre de fome nas pessoas dos pobres”

“Quando Cristo ordena que o sigamos pelo caminho estreito, dirige-se a todos os homens. Por conseguinte, o monge e o secular devem alcançar os mesmos píncaros”

“Aqueles que vivem no mundo, mesmo casados, devem em tudo o mais assemelhar-se aos monges”

“Não há diferença alguma em dar ao Senhor e dar ao pobre, pois Ele mesmo disse: ‘quem dá a estes pequenos é a mim que dá'”.

“O homem mais poderoso é o que reza, porque se faz participante do poder de Deus”

“A oração é a âncora para os flutuantes, tesouro para os pobres, remédio para os doentes e preservativo para os sãos”

“Nada se compara em valor à oração; ela torna possível o que é impossível, fácil o que é difícil. É impossível que caia em pecado o homem que reza”

“Sem ter vencido, ninguém poderá ser coroado. Tudo poderemos por meio da oração, por meio da qual Deus nos dará o que não temos”

“A oração é uma grande armadura, uma defesa, um porto, um tesouro. A oração é uma valiosa arma para vencer os assaltos dos demônios; é uma defesa, que nos conserva em todos os perigos; é um porto seguro contra a tempestade; é um tesouro, que nos provê de todos os bens”

“Não podes rezar em casa como na Igreja, onde se encontra o povo reunido, onde o grito é lançado a Deus de um só coração. Há ali algo mais, a união dos espíritos, a harmonia das almas, o vínculo da caridade, as orações dos presbíteros”

“Não deixemos de socorrer aos que partiram e ofereçamos as nossas orações por eles”

“A oração não é um vínculo insignificante do amor de Deus. É ela que nos acostuma a falar com Deus”

“A oração é a âncora para os flutuantes, tesouro para os pobres, remédio para os doentes e preservativo para os sãos”

“Sem ter vencido, ninguém poderá ser coroado. Tudo poderemos por meio da oração, por meio da qual Deus nos dará o que não temos”

“Deus está continuamente pronto a ouvir as nossas orações, e nunca acontece que não atenda a quem lhe pede como convém”.

“Quando o espiritual nos chama, não há ocupação alguma necessária”.

“Quem é humilde é útil a si e aos outros”.

“Não há nada, por fácil que seja, que a nossa tibieza não apresente como difícil e pesado; como nada há tampouco tão difícil e penoso que o nosso fervor e determinação não o torne fácil e leve”.

“A paz foi para o Céu. E, se quisermos, podemos fazê-la voltar. Basta que expulsemos de nós a soberba e a arrogância […] e sejamos humildes”.

“Mostra à tua mulher que aprecias muito viver com ela e que por ela preferes ficar em casa a andar pela rua. Prefere-a a todos os teus amigos e mesmo aos filhos que ela te deu; ama esses filhos por amor dela […] Fazei juntos as vossas orações […] Aprendei o temor Deus. Todas as outras coisas fluirão daí como de uma fonte e a vossa casa se encherá de inumeráveis bens”.

 

SÃO FRANCISCO DE SALES (1567-1622)

São Francisco de Sales nasceu em 1567 na Sabóia. Formado em Direito e, com todos os requisitos para ser um ótimo advogado, Francisco contrariou os pais ao entrar para o sacerdócio; porém acertou na vocação, porque assim passou a advogar espiritualmente pelo povo de Deus. Depois de sua ordenação sacerdotal, foi, após algum tempo, ordenado bispo, cuja missão era lidar com os católicos convertidos ao Calvinismo.

Foi Bispo de Genebra na época da Reforma. Conta-se que Francisco de Sales tinha um caráter muito irascível, era muito bravo, mas ele lutou muitos anos contra esse defeito e se tornou um santo de extrema doçura e delicadeza, coisa que se percebe em todos os seus escritos. Seu lema era: “Tudo por amor, nada à força”.

Este grande servo de Deus usou de folhetos e de todos os meios possíveis, para, naquela época, conscientizar o povo sobre a doutrina cristã, promovendo encontros, diálogos, palestras e, acima de tudo, por meio do testemunho de vida.

Era diretor espiritual de São Vicente de Paulo e de Santa Joana de Chantal; com ela fundou a Ordem da Visitação, as Visitandinas.

Escreveu duas obras clássicas da vida espiritual que ainda hoje são lidas: “Filotéia – Introdução a Vida Devota” e o “Tratado do Amor de Deus”. Morreu em Lyon, em 1622, com 55 anos. São Francisco de Sales é Doutor da Igreja.

PENSAMENTOS DE SÃO FRANCISCO DE SALES

“Estabelecerei a minha morada na fornalha de amor, no Coração divino, transpassado por mim; junto a essa fornalha ardente, sentirei reavivar-se, no meu interior, a chama de Amor até agora tão fria, tão sem fervor.”

“O Amor não consiste nas grandes sensações e sentimentos, mas na maior e mais firme resolução e desejo de contentar Deus em tudo”.

“Ser um bom servidor do Senhor não significa estar sempre em consolação, ficando sempre sem incomodação alguma, sem aversão ou repugnância diante do bem… significa ser caridoso para com o próximo”.

“O amor puro liga inseparavelmente os corações sem tocar os corpos. O amor perfeito para com o próximo, que corresponde a Deus, comunica-se de diversas maneiras, ajudando-o por palavras, por obras e pelo exemplo”.

“Não espere as mudanças e eventualidades desta vida com medo; antes, encare-as com a firme esperança de que, ao surgirem, Deus, de quem você é filho, o livrará delas”.

“Só confia nEle e Ele continuará conduzindo você seguramente através de tudo. Onde não puder caminhar, Ele o carregará nos braços.”

“Não se preocupe com o que pode acontecer amanhã; o mesmo Pai eterno que cuida de você hoje, se encarrega de você amanhã e todos os dias. Ou Ele protegerá você do sofrimento, ou lhe dará a força infalível para suportá-lo”.

“Pertençamos totalmente a Deus e só a Ele”.

“Pense muitas vezes em Nosso Senhor, pois Ele ajudará a suportar os problemas. Todos eles serão incapazes de abalar você, só lembrando-se de que você tem um tal amigo.”

“Frequentemente, submeta a sua vontade à de Deus”

“O pedido mais importante que devemos fazer a Deus é a união da nossa vontade com a dEle”.

“Considerai vossos defeitos com mais dó que indignação, com mais humildade que severidade e conservai o coração cheio de um amor brando, sossegado e terno”

“As cruzes que se nos deparam em casa são mais excelentes do que as que encontramos pelas ruas, tanto mais quanto mais importunas”

“O Purgatório é um feliz estado, mais desejável que temível, porque as chamas que lá existem são as chamas de amor”

“É um erro querer medir a nossa devoção através das consolações que experimentamos. A verdadeira piedade no caminho de Deus consiste em ter uma vontade resoluta de fazer tudo que lhe agrada”

“Deus é tão digno do nosso amor quando nos consola, como quando nos faz sofrer”

“Os que procuram as mortificações voluntárias, caminham a pé sob o estandarte de Cristo. Aceitar, porém, as cruzes que Deus nos envia e pacientemente suportá-las, é andar a cavalo”

“Quanto mais nos sentimos miseráveis, tanto mais devemos confiar na misericórdia de Deus. Porque, entre a misericórdia e a miséria, há uma ligação tão grande que uma não pode se exercer sem a outra”

“Não concordo com uma pessoa que, ligada a uma obrigação ou por uma vocação, fique a desejar outro tipo de vida, fora daquele que é seu dever, os outros trabalhos que são incompatíveis com seu estado presente. Isso lhe dissipa o coração e a faz afrouxar nas suas obrigações”

“Se eu souber que em meu coração há uma só fibra que não fosse de Deus, queria logo arrancá-la”

“Nunca vos irriteis, nem mesmo abrais a porta à cólera por qualquer motivo. Se ela entrar em vós, já não poderemos expulsá-la nem dominá-la, quando quisermos”.

