Solenidade de todos os Santos – 04 de Novembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Boas festas a todos. Boas festas a você, a sua comunidade, a sua família, porque hoje com toda a Igreja, no Brasil, celebramos todos os Santos, e você faz parte da comunhão de todos os Santos. Você foi batizado, e inserido no Corpo Santo de Jesus Cristo. Você O recebe com frequência na Sagrada Eucaristia, e está progredindo em direção, não à morte, mas à Eternidade feliz. Boas festas à você que se santifica ainda neste mundo, porque este trabalho está destinado a terminar na glória do Céu, com todos os eleitos de Deus. Boas festas também, àquela multidão de todos os povos, raças, línguas e nações, que se encontram na presença de Deus.  Boas festas para aqueles santos majestosos, admiráveis que povoam o nosso calendário Litúrgico de janeiro a dezembro. Boas festas também, àqueles outros santos numerosos, mas desconhecidos, não canonizados, não propostos oficialmente pela Igreja à nossa veneração, mas que souberam entrar pela porta estreita do Evangelho, souberam amar Cristo e seus irmãos. Fizeram escolhas acertadas na vida e hoje também se alegram com todos os eleitos formando a Família Celeste, já segura da própria salvação e solicita do nosso futuro. Sim, Jesus em pessoa, no Evangelho de hoje, nos transmite o código da Santidade, o código da felicidade, para aquele que deseja ser feliz neste e no outro mundo. É simples este código. É o estilo de Deus, que nós hoje vamos aprender com os nossos Santos. Bem aventurados os pobres, os puros de coração, os mansos, os misericordiosos, aqueles que têm fome e sede de justiça, os perseguidos por causa de Cristo. O mundo materialista tem o seu código também: bem aventurados os ricos, os espertalhões, os inescrupulosos, aqueles que vão à frente às custas de cotoveladas à direita ou à esquerda, aqueles que tem sempre mais e que desejam uma vida de conforto e nada mais. Se Jesus tivesse dito isto no Evangelho, cairia no descrédito de todos. Como, porém Jesus mostra que o estilo de Deus vai do lado oposto ao estilo deste mundo, nós ficamos admirados e desejamos hoje realizar o que nossos Santos, antes de nós realizaram. Você também possui uma vocação de santidade e pode se perguntar com Santo Inácio de Loyola, se eles conseguiram, porque eu não, os mesmos meios que tiveram, eu também os tenho e posso chegar um dia aonde chegaram.

 

O que é uma vida feliz, o fim último ou o objetivo da vida?

É, sem dúvida, a felicidade, que consiste no bem total, a soma de todos os bens, não permanecendo nada a desejar. Jesus lança esta questão no sermão da montanha. De fato, bem-aventuranças, bem-aventurados, são palavras que poderiam ser simplesmente traduzidas por felizes. Possuem, no entanto, um sentido profano. Ao se falar de “bem-aventurança” temos em primeiro lugar um sentido “religioso ou místico”. É a felicidade eterna saboreada pelo homem quando da visão de Deus, ou, são as perfeições evangélicas exaltadas pelo Cristo no sermão da montanha como meios para aceder, para alcançar a felicidade da vida eterna. Por extensão a palavra pode designar também a “serenidade concedida à alma pela contemplação. Diante de tais considerações podemos dizer que Jesus promete não simplesmente nos tornar felizes nesta terra, mas a Bem-aventurança perfeita do céu, a mesma da qual participamos aqui e agora, em meio aos sofrimentos deste mundo. E foi assim interpretada a Bem-aventurança ao longo da Tradição da Igreja. São Gregório de Nissa (385), em suas “Oito homilias sobre as bem-aventuranças” nos diz: “A Bem-aventurança é a vida pura e sem mistura. Ela é o bem inefável, inconcebível, a inexprimível beleza, o poder que está acima de tudo, o único desejo, a realidade sem declínio, a exaltação sem fim”. Com outros olhos, lemos o texto de São Mateus e, com outra repercussão interior, experimentamos as palavras do Senhor. Guiados pelo Espírito  Divino lemos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que choram, porque serão consolados…”  Compreendemos em nosso coração que “só Deus, escreve São Gregório de Nissa, é bem-aventurado. Mas uma comunhão na bem-aventurança nos é acessível se nos tornarmos semelhantes a Deus”. E São Gregório explicita este assemelhar-se como viver “a pobreza no Espírito, a humildade voluntária de um espírito humano e sua renúncia; e o Apóstolo nos dá um exemplo da pobreza de Deus quando nos diz: “Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8, 9). “Então, se tu imitas Deus pela atitude da humildade, que não é estranha à tua natureza, e que tu podes certamente. “Senhor, que eu reconheça sempre mais em vós o caminho que conduz à paz e à felicidade eternas. Possa eu vos desejar acima de tudo e encontrar a perfeita alegria em realizar vossos divinos ensinamentos”.

