O mundo não precisa de palavras, mas sim de testemunhas

Papa São Paulo VI

22 de outubro de 2010, Posted by Pe. Mateus Maria

Caros irmãos, posto uma pregação muito bela, embora que não saiba a origem, mas serve para cada um de nós, é sobre o martírio, o testemunho, a vivência cristã, e abaixo posto um belo texto que traduzi do italiano – um pronunciamento do Papa São Paulo VI.
O Grande Papa São Paulo VI, um verdadeiro combatente de Deus, terminou a sua vida dizendo: “Combati o bom combate, guardei a fé, amei a Igreja e os Irmãos, e agora estou indo ao encontro, do meu Senhor!”.
Papa Montini, ainda quando era cardeal, pronunciadas em 26/6/1955 e 26/9/1958, aos sacerdotes, mas servem de meta para cada cristão:
“O nosso povo quer um padre, que seja padre, exemplo de dedicação e sacrifício, de desinteresse e de coragem, um exemplo de generosidade, um homem livre e sem medos, sendo para todos um pai e um servo para cada necessitado, de modo que não seja preso em suas ações, em seus pensamentos, mas perseverante no seu caráter sacro. Mas lembremos que não é por causa disso, de nossa bondade, que encontraremos favores e acolhida, e por isto, vos recordo neste momento de grandeza espiritual: “Ecce Ego mitto vos, sicut oves in médio luporum” (Mt 10, 16).
Sim, irmãos, A Igreja, Nosso Senhor vos envia fracos, em meio aos fortes, desarmados, entre os armados, vos envia como arautos do amor, em um campo de ódio e morte, vos envia como profetas do espírito em um mundo, em um mercado da matéria, vos envia como anunciadores do futuro prometido, com a riqueza de uma tradição, em um mundo sem esperança, sem um ontem e sem um amanhã, em um mundo baseado na conquista do sucesso presente. A Igreja não vos garante a tranqüilidade, ou imunidade, mas lhes diz com Cristo: ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo!
Hoje a Igreja, tem necessidade de uma fidelidade maior, pois o perigo na luta que ela enfrente, exige um amor maior a Ela e a Cristo, um amor sem medos, um amor maior, porque muitos filhos não a amam mais. ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! A vida com Cristo é grandiosa, maravilhosa, mas ao mesmo tempo é um risco, não é feita para os oportunistas, mas é feita de amor e sacrifício, de risco e confiança. Devemos saber que estamos em uma trincheira, onde nós devemos estar bem armados, pois se não estamos armados, e não somos capazes de combater, estamos já derrotados.
Pode ser que na dura luta não resistiremos, mas o Senhor está conosco e não temos o que temer. Posso até dizer que a Providência, quer que nós a sua Igreja, sejamos militantes, e ainda mais, nós que fizemos um juramento a Cristo, um voto, uma promessa no altar, nos oferecemos como sacrifício, e neste mundo moderno, devemos testemunhar o evangelho, devemos sofrer as suas conseqüências, sem medo.
O Senhor não quer aplainar as estradas, não quer tornar fácil o nosso caminho, o nosso ministério, não quer tornar a sua Igreja triunfante, mas nos quer sofredores, lutadores, que dêem o testemunho com perseverança, dom fadiga, com suor, e se a ele agradar, também testemunhar com o sangue, sangrando de fidelidade e amor a Cristo. Ousemos irmãos, ‘Nolite Temere!’ Esta expressão retorna sempre no evangelho, Não tenhas Medo!
Mostremos ao Senhor que o queremos bem. Sejamos dispostos a superar os medos, a ignorar também os insucessos, sejamos dispostos a sacrificar-nos, e a fazer as coisas para o Senhor, para a Igreja, para os irmãos de modo sério, pois se tivermos esta psicologia de querer enfrentar e afrontar os problemas, o mundo, e aquilo que a providência nos colocar a diante no caminho, enfrentando com o Senhor, já somos mais que vencedores! Ousemos!
Por fim, eu não tenho mais o que dizer e a oferecer-vos, além destas palavras: Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! Recordo-lhes que Jesus é nosso guia, o mestre, ele é o Senhor vivo na vossa alma, é a vossa coragem, e deseja dar-vos uma grande recompensa, e vos promete: “Gaudete autem, quod nomina vestra scripta sun in caelis” (Lc 10, 20) “Os vossos nomes estarão escritos no céu!”.