“A grande fidelidade a Deus se demonstra nas pequeninas coisas”.

“A alegria abre, a tristeza fecha o coração”.

“A quem Deus não basta, nada basta”.

“Nem a primeira graça, nem a última que é a perseverança, são méritos nossos. Ambos são gratuitas”.

“Só por amor é que se deve receber Jesus Cristo na Eucaristia já que só por amor ele se dá a nós”.

“Esta é a sabedoria dos santos: sofrer constantemente por Jesus Cristo, assim logo ficaremos santos”

“Como se engana a pessoa que faz consistir a santidade em outras coisas e não em amar a Deus”

“Sendo pelo ministério dos anjos que muitas vezes recebemos as inspirações de Deus, é também por meio deles que lhe devemos apresentar as nossas aspirações, não menos que por meio de santos e santas, que como Nosso Senhor disse, sendo agora semelhantes aos anjos na glória de Deus, lhe apresentam de contínuo as suas orações e desejos em nosso favor”

“O sinal que identifica os filhos de Jesus Cristo é a paz; a alegria dos filhos de Nossa Senhora é a paz”.

“Decidi-me firmemente a não desejar um coração melhor do que este que Maria quiser me dar, pois ela é a amável Mãe dos corações, a Mãe do Santo Amor, Mãe do Coração dos corações”.

“Ser-lhe-á de importância infinita fazer alguns amigos igualmente bem intencionados, nos quais você possa apoiar-se, fortalecendo-se mutuamente; é coisa muito certa que o trato com os que têm o espírito bem direito, nos serve muitíssimo para endireitar e conservar também o nosso”.

“Que encontro feliz, quando dois espíritos não se querem senão para amar melhor a Deus!”

“Seja bom como uma criança, e como sabe, as crianças não pensam em tantas coisas; têm os que pensam por elas; somente serão suficientemente fortes, se ficam com o seu pai. Faça assim mesmo e estará em paz.”

“Não se preocupe com o que pode acontecer amanhã; o mesmo Pai eterno que cuida de você hoje, se encarrega de você amanhã e todos os dias. Ou Ele protegerá você do sofrimento, ou lhe dará a força infalível para suportá-lo”.

“Esteja em paz, pois, e afaste todos os pensamentos de angústia”.

“Anime-se e transforme os problemas em matéria para seu progresso e maturidade”.

“Pense muitas vezes em Nosso Senhor, pois Ele ajudará a suportar os problemas. Todos eles serão incapazes de abalar você, só lembrando-se de que você tem um tal amigo.”

“Faça tudo com calma e em paz. Realize quanto puder, tão bem quanto for capaz.”

“Eis a regra geral da nossa obediência, escrita em letras maiúsculas: Precisa-se fazer tudo por amor e nada à força; tem que se amar mais a obediência que temer a desobediência.”

“Procure ver Deus em todas as coisas sem exceção, e disponha-se a fazer a vontade dEle com alegria. Faça tudo para Deus, unindo-se com Ele por palavras e obras.”

“É o amor que dá o valor a todas as nossas obras”.

“Palavras santas são pérolas que o abismo de misericórdia nos fornece”.

“Avance muito simplesmente com a Cruz de Nosso Senhor e tenha paz consigo mesmo. Passará por cada tempestade com seguridade, enquanto a sua confiança se fixar em Deus.”

“Não perca a sua paz interior por nada, nem se todo o seu mundo parece vir abaixo. Se se dá conta que se afastou da proteção de Deus, conduza o seu coração de volta para Ele tranqüila e simplesmente.”

“O jejum e o trabalho sacrificam e sujeitam a carne. Eu prefiro que você sofra o peso do trabalho ao do jejum.”

“Considero uma virtude maior comer sem escolher o que se lhe vier e na ordem em que é apresentado, seja do seu gosto ou não, do que escolher sempre o pior”

“Faça todas as coisas em nome de Deus e fará tudo bem. Se comer ou beber, trabalhar ou descansar, ganhará muito aos olhos de Deus, ao fazer todas essas coisas como Deus quer que se faça”.

“Aconteça o que acontecer, não desanime; segure-se firmemente em Deus, mantenha-se em paz, com confiança no seu amor eterno por você”.

“Quando cair, erga o seu coração suavemente, humilhando-se profundamente diante de Deus, reconhecendo a sua miséria… e, com muita coragem e confiança na divina misericórdia, retome a persecução da virtude que tinha abandonado.”

“Não se faz nada no mundo que não seja contradito pelos espíritos medíocres e impertinentes; e em todas as coisas, por melhores que sejam, se encontram inconveniências, quando se quer criticar”.

“Ah! Ele me amou! Repito: Ele me amou a mim. Sim, a mim mesmo, assim como sou. Ele entregou-se à Paixão por mim.”

“Quando foi que Nosso Senhor prestou o maior serviço a seu Pai? Sem dúvida, ao estar deitado sobre a árvore da cruz, tendo as mãos e os pés perfurados; essa foi a maior obra de serviço. E como serviu ao Pai? Sofrendo e oferecendo… ”

“Todos os pensamentos que nos trazem inquietações não são de Deus”.

“A verdadeira devoção nada destrói; ao contrário, tudo aperfeiçoa”.

 

SÃO JOÃO EUDES (1601-1680)

São João Eudes nasceu no norte da França, na Vila de Ri, próximo a Argentan, em 14 de novembro de 1601. Cresceu em uma família profundamente religiosa. Fez seus primeiros estudos no Colégio Real de Dumont, pertencente aos jesuítas. Já na adolescência consagrou-se a Maria. Aos 22 anos ingressou na Congregação do Oratório, sendo ordenado padre dois anos depois. Dedicou-se a pregar entre o povo nas regiões de Île-de-France, Bolonha-sobre-o-Mar, Bretanha e Normandia. Assistiu aos doentes e suas famílias durante a epidemia de peste em 1627 sem temor da doença. Temendo que seus companheiros de congregação fossem contaminados devido ao seu contato com os enfermos, não entrava em casa e dormia dentro de um barril.

Percebeu como urgente a reforma do clero. Em 1643, abandonou a Congregação do Oratório e fundou a Congregação de Jesus e Maria, para dar formação espiritual e doutrinal aos padres e seminaristas. Posteriormente fundou uma congregação religiosa feminina, a Congregação Nossa Senhora da Caridade do Refúgio para atender mulheres prostitutas e crianças em más condições de vida. No século XIX esta congregação originará a Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, das irmãs do Bom Pastor. Fundou ainda uma associação para leigos, para aprofundar a doutrina cristã. Após uma longa vida dedicada à missão entre o povo, morreu em Caen, norte da França, em 1680.

Desde o tempo de sacerdote do Oratório, dedicou-se às missões populares, que foram ainda mais impulsionadas pelas congregações por ele fundadas: teriam sido 110 missões em toda a França. Sua espiritualidade afetiva contrastou com o rigor doutrinário do jansenismo e da passividade do quietismo. O seu eixo espiritual era a misericórdia, expressa na caridade para com os mais abandonados. Além disto, desenvolveu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e Maria. Discípulo de Bérulle, consagrou-se à formação dos seminaristas. Depois, fundou a Congregação de Jesus e Maria, tendo em vista a cristianização do meio rural, e também a Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio. Foi um ardente propagandista da devoção aos sagrados corações de Jesus e Maria, enfrentando a heresia jansenista.

