Solenidade de Todos os Santos – 01 de Novembro

Por Pe. Inácio José Schuster

Todos os Santos

Mais uma vez o calendário rodou e chegou o dia 1 de Novembro… Mais uma vez, a Igreja nos convida a celebrar todos os Santos. Dia a dia, vamos tendo diante dos nossos olhos figuras de homens e mulheres que aceitaram seguir Cristo, entregar-lhe a sua vida, por vezes derramar o seu sangue. Dia a dia a Igreja nos propõe modelos diferentes de santidade, caminhos diversos para se chegar ao mesmo Senhor que, um dia, será tudo em todos. Hoje não é um modelo que nos é apresentado – é uma condição de vida, a nossa. Redimidos pelo sacrifício de Cristo, nós já somos parte da imensa multidão que lavou as vestes no sangue do Cordeiro (Ap 7, 14) e que foi convidada para as núpcias eternas. Alguns de nós já lá chegaram e, conhecidos ou desconhecidos, gozam da alegria sem fim dos bem-aventurados. Outros, como nós, ainda caminham, sujeitos às vicissitudes do tempo, às armadilhas do inimigo, aos perigos do deserto. De qualquer forma, temos “Deus por nós”. E, se Deus está por nós (Rm 8, 31), quem estará contra nós? Por isso, e ainda que semeemos com lágrimas (Sl 126, 6), vivemos já a certeza da colheita na alegria. É nesta alegria que vos saudamos, neste dia de Todos os Santos. Que a vossa alegria perdure, que ela cresça, que ela seja perfeita.

 

A santidade não é um luxo…
XXX Domingo do tempo comum (B)
Apocalipse 7, 2-4.9-14; 1 João 3, 1-3; Mateus 5, 1-12ª
Por Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

Os santos que a liturgia celebra nesta solenidade não são só aqueles canonizados pela Igreja e que se mencionam em nossos calendários. São todos os salvos que formam a Jerusalém celeste. Falando dos santos, São Bernardo dizia: «Não sejamos preguiçosos em imitar a quem estamos felizes de celebrar». É, portanto, a ocasião ideal para refletir no «chamado universal de todos os cristãos à santidade». A primeira coisa que se deve fazer, quando se fala de santidade, é libertar esta palavra do medo que inspira, devido a certas representações equivocadas que nos fizeram dela. A santidade pode comportar fenômenos extraordinários, mas não se identifica com eles. Se todos estão chamados à santidade é porque, entendida adequadamente, está ao alcance de todos, faz parte da normalidade da vida cristã. Deus é o «único santo» e «a fonte de toda santidade». Quando se aproxima para ver como o homem entra na esfera da santidade de Deus e o que significa ser santo, aparece imediatamente a preponderância, no Antigo Testamento, da idéia ritualista. Os meios da santidade de Deus são objetos, lugares, ritos prescrições. Escutam-se, é verdade, especialmente nos profetas e nos salmos, vozes diferentes, morais, mas são vozes que permanecem isoladas. Ainda em tempos de Jesus prevalecia entre os fariseus a idéia de que a santidade e a justiça consistem na pureza ritual e na observância escrupulosa da Lei. Ao passar ao Novo Testamento, assistimos a mudanças profundas. A santidade não reside nas mãos, mas no coração; não se decide fora, mas dentro do homem, e se resume na caridade. Os mediadores da santidade de Deus não são lugares (o templo de Jerusalém ou o monte das Bem-aventuranças), ritos, objetos e leis, mas uma pessoa, Jesus Cristo. Em Jesus Cristo está a santidade de Deus que nos chega em pessoa, não é uma distante reverberação suja. Ele é «o Santo de Deus» (João 6, 69). De duas maneiras entramos em contato com a santidade de Cristo e esta se comunica a nós: por apropriação e por imitação. A santidade é antes de tudo dom, graça. Já que pertencemos a Cristo mais que a nós mesmos, havendo sido «comprados a grande preço», disso segue-se que, inversamente, a santidade de Cristo nos pertence mais que nossa própria santidade. Estas são as asas da santidade. Paulo nos ensina como se dá este «golpe de audácia» quando declara solenemente que não quer ser encontrado com uma justiça suja, ou santidade derivada da observância da lei, mas unicamente com aquela que deriva da fé em Cristo (Fil 3, 5-10). Cristo, diz, se tornou para nós «justiça, santificação e redenção» (1Cor 1, 30). «Para nós»: portanto, podemos reclamar sua santidade como nossa para todos os efeitos. Junto a este meio fundamental da fé e dos sacramentos, deve encontrar lugar também a imitação, isto é, o esforço pessoal e as boas obras. Não como meio desgarrado e diferente, mas como o único meio adequado para manifestar a fé, traduzindo-a em ato. Quando Paulo escreve: «Esta é a vontade de Deus: vossa santificação», está claro que entende precisamente esta santidade como fruto do compromisso pessoal. Acrescenta, de fato, como para explicar em que consiste a santificação da qual está falando: «que vos afasteis da fornicação, que cada um saiba possuir seu corpo com santidade e honra» (1Ts 4, 3-9). «Não há senão uma tristeza: a de não ser santos», dizia Leon Bloy, e tinha razão a Madre Teresa quando, a um jornalista que lhe perguntou à queima-roupa o que ela sentia ao ser aclamada santa por todo mundo, disse: «A santidade não é um luxo, é uma necessidade».

