Dia dos finados e a fé

Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida

A Fé é a luz que ilumina o dia dos finados. Na fé podemos dizer: “minha morte será o dia mais feliz da minha vida” (P Haring). A celebração do dia dos mortos é uma oportunidade impar para uma catequese sobre a fé. Tudo que realizamos neste dia tem sua fonte na fé. As velas acesas são símbolo da fé e das boas obras que nunca se apagam. Jesus é a luz sem ocaso. Vamos refletir sobre a fé e o dia dos finados.

Primeiro, fé na ressurreição – Nossa morte é nossa páscoa. Para o cristão não existe só a morte. Somos testemunhas da fé na ressurreição. Assim, o dia dos mortos é dia de confissão de fé na vida eterna, no céu, no futuro, na ressurreição, na esperança. Cremos um dia estar com Cristo no céu.

Segundo, fé na comunhão dos santos – Nossa fé não permite crença na reencarnação. Cremos que os mortos, os santos, são nossos advogados, intercessores, nossos bons anjos. Rezamos por eles e eles por nós. Que beleza, que prodígio. A fé une a Igreja peregrina padecente e triunfante, ou seja, a Igreja na terra, no purgatório e no céu.

Terceiro, a fé na remissão dos pecados – Deus quer salvar a todos e concede a todos a graça suficiente. A Igreja abre todas as portas do perdão na hora da morte, porque é hora da decisão definitiva. Em cada Ave Maria rezamos para que a mãe de Deus esteja conosco nesta hora. Assim podemos perder o medo da morte e não ter medo nem dos mortos e nem do cemitério. Nossos túmulos são escolas de reflexão sobre nossa fragilidade e santuários que preservam a dignidade humana. Os mortos nos dizem: “Eu era o que tu és, tu serás o que sou”. Lembremos que o bem, o amor, a Palavra permanecem e que Deus não passa.

Quarto, cremos que o céu é preparado na terra pelas boas obras, pela reta consciência e reta intenção, pelo amor fraterno especialmente aos pobres e sofredores. Na terra preparamos o céu. Tudo tem sentido e valor, sob a luz da fé.

Quinto, a fé na vida – A morte não tem o domínio, a vitória, o poder final. Ela é relativizada pela fé na ressurreição. Nossa vida não é tirada, mas, transformada. “Não morro, entro na vida” (Sta. Terezinha). As Sagradas Escrituras falam da glória, da felicidade, da coroação, da honra, da plenitude da vida após a morte. A vida não acaba, entra em outra dimensão.

Sexto, fé nas promessas de Deus – Sabemos que Deus não mente, não engana, nem se engana. Ele nos criou para a vida. Em Jesus, o Pai cumpriu todas as suas promessas. Ele nos adotou como filhos e quer que tenhamos comunhão, amizade, convivência com Ele. Ele é o Deus dos vivos. Lutemos contra a cultura da morte. Evitemos a pior morte que é o pecado grave e peçamos a morte mística que é a superação do egoísmo, o esvaziamento do nosso ego.

Sétimo, fé nas Sagradas Escrituras – Tudo o que dizemos sobre a vida após a morte, tem seu fundamento nas Escrituras, na Palavra de Deus. O próprio Jesus se referia às Escrituras para falar da sua ressurreição. A s coisas últimas, morte, juízo, purgatório, inferno e céu são realidades reveladas ou fundamentadas nas Escrituras. Já o livro dos Macabeus e de Jó aludem à ressurreição. Jesus em sua pregação referia-se constantemente às coisas futuras, à ressurreição, à vida eterna.

Santo Agostinho reza diante do túmulo: “Nós vivemos neste mundo, tu agora vives no mundo do Criador, o céu. O fio entre nós não foi cortado. Estou apenas fora das vossas vistas, mas estamos em comunhão”. No túmulo de Gandhi estão escritos os Sete Pecados da humanidade hoje: política sem princípios; riqueza sem trabalho; prazer sem consciência; conhecimento sem caráter; economia sem ética; ciência sem humanidade; religião sem sacrifício.

Que frase você gostaria de colocar na sua sepultura? Eis uma sugestão: “Passei fazendo o bem”.

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