João Eudes foi um grande reformador da vida religiosa. Sua experiência no meio do povo o fez conhecer a penosa situação do clero e dos cristãos e a necessidade urgente de formação. Daí sua dedicação à fundação dos Institutos religiosos. Na sua concepção, a formação do clero era uma meio de difundir a misericórdia de Deus expressa em ações em favor dos mais necessitados. João Eudes foi proclamado pelo Papa Pio X Pai, Doutor e Apóstolo do culto litúrgico do Sagrado Coração. Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1925.

PENSAMENTOS DE SÃO JOÃO EUDES

“Se temos de suportar alguma moléstia ou fadiga não é para desanimar-nos ou queixar-nos por tão pouca coisa. Inclusive se tivéssemos de enfrentar a morte, não deveríamos acaso considerar-nos imensamente afortunados?”.

“A divina misericórdia me tem feito passar por numerosas tribulações, este tem sido um dos mais insignes favores que dela tenho recebido, porque me têm sido extremamente úteis, e Deus me tem livrado sempre delas”.

“Mesmo estando já velho (74 anos), prego quase todos os dias, confesso, e atendo infinidade de assuntos. Todas estas fadigas nada custam quando se tem o consolo de ver como os povos correspondem ao que se faz por sua salvação”.

“Depois de uma desolação de seis anos, o Pai das misericórdias e Deus de todo consolo se tem dignado enxugar minhas lágrimas e mudar minha amargura em regozijo incrível. Seja por isso louvado e bendito eternamente”.

“São maravilhosos os frutos que recolhem os confessores. Mas o que nos aflige é que nem a quarta parte se poderá confessar. Estamos abrumados. (…) O que estão fazendo em Paris tantos doutores e bacharéis, enquanto as almas perecem por milhares, porque ninguém lhes estende uma mão para retirá-las da perdição?”.

“Nada desejo pessoalmente, mas se Deus me exigisse expressar meu querer, escolheria seguir vivendo indefinidamente, para ajudar a salvar as almas”.

“O que somos nós, meus irmãos, para que Deus nos empregue em tão sublimes ministérios? Para se dignar a escolher a nós, miseráveis pecadores como instrumentos de suas divinas misericórdias?”.

“Três coisas se requerem para que haja misericórdia. A primeira é ter compaixão da miséria do outro, pois misericordioso é quem leva em seu coração as misérias dos miseráveis. A segunda consiste em ter uma vontade decidida de socorrê-los em suas misérias. A terceira é passar da vontade à ação”.

“Se dependesse de mim, iria a Paris a gritar na Sorbone e demais colégios: “Fogo, fogo! Sim, o fogo do inferno está consumindo o universo. Venham senhores doutores, venham senhores bacharéis, venham senhores abades, venham todos os senhores eclesiásticos e ajudem a apagá-lo”.

 

MATILDE DE MAGDEBURG (1210-1282)

Matilde (ou Mechtilde) nasceu no arcebispado de Magdeburg, em 1210. Teve uma profunda comunhão com Deus desde tenra idade. Jovem ainda abandonou a casa paterna para levar vida de penitência como beguina. Aos vinte anos, tomou os votos como Beguina. Durante trinta anos – sua vida mística começou quando tinha uns doze anos – não disse nada de suas experiências místicas. Foi as instâncias de seus confessor, o dominicano Enrique de Halle, que levou-a a escrevê-las.

A obra de Matilde, de que até o título lhe foi revelado, A Luz que Emana da Divindade, consta de seis volumes. Um sétimo, mais contemplativo seria acrescentado quando ela já estava em Helfta. Com efeito, em 1270, entrou no mosteiro cisterciense de Helfta. Esse compêndio de suas revelações, Matilde atribui como vindas somente de Deus.

O centro de sua espiritualidade se acha em seu amor ardente de Deus “que é meu Pai por natureza, meu Irmão por sua humanidade e meu esposo por amor”.

No Sagrado Coração, Matilde vê sobretudo a vida interior do Senhor, ardente de amor, ao qual os homens respondem com insultos. Entrando em Helfta em 1270, achou duas monjas jovens que chegaram a ser muito importantes na historia da espiritualidade: Santa Matilde de Hackeborn e Santa Gertrudes a Grande.

Em seus escritos, Matilde denuncia com tal veemência os defeitos do clero, do Império e da ordem dominicana que lhe atraiu amigos e inimigos ferozes, no meio do clero em particular. Matilde faleceu em 1282.

PENSAMENTOS DE MECHTILDE DE MAGDEBURG

“Oh Deus, Tu que te derramas em teu dom! Oh Deus, Tu que flues em teu amor! Oh Deus, Tu que ardes em teu desejo! Oh Deus, Tu que te fundes na união com teu amado! Oh Deus, Tu que repousas entre meus peitos, sem Ti não posso ser!”

“Deus vem a mim nas horas de silêncio, como a brisa matinal às flores do verão”.

“Devo, longe de todas as coisas, dar-me a Deus, que é meu Pai por natureza, meu irmão pela humanidade, meu prometido pelo amor”.

“Não posso dançar, Senhor, a não ser que Você me guie.”

“O Filho de Deus apareceu diante de mim, e em suas mãos tinha seu Coração. Era mais brilhante que o sol, e difundiu raios luminosos de luz por todos lados. Então, meu Mestre amado me fez compreender que todas as graças que Deus continuamente derrama sobre a humanidade, fluem deste mesmo Coração”.

“Deves amar ‘nada’, deves fugir de ‘algo’, deves permanecer só e não visitar a ninguém. Deves ser muito ativa e livre de todas as coisas. Deves libertar os cativos e forçar aos que estão livres. Deves consolar aos enfermos e no entanto não ter nada tu mesma. Deves beber a água do sofrimento e acender o fogo do Amor com a lenha das virtudes. Assim vives no verdadeiro deserto. Quanto mais me fundo na profundidade da humildade sem mescla, uma maior doçura me refresca”.

“Sem esforço o amor flui de Deus para o homem como um pássaro que plana no ar sem mover as asas. Assim nos movemos neste mundo um em corpo e alma, embora externamente separados na forma quando a fonte toca a nota, a humanidade canta – O Espírito Santo é nosso harpista, e todas as cordas que são tocadas com amor, devem soar”.

 

ELIZABETH LESEUR (1866-1914)

Pauline-Elizabeth nasceu em Paris, França, aos 16/10/1866; recebeu da família uma sólida educação cristã e valioso patrimônio cultural, que utilizou durante toda a vida na qualidade de escritora. Era esposa de um ateu, materialista e colaborador de jornais anti-clericais, que tudo fez para extinguir a fé da esposa. Elisabeth, porém, percebeu a fragilidade das hipóteses de materialistas e quis controlar a validade dos seus argumentos, dedicando-se intensamente ao estudo da Religião, do Evangelho e de S. Tomás de Aquino. Este aprofundamento só contribuiu para tornar mais convicta a sua vida cristã, levando-a a exercer o apostolado entre os intelectuais e incrédulos, como também a praticar obras de caridade.

