A causa do “corpo incorrupto” do Papa João XXIII

POR QUE O CORPO DO PAPA JOÃO XXIII CONSERVA-SE INTACTO 54 ANOS APÓS A SUA MORTE?
Rádio Vaticano

Cidade do Vaticano, 03 jun (RV) – Se o corpo do Papa João XXIII permanece incorrupto 54 anos depois de sua morte, não se trata de um milagre, nem tampouco obra de uma embalsamação bem feita. Que não se trate de um milagre, foi o próprio Arcipreste da Basílica Vaticana, Cardeal Virgilio Noè, a confirmá-lo, ao anunciar o rito de trasladação dos restos mortais do Pontífice e sua exposição aos fiéis.

E a excluir que se trate de embalsamação – pelo menos no sentido clássico do termo – foi o Prof. Gennaro Goglia, de 78 anos de idade, numa entrevista concedida ao semanário Família Cristã, em sua edição italiana.

Foi o Prof. Gennaro que, Jona noite de 3 de junho de 1963, recebeu o encargo por parte da Santa Sé, de tratar do corpo do Pontífice falecido. Ele submeteu o corpo do Papa João XXIII a um tratamento à base de formalina, para preservá-lo de uma inevitável decomposição. Mas não se tratou de uma embalsamação.

O médico revelou que naquela noite, colocou em prática, no corpo do falecido Pontífice, um método de conservação estudado em Lausanne, Suíça, juntamente com o Prof. Winkler, uma autoridade nesse campo.

“A técnica – explica o Prof. Goglia – consistia na inserção, no corpo, de um líquido especial cuja fórmula eu criei, sem deixar sair nem mesmo uma gota de sangue”. Os 10 litros foram preparados no Instituto de Anatomia. Foram colocados num galão de plástico com uma pequena torneira, dotada de um longo tubo com uma agulha na extremidade.

Quando o Prof. Goglia iniciou o tratamento, o rosto do “Papa Bom” ainda continha resíduos do óleo utilizado pelo escultor que modelou sua máscara mortuária. O óleo é utilizado a fim de que o material de modelagem não grude na pele.

“Erguermos o galão sobre o tripé – explica ainda o Prof. Goglia – fizemos uma pequena incisão no pulso esquerdo do Papa e inserimos a agulha. Meu medo é que saísse sangue, ou que a pele se rompesse. Eu temia derramar o sangue de um Papa que já então era considerado um santo. Mas tudo correu bem e às 5h00 da manhã de 4 de junho a operação estava concluída.

“O líquido – acrescenta o médico – havia preenchido todos os capilares, bloqueando o processo de degeneração. Injetamos o líquido também no abdome do Papa, praticamente destruído pelo câncer, para eliminar todas as bactérias, e assim concluímos o tratamento.”

Nos dias sucessivos, o Prof. Goglia retornou ao Vaticano para controlar o estado de conservação do corpo, no curso das diversas trasladações que sofreu. Eis porque, 53 anos depois, os restos mortais do “Papa Bom” cuja santidade já era conhecida ainda em vida, se conservam intactos. (AF)

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