 

Confissão do Papa São Paulo VI

Ao Papa São Paulo VI coube dirigir a Barca de Pedro nos difíceis tempos pós-conciliares. Em 1977, numa confissão marcada pela angústia e, ao mesmo tempo, pela confiança em Deus, que jamais abandona a Igreja, disse:

“Há uma grande perturbação, neste momento, no mundo e na Igreja, e está relacionada com a fé. Vem-me agora repetidamente à memória a frase obscura de Jesus no Evangelho de S. Lucas: ´Quando o Filho do homem retornar, encontrará ainda fé sobre a Terra?´ Vem-me à memória que se publicam livros nos quais a fé está em retirada, em alguns pontos importantes, e que o episcopado se cale, não achando estranhos estes livros; isto, segundo minha opinião, é estranho. Releio às vezes o Evangelho do fim dos tempos e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim. Estamos próximos do fim? Isto jamais saberemos. É necessário estarmos sempre prontos, mas tudo pode durar ainda muito tempo. O que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que, no interior do catolicismo, parece às vezes dominar um pensamento do tipo não católico e pode acontecer que este pensamento não católico, no interior do catolicismo, torne-se amanhã o mais forte. Mas jamais representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja” (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153).

 

A autoridade da Igreja – audiência de São Paulo VI

Diletos filhos e filhas!

A boa palavra, que é esperada de Nós para dar nesta Audiência qualquer simples motivo de reflexão espiritual, refere-se a uma impressão, que quase sempre produz na mente dos visitantes para o encontro com o Papa: a impressão da “autoridade”.

E é impressão exata. Aqui tudo fala de autoridade: as chaves de Pedro figuram em todos os lugares. A composição própria desta reunião coloca em evidência a estrutura orgânica e hierárquica da Igreja. A presença do Papa, da Cabeça visível da Igreja, acentua esta impressão recordando a todos como existe na Igreja um poder maior, que é a prerrogativa pessoal, que tem autoridade sobre toda a comunidade em nome de Cristo; poder não só puramente externo, mas capaz de criar ou dissolver obrigação interna à consciência; e não já deixado à escolha opcional dos fiéis, mas necessário à estrutura da Igreja; e não deriva dessa, mas de Cristo e de Deus. Será útil, peregrinos ou visitantes que são vós, refletirdes sobre esse aspecto da Igreja Católica, o qual adquire nesta sede a sua mais manifesta expressão.

Sim, aqui estamos no centro da autoridade da Igreja. E qual reação desperta em seus corações esta observação, aqui tão óbvia e documentada? Isso: Pode ser que a primeira reação espontânea não seja de alegria. Será talvez uma reação de interesse curioso ou de admiração; mas não em todos, não sempre, de satisfação. Em alguns, de fato, pouco formados ao “sentido da Igreja”, será de desconfiança e quase de defesa, de repulsa para com um poder tão alto e tão indiscutível. Como assim? Por que esta atitude negativa a um poder de paternidade, de serviço e de salvação?