Era uma grande cristã Elizabeth Leseur que viveu por volta de 1900. Era uma francesa culta e fervorosa, amiga das artes, das letras, da filosofia, etc, casada com um homem culto e destacado na sociedade francesa; mas ateu, que não acompanhava a fé de Elizabeth. Era o Sr. Felix Leseur. A vida inteira Elizabeth rezou e se imolou pela conversão de seu esposo; o acompanhava nos mais altos eventos sociais onde Deus estava ausente, e sua alma chorava em silencio e oblação a Deus; até que um dia ela veio a falecer sem ver o marido se converter. Muito se empenhou pela conversão de seu marido, sem o conseguir, até o momento de sua morte.

Mas eis que Elizabeth tinha escrito um Diário Espiritual; e, um belo dia o seu esposo o encontrou depois de sua morte, e o leu com interesse. Foi o suficiente para que ele se convertesse profundamente. Ao ler aquelas páginas cheias de fé e de sofrimento oferecido a Deus diariamente, aquele homem foi tocado profundamente e percebeu que vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença. Agora derramava lágrimas de tristeza por não ter vivido aquela fé maravilhosa ao lado da esposa falecida. Sua conversão foi tão profunda que deixou o mundo, abandonou as esferas sociais onde era exaltado e se fez Frade dominicano; Frei Felix Leseur. Do céu Elizabeth converteu o seu Felix. Depois ele publicou “O Diário de Elizabeth Leseur”; editou também “Cartas a respeito do Sofrimento”, Paris 1918; “A Vida Espiritual”, Paris 1918; “Cartas aos Incrédulos”, Paris 1922. Elizabeth Leseur faleceu em 1914. Foi beatificada.

PENSAMENTOS DE ELIZABETH LESEUR

“Sejamos como a vela, que consome a sua própria substância para dar luz e calor aos que a cercam”.

“Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.

“Não sabemos todo o bem que fazemos, quando fazemos o bem”.

“Não chores ao perderes o sol; as lágrimas te impedirão de ver as estrelas”

“As nossas ações e as nossas omissões têm repercussões que vão até o infinito…”

“Um coração que ama, seja quem for o amado, ama ao mundo todo e o faz melhor.”

“Minha alma tem sede de se entregar, de se dar, de ser compreendida e de tudo partilhar. Ela suspira por aquilo que dura e queria, às vezes, sacudir o fardo das incompreensões, das hostilidades, das mesquinharias que, de fora, pesando sobre ela e a machucam. Tenho sede de infinito, de imortalidade. Tenho sede de vida, da única vida, plena, eterna, com todas as nossas ternuras reunidas no seio do Amor infinito. Meu Deus, tenho sede de ti”.

“Toda a vida é uma responsabilidade, e somos culpados não apenas pelo mal que fazemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer”.

“Como não procurar dar quando se recebeu muito? Como não amar quando um Amor Infinito renovou e transformou a nossa vida?”

“Pensar é belo; orar é melhor; amar é tudo”.

“Quero amar com um amor especial àqueles a quem seu nascimento, sua religião ou suas idéias afastam de mim”.

“Não aceitar tudo, senão tratar de comprender tudo; não aprovar tudo, senão perdoar tudo; não aceitar tudo, senão buscar o grão de verdade que está contido em touo. Não rechaçar nenhuma idéia ou desejo, por torpe o débil que pareça.”

 

SÃO MÁXIMO, CONFESSOR (580-662)

São Máximo, Confessor, nasceu em 580, em uma família nobre de Constantinopla. Máximo, o Confessor foi o mais brilhante teólogo de uma época profundamente conturbada.

Foi primeiro secretário e conselheiro Imperial na corte de Heráclio. Depois de haver recebido uma esmerada educação civil e religiosa, ocupou um alto cargo estatal que abandonou para tornar-se monge.

Em 613 se retirou ao Monastério de Crisópolis, em Scutari, em frente à Bizâncio. Foi o grande campeão durante as controvérsias monofisitas e monotelitas. No início, combateu o monofisismo; mais tarde, dedicou todas as suas energias contra a heresia monotelita. Em 633 esteve em Alexandria com São Sofrônio. Permaneceu, na África, durante longos anos. Em 645 discutiu vitoriosamente em Cartago com o Patriarca Pirro, sucessor de Sérgio.

Em decorrência de diversas perseguições, transferiu-se para Alexandria, e talvez para Cartago. Manteve discussões violentas com algumas heresias da época. Enfrentando uma heresia chamada monotelitismo, foi convocado para um concílio em Roma, acusado de conspiração contra o Império e exilado. Levado prisioneiro para Constantinopla, foi condenado a um exílio na Trácia. Um segundo julgamento transferiu-o para Colquis, não sem que antes lhe cortassem a língua e a mão direita (daí o título de Confessor – alguém que “confessou” a verdadeira fé). Morreu em 662, depois de sofrer as torturas e a mutilação.

São Máximo escreveu numerosos escritos teológicos, exegéticos e éticos. São Máximo é o último grande teólogo da Igreja de língua grega, anterior a São João Damasceno. Possui sólida formação clássica e sagrada. Grande admirador dos Gregórios (de Nissa e Nazianzo).

Herdeiro, por meio de Evagrio Pôntico, da tradição origenista, e sofre influência de Leôncio de Bizâncio e Anastásio de Antioquia. Sua fonte principal é Pseudo Dionísio. Sua doutrina enquadra no esquema de fundo Neoplatônico, e une uma aguda penetração teológica a uma profunda tendência mística.

Em sua linguagem, rigor e precisão de suas definições revelam influência de Aristóteles. São Máximo cria na Apocatástasis final. A reintegração das coisas em Deus se verificará por um processo de reunificação. A pluralidade retornará à unidade. Desaparecerá a distinção dos sexos. Tudo voltará a ocupar o lugar que lhe corresponde, e então se realizará a divinização de todas as coisas. Até as almas dos condenados, por muitos séculos, chegarão a perder a recordação do pecado e retornarão a Deus.

PENSAMENTOS DE SÃO MÁXIMO

“Deus é sempre não participado em sua essência incomunicável, e é participado naquilo que Ele nos comunica”

“É o amor que aperfeiçoa a natureza humana e a faz participante por graça da natureza divina”

“Deus nos criou, produziu os seres existentes, todos eles, trazendo à existência aquilo que não existia, a fim de que nos tornássemos participantes da natureza divina, para que entrássemos na eternidade, para que pudéssemos tornar-nos semelhantes a Ele, sendo por graça deificados”.

“O Verbo de Deus criando a natureza humana introduziu nela um poder intelectual em virtude do qual ela poderá gozar do próprio Deus. Este poder é o desejo natural do intelecto por Deus. Todavia, o primeiro homem, no seu primeiro movimento para as coisas sensíveis, aplicou a inteligência à percepção sensível”

“Será Deus por semelhança aquele que, imitando o amor de Deus pelo homem, cura também divinamente os sofrimentos dos infelizes e no seu comportamento dá uma prova da Providência salvadora de Deus”

“O amor divino é extático enquanto não permite que os amantes pertençam a si mesmos mas àqueles que amam. Pois um verdadeiro amante saiu de si mesmo para Deus e já não vive mais a própria vida, mas aquela infinitamente mais amável do amado”

“Toda virtude ajuda a amar a Deus; nenhuma porém, como a oração pura”

“À medida que rezares por quem te caluniou, Deus revelará convincentemente a verdade a teu respeito àqueles que abriram a estrada à tentação”

“Se sentes ranços contra alguém, reza por ele; com a oração poderás superar a amargura derivada do erro recebido e desse modo frear o movimento da paixão”

“O amor e o domínio de si libertam a alma das paixões; a leitura e a meditação libertam a mente da ignorância; e o recolhimento em oração coloca o homem diante de Deus mesmo”

“Na Encarnação, Deus e o homem se servem reciprocamente de modelo: Deus se humaniza pelo homem no seu amor a ele e na mesma medida o homem, fortificado pela caridade, se transpõe por Deus em Deus”

“Deus criou-nos para nos fazer participantes da natureza divina, e participantes de sua eternidade, para que fôssemos semelhantes a Ele, para a deificação por graça”

“A Sagrada Escritura é como um ser humano. O Antigo Testamento é o corpo, o Novo Testamento é a alma, e o sentido do que ali está é o espírito. De um outro ponto de vista, podemos dizer que toda a Escritura sagrada, Antigo e Novo Testamento, tem dois aspectos: o conteúdo histórico, que corresponde ao corpo, e o sentido profundo, o objetivo a que devemos aspirar, e que corresponde à alma. Se pensamos nos seres humanos, vemos que eles são mortais em seu aspecto visível, mas imortais em suas qualidades invisíveis. Assim é a Escritura. Ela contém a letra, o texto visível, que é transitório. Mas também contém o espírito escondido por trás da letra, e esse não se extingue nunca, e deveria ser o objeto da nossa contemplação”.