 

Evangelho segundo São Mateus 5, 1-12
Ao ver a multidão, Jesus subiu a um monte. Depois de se ter sentado, os discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. Felizes os que choram, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. Felizes sereis, quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o gênero de calúnias contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa no Céu; pois também assim perseguiram os profetas que vos precederam.»

Por Pe. Fernando José Cardoso

Nesta solenidade de Todos os Santos, nós gostaríamos de felicitar em primeiro lugar a nós mesmos, porque nós, em estado insipiente, somos já Santos. Paulo escrever aos cristãos de Corinto e mesmo Éfeso, que não eram modelos de santidade acabada, os chamava Santos. Nós somos Santos porque estamos programados para a Santidade. Somos Santos porque o nosso destino eterno é a Santidade. Somos Santos porque a Santidade única de Cristo já nos contagia desde o dia do nosso Batismo. Programados a sermos plenamente Santos, a levar pleno cumprimento e acabamento na glória na qual o Cristo, através do seu Espírito, já começou em nós. Para aqueles que desejam o acabamento na glória, o Evangelho desta solenidade traz o programa: “Bem Aventurados os pobres. Bem Aventurados os humildes. Bem Aventurados os que choram. Bem Aventurados os puros de coração. Bem Aventurados os misericordiosos”. Os cristãos que querem chegar ao ápice da santidade sabem perfeitamente que devem andar na contra-mão da história, na contra-mão da sociedade, da mídia e do mundo que os envolve. Este mundo tem também as suas bem aventuranças: bem aventurados os ricos, os que possuem muito dinheiro, os que podem fazer compras e gastar quanto desejarem, os que vão a frente a custa de cotoveladas, à direita e à esquerda. Jesus, pelo contrário, ao nos indicar o caminho da contra mão que nos leva a verdadeira glória, fala-nos da bem aventurança da pobreza, da humildade, da pureza de coração, da misericórdia, do desejo insaciável: fome e sede de justiça neste mundo, justiça nas coisas de Deus e justiça nas coisas dos homens também. Eis-nos diante da nossa sublime vocação: o mundo, apesar do seu código de felicidade, não conduz ninguém para além da morte, tudo para este mundo termina com a morte de cada um. O Evangelho é realmente uma porta estreita, eu disse e repito nesta solenidade, que andamos com todos os Santos que nos precederam na fé e na glória, na contra mão. Entramos pela porta estreita Aqui se trata de carregar a cruz de Jesus Cristo, a cruz de cada dia, concreta, feita de pequenos sacrifícios, de pequenas abnegações. Sobretudo a cruz que se impõe a aqueles que desejam amar desinteressadamente, mas este caminho termina na glória: este caminho tem um acabamento onde nós hoje contemplamos os Santos na grandeza e na felicidade eterna de Deus. Tenhamos confiança. Intercessores tão numerosos, já serviram de sua própria salvação, estão solícitos com relação a nossa, eles nos ajudam de mil maneiras eficazes, porém discretas, a chegar onde eles chegaram, depois de terem transpostos e superados os obstáculos  em suas vidas também. A todos aqueles que têm esta visão, esta vocação, boas festas nesta solenidade de Todos os Santos.