Levaria muito tempo para explicá-lo. Mas todos podem ver que se difundiu bastante em toda parte a mentalidade do protestantismo e do modernismo, negadora da necessidade e existência legítima de uma autoridade intermediária na relação da alma com Deus. “Quantos homens entre mim e Deus!” (Rousseau) exclama a voz famosa de um seguidor dessa mentalidade. E se há falado de religião de autoridade e de religião de espírito, em oposição um ao outro, por identificar na religião da autoridade o catolicismo, e na religião do espírito as correntes do sentimento religioso liberal e subjetivista do nosso tempo, e por concluir que a primeira, a religião chamada da autoridade, não é autêntica e que a segunda deve proceder  e realizar por si só, sem vínculo exterior, arbitrário e sufocante. E assim o plausível progresso da cultura moderna, sobre a personalidade humana, acerca da liberdade individual, acerca da primazia moral da consciência muitas vezes conspiram para tal função, ou diminuir a competência, ou a mortificar o prestígio da autoridade religiosa.

Se realmente a autoridade religiosa – falamos daquela constitutiva e diretiva da Igreja católica – fosse um poder arbitrário, ou fosse contrário à vida espiritual, ou colocasse vínculos indevidos à consciência, ou até mesmo se concebesse à mesma maneira da autoridade temporal, esta desconfiança, este ressentimento, esta reivindicação de autonomia subjetiva teria razão de ser. Mas vós sabeis que não é.

Vós que tendes, e quereis ter o “sentido da Igreja” sabeis muito bem de duas coisas, nesta discussão muito importante. E sabeis, em primeiro lugar, que a autoridade na Igreja, e, portanto, na religião, não se constitui por si só, mas ela foi instituída por Cristo; é o seu pensamento, é sua vontade, é obra sua; e, portanto, antes da autoridade da Igreja, devemos sentir a presença de Cristo. “Quem vos ouve, a mim ouve” (Luc. 10, 16), disse o Senhor. E todas as vezes que se tenta impugnar esta instituição, que é o poder apostólico, tanto de santificação, quanto de magistério e de governo na Igreja, se colide contra a palavra, contra o desejo, contra o amor de Cristo.

Sim, até contra o amor de Cristo. Porque a autoridade na Igreja, para ser eficaz, mesmo quando ela é forte e serva, é um instrumento da sua caridade. A autoridade na Igreja é o veículo do dom divino, é serviço de caridade para a caridade; de fato instituída a fim de pôr em exercício a favor da salvação o grande preceito do amor; não é expressão de orgulho, não está para realizar vantagem própria, nem mesmo é uma cópia da autoridade civil, armada com uma espada e vestida de glória. É uma função pastoral, direcionada para condução e para a prosperidade dos outros; e não só não é contrária à dignidade a vitalidade espiritual da alma em que é exercido, mas é instituída para conferir com precisão a sua dignidade e vitalidade espiritual e para garantir a sua luz da verdade divina, para distribuir os seus dons do Espírito, e para assegurar-lhes o caminho certo para Deus. Santa Catarina diz bem, trazendo palavras sugeridas pelo Senhor: “Eu quis que alguém tivesse necessidade do outro, e assim foram meus ministros para ministrar as graças e dons que receberam de mim. Pois, queira o homem ou não, não pode exercer nada menos do que um ato da caridade.” (Dialogo, Ed. Ferrari, Roma, 1947, p. 19-20). E é, portanto, função providencial e indispensável. Retornamos à Nossa mente as palavras do Pontifical, que Nós dizemos na ordenação do Sacerdote:  «Quanto fragiliores sumus, tanto his pluribus indigemus». [Quanto mais frágeis somos, mais precisamos de vossa ajuda].

Caríssimos Filhos. Gostaríamos que esta Audiência provocasse em vós a meditação deste aspecto da vida eclesiástica, para confortar-lhes o reconhecimento ao Senhor que por sua vontade estabeleceu e para reavivar em si a adesão cordial e fiel a autoridade da Igreja, na qual autoridade agora Nós de todo corações vos abençoamos.

Audiência de Paulo VI, 04 de novembro de 1964.

 

Oração ao Espírito Santo  

“Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da santa Igreja! Um coração grande, desejoso de tornar-se semelhante ao Coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte, constante até o sacrifício, quando for necessário!  Um coração cuja felicidade é palpitar com o Coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente a vontade do Pai. Amém.”
Papa São Paulo VI 

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