 

Quem é santo?

Na Sagrada Escritura, lê-se que só Deus é Santo. A santidade não é um atributo de Deus, mas é o seu verdadeiro nome. Esta santidade define a transcendência inacessível de Deus. Quando Deus escolhe Israel como o seu povo, comunica-lhe a sua santidade. Israel converte-se em povo santo, ao qual Deus lhe exige uma santidade de vida. Ao longo da sua história, os profetas procuraram fazer com que o povo compreendesse as exigências da santidade: o culto que Deus quer é o da obediência e do amor, ou seja, o do acolhimento íntimo do dom de Deus. Por isso, é necessário mudar o coração de pedra por um de carne. Cheio do Espírito Santo, Jesus é o Santo de Deus. A santidade de Jesus é a santidade do Filho de Deus. Recebeu-a de Seu Pai, mas pertence-lhe, é Sua. Esta santidade penetra profundamente a sua humanidade. Nós recebemos a santidade cristã, porque Cristo ama a Igreja e a tem como Esposa (Cfr. LG nº 39). Todo aquele que pertence à Igreja é chamado à santidade. “Esta santidade da Igreja… exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com a edificação do próximo”. Para ser santo é preciso viver em união com Cristo. A segunda leitura diz-nos claramente isto: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de fato”. Depois, termina dizendo: “Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro”. A santidade exige a cada um de nós um processo de purificação para acolher verdadeiramente a união com Cristo.  A lua, que recebe a luz do sol e a reflete é elogiada por sua beleza, ainda que não seja dela a origem. Mais importante e de brilho mais intenso, a luz do sol não pode ser contemplada em si mesma. No entanto, se mostra suave, agradável e atraente aos olhos, quando refletida pela lua. Pensando sobre esse fato da natureza, encontrei nele uma referência para compreender o significado da Solenidade de todos os Santos. Esta celebração nos dá a oportunidade de contemplar, em cada ser humano que passou pela história seguindo Jesus Cristo, a luz da santidade divina como algo belo, agradável, convidativo e compreensível para todos nós. A história de tantos homens e mulheres, jovens, crianças e adultos, pobres e ricos, negros, brancos, índios e mestiços, leigos, religiosos, padres e bispos nos ensina, em primeiro lugar, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Em seguida nos mostra que ser santo não é fazer coisas extraordinárias, mas viver com, em e por Cristo. A beleza que se encontra em cada uma dessas histórias nos encanta e nos atrai. Ao mesmo tempo nos encoraja a dar passos na direção indicada pela vida de Jesus de Nazaré. Mansidão, amor, atitudes de serviço, misericórdia, perseverança, sabedoria, proximidade dos mais fracos: eis os caminhos trilhados por Jesus e indicados para nos tornarmos santos em nossos dias! O jeito de Cristo nos contagie e nos torne apaixonados pelos seus ideais, a fim de podermos participar da multidão incontável dos que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e não cessam de cantar seus louvores diante do trono de Deus. Nossa vida seja reflexo da santidade divina! Para isso, que todos os santos roguem por nós!