 

Com todos os santos
Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular
Os Sete Graus do Amor (cf. com a trad. de Louf, Bellefontaine 1990, p. 217)

Na vida eterna, contemplaremos com os olhos da inteligência a glória de Deus, de todos os anjos e de todos os santos, assim como a recompensa e a glória de cada um em particular, das maneiras que quisermos. No último dia, no julgamento de Deus, quando pelo poder de Nosso Senhor ressuscitarmos com os nossos corpos gloriosos, esses corpos estarão resplandecentes como a neve, serão mais brilhantes do que o sol, transparentes como cristal […]. Cristo, nosso chantre e mestre de coro, cantará com a Sua voz triunfante e doce um cântico eterno, elogio e honra a Seu Pai celeste. Todos nós entoaremos esse cântico, com espírito alegre e voz clara, eternamente, para todo o sempre. A glória da nossa alma e a sua felicidade refletir-se-ão nos nossos sentidos e atravessar-nos-ão os membros; contemplar-nos-emos mutuamente com nossos olhos glorificados; escutaremos, diremos, cantaremos esse elogio de Nosso Senhor com vozes que nunca desfalecerão. Cristo servir-nos-á; mostrar-nos-á a Sua face luminosa e o Seu corpo com as marcas da fidelidade e do amor. Veremos também em todos os corpos gloriosos as marcas desse amor com que serviram a Deus desde o princípio do mundo […]. Os corações vivos embrasar-se-ão de um amor ardente por Deus e por todos os santos […]. Cristo, na Sua natureza humana, dirigirá o coro da direita, porque essa natureza foi o que Deus fez de mais nobre e sublime. A esse coro pertencem todos aqueles em que Ele vive, e que n’Ele vivem. O outro coro é o dos anjos; ainda que pela sua natureza estes sejam seres mais elevados, nós, os homens, recebemos mais de Jesus Cristo, com Quem somos um. Ele será, no meio do coro dos anjos e dos homens, o supremo pontífice, diante do trono da soberana majestade de Deus. E, diante de Seu Pai celeste, Deus todo-poderoso, oferecerá e renovará todas as oferendas que Lhe forem apresentadas pelos anjos e pelos homens; e estas renovar-se-ão ininterruptamente, e para sempre se manterão na glória de Deus.

 

Elementos para ser feliz
Dom Irineu Danelon, Bispo da Diocese de Lins/SP

Bem aventurado é sinal de felizes. Tenho tentado oferecer três elementos fundamentais para ser feliz: sabe qual é o primeiro elemento indispensável para ser feliz, para saborear a felicidade, é cuidar bem da vida: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida plena”. E como podemos cuidar bem da vida? Combatendo aquilo que combate a vida que são os nossos defeitos e isso chama-se conversão, não podemos colocar remendo. Não nascer da carne e do sangue, mas nascer do amor de Deus. Os nossos defeitos é que nos impedem de ser aquilo para o qual viemos ao mundo, ser portadores do amor de Deus. E a festa de todos os santos, nos lembra as pessoas que levaram a sério o seu processo de conversão, e que foram melhoram através da ascese, da mística, da oração, meditação da palavra de Deus, vivenciando os sacramentos, abrindo-se a misericórdia e permitindo que Deus o amasse. O segundo elemento indispensável para ser feliz é ter amigos, por melhor que seja alguém, jamais consegue ser tão feliz quanto todos nós unidos. Então Jesus que é o caminho veio nos indicar o caminho para ser feliz vivendo em comunidade, a Igreja é a comunidade que cresce por atração do amor, e é impossível não ser feliz quando vivemos em família. Terceiro elemento, para ser feliz além de cultivar a sua perfeição, guiado pela inteligência e iluminado pela Palavra, além de viver em comunhão, a alegria, a felicidade está em servir, porque a maior alegria em dar do que em receber.

 

FESTA DE TODOS OS SANTOS
Mt 5, 1-12a “Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”

Esses primeiros versículos do Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e como resumo do Sermão da Montanha. Apresentam-nos um retrato das qualidades do verdadeiro(a) discípulo(a), daquele que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanto a do tempo de Jesus, como a de hoje. Embora de uma forma menos contundente do que Lucas (Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver. Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas, quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”. As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de ser passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos. Tem fome da justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino. Cumpre lembrar a frase famosa do Papa Paulo VI: “Justiça é o novo nome da paz!” Mas, Jesus deixa clara a conseqüência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois, um sistema baseado em valores anti-evangélicos não pode aguentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso continente testemunha muito bem. Qualquer igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônico excludente precisaria se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (que na sua raiz significa “testemunho”) é a pedra-de-toque dessa fidelidade. O martírio nem sempre se dá pela morte física, mas muitas vezes pela morte lenta ao egoísmo e às ideologias de dominação, numa vivência fiel da luta pela justiça do Reino de Deus. É a concretização da declaração de Jesus: “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga.” (Mt 16,24) A festa de hoje não é tanto para que recordemos os nomes e façanhas dos grandes Santos/as conhecidos/as; mas, também para que lembremos de tantos milhões de pessoas, de todas as raças, culturas e religiões, que viviam a santidade no anonimato das suas vidas diárias, na luta de viver na fidelidade aos valores do Reino. O grande milagre que mostra a santidade é a vivência fiel em busca do bem, na dedicação à família, à comunidade e à sociedade, sempre procurando cumprir a vontade de Deus, seja qual for a nossa experiência d’Ele. Se examinarmos a nossa vida, veremos que já conhecíamos muitas pessoas santas, cujos nomes jamais serão conhecidos, mas que serviram como exemplo dos verdadeiros valores para nós. Que a celebração nos anime na busca da vivência fiel dos valores do Evangelho, não em grandes milagres, mas no dia a dia da nossa vocação, seja o que for.