“Quando tiverdes valentemente triunfado das paixões do corpo, guerreado contra os espíritos impuros e expulsado os seus pensamentos do domínio da alma, rezai para que vos seja dado um coração puro, e para que o espírito de retidão seja restaurado nas vossas entranhas. Pode-se chamar coração puro aquele que não tem mais nenhum movimento impulsivo para o que quer que seja. Nessa tábua perfeitamente lisa, que é fruto da simplicidade, Deus se manifesta e inscreve as suas próprias leis. Coração puro é aquele que apresenta a Deus uma memória sem espécies nem formas, unicamente disposta a receber os sinais pelos quais Ele costuma se manifestar”.

“O espírito do Cristo que os santos recebem, de acordo com a palavra ‘nós temos o espírito do Senhor’ (Cor.1), não decorre da privação da nossa potência intelectual, nem como um complemento do nosso intelecto, nem sob a forma de um acréscimo substancial ao nosso intelecto. Não; ele faz brilhar a potência do nosso intelecto na sua qualidade própria, e a leva ao mesmo ato que ele. O que eu chamo de ‘ter o espírito de Cristo’ é pensar segundo o Cristo, e pensar o Cristo em todas as coisas”.

“A vontade de Deus é que nos salvemos, e nada Lhe agrada tanto quanto voltarmos a Ele num arrependimento verdadeiro. Os arautos da verdade e os ministros da Graça divina têm-nos dito isto desde o início, repetindo-o de idade em idade. Na verdade, o desejo de salvação com que Deus se aproxima de nós é o primeiro e o melhor sinal da sua infinita bondade. Foi exatamente para mostrar que não há nada tão próximo como isto ao coração de Deus que o Verbo divino, com inaudita condescendência, viveu entre nós, na carne, e fez, sofreu e disse tudo o que era necessário para reconciliar-nos com Deus Pai, quando éramos seus inimigos, e para restaurar-nos na bem-aventurança de que tínhamos sido exilados. Ele curou as nossas enfermidades físicas através de milagres; ele libertou-nos dos nossos pecados, numerosos e graves como eles eram, através do seu sofrimento e morte, levando-os em suas costas como se fosse responsável por eles – Ele, que não tinha pecado. Ele também nos ensinou, de muitas maneiras, que deveríamos querer imitá-lo com nossa bondade e genuíno amor um pelo outro. E assim Ele proclamou que tinha vindo chamar os pecadores ao arrependimento, não os justos, e que não são os sãos que precisam de médico, mas sim os doentes. Ele disse que tinha vindo buscar a ovelha perdida, e que para essa ovelha perdida da casa de Israel Ele tinha sido enviado. ‘Podeis saber que há alegria no céu – Ele disse – quando um único pecador se converte’”.

“’Vinde a mim, vós que estais assoberbados e com o coração pesado’. ‘Aceitem o meu jugo’, Ele disse, significando os seus mandamentos, ou antes, todo o modo de vida que Ele ensinou nos Evangelhos. Ele fala de um fardo, mas isso é apenas porque o arrependimento parece difícil. ‘De fato – como Ele disse -, o meu fardo é leve, e o meu jugo é suave’”.

“Pode-se encontrar cinco motivos pelos quais Deus permite que os demônios nos ataquem: Primeiro, para que, através desses ataques e contra-ataques, nos tornemos hábeis em distinguir o que é bom do que é mau; Segundo, de modo que nossa virtude se mantenha no calor da luta, e assim seja confirmada numa posição inexpugnável; Terceiro, de modo que, à medida que avançamos em virtude, sejamos curados da presunção, aprendendo a humildade; Quarto, de modo a inspirarrnos um repúdio completo ao mal, em seguida à experiência que temos dele; Quinto, e acima de tudo, de modo que conservemos nossa liberdade interior e nos tornemos convictos tanto das nossas fraquezas como da força daquele que veio em nosso auxílio”.

“Pelo teu nome, Senhor, não nos abandones para sempre, não disperses a tua aliança e não afastes a tua misericórdia de nós (cf. Dn 3, 34-35) pela tua piedade, Pai nosso que estás no céu, pela compaixão do teu Filho unigênito e pela misericórdia do teu Santo Espírito… Ouve a nossa súplica, ó Senhor, e não nos abandones para sempre. Nós não confiamos nas nossas obras de justiça, mas na tua piedade, mediante a qual conservas a nossa estirpe… Não desprezes a nossa indignidade, mas tem compaixão de nós segundo a tua grande piedade, e segundo a plenitude da tua misericórdia purifica-nos dos nossos pecados, para que, sem condenações, nos aproximemos da tua santa glória e sejamos considerados dignos da proteção do teu Filho unigênito”.

 

SANTA CATARINA DE GÊNOVA (1447-1510)

Catarina nasceu em 1447. Aos 12 anos teve a primeira visão do amor de Deus, na qual Jesus dividiu com ela alguns sofrimentos da sua Santa Paixão. Aos 13 anos decidiu abraçar a vida religiosa no convento das irmãs de Nossa Senhora das Graças, onde sua irmã Limbania era já uma religiosa. Falou com o diretor da Ordem, mas não aceitavam meninas muito jovens na congregação. Isto causou uma forte ferida no coração de Catarina, mas não perdeu a sua fé no Senhor.

Aos 16 anos se casou com Juliano Adomo; matrimonio não por amor, mas por oportunismo político a qual foi submissa. Os primeiros anos foram tristes e desolados devido ao caráter difícil do marido. Catarina conseguiu superar a crise, depois da visão de Cristo que espalhava sangue e daquele momento ela se dedicou ao exercício da caridade.

Depois, o Nosso Senhor durante uma outra aparição, fez reclinar a cabeça de Catarina no seu peito, dando-lhe a graça de poder ver tudo através dos seus olhos e sentimento através do Seu coração traspassado.

Sempre demonstrou grande reverência e amor pela Eucaristia. Durante a celebração da Santa Missa, o seu espírito permaneceu sempre recolhido, sobretudo recebendo a sagrada comunhão, muitas vezes lhe aconteceu de cair em êxtase e chorando orava Deus de perdoar os seus pecados.

A penitência que Catarina praticou era muito forte, tão forte que o nosso Senhor em uma ocasião lhe ordenou que cessasse de praticar estas mortificações e penitência tão severas e a isto, ela obedeceu.

Santa Catarina de Genova foi uma santa dotada por Deus de excepcionais graças e foi classificada uma das maiores místicas.