 

Ser santo é ser pobre e bem-aventurado
Pe. Inácio José Schuster

Hoje celebramos a solenidade de todos os santos e a liturgia da Palavra enriquece e dá cor à esta festa, pois traz a essência da santidade: santidade é ter Deus como nossa única riqueza, primeira bem-aventurança. Aliás, sem esta – por isso é apresentada como sendo a primeira – tanto para Mateus quanto para Lucas, sem ser pobre – primeira bem-aventurança, jamais viveremos as demais, pois todas dependem da primeira. Os santos são bem-aventurados porque assumiram a principal bem-aventurança: a pobreza evangélica: ter Deus como sua única riqueza. As demais foram e são consequência desta. Diante da bem-aventurança da pobreza, a sociedade consumista proclama a sua própria bem-aventurança: Bem-aventurados os que têm e podem gastar, porque são felizes. É a mensagem incluída em toda a publicidade, verdadeiro “cavaleiro do apocalipse”, que tudo arrasa semeando escravidão e insatisfação. Na base de se criarem necessidades fictícias, o homem atual está acorrentado a uma corrida sem fim, condenado a não descansar em nenhuma meta. Como não se fica nas necessidades reais, todo o salário lhe é insuficiente, todo trabalho é pouco, qualquer nova aquisição é incapaz de lhe dar a felicidade sonhada. Confunde o ter com o ser; confunde o acumular de bens com o ser pessoa e ser feliz; o ter meios de vida com o ter razões para viver. Quando a nossa atitude pessoal diante do dinheiro e dos bens nos desvia dos “meios” de subsistência dignos e humanos: alimentação, vestuário, casa, família, estudo, educação, cultura, para os converter em “fim” obsessivo da nossa vida, começamos a soldar os elos da cadeia que nos amarra à tirania de um novo ídolo: o consumismo. Não é verdade que conhecemos pouca gente feliz? Parece mentira que o homem atual, sabendo tanto e tendo tantas coisas, não tenha aprendido a ser feliz. Mais do que coisas, necessitamos de razões para viver e partilhar, pois a felicidade não pode estar fora de nós, nas coisas, mas há de brotar de dentro. A felicidade é um estado de alma e uma possessão do espírito, os quais se baseiam na realização do indivíduo como pessoa. Há gente muito feliz com muito poucas coisas. São os que assimilaram a bem-aventurança da pobreza afetiva e efetiva e sabem ser solidários com os outros no partilhar. São os que se dão conta de que a sociedade do bem-estar, da abundância e do desenvolvimento econômico ilimitado dá, efetivamente, meios de vida ao homem, coisas e mais coisas; mas não lhe dá razões para viver, nem lhe pode dar a sabedoria da vida que nos  faz descobrir os motivos para trabalhar e lutar, sofrer e gozar, esperar e amar, inclusive a fundo, o perdido. Jesus proclamou bem-aventurados e felizes os pobres de bens e despojados de si mesmos, que são solidários e partilham com os irmãos o que têm, pouco ou muito, porque assim estão em condições de ser cumulados por Deus e enriquecidos com os dons do Seu Reino. Ao dizer-nos hoje: “Não amontoeis tesouros perecíveis”, convida-nos para viver em liberdade com o coração posto no tesouro secreto da verdadeira felicidade: amar a Deus sobre todas as coisas e os nossos irmãos como a nós mesmos.

 