 

A Oração Coleta desta solenidade apresenta-nos o sentido da celebração deste dia que tem dois objetivos: por um lado, celebramos os méritos de todos os santos; por outro, imploramos a misericórdia de Deus através dos santos que são intercessores. O Prefácio diz-nos como os santos celebram, ou seja, manifestam com a sua vida a glória da Jerusalém Celeste. Todavia, esta solenidade não se limita a contemplar e a celebrar a graça de Deus que foi derramada nos homens e nas mulheres que se aproximaram da santidade de Deus, mas também a dar ânimo a todos nós que estamos a peregrinar para a santidade de Deus, contando com a ajuda e a intercessão de todos os santos. Quem é santo? Na Sagrada Escritura, lê-se que só Deus é Santo. A santidade não é um atributo de Deus, mas é o seu verdadeiro nome. Esta santidade define a transcendência inacessível de Deus. Quando Deus escolhe Israel como o seu povo, comunica-lhe a sua santidade. Israel converte-se em povo santo, ao qual Deus lhe exige uma santidade de vida. Ao longo da sua história, os profetas procuraram fazer com que o povo compreendesse as exigências da santidade: o culto que Deus quer é o da obediência e do amor, ou seja, o do acolhimento íntimo do dom de Deus. Por isso, é necessário mudar o coração de pedra por um de carne. Cheio do Espírito Santo, Jesus é o Santo de Deus. A santidade de Jesus é a santidade do Filho de Deus. Recebeu-a de Seu Pai, mas pertence-lhe, é Sua. Esta santidade penetra profundamente a sua humanidade. Nós recebemos a santidade cristã, porque Cristo ama a Igreja e a tem como Esposa (Cfr. LG nº 39). Todo aquele que pertence à Igreja é chamado à santidade. “Esta santidade da Igreja… exprime-se de muitas maneiras em cada um daqueles que, no seu estado de vida, tendem à perfeição da caridade, com a edificação do próximo”. Para ser santo é preciso viver em união com Cristo. A segunda leitura diz-nos claramente isto: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de fato”. Depois, termina dizendo: “Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro”. A santidade exige a cada um de nós um processo de purificação para acolher verdadeiramente a união com Cristo.  A santidade de Deus que Jesus revela e que é derramada pela graça nos homens, deve ser acolhida. Foram muitas as pessoas que ao longo da história deixaram que a sua personalidade fosse marcada pelo selo do amor santificador de Deus. São pessoas que viveram, sofreram, amaram como nós, mas que abriram os seus corações à graça, deixando-se conduzir pelo Espírito. Cada uma com a sua personalidade, em momentos históricos diferentes, respondeu ao chamamento e ao convite do evangelho. A sua vida foi e é Boa Nova. A leitura das bem-aventuranças manifesta o pluralismo que sempre existiu na Igreja e que manifesta a santidade original de Deus. Quando proclamamos o evangelho, não pensemos que a palavra “Felizes” identifica aqueles que tiveram uma boa vida, mas aqueles que compreenderam que, na sua situação de vida, era uma bênção estar comprometidos, ou seja, amando todas as situações que viviam, porque assim poderiam conhecer melhor o significado do reino de Deus. Se repararmos bem, todas as bem-aventuranças não são situações de êxito, mas de luta, de pobreza, de limitação, mas que permanecem fiéis porque têm esperança. Os pobres possuirão o Reino; os que choram serão consolados (alguns serão consolados somente no Céu); os que têm fome e sede de justiça serão saciados; os misericordiosos serão compreendidos por Deus; os que são perseguidos por amor da justiça, passando pelo martírio, estarão com Deus, “são os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro” (1ª Leitura); são todos aqueles que viveram à sua maneira, mas com um profundo sentido de comunhão com Cristo, com a sua paixão e morte, acreditando pela fé na ressurreição. O testemunho dos santos dá-nos coragem a configurarmo-nos em Cristo, o Santo.

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