Da sua experiência pessoal de purificação nasceu o seu brilhante “Tratado do Purgatório”. Foi determinante o seu influxo na vida eclesial do seu tempo, com o movimento do divino amor inspirado por ela, sobre a espiritualidade moderna através da escola francesa dos séculos XVI-XVII que trouxe muita admiração por ela.

Catarina morreu consumada pelo fogo do amor no dia 14 de setembro de 1510, dia da Exaltação da Cruz. O seu corpo foi sepultado no hospital onde serviu por mais de 40 anos.

PENSAMENTOS DE SANTA CATARINA DE GÊNOVA

“Não há felicidade comparável a das almas do Purgatório, a não ser a dos santos no céu, e tal felicidade cresce incessantemente por influência de Deus, à medida que os impedimentos vão desaparecendo.Tais impedimentos são como a ferrugem e a felicidade das almas aumenta à medida que esta ferrugem diminui”.

“Deus aumenta nelas a ânsia de O verem e acende-lhes no coração um fogo de amor tão poderoso que se lhes torna insuportável depararem com um obstáculo entre elas e Deus”.

“Ordenas-me amar o próximo. Ora, eu não posso amar senão a Ti. E Jesus: – Quem me ama, ama tudo o que eu amo!”

“Sentem-se tão fortemente atraídas para Deus que nenhuma comparação pode exprimir tal atração. Imaginemos, todavia, um único pão para matar a fome de todas as criaturas humanas e que bastava vê-lo para a fome ser satisfeita. Qual seria a reação de alguém que possui o instinto natural de comer e vem dotado de boa saúde? Qual seria, repito, a reação se não pudesse comer, nem tampouco adoecer ou morrer? Sua fome iria aumentando constantemente. Assim é a ânsia das almas no Purgatório para o encontro com Deus ”.

“Pelo que diz respeito a Deus, vejo que o céu tem portas e pode entrar nele quem quiser, porque Deus é todo bondade. Mas a essência divina é tão pura que a alma, se nota em si qualquer empecilho, precipita-se no Purgatório e encontra esta grande misericórdia: a destruição deste empecilho”

“Deus alenta a pessoa a levantar-se do pecado, depois, com a luz da fé, ilumina-lhe a inteligência e, logo, por meio de um certo gosto e deleite excita-lhe a vontade. Tudo isto realiza Deus num instante, se bem que nós o descrevamos com muitas palavras e o situemos num intervalo de tempo”

“A alma vê que Deus, pelo seu grande amor e providência constante, jamais deixará de a atrair à sua última perfeição. Vê também que, ligada pelos restos do pecado, não pode por si mesma corresponder a esta atração. Se encontrasse um Purgatório mais penoso, no qual pudesse ser mais rapidamente purificada, mergulharia nele imediatamente.”

“O amor divino, ao penetrar nas almas do Purgatório, confere-lhes uma paz indescritível. Tem assim grande alegria e, ao mesmo tempo, grande pena. Mas uma não diminui a outra.”

“Enquanto o acrisolamento não estiver concluído, compreendem que, se se aproximassem de Deus pela visão beatífica, não estariam no seu lugar e por isso sentiriam um maior sofrimento do que se permanecessem no Purgatório.”

“A cada uma é dada luz e graça a fim de que, fazendo o que estiver a seu alcance, possa salvar-se com tal de dar o seu consentimento. Este consentimento faz-se do seguinte modo: Quando Deus realiza a sua obra, basta que a pessoa diga: ‘estou contente, Senhor, fazei de mim o que quiserdes, que estou decidida a nunca mais pecar e a deixar, por vosso amor, qualquer coisa do mundo’”.

“As almas sofrem voluntariamente as suas penas que não desejariam o menor alívio, por conceberem quão justas são.”

“O acrisolamento a que estão sujeitas as almas no Purgatório, experimentei-o em minha vida, durante dois anos. Tudo o que constituía para mim um alívio corporal ou espiritual, foi-me tirado gradualmente. Finalmente, para concluir: vede bem que tudo o que é profundamente humano, o nosso Deus todo poderoso e misericordioso transforma-o radicalmente. Não é outra a obra que se leva a cabo no Purgatório”.

 

SANTA GEMMA GALGANI (1878-1903)

Gemma nasce em Borgonuovo de Casigliano, um vilarejo situado perto de Lucca, na Itália, no dia 12 de Março de 1878. Gema em italiano significa jóia. Seu pai era um próspero químico e descendente do Beato João Leonardi. A mãe de Gema era também de origem nobre. Os Galgani eram uma família católica tradicional que foi abençoada com oito filhos.

Gema, a quinta a nascer e a primeira menina da família, desenvolveu uma atração irresistível pela oração enquanto ainda era muito pequena. Esse carinho pela oração lhe veio de sua piedosa mãe, que lhe ensinou as verdades da Fé da Igreja Católica. Foi a sua mãe que infundiu em sua preciosa alma o amor pelo Cristo Crucificado.

A jovem santa aplicou-se com zelo à devoção. Quando Gema tinha apenas cinco anos, ela lia o Ofício de Nossa Senhora e o Ofício dos Defuntos no Breviário com tanta facilidade e rapidez quanto um adulto.

Quando a mãe de Gema tinha de se ocupar com suas tarefas diárias de dona-de-casa, a pequena Gema puxava a saia da mãe e dizia: “Mamãe, conte-me um pouco mais sobre Jesus”. Infelizmente, a mãe de Gema deveria morrer em breve. No dia em que Gema recebeu o Sacramento da Confirmação, enquanto rezava ardentemente na missa pela recuperação de sua mãe (a Senhora Galgani estava gravemente doente), ela ouviu uma voz em seu coração que dizia, «Tu me darás a tua mãezinha?» “Sim,” respondeu Gema, “contanto que Tu me leves também.” “Não,” replicou a voz, “dá-Me a tua mãe sem reservas. Por ora, tu deves esperar com o teu pai. Vou te levar para o céu mais tarde.” Gema simplesmente respondeu “Sim”.

Aos 18 anos se opera ao pé sem anestesia e no dia de Natal do mesmo ano, faz o voto de castidade. Gemma fica órfã cedo, quase abandonada na maior miséria.

Já com 20 anos, Gemma não aceita uma proposta de casamento, por ser «toda de Jesus». Durante este ano fica curada milagrosamente de problemas na espinha e iniciam as experiências místicas. A chamam, na cidade, «a moçinha da graça».

Fala com o seu Anjo da Guarda e lhe da também encargos delicados, como aquele de entregar em Roma a correspondência ao seu diretor espiritual. «A carta, apenas terminada, a dou ao Anjo, ela escreve. Está aqui perto de mim e espera». E as cartas, misteriosamente, chegavam a destinação sem passar através do Correio do Reino.

Em junho de 1899, Cristo lhe dá o dom das estigmas. No mesmo ano, durante a missão em S. Martino, Gemma conhece os padres Passionistas que a introduzem na casa Giannini. Acolhida como uma filha nesta casa devota e rica, conduz uma vida retirada entre casa e Igreja. Mas as manifestações da sua santidade superam os muros da casa patrícia. Faz conversões, prediz acontecimentos futuros, cai em êxtase. Na oração, sua sangue; no seu corpo, além dos sinais dos pregos, aparecem as chagas da flagelação. Aqui conhece Padre Germano que dirigirá as suas confidências.

Logo se vem a saber que as suas luvas pretas e a sua veste escura e estreita escondem os sigilos da Paixão. Estas estigmas se abrem, dolorosas e sangüinantes, toda semana, na véspera das sextas-feiras.