As bem-aventuranças são para os que se deixam transformar
Padre Eliano

Hoje, na Solenidade de Todos os Santos, o nosso coração precisa desejar a santidade. Nos santos Deus revela Sua face e Seu amor. No início do Evangelho (Mateus 5,1-12a), Jesus se coloca a falar com as multidões. Que todos nós nos aproximemos hoje diante da Palavra de Jesus que nos revela que Deus é a fonte, a razão de toda a felicidade. A encarnação revela o amor de Deus que se faz carne no seio da Virgem Maria. Isso dá um novo sentido perante a realidade, torna-se possível a bem-aventurança, mas é preciso mudança de vida. Por isso as bem-aventuranças são dirigidas a todos que se deixam transformar em uma interioridade profunda, concreta. A ação externa é transformada pela novidade do Reino, é a graça de Deus ligada a vida reta do cristão. As bem-aventuranças são a beleza da presença Divina que alcança o homem e o quer feliz. A primeira bem-aventurança se volta para os pobres em espírito. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Ela é dos humildes, dos pequenos. São felizes aqueles que se apresentam diante de Deus com as mãos vazias porque renunciaram as atitudes orgulhosas. Devemos olhar cada bem-aventurança e perceber que é um apelo a todo aquele que quer seguir Jesus. Não há lugar no Reino dos Céus para quem não for pobre em espírito. A segunda bem-aventurança fala aos aflitos. “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”. É a bem-aventurança daqueles que vivem a aflição. O humilde que passa pela aflição a Deus confia. Somente o humilde passa pela aflição confiando e se deixa consolar por Deus. A terceira bem-aventurança fala da mansidão. “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra”. O homem e a mulher governados por essa mansidão, são aqueles que constroem as coisas desarmados, sem a autodefesa. É alguém que não tem o próprio ego como centro. Somente aquele que é manso, se deixa conduzir por Deus que vai conduzindo-o no Seu querer. A mansidão é segredo da santidade. A quarta bem-aventurança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”. É aquele que está sempre com sede da santidade porque quer ver a Deus. Está engajado na vontade de Deus a todo momento, e se angustia se está longe da vontade do Pai. Somente o sedento da vontade de Deus será saciado no Reino dos Céus. Há essa fome, essa sede em você? O Reino dos Céus é para os sedentos e famintos da vontade do Pai. Quinta bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. As bem-aventuranças partem da humildade porque chegam na misericórdia. São aqueles que concretamente liberam em seus corações o perdão que reconcilia, não vivem tomado de divisões interiores porque em seus corações reina a misericórdia do Pai. O que reina em seu coração? Se não reinar a misericórdia, você não será feliz. A sexta bem-aventurança fala aos puros de coração. “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” Os que trazem essa pureza são declarados bem-aventurados por Jesus. Com que você tem alimentado seu coração? O que você tem buscado? Você tem buscado aquilo que é puro e verdadeiro? Caso contrário seu coração se tornará impuro. No Reino de Deus tem lugar somente para os corações puros. Sétima bem-aventurança: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”. São felizes os que promovem a paz. Jesus se congratula com os que semeiam a paz, com os que promovem a reconciliação. O shalom do Pai se revela na face, na palavra e nos gestos dessas pessoas. Você faz bem para os outros? As pessoas têm alegria em conviver com você? A oitava bem-aventurança é para os perseguidos. “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus”. São felizes os que são perseguidos por causa da justiça. Não é uma perseguição por qualquer coisa, mas por causa da fidelidade ao querer de Deus. As demais bem-aventuranças precisam reinar em nosso coração para que na perseguição nós tenhamos força. Na nona bem-aventurança Jesus se dirige aos discípulos. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”. Essa última bem-aventurança é do discípulo que de fato segue o seu Senhor, não de quem segue a si mesmo, de quem segue Jesus porque é aplaudido. Jesus fala do discípulo que segue a Deus por aquilo que Ele é, e não simplesmente por causa da recompensa. É a bem-aventurança do discípulo que sofre pela verdade. Aqui Jesus é a causa da perseguição e também a fonte da salvação. Se alguém sofre por ser cristão não fique envergonhado. Nós precisamos e desejamos a manifestação de Jesus, aqui está nossa esperança. Nossa esperança está no fato de que somos cidadãos dos Céus. Somos vocacionados para eternidade. A felicidade não está nesse mundo, mas ainda tem muita gente buscando naquilo que é passageiro, aquilo que é pleno. Meus irmãos, a grande tribulação chegará, e como estará a nossa vida? O homem é aquilo que ama e admira. Somente uma vivência de fé coerente suportará a tribulação. De outra forma, ninguém suportará, é violenta demais para aqueles que não viveram seu batismo. Cuidado com aquilo que você tem amado, porque senão você não será esse bem-aventurado do Evangelho.

