Nossa Senhora da Conceição Aparecida – 12 de Outubro

Padroeira e Rainha do Brasil
Por Pe. Fernando José Cardoso

O Brasil é terra de Maria Santíssima, porque desde o seu descobrimento foi terra de Jesus Cristo (o seu primeiro nome foi ‘Terra de Santa Cruz’, o que quer dizer terra de Jesus!). Conta a história que em 1717 três pescadores, chamados João, Felipe e Domingos, trabalhavam com suas redes no Rio Paraíba, sem conseguir nenhum resultado. O governador de Minas Gerais e de São Paulo ia passar por aquelas terras, e os pescadores haviam recebido ordem de levar tudo o que lhes caísse nas redes, para o banquete que ia ser oferecido àquela autoridade. As horas passavam e as redes iam e vinham nas águas do rio sem apanhar um só peixe sequer. Cansados e derrotados, João lançou novamente as redes e, para sua surpresa, recolheu o corpo sem cabeça de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição. Tornou a lançá-la e dessa feita surgiu a cabeça que se ajustava perfeitamente ao corpo da imagem aparecida nas águas. Guardaram piedosamente a imagem recém aparecida entre os seus pertences, e confiando em Nossa Senhora, lançaram outra vez as redes na água. A partir desse momento, a pesca foi tão abundante que tiveram o receio de virar o barco pelo muito peixe que havia nas canoas. Começou então a veneração a essa imagem, guardada primeiramente na casa de Felipe. Colocada depois num oratório, “ajudava a vizinhança a cantar o Rosário e demais devoções”. Era o início de um fervor popular que cresceria mais e mais com o passar dos tempos. Incontáveis peregrinos dirigem-se diariamente aos Santuários dedicados a Nossa Senhora, para encontrarem ali os caminhos de Deus ou neles se reafirmarem na fé, para acharem a paz de suas almas e consolo nas suas aflições. Nesses lugares de oração, a Santíssima Virgem Maria torna mais fácil e acessível o encontro com o Seu Divino Filho. O que buscavam os antigos romeiros? O que buscam os peregrinos de hoje? Aquilo mesmo que buscavam no dia, mais ou menos remoto do seu Batismo: a fé e os meios para alimentá-la. Buscam os Sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento Eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida. São Bernardo explica com beleza que a Virgem Maria é o canal que, recebendo a graça que brota na fonte do coração do Pai, no-la distribui. Este fluxo de água celestial desce sobre os homens “não todo de uma vez, mas gota a gota… sobre os nossos corações ressequidos, segundo a nossa capacidade e as nossas disposições para recebê-la”. Maria Santíssima é o atalho pelo qual chegamos mais depressa a Jesus Cristo. Não deixemos cair na rotina as pequenas devoções com que nos dirigimos a Ela cada dia: o Ângelus, o Santo Rosário, as três Ave-Marias para pedir pela santa pureza de todos, a devoção do Escapulário… e quando formos buscar sua intercessão, por qualquer necessidade que seja, acolhamo-nos especialmente à sua misericórdia e amor, fazendo tudo o que por meio de Maria, Jesus nos disser.

 

APARECIDA E SUA MENSAGEM
Deus se encantou com esta mulher e a fez sua Mãe
Pe. Rinaldo Roberto de Rezende, Cura da Catedral de São Dimas