Diante dela os cientistas não conseguem esconder o embaraço. Até alguns diretores espirituais não sabem como justificar a extraordinária moça: suspeitam de mistificação, falam de histerismo ou de sugestão, pedem provas, exigem obediência.

Somente ela, Gemma Galgani, no meio das dores físicas e às provas morais, não diz nada, ou melhor, diz sempre sim. Não pede nada, ou melhor, pede a Jesus para si, mais dores e para os outros pede a conversão e a salvação.

No ano 1901, com 23 anos, Gemma escreve por ordem de Padre Germano, a Autobiografia, “O caderno dos meus pecados”. No ano seguinte se oferece vítima ao Senhor para a salvação dos pecadores. Jesus a pede de fundar um mosteiro de clausura Passionista em Lucca. Gemma responde com entusiasmo. No mês de setembro do mesmo ano adoece gravemente. A sua vida é marcada profundamente pela dor.

Começa o período mais escuro da sua vida. As conseqüências do pecado caem pesadamente sobre o seu corpo e sua alma. No ano 1903, era um Sábado Santo, Gemma Galgani morre aos 25 anos, devorada do mal, mas pedindo até o último momento ainda mais dor.

PENSAMENTOS DE SANTA GEMMA GALGANI

“Quem te matou, Jesus” pergunta Gemma. E responde Jesus: “O amor”.

“Diversas vezes perguntei a Jesus que me ensine o verdadeiro modo de amá-lo, e então Jesus parece que me fazia ver as suas Santíssimas chagas abertas”.

“És muito grande, o Jesus: o meu coração é pequeno, tu não podes estar dentro dele, que se dilate este coração!”

“No ano 1899, de repente senti um profundíssimo arrependimento de todos meus pecados e me apareceu Jesus Cristo com suas cinco chagas e de cada uma delas saíam como chamas de fogo que vinham a tocar minhas mãos e meus pés e meu peito, e apareceram em meu corpo as cinco chagas de Jesus”.

“O importante não é olhar a cruz, nem levá-la ao peito, mas portá-la no profundo do coração”.

“Vinde todos, mas todos, compadecer-se de Jesus… Todos adoremos a paixão de Jesus, todos!… Vamos todos a Jesus na cruz!… Eia, vinde… Vamos recolher o sangue… que Ele tanto derramou”.

“Oh, se todos os pecadores viessem ao teu coração!… Vinde, pecadores, não temais, porque a espada da justiça não chega aqui dentro”

“Dai-me Jesus, vereis que serei boa… não serei mais aquela de antes: dai-me, porque me sinto destruída, e não agüento mais esperar”.

“Para mim, neste mundo, não há senão Deus; para mim, basta que Ele esteja contente”.

“Com a fé se leva tudo até o fundo… e com o amor a gente fica acorrentado a Jesus”.

“Quem busca agradar aos homens, não pode agradar a Jesus”.

“Se os atribulados e os aflitos pusessem o amor nas suas provações, muito mais fácil seria para eles suporta-las”.

“Se todos os homens procurassem conhecer e amar a Deus, este mundo se tornaria um paraíso”.

“Muitas vezes, abato-me e choro… o meu espírito está pronto, mas meu corpo é débil”.

“Duas coisas sinto em mim de infinita doçura: no amor, és tu quem deleita minha alma; e na dor, sou eu quem deleito a tua alma”

“Jesus, contenta-me. Já não é mais o tempo de Tu sofreres tanto assim… Agora, estou eu, toca a mim”.

“Que alegria a gente encontra no abandonar-se nos seus braços! Fica-se tão bem com Jesus somente!”

“Quero que ninguém me ultrapasse jamais no amor a Jesus”.

“Sofro por não poder sofrer”.

“O verdadeiro amor se prova na dor”.

“Jesus me disse que seus filhos devem morrer crucificados”.

“Fere-me mais a voz de Jesus do que uma espada de muitos gumes”.

 

SANTA GERTRUDES DE HELFTA (1256-1302)

Santa Gertrudes de Helfta foi monja cisterciense e escritora mística, também conhecida como Gertrudes a Grande, ou Gertrudes a Magna. Das origens de Gertrudes de Helfta só se conhece a data de nascimento: 6 de janeiro de 1256. O lugar parece ter sido Eisleben, e a familia é um enigma. O silêncio a respeito resultou suspeito, e se há elaborado conjecturas como a procedência servil ou pobre; haver sido abandonada; ou ser filha ilegítima de algum nobre. O que é seguro é que em sua familia existiam circunstâncias que na época não era adequado mencionar.

Com a idade de 5 anos ingressou no monasterio de Helfta. Sobre isto tão pouco hão ficado noticias, desconhecendo-se como chegou e se foi acolhida exclusivamente como educanda, para ser formada na escola de meninas a cargo de Matilde de Hackeborn; ou como oblata, oferecida a Deus para converter-se em monja.

Gertrudes iniciou sua aprendizagem monástica. Realizou o noviciado, professou e recebeu uma cuidada formação teológica, filosófica, literaria e musical. Sua vida foi normal até os 25 anos, como uma monja a mais do monastério, dedicada à copia de manuscritos, a costura e aos labores agrícolas da horta monastica. Não desempenhou cargos importantes, ou ao menos só se conhece que foi cantora segundo às ordens de Matilde de Hackeborn.

Em 27 de janeiro de 1281 teve sua primeira experiencia mística, que suporía uma profunda mudança em sua vida. Se tratou de uma visão de Cristo adolescente, que lhe dizia: “Não temas, te salvarei, te livrarei… Volve-te a mim e eu te embriagarei com a torrente de meu divino regalo”. A partir disto deixou os estudos profanos e de literatura pelos estudos teológicos; e sua existência passou de ser rotineira a viver uma profunda experiencia mística.

Gertrudes viverá uma intensa vida mística em meio a vida comunitaria. Muitas vezes sofreu enfermidades, porém isto não a incapacitou para dedicar-se a escrever diversas obras literárias entre as que se encontravam comentarios à Sagrada Escritura. Se perderam quase todas as suas obras, conservando-se só três.

Memorial da abundancia da divina suavidade. Tem 24 capítulos. O gênero é semelhante às Confissões de Santo Agostinho. Recolhe a experiencia mística de Gertrudes desde sua conversão até o ano 1190.

Dos materiais soltos escritos ou ditados por Gertrudes, assim como os recolhidos pelas monjas contemporaneas, surgiu a segunda obra. A autora que os ordenou permanece no anonimato, e se chama a si mesma “redatora” (redactrix). A compilação se terminou pouco antes de morrer Gertrudes. Consta de cinco livros. O primeiro é um panegírico da pessoa e atividade de Gertrudes de Helfta, obra da redatora. O segundo incorpora o Memorial exclusivamente. Os livros terceiro, quarto e quinto recolhem os materiais de diversa procedência, que relatam as experiencias místicas de Gertrudes em torno às festas litúrgicas, assim como as revelações recebidas sobre a morte e gloria de pessoas de sua volta.

Livro de orações composto integralmente por Gertrudes. A finalidade é reavivar o fervor religioso mediante a reflexão. São 7 exercicios, que respondem aos momentos mais importantes da vida de uma monja: batismo, conversão, consagração virginal, profissão monástica, louvor divino e morte, entendida como encontro com o divino Esposo.