 

A celebração da festa de todos os Santos
Neste dia a Igreja militante honra a Igreja triunfante

Prof. Felipe Aquino
[email protected]

No dia 1º de novembro, a Igreja celebra a festa de Todos os Santos. Segundo a tradição, ela foi colocada neste dia, logo após 31 de outubro, porque que os celtas ingleses – pagãos -, celebravam as bruxas e os espíritos que vinham se alimentar e assustar as pessoas nesta noite (Halloween). Nesse dia, a Igreja militante (que luta na Terra) honra a Igreja triunfante do Céu “celebrando, numa única solenidade, todos os Santos” – como diz o sacerdote na oração da Missa – para render homenagem àquela multidão de Santos que povoam o Reino dos Céus, que São João viu no Apocalipse: “Ouvi, então, o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão”. “Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 4-14). Esta imensa multidão de 144 mil, que está diante do Cordeiro, compreende todos os servos de Deus, aos quais a Igreja canonizou através da decisão infalível de algum Papa, e todos aqueles, incontáveis, que conseguiram a salvação, e que desfrutam da visão beatífica de Deus. Lá “eles intercedem por nós sem cessar”, diz uma de nossas Orações Eucarísticas. Por isso, a Igreja recomenda que os pais ponham nomes de Santos em seus filhos. Esses 144 mil significam uma grande multidão (12 x 12 x 1000). O número doze e o número mil significavam para os judeus antigos plenitude, perfeição e abundância; não é um valor meramente aritmético, mas simbólico. A Igreja já canonizou mais de 20 mil santos, mas há muito mais que isto no Céu. No livro ‘Relação dos Santos e Beatos da Igreja’, eu pude relacionar, de várias fontes, quase 5mil dos mais importantes; e os coloquei em ordem alfabética. A “Lumen Gentium” do Vaticano II lembra que: “Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós junto ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por seguinte, pela fraterna solicitude deles, a nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (LG 49) (§ 956). Na hora da morte, São Domingos de Gusmão dizia a seus frades: “Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida”. E Santa Teresinha confirmava este ensino dizendo: “Passarei meu céu fazendo bem na terra”. O nosso Catecismo diz que: “Na oração, a Igreja peregrina é associada à dos santos, cuja intercessão solicita” (§ 2692). A marca dos santos são as bem–aventuranças que Jesus proclamou no Sermão da Montanha; por isso, este trecho do Evangelho de São Mateus (5, 1ss) é lido nesta Missa. Os santos viveram todas as virtudes e, por isso, são exemplos de como seguir Jesus Cristo. Deus prometeu dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Esta ‘Solenidade de Todos os Santos’ vem do século IV. Em Antioquia, celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI, e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do “Panteon” dos deuses romanos a Nossa Senhora e a todos os mártires. No ano de 835, esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro. Cada um de nós é chamado a ser santo. Disse o Concilio Vaticano II que: “Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG 40). Todos são chamados à santidade: “Deveis ser perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48): “Com o fim de conseguir esta perfeição, façam os fiéis uso das forças recebidas (…) cumprindo em tudo a vontade do Pai, se dediquem inteiramente à glória de Deus e ao serviço do próximo. Assim, a santidade do povo de Deus se expandirá em abundantes frutos, como se demonstra luminosamente na história da Igreja pela vida de tantos santos” (LG 40). O caminho da perfeição passa pela cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual (cf. 2Tm 4). O progresso espiritual da oração, mortificação, vida sacramental, meditação, luta contra si mesmo; é isto que nos leva gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças. Disse São Gregório de Nissa (†340) que: “Aquele que vai subindo jamais cessa de ir progredindo de começo em começo por começos que não têm fim. Aquele que sobe jamais cessa de desejar aquilo que já conhece” (Hom. in Cant. 8).

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