Bem escreveu Dom Helder Câmara, saudoso arcebispo de Recife e Olinda: “Não nos basta tua sombra, ó Mãe, comove-nos tua imagem!” É assim que nos sentimos diante da pequenina imagem da Senhora Aparecida. Como aconteceu esta “aparição”? A história é muito comentada, mas podemos nos perder nos detalhes e, por isso, arrisco contá-la numa pequena síntese. Em 1717, iria passar pelo nosso Vale do Paraíba o Conde de Assumar, uma visita ilustre para os pobres moradores da região ribeirinha. Fazia parte da viagem passar pelo Porto de Itaguaçu, hoje cidade de Aparecida. Conta-se que iriam servir uma refeição para o Conde. O que tinham de melhor? Os peixes do Rio Paraíba. Mas o rio não estava para peixe. Com receio de não terem o que servir, pediram ajuda aos céus. Lançaram as redes, e nada. Até que pescaram o corpo de uma pequena imagem e, em seguida, veio para a rede a cabeça, da mesma imagem. Que imagem era essa? Uma imagem barroca, de terracota, da Imaculada Conceição. Acredita-se que esta imagem tenha sido lançada no Rio Paraíba na altura da cidade de Jacareí. Por sinal, bem junto à ponte que liga a Praça dos Três Poderes ao bairro São João, existe uma antiga capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Mais um detalhe, a padroeira da Matriz de Jacareí é a Imaculada Conceição. A partir daí a pequenina imagem de cor morena, devido ao lodo do fundo do rio, passou a ter como casa a casa dos pescadores. Tempos depois improvisaram uma pequena capela. A fama da imagem foi crescendo. Qual imagem? Aquela “aparecida” nas águas do rio. Daí vem o nome, que se tornou nome de tantos e tantas: Aparecida. Alguém poderia se perguntar: qual a mensagem deixada? Como tantos outros já disseram, aqui registro o seguinte: a mensagem de Aparecida está ligada ao modo como apareceu e ao contexto histórico. A imagem da Imaculada Conceição traz Maria grávida de Jesus. É de uma mulher grávida. Maria vem para nos apresentar Jesus, para nos apresentar a Jesus. Isto é o que importa. A imagem está de mãos postas, como que rezando. A nós ela pede que façamos o que Jesus nos disser, a Ele ela intercede por nós: “Eles não têm mais vinho”, como no Evangelho de João, no capítulo segundo. A cabeça e o corpo precisam ser unidos, como a Igreja Corpo Místico de Cristo precisa estar unida a “Cristo Cabeça”. Sem Ele, cabeça deste corpo, nada somos e nada podemos. Ainda, a imagem vem para a barca dos pescadores. A barca é símbolo da Igreja nos Evangelhos. Maria entra na história do nosso povo, da Igreja no Brasil. A imagem brota das águas, como nós brotamos para a Igreja pelas águas purificadoras do Batismo. A imagem vem para os pequenos, para os pobres, e num período em que os negros viviam no regime da escravatura. Aí vem uma outra “coincidência”: só em 1888 a imagem recebe uma “casa digna”, que hoje chamamos de Basílica Velha. Parece-nos que ela esperou seus pobres filhos serem libertos para aceitar um presente melhor. A casa só veio quando seus filhos foram libertos. Ela é a Mãe Morena do povo brasileiro. Também quero sublinhar os presentes que o povo deu à imagenzinha: uma coroa, uma capa. Assim ela foi ornamentada. Deus se encantou com esta mulher e a fez sua Mãe. Ela, por sua vez, também nos encantou. Contemplando a pequenina imagem, vemos um esboço de sorriso em seus lábios. Ela é, sem dúvida alguma, o sorriso de Deus para a nossa gente, para todos nós!

 

A intercessora do povo
Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

“Com grande alegria rejubilo-me no Senhor, e minha alma exultará no meu Deus, pois me revestiu de justiça e salvação, como a noiva ornada de suas jóias”