Toda a obra de Gertrudes se organiza em torno à vida monástica, cujo centro é a Liturgia das Horas, a Eucaristia e a Lectio Divina. Sua espiritualidade é de caráter cristocêntrico, destacando especialmente a imagem do Coração de Jesus, símbolo do amor divino. Suas obras, junto com a de Matilde de Hackeborn, são um dos testemunhos mais antigos desta devoção. A presença da Virgem Maria também é importante, porém sua mariologia se integra por completo em sua cristologia.

A respeito das virtudes, têm uma visão otimista e positiva, em chave de acolhida da graça divina e de progressiva união com Cristo, mais que como uma luta contra os vicios e as paixões. Junto a isto desenvolve a ideia da suplência de Cristo, pela qual o amor de Jesus lhe leva a suprir e sanar com seus méritos e virtudes a insuficiência do homem para salvar-se.

Tudo isso entrega ao homem a liberdade de coração. Talvez este seja o ponto que mais chamou a atenção aos seus leitores. Gertrudes se sente soberanamente livre confiando plenamente no amor e na misericordia de Cristo. Isso a fez ser otimista e intrépida, manifestándo-o por exemplo em sua prática de comungar sempre que podia, algo impensavel para seu tempo, pelas orações, jejuns e exercicios necessários para preparar-se. A suplência de Cristo sanava os esquecimentos a este respeito.

Seus escritos e espiritualidade passaram desapercebidos até 1536 em que os cartuxos de Colonia imprimem o Memorial. A aceitação e êxito foi enorme, e se produziu toda uma corrente espiritual em torno a ela que se traduziu em reedições contínuas de seus escritos e numerosas biografias. Por tal êxito, e ao desconhecer o apelido, começou a ser chamada Gertrudes a Grande, ou a Magna. Gertrudes morreu em 17 de novembro de 1302, em Helfta, aos 45 anos de idade.

PENSAMENTOS DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA

“Ó Amor, o ardor de tua divindade abriu-me o Coração dulcíssimo de Jesus! Ó Coração do qual mana toda doçura. Ó Coração transbordante de ternura. Ó Coração repleto de caridade!”

“Beber desta fonte salvadora significa restituir a si a própria verdade, ofuscada pelo pecado, para recuperar a luminosidade da inteligência e do amor originais. Quem faz tal experiência reencontra o próprio coração, recriado no amor de Deus”

“Ó Amor, mergulha meu espírito nas águas deste Coração melífluo, sepultando nas profundezas da divina misericórdia todo o peso da minha iniqüidade e da minha negligência. Restitui-me, em Cristo, uma inteligência luminosa e um afeto puro, para que – através de ti – eu possa ter um coração imune, desembaraçado e livre”.

“Ó Senhor, desejo louvar-te e agradecer-te porque, apesar da minha indignidade, mantiveste tua transbordante ternura para comigo. Quero ainda louvar-te porque alguns, ao ler estas páginas, poderão saborear na intimidade de seu ser as mais elevadas experiências. De fato, por meio do alfabeto, alcançam a ciência da filosofia aqueles que querem estudar; similarmente, por meio de sinais que, na verdade, são apenas figuras retratadas, os leitores destas páginas aprenderão a degustar dentro de si mesmos aquele maná escondido que não poderia ser associado a nenhuma mistura de imagens corpóreas, e de cujo sabor somente quem já experimentou sentirá fome”.

“Naquela mesma hora, quando minha memória ainda se ocupava devotamente com tais pensamentos, senti que me estava sendo divinamente concedido – a mim, tão indigna que sou – aquilo mesmo que havia pedido na oração, isto é: no interior de meu coração, como sendo um lugar corpóreo, eu soube que tinham sido impressos os sinais de tuas santíssimas chagas, dignas de respeito e adoração”.

“Deus onipotente e Mestre generoso de todo bem, digna-te garantir-nos sempre este alimento enquanto caminhamos em nosso exílio, na espera de que – contemplando com rosto descoberto a glória do Cristo – sejamos transformados à sua própria imagem, de luz em luz, como sob suavíssimo sopro”.

“Durante uma pregação feita na capela por um frade, este dizia: ‘O amor é um dardo de ouro. Se o homem o lança sobre qualquer outra pessoa, ele a possui de algum modo. Seria, pois, loucura usar o amor para os bens terrestres, mas negligenciar os bens celestes’. Inflamada por tais palavras, Gertrudes disse ao Senhor: ‘Que me seja condedido este dardo! Então, sem esperar um segundo, eu me esforçaria para vos transpassar com ele, a Vós, único bem-amado de minha alma, para ter-vos sempre comigo’. Ela ainda pronunciava tais palavras, quando viu o Senhor que a mirava com uma flecha áurea e lhe dizia: ‘Tu planejas ferir-me, caso possuísses uma flecha de ouro. Mas eis que sou eu quem a tenho! Desejo com ela transpassar-te de tal modo, que jamais poderás sarar'”.

“E era uma flecha com três curvaturas: no início, no meio e na extremidade. Assim se mostrava o tríplice efeito que esta flecha provocava na alma ferida. Quando a primeira curvatura penetra na alma, sua ferida a torna semelhante a um enfermo, que sente somente desgosto pelos bens passageiros: não há coisa alguma neste mundo que lhe assegure prazer nem consolação. A segunda, ao penetrar na alma, a faz parecer uma pessoa com alta febre que, exasperada pela dor, reclama pelo remédio com extrema impaciência. Assim é a alma nesta situação: o desejo que possui é tão intenso que, sem conseguir dominá-lo nem moderá-lo, arde por unir-se a Deus. E quando isto lhe parece impossível, se acaso ela não o experimenta, chega quase a perder o respiro. A terceira curvatura, enfim, quando penetra na alma, a faz elevar-se a uma altura tão sublime que nenhum de nós pode imaginar. A tal ponto, que uma mínima descrição deste estado nos faria dizer que a alma – como se fosse separada de seu corpo – estivesse toda mergulhada em delícias, nas torrentes do néctar da divindade”.

“Ó Fogo verdadeiro que tudo consome! Ó Fogo operante, cujo poder queima os vícios para manifestar à alma o suave vigor de tua unção! Só em ti nos é dada a força que restaura, re-fomando nosso ser segundo a imagem e semelhança original”.

“Eu recitava esta prece: ‘Pelo vosso Coração transpassado, ó Senhor amantíssimo, dignai-vos transpassar meu coração com os dardos de vosso amor, para que nada de terrestre nele pemaneça e que ele seja repleto unicamente da virtude de vossa divindade’. Tendo assim rezado, bem depressa percebi – através de uma graça interior e de um sinal externo que vi surgir sobre o crucifixo – que minha prece havia chegado ao vosso Coração. Com efeito, depois de receber o sacramento da vida, já de volta ao meu lugar, pareceu-me ver partir do lado direito do crucifixo que está impresso sobre meu livro algo como um raio de sol, cuja extremidade tinha forma de uma flecha. Este raio emanava vigorosamente em minha direção. Conteve-se por um instante, depois se lançou novamente e permaneceu fixo, atraindo toda a minha afeição”.

“Ainda que sabia eu que me achava no dormitorio, me parecia que me encontrava no lugar do coro aonde costumava fazer minhas tibias orações e ouvi estas palavras ‘eu te salvarei e te livrarei. Não Temas’. Quando o Senhor disse isto, extendeu sua mão mão fina e delicada até tocar a minha, como para confirmar sua promessa e proseguiu: ‘Has mordido o pó com meus inimigos e has tratado de extrair mel dos espinhos. Volve-te agora a Mim, e minhas delicias divinas serão para ti como vinho'”.

“Então vi na mão que pouco antes se me havía dado como prenda, as joias radiantes que anularam a pena de morte que havia sobre nós”.

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