O Brasil está unido, de norte a sul, de leste a oeste, para a grande festa de nossa excelsa padroeira: a Virgem da Conceição, Aparecida das águas do Rio Paraíba, no vale do mesmo nome, no ano de 1717. A devoção a Virgem Maria que nos abre o caminho mais rápido para contemplarmos a Santíssima Trindade. No majestoso Santuário Nacional de Nossa Senhora, na paulista Aparecida, ou nas Catedrais, Igrejas Matrizes, Igrejas Filiais e Capelanias de todo o imenso território nacional os fiéis precedidos de seus Pastores, louvam a Deus, por intermédio de sua Mãe que nos legou o mais simples e profundo modo de seguir a Jesus Cristo, o Redentor: “Fazei tudo o que Ele vos disser!” (cf. Jo 2, 5). Maria deve ser colocada, dentro de um bom entendimento da liturgia de hoje, como a intercessora do povo, como principal padroeira do povo Brasileiro. A Virgem Aparecida nos traz recordações importantes na vida cristã: como a ternura maternal da Virgem, sua dedicação a Jesus como mulher de fé, seu serviço prestado a toda a humanidade. Em Maria temos o mais perfeito exemplo do discípulo e da discípula de Jesus, que sabe cumprir os mandamentos e fazer realizar a única vontade do Pai, que se concretiza na salvação do povo de Deus. A Virgem Maria deve ser apresentada como o Modelo acabado de fidelidade do ser humano a Deus. Maria da fraternidade. Maria da acolhida. Maria da graça. Maria da partilha. Maria da misericórdia. Maria da graça santificante. Maria da generosidade. Maria do serviço! Relembramos assim, a visita do Conde de Assumar, em 1717, em Guaratinguetá, quando os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso foram escalados para pescar peixes para a refeição da visita ilustre, sendo este dia uma sexta-feira, dia de abstinência de carne. Os homens simples do Vale do Paraíba nada pescaram. Quando já estavam quase desanimando jogaram a rede e retiram uma imagem pequena de Nossa Senhora da Conceição, um pouco enegreada pela água, sem a cabeça. Outro arremesso. Veio a cabeça da imagem. Assim prosseguiu mais um arremesso e veio a pesca abundante. Deus abençoava, naquele momento, os três pescadores. A imagem da Virgem da Conceição, feita de barro cozido, enegrecida pelas águas e pelo tempo, medindo 36 cm, foi levada para o culto divino. Em 1745 foi construída uma Capela no alto do Morro dos Coqueiros. Nascia, assim, a devoção a Virgem Aparecida, Mãe do Povo Brasileiro. Em 1888 foi substituída a primitiva capela por uma Igreja. Em 1894 a Igreja e a devoção a Nossa Senhora foi enriquecida pela presença dos Missionários Redentoristas que passaram a gerir o Santuário Nacional. Desde 1953, a festa de Nossa Senhora Aparecida, tem como dia de celebração o dia 12 de outubro. Desde 1930 Nossa Senhora Aparecida abençoa o povo brasileiro como sua Padroeira Nacional. Em 4 de Julho de 1980 o Sumo Pontífice João Paulo II, de venerável memória, consagrou o novo Santuário Nacional. Em 13 de maio de 2007, o Sumo Pontífice Reinante, Papa Bento XVI, abriu a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho nos fazendo o doce convite para “sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo para que todos tenham vida e vida plenamente”. Na véspera deste memorável encontro, no interior da majestosa Basílica, o Santo Padre rezara o terço com os ministros sagrados e o povo de Deus, na mais cândida homenagem a Maria que abençoa o povo brasileiro. A história ensina que Maria é a verdadeira salvaguarda da fé; em cada crise, a Igreja reúne-se à volta d’Ela. Só assim os discípulos do Senhor poderão ser para os outros sal da terra a luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14). “Feliz do povo, cujo Senhor é Deus, cuja Rainha é a Mãe de Deus!” Assim proclamava o Papa Pio XII e assim poderá exclamar essa dileta arquidiocese de Aparecida, se devidamente souber voltar os olhos para Aquela que gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. É que a missão essencial da Igreja consiste precisamente em fazer nascer Cristo no coração dos fiéis (cf. Lumen gentium, 65) pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização. Salvos das águas pela fé e pelo Batismo, os cristãos podem atingir algo daquilo que contemplam na Virgem Aparecida, a Imaculada, se seguirem o seu conselho: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”. Esta parte fica como a nossa missão na festa da Virgem Maria Aparecida. Amém!

 

ORAÇÃO PELAS CRIANÇAS

Jesus, porém, chamou-as e disse: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas” (São Lucas 18, 16).

Neste dia 12 de outubro, dia das crianças, podemos colocá-las no colo de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, mãe de Jesus e nossa também. Vamos juntos rezar pelas crianças do Brasil e do mundo. Senhor, as nossas crianças precisam de Deus, de crescer com valores humanos e cristãos, que ajudem a fazer melhor suas escolhas. Elas precisam de um lar equilibrado e pais que se amem, para que elas não percam o valor do amor e da vida; Nossas crianças precisam ser crianças e não trabalhar antes da hora ou roubar os seus direitos financiando guerras de adultos inconseqüentes; Elas precisam de saúde e segurança para crescer e ajudar o nosso país a conquistar o futuro de outras crianças; Senhor, as nossas crianças precisam de paz, de viver sem medo e sem o horror da violência; De uma casa para morar; De liberdade para sorrir e brincar; Peço Senhor, que nossas crianças tenham a oportunidade de estudar, de aprender a ler e escrever e encontrar a sua vocação; Precisam de pais que participam, de diversão, para que cresçam normais; De brinquedos sadios, que não destruam suas consciências; Pipoca, guaraná, cinema, praia, futebol, amizade, tranqüilidade, carinho, bichinhos, tios e avós… Senhor, as nossas crianças precisam de mim e de você que está rezando por elas agora! Lembrei-me de uma música: “Depende de nós… a felicidade de nossas crianças”. “Ó meu bom Jesus, que a todos conduz, olhai as crianças do nosso Brasil!”

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